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MATERIAL DE APOIO DIREITO CIVIL

Apostila (Parte Geral - conclusão) PARTE GERAL PROF. PABLO STOLZE GAGLIANO TEMAS: PLANO DE EFICÁCIA E PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

TEMA 01 – PLANO DE EFICÁCIA 1.
0F

1. A Concepção do Plano de Eficácia. Neste plano, após analisarmos a existência e a validade, serão estudados os elementos que interferem na eficácia do negócio jurídico 2. Elementos Acidentais Limitadores da Eficácia do Negócio Jurídico. Nesse campo de estudo do negócio jurídico, são

considerados elementos acidentais (modalidades): a) b) c) o termo; a condição; o modo ou encargo

2.1. Condição

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Tema de uma aula “on line” do amigo e professor Flávio Tartuce.

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Condição é o acontecimento futuro e incerto que subordina a eficácia jurídica de determinado negócio. Dois elementos são fundamentais para que se possa caracterizar a condição:

a) b)

a futuridade; a incerteza (quanto à ocorrência do fato).

O Novo Código Civil dispõe que: “Art. 121 – Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto”.

Adotando o critério classificatório da condição mais difundido (quanto ao modo de atuação), teremos: a) b) condições suspensivas; condições resolutivas.

Fundindo os subtipos em conceito único, pode-se definir a condição como sendo o acontecimento futuro e incerto que subordina a aquisição de direitos, deveres e a deflagração de efeitos de um determinado ato negocial (condição suspensiva), ou, contrario sensu, que determina o desaparecimento de seus efeitos jurídicos (condição resolutiva). Dentro, ainda, de nosso esforço classificatório, as condições poderão ser, no plano fenomenológico:

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a) b) positivas (consistem na verificação de um fato – negativas (consistem na inocorrência de um fato –

auferição de renda até a colação de grau); empréstimo de uma casa a um amigo, até que a enchente deixe de assolar a sua cidade). Quanto à licitude, as condições podem ser ainda: a) b) lícitas; ilícitas.

Seguindo a redação do novo Código Civil, são lícitas, em geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública e aos bons costumes (arts. 122, NCC e 115, CC-16). Ilícitas, contrario sensu, são as demais. Costuma, ainda, a doutrina (e, agora, o NCC, art.122, parte final) reputar proibidas as condições: a) b) Perplexas (Incompreensíveis ou Contraditórias); Potestativas.

As condições perplexas (incompreensíveis ou contraditórias) são aquelas que privam de todo o efeito o negócio jurídico celebrado. Ex.: João celebra com José um contrato de locação residencial, sob a condição de o inquilino não morar no imóvel. Já as potestativas, decorrem da vontade da própria parte. Não se confundem, outrossim, as condições puramente potestativas – arbitrárias, vedadas por lei - com as condições simplesmente potestativas, as quais, dependendo também de algum fator externo ou circunstancial, não caracterizam abuso ou tirania, razão pela qual são admitidas pelo direito. Em sala de aula, veremos exemplos bem interessantes. Sobre a condição puramente potestativa, decidiu o STJ:

CIVIL. por culpa exclusiva da construtora/incorporadora. Entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o ato. É vedado pela Súmula 7/STJ o reexame do quantum fixado em multa contratual. ARRAS. Rel.503/RJ. 1. 1. a restituição das parcelas pagas somente ao término da obra. CLÁUSULA PURAMENTE POTESTATIVA. 5. Agravo regimental improvido. 4. 3. haja vista que poderá o . ou o sujeitarem ao arbítrio de uma das partes. 51. SÚMULA 356/STF. ABUSIVIDADE. CONTRATUAL. IMÓVEL. PROIBIÇÃO PELO SISTEMA JURÍDICO. As regras de locação não admitem cláusula que conceda a uma das partes benefício ou vantagem que a torne mais poderosa. SEXTA TURMA. incisos II e IV. (AgRg no AgRg no Ag 652. todas as condições. Ministra DJ 08/10/2007 p. ARTIGO 115 DO CÓDIGO CIVIL DE 1916. PAGAS RESTITUIÇÃO PARCELAS SOMENTE AO TÉRMINO DA OBRA. DEVOLUÇÃO EM DOBRO. REGIMENTAL PROCESSO EM AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. O decaimento de parte mínima do pedido não caracteriza a ocorrência de sucumbência recíproca. OMISSÃO DO ACÓRDÃO ACERCA DA SUA NATUREZA. em caso de rescisão de promessa de compra e venda de imóvel." (Artigo 115 do Código Civil de 1916). 377) Esta recente decisão também merece referência: CONSUMIDOR. ou ainda que a submeta ao arbítrio da outra. É abusiva. por ofensa ao art. julgado em 20/09/2007. CLÁUSULA RESCISÃO A PREVER PROMESSA A DE COMPRA DA DAS E VENDA DE MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA. a cláusula contratual que determina. "São lícitas. em geral. do Código de Defesa do Consumidor. CULPA CONSTRUTORA. que a lei não vedar expressamente. 2.4 AGRAVO LOCAÇÃO.

não sanada a omissão do acórdão acerca da natureza das arras. 3. 2. natural. Também espécie de determinação acessória. não deixa explicitado se as arras têm natureza confirmatória ou penitencial.2. Com efeito. São as que dependem da vontade de uma das partes. gênero do qual já destacamos as condições potestativas ao abordarmos o critério da licitude. muito embora faça alusão ao contrato.: “Doarei o valor. alheio à vontade das partes. quanto à origem. c) mistas – são as que derivam não apenas da vontade de uma das partes. por óbvio. o recurso especial esbarra na Súmula 356/STF. se confirmatórias ou penitenciais.: “darei o capital de que necessitas. (REsp 877. tampouco o recorrente opôs embargos de declaração para aclarar tal ponto. DJe 12/08/2010) Em seqüência. casuais – as que dependem de um evento fortuito. QUARTA TURMA. Ex. O acórdão recorrido. Consoante visto acima. MIN. poderão ser simplesmente potestativas ou puramente potestativas. Recurso especial improvido. se formares a sociedade com fulano”. a um só tempo. . se chover na 2. pode não ocorrer. b) potestativas – já analisadas. o termo é o acontecimento futuro e certo que subordina o início ou o término da eficácia jurídica de determinado ato negocial. revender o imóvel a terceiros e. Termo. mas também de um fator ou circunstância exterior (como a vontade de um terceiro). além do que a conclusão da obra atrasada. Ex.5 promitente vendedor.980/SC. as condições poderão ser: a) lavoura”. auferir vantagem com os valores retidos. LUIS FELIPE SALOMÃO. uma vez mais. julgado em 03/08/2010. Rel.

nem o exercício do direito. em prol de uma liberalidade maior. de graça – fixado por decisão judicial (geralmente contrato. 136. como condição suspensiva. caso em que se invalida o negócio jurídico. Modo ou Encargo. que a doutrina costuma apresentar a seguinte classificação do termo: a) b) c) convencional – fixado pela vontade das partes (em um legal – determinado por força de lei. quando estipulado (ex. 2. Art. fundamentais: a) b) futuridade.: doou-te uma fazenda. Não subordina a aquisição. salvo quando expressamente imposto no negócio jurídico. fundamentalmente.3. . confiram-se os seguintes artigos: Art. duas características Finalmente. consiste em um prazo determinado pelo juiz para que o devedor de boa-fé cumpra a sua obrigação). O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito. cumpre-nos mencionar. Considera-se não escrito o encargo ilícito ou impossível. certeza (quanto à ocorrência do fato). com o encargo de você pagar pensão de um salário mínimo à minha tia idosa). No Código Civil. por exemplo). pelo disponente.6 Possui. 137. salvo se constituir o motivo determinante da liberalidade. Modo ou encargo é a determinação acessória acidental do negócio jurídico que impõe ao beneficiário um ônus a ser cumprido.

e seguindo a melhor técnica. entenda-se o “poder de exigir de outrem coercitivamente o cumprimento de um dever jurídico. Violado o direito. vale dizer. nos prazos a que aludem os arts. é o poder de exigir a submissão de um interesse subordinado (do devedor da prestação) a um interesse subordinante (do credor da prestação) amparado pelo ordenamento jurídico”. a “pretensão”. 205 e 206. Não é recomendável. Por pretensão. no prazo previsto em lei. esta matéria será devidamente desdobrada e aprofundada. (grifos nossos) Em sala da aula. mas sim. nasce para o titular a pretensão. a qual se extingue. Prescrição A prescrição consiste na perda da pretensão. Nesse diapasão.7 TEMA 02 – PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA 1. pela prescrição. 189. em virtude da inércia do seu titular. segundo o critério científico adotado pelo novo Código. dizer-se que a prescrição ataca a ação. . pois. dispõe o novo Código Civil: TÍTULO IV DA PRESCRIÇÃO E DA DECADÊNCIA CAPÍTULO I DA PRESCRIÇÃO Seção I Disposições Gerais Art.

11. ART. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. PRESCRIÇÃO ARGÜIDA EM CONTRA-RAZÕES DE APELAÇÃO. por conseqüência. 193 DO CÓDIGO CIVIL. (REsp 968. QUE ENTROU EM VIGOR EM 16 DE MAIO DE 2006. Com a publicação da Lei n. revogando. Precedentes. para admitir que o . a restrição atinente aos direitos patrimoniais. 2. Recurso especial desprovido. 219. fora editada a Lei n. 1. um importante aspecto deve ser destacado.280/2006. 4. 11. Precedentes. 194 do Código Civil. 3. foi conferida nova redação ao 219.º.830/1980).º 11. do Código de Processo Civil. a Lei n.280/2006 passou a admitir o reconhecimento de ofício da prescrição. pelo Tribunal a quo. o STJ: PROCESSUAL CIVIL.º 11.365/SP. DJe 20/10/2008) Vale lembrar. de ofício. § 5. como a sentença de primeiro grau foi proferida após a vigência da mencionada Lei. aplica-se o disposto no art.8 No entanto. o art. nesse ponto. DIREITO PATRIMONIAL. POSSIBILIDADE. afastando. SENTENÇA POSTERIOR À PUBLICAÇÃO DA LEI N. de 17/02/2006. Na hipótese em apreço.º. que a regra não é totalmente nova. QUINTA TURMA. julgado em 25/09/2008. ART. Inovando. 193 do Código Civil. Nesse sentido. que entrou em vigor em 16/05/2006. pois em dezembro de 2004.280. PRESCRIÇÃO. não há nenhum óbice ao pronunciamento da prescrição. Ministra LAURITA VAZ.051. Rel. Tendo a parte Recorrida alegado a matéria relativa à prescrição nas contra-razões ao recurso de apelação. que modificou a Lei de Execução Fiscal (6. § 5. DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. para o reconhecimento ex officio da prescrição.

194 do Código Civil pela Lei n. querendo. depois de ouvida a Fazenda Pública.280/2006. ainda quanto à denominada “prescrição intercorrente”. A revogação do art. a teor o enunciado nº 295 da IV Jornada de Direito Civil: 295 – Art. especialmente de título judicial. 1F Esta possibilidade de reconhecimento de ofício da prescrição. 191. Por isso. VIOLAÇÃO AO ART. vale anotar haver resistência da jurisprudência. tema que toca a grade de processo do curso LFG. AUSÊNCIA. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. 40. que determina ao juiz o reconhecimento de ofício da prescrição. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. 535 DO CPC. Aliás. eventualmente. § 4o) 2. para os processos civis em geral. o juiz. NÃOOCORRÊNCIA. pois. Direito Tributário e Direito do Trabalho. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. não retira do devedor a possibilidade de renúncia. 3 A questão pode ganhar outros contornos em sede de execução. renuncie a esta defesa indireta de mérito). FUNDAMENTOS SUFICIENTES PARA EMBASAR A DECISÃO. não retira do devedor a possibilidade de renúncia admitida no art. escapando. “§ 4o Se da decisão que ordenar o arquivamento tiver decorrido o prazo prescricional. prevista no art. de ofício. demonstre que prescrição não há) e ao devedor (para que.9 magistrado conhecesse de oficio da prescrição do crédito tributário. 191 do CC. Caso o devedor quede-se silente. reconhecer a prescrição intercorrente e decretá-la de imediato”. DEMORA IMPUTADA AO PODER JUDICIÁRIO. antes de o juiz se pronunciar. 2 . desde que ouvida previamente a Fazenda Pública (art. Finalmente. quando a mora é atribuída ao próprio Poder Judiciário 3: 2F PROCESSUAL CIVIL. o tema “prescrição intercorrente” é estudado especialmente pelo Direito Processual Civil. pensamos ser importante a abertura de prazo ao credor (para que. dos limites da nossa disciplina. por sua vez. poderá o juiz pronunciar de ofício a prescrição. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. poderá. 11. 191 do texto codificado.

10 1. Agravo regimental improvido. por motivos alheios à vontade do autor. Rel. conforme exigência dos arts. . A demora na prestação jurisdicional resultou exclusivamente do mecanismo judiciário. (Súmula 106) (REsp 827. 3.2006 p. 2. 8/STF . 3. TERCEIRA TURMA. CULPA DO EXEQÜENTE. O agravante não procedeu ao cotejo analítico do acórdão recorrido e dos paradigmas. a demora na citação. QUINTA TURMA.2005. julgado em 21. Conforme previsto no art. Inteligência da Súmula 106/STJ.ART. 144 DA Lei n. do RI/STJ. Não há omissão quando o Tribunal de origem pronuncia-se de forma clara e precisa sobre a questão posta nos autos. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA. contradição ou omissão existentes na decisão recorrida. 541. 600) RECURSO ESPECIAL.12. .TRIBUTÁRIO . parágrafo único.Proposta a ação no prazo fixado para o seu exercício. não comportaria interpretação extensiva: PROCESSO CIVIL . do CPC.909/PE. 535 do CPC. julgado em 24.11. os embargos de declaração têm como objetivo sanar eventual obscuridade. Ministro 314) Acrescente-se ainda que. DJ 01. INEXISTÊNCIA. constante na Lei de Execução Fiscal.2005 p.05. PRESCRIÇÃO. a previsão de reconhecimento de ofício da prescrição intercorrente. Rel.EXECUÇÃO FISCAL CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS NATUREZA TRIBUTÁRIA SÚMULA VINCULANTE N.807/60 HUMBERTO GOMES DE BARROS. assentando-se em fundamentos suficientes para embasar a decisão. §§ 1º e 2º. 4. conforme já decidiu o STJ.948/SP. DJ 04. não justifica o acolhimento da argüição de prescrição ou decadência. DEMORA NA CITAÇÃO.2006.07. e 255. (AgRg no Ag 618. pelo que não se opera a prescrição intercorrente.

Recurso especial conhecido em parte e. pacificou o entendimento sobre a natureza tributária das contribuições previdenciárias. de aplicação restrita aos executivos fiscais. a teor da súmula 264 do STF: “VERIFICA-SE A PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE PELA PARALISAÇÃO DA AÇÃO RESCISÓRIA POR MAIS DE CINCO ANOS”. somente invocada da nas razões de pelo recurso STJ especial.830/80 . DA LEI N. 2. 5. PRIMEIRA TURMA.2008. 282/STF.SÚMULA 314/STJ. e autoriza o reconhecimento de ofício da prescrição intercorrente. Rel. decorrência automática do transcurso do prazo de um ano de suspensão e termo inicial da prescrição. Aplicação da Súmula n. 6.NORMA ESPECIAL . aplicando-lhes o prazo prescricional do art.09. 4. admite-se este tipo de prescrição. 174 do Código Tributário Nacional. não provido. § 4º. 314/STJ. da Lei n. Ministra ELIANA CALMON.2008) Em conclusão. (REsp 960.830/80 é norma especial em relação ao CPC. Execução fiscal paralisada há mais de 5 anos encontra-se prescrita. no procedimento da rescisória. 3. Inteligência da Súmula n.11 AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO SÚMULA 282/STF - PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE .08. 6.ART. DJe 01. pela Súmula Vinculante n. vale anotar ainda que. § 4º.772/PA. 1. 6. 40. O art. julgado em 05.DECRETAÇÃO DE OFÍCIO INTIMAÇÃO DA FAZENDA PÚBLICA: EXISTÊNCIA . Prescindível a intimação do credor da suspensão da execução por ele mesmo solicitada. O STF. 40. porque veda-se carente o de conhecimento matéria prequestionamento. . Ausente o debate acerca da natureza tributária das contribuições previdenciárias com fatos geradores anteriores à CF/88. nesta parte. desde que intimada previamente a Fazenda Pública. bem como do arquivamento do feito executivo. 8.

PRAZO PRESCRICIONAL. No caso.839-MG. assim entendida aquela que é certa quanto à sua existência e determinada quanto ao seu objeto. 206. apesar de ser um ato de efeitos ex tunc. O prazo prescricional para propositura de ação monitória fundada em cheque prescrito é de cinco anos (art. assim como a sua maioridade e a prescrição da pretensão de ressarcimento por abandono afetivo.576-RJ. do CC). deve-se considerar que o cheque prescrito é instrumento particular representativo de obrigação líquida. DIREITO CIVIL. este não gera efeitos em relação a pretensões já prescritas. seguem importantes decisões referentes ao “abandono afetivo” e à “demanda INDENIZAÇÃO POR ABANDONO AFETIVO. 247. Conforme a Súm. como não é necessária a indicação do negócio jurídico subjacente por ocasião da propositura da ação monitória. julgado em 21/8/2012. DJ de 23/9/2002. AÇÃO MONITÓRIA DE CHEQUE PRESCRITO. Precedentes citados: REsp 430. DJe de 16/8/2010. Isso porque não corre a prescrição entre ascendentes e descendentes até a cessação dos deveres inerentes ao pátrio poder (poder familiar). O prazo prescricional das ações de indenização por abandono afetivo começa a fluir com a maioridade do interessado. § 5º. monitória”: arrematando o tema “prescrição”. . não faz sentido exigir que o prazo prescricional para essa ação seja definido a partir da natureza jurídica da causa debendi.622-SP.12 Finalmente. 299/STJ. os fatos narrados pelo autor ocorreram ainda na vigência do CC/1916. e AgRg no Ag 1. Luis Felipe Salomão.298. Quanto ao prazo dessa ação. “é admissível a ação monitória fundada em cheque prescrito”. independentemente da relação jurídica que deu causa à emissão do título. I. mesmo tendo ocorrido o reconhecimento da paternidade na vigência do CC/2002. do CC. Ademais. I. § 5º. n. Nesse contexto. PRESCRIÇÃO. Min. segundo a jurisprudência do STJ. 206. REsp 1. razão pela qual a ação monitória submete-se ao prazo prescricional disposto no art. Rel.

029-SC. poderíamos apresentar o seguinte quadro.810-SP. E um importante ponto deve ser bem realçado: diferentemente dos prazos prescricionais. Em síntese.874-RS. julgado em 9/10/2012. entendendo-se este como sendo “o poder jurídico conferido ao seu titular de interferir na esfera jurídica terceiro. DJe 17/10/2011. a decadência potestativos. REsp 1. DJe 18/6/2009. Rel. Determinado prazo é considerado “decadencial”.13 Precedentes citados: REsp 1.339. e REsp 445. Sidnei Beneti. os decadenciais poderão derivar da LEI ou da VONTADE das próprias partes. REsp 926.312SP. respeito que ao tem por de objeto a exercício direitos Prazos prescricionais  derivam sempre da lei  extinguem uma pretensão Prazos decadenciais  derivam da lei ou da vontade das partes  extinguem um direito potestativo . Min.038. quando nasce com o próprio direito potestativo. sem que este nada possa fazer”. para o adequado entendimento da matéria: da diz prescrição. 2. AgRg no REsp 721. DJe 3/11/2008.104-SP. DJ 16/12/2002. Decadência Diferentemente pretensão. que sempre são LEGAIS.

09. 27 do CDC (5 anos). qualquer outro prazo. julgado em 21. a teor do art. é considerado decadencial. Ação de prestação de contas. Ministra NANCY ANDRIGHI. Rel. previsto no art.14 DICA DE CONCURSO  Cumpre-nos observar. 26 da mesma Lei (30 ou 90 dias).08. que. decidiu o STJ: Consumidor e processual civil. 26 do Código de Defesa do Consumidor destina-se a vícios aparentes ou de fácil constatação e vícios ocultos.2008.2008) 03 . . Prazo decadencial. Agravo no recurso especial. constante na Parte Geral ou Especial. CDC. Aliás. DJe 05. de maneira que. Não tem qualquer interferência com o julgado que se limitou a afirmar a ausência de provas sobre a correção dos lançamentos que justificaram o saldo devedor. 26. sobre este art. no novo Código Civil. Outra dica.TEXTOS COMPLEMENTARES . especialmente para a prova de Direito do Consumidor  não confunda o prazo PRESCRICIONAL que tem o consumidor para formular pretensão de reparação civil pelo fato do produto ou do serviço (acidente de consumo). regulando a decadência. a opção legislativa foi no sentido de aglutinar os prazos prescricionais apenas nos arts. Agravo no recurso especial não provido.O art. Não-aplicação do CDC. 205 e 206. (AgRg no REsp 1045528/PR. com o prazo DECADENCIAL para se exercer o direito potestativo de reclamar pelo vício do produto ou do serviço. TERCEIRA TURMA.

que foram reduzidos de 20 para 10 anos (art. e que foram reduzidos pelo novo diploma legal. especialmente no que tange aos prazos que já estavam em curso. já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada. em inúmeras previstos de na suas normas. Passados 12 anos. se forem por este reduzidos. Um exemplo irá ilustrar a hipótese. 177. . iniciados na lei anterior. Serão os da lei anterior os prazos. quando reduzidos por este Código. por meio da conhecida “ação ordinária de reparação civil”. sem dúvida alguma. e se. que da diminuíram norma para 15 (usucapião consiste. é um artigo que merece a nossa mais detida atenção. razão específica sob comento precisamente. ou os prazos A de usucapião. na data de sua entrada em vigor. Imagine-se que um determinado sujeito haja cometido um ato ilícito antes da vigência do novo Código. 2028.1. ainda estejam em curso na data da vigência do novo Código. a vítima (credor) ainda não formulou em juízo. Este. para que não cheguemos a conclusões absurdas. 205. em seu art.Desmistificando a Contagem de Prazos no Código Civil (ARRUDA ALVIM e PABLO STOLZE GAGLIANO) O Código Civil. a pretensão indenizatória contra o agente causador do dano (devedor).15 3. . extraordinário) ou 5 anos (usucapião ordinário). 2. dispõe que: Art. prescricional máximo das pretensões de natureza pessoal. ao disciplinar a solução do conflito intertemporal de leis.028. CC-16 e art. Uma análise mais acurada do referido diploma indicará que o legislador. CC-02). em resolver a intrincada questão referente à incidência da nova lei em relação aos prazos que. a reduziu exemplo os do prazos prazo anteriormente lei revogada.

devendo-se advertir que. já havendo transcorrido 12 anos na data da vigência do novo Código. mais da metade do tempo estabelecido pela lei anterior (10 anos). Nesse sentido. como visto. 177. CC-16). § 3°. b) se o prazo menor da lei nova se consumar antes de terminado o prazo maior previsto pela anterior. há que se distinguir: a) se o prazo maior da lei antiga se escoar antes de findar o prazo menor estabelecido pela lei nova. entenda-se: “metade do prazo mais um dia”. fica claro que faltariam três a contar da vigência de lei nova. ainda que mais dilatado. . Dessa forma. já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada. ainda assim. pergunta-se: quantos anos restariam para se completar o prazo máximo. por se tratar de prazo de direito material. No entanto. e. no prazo máximo de 20 anos (art. Pela expressão “mais da metade”. sugere que: “Se a lei nova reduz o prazo de prescrição ou decadência. V).16 Sob a égide do Código de 1916 pretensões pessoais indenizatórias prescreviam. se. Por mais que se afigure estranho o fato de a lei revogadora reduzir o prazo para 3. que prevalecerá o prazo da lei anterior. Entrando em vigor a nova lei. remanescer o lapso de 8 anos. que reduziu o prazo prescricional de 20 para 3 anos (art. adota-se o prazo estabelecido pela lei anterior. se somente houvessem transcorrido sete anos (menos da metade do prazo estabelecido pela lei revogada). esta foi a opção do legislador. que entendeu por bem manter a incidência da lei superada. 206. a sua contagem dar-se-á dia-a-dia. se já houvesse transcorrido mais da metade do tempo previsto. no exemplo supra. restarão ainda 8 anos para que se atinja o prazo prescricional máximo extintivo da pretensão indenizatória. como se sabe. analisando o Código Civil Alemão. 8 (segundo a lei velha) ou 3 (segundo a lei nova)? O nosso Código estabelece. na data da entrada em vigor da lei nova. ou seja. WILSON DE SOUZA CAMPOS BATALHA.

2028. contando-se o prazo a partir da vigência desta”. DEFICIÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO. estabelecendo-se um parágrafo único ao referido art. Tal aspecto poderia ter sido melhor explicitado pelo Código. ed.17 aplica-se o prazo da lei nova. a partir da lei nova. por GAGLIANO. mesmo na falta deste dispositivo. 2002. CONTAGEM QUE SE INICIAL COM A VIGÊNCIA DO NOVO CÓDIGO CIVIL. in Novo Curso de Direito Civil. Pablo Stolze e PAMPLONA FILHO. dispensando profundas reflexões por parte do aplicador do direito. Todavia. Nota: BATALHA. Ademais. STJ. derivado das mais comezinhas regras de direito intertemporal.: O próprio STJ perfilhou entendimento no mesmo sentido: CIVIL E PROCESSO NA CIVIL. é afirmar que a prescrição já havia se operado. Wilson de Souza Campos. São Paulo: Saraiva. 508. a partir da vigência do novo Código Civil é imperativo lógico. in “Lei de Introdução ao Código Civil”. RECURSO SÚMULA ESPECIAL. CAUSA DANO . na hipótese supra. sob pena de cometer o grave erro de imaginar que o Código estava vigente na data da consumação do ilícito. Rodolfo. vítima. 7.. que realçasse a contagem do prazo menor. cit. estar-se-ia imprimindo uma retroatividade “astronômica” à lei nova. a contagem do prazo menor. PRESCRIÇÃO. 3. pág. NECESSIDADE DE REVISÃO DO CONTEXTO FÁTICOPROBATÓRIO. (grifamos) A única conclusão a que o intérprete não deve chegar. PRAZO REDUZIDO. APLICAÇÃO. OBS. fulminando complemente a pretensão da ADMISSIBILIDADE.

STJ. havendo aí abuso da liberdade de informação. bem como ao interesse público.18 MORAL QUEM DIVULGA DE NOME COMPLETO DA VÍTIMA DE CRIME SEXUAL. devida por dano moral. . prevista na Lei de Imprensa. QUANTUM RAZOÁVEL. Precedentes. Precedentes. se a vítima ofereceu a queixa ou a representação. Se o crime contra o costume se encontra sujeito à ação penal pública. Aplicável à espécie a Súmula 284.Não mais prevalece.A vítima de crime contra o costume tem o direito de não perpetuar seu sofrimento. . . a indenização tarifada. É inadmissível o recurso especial deficientemente fundamentado. para além dos autos do inquérito ou do processo criminal. Não se pode presumir tampouco que.A liberdade de informação deve estar atenta ao dever de veracidade. só sofre a incidência da redução a partir da sua entrada em vigor. por tais motivos. STF. a partir da Constituição em vigor. quando diminuído pelo novo Código Civil.Não há qualquer interesse público no conhecimento da identidade da vítima do crime de estupro. Se opta por não oferecer a queixa e tampouco a representação que a lei lhe faculta. do sofrer contínuo. pois nem toda informação verdadeira é relevante para o convívio em sociedade. não por isso deixará de passar pelos constrangimentos da apuração dos fatos.A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. . pois a falsidade dos dados divulgados manipula em vez de formar a opinião pública. evidentemente não há interesse social na apuração dos fatos e tampouco na exposição pública de seu nome. se torne conveniente a exposição pública de seu sofrer.O prazo prescricional em curso. por publicação considerada ofensiva à honra e à dignidade das pessoas. . . . Aplicação da Súmula 7.A modificação do quantum fixado a título de compensação por danos morais só deve ser feita em recurso especial quando aquele seja irrisório ou exagerado. .

Rel. julgado em 26. VIGÊNCIA. 2.600/SP. EXEGESE. Recurso especial conhecido e provido. 1. julgado em 29. que prescreve em três anos a pretensão de reparação civil. que tão-somente os prazos em curso que ainda não tenham atingido a metade do prazo da lei anterior . Rel. 1. V. nas hipóteses em que incide a regra de transição do art. já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada". COBRANÇA DE ALUGUERES.11.028 assenta que "serão os da lei anterior os prazos. na data de sua entrada em vigor. e não a data em que a prestação deixou de ser adimplida. Precedentes do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça.028 do Código Civil de 2002.2007 p. TERCEIRA TURMA. DJ 10. estabelecendo o art. caso se considere a data do fato como marco inicial da contagem do novo prazo. o termo a quo do novo prazo é o início da vigência da lei nova. disciplinado pela lei revogada.2008.028 DO CÓDIGO CIVIL DE 2002. CÓDIGO CIVIL. 2.2007. 1) LOCAÇÃO. ART. e se. § 3º. PRESCRIÇÃO. (REsp 948. TERMO INICIAL. no caso 11 de janeiro de 2003.12.03. 372) CIVIL. Dessa forma.02. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. Infere-se. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA.635/MT. INOCORRÊNCIA. DJ 17. Já o art. À luz do novo Código Civil os prazos prescricionais foram reduzidos. PRESCRIÇÃO. SEXTA TURMA.19 Recurso Especial não conhecido. 3. A aplicação da lei nova.2008 p. 2. quando reduzidos por este Código. Ministra NANCY ANDRIGHI. 206. PROCESSUAL CIVIL. PRAZO. portanto. de modo a reduzir prazo prescricional referente a situações a ela anteriores e sujeitas a um lapso prescricional superior. 2. CIVIL. (REsp 896. efetivamente importará em atentado aos postulados da segurança jurídica e da irretroatividade da lei. DANOS MORAIS E MATERIAIS. RECURSO ESPECIAL.

(REsp 698. Rel. portanto. data da ocorrência do fato danoso. já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada".05. consoante nossa melhor doutrina. 11 de janeiro de 2003.VIGÊNCIA . que tão-somente os prazos em curso que ainda não tenham atingido a metade do prazo da lei anterior (menos de dez anos) estão submetidos ao regime do Código vigente. do direito adquirido e da irretroatividade legal.RECURSO ESPECIAL . que. ou seja. Entretanto. do decurso do prazo prescricional de três anos previsto na vigente legislação civil. a pretensão do ora recorrente não se encontra prescrita. quando reduzidos por este Código.PRAZO . no caso em questão. 2.05. 3.PRESCRIÇÃO . DJ 29.2006. antes.TERMO INICIAL. Ministro JORGE SCARTEZZINI. 254) E também: CIVIL .PROCESSUAL CIVIL . Conclui-se.NOVO CÓDIGO CIVIL .06. portanto. atenta aos princípios da segurança jurídica.20 (menos de dez anos) estão submetidos ao regime do Código vigente. e se.2003. origem.2006 p. atenta aos princípios da segurança jurídica. julgado em 04.INOCORRÊNCIA .AÇÃO MONITÓRIA . consoante nossa melhor doutrina. esses três anos devem ser contados a partir da vigência do novo Código.À luz do novo Código Civil o prazo prescricional das ações pessoais foi reduzido de 20 (vinte) art. ou seja. os novos prazos devem ser contados a partir da para 10 (dez) anos.028 assenta que "serão os da lei anterior os prazos. Já o Recurso conhecido e provido. 2. Entretanto.195/DF. para reconhecer a e não da inocorrência da prescrição e determinar o retorno dos autos ao juízo de . 1 . QUARTA TURMA. Infere-se. do direito adquirido e da irretroatividade legal. 3 (três) anos. na data de sua entrada em vigor. pois o ajuizamento da ação ocorreu em 24. assim.

diria eu) no art. o professor J. com acerto. ou seja.Recurso não conhecido. pois o ajuizamento da ação ocorreu em 13/02/2003. 257) 3.br/doutrina/texto. com quem concordo quanto à data de entrada em vigor do novo Código.21 vigência do novo Código. QUARTA TURMA. no caso em questão. Todavia. Almeida Paiva defendeu. julgado em 05. que.2006. após o advento da nova legislação civil.Conclui-se. assim. Um mês.02. (REsp 848. 2 . que o novo Código Civil entrará em vigor em 11 de janeiro de 2003. 3 . a polêmica não cessa nas substanciosas considerações do estimado advogado paulista.2. 2.asp?id=3517 Vladimir Aras Procurador da República no Paraná Em recente artigo. Ministro JORGE SCARTEZZINI.12. Rel.com.2007 p. por ter estabelecido o .044 do Código Civil de 2002.uol. É que há uma incoerência (ilegalidade "vertical". 11 de janeiro de 2003. a pretensão da ora recorrida não se encontra prescrita. – Vigência do Código Civil (Vladimir Aras) A polêmica data de vigência do novo Código Civil Texto extraído do Jus Navigandi http://jus2. A. e não da data da constituição da dívida. mas divirjo quanto ao método de determinação desse dies ad quem. DJ 05.161/MT.

22 prazo de "vacatio legis" da nova norma civil utilizando o critério anual: "um ano". da contagem em dias.044 do novo Código Civil e o art. alterada pela LCF n. já estava em vigor o preceito cogente da norma complementar federal. que não passa de lei ordinária. parágrafo único. atendendo ao comando do art. 95/98. o art. é patente a ilegalidade vertical entre o art. Então. é preciso observar que a matéria em questão (elaboração de diplomas normativos) tem reserva de lei complementar por expressa disposição constitucional (art. Quando a Lei n. É que o §2º do art. 8º. pois a LCF n. 8º da Lei Complementar Federal n. 59. 59. Sendo assim. 59. quando o estatuto civil adotou o critério anual. que veio a lume exatamente para regular a forma de elaboração e redação das leis nacionais. 107/2001. Facilmente se identifica o problema. e 69 da Constituição de 1988). da LCF n. 2. exige quórum mais qualificado para aprovação (maioria absoluta) e é hierarquicamente superior ao Código Civil de 2002.044 do Código Civil de 2002 terá desconsiderado matéria sujeita . Mas. 95/98. com a cláusula "esta lei entra em vigor após decorridos (o número de) dias de sua publicação". inciso II. determina expressamente que as leis brasileiras (todas elas) devem estabelecer prazo de vacância em dias. De qualquer modo.406/2002 foi publicada. da CF). 10. somente em dias (e não em anos ou em meses). por ser complementar (arts. 95/98. quem ao discorde da de idéia que da não existência se de fundamento dá cotejo hierárquico entre lei complementar e lei ordinária. ainda que afastada esta opção (não de todo descartada). §2º. 2. Há ilegalidade vertical. havendo ou não a ilegalidade vertical. Não se trata de mero detalhe ou firula. parágrafo único. descartando o critério unificador. na forma: "Este Código entrará em vigor 1 (um) ano após a sua publicação". o Código Civil de 2002 devia (e deve) obediência à Lei Complementar n. 95/98. da Carta de 1988.

044 do Código Civil de 2002 tivesse estabelecido o prazo da vacância em dias. Logo. é o da entrada em vigor do novo Código Civil.406/2002). da LCF 95/98. 31 em agosto. 2. 31 em julho. Para os 365 dias da "vacatio legis". 8º. Se o art. deve-se ler o art. Os 365 dias da vacância. . termo final de contagem. do art. 11 de janeiro de 2003.23 a cláusula constitucional de reserva de lei complementar. começando-se a contagem pelo próprio dia 11/01/2002. inclusive. 810. independentemente do conceito de ano civil previsto pela Lei n. 30 em setembro. da LCF 95/98 (com inclusão da data da publicação e do último dia do prazo). 31 em outubro. contam-se mais dez dias em janeiro de 2003. 31 dias em março. 8º. aplicando-se conjuntamente os §§1º e 2º do art. tem-se que o dia subseqüente. Pelo critério ora proposto. 365 dias. 28 dias em fevereiro. como se tivesse estabelecido o prazo da vacância do diploma em 365 dias (e não 1 ano). chegamos ao dia 11 de janeiro de 2003 como de início da vigência do novo Código Civil (Lei Federal n. 31 em maio.044 do novo Código Civil. inclusive. em lugar de fazêlo em 1 (um) ano. É fácil entender: o Código Civil de 2002 foi publicado no Diário Oficial da União de 11 de janeiro de 2002. até o dia 10. 2. 30 em abril. levam-nos ao dia 10 de janeiro de 2003. teríamos reduzido substancialmente (quiçá eliminado) a polêmica em torno da exata data de início da vigência do novo Código e de outras tantas leis ordinárias. 30 em junho. de 1949. 30 em novembro e 31 em dezembro. Contando-se esse prazo em dias na forma do §1º. 10. totalizando 355 dias. São 21 dias em janeiro de 2002. alcançando-se o marco legal ou dies ad quem. como o fez.

2002. Segue. e a vida é uma lição” (Senhor do Tempo.2002. Fonte: ARAS.2002) Elaborado em 10. conforme pudemos perceber ao longo do estudo da prescrição e da decadência. 4 . 4. Disponível em: <http://jus2.com. Vladimir. 2008. Jus Navigandi. nov.uol. Acesso em: 29 mar. FIQUE POR DENTRO A natureza jurídica do “tempo” é um dos temas mais instigantes (e desafiadores) para o Direito. ano 7. Pós-Graduado em Direito Civil pela Fundação Faculdade de Direito da Bahia. A polêmica data de vigência do novo Código Civil . um artigo acerca da responsabilidade pela perda do tempo livre e o desvio produtivo do consumidor. Teresina. banda “Charlie Juiz de Direito. Professor da Universidade Federal da Bahia e da Rede LFG.asp?id=3517>. pois.24 Sobre o texto: Texto inserido no Jus Navigandi nº60 (11. 60. Mestre em Direito Civil pela PUC-SP.br/doutrina/texto. n. Bom estudo! Responsabilidade Civil pela Perda do Tempo Pablo Stolze Gagliano 4 3F “O tempo é rei.

composição: Heitor/Chorão) 1. O que de fato faz a sua vida ter sentido? A posição social que você alcança? O cargo cobiçado que você tanto almeja? O dinheiro que você acumula? Sem menoscabar a importância dessas metas materiais de vida. você compreenderá a verdade cósmica dita pelo profeta RAUL SEIXAS. este “algo inexplicável” que une pessoas e vidas. na linguagem da crença religiosa. Que separam quintais... um dia. em 29 de janeiro de 2013. São Paulo..25 Brown Jr. moldam sonhos e Tópico baseado em palestra proferida por ocasião das comemorações pelos 10 anos de fundação da Rede de Ensino LFG.. No cume calmo Do meu olho que vê Assenta a sombra sonora De um disco voador.”. Porque longe das cercas Embandeiradas. Esta “sombra sonora de um disco voador” traduz. poética ou matemática da cada um. 5 . física. na música “Ouro de Tolo”: Eu que não me sento No trono de um apartamento Com a boca escancarada Cheia de dentes Esperando a morte chegar. o fato é que. A Importância do Tempo em Nossas Vidas 5 4F Existe algo inexplicável por trás desta nossa complexa realidade.

Para a) b) O Tempo em Dupla Perspectiva bem respondermos a esta pergunta. Isso porque determinará a ocorrência de importantes efeitos obrigacionais entre o proprietário e a companhia seguradora. a posse. apto a deflagrar efeitos na órbita do Direito. se a precipitação ocorre em zona urbana. que não podem passar indiferentes ao jurista do século XXI. você conheceu diversas figuras jurídicas: o contrato. espancando. o tempo é um “fato jurídico em sentido estrito ordinário”. a empresa. a falsa ideia de que a vida é um mero conjunto de coincidências. E o tempo? Você saberia dizer qual a sua natureza jurídica? 2. a família. inclusive. é preciso considerar o tempo em uma dupla perspectiva: Dinâmica. por exemplo. Na perspectiva mais difundida. objeto de um contrato de seguro.) . é fato da natureza estranho para o Direito. Uma chuva em alto mar. “dinâmica” (ou seja. qualificado pelo Direito. como já tivemos. por isso. determinante de efeitos na órbita jurídica. E. Mas nem todos os acontecimentos alheios à atuação humana merecem este qualificativo. o nosso tempo tem um profundo significado e um imenso valor. a oportunidade de escrever: “Considera-se fato jurídico em sentido estrito todo acontecimento natural. de uma vez por todas. Certamente. deixa de ser um simples fato natural..26 firmam projetos. (. causando graves prejuízos a uma determinada construção. Estática. em movimento). que passou a ser devedora da indenização estipulada simplesmente pelo advento de um fato da natureza.. a propriedade. e passa a ser um fato jurídico. ao longo de todo o bacharelado. ou seja. um acontecimento natural. Todavia.

São Paulo: Saraiva. por outro lado. quaisquer práticas abusivas. costumeira.27 Os fatos jurídicos ordinários são fatos da natureza de ocorrência comum. o decurso do tempo 6”. As exigências da contemporaneidade têm nos defrontado com situações de agressão inequívoca à livre disposição e uso do nosso tempo livre. obra: “Mesmo que o Código de Defesa do Consumidor (Lei 8. Responsabilidade Civil pela Perda do Tempo Livre O desperdício injusto e ilegítimo do tempo. a doutrina percebeu isso. 345-346. ainda são ‘normais’ em nosso País situações nocivas como: tem sido denominado de “Desvio Produtivo do Consumidor”. segundo preleção de MARCOS DESSAUNE. não cuidou de perceber a importância do tempo como um bem jurídico merecedor de indiscutível tutela. Novo Curso de Direito Civil – Parte Geral – Volume 1. de segurança. passível de proteção jurídica. finalmente. 15ª ed. 3. . nos últimos anos. cotidiana: o nascimento. um relevante bem. a morte. o tempo é um valor. em excelente 6 GAGLIANO.078/1990) preconize que os produtos e serviços colocados no mercado de consumo devam ter padrões adequados de qualidade. a doutrina. Durante anos. 5F Em perspectiva “estática”. Sucede que. E parece que. este panorama tem se modificado. Rodolfo. em favor do interesse econômico ou da mera conveniência negocial de um terceiro. na seara consumerista. Pablo Stolze e PAMPLONA FILHO. de durabilidade e de desempenho – para que sejam úteis e não causem riscos ou danos ao consumidor – e também proíba. especialmente no âmbito do Direito do Consumidor. págs. especialmente aquela dedicada ao estudo da responsabilidade civil.

algumas vezes até dentro do avião – cansado.Enfrentar uma fila demorada na agencia bancária em que. . com as nítidas cores da perfeição..28 . 2011. pelo profissional que vem fazer um orçamento ou um reparo. três. págs. . quatro horas aguardando desconfortavelmente pelo voo que está atrasado. 7F 7 DESSAUNE. 47-48. 8 Idem. o intolerável abuso de que é vítima o consumidor.. que ilustra. Marcos. (..Telefonar insistentemente para o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) de uma empresa.Ter a obrigação de chegar com a devida antecedência ao aeroporto e depois descobrir que precisará ficar uma. ou mesmo por um técnico que precisa voltar para fazer o conserto malfeito 8”. 6F Em verdade. diversas são as situações de dano apontadas pelo autor. São Paulo: RT. pela entrega de um produto novo. com calor e com fome – sem obter da empresa responsável informações precisas sobre o problema. tampouco a assistência material que a ela compete 7”. duas. contando a mesma história várias vezes. só há dois ou três abertos para atendimento ao público. . 48. (. mas repetidamente negligenciado. merecendo destaque uma delas.Ter que retornar à loja (quando ao se é direcionado à assistência técnica autorizada ou ao fabricante) para reclamar de um produto eletroeletrônico que já apresenta problema alguns dias ou semanas depois de comprado.. Desvio Produtivo do Consumidor – O Prejuízo do Tempo Desperdiçado. para tentar cancelar um serviço indesejado ou uma cobrança indevida. ou mesmo pra pedir novas providências acerca de um produto ou serviço defeituoso renitente. dos 10 guichês existentes. fl. por causa de um vício reincidente.) . mas também com outro problema que não existia antes.) .Levar repetidas vezes à oficina. sem hora marcada. obrigado a “esperar em casa. um veículo que frequentemente sai de lá não só com o problema original intacto.

é forçoso convir que as circunstâncias do nosso cotidiano impõem um aproveitamento adequado do tempo de que dispomos. que resulte no desperdício intolerável do nosso tempo livre. Atualmente. uma indevida interferência de terceiro. mais próximos do calor dos nossos amigos – na alegre troca de figurinhas (como as dos inesquecíveis álbuns ‘Stamp Color’ e ‘Amar é’). se aprofundarmos a investigação científica do tema. no decurso do tempo. na medida em que reconhece. Vale dizer. em entusiasmadas disputas de ‘gude’. apanho-me. esta falta de tempo para viver bem é algo trágico em nossa sociedade – e que merece uma autorreflexão crítica – por outro. Confesso que. Não faz muito. uma força capaz de aliviar muitas dores ou descortinar a verdade imanente à natureza humana. e reflita se tal situação – pela qual talvez você já haja passado –. (. não traduziria um intolerável desperdício de tempo livre. descobriremos que a força do tempo expande-se em diversos outros espaços do universo jurídico. a par de vexatória. caro leitor. ou em divertidas brincadeiras como ‘picula’ ou ‘esconde-esconde’. no delicado âmbito de convivência familiar. quer seja nos âmbitos profissional e financeiro. E.29 Vasculhe a sua própria experiência de vida. quer seja nas próprias relações pessoais. em minha infância. época em que. . é situação geradora de potencial dano. muitas vezes. Esse dito popular encerra profunda sabedoria.. tenho a impressão de que as 24 horas do dia não suprem mais – infelizmente – as nossas necessidades. com potencial prejuízo. na perspectiva do princípio da função social. nostálgico. sob pena de experimentarmos prejuízos de variada ordem. relembrando bons momentos vividos na década de 80. celular – vivíamos com mais intensidade as 24 horas do nosso dia. como anotei em recente editorial: “O tempo é o senhor de todas as coisas. tablet.. mas. até mesmo. um amigo passou por um problema que bem exemplifica isso.) Todavia. posto não tivéssemos os confortos tecnológicos da modernidade – internet. não apenas na seara econômica e profissional. se por um lado.

estabelecer as balizas hermenêuticas da sua adequada aplicação.30 Uma determinada empresa passou a cobrar-lhe. segundo a sua própria conveniência 9”. indevidamente. por se tratar de conceitos abertos. por um determinado serviço não prestado. do superior princípio da função social. E não é justo que um terceiro ‘pare’ indevidamente o nosso.. pensamos que esta tese é perfeitamente possível e atende ao aspecto. jurisprudência.. (. mas também punitivo ou pedagógico da própria responsabilidade civil. Eu. sob o prisma da teoria do abuso de direito. Pablo Stolze. anota esforço neste sentido: 9 GAGLIANO. ao ligar. levarei a tarde inteira ao telefone. sob pena de a vítima se converter em algoz. como bem lembra o poeta. então.com/pablostolze/posts/399780266768827 .) Até porque. em nossa atual conjuntura de vida. não apenas compensatório. Responsabilidade Civil pela Perda do Tempo. que nem toda situação de desperdício do tempo justifica a reação das normas de responsabilidade civil. Terei de acampar lá’. 8F Deve ficar claro. então: ‘Ainda não. para tentar resolver isso. Apenas o desperdício “injusto e intolerável” poderá justificar eventual reparação pelo dano material e moral sofrido. disponível no: https://www. determinados prestadores de serviço ou fornecedores de produtos. E. citando. na perspectiva. imponham-nos um desperdício inaceitável do nosso próprio tempo? A perda de um turno ou de um dia inteiro de trabalho – ou até mesmo a privação do convívio com a nossa família – não ultrapassaria o limiar do mero percalço ou aborrecimento. na perspectiva da função social? Em situações de comprovada gravidade. VITOR GUGLINSKI . Esta circunstancia tão corriqueira exige uma reflexão. inclusive. Respondeu-me. E se eu for à filial da empresa é pior ainda. nesse contexto. É justo que.facebook. Por isso. indaguei se ele já havia entrado em contato com a referida companhia. ‘o tempo não para’. Eu sei que. Editorial publicado no dia 25 de dezembro de 2012. estou tentando conseguir uma folga no trabalho. como já dito. caberá à doutrina especializada e à própria jurisprudência. ingressando na seara do dano indenizável.

Perda do tempo livre. Decisão monocrática em Apelação Cível que deu parcial sem provimento autorização ao do recurso do agravado.SEGUNDA CAMARA CIVEL Agravo Interno. tem levado a jurisprudência a dar seus primeiros passos para solucionar os dissabores experimentados por milhares de consumidores. Cancelamento das cobranças que se impõe.00. corrente Demanda indenizatória.) Dentre os tribunais que mais têm acatado a tese da perda do tempo útil está o TJRJ. descontado Descontos Direito de do Consumidor. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS IGUALMENTE CORRETOS. Confiram-se algumas ementas: DES. Falha na prestação do serviço.CONSUMIDOR. DES. ALEXANDRE CAMARA . Juros moratórios a contar da citação. passando a admitir a reparação civil pela perda do tempo livre. o que sinaliza no sentido do fortalecimento e consequente afirmação da teoria.. Dano moral configurado. FALHA NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TELEFONIA E DE ALÉM COBRANÇA PROCEDÊNCIA.000. Aplicação da multa . APELAÇÃO DA RÉ. §3º DO CDC.31 “A ocorrência sucessiva e acintosa de mau atendimento ao consumidor. SENTENÇA AÇÃO DE INDENIZATÓRIA.Julgamento: 13/04/2011 INTERNET. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE UMA DAS EXCLUDENTES PREVISTAS NO ART. (. durante mais de três anos. gerando a perda de tempo útil. Seguro conta correntista. Correto o valor da compensação fixado em R$ 2. TERCEIRA DE CAMARA CIVEL. indevidos. DESPROVIMENTO DO APELO. CARACTERIZAÇÃO DA PERDA DO TEMPO LIVRE. DANOS MORAIS FIXADOS PELA SENTENÇA DE ACORDO COM OS PARÂMETROS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. 14. LUIZ FERNANDO DE CARVALHO . alguns da relatoria do insigne processualista Alexandre Câmara.. Comprovação de inúmeras tentativas de resolução do problema. podendo-se encontrar aproximadamente 40 acórdãos sobre o tema no site daquele tribunal.Julgamento: 03/11/2010 . sem que fosse solucionado. INDEVIDA.

no site do STJ. . Por outro lado.editorajuspodivm.saraivajur. 12 Fonte: http://www. MENSAGEM Duas lindas frases de Mahatma Gandhi 12: 11F “A alegria está na luta. em nossa sociedade.” (grifei) 9F Em verdade. que se repetem.info/autor/Mahatma_Gandhi/ . ano 17. doutrinárias e jurisprudenciais -. que. mas da vontade férrea”. Vitor Vilela. Marcos. acessado em 15 de março de 2009. à luz do princípio da função social. obra citada. sobretudo. Jus Navigandi. Isso tudo porque o intolerável desperdício do nosso tempo livre.pensador. Dica: Além da jurisprudência. não se pode negar. de uma tese relativamente nova . no sofrimento envolvido e não na vitória propriamente dita”. o que não se pode mais admitir é o covarde véu da indiferença mesquinha a ocultar milhares (ou milhões) de situações de dano.br/revista/texto/21753>. agressão típica da contemporaneidade. Danos morais pela perda do tempo útil: uma nova modalidade. “A força não provém da capacidade física. 3237. Disponível em: <http://jus. todos os dias. valor dos mais caros para qualquer um de nós.ao menos se levarmos 10F em conta o atual grau de penetração no âmbito das discussões acadêmicas. Acesso em: 25 dez. consulte.com.com. impõe-se. aos poucos. 2012 11 DESSAUNE. 12 maio 2012 . por se tratar. “a responsabilidade pela perda do tempo livre” ou pelo “desvio produtivo do consumidor 11”. Recurso desprovido 10. Bibliografia: Novo Curso de Direito Civil – Parte Geral Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho. a todos nós.32 prevista no § 2º do artigo 557 do CPC. silenciosa e invisível. na tentativa.br ) 5. em lenta asfixia. Ed. pela usurpação injusta do tempo livre. uma mais detida reflexão acerca da sua importância compensatória e. Saraiva. no percentual de 10% (dez por cento) do valor corrigido da causa.com. utilidade punitiva e pedagógica. (www. Teresina. 10 GUGLINSKI.br ou www. súmulas de interesse da matéria estudada (prescrição e decadência). mata. n.

2013. .D. Pablo. sempre! Um abraço fraternal! O amigo.2 C.S. Revisado.33 Fique com Deus.

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