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Personal Trainer: o peso da profissão Demissão: o primeiro passo para uma nova direção Educação Física

Personal Trainer:

o peso da profissão

Demissão: o primeiro passo para uma nova direção

Educação Física

Escolar inspirando

uma cidade

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Palavra de ordem: planejar

Nessa edição vamos falar sobre algo que já deveria estar presente no pensamento de muitos profissionais: o planejamento. Em uma jornada é muito importante prever o próximo passo para não se perder e ser levado pela maré. Você, profissional, dever ser o dono de seu próprio destino. Muitos educadores físicos saem da faculdade olhando para um caminho rentável: ser personal trainer. Mas é essa a melhor opção? Como será seu futuro? Você irá se aposentar nessa mesma carreira? Se ainda não parou para pensar, talvez esse seja o momento. Isso mesmo, agora. O futuro não pode ser incerto quando o assunto é a sua vida profissional. A busca constante por conhecimento é ideal para que você fortaleça suas convicções e também abra o pensamento para outros possíveis caminhos. Até mesmo a demissão pode ser o empurrãozinho que faltava para essa guinada na sua carreira; justamente por isso, trazemos um artigo para que você saiba o que fazer e como se organizar caso a temida demissão apareça em seu caminho. Além disso, nós conversamos com o professor Ademir Testa que implantou em suas aulas um modelo que inspirou não apenas seus alunos, como toda a cidade de Bocaina, interior de São Paulo, a pensarem em Educação Física como sinônimo de qualidade de vida. Que tal se inspirar nessa história e promover você mesmo inspiração por meio de seu trabalho? Para você que está buscando uma especialização, temos uma dica: a natação terapêutica. Cerca de 24% da população brasileira é portadora de alguma deficiência, então, por que não saber cuidar melhor desse público tão grande? Essa edição é voltada para você, profissional que tem potencial, mas que está em busca de desenvolvimento constante para um crescimento profissional ainda maior. A dica é planejar e a Revista Negócio & Fitness Carreira quer te ajudar! Leia, inspire-se e saiba aonde seus passos te levarão. Boa leitura e até a próxima!

O conteúdo dos artigos é de responsabilidade de nossos colunistas, não expressando necessaria- mente a opinião da Negócio & Fitness Carreira.

PROFISSIONAIS - Conscientização na Educação Física Escolar

OPINIÃO - O estudo não pode acabar com a graduação

CARREIRA - Fui demitido e agora?

ENTREVISTA - Natação terapêutica: por que se especializar?

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PROFISSIONAIS - Conscientização na Educação Física Escolar OPINIÃO - O estudo não pode acabar com a

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Capa

Personal Trainer:

  • 20 prós e contras

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Capa Personal Trainer: 20 prós e contras REVISTA NEGÓCIO FITNESS CARREIRA

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PROFISSIONAIS

A Educação Física voltada par

P

Leonardo Brito

Através de seminários em sala de aula, alunos do interior de São P

Física no seu dia a dia. Tudo isso graças a um professor dedicado

Podemos apontar muitas situações de descon-

forto dentro das escolas públicas de todo Brasil.

Exemplos são citados por alguns professores de

Educação Física da rede pública e especialistas da

área, como falta de equipamento, local apropriado

para prática de esportes, verba governamental

para recursos tecnológicos no desenvolvimento de pesquisas escolares, entre outros percalços. Outra situação são professores que acreditam que a atividade física é somente focada em jogos com bola, de outro ponto de vista, estão alunos que en- xergam esta aula como um momento de diversão e bate-papo. Mas e as escolas que têm toda a estrutura, apoio da diretoria e material didático oferecido pelo governo, quais seriam as desculpas para não inovar no trabalho e acrescentar conteúdo na formação dos alunos so- bre a conscientização a respeito da qualidade de vida? Quem fala um pouco sobre isso é o professor Ademir Testa Junior, 27 anos, professor na Es- cola Estadual Capitão Henrique Montenegro, em Bocaina, interior de São Paulo. Ele desen- volveu nesta escola o projeto Movimento, Saúde e Qualidade de Vida: a Educação Física na Escola,

PROFISSIONAIS A Educação Física voltada par P Leonardo Brito Através de seminários em sala de aula,
PROFISSIONAIS A Educação Física voltada par P Leonardo Brito Através de seminários em sala de aula,
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PROFISSIONAIS A Educação Física voltada par P Leonardo Brito Através de seminários em sala de aula,

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a a vida

aulo conseguiram entender a real função da Educação

Fotos: Fundação Victor Civita/ Divulgação

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a a vida aulo conseguiram entender a real função da Educação Fotos: Fundação Victor Civita/ Divulgação

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PROFISSIONAIS

iniciativa que foi reconhecida pelo Prêmio Vic- tor Civita Educador Nota 10, em 2009, premia- ção que identifica os melhores professores e gestores na prática da Educação Física escolar. “Quando cheguei nessa escola as aulas de Educação Física eram encaradas como um op- ção de lazer e recreação. Então, pensei em um projeto que levasse para eles (alunos) a cons- ciência da prática de exercícios físicos”, conta Ademir. A partir dessa realidade, o educador físico apresentou o projeto para os alunos das turmas de quinto a nono ano em 2006, e dis- se que a finalidade dele não era tornar as aulas puramente teóricas, sem a presença da prática e movimentação que a disciplina proporciona. Através da promoção para entender as diversas opções de movimentação do corpo, os alunos iriam entender o porquê da atividade física ser importante e, consequentemente, promover uma maior qualidade de vida. “Inúmeros estudos apontam para inatividade na adolescência como um problema crônico. Minha ideia foi mostrar que movimentar o corpo é qualidade de vida e conservação da saúde. Apresentei em minhas

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PROFISSIONAIS iniciativa que foi reconhecida pelo Prêmio Vic- tor Civita Educador Nota 10 , em 2009,

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aulas, uma série de vivências como exercícios de alongamento, anaeróbico, ioga”, afirma.

Sedentarismo: aqui não!

Segundo Ademir, a ideia era tirar os alunos da

PROFISSIONAIS iniciativa que foi reconhecida pelo Prêmio Vic- tor Civita Educador Nota 10 , em 2009,
PROFISSIONAIS iniciativa que foi reconhecida pelo Prêmio Vic- tor Civita Educador Nota 10 , em 2009,

zona de conforto e revelar horizontes que tal- vez nenhum deles tivesse parado para pensar:

Por que estudar o movimento, flexibilidade,

alimentação e sedentarismo? “O grande desafio foi mudar o pensamento sobre as aulas teóricas e o sedentarismo habitual. Reconheço que há um espaço vazio entre a prática de exercícios na escola e a aplicação disto fora do ambiente escolar”, diz. Ademir baseou seu projeto em uma proposta de solução de problemas. Segundo ele, quando

temos desafios, a opção é tentar superá-los. Sen- do assim, se ele conseguisse levar a inatividade física para o ambiente escolar como um proble- ma na vida deles, muitos iriam levar isso como algo a ser resolvido. “Alguns passaram a praticar exercícios, muitos foram buscar academias e atividades que gostavam mais para se exerci- tarem, como futebol, vôlei, corrida e outros. Tenho o relato de alguns pais, cujos filhos pre- feriram ir à escola caminhando ou de bicicleta por influência das aulas”, explica. Ele constatou também que seria lógico muitos não se conta- giarem pela inovação; em seu levantamento, cerca de um terço dos alunos permaneceram no mesmo estado de inércia.

Gosto pelo estudo

O professor acredita que não quebrou ne- nhum tabu em relação a fazer os alunos estu- darem mais sobre a prática de exercícios físicos. Para o educador, muitos outros professores que concorreram ao prêmio mereciam tanto quanto ele, pois os projetos tinham objetivos diferentes – mas as finalidades eram as mesmas: educar de

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alimentação e sedentarismo? “O grande desafio foi mudar o pensamento sobre as aulas teóricas e o

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PROFISSIONAIS

uma forma diferente, que fizesse os alunos se apaixonarem pela disciplina. O maior resultado que o educador físico atribui ao seu projeto são os grupos de estudo que foram criados em 2007. Segundo Ademir, os alunos são os protagonistas de todo o conteúdo produzido e afirma que o resultado é próximo de uma qualidade acadêmica. “O objetivo foi ampliar os conhecimen- tos que norteiam o corpo humano em movimento, bem como compartilhar essas informações por meio de ações realizadas junto com outros alunos da escola, com a comunidade e até com outros edu- cadores físicos”, afirma Ademir. As aulas aconteciam fora do horário de aula, mas, nem por isso, os alunos se desanimavam ou deixa- vam de comparecer. Este grupo é um reflexo dos seminários propostos em aula. Os alunos pesquisavam sobre os assuntos e enquanto produziam a apresentação, Ademir já preparava as aulas práticas sobre o assunto. Para fixar o conteúdo na cabeça dos alunos, todo ano, após as apresentações dos trabalhos, todos eram convidados a compartilhar o que aprenderam em aula com a comunidade, nascendo a Ação Comu-

PROFISSIONAIS uma forma diferente, que fizesse os alunos se apaixonarem pela disciplina. O maior resultado que
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PROFISSIONAIS uma forma diferente, que fizesse os alunos se apaixonarem pela disciplina. O maior resultado que

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nitária.
nitária.

A escola contagiou toda a cidade

“Nenhum projeto pode ficar restrito aos muros da escolas, somente em ambiente es- colar. Por isso, fizemos uma avaliação física básica com a população de Bocaina.Era o melhor jeito de fazer os alunos aprenderem na prática”, revela o professor. Essa foi a ideia para solucionar dois objetivos: fazer os alu- nos não esquecerem o conteúdo e contagiar os moradores a se movimentarem também. Uma enorme corrente em prol da atividade física. “Quando o aluno verbaliza e consegue explicar o conteúdo para outra pessoa, signi- fica que ele aprendeu realmente”, acrescenta Testa. Um fenômeno inesperado pelo professor foi o envolvimento da prefeitura, que a partir da primeira iniciativa em 2007, deu apoio ao projeto, oferecendo recursos e divulgação a ação. Atualmente, o projeto saiu do âmbito escolar e virou um evento padronizado na

cidade.

Com o prêmio, o exemplo se expandiu

Ademir lembra que antes de ganhar o prê -

mio em 2009, ele havia tentado outras vezes e na hora que menos esperava, foi agraciado pelo reconhecimento do projeto. “Foi uma experiência fantástica. O prêmio acrescentou

na minha carreira profissional e na oportuni- dade de compartilhar tal conhecimento pelo país, por meio de palestras e levar alunos para apresentarem seus trabalhos”, explica. Com esse projeto, o professor transformou-o em uma tese do seu mestrado.

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Com o prêmio, o exemplo se expandiu Ademir lembra que antes de ganhar o prê -

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OPINIÃO

Me formei e agora?

  • V teúdo, porque estudou em uma instituição de

Você que acabou de se formar possivelmente

está com a sensação do dever cumprido? Saben-

do tudo e mais um pouco da área? Podendo ficar

agora um bom tempo sem reciclagem de con-

ensino renomada? A resposta é: Claro que não!!!

Infelizmente, esse é um equívoco que atrai a maioria dos formandos, quase sempre fruto de uma visão distorcida pelo cansaço da reta final de conclusão do curso ou mesmo pela falta de conhecimentos sobre os quais seriam as opções de educação continuada, planejamento ou es- truturação futura para a carreira profissional. Estamos vivendo em um mundo globalizado, onde o conhecimento técnico/científico avan- ça em uma velocidade nunca antes vista e, para buscar um lugar à sombra, o novo profissional precisa adquirir espaço no mercado de trabalho e na profissão às custas de conhecimentos assimi- lados, competências e habilidades diversificadas. Em consequência desse novo tempo e de um mercado cada dia mais competitivo, o perfil do profissional multitarefa se faz necessário. Sua formação deve ser dotada de novos conheci-

Os desafios propostos pelo dia a dia da profissão, demandam

que o educador físico continue sua formação. Mas como?

mentos e um constante processo de reciclagem. Atualmente, a relação de trabalho e seus con- ceitos passam por um processo de flexibilização e quebra de paradigmas sem precedentes. An- tes, os cursos formavam “professores” e agora “profissionais” de Educação Física. É uma sutil diferença de nomenclatura, mas, na prática, es- tabelece novas possibilidades de atuação mer- cadológica, pois temos agora, profissionais li- berais voltados para o empreendedorismo, que não dependem mais do emprego formal nem de subordinação ao chefe e ao salário mensal. Em virtude dessas mudanças, temos hoje no país

uma quantidade significativa de profissionais libe- rais que vivem exclusivamente de seus honorários e, por isso, são donos dos seus próprios negócios.

Quando começar?

Pensando na complementação da gradua- ção universitária, quando o novo profissional deve começar a escolha dos cursos de uma educação continuada? Na verdade, você já pode começar no curso da própria graduação. Temos bons exemplos dessa iniciativa, como o planejamento de turmas de ini-

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OPINIÃO Me formei e agora? V teúdo, porque estudou em uma instituição de Você que acabou

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OPINIÃO

ciação científica, por meio da qual, o acadêmico tem uma noção sobre a sua afinidade com o mundo científico. O interesse pela ciência revela-se naturalmente

-

-

7 - Formas de retorno do investimento. As principais dificuldades e armadilhas enfren- tadas pelos profissionais e graduandos no planeja- mento de suas carreiras:

com o passar do tempo em experiências de cam-

imaturidade profissional para o planejamento

po, testes em laboratórios, publicação de artigos,

da carreira;

magistério, mestrado, doutorado e pós-doutorado

falta de uma visão global da profissão e suas

stricto sensu.

-

-

-

-

tendências;

Além do viés científico, é preciso ter a mente aber-

limitação de tempo em sua jornada pessoal e

ta para outras alternativas ligadas ao mercado da

profissional;

Educação Física, por exemplo, as novas tendências

identificação de modelos ou mentores na trans-

na área de gestão, marketing, tecnologias na web e,

missão do conhecimento;

finalmente, a globalização do mundo moderno.

definição clara das opções; e

Dicas e opções para a especialização do profissio- nal de Educação Física:

falta de recursos financeiros. Por isso, fique atento:

1

- Escolha da área de concentração do conheci-

-

siga a indicação de ex-alunos da instituição,

confira o nível de graduação dos docentes que

mento humano.

2

- Nome da instituição, seu nível de excelência e

-

como critério objetivo de escolha;

reconhecimento.

estão ministrando as aulas efetivamente;

3

- Afinidade e empatia pessoal com o a disciplina

-

confira a quantidade de alunos por turma;

ou curso.

-

Informe-se sobre o custo do investimento e as

4

- Direcionamento previsto para a sua carreira.

formas de pagamento, bem como opção de finan-

5

- Tendências futuras da profissão.

ciamento ou bolsa;

6

- Custo financeiro e as opções de financiamento.

-

Avalie a sua disponibilidade de tempo e a carga ho-

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OPINIÃO

rária que esteja dentro das suas atividades profissionais e dedicação à família; No conceito de educação
rária que esteja dentro das suas atividades profissionais
e dedicação à família;
No conceito de educação continuada, a ideia central
é “nunca tarde demais para aprender”. Seja por meio
da convergência de novas ideias, atitudes, comporta-
mentos, habilidades. Nesse sentido, vale a pena adqui-
rir novos conhecimentos em workshops, seminários,
conferências, cursos de curto prazo, cursos online à
distância, uso da web etc.
Não há um padrão ou mesmo uma frequência espe-
cífica para o aprendizado continuado. O importante é
simplesmente buscar sempre aprender e somar novos
conhecimentos!
Como vimos neste artigo, o profissional da Educação
Física pode seguir a carreira acadêmica, partir para o
mercado de trabalho formal, empreender no negócio
individual, mas sempre buscando uma educação
continuada em prol do aperfeiçoamento profissional
na carreira.
Busque aprender em cursos presenciais. Aproveite o
conteúdo disponível nos sites especializados. Procure
a flexibilidade dos cursos de ensino a distância - EAD.
Que tal um curso no exterior? Em outros países, você
terá a vantagem de adquirir conhecimentos valiosos e
um novo idioma ao currículo. Como se diz: “Santo de
fora é que faz milagre”.
Finalizando essa exposição, segue a citação que re-
flete bem a questão da educação continuada na cons-
trução de sua carreira e o desafio para toda uma vida:
“A limitação é inerente à condição humana. Vencê-la é
um desafio permanente”. Boa sorte e sucesso!
Fausto Arantes Porto
Graduado em Educação Física pela UCB-DF
Pós-Graduação em Fisiologia do Exercício
Autor da obra Como Montar um Centro de Treinamento Personalizado –
SEBRAE
Sócio Fundador do Portal Saúde em Movimento
Diretor de Conteúdo do Portal EFBR (Educação Física Brasil)
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CAPA

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CAPA REVISTA NEGÓCIO FITNESS CARREIRA

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Personal trainer: a opção de muitos. Mas é a melhor?

Por que a maioria dos formandos sai da faculdade pensando

em seguir carreira como personal trainer? Quais são os prós e

A A carreira como personal trainer acaba sendo

os contras da profissão?

Laís Rosa

a opção de muitos educadores físicos, mas por

quê? “No cenário atual, em que as academias

não conseguem oferecer salários altos, pois a

folha de pagamento, normalmente, representa

50% dos custos e os profissionais de Educa- ção Física (que trabalham nessas academias) ainda não estão conseguindo remunerações satisfatórias; a carreira como personal trainer aparece como uma oportunidade de conseguir melhores salários”, afirma Kenny Castro, edu- cador físico que atuou 15 anos como personal e hoje, trabalha com Marketing e Gestão para profissionais do fitness. Tal como afirma Castro, Ana Carolina Gomes, acredita que jovens profissionais, assim como ela (Ana tem 23 anos e atua na área há um) aca- bam saindo da faculdade, vislumbrados com a chance de ganhar mais atuando como personal trainers. “O valor da hora/aula como personal é muito superior, não dá para comparar ao que se ganha dentro de uma sala de musculação. Você trabalha apenas uma hora com o aluno, ganha um valor muito mais alto e consegue dar várias

aulas nesse mesmo esquema, diferentemente do que você poderia fazer dando aula em uma academia”. De acordo com Luiz Domingues Filho, autor do livro Manual do Personal Trainer Brasileiro, os prós não param por aí. “Temos reconheci- mento positivo da sociedade e de outros profis- sionais da (área da) saúde. Podemos trabalhar com horário agendando e um cliente por vez, o que favorece nos resultados almejados e na fidelização; além de longevidade no trabalho, melhor organização administrativa e network”. A questão que ainda precisa ser levada em consideração pelos jovens profissionais é que toda moeda tem dois lados e o sucesso de hoje deve ser perpetuado com base em planejamen- to. “Para trabalhar nesse ramo e ser autônomo, o planejamento de carreira é de extrema impor- tância para os meses chamados de baixa”, afirma o personal Gabriel Baú. Para ele, é importante que o profissional busque outros conhecimen- tos que agreguem em sua empreitada e permi- tam, efetivamente, planejar o futuro. “O ideal, é que o educador físico, logo após se formar,

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Personal trainer: a opção de muitos. Mas é a melhor? Por que a maioria dos formandos

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busque ter um auxílio no que diz respeito à gestão de carreira, à prospecção e ao planeja- mento financeiro e de gestão pessoal. Essas são habilidades que ficam muito a desejar nas fa- culdades, muitas sequer trabalham isso, eu, por exemplo, não tive isso na faculdade. Conversar com pessoas experientes ajuda e muito, pessoas que querem somar, trabalhar em conjunto, pen- sando na classe, não só em si. Tudo é válido”. Ana, exemplifica a importância de analisar a área em que está atuando e conseguir enxergar de maneira distinta que nem tudo o que é bom hoje, vai ser da mesma forma amanhã. “Eu gos- to bastante de ser personal. Acho ótimo, porque como você trabalha diretamente com o aluno, ele acaba te questionando muito mais do que um aluno da academia questionaria. Então, você se ‘obriga’ a buscar mais conhecimento, o que para mim, como profissional, é muito bom. Para meu futuro próximo, pretendo trabalhar só como personal, porque atualmente, trabalho também em academia”. No entanto, segundo ela, por mais gratificante que seja a profissão, ter um plano B também deve fazer parte da

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CAPA busque ter um auxílio no que diz respeito à gestão de carreira, à prospecção e

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gestão de carreira para quem decidir seguir na área. “Acredito que em qualquer profissão, o conhecimento é a prioridade, por isso, é sem- pre importante buscar coisas novas e ampliar nossos horizontes. Mas mesmo com seu conhe- cimento e experiência, você tem que ver que bem ou mal, na nossa área, na hora de contratar um personal, a pessoa se deixa influenciar pela aparência física. No meu caso, sou jovem e acre-

dito que posso trabalhar na área por bons anos ainda, mas não me vejo aposentada como per- sonal e também nem quero. Espero fazer outras coisas, empreender em novos projetos dentro da Educação Física, mas não apenas como per- sonal. E acho que é sempre importante você ter uma segunda opção, algo que você queira fazer mais para frente. Porque, pelo menos no meu modo de ver as coisas, o fator idade complica

um pouco na nossa área”. Para Gabriel Baú, a aposentadoria pode sim, ser cogitada, mas ter outros planos também deve fazer parte do pensamento do personal trainer. “O que percebemos é que o profissional não atua muito tempo nesta área por cansaço, nem tanto físico, mas sim, psicológico. Por isso, devemos fazer planejamento anual, com uma perspectiva para daqui a cinco ou dez anos e correr atrás dos nossos sonhos para torná-los realidade”. O consultor Kenny Castro aborda o tema aposentadoria de outra forma. “Por ser uma pro- fissão relativamente nova, tem cerca de 20 anos, não temos muitos profissionais com idades tão altas. Mas já existem personal trainers com mais de cinquenta anos bastante atuantes no mercado, então acho que podemos sim, aposentar como personal. Mas se você quiser seguir a carreira e viver desta profissão, deve focar todos seus esforços nela”. Seguindo a linha de pensamento de Castro, Domingues Filho, que trabalha há 22 anos como personal, acredita que o corpo não é o fator mais relevante na atuação do profissional. “Claro que podemos nos aposentar como perso-

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dito que posso trabalhar na área por bons anos ainda, mas não me vejo aposentada como

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CAPA

nal trainers e esse talvez, seja o trunfo da nossa carreira. Lidamos com pessoas e elas também envelhecem e mudam os objetivos com o passar dos anos. O corpo não é muito importante para o nosso trabalho, mas sim a segurança, confiança e comprometimento que passamos aos clientes”. Mas fora do quesito aposentadoria, todos concordam e dão uma única dica para você, que está na área ou quer segui-la: planejar. Kenny Castro, que também oferece cursos e palestras para quem está nessa área, afirma que nesses en- contros, as principais dúvidas apresentadas pelos profissionais são: “Como conseguir estabilidade financeira; como aumentar o valor da hora/aula; e como fidelizar e conquistar mais clientes”. Adquirir estabilidade, mesmo em uma área com períodos de baixa, tem a ver com saber

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CAPA nal trainers e esse talvez, seja o trunfo da nossa carreira. Lidamos com pessoas e

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administrar sua carreira e entender os clientes. “Planejamento, foco, conhecimento em ma-

... são alguns dos conhecimentos que os personal trainers têm que desenvolver”, conclui Castro. Luiz Domingues Filho, eleito o melhor Perso- nal Trainer de 2012, pela Sociedade Brasileira de Personal Trainers, atribui também alguns outros quesitos como a chave para seu sucesso:

rketing, gestão de resultados, vendas

esses

“Acreditar sempre no que faço - convicção; não apenas ter as ideias, mas criar formas de colocá- -las em prática - ser uma fonte de benefícios e soluções para o cliente; nunca me acomodar profissionalmente - atualização constante; levar o trabalho e a carreira a sério; ser ambicioso; ter disciplina; criar metas – conquistas; e ter tempo para mim”.

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CARREIRA

Enfrentado o dia seguinte - O q

  • M daria para escrever um livro). No caso específi- co após a demissão, você precisa, se não o tem, criar o hábito de economizar. As pesquisas mostram que nós temos a tendência de gastar com coisas muito supérfluas, principalmente, se temos o dinheiro em espécie no bolso. O há- bito da economia é um fator importante se você deseja independência financeira. 2. Comece a trabalhar já no primeiro dia após a demissão. Como!? Buscar um novo emprego é um trabalho. E começa pelo seu currículo.

Muitas pessoas se desesperam ou ficam extre-

mamente tristes e deprimidas após uma demis-

são. Demissão efetivada, é página virada. Agora

o que fazer?

Uma das coisas mais importantes é obter o

apoio das pessoas que moram com você. Se for

sua família direta, terá que obter apoio e todos deverão se compromissar com esta nova fase, até que seja efetuada a sua volta ao mercado. Se mora com amigos, o jogo terá que ser aberto e continua válido o apoio e o compromisso entre vocês, e, se mora sozinho, terá que ter discipli- na, vontade e coragem para que o seu próprio compromisso não vá por água abaixo. Mas qual é este compromisso? Reprograma- ção de vida! Você não pode precisar quanto tempo demorará para conseguir um novo em- prego, portanto, alguns hábitos precisarão ser mudados.

Vamos a algumas dicas práticas:

1. Economize. Embora isto já devesse fazer parte do seu padrão de vida (e só este ponto,

Recebo milhares de currículos e posso garan- tir que a grande maioria deles é só mais um em meio a uma multidão. Um bom currículo tem que chamar a atenção do recrutador, com informações fidedignas e consistentes. Sem en-

... para qualquer lado você tem que mirar. Cuida- do com o que escreve em seus objetivos. Um bom planejamento de trabalho pós-demissão responde o porquê muitas pessoas não obtêm resultados enviando seus currículos. Não es- queça: buscar uma nova posição é expor sua imagem ao mercado, então cuidado com o seu

rolação. Tenha foco nesta busca

até para atirar

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CARREIRA Enfrentado o dia seguinte - O q M daria para escrever um livro). No caso

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ue fazer após sua demissão?

O Portal N&F traz para você um artigo especial sobre recolocação profissional! Vale a pena conferir e praticar marketing em sua carreira!

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5 de 12 ue fazer após sua demissão? O Portal N&F traz para você um artigo

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maior patrimônio.

  • 3. Faça networking. Tal como o hábito da eco-

nomia, você deveria ter isto incorporado ao seu dia a dia. Há pessoas que só procuram as outras

quando precisam e nunca se fazem presentes. Nós estamos em uma era de redes sociais e as conexões devem ser de interesses comuns e não interesseiras. Preze pela qualidade da rede de contatos e não pela quantidade. O que vale ter mil amigos no Facebook, por exemplo, se não há nenhum com quem você possa contar?

  • 4. Crie alternativas. Talvez, voltar para o mer-

cado não seja o seu objetivo, ou, em razão de

seus compromissos, você queira fazer outra

coisa. Então, pense em novas alternativas, em novos projetos, não esquecendo a palavrinha mágica chamada: planejamento. Muitas pesso- as não fazem planos consistentes e fundamenta-

... mações colhidas e já saem “realizando” e depois

dos

fazem “planejação” - meia dúzia de infor-

se perguntam: Mas por que não deu certo? Criar alternativas significa usar a criatividade, desafiar seus padrões mentais e estar atento às oportunidades.

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CARREIRA maior patrimônio. 3. Faça networking. Tal como o hábito da eco- nomia, você deveria ter

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Acredito que estes quatro fatores, bem pen-

sados e estudados, contribuirão para que esta fase seja superada de forma bem suave. Não coloque medos na sua mente, confie em você mesmo, tenha uma postura vitoriosa, não fique dando detalhes da sua demissão para ninguém. A página foi virada e, por isso, é importante enfrentar o dia seguinte com a cabeça erguida e sorriso no rosto. Quem acredita na abundância do Universo, sabe que tudo o que acontece em nossas vidas tem um significado e um sentido e

sempre nos leva ao melhor.

Madalena Carvalho

Consultora, palestrante e conferen -

cista. Formada em Administração de Empresas e Pós-graduada em Recursos

Humanos, pela Escola Superior de Administração de Negócios (ESAN/ FEI-SP).

<consultora@carvalholima.com>

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ENTREVISTA

Seja um profissional acolhedo

Independentemente da sua trilha profissional como Educador Físico

N

No Brasil, 24% da população é portadora de alguma

deficiência, cerca de 46 milhões de pessoas, segundo

dados do CENSO 2010 realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Eventos esportivos como as paraolimpíadas e o parapan-americanos, em que o Brasil foi primeiro lugar na última edição em Gua- dalajara em 2011, revelam como o mercado necessita de profissionais habilitados para auxiliar nos treinamentos.

portadoras de deficiência dentro das atividades físicas e esportivas

Leonardo Brito

E existem diversas áreas de atuação, uma delas é a capa- citação e reabilitação de portadores de deficiência. Para apresentar uma dessas opções de trabalho com pessoas deficientes, apresentamos aos educadores físi- cos, a natação terapêutica adaptada. Para explicar melhor essa área conversamos com Ricardo José Elias, 45 anos, professor há 20, especialista em natação terapêutica adaptada e terapia watsu.

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ENTREVISTA Seja um profissional acolhedo Independentemente da sua trilha profissional como Educador Físico N No Brasil,

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, lembre-se que se faz necessário uma atenção com as pessoas

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r , lembre-se que se faz necessário uma atenção com as pessoas REVISTA NEGÓCIO FITNESS CARREIRA

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ENTREVISTA

N&F: O que é natação terapêutica? Ricardo: Na escola Takeda, ela tem um enfoque multidisciplinar. Desenvolvemos uma avaliação fisioterápica feita pela equipe de fisioterapia que avalia todos os nossos alunos e pacientes. Os alunos, nós avaliamos não só para ver a condição física, como os relatos de dores ou sequelas de algum trauma. Com relação ao pessoal que é pa- ciente, avaliamos a melhor técnica a ser utilizada da hidroterapia ou na fisioterapia de solo. Então, quando o trabalho é unificado, trabalhamos da seguinte maneira: os alunos ou pacientes que são liberados para fazer a natação terapêutica já entram preparados para nadar, só que devido suas particularidades, iremos exigir uma aula indivi- dual no que diz respeito ao problema da pessoa. Então, o aluno que está liberado para praticar tal atividade, é em razão de ser melhor para auxiliar em seu tratamento fisioterápico. No entanto, ela é uma natação igual as outras com um olhar di- ferenciado e na Takeda ela é aplicada de maneira individualizada, para termos uma sensibilidade maior com o aluno ou paciente. N&F Carreira: Como a Takeda aperfeiçoou a

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ENTREVISTA N&F: O que é natação terapêutica? Ricardo: Na escola Takeda, ela tem um enfoque multidisciplinar.

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natação terapêutica? Ricardo: A Takeda começou como escola de natação, mas já trabalhando com a fisioterapia de solo e RPG. Depois foi criado um protocolo de avaliação fisioterápica para todos os trabalhos:

natação e fisioterapia; unificando todos e os trabalhos multidisciplinares gradativamente. E, se inovamos foi em abrir o leque de atendimen- tos. Quando se pensa em natação terapêutica ou adaptada que no final tem a mesma função, não focamos nosso público somente em pessoas por- tadoras de necessidades especiais; existem muitas pessoas que tem dores e sequelas que necessitam

também de um tratamento especial dentro da piscina. Sempre visamos avaliar o aluno na sua condição médi- ca e física, pois anteriormente, nas escolas de natação, a única avaliação focada era a médica. Porém, muitas vezes, é na avaliação postural global que vamos conhe- cer as limitações físicas do indivíduo. N&F Carreira: Para os educadores físicos que tem interesse em fazer esse curso, quais são os pré requisitos? Ricardo: Como atualmente nas faculdades já existe na grade curricular a disciplina voltada para Educação Física especial ou adaptada, muitos profissionais já vêm para nossa escola com o conhecimento sobre a

área, o que facilita o trabalho. O que oferecemos aos educadores físicos que se inscrevem para fazer o curso é apresentar a prática. A única parte teórica oferecida é o aprofundamento nas áreas psicológicas, mecânicas e fisiológicas do nosso público. O que talvez oferece- mos, e que não é enfatizado na graduação, é a questão da natação adaptada. Trabalhamos mais as questões humanas de se relacionar com esse público. Por exem- plo, se a pessoa tem síndrome de down, é amputada, para ou tetraplégico, ou se ela tem só um problema lombar, ou de problemas nas costas entre outros casos. Mas para a realização do curso, ele (profissional) deve ter afinidade e já ter dado aula de natação, para que já conheça o processo pedagógico e a didática da área. N&F Carreira: Quem são os clientes que usufruem desse serviço? Ricardo: Em sua grande maioria, a procura é pela fisioterapia e a hidroterapia; e depois da avaliação fisioterápica podem ser encaminhados para as sessões de natação terapeuta isso equiva- le a 80% do nosso público. Os outros 20%, são indicações de médicos que conhecem nosso trabalho e pessoas que indicam. N&F Carreira: Quem se forma nesse curso

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também de um tratamento especial dentro da piscina. Sempre visamos avaliar o aluno na sua condição

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desenvolve esse trabalho na escola ou tem mer- cado para o segmento? Ricardo: Normalmente, temos no protocolo do curso, que eles participem de algumas aulas da escola. Por exemplo, no último curso que apli- camos cerca de três anos atrás, percebemos com o tempo, que era necessário agregar e misturar as áreas de Fisioterapia e Educação Física. Basea- dos nisso, utilizamos o conceito de “Halliwick” – método desenvolvido por James Mc Millan em 1949 na escola Halliwick, em Londres, cuja pro- posta era auxiliar pessoas com problemas físicos a se tornarem mais independentes para nadar. N&F Carreira: Quais os prós e contras do profissional se especializar nessa área?

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ENTREVISTA desenvolve esse trabalho na escola ou tem mer- cado para o segmento? Ricardo: Normalmente, temos

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Ricardo: Eu acho que depende do local em que trabalha. Algumas academias trabalham com fisioterapeutas e educadores físicos e a aplicação da natação terapêutica é baseada em uma das áreas somente, não vejo proble- mas. Mas na nossa escola, o conteúdo dessa modalidade tem que ser mesclado com essas áreas. Mas não vejo que tenha algo contra esse profissional especializado. E querendo ou não, especializações abrem portas, ainda mais se são carentes no mercado. Eu, por exemplo, por ter seguido tal segmento, já recebi muitas propostas em hotéis, outras academias, clubes e também para montar um curso somente sobre a área em determinada empresa.

N&F Carreira: A aula de natação terapêutica atende a todos os públicos ou tem especializa- ção para público? Ricardo: Atendemos e acolhemos a todos, e começamos desde cedo, a partir dos dois meses de idade na fisioterapia e na natação para traba- lhar função respiratória, por exemplo. E qual se- ria nossa idade limite? Não temos idade limite. Atendemos a todos que nos procuram com al- guma necessidade. Só os casos particulares que não deixamos fazer a aula, por exemplo, pessoas com enfisema na pele, ulcerações, pressão mui- to alta – pois chegando na água aquecida a pele dilata muito e causa variações. N&F Carreira: Qual é a experiência dos profes-

sores que se interessam pelo curso, quem são eles? Ricardo: Na grande maioria, são pessoas que tra- balham com natação em cursos particulares, clubes e escolas de natação. Muitos estudantes que gostam tanto da área aquática, quanto da área ocupacional. N&F Carreira: Como é possível agregar tanto conteúdo em 25 horas (carga horária do curso)? Parece ser muita coisa em pouco tempo, como conciliar prática e teoria? Ricardo: É tudo junto, temos que somar as áreas para alcançar a natação terapêutica, mes- mo sendo uma curso de atividade aquática e tendo toda a técnica envolvida, a sensibilidade é o carro-chefe do curso. No envolvimento com os bebês, por exemplo, ensinamos que não da-

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N&F Carreira: A aula de natação terapêutica atende a todos os públicos ou tem especializa- ção

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mos aula, pois eles se expressam livremente na água. A técnica não tem tanto fundamento para o bebê, conforme esse ser humano vai crescen- do é que vamos dando o suporte e implantando a técnica; sendo assim, no nosso curso, prioriza- mos também a vivência e o contato com todas as idades. N&F Carreira: Quais são suas dicas e con- siderações para os profissionais que querem conhecer esse trabalho e se aprofundar nele? Ricardo: Eu vejo que a Educação Física pro- grediu muito, ela conseguiu agregar na graduação um conceito muito mais abrangente e específico. Atualmente, fico contente em ouvir de outros co- legas que conseguem integrar nas suas aulas, pelas disciplinas que aplicam nas escolas e faculdades,

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ENTREVISTA mos aula, pois eles se expressam livremente na água. A técnica não tem tanto fundamento

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pessoas portadoras de necessidades especiais. Meu recado para todos os profissionais que estão adentrando no mercado é se especializarem nesse grupo especial; pois, atualmente, são 15% da po- pulação ativa do nosso país, querendo ou não se faz necessário integrar a todos eles, seja na natação, no basquete, no futebol, hipismo e qualquer ou- tra atividade que os deficientes gostem de reali- zar. No entanto, acredito que deveria existir uma ação governamental para que essas modalidades com pessoas com necessidades especiais fossem mais difundidas nas escolas públicas, além de fortalecer as entidades privadas para trabalharem com a experiência que elas têm, promovendo o treinamento para o pessoal que tem menos experiência.

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