UnB - UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ARTE - IdA Linha de Pesquisa - Arte e Tecnologia - Doutorado.

ANDRÉ LUIZ GONÇALVES DE OLIVEIRA

Monografia apresentada à disciplina de S e m i n á r i o Av a n ç a d o I I , s o b responsabilidade da professora Dra. Suzete Venturelli, cursada no primeiro semestre de 2012, como parte da avaliação para obtenção de créditos do curso de doutorado.

BRASÍLIA 17/07/2012

Arte nas origens do humano Desde que se começou a encontrar a produção imagética nos ambientes onde viveram os primeiros humanos. tais como : 2 . estética naturalizada. conhecimento e tecnologia. marcou a passagem do homem do paleolítico para o neolítico. 2) com isso a prática artística (seja a prática de produção ou de experimentação) aumenta a complexidade da regulação da vida. Esse autor trata especificamente do tipo de ação que caracteriza a produção artística. ou ao menos que apontamos como o predecessor daquilo que se entende hoje por arte. que denominamos por arte. A primeira delas apresenta neurocientistas como J. Autores como Heidegger são tomados em sua reflexão quanto à tecnologia e seu papel na vida humana. Essa argumentação sobre o papel da arte é feita por Damásio (2009) que oferece possíveis pistas para a compreensão das relações entre o desenvolvimento de algumas características próprias do ser humano e suas habilidades para a produção artística. E por último. Segundo o autor. Palavras-chave: Arte e tecnologia. P.IdA. O argumento está estruturado em três etapas. a arte emerge entre os humanos por conta de basicamente dois aspectos que ela proporciona: 1) a produção artística melhora a comunicação possibilitando a expressão de uma gama de estados emocionais.UnB . Tais pinturas nas cavernas acabam por sugerir que esse tipo de produção. Ou de alguma maneira ao menos. Changeaux e A. Também Jean-Pierre Changeux. arte e natureza. seja socialmente. como um possível exemplo de aplicação dos princípios discutidos até esse momento no texto. aponta aspectos da origem da arte ligada a origem do ser humano. apresenta-se uma descrição esquemática de uma paisagem sonora situada denominada por Biocybrid Frog’s Signature como possível emxemplo de poética em direção ao posicionamento do conceito de estética naturalizada. seja individualmente. 1. ganha força a idéia de que a arte é uma das primeiras produções que diferenciam o homem de outros animais. A segunda parte trata do desenvolvimento comum e mútuo entre arte. André Luiz Gonçalves de Oliveira PhD Candidate . neurocientista em palestra proferida em 2009.Arte e tecnologia em direção à uma estética naturalizada. de que a produção de arte estava entre essas primeiras produções humanas. Damásio que propõe a arte como fazer basal da natureza humana. Entre as diversas produções do homem a arte tem características próprias. Resumo: O presente texto encaminha uma reflexão acerca das possibilidades de se argumentar em direção à uma estética naturalizada a partir de proposições poéticas como as Paisagens Sonoras Situadas.

art in constant evolution (art history) renewal yet without apparent progress (Changeux. ou até antes das pictóricas. por meio das diversas modalidades artísticas pode-se evidenciar estados emocionais bastante diferentes e diversos daqueles alcançados pela linguagem referencial. em geral. é uma contribuição direta para a saída do homem do estágio conhecido como Paleolítico. 2009). Assim. staggering effects on emotion & reason mobillissing conscious and non-concious process. Assim o neurocientista afirma que as atividades musicais devem ter florescido juntamente. Também segundo Damásio (2009) a prática artística produz um aumento no prazer e portanto oferece um efeito de balanço compensatório. Essa ampliação na capacidade de comunicação trazida pela arte se dá porque. knowledge experiences. with aesthetic eficacy. Damásio aponta algumas características específicas dessa relação entre a emergência da arte na espécie humana e a própria evolução dessa espécie. para o ser humano. Também. nenhuma outra espécie desenvolveu linguagem como os humanos. Mas para ele. 3 . entre outros.) specilized for intersubjective comunication that uses symbolic forms genetically and epigenetically encoded. Damásio (2009) é que a arte está presente na origem da espécie humana pelo potencial de ampliar as possibilidades de comunicação. para organização da mente e para organização do grupo. Ao contemplar tal posicionamento ficam explícitos os dois aspectos que Damásio (2009) aponta como próprios dessa relação entre a emergência da arte e a evolução humana: a melhoria na 1 Linguagem referencial como aquela que estabelece forte vínculo da representação linguística com o representado. desenvolvidos desde os primeiros grupos de homo spaiens. a arte. enquanto outras modalidades atuam sobre outros aspectos da percepção humana. conforme afirma o próprio Damásio. oferece situações de prazer à vida. como a música. Assim. como um recurso fundamental para concentração. Práticas como essa foram perpetuadas até os dias de hoje e remetem os humanos às suas origens. Em outras palavras. que diferenciam a espécie humana das outras. Habilidades como organizar sons produzidos pelo corpo para atrair caça.. pode ter sido um hábito já amplamente desenvolvido entre os primeiros humanos. Ele apresenta também alguns aspectos que descrevem a arte como um tipo de hábito humano dos mais basais. Cantar em volta da fogueira abrigado na caverna com comida farta. non verbal comunication of emotionalstates. entre grupos de humanos primitivos. Nenhuma outra espécie desenvolveu um sistema de produção e fruição sequer parecido como a arte para a espécie humana. são um exemplo de ligação de habilidades artísticas com habilidades de sobrevivência. como a de Lascaux. yet under implicit constraints of rules. de bem estar. Os laços interpessoais são fortalecidos conforme hábitos como esse descrito acima consolidam-se e isso é um grande fomento à formação de grupos sociais e posteriormente à cultura. Damásio (2009) apresenta especialmente a atividade de tocar os tambores. with multiplicity of codes. Em primeiro lugar ele afirma que as habilidades utilizadas para a produção de arte guardam uma importante relação com as ações de sobrevivência da espécie. uma vez que ele lembra a ótima acústica das cavernas.(. Uma vez então satisfeitas as necessidades de sobrevivência a arte passa a ser valorizada como hábito que possibilita o bem estar.. distinct from language. Changeux (2009) acaba por dar condições de considerar a arte como comportamento mais fundamental do que a linguagem falada.1 como é o caso da língua falada. linguagem e arte podem ser considerados dois aspectos. Esse efeito ligado diretamente a aspectos de regulação homeostática do sistema vivo do ser humano tem estreita relação com as possibilidades de organização e motivação individual e coletiva oferecida por modalidades artísticas. Segundo o autor a música é um meio muito eficiente para induzir estados emocionais bem específicos. Um dos aspectos realçados pelo neurocientista A.

talvez antes da fala.5 milhões de anos atrás. e que abre algumas portas interessantes para nossas intenções aqui. procedimentos e significações a que se deu o nome de arte. e também de suas tecnologias e hábitos. Changeux (2009) mostra a relação estreita entre o constante desenvolvimento do ser humano e o desenvolvimento de sua arte. e que se encontram presentes já entre os hábitos dos humanos primitivos. Ele começa sua descrição por um caminho bastante óbvio mas. que localiza a arte como parte da formação da consciência humana. ou estágios em direção à formação dos hábitos considerados como prática artística. tais como W. J. Por isso. P. o acontecimento.comunicação e o efeito de balanço compensatório. Changeux (2009) trata as obras de arte como artefatos simbólicos próprios de um sistema complexo de comunicação de estados emocionais. Basta recorrer à experiências artísticas para que se alcance o que se pretende dizer com os efeitos da arte sobre processos conscientes e não-conscientes. ou à disposição da consciência. quando Changeux (2009) afirma que a arte envolve ambos. é o fato de que a arte está em constante evolução. mas conhecida de todo o grupo. Imagine-se um determinado grupo humano primitivo. que de acordo com sua opinião apresentam possibilidades de expressão de emoções e sensações bem mais restritas por conta de sua alta referencialidade. nas possibilidades simbólicas presentes aí. por conta da observação desse tipo de experiência. durante o decorrer de seu desenvolvimento. e talvez especificamente por conta disso. O segundo é o que Changeux (2009) chama de descoberta da simetria. muito antes da escrita.5 milhão de anos atrás. Embora não haja palavras. ou murmurando uma melodia simples. Uma vez que as memórias de uma pessoa não são algo de acesso tão consciente assim. A repetição de tais comportamentos até a configuração de hábitos potencializa os laços afetivos e com isso a sensação de bem-estar. O autor ainda localiza tais habilidades como distintas da linguagem. Heidegger. muito da atividade artística possibilita ligações. ou desenvolvimento. o autor destaca o cuidado com a estrutura simétrica da construção. cantando. parece estar de acordo com posições como a de Damásio. Isso como aspecto característico da prática artística. por vezes esquecido. Jaeger e M. há cerca de 1. consegue melhores oportunidades de boa comunicação e com isso ganha possibilidades de melhoria em sua qualidade de vida. Essa característica é suporte para o próximo marco explicitado por Changeux: o uso de 4 . mobilizando ao mesmo tempo processos conscientes e não-conscientes. e com a posição dos autores que serão apresentados na sequência. processos conscientes e não conscientes. e não por isso menos importante. Ele aponta ao menos 5 marcos. apresentar o crescimento qualitativo e quantitativo de habilidades psicomotoras profundamente a ponto de produzir um mundo próprio de hábitos. O primeiro é a criação de ferramentas pelo homo habilis. de modo bastante explicito em sua argumentação. com sua força simbólica. aspecto relevante para o neurocientista francês. citado em parágrafo anterior. E um último. Damásio (2009) atribui ainda à prática artística o envolvimento em um ciclo virtuoso que possibilita ao ser humano. marca profundamente os hábitos de tal grupo a ponto de configurar o tal efeito de compensação descrito por Damásio (2009). e pode-se pensar no fortalecimento dos laços interpessoais presentes em tal situação. Changeux (2009) também fala de uma eficácia estética com fortes efeitos sobre a razão e a emoção. Nos instrumentos e ferramentas criados e utilizados pelo homo erectus. Isso porque a arte é muitas vezes não-verbal e traz em si uma multiplicidade de possibilidades de descrições de emoções e sensações distintas das apresentadas pelas palavras faladas ou escritas. como o próprio ser humano que também não tem encerrada sua própria evolução. há cerca de 2. Mas o que é exatamente isso que se toma por arte? O que caracteriza uma prática humana como arte ou não arte? Com perguntas como essa em mente o neurocientista Jean-Pierre Changeux (2009) aponta alguns critérios para um melhor entendimento de tais características. Um grupo com laços interpessoais fortalecidos e com crescente noção de grupo. relações que não estão à mão.

A partir da perspectiva apontada por estes dois neurocientistas tratando das relações entre a arte e as origens do ser humano. fundamental para tal estética que se pretende naturalizada. É por esse tipo de argumento que fica clara a relação entre o desenvolvimento tecnológico de um lado e o desenvolvimento estético de outro. exemplificam bem isso em diferentes épocas e locais do planeta. e que tem fundamentos mesmo préhumanos. Changeux (2009) trata aqui especificamente das possibilidades e restrições que demarcam e limitam o universo de possibilidades de ação. Essa possibilidade de articulação do consciente com o inconsciente é um caminho ligado à arte de muitos tipos de culturas distintas. Dessa forma o autor afirma que a arte permite um acesso à consciência sem que se despreze aspectos inconscientes. Se de uma maneira a produção artística depende de procedimentos conscientes e bastante regulares. Aqui também aparece a noção de estilo do artista criado pela seleção e armazenamento de regras eficientes. O desenvolvimento de tecnologia tem aqui evidenciada uma forte ligação com o próprio desenvolvimento evolutivo do ser humano. ou mesmo de produção. em torno de 100 mil anos o homo sapiens então tem condições de produzir algo semelhante ao que hoje consideramos como arte. posteriormente tais ferramentas servem para produzir ferramentas melhores (com simetria inclusive). bem como seu controle e manipulação.simbolismos. de outra. pode-se encaminhar a continuidade da reflexão dessa seção para o que acontece com o que o homem vai denominar por conhecimento. muitas vezes implícitas por restrições top-down de possibilidades de representação. é relevante à presente tese para justificar o caminho em direção à uma estética que por várias vezes chamar-se-á aqui de naturalizada. Regras que segundo ele são padrões de hábitos dos artistas que vão se formando e se transformando no tempo. se 5 . consciente e inconsciente. E entre outros aspectos ele está ocupado em descrever as regras próprias desse tipo de produção humana. a partir disso aparecem os indícios de uso de simbolismos e posteriormente. pode-se entender o desenvolvimento do que o autor denomina por arte. Em outras palavras. como nesses aspectos realçados por Changeux (2009). por referir-se a aspectos mais naturais do que culturais presentes em processos de significação e experimentação artística. A capacidade de desenvolver hábitos específicos para necessidades igualmente específicas. Isso reforça a perspectiva da possibilidade de experiências estéticas ligadas profundamente a aspectos naturais de todos os seres da espécie homo sapiens sapiens independente da grande variedade de culturas desenvolvidas por tal espécie. Realçar tais aspectos da arte. por conta dos objetivos dessa tese. Um último aspecto a ser localizado por Changeux (2009) é a capacidade que a experiência artística tem de articular ambos estados. no ser humano. Este autor ainda fala de um tipo de eficácia estética que propicia a emergência de sentimentos e emoções. é fundamental uma análise relacional para a melhor compreensão dos dois desenvolvimentos (humano e tecnológico). Esse conceito de grau zero está ligado diretamente à perspectiva de que a arte surgiu com a natureza do ser humano. Não cabe aqui um maior refinamento na terminologia sobre conhecimento e ciência. que encontram-se presentes em diferentes estágios anteriores de evolução. Em capítulos posteriores esta tese apresentará um argumento sobre uma espécie de grau zero de significação. Embora por vezes esses dois lados pareçam distantes. também é evidente a participação de estados inconscientes na experiência artística. ou ciência. Seu argumento trata da indicação de que os homo heldelbergenses utilizavam símbolos durante os funerais. Primeiro há o uso de ferramentas. bem como a perpetuação de tais hábitos é aquilo que se denominará aqui como conhecimento. ligados à evolução e desenvolvimento do ser humano. Ao considerar esse terceiro aspecto. Os fenômenos de xamanismo e suas variantes. a partir da argumentação de Changeux até aqui pode se considerar a arte como um tipo produção humana sustentada sobre diversas habilidades de base.

É mais 6 . também será enorme a importância da tecnologia de escrita desenvolvida pela humanidade há cerca de 4 mil anos atrás.. Uma vez que a linguagem configura-se como acarretadora de novas possibilidades cognitivas. a escrita também deu suporte para o aparecimento de sistemas de organização da vida social e comunicação bastante sofisticados. p. e se as tecnologias que proporcionaram a agricultura foram fundamentais para a evolução humana. Ocorre que há no desenvolvimento humano uma associação bastante forte de arte e linguagem. quando apresenta um hábito próprio para um determinada situação. entende que conhecer é algo próprio mesmo do viver. Em obras escritas da cultura desses dois povos . como entre os Hebreus. Dizemos que um animal conhece algo. também a arte pode ser considerada como tal. da mesma maneira como após cada salto tecnológico. para se manter vivo precise conhecer o mundo que habita. tem ciência de algo. o viver na linguagem. 1999 entendem por Deriva Natural) acontecem cada vez mais próximos uns dos outros.. com essa nova tecnologia inaugurou-se uma nova era nas possibilidades de relacionar arte e conhecimento. Se o domínio do fogo foi uma tecnologia que marcou muito o desenvolvimento nos primórdios da humanidade. p. E isso por conta da maneira como se relaciona com esse mundo. ou os Gregos. Ele distingue o homem.. Aqui então são evidentes os laços entre arte. Além de servir para transmitir habilidades desenvolvidas por antepassados referentes à técnicas de plantios e outros aspectos ligados diretamente à sobrevivência. E embora todo ser vivo. em sua Biologia do Conhecimento. a maneira como o ser humano conhece o mundo se distingue muito da maneira como outros animais o conhecem. ou conforme afirma Jaeger (2003.tomará um como sinônimo do outro porque o que se busca é indicar formas de se relacionar com o mundo. não é tarefa simples (e talvez seja mesmo inadequado) separar o que é basicamente transmissão de conhecimento e o que é expressão artística. O filósofo Humberto Maturana. Nesse sentido o ser humano vem desenvolvendo seus conhecimentos sobre o mundo em consonância com sua própria evolução.. conhecimento (ciência) e tecnologia. Em obras de diferentes povos da antiguidade. Jaeger. 2003) não poderia haver saber fora da beleza ou do prazer.). Nas palavras de Humberto Maturana (2001) vive para conhecer e conhece para viver. e portanto uma arte. após o desenvolvimento da linguagem a capacidade cognitiva do ser humano se ampliou muito. 63) afirma que: (.. entre outros aspectos. assim como sobre as meras experiências acidentais da vida do indivíduo. toda a produção de um artefato qualquer envolvia uma tecnologia. por um tipo de hábito próprio dessa espécie. Essas relações serão descritas com mais detalhes logo mais a frente quando da exposição de aspectos da reflexão de M. Especificamente entre os Gregos do período Arcáico (cf. Uma influência imensa para o desenvolvimento das ações humanas em geral. essa íntima relação foi explicitada em poemas que foram considerados de suma importância para o desenvolvimento moral e cultural. inclusive da arte. a poesia e mesmo a dramaturgia. E embora a arte tenha aparecido um tanto antes da escrita. Tais laços se reforçam com o desenvolvimento de modalidades artísticas como a literatura. Assim.) a poesia tem vantagem sobre qualquer estudo intelectual e verdades racionais. Desde que a espécie humana surgiu vem transformando esse mundo como nenhuma outra nunca o fez. Pode-se propor que a arte esteve ligada diretamente aos avanços do conhecimento humano porque envolviam em suas práticas. Lembre-se que o vocábulo técnica vem de uma palavra grega que significa “como se faz”. como afirmaram Damásio (2009) e Changeux (2009). Assim.. Em certo período Jaeger (2003. que somente foram possíveis a partir das tecnologias de escrita.) comunicação de conhecimentos e aptidões profissionais (. portanto a arte era a melhor maneira de apresentar o conhecimento. que no decorrer da evolução (que Maturana e Varela. Heidegger sobre a tecnologia. o linguajar. 23): (. evidenciada principalmente a partir do aparecimento da escrita. como conhece esse mundo. procedimentos específicos sobre materiais especificamente também selecionados no mundo. por exemplo.

acabam por orientar o desenvolvimento da própria tecnologia. tais marcas foram tão profundas que chegam aos tempos atuais. primeiro. O papel do poeta na formação da cultura grega é bem descrito por Jaeger (2003. pela concentração de sua realidade. Desenvolvimento artístico e tecnológico: influências mútuas A tecnologia. quando se alcançou uma tecnologia que permitisse explicitamente uma série de habilidades. a poesia teve papel central no desenvolvimento e transmissão do conhecimento. não nasceu do nada. E o que cabe ressaltar para os objetivos dessa tese é que esse profundo alinhamento entre arte e conhecimento científico. políticas e econômicas. como a ciência. 105): É característica pessoal do poeta-profeta grego querer guiar o Homem transviado para o caminho correto por meio do conhecimento mais profundo das conexões do mundo e da vida. até os pré-socráticos. Assim a arte pode ser descrita como um tipo mais específico ainda de fazer humano. Por todo o período da Grécia Arcaica. De acordo com esse autor o poeta (o artista) basicamente precede o filósofo na tradição do desenvolvimento do conhecimento (ciência) na Grécia. Jaeger (2003) sobre os aspectos da arte que a fazem importante ao desenvolvimento do conhecimento porque ela seria mais vital que a filosofia e mais filosófica que a vida. Essa relação mais estreita entre desenvolvimento tecnológico e artístico é tema da próxima seção desse capítulo. segundo Heidegger (1949). entre outras características por seu forte apelo à formação técnica. E em certo sentido esse é um dos motivos da força educadora e formadora do próprio Estado que a Grécia atribui à Arte.. os instrumentos. Essa forma de utilizar os dispositivos.. na opinião de Heidegger os possíveis perigos na relação do homem com suas tecnologias se tais tecnologias são próprias da natureza humana e são também motivo de seu próprio desenvolvimento? 7 . Se um grande desenvolvimento intelectual e tecnológico marcou sua época. tiveram também enorme destaque na educação. um tipo que se utiliza desse conjunto de técnicas. por exemplo. o fazer e a experiência artística. entre elas.). Esse aprofundamento das questões iniciais o remete de volta às perspectivas fundadoras do Ocidente. entre estética e ética. p. 2. E outras modalidades. por conta de determinadas necessidades ou demandas advindas de diversas áreas da ação humana. e se desenvolvem. à perspectiva da Grécia présocrática. e outros fazeres humanos. É interessante notar a relação entre as colocações de Heidegger neste texto de 1949 com a afirmação de W. arte e conhecimento se conjugaram de forma a permitir períodos de grande desenvolvimento humano. mas é ao mesmo tempo. mas tem raízes profundas na própria evolução da espécie humana. como a escrita ou a fotografia. Por conta de uma maneira bastante peculiar de lidar com o conhecimento e sua transmissão é que os Gregos dessa época chamam a atenção. A perspectiva de não distanciamento entre ética e estética para o grego primitivo fez com que se fortalecesse ainda mais a relação da arte com o conhecimento e suas decorrências sociais. ou a computação digital proporcionaram. De alguma maneira. mais vital que o conhecimento filosófico. para fazer arte. a técnica vem antes da arte.filosófica que a vida real (. Mas quais são. como a música. e segundo. Ao perguntar pela essência da técnica o filósofo acaba por se deparar com uma pergunta sobre a verdade e em último caso. é o que Heidegger enfatiza como saída para o problema advindo das relações humanas com as tecnologias modernas e sua concepção de mundo. Para O filósofo alemão a maneira instrumental de conceber a tecnologia apresenta uma perigo extremo para a sociedade e a arte configura-se em uma possibilidade de escapar de tais perigos. mas também de alguma maneira a arte. sobre a existência. é um tipo de fazer humano. Também essas tecnologias se desenvolveram.

2 3 Gestell para Heidegger. The rule of Enframing threatens man with the possibility that it could be denied to him to enter into a more original revealing and hence to experience the call of a more primal truth. 1977. 16). Pois essa vê o mundo como armazém de recursos energéticos para a produção. vive o mundo. No entanto. sendo que a essência desse enquadramento é o próprio “fazer sair do oculto”. sobretudo da época da Revolução Industrial. Esse é exatamente o centro das ameaças apontadas por Heidegger. 1996. Na citação do comentador Z. conceito que em 1935 ainda ocupava o lugar de produção originária de manifestação. Desse quadro ele aponta a apresentação. Especialmente por conta dessa perspectiva da natureza como uma enorme fonte de armazenamento das potencialidades de produção frente às novas tecnologias. Ocultam-se as causas. da verdade. É de acordo com as possibilidades técnicas e científicas que o ser humano descreve. Heidegger reafirma o desligamento (operado em 1935) da pergunta pela técnica da questão da instrumentalidade e do agir instrumental. tratamnas como algo distinto da ideia de responsabilidade por algo. Porque uma vez que afirma que a natureza passa a ser entendida como algo que pode ser calculável ele afirma também que há ciência possível para tal tecnologia. e essa mesma ciência ser o fundamento da criação de tal tecnologia? O que o autor acaba por responder é que a tecnologia existe mesmo oculta. ou a serem incorporadas (tratadas como parte do corpo) conforme se aumenta o envolvimento com ela. Para o filósofo a essência da técnica. Na medida em que não se sabe. do ser. Essa mesma noção será posteriormente retomada ao se tratar das relações possíveis com as interfaces. ou o entendimento de uma Natureza como trama de forças calculáveis de antemão. Segundo ele a técnica é aquilo pelo qual o homem conhece o mundo. Esse é o enquadramento próprio da modernidade que faz com que Heidegger trate então da relação entre ciência e tecnologia. A crítica de Heidegger parece caminhar no sentido de condenar a perspectiva instrumentalizadora da tecnologia. pelo qual ele faz as coisas “sairem do oculto”. de importância capital para o nosso tema. veremos. O problema da técnica não é o da instrumentalidade. Com uma maneira que o filósofo denomina por instrumental. que produza uma ciência própria. Loparik. 8 . como vivendo sob uma provocação constante tendendo à essa prática de “fazer sair do oculto”. dos usos que faça de tais e tais instrumentos. traduzido por armação por Z. Heidegger refere-se ao homem da era moderna. uma forma de entender e perceber o mundo. 28). ou armação2. mas o modo de desocultamento. (LOPARIC. e o acesso à elas. nem mesmo a causalidade implicada pela instrumentalidade. p. entende e em último caso. (HEIDEGGER. o problema aparece. abandonado à essência da técnica pode se ficar cego à tal essência3 . em concomitância com a lógica dessa noção de relação com a essência da técnica. Loparic há uma importante referência à esse respeito: No artigo A pergunta pela técnica (1949). que as interfaces tendem a se tornar invisíveis. é o que representa um grande perigo na medida em que se toma um posicionamento que ele denomina por instrumentalização. como pode a tecnologia proporcionar tal enquadramento da natureza. ou que se oculta o enquadramento (Gestell) que se tem do mundo. A isso o autor denomina por enquadramento (Gestell). É interessante retomar o início do texto onde Heidegger (1949) afirma que quando se está muito envolvido. aquilo que ele denomina por enquadramento. p. dependendo da relação que o homem estabeleça com ela. The actual threat has already affected man in his essence.The threat to man does not come in the first instance from the potentially lethal machines and apparatus of technology. Heidegger submete à desconstrução explícita o conceito grego de téchne.

faz com que o ser humano venha antropormofisando o mundo. É também relevante aqui observar o discurso de O’Brien sobre o novo mundo criado a partir das regras do Partido4. E essa perspectiva acarreta dois problemas centrais: 1) o homem passa a ser tratado por ele mesmo como recurso. não há nada. nada existe. IGNORANCE IS STRENGTH”. socialistas ou nazistas. Ele afirma que fora do homem. Orwell em novela do mesmo ano (1949): Nineteen Eighty-Four. A idéia central é que a dominação acaba por se sedimentando com o uso de uma linguagem apropriada. com as críticas de G. Para Heidegger (1977) essa forma de noção instrumental da técnica não é exclusividade das sociedades capitalistas. 2) o homem passa a se sentir senhor de tudo e de toda a natureza e acaba excluindo tudo o que não é ele mesmo. Essa maneira seria responsável pelo privilégio dos dados matemáticos antes dos dados experiências e vivenciais. A pretensão de controlar tudo e todas as situações. O Partido decidirá e o fará cada momento segundo sua necessidade específica. triumph and self-absement. rage. nada existe fora do homem. assim como ele trata toda a natureza. fora da mente humana. A perspectiva de lidar com números e não com pessoas espalhou-se por todas as áreas da ação humana. Orwell enfatiza a relação da arte. E deixa também claro a extinção da arte e da ciência. ele chega mesmo a afirmar. A primeira ameaça tornou-se realidade explícita no comunismo stalinista e pós-stalinista e mesmo no capitalismo contemporâneo. Winston tenta pela última vez apresentar um argumento que mostre ao menos a relevância de um mundo fora do homem. Ele deixa claro a redução de todas as emoções a apenas quatro básicas: fear. 9 . e portanto do controle do partido. como se os primeiros fossem os responsáveis pelos segundos.Segundo Loparic. uma ampla defesa de que a realidade existe apenas na mente humana. porque não haverá mais necessidade de decidir sobre o belo ou o feio. como os slogans7 e a ação 4 No livro “1984” o Partido é a grande instituição controladora da sociedade. durante as seções de tortura do protagonista Winston. 5 Esse é o nome dado à nova língua criada pelo Partido para a nova sociedade. Essa restrição permite então a permanência de paradoxos diversos explícitos naquele tipo de sociedade. apontado por Heidegger (1977). Ao questionar a existência do universo externo antes do homem. Presença que observa a todos em todos os momentos. Como sua resposta é negativa. é basicamente o referente Orwelliano ao segundo perigo na relação do homem com a tecnologia. É interessante observar o paralelo possível entre o que diz Heidegger nesse texto. Heidegger referencia Jünger (1930) ao utilizar a noção de mobilização total para falar da transformação da vida em energia potencial. E. O torturador propõe uma espécie de antropocentrísmo como justificativa para o domínio total do indivíduo e sua escravização. e não o contrário. em referência ao Partido Comunista dirigente na época da URSS. mas é condição geral do mundo moderno. pode-se encontrar nas palavras da personagem O’Brien. Essa negação do mundo externo ao homem. Como se nada existisse fora do ser humano. da mente humana. da ciência e da amplitude de emoções à liberdade que se esgota com a relação instrumentalista com a tecnologia. Ja na página 4 do livro de Orwell (1949. p. como acontece em 1984. 4) pode-se ler os 3 slogans do Partido: “WAR IS PEACE. da mente humana. dentro da pele. O segundo problema afeta o mundo contemporâneo diretamente também. de tudo o que não é ele próprio. FREEDOM IS SLAVERY. como se o mundo externo todo fosse produto dela. Além das inúmeras possibilidades de relação. mas é mais uma vez vencido pelo argumento de O’Brien que pergunta se Winston ja viu alguma vez os tais fósseis existentes antes do homem. 6 7 Esse é o nome dado ao líder do Partido. e assim. o torturador segue afirmando que isso tudo (e toda a ciência) é invenção dos biólogos do século XIX (e dos cientistas em geral). Ao propor a Newspeak 5 o Partido do Big Brother 6 restringe a amplitude da tecnologia da escrita ao limite do universo pretendido.

(HEIDEGGER. No entanto. que coincide com a citação acima e afirma que a arte é um tipo de fazer humano privilegiado. uma relação que escape aos perigos anunciados. o autor indica uma possibilidade de salvação desses dois perigos apontados. p. citado na seção anterior. Ela apresenta as armadilhas presentes nessa forma de se relacionar com a tecnologia. Parece ser essa vantagem que a arte leva sobre outros fazeres humanos que faz Heidegger propô-la como saída para os riscos de uma relação instrumentalista com a tecnologia. essential reflection upon technology and decisive confrontation with it must happpen in a realm that is. que a experiência da presente proposta de paisagem sonora situada se realiza. Paisagens Sonoras Situadas em direção à uma estética naturalizada A partir dessa revisão conceitual colocada até aqui. comprometem efetivamente as prórpias características fundamentais do ser humano. 1977 p. That continuum generates a biocybrid zone (Bio+cyber+hybrid) and the life is reinvented. on the other. essa restrição à língua falada e escrita. a expressão de emoções. 3. a partir de suas aplicações no fazer artístico. (DOMINGUES et al. que leva vantagem sobre outros fazeres como a razão ou as ações do próprio dia-a-dia. pode-se passar à descrição da proposta de paisagem sonora denominada Biocybrid Frog's Signature. 2011. o desenvolvimento tecnológico e as relações sociais. E que também faz G. Quanto ao termo “biocíbrido” cabe citar: We consider human existence is nowdays co-located in the continuum and symbiotic zone between body and flesh . ou espaço biocíbrido.do Partido e de seus membros. Such a realm is art. Jaeger (2003). Orwell reconhecer a arte e a ciência como perigos para aquela sociedade possível com aquele uso daquelas tecnologias descritas na novela 1984. E trata disso voltando aos fundamentos daquilo que ele chama de enquadramento (Gestell). 2) É basicamente nessa “zona biocíbrida”. Esse espaço formado pela ação comum entre agentes naturais e artificiais. somada à eliminação das expressões artísticas e científicas. pode-se ler: Because the essence of technology is nothing technological. fundamentally different from it.and the hybrid properties of physical world.cyberspace and data . Cabe também retomar o argumento de W. Ao propor a arte como saída para esses riscos da forma como se lida com a tecnologia Heidegger referencia os gregos pré-socráticos e mesmo os clássicos. sem um centro único de controle e sem pré-definição total dos estados iniciais ou finais. e assim apresenta a arte como fazer humano capaz de proporcionar uma relação não instrumentalista com a tecnologia. E é nesse sentido que se encaminha a reflexão heideggeriana exposta no texto sobre a tecnologia (HEIDEGGER. mostrando como a tecnologia pode ser esse “fazer sair do oculto” em diversos aspectos. tanto poéticos como estéticos. Entre os últimos parágrafos do texto de 1949 de Heidegger. Ele lembra que a palavra techné denominava desde as fine arts até toda a produção manual. conforme expostos na primeira seção também estabelecem-se pararelos entre a atividade artística. 1977). 35). Note-se que essa zona espacial criada na proposta aqui esboçada pode então ser 10 . Se retomarmos os argumentos de Changeux e Damásio. on the one hand. Em último caso. akin to the essence of technology and.

Isso porque regulam seus padrões vitais intimamente com características da água (como o pH e a temperatura da água) e do ar. 11 . Serão posicionados microfones em locais previamente selecionados para captar as vocalizações das comunidades de anuros anfíbios de um trecho de cinquenta metros com um microfone a cada dez metros. como “marcadores de condições ambientais” (HEYER et al. 1990). ou de outro sistema computacional capaz de identificar no sinal sonoro as variáveis necessárias para discriminação de diferentes aspectos que nos interessam.chamada de bioma biocíbrido. A paisagem sonora instalada que se propõe aqui precisa ser descrita por suas etapas. Para isso será necessária a utilização de um tipo de algorítimo de classificação. O que se espera. como por exemplo: quantidades por espécies. ou entre zona rural e mata virgem. Dessa maneira são muito relevantes para a discussão sobre paisagem sonora como marcadora de condições sociais de um determinado ambiente. Os anuros anfíbios têm sido considerados na biologia. é que propriedades imprevisíveis emerjam juntamente com o controle auto-organizado e distribuído por todos os agentes do sistema. a partir do início do funcionamento do sistema (quando os agentes iniciam suas interações). tipos de vocalizações. entre outras mais. no entanto há que se entender que tal descrição não acarreta em um sistema hierárquico de controle. uma vez que é uma zona de inter-relação entre os diferentes agentes participantes do sistema total. A proposta envolve a captação de sons dos anuros anfíbios que ocorrem em um fluxo de água em região de fronteira entre zona rural e urbana. No sistema de Biocybrid Frog's Signature há distribuição de controle entre os diferentes agentes nos diferentes níveis de implementação. Essa paisagem sonora serve de entrada para um sistema de classificação que reconhecerá diferentes variáveis presentes nas vocalizações dos animais em questão. e emitem padrões vocais regulares e com muita pertinência para a manutenção de sua vida. quantidade de vocalizações.

A captação dos dados do ambiente da instalação será entrada para outro sistema classificador. por sua vez. que integrando seus hábitos proporcionam estados emergentes. É a experiência de tais estados emergentes que estão ligados à possibilidade do tal grau zero de significação. uma vez que diferentes agentes interferem diretamente na composição do que se está experimentando. Não há um controle central de o que será visto e ouvida no ambiente de instalação (bioma biocíbrido). que reconhecerá ações específicas daqueles participantes da instalação. superfícies de projeção. não que tais culturas não as influenciem. mas também da entrada de dados advinda do fluxo d'água escolhido. O bioma biocíbrido é criado (emerge) na medida em que todos esses agentes estejam em interação. Também esse tipo de experiência é completamente impossível sem a ação adequadamente descrita aqui. de cada um dos agentes envolvidos no sistema. padrões gráficos que se transformarão de acordo com a dinâmica da paisagem sonora. O participante explora o espaço (bioma biocíbrido) e seus gestos e expressões são dados de entrada para outro sistema inteligente de classificação e reconhecimento. Tais padrões de atividades encontrados e classificados nesse ambiente da instalação serão então dados de entrada para um sistema de vida artificial que procurará se manter vivo a partir dessa entrada de dados. Aqui um algorítimo que associe as variáveis sonoras fará relações com variáveis visuais para a tal produção.Na etapa denominada por “data visualização” ocorrerá o processo de transformação dos eventos que formam a paisagem sonora original. A partir desse acoplamento de diferentes sub-sistemas (comunidades de anuros anfíbios. será ouvida como outra camada da paisagem sonora resultante do bioma biocíbrido. nem há previsibilidade plena daquilo que acontecerá. Nesse espaço preparado para a situação da experiência. com efetores como projetores. A saída desse sistema de vida artificial (os estados gerados pelas condutas de cada organismo e pela conduta do grupo) será utilizada para produzir uma paisagem sonora (sonificação de dados) que. Uma experiência que perpassa as diferentes culturas. vivos (como os humanos no espaço de circulação e os anuros anfíbios na reserva) é que ocorre o processo auto-organizado que proporciona a emergência da experiência artística. E é nesse sentido que se propõe o conceito de estética naturalizada. do que às culturas que as distingue olhando de dentro. que não é outra natureza distinta dos não-humanos. auto falantes. Esta por sua vez amplia a perspectiva fenomenológica husserliana. dos anfíbios da reserva. os algorítimos classificadores e de vida artificial. mas também com sensores como microfones. E é relevante atentar que se caminha para tal experiência estética por meio das possibilidades apresentadas por novas tecnologias para um tipo de acoplamento com outras espécies vivas e não vivas de máquinas. chamado aqui de bioma biocíbrido. A saída desse sistema de visualização de dados produzirá então imagens projetadas em um ambiente específico de circulação de pessoas a ser preparado. Porque é uma experiência possível a todos da natureza humana. Mas que encontram mais ressonâncias com aquilo que faz do homem homem. como uma das camadas da paisagem sonora final emergente do sistema. Ainda nesse bioma biocíbrido propõe-se o uso de um espaço de circulação do experienciador preparado. de calor. do que com aquilo que distingue um homem de outro. e sensores chamados de afetivos. 12 . será também apresentada a paisagem sonora original captada no fluxo de água escolhido. Que transpondo barreiras culturais aproximam o humano de sua natureza. os participantes em movimento no bioma biocíbrido) e da interação entre agentes maquínicos não vivos (algorítimos reconhecedores). A perspectiva de uma proposta de estética naturalizada passa pela leitura da proposta de naturalização da fenomenologia apresentada por Petitot et al (1999). em direção à abordagens como as de Merleau-Ponty. em imagens. sensores de movimento. Os procedimentos descritos nos parágrafos anteriores possibilitam experiências estéticas que de certa forma se remetem muito mais aos fundamentos da humanidade.

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