UnB - UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ARTE - IdA Linha de Pesquisa - Arte e Tecnologia - Doutorado.

ANDRÉ LUIZ GONÇALVES DE OLIVEIRA

Monografia apresentada à disciplina de S e m i n á r i o Av a n ç a d o I I , s o b responsabilidade da professora Dra. Suzete Venturelli, cursada no primeiro semestre de 2012, como parte da avaliação para obtenção de créditos do curso de doutorado.

BRASÍLIA 17/07/2012

P. Ou de alguma maneira ao menos. Palavras-chave: Arte e tecnologia. ganha força a idéia de que a arte é uma das primeiras produções que diferenciam o homem de outros animais. Changeaux e A. neurocientista em palestra proferida em 2009. estética naturalizada. seja socialmente. de que a produção de arte estava entre essas primeiras produções humanas. tais como : 2 . Tais pinturas nas cavernas acabam por sugerir que esse tipo de produção.Arte e tecnologia em direção à uma estética naturalizada. A segunda parte trata do desenvolvimento comum e mútuo entre arte.IdA. seja individualmente. Damásio que propõe a arte como fazer basal da natureza humana. marcou a passagem do homem do paleolítico para o neolítico. como um possível exemplo de aplicação dos princípios discutidos até esse momento no texto.UnB . Esse autor trata especificamente do tipo de ação que caracteriza a produção artística. André Luiz Gonçalves de Oliveira PhD Candidate . 2) com isso a prática artística (seja a prática de produção ou de experimentação) aumenta a complexidade da regulação da vida. que denominamos por arte. E por último. Essa argumentação sobre o papel da arte é feita por Damásio (2009) que oferece possíveis pistas para a compreensão das relações entre o desenvolvimento de algumas características próprias do ser humano e suas habilidades para a produção artística. A primeira delas apresenta neurocientistas como J. Arte nas origens do humano Desde que se começou a encontrar a produção imagética nos ambientes onde viveram os primeiros humanos. O argumento está estruturado em três etapas. Entre as diversas produções do homem a arte tem características próprias. a arte emerge entre os humanos por conta de basicamente dois aspectos que ela proporciona: 1) a produção artística melhora a comunicação possibilitando a expressão de uma gama de estados emocionais. 1. Resumo: O presente texto encaminha uma reflexão acerca das possibilidades de se argumentar em direção à uma estética naturalizada a partir de proposições poéticas como as Paisagens Sonoras Situadas. conhecimento e tecnologia. apresenta-se uma descrição esquemática de uma paisagem sonora situada denominada por Biocybrid Frog’s Signature como possível emxemplo de poética em direção ao posicionamento do conceito de estética naturalizada. aponta aspectos da origem da arte ligada a origem do ser humano. Também Jean-Pierre Changeux. arte e natureza. Segundo o autor. Autores como Heidegger são tomados em sua reflexão quanto à tecnologia e seu papel na vida humana. ou ao menos que apontamos como o predecessor daquilo que se entende hoje por arte.

Segundo o autor a música é um meio muito eficiente para induzir estados emocionais bem específicos. Ele apresenta também alguns aspectos que descrevem a arte como um tipo de hábito humano dos mais basais. 2009).) specilized for intersubjective comunication that uses symbolic forms genetically and epigenetically encoded. desenvolvidos desde os primeiros grupos de homo spaiens. como um recurso fundamental para concentração. Práticas como essa foram perpetuadas até os dias de hoje e remetem os humanos às suas origens. que diferenciam a espécie humana das outras. Em primeiro lugar ele afirma que as habilidades utilizadas para a produção de arte guardam uma importante relação com as ações de sobrevivência da espécie. non verbal comunication of emotionalstates. with aesthetic eficacy. distinct from language. como a de Lascaux. art in constant evolution (art history) renewal yet without apparent progress (Changeux. Assim. Changeux (2009) acaba por dar condições de considerar a arte como comportamento mais fundamental do que a linguagem falada. em geral. enquanto outras modalidades atuam sobre outros aspectos da percepção humana. Os laços interpessoais são fortalecidos conforme hábitos como esse descrito acima consolidam-se e isso é um grande fomento à formação de grupos sociais e posteriormente à cultura. nenhuma outra espécie desenvolveu linguagem como os humanos. é uma contribuição direta para a saída do homem do estágio conhecido como Paleolítico. ou até antes das pictóricas. with multiplicity of codes. Assim o neurocientista afirma que as atividades musicais devem ter florescido juntamente.1 como é o caso da língua falada. Uma vez então satisfeitas as necessidades de sobrevivência a arte passa a ser valorizada como hábito que possibilita o bem estar. Essa ampliação na capacidade de comunicação trazida pela arte se dá porque. são um exemplo de ligação de habilidades artísticas com habilidades de sobrevivência. como a música.(. Um dos aspectos realçados pelo neurocientista A. Também. conforme afirma o próprio Damásio. linguagem e arte podem ser considerados dois aspectos. pode ter sido um hábito já amplamente desenvolvido entre os primeiros humanos. Habilidades como organizar sons produzidos pelo corpo para atrair caça. yet under implicit constraints of rules. Esse efeito ligado diretamente a aspectos de regulação homeostática do sistema vivo do ser humano tem estreita relação com as possibilidades de organização e motivação individual e coletiva oferecida por modalidades artísticas. knowledge experiences. Ao contemplar tal posicionamento ficam explícitos os dois aspectos que Damásio (2009) aponta como próprios dessa relação entre a emergência da arte e a evolução humana: a melhoria na 1 Linguagem referencial como aquela que estabelece forte vínculo da representação linguística com o representado. Assim. 3 . uma vez que ele lembra a ótima acústica das cavernas. entre grupos de humanos primitivos.. Cantar em volta da fogueira abrigado na caverna com comida farta. staggering effects on emotion & reason mobillissing conscious and non-concious process. Damásio (2009) é que a arte está presente na origem da espécie humana pelo potencial de ampliar as possibilidades de comunicação. Também segundo Damásio (2009) a prática artística produz um aumento no prazer e portanto oferece um efeito de balanço compensatório. oferece situações de prazer à vida. para o ser humano. de bem estar. Em outras palavras.. Nenhuma outra espécie desenvolveu um sistema de produção e fruição sequer parecido como a arte para a espécie humana. a arte. Damásio aponta algumas características específicas dessa relação entre a emergência da arte na espécie humana e a própria evolução dessa espécie. Damásio (2009) apresenta especialmente a atividade de tocar os tambores. por meio das diversas modalidades artísticas pode-se evidenciar estados emocionais bastante diferentes e diversos daqueles alcançados pela linguagem referencial. entre outros. Mas para ele. para organização da mente e para organização do grupo.

como o próprio ser humano que também não tem encerrada sua própria evolução. aspecto relevante para o neurocientista francês. Uma vez que as memórias de uma pessoa não são algo de acesso tão consciente assim. Isso como aspecto característico da prática artística. Ele começa sua descrição por um caminho bastante óbvio mas. J. por vezes esquecido. nas possibilidades simbólicas presentes aí. Changeux (2009) mostra a relação estreita entre o constante desenvolvimento do ser humano e o desenvolvimento de sua arte. muito da atividade artística possibilita ligações. Changeux (2009) também fala de uma eficácia estética com fortes efeitos sobre a razão e a emoção. O segundo é o que Changeux (2009) chama de descoberta da simetria.comunicação e o efeito de balanço compensatório.5 milhão de anos atrás. há cerca de 2. processos conscientes e não conscientes. Basta recorrer à experiências artísticas para que se alcance o que se pretende dizer com os efeitos da arte sobre processos conscientes e não-conscientes. e que se encontram presentes já entre os hábitos dos humanos primitivos. muito antes da escrita. talvez antes da fala. que localiza a arte como parte da formação da consciência humana. mas conhecida de todo o grupo. e talvez especificamente por conta disso. que de acordo com sua opinião apresentam possibilidades de expressão de emoções e sensações bem mais restritas por conta de sua alta referencialidade. o autor destaca o cuidado com a estrutura simétrica da construção. O autor ainda localiza tais habilidades como distintas da linguagem. e que abre algumas portas interessantes para nossas intenções aqui. por conta da observação desse tipo de experiência. ou à disposição da consciência. Imagine-se um determinado grupo humano primitivo. Jaeger e M. mobilizando ao mesmo tempo processos conscientes e não-conscientes. marca profundamente os hábitos de tal grupo a ponto de configurar o tal efeito de compensação descrito por Damásio (2009). E um último. é o fato de que a arte está em constante evolução. Ele aponta ao menos 5 marcos. quando Changeux (2009) afirma que a arte envolve ambos. procedimentos e significações a que se deu o nome de arte. cantando. Damásio (2009) atribui ainda à prática artística o envolvimento em um ciclo virtuoso que possibilita ao ser humano. Um grupo com laços interpessoais fortalecidos e com crescente noção de grupo. com sua força simbólica. Por isso. de modo bastante explicito em sua argumentação. A repetição de tais comportamentos até a configuração de hábitos potencializa os laços afetivos e com isso a sensação de bem-estar. e pode-se pensar no fortalecimento dos laços interpessoais presentes em tal situação. Isso porque a arte é muitas vezes não-verbal e traz em si uma multiplicidade de possibilidades de descrições de emoções e sensações distintas das apresentadas pelas palavras faladas ou escritas. durante o decorrer de seu desenvolvimento. P. Heidegger.5 milhões de anos atrás. Nos instrumentos e ferramentas criados e utilizados pelo homo erectus. citado em parágrafo anterior. e também de suas tecnologias e hábitos. e não por isso menos importante. tais como W. e com a posição dos autores que serão apresentados na sequência. relações que não estão à mão. apresentar o crescimento qualitativo e quantitativo de habilidades psicomotoras profundamente a ponto de produzir um mundo próprio de hábitos. Embora não haja palavras. o acontecimento. ou desenvolvimento. Changeux (2009) trata as obras de arte como artefatos simbólicos próprios de um sistema complexo de comunicação de estados emocionais. Mas o que é exatamente isso que se toma por arte? O que caracteriza uma prática humana como arte ou não arte? Com perguntas como essa em mente o neurocientista Jean-Pierre Changeux (2009) aponta alguns critérios para um melhor entendimento de tais características. há cerca de 1. O primeiro é a criação de ferramentas pelo homo habilis. parece estar de acordo com posições como a de Damásio. Essa característica é suporte para o próximo marco explicitado por Changeux: o uso de 4 . ou estágios em direção à formação dos hábitos considerados como prática artística. ou murmurando uma melodia simples. consegue melhores oportunidades de boa comunicação e com isso ganha possibilidades de melhoria em sua qualidade de vida.

a partir da argumentação de Changeux até aqui pode se considerar a arte como um tipo produção humana sustentada sobre diversas habilidades de base.simbolismos. É por esse tipo de argumento que fica clara a relação entre o desenvolvimento tecnológico de um lado e o desenvolvimento estético de outro. Changeux (2009) trata aqui especificamente das possibilidades e restrições que demarcam e limitam o universo de possibilidades de ação. se 5 . Se de uma maneira a produção artística depende de procedimentos conscientes e bastante regulares. Essa possibilidade de articulação do consciente com o inconsciente é um caminho ligado à arte de muitos tipos de culturas distintas. O desenvolvimento de tecnologia tem aqui evidenciada uma forte ligação com o próprio desenvolvimento evolutivo do ser humano. E entre outros aspectos ele está ocupado em descrever as regras próprias desse tipo de produção humana. Seu argumento trata da indicação de que os homo heldelbergenses utilizavam símbolos durante os funerais. a partir disso aparecem os indícios de uso de simbolismos e posteriormente. por referir-se a aspectos mais naturais do que culturais presentes em processos de significação e experimentação artística. Regras que segundo ele são padrões de hábitos dos artistas que vão se formando e se transformando no tempo. ligados à evolução e desenvolvimento do ser humano. Em capítulos posteriores esta tese apresentará um argumento sobre uma espécie de grau zero de significação. Este autor ainda fala de um tipo de eficácia estética que propicia a emergência de sentimentos e emoções. Esse conceito de grau zero está ligado diretamente à perspectiva de que a arte surgiu com a natureza do ser humano. Ao considerar esse terceiro aspecto. A partir da perspectiva apontada por estes dois neurocientistas tratando das relações entre a arte e as origens do ser humano. também é evidente a participação de estados inconscientes na experiência artística. Não cabe aqui um maior refinamento na terminologia sobre conhecimento e ciência. ou mesmo de produção. como nesses aspectos realçados por Changeux (2009). é relevante à presente tese para justificar o caminho em direção à uma estética que por várias vezes chamar-se-á aqui de naturalizada. exemplificam bem isso em diferentes épocas e locais do planeta. pode-se entender o desenvolvimento do que o autor denomina por arte. ou ciência. em torno de 100 mil anos o homo sapiens então tem condições de produzir algo semelhante ao que hoje consideramos como arte. Aqui também aparece a noção de estilo do artista criado pela seleção e armazenamento de regras eficientes. no ser humano. e que tem fundamentos mesmo préhumanos. Em outras palavras. fundamental para tal estética que se pretende naturalizada. bem como seu controle e manipulação. Isso reforça a perspectiva da possibilidade de experiências estéticas ligadas profundamente a aspectos naturais de todos os seres da espécie homo sapiens sapiens independente da grande variedade de culturas desenvolvidas por tal espécie. Embora por vezes esses dois lados pareçam distantes. Realçar tais aspectos da arte. muitas vezes implícitas por restrições top-down de possibilidades de representação. consciente e inconsciente. que encontram-se presentes em diferentes estágios anteriores de evolução. é fundamental uma análise relacional para a melhor compreensão dos dois desenvolvimentos (humano e tecnológico). Dessa forma o autor afirma que a arte permite um acesso à consciência sem que se despreze aspectos inconscientes. por conta dos objetivos dessa tese. bem como a perpetuação de tais hábitos é aquilo que se denominará aqui como conhecimento. de outra. Um último aspecto a ser localizado por Changeux (2009) é a capacidade que a experiência artística tem de articular ambos estados. A capacidade de desenvolver hábitos específicos para necessidades igualmente específicas. Primeiro há o uso de ferramentas. pode-se encaminhar a continuidade da reflexão dessa seção para o que acontece com o que o homem vai denominar por conhecimento. posteriormente tais ferramentas servem para produzir ferramentas melhores (com simetria inclusive). Os fenômenos de xamanismo e suas variantes.

inclusive da arte. que somente foram possíveis a partir das tecnologias de escrita. após o desenvolvimento da linguagem a capacidade cognitiva do ser humano se ampliou muito. Em obras de diferentes povos da antiguidade. Uma influência imensa para o desenvolvimento das ações humanas em geral. como conhece esse mundo. também a arte pode ser considerada como tal. procedimentos específicos sobre materiais especificamente também selecionados no mundo. assim como sobre as meras experiências acidentais da vida do indivíduo.) a poesia tem vantagem sobre qualquer estudo intelectual e verdades racionais. a escrita também deu suporte para o aparecimento de sistemas de organização da vida social e comunicação bastante sofisticados. por um tipo de hábito próprio dessa espécie. portanto a arte era a melhor maneira de apresentar o conhecimento. 23): (. Em obras escritas da cultura desses dois povos .. Nas palavras de Humberto Maturana (2001) vive para conhecer e conhece para viver.. que no decorrer da evolução (que Maturana e Varela. evidenciada principalmente a partir do aparecimento da escrita. também será enorme a importância da tecnologia de escrita desenvolvida pela humanidade há cerca de 4 mil anos atrás. o viver na linguagem. toda a produção de um artefato qualquer envolvia uma tecnologia. Jaeger. Assim. quando apresenta um hábito próprio para um determinada situação. Além de servir para transmitir habilidades desenvolvidas por antepassados referentes à técnicas de plantios e outros aspectos ligados diretamente à sobrevivência.. a poesia e mesmo a dramaturgia. 1999 entendem por Deriva Natural) acontecem cada vez mais próximos uns dos outros. Se o domínio do fogo foi uma tecnologia que marcou muito o desenvolvimento nos primórdios da humanidade.. essa íntima relação foi explicitada em poemas que foram considerados de suma importância para o desenvolvimento moral e cultural. da mesma maneira como após cada salto tecnológico. p. E embora a arte tenha aparecido um tanto antes da escrita. p. tem ciência de algo. 63) afirma que: (. Nesse sentido o ser humano vem desenvolvendo seus conhecimentos sobre o mundo em consonância com sua própria evolução.) comunicação de conhecimentos e aptidões profissionais (. Ocorre que há no desenvolvimento humano uma associação bastante forte de arte e linguagem. Heidegger sobre a tecnologia. Essas relações serão descritas com mais detalhes logo mais a frente quando da exposição de aspectos da reflexão de M. conhecimento (ciência) e tecnologia. Pode-se propor que a arte esteve ligada diretamente aos avanços do conhecimento humano porque envolviam em suas práticas. Dizemos que um animal conhece algo. o linguajar. É mais 6 . Especificamente entre os Gregos do período Arcáico (cf. e portanto uma arte. E embora todo ser vivo. Lembre-se que o vocábulo técnica vem de uma palavra grega que significa “como se faz”. e se as tecnologias que proporcionaram a agricultura foram fundamentais para a evolução humana. não é tarefa simples (e talvez seja mesmo inadequado) separar o que é basicamente transmissão de conhecimento e o que é expressão artística... O filósofo Humberto Maturana. E isso por conta da maneira como se relaciona com esse mundo. a maneira como o ser humano conhece o mundo se distingue muito da maneira como outros animais o conhecem. entre outros aspectos.). para se manter vivo precise conhecer o mundo que habita. Desde que a espécie humana surgiu vem transformando esse mundo como nenhuma outra nunca o fez. Tais laços se reforçam com o desenvolvimento de modalidades artísticas como a literatura. Assim. ou os Gregos. 2003) não poderia haver saber fora da beleza ou do prazer. como entre os Hebreus. Uma vez que a linguagem configura-se como acarretadora de novas possibilidades cognitivas. como afirmaram Damásio (2009) e Changeux (2009). entende que conhecer é algo próprio mesmo do viver. por exemplo. Ele distingue o homem. ou conforme afirma Jaeger (2003. Em certo período Jaeger (2003. com essa nova tecnologia inaugurou-se uma nova era nas possibilidades de relacionar arte e conhecimento.tomará um como sinônimo do outro porque o que se busca é indicar formas de se relacionar com o mundo. Aqui então são evidentes os laços entre arte. em sua Biologia do Conhecimento.

entre elas. Se um grande desenvolvimento intelectual e tecnológico marcou sua época. um tipo que se utiliza desse conjunto de técnicas. não nasceu do nada. Para O filósofo alemão a maneira instrumental de conceber a tecnologia apresenta uma perigo extremo para a sociedade e a arte configura-se em uma possibilidade de escapar de tais perigos. ou a computação digital proporcionaram. a técnica vem antes da arte.). De acordo com esse autor o poeta (o artista) basicamente precede o filósofo na tradição do desenvolvimento do conhecimento (ciência) na Grécia. E outras modalidades. É interessante notar a relação entre as colocações de Heidegger neste texto de 1949 com a afirmação de W. políticas e econômicas. Também essas tecnologias se desenvolveram. tais marcas foram tão profundas que chegam aos tempos atuais. entre estética e ética. mas tem raízes profundas na própria evolução da espécie humana. pela concentração de sua realidade. e segundo. os instrumentos. Jaeger (2003) sobre os aspectos da arte que a fazem importante ao desenvolvimento do conhecimento porque ela seria mais vital que a filosofia e mais filosófica que a vida. E o que cabe ressaltar para os objetivos dessa tese é que esse profundo alinhamento entre arte e conhecimento científico. Mas quais são. quando se alcançou uma tecnologia que permitisse explicitamente uma série de habilidades. Desenvolvimento artístico e tecnológico: influências mútuas A tecnologia. segundo Heidegger (1949). O papel do poeta na formação da cultura grega é bem descrito por Jaeger (2003. Ao perguntar pela essência da técnica o filósofo acaba por se deparar com uma pergunta sobre a verdade e em último caso. mas é ao mesmo tempo. e se desenvolvem. Assim a arte pode ser descrita como um tipo mais específico ainda de fazer humano. 105): É característica pessoal do poeta-profeta grego querer guiar o Homem transviado para o caminho correto por meio do conhecimento mais profundo das conexões do mundo e da vida. Essa forma de utilizar os dispositivos. como a escrita ou a fotografia.. Essa relação mais estreita entre desenvolvimento tecnológico e artístico é tema da próxima seção desse capítulo. entre outras características por seu forte apelo à formação técnica. tiveram também enorme destaque na educação. mas também de alguma maneira a arte. E em certo sentido esse é um dos motivos da força educadora e formadora do próprio Estado que a Grécia atribui à Arte. o fazer e a experiência artística. por conta de determinadas necessidades ou demandas advindas de diversas áreas da ação humana. Por todo o período da Grécia Arcaica. como a ciência. é um tipo de fazer humano. para fazer arte. arte e conhecimento se conjugaram de forma a permitir períodos de grande desenvolvimento humano. De alguma maneira. até os pré-socráticos. Esse aprofundamento das questões iniciais o remete de volta às perspectivas fundadoras do Ocidente. 2. por exemplo.filosófica que a vida real (. sobre a existência. e outros fazeres humanos. Por conta de uma maneira bastante peculiar de lidar com o conhecimento e sua transmissão é que os Gregos dessa época chamam a atenção. à perspectiva da Grécia présocrática. é o que Heidegger enfatiza como saída para o problema advindo das relações humanas com as tecnologias modernas e sua concepção de mundo. p. a poesia teve papel central no desenvolvimento e transmissão do conhecimento. A perspectiva de não distanciamento entre ética e estética para o grego primitivo fez com que se fortalecesse ainda mais a relação da arte com o conhecimento e suas decorrências sociais.. primeiro. como a música. na opinião de Heidegger os possíveis perigos na relação do homem com suas tecnologias se tais tecnologias são próprias da natureza humana e são também motivo de seu próprio desenvolvimento? 7 . acabam por orientar o desenvolvimento da própria tecnologia. mais vital que o conhecimento filosófico.

vive o mundo. como vivendo sob uma provocação constante tendendo à essa prática de “fazer sair do oculto”. Porque uma vez que afirma que a natureza passa a ser entendida como algo que pode ser calculável ele afirma também que há ciência possível para tal tecnologia. Essa mesma noção será posteriormente retomada ao se tratar das relações possíveis com as interfaces. e essa mesma ciência ser o fundamento da criação de tal tecnologia? O que o autor acaba por responder é que a tecnologia existe mesmo oculta. Ocultam-se as causas. ou a serem incorporadas (tratadas como parte do corpo) conforme se aumenta o envolvimento com ela. p. dependendo da relação que o homem estabeleça com ela. Heidegger submete à desconstrução explícita o conceito grego de téchne. dos usos que faça de tais e tais instrumentos. 8 . abandonado à essência da técnica pode se ficar cego à tal essência3 . Com uma maneira que o filósofo denomina por instrumental. uma forma de entender e perceber o mundo. do ser. Segundo ele a técnica é aquilo pelo qual o homem conhece o mundo. sobretudo da época da Revolução Industrial. O problema da técnica não é o da instrumentalidade. Especialmente por conta dessa perspectiva da natureza como uma enorme fonte de armazenamento das potencialidades de produção frente às novas tecnologias. ou armação2. The rule of Enframing threatens man with the possibility that it could be denied to him to enter into a more original revealing and hence to experience the call of a more primal truth. pelo qual ele faz as coisas “sairem do oculto”. Esse é o enquadramento próprio da modernidade que faz com que Heidegger trate então da relação entre ciência e tecnologia. É de acordo com as possibilidades técnicas e científicas que o ser humano descreve. É interessante retomar o início do texto onde Heidegger (1949) afirma que quando se está muito envolvido. Loparic há uma importante referência à esse respeito: No artigo A pergunta pela técnica (1949). o problema aparece. Na medida em que não se sabe. e o acesso à elas. 1996. p. No entanto. ou que se oculta o enquadramento (Gestell) que se tem do mundo. da verdade. Pois essa vê o mundo como armazém de recursos energéticos para a produção. 2 3 Gestell para Heidegger. conceito que em 1935 ainda ocupava o lugar de produção originária de manifestação. Heidegger reafirma o desligamento (operado em 1935) da pergunta pela técnica da questão da instrumentalidade e do agir instrumental. como pode a tecnologia proporcionar tal enquadramento da natureza. 16). que as interfaces tendem a se tornar invisíveis. Para o filósofo a essência da técnica. que produza uma ciência própria. de importância capital para o nosso tema. 1977. mas o modo de desocultamento. em concomitância com a lógica dessa noção de relação com a essência da técnica. é o que representa um grande perigo na medida em que se toma um posicionamento que ele denomina por instrumentalização. veremos. The actual threat has already affected man in his essence. Loparik. nem mesmo a causalidade implicada pela instrumentalidade. 28). ou o entendimento de uma Natureza como trama de forças calculáveis de antemão. tratamnas como algo distinto da ideia de responsabilidade por algo. aquilo que ele denomina por enquadramento. sendo que a essência desse enquadramento é o próprio “fazer sair do oculto”. A isso o autor denomina por enquadramento (Gestell).The threat to man does not come in the first instance from the potentially lethal machines and apparatus of technology. (HEIDEGGER. Heidegger refere-se ao homem da era moderna. Desse quadro ele aponta a apresentação. entende e em último caso. Na citação do comentador Z. A crítica de Heidegger parece caminhar no sentido de condenar a perspectiva instrumentalizadora da tecnologia. traduzido por armação por Z. Esse é exatamente o centro das ameaças apontadas por Heidegger. (LOPARIC.

Orwell enfatiza a relação da arte. socialistas ou nazistas. A perspectiva de lidar com números e não com pessoas espalhou-se por todas as áreas da ação humana. como acontece em 1984. Ele deixa claro a redução de todas as emoções a apenas quatro básicas: fear. Essa maneira seria responsável pelo privilégio dos dados matemáticos antes dos dados experiências e vivenciais. Orwell em novela do mesmo ano (1949): Nineteen Eighty-Four. O Partido decidirá e o fará cada momento segundo sua necessidade específica. de tudo o que não é ele próprio. E deixa também claro a extinção da arte e da ciência. Essa negação do mundo externo ao homem. Como se nada existisse fora do ser humano. dentro da pele. A pretensão de controlar tudo e todas as situações. É interessante observar o paralelo possível entre o que diz Heidegger nesse texto. 9 . uma ampla defesa de que a realidade existe apenas na mente humana. assim como ele trata toda a natureza. 2) o homem passa a se sentir senhor de tudo e de toda a natureza e acaba excluindo tudo o que não é ele mesmo. apontado por Heidegger (1977). faz com que o ser humano venha antropormofisando o mundo. Heidegger referencia Jünger (1930) ao utilizar a noção de mobilização total para falar da transformação da vida em energia potencial. A primeira ameaça tornou-se realidade explícita no comunismo stalinista e pós-stalinista e mesmo no capitalismo contemporâneo. Ao propor a Newspeak 5 o Partido do Big Brother 6 restringe a amplitude da tecnologia da escrita ao limite do universo pretendido. o torturador segue afirmando que isso tudo (e toda a ciência) é invenção dos biólogos do século XIX (e dos cientistas em geral). como se o mundo externo todo fosse produto dela. e assim. como se os primeiros fossem os responsáveis pelos segundos. e não o contrário. Presença que observa a todos em todos os momentos. E essa perspectiva acarreta dois problemas centrais: 1) o homem passa a ser tratado por ele mesmo como recurso. É também relevante aqui observar o discurso de O’Brien sobre o novo mundo criado a partir das regras do Partido4. ele chega mesmo a afirmar. O torturador propõe uma espécie de antropocentrísmo como justificativa para o domínio total do indivíduo e sua escravização. Como sua resposta é negativa. é basicamente o referente Orwelliano ao segundo perigo na relação do homem com a tecnologia. durante as seções de tortura do protagonista Winston. da ciência e da amplitude de emoções à liberdade que se esgota com a relação instrumentalista com a tecnologia. da mente humana. com as críticas de G. fora da mente humana. FREEDOM IS SLAVERY. Ao questionar a existência do universo externo antes do homem. O segundo problema afeta o mundo contemporâneo diretamente também. mas é mais uma vez vencido pelo argumento de O’Brien que pergunta se Winston ja viu alguma vez os tais fósseis existentes antes do homem. nada existe fora do homem. pode-se encontrar nas palavras da personagem O’Brien. Além das inúmeras possibilidades de relação. Essa restrição permite então a permanência de paradoxos diversos explícitos naquele tipo de sociedade. rage. não há nada. A idéia central é que a dominação acaba por se sedimentando com o uso de uma linguagem apropriada. triumph and self-absement. E. porque não haverá mais necessidade de decidir sobre o belo ou o feio. 6 7 Esse é o nome dado ao líder do Partido.Segundo Loparic. em referência ao Partido Comunista dirigente na época da URSS. como os slogans7 e a ação 4 No livro “1984” o Partido é a grande instituição controladora da sociedade. 4) pode-se ler os 3 slogans do Partido: “WAR IS PEACE. Winston tenta pela última vez apresentar um argumento que mostre ao menos a relevância de um mundo fora do homem. Para Heidegger (1977) essa forma de noção instrumental da técnica não é exclusividade das sociedades capitalistas. e portanto do controle do partido. nada existe. Ja na página 4 do livro de Orwell (1949. mas é condição geral do mundo moderno. p. da mente humana. IGNORANCE IS STRENGTH”. Ele afirma que fora do homem. 5 Esse é o nome dado à nova língua criada pelo Partido para a nova sociedade.

que a experiência da presente proposta de paisagem sonora situada se realiza. essa restrição à língua falada e escrita. 2011. akin to the essence of technology and. somada à eliminação das expressões artísticas e científicas. on the one hand. That continuum generates a biocybrid zone (Bio+cyber+hybrid) and the life is reinvented. mostrando como a tecnologia pode ser esse “fazer sair do oculto” em diversos aspectos. Note-se que essa zona espacial criada na proposta aqui esboçada pode então ser 10 .do Partido e de seus membros. citado na seção anterior. a expressão de emoções. o desenvolvimento tecnológico e as relações sociais. Jaeger (2003). que leva vantagem sobre outros fazeres como a razão ou as ações do próprio dia-a-dia. sem um centro único de controle e sem pré-definição total dos estados iniciais ou finais. a partir de suas aplicações no fazer artístico. essential reflection upon technology and decisive confrontation with it must happpen in a realm that is. uma relação que escape aos perigos anunciados. p. Cabe também retomar o argumento de W. pode-se ler: Because the essence of technology is nothing technological. fundamentally different from it. e assim apresenta a arte como fazer humano capaz de proporcionar uma relação não instrumentalista com a tecnologia. Parece ser essa vantagem que a arte leva sobre outros fazeres humanos que faz Heidegger propô-la como saída para os riscos de uma relação instrumentalista com a tecnologia. Ele lembra que a palavra techné denominava desde as fine arts até toda a produção manual. Ao propor a arte como saída para esses riscos da forma como se lida com a tecnologia Heidegger referencia os gregos pré-socráticos e mesmo os clássicos. E é nesse sentido que se encaminha a reflexão heideggeriana exposta no texto sobre a tecnologia (HEIDEGGER. E que também faz G. Esse espaço formado pela ação comum entre agentes naturais e artificiais. comprometem efetivamente as prórpias características fundamentais do ser humano. Paisagens Sonoras Situadas em direção à uma estética naturalizada A partir dessa revisão conceitual colocada até aqui. ou espaço biocíbrido. on the other. 3. pode-se passar à descrição da proposta de paisagem sonora denominada Biocybrid Frog's Signature. que coincide com a citação acima e afirma que a arte é um tipo de fazer humano privilegiado. o autor indica uma possibilidade de salvação desses dois perigos apontados. 2) É basicamente nessa “zona biocíbrida”. tanto poéticos como estéticos. (HEIDEGGER. 1977). Em último caso. Such a realm is art. Entre os últimos parágrafos do texto de 1949 de Heidegger. 35). 1977 p. Quanto ao termo “biocíbrido” cabe citar: We consider human existence is nowdays co-located in the continuum and symbiotic zone between body and flesh . conforme expostos na primeira seção também estabelecem-se pararelos entre a atividade artística. E trata disso voltando aos fundamentos daquilo que ele chama de enquadramento (Gestell). Se retomarmos os argumentos de Changeux e Damásio. (DOMINGUES et al. Ela apresenta as armadilhas presentes nessa forma de se relacionar com a tecnologia. No entanto. Orwell reconhecer a arte e a ciência como perigos para aquela sociedade possível com aquele uso daquelas tecnologias descritas na novela 1984.cyberspace and data .and the hybrid properties of physical world.

Para isso será necessária a utilização de um tipo de algorítimo de classificação. a partir do início do funcionamento do sistema (quando os agentes iniciam suas interações). Dessa maneira são muito relevantes para a discussão sobre paisagem sonora como marcadora de condições sociais de um determinado ambiente. como “marcadores de condições ambientais” (HEYER et al. entre outras mais. O que se espera. No sistema de Biocybrid Frog's Signature há distribuição de controle entre os diferentes agentes nos diferentes níveis de implementação. ou entre zona rural e mata virgem. e emitem padrões vocais regulares e com muita pertinência para a manutenção de sua vida. é que propriedades imprevisíveis emerjam juntamente com o controle auto-organizado e distribuído por todos os agentes do sistema. A paisagem sonora instalada que se propõe aqui precisa ser descrita por suas etapas.chamada de bioma biocíbrido. tipos de vocalizações. Serão posicionados microfones em locais previamente selecionados para captar as vocalizações das comunidades de anuros anfíbios de um trecho de cinquenta metros com um microfone a cada dez metros. ou de outro sistema computacional capaz de identificar no sinal sonoro as variáveis necessárias para discriminação de diferentes aspectos que nos interessam. como por exemplo: quantidades por espécies. no entanto há que se entender que tal descrição não acarreta em um sistema hierárquico de controle. quantidade de vocalizações. 1990). Isso porque regulam seus padrões vitais intimamente com características da água (como o pH e a temperatura da água) e do ar. Os anuros anfíbios têm sido considerados na biologia. A proposta envolve a captação de sons dos anuros anfíbios que ocorrem em um fluxo de água em região de fronteira entre zona rural e urbana. 11 . Essa paisagem sonora serve de entrada para um sistema de classificação que reconhecerá diferentes variáveis presentes nas vocalizações dos animais em questão. uma vez que é uma zona de inter-relação entre os diferentes agentes participantes do sistema total.

auto falantes. vivos (como os humanos no espaço de circulação e os anuros anfíbios na reserva) é que ocorre o processo auto-organizado que proporciona a emergência da experiência artística. Ainda nesse bioma biocíbrido propõe-se o uso de um espaço de circulação do experienciador preparado. com efetores como projetores. mas também da entrada de dados advinda do fluxo d'água escolhido. Não há um controle central de o que será visto e ouvida no ambiente de instalação (bioma biocíbrido). por sua vez. dos anfíbios da reserva. Que transpondo barreiras culturais aproximam o humano de sua natureza. sensores de movimento. A perspectiva de uma proposta de estética naturalizada passa pela leitura da proposta de naturalização da fenomenologia apresentada por Petitot et al (1999). Uma experiência que perpassa as diferentes culturas. de calor. Nesse espaço preparado para a situação da experiência. os participantes em movimento no bioma biocíbrido) e da interação entre agentes maquínicos não vivos (algorítimos reconhecedores).Na etapa denominada por “data visualização” ocorrerá o processo de transformação dos eventos que formam a paisagem sonora original. será também apresentada a paisagem sonora original captada no fluxo de água escolhido. será ouvida como outra camada da paisagem sonora resultante do bioma biocíbrido. A captação dos dados do ambiente da instalação será entrada para outro sistema classificador. do que às culturas que as distingue olhando de dentro. superfícies de projeção. O participante explora o espaço (bioma biocíbrido) e seus gestos e expressões são dados de entrada para outro sistema inteligente de classificação e reconhecimento. que reconhecerá ações específicas daqueles participantes da instalação. chamado aqui de bioma biocíbrido. como uma das camadas da paisagem sonora final emergente do sistema. e sensores chamados de afetivos. que não é outra natureza distinta dos não-humanos. A saída desse sistema de vida artificial (os estados gerados pelas condutas de cada organismo e pela conduta do grupo) será utilizada para produzir uma paisagem sonora (sonificação de dados) que. uma vez que diferentes agentes interferem diretamente na composição do que se está experimentando. E é relevante atentar que se caminha para tal experiência estética por meio das possibilidades apresentadas por novas tecnologias para um tipo de acoplamento com outras espécies vivas e não vivas de máquinas. Porque é uma experiência possível a todos da natureza humana. Aqui um algorítimo que associe as variáveis sonoras fará relações com variáveis visuais para a tal produção. Mas que encontram mais ressonâncias com aquilo que faz do homem homem. A partir desse acoplamento de diferentes sub-sistemas (comunidades de anuros anfíbios. É a experiência de tais estados emergentes que estão ligados à possibilidade do tal grau zero de significação. O bioma biocíbrido é criado (emerge) na medida em que todos esses agentes estejam em interação. padrões gráficos que se transformarão de acordo com a dinâmica da paisagem sonora. mas também com sensores como microfones. nem há previsibilidade plena daquilo que acontecerá. 12 . A saída desse sistema de visualização de dados produzirá então imagens projetadas em um ambiente específico de circulação de pessoas a ser preparado. que integrando seus hábitos proporcionam estados emergentes. os algorítimos classificadores e de vida artificial. Tais padrões de atividades encontrados e classificados nesse ambiente da instalação serão então dados de entrada para um sistema de vida artificial que procurará se manter vivo a partir dessa entrada de dados. em imagens. E é nesse sentido que se propõe o conceito de estética naturalizada. do que com aquilo que distingue um homem de outro. Esta por sua vez amplia a perspectiva fenomenológica husserliana. Os procedimentos descritos nos parágrafos anteriores possibilitam experiências estéticas que de certa forma se remetem muito mais aos fundamentos da humanidade. de cada um dos agentes envolvidos no sistema. não que tais culturas não as influenciem. Também esse tipo de experiência é completamente impossível sem a ação adequadamente descrita aqui. em direção à abordagens como as de Merleau-Ponty.

et al Envisioning Ecosystems: biodiversity.com/watch?v=j2rodmJcn7g . Acessado em 17/05/2012. São Paulo: Arquivos de Zoologia.M. p. Stanford: Stanford University Press. J. JAEGER.com/watch?v=Qt1PCP7oeNI . infirmity and affectivity. Disponível em: http:// www. Evolutionary Origins of Art and Aesthetics Series. J. F. ou ainda D. R. J. ciência e vida cotidiana.pdf Em 17/07/2012. Em preparação.Heidegger. Nineteen Eighty-Four.br/ loparic/zeljko/pdfs/PerguntaTecnica. R.interleft. 2003. P. Gibson. DOMINGUES. São Paulo: Martins Fontes. Dennet. 13 . Heidegger e a pergunta pela técnica. Belo Horizonte: Editora da UFMG. Acessado em 17/05/2012. The question concerning technology. ORWELL. 231 – 410. Paidéia: a formação do homem grego. 1961. London: Harper & Row. Naturalizing Phenomenology. B. elas guardam semelhanças na medida em que se distanciam da busca metafísica da essência e se aproximam da naturalização da fenomenologia. MATURANA.youtube. W. PETITOT. PACHOUD.com. VARELA. Evolutionary Origins of Art and Aesthetics Series. Referências Bibliográficas CHANGEAUX. HEYER. Longe de serem abordagens idênticas. Et al Frogs of Boracéia. W. Acessado em: http://www. 2001. 1999. New York: Penguin Books. DAMÁSIO. J. Z. G. HEIDEGGER. H. Cognição. 31 (4). M. ROY. A. D. 1977. Disponível em: http:// www. J.youtube. Dreyfus. LOPARIK.

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