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JOSÉ EMERSON MONTEIRO LACERDA

NOITES DE LUA CHEIA


(CRÔNICAS)

SOMBRA E LUZ
(ENSAIO)

Coleção NOSSOS ESCRITORES- Volume III


CRATO - CEARÁ

Senhor, o meu coração não se orgulha


que seca antes de ter crescido.
Nem os meus olhos são altivos;
não vou atrás das grandezas
nem dos prodígios que me excedam.
Ao contrário, aquieto e sossego a
minha alma,
como uma criança saciada no colo de
sua mãe;
como uma criança saciada,
assim está a minha alma dentro de
mim.
Israel, põe a tua esperança no Senhor,
desde agora e para sempre.

Salmo 131
SUMÁRIO
À GUISA DE PREFÁCIO
AÇÕES PESSOAIS
AGUARDAR O MELHOR
A PROPÓSITO DA SOBREVIVÊNCIA
BALANÇO DE LIQUIDAÇÃO
A BÊNÇÃO, LIBERDADE
BOI COTÓ NÃO ABANA RABO
AS CHANCES DO AMANHÃ
CRITÉRIOS QUALITATIVOS
A DEMOCRACIA DA IMPRENSA
EM BUSCA DO QUE ACHAR
A ERA DO DESPERDÍCIO
ESFORÇO EFICAZ
ESPELHOS, FITAS E BUGIGANGAS
A ESTAÇÃO DAS CHUVAS
O FASCÍNIO DO FUTURO
FAVAS CONTADAS
HORA DE SABER
A ILUSÃO DO AÇÚCAR
INTENÇÃO E COERÊNCIA
MÃE
MODA DE VIOLA
O MOMENTO ESPERADO
NEM TODA TAMPA SERIA PREMIADA
NOITES DE LUA CHEIA
OMISSÃO OU CUMPLICIDADE
O OUTONO DAS CIDADES
O PAI SUPERIOR
O POVO SABE DE SI
A QUESTÃO CARCERÁRIA
RETRATO FIEL
SINAIS DOS TEMPOS
O SOFISMA POLÍTICO
TEMPO DE RENOVAÇÃO
TRANSFORMAÇÕES
A VOZ E A PALAVRA
MUDAR DE LADO
DADOS PESSOAIS DO AUTOR
SOMBRA E LUZ
À GUISA DE PREFÁCIO

O Bancário, Advogado, Escritor, Sociólogo,


Antropólogo, e sobretudo o HOMEM - JOSÉ EMERSON
MONTEIRO LACERDA - não é um "Don Quixote de la Mancha",
que necessite de escudeiro ou pagem para realizar os projetos e
delírios oníricos do "Cavaleiro da Triste Figura", lutando contra
Moinhos de Vento ou desagravando todos injustiçados.
Também não é um debutante na arte do
"pulchrum dicendi et scribendi". Em assuntos de Literatura,
Direitos Humanos, Filosofia, Sociologia, pontifica "ex cathedra".
Não compreendo nem justifico, é óbvio, a sua
opção em me convidar para ser paraninfo do seu primogênito,
exatamente neste "hic et nunc" em que me encontro psicológica,
emocional e humanamente, numa exaustão física e na
turbulência da minha interioridade, com tantos afazeres e
preocupações. O imperativo categórico da distinção deferida tem
aquele estilo do dilema edipiano: - Se não aceitar o convite para
ser padrinho do meu Filho - NOITES DE LUA CHEIA - ele vai
morrer pagão.
- Então, Emerson, para que seu Filho viva, eu
tenho de morrer?
Já Pascal sentenciava que "o coração tem
razões que a própria Razão desconhece". Na proporção em que
eu ia lendo os originais do seu livro, ressuscitei ou acordei do
letargo em que me encontrava com o bailado de idéias, a
coreografia das sensações experimentadas e a indignação e
revolta pela tragédia dantesca da sociedade atual com as cores
vivas das lágrimas choradas, do sangue e suor do homem dos
nossos dias.
Caro Leitor, pare aqui mesmo!... Não vá
adiante. Consulte um cardiologista porque este Livro vai produzir
tanta adrenalina, descompassando o ritmo do seu coração ou
conturbando todo o seu psiquismo; é um vulção em ebulição,
cujas magmas incandescentes vão queimar a sua sensibilidade e
abalar a quietude e tranquilidade sensorial.
Se, porém, V. deseja e sonha despertar o seu
humanismo, a sua filantropia, a sua fé e solidariedade, suavize
as suas dores e faça uma transfusão de esperança, confiança e
coragem, continue na leitura, mas também na procura da sua
Em nossos dias, as dificuldades a vencer, os
problemas a resolver, as soluções dos enigmas a decifrar
crescem, agigantam-se e fortificam-se na proporção e dimensão
do nosso "EGO". A ousadia, a perversidade, a violência dos
maus, dos criminosos, dos tarados; o orgulho e prepotência dos
poderosos; a exploração dos ricos, dos marajás e dos nababos
são do tamanho da minha fraqueza, da minha covardia, da minha
inércia.
Lembraria como reforço do meu raciocínio o
desafio da ANTÍGONA ao rei Cleonte, tão bem movimentado,
jurídica e psicologiamente por Sófocles, que desfez todo aquele
bloco monolítico de autoridade do rei com a seguinte objurgatória
de quem se via condenada à morte: "Tu me condenas arrimado
nas leis feitas pelas mãos dos homens e eu me escudo nas leis
dos deuses gravadas no meu coração".
Alexandre Magno mandara trazer à sua
presença um pirata que saqueava os barcos de pescadores do
Mar Egeu, para condená-lo à morte. E o este, não com o
argumento das lágrimas que são o apanágio das crianças e das
mães, mas com voz forte e viril, gritou: - Eu sou ladrão e
condenado a morrer porque saqueei pequenas embarcações, e
Tu, Imperador, és coroado rei e divinizado porque invade e
domina províncias, mata os homens, escraviza as mulheres e
pilha todas as suas riquezas.
Padre Antônio Vieira, o sacro orador português,
em um dos seus imortais "Sermões" fez esta denúncia: "No
mesmo dia e hora em que um cônsul era proclamado herói e rei
de Roma, porque havia destruído uma província e dizimado a sua
população, seis ladrões de galinha eram enforcados."
O Lar de hoje é uma Torre de Babel, em que os
pais, filhos, irmãos falam línguas diferentes, porque os interesses
ou necessidades imperativas da sobrevivência, a volúpia do
enriquecimento fácil, as motivações exageradas do sexo, do
esporte e do "dolce farniente" criaram ou determinaram a
Diáspora da Família.
Há mais casas de manicures, de especialistas
em plástica, massagens, mais motéis e salões de bailes e
danças eróticas do que escolas, hospitais, faculdades. Os jovens
dagora consomem mais tempo e empolgação à frente de vídeo-
games, diante da televisão, nas variadas modalidades de luta, do
que debruçados sobre os livros ou laboratórios. O Governo
dispende três vezes mais com um criminoso aprisionado do que
com um universitário. Nos lares, há mais gastos de dinheiro em
cosmético e todos os produtos de embelezamento,
emagrecimento, do que em alimentos. Nesta sociedade de
Os objetivos maiores dos políticos, dos
administradores ou de todos aqueles que desempenham uma
função econômica não são de promover a pessoa humana ou
criar condições de desenvolver a cultura, o bem-estar e
tranquilidade social, a segurança pessoal, minorar a fome ou
debelar as causas da mortalidade infantil e diminuir a
criminalidade, mas de se locupletarem e se enriquecerem com
aquelas verbas ou dotações orçamentárias destinadas ou
anunciadas para combater a fome, promover a educação, a
produção agrícola, construção de casas populares, de hospitais
ou debelar doenças endêmicas ou carenciais.
O operário que constrói arranha-céus, ricas e
luxuosas mansões, hospitais, universidades, fábricas,
automóveis, moram nos barracos do morro ou nas palafitas; sua
mulher e filhos, horas e dias seguidos aguardam numa fila para
serem atendidos por um médico; filhos analfabetos, e ele sem
possuir nem uma bicicleta para chegar ao trabalho.
Cristo foi vendido por trinta dinheiros,
equivalentes a trinta salários mínimos. O operário brasileiro, o
bóia-fria, o pau-de-arara, o nordestino é simplesmente uma peça
da grande máquina do Capitalismo desumano, ou a matéria-
prima que é triturada no rolo compressor da ganência. Em uma
usina de açúcar de Pernambuco, denunciou D. Hélder Câmara
que um operário teve o seu braço direito esmagado nas
engrenagens metálicas.
O patrão não tomou nenhuma providência para
interná-lo num hospital e dar-lhe condições de recuperação nem
o salário a que tinha direito esposa e filhos, que estavam à
míngua. Foram os próprios colegas de trabalho que, com o
sacrifício do pouco, repetiram o milagre de repartir o pão. Há o
pão que se divide e o pão que divide. O primeiro é cristão.
Quando o homem mutilado voltou à usina para
reassumir as suas funções, o patrão, com todo sadismo e frieza,
disse-lhe:
- Volte para casa e, quando seu braço crescer,
eu lhe dou trabalho.
A filosofia do Capitalismo bárbaro é de que "não
se pode fazer omelete sem quebrar ovos", o que equivale, na
interpretação realista dos patrões, a "não se puder produzir
riqueza sem matar o operário". O Deus capitalista, do politiqueiro,
da maioria dos escritores, professores e tantos outros
"quejandos", é escrito assim: dEUs.
NOITES DE LUA CHEIA não é um livro-
passatempo, de devaneios líricos ou de enlevo literário. É um
livro-radiografia, que codaquiza ou estereotipa toda inquietude e
turbulência anímica, psicológica, sentimental, emocional e
cultural do homem dos nossos dias.
É um libelo-acusatório, neste século XX, às
vesperas do Terceiro Milênio, quando se realiza a mais irracional,
desumana e brutal experimentação científica nos laboratórios de
50 anos antes com ratos, coelhos, cães, jumentos e outros
irmãos da fauna biológica servindo de cobaia para detectar
informações em defesa da vida.
Hoje, a cobaia ou animal preferido é o homem,
para orientar, determinar e dominar a sua personalidade, não
como sujeito, mas como objeto de trabalho, de produção. Há
uma espécie de involução aos períodos arcáicos. A pessoa
humana, sobretudo no Brasil, não é valorizada por sua cultura,
por todas as suas pesquisas cintíficas ou pelo seu humanismo,
pelo SER, mas pelo TER. Não por valores éticos, morais,
profissionais, mas pelas riquezas acumuladas, pela influência
que pode exercer.
Quem domina os meios de informação domina o
homem. O primeiro ato dos ditadores é controlar a televisão,
rádio, imprensa, telefone, para transformar a população em
objeto manipulável, como os bonecos de teatro infantil.
Aos criminosos, assaltantes, sequestradores, às
maracutais de senadores, deputados, administradores públicos
interessa mais essa "Imprensa Marrom" do que a descoberta dos
cientistas para curar doenças e propiciar o desenvolvimento
econômico.
Em toda lei codificada, afirmou um grande
jurisconsulto, há brechas e lacunas intencionais de quem a
formulou, como acontece com os privilégios de imunidade e
impunidade. Livro-libelo denunciando as lideranças políticas, os
programas administrativos, os planejamentos em geral, tão
frágeis, volúveis e deformáveis como o caráter, a dignidade, as
intenções gananciosas dos seus artífices e dos seus executores.
A Mulher, com toda sua beleza, só adquiriu
personalidade civil e tutela do Direito Romano quando teve um
preço venal, comprada por um dote ou arras.
Não parabenizo o Autor de NOITES DE LUA
CHEIA. Felicito os Leitores que souberem compreender a
mensagem deste livro-síntese e despertarem a coragem e o brio
da sua pessoa para o desafio do maior mistério do Mundo na
ante-véspera da Nova Era: - O Homem.
Corações ao Alto!

Crato CE, 21 de abril de l994.


AçÕES PESSOAIS

Nossa particular maneira de ver política nos


leva a pensar no entusiasmo das gentes pelo direito do voto; e
escolher os seus representantes. Nisto somos meio diferentes
daqueles que trazem no bolso do colete chapa pronta, de
salvação, para aquecer qualquer âmbito onde se faça o
merecimento sagrado de definir cabeças que pensarão/agirão
pela coletividade, em determinados momentos.
Portanto, devemos respeitar todas as
propostas, venham de quaisquer legendas. Cada tom compõe a
paisagem harmônica e não nos deve custar ceder espaço, foro
de prosseguimento ao que Deus criou sob o nome de Liberdade;
assim como aguardamos desarmados o mesmo direito de poder
possuir nossas próprias teses.
É dentro dessa ótica que chegamos para dizer,
falar e querer fazer, na ordem universal dos destinos. Políticos
corriqueiros e solertes não irão deixar de existir só para nos
agradar. A própria demagogia faz parte crônica de suas
naturezas; seria até um tipo de irresponsabilidade não admitir
isto. Valores negativos também fazem parte desse todo, nos
altos e baixos das circunstâncias. Porém cabe-nos lutar pela
transformação de nós mesmos, para depois oferecer modelos de
transformação. Como falar em Revolução, expandir revoluções,
sem possuir os nossos estoques adequados de exemplo? Como
demonstrar, pois?
Você, nesta hora aqui em frente a observar o
que dizemos, talvez ainda não tenha pensado que seu voto pode
construir o Mundo. Não diria apenas seu voto; seu passo, sua
palavra, seu pensamento, seu aperto de mão, sua batalha
individual, sua história anônima, seu olhar (sim, seu olhar).
Todos estamos na mesma nave planetária;
destino das partes que tem compromisso fundamental com tudo.
A janela de fugir há tempos se fechou. Municípios são as células-
mães da Nação.
Disto resulta que a falta de saída da crise é a
própria saída, uma vez nos fazer compreender que cada dia
(cada hora) traz seu feto em gestação, para nascer a seguir de
nossas carnes vivas, gotejantes de esperança.
Jesus-Cristo reclamou atitudes em prol dos que
carecem, sobretudo daqueles mais necessitados, que são
muitos. Chegou a dizer que estariam atentos às suas palavras os
que viessem a favorecê-los, fossem nos hospitais, nas
praças e ruas. Algo se deve fazer, com urgência, providenciando
até mesmo aquilo que se nos apresenta como obrigação dos
governos.
Conta-nos célebre apólogo indiano que uma
andorinha, ao perceber que a floresta ardia em chamas, rápido
cuidou de extinguir o incêndio usando ensopar penas nas águas
de lagoa próxima. Depois de insistentes e aflitivas viagens,
encontrou-se com um elefante, que, curioso, quis saber o motivo
de tanta agitação. Obsequiosa nos seus esclarecimentos e meio
desestimulada quanto ao êxito da missão, apenas acrescentou:
- Estou fazendo minha parte. O senhor, faça a
sua!

A BÊNçÃO, LIBERDADE

Na lenda, quando Noé recebeu a atribuição de


construir uma arca e esperar que chovesse o tanto de tudo
cobrir, por certo jamais imaginara vir a ser escolhido para aquela
missão. No entanto, nem por isso duvidou, a despeito das
polêmicas motivadas pelo assunto. Transformou fraqueza em
força, animou seus parentes ao trabalho, reuniu os bichos que
viviam nas imediações, acreditou (sobretudo), e ainda hoje
ficamos admirados como pôde o engenho humano chegar tão
longe nas fainas da sobrevivência.
A nós não compete julgar, como também a cada
um não cabe duvidar que exista o Poder Supremo, fonte
irradiadora de vida, essa função do Ser, do dizer para que
viémos, que coisas por si só se determinam, quando muito com
nossa compreensão.
O gesto de escrever permite que se jogue no
papel os primeiros lances de sonho por vezes inatingível, onde
possamos nos reunir à ficção e trabalhar as ferramentas do dizer,
na intenção de fechar contatos e acender consciências. Lê quem
sabe e continua quem quer. Mas o espaço tem que ser
preenchido, catado de letras, sílabas, palavras, idéias, sob o
pretexto de que alguém nos acompanhe.
Isto, todavia, não é o bastante para que
fiquemos a observar (um observar apenas passivo) os trilhos
ininterruptos da História, espalhados pelos diversos
departamentos do comboio, muitas vezes perdidos nos melhores
propósitos, presas de obsessões que querem a qualquer custo
permanecer, mesmo sem autorização, no que pesem resoluções
planejadas, recomeços, fitas, velas, enquanto prosseguímos a
confundir espelho com fotografia. (O espelho inverte a imagem,
remetendo de volta à caverna primitiva de onde saímos; pura
irrealidade narcísica que se instala; ilusão que tritura tempo certo,
até secar e cair do pé).
Escutamos que se deve suscitar resposta à
nossa presença rude neste chão, que nos espreita de dentes
afiados e goela escancarada. Vem aí prejuízo ou lucro na conta
dos talentos recebidos. "Não fazer o bem é também fazer o mal".
O mal da indiferença perante a inércia do sofrimento alheio, aos
borbotões.
Novos tempos, novas luzes sem mácula,
horizontalizam o Céu, no respiradouro para se suportar
mudanças de casa dos pouco afeitos à imposição de criar raízes,
quais pedras paradas juntando lodo, atitude quase sempre de
quem aceita ficar para fermento, mesmo sem condições de
admitir ser a Verdade o caminho de Deus, senso fundamental,
destino sadio que transmutamos em crise, recessão, sofisticada
neurose depressiva.
Temos de perceber a fórmula mágica de auto-
transformação, reflexo contido qual direito latente sob o princípio
da superação dos desafios, onde e como nos achemos,
independente de esperar hora mais propositada. Noés de hoje,
alertemo-nos, ligados através das parabólicas atentas nos jardins
ensolarados, pois de algum lugar sopra o vento. E nossa fantasia
quase se gastou dos tantos filmes repetitivos de ação, sexo
explícito, muitas superproduções, sem que ainda sejamos heróis
além dos banheiros, quintais, churrasqueiras, castelos
confeitados, arquibancadas vazias, por nada além de l5 minutos,
duração provável do sucesso, segundo rezam as estatísticas
oficiais.
Nesse girar de pneus, rastros apagados e
calendários vencidos, aqui vamos nós, de estômagos opressos e
bocas amargas, quais robôs fora de uso.
Estacione um pouco e sinta que a presença da
luz se faz em cada criatura - conforme o faro da vontade, nos
protestos imperfeitos, entre faixas, flores, sorrisos, estágios
preconcebidos desta nova semente.
Nuvens e naves riscam rápidas o tapete
silencioso das estrelas ainda molhadas. Fria noite do inverno
sertanejo. Os animais já dormiram, obedientes. E insisto a me
perguntar:
- Sem que seja lhe pedir muito, mas veja quanto
ainda falta para outra vez nascer o sol?...

AGUARDAR O MELHOR
Rompêssemos o cristal do pensamento, qual
rolada uma melancia para se contar os caroços do lugar aberto, e
defrontar-nos-íamos com feixe de nervos, carne, sangue, veias,
artérias, músculos, ossos, tendões, medulas, mergulhando em
universo itinerante que se afirma enquanto respira, trabalha,
come e se relaciona, internos circuitos permanentes da busca de
transformação.
As cidades, também assim paralisadas,
circunstanciariam museus de cera, mistura clássica de um
espaço tridimensional. Pedestres, animais, veículos, lojas,
residências, bancos, repartições públicas, máquinas e
consultórios. Tabuleiros de xadrez estruturados de forma a se
pensar que tudo isso (e mais nada) faz sentido, único caminho
imaginário para múltiplas projeções de ansiedades.
Afastados ficássemos, viríamos as regiões. Os
cercados, o gado, as plantações, os estábulos, moradas,
engenhos. A produção vindo da terra, como resultado de
tradições técnicas redivivas no correr de séculos. Do campo, a
vida - o alimento como preservador essencial das espécies
(aceitemos ou refugemos a idéia). Ninguém vive por hipótese.
Daí o célebre esforço das gerações em juntar homem e solo. O
agricultor à gleba, que pertenceria ao patrão.
- Os dois (roceiro e solo)? - pergunta meio
irônica, todavia admissível, dadas limitações fundiárias próprias
do feudalismo.
Depois, a geografia dos estados, países,
continentes, mares, planeta, galáxia e infinito cósmico.
Pretendíamos resumir, no entanto se formaram
essas divagações subsidiárias, para facilitar o tema: uma visão
crítica do homem quanto ao Homem, o salto do nada ao
incalculável, do grão de areia a sóis monumentais. Monumentais.
Poder-se-ia (quem sabe?) denegar os objetos e
as pessoas, sob argumentos niilistas, prudentes, materialistas;
referências fugidias, no fluxo energético que se esfuma, fachos
de lua no espelho das horas; coágulos de pó que se fundem nos
traços do desconhecido. Poder-se-ia... o que não nos interessa
fazer.
Uma semente, quando germinada, conta
segredos diferentes disso. Para cada porção, desde o homem
(pensamento) à cidade (renovação de humor), à região
(produzir, experimentar novas culturas), ao Estado (perspectivas
abertas de coordenação), ao País (pujança, economia
organizada, reforma agrária, seriedade política, independência),
ao Continente (união de nacionalidades irmãs), ao Mundo (paz
na transpiração das consciências), certezas novas aspiram
construir uma civilização perene, livre dos jogos dúbios de
isoladas bandeiras.
Isto lembra o quanto as batalhas sangrentas
distorcem intenções e nutrem a imbecilidade, como filtros
teimoso dos erros insistentes, que purificam bárbaros trazidos
pelo vento. Desnecessário supor limite, uma fronteira, caso
busquemos nos fazer antes dos outros (à medida do ter, que
nunca enche).
Essa mentalidade míope gera injustiça e fabrica
as armas. Querer admitir o exclusivismo como coisa prática
(pragmatismo dominante) simboliza sustentar os ferrões à frente.
Das guerras todos saem derrotados. Os
vencidos, por serem de fato. E os vencedores, ao esquecerem de
sua parcela de culpa, em meio a discursos, vinhos e fanfarras,
nos salões em festa.

A PROPÓSITO DA SOBREVIVÊNCIA

As mágicas do pensamento concedem ao


homem direito de se observar, na faina de viver. Isso lhe permite
autocrítica e refazimento das expectativas, como iremos, juntos,
concluir nas palavras abaixo, "a propósito da sobrevivência".
Tais formigas em movimento incessante, cada
manhã todos saem de suas tocas para lutar pela vida, como
gostam de dizer.
São milhares, milhões, bilhões, de estômagos
para encher, uns maiores, outros menores; uns lentos, outros
apressados. Porém deverá haver, em qualquer lugar, o
comestível, a lenha da continuidade da espécie, nesse pano
comum. Nisto somos todos iguais perante a necessidade. O que
não difere... sim, o que não difere (veja onde se concentra a crise
tão comentada) é o modo de alcançar essa permanente
conquista: respirar por mais um tanto.
Quem chegou primeiro cercou sua parte.
Algumas opiniões sustentam até que Deus criou a terra e o "Pula
Moita" criou a cerca. Os que chegaram depois, por virem mais
lentos ou menos interessados em acumular, ficaram do lado de
fora da propriedade. E o resultado, temos à mão.
Sobreviver se torna, ano após ano, esforço mais
árduo. Bem podemos citar a respeito o Boletim Semanal no.
594/l989 (Câmara Informa), do Congresso Nacional, "(...) o
deputado Fernando Santana (BA) comentou "carta de um dos
assessores do FMI enviada ao diretor-gerente do Fundo", maio
do ano passado, que renunciava suas altas funções por não
querer lavar as mãos no sangue da miséria do povo latino-
"O parlamentar requereu a transcrição tanto da
carta quanto de entrevista concedida pelo funcionário do FMI,
"que deixou um salário de l45 mil dólares anuais por não
concordar com a política da entidade para a
América Latina".
Os dias se sucedem, a permitir vidas em
profusão, nossas e de nossos filhos, enquanto patrões
determinam regras de jogo quase sempre ganho por eles
mesmos.
Aqui entra em cena o outro lado da questão. O
que fazer face a tais circunstâncias, pois saber pensar e não usar
esse recurso equivale a não saber. O que fazer, portanto?
Caso contemos, dentre nossos aliados, com os
que alçamos ao poder, fácil se torna a superposição dos valores
e a cura do mal, isto é: puxar o piso nacional de salários de uma
faixa para outra mais compatível, porque esse valor fixado não
supre o essencial, só revolta e contraria a quem o percebe.
Como os representantes políticos servem a
outros interesses que não os populares, façamos diferente.
Busquemos modificar as coisas, partindo de nós. Vamos mudar
de lado e agir para nossa redefinição pessoal.Sejamos
empresários menores, nas tantas profissões do catálogo.
Ao se deter na complexidade cotidiana, por
cada esquina uma coragem de sobreviver. Pipoqueiros.
Vitrinistas. Merendeiras. Balconistas de conta individual.
Bombeiros hidráulicos. Mecânicos. Corroceiros. Cambistas.
Engraxates. Jornaleiros. Livreiros. Alfaiates. Doceiras.
Borracheiros. Bombonseiros. Roleteiras. Verdureiros. Nos países
desenvolvidos, essas profissões deixariam o suficiente para
manter a família.
Nesta altura, chegamos ao miolo do assunto.
Sem mudança interna no conteúdo das gentes, mudanças jamais
haverá no coletivo da Humanidade. Por isso, a resposta deverá
vir de dentro das criaturas.
Restam-nos poucas linhas, mesmo assim
suficientes.
Tais formigas ou abelhas, por se parecerem no
modo de fervilhar, teremos de reconstruir o Mundo com a soma
dos trilhões das iniciativas particulares, que somos todos nós.

BALANÇO DE LIQUIDAÇÃO

Somar pensamentos para rever os tempos, na


procura da fusão de palavras em idéias, aparas de memória,
cômodo deserto, preocupações que existissem ou
desaparecessem pouca diferença faria.
Recordemo-nos de uma história, escrita por
João Clímaco Bezerra, a propósito de episódio nordestino:
caboclo que fugia da seca caminhando pelos trilhos da estrada
de ferro (ele e seu cachorro).
Depois de muito continuar, o homem não
sobreviveu ao desafio da fome e da sede. Seu companheiro, no
entanto, seguiu solitário, qual jornadeiro persistente, para
alcançar cidade próxima.
Assim as palavras, que ficam fuçando os bolsos
da vontade, na busca de sentido, impulso mais forte do que a
inércia, no tricô das revelações, quais sementes que esperam
chão para nascer.
Tudo isto no propósito de começar um papo
escrito a respeito da atualidade, "rever os tempos", como falei no
início, numa época em que se age muito mais sob hipóteses
do que em cima das ocorrências plausíveis. Tal se justifica, onde
redes de envolvimento fecharam o circuito da laranja planetária,
sugerindo pressupostos de se estabelecer metas científicas e
poder (talvez) alcançá-las.
Só de lembrar que a experiência russa
fracassou milhares seguiram à procura da luz, quais estranhos
desertores malditos; contudo reavivam os mesmos padrões
capitalistas, rejeitados há l00 anos, como se voltar aos esquemas
falidos anteriores viesse agora trazê-los ao rumo certo, prova
provada de absurdo desencanto.
Nota-se do jogo apenas o começo, pois ainda
batem na bola pelo mero gesto de fazer. Os que recebem
bordoadas gritam, gemem, atolados na miséria, autômatos sem
cargas.
Tanto assim é que se formam inumeráveis focos
de resistência, espalhados mundo afora. O senso do realismo, a
caber em tudo, força prosseguimento da espécie e acorda nos
espíritos um coro conservacionista.
As festas parecem não ter mais fim, por causa
da peneira com que encobriram o sol, apreensões se diluem nos
blá-blá-blás noticiosos, enquanto herdeiros de vândalos,
visigodos e bretões usam o sangue do império decaído.
Quem conseguiu chegar neste ponto pode
achar que sou pessimista quanto ao monte de ferro-velho da
civilização; que desconheço modernas alternativas de primeiro
mundo e a social democracia; que esqueço das conquistas para
se prolongar a vida; da corrida espacial, abrindo fronteiras ao
progresso; dos alimentos sintéticos, pasto de milhões; das
maravilhas eletrônicas que economizam tempo e propiciam lazer
farto às massas trabalhadoras. Um paraíso, enfim, que desponta.
Nunca desistir, sei disso. Os que têm fartura
façam dela o melhor uso, guardando as proporções, sem contudo
se prender a moralismos revisionistas. Como queiram e possam.
Mesmo assim a casa do sem-jeito abriu suas portas de par em
par, gelando espinhaços com o pêndulo metálico que volta numa
cobrança antológica, enquanto sono cataléptico (daliniano)
neutraliza astrolábios e bússolas.
Estrelas bem vivas piscam no céu, sobre o mar
e o ar. Não ocorreram interrupções, mesmo nas guerras mais
desnecessárias e sem motivo. Uma lição de tranqüilidade que
poucos recebem, e os que conseguem nada podem além de
contemplar, dizer, mostrar e esperar.
Teria (quem sabe?) falado de assuntos de
perto, regionais/nacionais, amenos, práticos. Porém o clima da
cabeça indicou diferente. Recordei, então, que estamos aqui para
salvar o espírito, pois a matéria já vem com endereço cativo.

BOI COTÓ NÃO ABANA RABO

- Por que tanta confiança do brasileiro nos


homens públicos, se é sabido, pela tradição do mundo
subdesenvolvido, que o povo vota mal? E, no caso verde-
amarelo, sobretudo, se estamos a sair de uma era viciada e
obscura de domínio da força, com um saldo deficitário de
honradez vinculado ao Capitalismo internacional que apenas nos
suga todo ímpeto de nação soberana e destrói nossa raça.
A organização popular, em forma de pressão
coesa e permanente, como na luta do petróleo, traria chance
provável para a busca de uma prorrogação na dívida até que
possamos, de verdade, pagar essa conta. Quanto à área externa,
será a união dos países devedores, em volta da formação de
mercado alternativo, para vencer as possíveis represálias que
iremos sofrer, no comércio mundial, com a atitude independente
e necessária.
Esse o mal na raiz, pedindo pinçamento e
combate efetivo.
Porém não resolvem o problema:
- sobrecarregar o trabalhador brasileiro (20
milhões de almas a perceberem piso nacional de salário o menor
do Mundo, que em valor real fica por volta de metade do de l940
e abaixo do da Bolívia);
- nem a demissão de funcionários públicos de
manterem setores vitais da sociedade. Se sobrarem, que sejam
remanejados;
- muito menos se criar planos de fachada
publicitária duvidosa, para convencer crédulos inveterados.
Honestidade, moralidade e legalidade não são favores e sim
deveres da administração pública, estabelecidos em lei; e
- menos ainda o desbaratamento de nossos
recursos físicos, a troco de retornos incertos, que humilham a
coragem nos que batalham pela vida, asfixiados por taxas e
impostos, subnutrição e abandono, a serviço de esfomeados
trustes.
Isso tudo enquanto governo e elites nacionais
se refastelam vivendo com indiferença padrões de Corte, papos
cheios e rabos reluzentes, em viagens constantes e pomposas à
volta do Globo.
Ainda por cima, tivemos de suportar
desvalorização de l7% na cotação do dólar, produto da ilógica
folclorista de se equiparar um cruzado novo à moeda norte-
americana, luxo nauseante de "quem atira com pólvora alheia
não toma chegada". Ignoraram o custo da medida, tudo pago
pelo bolso do contribüinte.
Dentre as demissões previstas no plano
Verão/Primavera, que acreditamos descabidas (por que, se não,
qual o motivo de terem suas vítimas sido contratadas?), incluir-
se-ão os passageiros dos trens da alegria dos estados, Senado e
Câmara Federal? Caso contrário, por que não?
Nas metas governamentais, há intenção de
privatizar empresas, o que, por certo, pouca ou nenhuma reação
ensejará. Como transferir à iniciativa privada serviços menos
válidos? Infalível que a escolha vai cair sobre as rentáveis, em
detrimento das fontes de auto-financiamento do Estado.
- Caros dirigentes do Brasil, vamos formar
juntos em prol do País, de maneira igual, sem ilusão e
subterfúgios milagreiros; ainda há tempo e boa-vontade no
coração de todos, ou de quase todos.
Da propalada crise, que explica, mas não se
justifica, em terra tão opulenta e fértil, de espaço, matéria-prima,
população invejáveis, façamos uma eclosão de seriedade, justiça
social, trabalho e respeito mútuo e pela coisa pública, porque
público quer dizer do povo, e não desse ou daquele aventureiro
do desvio e da improvisação.
Refaçamos juntos os valores novos, para geral
felicidade, com pão na mesa de todos. Consciência. Eqüidade.
Amor. E tudo voltará à tona pela força da Vida, pois o Sol sempre
volta em cada manhã.
AS CHANCES DO AMANHÃ

Métodos recentes de transferência do poder


conotam a participação popular no processo de escolha dos
líderes oficiais, assim reconhecidos pelas urnas. Antes, porém,
nem sempre ocorria, porque heranças de sangue determinavam
fixação de linhagem sucessória, sem outra possibilidade que
pudesse reservar a todos determinação própria. Vem daí a
virtude rara do voto livre, na postulação de cargos e posições,
executivos ou legislativos.
Visto desta maneira, nada mais sagrado e
salutar do que o sufrágio generalizante, onde possa o cidadão,
pobre ou rico, crescer nas próprias pernas, através das ofertas e
procuras democráticas.
Regime perfeito. Pessoas ainda imperfeitas.
Enquanto o esboço parece não prever qualquer
falha na estrutura, os atores do drama político insistem nas
demonstrações viciadas de seus seculares defeitos, quase
sempre de origem moral. Poucos se permitem ao luxo da
integridade para apresentação inteiriça de uma cena limpa, de
valores identificados com a moderna arquitetura do teatro, ou
sejam, as trilhas formais dos sonhos coletivos.
E os políticos se deixam levar pelas ilusões de
suas carências básicas, avançando sobre o bolo público quais
feras famintas, vorazes rapinantes, esquecidos de serem partes
de um todo e ocuparem postos vitais da sociedade, além de
haverem merecido a escolha honesta de quem muito precisa,
elevando-os à categoria de mentores, para apenas fazerem o
favor deles próprios ou dos seus apaniguados, face aos olhos
crédulos de plantão.
Nos Estados Unidos, gloriado exemplo do
sistema quase perfeito, acontecimentos se formam tal e qual.
Análises não se cansam de falar nas forças poderosas que
dominam instituições, como sucedâneos vitalícios de uma corte
em crise, cujos remendos principiam a fazer água, maquiados
pelas tintas fortes da imprensa monumental e seus profissionais
eficientes, ensimesmados campeões internacionais.
O capitalismo sempre assumiu papel de estrada
principal da história dos modelos econômicos, levando-nos a
distingui-lo com o nicho exclusivo da hegemonia representativa,
nessa civilização artificiosa.
As decisões mais sérias dos americanos
guardam marca registrada de um consenso universal, como se
também os povos mais distantes tivessem delas participado,
E passamos ao melancólico estágio de massa
falida que vota por dever e se engana por consequência, vítima
conivente da falta de jeito, método e aplicação correta dos
fertilizantes e defensivos, no estrado das repetições do sol.
- O quê e como fazer?
Aqueles que aprendem usam a política como
instrumendo particular, transformando-a em banda pensa, roleta
da ingenuidade tropical, com maior incidência de prejuízo à
periferia faminta. O padecimento da falta de juízo... e o voto
devoram as carnes dos que se entregam a preço de banana,
anistiando possíveis culpas dos líderes sinceros, vivos talvez no
meio dos escombros fumegantes.
Mundo de promissão, em que iniciativas
individuais pouco pesam, comparável aos riscos de pílulas falsas,
estágio onde ainda nos achamos, dando lucro a minoria
criminosa; subserviência dos imolados no altar do sacrifício. Este
quadro parece até se perpetuar, espécie de fatalismo que não
representa mais do que somatório de inércias (jecas acocorados
nos cantos batidos das salas suburbanas) - fariseus reeditados,
contra quem se voltou Jesus-Cristo, há quase 2.000 anos,
através da proposta íntima de revolução pessoal, para todos
renovar por meios conscientes, o que se mostra necessário e
urgente.

CRITÉRIOS QUALITATIVOS

Em fases do tipo da que vivemos, neste fim de


milênio, onde muito se fala/ouve quanto à causa dos infortúnios
gerais acumulados, todos ficamos vizinhos, pela proximidade dos
fatos. A civilização produziu circuitos técnicos, detalhes
primorosos de contato, e, no entanto, exilou os humanos
semelhantes às cavernas da adversidade, vitrines descomunais,
onde miseráveis contemplam felizardos, num jogo insultoso de
regras leoninas, gente feito fera em jaulas acrílicas.
O nosso Brasil, como protótipo, caracteriza bem
o modelo da falta de ética acima identificado. Aqui maiores
trucidam menores, protegidos pela estrutura desigual eivada de
multiplicados equívocos, no meio da dominação neocolonialista
que tomou conta do planeta, nesta banda de século. Teóricos
esclarecem motivos nas razões políticas, econômicas, sociais,
históricas, étnicas, quase sempre esquecendo aspectos
conceituais, morais.
A queda do Império Romano, para citar um
exemplo remoto, veio de ocorrer após solapada a alma coletiva
refletir-se nos costumes e na perda dos valores cívicos das
instituições. Daí, os bárbaros avançaram sobre a presa, a
dominá-la com inevitável facilidade.
Segmentos debilitados da nação esqueceram,
na prática, valores adquiridos geração depois de geração; o
cenário clássico ruiu idêntico a velhas edificações pela ação dos
sopros adversos, sem fazer conta das tradições preservadas. E
outras dinastias se sucederam no poder, às custas do
desfalecimento da ordem anterior.
No meio dos ambiciosos gladiadores atuais,
estabeleceu-se o costume axiomático de que, "em política, feio é
perder". Tudo vale como instrumento útil, porque, depois de
cavalgarem a égua da vitória, cuidarão os mandriões de raspar o
passado, qual lavassem roupa suja, que cartilhas fazem as
oficinas dos governos.
Isto vemos a três por dois, impedidos de revisar
o esquema, pois seleções dependem dos números eleitorais,
nem sempre avisados de causas e conseqüências, dada a
inanição das bases na montagem de um juízo crítico.
Justificativas comuns dos desacertos indicam que "ninguém traz
estrela na testa", que esperavam práticas diferentes.
Assim, imaginamos quanto ainda teremos de
viver para alcançar tempo modificado, onde células transfiram
melhor qualidade ao corpo.
Muito se pretendeu que a adoção de novas
doutrinas político-sociais trouxesse outra mentalidade. O
socialismo posto em uso nos mais variados países alimentou
sonho de transformação econômica para justa distribuição da
riqueza. No mínimo faria a alternância de dominação do trabalho
sobre o capital em gerações porvindouras.
A propalada equalização das oportunidades,
entretanto, gerou crise inusitada. Donde mais se buscou, pouco
adveio, exceto desilusões ora em pauta. O regime ideal deixara
de sê-lo, à míngua de princípios fermentados nas puras filosofias
sedimentadas milênios afora, isto porque os moldes, entregues
nas mãos de estado forte que se fantasiava de progressista,
apenas redundaram no estabelecimento de nova elite dominante
(o partido), também corrompida, tão interesseira quanto
particularista, semelhante àquela posta abaixo nos tempos
heróicos das guerras civis.
De tais avaliações, atingimos, por declividade,
os mesmos resultados obsoletos, o que, no pensamento de
Arnold Toynbee, equivale dizer que a História obedece leis e gira
em círculos, numa espiral, passando depois no mesmo lado, um
ponto acima da volta anterior, substituídos figurantes e
Enquanto se supõe que tal ocorre, flui a raça,
passos dolentes, para o seio do Infinito, qual caravana fantasma
na experimentação (agradável/penosa) de aprendizado cósmico,
peculiar a cada consciência. Resultados pessoais juntar-se-ão à
contabilidade geral, caldeando para melhor, ou pior, o que nos
aguarda, juízo ciclópico nas curvas do Depois.

A DEMOCRACIA DA IMPRENSA

Os seres humanos, também chamados "seres


inteligentes", diferem dos outros animais porque podem mudar o
rumo da estrada, à medida em que percebam existirem outras
perspectivas além das experimentadas pelos que vieram na
frente e derem de cara com a impossibilidade. Portanto, cada
cidadão do Planeta pode inovar e ser aceito, uma vez detenha
força suficiente para se impor.
A imprensa propicia divulgar idéias, numa faixa
eqüânime de condições, onde nenhum será maior apenas pelo
frio desejo de querer. Daí o poder da comunicação, democracia
de partilhar meios modernos de gerir pensamentos.
Uma verdade material é verdade relativa.
Enquanto alguns vêem só metade da questão, do outro lado há
os que comprovam a existência de novos práticas. Tese de hoje,
antítese de amanhã e síntese futura. Por que nos considerar
pontas-de-lanças do Absoluto ou palmatórias do Mundo? A cada
um conforme o mérito, dizem os mentores.
Também na raia dos mercados de opinião
somos todos iguais. Externamos, discutimos, analisamos,
criticamos, avaliamos, sugerimos, esperamos; postulado sutil do
contraditório, sonho de muitos, dizer e desdizer, ao sabor das
compreensões, sem empolgação oracular, que verdade só e
exclusiva pertence ao Pai Superior.
Das idéias vem a luz. Do diálogo, o
aperfeiçoamento social. Somos partes de um todo, mesmo que
alguns disso não dêem cor (vejam exemplos de ricos e países
mais ricos ainda, que desejam o mar pegando fogo, na
esperança dos peixes fritos, no dizer do povo). Sem admitirmos
esta tese igualitária, a Humanidade continuará no feio gesto de
martelar a própria cabeça. Os outros irmãos de raça se
configuram, sem dúvida, no instrumento único da evolução das
consciências, pressuposto demonstrado pelo Cristo, em suas
andanças palestinas.
Nessa era da pós-modernidade (mania de criar
rótulo que a gente tem), recursos do entrosamento se multiplicam
usinam milhões de notícias a cada segundo, e a Terra nunca
esteve tão caótica quanto agora. Nunca tantos exploraram
tantos, em tão pouco tempo.
Quando assistíamos, pela tevê, as cenas da
Praça da Paz Celestial, em Pequim, onde o exército chinês
reprimia multidões irrequietas, imaginávamos que da mesma
China viera o papel, como ora se conhece, suporte desta
conversa escrita, sendo ele quem provocou as maiores
revoluções conhecidas. Ali na Velha Catai surgira a pólvora,
usada naquele momento repressivo, naquelas imagens
enfumaçadas de terror, talvez para eliminar ativistas postulantes
de transformações nas estruturas arcáicas em que redundaram
os verdes sonhos da Grande Marcha de l949.
Aqui nos vemos, pois, face a face com o que
pensamos e com o que se interpreta do que foi dito, para montar
os raciocínios, esse bem maior da Liberdade. Chances de ler, o
direito de dizer e contradizer, para juntos refazermos o errado no
certo, o passado no presente, o presente no futuro.
Solo fértil, a democracia da Imprensa merece,
neste tempo, o bom inverno das gotas eletrônicas, em que
resultaram os tipos móveis, também chineses. Tais sementes, as
palavras caem para o papel, depois, colhidas, alimentam
corações e mentes, ao ritmo alegre da esperança, que a cada
homem compete definir os resultados.

EM BUSCA DO QUE ACHAR

Circunstâncias variadas norteiam avaliações


mais do que oportunas para época de muito acontecimento e
raros intérpretes fiéis. A massa noticiosa enverniza mentes,
criando viciados, homens ou números, a transportarem canga
cotidiana, quais bois de carro; paisagem onde o Estado virou
mandatário plenipotente e irresponsável, amargo signo de aço
tecnológico, entre filas, decretos, conferências de cúpula...
Nestes tempos denominados modernos, o
patrocínio dos instintos achou sua moeda de troca. As próprias
locadoras de vídeo, para não falar nos programas de tevê, jornais
e outras publicações sensacionalistas, mostram fácil o que quero
contar. Filmes mais procurados: pornográficos, violentos, de
horror, crime, guerras e mistérios, sintomas expostos destes dias
de ira, onde loucos se entregam sequiosos às mãos calosas dos
carrascos de plantão.
Valores morais tiveram de ser adaptados às
necessidades momentâneas. Detalhes minoritários pesam pouco
ou inexistem, nessa democracia conveniente dos regimes
produtivos, qual terrorismo de poder.
Idéias, só se digestivas, no adeus da igualdade.
Enquanto que ainda se ouve falar nos golpes
militares quais soluções viáveis para a falta de saída (como
saídas sendo). Uma conversa nos recorda propaladas
esperanças de paz, com a transformação soviética, no cardápio
da grande imprensa do Ocidente.
Tem-se comentado que tudo mudou, e que as armas
serão destruídas. Que verbas destinar-se-ão, dagora em diante,
a financiar bens de sobrevivência e progresso (como
arrependimento tardio de consciência inusitada, para não dizer
impossível. Soa assim).
Nisto, o grande sistema (Moloc, máquina
enlouquecida) desembala histérico no rumo do poente, largando
carcaças abaixo da ribanceira, fogo e carvão, céus cinzentos,
explosões, desertos.
A propósito e com sua permissão, quero
encaixar aqui famosa lenda, imortalizada num dos monumentos
do Egito, o da Esfinge de Gizé. Certo guerreiro, que procurava o
pomo da felicidade, depois de vencer os obstáculos mais
intransponíveis (o Indiana Jones daqueles primórdios), afronta
monstro de aspecto feroz, corpo de animal e cabeça de gente,
que se apresentar com um enigma (decifra-me ou te devoro):
- Quem, de manhã, caminha de quatro pés, de
tarde, de dois, e, de noite, de três?
A resposta, que não poderia ser diferente:
- O homem, pois engatinha na infância; cresce a
se desenvolve nas duas pernas; vindo a carecer, na velhice, de
um apoio para equilibrar-lhe os passos.
Daí, vencendo o desafio do monstro, alcançou
seu objetivo e deixou para trás, imobilizado em pedra, no vale
dos Reis, o mais belo símbolo das perquirições humanas de que
se tem conhecimento.
Nós outros é que ainda não conseguímos
vencer o nosso enigma desta época, tanto individual, quanto
coletivo, a fim de podermos conquistar os anelos da raça.
Enquanto se fala numa "nova ordem mundial", ficamos atentos
em descobrir donde virá a próxima tramóia, durante o que
pagaremos as contas de festa que não desfrutamos, nem
soubemos onde se deu, em que reino maravilhoso, esfera ou
lugar desconhecido.
Esse motivo requer seriedade, e não tem
merecido, a nos parecer falta do senso tão requisitado pelos
intelectuais, sobretudo em quem coordena o baile, podendo nos
assunto palavras de Paulo de Tarso, no capítulo 5, da Primeira
Carta aos Tessalonicenses:
- Mas, irmãos, acerca dos tempos e das
estações, não necessitais de que se vos escreva; porque vós
mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o
ladrão de noite. Pois que, quando disserem: Há paz e segurança,
então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de
parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão.

A ERA DO DESPERDÍCIO

Em panorâmica, a televisão mostrava imagens


do seringal Nova Vida, em Ariquemes, no estado de Rondônia. O
que fora mata fechada virara cinzas após a ação destruidora de
moto-serras e labaredas. O repórter ainda procurava penetrar os
limites da propriedade, não logrando êxito, restringido com
veemência por truculento capataz.
Na trilha sonora, os números da tragédia: este
ano já haviam sido dizimados mais de 4 bilhões de dólares em
madeira de lei abandonada nos desmatamentos amazônicos.
"Quem atira com munição dos outros só dá tiro grande",
enquanto a verde selva diminui com suas reservas milenárias e
insubstituíveis.
Isto numa fase histórica brasileira quando tudo
merece consideração, às custas de fracasso administrativo dos
25 anos de governos ilegítimos, quando a mortalidade atinge l30
em cada mil crianças logo no primeiro ano de vida: e em cada 4
que morrem, na América Latina, uma nascera neste País.
Indagaríamos (se houvesse a quem):
- Por que tanto esbanjamento? O planeta
comum ainda terá de pagar quanto pela incompetência dos seus
deslavados habitantes?
As respostas chegam, porque sobram
racionalizações e palavras: crise econômica, inflação, desleixo,
alertas máximos, recessão, demanda reprimida, desindexação,
subsídios, mercado externo, investimentos, privatizações,
mercado interno, propriedade privada, macro-estruturas,
monopólio, terceira onda, multinacionais, tecnologia de ponta,
trustes. Nisto, a fome explode e o desemprego aflige
contingentes acuados de encontro ao futuro incerto.
Nos vários momentos, a estruição de se
descartar embalagens plásticas, metálicas, doutros materiais
raros e aperfeiçoados, sem qualquer gana de reaproveitamento.
Inábeis seres, os tais humanos.
A civilização destes dias refinou as técnicas,
aplicadas em bases nunca concebidas nem mesmo pela ficção
liberal. Veículos de massa anexaram ciências sofisticadas de
transmitir mensagens e não adotam conteúdo compatível,
enquanto programas funcionam para enebriar mentes, como
drogas neutralizadoras do tempo que não pára. Dia seguinte, e o
tédio da falta de iniciativa, de criatividade, que bloqueia possíveis
janelas com os espelhos da rotina anemica/crescente.
Ocasião da década de 60 e líamos a respeito do
Comando Estratégico Aéreo dos Estados Unidos, que patrulhava
os céus dos continentes naqueles idos, sem supor que 20 anos
apenas seriam suficientes para transformar enormes aviões de
quatro turbinas, abastecíveis no ar, em ferro-velho, mudados em
submarinos, mísseis e satélites, que depois cumpriram o mesmo
objetivo. Pagamento: a miséria dos países pobres, para
afirmação (psicológica?) dos imperadores contemporâneos, que
brincam de esconde-esconde nuclear, ou saem vadios nos
passeios siderais, fotografando as luas de Saturno, galáxias a
milhões de anos-luz, com todas despesas pagas pelas nações
subdesenvolvidas, que nem água têm para beber.
Críticos não faltam, nesse mundo errado,
consciência de que devemos reformular a ordem existente, tomar
conta do corpo. Muitos (os mais sagazes) sustentam que o
caminho passa pelo poder, que a política bem poderá servir de
instrumento, como renovadora de lideranças, à força do voto,
quando utilizado com zelo.
Boa-vontade e rigor, palavras símbolos numa
época em que videntes prevêm transformações dolorosas, caso
os terrícolas desistam mesmo de levar a sério sua experiência
vital. Há hora certa para cada coisa, orientam as tradições:
- Dia de muito, véspera de pouco. Dia de tudo,
véspera de nada!

ESFORÇO EFICAZ

A prática e os livros ensinam que o Homem é


um ser social. As realizações de cada pessoa por si só pouco
valeriam, inexistissem respeito e aceitação das demais. A
desobediência, pois, dessa característica produzirá esplendoroso
fracasso.
De tais avaliações, vamos desenvolver mais
outras idéias, como se segue.
- Quantos se fecham nas torres particulares,
exclusivos fantoches, esquecendo ruas, praças e periferias?
somaríamos forças; isto sem o contributo de que trocar
experiências, dada a proximidade, traria rápidos avanços.
Hoje, no entanto, passados milênios, lições se
desvirtuaram. Grupos reduzidos sumiram nos guetos
privilegiados, com a posse da riqueza, e reclamam, por isso,
preço extorsivo, impossível de ser pago. Teóricos denominam de
neocolonialismo igual procedimento.
Numa seqüência de eventos, o progresso das
comunicações, aprimorado em duas guerras mundiais, desfez
fronteiras; o planeta mereceu daí vistoso título: "aldeia global"
(Marshall Mcluhan; década de 70). Caso essa unidade fosse
apenas do ponto de vista cultural e ver-nos-íamos plenos de
evolução, livres de barreiras ou distâncias. Todavia a alma se fez
pequena, por demais, qual malícia contraída, como para se
defender das impossibilidades abertas, respostas muito
contraditórias de quem tanto pedia amor e solidariedade.
Desde então cresce a máquina destrutiva e os
arsenais se ampliaram muitas vezes nos países ricos, só
comparáveis, em escala, às necessidades nos países pobres.
Um fosso gigantesco hoje separa Norte e Sul.
Donatários e cativos. Nobres afortunados e alimárias
tropeçantes, sob um astral que se nutre de vagas promessas,
tratados, conferências, conselhos, conversações, alianças,
planos, empréstimos, juros; as palavras no lugar das atitudes.
Papéis no lugar de pão. Paliativos, no lugar da cura. Esquecidos,
descemos no mesmo trem, rumo da Natureza perene, inexorável,
sóbria, justa.
Essas coisas avançam feito fogo de mato seco
nos desvãos da caatinga. Nomes que recebem se envultam pelo
infinito: fome, recessão, hiperinflação, guerra, miséria, carestia,
desemprego, violência, criminalidade; faces de monstro poliédrico
que supre jornais, rádios, televisões, livros e revistas.
- Quando surgirá vontade política de fazer
diferente? - indagamos a uma só voz, no anseio de vencer o
medo nesse temporal.
- Existirá ainda tempo quando o sol vier para
todos? (Causa do defeito: as desigualdades econômico-
financeiras). Deus sabe; saberá toda consciência...
(...) Pois o egoísmo atrofiou gerações inteiras
no passado; no presente, atrofia. Luzes isoladas em catacumbas,
coordenação de maiorais impiedosos. Gritos abafados, vozes ao
vento, tintas derramadas. Uma irresponsabilidade global que
ninguém quer assumir. O argueiro no olho do outro. Enquanto
que, num ritmo pulsante, se arrasta o verde para deserto
inóspito.
Nas cidades (núcleos), há bandeiras para cada
gosto. "Fazes por ti que os céus te ajudarão". Detalhes
influenciam (determinam) o todo. No cotidiano, a participação
atenta, forma de trabalho e atuação comunitária. Agir, sem
trégua. Nas eleições, o voto clínico.
Quanto aos dirigentes, afamados
representantes do povo, a eles cabe puxar o pavio no sentido da
correção (liderar significando encaixar os problemas em suas
reais soluções).

ESPELHOS, FITAS E BUGIGANGAS

Os comerciantes da Companhia das Índias


Ocidentais por certo nunca imaginaram que, quatro séculos
depois, outros usariam com os nativos do Novo Mundo o mesmo
estilo de persuasão adotado na conquista da Colônia, isto é,
pedras coloridas, cacos de espelhos e fitas variadas. Desta vez,
em forma de novelas, enlatados estrangeiros e pesquisas de
laboratório, jogados, em horário nobre, nas praias e florestas dos
vídeos acesos.
Quando a eletrônica acelerava o processo da
comunicação, inovando técnica e burocracia dos escritórios e
bancos, surgiram alguns livros que denunciavam o risco ao qual
se submetiam cidadãos comuns, figuras de beduínos perdidos
em deserto árido, de quem morreram os camelos, miragens
várias e sol intenso. "Admirável Mundo Novo". "l984". "Fahrenheit
45l".
O cinema acompanhou a literatura e concebeu
clássicos proféticos, inclusive os trabalhos imortais de Chaplin,
que alertaram para o perigo da massificação, onde elites
dominariam as bases trabalhadoras através de botões e canais
de informação cativos, viciados que nem dados viciados em
mãos sujas.
Era na ficção científica, domínio subliminar do
homem pelo homem-máquina, como haviam feito com os
instrumentos de sobrevivência na economia autoritária. Alguns
achavam romantismo exagerado, falta de alcance do espaço
aberto para o aperfeiçoamento civilizatório.
Anos passados; nuvens dissipadas.
Aqui vamos nós, em vésperas do fim do milênio,
no Brasil da Rede Globo. O encabrestamento de fato ocorreu.
Poucos atentaram à importância do uso da razão, neste
momento de crise. Os estiletes de meios eletrônicos penetram
lares, tais rios de luz inquestionável, reverência circunscrita aos
estopim, selvagens perplexos, mas felizes, uivaram com a
chegada de Caramuru, o deus do fogo.
Por preguiça ou indiferença, tantos desativaram
raciocínios, que a força da televisão arrasta manadas, ainda que
essas não desconfiem para onde seguem, famintas e tristes.
Huxley. Orwell. Bradbury. Os autores dos livros
referidos estavam, em parte, inspirados quanto ao futuro. Apenas
um aspecto não previram, o poder maior da Consciência, pulo de
gato que ainda resta à espécie entontecida...
No campo de combate das eleições
presidenciais deste ano, comprovar-se-á um valor mais forte do
que a prepotência e o engodo. Meios outros de comunicação,
outros canais de tevê, perfilam-se contra o Grande Irmão global.
Vozes democráticas firmaram baterias e apostam nos resultados
favoráveis do universal sufrágio. Nem tudo estará perdido,
portanto.
O cancro cresce, partes inteiras da massa se
esfumam; chaminés escurecem os céus. Porém cores persistem
no fundo infinito da enorme tela. O homem, qual pintor genial,
esfrega os olhos, banha o rosto e ainda consegue criar certezas
novas, pois valores verdadeiros sempre triunfam nos exemplos
históricos, também aqui, na pátria de Macunaíma.

A ESTAÇÃO DAS CHUVAS

Quando os seios das nuvens se doam aos


lábios do chão e mitigam-lhe a secura que existia, é tempo de
agradecer. O sertão vira um jardim só; correm riachos e rios; vida
que volta na brisa leve das tardes ensolaradas, agradáveis.
Felizes são os que conhecem as plagas
sertanejas no tempo de invernada - época das chuvas regulares.
Toda energia guardada pelas sementes adormecidas explode
como quentura de fêmea jovem no cio, verdejando toda a mata -
revestindo de veludo cor de musgo a garrancheira informe, como
se acordada num susto.
Até o gado muda de comportamento, nos
pastos ou em meio aos currais enlameados que rebrilham
metálicos, mistura matinal de lama e bosta, de cheiro
característico e forte. O leite espumejante nas vasilhas de zinco
ainda reflete os pingos de orvalho, que caem do céu carregado
de nuvens escuras.
- Viva o sertão! Viva Deus, o autor de tudo! - hora
solene de agradecer.
No entanto, mostrar apenas estas fotografias da
dos que vivem muitos dramas pouco conhecidos. Os preços, por
exemplo, dos gêneros da agricultura, frutos difíceis das mãos
calosas do caboclo, aviltam qualquer humana atividade. O valor
do trabalho nordestino vem sendo espoliado, tanto nos baixos
salários que sofrem, quanto nos ganhos de produção.
Conceitos de felicidade variam de pessoa a
pessoa. Somos seres econômicos, apesar de também sociais e
espirituais. Temos fome. E o matuto sabe que jamais encontrará
noutros lugares o contentamento que deixou distante, no torrão
natal. Nossa música fala disto com inigualável propriedade; quem
ouve "A Triste Partida" (Patativa do Assaré) pode bem se
recordar.
A síntese da seca é o retirante, que nos
invernos não teve justiça no preço do que plantou e colheu; não
podemos fugir desse testemunho. Os homens públicos devem,
por força da obrigação, assumir a cumplicidade moral desta culpa
secular.
Enquanto isso, nas cidades, acrílicos
chamativos e sons estridentes mantêm a raça grudada nos
apelos coloridos da ilusão totalizante. Nossa civilização deverá
ser repensada pelas próximas gerações, para que se esquive do
fim ignóbil já decantado por muitos profetas, antigos e atuais. A
indústria do supérfluo mata mais que a da seca.
Que bom o retorno de uma temporada de
chuvas normais (chuvas de verão, segundo os livros) ao interior
do Nordeste! Em tudo volta a boa paz, a beleza original. O Cariri
friorento, azulado, com névoa encobrindo as abas da serra, quais
mechas desfiadas de algodão, lembra que a vida se alimenta de
agricultura e trabalho.
Melhor reconhecimento seria impossível
tivéssemos equidade nas coisas do campo, da rua, e a satisfação
estaria completa, nas épocas sadias.

O FASCÍNIO DO FUTURO

Drama maior não poderíamos viver. Muitas e


estonteantes foram as expectativas de melhores realizações do
que as conseguidas até agora, em todos os quadrantes da
espécie, sobretudo no que concerne aos empreendimentos
sócio-econômicos. Nações estabeleceram estruturas sólidas,
porém apenas na aparência, vez se acharem todos sob o mesmo
clima de horror, em âmbito planetário.
As armas nucleares... ah, as armas nucleares
outra vez. Que bom se as classificássemos de pesadelo e
coubessem no contexto dos sonhos ruins, nisso ficando, de fato.
ouvir pela televisão um jovem "punk" dizer que se tratam da
grande esperança da raça.
Os americanos, enquanto aqui pensamos e
dizemos, continuam com seus testes. Os russos continuam com
seus testes. Os franceses continuam com seus testes. Os
ingleses continuam com seus testes. Os chineses continuam com
seus testes. Até os japoneses, que já foram vítimas reais,
continuam com seus testes. Nucleares, pois não?
Todos evitam se conter e aplicam botinadas no
planeta. Ou eles estão de pleno juízo ou nós somos débeis
mentais embriagados, uma vez ser função da vida viver, para
depois pensar nos demais hábitos que pode engendrar a vã
imaginação.
Dentro desse clima nos apresentamos, entre
fogos coloridos e banda de música, com o tema: O FASCÍNIO
DO FUTURO, porque não acreditávamos que a Terra devesse
atingir seu clímax em final bufo, como as superpotências
histéricas desejaram, à medida do esclerosamento de seus
líderes macilentos, nos museus de cera e necrópoles
administrativo-burocráticas dos estados modernos, quase
sempre longe das grandes concentrações urbanas, em
balneários estratégicos.
Isto pensamos em face da tamanha exatidão
matemática das leis universais, onde nos situamos. Gira o Sol
(exemplo vário) caminho tão aprimorado, e nos mantém dentro
de temperaturas as mais adequadas sem pré-existência de
programações cibernéticas conhecidas, que deduzimos o "homo
sapiens" querer destruir como vingança brutal pelas suas
limitações, e nem isso saber, de verdade, que não conseguirá
cumprir tal papel de desfalecer o sistema onde atua.
Cogumelos nucleares os avaliamos selos
rasgados de nova era, que surgira depois de esgotadas as
bolhas tóxicas, as ogivas. E que alternativas existem no íntimo de
cada novo homem, fruto do processo de aperfeiçoamento
espiritual sem mistificações desnecessárias? Os sábios disto nos
contaram; por que insistir em desacreditar? Não chega de
ignorância do tipo de pessoas quererem eliminar outras, na ânsia
de possuir e/ou possui-las? É o mesmo que buscar sair de areia
movediça puxando os próprios cabelos.
Amar; amar; amar. Pense, logo exista. Vamos
chegar, trazendo nossa parcela de esforço. "Faça você mesmo".
Das revoluções individuais em prol do auto-aprimoramento
nascerá a grande revolução homo-universal, esquema
porvindouro, sem o brilho fátuo que envolve as coisas que
passam.
FAVAS CONTADAS

Caso estivéssemos no Antigo Egito à época de


José, e a fase que vivemos poderia ser considerada como de
vacas magras para os cofres públicos. Isto porque muito se
gastou para a preservação de uma imagem de uso interno dos
que se mantém no poder, desde quando o Capitalismo ocidental
resolveu adotar outras técnicas de domínio, pelos empréstimos
dourados, forçando as donatárias a pagar juros fragorosos.
E se fala em descrédito das instituições sociais
como voz generalizada, onde ninguém acredita mais em político,
visto o excesso de promessa não cumprida. O descaramento
beira um abismo sem fundo. As realidades sendo defrontadas
nas ruas e os pobres diabos se acercam dos microfones para
falar o contrário, como se fóssemos bando de avestruzes, a
coexistir com eles, habitantes dos castelos de fantasia.
Os países atrasados têm disso: entra governo,
sai governo e nunca se planeja para o futuro como um todo. Tais
namoradas de balneário, cada um enxerga apenas o imediato.
Não existem programas plenos, abrangentes para a sociedade.
Assim, os cortesões provisórios vão e vêm, nos braços ingênuos
das massas.
Quando coisas se agravam, parecendo que os
dinheiros ficaram curtos (pois o comentário é geral), passamos a
imaginar que o voto vale mais do que dentadura postiça, chinela
japonesa, Machado de Assis, saco de cimento, camisa de meia e
gota de colírio, ou até metro de pano.
Os senhores mandatários passam a propagar
que as verbas se danificaram, fazendo coro de empresários e
ministros, sacudindo um fantasma que até agora não tinha
assombrado nessa freguesia, chamado de hiperinfração,
enquanto que, ao primeiro apito, correm antas e jaraguás, na
busca de um salvador da pátria, para fazer da novela a vida, nas
asas da Rede Globo, a agenda fica vazia, na mesa do
Presidente.
Uma economia de estado não acontece qual
plantar batata em areia. Vamos devagar para não quebrar o
santo.
Daqui a certos anos seremos outras gerações,
talvez um povo coeso, caso aceitemos a consciência do trabalho
honesto e de boa ordenação das favas. Teremos, todos, de agir
de conformidade com o bom-senso, desde cegos, aleijados, até
barões e condes de papel-moeda.
Caso contrário, sem mudarmos o ponto de vista
adotemos o pasto dos cativos, bananas podres e farinha azeda,
que mereceremos, após banhos de mangueira e vassouradas no
rabo, feitos macaco aposentado em zoológicos de metrópole.

HORA DE SABER

Nem sempre podemos ignorar, pois existe a


hora de saber, quando todo mistério se desfaz. Sobre ela
queremos falar, apoiados na indispensável atenção do caro leitor.
Tanto disseram sobre tantas coisas, enquanto o
essencial permanecia posto à margem, que esta hora terminou
vindo a lume, parida na força visceral da precisão, no chamado
enigma humano, centro e motivo deste ligeiro comentário.
De início, abordemos o cérebro, que se compõe
de uma figuração dupla, montado sob a estrutura de dois
hemisférios, que, articulados entre si, geram a sua função
completa: esquerdo e direito, a mesma concepção das outras
coisas naturais.
Chineses conheciam esses aspectos e os
estudavam sob a designação de Princípio Único, ou Lei da
Bipolaridade. "Tudo tem de ter o seu contrário para poder existir"
- Yin/Yang.
No Egito Antigo, Hermes Trismegisto examinara
o assunto,considerando que "um mesmo princípio perpassa
todas as coisas".
Assim, obedecemos, mesmo que
desobedientes, por nos achar submetidos a essa lei universal
básica..
Outros exemplos se revelam quanto às tais
dicotomias complementares: mulher/homem; noite/dia; Lua/Sol;
escuro/claro; doce/salgado; baixo/alto; negativo/positivo;
frio/quente. Pares de equivalência se distribuem com esmero,
lição constante dos valores formais que os mantêm.
Onde pisarmos, cumpriremos as ordens eternas
do Supremo Ser, criador do equilíbrio de tudo.
Tal evidência vamos achar na energia elétrica,
que se apresenta nos dois pólos: terra e fase, ou fogo. Terceira
alternativa inexiste além da harmonia dessas lateralidades,
perfazendo a força. Quaisquer disfunções redundariam no
desmantelamento e posterior inércia. Ao ocorrer
descompensação num dos extremos, o barco da ordem irá a
pique.
Quando falamos que no cérebro se
estabelecem esses dois inter-complementos, vale observar
validada pelos estudiosos da alma, nas várias escolas, para
assegurar saúde mental por via de negociações conosco
mesmos, na consecução maior de paz interna e obtenção da
almejada felicidade.
Vertentes religiosas, outrossim, indicam o nosso
outro lado como a trilha do grande encontro rumo à ascese
mística, plano elaborado pelos milênios de procura espiritual.
Jesus de Nazaré marcou a história sob o signo
do Cristo (Ungido de Deus), seu outro eu. Gautama, por sua vez,
ficou conhecido como Buda, o Iluminado da Ásia. Na Canção
Sublime, dos vedas, Arjuna ouviu Krishna, a Suprema
Personalidade Divina, que o conduziu para a vitória maior. Já
Saulo de Tarso mudou até de nome (Paulo) após encontrar o
Cristo, em pleno caminho de Damasco. Isto para citarmos alguns
dos fenômenos mais notáveis de transformações individuais que
marcaram a História.
- Descobrirás a Verdade e ela vos libertará -,
recomendava Jesus, nas suas pregações a um povo rude, ainda
voltado quase só para os atos transitórios da vida.
Além destas, outras afirmações suas se voltam
ao mesmo esclarecimento: "Se teu olho é bom, todo o teu corpo
é bom. Se teu olho é mau, todo o teu corpo é mau", dizia,
conforme os evangelistas.
O espaço das palavras reclama economia de
detalhes. "Hora de Saber", este título escolhemos para sintetizar
aquilo que pretendíamos escrever, isento de qualquer arrodeio.
Portanto, eis aqui o que de mais claro achamos
devesse constar, recordando a assertiva dos sábios de que
"Deus é a simplicidade das coisas mais simples".
Por via de conseqüência, ao se buscar novas
perspectivas para a realização pessoal, saltemos de lado, então.

A ILUSÃO DO AÇÚCAR

O conhecimento também deve ser um gênero


de primeira necessidade, senão vejamos através dos
argumentos.
Médicos afirmam que a doença vitima, de
comum, os organismos debilitados, ficando por conta da
subnutrição gama infinita das causas clínicas dos óbitos, no
Mundo inteiro. De nada adianta, aos governos, criarem hospitais
e desenvolverem pesquisa de medicamentos sem alimentar o
povo de modo conveniente.
Observemos, desta maneira, o quanto vale a
Vimos, sob o aspecto da carência, a questão
alimentar. Notemos, contudo, outra extremidade, isto é, quando
alimento existe, mesmo em quantidade restrita, onde um novo
desafio se apresenta: como utilizá-lo? Noutras palavras, como
praticar o saber a respeito do que se tem para ingerir? Tudo que
dizem ser alimento pode se engolir sem avaliação?
Vivemos a era do açúcar, nutriente que compõe
ampla faixa dos produtos industrializados, desde usuais
refrigerantes a bolos, balas, sorvetes, cafés, sucos, bolachas,
todos vistos como indispensáveis e consumidos à saturação,
livres de qualquer questionamento.
As civilizações antigas não conheceram o
açúcar puro, tal o que hoje adotamos. Já se leu a propósito que
Jesus-Cristo não chegou a usá-lo, como em nossos dias faz-se
rotineiro.
Antes, havia açúcar na forma natural, sem os
refinamentos químicos posteriores. A Macrobiótica Zen, tradição
milenar do Oriente, recusa as concentrações de sacarose, por
considerá-las agente letal de primeira plana, degenerador do
organismo, provocador de câncer, além de enfraquecer ossos e
causar muitas mazelas físicas e psíquicas, o que a Ciência oficial
pouco ou quase nada comenta, deixando-nos à mercê dos
grupos empresariais envolvidos no jogo de tais interesses.
A sabedoria popular sentencia que "quem não
sabe é como quem não vê". Cultura se destina, entretanto, a
clarear estradas, com ênfase a daqueles que pedem luz. Muitas
verdades nos chegam por meio da escola: datas, origens,
acontecimentos, conseqüências, fórmulas, finalidades, técnicas.
Informações que se acumulam nas enciclopédias, em
computadores, bibliotecas, museus, deixando-nos, por vezes,
tontos de fartura. Mesmo assim, prosseguimos habituados de
modo errôneo, desvirtuando as outras gerações, como que
premidos pela ignorância.
A propaganda, facção interessada, merece
parcela de culpa, pois assume papel estereotipado, mercenário e
utilitarista (que vivam os lucros e morram os consumidores), visto
atingir, sem crítica, grandes populações apenas consideradas
composto de mercado.
Dentro desses aspectos, o açúcar puro (ou
branco, como querem alguns) desenvolveu uma faixa de atração
pelos seus atributos, criando dependência orgânica, o que
dificulta sobremodo a preservação da saúde. Mesmo
estando aqui para salvar o Espírito, síntese da jornada terrena do
Homem, e não o corpo material, concluímos ser de melhor alvitre
fazê-lo desde uma constituição livre do envenenamento químico
precoce de drogas exóticas, pouco aceitas pela nossa natureza
animal.

INTENÇÃO E COERÊNCIA

Qualquer disposição de se fazer o bem,


desacompanhada de atitude correspondente, equivaleria a um
dito conhecido: "muito trovão e pouca chuva". Mais fácil dizer do
que fazer. Exemplos sobram de tais gestos, basta queiramos
encontrar, neste nosso mundo eivado das façanhas do menor
esforço.
Prosseguíssemos apenas nessa linguagem e
redundaríamos (quem sabe?) no mesmo pecado de insistir na
teoria e esquecer a prática correspondente, o que não
pretendemos.
Um papel existe para cada indivíduo, carecendo
aceitar o ônus de cumprir. Desde os mais simples objetos aos
submarinos nucleares, atrás houve trabalho, com pessoas
assumindo posições, iniciativas, argumento também usado para
demonstrar a existência de Deus nas coisas universais, vez que
nada existir sem criador respectivo.
O trabalho, destarte, nutre a criação e fornece
pretexto para renovações de valores, sobrando-nos compreender
a engrenagem e transformar as circunstâncias. Geraldo Vandré
definiu bem o assunto nos versos famosos de "quem sabe faz a
hora, não espera acontecer". Pois esperar atrofia até o corpo,
nas demonstrações da Biologia. Daí crermos imprescindível
saber da luta qual condição necessária a viver com êxito.
Nosso objetivo, porém, pretende mais um tanto.
Até o outro lado da questão, lá onde coisas
ocorrem com intenso movimento, onde os que descobriram a
força do trabalho não se conformam nas malhas da inércia. Agir
com persistência e jamais parar reclamando de sorte contrária.
São esses (os mais vivos) que comandam e determinam a
organização dos esquemas, na sociedade. Uma olhada pelos
jornais, televisões, títulos de nobreza, e lá se faz festa, sem
sombra de dúvida.
Pessoas mourejam de sol a sol, forçando outro
"porém". Tudo fazem só pensando em si, na maioria das vezes,
acesos no jantar da fortuna, indiferentes, dispostos, valentes
gladiadores, nos mercados e bolsas, formigas, lagartas,
gafanhotos, falsos moralistas, políticos interesseiros.
Questionar-se o direito de qualquer cidadão
progredir seria, no mínimo, intolerância. A sagrada escolha de
grupo social; quem sabe e pode opinar diz que tem de ocorrer
dessa maneira.
O neoliberalismo, propugnado como alternativa
econômica dos dias atuais, prega aceitação de capitalismo
dominado, idéia em voga como panacéia para a decadência dos
modelos selvagens ou paternalistas.
Disso deduzimos que lucrar, como meta do
processo de trabalho, virou neurose e contraíu esperanças. Os
mais avisados partem na dianteira, atropelam concorrentes e
cercam primeiro. Nem sempre escrúpulos contam, no resultado.
Vivem próximos ambulantes e exportadores, a se engalfinharem
pelos nacos do sucesso.
O que se diversifica, entretanto: as
mentalidades pessoais, o interesse imediato naquilo que
abraçam.
Uns pregam a paz fazendo guerra. Outros
fazem a guerra e choram pela paz. Quais aleijões de si mesmos,
entre coerência e intenção crescem vazios, para depois reclamar
coragem e músculos do querer/fazer das outras criaturas.

MÃE

Observados, em detalhe, os tantos aspectos da


vida humana sobre a Terra, excluídas vaidades imediatas,
destaca-se soberana a procriação. Detemo-se em desempenhos
até brilhantes no que toca a funções, importantes posições, no
entanto paira sobranceira a preservação da espécie, tal raiz
indispensável ao laço com as fibras do Universo.
Fixadas estas idéias, dois entes cumprem, pois,
milênios a fio, papéis infalíveis no fruir das gerações - o homem e
a mulher - pai e mãe. Sobre a mãe caber-nos-á desfiar conceitos
que lhes movam razão e emoção. Não se trata de tarefa das
mais fáceis, porém das mais nobres.
Mãe que tem sido objeto de tantas avaliações
sentimentais, desde autores sisudos quais Máximo Gorki,
Charles Dickens, Leon Tolstoi, até as modinhas singelas das
festas do mês de maio, nos grupos escolares de nossa infância.
Mãe que chora, que sorrir, embala infantes, amarga decepções
inevitáveis e deslumbra campos eternos, em paixão monumental.
O pai contribui para a vinda dos filhos na
concepção. A mãe gera e transporta cada criatura humana, nos 9
meses seguintes. Integra em si a matéria da evolução e abre o
próprio corpo à luz de um novo projeto de felicidade; a
interrogação de cada mulher, cada homem, é retomada sempre
da civilização, nas entranhas, enquanto a participação masculina
ocorre ou não, a depender de atuações posteriores.
Quantos episódios poder-se-ia contar de mães
a oferecerem a própria vida em nome da sobrevivência dos
filhos? Heroínas que seguiram aos campos de batalha, na busca
dos seus, de há muito desaparecidos? Como sangra o peito da
mãe que perdeu, no poente da existência, as mesmas
criaturazinhas trazidas ao mundo entre afagos, risos e sonhos!
A mae dos facínoras, para quem o filho será
sempre homem de bem, sem aceitar os veredictos de tribunais,
grades de prisões e, menos ainda, chagas de vingança. Mesmo
com essa natureza, se resigna aos lances do tempo, às
fatalidades da sorte. Luta em prol do melhor e se queda
resignada às cicatrizes dos caules a quem serviu de semente.
O vazio dos lares sem filhos recorda a
intranqüilidade de Sara, nas paragens bíblicas. Abraão ansioso,
de idade avançada, espera a promessa se cumprir. Depois tais
anelos realizam a raça judia.
A mulher e sua responsabilidade na
transmissão dos ensinos originais. Um código transcendente,
divinizante, a protestar continuidade nas primeiras escolas.
Mãe de todos, Maria de Nazaré, abraçada à
cruz, no Calvário, acompanhando os instantes derradeiros da
missão salvadora do Filho, que voltava ao Pai, exemplo maior de
todas as mães, anseio e Misericórdia, repouso de nossas almas.

MODA DE VIOLA

De criatividade bem usada resultam


possibilidades amplas, no trabalho, vistos também outros
aspectos da união do grupo social. As crises podem ser
consideradas valiosas como desafio para o surgimento de
alterações nos hábitos humanos. Sempre se fez assim, dando
certo, quando algum dia a casa cai, pesadelo cobre sonho, cada
um por si e Deus por todos.
Crato atravessa aquela que seria a pior crise de
sua história. Reclamos de dificuldade ilustram fisionomias. Os
menos aquinhoados amargam carências; os melhor nutridos
sobressaltam-se nos destaques apreensivos, tais pontos de fogo
em noite escura, pois nuvem cinza encobriu o sol da certeza.
"Nenhum homem é uma ilha".
A busca de alternativas anda nas bocas, desliza
nas mentes, para explodir nos músculos cotidianos.
Que a estagnação ganhou corpo, isso ninguém
duzentos anos. Rebanhos bovinos estercaram encostas e
baixios; engenhos moeram safras e algodoais esbranquiçaram
serrotes. Porém chegou a saudade e os vagões de carga
repousaram no silêncio dos ferros-velhos, parecidos com tetos
vazios quando inquilinos vão embora.
Pois descobrir vocações produtivas não se
decreta. Nas ciências ditas sociais as coisas ocorrem por
gestação espontânea, parecido com percurso de folhas secas ao
vento. O máximo que se pode desfrutar fica por conta dos
compêndios históricos, nas mãos vitoriosas, quando amarelarem
jornais e revistas, e se desmagnetizarem as fitas. Têm de correr
livres as sociedades, como livre flui o pensamento.
No entanto há item para ser controlado: o rabo
do elefante, isto é, a força criativa, no cabresto das lideranças.
Em havendo crédito aos iniciadores das idéias,
o povo lhes seguirá, no preito da convicção; a fé verdadeira.
Observem quanto ganha em proeminência o condutor, nos
rebanhos. Costumam dizer até que "por falta de um grito se
perde uma boiada", sem acrescentar qualquer conotação
depreciativa a esse instinto meio-animal de todos os homens,
também seres gregários e transferidores de hábitos.
Na última semana, se falou, no Cariri, em
parque ou pólo tecnológico, a reboque dos planos
governamentais. Montar, nesta região, um núcleo de ensino nas
áreas elétrica, eletrônica, mecânica e de informática, para formar
mão-de-obra especializada e atrair indústrias avançadas,
observadas experiências paulistas, paranaenses e outras.
Cabe-nos refletir para fazer. Esperar, atentos, a
luz no fim do tunel. Em matéria de perspectivas econômicas,
facilidades cheiram a fortuna de herança, solo de mina ou
contravenção penal.
Todo problema se completa num resultado
qualquer, de nome solução. Trabalho árduo e sensato fertiliza o
renovo. Quando perguntaram a Edison, pai da lâmpada
incandescente, dentre inúmeros outros inventos, qual segredo
creditava à sua prodigalidade, respondeu:
- Cinco por cento, inspiração. Noventa e cinco,
transpiração.
À juventude nos entregaram, portanto, o mote
dessa moda de viola.

O MOMENTO ESPERADO

(...) E se pensar no direito de escrever apenas o


manhãs abertas das vanguardas e, no entanto, quando seja tão
válido o verbo ser como ter, estar ou permanecer. Conto ou
crônica, simples artigo onde pousem letras e, formando palavras,
concedam, a quem ler, sensações agradáveis de que viver
também faz parte da Vida.
Assim como num sonho que nunca aconteceu
numa mente que nunca dormiu. Assim. Numa manhã, tarde, ou
noite. Ausência de relógios, em respeito ao adormecer dos
pássaros que catam pedrinhas nas estradas desertas do sertão.
O gosto saboroso da sinceridade de quem ama e merece,
portanto, ser amado.
Viver ou escrever, na ótica de Sartre. Porém as
palavras refugiam a angústia de tantos, dos que querem sem
desesperar e transmitem a sede das horas que passam vagando
no ar, sem maiores realizações.
A chance mágica dos acontecimentos como
deve suceder. Como caem da árvore as frutas maduras.
Desprender suave das ostras, entregues às ondas no marulhar
das rochas. Puro segredo de ocorrência oportuna. Onde se
perfaz Justiça Suprema de amanhã igual para todos. E ver
acontecer, como quem dominou os nervos nas tempestades da
alma, e colhe, dentro de si, ápice de universais momentos.
Já se observa que o desconhecido perenizou
seus efeitos, acionado por referências coordenadas e infalíveis.
Por que, então, se duvidar, com ânsia, do porvir? Como
questionar a exatidão matemática da Ordem do Universo, quando
tudo comprova existir? Humano ser. Humana dúvida; pobres
mortais. Insaciável e apressado adolescente, quando a paciência
é mãe da Felicidade.
Um conto perene, que anime a vibração de se
pensar juntos, porque escrevo e o gesto me une a você. Somos
os mesmos que por isto daqui perpassam e notam o ato elétrico
de codificar e decodificar, sem se poder qualificá-lo, a não ser
como possibilidade de transferir algo que gere a luz, em forma de
paz interna, a falar de evolução e esperança.
Uma noite, numa cidadezinha da Judéia, Belém
de Efrata, há quase dois mil anos ele nascia, Jesus, depois
transmutado no Cristo, convite a dias melhores para a
Humanidade inteira. O que nos caberia acrescentar, a não ser
que os laboratórios do progresso jamais se estagnam onde exista
união. Nada maior do que a certeza de que haverá triunfo do
Bem sobre tudo, sobretudo.
A imaginação nos faz continuar. Sempre
crescerão flores para trazer alegria ao coração de quem ama.
E pensar que se pode arrastar o papel da
até o fim da página, porque avaliamos que espaço percorrido
vale um tempo mais demorado de se permitir que idéias aflorem
e montem frases, onde a fome de dizer possa cumprir seu papel.
Mais outro ponto parágrafo se fez, em forma de novo
período. Não sei se composto por coordenação ou subordinação.
Mesmo assim prenhe de sabor dagora, onde o vento parou no
hálito da noite, refletindo umidade quente do verão. Os cães
adormeceram. As estrelas brilham. Toda constelação tem nome
e forma desenhos. O céu permanente, imbatível. E a alma da
gente trepida, qual motor ansioso que forceja a base, buscando
partir em rumo do depois, quando o que se tem de viver é
satisfação de existir, como seta no alvo do Infinito.
Tempo novo são nuvens da aurora. Enfim,
cirandas refeitas circulam as bocas que podem desentortar o
cachimbo, quando se permita à Natureza acontecer dentro de
cada um, abrindo as pálpebras do outro nós mesmos que até
aqui guardávamos para hoje, quando maestro movesse da batuta
e eternizasse o Ser.
Saibamos ouvir a canção dos andarilhos, nas
estradas de rotorno à luz do dia. É só recordar.

NEM TODA TAMPA SERIA PREMIADA

O mesmo impulso que forçou os do campo a


viver na cidade agora saculeja as bases e quer trazê-los de volta,
perfazendo roteiro contrário. Todos aqueles argumentos que
motivavam pessoas a deixarem o silêncio das matas, em busca
dos acrílicos urbanos, perderam a razão, neste tempo de
depressão à brasileira.
Antes da Revolução de 30, o País se
caracterizava como uma economia primária, de estrutura
agrícola, quase apenas exportadora de matéria-prima. Três
quartos de sua população moravam no interior, mesmo
submetidos ao sinete colonial das oligarquias do latifúndio.
Éramos um terço do total que hoje somos, produzindo sustento
próprio, catando da indústria só o inevitável.
Vieram as transformações da famigerada
modernidade, com ênfase depois da Segunda Guerra.
O entusiasmo pelas cidades avassalou-se e
encheu estradas. Em duas décadas, as capitais inflaram,
problemas mudaram de feição e a cantilena dos políticos
norteou-se de maneira diferente, advogando o interesse burguês
dos ricos capitães de indústria e comerciantes proprietários. Até
os heróis mudaram de nome e passaram a falar noutras línguas,
- Seria o calor das multidões? Ou terão sido os
trens de subúrbio, lotações, vitrines coloridas, carrões faiscantes
(alheios)? Os discos sem chiado, pizzas, butiques, cinemas,
teatros? Ou, ainda, as lanchonetes, os bares, as esquinas, os
estádios de futebol, as praias? Mulheres bonitas e inacessíveis?
Lojas de departamentos e suas escadas rolantes? Festas de fim-
de-semana, boates, motéis, programas de auditório, crediário,
clubes de periferia? (Em cada cabeça uma sentença).
De nada adianta, agora, saber o que a sereia
cantou. Um dado não se discute: dois quartos da população
passaram às cidades e no campo ficou apenas a sobra
descompensada do contingente populacional, para produzir o de
comer do povo todo, do campo e das cidades.
"São Paulo é o que o Brasil tem de mais
parecido com o Primeiro Mundo. É a megalópole da potência
emergente, com sua massa de arranha-céus que se equipara em
grandiosidade à dos maiores centros norte-americanos e não tem
paralelo na Europa. Mas eis que surgem na imponência da
Paulicéia umas chagas inquietantes, sintoma de um mal que
contradiz as suas exterioridades magníficas: milhares e milhares
de pessoas morando nas ruas" (Moacir Werneck de Castro
(Jornal do Brasil, edição de 09.03.91).
Para contrabalançar, o lado antigo da questão
volta ao picadeiro: modelos econômicos adotados, conotação
fundiária, atrativos do neón; e os salários vis das fazendas
entalaram na goela dos sonhadores, passando de doce a
amargo, interrompendo com desgosto muitas luas de mel.
Nas construções, nos condomínios, barracos de
pedreiros, de vigias, ou dos sem colocação, um companheiro
constante no radinho de pilhas (toca-disco ou gravador) ainda
prefere lembrar acordes felizes dos sambas de latada, pé-de-
bode, triângulo e zabumba:
- "Eu prantei meu mio todo, no dia de São
José..."
O coração se embalança; comprime de não ter
jeito. Ah! reviver o tempo... Esperar mais um pouco e sofrer a
sequidão dos açudes, do marmeleiro, o fim da criação; jamais
querer fugir de novo.
- "... Para o meu mio dar vinte espiga em cada
pé".

NOITES DE LUA CHEIA

Passar o tempo neste apartamento de livros,


discos, bons companheiros antigos, se transformaram em trecos
repetitivos, lineares e aborrecidos.
- Vida de cidade grande. CIDADE GRANDE -,
argumentos anêmicos. Razões do passado, quando plástico era
elemento curioso, como espelhos e fitas coloridas dos
portugueses aos índios.
Hoje, tudo ficou diferente, perdido que está o
sonho da combinação artificial das cores. Aquilo de se ser um
pouco de humano - de necessitar da natureza - não mais pode
ter compensação nas noitadas em frente aos vídeos, jogos de
futebol e cinema. Quer-se viver de verdade. Viver de verdade
(engraçado, não fosse trágico). Hora de decisão. Onde sobra
querer demorar um pouco mais.
É noite de lua cheia. (- Mas hoje não é quarto
crescente?).
Pouco importa a lua. Vivemos o expediente.
Quinze para as quatro, esquina da Piedade amanhã. Viver.
Vegetar. Utopia em antítese. O retorno, a síntese.
As mariposas nunca mais procuraram a luz. Luz
artificial industrial. Noites de cidade. As noites de apartamento.
Ausência de vida pelo ar. Um cheiro de incenso envelhecido, de
mofo. Vidas artificiosas nos jornais, nas revistas. Sonhos andam
escassos, esgotados pelos desanos (anos de desenganos).
Ausência completa de neologismo. Um mundo de silogismo e
sofismas. Saudades amarelecidas, nos varais em volta.
Como dizem os que quebraram a cara: - Do
erro, a recuperação.
De uma falha burocrática de antes, a máquina
tomou o lugar do Homem, dono do Planeta, na ordem natural das
coisas. Alguns sacrificaram todos. Cidades em volta das fábricas.
Cidades em tudo. Monstros de ferro e fogo. A própria brutalidade
envidraçada.
Assim, muitos anos. Assim, em volta espiralada.
Sofisticação universal de centros cercados de substâncias
apodrecidas. Noites de floresta. O mundo fantasioso dos
ancestrais. As histórias de Bradbury. Vida marciana. A beleza em
tudo. O amor. A consciência. A justiça. A igualdade. O sonho. A
liberdade. A vida. O trabalho. A honestidade. O equilíbrio. O frio.
O quente. O açúcar. O sal. O som. As flores. As árvores. A
criação. Deus.
A Coca-Cola chocou. A raça se levanta
devagar. Levagar. O ovo. O novo. Tempo transcorrendo no vento
e uma sensação de calor. Uns descem, outros sobem a avenida
Sete, às 9:00 horas de um sábado de Primavera, no fervor do
comércio. O sol. A procura do não se sabe o quê. Do não se
dos morros. O rapa expulsou os hippies. Salvador do turismo,
como meretriz sorridente, segue pras bandas da praça da Sé -
pela rua Chile. Cheiro baiano de África, de Continente Negro. A
manhã - a manha... amores de dendê - de onda do mar - de areia
branca - das madrugadas de Itapuã - de sabor de sal na pele o
dia todo.
Uma noite a mais pela frente. A lua crescendo.
Os discos nem sempre silenciam. Mesmo porque (de que
adiantaria?)... os carros cobririam o silêncio. Apartamento é como
caixa de som, tem vibração, tem tudo.

OMISSÃO OU CUMPLICIDADE?

Tantas vezes nos imaginamos a mudar o


Mundo, quantas o fazemos até pior do que antes de nossa
chegada. Ansiamos transformar a paisagem e queimamos uma
broca. Agir em favor das minorias e criamos cães de guarda,
galos de briga. Dividir a renda nacional e abrimos mais
cadernetas de poupança. Ampliar o atendimento aos
necessitados e construímos, ou reformamos, nossas instalações
sanitárias.
Noutras palavras: alguém que modifique o
Universo não seremos nós, porque estamos prontos a tudo,
desde que venha em favor de nossos próprios sonhos.
Enquanto isso, na periferia da cidade... nos
hospitais... nas penitenciárias... esgotos... seio da sociedade...
mangues... páginas policiais... colunas de jornais...
Omissão que se apóia num dos lados de nosso
cérebro. Naquele que funciona para a ordem suplantar o
progresso a ponto deste fincar tanto raízes no espaço que deixe
de cumprir sua função precípua de ocorrer no tempo. E
passamos de idealistas a reacionários, sufocados pelos gases
letais das velhas idéias, que se perdem pelo excesso e pouca
prática. Naus sem rumo em mar de espuma podre.
Neste início de parágrafo, fazemos uma pausa,
não a menopausa, que é a mais longa. Uma menor ainda, para
dizer que o estilo moralista afasta muito mais do que aproxima,
vez saber que se conselho fosse bom, etc., etc. Assim mesmo,
quem agüentar seguir espere até o fim para ver onde vai dar
esse roteiro.
Na Alemanha hitleriana, quando nazistas
iniciavam a cruel perseguição aos grupos minoritários
começando pelos socialistas, um pastor protestante (história esta
que ouvi de Lysâneas Maciel, também pastor protestante)
desacomodava-se a pensar: - Não sou socialista, por
conseguinte, se não devo, não temo.
Depois, foi a hora dos comunistas e líderes
operários. Isto também não se considerava o pastor, que, em
contrapartida, nada fez em favor dos perseguidos usando meios
disponíveis.
Foram levados, em seguida, judeus, liberais,
ciganos, prostitutas, outras categorias, todas diversas da do
religioso, sempre neutro ao ambiente de terror em volta.
Ao fim, vieram buscá-lo, e não houve mais
ninguém para, ao menos, levantar a voz em sua defesa.
Na história da raça, somos quais esse modelo,
tal e qual. Parados estamos, parados ficamos, na expectativa de
que outros façam primeiro e sejam por si suficientes a que nos
garantam o bem-estar.
Estas reflexões as apresentamos por viver ano
político, onde destinos serão redirecionados (ou não) pelo
sufrágio universal, o único direito comum que detém a força de
transtornar o processo da História. Fugir das definições políticas
é como jogar lixo debaixo de tapete, onde proliferam os monstros
que virão devorar incautos.
Pensemos no quanto de força movimentamos
ao depositar nas urnas as cédulas eleitorais, e será mais fácil
perceber nossa responsabilidade frente ao crescimento da (s/o)
desigualdade, fome, doenças, infância abandonada, poluição,
desassossego. Guerra. Inflação. Analfabetismo.
Omissão tem mau-cheiro de cumplicidade,
desde que adquiramos coragem para compreender que os
continentes se formam na soma de inúteis (?) grãos de areia.

OUTONO DAS CIDADES

De observar as ruas da cidade, notamos forte


tendência nos seus atuais moradores para se transferirem ao
campo, escapar do barulho e respirar mais libertos da fumaça.
Nos fins-de-semana, então, a coisa ocorre sem deixar qualquer
dúvida. Os grandes centros, esses viraram só compromisso de
segunda a sexta. Depois, fuja quem puder.
Tal avaliação sugere a falência de um sonho
que nos alimentou durante muitos séculos. O instinto de procurar
vilas e repartir preocupações lotou o espaço das cabeças todo
tempo, que povos não pensaram em mais nada como outro
modo de racionalizar o povoamento do Globo.
A proposta inicial seria somar forças. Entretanto
superáveis pelo trabalho partilhado, depois intransponíveis, face
ao crescimento exagerado, rompendo previsões de gastos e
limitando alternativas para ocupação de toda a mão-de-obra
concentrada.
Os núcleos de prosperidade em que se haviam
modificado as povoações resultaram nas baías interiores, com
classes sociais dilatando sempre o fosso divisório do abismo
entre si, desvirtuando o impulso gregário dos indivíduos,
subtraídos da ordem natural que ficara no campo. A tendência
afluente reverteu-se num isolamento grupal, hoje bebido com
náusea nos passeios neuróticos das violentas madrugadas
urbanas.
De tal maneira as chagas têm sangrado, que
maioria incalculável de cidadãos passou a descrer das soluções
comuns, adotando iniciativas fechadas, mesmo em detrimento
dos que nada podem.
Seriedade não falta para o estudo de tais
sintomas. Congressos, mesas redondas, longas, quadradas,
sutis discursos, prepotência, pirotecnia. Interesses próprios
mascarados de usurpação de atribuições. Fórmulas mágicas
preenchem todas as prateleiras - critérios exclusivos nos
programas de governo.
Em compensação, risco ocorre no achatamento
dessas intenções, vez ficar difícil dizer quem pode ou quem quer
só o poder; saborear o mel e descartar o fel. Do pecado na
escolha ruim fica um preço a ser pago, tamanho o tempo perdido,
multiplicado pelas vidas em jogo, milhares que habitam os guetos
das cidades; seria, talvez, a democratização da miséria, invasora
dos lares e destruidora da vida social, espécie de submissão aos
valores piores, quando se descartou a chance de melhor
escolher, vezes perdidas para sempre.
O relógio bem simboliza essa corrida
azavessas. Muitos ainda acreditam que possam viver fora do
problema, trabalhando nos mesmos escritórios, mesmas lojas, na
prática de esconder a cabeça, deixando de fora o corpanzil,
exposto ao adversário.
Vem dessas decisões o abandono que se
verifica da zona urbana. Quer-se usar e não cuidar. Abandonam
as cidades e deixam ao léu da sorte os que mais delas
dependem. Participar, sim, mas no interesse dos trechos que
ocupem nos cinturões verdes, para onde possam sumir aliviados,
graças ao carro, eficaz reunidor de superfícies.
No passado, as guerras reviravam ordens
estabelecidas e desfaziam os mais críticos problemas. Depois,
técnicas potencializaram a riqueza, comprimindo exércitos no
transformados em campos de concentração e desavença. Os
instrumentos de lazer eletrônico restaram desmantelados, nos
cubículos escuros sem ar, nem paz, quais sucatas de luxo.
O retorno ao seio da floresta mais do que nunca
antes parece surgir como lenitivo provável; estudiosos da alma
humana acreditam mesmo que trazemos dentro de nós o mapa
desse percurso, algo semelhante ao que perfizeram os hebreus,
na saída do Egito empós da Terra Prometida.

O PAI SUPERIOR

Quis Deus que aqui nos encontrássemos para


falar nEle, pois a isto nos propomos, nestas palavras, falar em
Deus.
Supremo poder o de Deus, donde emana tudo o
que existe. Merece muitos nomes: Senhor, Jeová, Javé, Aton,
Amor, Allah, Altíssimo, God, Gött, Tao, Tupã. Cada povo sabe
dizê-Lo, entre dores e esperanças.
As religiões terminam sempre junto dEle, sob o
nome que O quiserem chamar. Até aqueles que não admitem a
Humildade, os cientistas materialistas, dão de cara com um nível
de raciocínio que não pode ser dito e chamam-no de
Desconhecido ou Força da Natureza.
Dedicado ao Deus Desconhecido, encontrou
Paulo de Tarso um altar na Grécia politeísta.
A voz do coração, onde reside a Consciência,
fala de Deus. O Caminho da Perfeição abre-se a cada passo,
adotemos ou não percorrê-lo. Tudo marcha, sem questão,
inexorável, a um fim útil.
O sorriso da criança, o ar que se respira, a paz
dos ermos, os azul do infinito, a luz dos astros, as flores, os
frutos, as sementes, o verde, o mar, os rios, os lagos, as
montanhas, a chuva, o vento, o fogo, a água, a palavra, a
compreensão, a família, a amizade verdadeira, tudo fala da obra
divina.
Certeza aos perdidos, saúde aos enfermos,
alegria aos infelizes, hálito aos aflitos, nunca há de faltar, porque
Deus nunca findará, em sua plenitude eterna.
Mesmo aqueles que não tiveram aceso à
letrada cultura guardam a convicção desse Alguém Maior, além
do que admitam os homens, herdeiros universais na Criação,
tantas vezes ingratos.
De Bondade sem limites, como não têm limites
sua Inteligência e sua Justiça, devemos recebê-Lo com fervor no
âmago do Ser, para alcançarmos a Fé, matéria-prima da tão
almejada Felicidade.
E o Poder completar-se-á em cada um de nós,
a realização plena de nosso Espírito, irmão entre Irmãos, no
Planeta em que nos foi dado viver durante algumas décadas. "A
graça e a bondade hão de acompanhar-me todos os dias da
minha vida".
A oração será a ponte de que o pensamento se
utilizará para transpor o abismo e completar, com Ele, a União.
Falemos, pois, sinceros aos Seus ouvidos oniscientes, para
alimentar os sonhos do que é bom, merecendo o bem-querer de
abraçá-Lo, na Vitória Definitiva.

O POVO SABE DE SI

Um vendaval de rebeldia e transformações


varre os países do Leste Europeu, neste final de década, como
jamais imaginaram os teóricos mais férteis, pondo por terra o
fatalismo do partido único, mito adotado nas democracias
populares de origem marxista-leninista.
Século inteiro veio de ser questionado em toda
a órbita soviética, onde esforço de assumir direitos e anseios
gerou uma nova classe no poder, sob as máscaras de tutora da
grande sociedade, indo pouco além do oportunismo cruel,
burocrata e alienante em que se tranformaram as democracias
populares.
Grande mestra, a História, desde que atentos
se postem os homens, ouvidos fixos nas entrelinhas dos palácios
e das ruas.
Aventureiros perspicazes fazem ponto nos
cavados de tempo, dando preferência às épocas obscuras, e
lançam mãos de postos vitais, mostrando condecorações
duvidosas, táticas perversas, impostores nos mercados da
política, em geral porque tantos se recusam chegar na hora e
assumir os necessários compromissos. De modo repetitivo, as
massas reclamam alternância, mas não se oferecem para isso.
Delas tem de vir no comando as lideranças anunciadas. Depois,
ficou tarde, onde o preço explode nas convulsões indesejadas.
Daí aquele costume arraigado de achar que
participação só gera aborrecimentos e que os políticos todos não
merecem confiança, enquanto esses mesmos se revezam,
eternizados em postos-chaves, crescendo os custos da
indiferença, deteriorando as sapatas da pirâmide social, quais
papéis mofados aos cantos de salões poeirentos, nos edifícios
Temos de encostar de perto nos que se dizem
nossos representantes, pois ninguém merece este título sem
cumprir a obrigação de que foi incumbido. Apenas querer,
prometer e sumir, pouco significa nos momentos críticos dos
tempos atuais.
Olhos abertos nos partidos salvacionistas, que
assumem de modo ostensivo a prerrogativa da credulidade, para
depois se escafederem com a panela, nos corredores sombrios
da corrupção. Prováveis homens de bem devem primeiro
demonstrar suas intenções: antes disso que os vejamos tais
suspeitos e demagogos em tese.
O jogo de cores/palavras dos meios modernos
de transmitir mensagens se presta à mistificação, dosado pelos
grupos que juntaram forças na sombra de regimes espúrios. O
espaço forjado pela injustiça germina líderes postiços, como
mercadoria de feira (tanto na extremidade esquerda, quanto na
direita, conforme os gostos) para as lâminas maleáveis da
propaganda paga, cabendo-nos avaliações e lucidez de escolha.
Nenhum homem isolado poderá sentir o
sofrimento do povo inteiro, por mais vontadoso que seja. Cada
um de nós sente proporcional a cada resistência. Deus nos livre
dos falsos cristos e falsos profetas. O crescimento social se dará,
queiram ou não os egoístas. Deixemos correr o barco, de
preferência sob lideranças honestas e nos padrões regulares da
sabedoria do povo, isento de dores importunas.
Assumir quem somos deve significar mérito, nas
populações. Liberdade frutifica esperança e trabalho, sob
qualquer hipótese. Guardemo-nos daqueles que indicam o
abismo como fim útil do drama moderno.
Bem aqui, neste parágrafo, cabe um desfecho:
o povo é senhor de si, não carecendo gestores, e ainda nos
recorda, como aviso de algibeira, os maus só parecem grandes
porque os bons teimam em permanecer ajoelhados.

A QUESTÃO CARCERÁRIA

Há mais de uma década, nas ruas de


Mangaratiba RJ, presenciávamos o passeio dos detentos da Ilha
Bela. Quadro marcante, dadas as suas particularidades: cortejo
de homens válidos, corpulentos, em marcha batida, controlados
por guardas e cães, a percorrerem trechos daquela cidade
litorânea; alguns traziam consigo peças de artesanato de
fabricação própria, oferecidas aos circunstantes, por preços
ocasionais. A cena ficou gravada, para ocorrer-nos ao
penitenciário brasileiro. Aqueles zumbis, de olhos vazios, trajes
encardidos, quais reses de tosquia, trastes da culpa, apenas
arrastavam o tropel do destino.
E revivemos também a sensação cotidiana dos
noticiosos, quando exploram o mundo cão. São raros os meses
em que deixam de ocupar cardápio as rebeliões das celas, tanto
nos estados mais desenvolvidos, quanto noutros menos
prósperos, com registros de fugas, incêndios, perdas de vidas. A
escaramuça mais recente se deu no mês anterior, na
Penitenciária Anibal Bruno, em Pernambuco, com oito vítimas
fatais, dentre elas sete presos e um refém, saindo feridas outras
duas.
Portanto, tais os aspectos percebidos do
estrangulamento em nosso sistema penal refletem crise na
estrutura da sociedade como um todo, onde deficiências indicam
motivos de muito chão para ser ainda percorrido na mudança
desse quadro crônico.
Cheira mesmo a repetição se dizer que nossas
cadeias, quais viveiros adustos de pássaros infectos,
converteram-se no campus da monstruosa universidade do
crime, imagem conhecida, onde apenados encaram desafios
primitivos, junto de outros em até piores condições físicas e
morais. Daí, qual onda avassaladora, estranho relacionamento se
impõe, multiplicando a morbidez dos seres vencidos, muitas
vezes depois lançados de volta às sarjetas, num qual ciclo de
miséria que aumenta mais ainda os custos humanos do
multissecular subdesenvolvimento.
Intenção honesta de resolver o problema não
pode obscurecer as possibilidades dessa área, vistas
experiências nos países ricos, mesmo sabidas quantas falhas
podem também lá ser detectadas.
Planos que se cogitem vincularão sempre a
participação efetiva da força de trabalho reclusa no processo
produtivo. Em resposta, as sentenças, assim, deixariam, por si,
de inutilizar a mão-de-obra prisioneira, sobrando ao Estado o
mérito de adotar soluções criativas e gerar riqueza,
retroalimentando e estabilizando as contas da instituição punitiva,
além de profissionalizar aqueles de comum sem ofícios.
As prisões agrícolas, de que no Cariri, em
Santana, temos exemplo bem sucedido, demonstram a
viabilidade destas idéias.
Por fim, resta-nos imaginar perspectivas novas
para problema tão remoto. Sejamos advogados, juízes,
promotores, estudantes de Direito, apresenta-se às nossas vistas
o véu enegrecido desse dilema no lidar com a execução penal,
semelhantes flagrados pelo desaviso criminoso. O gesto simples
de segregar às malhas fétidas dos calabouços, sem outras
preocupações concernentes, apenas mascara uma chaga que a
todos condena, desde a mais tradicional mansão ao sórdido
barraco.
Compromisso mínimo pesa sobre os ombros
dos operários da Lei - fidelidade à Justiça, sabendo-se que o zelo
da liberdade nos vem assegurado, como atributo essencial do
direito à Vida, dom divino que nos cabe manter, sobretudo em
favor de quem mereceu menores oportunidades econômicas e
culturais. Desta forma (sugestão pertinente?), equilibraremos as
cotas de esperança para concretizar ideais igualitários, fiel roteiro
da ordem do Universo. Isto tudo sem desmerecer os que afirmam
ser a Terra escola-prisão, onde nos reabilitamos dos erros
milenares, durante imortal aprendizado rumo à Eterna Felicidade.

RETRATO FIEL

As feirinhas de ciência, religião e arte, nos fins


de ano das escolas, bem que refletem os tempos atuais, matizes
multifacetados de cores fortes em tudo que oferecem. Agora
recente fui visitar duas delas, para encontrar sintomas
particulares de mundo convulso.
Já nos primeiros painéis, envolvidos por letras e
riscos pichados, faixas rústicas com signos da cabalística
moderna (anarquia, tao, nazismo, etc) e apelos salvacionistas,
viam-se que as ondas massivas se espraiam nestas bandas
juvenis do interior, invadindo espaço antes apenas bucólico.
Salas dos colégios viraram museus vivos, onde
turmas se desdobram no afã de montar assuntos com técnicas
mistas, para representar o que foi estudado no currículo, tudo
sob supervisão dos professores. Daí a organização dos detalhes
e o cunho didático da proposta, num aprendizado participativo,
por certo da maior valia.
(Pesquisamos cada canto, relanceando ciclos
históricos, o passado e as preocupações contemporâneas.
Subindo e descendo, ouviam-se informes de guias fluentes,
prestativos).
As montagens em isopor, plástico e papelão,
reeditavam estruturas feudais da Idade Média européia, onde
repousam nossas origens, o engenho colonial, as fazendas de
café, aldeias indígenas, torres, castelos, igrejas e senzalas,
desníveis econômicos antigos, presentes, razões remotas,
perspectivas, análises críticas.
Depois, as experiências elétrônicas,
demonstrações gráficas da inflação, os riscos das drogas, da
aids, do desmatamento, da violência. Durante tudo isto, os sons,
vozerio que se misturava a rockões pesados de grupos
estrangeiros, vindos de uma tenda no pátio. Muito movimento,
ruas de salas e armações, enquanto a viagem continuou. Agora
pelo espelho da comunicação, força ditatorial da propaganda,
poder da técnica servindo a grupos privilegiados. Dramas
sociais. Corrupção. Incompetência. Nivelamento da miséria.
Em cada ambiente, os responsáveis pela
explicacão dos trabalhos por vezes bem confeccionados e ricos,
não faltando, porém, as carregações. O zelo de mostrar, no
entanto, prevalecia em todos.
A influência da cultura industrial dominou o
ambiente das festas, se podendo registrar as marcas que foram
ficando, quais coisas impostas, supostas, ao contrário das
sedimentações naturais, o que seria mais genuíno; e essa coisa
vira desassossego, resultando meio crua, mal costurada,
artificiosa.
Isto se apresentou contundente nas festas
escolares visitadas, qual síntese profética de tempos de luta.
Crise do socialismo russo, saídas liberais
capitalistas, trabalho coletivo de comunidades rurais, religiões da
cidade, o sem sentido das guerras, martirológio de mitos, perdas
de ganho demonstradas com particularidade, dívidas externa e
interna, a informática na organização do trabalho, injustiças de
patrão, poesia engajada, protesto das praças, e humor
apreensivo, mordaz, que serviu para ilustrar as cartolinas,
contraponto ameno, às vezes insistindo em neutralizar os tons
fortes da realidade fria.
Desta maneira, um passeio, onde se viveu de
perto dramas próximos e futuros, na condição nossa de cada dia,
ombros com a prática das salas de aula modernas, retalhando,
nos altares profanos, as oferendas sacrificiais, entre frases de
Lennon falando da Paz.

SINAIS DOS TEMPOS

No auge de uma das tantas quadras violentas


do Líbano contemporâneo, ao primeiro cessar-fogo os telejornais
apresentaram retorno dos banhistas às praias, com barracas e
bolas, cadeiras e cães, como nada além da simples rotina. Daí
peguei a matutar sobre certas palavras bíblicas (Lucas, l7.28):
"Como também da mesma maneira aconteceu nos dias de Ló:
Pois assim agimos, e, quando menos se
espera, coisas transformadoras ocorrem, sem que sejamos
reavisados... Enquanto alterações históricas, isoladas ou totais,
desfazem perspectivas do continuar. Nisso, esquecemos para
trás chances de corrigir o curso dos acontecimentos, chegando à
estação da realidade quais reses de corte, gravetos em fogueira,
moluscos de marés, ou gotas d´água ao sol do meio-dia.
Acho que sabemos do quanto somos fagulhas e
cinzas; portanto, para que recalcitrar? De nada serviria, a não ser
de pretexto à revolta e subsídio ao temor.
Assistimos fatores indicarem a certeza de um
trilho nas brumas do desconhecido; as edições-extras não nos
deixam sozinhos, pois insistem na tecla; vamos aqui trabalhar de
comum acordo: a humanidade de hoje já tem contados seus dias.
"E o céu retirou-se como um livro que se enrola;
e todos os montes e ilhas foram removidos dos seus lugares. E
os reis da terra, e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os
poderosos, e todo o servo, e todo o livre, se esconderam nas
cavernas e nas rochas das montanhas", afiança-nos o
Apocalipse de João.
Mesmo diante de tais evidências, admitimos
que nada disso foge à normalidade, cabendo-nos apenas
receber, como até agora de bom grado fizéramos com as horas,
o ar, o alimento, a dita civilização, o mais.
Vieram as bênçãos e as utilizamos (todos,
querendo ou não) ao sabor do nosso alvedrio. Queimamos
florestas, revolvemos o solo, construímos/destruímos diferentes
maquinações, compramos/vendemos destinos e sonhos,
fizemos/acontecemos na face do Universo, ao correr da
determinação dos bilhões, rompidos ou aliados, que aqui vêm
efetivando suas manobras, geração após geração.
Dessa forma, como regatear, questionar, fazer
manifestações em nome da razão, que de nada adiantaria,
quedemo-nos obedientes, a cumprir o que nos sobra da
programação; cuidemos de procurar a saída no íntimo de cada
um, com pleno vigor da espiritualização face às soberanas
modificações do futuro e seus cataclismos inimagináveis, visto o
poder de fogo acumulado pelas nações.
Talvez para muitos, fatos não tenham tanta
força sobre argumentos, em descaso ao famoso axioma.
Contudo, reguardemos o direito a um suspiro perante as
eventualidades futuras, adotando, como provável rota de novo
tempo, história renovada, consentâneo ponteou Jesus-Cristo, no
advento de reino que se avizinha.
Pomos dourados nos enganam todo dia,
miolo da estrutura, no entanto, toca-nos assumir, na essência do
ser, âmbito do coração, terra em que ninguém anda.
E busquei tons suaves, atuais; contar de coisas
vivas (vividas) que pudessem produzir emoções ainda
agradáveis; terminei falando, sem subterfúgio, das verdades
cotidianas. Encarar o impacto como ele vem (nossa divisa,
ensino das estradas, onde) "a vida é dura para quem é mole".
Crises, carestia, guerras, não devem assustar, quando de novo
eis apenas o que têm os sensacionalistas para vender como
atuação regular.
Caso queiram ficar esperando o arrebol,
respeitem a certeza de que sua luz jamais se extinguirá quando
vier de dentro, no interior de nossas almas, facho das entranhas
do Infinito.
Nessas linhas uma contribuição ao parto da
Esperança, entre vigílias e preces, confiantes de que tudo isso
faz sentido. Longas falas ou frases breves. Agressões. Defesas.
Abraços. Mísseis. Festivais. Filmes. Jornais. Revistas. Som. O
trabalho e a fé.

O SOFISMA POLÍTICO

Em certa ocasião, envolvido pelas tempestades


políticas que teve de atravessar, Abraham Lincoln foi abordado
por senador adversário, que queria impingir ponto de vista
descabido quanto a certa matéria em discussão:
- Presidente, vamos supor que uma vaca tenha
cinco patas. Em sendo assim, indago de V. Exa., quantas patas
tem uma vaca?
- Quatro -, respondeu de pronto o grande
estadista americano, acrescentando: - Pois não é por se supor
que uma vaca tenha cinco patas que ela passa a ter.
Situações análogas marcam o cotidiano de
quem freqüenta a escola da política, em todos os países. Muitos
querem que a Verdade possua a mesma cara de sua verdade,
esquecendo que, apesar de iguais os termos, o primeiro se
escreve com letra maiúscula e não pode ser mistificado ao sabor
das conveniências individuais.
Uma disposição mórbida de viciar contas em
proveito interno deveria ser considerada mediocridade, não
fossem interesses perniciosos nos bastidores, sustentando a
maioria dessas atitudes, que depõem contra os valores da Ética,
espaço onde mais se reclamam suas presenças.
Militantes políticos, de ordinário, no lado
para defenderem causas pessoais ou de blocos fechados.
Seriam como que bons para si e para os seus, enquanto relegam
a terceiro plano faixa substancial da comunidade, que vota na
esperança de modificar o estado de coisas.
Dessa forma, urnas transpostas através de
recompensas imediatas, no que se utilizam de capitais a serem
recuperados após a vitória, estruturas reacionárias lançam
âncora nos mares do serviço público e substituem os figurantes
antigos. Em dita ocasião, tudo passa a ser considerado
instrumento de uso íntimo, desde a canalização das verbas para
áreas particulares, até o jogo de palavras e gritos, na montagem
das propostas arrevesadas em defesa de atos esdrúxulos e
manipulação de opiniões, fazendo passar por bons os péssimos
e por maus os opositores, endossados muitas vezes pelos
órgãos da comunidade de informação, a peso de ouro (pode
existir coisa mais imoral do que propaganda de administração
pública? para que se divulgar o que se teve a obrigação de
fazer?).
Neste universo das leis humanas, o justo anda
cabreiro de pagar pelo infrator. Manchas se alastram no mata-
borrão social e a bela arte do diálogo se desvirtuou em
demagogia ou subterfúgio, período em que sociedades
estacionam ou degeneram, sufocando ânsias de progresso.
Eis o diagnóstico de quadro preocupante,
espantalho que atordoa gerações inteiras de lideranças novas.
Como tratamento urgente, os exemplos bons merecem ser
aplaudidos, para fomentar métodos limpos de corrigenda e
recuperar sobrevida.
Atenção fixa nos que vestem as malhas do
poder e se dizem salvadores, porquanto posam de cordeiros
mansos bem sucedidos e jamais avisam que "as aparências
enganam".

TEMPO DE RENOVAçÃO

Época de fim de ano, para aflorar idéias


definidoras nos sistemas, que venham a produzir resultados
práticos reais, após demorada espera. Meses de compasso
encontram respostas em único instante solene, de preferência
neste fim de turno.
Olhadas com zelo certo, as palavras movem
pensamentos, fatiando textos no tanto ideal a cada cabeça. Uma
ânsia própria destes dias acelerou o ritmo, sucateando as formas
antigas. Assim, no respeito por quem ainda consegue gostar da
Criticar, lastimar, protestar - coisas que ficaram
enquanto o novo renovoou tudo. Ficaram, isto é, os passos
deixaram cacos jogados fora. Desta maneira, entre vírgulas,
pontos, espaços, linhas, letras, parágrafos, papéis, vistas e
pensamentos, circula um ar vivo, tais pessoas e coisas,
reordenadas ao sabor de projetos originais, só agora postos em
prática no querer das criaturas.
Em estilo sincopado, o processo de
conhecimento se completa quando menos se imagina, qual flor
que se abre, madrugada esplendorosa, cheia de vida. A
construção de muitos dias abrigou o autor em si mesmo, nas
pálpebras do olho direito.
Toda disposição de fazer implica no gesto de
querer. Quase sempre ato contínuo - coragem de mudar para
outro lado, mundo que se oferece sem coagir, como perspectiva
agradável do desespero vigente, angustiante, estágios próprios
do plano posterior, tudo observando e nada fazendo, em
resposta à liberdade individual de ignorar ou conhecer.
Reunidas propostas políticas, sociais,
econômicas, envoltórios externos de uma ordem interna, bem
que se apresenta espaço para atuação, no entanto pouco
determinante, pois cessado o esforço voltam as queimadas de
mundo em crise, cercando interrogações e afiados dentes,
mistura negativa e positiva, em choque. Nesse campo, as
soluções chegam depois. Antes, mudar o Homem. Mudarmos a
nós mesmos.
Note-se um detalhe: talvez as palavras movam
só o pensamento quando lidas na concentração correta. Isto
lembra o provérbio da água e da pedra, de tanto bater e furar.
As mentes enxergam o que lhes interessar
possa, portanto se chega num nível em que escrever vira gesto
de amizade, sem pretensão de transtornar desejos, muito menos
reverter quadros gerais. Escrever como extensão do fazer, para
uns desnecessário, para outros vaidade. Porém ponte do viver.
Simples, meio perdida, toca a vontade da gente,
com ênfase nesta época em que se avizinha o inverno, quando
as pessoas reclamam do calor, da carestia, dos salários,
governos, falta d´água, desemprego, e as televisões repassam
filmes do começo do ano; as famílias pobres invadem terrenos
desocupados, aqui e noutros lugares; o movimento das lojas, que
caiu em relação a iguais períodos anteriores. Etc.
Hora de começar, instinto de dizer: - Era uma
vez... e ter a capacidade para prosseguir nos assuntos leves, que
contem histórias de reinos distantes, que sejam mais estórias de
coisa saborosa, frutos de quintais, janelas ensolaradas para os
olhos e imaginação, transformando outra vez palha em pasto
verde.
Uma lauda e meia, porção suficiente ao que me
proponho, como o modelo para continuar deixando essas folhas,
soltas ao vento, aos andarilhos das letras. Isto quase que já
consegui, ficando satisfeito, clima de sobrevivente que alcançou
ilha deserta, numa faixa do calendário para elaborar mensagens,
à procura de garrafas inúteis trazidas nas ondas.Ou índio isolado
no dilúvio, mandando nuvens de fumaça para o céu, na certeza
de reencontrar a tribo desaparecida nas águas. Montanhas do
horizonte indicam que os sinais viverão enquanto houver quem
os acompanhe.

TRANSFORMAÇÕES

Hoje achei de recordar quando, em l959, fui a


Recife pela primeira vez. Crato, Campina Grande, passando pelo
açude de Coremas, e chegamos à capital pernambucana, num
salto tecnológico secular, levando-se em conta os benefícios da
energia elétrica, que avançava célere sobre o Nordeste. Adeus
às tochas e lampiões do passado.
A civilização desvendara os encravados
sertanejos, modificando tudo, desde paisagem e costumes dos
habitantes, ao Sol que agora nascia dentre torres metálicas,
campanários exóticos onde se penduraram as redes dos cabos
prateados, interrompendo pássaros, reflorestando carrascos e
massapês.
Os tentáculos do progresso zumbiam nos leitos
secos de grotões desolados, algo parecido com a chegada do
trem-de-ferro, no início do século, trazendo promessas de
alteração do ambiente, para possibilitar, segundo as crenças,
uma qualidade melhor de vida.
Lembro disso quando reeencontro as mesmas
torres nos filmes japoneses que os meninos gostam de ver num
dos canais da televisão, cenas que se repetem todo dia,
produções parecidas com embalagens de supermercado, de
sabores químicos - para consumo brando, num pesadelo que
podia ainda ser revisto; voragem moderna versus simplicidade
original.
A era massificadora se estabeleceu através
desses fios, resultado das muitas conquistas humanas.
Poderosos repartiram despojos, sob razões de lucro, transferindo
percalços em favor da perpetuação no poder (desculpa
esfarrapada para justificar a ausência de critérios éticos).
Isso nos motiva transcrever, neste ponto, pedaço de
um artigo da revista Planeta (março de l992) sobre os índios
hopis do Novo México, Estados Unidos:
- As grandes potências do mundo devem
entender que, se querem escapar da destruição iminente -
palavras de Martin Gashweseoma, o líder espiritual daquela
nação indígena -, tudo que fizeram de errado com os povos
antigos (...) deve ser corrigido.
A demora da avestruz com a cabeça na areia
pode lhe ter afetado os miolos. E o que ocorreu, então, se reflete
nas coisas que vem de gerar. As armas e os eletrodomésticos se
sofisticaram, porém inúteis ou inconvenientes, no crivo do tudo
ou nada dessa luta constante.
Para Gashweseoma, chegou à "hora da
purificação", quando os terrícolas deverão escolher uma entre
duas saídas - seguir no mesmo passo equivocado em que vêm,
até à destruição, ou mudar de propósitos e se conduzir numa
perspectiva renovadora.
O esforço exclusivista dos menos escrupulosos
ocasionou retrocesso evolutivo. No princípio, chegava a parecer
diferente. As naves espaciais, difundidas pela propaganda,
fizeram brinquedo de lata dos destinos africanos, latino-
americanos, asiáticos, sem que ninguém pudesse questionar o
sistema neofeudal estabelecido na Terra contemporânea.
Espécie de vaidade prevaleceu entre patrões e
seus escriturários, enquanto longa marcha de forçados
transportava matérias-primas e produtos acabados, que nada
mais tentador do que se comparar à construção das grandes
pirâmides, destinadas a sarcófagos reais, marca do cruel
egoísmo reeditado no tempo, milênios adiante.
E se lembrar também que René Descartes, já
no século XVII, centrava suas preocupações nos assuntos
internos; que poderíamos haver seguido outros caminhos; "que
há uma pequena glândula no cérebro na qual a alma exerce as
suas funções de modo mais particular do que nas outras partes".
Eis detalhe importante para se examinar, ainda que depois.
A oportunidade das eras ficou para trás,
recoberta de limo e infinitos tropeços, qual botija enterrada em
lugar inacessível. Restam-nos, todavia, os individuais propósitos
dessas revelações íntimas, o Espírito eterno, que persistirá
mesmo quando tudo for embora e as oferendas coletivas virarem
ilusão. Este momento (sim, o momento) é hoje.

A VOZ E A PALAVRA
Das manifestaçoes humanas, uma exterioriza
nosso conteúdo individual como nenhuma outra. O homem é a
sua palavra. "A boca fala do que cheio está o coração".
Pensamos livres, porém, após dizermos, o
domínio do que foi dito não nos pertence mais.
Uma história ilustra o tema. Filósofo espirituoso,
quando indagado, certa feita, a propósito de qual o mais gostoso
dos alimentos, respondeu ser a língua.
- E o pior? - voltou-se à carga.
- Língua, também - foi a segunda resposta.
E justificou-se dizendo que a língua pode elevar
ou rebaixar, sem apelação, construíndo ou destruíndo pessoas,
vilas, estados, civilizações inteiras.
Jesus-Cristo enfatizou, nos seus ensinos, a
importância da palavra na afirmação clássica: "Seja o teu falar
sim, sim; não, não", para mostrar a necessidade ímpar de
objetividade no que dizemos.
Jamais falar mal de quem quer que seja.
Este esboço ligeiro o fizemos quando
organizávamos o que escrever sobre a capacidade que temos de
transmitir aos outros o pensamento por intermédio da voz.
Montamos frases, cadenciamos estruturas de idéias,
sentimentos; acrescentamos conceitos de significados
conhecidos. A bela harmonia da fala.
Quantas vezes deixamos escapar
oportunidades preciosas de redirecionamento de vida, por não
usarmos o termo mais conveniente.
Isto sem que falemos do aspecto mágico, da
força que as palavras detêm; pois, no mundo invisível, as nossas
manifestações plasmam valores permanentes. "No princípio era o
Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus", do
Evangelho de São João.
Possuímos idêntico poder, provindo da
Eternidade, para agir pelo condão da voz. Tudo o que falamos
não fica apenas conosco só ou com quem esteja na ocasião ("as
paredes têm olhos e os matos têm ouvidos") e ganha o espaço
vibracional sem fim, rumo de registros permanentes.
As palavras são nossas produções mais
sólidas, sementes de trevas ou luzes, de realizações presentes
ou futuras.
Quisemos, desta maneira, esquadrinhar o
assunto e apresentá-lo para exame. Caso nunca tenha você se
detido antes para avaliar, aqui fica esta sugestão.
Danielle Gomes Lacerda

Hoje em dia todos falam sobre mudanças, querem um


mundo melhor. Um mundo sem fome, sem violência, com
políticos honestos. Não se preocupam, nem imaginam que o
problema somos nós. Que cada um de nós é que pode consertar
esse mundo. Temos de entender que somos responsáveis pelo
mal ou bem de tudo o que ocorre em nossa volta.
Li algums livros sobre neurolinguística. Todos muito
bons, mas sempre fica faltando alguma coisa. Essa coisa que
ninguém diz e é muito importante quero, agora, que todos
saibam. Temos dois hemisférios cerebrais, esquerdo e direito.
Usamos mais um do que outro. E o pior, usamos o lado errado.
Parece ser o mais fácil. Mas como diz Jesus, a porta larga é a da
perdição.
Podemos mudar de lado; passar para o lado certo. Não
é fácil, mas é possível. Só quando todos se conscientizarem de
mudar, é que vamos viver e ver um mundo com tudo de bom que
tanto sonhamos. Esta solução compete ao livre-arbítrio de cada
pessoa, em particular, que deve evoluir por esforço exclusivo,
sendo-lhe franco o plantio de uma inevitável colheita.
Temos dentro de nós dois hemisferios cerebrais,
esquerdo e direito a se intercruzarem nas ramificações para com
o restante dos órgãos, a coordenarem lados externos contrários,
enquanto que se comunicam por faixa estreita denominada
"corpo caloso" - o que corresponde a 25% da área fronteiriça, tal
ponte de ligação. Estudos de funcionalidade avaliam que existe
uma proporção de 1 para 3 de um lado sobre o outro, as
mesmas equivalências de terra e água na face do globo.
Perante a dúvida de qual hemisfério se usa com
predonimância, busquemos classificar nossos próprios
pensamentos. Quando positivos, otimistas, construtivos para o
bem, para o sucesso, sinais evidentes da utilização do hemisfério
direito (coração). Caso inverso - do esquerdo (razão).
Devemos mudar de lado, passar ao outro hemisfério
cerebral. Essa mudança hemisférica é possível.
Sobre essas coisas até pouco tempo eu também quase
nada sabia. Quando voltei a morar no Crato (1987), revi um
amigo da família que nos visitava com frequência (Emerson
Monteiro). Ele sempre falava coisas boas, positivas. E divulgava
tese bem interessante. Descobrira dentro de si o negativo e o
positivo.
Lera que Jesus dizia: "Meu caminho é o do
coração". Sabemos, pois, ser nosso cérebro dividido em duas
lado esquerdo do corpo. Usamos com predominância mais um
lado do que o outro. E isto se apresenta em nossa própria face,
também estabelecida sob a mesma concepção dualista.
Depois de certo tempo de convivência, Emerson
resolveu me contar como ele passou a ser cobaia desta tese, nas
palavras que agora quero transcrever: "Tudo começou no ano de
1967, em Brejo Santo, quando li isto pela primeira vez num livro
sobre macrobiótica (dieta oriental à base de cereaisi integrais).
Esse sistema alimentar se estrutura no Princípio Único do
Universo (yin/yang), a lei da bipolaridade: "tudo tem de ter o seu
contrário para poder existir".
"Usei essa alimentação por mais de 10 anos,
comprovando a validade da tese no equílibro do potássio e do
sódio que existe nos alimentos, o doce e o salgado, contrários
que mantém a vida material.
"Com o passar do tempo, cheguei a outras
questões que não eram só alimentação; achei de procurar na
minha vida onde estariam essas polaridades, nos aspectos
internos do ser.
"No ano de 1977, já tendo ido a Salvador e
voltado para o Crato, tentava localizar tais polaridades na mente.
Passara um temporada fotografando pessoas e estudando em
laboratório as fotografias. Vira que nós temos dois lados no rosto,
e tentava ver onde estariam as tais polaridades negativa e
positiva dentro dagente.
"Sabia não ser coisa aleatória, que a natureza
não faz nada aleatório. Fui procurando... procurando... Em
novembro, no princípio do mês, quando fazia um filme (Terra
Ardente) que não cheguei a concluir, morando numa casa no
distrito do Lameiro, casinha típica do sertão, de taipa e telhas, e
sempre colhendo novas informações sobre aquele assunto de
meus estudos, quando encontrei, no jornal Movimento (no. 132),
artigo de Marshall Mcluhan (teórico canadense de comunicação),
onde afirmava que a humanidade não estava perdida, que
poderia sintonizar seu outro lado e desenvolver a outra
polaridade do ser. Com isto venceria inflação, recessão, fome,
guerra, desunião, tudo renovando por meio do trabalho e da
solidariedade. Mas que cada um tem que mudar de lado. Ele
mostrava bem claro que a referência equivalia aos hemisférios
cerebrais, que seriam os dois polos dentro do homem.
"Quando li tal artigo estava vivendo conflito de
relacionamento dos mais difíceis, verdadeira tempestade d´alma,
período de profundos tumultos interiores. Fiquei satisfeito com as
novas notícias, que coincidiam de perto com a minha procura.
"Da noite para o dia, numa manhã de fim de
quando tive a oportuniade de conversar comigo mesmo. Um lado
com o outro, como duas pessoas distintas, sem qualquer dúvida.
As funções negativa e positiva em diálogo externo, cada uma
delas correspondendo a um dos hemisférios cerebrais.
"A partir dessa hora resolvi me estabelecer num
dos lados, assumir a posição, tendo consciência perfeita do onde
me fixei. Vi onde estava dentro de mim mesmo, em que lado
estava do rosto, qual olho passava a utilizar com prioridade,
mantendo o outro como seu assessor, compreendendo as
proporções de l para 3 confirmadas pela Ciência através de
instrumentos precisos (25 para 75%). Ninguém está sempre 50%
de cada lado. Ou 25/75% ou 75/25%.
"Nessa sequência de acontecimentos, segui
desenvolvendo estudos. Vi que a outra função do ser faz com
que se desperte valores espirituais, eternos. Como mudar é a
questão fundamental que cada um deverá aprender no seu
processo evolutivo, como amadurecendo para essa mudança.
Assim, tem de ter a sintonia correta de visão e cérebro, pois a
vista também serve de orientação para isto.
"Na hora em que resolvi mudar, que conversei
um lado com o outro, vi que estava sendo levado a mais
dificuldades por via da reação do lado negativo, que não soube,
de início, compreender tal atitude. Levantara uma nova bandeira,
a da mudança, afirmando: " - Por favor, agora resolvi tomar de
conta de mim mesmo; você queira se afastar para sua posição; a
partir deste momento quem vai dominar sou eu".
"Então, o outro lado reagiu dizendo: " - Permita nova
chance. Estas coisas todas vao passar; dagora em diante vou
acertar; deixar de repetir coisas erradas. A vida vai ficar
diferente". E o diálogo ainda prosseguiu, com o outro lado
voltando a carga: " - Não, a sua fase já passou; sua era ficou
para trás. Quero assumir o comando, determinar os caminhos de
minha vida; por favor, me deixe por dono dessa orientação".
"Mesmo desta forma, meu outro lado não
aceitou de bom grado sua desestabilização. Permaneceu em
oposição velada que durou até o ano seguinte, fase essa em que
vivi num verdadeiro inferno íntimo. Conflitos que se repetiam a
cada momento, muitas contradições a serem vencidas. Mas fui
superando, mantendo acesa a chama; notei que deveria
abandonar vícios, pensamentos nocivos, más influências. E
querer de verdade sair inteiro dessa história toda.
"Em 13 de maio de 1978, a tarde, na serra do
Araripe, vivenciei experiência profunda de Deus, que me alterou
em definitivo o modo de ver o mundo, fazendo-me aceitar as
coisas invisíveis como realidade objetiva, consolidando a posição
"Daí venho desenvolvendo esta proposta de
transformação, após ter refeito meus caminhos e desfrutado das
tantas maravilhas que existem dentro de nós . E quero completar
dizendo que mudar é mudar mesmo, independente de palavras e
teorias. Equivale à ação de se transferir de lado, do hemisfério
cerebral que se esteja usando com dominância para viver desde
nosso passado mais remoto; "nao verá o reino de Deus aquele
que não nascer de novo", nas palavras do Cristo Jesus".

SOMBRA E LUZ

A China preserva uma tradição milenar, vistas


as técnicas de registro que desenvolveu como nenhuma outra
civilização. A propósito, a lembrança de que fabricou o papel,
aperfeiçoou a porcelana e a seda, além de produzir instrumentos
de orientação, depois usados pelos ocidentais, quando em suas
viagens marítimas para conhecer o resto do Planeta.
Dentre os consagrados gênios do
pensamento chinês, a figura de Fo-Hi, o Imperador Amarelo, se
ressalta pelas pesquisas no campo da Ciência Universal. Sábio
consciencioso, voltou-se para o ser humano em sua busca de
adaptação com a natureza. E dos conhecimentos que legou à
posteridade um aqui avaliamos: o Princípio Único da
Bipolaridade, isto é, tudo tem de ter o seu contrário para poder
existir. Ou Yin/Yang, a Lei Universal da matéria, base de todo
progresso tecnológico. Sobre o
assunto alguma coisa mais pode ser falada.
Após passarem a existir, sem que avaliemos o
mérito disso, os seres animados e inanimados se vêem
submetidos ao equilíbrio desses dois extremos de força, o
centrífugo e o centrípeto. Na energia elétrica, são eles os dois
pólos, negativo e positivo, o terra e a fase.
Caso analisados sob o prima dialético,
fenômenos e objetos se apresentam dentro da obediência desse
princípio. Lua e Sol. Noite e dia. Açúcar e sal. Mulher e homem.
Escuro e claro. Baixo e alto. Frio e quente. Esquerdo e direito.
Tudo tendo seu outro lado, possibilitando a correlação
comparativa e complementar na outra extremidade. Friedrich
Hegel demonstrou, na Filosofia, a essa lei, quando fundou seu
método de tese e antítese a gerarem a síntese, início de nova
tese, aspectos distintos do processo energético em movimento
na matéria.
SETAS ESPIRITUAIS

As religiões também se utilizam de referências


idênticas, desde a mais remota, registrada em livro, o Hinduísmo,
onde se lê na Sublime Canção dos Vedas (o Bhagavad Gita) o
diálogo entre Arjuna, guerreiro em conflito quanto a lutar ou se
omitir face batalha extrema, e Krishna, a Suprema Personalidade
de Deus, que lhe indica o caminho da Verdade e mantém o seu
ânimo de luta. Depois, veio o Budismo, fruto da evolução
individual de Gautama, que desperta em si o Eu Búdico, ou o
Buda (o Iluminado), no outro lado de si mesmo, no Eu Superior.
No Cristianismo, Jesus de Nazaré, após os 40
dias no deserto, virá às margens do rio Jordão, no Batismo,
dividir a História com o advento do Cristo (o Ungido de Deus),
sua outra natureza, seu lado interior, transformação que passa a
transmitir em andanças persistentes através das cidades
palestinas, anunciando o Reino Divino existente no coração de
cada ser humano - "Sois deuses e não o sabeis.”
"Meu caminho é o do coração. Ninguém
chegará ao Pai a não ser por mim". "Buscai a porta estreita,
porque larga é a da perdição". "Não saiba a vossa mão esquerda
o que dá a vossa direita". "Se vosso olho é mau, todo o vosso
corpo é mau. Se vosso olho é bom, todo o vosso corpo é bom".
"Brilhe a vossa luz".
A mesma lei veio também de orientar a
Psicologia moderna, pois "o mesmo princípio perpassa todas as
coisas do Universo", segundo afirmativa de Hermes Trismegisto,
sábio consagrado do Antigo Egito. No âmbito da pesquisa
psicológica atual, os resultados denotam que a essência da
personalidade compreende uma harmonia que se perfaz no
funcionamento proporcional das engrenagens do Ego e do Eu
Superior, os mesmos dois valores até aqui abordados.

OS HEMIFÉRIOS

Distantes dos conceitos apenas abstratos,


veremos, na composição física do corpo, em sua arquitetura, que
o nosso cérebro se estrutura em dois hemisférios, esquerdo e
direito, a se intercruzarem nas ramificações nervosas para com o
restante dos órgãos, a coordenar lados internos e externos
contrários, enquanto que se comunicam por estreita faixa
denominada "corpo caloso" - uma ponte correspondente a 25%
de toda a área fronteiriça desses dois territórios, qual traço de
proporção de predominância na razão de l para 3, de um lado
sobre o outro, as mesmas equivalências de terra e água, na face
do Planeta.
Como visto, o mesmo princípio também
percorre tudo o mais que existe, e ao se saber que um dos
aspectos possui luz própria, no contexto da própria Lei, sem que
seja necessário juízos de valor, numa inferência se conclui que a
Verdade existe, independente das opções individuais das
criaturas humanas, qual coisa em si, sobranceira às
perscrutações e idiossincrasias das escolhas particulares.
A luz do Sol é própria; a da Lua, refletida.
Na energia elétrica, apenas o positivo dispõe da
fase, ou fogo, com mostra a experiência cotidiana; o outro pólo, o
terra, poderá ser isolado até a exteriorização da força, como se
dá nos sistemas de fornecimento que utilizam apenas um cabo
para eletrificação, exemplo ora adotado como alternativa de
menores custos.
Nesta seqüência de raciocínio, a lógica reflete
uma norma original, onde o progresso se evidencia qual
declividade sutil, "as águas correm sempre para o mar", como no
dizer do povo. As trevas fogem da luz, porém a luz não foge das
trevas. E o Homem se vê na condição inalienável de um dia ser
feliz, pelo triunfo definitivo do Amor sobre o Ódio.
No entanto, isso compete ao livre-arbítrio de
cada serciente individual, que deve evoluir por esforço exclusivo,
sendo-lhe franco o plantio de uma inevitável colheita, como
propõem inúmeras filosofias e religiões: "a cada um conforme o
seu merecimento".

A TRAVESSIA

Devemos daí mudar de lado, romper o cristal


que nos divide, guindados pelo poder maior da Consciência, e
passar ao outro hemisfério cerebral, que também nós somos.
Para percorrer esse caminho de libertação, atravessemos o Mar
Vermelho, a seiva colorida que nos irriga vasos, veias e artérias,
para chegar na Terra da Promissão e viver o sonho da real
felicidade. Eis o mito hebreu da Passash, ou Páscoa, a significar
travessia, da escravidão para a liberdade.
Quando Saulo de Tasso, na estrada de
Damasco, se refazia do impacto vivido na presença da Luz, se
depara com tamanha mudança interior que passa a ser
conhecido por Paulo e afirma: - Não sou eu quem vive. É o Cristo
Portanto, a capacidade humana de se auto-
avaliar demonstra conteúdo espontâneo de um fenômeno
biológico permanente, em cumprimento de trilhas rígidas e
concatenadas, quais o percurso da Terra em volta de um eixo
imaginário, iluminando-se ao Sol que a clareia do leste para o
oeste. Do olho esquerdo para o direito - na rotação própria da
evolução - quando cada olho corresponde a um hemisfério de
predominância mental, abstrata, no espaço físico do cérebro.
Certa feita nos afirmaram que somos tais dois
castelos, um junto do outro. O castelo da Ilusão e o da Ciência. E
que entre eles uma única diferença existe! A saber: do castelo
da Ilusão não vemos o da Ciência, mas do da Ciência podemos
ver o da Ilusão.
A história de Jesus patenteia bem claro este
enfoque, por muitos manipulado como fonte de poder temporal,
revestindo de mistério o simples de sentir e viver, criando
bloqueios à percepção daquilo que nos acompanha nos dias
vividos. Fundaram até, em proveito de pompas e privilégios, os
conceitos indeclináveis de secreto, tabu, mágico, milagroso,
dentre outros, sempre em detrimento da maioria social e a favor
de uma elite prestigiosa e impenitente. Com a democracia das
oportunidades, veio a secularização das idéias, fase ora em
ebulição, no seio da espécie. Recordamos, desse tempo, a
invenção da imprensa ocidental, que deu publicidade à cultura
letrada, propiciando a vulgarização de textos antes retidos a sete
chaves, para beneficiar grupos de poder.

O EXEMPLO CRISTÃO

Quando massacrado pelos judeus e romanos,


Jesus ficou exposto numa cruz entre dois ladrões, no Gólgota,
colina próxima de Jerusalém. Observemos, no entanto, que tudo
faz sentido na linguagem divina. Pois Gólgota quer dizer crânio e
os dois ladrões, nossos dois olhos, a nos segregar o condão da
concentração interior, arrastando-nos aos chamamentos externos
das ilusões. Um ruim, outro bom, segundo a tradição; porque
ambos revelam a sintonia polar da avaliação aqui proposta. Ao
centro, no alto, acima da testa, uma glândula, também
pesquisada pela atual ciência e por certas escolas iniciáticas,
denominada terceiro olho, corpo pineal, olho de Shiva, olho de
Siva, consciência cósmica, olho da vidência, etc.
No Zen-Budismo, as modalidades de
despertamento se dão através do samadhi, vislumbre de uma
completar, pela vivência ascética e virtuosa, no Nirvana, encontro
definitivo com Deus. Lembremo-nos de Jesus, quando disse: -
Aquele que perseverar até o fim será salvo.
Face a constatação de que se pode transmitir a
energia elétrica via um único cabo, como dissemos, e ao se
pensar que o Ego eqüivaleria ao fio terra, em nosso corpo, o Eu
do Espírito (o outro lado) pode continuar vivo após o perecimento
da matéria, podendo, destarte, depois, vir a se manifestar noutro
corpo (pelo princípio da Reencarnação), levado que será pelo
aspecto abstrato da existência energética, ou semi-material, a
verdadeira natureza do Espírito imortal. Se um atributo é matéria,
o outro deve se opor a tal característica, mesmo que se
tangencie, de modo apenas transitório, por meio de corpo opaco
de matéria perecível.
Como numa escala de graduação, as pessoas
crescem para o Bem Eterno dentro de sua capacidade de
comando, ou “grau de memória”. “A quem muito foi dado mais lhe
será pedido”. E o estágio em que cada um de nós se encontra
pode ser aquilatado pelo modo de seu comportamento. “Pelo
fruto se conhece a árvore. Árvore má não dá bons frutos; árvore
boa não dá maus frutos”, nas afirmações evangélicas.

ONDE ESTAMOS?

Perante a dúvida de qual hemisfério se usa


como predominância, busquemos classificar nossos próprios
pensamentos, sentimentos, atitudes. Quando positivos, otimistas,
construtivos para o bem - sinais evidentes da utilização do
Hemisfério Direito (o do coração). Caso inverso - o Esquerdo
(razão). Isso fica nítido, sobretudo neste fim de século, quando
proliferam tantas escolas do pensamento positivo quais
panacéias universais para muitos males.
Existem, sim, estudos avançados sobre as
polaridades hemisféricas cerebrais. Ainda na década de 70, no
Brasil, o jornal Movimento nºs 122 e 123, publicava artigo do
teórico canadense de Comunicação prof. Marshall Mcluhan, onde
afirma que se a Humanidade vier a adotar o outro hemisfério
cerebral solucionará os graves problemas da inflação, da fome,
guerra, angústia, drogas, desigualdades sociais.
Quando se sabe do certo, despreza-se o errado
- norma comezinha de inteligência prática.
Assim, decidimo-nos pela divulgação que ora
fazemos dado o pressuposto de que “Deus é a simplicidade das
arte do bom viver. Tomamos por método compartilhar a emoção
do sentir, junto daqueles que, por vezes, acham por demais
remotas as possibilidades da transformação. (“Não poderá ver o
Reino Divino quem não nascer outra vez”).
- Não se acende uma lâmpada para ser
escondida, mas para que se eleve e ilumine toda a casa.
Sabe-se de muitos que refutarão este ponto de
vista, entretanto isso jamais justificaria o desuso no direito de
falar. Deste modo, como outros também fazem, apresentamos
estas idéias, fruto de nossa mesma história.

SOM E IMAGEM

Quisemos “amarrar o burro nas orelhas do


dono”, dizendo e mostrando, em nosso próprio corpo, ser
possível a mudança de alternativa hemisférica, para aqueles que
quiser ver. Contra fatos não há argumentos, num axioma clássico
de domínio público.
- Uma imagem valem por dez mil palavras -
afirmam os orientais.
Palavras que, faladas, funcionam à velocidade
do som, a 340 metros por segundo. As imagens da visualização,
à da luz, isto é, a 300.000 quilômetros por segundo, quase sem
termo de comparação em nível de rapidez preferencial.
Numa outra conhecida comprovação, Mcluhan
fez escola ao concluir que “o meio é a mensagem”. Isso trazendo
à baila Francisco de Assis, o Pobre de Deus, que defendia a tese
de que “as palavras convencem, mas o que arrasta é o exemplo”.
Tais estações de ondas curtas (porta estreita) e médias (larga)
atuamos, face ao Universo, podendo receber e transmitir
vibrações eletromagnéticas, tanto negativas, quanto positivas,
cabendo-nos definir a nossa predileção. “Um vibrando para o
bem eqüivale a milhões vibrando para o mal”, eis o que afirma
Emmanuel, guia espiritual do médium brasileiro Francisco
Cândido Xavier.
Muito mais ainda se dirá sobre o que aqui
tratamos, e que todos possam sempre disso usufruir, livres de
preconceitos e atrofiantes limitações. Mais uma vez, citamos
Jesus, em frase de beleza incomparável, a informar que “os que
comerem deste pão jamais terão fome. E beberem desta água
jamais sentirão sede”. Então, quedemos quais crianças a escutar
as notícias dos páramos da Luz Superior, no mais íntimo de nós
mesmos.
DADOS PESSOAIS DO AUTOR

José Emerson Monteiro Lacerda nasceu em Lavras


da Mangabeira CE, no dia 26 de março de l949, terceiro dos
cinco filhos de Luiz de Lacerda Leite e Maria de Lourdes
Monteiro Leite. Ex-funcionário do Banco do Brasil S. A.
Advogado. Fotógrafo. Cronista. Contista. Atual Assessor de
Comunicação da Universidade Regional do Cariri - URCA.
Membro do Instituto Cultural do Cariri - ICC. Exposições de
desenho, pintura e colagem. Realizou os filmes super-8 São
Gonçalo da Canabrava (1975 - Salvador BA) e Terra Ardente
(1977, inacabado - Crato CE). Pesquisador de comunicação,
psicologia e religião, publicou o opúsculo Sombra e Luz (1991) e
o livro Noites de Luz Cheia (1996).
Demonstra interesse pela literatura voltada ao
aperfeiçoamento humano. Estuda religiões comparadas e suas
implicações sociais. Chega a admitir mudança real na História,
partindo de uma nova consciência individual, na tão sonhada
transformação do gênero humano. ...
Vereador em Crato de 1989 a 1992, foi Primeiro-
Secretário do Legislativo e da Constituinte Municipal, e
Presidente da Comissão de Justiça e Redação.
Publica em jornais e revistas cearenses.

Pai de cinco filhos: Ceci, Ciro, Igor, Virgínia e


Janaína. Casado em segundas núpcias com Danielle Gomes
Lacerda.
Endereço: Rua Otacílio Macedo, 195 Conjunto Novo
Crato 63100-000 Crato CE. Tel.: (0xx88) 523.2196. E-mail:
emerson@urca.br.