UnB - UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ARTE - IdA Linha de Pesquisa - Arte e Tecnologia - Doutorado.

ANDRÉ LUIZ GONÇALVES DE OLIVEIRA

Monografia apresentada à disciplina de S e m i n á r i o Av a n ç a d o I I , s o b responsabilidade da professora Dra. Suzete Venturelli, cursada no primeiro semestre de 2012, como parte da avaliação para obtenção de créditos do curso de doutorado.

BRASÍLIA 17/07/2012

conhecimento e tecnologia. Ou de alguma maneira ao menos. O argumento está estruturado em três etapas. seja socialmente. Tais pinturas nas cavernas acabam por sugerir que esse tipo de produção. Changeaux e A. A segunda parte trata do desenvolvimento comum e mútuo entre arte.Arte e tecnologia em direção à uma estética naturalizada. seja individualmente. Essa argumentação sobre o papel da arte é feita por Damásio (2009) que oferece possíveis pistas para a compreensão das relações entre o desenvolvimento de algumas características próprias do ser humano e suas habilidades para a produção artística. Arte nas origens do humano Desde que se começou a encontrar a produção imagética nos ambientes onde viveram os primeiros humanos. Também Jean-Pierre Changeux. neurocientista em palestra proferida em 2009. como um possível exemplo de aplicação dos princípios discutidos até esse momento no texto. estética naturalizada. Esse autor trata especificamente do tipo de ação que caracteriza a produção artística. Resumo: O presente texto encaminha uma reflexão acerca das possibilidades de se argumentar em direção à uma estética naturalizada a partir de proposições poéticas como as Paisagens Sonoras Situadas. Entre as diversas produções do homem a arte tem características próprias. que denominamos por arte. apresenta-se uma descrição esquemática de uma paisagem sonora situada denominada por Biocybrid Frog’s Signature como possível emxemplo de poética em direção ao posicionamento do conceito de estética naturalizada. arte e natureza. 1. Palavras-chave: Arte e tecnologia. P. André Luiz Gonçalves de Oliveira PhD Candidate . tais como : 2 .UnB . de que a produção de arte estava entre essas primeiras produções humanas. marcou a passagem do homem do paleolítico para o neolítico. E por último. 2) com isso a prática artística (seja a prática de produção ou de experimentação) aumenta a complexidade da regulação da vida. Autores como Heidegger são tomados em sua reflexão quanto à tecnologia e seu papel na vida humana. Damásio que propõe a arte como fazer basal da natureza humana. a arte emerge entre os humanos por conta de basicamente dois aspectos que ela proporciona: 1) a produção artística melhora a comunicação possibilitando a expressão de uma gama de estados emocionais. A primeira delas apresenta neurocientistas como J.IdA. ou ao menos que apontamos como o predecessor daquilo que se entende hoje por arte. ganha força a idéia de que a arte é uma das primeiras produções que diferenciam o homem de outros animais. Segundo o autor. aponta aspectos da origem da arte ligada a origem do ser humano.

Segundo o autor a música é um meio muito eficiente para induzir estados emocionais bem específicos. são um exemplo de ligação de habilidades artísticas com habilidades de sobrevivência. como a música. em geral. Em primeiro lugar ele afirma que as habilidades utilizadas para a produção de arte guardam uma importante relação com as ações de sobrevivência da espécie. Esse efeito ligado diretamente a aspectos de regulação homeostática do sistema vivo do ser humano tem estreita relação com as possibilidades de organização e motivação individual e coletiva oferecida por modalidades artísticas.. a arte. yet under implicit constraints of rules.1 como é o caso da língua falada. de bem estar. como um recurso fundamental para concentração. staggering effects on emotion & reason mobillissing conscious and non-concious process. ou até antes das pictóricas. Em outras palavras. Assim o neurocientista afirma que as atividades musicais devem ter florescido juntamente. Práticas como essa foram perpetuadas até os dias de hoje e remetem os humanos às suas origens. distinct from language. Os laços interpessoais são fortalecidos conforme hábitos como esse descrito acima consolidam-se e isso é um grande fomento à formação de grupos sociais e posteriormente à cultura. Damásio (2009) é que a arte está presente na origem da espécie humana pelo potencial de ampliar as possibilidades de comunicação. Changeux (2009) acaba por dar condições de considerar a arte como comportamento mais fundamental do que a linguagem falada. para o ser humano. Assim. Essa ampliação na capacidade de comunicação trazida pela arte se dá porque. linguagem e arte podem ser considerados dois aspectos. Habilidades como organizar sons produzidos pelo corpo para atrair caça. Cantar em volta da fogueira abrigado na caverna com comida farta. Também. Ao contemplar tal posicionamento ficam explícitos os dois aspectos que Damásio (2009) aponta como próprios dessa relação entre a emergência da arte e a evolução humana: a melhoria na 1 Linguagem referencial como aquela que estabelece forte vínculo da representação linguística com o representado. art in constant evolution (art history) renewal yet without apparent progress (Changeux. Uma vez então satisfeitas as necessidades de sobrevivência a arte passa a ser valorizada como hábito que possibilita o bem estar. para organização da mente e para organização do grupo.(. Também segundo Damásio (2009) a prática artística produz um aumento no prazer e portanto oferece um efeito de balanço compensatório. que diferenciam a espécie humana das outras. with multiplicity of codes. knowledge experiences. non verbal comunication of emotionalstates. Nenhuma outra espécie desenvolveu um sistema de produção e fruição sequer parecido como a arte para a espécie humana. nenhuma outra espécie desenvolveu linguagem como os humanos. with aesthetic eficacy. enquanto outras modalidades atuam sobre outros aspectos da percepção humana.. é uma contribuição direta para a saída do homem do estágio conhecido como Paleolítico. desenvolvidos desde os primeiros grupos de homo spaiens. entre outros. Mas para ele. pode ter sido um hábito já amplamente desenvolvido entre os primeiros humanos. uma vez que ele lembra a ótima acústica das cavernas. conforme afirma o próprio Damásio. Damásio (2009) apresenta especialmente a atividade de tocar os tambores. Ele apresenta também alguns aspectos que descrevem a arte como um tipo de hábito humano dos mais basais. 3 . 2009). Damásio aponta algumas características específicas dessa relação entre a emergência da arte na espécie humana e a própria evolução dessa espécie. Assim. Um dos aspectos realçados pelo neurocientista A. entre grupos de humanos primitivos. por meio das diversas modalidades artísticas pode-se evidenciar estados emocionais bastante diferentes e diversos daqueles alcançados pela linguagem referencial. oferece situações de prazer à vida.) specilized for intersubjective comunication that uses symbolic forms genetically and epigenetically encoded. como a de Lascaux.

Heidegger. Mas o que é exatamente isso que se toma por arte? O que caracteriza uma prática humana como arte ou não arte? Com perguntas como essa em mente o neurocientista Jean-Pierre Changeux (2009) aponta alguns critérios para um melhor entendimento de tais características. Ele começa sua descrição por um caminho bastante óbvio mas. aspecto relevante para o neurocientista francês. procedimentos e significações a que se deu o nome de arte. Embora não haja palavras. nas possibilidades simbólicas presentes aí. Changeux (2009) também fala de uma eficácia estética com fortes efeitos sobre a razão e a emoção. Isso como aspecto característico da prática artística. mas conhecida de todo o grupo. muito antes da escrita. Por isso. citado em parágrafo anterior. ou à disposição da consciência. Imagine-se um determinado grupo humano primitivo. de modo bastante explicito em sua argumentação. consegue melhores oportunidades de boa comunicação e com isso ganha possibilidades de melhoria em sua qualidade de vida. quando Changeux (2009) afirma que a arte envolve ambos. muito da atividade artística possibilita ligações. há cerca de 1. E um último. talvez antes da fala. e com a posição dos autores que serão apresentados na sequência. Jaeger e M. e que abre algumas portas interessantes para nossas intenções aqui. Essa característica é suporte para o próximo marco explicitado por Changeux: o uso de 4 . como o próprio ser humano que também não tem encerrada sua própria evolução. relações que não estão à mão. e que se encontram presentes já entre os hábitos dos humanos primitivos. e talvez especificamente por conta disso. que de acordo com sua opinião apresentam possibilidades de expressão de emoções e sensações bem mais restritas por conta de sua alta referencialidade. apresentar o crescimento qualitativo e quantitativo de habilidades psicomotoras profundamente a ponto de produzir um mundo próprio de hábitos. é o fato de que a arte está em constante evolução. parece estar de acordo com posições como a de Damásio. Nos instrumentos e ferramentas criados e utilizados pelo homo erectus. por vezes esquecido. e não por isso menos importante. A repetição de tais comportamentos até a configuração de hábitos potencializa os laços afetivos e com isso a sensação de bem-estar. O primeiro é a criação de ferramentas pelo homo habilis. com sua força simbólica. que localiza a arte como parte da formação da consciência humana. tais como W. mobilizando ao mesmo tempo processos conscientes e não-conscientes. Basta recorrer à experiências artísticas para que se alcance o que se pretende dizer com os efeitos da arte sobre processos conscientes e não-conscientes. o acontecimento. e pode-se pensar no fortalecimento dos laços interpessoais presentes em tal situação.comunicação e o efeito de balanço compensatório. Uma vez que as memórias de uma pessoa não são algo de acesso tão consciente assim. Um grupo com laços interpessoais fortalecidos e com crescente noção de grupo. há cerca de 2. durante o decorrer de seu desenvolvimento. P. Isso porque a arte é muitas vezes não-verbal e traz em si uma multiplicidade de possibilidades de descrições de emoções e sensações distintas das apresentadas pelas palavras faladas ou escritas. O segundo é o que Changeux (2009) chama de descoberta da simetria. cantando. ou desenvolvimento. Ele aponta ao menos 5 marcos. ou estágios em direção à formação dos hábitos considerados como prática artística.5 milhão de anos atrás. por conta da observação desse tipo de experiência. e também de suas tecnologias e hábitos.5 milhões de anos atrás. marca profundamente os hábitos de tal grupo a ponto de configurar o tal efeito de compensação descrito por Damásio (2009). Changeux (2009) mostra a relação estreita entre o constante desenvolvimento do ser humano e o desenvolvimento de sua arte. J. ou murmurando uma melodia simples. Damásio (2009) atribui ainda à prática artística o envolvimento em um ciclo virtuoso que possibilita ao ser humano. processos conscientes e não conscientes. Changeux (2009) trata as obras de arte como artefatos simbólicos próprios de um sistema complexo de comunicação de estados emocionais. o autor destaca o cuidado com a estrutura simétrica da construção. O autor ainda localiza tais habilidades como distintas da linguagem.

Este autor ainda fala de um tipo de eficácia estética que propicia a emergência de sentimentos e emoções. como nesses aspectos realçados por Changeux (2009). Isso reforça a perspectiva da possibilidade de experiências estéticas ligadas profundamente a aspectos naturais de todos os seres da espécie homo sapiens sapiens independente da grande variedade de culturas desenvolvidas por tal espécie. É por esse tipo de argumento que fica clara a relação entre o desenvolvimento tecnológico de um lado e o desenvolvimento estético de outro. Esse conceito de grau zero está ligado diretamente à perspectiva de que a arte surgiu com a natureza do ser humano. Regras que segundo ele são padrões de hábitos dos artistas que vão se formando e se transformando no tempo. é relevante à presente tese para justificar o caminho em direção à uma estética que por várias vezes chamar-se-á aqui de naturalizada. Não cabe aqui um maior refinamento na terminologia sobre conhecimento e ciência. em torno de 100 mil anos o homo sapiens então tem condições de produzir algo semelhante ao que hoje consideramos como arte. Seu argumento trata da indicação de que os homo heldelbergenses utilizavam símbolos durante os funerais. se 5 . posteriormente tais ferramentas servem para produzir ferramentas melhores (com simetria inclusive). muitas vezes implícitas por restrições top-down de possibilidades de representação. pode-se entender o desenvolvimento do que o autor denomina por arte. Primeiro há o uso de ferramentas. Se de uma maneira a produção artística depende de procedimentos conscientes e bastante regulares. por referir-se a aspectos mais naturais do que culturais presentes em processos de significação e experimentação artística. ligados à evolução e desenvolvimento do ser humano. Changeux (2009) trata aqui especificamente das possibilidades e restrições que demarcam e limitam o universo de possibilidades de ação. Embora por vezes esses dois lados pareçam distantes. no ser humano. Um último aspecto a ser localizado por Changeux (2009) é a capacidade que a experiência artística tem de articular ambos estados. Essa possibilidade de articulação do consciente com o inconsciente é um caminho ligado à arte de muitos tipos de culturas distintas. Aqui também aparece a noção de estilo do artista criado pela seleção e armazenamento de regras eficientes. de outra. e que tem fundamentos mesmo préhumanos. bem como a perpetuação de tais hábitos é aquilo que se denominará aqui como conhecimento. que encontram-se presentes em diferentes estágios anteriores de evolução. A capacidade de desenvolver hábitos específicos para necessidades igualmente específicas. a partir da argumentação de Changeux até aqui pode se considerar a arte como um tipo produção humana sustentada sobre diversas habilidades de base. ou mesmo de produção. ou ciência. pode-se encaminhar a continuidade da reflexão dessa seção para o que acontece com o que o homem vai denominar por conhecimento. exemplificam bem isso em diferentes épocas e locais do planeta. Em capítulos posteriores esta tese apresentará um argumento sobre uma espécie de grau zero de significação. Os fenômenos de xamanismo e suas variantes. Realçar tais aspectos da arte. também é evidente a participação de estados inconscientes na experiência artística. Em outras palavras. bem como seu controle e manipulação. O desenvolvimento de tecnologia tem aqui evidenciada uma forte ligação com o próprio desenvolvimento evolutivo do ser humano.simbolismos. é fundamental uma análise relacional para a melhor compreensão dos dois desenvolvimentos (humano e tecnológico). consciente e inconsciente. fundamental para tal estética que se pretende naturalizada. Dessa forma o autor afirma que a arte permite um acesso à consciência sem que se despreze aspectos inconscientes. E entre outros aspectos ele está ocupado em descrever as regras próprias desse tipo de produção humana. Ao considerar esse terceiro aspecto. A partir da perspectiva apontada por estes dois neurocientistas tratando das relações entre a arte e as origens do ser humano. por conta dos objetivos dessa tese. a partir disso aparecem os indícios de uso de simbolismos e posteriormente.

após o desenvolvimento da linguagem a capacidade cognitiva do ser humano se ampliou muito. entende que conhecer é algo próprio mesmo do viver.. ou os Gregos. quando apresenta um hábito próprio para um determinada situação. o viver na linguagem. o linguajar.) comunicação de conhecimentos e aptidões profissionais (. tem ciência de algo. em sua Biologia do Conhecimento. Aqui então são evidentes os laços entre arte. e se as tecnologias que proporcionaram a agricultura foram fundamentais para a evolução humana. Se o domínio do fogo foi uma tecnologia que marcou muito o desenvolvimento nos primórdios da humanidade. E embora a arte tenha aparecido um tanto antes da escrita. Especificamente entre os Gregos do período Arcáico (cf.. E isso por conta da maneira como se relaciona com esse mundo. entre outros aspectos. que no decorrer da evolução (que Maturana e Varela. também será enorme a importância da tecnologia de escrita desenvolvida pela humanidade há cerca de 4 mil anos atrás. Em obras de diferentes povos da antiguidade. 2003) não poderia haver saber fora da beleza ou do prazer. Ele distingue o homem. não é tarefa simples (e talvez seja mesmo inadequado) separar o que é basicamente transmissão de conhecimento e o que é expressão artística. Heidegger sobre a tecnologia.. Pode-se propor que a arte esteve ligada diretamente aos avanços do conhecimento humano porque envolviam em suas práticas.. a maneira como o ser humano conhece o mundo se distingue muito da maneira como outros animais o conhecem. evidenciada principalmente a partir do aparecimento da escrita. como afirmaram Damásio (2009) e Changeux (2009). com essa nova tecnologia inaugurou-se uma nova era nas possibilidades de relacionar arte e conhecimento.tomará um como sinônimo do outro porque o que se busca é indicar formas de se relacionar com o mundo. Nesse sentido o ser humano vem desenvolvendo seus conhecimentos sobre o mundo em consonância com sua própria evolução. p. O filósofo Humberto Maturana.. Assim. Desde que a espécie humana surgiu vem transformando esse mundo como nenhuma outra nunca o fez.) a poesia tem vantagem sobre qualquer estudo intelectual e verdades racionais. Jaeger. por um tipo de hábito próprio dessa espécie. também a arte pode ser considerada como tal. Tais laços se reforçam com o desenvolvimento de modalidades artísticas como a literatura. que somente foram possíveis a partir das tecnologias de escrita. por exemplo. assim como sobre as meras experiências acidentais da vida do indivíduo. E embora todo ser vivo. procedimentos específicos sobre materiais especificamente também selecionados no mundo. p. essa íntima relação foi explicitada em poemas que foram considerados de suma importância para o desenvolvimento moral e cultural. toda a produção de um artefato qualquer envolvia uma tecnologia. Dizemos que um animal conhece algo. É mais 6 . como entre os Hebreus. portanto a arte era a melhor maneira de apresentar o conhecimento. da mesma maneira como após cada salto tecnológico. Além de servir para transmitir habilidades desenvolvidas por antepassados referentes à técnicas de plantios e outros aspectos ligados diretamente à sobrevivência. para se manter vivo precise conhecer o mundo que habita. 1999 entendem por Deriva Natural) acontecem cada vez mais próximos uns dos outros. Ocorre que há no desenvolvimento humano uma associação bastante forte de arte e linguagem. Lembre-se que o vocábulo técnica vem de uma palavra grega que significa “como se faz”. 23): (.). Essas relações serão descritas com mais detalhes logo mais a frente quando da exposição de aspectos da reflexão de M.. e portanto uma arte. Nas palavras de Humberto Maturana (2001) vive para conhecer e conhece para viver. a poesia e mesmo a dramaturgia. Em certo período Jaeger (2003. Uma influência imensa para o desenvolvimento das ações humanas em geral. ou conforme afirma Jaeger (2003. Uma vez que a linguagem configura-se como acarretadora de novas possibilidades cognitivas. Em obras escritas da cultura desses dois povos . Assim. a escrita também deu suporte para o aparecimento de sistemas de organização da vida social e comunicação bastante sofisticados. conhecimento (ciência) e tecnologia. inclusive da arte. 63) afirma que: (. como conhece esse mundo.

mas é ao mesmo tempo.. mas também de alguma maneira a arte. É interessante notar a relação entre as colocações de Heidegger neste texto de 1949 com a afirmação de W. Se um grande desenvolvimento intelectual e tecnológico marcou sua época. ou a computação digital proporcionaram. e outros fazeres humanos. primeiro. pela concentração de sua realidade. entre estética e ética. até os pré-socráticos. por exemplo. A perspectiva de não distanciamento entre ética e estética para o grego primitivo fez com que se fortalecesse ainda mais a relação da arte com o conhecimento e suas decorrências sociais. como a música. e segundo. p. Esse aprofundamento das questões iniciais o remete de volta às perspectivas fundadoras do Ocidente. Por conta de uma maneira bastante peculiar de lidar com o conhecimento e sua transmissão é que os Gregos dessa época chamam a atenção. acabam por orientar o desenvolvimento da própria tecnologia. E outras modalidades. e se desenvolvem. o fazer e a experiência artística. De acordo com esse autor o poeta (o artista) basicamente precede o filósofo na tradição do desenvolvimento do conhecimento (ciência) na Grécia. Essa relação mais estreita entre desenvolvimento tecnológico e artístico é tema da próxima seção desse capítulo. sobre a existência. tais marcas foram tão profundas que chegam aos tempos atuais. Mas quais são. como a ciência. Por todo o período da Grécia Arcaica. não nasceu do nada. segundo Heidegger (1949). mais vital que o conhecimento filosófico. entre outras características por seu forte apelo à formação técnica. O papel do poeta na formação da cultura grega é bem descrito por Jaeger (2003. Desenvolvimento artístico e tecnológico: influências mútuas A tecnologia. E o que cabe ressaltar para os objetivos dessa tese é que esse profundo alinhamento entre arte e conhecimento científico. Essa forma de utilizar os dispositivos. Jaeger (2003) sobre os aspectos da arte que a fazem importante ao desenvolvimento do conhecimento porque ela seria mais vital que a filosofia e mais filosófica que a vida. a técnica vem antes da arte. Também essas tecnologias se desenvolveram. quando se alcançou uma tecnologia que permitisse explicitamente uma série de habilidades. um tipo que se utiliza desse conjunto de técnicas. E em certo sentido esse é um dos motivos da força educadora e formadora do próprio Estado que a Grécia atribui à Arte. à perspectiva da Grécia présocrática. entre elas. tiveram também enorme destaque na educação. Ao perguntar pela essência da técnica o filósofo acaba por se deparar com uma pergunta sobre a verdade e em último caso. mas tem raízes profundas na própria evolução da espécie humana.). como a escrita ou a fotografia. por conta de determinadas necessidades ou demandas advindas de diversas áreas da ação humana. arte e conhecimento se conjugaram de forma a permitir períodos de grande desenvolvimento humano. 2. a poesia teve papel central no desenvolvimento e transmissão do conhecimento. para fazer arte. políticas e econômicas. é um tipo de fazer humano. os instrumentos. na opinião de Heidegger os possíveis perigos na relação do homem com suas tecnologias se tais tecnologias são próprias da natureza humana e são também motivo de seu próprio desenvolvimento? 7 . é o que Heidegger enfatiza como saída para o problema advindo das relações humanas com as tecnologias modernas e sua concepção de mundo. Assim a arte pode ser descrita como um tipo mais específico ainda de fazer humano. 105): É característica pessoal do poeta-profeta grego querer guiar o Homem transviado para o caminho correto por meio do conhecimento mais profundo das conexões do mundo e da vida.filosófica que a vida real (. De alguma maneira. Para O filósofo alemão a maneira instrumental de conceber a tecnologia apresenta uma perigo extremo para a sociedade e a arte configura-se em uma possibilidade de escapar de tais perigos..

do ser. A isso o autor denomina por enquadramento (Gestell). vive o mundo. The rule of Enframing threatens man with the possibility that it could be denied to him to enter into a more original revealing and hence to experience the call of a more primal truth. Esse é exatamente o centro das ameaças apontadas por Heidegger. p. Especialmente por conta dessa perspectiva da natureza como uma enorme fonte de armazenamento das potencialidades de produção frente às novas tecnologias. traduzido por armação por Z. da verdade. sendo que a essência desse enquadramento é o próprio “fazer sair do oculto”. ou a serem incorporadas (tratadas como parte do corpo) conforme se aumenta o envolvimento com ela. e o acesso à elas.The threat to man does not come in the first instance from the potentially lethal machines and apparatus of technology. (HEIDEGGER. (LOPARIC. O problema da técnica não é o da instrumentalidade. é o que representa um grande perigo na medida em que se toma um posicionamento que ele denomina por instrumentalização. Ocultam-se as causas. 1996. aquilo que ele denomina por enquadramento. tratamnas como algo distinto da ideia de responsabilidade por algo. ou armação2. The actual threat has already affected man in his essence. ou o entendimento de uma Natureza como trama de forças calculáveis de antemão. 16). dependendo da relação que o homem estabeleça com ela. Essa mesma noção será posteriormente retomada ao se tratar das relações possíveis com as interfaces. ou que se oculta o enquadramento (Gestell) que se tem do mundo. veremos. que as interfaces tendem a se tornar invisíveis. uma forma de entender e perceber o mundo. e essa mesma ciência ser o fundamento da criação de tal tecnologia? O que o autor acaba por responder é que a tecnologia existe mesmo oculta. como pode a tecnologia proporcionar tal enquadramento da natureza. em concomitância com a lógica dessa noção de relação com a essência da técnica. Loparic há uma importante referência à esse respeito: No artigo A pergunta pela técnica (1949). 1977. Para o filósofo a essência da técnica. No entanto. de importância capital para o nosso tema. Na citação do comentador Z. Segundo ele a técnica é aquilo pelo qual o homem conhece o mundo. Pois essa vê o mundo como armazém de recursos energéticos para a produção. Heidegger reafirma o desligamento (operado em 1935) da pergunta pela técnica da questão da instrumentalidade e do agir instrumental. nem mesmo a causalidade implicada pela instrumentalidade. 28). É de acordo com as possibilidades técnicas e científicas que o ser humano descreve. entende e em último caso. conceito que em 1935 ainda ocupava o lugar de produção originária de manifestação. que produza uma ciência própria. É interessante retomar o início do texto onde Heidegger (1949) afirma que quando se está muito envolvido. Esse é o enquadramento próprio da modernidade que faz com que Heidegger trate então da relação entre ciência e tecnologia. dos usos que faça de tais e tais instrumentos. Com uma maneira que o filósofo denomina por instrumental. Na medida em que não se sabe. abandonado à essência da técnica pode se ficar cego à tal essência3 . Heidegger submete à desconstrução explícita o conceito grego de téchne. Porque uma vez que afirma que a natureza passa a ser entendida como algo que pode ser calculável ele afirma também que há ciência possível para tal tecnologia. 2 3 Gestell para Heidegger. Desse quadro ele aponta a apresentação. mas o modo de desocultamento. sobretudo da época da Revolução Industrial. Loparik. Heidegger refere-se ao homem da era moderna. 8 . p. o problema aparece. como vivendo sob uma provocação constante tendendo à essa prática de “fazer sair do oculto”. A crítica de Heidegger parece caminhar no sentido de condenar a perspectiva instrumentalizadora da tecnologia. pelo qual ele faz as coisas “sairem do oculto”.

nada existe. Ele afirma que fora do homem. da mente humana. uma ampla defesa de que a realidade existe apenas na mente humana. porque não haverá mais necessidade de decidir sobre o belo ou o feio. Presença que observa a todos em todos os momentos. 9 . ele chega mesmo a afirmar. Além das inúmeras possibilidades de relação. O Partido decidirá e o fará cada momento segundo sua necessidade específica. como se o mundo externo todo fosse produto dela. Ao propor a Newspeak 5 o Partido do Big Brother 6 restringe a amplitude da tecnologia da escrita ao limite do universo pretendido. Ele deixa claro a redução de todas as emoções a apenas quatro básicas: fear. FREEDOM IS SLAVERY. fora da mente humana. triumph and self-absement. É também relevante aqui observar o discurso de O’Brien sobre o novo mundo criado a partir das regras do Partido4. em referência ao Partido Comunista dirigente na época da URSS. Como se nada existisse fora do ser humano. da mente humana. com as críticas de G. A primeira ameaça tornou-se realidade explícita no comunismo stalinista e pós-stalinista e mesmo no capitalismo contemporâneo. e portanto do controle do partido. pode-se encontrar nas palavras da personagem O’Brien. apontado por Heidegger (1977). Orwell em novela do mesmo ano (1949): Nineteen Eighty-Four. da ciência e da amplitude de emoções à liberdade que se esgota com a relação instrumentalista com a tecnologia. A perspectiva de lidar com números e não com pessoas espalhou-se por todas as áreas da ação humana. de tudo o que não é ele próprio. IGNORANCE IS STRENGTH”. 5 Esse é o nome dado à nova língua criada pelo Partido para a nova sociedade. A pretensão de controlar tudo e todas as situações. Essa restrição permite então a permanência de paradoxos diversos explícitos naquele tipo de sociedade. E. Ao questionar a existência do universo externo antes do homem. como acontece em 1984. não há nada.Segundo Loparic. p. mas é mais uma vez vencido pelo argumento de O’Brien que pergunta se Winston ja viu alguma vez os tais fósseis existentes antes do homem. durante as seções de tortura do protagonista Winston. 2) o homem passa a se sentir senhor de tudo e de toda a natureza e acaba excluindo tudo o que não é ele mesmo. Winston tenta pela última vez apresentar um argumento que mostre ao menos a relevância de um mundo fora do homem. Essa maneira seria responsável pelo privilégio dos dados matemáticos antes dos dados experiências e vivenciais. 4) pode-se ler os 3 slogans do Partido: “WAR IS PEACE. É interessante observar o paralelo possível entre o que diz Heidegger nesse texto. socialistas ou nazistas. rage. E essa perspectiva acarreta dois problemas centrais: 1) o homem passa a ser tratado por ele mesmo como recurso. Heidegger referencia Jünger (1930) ao utilizar a noção de mobilização total para falar da transformação da vida em energia potencial. Essa negação do mundo externo ao homem. mas é condição geral do mundo moderno. e não o contrário. como se os primeiros fossem os responsáveis pelos segundos. E deixa também claro a extinção da arte e da ciência. Como sua resposta é negativa. faz com que o ser humano venha antropormofisando o mundo. dentro da pele. O torturador propõe uma espécie de antropocentrísmo como justificativa para o domínio total do indivíduo e sua escravização. Orwell enfatiza a relação da arte. O segundo problema afeta o mundo contemporâneo diretamente também. A idéia central é que a dominação acaba por se sedimentando com o uso de uma linguagem apropriada. como os slogans7 e a ação 4 No livro “1984” o Partido é a grande instituição controladora da sociedade. Para Heidegger (1977) essa forma de noção instrumental da técnica não é exclusividade das sociedades capitalistas. o torturador segue afirmando que isso tudo (e toda a ciência) é invenção dos biólogos do século XIX (e dos cientistas em geral). assim como ele trata toda a natureza. Ja na página 4 do livro de Orwell (1949. 6 7 Esse é o nome dado ao líder do Partido. é basicamente o referente Orwelliano ao segundo perigo na relação do homem com a tecnologia. e assim. nada existe fora do homem.

pode-se passar à descrição da proposta de paisagem sonora denominada Biocybrid Frog's Signature. 2) É basicamente nessa “zona biocíbrida”. mostrando como a tecnologia pode ser esse “fazer sair do oculto” em diversos aspectos. akin to the essence of technology and. o desenvolvimento tecnológico e as relações sociais. Ao propor a arte como saída para esses riscos da forma como se lida com a tecnologia Heidegger referencia os gregos pré-socráticos e mesmo os clássicos.do Partido e de seus membros. 2011. 3. Quanto ao termo “biocíbrido” cabe citar: We consider human existence is nowdays co-located in the continuum and symbiotic zone between body and flesh . sem um centro único de controle e sem pré-definição total dos estados iniciais ou finais.cyberspace and data .and the hybrid properties of physical world. uma relação que escape aos perigos anunciados. ou espaço biocíbrido. 1977 p. essa restrição à língua falada e escrita. tanto poéticos como estéticos. Such a realm is art. comprometem efetivamente as prórpias características fundamentais do ser humano. e assim apresenta a arte como fazer humano capaz de proporcionar uma relação não instrumentalista com a tecnologia. que a experiência da presente proposta de paisagem sonora situada se realiza. Paisagens Sonoras Situadas em direção à uma estética naturalizada A partir dessa revisão conceitual colocada até aqui. That continuum generates a biocybrid zone (Bio+cyber+hybrid) and the life is reinvented. 1977). a partir de suas aplicações no fazer artístico. Esse espaço formado pela ação comum entre agentes naturais e artificiais. que leva vantagem sobre outros fazeres como a razão ou as ações do próprio dia-a-dia. Jaeger (2003). on the one hand. Cabe também retomar o argumento de W. essential reflection upon technology and decisive confrontation with it must happpen in a realm that is. fundamentally different from it. Note-se que essa zona espacial criada na proposta aqui esboçada pode então ser 10 . E que também faz G. 35). pode-se ler: Because the essence of technology is nothing technological. a expressão de emoções. citado na seção anterior. (DOMINGUES et al. Ela apresenta as armadilhas presentes nessa forma de se relacionar com a tecnologia. Orwell reconhecer a arte e a ciência como perigos para aquela sociedade possível com aquele uso daquelas tecnologias descritas na novela 1984. E trata disso voltando aos fundamentos daquilo que ele chama de enquadramento (Gestell). Se retomarmos os argumentos de Changeux e Damásio. Entre os últimos parágrafos do texto de 1949 de Heidegger. conforme expostos na primeira seção também estabelecem-se pararelos entre a atividade artística. on the other. Ele lembra que a palavra techné denominava desde as fine arts até toda a produção manual. Em último caso. E é nesse sentido que se encaminha a reflexão heideggeriana exposta no texto sobre a tecnologia (HEIDEGGER. somada à eliminação das expressões artísticas e científicas. No entanto. (HEIDEGGER. o autor indica uma possibilidade de salvação desses dois perigos apontados. p. que coincide com a citação acima e afirma que a arte é um tipo de fazer humano privilegiado. Parece ser essa vantagem que a arte leva sobre outros fazeres humanos que faz Heidegger propô-la como saída para os riscos de uma relação instrumentalista com a tecnologia.

No sistema de Biocybrid Frog's Signature há distribuição de controle entre os diferentes agentes nos diferentes níveis de implementação. entre outras mais. tipos de vocalizações. Isso porque regulam seus padrões vitais intimamente com características da água (como o pH e a temperatura da água) e do ar. Os anuros anfíbios têm sido considerados na biologia. Para isso será necessária a utilização de um tipo de algorítimo de classificação. Dessa maneira são muito relevantes para a discussão sobre paisagem sonora como marcadora de condições sociais de um determinado ambiente. é que propriedades imprevisíveis emerjam juntamente com o controle auto-organizado e distribuído por todos os agentes do sistema. A proposta envolve a captação de sons dos anuros anfíbios que ocorrem em um fluxo de água em região de fronteira entre zona rural e urbana. 1990). A paisagem sonora instalada que se propõe aqui precisa ser descrita por suas etapas. Essa paisagem sonora serve de entrada para um sistema de classificação que reconhecerá diferentes variáveis presentes nas vocalizações dos animais em questão. ou entre zona rural e mata virgem. 11 . como por exemplo: quantidades por espécies. uma vez que é uma zona de inter-relação entre os diferentes agentes participantes do sistema total. O que se espera. como “marcadores de condições ambientais” (HEYER et al. Serão posicionados microfones em locais previamente selecionados para captar as vocalizações das comunidades de anuros anfíbios de um trecho de cinquenta metros com um microfone a cada dez metros. no entanto há que se entender que tal descrição não acarreta em um sistema hierárquico de controle. ou de outro sistema computacional capaz de identificar no sinal sonoro as variáveis necessárias para discriminação de diferentes aspectos que nos interessam. a partir do início do funcionamento do sistema (quando os agentes iniciam suas interações). quantidade de vocalizações.chamada de bioma biocíbrido. e emitem padrões vocais regulares e com muita pertinência para a manutenção de sua vida.

mas também da entrada de dados advinda do fluxo d'água escolhido. de cada um dos agentes envolvidos no sistema. e sensores chamados de afetivos. será também apresentada a paisagem sonora original captada no fluxo de água escolhido. nem há previsibilidade plena daquilo que acontecerá. uma vez que diferentes agentes interferem diretamente na composição do que se está experimentando. de calor. Ainda nesse bioma biocíbrido propõe-se o uso de um espaço de circulação do experienciador preparado. os algorítimos classificadores e de vida artificial. auto falantes. Aqui um algorítimo que associe as variáveis sonoras fará relações com variáveis visuais para a tal produção. A partir desse acoplamento de diferentes sub-sistemas (comunidades de anuros anfíbios. com efetores como projetores. Tais padrões de atividades encontrados e classificados nesse ambiente da instalação serão então dados de entrada para um sistema de vida artificial que procurará se manter vivo a partir dessa entrada de dados. Esta por sua vez amplia a perspectiva fenomenológica husserliana. É a experiência de tais estados emergentes que estão ligados à possibilidade do tal grau zero de significação.Na etapa denominada por “data visualização” ocorrerá o processo de transformação dos eventos que formam a paisagem sonora original. que integrando seus hábitos proporcionam estados emergentes. E é relevante atentar que se caminha para tal experiência estética por meio das possibilidades apresentadas por novas tecnologias para um tipo de acoplamento com outras espécies vivas e não vivas de máquinas. vivos (como os humanos no espaço de circulação e os anuros anfíbios na reserva) é que ocorre o processo auto-organizado que proporciona a emergência da experiência artística. chamado aqui de bioma biocíbrido. Também esse tipo de experiência é completamente impossível sem a ação adequadamente descrita aqui. em imagens. será ouvida como outra camada da paisagem sonora resultante do bioma biocíbrido. 12 . os participantes em movimento no bioma biocíbrido) e da interação entre agentes maquínicos não vivos (algorítimos reconhecedores). do que com aquilo que distingue um homem de outro. A saída desse sistema de visualização de dados produzirá então imagens projetadas em um ambiente específico de circulação de pessoas a ser preparado. dos anfíbios da reserva. A saída desse sistema de vida artificial (os estados gerados pelas condutas de cada organismo e pela conduta do grupo) será utilizada para produzir uma paisagem sonora (sonificação de dados) que. em direção à abordagens como as de Merleau-Ponty. O participante explora o espaço (bioma biocíbrido) e seus gestos e expressões são dados de entrada para outro sistema inteligente de classificação e reconhecimento. Que transpondo barreiras culturais aproximam o humano de sua natureza. superfícies de projeção. Não há um controle central de o que será visto e ouvida no ambiente de instalação (bioma biocíbrido). que não é outra natureza distinta dos não-humanos. Uma experiência que perpassa as diferentes culturas. padrões gráficos que se transformarão de acordo com a dinâmica da paisagem sonora. Os procedimentos descritos nos parágrafos anteriores possibilitam experiências estéticas que de certa forma se remetem muito mais aos fundamentos da humanidade. E é nesse sentido que se propõe o conceito de estética naturalizada. Mas que encontram mais ressonâncias com aquilo que faz do homem homem. Nesse espaço preparado para a situação da experiência. não que tais culturas não as influenciem. A captação dos dados do ambiente da instalação será entrada para outro sistema classificador. A perspectiva de uma proposta de estética naturalizada passa pela leitura da proposta de naturalização da fenomenologia apresentada por Petitot et al (1999). do que às culturas que as distingue olhando de dentro. Porque é uma experiência possível a todos da natureza humana. como uma das camadas da paisagem sonora final emergente do sistema. que reconhecerá ações específicas daqueles participantes da instalação. sensores de movimento. por sua vez. mas também com sensores como microfones. O bioma biocíbrido é criado (emerge) na medida em que todos esses agentes estejam em interação.

M. 1999. Gibson. VARELA. 13 . Naturalizing Phenomenology. p.Heidegger. Z. 1977. Stanford: Stanford University Press. DOMINGUES. M. ciência e vida cotidiana. et al Envisioning Ecosystems: biodiversity. Et al Frogs of Boracéia. G. PACHOUD. New York: Penguin Books. 31 (4). F. Longe de serem abordagens idênticas. HEYER. The question concerning technology.com.com/watch?v=Qt1PCP7oeNI . J. J.youtube. HEIDEGGER. J. W. Disponível em: http:// www. H. infirmity and affectivity. ou ainda D. 231 – 410. Acessado em 17/05/2012. R. Evolutionary Origins of Art and Aesthetics Series. Acessado em: http://www. ORWELL. W. Belo Horizonte: Editora da UFMG. Nineteen Eighty-Four. 2001.pdf Em 17/07/2012. São Paulo: Arquivos de Zoologia. Em preparação. Dreyfus. 1961. J. P. São Paulo: Martins Fontes. R. J. D. Evolutionary Origins of Art and Aesthetics Series. Disponível em: http:// www. PETITOT. JAEGER.interleft.youtube.com/watch?v=j2rodmJcn7g . Referências Bibliográficas CHANGEAUX. Acessado em 17/05/2012. Heidegger e a pergunta pela técnica. A. London: Harper & Row.br/ loparic/zeljko/pdfs/PerguntaTecnica. LOPARIK. MATURANA. Cognição. Dennet. DAMÁSIO. B. Paidéia: a formação do homem grego. 2003. ROY. elas guardam semelhanças na medida em que se distanciam da busca metafísica da essência e se aproximam da naturalização da fenomenologia.

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