1ª Verdade.

— A vida sobrenatural é a vida do próprio Jesus Cristo em mim; ação íntima que Deus quase sempre oculta à minha alma para aumentar o mérito da minha fé; ação, portanto, habitualmente insensível às minhas faculdades naturais e que unicamente a fé me obriga formalmente a crer; ação divina que deixa subsistir o meu livre arbítrio e utiliza todas as causas segundas, acontecimentos, pessoas e coisas, para me fazer conhecer a vontade de Deus e deparar-me ocasiões de adquirir ou aumentar a minha participação na vida divina. 2ª Verdade. — Jesus Cristo comunica-me o seu Espírito por meio desta vida. E assim se torna o princípio de atividade superior que me leva, caso eu lhe não ponha obstáculos, a pensar, a julgar, a amar, a querer, a sofrer, a trabalhar com ele, nele, por ele, como ele. As minhas ações exteriores tornam-se a manifestação desta vida de Jesus em mim. Assim, tendo para a realização do ideal de Vida Interior formulado por S. Paulo: Já não sou eu que vivo, é Jesus Cristo que vive em mim. 3ª Verdade. - Privar-me-ia de um dos mais poderosos meios de adquirir esta vida interior, se me não esforçasse por ter fé precisa e certa desta presença ativa de Jesus em mim, e, sobretudo por alcançar que essa presença se torne em mim uma realidade viva, vivíssima até, que vá penetrando cada vez mais a atmosfera das minhas faculdades. Tornando-se por esta forma Jesus minha luz, meu ideal, meu conselho, meu apoio, meu recurso, minha força, meu médico, minha consolação, minha alegria, meu amor, numa palavra minha vida, hei de adquirir todas as virtudes. 4ª Verdade. - A minha vida sobrenatural pode crescer a cada instante em proporção com a intensidade do meu amor a Deus, por meio de nova infusão da graça da presença ativa de Jesus em mim; infusão produzida: a) Por ocasião dos Atos meritórios (virtude, trabalho, sofrimentos sob as suas diversas formas: privação das criaturas, dor física ou moral, humilhação, abnegação, oração, missa, ato de devoção a nossa Senhora, etc.). b) Pelos Sacramentos, sobretudo a Eucaristia. E, pois, certo, e esta conseqüência esmaga-me com a sua sublimidade e profundeza, mas enche-me sobretudo de júbilo e de coragem, é, pois, certo que por meio de cada acontecimento, pessoa ou coisa, vós, ó Jesus, vós próprio vos apresentais objetivamente a mim. e em todos os momentos. Ocultais sob essas aparências vossa sabedoria e vosso amor, e solicitais minha cooperação para aumentar em mim vossa vida. Ó minha alma, é sempre Jesus que a ti se manifesta por meio da graça do momento presente, oração a dizer, missa a celebrar ou a ouvir, leitura a fazer, atos de paciência, de zelo, de renúncia, de luta, de confiança, de amor a praticar. Ousarás desviar teus olhares ou esconder-te? 5ª Verdade. — A tríplice concupiscência, causada pelo pecado original e aumentada por meio de cada um dos meus pecados atuais, gera em mim elementos de morte opostos à vida de Jesus. Ora, esses elementos diminuem o exercício desta vida, na medida do grau em que se desenvolverem. Podem até, ai! chegar a suprimi-la. Sem embargo, inclinações e sentimentos contrários a essa vida, tentações, embora violentas e prolongadas, nenhum prejuízo lhe causam enquanto a minha vontade a tudo isso se opuser. E então, verdade consoladora, contribuem até, como qualquer elemento de combate espiritual, para aumentá-la, e isto conforme a medida do meu zelo.

comunhões espirituais. ou se. a minha inteligência há de obcecar-se e a minha vontade tornar-se mui fraca para cooperar com Jesus no aumento e na conservação da sua vida em mim. os pecados. conservar o meu coração numa pureza e numa generosidade suficientemente grandes para não ser abafada a voz de Jesus. faltar-me. b) Fazer reviver a minha compunção de amor pelo conhecimento das vossas chagas.Mui deveras devo temer o não possuir o grau de vida interior que Jesus exige de mim. a guarda do coração aperfeiçoa-a. devido à ausência desse recolhimento indispensável. orações jaculatórias sobretudo em forma de súplica. no decurso das minhas ocupações. esse grau mínimo há de. a fim de que o vosso sangue vivo. pondo-me de maneira decidida em presença do meu fim. sem contensão. eu me prostrarei a vossos pés sacratíssimos. mormente: meditação matutina. se não mais ponho em prática os meios. 7ª Verdade. correndo por minha cabeça e pelo coração. dissipe minha cegueira. Sem ele. como o temor de lhe desagradar seja no que for. à medida que eles se vão apresentando. por culpa minha. etc. exercício da presença de Deus. mas bastante enérgica pois se baseia no recurso filial a Deus. no Calvário. se me abstiver dos meios que podem assegurá-lo: vida litúrgica. em preservar todos os meus atos. dos juízos de Deus. Desde logo. derreta o gelo de minha alma e galvanize o entorpecimento de minha vontade. da eternidade. o qual deve ficar livre para a prática dos seus deveres. Ora. . deveria tentar tudo para dela sair: a) Reavivar meu temor de Deus. e convidando-me a combatê-los. e poderei até não fazer caso deles. pouco a pouco se vai adquirindo o hábito dele. do pecado etc. Se por desgraça viesse a cair nesta tibieza (e a fortiori se ainda estivesse mas abaixo). etc. Por meio da freqüência deste exercício. a) Se cesso de aumentar a minha sede de viver de Jesus. No entanto. É um trabalho mais do coração e da vontade que do espírito. da morte. diminuição progressiva dessa vida e marcha para a tibieza de vontade. Ora. . regulando-a pelo espírito de Deus e acomodando-a aos deveres do estado. ó misericordioso Redentor. a ilusão há de servir-se das aparências de uma piedade mais especulativa que prática. Longe de embaraçar a ação. do inferno. Que faria Jesus? Como se comportaria ele em meu lugar? Que me aconselharia? Que exige ele de mim neste momento? Tais são as questões que espontaneamente se apresentam à alma ávida de vida interior. — Sem o emprego fiel de certos meios. missa e sacramentos. ou pelo menos freqüente. leitura espiritual. fico responsável pela minha cegueira. a alma dissipada não pode pô-la em prática. natural. assinalando-me os elementos de morte que se apresentam. tanto o desejo de agradar a Deus em tudo. por certo. 8ª Verdade. de tudo o que poderia viciar a sua causa motriz ou a sua prática. veniais hão de chegar a pulular na minha vida. Solicitude tranqüila. Para os ocultar e até para esconder de mim mesmo um estado mais lamentável. de zelo pelas obras. Em espírito.6ª Verdade. A guarda do coração exige certo recolhimento. exames particular e geral. — A minha vida interior há de ser o que a minha guarda do coração for: Esta guarda do coração outra coisa não é senão a solicitude habitual. já que fiz nascer e alimento a causa dela. b) Se não tenho aquele mínimo grau de recolhimento que me permita. esses meios já não me são proveitosos. com toda a certeza cesso. sede que me dá.

como às obras. a fim de se preferir o que imita a pobreza do Salvador e o seu amor pelos sofrimentos e pelas humilhações. segurança do auxílio de Deus e penhor de bom êxito para minhas obras! .Para a alma que vai a Jesus por Maria. É a ação contra a natureza. da confiança nos meus talentos. quando esta aspira a imitá-lo seriamente. Jesus oferece-me. por meio de uma verdadeira vida interior. até no seio das provações 11ª Verdade. . E como ela me fará sentir a necessidade da oração para obter essa humildade. em tudo e com todo o afeto. quer sejam conformes quer contrárias a seus gostos. 10ª Verdade. para com ela me adornar.Jesus Cristo reina na alma. tesouro para minha alma. Então se tornarão onipotentes. e o recurso a esta boa mãe torna-se uma como incessante necessidade para o seu coração. todos os meios de regressar a uma vida interior que me restitua sua intimidade e me permita desenvolver em mim sua vida. apenas quer como sua regra única e universal a vontade de Deus b) A alma inclina-se de melhor vontade para o que a contraria e repugna à natureza. caso eu queira orar e tornar-me fiel à sua graça. .Seja qual for meu estado. Então. Nesta imitação há dois graus: a) A alma esforça-se por se tornar indiferente às criaturas consideradas em si. Realiza então o agendo contra de que fala Santo Inácio na sua célebre meditação do Reino de Cristo. seriam rejeitados por Deus. Somente serão úteis e abençoados por Deus. 9ª Verdade. Se promanassem de uma capacidade orgulhosa. essa convicção será minha força. no decurso dos seus progressos. quando eu. antes de mais nada hei de arraigar em minha alma esta convicção firme: Jesus deve ser e quer ser a vida dessas obras. A exemplo de Jesus. do desejo de bons êxitos. minha alma não cessará de possuir a alegria. esta guarda do coração reveste-se de um caráter ainda mais afetuoso. porquanto não seria acaso sacrílega loucura da minha parte querer arrebatar a Deus. Meus esforços por si nada são. absolutamente nada. — Se Deus exigir assim de mim a aplicação da minha atividade à minha santificação. uma porção de sua glória? Longe de gerar em mim a pusilanimidade. os trouxer constantemente unidos à ação vivificadora de Jesus.

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