ROTEIRO PARA ELABORAÇÃO DO PROJETO DE PESQUISA

1. Delimitação do tema e justificativa
O tema do meu projeto de pesquisa será: As Grandes Corporações no contexto da Financeirização. Com esse tema pretendo entender como se deu o surgimento da grande empresa durante a passagem do século XIX para o século XX e o seu processo de modificação e diversificação ao longo dos séculos, resultando na grande empresa do século XXI inserida no cenário da Globalização Financeira.

2. Revisão bibliográfica (inclui referencial teórico e estado atual do debate)
Chandler, Alfred: Iniciei a leitura deste livro pelo capítulo 01: “Os primórdios da grande empresa na indústria norte-americana”. Nesse capítulo tem-se o surgimento da grande empresa no contexto da história dos Estados Unidos, argumentando que sua dinâmica está diretamente relacionada com o território, os recursos naturais e os modelos culturais do país. Observa-se a construção da inovação empresarial durante o século XIX, bem como o crescimento do mercado nacional e urbano, impulsionados pelo advento da eletricidade e do motor a combustão. Mas é o surgimento da ferrovia que o autor aponta ser o fator histórico mais importante no que diz respeito ao surgimento desse novo modelo de corporação. A análise se inicia no século XIX, com as principais indústrias a serviço da economia agrária, que constituía em pequenas firmas que adquiriam suas matérias-primas e vendiam seus produtos acabados no âmbito local. Para conseguirem produzir para mercados mais distantes era necessário a ajuda de intermediários, como agentes comissionados. Para se acabar com esses intermediários e expandir a venda de produtos para todo o território, foi necessário a mudança na forma de organização dessas empresas no início do século XX. Assim, as principais indústrias de bens de consumo passam a serem dominadas por umas poucas firmas que se haviam tornando grandes empresas verticalmente integradas e centralizadas. Surge então a grande empresa do século XX, organizadas verticalmente, no qual se tem vários departamentos integrados (como os departamentos de venda, compra e distribuição) a um central, responsável por administrar toda a empresa. Para exemplificar tais mudanças, o autor cita vários casos de empresas norte-americanas que se tornaram grandes corporações, como é o caso da Gustavus F. Swift, American Tabaco Company, Distillers Company, entre outras. Todos esses casos apontam para a concentração da produção, verticalização da empresa, a fim de reduzir os custos de transação e tornar a empresa mais eficiente; e para o surgimento da propaganda e da diferenciação dos produtos como formas de aumentar as vendas, o que ficou conhecido como formas de “concorrência mais moderna”. Por fim, o autor finaliza seu primeiro capitulo apontado o surgimento de mudanças nos métodos organizacionais e nas técnicas de comercialização, caracterizados por uma reação dos avanços tecnológicos surgidos no início do século XX. Tigre, Paulo Bastos: o artigo “Paradigmas Tecnológicos e Teorias Econômicas da Firma” tem o objetivo de analisar a teoria da firma sob o contexto histórico, institucional e tecnológico e aponta a evolução dessa teoria à luz das mudanças tecnológicas ocorridas em três paradigmas: Revolução Britânica, ocorrida durante o século XIX e foi base de observação e elaboração da Teoria Neoclássica, Modelo Fordista, que deu origem a Economia Industrial, e, por fim, o paradigma da Tecnologia da Informação, baseada principalmente nas correntes evolucionistas e neo-institucionalistas. O autor aponta a existência de três principais correntes teóricas que estudam a firma, sendo elas: neoclássica, organização industrial e evolucionista. O primeiro paradigma se refere à Revolução Britânica, responsável por dominar a economia mundial durante o século XIX com a introdução da Revolução Industrial. Nesse contexto surge a teoria neoclássica tradicional com o interesse em olhar a firma como uma “caixa -preta”, combinado fatores de produção disponíveis no mercado para produzir bens comercializáveis. Nesse sentido, o progresso tecnológico é especificamente para a produção, combinando fatores disponíveis no mercado, seja através de bens de capitais ou na forma de conhecimento dos trabalhadores. É nesse ponto que se fala da organização da empresa do século XIX sob o contexto de concorrência perfeita, racionalidade dos agentes e a maximização do lucro como principal objetivo das firmas. O segundo paradigma tecnológico se deu nos anos 20 do século XX com a introdução do modelo fordista de produção, abrindo um novo conceito de organização interna da firma e sua interação com o mercado, alterando a dinâmica de acumulação de capital, uma vez que há a passagem do capitalismo

É nesse momento que surge a microeletrônica. com a análise da evolução das teorias da firma e sua relação com paradigmas organizacionais distintos. Schumpeter e ideias transpostas da biologia evolucionista. Formulação do problema (e de hipóteses) Minha hipótese será: A semelhança dos Paradigmas Tecnológicos das Grandes Corporações. usarei os Recortes Históricos e farei uma análise comparativa da Grande Corporação inserida nos contextos dos séculos XIX. Como base para essa última analise. para a Alemanha e a França. Por alterações microeconômicas entendo como as modificações no processo de concorrência. Nesse capítulo pretendo apontar as grandes transformações ocorridas nas empresas familiares do século XIX e o ambiente histórico. bem como as alterações microeconômicas ocorridas na grande empresa durante a passagem dos séculos. formas de organização interna. o segundo princípio descarta a ideia de racionalidade invariante (ou substantiva) dos agentes econômicos. As empresas passaram por um novo processo de transformações.proprietário ao capitalismo gerencial. dos mercados e do cenário internacional. apontando os elementos que irei abordar ao longo da dissertação e o objetivo do trabalho. a pesar das modificações da organização interna da empresa. que enfatiza que as trajetórias que emergem de um paradigma tecno-econômico raramente são “naturais”. pretendo entender como se deu as mudanças de organização interna da grande corporação em cada passagem dos séculos. responsável pelo aumento tanto no volume quanto na velocidade da produção. XX e XXI. Por fim. 1997) foi o primeiro a resgatar a contribuição de Schumpeter no sentido de incorporar o progresso técnico como variável-chave do processo evolucionário da firma e do mercado. em menor escala. . processos e nas formas de organização da produção. 3. 6. Além disto. a pesar de grandes modificações ocorridas na grande empresa ao decorrer do tempo. E Nelson e Winter (1982) iniciaram uma linha de investigações apoiada em Simon. Como também teve a alteram na estrutura da Indústria devido à introdução da eletricidade. Metodologia (tipo de pesquisa e procedimentos metodológicos) Como metodologia. e o terceiro princípio se refere à propriedade de auto-organização da firma. o autor conclui que. 4. inovação. ocorre a busca por economias de escala e de escopo e redução dos custos de transação. no final do século XX no contexto da Globalização e da liberalização. alterando a situação do capitalismo industrial. tem-se a manutenção da inovação tecnológica como forma que as grandes empresas encontraram para se manter em um meio competitivo. E a visão neoinstitucionalista. Como objetivo específico. Objetivo geral e objetivos específicos Tenho como objetivo geral entender como ocorreu o surgimento da grande empresa e sua evolução ao longo dos séculos. a revolução nos meios de comunicação e transporte. impulsionadas apenas por fatores científicos e tecnológicos externos. 5. do motor a combustão e inovações organizacionais. no qual Freeman (1974. não existe um corpo teórico único e coerente. Com essa hipótese pretendo mostrar que. acumulação de capital e gestão da empresa. como resultado das flutuações do mercado. tendo a Tecnologias da Informação e Comunicação como um núcleo dinâmico de uma revolução tecnológica. Nesse sentido. se tem o paradigma da Tecnologia da Informação. objetivo analisar o contexto histórico. passando-se de pequenas empresas familiares para grandes corporações verticalmente integradas e concentradas. Tenho também a intenção de apontar as alterações dos objetivos e ações dos gestores diante das alterações microeconômicas e do contexto histórico. Tais inovações contribuíram para alterar o centro dinâmico do capitalismo para os Estados Unidos e. bem como entender o contexto do surgimento e da manutenção do processo tecnológico. O primeiro capítulo será responsável por descrever o surgimento da grande empresa no contexto da passagem do século XIX para o XX. Tem-se nesse contexto histórico. O Primeiro é que a dinâmica econômica é baseada em inovações em produtos. Essa linha aborda três princípios que podem ser destacados como chaves para entender as teorias evolucionistas. diversificação. fazendo com que muitos ramos da indústria se tornassem oligopolista. o autor aponta a Linha neo-schumpeteriana ou evolucionista. Sendo assim. Plano de redação Primeiramente pretendo fazer uma breve introdução sobre o assunto.

M. 1996. C.Hobson. capítulo 09 e 15. Editora da UNICAMP. janeiro a junho de 2005. Transformações Institucionais dos Sistemas Financeiros: um estudo comparado. 1º edição. 2006. É nesse momento que tenho a intenção de mostrar como no contexto do padrão dólar-ouro se deu a necessidade de modificações na empresa no sentido de tornar-se mais competitiva. A evolução do Capitalismo Moderno: Um estudo da Produção Mecanizada. . Cronograma de atividades Iniciei a leitura da bibliografia que contempla o conteúdo do primeiro capítulo no mês de setembro e pretendo terminar de ler o resto dos testos que contemplam a bibliografia ao longo do mês de outubro. apontar as mudanças ocorridas na forma de organização interna da empresa e na mentalidade dos gestores. e Cintra. No segundo capítulo farei uma análise dessa grande corporação do século XX no contexto internacional de Bretton Woods. Qualitymark Editora.Jensen.Utterback. . . São Paulo. 2011. editora Abril. dando destaque nas diferenças e nos pontos em comum. Maria Silvia. Revista Brasileira de Inovação.Tigre.Chandler. na conclusão. Rio de Janeiro. pretendo. Alfred. . Nesse capítulo. J. 1983. Campinas. a pesar de tantas mudanças ocorridas ao longo dos séculos.Possas. 7. Rio de Janeiro. tendo como principal objetivo mostrar a existência da manutenção de um paradigma tecnológico.Braga. tenho a intenção de fazer uma breve comparação entre as grandes empresas abordadas em cada capítulo. 1998. Rio de Janeiro. 2001. Rio de Janeiro. Por fim. No terceiro capítulo quero analisar as mudanças ocorridas na grande empresa entre a passagem do século XX para o XXI no contexto da Financeirização.Penrose. 187 – 223. . editora Campus. Dominando a Dinâmica da Inovação. (orgs). Paulo Bastos. Editora Record .responsáveis pela necessidade de mudança na forma de organização interna da empresa. 1998. volume 04. Michael. James M. levando ao surgimento de grandes corporações concentradas e verticalizadas. nº 01. J. Ensaios para uma teoria histórica da grande empresa. Produtivismo e especulação na gestão da riqueza: um estudo sobre EUA. p. fazendo. Tenho a intensão de iniciar o mês de novembro com toda bibliografia lida e seus conteúdos levantados. Paradigmas Tecnológicos e Teorias Econômicas da Firma. . principalmente. Rio de Janeiro. Notas acerca da lógica de decisão e de expansão da firma capitalista (falta informação). SP. no qual passam a direcionar seus esforços para suprir as necessidades do acionista. C. a fim de começar a organizar as ideias e esboçar a dissertação já no começo do mês. Capítulo 01. A. ao mesmo tempo. Estratégia: A busca da Vantagem competitiva. . John A. Japão e Alemanha. P. 8. São Paulo: Fapesp/Fundap. M. E. fechamentos e levantamentos dos pontos que serão abordados em minha dissertação e no Seminário a ser apresentado na disciplina Técnicas de Pesquisa. A Teoria do Crescimento da Firma. O mito dos mercados racionais. no contexto da globalização financeira. . . In Freitas. Referências bibliográficas e fontes . M. S. 6º edição.Fox.

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