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2004 Histórias de Sucesso Experiências Empreendedoras

2004

Histórias de Sucesso

Experiências Empreendedoras

2004 Histórias de Sucesso Experiências Empreendedoras

COPYRIGHT © 2004, SEBRAE – SERVIÇO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS

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SEBRAE – Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas

Presidente do Conselho Deliberativo Nacional Armando Monteiro Neto

Diretor-Presidente

Silvano Gianni

Diretor de Administração e Finanças Paulo Tarciso Okamotto

Diretor Técnico Luiz Carlos Barboza

Gerente da Unidade de Estratégias e Diretrizes Gustavo Henrique de Faria Morelli

Coordenação do Projeto Desenvolvendo Casos de Sucesso Renata Barbosa de Araújo Duarte

Comitê Gestor do Projeto Desenvolvendo Casos de Sucesso Cezar Kirszenblatt, SEBRAE/RJ; Daniela Almeida Teixeira, SEBRAE/MG; Mara Regina Veit, SEBRAE/MG; Renata Maurício Macedo Cabral, SEBRAE/RJ; Rosana Carla de Figueiredo Lima, SEBRAE Nacional

Orientação Metodológica Daniela Abrantes Serpa – M.Sc., Sandra Regina H. Mariano – D.Sc., Verônica Feder Mayer – M.Sc.

Diagramação

Adesign

Produção Editorial Buscato Informação Corporativa

D812h

Histórias de sucesso: experiências empreendedoras / Organizado por Renata Barbosa de Araújo Duarte – Brasília: Sebrae, 2004.

392 p. : il. – (Casos de Sucesso, v.1)

Publicação originada do projeto Desenvolvendo Casos de Sucesso do Sistema Sebrae. ISBN 85-7333-385-5

1. Empreendedorismo 2. Estudo de caso 3. Artesanato 4. Turismo 5. Cultura I. Duarte, Renata Barbosa de Araújo II. Série

CDU 65.016:001.87

BRASÍLIA SEPN – Quadra 515, Bloco C, Loja 32 – Asa Norte 70.770-900 – Brasília Tel.: (61) 348-7100 – Fax: (61) 347-4120 www.sebrae.com.br

PROJETO DESENVOLVENDO CASOS DE SUCESSO

OBJETIVO

O Projeto Desenvolvendo Casos de Sucesso foi concebido em 2002 a partir das prioridades

estratégicas do Sistema SEBRAE com a finalidade de disseminar na própria organização, nas instituições de ensino e na sociedade as melhores práticas de empreendedorismo individual e coletivo observadas no âmbito de atuação do SEBRAE e de seus parceiros, estimulando sua multiplicação e fortalecendo a Gestão do Conhecimento do SEBRAE.

METODOLOGIA “DESENVOLVENDO CASOS DE SUCESSO”

A metodologia adotada pelo projeto é uma adaptação do consagrado método de estudos

de caso aplicado em Babson College e Harvard Business School, que se baseia na história real de um protagonista, que, em dado contexto, se encontra diante de um problema ou de um dilema que precisa ser solucionado. Esse método estimula o empreendedor, o aluno ou a instituição parceira a vivenciar uma situação real, convidando-o a assumir a perspectiva do protagonista.

O LIVRO HISTÓRIAS DE SUCESSO – Edição 2004 Esse trabalho é o resultado de uma das ações do projeto Desenvolvendo Casos de Su- cesso, elaborado por colaboradores do Sistema SEBRAE, consultores e professores de ins- tituições de ensino parceiras. Esta edição é composta por três volumes, em que se descrevem 76 estudos de casos de empreendedorismo, divididos por área temática:

• Volume 1 – Artesanato, Turismo e Cultura, Empreendedorismo Social e Cidadania.

• Volume 2 – Agronegócios e Extrativismo, Indústria, Comércio e Serviço.

• Volume 3 – Difusão Tecnológica, Soluções Tecnológicas, Inovação, Empreendedorismo e Inovação.

DISSEMINAÇÃO DOS CASOS DE SUCESSO DO SEBRAE

O site Casos de Sucesso do SEBRAE (www.casosdesucesso.sebrae.com.br) visa divulgar as

experiências geradas a partir das diversas situações apresentadas nos casos, bem como suas soluções, tornando-as ao alcance dos meios empresariais e acadêmicos.

O site apresenta todos os estudos de caso das edições 2003 e 2004, organizados por área de

conhecimento, região, municípios, palavras-chave e contém, ainda, vídeos, fotos, artigos de jornal, que ajudam a compreender o cenário onde os casos se passam. Oferece também um manual com orientações para instrutores, professores e alunos de como utilizar o estudo de caso na sala de aula. As experiências relatadas ilustram iniciativas criativas e empreendedoras no enfrentamento de problemas tipicamente brasileiros, podendo inspirar a disseminação e aplicação dessas soluções em contextos similares. Esses estudos estão em sintonia com a crescente importância que os pequenos negócios vêm adquirindo como promotores do desenvolvimento e da geração de emprego e renda no Brasil. Boa leitura e aprendizado!

Gustavo Morelli

Gerente da Unidade de Estratégias e Diretrizes

Renata Barbosa de Araújo Duarte

Coordenadora do Projeto Desenvolvendo Casos de Sucesso

HISTÓRIAS DE SUCESSO – EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS

EDIÇÃO 2004

SEMEANDO O EMPREENDEDORISMO NA ESCOLA

INTRODUÇÃO

CEARÁ MUNICÍPIO: FORTALEZA

O comportamento do estudante da escola pública tem sido marcado pela apatia, desinteresse e baixa auto-estima.

Segundo o Censo Escolar de 2001 realizado pela Seduc (INEP/MEC, 2002), a taxa de repetência no ensino médio havia sido muito alta (13,0%). Além disso, o afastamento por abandono teve um valor maior que a ocorrência de reprovação. No período noturno, a relação repro- vação/abandono foi de 1/5. Tornar o jovem da escola pública o arquiteto idealizador da sua pró- pria história, capaz de descobrir oportunidades e mudar atitudes diante das dificuldades impostas por uma realidade cada vez mais complexa e dinâmica – este era um dos grandes desafios enfrentados pela Secretaria de Educação Básica do Ceará (Seduc), em 2001.

Cesar Lucena Julio Cesar LucenaJulio

DIVULGAÇÃO DA I FEIRA DE EMPREENDEDORISMO DA ESCOLA VIRGÍLIO CORREIA LIMA

ESTUDANTE DRIELE, DO COLÉGIO JOSÉ VALDO RAMOS, EM SUA CONFECÇÃO

SEMEANDO O EMPREENDEDORISMO NA ESCOLA – SEBRAE/CE

COMO TUDO COMEÇOU

E m 1995, o diretor do Colégio Batista Santos Dumont, localizado em Fortaleza, Isaac Coelho, contactou o SEBRAE/CE. Desejava desen-

volver uma disciplina voltada para as mudanças socioeconômicas contemporâneas, tais como privatizações, desemprego e desen- volvimento tecnológico. Os alunos estavam desmotivados com a disci- plina que o colégio adotava, Técnicas Comerciais, em que eles aprendiam a preencher documentos fiscais e formulários diversos, que pouco contribuía para sua formação profissional futura.

“A disciplina Técnicas Comerciais ensinava o jovem a ser empregado, precisávamos de uma disciplina que o ensinasse a ser um empreendedor, gerenciar seu futuro. Foi decisiva a parceria com o SEBRAE/CE para instrumentalizar a disciplina.” Isaac Coelho sobre o projeto que ele idealizou.

Adaptar conteúdos do mundo dos negócios, como perfil empreen- dedor, tendências de mercado, plano de negócios para a linguagem dos adolescentes foi o desafio proposto ao SEBRAE/CE. Foi, então, constituído um grupo de estudo para desenvolver o cur- so Iniciação Empreendedora. O SEBRAE/CE treinou educadores para ministrarem a disciplina, que foi incorporada à grade curricular do úl- timo ano do ensino fundamental do colégio.

DISSEMINAÇÃO DA IDÉIA

A Secretaria de Trabalho e Ação Social do Estado do Ceará procurou o SEBRAE, em 2000, para levar a sua experiência de empreende-

dorismo para o Projeto Atleta, que trabalha com jovens de baixa ren- da da periferia de Fortaleza. No Projeto Atleta, os alunos participam de

oficinas profissionalizantes nas áreas de marcenaria, reciclagem, fabri- cação de sandálias, picolé, doces e salgados, além de desenvolverem a parte esportiva, artística e cultural. A disciplina de Iniciação Em- preendedora foi, então, sugerida como opção para introduzir os jovens do projeto no “mundo do empreendedorismo”.

EMPREENDEDORISMO SOCIAL E CIDADANIA

Ainda em 2000, foi realizada uma turma do curso Iniciação Empreen-

dedora para as alunas do Edisca, escola de dança para estudantes caren- tes da periferia de Fortaleza. Em 2001, o desafio tornou-se ainda maior, uma vez que, atenden- do a solicitação da Seduc, seria desenvolvido um projeto que mudas- se o comportamento do estudante da escola pública, marcado pela apatia, desinteresse e baixa auto-estima.

A aprendizagem proporcionada pelas experiências anteriores facilitou

a elaboração de uma proposta de trabalho adaptada à realidade da esco- la pública e foi viabilizada por meio da parceria com o governo do Esta- do, Federação das Associações de Jovens Empresários do Estado do Ceará

(Fajece) e SEBRAE, uma vez que se considerou a carência de recursos da escola pública para arcar sozinha com todos os custos do projeto.

FAZENDO O PROJETO ACONTECER

E m junho de 2001, a Seduc e parceiros se reuniram para definir as responsabilidades de cada entidade no projeto. Inicialmente coube ao SEBRAE/CE a realização dos seminários so- bre empreendedorismo, bem como a capacitação dos professores das escolas públicas na metodologia do programa. A Seduc ficou responsável pela definição das escolas e coordenação das ações em

parceria com o SEBRAE/CE. A Fajece fez o intercâmbio escola/empre- sa, levando os alunos a conhecer in loco o dia-a-dia das empresas.

O projeto foi batizado com o nome de Empreendedorismo na Es-

cola e seu objetivo principal era plantar a semente da cultura em- preendedora entre os estudantes das escolas públicas cearenses. O formato idealizado compreendeu duas etapas: seminários de sensibi- lização sobre empreendedorismo para alunos da rede pública e curso de iniciação empreendedora.

SEMINÁRIOS DE SENSIBILIZAÇÃO SOBRE EMPREENDEDORISMO

O s seminários, com duração de duas horas, foram desenvolvidos para abordar temas como o cenário mundial e a importância do

empreendedorismo na formação dos jovens. Durante o seminário, um

SEMEANDO O EMPREENDEDORISMO NA ESCOLA – SEBRAE/CE

parceiro do SEBRAE/CE, depois de empregar uma metodologia intera- tiva – que compreende a utilização de dinâmicas, vídeos e depoimen- to de empresários da comunidade local –, convidava os alunos para participarem do curso Iniciação Empreendedora. Concluído o seminá- rio, os alunos preenchiam uma ficha de inscrição, cabendo à escola se- lecionar um grupo para freqüentar o curso.

CURSO DE INICIAÇÃO EMPREENDEDORA – PREPARAÇÃO DOS EDUCADORES

O curso de Iniciação Empreendedora foi desenvolvido para ser mi- nistrado por educadores da própria escola. Para tanto, as escolas

procuraram identificar profissionais que tinham um perfil empreende- dor e foi desenvolvida uma capacitação especial para esses professo- res. A capacitação dos professores compreendia 50 horas de sala de aula e o conteúdo programático envolveu temas como perfil empreen- dedor, plano de negócios e cenário mundial. As escolas também passaram a realizar todos os anos novas turmas de capacitação para os professores que iam se engajando no projeto. No fi- nal de cada ano, também passaram as ser realizadas avaliações sobre o curso ministrado pelos educadores, que constituiu uma forma de apren- dizagem continuada, em que são apontados os problemas e soluções.

CURSO DE INICIAÇÃO EMPREENDEDORA – O PROGRAMA

O curso Iniciação Empreendedora foi pensado para ser uma ativida- de extracurricular, com carga horária de 96 horas, divididas em

três fases: 1) 30 horas em sala de aula; 2) 36 horas de aula de campo e elaboração do plano de negócio; 3) 30 horas para preparação e rea-

lização da Feira do Empreendedor 1 .

EMPREENDEDORISMO SOCIAL E CIDADANIA

1. Em sala de aula Em sala o professor aborda o seguinte conteúdo programático: o cená- rio socioeconômico mundial; a importância da escolaridade no mercado de trabalho; o perfil do empreendedor; elementos da qualificação, atributos da empregabilidade, atitudes; tendências; o plano de negócios; a atividade empreendedora como opção de carreira; fatores que interferem na escolha da profissão; o nosso plano de negócios e a Feira do Empreendedor.

2. Em campo Quanto à aula de campo, a AJE agenda para cada turma uma visita a uma empresa. Os alunos vão acompanhados do professor e de um repre- sentante da AJE que, auxiliados pelo empresário, procuram mostrar como funciona uma empresa. É também durante esta fase que os alunos, em equipe, elaboram os planos de negócios para a Feira do Empreendedor.

3. Feira do Empreendedor

A Feira do Empreendedor foi desenvolvida para ser um espaço onde

os alunos possam “vestir a camisa” de empreendedores, transformando suas idéias em oportunidades de negócios. A organização da feira é feita de acordo com a realidade de cada região. Em alguns municípios, as es- colas se reúnem e promovem uma feira única, em outros, é realizada uma feira por escola. No entanto, o comum em todas elas é que os alunos bus- cam aproximar a simulação de seus projetos da realidade. É um momento de muita adrenalina e brilho nos olhos, quando os alu- nos tentam convencer os avaliadores de que o seu projeto é viável. Os

critérios empregados para selecionar os melhores projetos são: apresenta- ção e conhecimento do empreendimento, criatividade e inovação, atendi- mento ao cliente e marketing.

A premiação dos melhores planos de negócios tem mudado ao longo

do tempo. Já foram distribuídos livros, participação em seminários e até dinheiro. Em uma das avaliações periódicas realizadas pela coordenação do projeto, foi detectada uma dificuldade comum a todas as escolas: fal- ta de recursos para os projetos apresentados na Feira do Empreendedor.

A saída encontrada foi estimular os alunos a procurar empresas locais para

obtenção dos recursos necessários.

A Tabela 1 mostra o número de feiras realizadas, projetos apresentados

e prêmios concedidos entre 2001 e 2003.

SEMEANDO O EMPREENDEDORISMO NA ESCOLA – SEBRAE/CE

TABELA 1: NÚMERO DE FEIRAS, PROJETOS E PRÊMIOS POR ANO

PERÍODO

FEIRAS

PROJETOS

PRÊMIOS

2001

15

119

22

2002

61

683

69

2003

72

768

23

(1)

1 A premiação em 2003 foi realizada por região. Fonte: Relatórios de acompanhamento do projeto 2001 a 2003 – SEBRAE/CE.

VISIBILIDADE NACIONAL

O Projeto Empreendedorismo na Escola passou a ter visibilidade nacio- nal em junho de 2002, quando foi selecionado pelo Instituto Ayrton

Senna, dentre 26 projetos inscritos pelas escolas de todo o Brasil, para

participar em Belo Horizonte do programa Sua Escola a 2000 por Hora, que tinha como objetivo disseminar práticas e conhecimentos construídos pelas escolas. O Liceu Messejana, representado pela professora Amália

Barreto e pela estudante Maria de Cássia, fez um relato sobre a implanta- ção do projeto na escola. Segundo a estudante Maria de Cássia, que hoje coordena oficinas de papel reciclado em sua comunidade: “Muitas empresas não aceitam jo- vens, pois eles não têm experiência em trabalho; mas com este projeto já podemos nos apresentar e ter um diferencial”. De acordo com a professora Amália Barreto: “O projeto é uma inicia- ção profissional, inovadora e gratificante; faz com que os jovens passem

só assim acredito no verdadeiro

da desigualdade social para a igualdade processo educativo”.

OS FRUTOS COLHIDOS COM O PROJETO

E m 2003, em função da disseminação do Projeto Empreendedorismo na Escola em todo o Estado do Ceará, procurou-se a parceria de ou-

tras secretarias de governo com o objetivo de contribuir nas ações de coordenação, desenvolvimento e avaliação. Passaram a integrar a nova rede de parceiros: Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado do Ceará (Sede/CE), Secretaria de Trabalho e Empreendedorismo do Es- tado do Ceará (Sete/CE) e Secretaria de Esportes e Juventude do Estado do Ceará (Sejuv).

EMPREENDEDORISMO SOCIAL E CIDADANIA

Como resultado das ações iniciadas em 2001, o projeto capacitou durante este período 10.511 alunos de 115 escolas, envolvendo 70 municípios de todo o Estado do Ceará. A Tabela 2 apresenta esses dados.

TABELA 2: NÚMERO ESCOLAS, ALUNOS E MUNICÍPIOS ATENDIDOS POR SEMINÁRIOS E CURSOS REALIZADOS

Ano

Treinamento

Total

Municípios

Escolas

Total de

de alunos

atendidos

treinamento

 

Seminários de

827

17

33

33

2001

sensibilização

 

Iniciação

827

17

33

33

empreendedora

 

Seminários de

4.809

70

115

202

2002

sensibilização

 

Iniciação

4.809

70

115

202

empreendedora

 

Seminários de

4.875

64

108

108

2003

sensibilização

 

Iniciação

4.875

64

108

195

empreendedora

Fonte: Relatórios de acompanhamento do projeto 2001 a 2003 – SEBRAE/CE.

Somados a esses números, outros resultados de cunho qualitativo fo- ram identificados por meio de uma pesquisa de impacto sobre o projeto

em 2003, realizada pelo Instituto do Desenvolvimento do Trabalho (IDT). Foram pesquisados 408 alunos, de um universo de 5.636 distribuídos em

30 escolas por todo o Estado do Ceará.

Inicialmente, uma análise dos dados levantados nessa pesquisa re- velou que, do total de entrevistados, 64,95% considerou o projeto exce- lente, 33,58%, bom e 1,47%, regular. O público-alvo do Projeto Empreendedorismo na Escola é constituído por jovens na faixa etária de

15 a 19 anos, com a predominância do público feminino – 64% do uni-

verso analisado. Do total de alunos entrevistados (408), foram levantados os indicado- res de resultado apresentados na Tabela 3.

SEMEANDO O EMPREENDEDORISMO NA ESCOLA – SEBRAE/CE

TABELA 3: RESULTADOS DO PROJETO EMPREENDEDORISMO NA ESCOLA

RESULTADOS

VALOR (EM % )

Melhoria da auto-estima

95,36

Maior interesse nas atividades escolares

77,71

Melhoria nas relações familiares

54,80

Interesse em abrir um negócio

84,07

Projeto para o futuro

85,29

Fonte: Pesquisa de impacto – IDT/2003.

Esses dados mostram uma mudança de atitude nos jovens depois de participarem do Projeto Empreendedorismo na Escola, que contribuiu para reverter a situação anterior de apatia, desinteresse nas atividades es- colares e baixa auto-estima. De acordo com outra pesquisa realizada pelo Projeto Juventude/Insti- tuto Cidadania, com a parceria do Instituto Hospitalidade e do SEBRAE,

os jovens brasileiros na faixa etária entre 15 e 24 anos, em sua maioria

(68%), nunca pensaram em fazer algum trabalho social ou abrir empresas.

O Projeto Empreendedorismo na Escola contribuiu para estimulá-los a

pensar sobre seu futuro profissional e incentivou a abertura de pequenas empresas, na medida em que 84,07% dos alunos do universo pesquisado

manifestaram interesse em abrir um negócio próprio e 85,29% já pen- savam num projeto para o futuro. A semente foi plantada, a árvore cresceu e começou a gerar frutos, como mostram os dados da Tabela 4, sobre os alunos que abriram peque- nos negócios nas suas comunidades.

EMPREENDEDORISMO SOCIAL E CIDADANIA

TABELA 4: ATIVIDADES REALIZADAS POR ALUNOS QUE PARTICIPARAM DO PROJETO EMPREENDEDORISMO NA ESCOLA

ESTUDANTE

ESCOLA

MUNICÍPIO

ATIVIDADE (1)

Fernando Rodrigues Teixeira

Alfredo Nunes

Acopiara

Coordena um grupo de 21 produtores rurais

de Melo

Ana Flávia Soares, Wellington da Silva Bernardo, Helena Chagas Freitas, Eliane Alves Barbosa, Natalie Widman e Jocasta Héreny Soares

Cel. Vírgílio Távora

Quixadá

Fabricação de doces e sanduíches de caju

Francisco Wanderson S. Araújo, Patrícia Aires Pedrosa, Francisco Diego Silva Bezerra, Luana Amélia P. Rodrigues e Darlan Oliveira da Silva

Cel. Virgílio Távora

Quixadá

Banda de música

César da Silva Cosmo, Francisco Evenaldo Vieira, Raimundo Alexandre, Manoel Aurisvan de Lima

Francisco Vieira

Quixadá

Artesanato com palito de picolé

Cavalcante

Carlos Antônio Magalhães, Luiz Thiago Pedrosa da Silva, Leandro Paz da Costa e Paulo George Gonçalves

Francisco Vieira

Quixadá

Venda de pulseiras e chaveiros de modelos variados

Cavalcante

Conceição Francismeiry Oliveira

Virgílio Correia Lima

Pereiro

Confecção de roupa íntima e bijuteria

Vládia Sheyla Alves Mendes

Virgílio Correia Lima

Pereiro

Confecção de roupa íntima e bijuteria

Fábio Estênio Andrade

Maria Antonieta Nunes

Fortaleza

Locadora de vídeo

Jimmy Gonçalves Ferreira

Ana Facó

Beberibe

Artesanato, pintura

e crochê

Drielle

José Valdo Ramos

Fortaleza

Confecção de roupas

Francisca Dilma Marques Cavalcante e Francisca Djene Marques

Governador Adauto

Massapê

Confecção de doces e bolos

Bezerra

Glaudenes Maria Braz Ricardo

Governador Adauto

Massapê

Perfumaria

Bezerra

1 As atividades são todas informais, realizadas pelos estudantes individualmente ou em grupo. Fonte: Relatórios de acompanhamento do projeto 2001 a 2003 – SEBRAE/CE.

SEMEANDO O EMPREENDEDORISMO NA ESCOLA – SEBRAE/CE

CONCLUSÃO

O s resultados obtidos pelo projeto mostram como a mudança de com- portamento dos jovens da escola pública pode proporcionar a reali-

zação de sonhos, a descoberta de potencialidades, favorecendo a sua inclusão como cidadãos na comunidade local. A realização do Projeto Empreendedorismo na Escola foi viabilizada pela parceria entre escola pública, governo do Estado, SEBRAE e Fajece. Como disse a secretária de Educação Básica do Estado do Ceará, Sofia Lerche Viei- ra: “É uma iniciativa que conta com muitos parceiros, que tornaram essa experiência possível e um exemplo para o Ceará e para o Brasil”. Plantar a semente do empreendedorismo nesse universo 2 de alunos con- tribui para a construção de uma nova mentalidade na sociedade cearense, porque muitos desses jovens exercerão funções de liderança nas suas comu- nidades. Um desafio que exigiu o envolvimento de outros atores sociais. Nes- se sentido, em 2004, além de trabalhar com o núcleo professor/aluno, que busca incentivar os alunos a desenvolver projetos de iniciação empreendedo- ra, o projeto pretende também trabalhar dois outros núcleos da comunidade escolar: a) gestão da escola – que tem como objetivo trabalhar com sua dire- ção para o desenvolvimento de iniciativas empreendedoras da escola para a sua comunidade; b) família/aluno – que também tem como objetivo desper- tar nos pais dos alunos que participam do projeto a cultura do empreende- dorismo. Para tanto, estão sendo planejados cursos que visam sensibilizar e envolver esses novos núcleos em ações empreendedoras. Manter acesa a chama do empreendedorismo na escola pública é, por- tanto, um compromisso a ser compartilhado pela rede de parceiros envol- vidos no projeto.

QUESTÕES PARA DISCUSSÃO

• O empreendedorismo é algo que se ensina ou a pessoa já nasce empreendedora?

• A disciplina de Empreendedorismo deveria ser obrigatória nas escolas?

• Quais as vantagens de trabalhar o empreendedorismo nos jovens?

• Que ações os parceiros devem empreender para garantir a continui- dade do Projeto Empreendedorismo na Escola?

AGRADECIMENTOS

Diretoria Executiva do SEBRAE/CE: Alci Porto Gurgel Júnior, José de Ribamar Félix Beleza, Sérgio de Souza Alcântara.

Coordenação Técnica: Maria Francineide Cavalcanti, Diva Mercedes Neide Souza, Cristine Satiro, Ana Parente, Cláudia Ramalho.

Colaboração: Amália Barreto, professora do Liceu Messejana; Isaac Coelho, diretor do Colégio Batista Santos Dumont; a estudante Drielle, da Escola José Valdo Ramos; Tereza Kátia Acioly Canamary, coordenadora estadual do Projeto Desenvolvendo Casos de Sucesso.

EDIÇÃO 2004

HISTÓRIAS DE SUCESSO – EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS