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A OUTRA FACE DA

DOENÇA

IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL

A Outra Face da Doença

ÍNDICE

APRESENTAÇÃO

4

 

PREFÁCIO

5

PALESTRA PROFERIDA PELO FUNDADOR DA IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL NO AUDITÓRIO DO "HIBIYA PUBLIC HALL" - TÓQUIO, JAPÃO

7

EU E A IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL

18

 

A

VERDADEIRA SALVAÇÃO

19

UTILIZAÇÃO DO ESPÍRITO

22

O QUE É A IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL

25

A TRANSFORMAÇÃO DO MUNDO EM PARAÍSO E O PROBLEMA REFERENTE À

 

SAÚDE

27

O

MUNDO ISENTO DE DOENÇA, POBREZA E CONFLITO

30

OS DESCRENTES E OS CRENTES

32

A

VERDADE SOBRE A SAÚDE

36

O

HOMEM É UM POÇO DE SAÚDE

39

A

VERDADEIRA SAÚDE E A SAÚDE APARENTE

41

COMO TORNAR AS CRIANÇAS SAUDÁVEIS

42

MÉTODO PARA QUALQUER PESSOA ENGORDAR

44

MÉTODO PARA A MULHER SE TORNAR MAIS BELA

45

MEDICINA DESPORTIVA

46

A

BEBIDA E A RELIGIÃO

48

MEU MÉTODO DE SAÚDE

50

O

QUE É A MORTE

53

MORTE NATURAL E MORTE ANTINATURAL

55

ANÁLISE DAS TOXINAS

57

OS TRÊS TIPOS DE TOXINAS

61

TOXINAS URINÁRIAS

62

A

CAUSA DO PECADO ESTÁ NOS MEDICAMENTOS

63

A

CAUSA DOS ACIDENTES

65

O

TRATAMENTO NATURAL

67

OS PONTOS FALHOS DA MEDICINA E A CAPACIDADE DE RECUPERAÇÃO NATURAL

69

O

QUE É A DOENÇA

71

A

VERDADEIRA CAUSA DAS DOENÇAS

74

O

QUE É A DOENÇA?

77

A

GRIPE

77

A

VERDADEIRA CAUSA DA DOENÇA ESTÁ NO "ESPÍRITO"

81

A

CAUSA DAS DOENÇAS E O PECADO

84

O

PECADO E A DOENÇA

89

O

QUE É O ESTADO LIGEIRAMENTE FEBRIL

91

A Outra Face da Doença

SOBRE A PURIFICAÇÃO PROPORCIONAL

93

A

DOENÇA E O CARÁTER DO HOMEM

94

A

ADVERTÊNCIA DOS ANTEPASSADOS

95

A

REENCARNAÇÃO

97

O

PRIMEIRO MUNDO

99

A

GRANDE TRANSIÇÃO DO MUNDO

102

TRANSIÇÃO DA NOITE PARA O DIA

104

SOU UM CIENTISTA EM RELIGIÃO

108

O

ESPÍRITO PRECEDE A MATÉRIA

112

ESPÍRITO E CORPO

115

MEDICINA ESPIRITUAL

118

PRINCÍPIO DO JOHREI

120

 

PRIMEIRA PARTE

120

SEGUNDA PARTE

122

TERCEIRA PARTE

124

QUARTA PARTE

125

A TRILOGIA DOS ÓRGÃOS INTERNOS E O JOHREI

128

A FORÇA ABSOLUTA

132

MINHA LUZ

135

QUEM É O SALVADOR?

138

ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO

140

A DIETÉTICA

143

A COMÉDIA DA NUTRIÇÃO

146

AGRICULTURA NATURAL - INTRODUÇÃO

150

A

FORÇA DO SOLO

160

EFEITOS CONTRÁRIOS DOS ADUBOS

162

A SUPERSTIÇÃO DOS ADUBOS

163

OS EFEITOS DO USO DE COMPOSTOS NATURAIS

164

CULTURA REPETITIVA, COLHEITA FARTA

165

AS BOAS-NOVAS PARA A SERICULTURA

166

PRINCÍPIO DA AGRICULTURA NATURAL

167

A

GRANDE REVOLUÇÃO DA AGRICULTURA

171

PARTE I

171

PARTE II

177

DANOS CAUSADOS PELAS PRAGAS

180

DANOS CAUSADOS PELAS CHUVAS E VENTOS

182

A

HIGIÊNICA E AGRADÁVEL AGRICULTURA

184

NATURAL NAS HORTAS CASEIRAS

184

O

GLOBO TERRESTRE RESPIRA

189

POSFÁCIO *

191

A Outra Face da Doença

APRESENTAÇÃO

Esta obra é uma coletânea dos Ensinamentos relacionados à saúde, escritos por Meishu-Sama, nome religioso de Mokiti Okada, fundador da nossa Igreja.

Meishu-Sama afirmou que, em obediência à ordem Divina, iria construir uma nova civilização, ou seja, o Paraíso Terrestre - mundo de saúde, riqueza e paz. Ele nos ensinou que a obtenção da saúde seria a condição fundamental para o estabelecimento desse mundo. De fato, ela é fator de primordial importância e constitui a base da felicidade e da prosperidade de todos os seres humanos.

Os Ensinamentos contidos no presente livro foram divulgados pelo próprio Mestre através dos periódicos da Igreja. Na época, ele desejava difundi-los o quanto antes, a fim de poder salvar o maior número de pessoas que estavam sofrendo. Assim, em respeito ao amor de Meishu-Sama pela humanidade, a nossa Igreja promoveu a compilação de seus Ensinamentos, esperando nova oportunidade para publicá-los. Felizmente, com o Cinqüentenário da Fundação da Igreja, pudemos concretizar esse desejo, razão pela qual nos sentimos profundamente gratos, pois se trata de uma grande permissão concedida por ele.

Neste sentido, objetivando que, por intermédio da obra que estamos editando, o maior número de pessoas possam despertar para o verdadeiro conceito de saúde e tornar-se verdadeiramente saudáveis, gostaríamos de conclamar a todos para um grande empenho na concretização do ideal comum a toda a humanidade - a construção do Paraíso Terrestre - através da profissão de cada um e das várias atividades do servir.

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PREFÁCIO

5 de fevereiro de 1947

Qual será o maior e o último objetivo do homem? Resumindo numa só palavra, é a felicidade. Não há, certamente, quem possa negá-lo. Todavia, tanto as pessoas que buscam a felicidade como aquelas que sentem já tê-la alcançado e desejam mantê-la não conseguem desligar-se de um problema: a questão referente à saúde. Com razão Jesus de Nazaré disse que de nada adianta o homem ganhar o mundo inteiro e perder a vida.

Eu consegui salvar o homem do sofrimento causado pela doença formando pessoas sadias e, como resultado, obtive sucesso quanto à possibilidade de prolongar a vida humana. Concretizou-se, assim, o grande ideal que a humanidade perseguia e ansiava há milhares de anos.

Quanto ao "prolongamento da vida", todos, sem exceção, acreditavam não passar de um sonho de gente tola. Nesse sentido, estou certo de não existir, na História da humanidade, absolutamente nada que possa ser comparado a tão grandiosa descoberta. Por isso acredito que, quando o JOHREI chegar ao conhecimento de todos os homens, motivará uma grande revolução no mundo. Entretanto, leitores, não há motivo para temor, pois ela difere fundamentalmente das revoluções sangrentas e cheias de ódio que ocorreram no passado: é uma revolução repleta de alegria, luz e glória. Assim, serão consolidados pela eternidade os alicerces da paz.

Minhas palavras talvez pareçam demasiado audazes. Contudo, creio que, se lerem compenetradamente este livro, examinando a fundo seu conteúdo e pondo-o em prática, reconhecerão que não há nenhuma mentira em minhas afirmações.

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O

que

significa

progresso

da

cultura?

Obviamente,

significa aumento progressivo do bem-estar de cada ser humano.

Mas qual a base desse progresso? Principalmente a saúde e o prolongamento da vida do homem. É sabido que a humanidade, acreditando poder alcançar tal objetivo apenas pelo progresso da Medicina, sempre fez todo empenho para atingi-lo. A Medicina, sem ficar à margem de outras ciências, mantém pomposa aparência, como salas de cirurgia em grandes hospitais, inúmeros medicamentos, potentes microscópios, aparelhos de radiografia, equipamentos de irradiações diversas, etc. Faz profundas pesquisas científicas, atenta aos mínimos detalhes, e as pessoas ficam fascinadas com a ocorrência freqüente de novas descobertas e a divulgação de novas teorias. Não é, pois, de se admirar que as pessoas acreditem que, um dia, praticamente todas as doenças serão debeladas. Tal objetivo, entretanto, está demasiadamente longe de ser alcançado e não se tem idéia de quando o será.

Não pretendo criticar a Medicina. Quero apenas alertar que ela está caminhando no sentido totalmente oposto ao do seu verdadeiro objetivo. Teve, porém, seu mérito: a explicação minuciosa do funcionamento do organismo, obtida graças à análise e dissecção, pela qual, inclusive, merece o nosso agradecimento.

Mas por que será que a humanidade durante tanto tempo não percebeu os erros da Medicina? É realmente um grande mistério do mundo. O JOHREI, criado por mim, abre agora as portas desse mistério, que estiveram cerradas durante milênios. Acredito que Deus me confiou a execução da grandiosa tarefa de fazer o homem retornar ao seu estado original de saúde.

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PALESTRA PROFERIDA PELO FUNDADOR DA IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL NO AUDITÓRIO DO "HIBIYA PUBLIC HALL" - TÓQUIO, JAPÃO

22 de maio de 1951

Creio que minha palestra é bastante original. Pretendo tratar de assuntos que nunca foram tratados antes.

Em primeiro lugar eu gostaria de dizer que muita gente, confundindo cultura com civilização, diz que a cultura da atualidade é avançada, ou que estamos na Era da Cultura. Na verdade, porém, cultura e civilização são coisas diferentes. Civilização é um mundo ideal, sem nenhuma selvageria; a isso nós chamamos de mundo civilizado. Já a cultura é o estágio intermediário entre a selvageria e a civilização. Portanto, o que se chama BUN-NO-KE, ou seja, BUNKA (Cultura), é uma sombra, é um fantasma.

Observando o estado atual da humanidade, notamos que os homens estão apaixonados por essa sombra, achando que ela é o que há de melhor e que, com o seu progresso, o mundo se tornará aprazível. Mas o mundo civilizado a que eu me refiro é diferente daquilo que as pessoas têm em mente.

O que é a verdadeira civilização? Em palavras simples, é sinônimo de vida. Deve ser a época em que a humanidade possa viver com segurança. Mas, como o Sr. Suzuki disse há pouco, hoje há coisas realmente temíveis, como a bomba atômica, a bomba bacteriológica, o Juízo Final, etc. São temíveis porque põem em risco a segurança da vida. Isso não é um mundo civilizado. É a cultura; a Era da Cultura. Isto é, estamos na fase de transição entre a selvageria e a civilização. O que vou falar agora não é sobre a cultura, e sim sobre a civilização.

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As doenças e as guerras são o que mais põem em risco a vida. Se não tivéssemos guerras nem doenças, teríamos garantia

de vida, e este seria o verdadeiro mundo civilizado. Já chegamos

à época em que precisamos ir até aí. Daí a razão de ser do lema

da Igreja Messiânica Mundial: o mundo absolutamente isento de

doença, pobreza e conflito. Como a guerra é um conflito em maior escala, propomos a construção do mundo sem doença, pobreza e guerra.

Todos os infortúnios são decorrentes da doença.

Costuma-se entender como doença aquilo que provoca dores, coceira ou outras reações; interpreta-se sempre no sentido físico. Mas não é bem assim. Há dois tipos de doenças: doenças físicas

e doenças do espírito. Dizem que este ano a tuberculose e outras doenças contagiosas, a disenteria, etc. aumentaram bastante e por isso as pessoas estão receosas. Entretanto, se hoje não se conseguir encontrar uma solução para esse problema, jamais se formará um mundo civilizado, nem mesmo daqui a centenas ou milhares de anos.

Quanto à pobreza, sua origem é a doença do corpo. Basta escolher uma pessoa pobre e procurar saber a causa da sua pobreza. É invariavelmente a doença. São casos como a perda de emprego devido à enfermidade, ou a impossibilidade de trabalhar pelo mesmo motivo. A doença, acrescida do fato de não se receber salário, constitui uma dose dupla de sofrimento. Isso se reflete negativamente não só no próprio doente como em seus parentes e amigos.

A causa das guerras também é a doença. Trata-se da doença mental. É comum utilizar-se a expressão "fabricantes de guerras" para aqueles que as causam. Observando-se a História, encontramos inúmeros exemplos. E eles recebem o nome de heróis. Esses indivíduos importantes têm força e inteligência, mas no fundo sofrem de uma espécie de doença nervosa. Por isso torna-se necessário erradicar não só a doença do corpo

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como também a do espírito. Quanto à do corpo, as pessoas acreditam que é possível curá-la através da Medicina e se esforçam nesse sentido, mas não há nada que resolva a doença espiritual. Para isso, só existe um meio: a Religião.

Na teoria pode ser assim, mas surge a dúvida: conseguir- se-á, na prática, erradicar ambos os tipos de doenças? Aí é que

entra o JOHREI, ao qual se referiu há pouco o Sr. Suzuki: ele irá erradicar a doença da mente e a do corpo. Dessa forma, surgirá

o mundo civilizado.

Observando o estado em que se encontra a humanidade e

a cultura, concluo que de maneira alguma isto é civilização. Pelo

contrário, é até um estado extremamente bárbaro. As guerras de hoje são mais terríveis que as da época selvagem. Sendo assim, podemos afirmar que a cultura ou civilização da atualidade não passa de aparência; a humanidade está iludida com essa aparência, e as pessoas se sentem gratas. Analisando seu conteúdo, veremos que ele é selvagem; ou melhor, meio civilizado e meio selvagem. A cultura contemporânea assemelha- se a uma bela mulher, vestida com um bonito quimono, com a qual todos ficassem impressionados, mas que, quando tirasse a roupa, se mostrasse corroída pela sífilis, toda coberta de pus.

Acredito, por conseguinte, que a nossa Igreja Messiânica Mundial não é uma religião. Se fosse possível resolver os problemas do homem com a Religião, eles já teriam sido resolvidos, pois até o presente apareceram importantes líderes e fundadores de religiões, filósofos, moralistas, etc. É verdade que selvagens nus e de rosto pintado restam poucos. Conseguiu-se, também, que tudo assumisse um aspecto bonito, culto. Mas ainda não foi possível garantir a vida humana, porque as religiões que surgiram até hoje não tinham força suficiente. Tiveram força para tornar cultos os selvagens, mas não para ir além, ou seja, para tornar os homens civilizados.

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Há, ainda, inúmeros inventos que não são utilizados no bom sentido: muito pelo contrário. Dizem que a bomba atômica pode matar vinte milhões de pessoas de uma só vez; entretanto, se essa energia for aplicada para o bem, com uma pequena porção do tamanho da ponta de um dedo, poder-se-á fazer rodar trens ou automóveis por muitos dias. O avião, sendo utilizado como meio de transporte, não existe nada mais rápido e útil; utilizado para lançar bombas, não há máquina mais temível.

Esta é a cultura científica de hoje. Chegamos até aqui com

o progresso da cultura científica, mas falta algo - algo muito

importante. Devido a essa falta tende-se a fazer mau emprego das coisas. Eis o motivo da aflição da humanidade. Para utilizar as coisas em sentido positivo, torna-se necessário ir às raízes,

isto é, ao Espírito. Mudando o Espírito das criaturas do mal para

o bem, elas saberão utilizar tudo no bom sentido, e assim se

conseguirá um mundo maravilhoso. Cristo referiu-se a isso com a expressão "É chegado o Reino dos Céus". Sakyamuni, por sua vez, disse: "Após a extinção do Budismo, aparecerá Miroku Bossatsu, e surgirá o Mundo de Miroku". Só que Sakyamuni falou que seria após 5,67 bilhões de anos. Acredito, entretanto, que ele quis apenas se referir aos números 5 6,7. Se realmente estivesse profetizando algo para daí a 5,67 bilhões de anos, Sakyamuni

não estaria bom da cabeça, pois não há nenhum sentido em profetizar algo para um futuro tão distante. Nessa época, a humanidade e a Terra já teriam passado por uma mudança tão grande que nem se poderia imaginar.

Os messiânicos conhecem bem o significado dos números 5,6,7. Caso eu fosse explicá-lo, isso me tomaria bastante tempo e aí eu não poderia falar de coisas importantes. Com relação à profecia de Cristo, ao invés de dizer "É chegado o Reino dos Céus", ele poderia ter dito "Vou construir o Reino dos Céus". Mas naquela época o mundo ainda não havia alcançado o estágio necessário para isso, ou seja, o progresso da cultura ainda era insuficiente para a construção do verdadeiro mundo civilizado.

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No entanto, a cultura material progrediu, chegando ao estágio em que se encontra atualmente; o progresso foi tal que se estendeu ao mundo todo. O que eu estou dizendo pode ser ouvido, através dos modernos meios de comunicação, nos quatro cantos do mundo. Os meios de transporte se desenvolveram tanto que é possível ir de avião até os Estados Unidos num dia. Dessa forma, o progresso da cultura material já atingiu o ponto em que estão preenchidas quase todas as condições necessárias ao mundo civilizado. O primordial dessa questão é que a alma humana ainda não se evoluiu o suficiente para a utilização do progresso no bom sentido. Sobre essa alma, é imperativo empenhar-nos para que as pessoas a utilizem positivamente e, ao mesmo tempo, para que a humanidade tome conhecimento disso. Em várias oportunidades falei sobre o assunto, e os fiéis já têm alguma noção a respeito.

A propósito, comecei a escrever, há cerca de seis meses, um livro intitulado "A Criação da Civilização". Meu objetivo é esclarecer que a civilização atual não é a verdadeira civilização e que, nesta, a Medicina, a Política, a Educação, a Arte, etc. serão bem diferentes. A parte que se refere à Medicina já está quase pronta, mas tenciono escrever, ainda este ano, a parte referente às outras áreas. Quando o livro estiver concluído, pretendo traduzi-lo para o inglês e tomar providências para que ele seja lido por professores universitários, cientistas, enfim, por intelectuais do mundo inteiro. Vou enviá-lo, também, à Comissão Examinadora do Prêmio Nobel, mas acredito que, no início, não o receberão bem, pois a Comissão é integrada por eminentes personalidades da cultura material. Todavia, como se trata de um livro que aborda justamente aquilo que as pessoas eminentes estão buscando, acredito que os integrantes da Comissão não deixarão de entendê-lo e exclamar: "É isto!" Assim, poderiam conceder-me dez ou vinte Prêmios Nobel. Quando esse livro for publicado, eu gostaria que todos os povos o lessem.

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Dessa forma, ao mesmo tempo que mostramos como estará constituída a verdadeira civilização, damos a conhecer o JOHREI. Com o JOHREI as doenças saram milagrosamente, mas ele não se destina a curar doenças. Em resumo, o JOHREI cura o espírito, ou seja, o mal que existe nele. Em termos mais claros, o mal é o caráter selvagem, e este não pode ser removido, pois não se pode viver sem espírito. O que se pode fazer é mudar a maneira de pensar das pessoas, ou seja, diminuir-lhes as partes más, fazendo com que as partes boas aumentem. Assim, todos farão apenas coisas boas, isto é, acharão que devem fazer o bem.

Costumo dizer aos fiéis que os homens da atualidade estão sempre pensando em praticar o mal. Mesmo que não queiram fazê-lo, acham que é bobagem praticar o bem, que isso só traz prejuízos, que se deve fazer as coisas de maneira mais "fácil". Entretanto, essa forma de pensar é o oposto da verdade. Faço tal afirmativa porque já houve uma época em que eu também pensava assim. Gradativamente, porém, comecei a ter melhor compreensão sobre Deus, através da Fé, e vi que estava totalmente do "avesso". Aí passei a querer praticar o bem e sempre buscava um meio para isso. Estava sempre procurando fazer algo em benefício das outras pessoas, algo que as deixasse felizes, satisfeitas. Com essa atitude, minha sorte melhorou. Mesmo antes de me dedicar inteiramente à Fé, aconteciam-me coisas boas quando eu ficava nesse estado de espírito. Assim, pensei como seria bom se as pessoas soubessem os benefícios que nos advêm quando procuramos fazer a felicidade do próximo.

À medida que eu ia acumulando tais experiências da vida real, comecei a ter plena compreensão de que realmente Deus e o demônio existiam. A partir daí passei por uma fase de aprimoramento espiritual. Com a ocorrência de vários milagres, pude compreender a grande missão que me era destinada. Foi

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assim que instituí a Igreja Messiânica Mundial e estou desenvolvendo minhas atividades.

Outro ponto que eu gostaria de abordar é o "Juízo Final", do cristianismo, e o "Fim do Budismo", profetizado por Sakyamuni. Apesar de muitos líderes e fundadores de religiões terem feito profecias semelhantes, vou tratar, aqui, apenas destas duas.

Que vem a ser o Juízo Final? Os homens estão imaginando que virá Deus para fazer o julgamento neste mundo, mas isso não corresponde à verdade. É um ponto de difícil entendimento para os não-fiéis, mas o Mundo Espiritual é uma realidade. O mundo em que vemos e sentimos a matéria é o Mundo Material; além deste, há o Mundo Espiritual e, no meio dos dois, o Mundo Atmosférico. Este último já é conhecido, mas ainda não se conhece o Mundo Espiritual. É como a ordem em que se dispõem a era do barbarismo, a era da cultura e a era da civilização. Da mesma forma, o Universo obedece a uma constituição tripla: Mundo Material, Mundo Atmosférico e Mundo Espiritual.

Há, ainda, os ciclos do mundo: assim como existe

transição entre o claro e o escuro, entre o dia e a noite no espaço de um dia, há a mesma transição no espaço de um ano. O claro

e o escuro em um ano podem ser comparados ao verão e ao

inverno, respectivamente. Os raios solares são mais fortes no

verão e mais fracos no inverno, ocasionando o contraste entre o claro e o escuro. E existem períodos idênticos no espaço de dez

e de cem anos. A História registra épocas de paz e de guerra,

que correspondem ao claro e ao escuro. Refiro-me, portanto, a

esse ritmo.

Igual período existe também no espaço de mil e de dez mil

anos.

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Estávamos até agora na escuridão, no período das trevas; vamos passar para o período da claridade. Passando-se para o período da claridade, tudo que existia no período das trevas sofrerá uma seleção. Esses ciclos do mundo, nós os designamos com as expressões Mundo da Noite, Mundo do Dia, Cultura da Noite, Cultura do Dia. Assim, desaparecerá uma série de coisas que não serão mais necessárias. Durante o dia, por exemplo, não é preciso lâmpadas. Tudo aquilo que pertence à Era da Noite e se tornar desnecessário será eliminado.

O Juízo Final representa a separação do que é do Dia e

do que é da Noite. O que for inútil ficará inativo ou será destruído.

A partir de agora, as coisas do Dia irão sendo construídas

gradativamente.

O que acontecerá quando o Mundo Espiritual se tornar

claro? Vejamos o homem. Nele, entre a matéria e o espírito existe a água, que corresponde ao ar. Ela existe em grande quantidade no corpo humano. Assim, o homem apresenta uma constituição tripla; dela, faz parte o espírito, a que também se poderia chamar alma. O espírito está subordinado ao Mundo Espiritual. Tornando-se claro esse mundo, aqueles cujo espírito não corresponder a essa claridade terão de ter as suas máculas

removidas. Não significa que elas serão arrancadas, mas

ocorrerá naturalmente a purificação, para limpar o que está sujo.

À medida que o Mundo Espiritual vai clareando, as pessoas

possuidoras de máculas no espírito passam por uma limpeza, que é o sofrimento. O princípio da doença obedece a essa explicação. Através dela pode-se compreender perfeitamente o que é a doença.

Até agora não se conhecia o espírito. Desprezava-se a sua existência. Como o Sr. Tokugawa disse há pouco, é uma questão de alma. A ação da alma é muito grande.

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Ontem fui visitado por uma pessoa que eu não via há cerca de um ano. Anteontem eu tinha pensado: "Como estará ele passando?" No dia seguinte ele apareceu. Aí eu disse para mim mesmo: "Ah, o espírito dele veio aqui antes!” Digamos, por exemplo, que o Sr. Tokugawa pense: "O Sr. Matsunami está escrevendo com afinco." Então este pensamento vai até o Sr. Matsunami, penetra no seu corpo e se aloja na sua cabeça. Aí, ele se lembra do Sr. Tokugawa. É como se a pessoa chegasse, após ter avisado. Nessas ocasiões, as criaturas se comunicam através dos elos espirituais. O trabalho desses elos, no caso do relacionamento amoroso, é muito interessante. Mas o meu objetivo, no momento, não é o problema do amor. O assunto se tornará claro, para os senhores, quando abraçarem a Fé. O amor é muito bom, mas quase sempre acaba em tragédia. Para entender melhor esse fim trágico, é necessário conhecer o lado espiritual, a existência dos elos espirituais. Isso não pode ser menosprezado. Em vários problemas da vida há mulheres; dizem mesmo que por trás dos crimes existe sempre uma mulher, ou melhor, o amor. Com a compreensão das causas, é possível eliminar as tragédias e os males sociais. Mas vamos deixar este assunto por aqui.

Como eu estava falando há pouco, as máculas do espírito irão sendo eliminadas para ele corresponder à claridade do Mundo Espiritual. Se isso terminar numa simples doença, está tudo bem, mas pode acontecer que a pessoa fique gravemente enferma e acabe falecendo. A doença chega aos poucos, e por isso é que se chama doença. Se vier de uma vez, a pessoa morre. Juízo Final é isso. Com o clarear do Mundo Espiritual, a transformação pode ocorrer repentinamente e aí as criaturas não resistiriam. Haveria mortes em massa. Deus quer evitá-las e por isso manda avisos. É vontade de Deus que a humanidade seja avisada, para que ela se salve. E Ele me incumbiu dessa tarefa. Estou, portanto, avisando.

A Outra Face da Doença

Tanto Sakyamuni como Cristo profetizaram o advento do Paraíso, a chegada do Novo Mundo. Eles foram os profetas, e eu sou o concretizador. Deus me ordenou que concretizasse essas profecias, ou seja, que eu construísse o Paraíso Terrestre, livre de doença, pobreza e conflito. Entretanto, eu não me canso, pois não sou eu quem planeja. Tudo é planejado por Deus. Apenas dou forma às coisas. Isso realmente é fácil, mas de enorme responsabilidade. Provavelmente não houve ninguém com responsabilidade maior que a minha em toda a História da humanidade. Dessa maneira, as profecias de Cristo e Sakyamuni começam a ter sentido: se elas não tivessem possibilidade de ser concretizadas, seriam falsas profecias. Falsas profecias significam mentiras. Mas não seria possível pessoas tão importantes terem mentido. Por conseguinte, era preciso haver alguém que tornasse realidade tais profecias, e o escolhido fui eu. Na verdade, me é penoso afirmar um empreendimento de tamanha grandeza. Não falei nisso até agora justamente por ser uma missão demasiado grande. Mas o tempo se aproxima, já é chegada a Era do Dia. Para salvar a humanidade, preciso avisar rapidamente o maior número de pessoas, e é por isso que estou hoje falando aos senhores.

O Sr. Suzuki falou há pouco sobre o Dilúvio e a Arca de Noé, mas isso é algo semelhante ao Juízo Final. Há duas versões a respeito: uma diz que choveu quarenta dias seguidos, outra diz que foram cem dias. Fossem quarenta ou cem, o que interessa é que choveu durante muitos dias consecutivos. A água foi subindo cada vez mais e se tornou um dilúvio, salvando-se apenas os que estavam na arca. Aqueles que estavam em barcos comuns ou que subiram às montanhas acabaram perecendo; estes últimos, devorados por animais que também haviam subido. Apenas oito pessoas se salvaram, e dizem que os representantes da raça branca são seus descendentes. Acredito que, em linhas gerais, essa história não está errada.

A Outra Face da Doença

No Japão, conta-se a história de Izanagui-no-Mikoto e de Izanami-no-Mikoto. Estes dois deuses, de cima da ponte flutuante dos Céus, empunhando uma espada, mexeram algo semelhante à espuma, e daí surgiram as ilhas e os continentes. Essa deve ter sido a causa do Dilúvio. De acordo com a tese

xintoísta, houve ação da maré alta e da maré baixa. A maré baixa

é o recuo das águas, e Izanagui-no-Mikoto encarregou-se disso.

O nascimento das ilhas e das nações significa que se jogou fora

a água do Dilúvio, fazendo emergir aquilo que estava submerso. Penso que essa ocorrência corresponde à época do Dilúvio.

Com relação ao cristianismo, dizem que João fez o batismo pela água e Cristo fará o batismo pelo fogo. Agora está para vir o batismo pelo fogo, o extraordinário acontecimento que promoverá a eliminação do Mal. Isso tem muitos outros sentidos, mas, como já está se esgotando o tempo, vou parar por aqui.

22 de maio de 1951

A Outra Face da Doença

EU E A IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL

25 de novembro de 1950

A Igreja Messiânica Mundial é completamente diferente das outras religiões, e quem nela ingressar entenderá por quê. Mas em que aspecto ela difere das demais? No momento ainda não posso entrar em detalhes, mas falarei em linhas gerais.

Em primeiro lugar, observando bem as religiões existentes, parece-nos que elas se classificam em dois tipos. A umas nem cabe o nome religião, tal a sua simplicidade; trata-se, em poucas palavras, de fé passiva. É aquela que consiste em ir ao templo rezar de vez em quando, receber talismãs e amuletos, queimar incenso, ver a sorte e, se a pessoa tem posses, mandar executar músicas sacras, fazer doações e oferendas e voltar para casa agradecida, sentindo-se bem. É uma fé popular, que se costuma chamar de devoção. Entretanto, esse tipo de fé pode ser considerado religião, pois, no fundo, possui normalmente uma estrutura religiosa. O outro tipo poderia ser chamado de fé pura. Nela se faz o registro de todos os fiéis, havendo dirigentes, funcionários, ministros e até encarregados de difusão, que se dedicam profissionalmente às atividades religiosas. Constitui, portanto, genuinamente, uma religião. Ao contrário da fé passiva, seus fiéis agem com seriedade e, quando se aprofundam, dedicam-se fervorosamente, de corpo e alma, às suas tarefas. Entre essas religiões, existem as recentes e as antigas. As antigas, em sua maioria, são pouco atuantes, devido, talvez, à mudança dos tempos; algumas, segundo dizem, só a muito custo conseguem manter-se na atual posição. As recentes foram fundadas aproximadamente do fim do xogunato ao início da Era Meiji (1867), e são as que apresentam maior atividade e progresso. Entre elas, destaca-se o xintoísmo. No campo do budismo, só uma seita - a Nitiren - apresenta algum fôlego; as demais são praticamente inativas.

A Outra Face da Doença

Num rápido exame das religiões, observamos que elas apresentam várias formalidades, mas em geral têm como alicerce os ensinamentos de seu fundador ou o espírito que norteou sua fundação, os quais são divulgados e transmitidos aos fiéis. Estes, por sua vez, oferecem-lhes sua devoção, em agradecimento pela proteção recebida de Deus. Obviamente não se pode generalizar, pois até mesmo na fé existem altos e baixos.

Concordamos plenamente que todas as religiões têm como objetivo a concretização de um mundo melhor e por isso tentam satisfazer o conceito de felicidade do homem. A maioria, entretanto, toma como principal fator o aspecto espiritual, demonstrando pouco interesse pelos benefícios materiais.

A VERDADEIRA SALVAÇÃO

Na Igreja Messiânica Mundial, não negligenciamos de maneira alguma a salvação do espírito, mas julgamos que, salvando o homem apenas espiritualmente, sua salvação não é perfeita, ou seja, ele não está realmente salvo. Temos de salvar- lhe também a parte material, e neste ponto é que reside a grande diferença entre a nossa religião e as demais. Ainda que como ser humano seu espírito esteja salvo, essa idéia não basta para ele ser verdadeiramente feliz. Numa sociedade complexa como esta em que vivemos, não se sabe quando tal felicidade será destruída, e isso está claramente provado pela realidade que nos cerca.

Exemplificando, há pessoas que adoecem, que são roubadas, que têm prejuízos, que são enganadas por indivíduos inescrupulosos, que sofrem devido a elevadas taxações de impostos, etc. No caso dos impostos elevados, podemos apontar, entre outras causas, a existência de malfeitores, que justifica a necessidade de polícia e tribunais; o surto de muitas doenças, cujo combate requer a aplicação de dinheiro; uma pessoa errada

A Outra Face da Doença

que provoca uma grande guerra, acarretando despesas decorrentes de indenizações, e assim por diante. Devido a tais fatores, atingir um estado de segurança e de paz espiritual torna- se utopia. Portanto, num mundo como este, se não houver salvação espiritual e material, não se poderá obter a verdadeira felicidade. A nossa Igreja promove a salvação em ambos os aspectos. Individualmente, isso se expressa através de benefícios materiais; socialmente, através do progresso da cultura. Entretanto, segundo a Revelação Divina, há um grande erro na cultura moderna, apesar de, até agora, ninguém o ter percebido. É um erro tão surpreendente que o que se faz pensando ser bom, na verdade, é o contrário, e por causa disso a humanidade tem sofrido sérios danos. Em poucas palavras, o que se julgava contribuir para o aumento da felicidade acabava por resultar em aumento da infelicidade. Os fatos, melhor do que qualquer outra coisa, comprovam o que estamos dizendo.

Houve um grande progresso da cultura, mas a felicidade deixou de acompanhar esse ritmo; aliás, o sofrimento do homem é cada vez maior. Se a cultura moderna foi edificada graças ao esforço conjunto de sábios, santos e outros grandes personagens que vêm se sucedendo há milênios, poder-se-á dizer que se trata de uma cultura do mais elevado nível. É difícil, portanto, imaginar que em seu conteúdo possa existir um erro marcante. Como eu já disse, conhecendo o grande erro da cultura moderna, desejo, o mais breve possível, não só fazer com que o maior número de pessoas o compreendam, mas também compartilhar com elas dessa felicidade e, ao mesmo tempo, mostrar-lhes as diretrizes para a formação do Novo Mundo, caracterizado por uma cultura nova, ideal. Essa é a Vontade de Deus.

Agora vou falar sobre mim. Pelo que já passei em minha vida, sou uma pessoa comum, igual a tantas outras. Tenho, porém, uma vida tão mística, que não encontra paralelo na História de toda a humanidade. Digo isso porque me fizeram

A Outra Face da Doença

nascer com a grande missão de salvar o mundo, completamente diferente da missão de famosos religiosos como Sakyamuni, Cristo e Maomé. Ou seja, fui investido do poder de executar aquilo que esses grandes personagens não puderam realizar. Isso é a absoluta verdade, como todos os fiéis estão cientes.

Por exemplo, qualquer coisa que eu desejar saber, eu fico sabendo. Tomo conhecimento de tudo que for importante, a começar dos três mundos - Divino, Espiritual e Material - assim como também do passado, do presente e do futuro. É claro que isso está limitado ao que concerne à salvação da humanidade e à construção do Paraíso Terrestre. Antevejo como será o mundo daqui a um ano ou a vários anos, e também o meu próprio destino. É até engraçado. E note-se, pela experiência que tenho tido até agora, que geralmente os fatos previstos por mim acabam acontecendo, isto é, as visões tornam-se realidade. Tenho elaborado e executado vários planos, e tudo tem corrido conforme os meus desejos.

Com relação à literatura, se penso em escrever um artigo, as palavras me fluem naturalmente, o quanto eu desejar. Como todos sabem, dedico-me também à composição de poemas e não encontro nenhuma dificuldade nisso; componho cerca de cinqüenta em uma hora. Gostaria, inclusive, de escrever haikais, poemas satíricos, obras de ficção, dramas, etc. mas não o tenho feito por falta de tempo. Além desses gêneros, escrevo sátiras e comédias; como elas têm sido publicadas, os leitores devem conhecê-las. As orações entoadas pelos fiéis também são de minha autoria, e parece-me que, apesar de eu não ter tido, anteriormente, qualquer experiência nesse sentido, elas ficaram muito boas.

Por outro lado, já é do conhecimento de todos que estou construindo um protótipo do Paraíso Terrestre de grande porte; nessa obra, as pedras, as árvores, as flores, enfim, tudo sou eu quem escolho e planejo. Naturalmente, o projeto do jardim e dos

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prédios e até a ornamentação também são trabalhos meus. O Templo Messiânico, que se erguerá no Solo Sagrado de Atami, mas que ainda está em fase de projeto, seguirá um estilo mais moderno que o do arquiteto suíço Le Corbusier, estilo esse que nos últimos anos se tornou moda arquitetônica no mundo inteiro. Portanto, quando o templo for inaugurado, deverá ser alvo da atenção mundial. Só de estar no local e olhar o terreno, os prédios e os jardins se projetam aos meus olhos, não havendo necessidade de pensar. Na verdade nunca estudei esses assuntos, nem ninguém me ensinou nada a respeito; entretanto, se quero fazer algo, imediatamente brotam, dentro de mim, excelentes idéias. Além disso, faço vivificações florais, escrita a pincel e pinto quadros. Dessas atividades, a única que estudei um pouco foi pintura, mas nas outras sou totalmente leigo. Com relação à Política, Educação, Economia, Filosofia e Medicina, sei das coisas que irão acontecer até daqui a um século. Sei principalmente o erro em que está baseada a cultura atual e fico impaciente quando penso que, se ele fosse logo corrigido, a humanidade seria salva e a felicidade reinaria no mundo. Nada, porém, pode ser feito enquanto não chegar o tempo certo. Atualmente, seguindo a ordem Divina, estou apenas apontando o problema da doença e os erros da agricultura, questões fundamentais para a construção do Paraíso Terrestre.

UTILIZAÇÃO DO ESPÍRITO

O que eu acho mais misterioso em mim é que, utilizando o espírito, estou fazendo com que os fiéis erradiquem as doenças. Os resultados são realmente excelentes. Cristo e muitos santos e profetas também praticaram milagres em relação às enfermidades; entretanto, na maioria das vezes eram curas de uma pessoa para outra. Ora, uma só pessoa não poderia salvar milhões; para salvar toda a humanidade é preciso que seja concedida a cada indivíduo uma força ilimitada, capaz de eliminar as doenças. É o que estou fazendo atualmente, com resultados admiráveis. A expansão da nossa Igreja é a melhor prova do que

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digo. Como

puderam realizar.

falei, é

uma obra que nem

Cristo nem Buda

Não pretendo dizer que a minha força seja superior à dos grandes santos, mas expresso a realidade tal como ela se apresenta, e isso porque; chegado o tempo, Deus me faz falar sobre o assunto. Quando penso que uma força tão grandiosa foi concedida à minha pessoa, sinto a enorme importância da minha missão. Naturalmente Deus não cria nada além do que é preciso. Tudo é criado e eliminado de acordo com as necessidades. Sendo essa a Verdade, que eu sempre afirmo, fica bem clara a minha missão, determinada pelos Céus. A mim é dado conhecer todos os mistérios, sendo-me atribuído, de maneira ilimitada, o poder da Inteligência Superior. Sob a Orientação Divina, estou trabalhando para levar esse fato ao conhecimento de toda a humanidade e edificar a nova cultura, a cultura ideal. Todavia, como o homem da atualidade possui uma inteligência muito desenvolvida, ele não iria aceitar que lhe dessem uma explicação de maneira simples como nos tempos antigos. Segundo a Vontade de Deus, é necessário mostrar-lhe milagres comprobatórios e, ao mesmo tempo, transmitir-lhe as teorias de forma que elas possam ser aceitas. É por essa razão que Ele faz ocorrer milagres em grande quantidade. Nesse sentido, por um lado apontam-se os erros; por outro, dão-se provas através de milagres. Sinto-me, portanto, extremamente grato e sensibilizado pela grandeza da Providência de Deus.

Observando-se a Divina tarefa que no momento estou executando, não haverá qualquer margem para dúvidas sobre a veracidade de minhas palavras. Provavelmente a humanidade jamais sonhou com uma obra de tão grande porte e de absoluta salvação. Por conseguinte, se uma pessoa, tomando conhecimento dela, não consegue despertar, é porque é cega de alma e não tem possibilidade de ser salva pela eternidade. Além disso, se forem submetidos, no futuro próximo, ao supremo perigo representado pelo "Fim do Mundo", aqueles que não

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estiverem preparados serão tomados de pânico e irão se arrepender, mas aí já será demasiado tarde.

25 de novembro de 1950

A Outra Face da Doença

O QUE É A IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL

25 de janeiro de 1949

Esta Igreja tem por finalidade construir o Paraíso Terrestre, criando e difundindo uma civilização religiosa que se desenvolva lado a lado com o progresso material.

Terrestre" é uma

expressão que se refere ao mundo ideal, onde não existe a

doença, a pobreza e o conflito.

Não

dúvida

de

que

"Paraíso

O "Mundo de Miroku", anunciado por Buda, a chegada do "Reino dos Céus", profetizada por Cristo, a "Agricultura Justa", proclamada por Nitiren, e o "Pavilhão da Doçura", idealizado pela Igreja Tenri-kyo, têm o mesmo significado que o Paraíso Terrestre a que nos referimos. A diferença é que eles não fizeram indicação de tempo. Mas eu cheguei à conclusão de que o momento se aproxima. E o que significa isto? É a hora da "Destruição da Lei", prevista por Buda, e do "Fim do Mundo" ou "Juízo Final", profetizado por Cristo.

Seria uma felicidade se o Paraíso Terrestre pudesse ser estabelecido sem que isso afetasse o homem. Antes, porém, é indispensável destruir o velho mundo a que pertencemos. Para a construção do novo edifício, faz-se necessária a demolição do prédio velho e a limpeza do terreno. Deus poupará o que for aproveitável - e essa seleção será feita por Ele. Eis a razão pela qual é importante que o homem se torne útil para o mundo vindouro.

Transpor a grande fase de transição significa ser aprovado no exame divino. A Fé é o único caminho para obtermos aprovação. As qualificações para ultrapassar essa fase são as seguintes:

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a)

tornar-se

um

homem

saudável

não

apenas

na

aparência, mas verdadeiramente sadio;

b) um homem que se libertou da pobreza;

c) um homem de paz, que odeia o conflito.

Deus resguardará aquele que for possuidor dessas três grandes qualificações e dele se utilizará, como um ente precioso, no mundo que vai surgir.

Certamente não há discordância entre os desígnios de Deus e os ideais do ser humano. Portanto, haverá um caminho que possibilite estabelecer as condições requeridas. E como poderemos obtê-las?

Nossa

Igreja

tem

por

objetivo

orientar

as

pessoas

e

transmitir-lhes a Graça Divina, de modo a criar essas condições.

25 de janeiro de 1949

A Outra Face da Doença

A TRANSFORMAÇÃO DO MUNDO EM PARAÍSO E O PROBLEMA REFERENTE À SAÚDE

25 de junho de 1949

Que espécie de mundo será o Paraíso Terrestre pregado pela Igreja Messiânica Mundial? Talvez nem fosse necessário repetir, porque já tenho me referindo ao assunto diversas vezes.

O Paraíso Terrestre é um mundo de onde foram eliminados os três grandes sofrimentos do homem: doença, pobreza e conflito. Evidentemente, a maior dessas calamidades é a doença. Portanto, se Deus fosse salvar a humanidade neste momento, precisaria colocar a solução desse problema em primeiro plano e, daí, partir para a solução dos demais.

Que felicidade pode haver quando não se tem saúde? A ciência ou a religião, sejam elas quais forem, que não tiverem força para resolver o problema da doença, são desprovidas de validade, pois a solução da pobreza e do conflito só será possível com a solução da doença. Certamente não houve até agora nenhuma religião ou ciência que fizessem uma proposição tão ousada como a da nossa Igreja: criar um mundo absolutamente isento desses três males. Além do mais, sendo esse o seu objetivo, ela não poderia fazer tal afirmativa caso não tivesse plena convicção do que está dizendo. Se, porventura, proclamássemos um empreendimento de tal grandeza sem estarmos absolutamente certos de poder realizá-lo, nos equipararíamos aos grandes mistificadores ou, então, seríamos loucos varridos.

Como dissemos, a Igreja Messiânica Mundial proclama a solução do problema da saúde e desenvolve sua atuação tendo como prioridade a erradicação das doenças. Para levar esse propósito ao conhecimento de todos, sempre que possível temos publicado fatos verídicos no jornal "Hikari" (Luz) e na revista

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"Tijyô-Tengoku" (Paraíso Terrestre), editados pela Igreja. Mas as pessoas, principalmente autoridades, cientistas e especialistas, irão, em princípio, levantar dúvidas, pois, em sua maioria, são milagres quase impossíveis de ocorrer. É de se presumir, portanto, que, através de seus órgãos competentes, eles farão uma pesquisa pormenorizada a respeito. Em conseqüência disso, haverá até o perigo de serem levantadas questões inéditas. É o caso, pois, de se procurar saber se as inúmeras Experiências de Fé que publicamos são verdadeiras. Entretanto, chegando-se à conclusão de que são fatos verídicos, sem nenhum exagero ou mentira, que aconteceria? Talvez, por ser uma questão sem precedentes em toda a História da humanidade, poderia criar-se uma situação nada fácil e nunca imaginada.

Mas a realidade é sempre realidade e a verdade é sempre verdade. Nós mesmos, por que iríamos cometer a tolice de lançar-nos voluntariamente num redemoinho que poderia gerar um problema de gigantescas proporções? Assim, se retrocedermos um passo e meditarmos profundamente, veremos que uma obra de tal envergadura só poderia ser a manifestação de uma autoridade absoluta chamada "Tempo" e reconheceremos aí o verdadeiro e grandioso amor de Deus.

Como se pode constatar pelos inúmeros relatos de graças alcançadas, há exemplos de pessoas que, sofrendo de doenças graves, encontravam-se no abismo do desespero, pois, apesar

de se submeterem a todos os tipos de tratamentos, não obtinham

a cura. Logo, porém, que conheceram o JOHREI,

experimentaram a alegria de escapar da morte e retornar à vida,

não contendo palavras de gratidão. Como verão as pessoas esta

realidade? Se houver quem a negue ou duvide dela, é porque não pôde sentir o problema na sua própria pele. Entretanto, caso

venha a compreender, depois de uma pesquisa aprofundada, que não há mentira em nossas afirmações, qual deverá ser o comportamento do homem? O certo não seria aproveitar a força

A Outra Face da Doença

da nossa Igreja e lançar-se firmemente à solução dos sofrimentos do mundo? Se existirem criaturas que, mesmo assim, não movam um só dedo, é porque lhes falta amor à humanidade, ou porque as circunstâncias em que se encontram não o permitem, ou então porque são portadoras de doenças mentais. Não há outra maneira de encarar tal comportamento.

Acredito que expusemos os argumentos acima sem nenhuma reserva, mas para nós, que agimos de acordo com a Vontade Divina de salvar o mundo, trata-se de um brado que não conseguimos conter.

25 de junho de 1949

A Outra Face da Doença

O MUNDO ISENTO DE DOENÇA, POBREZA E CONFLITO

15 de setembro de 1935

Qualquer pessoa dirá que um mundo sem doença, pobreza e conflito é simplesmente utopia, não podendo existir na realidade. Nós, porém, estamos convictos de que ele é perfeitamente viável. Mas em que se fundamenta a eliminação desses três males? Fundamenta-se na extinção da doença.

Suponhamos que uma pessoa adoeça. As despesas advindas da enfermidade e o prejuízo que ela tem por não poder trabalhar vão se acumulando com o prolongamento da doença e normalmente terminam consumindo os bens da família. As economias obtidas com sacrifício ao longo dos anos acabam por se esgotar, e a pessoa toma emprestado tudo que lhe for possível, com parentes e amigos. Assim, nada mais resta do ambiente alegre, harmonioso e estável de tempos passados.

Não são poucos os exemplos como esses na vida real, em que muitas famílias se vêem na mais triste situação, sofrendo por causa da doença e por problemas financeiros. Além disso, quando uma pessoa está gravemente enferma, sua família inteira termina arcando com as responsabilidades. Ela causa transtornos e prejuízos de grandes ou pequenas proporções a parentes, a amigos e, dependendo das circunstâncias, até à firma onde trabalha. Portanto, as conseqüências da doença são desastrosas, pois o sofrimento atinge não só o próprio doente, como também vários de seus familiares e até estranhos. Se duas ou três pessoas ficarem doentes consecutivamente e vierem a morrer, mesmo que se trate de família possuidora de muitos bens, ver-se-á obrigada a mudar-se para cortiços e outros lugares menos favorecidos, como o provam inúmeros exemplos.

As pessoas juntam dinheiro levadas por duas razões: uma delas é a vontade de fazer fortuna; a outra é a eventualidade de

A Outra Face da Doença

despesas médico-hospitalares, em caso de doença. A primeira razão é positiva, enquanto que a segunda é negativa, mas todos sabem que os negativistas são bem mais numerosos. Se afirmarmos, portanto, que a principal causa da pobreza é a doença, ninguém poderá negá-lo. Com relação ao conflito, seja entre países, seja entre pessoas, a maioria é motivada por razões de ordem econômica. Assim, se queremos eliminar a doença, a pobreza e o conflito, devemos solucionar primeiro a raiz do problema, que é a doença. Essa é a ordem correta. Pessoas livres de doenças: eis a questão principal. É a única forma de salvação: não existe outra. E só há uma força capaz de concretizá-la: o PODER KANNON. Por isso, nem mesmo Cristo ou Sakyamuni conceberam obra tão maravilhosa. Podemos afirmar que as pessoas que conseguirem nela acreditar serão felizes como jamais existiu alguém até hoje.

15 de setembro de 1935

A Outra Face da Doença

OS DESCRENTES E OS CRENTES

20 de março de 1949

Em primeiro lugar, gostaria de deixar claro que, com a expressão "crentes", queremos nos referir aos que professam a nossa religião, e não a praticantes de outras religiões.

Sem retroceder ao passado, mas observando, de maneira objetiva, as pessoas que vivem no mundo atual, chegamos à conclusão de que a expressão "pobres ovelhas", usada por Cristo, é bem adequada. Pensemos: quantas criaturas vivem realmente sem qualquer preocupação? Certamente nenhuma. Entre as preocupações que afligem o homem, a que se poderia colocar em primeiro plano é a doença. Ninguém sabe quando será acometido por alguma enfermidade. Pode ser que fiquemos gripados daqui a uma hora; pode ser, inclusive, que a gripe se agrave em pneumonia ou seja o início de uma tuberculose. É possível que esta noite tenhamos uma crise de apendicite e acabemos nos contorcendo em dores agudas, ou que, de uma hora para outra, venhamos a contrair tifo ou alguma doença de origem desconhecida. Quem tem filhos, corre o risco de vê-los acometidos por epidemias, como difteria ou meningite, por exemplo, e em poucos dias ver as suas vidas ceifadas. As pessoas de idade, por sua vez, podem a qualquer momento viver a tragédia de um derrame cerebral que lhes paralise metade do corpo, prendendo-as ao leito durante anos a fio. É possível, também, que algum de nossos familiares contraia uma moléstia infecto-contagiosa e tenha de ficar internado em isolamento.

Mas as coisas não param aí. Da maneira como são altas as despesas médico-hospitalares, não se sabe quanto se gastará com tratamentos e internação. Se a doença for debelada em pouco tempo, ainda bem; todavia, se o tratamento for prolongado, as economias feitas com sacrifício, ao longo dos anos, serão totalmente consumidas. Pode mesmo acontecer que,

A Outra Face da Doença

embora recupere a saúde, a pessoa seja despedida do emprego e termine perambulando pelas ruas. Conseguindo ter a vida salva, ela ainda pode trabalhar e se reerguer, mas se, por um golpe de azar, ficar inválida ou acabar falecendo, que acontecerá? Tratando-se de um chefe de família, como irão sobreviver seus familiares? Ele próprio deixará inacabados seus empreendimentos ou seu trabalho. Ora, é realmente lamentável que um homem, no auge da vida, tenha que deixar este mundo; é insuportável ver cortados os laços de amor e afeto que o unem à esposa e aos filhos. E qual chefe de família poderá garantir que tal situação não se lhe apresente de um momento para outro? Quando pensamos em circunstâncias desse tipo, sentimos que o medo com relação às doenças pesa como chumbo, e continuamente, sobre todas as pessoas, sem exceção de ninguém.

Se a vida é tão terrível como dizemos, se não podemos nos livrar da intranqüilidade, é como afirmou Sakyamuni: "Este mundo é um purgatório, um mundo de dor, e o homem não pode escapar destes quatro sofrimentos: nascimento, doença, velhice e morte; não há outro jeito a não ser ele se resignar e suportar essas condições. Isso é o que chamamos "Iluminação."

Diante de semelhante quadro, não haveria salvação maior que o aparecimento de uma religião capaz de libertar o homem, totalmente, da angústia da doença. Entretanto, quem ouvir falar pela primeira vez sobre o aparecimento de uma religião dessa natureza, dirá: "Como pode haver tamanha tolice neste mundo? A cabeça da pessoa que diz isso não deve estar funcionando bem". Provavelmente essa pessoa seria considerada como estando a um passo da loucura. Mas, creiam, apareceu uma religião com o poder que dissemos. Os leitores poderão duvidar uma vez, duas vezes, ou até negar. Mas, se souberem que se trata de uma verdade, que farão? O rebuliço seria tal que ultrapassaria os moldes de um grande acontecimento,

A Outra Face da Doença

provocando, sem a menor dúvida, a maior sensação no mundo inteiro.

Vou falar aqui, de maneira bem simples, sobre a Fé Messiânica e a doença. As pessoas que tiverem compreendido a verdadeira natureza da fé através desta religião ficarão completamente despreocupadas em relação às enfermidades. E não é só isso. Esclarecidas sobre a origem da doença, ao invés de temor, sentirão até alegria, cientes de que ela é uma ação fisiológica natural para aumentar a saúde, constituindo uma grande bênção de Deus.

Além da doença, existem várias outras causas de infelicidade. Exemplifiquemos. Na vida moderna temos um estreito relacionamento com os meios de transporte, dos quais não podemos prescindir; inclusive, dependendo de suas atividades, muitas pessoas os ocupam a maior parte da sua vida. Como é do conhecimento de todos, não pode ser menosprezada a preocupação com acidentes e com os danos que deles decorrem. Além disso, temos os acidentes provocados pelas máquinas, nas indústrias, os incêndios, os prejuízos causados por assaltantes e, mais raras, porém sérias, as inundações e os terremotos.

A vida moderna está, portanto, cercada de muitos perigos como enfermidades ou desastres, os quais não sabemos quando irão nos atacar. Pensando nisso, não podemos sentirmo-nos tranqüilos um instante sequer. Em face dessa situação, os órgãos governamentais e civis têm tomado medidas de defesa, tais como seguros de saúde, seguros contra acidentes e desemprego, sistema de poupança e instalações assistenciais. Entretanto, medidas de ordem material como essas não garantem a tranqüilidade além de certo limite. Apenas um seguro abstrato, isto é, o seguro proporcionado por Deus, é que nos pode assegurar a tranqüilidade absoluta. O homem moderno, no entanto, vive num dilema: vê que as medidas materiais não lhe

A Outra Face da Doença

proporcionam uma vida tranqüila, mas dificilmente aceita o conceito de força abstrata ou seguro proporcionado por Deus. Sendo assim, ele não passa de uma pobre ovelha.

Para nós, que professamos a Fé Messiânica, é realmente insuportável ver a situação aflitiva e insegura dos descrentes, os quais vivem como ervas flutuantes, sem ter onde firmar-se. É como se nos dirigíssemos a uma pessoa que tenta controlar um pequeno barco em alto mar e a convidássemos para embarcar num transatlântico, mas essa pessoa só ficasse a fitar o seu próprio barco e não conseguisse notar a existência da embarcação de grande porte. Assim, embora convidemos os descrentes a ingressarem em nossa Fé, eles não conseguem sair das trevas da negação.

Admitimos que seja difícil acreditar numa força de salvação tão grandiosa, pois trata-se de algo inédito na História da humanidade. Contudo, só pelo fato de ter surgido essa extraordinária salvação, as pessoas devem se conscientizar de que, sem a menor sombra de dúvida, está bem próximo o advento do Paraíso Terrestre, mundo absolutamente isento de doença, pobreza e conflito.

20 de março de 1949

A Outra Face da Doença

A VERDADE SOBRE A SAÚDE

20 de abril de 1950

Para explanar sobre o assunto, devo dizer inicialmente que a verdade, em matéria de saúde, está na adaptação e no respeito à Natureza. Essa é a condição fundamental.

Antes de mais nada, deve-se pensar: com que objetivo Deus criou o homem? Segundo nossa interpretação, foi para construir um mundo perfeito, de Verdade, Bem e Belo. É de se esperar, entretanto, que uma teoria como essa não seja aceita com muita facilidade. Evidentemente, não se sabe se levará dezenas, centenas, milhares ou até milhões de anos para se concretizar o mundo ideal. Todavia, observando os fatos do passado, vemos claramente que o mundo vem caminhando passo a passo neste sentido; ninguém poderá negá-lo. Deus é o espírito, e o homem é a matéria; ambos, o espírito e a matéria, em trabalho conjunto, estão em infinita evolução, tornando-se desnecessário dizer que o homem existe como instrumento de Deus para a construção do Mundo Perfeito. Conseqüentemente, sua responsabilidade é enorme.

A condição fundamental para a execução dessa obra grandiosa é a saúde. Deus atribuiu uma missão a cada pessoa, concedendo-lhe, logicamente, a saúde necessária para cumpri- la. Com efeito, se o homem estiver doente, significa que o sagrado objetivo de Deus não será alcançado. Tomando este princípio por base, concluiremos que a saúde é inerente ao homem, devendo ser o seu estado normal. O estranho é as pessoas serem acometidas de doenças com tanta facilidade, ou seja, ficarem em estado anormal. Sendo assim, apreender claramente os princípios da saúde e fazer o homem retornar ao estado normal está coerente com o objetivo de Deus.

A Outra Face da Doença

Mas o que descobrimos ao examinar o corpo humano em estado anormal? Em primeiro lugar ressalta que ele está em desacordo com a Natureza; perceber a real situação desse estado antinatural, corrigi-lo, fazendo voltar à normalidade, é a verdadeira Medicina. E mais: tornar possível esse retorno é a forma existencial da correta Medicina. Passarei, portanto, a explicar o que vem a ser o estado antinatural.

Quando nasce, o homem alimenta-se com o leite materno ou com leite animal, pois ainda não tem dentes, e seu aparelho digestivo, recém-formado, é muito frágil. Gradualmente, porém, nascem-lhe os dentes, e, à medida que suas funções orgânicas se desenvolvem, ele começa a ingerir uma alimentação adequada. Existe uma variedade de alimentos, cada um com sabor característico, sendo que o homem é dotado de paladar para comê-los com prazer. Além disso, o ar, o fogo e a água existem em proporções adequadas à saúde, de modo que tudo está ordenado de maneira realmente perfeita. Quanto ao corpo humano, vejamos: do cérebro nascem a razão, a memória e o sentimento; os objetos são criados com as mãos; a locomoção é feita livremente, por meio dos pés, e o corpo está provido de partes muito necessárias, como cabelos, pele, unhas, olhos, nariz, boca, ouvidos, etc. Acrescente-se a isso que o corpo todo, a começar pela face, está recoberto de pele, que ressalta sua beleza. Um rápido exame já evidencia que o ser humano é uma obra maravilhosa; analisando-o mais profundamente, concluiremos que ele é um milagre da Criação, difícil de se expressar com palavras.

As flores, as folhas, a beleza dos rios e das montanhas, os pássaros, os insetos, os peixes e outros animais não podem deixar de ser admirados como obras extraordinárias da Arte Divina, mas o homem é, inegavelmente, a obra-prima do Criador. Principalmente no que se refere ao processo de procriação, como preservação da espécie, a Providência é tão hábil, que não encontramos palavras para exprimir sua perfeição. Ora, sendo o

A Outra Face da Doença

homem a obra máxima de Deus, devemos pensar, séria e profundamente, que erros, que ações antinaturais estamos cometendo para a ocorrência das anormalidades chamadas doenças, as quais impedem suas atividades. Homens, eis um ponto importantíssimo, sobre o qual devem fazer uma profunda reflexão.

20 de abril de 1950

A Outra Face da Doença

O HOMEM É UM POÇO DE SAÚDE

20 de abril de 1950

Costuma-se dizer, desde a Antigüidade, que o homem é um poço de doenças, mas a expressão está completamente errada. Corrigindo-a, diremos que ele é um poço de saúde. Como já expliquei anteriormente, o homem é saudável por natureza. Acontece, porém, que, na atualidade, a doença é sua companheira, sendo isso considerado problema insolúvel, o que levou muitos a se conformarem, aceitando o fato como predestinação. Com efeito, uma vez a pessoa acometida pela doença, sua cura torna-se difícil. Às vezes se adoece por um longo período, ou então com freqüência: há mesmo quem passe mais tempo doente do que com saúde. Justifica-se, pois, dizer que o homem é um poço de doenças; aliás a expressão deve ter surgido devido ao prolongamento de tal situação. Isso aconteceu porque ainda não se conhecia a natureza da doença, tornando- se compreensível que tanto esta como a morte fossem inevitáveis. Foi por essa razão que Sakyamuni afirmou: "O homem tem de se resignar com o sofrimento do nascimento, da doença, da velhice e da morte."

Falarei, agora, sobre a antinatureza, que é a fonte da doença.

Quando adoece, o homem utiliza os medicamentos como se fossem o único recurso, e aí já está o erro. Na medicina chinesa, os remédios são extraídos das raízes das plantas ou das cascas das árvores; quanto à medicina ocidental, busca seus produtos nos minerais, nas plantas ou em outras fontes. Tudo isso é fundamentalmente antinatural. Pensem bem: as substâncias assim obtidas possuem sabor amargo, odor desagradável, acidez, etc., que invariavelmente provocam aversão. A conhecida expressão "tirar da boca o gosto de remédio" ilustra bem o fato. Mas por que é tão desagradável

A Outra Face da Doença

tomar remédios? A resposta é a seguinte: Deus está mostrando que não se deve tomá-los, porque eles são tóxicos. Quanto aos alimentos, todos são produzidos de maneira que agradem ao paladar do homem; ingeri-los, portanto, é uma ação natural.

Costuma-se dizer que determinados alimentos são nutritivos e que outros não o são, mas isso também é um erro. Apesar de existir alguma diferença, dependendo do clima e das características da região, todos os alimentos são produzidos de maneira adequada às pessoas aí nascidas. Os indivíduos de raça amarela alimentam-se de arroz, e os de raça branca, de trigo; da mesma forma, como o Japão é um arquipélago, significa que seu povo deve comer bastante peixe, não havendo, também, nenhuma inconveniência em que as pessoas do continente comam carne. Pelo mesmo raciocínio, as refeições dos agricultores, à base de vegetais, estão de acordo com a Natureza. O fato deles suportarem o trabalho braçal contínuo mostra a adequação da alimentação vegetariana. Desconhecendo esse princípio, a dietética está se empenhando, atualmente, para que os agricultores comam peixe; entretanto, se eles assim fizerem, resultará na diminuição da sua capacidade produtiva. Por outro lado, devido às refeições à base de peixe, os pescadores não suportam trabalho contínuo e por isso trabalham de maneira intermitente. Além disso, esse tipo de alimentação ajuda a aguçar a sensibilidade; portanto, é apropriado à atividade da pesca, donde se conclui que a Natureza é realmente perfeita.

20 de abril de 1950

A Outra Face da Doença

A VERDADEIRA SAÚDE E A SAÚDE APARENTE

5 de fevereiro de 1947

Podemos afirmar que a humanidade, ou, pelo menos, a maioria dos povos civilizados, são doentes. A diferença está apenas em doença manifesta e não-manifesta. Pessoas doentes são aquelas em quem a doença já se manifestou; pessoas consideradas sadias, aquelas em quem a doença está para se manifestar. Torna-se desnecessária qualquer explicação sobre as primeiras; limitar-me-ei, portanto, a estas últimas.

Como já expliquei, as pessoas que estão por adoecer são aquelas em quem ainda não foi iniciada a ação purificadora dos nódulos formados pelas toxinas. Assim, a verdadeira saúde é a dos portadores de corpos físicos totalmente livres de toxinas; neles, conseqüentemente, não ocorre purificação. Há pessoas, entretanto, que, embora tenham toxinas acumuladas, ainda conseguem manter a saúde e desempenhar suas atividades diárias, agüentando trabalhos físicos; aos olhos de qualquer um, parecem saudáveis. Visto que, através dos exames feitos pela medicina atual, é difícil descobrir a presença das toxinas, tais pessoas são consideradas sadias. A elas eu denomino "pessoas de saúde aparente". Fico, pois, apreensivo ao pensar no grande número de portadores de "bombas que estão dançando no palco da vida.

Fala-se, desde os tempos antigos, que o homem é um poço de doenças, mas essa expressão refere-se exatamente à saúde aparente.

5 de fevereiro de 1947

A Outra Face da Doença

COMO TORNAR AS CRIANÇAS SAUDÁVEIS

14 de março de 1951

As crianças de hoje têm saúde muito precária. É desencorajador verificar, em toda parte, o grande número de crianças magras e pálidas. Até pouco tempo, isso só ocorria na cidade, mas ultimamente vem se observando a mesma tendência no interior. Em certa vila do Estado de Nagano constatou-se, após exame de saúde, que, entre cem alunos da escola primária, oitenta e um apresentavam suspeitas de tuberculose pulmonar. De vez em quando aparecem notícias semelhantes nos jornais. Tomando conhecimento de tais ocorrências, qualquer pessoa achará estranho, pois hoje o progresso da Medicina atinge até

mesmo as vilas do interior. E o que torna mais grave o problema

é que se desconhece totalmente a sua verdadeira causa.

O fato que expusemos acima só pode ser decorrente da higiene e nutrição erradas. Atualmente, acreditando-se que é

bom fazer tudo à moda do Ocidente, dá-se às crianças japonesas

o mesmo tratamento dispensado às ocidentais. Isso constitui um

grande erro, porque, na realidade, os japoneses e os ocidentais são essencialmente diferentes. Essa educação errada limitava-se

às grandes cidades, mas parece que nos últimos tempos vem se adotando no interior o sistema educacional urbano. A falha está em desprezar a Natureza e atribuir pouca importância ao leite materno, como acontece no Ocidente, dando às crianças leite de vaca em excesso, dispensando-lhes cuidados exagerados, fazendo-as ingerir remédios em demasia e aplicando-lhes injeções inadequadas. Isso, ainda que teoricamente esteja correto, na verdade acaba enfraquecendo o corpo. Para os ocidentais não há problema, pois foram criados dessa maneira desde os seus ancestrais; com relação aos japoneses, entretanto, a mudança brusca é nociva. Para eles, o melhor método de criação é o japonês, empregado desde a Antigüidade; caso não seja possível aplicá-lo, a mudança deve ser feita

A Outra Face da Doença

gradativamente. Os fatos reais são bem ilustrativos. Parece-me que as crianças de alguns anos atrás, quando a Medicina ainda não havia alcançado o progresso atual, eram muito mais saudáveis.

Vou agora expor a forma correta de criar os filhos. A mãe, na medida do possível, deve trabalhar até o mês do parto; deve amamentar seu filho, restringindo o leite de vaca aos casos imprescindíveis; não deve temer que ele fique gripado; deve fazer tudo de acordo com a Natureza, isto é, deixar a criança à vontade, não lhe colocando cinteiro, evitando o máximo possível o uso de medicamentos, etc. Em suma, basta reconhecer a grande verdade de que o homem foi feito para crescer naturalmente, com saúde. Por conseguinte, é evidente que quanto mais cuidados a criança receber, mais fraca ela se tornará. Sem se deixar influenciar pela moda, os pais devem criar seus filhos de acordo com o método que lhes foi legado pelos seus antepassados, levando em conta apenas os pontos positivos do progresso da era moderna, as práticas realmente boas, e não as teorias. Nesse particular, queremos pedir profunda reflexão às autoridades e aos especialistas no assunto.

14 de março de 1951

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MÉTODO PARA QUALQUER PESSOA ENGORDAR

10 de janeiro de 1951

Acredito que muitas pessoas magras de nascença estão frustradas por não conseguirem engordar, apesar de haverem tentado vários métodos. Há mulheres que, embora sejam muito bonitas de rosto, não conseguem fazer sobressair sua beleza natural, por serem excessivamente magras. Quando vejo mulheres assim, fico com muita pena, imaginando como seriam belas se fossem um pouco mais gordas. Provavelmente todos conhecem casos semelhantes. Também observo crianças magrinhas e raquíticas cujos pais, na tentativa de engordá-las, obrigam-nas a ingerir vários alimentos e vitaminas, como leite e óleo de fígado de bacalhau, mas não obtêm os resultados desejados. Provavelmente há muitos pais angustiados com esse problema.

Existe, porém, um método infalível para se ganhar peso e, ao mesmo tempo, melhorar a cor das faces. Não é realmente motivo de alegria? Portanto, vou ensinar esse método.

Examinando-se os ombros das pessoas magras, vemos que eles são rijos como pedras e têm sempre uma ligeira febre:

isso provoca perda de apetite e desgaste das células. À medida que, através do JOHREI, os ombros vão amolecendo, o apetite aumenta e, assim, a pessoa começa a engordar. Dessa forma, a salvação de Deus não só torna as pessoas mais saudáveis como também mais bonitas. Se isso chegar ao conhecimento de todos, acontecerá um fato muito auspicioso: aumentará cada vez mais o número de criaturas belas. É claro que as crianças saudáveis também serão mais numerosas e, desse modo, os pais se sentirão imensamente felizes.

10 de janeiro de 1951

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MÉTODO PARA A MULHER SE TORNAR MAIS BELA

3 de setembro de 1949

A beleza feminina pode ser classificada em três grandes tipos: artificial, natural e sensível. Beleza artificial é a que se obtém artificialmente, através do uso de cosméticos. A beleza natural é decorrente da saúde; nesse caso, a pessoa é corada e tem muita vivacidade. Beleza sensível é a beleza de coração; ela atrai o nosso respeito e estima, e não podemos deixar de ter afeição pela pessoa. Atualmente, as mulheres procuram mostrar- se mais belas usando cosméticos em profusão, como pó de arroz, "rouge", batom, etc; agem assim porque se esquecem de que há outras maneiras de ficarem bonitas, além da artificial.

Existe um método para a mulher se tornar realmente bela sem precisar dos cosméticos caríssimos que vem usando hoje em dia. Trata-se da purificação do sangue, através da qual se obtém a beleza saudável, que é a verdadeira beleza.

Muitas mulheres da atualidade apresentam pele enrugada, sem brilho, sem vida, como a das pessoas idosas, e, além disso, com uma coloração azulada, dando a impressão de estar inchada. Isso é uma conseqüência da larga utilização de remédios. Na tentativa de esconder tais imperfeições, elas usam cosméticos indiscriminadamente. É evidente, porém, que, se os seus corações não forem belos, não se poderá dizer que a sua beleza seja verdadeira. Aí se nota a importância da fé. A prova é que as pessoas que ingressam em nossa Igreja adquirem, com o passar do tempo, uma beleza que as torna, às vezes, irreconhecíveis.

3 de setembro de 1949

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MEDICINA DESPORTIVA

5 de fevereiro de 1947

Por que será que os desportistas, apesar de sua excelente forma física e de sua resistência, têm vida relativamente curta? Isso constitui um mistério até mesmo para a Medicina, mas agora iremos decifrá-lo.

Embora existam vários tipos de esporte, a maioria das pessoas restringe-se à prática de apenas um. No caso de o praticarem constantemente, fazendo sempre os mesmos movimentos, as toxinas existentes em seu corpo aglomeram-se e solidificam-se nos pontos onde se concentra o esforço físico. Com o tempo, começa a ação purificadora. Nos desportistas, as toxinas estão mais solidificadas; portanto, o processo de purificação é persistente, o que torna difícil a cura. Baseado na minha experiência, posso dizer que os atletas de natação possuem toxinas acumuladas num dos ombros, formando um nódulo protuberante. Quando ocorre o processo purificador, aparecem-lhes sintomas semelhantes aos da tuberculose, e por isso, na maioria das vezes, os médicos diagnosticam essa doença. Assim se explica a incidência de tantos casos de tuberculose entre esses atletas. Por outro lado, os praticantes de golfe contraem moléstias renais com muita facilidade, porque fazem esforço nos quadris, provocando o acúmulo de toxinas na altura dos rins. Além do mais, ninguém desconhece a hipertrofia do coração dos corredores de maratona.

A meu ver, do ponto de vista da saúde, os desportistas deveriam praticar dois ou mais esportes. Mas o problema não se restringe aos desportistas. Os músicos também precisam tomar cuidado, pois há possibilidade de contraírem doenças devido à unilateralidade dos movimentos que executam. No caso dos pianistas, as toxinas tendem a se solidificar na região torácica, pois o esforço se concentra em ambos os braços, tal como o dos

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violinistas se concentra nos ombros, o dos violoncelistas no ombro esquerdo e quadris, etc. Os músicos não deveriam menosprezar tais fatos, procurando fazer outros tipos de exercícios, para conseguirem o equilíbrio.

5 de fevereiro de 1947

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A BEBIDA E A RELIGIÃO

5 de setembro de 1948

Há um estreito relacionamento entre bebida e Religião, mas parece que pouca gente tem conhecimento disso. Passarei, em seguida, a tecer considerações sobre o assunto.

A bebida ingerida em quantidade normal dispensa comentários, mas o hábito de beber em demasia é causado por um fator de ordem espiritual. Os espíritos de "Tengu" 1 , texugo e, mais raramente, o espírito de dragão, que apreciam muito a bebida, instalam-se no ventre dos beberrões e, como absorvem a energia da bebida, a quantidade desta reduz-se a uma fração da que foi ingerida. É comum dizer-se que ninguém consegue beber um garrafão (1,8 litro) de água, mas há quem consiga tomar a mesma medida de saquê, como se houvesse esponjas em seu ventre.

Quando um indivíduo se embebeda e põe-se a esbanjar argumentos e críticas, tornando-se arrogante, está dominado por espírito de "Tengu". Quando fica alegre, dando gargalhadas, e, em seguida, mostra-se sonolento, é por influência do espírito de texugo. O espírito de dragão, por sua vez, costuma fazer com que a pessoa fique de olhar alterado e comece a importunar insistentemente os que estão à sua volta. De maneira geral, observando-se a fisionomia dos bêbados, poder-se-á notar que apresentam jeito de "Tengu" ou rosto de texugo; tratando-se do encosto de espírito de dragão, animal cuja imagem conhecemos através de desenhos e esculturas, os indivíduos são magros, de olhos fundos, ossos da face salientes e testa angular. Há, ainda, o caso de pessoas que, quando bebem, perdem a razão e tomam atitudes violentas, típicas de certos portadores de

1 Ser misterioso que, segundo a crença popular, habita as montanhas. Tem forma humana, asas rosto vermelho e nariz comprido, sendo possuidor de poderes extraordinários. Porta sempre um grande leque. É orgulhoso e amante de discussão e jogo.

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anormalidade mental. Geralmente, são pessoas que, em outra vida, tiveram suas células cerebrais danificadas pelo excesso de bebida. Devido a isso, elas são possuídas por espírito de animais; os tipos perversos tornam-se violentos e causam transtornos àqueles que os rodeiam.

Assim, o hábito de beber demais deve ser corrigido, pois, como todos sabem, a pessoa não só prejudica a si própria, mas também é motivo de constante sofrimento para os seus familiares, destruindo a harmonia do lar e causando transtornos à sociedade; seu fim geralmente é muito triste. Por outro lado, por mais que o indivíduo tente corrigir-se, não o consegue, porque a causa do problema está no hóspede invisível que habita o seu ventre. Torna-se, então, evidente que, para corrigir o vício da bebida, deve-se utilizar o método espiritual, pois só através da Religião é possível alcançar tal objetivo. Entretanto, parece que pouquíssimas religiões têm esse poder; aliás, o método empregado por elas - abstinência pelo rígido autocontrole - torna- se muito penoso, de modo que não é o mais aconselhável.

Talvez achem que se trata de auto-elogio, mas a Igreja Messiânica Mundial não recomenda absolutamente abstinência nem redução da bebida. Se a pessoa quiser beber, pode fazê-lo à vontade. A princípio, os que têm esse vício ficam contentes, mas, com o tempo, costumam dizer que pouco a pouco passaram a achar um gosto ruim nas bebidas, embriagando-se mesmo com doses pequenas; por fim, não conseguem beber mais do que a quantidade normal.

Há inúmeros exemplos semelhantes em nossa Igreja. A explicação é que o espírito do animal alojado no ventre da pessoa se enfraquece ao receber a Luz de Deus e, conseqüentemente, ela começa a beber menos. Assim, seja qual for a religião, se ela possui o esplendor da Luz Divina, conseguirá eliminar os beberrões do seu quadro de fiéis.

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MEU MÉTODO DE SAÚDE

20 de abril de 1950 Este ano completo sessenta e sete anos, mas tenho um vigor que supera o dos jovens. Como estou desbravando terras, subo morros constantemente e, sempre que isso acontece, sou eu quem deve diminuir a marcha, porque os jovens não conseguem me acompanhar. Muitas vezes eles dizem: "Meishu- Sama, o senhor deve estar cansado!" Em verdade eu não estou, de modo que fico sem saber o que dizer.

Costumo dormir às duas e meia ou três da madrugada e acordo sempre às sete ou sete e meia da manhã; durmo, portanto, cerca de quatro horas ou quatro horas e meia por dia. Em relação ao trabalho, como as pessoas íntimas bem o sabem, realizo a tarefa de umas dez pessoas, e parece que os jovens se vêem embaraçados por não poderem seguir meu ritmo. Quanto a isso, porém, não posso fazer outra coisa a não ser pedir-lhes paciência.

Tenho um método próprio para manter a saúde, mas ele é justamente o contrário do método que se adota normalmente. Por esse motivo gostaria de ensiná-lo ao maior número possível de pessoas, como ponto de referência.

Para a preservação da saúde, a medicina moderna recomenda, em primeiro lugar, que as pessoas não se excedam, que repousem bastante, alimentem-se bem, mastiguem demoradamente a comida, não usem demasiadamente a cabeça, etc. Meu método é exatamente o oposto. Em primeiro lugar, recomendo a prática de excessos, porque, dessa maneira, mais saúde se terá. Entretanto, até certo ponto tenho evitado exceder- me muito, pois isso me é penoso. Quanto ao sono, há diferenças de acordo com a idade; na minha faixa etária, dormir quatro ou cinco horas é o bastante. Com referência à alimentação, sempre me preocupo com os excessos. Isso porque recebo tantos

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alimentos que procuro comer pelo menos um pouco de cada um, uma vez que essas oferendas representam o amor dos fiéis. Posso dizer, portanto, que sou um bom garfo. Para contrabalançar, costumo comer batata-doce após o desjejum; antes de dormir, como "chazuke" 2 e nunca dispenso uma tigela de "oshiruko" 3 . Entre os alimentos, existem os positivos e os negativos, e não é bom pender para um lado nem para o outro. Os negativos são os vegetais; os positivos são as carnes, entre as quais, a de peixe. A pessoa deve controlá-los, para manter o equilíbrio. Tenho observado a proporção de setenta por cento de negativo e trinta de positivo pela manhã, meio a meio no almoço e setenta por cento de positivo e trinta de negativo à noite. Entre os picles japoneses também há os positivos e os negativos Os negativos são os verdes, e os positivos, os brancos, como o nabo, por exemplo; procuro comê-los na proporção de meio a meio.

Costumo não mastigar muito, para não enfraquecer o estômago. Outra coisa: não descanso após as refeições. Quando acabo de comer, levanto-me e começo a trabalhar. Esse é um método de fortalecimento do estômago. Graças a ele, fiquei curado do meu problema estomacal. Também não determino a quantidade dos alimentos. Meu regime alimentar consiste em comer o que quero na hora e na quantidade que desejar. Entretanto, como na vida real não posso me dar a tais caprichos, não o tenho seguido à risca.

Outro princípio fora do comum: uso a cabeça o máximo possível. Trata-se de um método para preservar a saúde, e as pessoas que o seguem gozam de longevidade. Entretanto, encher a cabeça de preocupações é prejudicial à saúde. Ela deve ser usada alegre e descontraidamente. Nesse ponto também podemos avaliar a importância da fé. Quem tem fé, entrega as preocupações nas mãos de Deus, e, assim, a maior

2 Tigela de arroz embebido em chá. 3 Tigela de caldo doce, feito à base de feijão.

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parte delas acaba desaparecendo. Em outras palavras, significa dividir a carga com Deus. É um procedimento impertinente, mas Ele fica até contente com impertinências desse tipo.

Há muito tempo faço caminhadas pelo menos uma vez por dia. Tenho feito isso mesmo em dias de chuva ou de ventania, andando o máximo que posso. Tomo cerca de três cálices de saquê; de cerveja, um copo. Quanto ao cigarro, fumo a quantidade normal 4 .

Eis o meu método de saúde. Evidentemente nem me preocupo com bactérias. Poderão achar que se trata de um procedimento um tanto descuidado, mas afirmo que este é o verdadeiro método para preservar a saúde. Qualquer pessoa que venha a praticá-lo terá a saúde garantida; jamais se tornará o tipo intelectual de rosto pálido.

20 de abril de 1950

4 Meishu-Sama não tragava. Mas deleitava-se com a fragrância do cigarro. Fumava quatro ou cinco cigarros por dia.

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O QUE É A MORTE

1939

Entre as questões relacionadas à vida humana, nenhuma

é tão séria quanto o problema da morte. Todos o reconhecem;

apesar disso, é a questão mais difícil de ser compreendida. Eu

cheguei a uma conclusão a respeito da morte depois de prolongados estudos e pesquisas em todos os campos, incluindo diversas religiões, experiências espirituais realizadas no Ocidente, etc. Começarei minha explanação falando sobre a constituição do homem.

O homem não é formado apenas pela matéria, ou seja,

pelo corpo físico, como afirmam os cientistas. É constituído por duas partes essenciais: espírito (elemento fogo) e matéria. Esta,

por sua vez, compõe-se dos elementos água e terra. Entretanto, apenas com estes dois últimos elementos o homem não atua

como ser vivo. Juntando-se a eles o espírito, sem forma definida,

é que se inicia a atividade vital. O espírito assume, então, a forma do próprio corpo da pessoa. No momento em que ele se separa do corpo, ocorre aquilo que chamamos morte.

E por que ocorre a separação? É porque o corpo se torna inútil, seja por velhice, por doença, por ferimento ou por hemorragia intensa; no instante em que isso ultrapassa certo parâmetro, entra em vigor a lei que obriga a separação. Com a morte, imediatamente o corpo esfria, e o sangue se coagula em determinado local. O esfriamento é decorrente da anulação do elemento espírito, isto é, do elemento fogo.

O que acontece, então, com o espírito? Ele vai para o

Mundo Espiritual com a forma exata do corpo. A esse respeito li,

há algum tempo, o relato de uma experiência realizada no Ocidente; como se trata de um exemplo bem ilustrativo, vou reproduzi-lo a seguir.

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Certa vez, fitando um doente prestes a morrer, uma enfermeira observou que de sua testa começou a subir uma fumaça esbranquiçada, como se fosse vapor d'água, o qual se tornava cada vez mais denso. A princípio essa fumaça tomou o formato de uma elipse no espaço, mas gradualmente foi adquirindo a forma de um corpo humano; por fim, assumiu as mesmas características físicas da pessoa. O espírito permanecia a uma distância de aproximadamente um metro acima do morto e parecia querer dizer alguma coisa aos familiares que choravam à sua volta; logo, porém, flutuando, saiu do quarto silenciosamente.

Em geral o espírito se desprende do corpo pela testa, pela região abdominal ou pelos pés. No caso de morte por explosão, instantaneamente ele se espalha em todas as direções, na forma de inúmeros corpúsculos, mas torna a se reunir de maneira centrípeta, reassumindo o formato humano; assim, não difere nem um pouco da morte por doença.

Quando os espíritos se deslocam, por vontade própria, para determinado local, tomam a forma esférica. É com esse formato que muitas pessoas afirmam tê-los visto. Com relação à visão da enfermeira de quem falamos, trata-se de uma capacidade excepcional; aliás, existem criaturas que já nasceram com essa capacidade, e outras que a adquiriram através de treinamento. No Japão, desde a Antigüidade registram-se casos verídicos desse tipo, e eu mesmo já tive inúmeras oportunidades de contatar com médiuns. Conheci uma senhora possuidora de percepção espiritual fora do comum, a qual me foi de grande valia nas experiências que realizei.

1939

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MORTE NATURAL E MORTE ANTINATURAL

19 de junho de 1936

O que vem a ser a morte? Obviamente, é a extinção da vida. Isso significa que o corpo material não consegue mais viver. É como uma árvore que seca e morre.

A morte tem várias causas, mas podemos dividi-la em dois grupos: morte natural e antinatural. A primeira é causada pelo esgotamento natural da vida; a segunda, por doença, assassinato, acidente ou suicídio. O certo é que ocorra morte natural, podendo-se dizer que a morte antinatural constitui uma anomalia.

Um fato realmente incompreensível é que, apesar do avanço da cultura, venha diminuindo cada vez mais a morte natural e aumentando a incidência de morte antinatural,

principalmente a motivada por doença. E por que razão, embora se registre um grande progresso em todos os campos culturais, só na questão referente à vida humana ocorre exatamente o

inverso? Deve existir aí uma enorme falha

de levantar dúvidas, o homem, que mostra um interesse ilimitado por outros assuntos, permanece totalmente apático, conformado, acreditando, talvez, que na questão da morte não existem alternativas. Tal atitude se explica pelo fato de, até agora, como todos sabem, nenhuma religião ou ciência ter conseguido resolver o problema. Portanto, é de se imaginar que o homem pensa em deixá-lo à mercê da natureza, como única solução.

Entretanto, ao invés

Mas, pensemos: Deus Todo-Poderoso criou o homem como animal do mais elevado nível, e não há nada mais conflitante com a Vontade Divina que o reduzido número de mortes naturais em relação às mortes antinaturais, número esse que está diminuindo progressivamente. Ora, se Deus é Todo- Poderoso, cedo ou tarde Ele deverá trazer o homem de volta à

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sua hierarquia espiritual de origem. Evidentemente, Deus não fechará os olhos, por muito tempo, à anomalia ocorrida com a vida humana. Refletindo sobre tudo isso, não será motivo de espanto que Izunome-no-Ookami, isto é, Kanzeon Bossatsu, o Deus que recebeu do supremo Deus a incumbência de salvar o homem, esteja prolongando a vida humana, isto é, erradicando a morte antinatural.

Pelas razões expostas, o homem deve conscientizar-se de que está próxima a chegada do Mundo da Divina Luz, ou seja, o mundo isento de doenças pelo qual a humanidade vem ansiando há milênios.

19 de junho de 1936

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ANÁLISE DAS TOXINAS

1°de dezembro de 1952

O que é toxina? Em última análise, é o mesmo que sangue

sujo e mácula espiritual. As máculas se originam do pecado, e este, naturalmente, tem origem no mal. Todos sabem que essa visão do pecado é quase que um monopólio das religiões desde

a Antigüidade; entretanto, agir simplesmente como se tem agido

até agora, dizendo que não se deve fazer isso ou aquilo porque é

pecado, já não convence as pessoas da atualidade, pois a maioria é muito inteligente e raciocina em termos científicos. Deve-se, portanto, basear a teoria em fatos e argumentos sólidos.

Este mundo em que vivemos é formado pelo Mundo Espiritual e pelo Mundo Material. Da mesma maneira, o homem é formado de espírito e corpo, e ambos, numa relação íntima e inseparável, têm por princípio a identidade espírito-matéria. Sendo assim, quando as máculas do espírito se refletem no corpo, o sangue se suja; reciprocamente, quando isso se reflete no espírito, torna-se mácula. Como este ponto é de importância fundamental, pediria que o levassem em consideração no decorrer da leitura.

Explicando do ponto de vista espiritual, se o homem pratica más ações, esse pecado gera máculas no espírito; quando o acúmulo das máculas atinge determinado nível, sobrevém a ação purificadora, na forma de doenças, acidentes ou penalidades legais. A parte que não foi atingida pela lei dos homens é punida espiritualmente, pela Lei de Deus. Entretanto, como Deus é absoluto, se a pessoa escapar habilmente a essas penalidades, o castigo se refletirá na matéria através de sofrimentos maiores. Evidentemente, as doenças sobrevindas nesses casos são malignas e, na sua maioria, colocam em risco

a vida da pessoa. Quanto mais cedo ocorrerem as penalidades,

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mais brandas serão, podendo-se compará-las a empréstimos ou dívidas, que, quanto mais se demora a saldá-los, mais aumentam, devido aos juros. De fato, se um malfeitor conseguir escapar em vida aos julgamentos de Deus e do homem, quando morrer e o seu espírito passar para o Mundo Espiritual, irá cair no

chão do Inferno, devido ao peso dos pecados. É exatamente o "Inferno Avíci" (reino de ilimitado sofrimento), citado no budismo,

e o "Reino do Fundo do Inferno", mencionado no xintoísmo.

Trata-se de um mundo absolutamente sem luz e calor, onde o espírito nada enxerga, permanecendo congelado por centenas de anos; por isso, não há malfeitor, por pior que seja, que não venha a se arrepender. Para as pessoas da atualidade, talvez seja difícil acreditar em situações como estas, mas gostaria que me dessem crédito, pois são fatos que me foram transmitidos diretamente pelos espíritos, nas pesquisas por mim realizadas, e posso garantir que não existe nenhum equívoco.

Voltando à minha explanação, em conseqüência dos pecados começa-se a sentir peso na consciência, e esse sofrimento já é uma leve purificação. Seria bom que nesse momento as pessoas se arrependessem, mas isso é difícil.

Assim, na maioria das vezes, os pecados tendem a se acumular.

É claro que a quantidade das máculas é proporcional à maior ou

menor gravidade dos pecados, mas há também outra maneira de criá-las. Quando se faz alguém sofrer, a pessoa atingida se enfurece, sente ódio por aquele que lhe causou o sofrimento, e esse ódio é transmitido, através do elo espiritual, como ondas de rádio, ao espírito do malfeitor, gerando-lhe máculas. Ao contrário, quando se pratica uma boa ação, as pessoas se alegram e sua gratidão se transmite, na forma de Luz, ao espírito do benfeitor, o que fará diminuir as máculas que o cobrem. Entretanto, mesmo quando se trata de boas ações, quanto mais elas forem praticadas sem que os beneficiados saibam, maiores serão as bênçãos de Deus; essa é a inviolável Lei dos Céus.

A Outra Face da Doença

O que acabamos de expor é o mecanismo do Mundo Espiritual. Como representa uma verdade absoluta, a única alternativa é crer e obedecer. Portanto, já que as doenças e outros infortúnios são decorrentes da ação purificadora das máculas, o homem, se quiser alcançar a felicidade, deve deixar o mal, praticar o bem e esforçar-se para não macular seu espírito.

Passarei, agora, a falar do ponto de vista material.

A origem da doença é o sangue sujo, que, obviamente, tem como causa os tóxicos dos medicamentos. Todos os medicamentos, por natureza, são tóxicos, mas durante muito tempo, por desconhecimento dos princípios da ação purificadora, vieram sendo erroneamente interpretados como remédios.

Baseado na minha experiência, posso afirmar que há casos de reincidência da doença depois de algum tempo, mesmo em pessoas que já obtiveram melhora através do JOHREI. Chamo a isso de repurificação. O que acontece é que o JOHREI promove a eliminação das toxinas em processo de dissolução, e com isso o doente tem uma melhora temporária; entretanto, logo que ele retoma suas atividades, já com vigor razoável, surge uma ação purificadora mais intensa. Resumindo, com a purificação a pessoa ganha saúde, e com a saúde surge a purificação. Pela repetição desse processo é que se obtém o completo restabelecimento da saúde.

A repurificação manifesta-se relativamente intensa, através de febre alta, tosse forte e eliminação de antigas e solidificadas toxinas em forma de catarro, sendo isso perceptível pela densidade deste e pelo cheiro de remédio. Obviamente alguns casos são acrescidos da perda de apetite e do enfraquecimento do corpo, podendo, às vezes, o doente partir para o Mundo Espiritual.

A Outra Face da Doença

Deus fez do homem o senhor da Terra e por isso criou alimentos suficientes para a sua subsistência, atribuindo sabor a cada um deles e, ao homem, o paladar. Portanto, comer com satisfação aquilo que desejar é suficiente para o ser humano manter a saúde, sem precisar preocupar-se com assuntos complexos como nutrição. Assemelha-se ao desejo sexual, cujo objetivo não é fazer outro homem; todavia, apesar do objetivo ser outro, inconscientemente ocorre a procriação. Sendo assim, o homem não deve ingerir nada que não esteja determinado como alimento, ou seja, deve excluir tudo que é insípido ou que tem sabor desagradável, pois essas características já definem aquilo que não é comestível. Por desconhecimento desse princípio, costuma-se dizer, desde a Antigüidade, que "o bom remédio é sempre amargo", o que constitui um flagrante equívoco.

1°de dezembro de 1952

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OS TRÊS TIPOS DE TOXINAS

5 de fevereiro de 1947

A origem de todas as doenças são as toxinas, que podem ser hereditárias, urinárias e medicinais.

Que são toxinas hereditárias? São heranças dos tóxicos contidos nos medicamentos; esses tóxicos, após passarem por várias gerações, transformam-se numa espécie de toxina.

As toxinas urinárias são decorrentes da urina que não é eliminada, em conseqüência do atrofiamento da atividade renal.

Não entrarei em detalhes sobre as toxinas medicinais, pois o assunto já foi abordado, mas vou explicar como elas se manifestam. Seus principais sintomas são febre, dores, coceira, diarréia, vômitos, dormência, mal-estar, etc. A febre é proporcional à quantidade de toxinas e pode-se até dizer que não se observa a ocorrência deste sintoma entre pessoas que nunca tomaram remédios. Quanto às dores, as produzidas pelos medicamentos ocidentais são mais agudas, podendo ser, por exemplo, picantes (como picada de agulha), perfurantes e rápidas. Já os medicamentos chineses, quase todos, produzem dores brandas.

5 de fevereiro de 1947

A Outra Face da Doença

TOXINAS URINÁRIAS

1939

Já me referi várias vezes à facilidade com que as toxinas

tendem a se acumular em locais de alta concentração nervosa. Quando faz esforço físico, o homem força a região dos quadris, o que provoca a acumulação de toxinas à altura dos rins. Uma prova disso é a alta incidência de problemas renais entre os praticantes de golfe. As toxinas acumuladas pressionam os rins, atrofiando-os. Se os rins normais conseguem eliminar, por exemplo, dez unidades de urina, os atrofiados eliminam nove, sendo que uma unidade permanece no organismo sem ser eliminada. Essa unidade de urina retida constitui a toxina urinária, a qual tende a se acumular, da mesma forma que as outras toxinas, em locais de alta concentração nervosa, como na região dos rins e da barriga, nos gânglios linfáticos da região das virilhas, no peritônio, nos ombros, no pescoço, etc. O maior acúmulo de toxinas no lado esquerdo ou direito depende do maior atrofiamento de um dos rins em relação ao outro.

A quantidade de resíduos das toxinas hereditárias é

limitada, e a das toxinas medicinais também se restringe ao uso

dos medicamentos. As toxinas urinárias, porém, são produzidas, dia e noite, ininterruptamente; portanto, são as que causam maiores problemas. Essas três toxinas são responsáveis por todas as doenças.

1939

A Outra Face da Doença

A CAUSA DO PECADO ESTÁ NOS MEDICAMENTOS

6 de fevereiro de 1952

Provavelmente o título deste artigo cause muito espanto, pois nem em sonho as pessoas poderiam imaginar que haja relação entre o pecado e os medicamentos. Entretanto, por incrível que pareça, há bastante relação. Vou explicá-la.

Sempre digo que remédio é veneno. Quando ele é introduzido no corpo, suja o sangue; sujando-se o sangue, o espírito se macula; como seu espírito está maculado, a pessoa sente-se irritada. Isso é perigoso, pois, quando ficamos irritados, esbravejamos com facilidade, o que acaba resultando em conflito. Se estamos de bom humor, ainda que sejamos provocados, as coisas se ajeitam entre risos; ao contrário, se estamos mal-humorados, estouramos pelos motivos mais insignificantes. Dessa maneira, o homem depende do seu estado de espírito para tornar-se alegre ou triste. Não podemos menosprezar tal aspecto, pois ele também tem grande relação com a sorte ou o azar. No relacionamento diário entre as pessoas, não há nada mais importante que os sentimentos, pois deles pode resultar a separação de um casal, brigas familiares, atritos entre namorados, perda de emprego e até casos piores. Ninguém desconhece, também, a grande influência dos sentimentos sobre a confiança dos superiores em seus subordinados, nas empresas ou repartições públicas, ou sobre o bom relacionamento entre colegas de serviço, a preferência dos fregueses por determinado comerciante, o desempenho de um técnico, o êxito nos estudos, etc. Essas situações são habituais, mas, com o seu aumento, pode haver conseqüências graves.

Muitas pessoas comuns, que não passaram por suficiente aprimoramento, acabam procurando estimulantes na tentativa de disfarçar sua irritação. Os mais freqüentes são a bebida e o jogo. Ultimamente, a moda das corridas de cavalos, da loteria e outras

A Outra Face da Doença

podem ser explicadas dessa forma. Há indivíduos que, por ganharem bem e ocuparem certa posição social, vivem luxuosamente e buscam estímulos em diversões na companhia de mulheres. É claro que isso acarreta despesas, e eles acabam procurando obter dinheiro por meios ilícitos, incorrendo em apropriação indébita, fraude, corrupção, etc. Mas o mais grave é que existem pessoas que matam até mesmo por quantias insignificantes. Observando tais fatos, muitos dizem que na sombra dos crimes sempre há mulheres, mas eu diria que atrás deles estão os medicamentos. Devido à procura de estímulos cada vez mais fortes, proliferam as diversões de baixo nível, que, atualmente, ao contrário dos tempos antigos, tornam-se facilmente acessíveis, devido à facilidade de locomoção. Acrescente-se que, em decorrência da abolição das classes sociais, muita gente acha tolice levar uma vida séria e honesta.

Falei acima sobre aspectos superficiais e visíveis da sociedade, mas quais serão os seus aspectos interiores? Temos uma situação bastante séria, a qual, em grande parte, é causada pela doença. Como o homem moderno toma remédios, as doenças proliferam, crescendo o número de criaturas mal- humoradas e irritadas. Dessa forma, aumentam as despesas médico-hospitalares, que, aliadas à falta ao trabalho, diminuem a receita das pessoas, levando-as a fazer empréstimos e causar prejuízos ao próximo. A vida, assim, vai se tornando cada vez mais desagradável. Como não se trata o mal pela raiz, a doença tende a se prolongar e, nessa angústia, muitos praticam furtos; os indivíduos de caráter fraco acabam se suicidando, sendo que, às vezes, ocorre o suicídio de uma família inteira. Tragédias desse tipo têm movimentado o noticiário dos jornais, e as mais freqüentes são causadas pela tuberculose.

Analisando sob esse ângulo, podemos concluir que a causa do crime é a doença, e a causa desta, o remédio. Assim, espero que tenham compreendido o título do presente artigo.

A Outra Face da Doença

A CAUSA DOS ACIDENTES

16 de julho de 1952

Tem crescido, ultimamente, o número de acidentes, a começar pelos de trânsito, e esse número tende a aumentar a cada ano, apesar dos esforços das autoridades competentes. O que se deve fazer, então? No momento, como a verdadeira causa dos acidentes é totalmente desconhecida, só nos resta prestar redobrada atenção para evitá-los.

Segundo interpretamos, os acidentes são motivados por problemas de sistema nervoso do homem moderno. Em outras palavras, eles ocorrem quando o sistema nervoso de quem dirige não trabalha de forma adequada. O menor atraso no procedimento a ser tomado num instante de perigo - seja ele o espaço da décima parte do segundo - pode tornar-se causa direta de um acidente, e não há outro recurso senão remediá-lo.

Neste aspecto, eu fico impressionado com a falta de agilidade dos jovens atuais. Muitos são mais lentos do que eu, que estou completando setenta anos. Várias atividades minhas realizadas em tempo normal eles dizem que são executadas rapidamente. Qual é, portanto, a causa da lentidão de reflexos do homem moderno? É que ele recorre aos remédios por qualquer coisa, e, além do mais, as bebidas que ele bebe contêm vários ingredientes químicos, como os conservantes; até mesmo os produtos agrícolas, devido à utilização de adubos e inseticidas, estão carregados de venenos, os quais, com o decorrer do tempo, vão se acumulando e gerando toxinas no organismo das pessoas.

Assim, poderíamos dizer que o homem atual está praticamente mergulhado em remédios; acrescente-se que, como a vida se torna cada vez mais agitada e complexa, ele sobrecarrega o seu cérebro, onde as toxinas se concentram e se

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solidificam. Em contrapartida, ocorre uma ação purificadora, fraca mas ininterrupta; por isso, normalmente as pessoas sentem-se como que atordoadas, a cabeça pesada, quente e doendo constantemente. Justifica-se, portanto, dizer que hoje em dia não há quem tenha a cabeça leve. Essa é a causa não só de desastres mas também de homicídios, tão noticiados nos jornais da atualidade.

16 de julho de 1952

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O TRATAMENTO NATURAL

1935

O homem é a obra-prima da criação de Deus, não havendo nada que se lhe possa comparar. Segundo a Bíblia, ele foi feito à imagem de Deus, o que é uma verdade inegável. Sua estrutura mística é um mistério que jamais será desvendado pela Ciência. Quando muito, esta o conhece superficialmente ou em pequena parte; assim, é impossível afirmar se levará milhares de anos para desvendá-lo ou se nunca irá conseguir isso. Pensemos com calma. O funcionamento de vários órgãos do corpo, a sutileza da vontade-pensamento, a expressão dos estados de satisfação, ira, tristeza ou prazer, a extrema sensibilidade do tato a ponto de a pessoa sentir coceira quando é picada por uma pulga, a capacidade de exprimir todas as idéias através do código lingüístico e de distinguir o sabor dos alimentos, a misteriosa diferença na expressão fisionômica dos 1,8 bilhões de habitantes do globo terrestre, cujos rostos, que não medem mais que um palmo, nunca são iguais, todos estes mistérios e maravilhas fazem-nos louvar o poder do Criador. Não há palavras principalmente para expressar a capacidade da procriação, da qual é dotado o homem, e o mistério que envolve o processo da formação de um ser humano. É óbvio, portanto, que a Ciência nunca poderá desvendar o mistério da vida, pois o homem não é criação sua, como os robôs.

Quando a pessoa adoece, logo se inicia, nela própria, uma grande atividade destinada a eliminar a doença. Dentro de seu organismo começa a ser fabricado o seu próprio remédio. É como se houvesse, no corpo humano, um grande laboratório farmacêutico e um professor em Medicina. Se o corpo é invadido pela impureza chamada doença, o médico que há no seu interior faz imediatamente o diagnóstico e ordena que o farmacêutico prepare o medicamento, iniciando logo o tratamento. Aparelhos e medicamentos, todos eles são ultra-eficazes, e a cura é

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maravilhosa. Se comemos algo nocivo, a farmácia existente dentro do corpo imediatamente produz um laxante para provocar a diarréia e eliminá-lo. Se entram no organismo bactérias nocivas, o tratamento asséptico baseado na febre entra em ação. Se ocorre uma intoxicação alimentar, produz-se uma reação na pele e, através de calor e coceira, procura-se neutralizá-la, a fim de que ela não atinja os órgãos internos. Dependendo da intoxicação, os rins entram em grande atividade, processando uma lavagem com líquido, o qual é eliminado na forma de urina. Quando se inspira uma grande quantidade de poeira, ela é eliminada na forma de escarros. E assim por diante. Realmente, o corpo humano é de uma infabilidade extraordinária.

Em geral, as doenças se curam naturalmente, à mercê da Natureza; entretanto, por desconhecimento deste princípio, as pessoas recorrem aos medicamentos e aos tratamentos através da Ciência, fazendo com que a doença se prolongue, pois são impostos sérios obstáculos ao processo de cura natural.

Mas será que com o tratamento natural a Medicina não perderá sua utilidade? Não é bem assim. Entre seus ramos, existem alguns que são muito úteis, como a bacteriologia, uma parte da higiene, a cirurgia no tempo de guerra, a odontologia, as clínicas de fraturas, etc.

1935

A Outra Face da Doença

OS PONTOS FALHOS DA MEDICINA E A CAPACIDADE DE RECUPERAÇÃO NATURAL

25 de julho de 1951

Como é do conhecimento de todos, venho chamando a atenção para os erros da Medicina atual, mas o ponto mais grave é o seu absoluto desprezo à capacidade de recuperação natural do organismo, inerente a todo ser humano.

Quando alguém adoece e vai procurar um médico, na maioria das vezes ele diz: "Foi bom ter vindo logo. Se demorasse mais, talvez o problema já se tivesse tornado um caso perdido." Os médicos acreditam que, se deixarmos uma doença sem tratamento, ela se agravará cada vez mais.

Desejo esclarecer que o grande erro da Medicina consiste na crença de que o tratamento de uma doença deva ser iniciado o mais cedo possível, antes que seja demasiado tarde, e na aplicação de tratamentos baseados em inúmeros medicamentos, para evitar que o mal progrida.

Tenho sempre afirmado que a doença é um processo de eliminação de toxinas; portanto, se deixarmos que esse processo se desenvolva, as toxinas serão eliminadas e, conseqüentemente, a doença desaparecerá, ou seja, a pessoa ficará curada. Sofrimentos como febre, tosse, escarro, catarro, suor, diarréia, dores e coceiras são decorrentes do curso do referido processo. Basta, por conseguinte, suportar um pouco até que as impurezas sejam eliminadas e o corpo fique limpo. Assim, não há razão em se dizer a uma pessoa que é "tarde demais" para ela se tratar.

Desconhecendo tal princípio, a Medicina interpreta as doenças de forma totalmente contrária e por isso teme deixá-las sem tratamento. Em suma, considera que o certo é impedir a

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saída das impurezas, solidificando-as. Com esse procedimento, é óbvio que não poderá haver erradicação das doenças.

Vejamos outro ponto falho da Medicina. Quando alguém se machuca ou se queima, geralmente há formação de pus; como este é muito temido, tomam-se várias providências para evitá-lo, mas devo dizer que se trata de um grande erro. Todas as pessoas possuem toxinas acumuladas em seu corpo, o qual tenta eliminá-las na primeira oportunidade. Quando ocorrem estímulos como ferimentos, elas tendem a se concentrar nesse ponto e o organismo faz com que sejam eliminadas. Portanto, quanto maior a área inflamada, isto é, a área onde se localiza o pus, maior é a eliminação de toxinas, e não existe nada melhor.

Dessa maneira, o corpo humano realiza um constante trabalho de limpeza através da eliminação de substâncias nocivas, trabalho esse que denominamos capacidade de recuperação natural. Uma vez que o homem já nasceu com a capacidade de curar as doenças naturalmente, a Medicina deveria respeitá-la, deixando-a atuar; atualmente, porém, não só ela tenta bloqueá-la, como avança nesta teoria. Podemos notar, então, o quanto a Medicina está errada. E o que estamos dizendo não é teoria; é a constatação de fatos verídicos.

O homem recebeu dos Céus essa maravilhosa capacidade de recuperação natural, e nenhum tratamento médico consegue sequer chegar-lhe aos pés. O simples fato de se tomar conhecimento disso já constitui uma grande felicidade.

25 de julho de 1951

A Outra Face da Doença

O QUE É A DOENÇA

1°de janeiro de 1953

Todos os homens, sem exceção, possuem toxinas hereditárias e adquiridas. Toxinas hereditárias são as que se herdam dos pais, e toxinas adquiridas são as dos medicamentos tomados após o nascimento. Talvez achem estranha tal afirmação, pois normalmente se acredita que os medicamentos existem para curar as doenças e restabelecer a saúde.

É crença geral que com a obtenção de melhores remédios se conseguirá resolver o problema da doença, sendo este o principal objetivo dos tratamentos médicos. Todos sabem que especialmente os Estados Unidos têm voltado sua atenção para esse aspecto, concentrando grandes esforços na descoberta de novos medicamentos. Ora, se os remédios possibilitassem a cura das doenças, estas deveriam diminuir gradualmente; por que, então, ocorre justamente o inverso? Não há contradição maior.

Por natureza, na Terra não existe nada que se possa chamar de remédio. O que há são produtos tóxicos que, justamente por isso, fazem efeito. Com a ação do veneno chamado remédio, verifica-se uma diminuição dos sintomas da doença, dando a impressão de que houve cura; não se trata, porém, de cura verdadeira.

Mas por que os remédios são venenos?

Quando criou o homem, Deus criou também os alimentos, para manutenção da sua vida. A eles, atribuiu sabor, e ao homem, o sentido do paladar. Portanto, basta a pessoa comer com satisfação aquilo que desejar para estar nutrida. Só de atentarmos para esse aspecto, perceberemos a perfeição do Criador. Assim, a expressão correta é "o homem vive pela alimentação", e não "o homem se alimenta para viver." É o

A Outra Face da Doença

mesmo que acontece com a procriação: apesar do homem e da mulher se unirem por motivos que não são especificamente esse, dessa união resultam filhos, o que constitui um grande mistério.

Em conseqüência do que acabamos de dizer, as funções orgânicas do homem não estão habilitadas a eliminar de maneira completa as substâncias que não são determinadas como alimentos. Encontram-se neste caso os tóxicos dos medicamentos. O mais agravante, no entanto, é que esses tóxicos se concentram em vários pontos do organismo e, com o passar do tempo, acabam se solidificando. Isso se restringe às regiões de atividade nervosa, tal como a parte superior do corpo, principalmente do pescoço para cima. Mais especificamente, o cérebro, seguido pelos olhos, ouvidos, nariz, boca, etc. Antes, porém, as toxinas se solidificam nas proximidades do pescoço, razão pela qual as pessoas sentem nódulos nesse local e nos ombros. Quando elas atingem certo nível, ocorre o processo natural de eliminação, ou seja, a ação purificadora. Nesse caso, as toxinas se dissolvem devido à ação da febre, sendo eliminadas através de tosse, catarro, escarro, suor, urina e outros meios. A isso denominamos gripe; logo, esta é um processo de eliminação de toxinas. Embora seja um pouco penoso, basta a pessoa suportar e deixar a Natureza agir. Com a eliminação das toxinas, o corpo ficará limpo e obter-se-á a cura. A gripe, portanto, é a mais simples ação fisiológica criada pela Divina Providência, e por ela devemos ter gratidão. Ignorando isso, o homem interpreta mal os sofrimentos e as dores da purificação e, para cortá-los, inventou os tratamentos médicos.

Quanto maior a vitalidade da pessoa, mais facilmente ocorrerá a ação purificadora. Para impedi-la, basta enfraquecer essa vitalidade. Daí a utilização do veneno denominado remédio. Desde a Antigüidade, ele é extraído de ervas, raízes, cascas de árvores, minerais, vísceras de animais e outras fontes, sendo aplicado sob diversas formas, como chás, pós, medicamentos líquidos, comprimidos, ungüentos, injeções, etc. Aplica-se o

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veneno em pequenas doses, várias vezes ao dia; se as doses forem grandes, coloca-se em risco a vida da pessoa. É considerado bom remédio aquele cujo veneno é razoavelmente forte, mas não a ponto de causar intoxicação.

Através de medicamentos venenosos, o homem veio solidificando toxinas que estavam para ser eliminadas, podendo- se imaginar a grande quantidade de toxinas que o homem moderno possui em seu corpo. Dessa forma, ele se torna uma presa fácil das doenças, fato evidenciado pelo aparecimento da medicina preventiva e pelo temor da gripe. Por outro lado, as pessoas estão contentes porque a vida média do ser humano alcançou a casa dos sessenta anos. Grande erro, pois, se conseguir libertar-se das doenças, o homem poderá viver tranqüilamente por mais de cem anos. A morte antes dessa idade é antinatural; uma vez livre das doenças, ele morrerá de morte natural e, obviamente, sua vida irá se prolongar.

Os tratamentos médicos, por conseguinte, não curam as doenças; simplesmente minoram durante algum tempo seus sintomas. Todos os tratamentos recomendados - repouso absoluto, aplicação de compressas, ungüentos, bolsas de gelo, eletricidade, banhos de luz e outros - são métodos para solidificar as toxinas. Entre eles, diferem um pouco os tratamentos por meio de calor e a moxa, mas estes apenas conduzem as toxinas para determinado ponto. Através do estímulo do calor consegue-se alívio, mas, com o passar do tempo, elas voltam à sua posição original. Portanto, o único método que promove a verdadeira cura das doenças é aquele que dissolve e elimina as toxinas.

1°de janeiro de 1953

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A VERDADEIRA CAUSA DAS DOENÇAS

5 de fevereiro de 1947

Já me referi, anteriormente, à existência de vários tipos de toxinas no corpo do homem desde o seu nascimento. Devido a essas toxinas é que ele não consegue manter plena saúde, e por isso seu corpo é feito de maneira que lhe possibilite eliminá-las fisiologicamente. A tal fenômeno denominamos processo natural de purificação. Quando ele ocorre, sobrevêm sofrimentos de certo nível, e essa fase de dor e mal-estar constitui aquilo que se chama de doença. Para explicar tal fenômeno, vamos tomar como exemplo a doença mais comum, ou seja, a gripe, pois não há uma única pessoa que não a tenha contraído. A Medicina ainda desconhece suas causas, mas, segundo descobri, ela é uma das mais simples formas da ação purificadora, vindo acompanhada de sofrimentos como febre, dor de cabeça, tosse, escarro, catarro, perda de apetite, suor, indisposição, etc.

Antes de mais nada, o que vem a ser o processo de purificação? A grosso modo, ele compreende duas etapas. A primeira consiste na concentração e solidificação das diversas toxinas contidas no sangue em diferentes pontos do corpo,

especialmente os locais de grande atividade nervosa e as partes que ficam em posição inferior quando o corpo se encontra em repouso. Com o passar do tempo, as toxinas concentradas vão endurecendo, o que vem a ser causa de enrijecimento dos músculos. Às vezes não há sofrimento algum: quando muito, rigidez nos ombros. A segunda etapa da purificação começa quando a solidificação ultrapassa determinado nível, sobrevindo

aí o processo natural de eliminação. Para facilitá-lo, surge uma

ação destinada a dissolver as toxinas, isto é, a febre.

O grau da febre depende não só da natureza, quantidade

e rigidez das toxinas, mas também da própria natureza do

doente. Muitas vezes, a febre aparece como resultado do

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cansaço, após a prática de exercícios físicos, pois estes aceleram o processo de purificação. As toxinas liqüefeitas são eliminadas na forma de suor, catarro, secreção nasal, etc. A tosse e o espirro são como ações de bombeamento: a primeira, para eliminação de catarro; o segundo, para eliminação de secreção nasal. Isso se tornará bastante claro se observarmos que realmente eliminamos catarro quando tossimos, e secreção nasal quando espirramos. Por outro lado, a perda de apetite é causada pela febre, pela tosse e pelos medicamentos. As dores de cabeça e nas juntas são decorrentes da dissolução das toxinas existentes nesses pontos, as quais excitam os nervos no momento de sua eliminação em estado líquido. A dor de garganta ocorre porque as toxinas contidas no catarro irritam a mucosa que a reveste, ocasionando sua inflamação; a rouquidão baseia-se no mesmo princípio, sendo causada pela inflamação das cordas vocais.

Eis, portanto, o que é a gripe. Não há necessidade de tratamento algum; basta a pessoa deixar seu organismo em paz, sem tomar medicamentos, que em poucos dias, terminado o processo de purificação, estará curada. Desde que a cura seja natural, com a redução de toxinas, a saúde aumentará.

Apesar da gripe ser altamente recomendável, por constituir o mais simples processo de purificação, as pessoas a temem, e a Medicina chega a dizer que preveni-la é a condição número um para não contraí-la. Os leitores precisam compreender que isso é um grande erro. Desde a Antigüidade acredita-se que a gripe é a origem de mil doenças, mas na verdade ela é a única maneira de se escapar a essas mil doenças. Desconhecendo-lhe a causa, a Medicina toma várias medidas quando a pessoa fica gripada, todas elas no sentido de deter o processo purificador. Tais medidas começam com a tentativa de baixar a febre através de medicamentos antitérmicos, bolsas de gelo, compressas e outros meios. Isso faz com que o processo de purificação retroceda ao primeiro estágio, ou seja, que as toxinas que começaram a ser

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dissolvidas voltem a se solidificar. Com a solidificação, a pessoa sente-se aliviada dos sofrimentos causados pela febre, escarro, secreção nasal, etc., e tanto ela como o médico têm a ilusão de que a gripe está melhorando. Quando ocorre a solidificação completa, pensam que a cura está selada. Na realidade, porém, voltou-se à situação anterior; logo, é natural que haja uma recaída.

Chamo atenção para o fato de que os tratamentos baseados em antitérmicos, bolsas de gelo, compressas e outros semelhantes, detendo o processo purificador, constituem a causa de sintomas mais intensos nas próximas doenças que o indivíduo contrair. Pode-se compreender, portanto, que as doenças graves são causadas pela repetida interrupção dos processos purificadores de menor intensidade, através da utilização sucessiva de remédios, o que aumenta o acúmulo de toxinas, tornando necessária a ocorrência de um processo purificador muito intenso.

5 de fevereiro de 1947

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A GRIPE

O QUE É A DOENÇA?

15 de agosto de 1951

A própria Medicina reconhece que o homem tem, "a priori", várias toxinas. Elas são eliminadas por um processo fisiológico natural, que nós chamamos processo de purificação. Primeiramente as toxinas se concentram em vários locais, notadamente naqueles onde há mais atividade nervosa. No homem, isso ocorre na metade superior do corpo. Quanto mais próximo do cérebro, maior a concentração, porque, enquanto se está acordado, o cérebro, os olhos, os ouvidos, o nariz, a boca, etc., trabalham ininterruptamente, mesmo que os braços e as pernas estejam em repouso. Portanto, as toxinas tendem a se concentrar nos ombros, no pescoço, nos gânglios linfáticos, no encéfalo, na parótida e em outros pontos. Com o passar do tempo, elas vão se solidificando gradualmente. Quando o acúmulo ultrapassa determinado limite, começa o processo de purificação. Aí podemos ver o benefício que a Natureza nos proporciona. A solidificação das toxinas provoca má circulação sangüínea, rigidez dos ombros e do pescoço, dor de cabeça acompanhada de sensação de peso, diminuição da capacidade visual, auditiva e olfativa, entupimento do nariz, inflamação dos alvéolos, enfraquecimento dos dentes, falta de fôlego, flacidez dos músculos dos braços e das pernas, dor nos quadris, inchação, etc. Tais fatores determinam uma acentuada diminuição da atividade, de modo que o homem fica impossibilitado de cumprir sua missão. Foi justamente por isso que Deus criou o excelente processo de purificação denominado doença.

Conforme dissemos, se a doença é o sofrimento decorrente da eliminação de toxinas, ela é o processo de purificação do sangue, indispensável à manutenção da saúde.

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Portanto, podemos considerá-la a maior bênção que Deus nos concedeu. Se a eliminarmos, o homem irá enfraquecendo gradativamente e, por fim, estará até ameaçado de extinção. Os leitores poderão achar que se trata de uma incoerência, pois eu sempre afirmo que construirei um mundo sem doenças. Entretanto, não há nenhuma incoerência em minhas palavras, visto que, se o homem se livrar das toxinas, não haverá mais necessidade de processo purificador; conseqüentemente, as doenças desaparecerão. Vou expor minha teoria de maneira mais aprofundada e de modo a facilitar ao máximo sua compreensão.

Logo que uma pessoa contrai gripe, sobrevém-lhe a febre. Para facilitar a eliminação das toxinas, a Natureza faz com que elas se dissolvam através do calor. Na forma líquida, as toxinas infiltram-se rapidamente nos pulmões. Trata-se de um processo realmente misterioso. Do mesmo modo, quando as dissolvemos através do JOHREI, elas penetram imediatamente nos pulmões, atravessando os músculos e até os ossos. Se as toxinas se encontram solidificadas em um ou dois pontos, as doenças são leves, mas estas se agravam na medida em que é maior o número de pontos. É por isso que uma gripe, que a princípio parecia fraca, vai se agravando cada vez mais.

No caso de serem pouco densas, as toxinas liqüefeitas são eliminadas imediatamente, na forma de catarro; ao contrário, quando sua densidade é maior, ficam temporariamente nos pulmões, aguardando a ação de bombeamento denominada tosse, e aí são eliminadas pelas vias respiratórias. Isso se evidencia pelo fato de a tosse ser sempre seguida de catarro. Obedecendo ao mesmo princípio, o espirro vem sempre seguido de secreção nasal. Assim, as dores de cabeça e de garganta, a inflamação dos ouvidos, dos gânglios linfáticos, das articulações dos pés, das mãos e da região inguinal decorrem da dissolução das toxinas e do seu deslocamento em busca de saída do corpo. Esse movimento pressiona os nervos, provocando a dor.

A Outra Face da Doença

As toxinas líquidas estão divididas em concentradas e diluídas. As concentradas são eliminadas na forma de catarro, secreção nasal, diarréia, etc., e as diluídas, na forma de suor e urina. A ação purificadora se processa de modo tão natural, que não podemos deixar de louvar a Providência do Criador. Foi Deus que criou o homem, e por isso não haveria razão para lhe proporcionar sofrimentos e atrapalhar sua atividade através da doença. O ser humano precisa estar sempre saudável, mas ele próprio cria toxinas e, com base em teorias errôneas, faz com que elas se acumulem, surgindo então a necessidade de eliminá- las. Eis, portanto, o que é a doença. No caso da gripe, se a deixarmos desenvolver-se sem nenhuma interferência, por conta da Natureza, a purificação decorrerá normalmente e a cura será completa, aumentando, assim, a saúde da pessoa.

Por incrível que pareça, e não se sabe desde quando, o homem interpretou de maneira inversa o referido processo de purificação. Dessa forma, quando a doença se declara, ele emprega todos os recursos para estancá-la. Confundindo-se no tocante às dores do processo, acha que elas são decorrentes do agravamento da doença. Baseado nisso, trata de fazer baixar a febre. Com a diminuição desta, interrompe-se a dissolução das toxinas e diminuem os sintomas, como a tosse, o catarro e outros. Parece, então, que está ocorrendo a cura. Em outras palavras, faz-se retornar ao estado sólido as toxinas que tinham começado a se dissolver. Essa solidificação é promovida pelos tratamentos médicos, entre os quais se inclui a aplicação de compressas, bolsas de gelo, remédios, etc. Quando ocorre a completa solidificação das toxinas e desaparecem os sintomas, as pessoas ficam contentes, julgando-se curadas. Mal sabem elas que estão prendendo a mão que executaria a limpeza de seu corpo. E os fatos o comprovam. Fala-se muitas vezes em recaída, mas esta nada mais é que o resultado do choque entre duas ações: a do corpo, que procura executar a purificação, e a do tratamento, que tenta impedi-la, provocando, assim, o prolongamento da doença. Isso pode ser constatado pela

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reincidência da gripe que se pensava ter sido curada. Posso afirmar, portanto, que o tratamento médico é apenas uma forma de adiar a doença e não de curá-la. O verdadeiro processo de cura consiste em eliminar as toxinas do corpo, purificando-o, ou seja, acabando com a causa da doença.

A verdadeira Medicina é aquela que, ocorrendo o processo purificador, acelera a dissolução das toxinas e faz com que elas sejam eliminadas na maior quantidade possível. Não há outro tratamento além deste.

15 de agosto de 1951

A Outra Face da Doença

A VERDADEIRA CAUSA DA DOENÇA ESTÁ NO "ESPÍRITO"

1935

Tudo que existe no mundo é composto de matéria e espirito, sendo que a deterioração e decomposição da matéria é causada pelo abandono do espírito. Mesmo em relação às pedras, existe um tipo, chamado pedra morta, que se esfarela com facilidade, e isso também se deve à ausência de espírito. A ferrugem que se forma no ferro tem a mesma causa, podendo-se dizer que ela é o cadáver do ferro. A existência de pouca ferrugem em espadas bastante polidas ou espelhos antigos explica-se pelo fato de estar impregnado neles o espírito do artesão.

O homem é constituído pela união inseparável do espírito

com o corpo físico; a partida do espírito para o Mundo Espiritual constitui aquilo a que chamamos morte. Todos os animais possuem, no centro do espírito, a consciência e, no centro deste,

a alma. O tamanho da consciência é 1% do espírito, e o da alma

é 1% da consciência. Assim, primeiramente há a ação da alma e

da consciência; com a ação desta última, verifica-se a ação do espírito e, com esta, a ação do corpo físico. Dessa forma, todas

as ações do homem e fenômenos do corpo físico têm origem na

alma. Relacionando com o bem e o mal, o corpo físico representa o mal; a consciência, o bem. Da mesma forma, a consciência representa o mal, e a alma, o bem. O repetido atrito entre o bem

e o mal gera a harmonia, manifestando-se como força e capacidade de viver.

De acordo com o princípio exposto, o aparecimento da própria doença ocorre numa parte do espírito, que move o corpo material. Apesar de pequena, a alma é auto-elástica: quando o homem está acordado e em atividade, ela toma a forma humana; quando o homem está dormindo, toma a forma esférica. A bola de fogo que se observa muitas vezes por ocasião da morte é a

A Outra Face da Doença

alma, que, nesse momento, assume o formato esférico, acontecendo o mesmo com a consciência e com o espírito. Essa bola de fogo é ocasionalmente visível porque tem luz. O aparecimento da doença numa parte da alma significa que nessa parte a luz ficou escassa. Isso se reflete na consciência, no espírito e, por fim, no corpo, em forma de doença. Portanto, se não surgirem máculas em seu espírito, a pessoa jamais ficará doente.

Mas por que razão se formam máculas no espírito? Por

causa do pecado. Para explicar isso, eu teria de entrar no campo da Religião, de modo que vou parar por aqui e falar apenas sobre

a manifestação da doença no corpo físico.

Como eu já disse, se surgem máculas numa parte do espírito (a parte correspondente à região pulmonar, por

exemplo), o sangue dessa área fica sujo. E isso não se restringe às doenças pulmonares; praticamente todas as doenças têm essa origem. O princípio da cura deve basear-se na eliminação das máculas do espírito. Entretanto, desconhecendo esse princípio, a Medicina empenha-se em tratar apenas os sintomas que aparecem no corpo, porque só tem conhecimento do efeito,

e não da causa do problema. Desse modo, mesmo que se

consiga uma pequena melhora, não se obtém a cura completa da doença.

Com o JOHREI, eliminam-se as máculas do espírito através da Luz de KANNON; ao mesmo tempo, ocorre a eliminação das toxinas, e a doença melhora ou desaparece. Por conseguinte, a purificação do espírito reflete-se no corpo, ocasionando a cura da doença. Ainda assim, não podemos afirmar que o mal foi cortado pela raiz. Isso porque, se a alma não foi elevada, é impossível estar-se verdadeiramente tranqüilo

e seguro. A elevação da alma só poderá ser obtida se a pessoa

apreender a correta fé e praticá-la. Esse aprimoramento constitui

a prática messiânica. Chegando a esse ponto, a pessoa não

A Outra Face da Doença

cometerá mais pecados; pelo contrário, começará a acumular virtudes. Assim, além de ficar isenta de doenças e desgraças,

poderá viver repleta de alegria e obter a graça de uma vida longa

e virtuosa. Dessa forma, haverá progresso de toda a sua linha familiar.

Falarei, agora, sobre outro aspecto relacionado ao espírito. Há pessoas que ficam aflitas por qualquer coisa, e outras que estão sempre inseguras e inquietas. Isso acontece porque a sua alma está fraca e a sua resistência aos choques externos é pequena. Os neuróticos, cujo número tem aumentado muito ultimamente, enquadram-se nesse tipo. A causa da neurose são

as máculas existentes no espírito; por isso os portadores desse mal são fracos. A maioria possui toxinas solidificadas no pescoço; dissolvendo-se essas toxinas, eles ficarão curados. Quando o mal se agrava, produz-se a insônia. Mesmo após obter

a cura, o melhor meio de evitar uma recaída é a pessoa ingressar na Igreja Messiânica Mundial, a fim de que seu espírito seja iluminado pela Luz Divina e não volte a criar máculas.

1935

A Outra Face da Doença

A CAUSA DAS DOENÇAS E O PECADO

1936

A causa das doenças são os nódulos constituídos pela mistura de sangue sujo e pus, os quais se formam como reflexos das máculas do espírito. Mas de onde surgiram e como vieram essas máculas? Elas se originam dos pecados.

Há dois tipos de pecados: os gerados nesta vida e os hereditários. Estes últimos são o acúmulo global dos pecados cometidos por muitos antepassados; os primeiros representam a soma dos atos pecaminosos praticados pela própria pessoa.

Nós que vivemos atualmente, não somos seres surgidos do nada, sem relação com nada. Na verdade, representamos a síntese de centenas ou milhares de antepassados e existimos na extremidade desse elo. Somos, portanto, seres intermediários de uma seqüência infinita, formando uma existência individualizada no tempo. Em sentido amplo, somos um elo da corrente que une os antepassados com as gerações futuras; em sentido restrito, somos uma peça como a cunha, destinada a firmar a ligação entre nossos pais e nossos filhos.

Para explicar as doenças causadas pelos pecados dos antepassados, preciso falar sobre a vida após a morte, isto é, sobre a constituição do Mundo Espiritual.

Ao deixar este mundo e passar pelo portão da morte, o homem tem de despir a roupa denominada corpo. Este pertence ao Mundo Material, e o espírito, ao Mundo Espiritual. Quando o corpo, devido à doença ou à idade avançada, torna-se imprestável, o espírito abandona-o e vai para o Mundo Espiritual. Aí ele deve se preparar para renascer no Mundo Material, ou seja, reencarnar. Este preparo constitui o processo da purificação do espírito.

A Outra Face da Doença

A maior parte das pessoas carrega uma quantidade considerável de máculas, originadas dos pecados. Assim, quando são submetidas ao julgamento do Mundo Espiritual, feito com absoluta imparcialidade, a maioria acaba caindo no Inferno. Devido ao sofrimento da pena imposta, o espírito vai pouco a pouco se elevando, mas os resíduos da purificação dos pecados fluem contínua e incessantemente para os seus descendentes que vivem no Mundo Material. Isso é como uma lei redentora, baseada na causa e efeito, em que o descendente - resultado da soma global dos seus antepassados - arca com uma parte dos pecados cometidos por eles. Trata-se de uma Lei Divina inerente à criação; por conseguinte, o homem não tem outro recurso senão obedecer a ela. Esses resíduos espirituais fluem sem cessar para o cérebro e a coluna vertebral do descendente, e, penetrando em seu espírito, imediatamente se materializam na forma de pus, que é a origem de todas as doenças.

Agora vou falar sobre o segundo tipo de pecados, isto é, os pecados individuais, que todos entendem com facilidade.

Ninguém consegue viver sem cometer pecados. Estes podem ser graves, médios e leves, admitindo cada um desses tipos uma infinidade de classificações. Exemplificando, há pecados contra a lei, contra a moral ou contra a sociedade; pecados de natureza carnal, que se evidenciam nas ações do indivíduo, e também pecados psicológicos, cometidos apenas na mente da pessoa. Conforme disse Cristo, só o fato de desejar a mulher do próximo já constitui crime de adultério. É uma afirmação correta, apesar de bastante rigorosa. Portanto, embora não se esteja violando nenhuma lei, pecados leves cometidos no dia-a-dia, os quais ninguém considera pecados, como ter raiva do próximo, querer que alguém sofra ou desejar adultério, se forem acumulados por longo tempo, acabarão assumindo proporções consideráveis. Vencer uma competição ou alcançar sucesso na vida, condutas que envolvem disputa e acabam provocando a inveja e o conseqüente ódio do perdedor, também

A Outra Face da Doença

constitui uma espécie de pecado, pois envolve o ódio. Matar animais, ser preguiçoso e desperdiçado, agredir as pessoas, não cumprir os compromissos, mentir, dormir demais pela manhã, etc., tudo isso são pecados que as pessoas acumulam sem saber. Essa infinidade de pecados leves, acumulando-se ao longo do tempo, refletem-se no espírito em forma de mácula. É comum pensar que os recém-nascidos não possuem pecado algum, mas não é bem assim. Todos os homens, até se tornarem independentes, vivem sob a tutela dos pais e por isso devem dividir com eles a carga dos pecados. Poderão entender melhor este raciocínio fazendo uma analogia com as árvores: os pais constituem o tronco, enquanto os filhos são os galhos, e os netos, os galhos menores. Assim, é impossível as máculas dos pais não exercerem influência sobre os filhos.

Os pecados gerados nesta vida tornam-se bem claros através de exemplos. Vou expor alguns deles.

Conheci duas pessoas que, após enganarem a terceiros, ficaram cegas. Uma delas era um especialista em confecção de painéis chamado Kyoguin, o qual residia em Senzoku-cho, Assakussa, Tóquio. Ele produzia quadros falsos com uma técnica aprimorada e fazia painéis novos parecerem antigos, vendendo- os como autênticos. Em poucos anos acumulou considerável fortuna, mas foi acometido de cegueira incurável, vindo, mais tarde, a falecer. Lembro-me de que quando eu era criança ia brincar em sua casa e ouvia as histórias diretamente dele. O outro caso ocorreu em Hanakawa-do, também em Assakussa, onde havia uma casa de móveis e utensílios chamada Hanagame. Certa vez, o bonzo responsável por um templo de Shizuoka expôs em Tóquio a imagem principal do templo. Acontece que a exposição foi um completo fracasso e, ficando sem meios para voltar, ele tomou dinheiro emprestado na Casa Hanagame, deixando a imagem como garantia do pagamento da dívida. Após conseguir o dinheiro, foi devolvê-lo, mas Hanagame, o dono da loja, que vendera a imagem, por altíssimo preço, a um

A Outra Face da Doença

interessado, cinicamente alegou que nunca a tivera sob sua guarda. No auge do desespero, o bonzo acabou se enforcando no teto da referida loja. O proprietário investiu a vultosa quantia obtida com a venda da imagem na ampliação dos seus negócios, que foram de vento em popa. Em pouco tempo ele estava milionário. Entretanto, na velhice, ficou cego e seu herdeiro acabou esbanjando toda a fortuna com bebidas e mulheres. Por fim, em estado lastimável de profunda decadência, Hanagame perambulava pela cidade conduzido por sua mulher, também já idosa. Lembro-me de tê-los visto algumas vezes e de ter tomado conhecimento de sua história por intermédio de meu pai. O que ocorreu só pode ter sido causado pelo profundo ódio do bonzo.

O exemplo que se segue diz respeito ao reflexo dos pecados dos pais sobre os filhos. Refere-se a uma empregada que eu tive, moça de dezessete ou dezoito anos aproximadamente, a qual era cega de um olho. Perguntando-lhe eu a causa desse problema, ela me disse que o filho de um casal para quem trabalhara havia disparado acidentalmente uma espingarda de pressão, atingindo seu olho. Indagando maiores detalhes, eu soube que o pai dela havia enriquecido vendendo coral falso. No início da Era Meiji, por volta de 1867, utilizando látex, ele fabricara gemas falsas de coral. Levando-as para o interior, conseguira vendê-las a preços altos, como se fossem verdadeiras. Acredito que o ódio das pessoas enganadas se refletiu em sua filha, que acabou perdendo uma vista. Pareceu- me realmente uma pena, pois ela era muito bonita e, se não tivesse esse defeito, teria progredido bastante na vida.

Outro caso é referente a um ancião que veio me procurar por causa de uma dor que sentia no pulso. Ministrei-lhe JOHREI por mais de dez dias, mas ele não apresentava melhora. Intrigado, indaguei-o a respeito de sua fé, e ele me disse que venerava certa divindade há mais de vinte anos. Vendo que estava aí a causa do problema, convenci-o a parar com as orações. A partir desse dia, o ancião começou a melhorar

A Outra Face da Doença

gradativamente; após uma semana, já estava totalmente curado. Portanto, professar uma fé errada ou venerar falsas divindades provoca paralisia ou dores nas mãos, impossibilidade de dobrar os joelhos, etc. Casos desse tipo ocorrem com certa freqüência.

Através dos exemplos citados, podemos ver que não se devem menosprezar nem mesmo os pecados cometidos sem querer. As pessoas que sofrem constantes acidentes ou são acometidas de doenças precisam refletir sobre seus pecados e, encontrando-lhes a causa, regenerar-se imediatamente.

1936

A Outra Face da Doença

O PECADO E A DOENÇA

23 de outubro de 1943

Gostaria de esclarecer que não pretendo desenvolver este tema sob o aspecto religioso, como se poderia pensar. Vou abordá-lo sob o aspecto moral. O termo pecado é bastante usado pelos religiosos, mas o que explicarei a seguir não é hipótese nem imaginação, e os leitores hão de concordar comigo, após a leitura.

Conforme já dissemos, desejando mal ao próximo e praticando más ações, o homem acumula máculas em seu espírito, as quais, pela constância das práticas maléficas, tornam-se cada vez mais densas. Quando a densidade das máculas atinge certo limite, ocorre uma ação natural para eliminá-las. Evidentemente ninguém pode escapar a isso, pois se trata de uma rigorosa lei do Mundo Espiritual. Esse processo de purificação manifesta-se mais na forma de doença, mas ocasionalmente pode assumir outras formas. No caso da doença, de nada adianta esgotar os recursos da Medicina, porque não há resultados, e isso se deve ao erro de querer curar com remédios e instrumentos algo cuja causa é de natureza espiritual. Existem pessoas que pedem ajuda às divindades e o pedido surte algum efeito. Como, por natureza, essas divindades são espíritos, é claro que com sua ajuda se consegue razoável eliminação das máculas. Entretanto, quanto mais correta for a divindade, mais justa ela é; assim, tratando-se de pecados acumulados ao longo dos anos, ela não deixa que tudo se resuma à redução do sofrimento. Exemplificando, as pessoas que infringem as leis do país não são perdoadas por mais que se arrependam. O máximo que conseguem é a redução da pena.

Às vezes dá-se a eliminação de máculas antes de surgir o processo purificador natural. Nesse caso, são máculas relativamente de pouca densidade, e o processo de purificação é

A Outra Face da Doença

brando. Essa eliminação é decorrente do arrependimento, ocorrendo por determinado motivo, que, entre outros, pode ser o despertar espiritual através da leitura de alguma história religiosa, como as da Bíblia, ou de experiências de pessoas ilustres. Seria até desnecessário dizer a influência de bons livros, palestras, filmes, peças teatrais, etc. para o despertar da alma ou do lado bom das pessoas.

Mas que acontece com o espírito do homem quando este desperta? No centro do espírito há a consciência e, no centro desta, a alma. Assim, por natureza, ele está formado de três camadas. Originariamente a alma é pura, mas fica como se estivesse maculada, devido às constantes influências externas. Ela é uma bola de luz como o sol e a lua. Entretanto, se a consciência, que é mais externa, se macular, o esplendor da luz da alma ficará anulado e ela adormecerá. Por essa razão, quando se atinge o estado espiritual semelhante a um espelho ou lago cristalino, a alma brilha como o sol e a lua no céu límpido.

Quando o homem desperta, significa que a sua alma recomeça a brilhar. Até hoje, os únicos meios disponíveis para se conseguir isso têm sido os métodos de natureza moral, como histórias ou leituras. Com o despertar da alma, seu brilho dissipa as máculas da consciência; em seguida, o espírito é purificado. Assim, os três elementos - alma, consciência e espírito - estão em constante equilíbrio de luz ou escuridão. O nosso método, porém, é o inverso desses métodos. Através de uma ação externa, purificamos o espírito; com isso, eliminam-se as máculas da consciência e, assim, queira ou não, a alma despertará. Despertar a alma e a consciência através dos métodos de natureza moral gera sofrimento para a pessoa, decorrente do autocontrole, o que por sua vez se reflete no espírito, dando origem à doença e outros sofrimentos. O nosso JOHREI, no entanto, além de proporcionar a erradicação da doença, desperta a alma sem que a pessoa o perceba; por conseguinte, é o método ideal de reforma do corpo e do espírito.

A Outra Face da Doença

O QUE É O ESTADO LIGEIRAMENTE FEBRIL

5 de setembro de 1951

Provavelmente não há ninguém que não apresente um pouco de febre, mas muitas pessoas nem têm consciência disso. Esse estado ligeiramente febril exerce uma forte influência sobre o homem. Vejamos.

O indivíduo sente dor e peso na cabeça, sua capacidade de concentração diminui, torna-se disperso, sua memória enfraquece, não faz nada com afinco, tudo lhe parece difícil, sente o corpo pesado e por qualquer coisa vai para a cama. Além disso, quase não tem apetite, mostra muitas preferências e restrições em matéria de comida, toma muito líquido e irrita-se com facilidade. Como nada lhe vai bem, passa a encarar as coisas com pessimismo. A histeria também é motivada pela febre branda. Essas pessoas são passivas em tudo, preferem o tempo chuvoso ao tempo bom, contraem gripe com freqüência, ficam com o nariz entupido, ouvem zumbidos, suas amígdalas inflamam facilmente, perdem o fôlego ao subir ladeiras ou quando andam rápido, e suas pernas ficam pesadas. Em rápida análise, esse é o quadro que se apresenta, e que não é nada desprezível.

Com tudo o que dissemos, é fácil deduzir que tais indivíduos não se dão bem com os amigos. Aliás, não se dão bem com ninguém, nem com os próprios familiares. No lar, isso se reflete no mau relacionamento entre o casal e entre pais e filhos. Eles tentam impor seus pontos de vista, agem de maneira egoísta e ainda procuram apresentar razões para a sua conduta. A justificativa mais alegada é o liberalismo. Como acham desagradável a vida no lar, facilmente abandonam a família. Ultimamente muitos rapazes e moças têm fugido de casa, e a explicação deve ser a que estamos expondo. Os casos mais trágicos acabam em suicídio coletivo da família.

A Outra Face da Doença

E não fica por aí. No tocante ao convívio social, muitas pessoas procuram justificativas egoístas para suas condutas e dessa forma criam desarmonia ao seu redor, discutem por motivos insignificantes e brigam sem nenhuma necessidade. Tudo isso é causado pelo excesso de egocentrismo. Parece que tais ocorrências são freqüentes entre os políticos. Mesmo nas associações, em caso de discussão de determinado assunto, há muito falatório, levando-se um tempo enorme para chegar-se a um acordo. Parece que as pessoas não conseguem perceber a causa desses fatos e também não têm interesse nisso.

Numa sociedade complicada como a que acabamos de mencionar, as criaturas estão crivadas de problemas e, logicamente, procuram fugir dos aborrecimentos. Aí vem a bebida. Deve ser por essa razão que, por mais que esta suba de preço, seu consumo não diminui. Além disso, na ânsia de fugir dos problemas, as pessoas acabam procurando diversões que lhes proporcionem fortes estímulos. Os jovens procuram cabarés, discotecas, fliperamas, etc. Os indivíduos de mais idade, desde que tenham algumas posses, procuram refúgio em concubinas ou em relacionamentos de caráter leviano. Assim é que, no mundo atual, proliferam diversões insanas.

Se a origem de um quadro tão sombrio, conforme dissemos, é o estado ligeiramente febril que as pessoas normalmente apresentam, não há nada mais temível que esse estado. Mas qual é a causa da febre? São as toxinas medicinais, as quais se encontram solidificadas em vários pontos do corpo, determinando um processo brando de purificação. Para eliminá- la de verdade, não há absolutamente nada a não ser o JOHREI. À medida que aumentam os fiéis de nossa Igreja, tende a desaparecer o quadro sombrio que descrevemos, não havendo, portanto, a menor dúvida de que surgirá uma sociedade extremamente agradável. Esta é justamente a imagem do Paraíso Terrestre.

A Outra Face da Doença

SOBRE A PURIFICAÇÃO PROPORCIONAL

preciso

ocorrência da purificação proporcional.

Existe

um

ponto

que

22 de abril de 1950

esclarecer.

Refere-se

à

Suponhamos que a pessoa esteja sentindo dor no braço direito. Quando a dor melhora, pela ministração do JOHREI, o braço esquerdo começa a doer. Parece, então, que a dor se deslocou, mas isso é que se chama purificação proporcional. Eliminadas as toxinas do braço direito e havendo toxinas no esquerdo, ocorre aí o processo de purificação natural, para estabelecer o equilíbrio. Evidentemente isso não se limita ao braço. Seja no ventre ou nas costas, não existe deslocamento da dor. Trata-se tão somente de purificação proporcional.

22 de abril de 1950

A Outra Face da Doença

A DOENÇA E O CARÁTER DO HOMEM

1936

Através da minha larga experiência, constatei que a doença e o caráter do homem se encaixam perfeitamente. Isso se torna bem visível por ocasião do tratamento das doenças. As pessoas de caráter dócil curam-se sem tropeços; nas pessoas simples, a doença também apresenta sintomas simples. Ao contrário, nas criaturas de gênio forte, ela tende a se prolongar. Assim, naquelas que são obstinadas, a doença também o é. Em pessoas cujo comportamento é fácil de mudar, a doença muda facilmente; em pessoas irônicas, ela também toma aspectos irônicos.

Pela razão acima, quando uma pessoa adoece, se fizermos com que ela mude os aspectos negativos do seu caráter, isso influenciará positivamente sobre a cura da doença. O melhor a fazer é as pessoas se tornarem dóceis.

1936

A Outra Face da Doença

A ADVERTÊNCIA DOS ANTEPASSADOS

5 de fevereiro de 1947

Os antepassados desejam a felicidade de seus

descendentes e a prosperidade de sua linha familiar. Por conseguinte, não negligenciam sua guarda um instante sequer, impedindo-os de cometerem erros e pecados, ou seja, evitando que trilhem o mau caminho. Se um descendente, induzido pelo demônio, comete uma má ação, aplicam-lhe castigos na forma

de acidentes ou doenças não só como advertência mas também

para a limpeza dos pecados cometidos anteriormente. No caso do enriquecimento ilícito por parte do descendente, fazem com

que este tenha prejuízos, ocasionando, por exemplo, um incêndio

ou

outras formas de perda, que lhe esgotam a fortuna. Conforme

o

pecado, aplica-se também a doença como processo de

purificação.

Suponhamos que uma criança contraia gripe. Uma gripe comum seria facilmente solucionada através do JOHREI; nesse caso, entretanto, não se verificam bons resultados. A criança tem vômitos freqüentes, perda de apetite, acentuado enfraquecimento em poucos dias e acaba morrendo. É uma situação estranha, que se enquadra justamente no que falamos acima: advertência dos antepassados. As causas podem ser várias, entre elas o relacionamento amoroso do pai com outra mulher. Se ele não perceber na primeira advertência, poderão ocorrer-lhe sucessivas perdas de filhos. Estes são sacrificados por um prazer passageiro; trata-se, portanto, de uma conduta bastante reprovável. Os antepassados evitam sacrificar o chefe da família por ser ele o seu sustentáculo, de modo que os filhos tomam o seu lugar.

Vejamos outro exemplo. O chefe de uma família, homem

de aproximadamente quarenta anos, nunca havia rezado perante

o oratório de antepassados que havia em sua casa. Sua filha,

A Outra Face da Doença

preocupada, conversou com um tio, irmão do pai, e transferiu o oratório para a casa dele. Pensando no futuro, o tio foi à casa do irmão e pediu-lhe que reconhecesse, por escrito, a transferência do oratório, que havia sido transmitido por várias gerações e que estava agora sob a sua guarda. O irmão concordou, mas, quando pegou a caneta, sua mão começou a tremer em espasmos, sua língua contraiu-se e ele não conseguiu mais falar nem escrever. Tentaram vários tratamentos sem nenhum resultado, e por fim vieram a um discípulo meu em busca de cura. Lembro-me de ter ouvido dele a história que a filha desse homem lhe contara. No caso em questão, os antepassados não admitiram que o oratório fosse retirado definitivamente da casa do primogênito, que, por tradição, deveria guardá-lo. Se isso acontecesse, a linhagem da família ficaria alterada, podendo, então, ocorrer a sua extinção.

5 de fevereiro de 1947

A Outra Face da Doença

A REENCARNAÇÃO

23 de outubro de 1943

O tempo que o homem leva para reencarnar é bastante

variável, podendo a reencarnação ocorrer cedo ou tarde. A rapidez ou atraso são determinados pela própria vontade da pessoa. Quando alguém morre e tem muito apego a este mundo, reencarna mais cedo. Mas isso não traz bons resultados, porque no Mundo Espiritual a purificação é mais rigorosa e, quanto mais tempo o espírito lá permanecer, mais será purificado. Quanto mais purificado estiver, mais feliz será ao reencarnar. No caso de reencarnação prematura, a purificação não foi completa, restando impurezas que deverão ser purificadas neste mundo. Ora, a purificação no Mundo Material traduz-se em sofrimentos como doenças, pobreza, acidentes, etc.; obviamente, a pessoa terá um destino infeliz.

O fato de uma pessoa ser feliz ou infeliz desde o seu

nascimento, na maioria das vezes, deve-se ao que acabamos de expor. Perceberão, portanto, que a felicidade ou a infelicidade não são mero acaso, existindo razões para ambas. Contudo, existe outra explicação. Quando a família do falecido lhe presta

homenagens póstumas e ofícios religiosos, ou quando seus descendentes praticam o amor ao próximo e trabalham em benefício da sociedade e da nação, somando o bem e a virtude, isso ajuda a acelerar a purificação dos espíritos dos antepassados. Por esse motivo, o amor e a devoção filial devem ser praticados não só quando os pais ainda estão neste mundo, mas muito mais através de ofícios religiosos e do altruísmo, quando eles já se encontram no Mundo Espiritual. Costuma-se dizer: "Os filhos querem colocar em prática a devoção filial quando seus pais já não existem." Quem diz tais palavras, desconhece como é aquele mundo.

A Outra Face da Doença

Há pessoas que já nascem com anomalias físicas. Isso significa que houve reencarnação antes de ser completada a purificação no Mundo Espiritual. Exemplificando, no caso de uma pessoa cair de um lugar alto e fraturar os braços ou as pernas, se ela morrer e reencarnar antes da cura completa, poderá apresentar anomalia nesses membros.

Entretanto, a reencarnação prematura explica-se não só pelo apego da própria pessoa, como também pelo apego dos seus familiares. Por exemplo: quando uma mãe perde um filho muito querido, pode acontecer que ela engravide logo em seguida, provocando-lhe a rápida reencarnação devido ao seu forte apego. Em tais casos, normalmente esse filho não terá uma vida muito feliz.

23 de outubro de 1943

A Outra Face da Doença

O PRIMEIRO MUNDO

4 de julho de 1951

Ao analisarmos a civilização atual, percebemos que a base de sua estrutura é a ciência da matéria. Escreverei sobre isso a seguir, mas, em primeiro lugar, explicarei a constituição do Universo. Serão dispensados os detalhes que não se relacionam diretamente com o homem, abordando-se apenas os pontos mais importantes.

O Universo é constituído de três elementos fundamentais:

Sol, Lua e Terra. Esses elementos são formados respectivamente pela essência do fogo, da água e da terra, que constituem o Mundo Espiritual, o Mundo Atmosférico e o Mundo Material, os quais se fundem e se harmonizam perfeitamente. Até agora, no entanto, só eram conhecidos o Mundo Atmosférico e o Mundo Material; desconhecia-se a existência de mais um mundo, isto é, o Espiritual, que a ciência da matéria não conseguiu detectar. A cultura atual formou-se com o progresso obtido naqueles dois mundos, razão pela qual ela abrange apenas dois terços. Na realidade, porém, o Mundo Espiritual, justamente o terço considerado inexistente, é mais importante que os outros dois juntos, constituindo a fonte da força fundamental. Ignorando- se a sua existência, jamais surgirá a civilização perfeita. O fato do homem, apesar do considerável avanço da cultura baseada no Mundo Material e no Mundo Atmosférico, não conseguir realizar o seu maior desejo - a felicidade - comprova muito bem o que estou afirmando.

Examinando-se atentamente a origem dessa contradição, descobrimos que há uma profunda razão para ela. Se a humanidade, desde o começo, conhecesse a existência do Primeiro Mundo, ou seja, o Mundo Espiritual, a civilização material não teria alcançado o maravilhoso progresso que vemos hoje. Isso porque do desconhecimento do Mundo Espiritual é que

A Outra Face da Doença

nasceu o pensamento ateísta, que deu origem ao mal. Atormentada pelo sofrimento decorrente da luta entre o mal e o bem, a humanidade só teve um recurso: desenvolver a cultura material. Portanto, pensando bem, que representa isso senão o profundo Plano de Deus? Há um perigo, contudo: ocorrer um

colapso da cultura material se ela progredir além de certo limite.

A invenção da bomba atômica é uma das facetas desse

progresso, mas, atingido esse nível, é chegado o tempo determinado pelos Céus de haver uma grande mudança no desenvolvimento da cultura. Como primeiro passo, está sendo

revelada a toda a humanidade a existência do Primeiro Mundo,

do qual não se tinha conhecimento; tratando-se, porém, de uma

existência invisível, logicamente não se poderá comprová-la pelos métodos científicos. Daí a manifestação de uma grandiosa força jamais experimentada pela humanidade, isto é, o Poder de Deus. Como o homem contemporâneo há longo tempo está obstinado na concepção materialista, é muito difícil convencê-lo. Entretanto, em nossa Igreja existe o único método para se conseguir isso: o milagre do JOHREI. Por mais ateísta que seja, o indivíduo não poderá deixar de aceitar e se submeter. Assim, à medida que o JOHREI se tornar conhecido por toda a humanidade, haverá inevitavelmente uma mudança de cento e oitenta graus no rumo da cultura, surgindo, então, a Verdadeira

Civilização, comum ao mundo todo.

Resta, no entanto, um problema: como a cultura atual foi erigida ao longo de milhares de anos, não se sabe quanto mal foi praticado até agora. Por "mal" refiro-me obviamente ao pecado e, conseqüentemente, às máculas espirituais, cujo grande acúmulo constituirá um obstáculo para a construção do mundo novo. É como se durante a construção de uma casa houvesse sujeira espalhada por todo lado, como pedaços de madeira, tijolos quebrados, etc., tornando-se indispensável uma ação de limpeza. Deve ser isto o Juízo Final profetizado por Cristo.

A Outra Face da Doença

Os maravilhosos e incontáveis milagres manifestados pela nossa Igreja não poderão ser senão o plano de Deus para mostrar a existência do Primeiro Mundo. E Deus me encarregou desta grandiosa missão.

4 de julho de 1951

A Outra Face da Doença

A GRANDE TRANSIÇÃO DO MUNDO

23 de outubro de 1943

Vou explicar detalhadamente como nasceu o JOHREI criado por mim e a razão pela qual ainda não se descobriu a causa das doenças e os erros de quase todos os tratamentos.

No Grande Universo, a começar do espaço, que se

estende infinitamente, até as mais minúsculas existências, impossíveis de serem detectadas mesmo com uso de microscópios, todas as matérias, sejam elas grandes, médias ou pequenas, cada qual obedecendo à Lei da Concordância, nascem, crescem, unem-se e separam-se, aglomeram-se e espalham-se, destróem-se e constróem-se, numa seqüência infinita na cadeia da evolução. Além disso, existe o positivo e o negativo em tudo, a diferença entre o frio e o calor durante o ano, entre o dia e a noite no espaço de um dia e num período de dez, cem, mil, dez mil anos, e assim por diante. Por essa razão, em vários milhares ou milhões de anos também há, naturalmente, períodos de transição da noite para o dia. Atualmente está se aproximando esse tempo. Encontramo-nos no momento correspondente ao alvorecer. É provável que, fixados na idéia da

existência do dia e da noite no espaço de um só dia, muitos leitores estranhem o que estou dizendo. Dessa forma, a explicação torna-se muito difícil, mas creio que ela poderá ser compreendida por qualquer pessoa.

O mundo em que vivemos, como já expliquei

minuciosamente, é constituído de três planos: o Mundo Espiritual, o Mundo Atmosférico e o Mundo Material. Poderíamos também

separá-lo em dois planos, pois o elemento água, do ar, e o elemento terra, do globo terrestre, são materiais, ao passo que o espírito, ou seja, o elemento fogo, é totalmente imaterial. Se distinguirmos o espírito da matéria, teremos o Mundo Espiritual e o Mundo Material.

A Outra Face da Doença

Para mostrar a relação entre o Mundo Espiritual e o Mundo Material, é importante entenderem que todo acontecimento ocorre primeiramente no Mundo Espiritual e depois se reflete no Mundo Material. Fazendo uma comparação, é como se aquele fosse o filme, e este, a tela de projeção. Essa é a absoluta Lei do Céu e da Terra. Quando o homem movimenta os braços ou as pernas, por exemplo, a vontade, invisível aos olhos, é que age primeiro e, pelo seu comando, os membros se movimentam. Analogamente, o Mundo Espiritual representa a vontade, e o Mundo Material, os membros.

A Transição da Noite para o Dia, que, segundo dissemos, advém em vários milhares ou milhões de anos, é um fenômeno ocorrido no Mundo Espiritual. Assim, o mundo até hoje encontrava-se num longo período noturno, mas agora está iminente a Transição para o Mundo do Dia. Isso está simbolizado na abertura da Porta da Rocha do Céu, que consta no "Kojiki" (coletânea de histórias antigas do Japão). O aparecimento do deus Amaterassu Oomikami também constitui uma grande profecia do advento desse mundo. Acredito que a expressão "Luz do Oriente", usada no Ocidente desde a Antigüidade, refere-se à mesma profecia.

23 de outubro de 1943

A Outra Face da Doença

TRANSIÇÃO DA NOITE PARA O DIA

5 de fevereiro de 1947

Conforme dissemos no capítulo anterior, explicando a relação entre o Mundo Espiritual e o Mundo Material, tudo o que acontece no Mundo Material é reflexo do Mundo Espiritual. Neste último, está ocorrendo atualmente uma grande transição; conhecendo esse fato, tudo se torna claro aos nossos olhos.

Todas as coisas existentes no Universo nascem e crescem, são criadas e destruídas, numa evolução infinita, pela ação dos dois mundos. Se observarmos com visão ampla, veremos que o Universo, ao mesmo tempo em que é macroinfinito, também é o Mundo Material, um corpo constituído de microinfinitos. Por sua contínua transformação, há uma ininterrupta evolução da cultura. Meditando sobre isso, não podemos deixar de sentir a "vontade" do Universo, isto é, o objetivo e os planos de Deus. Em tudo há positivo e negativo, claro e escuro; assim, também, há diferença entre noite e dia. Quando observamos a mudança das quatro estações do ano, o progresso e declínio de todas as coisas, notamos que isso se encaixa perfeitamente à vida humana. Existe diferença entre o grande, o médio e o pequeno em tudo. Com relação ao tempo, temos o contraste entre o dia e a noite não só no espaço de um dia, mas também em intervalos de um, dez, cem, mil, milhares ou milhões de anos. É um fenômeno que ocorre no Mundo Espiritual; no Mundo Material, entretanto, só notamos essa diferença no espaço de vinte e quatro horas.

No Mundo Espiritual, é chegada a hora da Transição que se processa em intervalos de milhares ou milhões de anos. Trata-se de um fato extremamente importante, cujo conhecimento, além de nos permitir entender o princípio do JOHREI, torna possível a previsão do futuro do mundo e nos dá

A Outra Face da Doença

paz e tranqüilidade. Explicarei, a seguir, como essa mudança está se refletindo no Mundo Material.

Até agora era Noite no Mundo Espiritual. Nele, da mesma forma que no Mundo Material, a Noite é escura, e só periodicamente há luar. Como conseqüência, predomina o elemento água. Quando a lua se esconde, resta apenas a luz das estrelas; se estas forem encobertas pelas nuvens, a escuridão será completa. Observando-se os fatos do Mundo Material, que são a projeção do que ocorre no Mundo Espiritual, isso se torna muito claro. Pelas marcas deixadas até os nossos dias, os períodos de guerra e paz, de ascensão e queda das nações, podem ser comparados às fases crescentes ou minguantes da lua. É chegada, portanto, a hora de se iniciar mais um ciclo, ou seja, encontramo-nos na iminência da mudança para o Dia. Estamos justamente na fase do seu alvorecer.

A Transição da Noite para o Dia no Mundo Espiritual ocasionará uma experiência inédita para a humanidade. Uma grande, espantosa, temível e ao mesmo tempo feliz mudança está para ocorrer, e seus sinais já estão aparecendo. Vejamos.

O Dia, no Mundo Espiritual, é como no Mundo Material:

primeiro aparecem pinceladas de luz do sol no horizonte, a leste. Atentem, por exemplo, para a grande transformação ocorrida no Japão, o País do Sol Nascente. Nele já se iniciou o colapso da cultura da Noite, ou seja, da cultura já formada. Observem, também, o desmoronamento das grandes metrópoles da cultura, a situação calamitosa da economia industrial, a queda dos superpoderes, das classes privilegiadas, etc. Tudo isso é conseqüência da mudança a que nos referimos. Logo virá a construção da Cultura do Dia, que também já está raiando, representada, no Japão, pelo desarmamento total, seguido da ascensão da democracia. Esses dois fatos, absolutamente imprevisíveis desde a instituição do país como Nação, há dois mil

A Outra Face da Doença

e seiscentos anos, será o primeiro passo para o estabelecimento da eterna paz mundial.

O Mundo da Noite é um mundo de trevas, caracterizado pelas lutas, pela fome, pelas doenças. Em contraposição, o Mundo do Dia é um mundo de Luz, caracterizado pela paz, pela abundância e pela saúde. O Japão atual expressa bem a fase de transição entre esses dois mundos. O sol que desponta no leste deverá atingir o zênite. E o que significa isso? Significa o colapso total da Cultura da Noite; ao mesmo tempo, ouvir-se-á o brado do nascimento da Cultura do Dia. Pode-se mais ou menos ter uma idéia disso pelos fatos ocorridos no Japão, os quais, em pequena escala, já mostram um modelo da nova cultura. Assim, aproxima- se o momento decisivo para toda a humanidade, e ninguém poderá escapar. Resta ao homem apenas esforçar-se para tornar os efeitos dessa ocorrência o mais brandos possível. Para isso, ele só tem um meio: conhecer o princípio do JOHREI e unir-se ao trabalho de construção da cultura do Dia.

Há um trecho da Bíblia que diz que seria pregado o Evangelho do Paraíso ao mundo inteiro e depois viria o fim. Que quer dizer isso? Acredito firmemente que essa missão será cumprida pelos meus Ensinamentos.

Para explicar o princípio do JOHREI, eu tive de avançar até o destino do mundo. Todavia, era sumamente importante que

o fizesse, pois tanto a descoberta dos erros da Medicina como o princípio do JOHREI apóiam-se fundamentalmente neste ponto:

a Transição da Noite para o Dia.

Se a causa das doenças, como já expliquei, são as máculas do espírito, e se a única maneira de acabá-las é a eliminação dessas máculas, resta uma grande dúvida: por que não se descobriu isso antes da descoberta do JOHREI?

A Outra Face da Doença

O princípio do JOHREI está baseado na misteriosa luz invisível emanada do corpo humano. E qual é a natureza dessa luz? Ela é uma espécie de energia espiritual, peculiar ao corpo humano, e seu componente principal é o elemento fogo. Portanto, na ministração do JOHREI, necessita-se de grande quantidade desse elemento; à medida, porém, que se aproxima o Mundo do Dia, ele aumenta gradativamente, pois sua fonte de

irradiação é o Sol. Assim, além de ser eficiente na eliminação das doenças, o elemento fogo possui mais um fator de importância decisiva: seu incremento no Mundo Espiritual acelera o processo de purificação do corpo material, porque a transformação ocorrida naquele mundo causa influência direta no corpo espiritual. O aumento do elemento fogo tem a função de auxiliar

a intensificação da energia purificadora das máculas espirituais.

Por isso, ao mesmo tempo em que se torna mais fácil surgirem doenças, o tratamento solidificador empregado pela Medicina atual terá efeitos cada vez menores, acabando por se tornar impraticável. No Mundo da Noite, era preciso que transcorressem vários anos para haver uma nova liquefação das toxinas anteriormente solidificadas, mas esse período irá diminuindo para um ano, meio ano, três meses, um mês, até ser impossível a solidificação.

Pelo exposto, os leitores poderão entender que pouco a pouco está se processando a Transição da Noite para o Dia. No Mundo da Noite, para o tratamento das doenças, era mais vantajoso solidificar as toxinas que derretê-las, pois não havia quantidade suficiente do elemento fogo para promover sua liquefação. Assim, era inevitável adotar-se provisoriamente o

método de solidificação. Eis, portanto, o grave erro que se tornou

a causa dos sofrimentos da humanidade, como as guerras, a

fome, as doenças, a abreviação da vida, etc.

5 de fevereiro de 1947

A Outra Face da Doença

SOU UM CIENTISTA EM RELIGIÃO

7 de abril de 1954

Se eu, um religioso, disser que sou também cientista, todos estranharão, mas estou certo de que, ao término desta leitura, hão de concordar comigo.

Sempre digo que a Ciência atual ainda está num nível muito baixo, nem podendo ser considerada como Ciência. Sua importância reside, sem dúvida, na descoberta e no estudo de corpos microscópicos. É claro que isso se deve ao aperfeiçoamento do microscópio, graças ao qual o avanço nesse estudo é impressionante. Conseguem-se distinguir corpúsculos extremamente pequenos, frações da ordem de um milésimo, milionésimo ou bilionésimo. Trata-se de um avanço contínuo, chegando-se ao extremo do microscópico; atualmente se está quase prestes a entrar no mundo do infinito. A palavra espírito, muito empregada ultimamente, deve estar indicando esse mundo.

É evidente que o conhecimento do mundo do infinito não se deve a experiências de natureza científica; entretanto, ao aprofundar-se nos estudos científicos, o homem levantou uma tese hipotética sobre ele, baseada na dedução. Se não fosse assim, acabar-se-ia num beco-sem-saída. Ora, o mundo a que nos referimos é justamente o Mundo Espiritual, o que significa que a Ciência, finalmente, está chegando ao lugar certo. Dessa maneira, deixando de lado os subterfúgios, ela, que por tanto tempo insistiu em negar a existência do espírito, acabou derrotada. Caso venha a apreendê-la com precisão, elevar-se-á a um nível mais alto e terá dado mais um passo em busca da Verdade. Sendo assim, tomará como objeto de seus estudos o espírito e não mais a matéria, de modo que a Ciência, que até agora raciocinava com base na matéria, será considerada como Ciência da primeira fase, e a Ciência baseada no espírito, como

A Outra Face da Doença

Ciência da segunda fase. Com isso haverá uma mudança de cento e oitenta graus no rumo da Ciência. Em termos mais

claros, será traçada uma linha demarcatória no mundo científico:

a Ciência da matéria ficará situada abaixo, e a Ciência do espírito

acima. Esta é uma visão no sentido vertical; no sentido horizontal, a primeira seria a parte externa, e a segunda, a interna ou conteúdo. Em outras palavras, significa que haverá

uma evolução da Ciência do concreto para a Ciência do abstrato,

o que é realmente motivo de alegria.

Mas aqui se apresenta um problema: não adianta apenas conhecer a existência do Mundo Espiritual; é necessário apreender sua natureza e colocá-lo a serviço da humanidade. A Ciência da matéria não tem meios para isso, pois, para o espírito, o meio deve ser o espírito; todavia, é possível superar esta dificuldade. Aliás, ela já foi superada: tenho obtido resultados admiráveis na resolução de problemas espirituais através do espírito. Refiro-me justamente à questão das doenças. Explicando de forma sucinta, a causa de todas as doenças são as impurezas acumuladas no espírito, tornando-se evidente que, se eliminarmos tais impurezas, as doenças serão erradicadas, de acordo com a Lei do Espírito Precede a Matéria. Meu método consiste na irradiação de um espírito específico que pode ser considerado como a bomba atômica espiritual para queimar as impurezas. Esse método, denominado JOHREI, constitui uma fórmula científica de alto nível. Não se limitando apenas ao campo da Medicina, ele consegue resolver problemas que nenhuma religião ou ciência conseguiu. Se isso não é uma superciência, o que será?

A Ciência que trata da matéria ainda se encontra em baixo nível, evidenciando-se que, através dela, é impossível resolver problemas vitais de um ser de tão elevado nível como o homem. Isso se torna claro ao observarmos que doenças graves, consideradas incuráveis pela Medicina, estão sendo vencidas facilmente, por meio do JOHREI. Dessa forma, a ciência do

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espírito pode ser considerada como o suporte da ciência da matéria.

A natureza do Mundo Espiritual é constituída pela

essência do Sol, da Lua e da Terra, que, na Ciência, correspondem, respectivamente, ao oxigênio, ao hidrogênio e ao nitrogênio. O Mundo Espiritual, segundo a doutrina messiânica, é a junção do elemento fogo, do elemento água e do elemento terra. A Terra é a natureza da matéria; o Sol é a natureza do espírito, e a Lua é a natureza do ar. O elemento fogo e o elemento água controlam a atmosfera que preenche o espaço terrestre. Embora o elemento fogo seja o mais forte, por ser extremamente rarefeito, não foi possível detectar, através da ciência da matéria, a não ser suas propriedades de luz e calor, razão pela qual sua natureza como espírito ainda não é conhecida. Assim, a Ciência tomou como objeto de estudo apenas os elementos água e terra, e por isso a cultura está baseada nesses dois elementos, o que constitui a maior falha da civilização atual.

Agora devo falar sobre um acontecimento extraordinário. Como já explicamos, os fenômenos do Mundo Material são produzidos pela união dos elementos Sol, Lua e Terra. A distinção entre o dia e a noite é decorrente da alternância do Sol e da Lua. Acontece que no Mundo Espiritual também existe dia e noite. Evidentemente, a ciência da matéria não consegue compreender isso, mas a ciência espiritual o consegue. O acontecimento extraordinário a que me refiro é a grande mudança que está para ter início no mundo. Um acontecimento surpreendente, jamais imaginado pela humanidade, isto é, um fenômeno histórico: a Transição da Noite para o Dia. Para entendê-lo, torna-se necessário um estudo do ponto de vista Tempo.

No Mundo Espiritual há Transição da Noite para o Dia em

períodos de dez, cem, mil ou milhões de anos. Portanto, assim

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como a Terra é formada pelos três elementos fundamentais - o fogo, a água e a terra - o número três é a base de todo o Universo. Isso constitui uma Lei imutável. Mesmo o Dia e a Noite são formados de três, trinta, trezentos, três mil anos e assim por diante. É claro que, dependendo do caráter das coisas e da sua grandeza - maior, média ou menor - elas se refletem do espírito para a matéria com maior ou menor rapidez, mas o essencial move-se com precisão. Agora está justamente ocorrendo a Transição de um período de três mil anos; estamos no alvorecer de um novo período. Já me referi a isso antes, e até a data acha- se bem definida. Foi a 15 de junho de 1931 que o Mundo Espiritual começou a se transformar em Dia. A mudança se processará até certo tempo e gradualmente se refletirá no Mundo Material. Gostaria de dar uma explicação mais profunda, mas vou abreviá-la, porque teria de entrar no campo da Religião. Entretanto, é preciso acreditar no que estou dizendo, pois se trata da verdade absoluta.

O fato de o Mundo Espiritual estar se tornando Dia significa que há uma intensificação do elemento fogo. Apesar de ser uma mudança gradativa, já está se projetando no Mundo Material. Assim, o mundo em que a água predominava sobre o fogo tornar-se-á o mundo em que o fogo predominará sobre a água. Através da Ciência da matéria não se pode perceber tal fenômeno, mas as pessoas dotadas de alta espiritualidade conseguem percebê-lo plenamente. Com essa mudança, todos os problemas para os quais não se encontrava solução serão resolvidos de maneira clara e precisa. Com base no que acabo de expor, vou criar a Verdadeira Civilização, elevando o nível da Ciência atual.

7 de abril de 1954

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O ESPÍRITO PRECEDE A MATÉRIA

15 de agosto de 1951

Vou tecer considerações sobre a relação entre o Mundo Espiritual e a doença.

O homem é constituído pela união do corpo e do espírito. O corpo é uma matéria visível, e por isso todos podem compreendê-lo; o espírito é invisível, mas existe, sendo uma espécie de éter. Assim como o corpo é uma existência do Mundo Atmosférico, o espírito é uma existência do Mundo Espiritual. O Mundo Espiritual, conforme já expliquei, é transparente, mais rarefeito que o ar, comparando-se ao nada. Na realidade, porém, ele é a fonte geradora da força infinita e absoluta, que por ora chamaremos de força cósmica. É um mundo fantástico, impossível de ser imaginado, cuja natureza está formada pela fusão das essências do Sol, da Lua e da Terra. Com a força cósmica tudo nasce, tudo se transforma e cresce, mas ao mesmo tempo acumulam-se impurezas, que são submetidas à purificação. É como o acúmulo de sujeira no corpo humano, que necessita de banho. Portanto, quando se juntam impurezas na atmosfera, elas são concentradas num determinado ponto e aí surge uma ação purificadora denominada "baixa pressão", que executa a limpeza. Os raios e os incêndios causados pelo homem têm a mesma explicação. Se houver aglomeração de impurezas, surgirá a ação purificadora, que tem início no espírito.

As sujeiras, ou seja, as máculas acumuladas no espírito humano, que é transparente, são opacidades surgidas em alguns pontos. Há dois tipos de máculas: as que se originam no próprio espírito e as que são reflexo do corpo. Vejamos o primeiro tipo.

O interior do espírito está constituído de três camadas dispostas de forma centrípeta. Analisando-o a partir do centro, seu núcleo é a alma, a partícula do homem que se instala no

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ventre da mulher e que resultará no nascimento de outro ser. A alma está envolta pela consciência, e esta, pelo espírito. O que acontece na alma se reflete na consciência e, daí, no espírito, e vice-versa. Assim, a alma, a consciência e o espírito estão interrelacionados, constituindo uma trilogia. Naturalmente, todas as pessoas, assim como praticam o bem, também praticam o mal durante sua vida. Se o mal é maior que o bem, a diferença entre eles constituirá o pecado, que, refletindo-se na alma, diminui o brilho; por esse motivo, a consciência ficará maculada e, em seguida, o espírito. Através da ação purificadora, é realizada a eliminação das máculas. Durante o processo, o volume delas diminui provisoriamente; com isso, elas se tornam mais densas, concentrando-se em determinadas parte do corpo. O interessante é que, dependendo do pecado, o local da concentração é diferente. Por exemplo: os pecados da vista, nos olhos; os pecados da cabeça, na cabeça; os pecados do tórax, no tórax, e assim por diante, tudo enquadrado na concordância.

Passemos, agora, ao segundo tipo de máculas, isto é, as que se refletem do corpo para o espírito. Neste caso, primeiro o sangue se suja e, como conseqüência, o espírito fica maculado. Originariamente, o sangue é a materialização do espírito e, reciprocamente, o espírito é a espiritualização do sangue. Isso mostra a identidade do espírito e da matéria. Assim, quando as máculas se tornam densas e se refletem no corpo, transformam- se em sangue sujo, e este, concentrando-se mais, transforma-se em toxinas solidificadas. Estas, depois de dissolvidas e liqüefeitas, são eliminadas por diversos pontos do corpo. O sofrimento decorrente desse processo constitui aquilo a que se dá o nome de doença.

Mas por que o sangue se suja? A causa é bastante surpreendente: são os remédios, que paradoxalmente ocupam a posição de maior destaque nos tratamentos médicos. Como todo remédio é veneno, só de ingeri-lo o sangue já se suja e os fatos são a maior prova do que estamos dizendo. Portanto, não há

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nada de estranho em que, estando a pessoa sob tratamento médico, a doença se prolongue ou piore, ou que até surjam outras doenças.

Se o sangue sujo existente no corpo se reflete no espírito em forma de máculas e estas se tornam a causa das doenças, o próprio processo de cura das doenças acaba se tornando o meio de provocá-las. Não se obterá a erradicação completa se primeiramente não forem removidas as máculas do espírito, de acordo com a Lei Universal do Espírito Precede a Matéria. Como o JOHREI é a aplicação dessa lei, purificando-se o espírito as doenças saram pela raiz. É por isso que ele tem esse nome JOHREI - que significa "purificação do espírito". Desconhecendo tal princípio, a Medicina despreza o espírito e tenta curar apenas o corpo. Assim, por mais que ela progrida, as curas serão sempre efêmeras.

15 de agosto de 1951

A Outra Face da Doença

ESPÍRITO E CORPO

10 de setembro de 1953

Se tudo o que ocorre no Universo está fundamentado na precedência do espírito sobre a matéria, não há nada de estranho nos inúmeros milagres que acontecem. Para entender esses milagres, precisamos conhecer a relação entre o Mundo Espiritual e o Mundo Material.

Tal como o homem possui roupas para o corpo, o espírito também possui uma veste, que é a aura. Esta é uma espécie de éter; é a luz emanada do espírito. Não obstante ser algo vago, há quem consiga enxergá-la. Ela pode ser comparada ao tempo: ora está clara, ora está nublada. Se pensamos o bem e o praticamos, a aura fica clara; se pensamos e praticamos o mal, ela fica maculada. Assim, se cremos numa divindade verdadeira, recebemos sua Luz, que dissipa as máculas; se cremos numa divindade falsa, as máculas aumentam. Geralmente por falta de conhecimento espiritual, as pessoas pensam que toda divindade é correta e verdadeira, mas aí está um gravíssimo erro, pois, na realidade, os falsos deuses são em maior número. A prova é que muitas famílias, embora sejam devotas há várias gerações, não param de ser atormentadas pela infelicidade. Isso ocorre porque estão adorando um deus falso, ou de fraco poder. O homem deve, portanto, converter-se ao verdadeiro Deus e salvar o próximo; quanto mais méritos e virtudes ele somar, mais luminosa e maior se tornará a sua aura.

A aura de uma pessoa comum tem aproximadamente três centímetros, mas no caso de um virtuoso varia entre quinze e trinta centímetros. Os virtuosos que alcançaram nível de divindade possuem aura de alguns metros ou mesmo quilômetros. Entre os grandes religiosos há aqueles cuja aura alcança diversos países ou povos. Cristo e Sakyamuni, por exemplo. A aura do Salvador do Mundo, no entanto, possui a

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força máxima, ou seja, uma força que envolve em Luz toda a humanidade; mas a História mostra que até agora ainda não apareceu o Salvador do Mundo.

Como dissemos, a aura aumenta ou diminui de acordo com a boa vontade e o esforço de cada um. Os homens precisam crer nisso e praticar o bem. Exemplificando, no caso de alguém sofrer um acidente automobilístico ou ferroviário, se a sua aura for espessa, o espírito do veículo esbarrará nela e não atingirá a pessoa, salvando-a; todavia, se a aura for fina ou quase inexistente, ocorrerão ferimentos graves ou mesmo morte. É por esse motivo que os nossos fiéis conseguem escapar dos acidentes.

A sorte ou azar da pessoa obedece ao mesmo princípio. O

corpo pertence ao Mundo Material, e o espírito ao Mundo Espiritual; esta é a organização dos dois mundos. O Mundo Espiritual está dividido em três planos: Superior, Médio e Inferior. Cada plano subdivide-se em sessenta camadas, distribuídas, por sua vez, em três níveis de vinte camadas cada um, totalizando cento e oitenta camadas. É claro que o plano mais baixo corresponde ao Inferno; em seguida vem o mundo intermediário, equivalente ao nível do Mundo Material; o mais alto é o Céu. A

maior parte das pessoas se situa no plano intermediário, mas, dependendo da prática do bem ou do mal, elas podem descer ou subir de plano. Assim, se praticam o bem, sobem ao Céu; se praticam o mal, caem no Inferno. Além do mais, no Mundo Espiritual existe absoluta justiça e não há privilégios, o que é desagradável para os malfeitores. Aqueles que acreditarem nisso poderão alcançar a verdadeira felicidade.

É evidente que no Inferno reina a inveja, o ódio, a cobiça,

o ciúme, a pobreza, etc., e quanto mais se desce, mais intensos se tornam, sendo que o nível mais baixo é chamado de Reino do Fundo da Raiz ou Inferno de Trevas e Frio Absolutos. Entretanto,

não só após a morte, mas desde que o corpo está no Mundo

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Material, o espírito se reflete nele no estado em que se encontra. É por isso que vemos até casos de suicídio de uma família inteira, após um sofrimento extremo. São ocorrências que sempre figuram nos jornais, mostrando que a sorte ou o azar dependem da posição (nível) da pessoa no Mundo Espiritual. Obviamente trata-se de uma conseqüência da Lei de Causa e Efeito entre o Bem e o Mal, de modo que não há ninguém mais tolo que o malfeitor. Mesmo que consiga progredir na vida valendo-se do Mal, esse êxito é passageiro; um dia ele acabará arruinado, já que no Mundo Espiritual sua posição é no Inferno. Em contrapartida, por mais azarada que uma pessoa seja, se ela praticar o Bem, sua posição no Mundo Espiritual irá se elevando e algum dia ela se tornará feliz. É uma Lei Divina que jamais poderá ser infringida. Todavia, embora a pregação deste Ensinamento seja a missão original das religiões, isso não ocorreu de maneira efetiva, pois, considerando os ensinamentos e os sermões como sendo o mais importante, elas não os faziam acompanhar da força que tem o real poder, ou seja, os milagres.

Entretanto, é chegado o tempo, e Deus está manifestando o Poder Absoluto, fazendo surgir surpreendentes milagres através da nossa Igreja, para despertar a humanidade da ilusão em que ela se encontra; por isso, por mais incrédulo que alguém seja, não poderá deixar de crer.

10 de setembro de 1953

A Outra Face da Doença

MEDICINA ESPIRITUAL

23 de outubro de 1943

Mostrei, sob diversos ângulos, que a Era do Dia é o mundo em que o espírito precede a matéria. Aplicando isso ao corpo humano, as toxinas - causa de todas as doenças - são matérias estranhas acumuladas no corpo. Mas, nesse caso, como se encontra o espírito da pessoa? Nos locais do corpo espiritual correspondentes aos pontos onde se encontram as toxinas, estão as máculas. Quando se procura anular as toxinas promovendo apenas a sua eliminação do corpo, isso terá um efeito temporário; com o passar do tempo, elas surgirão novamente, de acordo com a Lei do Espírito Precede a Matéria. Assim, para eliminá-las radicalmente, devemos eliminar as máculas do corpo espiritual.

Como todos os métodos utilizados até agora basearam-se unicamente na eliminação das toxinas ou então na sua solidificação, tomando apenas o corpo como objeto do tratamento, é óbvio que eles propiciassem uma cura passageira, mas jamais a cura radical, o que está bem caracterizado pelo uso da palavra recaída. Conforme já explanei, os métodos empregados pela Medicina são dois: a solidificação e a remoção cirúrgica. Entre as formas populares de tratamento existe a solidificação por meio de banhos de luz ou eletricidade e a queima através da moxa, método este que consiste em queimar determinados pontos para concentrar neles o pus e eliminá-lo. O nosso JOHREI, todavia, fundamenta-se na eliminação das máculas do corpo espiritual. O método consiste em irradiar, pela palma da mão, uma espécie de ondas espirituais, que têm como agente principal o elemento fogo. Por ora, vou chamar essas ondas de raios misteriosos. Todas a pessoas os possuem em determinada quantidade, ou melhor, esses raios existem em número ilimitado no espaço aéreo acima do Planeta, isto é, no Mundo Espiritual. Mas por que será que ninguém descobriu antes

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esse método que consiste na eliminação das máculas através das ondas espirituais? Foi porque, conforme já dissemos, era Noite no Mundo, ou seja, o mundo estava às escuras. Como luz, existia apenas uma claridade semelhante à da Lua, e por isso era impossível obter-se a força para curar as doenças, ou seja, raios misteriosos em quantidade suficiente para apagar as máculas. Não é que eles fossem totalmente nulos, tanto assim que alguns religiosos e ascetas procediam ao tratamento das doenças e até certo ponto tinham êxito. Como é do conhecimento de todos, os fundadores de algumas religiões ganharam considerável fama. Acontece, porém, que o principal componente da luz da Lua é o elemento água, e por essa razão a força para curar as doenças limitava-se a algumas espécies ou a efeitos temporários. Com base no elemento água, essa luz é de natureza fria, e por isso sua aplicação torna-se um tratamento solidificador. No JOHREI, entretanto, o principal agente é o elemento fogo, capaz de queimar qualquer mácula; por conseguinte, ele apresenta efeitos extraordinários. O principal motivo que me levou a descobri-lo foi o conhecimento sobre a Transição da Era da Noite para a Era do Dia e o conseqüente aumento de partículas do elemento fogo, que, concentrando-os no corpo, produz-se uma poderosa luz purificadora. Irradiando-a, então, no local afetado, há um efeito extraordinário.

23 de outubro de 1943

A Outra Face da Doença

PRIMEIRA PARTE

PRINCÍPIO DO JOHREI

30 de maio de 1949

O princípio do JOHREI é um assunto por demais difícil para a compreensão das pessoas da atualidade, dado o seu nível de instrução. Isso é inevitável, já que a educação está totalmente baseada no materialismo. Por outro lado, através de documentos escritos e da tradição oral, constatamos que invariavelmente os fundadores de diversas religiões realizaram milagres. O fato é mais evidente nas grandes religiões. No entanto, pelo nível cultural daquela época, era possível convencer o povo apenas pela concessão de benefícios e pela realização de milagres, pois ele não buscava esclarecimentos sobre a teoria ou o conteúdo das religiões. O lamentável é que, se não tivesse havido a redenção, Cristo, quem mais milagres realizou, talvez conseguisse, durante a sua vida, salvar uma grande parte da humanidade e ampliar muito mais a sua doutrina. Seu período de atuação foi bastante curto, sem dúvida por causa da força de Satanás, que, na época, era inegavelmente mais forte, em virtude da prematuridade do tempo no Mundo Espiritual. Entretanto, finalmente o tempo amadureceu e adveio a grande Transição naquele mundo. Através da nossa percepção espiritual, podemos ver claramente que a força de Satanás está enfraquecendo dia-a-dia.

Por Revelação Divina foi-me esclarecida a causa de vários fatos até hoje considerados mistérios do mundo. Assim, me é possível distinguir o justo e o satânico, determinar a raiz do Bem e do Mal, corrigir o erro de todas as coisas. Em face do desequilíbrio do mundo contemporâneo, decorrente do progresso unilateral da cultura, ou seja, o progresso apenas da cultura material, vou incrementar extraordinariamente a cultura espiritual

A Outra Face da Doença

e, com o desenvolvimento paralelo de ambas, fazer surgir o mundo perfeito: o Paraíso Terrestre.

Como eu disse anteriormente, diferindo dos homens primitivos e dos homens de épocas de baixo nível cultural, o homem da atualidade não consegue confiar apenas em milagres, mesmo que estes sejam manifestados concretamente. Ele não se convence sem uma explicação teórica dos fatos. Uma das causas da decadência das religiões tradicionais é justamente elas negarem a cultura material e não conseguirem proporcionar benefícios concretos aos fiéis.

Vou explicar agora o princípio do JOHREI, um dos métodos pelos quais os fiéis da nossa Igreja vêm obtendo magníficos resultados, expressos sob a forma de surpreendentes milagres. Quando se estende a mão em direção à pessoa enferma, as doenças mais difíceis e os enfermos mais graves começam a melhorar. Mesmo as dores mais fortes são aliviadas ou extintas em curto espaço de tempo. Portanto, só podemos dizer que se trata de "milagre".

A Medicina atual é o resultado de milhares de anos de estudo e prática constante realizada por renomados estudiosos de vários países, e suas terapias minuciosas e refinadas são dignas de elogio. Entretanto, um indivíduo comum obtém resultados notáveis ministrando JOHREI em doentes que não conseguiram se restabelecer com o trabalho das autoridades médicas, formadas à custa de elevadas despesas com estudos e pesquisas durante dezenas de anos. É realmente um fato que está além da razão. Não seria, pois, exagero definir o JOHREI como a maravilha do século. Todavia, pelo simples conhecimento dos seus resultados reais através de notícias, as pessoas não o aceitam facilmente. Mais do que isso: vêem-no pela ótica da superstição ou da anormalidade psíquica, o que talvez seja uma reação natural.

A Outra Face da Doença

O aparecimento do JOHREI é um grande acontecimento, inédito na História. A afirmação, feita por nossa Igreja, de que irá construir um "mundo livre de doença, pobreza e conflito" não seria possível se ela não estivesse absolutamente convicta do que está dizendo. Se não tivesse competência para isso, ela estaria enganando o mundo e cometendo um delito imperdoável. Para nós, no entanto, como eu disse anteriormente, milagres como os que citamos não são milagres. Eles possuem uma base totalmente fundamentada na explicação científica e ocorrem porque devem ocorrer. Vou, a seguir, explicá-los mais profundamente.

SEGUNDA PARTE

Para explicar o princípio do JOHREI, torna-se indispensável o conhecimento de um fato: todas as coisas existentes no Universo são constituídas não apenas da parte material, mas também de uma parte espiritual, invisível aos nossos olhos. O homem, logicamente, também está constituído de matéria e espírito. Numa classificação sumária, o espírito é a essência do Sol; o corpo físico, a essência da Lua e da Terra. Em termos mais compreensíveis, o espírito é fogo, positivo, masculino, frente, vertical e dia; o corpo, por sua vez, é água, negativo, feminino, verso, horizontal e noite. Entretanto, a Ciência não admite a existência do espírito, objetivando somente a matéria. Ora, se o homem fosse desprovido de espírito, não passaria de um simples objeto. Seria uma matéria como o pau e a pedra, sem vida e sem atividade mental. Não compreender essa teoria tão simples constitui o erro fundamental da Ciência até hoje. Para os cientistas, no espaço só existe o ar, nada mais. Mas a verdade é que, além do ar, existe um número incalculável de elementos invisíveis; lamentavelmente a Ciência ainda não progrediu a ponto de detectá-los. Por felicidade eu descobri a natureza desses elementos, tendo dado aos conhecimentos obtidos o nome de Ciência Espiritual. Com essa descoberta,

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evidentemente, chegou-se à época em que terá início a eliminação das doenças, o maior sofrimento da humanidade.

A seguir, vou mostrar a causa do aparecimento das doenças. Conforme eu já disse, o homem é constituído de duas

partes - a material e a espiritual. O fato dele estar vivo e se movimentar acha-se relacionado à estreita união entre o espírito

e a matéria, ou seja, esta é movida pelo espírito. O espírito

possui a mesma forma do corpo físico, e dentro dele localiza-se a consciência, no centro do qual, por sua vez, está a alma. A atividade dessa trilogia manifesta-se como vontade-pensamento,

a qual é invisível. Essa vontade-pensamento é que governa o

corpo; portanto, o espírito é o principal, e a matéria, o secundário, isto é, o espírito precede a matéria. Quando uma pessoa movimenta os braços e as pernas, eles não se movem livremente, por si próprios, mas sim obedecendo à vontade da pessoa. Todas as partes do corpo, sem exceção, inclusive a boca, o nariz, os olhos, etc., movimentam-se dessa forma. Até a doença obedece ao mesmo princípio. Para que possam entender bem, vou exemplificar com o furúnculo, do qual todo mundo tem experiência.

O furúnculo surge como uma pequena protuberância e vai inchando gradualmente e tomando uma cor avermelhada. Normalmente vem acompanhado de febre, e a pessoa começa a sentir dores e coceiras no local. Esse fenômeno constitui uma atividade de eliminação das toxinas do corpo físico, por ação fisiológica natural. As toxinas acumuladas em determinada parte do corpo são dissolvidas pela febre e liqüefeitas, para que sua eliminação seja mais fácil. É a atuação da força de recuperação natural. Para formar um orifício de saída, a pele fica muito fina e flácida. Portanto, a coloração avermelhada é o sangue impuro, visível através da pele, que se tornou fina e transparente. Depois, abrindo-se um pequeno orifício, o sangue purulento começa a sair imediatamente; com essa eliminação de pus, termina a purificação.

A Outra Face da Doença

A explicação acima diz respeito ao corpo. Mas em que

condições se encontra o espírito nessa ocasião? Ele apresenta uma espécie de nebulosidade igual ao furúnculo; em outras palavras, máculas. Quanto mais grave a doença, mais densas são as máculas. E por que motivo elas ficam concentradas numa parte do espírito? É pela ação purificadora constante. Depois que as máculas espalhadas por todo o espírito se reúnem em determinado local, surge a ação eliminatória. Isso constitui a doença. Existe, pois, uma relação inseparável entre o espírito e o corpo.

Falei há pouco sobre o princípio do Espírito Precede a Matéria, mas ele não se aplica apenas ao ser humano; todas as coisas do Universo, sem exceção, obedecem a esse princípio.

Por conseguinte, o objetivo do JOHREI é eliminar as máculas espirituais.

Através dele, as máculas ficam no estado de morte. Em outras palavras, o JOHREI tira-lhes a vida. Mortas, obviamente, elas perdem toda a sua força e deixam de pressionar os nervos. Esta é a razão do desaparecimento das dores.

TERCEIRA PARTE

O método do JOHREI que tenho empregado atualmente

consiste em outorgar às pessoas um papel onde está escrita a palavra HIKARI, ou seja, LUZ. Os efeitos se manifestam quando esse papel é usado no peito, pendurado ao pescoço. Isso acontece porque da palavra HIKARI se irradiam poderosas ondas de Luz, as quais são transmitidas através do corpo, do braço e da palma da mão do fiel que ministra o JOHREI.

E por que motivo se irradiam ondas de Luz da palavra

HIKARI? Essas ondas são emitidas do meu corpo e, pelo elo

espiritual, transmitem-se instantaneamente à palavra em

A Outra Face da Doença

questão. É muito semelhante às ondas de rádio. Todavia, se as ondas de Luz são emitidas do meu corpo e transmitidas através do elo espiritual, surge a seguinte pergunta: que segredo existe no meu espírito? Quando compreenderem isto, a dúvida desaparecerá. No meu ventre há uma bola de Luz que normalmente mede uns 6 cm de diâmetro; ela já foi vista por algumas pessoas. Dela, as ondas de Luz irradiam-se infinitamente. A fonte dessa bola está no "Nyoi-no-Tama" de Kanzeon Bossatsu, no Mundo Espiritual; daí me é fornecida uma Luz infinita. Esse é o PODER KANNON, também conhecido como Poder Incognoscível ou Poder da Inteligência Superior. A bola que Nyoirin Kannon traz consigo é igual à de Kanzeon Bossatsu.

QUARTA PARTE

Convém falar aqui a respeito de Kanzeon Bossatsu. Dentre muitos budas, Ele era considerado o mais oculto. Há nisso um profundo mistério, mas não posso divulgá-lo totalmente, pois ainda não chegou o tempo certo. Pretendo fazê-lo tão logo Deus me permita. Sendo assim, escreverei apenas sobre o mistério relacionado com o JOHREI.

A atuação de Kanzeon Bossatsu vem desde o advento do budismo, mas daquela época até pouco tempo atrás Ele promovia tão somente a salvação do espírito. Evidentemente, através da oração conseguiam-se graças, mas estas eram extremamente limitadas. A razão disso está no fato de que a Luz era formada pela união do elemento fogo e do elemento água, mas faltava o elemento terra. Como havia apenas dois elementos, a força era insuficiente. Entretanto, chegou a hora de uma grande mudança no Mundo Espiritual: é o Final dos Tempos, o Juízo Final citado na Bíblia. Tornou-se necessária, portanto, uma força poderosa e absoluta que salvasse toda a humanidade. Essa força é constituída pela união do fogo, da água e da terra; a força da terra é o elemento da matéria e

A Outra Face da Doença

corresponde ao corpo humano. Ao passar pelo corpo, a Luz é acrescida do elemento terra e daí nasce a força da trilogia, ou seja, o PODER KANNON. Explicando de maneira mais acessível,

a Luz emitida pelo "Nyoi-no-Tama" de Kanzeon Bossatsu,

passando pelo meu corpo, manifesta-se como PODER KANNON,

o qual, através do corpo do messiânico, torna-se a força purificadora.

Exemplificarei o que acabo de dizer. É sabido, desde a Antigüidade, que orar diante da imagem de Kanzeon Bossatsu traz como benefício a solução das doenças e dos infortúnios, mas os fiéis da nossa Igreja têm obtido resultados várias vezes mais poderosos com o JOHREI. Isso porque as ondas de Luz emitidas pelas imagens ou estátuas de Kanzeon Bossatsu são constituídas apenas pela força dos elementos fogo e água; nelas não está incluída a importante força do corpo. Outra razão é a grande Transição a que eu já tenho me referido várias vezes, ocorrida no Mundo Espiritual. Ela teve início em meados de junho de 1931. Até essa data havia muito elemento água e pouco elemento fogo no Mundo Espiritual, mas a partir daí a quantidade deste último começou a aumentar gradativamente. É verdade que a grande Transição já havia se iniciado dezenas de anos antes dessa data, mas o elemento fogo ainda estava bastante rarefeito. Se a Luz é forte, significa que há maior quantidade de elemento fogo. Da mesma forma, no caso das lâmpadas elétricas, quanto mais intensa é a luz, maior é a quantidade de calor emitido.

Outro exemplo é a existência de uma massa de elemento fogo em meu ventre. As pessoas falam que minha temperatura é bem mais alta que a das pessoas comuns. Praticamente todas as noites fazem-me massagens nos ombros, e todos dizem que de mim emana muito calor. No inverno, sempre acabo tirando um ou dois agasalhos. Se permaneço num cômodo durante algum tempo, as pessoas acham que ele ficou aquecido, e muitas vezes brinco dizendo que substituo o aquecedor. Mesmo em dias de

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frio costumo ficar uma ou duas horas de pijama, após o banho. Além disso, gosto especialmente de banhos mornos. Isso obedece ao princípio do aumento de calor quando se joga água no fogo, e do frio mais intenso nos dias ensolarados de inverno.

30 de maio de 1949

A Outra Face da Doença

A TRILOGIA DOS ÓRGÃOS INTERNOS E O JOHREI

6 de agosto de 1949

Os órgãos internos mais importantes para a vida do homem são certamente o coração, os pulmões e o estômago. Como sempre venho expondo, isso decorre da ação de três elementos fundamentais: o fogo, a água e a terra. Em síntese, o coração, os pulmões e o estômago correspondem, respectivamente, a esses três elementos, pois o coração tem a função de absorver o elemento fogo; os pulmões, a função de absorver o elemento água; o estômago, a função de absorver o elemento terra. Mas a explicação dada pela Medicina, até agora, sobre os órgãos em questão, era bastante superficial. No que se refere à purificação do sangue sujo, dizem que ela é decorrente do oxigênio absorvido pelos pulmões, mas é óbvio que apenas isso não atinge o cerne do fenômeno. Vou dar uma explicação baseada na revelação de Deus e para isso devo partir da verdade relativa ao Mundo Espiritual. A existência desse mundo está fora do alcance dos sentidos do homem e corresponde praticamente ao nada, mas na realidade ele é a fonte onde tudo se origina. Sem conhecer isso, é impossível apreender a Verdade.

Já me referi ao princípio do fogo arder pela água e da água se mover pelo fogo. Esse princípio constitui justamente a chave para a solução de tudo. Para explicar o Mundo Espiritual, que é invisível, começarei falando do Mundo Atmosférico. O que

a Ciência chama de oxigênio é a essência do fogo; o hidrogênio

é a essência da água, e o nitrogênio é a essência da terra. Essas

três essências formam uma trilogia, constituindo a natureza de tudo que existe no Universo. Se tanto o calor intenso, como o frio exagerado e a temperatura amena estão apropriados à

manutenção da vida, deve-se à força vital desses três elementos extremamente misteriosos. Se, por acaso, conseguíssemos eliminar o elemento água da Terra, ocorreria uma explosão

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imediata; se eliminássemos o elemento fogo, tudo se congelaria num instante; se eliminássemos o elemento terra, tudo desmoronaria e se tornaria zero. Essa é a Verdade.

Raciocinando nesses termos, poderão compreender o sentido básico do coração, dos pulmões e do estômago. O coração absorve o elemento fogo do Mundo Espiritual através da pulsação. Da mesma forma, os pulmões absorvem o elemento água através da respiração. O estômago absorve o elemento terra pela digestão dos alimentos. Mas vamos aprofundar ainda mais esse princípio.

Para dissolver as toxinas solidificadas, que são a origem de todas as doenças, necessita-se de calor. Esta é a primeira atividade do processo de purificação. Se esse processo constitui os sintomas das doenças, a febre alta, em tal oportunidade, é necessária para a dissolução das toxinas. Ao mesmo tempo, a pulsação torna-se acelerada para absorver o calor. Quanto ao frio que se sente, é causado pela concentração do calor no local enfermo e pela diminuição temporária da temperatura em outras partes. Da mesma maneira, a respiração se acelera para estimular a atividade do coração, e, para evitar o ressecamento, os pulmões absorvem o elemento água em grande quantidade.

A origem do elemento fogo é a energia emitida pelo Sol; a do elemento água é a energia emitida pela Lua; a do elemento terra, a energia emitida pela Terra. É claro que dos três órgãos que citamos o mais importante é o coração, pois ele movimenta os pulmões, que, por sua vez, movimentam o estômago. De acordo com este raciocínio, não há perigo imediato de vida mesmo que falte alimento ao estômago; entretanto, os pulmões só mantêm a vida por poucos minutos, e para o coração é impossível mantê-la durante mais de alguns segundos. Isso se evidencia por ocasião da morte, que a Medicina atribui, invariavelmente, à parada cardíaca, nada falando sobre pulmões ou estômago. Nesse momento, caracterizado primeiramente pela

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cessação da atividade do coração, o espírito, isto é, o elemento fogo, que ocupava todo o corpo, abandona-o, e o corpo fica sem calor. Logicamente, isso ocorre porque o espírito retorna ao Mundo Espiritual. Com a parada dos pulmões, o elemento água existente no interior do corpo retorna ao Mundo Atmosférico e o corpo começa a secar. Com a parada do estômago, a ingestão de alimentos torna-se impossível, e começa o processo de endurecimento do corpo. Todos esses fenômenos constituem evidências que atestam a veracidade do que foi exposto.

Portanto, como o corpo humano é formado pela trilogia fogo-água-terra, o método lógico para a erradicação das doenças deve basear-se nessa trilogia. Isso constitui o princípio do JOHREI da nossa Igreja, o qual está baseado no PODER KANNON. Esse poder é a Luz transmitida por Kanzeon Bossatsu, uma luz espiritual, invisível aos olhos humanos. A luz visível, como a do Sol, a das lâmpadas, a do fogo, etc., é o "corpo" da luz. A natureza da luz é resultante da união do fogo e da água, ou seja, é formada pelos elementos fogo e água. E será mais forte quanto maior for a quantidade do elemento fogo. Acontece que a força proveniente da luz constituída apenas por esses elementos ainda é insuficiente, tornando-se necessária a essência da terra. A manifestação da força perfeita da trilogia fogo-água-terra torna-se uma extraordinária força de purificação. As ondas dessa Luz atravessam o corpo, extinguindo as máculas do espírito, o que se reflete no físico, como erradicação da doença.

O meio concreto para se obter o que foi exposto é uma folha de papel dobrada, com a palavra HIKARI, ou seja, LUZ, escrita em letra grande, a qual se usa no peito, pendurada ao pescoço. Nessa palavra está impregnada, de forma concentrada, a energia das ondas de Luz transmitidas através do meu braço para o pincel, e deste para as letras. Assim, a palavra HIKARI está unida, por elos espirituais, à fonte da Luz, situada dentro do meu corpo, a qual lhe transmite ondas incessantemente. É claro

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que a atividade do elo espiritual que me liga a Kanzeon Bossatsu ocorre de maneira idêntica, e d'Ele me são transmitidas, ilimitadamente, as ondas de Luz para a salvação da humanidade.

Sendo o corpo formado pela trilogia fogo-água-terra, conforme expusemos, poder-se-á dizer que o método purificador das máculas baseado na força dessa trilogia constitui a própria Verdade. É evidente, portanto, que se consegue obter uma força de purificação jamais vista. Apesar da explicação deste princípio ser extremamente difícil, acredito que os leitores tenham conseguido entender até certo ponto como isso se processa.

6 de agosto de 1949

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A FORÇA ABSOLUTA

16 de janeiro de 1952

Seria desnecessário dizer que a fonte de todas as atividades e de todos os fenômenos do Universo é a Força de Deus. Todos os nascimentos e transformações são a manifestação da Força, e a ela se deve o movimento ou a inércia de todas as coisas. Começando pelo homem, todos os animais e mesmo as bactérias nascem e morrem graças à Força. Em suma, ela é o Senhor Absoluto e Infinito. Vou deter-me aqui, pois o assunto é inesgotável, mas, resumindo, o Universo em si é a própria Força. Assim, tecerei considerações a respeito sob diversos ângulos.

Analisemos o espírito da palavra TIKARA (força): TI significa sangue, espírito; KARA significa vazio, corpo, matéria. A formação do termo mostra-nos, portanto, que a força nasce da união do espírito e da matéria. Analisando agora a palavra HITO (pessoa), HI é espírito e TO é parar; por conseguinte, HITO é "espírito parado no corpo".

Para se escrever o ideograma correspondente à palavra força (TIKARA), faz-se um traço vertical e, em seguida, um traço horizontal, formando uma cruz; a partir do fim do traço horizontal puxa-se um traço um pouco inclinado, com a ponta virada para cima e para dentro. Isso quer dizer que logo que se verifica o cruzamento do horizontal e do vertical ocorre a atividade e começa a rotação da esquerda para a direita, isto é, a ação da força. Assim, pode-se perceber que tanto o espírito das palavras como as letras foram criadas por Deus.

Vamos agora analisar na prática. Em sentido amplo, isso está representado pelas duas grandes correntes ideológicas: o pensamento teísta e o pensamento ateísta, ou seja, o

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espiritualismo e o materialismo, a cultura espiritual e a cultura material.

Vejamos do aspecto religioso, pois assim é mais fácil compreender.

O budismo e o cristianismo, as duas grandes religiões do mundo, são a manifestação desses dois pensamentos. O budismo é oriental e, como sempre digo, constitui o aspecto vertical, espiritual, enquanto o cristianismo é ocidental e representa o aspecto horizontal, material. Até agora o vertical e o horizontal estavam separados e por isso não conseguiam produzir a verdadeira força. A prova é que., como não foi possível realizar a unificação universal, a humanidade não foi salva.

O objetivo das principais religiões era, sem dúvida, a concretização de um mundo ideal, mas, como podem ver, a situação do mundo se apresenta caótica, cheia de conflitos e problemas sem fim, havendo uma grande distância entre o sonho e a realidade. Assim, aquele objetivo está demasiadamente fora do nosso alcance. É inegável que a causa dessa situação seja a falta de força, que, por sua vez, se deve à falta de cruzamento do vertical e do horizontal. Mas isso também era uma questão de tempo e, do ponto de vista do Plano Divino, não havia outra alternativa.

Explicando minha missão, creio que entenderão melhor o que acabei de expor. A atividade que agora estou realizando está centralizada no JOHREI. Meus discípulos sabem muito bem que basta colocar no peito o OHIKARI (Luz Divina), que contém um papel escrito por mim, para ser-lhes concedida uma força capaz de gerar milagres, até mesmo no caso de doentes desenganados pelos médicos. Já outorguei milhares de OHIKARI, mas mesmo que seu número aumente infinitamente, não haverá nenhuma alteração nessa força. E os milagres do JOHREI não se limitam à

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doença; há uma reforma do espírito humano, a personalidade se eleva, e a pessoa é salva de perigos iminentes. Dessa forma, graças aos inúmeros milagres ocorridos a cada dia, aumenta significativamente o número de pessoas felizes. E tudo isso se deve à força emanada do OHIKARI. Não tenho a pretensão de vangloriar-me de tais feitos, mas, como se trata da pura verdade, creio que não há problema em divulgá-la. É desnecessário dizer que até agora a História não registrou o aparecimento de uma pessoa com força tão poderosa quanto a minha. Os inúmeros milagres a que nos referimos são registrados como experiências de fé; logo, não há do que duvidar. Essa é a força gerada pelo cruzamento do horizontal com o vertical. Em termos budistas, é o PODER KANNON ou Poder da Inteligência Superior; em termos cristãos, é o Poder do Messias.

Atualmente, a força manifesta-se mais no sentido espiritual, mas um dia atuará no sentido material. Nessa ocasião, será alcançado o objetivo de Deus, nascendo a verdadeira cultura, resultante do cruzamento da cultura espiritual do Oriente e a cultura material do Ocidente. Essa é a Vontade Divina. Será, portanto, executada a maior obra de salvação da humanidade desde a criação do mundo.

16 de janeiro de 1952

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MINHA LUZ

25 de maio de 1952

Escrevi, sobre o budismo, muitas coisas que ninguém até hoje havia explicado. Os leitores talvez se surpreendam, mas todo o meu conhecimento eu o obtive através da Revelação Divina. São revelações que não tinham sido feitas até agora

devido ao fator Tempo. Ainda não se havia chegado ao grande marco de épocas que é a Transição da Noite para o Dia, ou seja,

o desaparecimento do prolongado mundo das trevas para dar

lugar a um mundo esplendoroso de luz solar. Entretanto, embora

fosse um mundo de trevas, podia-se enxergar alguma coisa, pois existia a luz da Lua, e o homem se contentava com esse pouco. Essa luz eram os Ensinamentos da aparente verdade da Lua, isto é, o budismo.

As coisas não podiam ser enxergadas nitidamente porque

a intensidade da luz da Lua é cerca de 1 /60 da luz solar. Durante

a noite, é óbvio que nada se enxergava direito, inclusive as religiões; por isso os homens estavam desorientados e não

obtinham a verdadeira tranqüilidade. Com a chegada do dia, sob

a luz solar, tudo sobre a face da Terra ficará visível e não existirá

mais dúvida alguma. Assim, cabendo a mim a missão de criar a Civilização do Dia, é lógico que eu tenha conhecimento de tudo.

Vou aprofundar a relação que existe entre minha pessoa e

o Mundo do Dia.

Meu corpo abriga a bola de Luz Divina conhecida desde a Antigüidade pela expressão CINTAMANI (palavra sânscrita que serve para designar a fabulosa bola com poder de atender a todos os pedidos do homem). Já me referi a isso antes, mas vou explicar mais detalhadamente.

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Falando-se em Luz, os leitores poderão pensar na luz solar, mas não é bem assim. Na verdade, trata-se da união do Sol e da Lua. Como a natureza da Luz que se abriga em meu corpo é constituída pelos dois elementos extremos, forma-se a trilogia fogo-água-terra, já que o corpo é constituído pelo elemento terra. Mas será que as pessoas comuns são formadas apenas por esse elemento? Absolutamente. Elas também possuem luz, embora pouca e fraca. Minha Luz, no entanto, é extraordinariamente forte: é milhões de vezes superior à de uma pessoa comum, ultrapassando os limites da imaginação; chega praticamente ao infinito.

Tomemos como exemplo o OHIKARI, que pode ser de três tipos: HIKARI (Luz), KOMYO (Luz Divina) e DAIKOMYO (Grande Luz Divina). Colocando-o junto ao corpo, manifesta-se imediatamente a força capaz de conseguir a erradicação das doenças. Isso se deve à força da Luz irradiada da palavra escrita por mim no OHIKARI. Entretanto, nunca precisei rezar ou fazer qualquer coisa especial para escrevê-la. Simplesmente escrevo rapidamente, palavra por palavra. Levo em média sete segundos em cada uma e escrevo facilmente cerca de quinhentas por hora. Com apenas essa folha de papel, milhares de doentes podem ser beneficiados; doravante, mesmo que eu conceda milhares ou milhões de OHIKARI, o efeito de cada um será o mesmo. Creio que com isso poderão compreender o quanto é poderosa a força da minha Luz.

Possuindo tal força, não há nada que eu desconheça. Como os fiéis sabem, nunca tenho dificuldade em responder a qualquer pergunta que me é dirigida. Às vezes recebo telegramas solicitando-me auxílio para pessoas distantes e muitas obtêm a graça apenas com esse pedido. Isso ocorre porque, no momento em que tomo conhecimento do problema, minha Luz se subdivide e liga-se a essa pessoa. Assim, através do elo espiritual, ela recebe a graça. Dessa forma, é uma Luz muito prática e eficiente, pois pode aumentar milhões de vezes e

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alcançar qualquer local, por mais distante que ele seja. Para melhor compreensão, a Luz irradiada de mim é como se fossem "balas" de luz. A diferença entre ela e uma bala de fuzil, por exemplo, é que esta mata, mas eu dou vida às pessoas; aquela é limitada, ao passo que eu sou infinito.

A explicação acima corresponde apenas a uma pequena parte da minha força. Não é fácil explicá-la totalmente. O ideal seria que os leitores acompanhassem atentamente o trabalho que vou realizar daqui para frente. Se forem ágeis de inteligência, poderão entender até certo limite. Do ponto de vista da fé, as pessoas compreendem de acordo com o seu nível espiritual, e por isso o melhor a fazer é polir a alma e deixá-la sem máculas, pois aí terão sabedoria para compreender a virtude do meu poder.

25 de maio de 1952

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QUEM É O SALVADOR?

20 de outubro de 1948

Acho o título acima bem inusitado, e sem dúvida os leitores pensarão da mesma forma. A propósito dele, pretendo fazer uma análise psicológica da minha pessoa. Gostaria, porém, de deixar claro que se trata de uma análise objetiva do meu interior e que não há nada inventado ou fictício. Portanto, espero que leiam com esse espírito.

A palavra Messias, ou seja, Salvador, é muito usada no mundo inteiro, sem distinção de tempo e de lugar, tanto no Ocidente como no Oriente. Com exceção de uma parcela de pessoas religiosas, a grande maioria considera que a vinda ou o nascimento do Salvador tão esperado, possuidor de poder sobre- humano, não passa de um grande sonho, ou uma grande esperança utópica. É verdade que já apareceram pessoas que se autoproclamavam Messias, mas, com o passar do tempo, acabaram desaparecendo, donde se conclui que ainda não surgiu o verdadeiro Salvador.

Devo confessar que não gosto de afirmar que sou o Salvador, mas por outro lado também não posso dizer que não o seja. Sendo algo tão sério, inédito em toda a História da humanidade, a vinda do Salvador é um assunto que não pode ser discutido de maneira leviana. Contudo, não se pode também afirmar que se trate apenas de um sonho, nem deixar de acreditar na sua viabilidade, pois a Segunda Vinda do Cristo, a Vinda do Messias e o Nascimento de Miroku foram previstos por grandes profetas e santos.

Há muito tempo venho pensando na condição número um que deve ser preenchida pelo Salvador. Antes de tudo, ele deve ter força para livrar as pessoas das doenças. Por conseguinte, além de conceder-lhes o método absoluto para obterem plena

A Outra Face da Doença

saúde e completarem o tempo de vida que lhes foi predestinado, ele deve possuir força para a concretização desse objetivo. Essa é a qualificação fundamental do Salvador.

É óbvio que a saúde do corpo deve acompanhar a saúde do espírito. Cristo disse que de nada adianta o homem ganhar o mundo se vier a perder a vida. Parece-nos que essa afirmativa evidencia a verdade acima. Assim, as religiões e os líderes religiosos que não possuem força para eliminar as doenças da humanidade têm valor limitado. Eu sempre abracei essa tese, e certo dia, mais de dez anos após entrar na vida da fé, obtive conhecimento sobre o princípio fundamental das doenças e a sua solução. Ah, ninguém poderá imaginar o espanto e a alegria que senti naquela hora, pois nunca ninguém fizera uma descoberta tão importante! Se a compararmos com as grandes descobertas ou as grandes invenções, estas não chegariam a seus pés.

Realmente eu sou uma pessoa que nasceu com um destino misterioso.

20 de outubro de 1948

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ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO

Junho de 1935

Gostaria de alertar aos especialistas que não há nada tão errado quanto a alimentação e a nutrição da atualidade. Eles transformaram-nas em teorias acadêmicas, demasiado distantes da realidade. Durante mais de dez anos fiz pesquisas profundas sobre o assunto e, surpreendentemente, os resultados obtidos foram exatamente o oposto do que a Dietética recomenda. Vou explicá-los partindo da minha própria experiência.

Até cerca de quinze ou dezesseis anos atrás, eu era um grande apreciador de carne, e o meu jantar consistia quase sempre de comida ocidental à base desse alimento, ou, eventualmente, de comida chinesa. Esse tipo de alimentação, segundo os nutricionistas, é o mais próximo do ideal, mas naquele tempo eu era magro e ficava doente com a maior facilidade. Vivia sempre gripado, com problemas de estômago, e não havia um só mês em que não fosse ao médico. Na tentativa de melhorar meu estado de saúde, experimentei todos os tratamentos que estavam em moda, na época, e mais outras práticas, como respiração profunda, banhos de água fria, meditação, etc. Eles fizeram algum efeito, mas não a ponto de melhorar minha constituição física.

Quando eu soube que a carne não fazia bem, voltei a alimentar-me de comida japonesa, que consiste em verduras e peixes. Então meu peso aumentou de 56 para 60 quilos em dois ou três anos; ao mesmo tempo, tornei-me resistente às gripes. Acabei até esquecendo que sofria do estômago e dos intestinos e pude sentir pela primeira vez a alegria de gozar boa saúde. De lá para cá, e isso já faz mais de dez anos, tenho trabalhado sempre com bastante disposição.

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Resolvi, então, experimentar o método em mais de dez pessoas da minha família, inclusive meus seis filhos, e obtive bons resultados, conseguindo banir do meu lar o fantasma da doença. O mais interessante foi que experimentei ministrar-lhes uma dieta pobre em elementos protéicos. Assim, mandei que minha mulher e minha empregada dessem refeições pobres às crianças. Foi utilizado arroz 70% refinado, bastante verdura e, de vez em quando, peixe, mas apenas salmão salgado, sardinha seca e peixes comuns. Além disso, "ochazuke" (arroz embebido em chá) ou "shiomussubi" (bolinho de arroz com sal) acompanhados de picles japonês, ou, ainda "norimaki" (bolinho de arroz envolto em alga marinha) feito em casa, etc. Do ponto de vista da Dietética, uma alimentação carente de valor protéico.

O resultado foi surpreendente: durante os cursos primário e secundário meus filhos tiveram porte físico dos melhores. A nutrição foi boa porque, começando pelo mais velho, de dezesseis anos, até o mais novo, de quatro anos, nenhum teve doença grave. Todos os anos eles monopolizavam o prêmio de assiduidade, por não terem faltado um dia sequer às aulas.

Aproveitando a valiosa experiência obtida através dessa prática, tentei o mesmo método em centenas de pessoas que me procuraram desde que comecei a tratar de doentes, há oito anos. Os resultados foram excelentes, sem exceção. A alimentação à base de verduras tem sido muito eficaz, principalmente no caso de pessoas portadoras de problemas pulmonares e pleurite. Gostaria, portanto, que os médicos pesquisassem como essa alimentação é benéfica para tais casos.

Pelos fatos que expus, poderão ver que a Dietética, cujo progresso é vertiginoso em nossos dias, apresenta um erro fundamental. Não me acanho de apontá-lo, pois constitui um sério problema do ponto de vista da saúde. E estou alertando firmemente não só os estudiosos do assunto como também as pessoas em geral. Se esta nova alimentação que tenho

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defendido se tornar uma prática comum, será uma grande boa nova, até mesmo do ponto de vista da economia nacional. Os agricultores do nosso país possuem resistência física ao trabalho porque têm uma alimentação pobre; caso eles passassem a se alimentar de carne, cujo valor protéico é muito alto, garanto que não suportariam o trabalho da lavoura.

Junho de 1935

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A DIETÉTICA

5 de fevereiro de 1947

O erro fundamental da dietética moderna é basear suas pesquisas em apenas um dos dois aspectos da nutrição. Ela toma o alimento como objeto principal dessas pesquisas, negligenciando a parte que se refere às funções orgânicas.

As funções orgânicas do homem são tão perfeitas que, ao nível da Ciência atual, não se consegue entendê-las. A partir dos alimentos, elas transformam e produzem livremente os nutrientes necessários. Vejam: esse verdadeiro cientista chamado aparelho digestivo transforma os alimentos ingeridos, como arroz, pão, verduras, batatas, feijão, etc., em sangue, músculos e ossos. Por mais que se analisem os componentes desses alimentos, não se conseguirá descobrir um glóbulo sangüíneo sequer, nem um milímetro de células musculares. Por outro lado, por mais que se dissequem os alimentos, não será possível localizar uma só molécula dos componentes das fezes ou da urina, nem tampouco traços da amônia. Assim, se fornecermos vitaminas ou plasma sangüíneo ao corpo, considerando-os nutrientes, qual será o resultado? Acentuar-se-á o enfraquecimento do corpo.

Suponhamos que haja uma fábrica destinada a determinada produção. Dispondo-se de matéria-prima como ferro e carvão e do trabalho dos operários, da ação das máquinas, da queima do carvão e de vários outros processos, conseguir-se-á um produto acabado. Portanto, esse processo constitui a própria vida de uma fábrica. Se, desde o início, transportássemos para lá produtos já acabados, não haveria mais necessidade do carvão, nem do trabalho dos operários e das máquinas, e a fábrica deixaria até de soltar fumaça pelas chaminés. Não havendo atividade, dispensar-se-iam os operários, e as máquinas acabariam enferrujando. Analogamente, se ingerimos alimentos já processados, a fábrica produtora de nutrientes fica sem

A Outra Face da Doença

atividade e o corpo enfraquece. Assim, é necessário estarmos cientes de que a vitalidade do homem provém da atividade de transformação dos alimentos inacabados em acabados. É claro que todos os nutrientes industrializados, como as vitaminas, são produtos acabados, sintéticos.

A dietética atual também menospreza o valor nutritivo dos

cereais, acreditando que os nutrientes estão contidos, em sua maior parte, nos pratos complementares, e não no prato principal. Isso também constitui um erro. Na verdade, o valor nutritivo dos cereais é o mais importante; o dos pratos complementares é secundário. Pode-se dizer que eles servem para tornar mais apetitosos os cereais.

O organismo do homem foi criado de modo a se adaptar ao meio ambiente. Se comemos pratos pobres continuamente, nosso paladar se modifica e começamos a achá-los saborosos. Entretanto, parece que pouca gente tem conhecimento disso. Caso a pessoa se acostume com belos pratos, passará a não mais se satisfazer, exigindo iguarias cada vez melhores. Isso se observa em pessoas extravagantes.

A seguir explicarei o significado dos alimentos. Eles foram

concedidos não apenas ao homem, mas a todos os seres, para que estes possam se manter vivos. Foram feitos de forma adequada a cada espécie. O Criador destinou o alimento certo ao homem, aos animais quadrúpedes e às aves. Quais são, então, os alimentos atribuídos ao homem? É fácil reconhecê-los, porque eles têm sabor e as pessoas têm paladar. Portanto, saboreando os alimentos e ficando satisfeitos, elas absorvem os nutrientes naturalmente, o que irá constituir a base da saúde. Deverão, pois, saber que tomar cápsulas de vitaminas, por exemplo, que não precisam ser mastigadas nem exigem o trabalho da função digestiva, não só representa um grave erro como até faz mal. Dessa maneira, como as condições ambientais, profissionais e

orgânicas são diferentes, basta a pessoa comer aquilo que

A Outra Face da Doença

estiver desejando comer, porque é isso que ela está necessitando. Ou seja, cada um deve se alimentar de modo natural, sem se apegar às teorias da Dietética.

As verduras contêm grande quantidade de nutrientes. Assim, do ponto de vista da nutrição, elas e os cereais já proporcionam alimentação suficiente. Os fatos comprovam minhas palavras: os agricultores e os monges budistas, que se alimentam principalmente de verduras, gozam de saúde e longevidade, enquanto as pessoas da cidade, que se alimentam continuamente de carnes, peixes e aves, contraem doenças com facilidade e têm vida curta.

5 de fevereiro de 1947

A Outra Face da Doença

A COMÉDIA DA NUTRIÇÃO

20 de abril de 1950

Os leitores provavelmente estranharão o título deste artigo. Eu também não gostaria de utilizá-lo, mas não encontro outra expressão adequada. Assim, pedirei a compreensão de todos.

Atualmente temos nutrientes com formas e aplicações diversas, como vitaminas, aminoácidos, glicose, carboidratos, gorduras, proteínas, etc. Todos estão a par do aumento que ocorre, a cada ano, na variedade de vitaminas. Todavia, a ingestão ou injeção dessas substâncias não produz efeitos permanentes, e sim temporários. No fim das contas, o que se observa é o efeito oposto: quanto mais se tomam vitaminas, mais o corpo enfraquece.

Não seria preciso explicar, a essas alturas, que o alimento serve para manter a vida; na interpretação desse aspecto, porém, há uma grande diferença entre a teoria atual e a realidade. Quando o homem ingere um alimento; em primeiro lugar ele o mastiga; passando pelas vias digestivas, o bolo alimentar vai para o estômago e, daí, para o intestino. As partes necessárias são absorvidas, enquanto que o resto é eliminado. Até chegar a esse processo, entram em ação diversos órgãos, como o fígado, a vesícula biliar, os rins, o pâncreas e outros, que extraem, produzem e distribuem os nutrientes necessários ao sangue, músculos, ossos, pele, cabelos, dentes, unhas, etc. Assim, é realizada incessantemente a atividade de manutenção da vida. Trata-se de uma misteriosa obra da Criação, impossível de ser expressa por meio de palavras. É esse o estado normal da Natureza.

Conforme dissemos, os nutrientes indispensáveis à manutenção da vida humana estão presentes em todos os

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alimentos. Se há uma grande variedade de alimentos, é porque todos eles são necessários. A quantidade e a preferência variam conforme a pessoa e a hora; a variedade do que se quer comer também depende da necessidade do organismo. Por exemplo, a pessoa come quando tem fome; bebe água quando está com sede; se deseja comer algo doce, é porque tem falta de açúcar em seu organismo; se lhe apetece algo salgado, é porque tem falta de sal, e assim por diante. Por conseguinte, as necessidades naturais do homem evidenciam o princípio exposto. A melhor prova é que quando a pessoa está desejando algo, esse algo lhe é saboroso. Por isso podemos compreender o quanto está errado ingerir contra a vontade coisas que não são saborosas, como os remédios, por exemplo. A frase "Todo bom medicamento é amargo" também encerra um grande erro. O sabor amargo já é indicação do Criador de que aquilo é veneno e não deve ser ingerido. Assim, quanto mais saboroso o alimento,

mais nutritivo ele é, porque a sua energia espiritual é mais densa

e contém uma grande quantidade de nutrientes. Pela mesma

razão, quanto mais frescos forem os peixes e as verduras, mais saborosos eles são; com o passar do tempo, a energia espiritual vai aos poucos abandonando-os, razão pela qual seu sabor vai diminuindo.

Vou dar uma explicação sobre os compostos vitamínicos.

O organismo produz todos os nutrientes indispensáveis - sejam

eles vitaminas ou não - a partir de quaisquer alimentos, e na

quantidade exata que for preciso. Em outras palavras, a

misteriosa função nutritiva do organismo consegue produzir vitaminas, na quantidade necessária, até mesmo a partir de alimentos que não as contêm. Assim, a atividade de produção de nutrientes constitui a própria força vital do homem, ou seja, a transformação do alimento inacabado em alimento acabado não

é senão o próprio viver. Por essa razão, quando se ingerem

compostos vitamínicos, que são produtos sintéticos, os órgãos encarregados da produção de vitaminas tornam-se inúteis e

acabam se atrofiando naturalmente. Com isso, os outros órgãos

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relacionados também se atrofiam, o que vai enfraquecendo gradativamente o corpo. Vou citar alguns exemplos.

Houve uma época, nos Estados Unidos, em que esteve em moda um regime alimentar chamado Fletcher's. Esse método consistia em mastigar ao máximo os alimentos, considerando que quanto mais pastosos eles estivessem ao serem engolidos, melhor seria a digestão. Segui o método à risca durante um mês. Acontece que fui ficando fraco, não podendo fazer força como desejava. Desapontado, acabei abandonando o método, e assim as minhas energias voltaram ao normal. Foi aí que descobri que é um grande erro mastigar excessivamente os alimentos, pois, como os dentes os trituram bem, torna-se desnecessária a atividade do estômago e isso o enfraquece. Portanto, o melhor é mastigar os alimentos pela metade. Desde os tempos antigos, dizem que as pessoas que comem depressa e na hora de defecar também o fazem rapidamente são pessoas sadias. Nesse aspecto, o homem daquela época estava mais avançado que o homem moderno.

Por outro lado, se ingerimos medicamentos destinados a facilitar a digestão, a atividade estomacal se reduz, o que acaba enfraquecendo o estômago. Aí a pessoa toma remédio de novo, e esse órgão enfraquece mais ainda. Assim, a causa das doenças estomacais está realmente na utilização de remédios para o estômago. É comum ouvirmos pessoas que sofriam de problemas estômaco-intestinais crônicos dizerem que, não conseguindo curar-se com uma alimentação baseada em alimentos de fácil digestão, optaram por alimentos de digestão mais difícil, como o "ochazuke" e o picles japonês, e com isso conseguiram ficar curadas.

Comparemos essa força vital baseada na transformação dos alimentos inacabados em alimentos acabados com a atividade de uma fábrica de máquinas. Em primeiro lugar, adquirimos o material necessário. A fábrica queima o carvão,

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movimenta as máquinas e, pelo trabalho dos operários, produzem-se novas máquinas. Essa é a razão da existência da fábrica. Suponhamos, agora, que compremos máquinas prontas. Não haverá mais necessidade da queima do combustível, do movimento das máquinas nem do trabalho dos operários, e por isso não há outra alternativa senão fechar a fábrica.

20 de abril de 1950

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AGRICULTURA NATURAL - INTRODUÇÃO

1°de julho de 1949

Em geral as pessoas não conseguem aceitar minha tese sobre a Agricultura Natural. Ficam pasmadas com ela, pois acham que é uma visão completamente diferente em relação à agricultura. Mas a verdade é que não só os produtos agrícolas, mas o próprio homem se encontra intoxicado pelos adubos.

Muitos depositam confiança na tese por ser minha. Apesar disso, colocam-na em prática meio temerosos, experiência confessada em todos os relatórios. Antes, porém, da colheita, ocorre uma surpreendente mudança na plantação e conseguem- se excelentes resultados, superando todas as expectativas.

É desnecessário afirmar que "mais vale um fato que cem

teorias". Creio que, em conseqüência dessa importante descoberta, não apenas ocorrerá uma grande revolução na agricultura japonesa, como também poderá haver, um dia, uma revolução na agricultura em escala mundial. Sendo assim, esta grande salvação da humanidade será uma boa-nova sem precedentes; para a nossa Igreja, entretanto, cujo objetivo é a construção do Paraíso Terrestre, não passará de algo mais do que óbvio.

Para explicar o que é a Agricultura Natural, vou partir do seu princípio básico. Em primeiro lugar, o que vem a ser o solo? Sem dúvida, é uma obra do Criador e serve para a cultura de cereais e verduras, importantíssimos para a manutenção da vida humana. Por conseguinte, sua natureza é misteriosa, impossível de ser decifrada pela ciência da matéria.

A agricultura atual, sem saber, acabou tomando o caminho

errado e, como conseqüência, menosprezou a força do solo, chegando à errônea conclusão de que, para se obterem

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melhores resultados, deveria haver interferência humana. Com base nesse raciocínio, passou a utilizar estercos, adubos químicos, etc. Dessa maneira, a natureza do solo foi pouco a pouco se degradando, sofrendo transformações, e a sua força original acabou diminuindo. Contudo, o homem não percebe isso e acredita que a causa das más colheitas é a falta de adubos. Assim, utiliza-os em maior quantidade, o que reduz ainda mais a força do solo. Atualmente o solo japonês está tão pobre, que todos os agricultores lamentam o fato.

Vou mostrar como são temíveis os adubos artificiais:

1 – O maior problema, talvez, é o aparecimento de pragas.

Sem pesquisar as causas dessa ocorrência, concentra-se todo o empenho no sentido de combatê-las. Mas é provavelmente por desconhecerem a causa das pragas que os agricultores se empenham na sua eliminação. Na verdade, elas surgem dos adubos, e o aumento das espécies de pragas é decorrente do aumento dos tipos de adubos. Os agricultores desconhecem, também, que os pesticidas, ainda que consigam eliminá-las, infiltram-se no solo, causando-lhe prejuízos e tornando-se a causa do aparecimento de novas pragas.

2 – Absorvendo os adubos, as plantas enfraquecem bastante e tornam-se facilmente quebradiças ante a ação dos ventos e das águas. Como ocorre a queda das flores, os frutos são em menor quantidade. Além disso, pelo fato de as plantas alcançarem maior altura e suas folhas serem maiores, os frutos acabam ficando na sombra, o que, no caso do arroz, do trigo, da soja, etc., faz com que a casca seja mais grossa e os grãos sejam menores.

3 – A amônia contida no estrume e o sulfato de amônia e

outros adubos químicos são venenos violentos que, absorvidos pelas plantas, acabam sendo absorvidos também pelo homem; mesmo que seja em quantidades ínfimas, não se pode dizer que

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eles não façam mal à saúde. A própria Medicina tem afirmado que, se suspendessem por dois ou três anos a utilização de esterco como adubo, o problema de lombrigas e outros parasitas deixaria de existir. Também nesse aspecto verificamos o fabuloso resultado da Agricultura Natural.

4 – Ultimamente, o preço dos adubos tem aumentado muito, de modo que a despesa que se tem com eles quase empata com a receita oriunda da venda da colheita, o que acaba forçando a sua venda no mercado negro.

5 – O trabalho que se tem com a compra e a aplicação de adubos e inseticidas é excessivo.

6 – Os produtos obtidos através da Agricultura Natural são

mais saborosos e apresentam melhor crescimento, sendo maiores que os produtos obtidos com adubos. Sua quantidade também é maior.

Com o que acabamos de expor, creio que os leitores puderam compreender como são temíveis os tóxicos dos adubos e como é melhor o cultivo que não os utiliza. Não seria exagero afirmar que se trata de uma revolução jamais vista na agricultura japonesa.

Vou, agora, mostrar em que consiste o método e os resultados que obtive através da minha própria experiência e dos relatos feitos por pessoas que já experimentaram esse tipo de cultivo. Antes, porém, gostaríamos de perguntar: quantas pessoas conhecem realmente o sabor das verduras? Diríamos que pouquíssimas. Isso porque não há verduras em que não tenham sido utilizados adubos químicos e esterco. Absorvendo esses elementos, os produtos acabam perdendo o sabor atribuído pelos Céus. Se, ao invés disso, fizermos com que absorvam os nutrientes da própria terra, eles terão seu sabor natural e, portanto, serão muito mais saborosos. Como aumentou

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o meu estado de felicidade após conhecer o sabor das verduras cultivadas sem adubos! Além do dinheiro e da mão-de-obra que se poupa, fica-se livre do mau cheiro e da transmissão de parasitas, as pragas diminuem e o sabor e a quantidade dos produtos aumentam. Enfim, matam-se sete coelhos numa só cajadada.

Não posso me calar diante de problema tão grave. Gostaria de comunicar esta boa-nova a todos e compartilhar dos seus benefícios.

Qual é a propriedade do solo? Ele é constituído pela união de três elementos – terra, água e fogo – os quais formam uma força trinitária. Evidentemente, a força básica responsável pelo crescimento das plantas é o elemento terra; o elemento água e o elemento fogo são forças auxiliares. A qualidade do solo é um fator importantíssimo, pois representa a força primordial para o bom ou mau resultado da colheita. Portanto, a condição principal para obtermos boas colheitas é a melhoria da qualidade do solo. Quanto melhor for o elemento terra, melhores serão os resultados.

O método para fertilizar o solo consiste em fortalecer sua energia. Para isso, é necessário, primeiramente, torná-lo puro e limpo, pois, quanto mais puro o solo, maior é a sua força para o desenvolvimento das plantas. Acontece, porém, que até hoje a agricultura considera bom encharcar o solo com substâncias impuras, contrariando frontalmente o que foi exposto acima, donde se pode concluir o quanto ela está errada. Para explicar esse erro, usarei a antítese, o que, penso eu, ajudará a compreensão dos leitores.

Desde a Antigüidade os adubos são considerados como elementos indispensáveis ao plantio, mas a verdade é que quanto mais os agricultores os aplicam, mais eles vão matando o solo. Com a adubagem, conseguem-se bons resultados

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temporariamente; pouco a pouco, no entanto, o solo vai ficando intoxicado, tornando necessário o uso de mais adubos, para a obtenção de boas colheitas. Assim, quanto maior for a quantidade de adubos, mais contrários são os resultados.

Quando a colheita do arroz começa a declinar, os rizicultores acrescentam-lhe terra tirada de locais onde não foram utilizados adubos. Com isso, a colheita melhora durante algum tempo. Nessas ocasiões, eles se baseiam num raciocínio errado, interpretando que, como cultivam ano após ano, a plantação absorve os nutrientes do solo, causando o empobrecimento deste. Esquecem, entretanto, que isso ocorreu devido à utilização de adubos. Como nas novas terras a força vital é mais intensa, podem-se obter bons resultados. Deixando de lado as teorias, vou explicar, na prática, as vantagens da Agricultura Natural.

Em primeiro lugar, uma das características desse tipo de cultivo é a menor estatura das plantas. No cultivo com adubos, elas crescem mais e têm folhas maiores; tratando-se de plantas leguminosas, como dissemos antes, isso faz com que os frutos fiquem à sombra e não tenham bom crescimento. Ocorre, também, a queda das flores, trazendo como conseqüência a menor quantidade de frutos. No caso da soja, quando não se utilizam adubos, consegue-se o dobro da colheita, e nenhum grão se apresenta bichado; além disso, seu sabor é incomparável. Evidentemente, em outras espécies como ervilhas e favas, obtém-se o mesmo resultado, e a casca é bastante macia.

Outro aspecto digno de observação é a não-ocorrência de nenhum fracasso. Muitas vezes um leigo resolve plantar batatas e colhe-as em pequena quantidade e tamanho reduzido. Nesses casos, é costume a pessoa se lamentar, dizendo que a colheita foi péssima, mas ela não percebe que isso resultou do uso excessivo de adubos. Interpretando os resultados de maneira

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errada, ou seja, atribuindo o fracasso à pouca utilização de adubos, passa a usá-los em maior quantidade, o que faz piorar ainda mais a situação. Quando indagados a respeito, os especialistas e os orientadores, que não percebem a verdadeira causa do problema, respondem de maneiras totalmente desconcertantes, como por exemplo: "A causa está nas sementes, que, ou não eram boas, ou foram semeadas fora da época apropriada". Ou então: "O problema foi causado pela acidez do solo".

As batatas plantadas sem adubos, no entanto, são muito brancas e cremosas, possuem bastante aroma e agradam logo ao primeiro contato com o paladar. São tão saborosas que, a princípio, pensa-se que são de alguma espécie diferente. O mesmo acontece com o inhame e a batata-doce. Esta última deve ser plantada em canteiros altos e em fileiras, entre as quais deve haver uma boa distância, de modo que a planta receba bastante sol. Assim, conseguir-se-ão batatas enormes e deliciosas, capazes de impressionar qualquer pessoa. Aliás, parece que os próprios agricultores não costumam adicionar muitos adubos ao solo quando se trata de batata-doce.

Agora tecerei considerações a respeito do milho. Seu cultivo sem adubos tem apresentado ótimos resultados. Gostaria, portanto, de dar-lhe um destaque especial. No início, por um ou dois anos, a colheita pode não satisfazer as expectativas, visto que as sementes ainda contêm as toxinas dos adubos, mas no terceiro ano os resultados já começam a aparecer. Sem toxinas no solo nem nas sementes, o milho cresce com o caule bastante forte, e suas folhas apresentam um verde vivo. Caso cresça num local onde não falta água nem sol, apresenta espigas longas, com os grãos tão bem dispostos que não há espaços vazios entre eles; logo na primeira mordida se percebe que são macios e doces, apresentando um sabor inesquecível.

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Quanto aos nabos, são branquinhos, grossos, consistentes e doces, o que os torna muito saborosos. A aspereza e a acidez dos nabos são decorrentes das toxinas dos adubos. Aliás, as verduras produzidas sem adubos apresentam boa coloração, maciez e um aroma que abre o apetite, sendo livres de pragas. Evidentemente, são mais higiênicas, pela não- utilização de esterco.

O que eu também gostaria de recomendar são as berinjelas. Elas apresentam excelente coloração e aroma, casca macia e realmente dão água na boca. Em minha casa ninguém consegue mais comer berinjelas produzidas com adubos.

Tratando-se do plantio de arroz, mistura-se palha cortada ao solo alagado, que, assim, se aquece, pois a palha absorve o calor. Há, ainda, outro detalhe, já bastante conhecido: a água fria das montanhas faz mal à plantação. Por isso, devem-se fazer as valetas o mais rasas e longas possível, a fim de aquecer a água. Não se devem, também, fazer lagos no trecho intermediário, pois nestes, devido à profundidade, a água não esquenta de forma adequada.

No caso do pepino, melancia, abóbora, etc., obtêm-se resultados como jamais haviam sido conseguidos. Quanto ao arroz e ao trigo, têm estatura baixa e apresentam excelente quantidade e qualidade. O arroz, sobretudo, tem brilho e consistência especiais, além de excelente paladar, sendo sempre classificado como arroz de especial categoria.

Eis, portanto, as vantagens da Agricultura Natural. Não poderia haver melhor boa-nova, principalmente para quem tem horta caseira. O manuseio de esterco não só é insuportável para os amadores, como também traz o inconveniente de indesejáveis larvas de parasitas acabarem se hospedando na pessoa. Até agora, por desconhecimento desses fatos, trabalhava-se muito e no fim se obtinham maus resultados. No meu caso, por exemplo,

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apenas semeio as verduras e não tenho maiores trabalhos a não ser, de vez em quando, remover o mato que começa a crescer. Assim, obtenho excelentes verduras, e não há nada tão gratificante.

Como eu já disse, não há necessidade de adubos químicos nem de estrume, mas é preciso usar compostos naturais em larga escala. O mais importante, em qualquer cultivo, é ter cuidado para que as pontas dos pêlos absorventes cresçam livremente; para isso, deve-se evitar o endurecimento do solo. O composto natural deve estar meio decomposto apenas, pois, se o estiver totalmente, acaba endurecendo. Aquele que é feito somente com capim decompõe-se rapidamente, mas o de folhas de árvores demora muito mais, devido às fibras e nervuras, que são duras; portanto, deve-se deixá-lo decompondo por longo tempo, até sua suficiente decomposição. A razão disso é que as pontas dos pêlos absorventes têm o seu crescimento prejudicado pelas fibras das folhas utilizadas como compostos orgânicos. Ultimamente dizem que é bom arejar a raiz das plantas, mas isso não tem sentido, pois se é um solo que até deixa passar o ar, nele se processa o bom desenvolvimento das raízes. Na verdade, o ar nada tem a ver com isso.

Outro ponto importante é o aquecimento do solo. No caso das radicelas e dos pêlos absorventes das verduras comuns, basta fazer uma camada de composto natural com mais ou menos 30 centímetros, numa profundidade aproximadamente igual. Tratando-se de nabo, cenoura, bardana ou outros vegetais em que se visam as raízes, a profundidade deve ser compatível com o comprimento da raiz de cada planta. O composto à base de capim deve ser bem misturado com a terra, utilizando-se o composto à base de folhas de árvores para formar o leito abaixo do solo, como já foi explicado. Esse é o ideal.

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Ultimamente fala-se muito em solo ácido, mas a causa da acidez está nos adubos. Portanto, o problema desaparece quando se deixa de usá-los.

É muito comum evitar-se o uso do mesmo solo para culturas repetitivas. Entretanto, eu tenho obtido ótimos resultados através delas. E os resultados têm melhorado a cada ano. Pode parecer milagre, mas há uma boa razão para isso. Como tenho afirmado, para vivificar o solo e ativar sua força, é necessário fazer culturas repetitivas, pois, com elas, o solo vai se adaptando naturalmente à cultura em questão.

Quanto às pragas, com a eliminação dos adubos, seu número poderá não chegar a zero, mas reduz-se a uma fração do atual. Os próprios agricultores afirmam que o excesso de adubos aumenta as pragas.

Com relação ao fumo para charuto, sabe-se que o melhor é o produzido em Manila e Havana. Não apresenta folhas bichadas e tem excelente aroma; certa vez eu ouvi um especialista no assunto dizer que na sua produção não se utilizam adubos. A inexistência de insetos em folhas do mato e o excelente aroma que algumas delas possuem são decorrentes da ausência de adubos.

Há um aspecto que deve ser observado: quando se introduz a Agricultura Natural num local já tratado com adubos, não se obtêm bons resultados durante um ou dois anos, porque a terra está intoxicada. É como um beberrão que deixa de beber abruptamente e por algum tempo fica meio atordoado. O mesmo problema acontece com os fumantes inveterados quando, de repente, suspendem o fumo, ou quando os viciados em morfina ou cocaína ficam sem estes entorpecentes. Deve-se, portanto, ter paciência por dois ou três anos; nesse espaço de tempo e com a diminuição gradativa das toxinas de adubos no solo e nas sementes, o solo começará a manifestar sua força.

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Com as considerações que acabamos de tecer sobre a Agricultura Natural, os leitores deverão ter compreendido o quanto a agricultura tradicional está errada. Evidentemente, o novo método não tem nenhuma ligação com a fé, bastando apenas utilizar-se os compostos naturais para se obterem resultados revolucionários. Devem, contudo, reconhecer que, somando-se a esse procedimento a purificação do solo através da Luz de Deus, conseguem-se melhores resultados ainda.

1 o de julho de 1949

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A FORÇA DO SOLO

O princípio básico da Agricultura Natural consiste em fazer manifestar a força do solo. Até agora o homem desconhecia a verdadeira natureza do solo, ou melhor, não lhe era dado conhecê-la. Tal desconhecimento levou-o a adotar o uso de adubos e acabou por colocá-lo numa situação de total dependência em relação a eles, tornando essa prática uma espécie de superstição.

No começo, por melhor que eu explicasse o processo da Agricultura Natural, as pessoas não me davam ouvidos e acabavam em gargalhadas. Pouco a pouco, porém, minhas explicações foram sendo aceitas e, ultimamente, de ano para ano, aumenta o contingente de praticantes do novo método, mesmo porque as colheitas, em toda parte, vêm dando prodigiosos resultados. Ainda que a maioria pertença à esfera dos fiéis de nossa Igreja, em várias regiões já está aparecendo, fora dessa esfera, um número considerável de simpatizantes e praticantes da Agricultura Natural, número este que tende a aumentar rapidamente. Já se pode imaginar que não está longe o dia em que a veremos praticada em todo o território japonês. Falando abertamente, a divulgação do nosso método de agricultura poderá ser definida como “movimento para destruir a superstição dos adubos”.

Não usando absolutamente nada daquilo a que se dá o nome de adubo, seja de origem animal ou química, pois é um cultivo que utiliza apenas compostos naturais, o método é, realmente, o que seu nome diz: Agricultura Natural. As folhas e capins secos formam-se naturalmente, ao passo que os adubos químicos e mesmo o estrume de cavalo ou galinha, assim como os resíduos de peixe, carvão de madeira, etc., não caem do céu, nem brotam da terra: são transportados pelo homem. Portanto, não é preciso dizer que são antinaturais.

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Nada poderia existir no Universo sem os benefícios da Grande Natureza, ou seja, nada nasceria nem se desenvolveria sem os três elementos básicos: o fogo, a água e a terra. Em termos científicos, esses elementos correspondem, respectivamente, ao oxigênio, ao hidrogênio e ao nitrogênio. Todos os produtos agrícolas existentes são gerados por eles. Dessa forma, Deus fez com que possam ser produzidas todas as espécies de cereais e verduras que constituem a alimentação do homem. Seguindo a lógica, tudo será perfeitamente compreendido. Não seria absurdo se Deus criasse o homem e não providenciasse os alimentos que lhe possibilitariam a vida? Logo, se determinado país não consegue produzir os alimentos necessários à sua população, é porque, em algum ponto, ele não está de acordo com as leis da Natureza criadas por Deus. Enquanto não se atentar para isso, não se poderá sequer imaginar uma solução para o problema da escassez de alimentos.

A Agricultura Natural proposta por mim tem como base o princípio citado. O empobrecimento e as dificuldades dos agricultores serão solucionados satisfatoriamente com a adoção desse método. Deus deseja corrigir a penosa situação em que eles se encontram, e por isso está se dignando, com Sua benevolência e compaixão, a revelar e fazer propagar o princípio da Agricultura Natural, através de mim, para todo o mundo. Urge, portanto, que os agricultores despertem o mais rápido possível e adotem esse novo método agrícola. Só assim eles serão verdadeiramente salvos.

Conforme dissemos, se os três elementos básicos – fogo, água e terra – são forças motrizes para desenvolver os produtos agrícolas, bastará que estes sejam plantados numa terra pura, expostos ao sol e suficientemente abastecidos com água, para se obter um grande êxito, jamais visto até hoje. Não se sabe desde quando, mas o homem cometeu um enorme equívoco ao usar adubos, pois ignorou, completamente, a natureza do solo.

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EFEITOS CONTRÁRIOS DOS ADUBOS

No início, a utilização de adubos traz bons resultados, mas, se essa prática continuar por muito tempo, gradativamente começarão a surgir efeitos contrários. Entre outras conseqüências, as plantas vão perdendo sua função inerente de absorver os nutrientes do solo e mudam suas características, passando a absorver os adubos como nutrientes. Se fizermos uma comparação com os toxicômanos, poderão compreender isso muito bem. Quando alguém começa a fazer uso de tóxicos, sente uma sensação muito agradável e durante certo período seu cérebro se torna mais lúcido. Por não conseguir esquecer esse prazer, a pessoa cai, pouco a pouco, num vício profundo, do qual

é difícil se livrar. Entretanto, quando o efeito do tóxico acaba, ela fica em estado de letargia ou sente dores violentas. Como a situação é intolerável, ingere tóxico novamente, embora saiba o mal que isso lhe faz. E chega até ao roubo, para obter os recursos com que comprá-lo. Histórias com este seguimento são constantemente noticiadas nos jornais. Aplicando tal esquema à agricultura, podemos dizer que, hoje, todos os solos cultiváveis do Japão estão sob os efeitos de tóxicos e, por isso, gravemente enfermos. Todavia, tendo-se tornado cegos adeptos dos adubos, os agricultores não conseguem libertar-se deles. Ao ouvirem minhas explicações, esperançosos, resolvem suspendê-los, iniciando o cultivo natural. No entanto, como nos primeiros meses os resultados são insatisfatórios, eles concluem, precipitadamente, que o mais certo é desistir da mudança e voltar à prática habitual.

O nosso método de cultivo está baseado na fé, e por isso muitos o praticam sem duvidar do que eu digo. Assim fazendo, chegam à total compreensão do verdadeiro valor da Agricultura Natural.

Descreverei agora a seqüência dos fatos que ocorrem com

a mudança da agricultura tradicional para a natural. No caso do

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arroz, ao transplantar-se a muda para o arrozal alagado, durante algum tempo a coloração das folhas não é boa, e os talos são finos; geralmente o visual é bem inferior ao de outros arrozais. Isso dá ensejo à zombaria por parte dos agricultores das proximidades, o que leva o plantador a vacilar, questionando se está no caminho certo. Cheio de preocupação e intranqüilidade, ele começa a fazer promessas a Deus. Entretanto, passados dois ou três meses, os pés de arroz começam a apresentar-se com mais vigor, melhorando tanto na época do florescimento, que o agricultor se sente aliviado. Finalmente, por ocasião da colheita, estão com o crescimento normal, ou acima dele. Ao se proceder à colheita, a quantidade do arroz sempre ultrapassa as previsões; além disso, ele é de boa qualidade, tendo brilho, aderência e sabor agradável. Geralmente é um produto de primeira ou segunda classe, podendo-se dizer que não aparecem tipos abaixo desse nível de classificação. E mais ainda: seu peso varia de 5 a 10% acima do peso do arroz cultivado com adubos, e, o que é especialmente interessante, devido à sua consistência, é um arroz que não se reduz com o cozimento, antes duplica ou triplica seu volume. Sustenta tanto que, mesmo comendo 30% menos, a pessoa se sente plenamente satisfeita. Logo, há uma grande vantagem do ponto de vista econômico.

Se todos os japoneses comessem arroz cultivado pelo método da Agricultura Natural, teríamos um resultado igual ao que se obteria se a produção fosse aumentada em 30%, tornando-se desnecessária a importação de arroz. E como isso seria esplêndido para a economia nacional!

A SUPERSTIÇÃO DOS ADUBOS

Esclareçamos melhor o assunto tratado anteriormente. O fato de a plantação, durante dois ou três meses, apresentar um aspecto inferior, pode ser explicado pela presença de tóxicos no solo e nas sementes, mesmo que sejam só resíduos. Com o passar dos dias, esses tóxicos vão sendo eliminados e o solo e a

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plantação tendem a melhorar, restaurando-se a sua capacidade natural. Isso me parece perfeitamente compreensível por parte dos agricultores, pois eles sabem que, após uma troca de água ou uma chuva muito forte, mesmo os arrozais alagados de pior qualidade melhoram um pouco. Em verdade, isso ocorre porque os tóxicos dos adubos foram lavados e diminuíram. Quando o crescimento dos produtos agrícolas não é bom, costuma-se acrescentar terra ao solo. Se eles melhoram, os agricultores crêem ver confirmada sua suposição de que o solo estava pobre devido a contínuas plantações que absorveram seus nutrientes. Isso também é errado, pois o enfraquecimento do solo é causado pelos tóxicos de adubos utilizados ano após ano. Assim, percebe-se facilmente que os agricultores se deixaram dominar pela superstição dos adubos.

OS EFEITOS DO USO DE COMPOSTOS NATURAIS

Vejamos, agora, de que maneira a Natureza colabora com a Agricultura Natural. Quando se trata do cultivo de arroz em terreno alagado, procede-se ao corte da palha em pedaços bem pequenos, os quais serão misturados ao solo, para aquecê-lo. No caso do cultivo em terra firme, misturar-se-ão folhas e capins secos, apodrecidos até que suas nervuras fiquem macias. A razão disso é que, quando o solo está endurecido, o desenvolvimento das raízes fica dificultado, porque as pontas encontram resistência. Atualmente, dizem ser bom que o ar vá até as raízes, mas não é verdade, pois não há nenhuma razão para isso. Apenas, se ele chega até elas, é porque o solo não está endurecido. No caso de produtos cujas raízes não se aprofundam muito no solo, o ideal seria misturar, a este, compostos de folhas e capins; para os produtos de raízes profundas, deve-se preparar um leito composto de folhas de árvores a mais ou menos 35 cm de profundidade. Isso servirá para aquecer a terra. Variando a profundidade das raízes, o leito será formado na proporção adequada.

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Geralmente as pessoas pensam que nos compostos naturais existem elementos fertilizantes, mas isso não corresponde à realidade. O papel desempenhado por eles é o de aquecer o solo, não o deixando endurecer. No caso de ressecamento do solo junto às raízes, devem-se colocar os compostos naturais numa espessura apropriada, pois isso conserva a umidade do solo. São esses os três benefícios dos compostos naturais.

Como se poderá perceber pelo que foi dito acima, o mais importante na Agricultura Natural é vivificar o solo. Vivificar o solo significa conservá-lo sempre puro, não utilizando matérias impuras como os adubos. Dessa forma, já que não existem obstáculos, ele pode manifestar suficientemente a sua capacidade original. É engraçado que os agricultores falem em “deixar o solo descansar”. Trata-se, também, de um grande erro. Quanto mais cultivado, melhor será o solo. Em termos humanos, quanto mais se trabalha, mais saúde se tem; quanto mais se descansa, mais fraco se fica. Os agricultores, ao contrário, acreditam que, quanto mais se cultiva o solo, mais fraco ele vai ficando, devido ao consumo dos seus nutrientes por parte dos produtos agrícolas. Assim, procuram beneficiá-lo dando-lhe repouso, ou seja, suspendem as culturas repetitivas, mudando sempre a área de plantio. Isto é uma idiotice.

CULTURA REPETITIVA, COLHEITA FARTA

De acordo com o nosso método, a cultura repetitiva é uma prática muito recomendável. Uma prova disso é que estou cultivando milho, pelo sétimo ano consecutivo, em Gora - Hakone, numa terra em que há mistura de pequenas pedras. Apesar da má qualidade da terra, as espigas são mais longas que o normal, e os grãos, juntinhos e enfileirados, são adocicados, macios e saborosos.

A Outra Face da Doença

Para justificar a cultura repetitiva, basta lembrar a capacidade inerente ao solo de se adaptar ao produto que é plantado. Compreenderemos isso muito bem se fizermos uma comparação com o ser humano. As pessoas que executam trabalhos braçais têm seus músculos desenvolvidos; quando se trata de atividade intelectual, é o cérebro que se desenvolve. Por essa mesma razão, quem muda constantemente de profissão ou de residência não obtém sucesso, o que nos leva a concluir o quanto estiveram errados os agricultores até hoje.

AS BOAS-NOVAS PARA A SERICULTURA

Finalizando, gostaria de dizer que, se cultivarmos o bicho- da-seda com folhas de amoreira tratada sem adubos, ele não adoecerá, seus fios serão de muito boa qualidade, resistentes, brilhantes, e a produção aumentará. Tal prática ocasionaria uma grande evolução no mundo da sericultura e traria incalculáveis benefícios à economia do país.

5 de maio de 1953

A Outra Face da Doença

PRINCÍPIO DA AGRICULTURA NATURAL

Para que todos entendam realmente o princípio da Agricultura Natural, proponho-me explicá-lo através da ciência do espírito – da qual tomei conhecimento por meio da Revelação Divina – pois é impossível fazê-lo através do pensamento que norteia a ciência da matéria. No início, talvez seja muito difícil compreender esse princípio; todavia, à medida que o lerem várias vezes e o saborearem bem, fatalmente a dificuldade irá diminuindo. Caso isso não aconteça, é porque a pessoa está muito presa às superstições da Ciência.

O que eu exponho é a Verdade Absoluta. Os próprios

fatos o comprovam. Como todos sabem, o método agrícola utilizado atualmente consiste na fusão do método primitivo com o método científico. Julga-se que houve um grande progresso, porém os resultados mostram exatamente o contrário, conforme podemos constatar pela grande diminuição da produção no ano passado. Os pés de arroz não tinham força suficiente para vencer as diversas calamidades que ocorreram, e essa foi a causa direta daquela diminuição. Mas qual a causa do enfraquecimento dos pés de arroz? Se eu disser que o fenômeno foi causado pelo tóxico chamado adubo, todos se surpreenderão, pois os agricultores, até agora, vieram acreditando cegamente que o adubo é algo imprescindível no cultivo agrícola. Devido a essa crença, ao pouco conhecimento dos agricultores e à cegueira da Ciência, não foi possível descobrir os malefícios dos adubos.

E inegável o valor da Ciência em relação a muitos

aspectos; entretanto, no que se refere à agricultura, ela não tem

nenhuma força, ou melhor, está muito equivocada, pois considera bom o método criado pelo homem, negligenciando o Poder da Natureza. Isso acontece porque ainda se desconhece a natureza do solo e dos adubos. Há longos anos, o governo, os grandes agricultores e os cientistas vêm desenvolvendo um

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grande esforço conjunto, mas não se vê nenhum progresso ou melhoria. Diante de uma fraca produção como a do ano passado, podemos dizer que a Ciência não consegue fazer nada, sendo vencida pela Natureza sem oferecer nenhuma resistência. Não há mais nenhum método a ser empregado. A agricultura japonesa está realmente num beco sem saída. Mas devemos alegrar-nos, pois Deus ensinou-me o meio de sair dele – a Agricultura Natural. Afirmo que, além dessa, não existe outra maneira de salvar o Japão.

A base do problema é a falta de conhecimento em relação ao solo. A agricultura, até agora, tem negligenciado esse fator, que é o principal, dando maior importância ao adubo, algo acessório. Pensem bem. Sem a terra, o que podem fazer as plantas, sejam elas quais forem? Um bom exemplo é o daquele soldado americano que, após a guerra, praticou o cultivo na água, despertando grande interesse. Creio que ainda devem estar lembrados disso. No início, os resultados foram excelentes, mas ultimamente, pelo que tenho ouvido falar, eles foram decaindo, e o método acabou sendo abandonado.

Até hoje os agricultores fizeram pouco caso do solo, chegando a acreditar que os adubos eram o alimento das plantações. Com essa atitude, cometeram um espantoso engano. O resultado é que o solo se tornou ácido, perden