UnB - UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ARTE - IdA Linha de Pesquisa - Arte e Tecnologia - Doutorado.

ANDRÉ LUIZ GONÇALVES DE OLIVEIRA

Monografia apresentada à disciplina de S e m i n á r i o Av a n ç a d o I I , s o b responsabilidade da professora Dra. Suzete Venturelli, cursada no primeiro semestre de 2012, como parte da avaliação para obtenção de créditos do curso de doutorado.

BRASÍLIA 17/07/2012

Changeaux e A. conhecimento e tecnologia. a arte emerge entre os humanos por conta de basicamente dois aspectos que ela proporciona: 1) a produção artística melhora a comunicação possibilitando a expressão de uma gama de estados emocionais.IdA. apresenta-se uma descrição esquemática de uma paisagem sonora situada denominada por Biocybrid Frog’s Signature como possível emxemplo de poética em direção ao posicionamento do conceito de estética naturalizada. arte e natureza. Segundo o autor. como um possível exemplo de aplicação dos princípios discutidos até esse momento no texto. ganha força a idéia de que a arte é uma das primeiras produções que diferenciam o homem de outros animais. seja individualmente. Ou de alguma maneira ao menos. E por último. A segunda parte trata do desenvolvimento comum e mútuo entre arte. Também Jean-Pierre Changeux. Esse autor trata especificamente do tipo de ação que caracteriza a produção artística. Essa argumentação sobre o papel da arte é feita por Damásio (2009) que oferece possíveis pistas para a compreensão das relações entre o desenvolvimento de algumas características próprias do ser humano e suas habilidades para a produção artística. Autores como Heidegger são tomados em sua reflexão quanto à tecnologia e seu papel na vida humana. estética naturalizada. Resumo: O presente texto encaminha uma reflexão acerca das possibilidades de se argumentar em direção à uma estética naturalizada a partir de proposições poéticas como as Paisagens Sonoras Situadas. Palavras-chave: Arte e tecnologia. ou ao menos que apontamos como o predecessor daquilo que se entende hoje por arte. 2) com isso a prática artística (seja a prática de produção ou de experimentação) aumenta a complexidade da regulação da vida. P. A primeira delas apresenta neurocientistas como J. que denominamos por arte. tais como : 2 .UnB .Arte e tecnologia em direção à uma estética naturalizada. Damásio que propõe a arte como fazer basal da natureza humana. marcou a passagem do homem do paleolítico para o neolítico. Arte nas origens do humano Desde que se começou a encontrar a produção imagética nos ambientes onde viveram os primeiros humanos. aponta aspectos da origem da arte ligada a origem do ser humano. de que a produção de arte estava entre essas primeiras produções humanas. Entre as diversas produções do homem a arte tem características próprias. O argumento está estruturado em três etapas. 1. André Luiz Gonçalves de Oliveira PhD Candidate . seja socialmente. Tais pinturas nas cavernas acabam por sugerir que esse tipo de produção. neurocientista em palestra proferida em 2009.

entre grupos de humanos primitivos. Um dos aspectos realçados pelo neurocientista A. Assim o neurocientista afirma que as atividades musicais devem ter florescido juntamente. por meio das diversas modalidades artísticas pode-se evidenciar estados emocionais bastante diferentes e diversos daqueles alcançados pela linguagem referencial. 3 . Também. 2009). staggering effects on emotion & reason mobillissing conscious and non-concious process. pode ter sido um hábito já amplamente desenvolvido entre os primeiros humanos. Os laços interpessoais são fortalecidos conforme hábitos como esse descrito acima consolidam-se e isso é um grande fomento à formação de grupos sociais e posteriormente à cultura. para o ser humano. de bem estar. Em primeiro lugar ele afirma que as habilidades utilizadas para a produção de arte guardam uma importante relação com as ações de sobrevivência da espécie. Damásio aponta algumas características específicas dessa relação entre a emergência da arte na espécie humana e a própria evolução dessa espécie. Ele apresenta também alguns aspectos que descrevem a arte como um tipo de hábito humano dos mais basais.. with multiplicity of codes. conforme afirma o próprio Damásio. Esse efeito ligado diretamente a aspectos de regulação homeostática do sistema vivo do ser humano tem estreita relação com as possibilidades de organização e motivação individual e coletiva oferecida por modalidades artísticas. como um recurso fundamental para concentração. desenvolvidos desde os primeiros grupos de homo spaiens. knowledge experiences. uma vez que ele lembra a ótima acústica das cavernas. entre outros. Práticas como essa foram perpetuadas até os dias de hoje e remetem os humanos às suas origens. Assim.) specilized for intersubjective comunication that uses symbolic forms genetically and epigenetically encoded. Também segundo Damásio (2009) a prática artística produz um aumento no prazer e portanto oferece um efeito de balanço compensatório. Changeux (2009) acaba por dar condições de considerar a arte como comportamento mais fundamental do que a linguagem falada. são um exemplo de ligação de habilidades artísticas com habilidades de sobrevivência. yet under implicit constraints of rules. como a música. ou até antes das pictóricas. art in constant evolution (art history) renewal yet without apparent progress (Changeux. Assim. Cantar em volta da fogueira abrigado na caverna com comida farta. Habilidades como organizar sons produzidos pelo corpo para atrair caça. Segundo o autor a música é um meio muito eficiente para induzir estados emocionais bem específicos. como a de Lascaux. que diferenciam a espécie humana das outras. nenhuma outra espécie desenvolveu linguagem como os humanos. Damásio (2009) apresenta especialmente a atividade de tocar os tambores. Mas para ele.1 como é o caso da língua falada. linguagem e arte podem ser considerados dois aspectos. Uma vez então satisfeitas as necessidades de sobrevivência a arte passa a ser valorizada como hábito que possibilita o bem estar. a arte. Nenhuma outra espécie desenvolveu um sistema de produção e fruição sequer parecido como a arte para a espécie humana. Em outras palavras.. em geral. enquanto outras modalidades atuam sobre outros aspectos da percepção humana. with aesthetic eficacy.(. distinct from language. é uma contribuição direta para a saída do homem do estágio conhecido como Paleolítico. non verbal comunication of emotionalstates. oferece situações de prazer à vida. Essa ampliação na capacidade de comunicação trazida pela arte se dá porque. Damásio (2009) é que a arte está presente na origem da espécie humana pelo potencial de ampliar as possibilidades de comunicação. para organização da mente e para organização do grupo. Ao contemplar tal posicionamento ficam explícitos os dois aspectos que Damásio (2009) aponta como próprios dessa relação entre a emergência da arte e a evolução humana: a melhoria na 1 Linguagem referencial como aquela que estabelece forte vínculo da representação linguística com o representado.

mas conhecida de todo o grupo. muito da atividade artística possibilita ligações. consegue melhores oportunidades de boa comunicação e com isso ganha possibilidades de melhoria em sua qualidade de vida. ou desenvolvimento. por conta da observação desse tipo de experiência. há cerca de 2. como o próprio ser humano que também não tem encerrada sua própria evolução. procedimentos e significações a que se deu o nome de arte. e talvez especificamente por conta disso. O autor ainda localiza tais habilidades como distintas da linguagem. o autor destaca o cuidado com a estrutura simétrica da construção. Por isso. Isso como aspecto característico da prática artística. Nos instrumentos e ferramentas criados e utilizados pelo homo erectus. ou murmurando uma melodia simples.comunicação e o efeito de balanço compensatório. Essa característica é suporte para o próximo marco explicitado por Changeux: o uso de 4 . e com a posição dos autores que serão apresentados na sequência. o acontecimento. cantando. processos conscientes e não conscientes. P. Uma vez que as memórias de uma pessoa não são algo de acesso tão consciente assim. Imagine-se um determinado grupo humano primitivo. Changeux (2009) trata as obras de arte como artefatos simbólicos próprios de um sistema complexo de comunicação de estados emocionais. há cerca de 1. Ele aponta ao menos 5 marcos. apresentar o crescimento qualitativo e quantitativo de habilidades psicomotoras profundamente a ponto de produzir um mundo próprio de hábitos.5 milhões de anos atrás. de modo bastante explicito em sua argumentação. J. Damásio (2009) atribui ainda à prática artística o envolvimento em um ciclo virtuoso que possibilita ao ser humano. A repetição de tais comportamentos até a configuração de hábitos potencializa os laços afetivos e com isso a sensação de bem-estar. Isso porque a arte é muitas vezes não-verbal e traz em si uma multiplicidade de possibilidades de descrições de emoções e sensações distintas das apresentadas pelas palavras faladas ou escritas.5 milhão de anos atrás. ou à disposição da consciência. com sua força simbólica. por vezes esquecido. e também de suas tecnologias e hábitos. O segundo é o que Changeux (2009) chama de descoberta da simetria. muito antes da escrita. nas possibilidades simbólicas presentes aí. durante o decorrer de seu desenvolvimento. Heidegger. Changeux (2009) mostra a relação estreita entre o constante desenvolvimento do ser humano e o desenvolvimento de sua arte. Changeux (2009) também fala de uma eficácia estética com fortes efeitos sobre a razão e a emoção. marca profundamente os hábitos de tal grupo a ponto de configurar o tal efeito de compensação descrito por Damásio (2009). que de acordo com sua opinião apresentam possibilidades de expressão de emoções e sensações bem mais restritas por conta de sua alta referencialidade. Basta recorrer à experiências artísticas para que se alcance o que se pretende dizer com os efeitos da arte sobre processos conscientes e não-conscientes. Mas o que é exatamente isso que se toma por arte? O que caracteriza uma prática humana como arte ou não arte? Com perguntas como essa em mente o neurocientista Jean-Pierre Changeux (2009) aponta alguns critérios para um melhor entendimento de tais características. Um grupo com laços interpessoais fortalecidos e com crescente noção de grupo. tais como W. relações que não estão à mão. Jaeger e M. E um último. Ele começa sua descrição por um caminho bastante óbvio mas. Embora não haja palavras. e não por isso menos importante. parece estar de acordo com posições como a de Damásio. é o fato de que a arte está em constante evolução. e que se encontram presentes já entre os hábitos dos humanos primitivos. e que abre algumas portas interessantes para nossas intenções aqui. que localiza a arte como parte da formação da consciência humana. ou estágios em direção à formação dos hábitos considerados como prática artística. citado em parágrafo anterior. mobilizando ao mesmo tempo processos conscientes e não-conscientes. e pode-se pensar no fortalecimento dos laços interpessoais presentes em tal situação. talvez antes da fala. quando Changeux (2009) afirma que a arte envolve ambos. aspecto relevante para o neurocientista francês. O primeiro é a criação de ferramentas pelo homo habilis.

O desenvolvimento de tecnologia tem aqui evidenciada uma forte ligação com o próprio desenvolvimento evolutivo do ser humano. Os fenômenos de xamanismo e suas variantes. É por esse tipo de argumento que fica clara a relação entre o desenvolvimento tecnológico de um lado e o desenvolvimento estético de outro. Dessa forma o autor afirma que a arte permite um acesso à consciência sem que se despreze aspectos inconscientes. se 5 . Isso reforça a perspectiva da possibilidade de experiências estéticas ligadas profundamente a aspectos naturais de todos os seres da espécie homo sapiens sapiens independente da grande variedade de culturas desenvolvidas por tal espécie. posteriormente tais ferramentas servem para produzir ferramentas melhores (com simetria inclusive). Se de uma maneira a produção artística depende de procedimentos conscientes e bastante regulares. por conta dos objetivos dessa tese. ou ciência. no ser humano. a partir da argumentação de Changeux até aqui pode se considerar a arte como um tipo produção humana sustentada sobre diversas habilidades de base. Este autor ainda fala de um tipo de eficácia estética que propicia a emergência de sentimentos e emoções. A capacidade de desenvolver hábitos específicos para necessidades igualmente específicas. Aqui também aparece a noção de estilo do artista criado pela seleção e armazenamento de regras eficientes. exemplificam bem isso em diferentes épocas e locais do planeta. fundamental para tal estética que se pretende naturalizada. Não cabe aqui um maior refinamento na terminologia sobre conhecimento e ciência. em torno de 100 mil anos o homo sapiens então tem condições de produzir algo semelhante ao que hoje consideramos como arte. Esse conceito de grau zero está ligado diretamente à perspectiva de que a arte surgiu com a natureza do ser humano. é relevante à presente tese para justificar o caminho em direção à uma estética que por várias vezes chamar-se-á aqui de naturalizada. como nesses aspectos realçados por Changeux (2009). é fundamental uma análise relacional para a melhor compreensão dos dois desenvolvimentos (humano e tecnológico). Ao considerar esse terceiro aspecto. e que tem fundamentos mesmo préhumanos. A partir da perspectiva apontada por estes dois neurocientistas tratando das relações entre a arte e as origens do ser humano. E entre outros aspectos ele está ocupado em descrever as regras próprias desse tipo de produção humana. muitas vezes implícitas por restrições top-down de possibilidades de representação.simbolismos. Changeux (2009) trata aqui especificamente das possibilidades e restrições que demarcam e limitam o universo de possibilidades de ação. bem como seu controle e manipulação. Seu argumento trata da indicação de que os homo heldelbergenses utilizavam símbolos durante os funerais. também é evidente a participação de estados inconscientes na experiência artística. Essa possibilidade de articulação do consciente com o inconsciente é um caminho ligado à arte de muitos tipos de culturas distintas. por referir-se a aspectos mais naturais do que culturais presentes em processos de significação e experimentação artística. pode-se encaminhar a continuidade da reflexão dessa seção para o que acontece com o que o homem vai denominar por conhecimento. ou mesmo de produção. ligados à evolução e desenvolvimento do ser humano. pode-se entender o desenvolvimento do que o autor denomina por arte. Primeiro há o uso de ferramentas. Realçar tais aspectos da arte. Em capítulos posteriores esta tese apresentará um argumento sobre uma espécie de grau zero de significação. consciente e inconsciente. de outra. a partir disso aparecem os indícios de uso de simbolismos e posteriormente. Regras que segundo ele são padrões de hábitos dos artistas que vão se formando e se transformando no tempo. Embora por vezes esses dois lados pareçam distantes. Em outras palavras. Um último aspecto a ser localizado por Changeux (2009) é a capacidade que a experiência artística tem de articular ambos estados. bem como a perpetuação de tais hábitos é aquilo que se denominará aqui como conhecimento. que encontram-se presentes em diferentes estágios anteriores de evolução.

1999 entendem por Deriva Natural) acontecem cada vez mais próximos uns dos outros. ou os Gregos. conhecimento (ciência) e tecnologia.). Especificamente entre os Gregos do período Arcáico (cf. da mesma maneira como após cada salto tecnológico. inclusive da arte.. após o desenvolvimento da linguagem a capacidade cognitiva do ser humano se ampliou muito. Aqui então são evidentes os laços entre arte. o viver na linguagem. Assim. Em certo período Jaeger (2003.) a poesia tem vantagem sobre qualquer estudo intelectual e verdades racionais. que no decorrer da evolução (que Maturana e Varela. 23): (. Pode-se propor que a arte esteve ligada diretamente aos avanços do conhecimento humano porque envolviam em suas práticas. Além de servir para transmitir habilidades desenvolvidas por antepassados referentes à técnicas de plantios e outros aspectos ligados diretamente à sobrevivência. Ocorre que há no desenvolvimento humano uma associação bastante forte de arte e linguagem. assim como sobre as meras experiências acidentais da vida do indivíduo. Nesse sentido o ser humano vem desenvolvendo seus conhecimentos sobre o mundo em consonância com sua própria evolução. Uma influência imensa para o desenvolvimento das ações humanas em geral.. o linguajar. E isso por conta da maneira como se relaciona com esse mundo. em sua Biologia do Conhecimento. para se manter vivo precise conhecer o mundo que habita. O filósofo Humberto Maturana. E embora a arte tenha aparecido um tanto antes da escrita. a poesia e mesmo a dramaturgia. E embora todo ser vivo. e portanto uma arte. 2003) não poderia haver saber fora da beleza ou do prazer. a escrita também deu suporte para o aparecimento de sistemas de organização da vida social e comunicação bastante sofisticados. e se as tecnologias que proporcionaram a agricultura foram fundamentais para a evolução humana. portanto a arte era a melhor maneira de apresentar o conhecimento. essa íntima relação foi explicitada em poemas que foram considerados de suma importância para o desenvolvimento moral e cultural. por exemplo. Em obras escritas da cultura desses dois povos .tomará um como sinônimo do outro porque o que se busca é indicar formas de se relacionar com o mundo.. Uma vez que a linguagem configura-se como acarretadora de novas possibilidades cognitivas. tem ciência de algo. quando apresenta um hábito próprio para um determinada situação. Lembre-se que o vocábulo técnica vem de uma palavra grega que significa “como se faz”. que somente foram possíveis a partir das tecnologias de escrita. Jaeger. entre outros aspectos.) comunicação de conhecimentos e aptidões profissionais (. p. Ele distingue o homem. também será enorme a importância da tecnologia de escrita desenvolvida pela humanidade há cerca de 4 mil anos atrás. Essas relações serão descritas com mais detalhes logo mais a frente quando da exposição de aspectos da reflexão de M. Nas palavras de Humberto Maturana (2001) vive para conhecer e conhece para viver. Dizemos que um animal conhece algo. Em obras de diferentes povos da antiguidade. entende que conhecer é algo próprio mesmo do viver. Desde que a espécie humana surgiu vem transformando esse mundo como nenhuma outra nunca o fez. Heidegger sobre a tecnologia. 63) afirma que: (. como conhece esse mundo. não é tarefa simples (e talvez seja mesmo inadequado) separar o que é basicamente transmissão de conhecimento e o que é expressão artística. a maneira como o ser humano conhece o mundo se distingue muito da maneira como outros animais o conhecem... como entre os Hebreus. com essa nova tecnologia inaugurou-se uma nova era nas possibilidades de relacionar arte e conhecimento. procedimentos específicos sobre materiais especificamente também selecionados no mundo. evidenciada principalmente a partir do aparecimento da escrita. Tais laços se reforçam com o desenvolvimento de modalidades artísticas como a literatura. toda a produção de um artefato qualquer envolvia uma tecnologia. Se o domínio do fogo foi uma tecnologia que marcou muito o desenvolvimento nos primórdios da humanidade.. por um tipo de hábito próprio dessa espécie. ou conforme afirma Jaeger (2003. p. Assim. também a arte pode ser considerada como tal. É mais 6 . como afirmaram Damásio (2009) e Changeux (2009).

a técnica vem antes da arte. acabam por orientar o desenvolvimento da própria tecnologia. como a música. Se um grande desenvolvimento intelectual e tecnológico marcou sua época. é o que Heidegger enfatiza como saída para o problema advindo das relações humanas com as tecnologias modernas e sua concepção de mundo. Essa forma de utilizar os dispositivos. na opinião de Heidegger os possíveis perigos na relação do homem com suas tecnologias se tais tecnologias são próprias da natureza humana e são também motivo de seu próprio desenvolvimento? 7 . segundo Heidegger (1949). entre outras características por seu forte apelo à formação técnica. De alguma maneira. políticas e econômicas.. e se desenvolvem. O papel do poeta na formação da cultura grega é bem descrito por Jaeger (2003. Por conta de uma maneira bastante peculiar de lidar com o conhecimento e sua transmissão é que os Gregos dessa época chamam a atenção. a poesia teve papel central no desenvolvimento e transmissão do conhecimento. Também essas tecnologias se desenvolveram. um tipo que se utiliza desse conjunto de técnicas. E em certo sentido esse é um dos motivos da força educadora e formadora do próprio Estado que a Grécia atribui à Arte. é um tipo de fazer humano. entre elas. Ao perguntar pela essência da técnica o filósofo acaba por se deparar com uma pergunta sobre a verdade e em último caso. para fazer arte. E o que cabe ressaltar para os objetivos dessa tese é que esse profundo alinhamento entre arte e conhecimento científico. A perspectiva de não distanciamento entre ética e estética para o grego primitivo fez com que se fortalecesse ainda mais a relação da arte com o conhecimento e suas decorrências sociais. mas é ao mesmo tempo. não nasceu do nada. Jaeger (2003) sobre os aspectos da arte que a fazem importante ao desenvolvimento do conhecimento porque ela seria mais vital que a filosofia e mais filosófica que a vida. p. mas tem raízes profundas na própria evolução da espécie humana. por exemplo. sobre a existência. Esse aprofundamento das questões iniciais o remete de volta às perspectivas fundadoras do Ocidente. Assim a arte pode ser descrita como um tipo mais específico ainda de fazer humano. e outros fazeres humanos. 105): É característica pessoal do poeta-profeta grego querer guiar o Homem transviado para o caminho correto por meio do conhecimento mais profundo das conexões do mundo e da vida. por conta de determinadas necessidades ou demandas advindas de diversas áreas da ação humana. tiveram também enorme destaque na educação. como a ciência. ou a computação digital proporcionaram.). mas também de alguma maneira a arte. Desenvolvimento artístico e tecnológico: influências mútuas A tecnologia. mais vital que o conhecimento filosófico. arte e conhecimento se conjugaram de forma a permitir períodos de grande desenvolvimento humano.. E outras modalidades. Para O filósofo alemão a maneira instrumental de conceber a tecnologia apresenta uma perigo extremo para a sociedade e a arte configura-se em uma possibilidade de escapar de tais perigos. É interessante notar a relação entre as colocações de Heidegger neste texto de 1949 com a afirmação de W. primeiro. tais marcas foram tão profundas que chegam aos tempos atuais. pela concentração de sua realidade. como a escrita ou a fotografia. até os pré-socráticos. Mas quais são. Por todo o período da Grécia Arcaica. 2. e segundo. o fazer e a experiência artística. Essa relação mais estreita entre desenvolvimento tecnológico e artístico é tema da próxima seção desse capítulo. os instrumentos. De acordo com esse autor o poeta (o artista) basicamente precede o filósofo na tradição do desenvolvimento do conhecimento (ciência) na Grécia. à perspectiva da Grécia présocrática. entre estética e ética. quando se alcançou uma tecnologia que permitisse explicitamente uma série de habilidades.filosófica que a vida real (.

A isso o autor denomina por enquadramento (Gestell). como pode a tecnologia proporcionar tal enquadramento da natureza. pelo qual ele faz as coisas “sairem do oculto”. Segundo ele a técnica é aquilo pelo qual o homem conhece o mundo. Loparic há uma importante referência à esse respeito: No artigo A pergunta pela técnica (1949). (LOPARIC. e o acesso à elas. O problema da técnica não é o da instrumentalidade. Esse é o enquadramento próprio da modernidade que faz com que Heidegger trate então da relação entre ciência e tecnologia. 28). Loparik. nem mesmo a causalidade implicada pela instrumentalidade. p. aquilo que ele denomina por enquadramento. Pois essa vê o mundo como armazém de recursos energéticos para a produção. uma forma de entender e perceber o mundo. mas o modo de desocultamento. Heidegger reafirma o desligamento (operado em 1935) da pergunta pela técnica da questão da instrumentalidade e do agir instrumental. p. conceito que em 1935 ainda ocupava o lugar de produção originária de manifestação. ou armação2. que as interfaces tendem a se tornar invisíveis. Porque uma vez que afirma que a natureza passa a ser entendida como algo que pode ser calculável ele afirma também que há ciência possível para tal tecnologia. dependendo da relação que o homem estabeleça com ela. The rule of Enframing threatens man with the possibility that it could be denied to him to enter into a more original revealing and hence to experience the call of a more primal truth. No entanto. Para o filósofo a essência da técnica. abandonado à essência da técnica pode se ficar cego à tal essência3 . Ocultam-se as causas. que produza uma ciência própria. vive o mundo. tratamnas como algo distinto da ideia de responsabilidade por algo. Essa mesma noção será posteriormente retomada ao se tratar das relações possíveis com as interfaces. Desse quadro ele aponta a apresentação. The actual threat has already affected man in his essence. Heidegger submete à desconstrução explícita o conceito grego de téchne. (HEIDEGGER. Heidegger refere-se ao homem da era moderna. e essa mesma ciência ser o fundamento da criação de tal tecnologia? O que o autor acaba por responder é que a tecnologia existe mesmo oculta. Esse é exatamente o centro das ameaças apontadas por Heidegger. como vivendo sob uma provocação constante tendendo à essa prática de “fazer sair do oculto”. É interessante retomar o início do texto onde Heidegger (1949) afirma que quando se está muito envolvido. veremos. 2 3 Gestell para Heidegger. dos usos que faça de tais e tais instrumentos. É de acordo com as possibilidades técnicas e científicas que o ser humano descreve. de importância capital para o nosso tema. é o que representa um grande perigo na medida em que se toma um posicionamento que ele denomina por instrumentalização. ou a serem incorporadas (tratadas como parte do corpo) conforme se aumenta o envolvimento com ela. Especialmente por conta dessa perspectiva da natureza como uma enorme fonte de armazenamento das potencialidades de produção frente às novas tecnologias. 1996.The threat to man does not come in the first instance from the potentially lethal machines and apparatus of technology. Na medida em que não se sabe. 1977. o problema aparece. Com uma maneira que o filósofo denomina por instrumental. entende e em último caso. do ser. sendo que a essência desse enquadramento é o próprio “fazer sair do oculto”. ou que se oculta o enquadramento (Gestell) que se tem do mundo. A crítica de Heidegger parece caminhar no sentido de condenar a perspectiva instrumentalizadora da tecnologia. sobretudo da época da Revolução Industrial. traduzido por armação por Z. ou o entendimento de uma Natureza como trama de forças calculáveis de antemão. da verdade. em concomitância com a lógica dessa noção de relação com a essência da técnica. 8 . Na citação do comentador Z. 16).

e assim. Orwell em novela do mesmo ano (1949): Nineteen Eighty-Four. da mente humana. FREEDOM IS SLAVERY. Ao propor a Newspeak 5 o Partido do Big Brother 6 restringe a amplitude da tecnologia da escrita ao limite do universo pretendido. Essa negação do mundo externo ao homem. em referência ao Partido Comunista dirigente na época da URSS. faz com que o ser humano venha antropormofisando o mundo. nada existe fora do homem. dentro da pele. Winston tenta pela última vez apresentar um argumento que mostre ao menos a relevância de um mundo fora do homem. como acontece em 1984. rage. E deixa também claro a extinção da arte e da ciência. como se o mundo externo todo fosse produto dela. nada existe. Presença que observa a todos em todos os momentos. durante as seções de tortura do protagonista Winston. A primeira ameaça tornou-se realidade explícita no comunismo stalinista e pós-stalinista e mesmo no capitalismo contemporâneo. A idéia central é que a dominação acaba por se sedimentando com o uso de uma linguagem apropriada. o torturador segue afirmando que isso tudo (e toda a ciência) é invenção dos biólogos do século XIX (e dos cientistas em geral). triumph and self-absement. Ele deixa claro a redução de todas as emoções a apenas quatro básicas: fear. assim como ele trata toda a natureza. da mente humana. E essa perspectiva acarreta dois problemas centrais: 1) o homem passa a ser tratado por ele mesmo como recurso. 2) o homem passa a se sentir senhor de tudo e de toda a natureza e acaba excluindo tudo o que não é ele mesmo. porque não haverá mais necessidade de decidir sobre o belo ou o feio. É interessante observar o paralelo possível entre o que diz Heidegger nesse texto. 9 . Ele afirma que fora do homem. E. O Partido decidirá e o fará cada momento segundo sua necessidade específica. mas é condição geral do mundo moderno. apontado por Heidegger (1977). Como sua resposta é negativa. Ja na página 4 do livro de Orwell (1949. A pretensão de controlar tudo e todas as situações. com as críticas de G. como os slogans7 e a ação 4 No livro “1984” o Partido é a grande instituição controladora da sociedade. da ciência e da amplitude de emoções à liberdade que se esgota com a relação instrumentalista com a tecnologia. ele chega mesmo a afirmar. IGNORANCE IS STRENGTH”. p. de tudo o que não é ele próprio. como se os primeiros fossem os responsáveis pelos segundos. Como se nada existisse fora do ser humano. socialistas ou nazistas. é basicamente o referente Orwelliano ao segundo perigo na relação do homem com a tecnologia. pode-se encontrar nas palavras da personagem O’Brien. uma ampla defesa de que a realidade existe apenas na mente humana. e não o contrário. Essa restrição permite então a permanência de paradoxos diversos explícitos naquele tipo de sociedade. Para Heidegger (1977) essa forma de noção instrumental da técnica não é exclusividade das sociedades capitalistas. Essa maneira seria responsável pelo privilégio dos dados matemáticos antes dos dados experiências e vivenciais. O segundo problema afeta o mundo contemporâneo diretamente também. fora da mente humana. Heidegger referencia Jünger (1930) ao utilizar a noção de mobilização total para falar da transformação da vida em energia potencial. mas é mais uma vez vencido pelo argumento de O’Brien que pergunta se Winston ja viu alguma vez os tais fósseis existentes antes do homem. É também relevante aqui observar o discurso de O’Brien sobre o novo mundo criado a partir das regras do Partido4. Além das inúmeras possibilidades de relação. Orwell enfatiza a relação da arte. não há nada. e portanto do controle do partido. 6 7 Esse é o nome dado ao líder do Partido.Segundo Loparic. 5 Esse é o nome dado à nova língua criada pelo Partido para a nova sociedade. Ao questionar a existência do universo externo antes do homem. 4) pode-se ler os 3 slogans do Partido: “WAR IS PEACE. O torturador propõe uma espécie de antropocentrísmo como justificativa para o domínio total do indivíduo e sua escravização. A perspectiva de lidar com números e não com pessoas espalhou-se por todas as áreas da ação humana.

pode-se passar à descrição da proposta de paisagem sonora denominada Biocybrid Frog's Signature. on the one hand. 2) É basicamente nessa “zona biocíbrida”. sem um centro único de controle e sem pré-definição total dos estados iniciais ou finais. uma relação que escape aos perigos anunciados. Se retomarmos os argumentos de Changeux e Damásio. No entanto. Paisagens Sonoras Situadas em direção à uma estética naturalizada A partir dessa revisão conceitual colocada até aqui. (HEIDEGGER. que leva vantagem sobre outros fazeres como a razão ou as ações do próprio dia-a-dia. ou espaço biocíbrido. Esse espaço formado pela ação comum entre agentes naturais e artificiais. pode-se ler: Because the essence of technology is nothing technological. Note-se que essa zona espacial criada na proposta aqui esboçada pode então ser 10 . 2011. essential reflection upon technology and decisive confrontation with it must happpen in a realm that is. Em último caso. essa restrição à língua falada e escrita. comprometem efetivamente as prórpias características fundamentais do ser humano. That continuum generates a biocybrid zone (Bio+cyber+hybrid) and the life is reinvented. Quanto ao termo “biocíbrido” cabe citar: We consider human existence is nowdays co-located in the continuum and symbiotic zone between body and flesh . E que também faz G. Such a realm is art. (DOMINGUES et al. p. somada à eliminação das expressões artísticas e científicas. Entre os últimos parágrafos do texto de 1949 de Heidegger. Ele lembra que a palavra techné denominava desde as fine arts até toda a produção manual. a partir de suas aplicações no fazer artístico. Ao propor a arte como saída para esses riscos da forma como se lida com a tecnologia Heidegger referencia os gregos pré-socráticos e mesmo os clássicos. 1977). tanto poéticos como estéticos. que coincide com a citação acima e afirma que a arte é um tipo de fazer humano privilegiado. e assim apresenta a arte como fazer humano capaz de proporcionar uma relação não instrumentalista com a tecnologia. citado na seção anterior. Cabe também retomar o argumento de W. a expressão de emoções. on the other. conforme expostos na primeira seção também estabelecem-se pararelos entre a atividade artística. mostrando como a tecnologia pode ser esse “fazer sair do oculto” em diversos aspectos. 35).and the hybrid properties of physical world.cyberspace and data . 1977 p. Jaeger (2003). E trata disso voltando aos fundamentos daquilo que ele chama de enquadramento (Gestell). Parece ser essa vantagem que a arte leva sobre outros fazeres humanos que faz Heidegger propô-la como saída para os riscos de uma relação instrumentalista com a tecnologia. Ela apresenta as armadilhas presentes nessa forma de se relacionar com a tecnologia. o desenvolvimento tecnológico e as relações sociais.do Partido e de seus membros. akin to the essence of technology and. 3. o autor indica uma possibilidade de salvação desses dois perigos apontados. que a experiência da presente proposta de paisagem sonora situada se realiza. E é nesse sentido que se encaminha a reflexão heideggeriana exposta no texto sobre a tecnologia (HEIDEGGER. Orwell reconhecer a arte e a ciência como perigos para aquela sociedade possível com aquele uso daquelas tecnologias descritas na novela 1984. fundamentally different from it.

No sistema de Biocybrid Frog's Signature há distribuição de controle entre os diferentes agentes nos diferentes níveis de implementação. como por exemplo: quantidades por espécies. O que se espera. tipos de vocalizações. Serão posicionados microfones em locais previamente selecionados para captar as vocalizações das comunidades de anuros anfíbios de um trecho de cinquenta metros com um microfone a cada dez metros. é que propriedades imprevisíveis emerjam juntamente com o controle auto-organizado e distribuído por todos os agentes do sistema. Os anuros anfíbios têm sido considerados na biologia. Dessa maneira são muito relevantes para a discussão sobre paisagem sonora como marcadora de condições sociais de um determinado ambiente. 11 . a partir do início do funcionamento do sistema (quando os agentes iniciam suas interações). ou de outro sistema computacional capaz de identificar no sinal sonoro as variáveis necessárias para discriminação de diferentes aspectos que nos interessam. 1990). entre outras mais. Essa paisagem sonora serve de entrada para um sistema de classificação que reconhecerá diferentes variáveis presentes nas vocalizações dos animais em questão. Para isso será necessária a utilização de um tipo de algorítimo de classificação. como “marcadores de condições ambientais” (HEYER et al. no entanto há que se entender que tal descrição não acarreta em um sistema hierárquico de controle. A paisagem sonora instalada que se propõe aqui precisa ser descrita por suas etapas. uma vez que é uma zona de inter-relação entre os diferentes agentes participantes do sistema total. Isso porque regulam seus padrões vitais intimamente com características da água (como o pH e a temperatura da água) e do ar. ou entre zona rural e mata virgem. e emitem padrões vocais regulares e com muita pertinência para a manutenção de sua vida. A proposta envolve a captação de sons dos anuros anfíbios que ocorrem em um fluxo de água em região de fronteira entre zona rural e urbana. quantidade de vocalizações.chamada de bioma biocíbrido.

Tais padrões de atividades encontrados e classificados nesse ambiente da instalação serão então dados de entrada para um sistema de vida artificial que procurará se manter vivo a partir dessa entrada de dados. É a experiência de tais estados emergentes que estão ligados à possibilidade do tal grau zero de significação. superfícies de projeção. Os procedimentos descritos nos parágrafos anteriores possibilitam experiências estéticas que de certa forma se remetem muito mais aos fundamentos da humanidade. de cada um dos agentes envolvidos no sistema. A saída desse sistema de visualização de dados produzirá então imagens projetadas em um ambiente específico de circulação de pessoas a ser preparado.Na etapa denominada por “data visualização” ocorrerá o processo de transformação dos eventos que formam a paisagem sonora original. os algorítimos classificadores e de vida artificial. A captação dos dados do ambiente da instalação será entrada para outro sistema classificador. do que às culturas que as distingue olhando de dentro. uma vez que diferentes agentes interferem diretamente na composição do que se está experimentando. Esta por sua vez amplia a perspectiva fenomenológica husserliana. A saída desse sistema de vida artificial (os estados gerados pelas condutas de cada organismo e pela conduta do grupo) será utilizada para produzir uma paisagem sonora (sonificação de dados) que. vivos (como os humanos no espaço de circulação e os anuros anfíbios na reserva) é que ocorre o processo auto-organizado que proporciona a emergência da experiência artística. será também apresentada a paisagem sonora original captada no fluxo de água escolhido. sensores de movimento. com efetores como projetores. Não há um controle central de o que será visto e ouvida no ambiente de instalação (bioma biocíbrido). O bioma biocíbrido é criado (emerge) na medida em que todos esses agentes estejam em interação. chamado aqui de bioma biocíbrido. Mas que encontram mais ressonâncias com aquilo que faz do homem homem. os participantes em movimento no bioma biocíbrido) e da interação entre agentes maquínicos não vivos (algorítimos reconhecedores). que integrando seus hábitos proporcionam estados emergentes. A perspectiva de uma proposta de estética naturalizada passa pela leitura da proposta de naturalização da fenomenologia apresentada por Petitot et al (1999). que reconhecerá ações específicas daqueles participantes da instalação. nem há previsibilidade plena daquilo que acontecerá. mas também da entrada de dados advinda do fluxo d'água escolhido. em direção à abordagens como as de Merleau-Ponty. Também esse tipo de experiência é completamente impossível sem a ação adequadamente descrita aqui. do que com aquilo que distingue um homem de outro. E é nesse sentido que se propõe o conceito de estética naturalizada. padrões gráficos que se transformarão de acordo com a dinâmica da paisagem sonora. por sua vez. não que tais culturas não as influenciem. A partir desse acoplamento de diferentes sub-sistemas (comunidades de anuros anfíbios. O participante explora o espaço (bioma biocíbrido) e seus gestos e expressões são dados de entrada para outro sistema inteligente de classificação e reconhecimento. auto falantes. dos anfíbios da reserva. E é relevante atentar que se caminha para tal experiência estética por meio das possibilidades apresentadas por novas tecnologias para um tipo de acoplamento com outras espécies vivas e não vivas de máquinas. Uma experiência que perpassa as diferentes culturas. Que transpondo barreiras culturais aproximam o humano de sua natureza. será ouvida como outra camada da paisagem sonora resultante do bioma biocíbrido. de calor. em imagens. Aqui um algorítimo que associe as variáveis sonoras fará relações com variáveis visuais para a tal produção. que não é outra natureza distinta dos não-humanos. como uma das camadas da paisagem sonora final emergente do sistema. Porque é uma experiência possível a todos da natureza humana. e sensores chamados de afetivos. mas também com sensores como microfones. 12 . Ainda nesse bioma biocíbrido propõe-se o uso de um espaço de circulação do experienciador preparado. Nesse espaço preparado para a situação da experiência.

com/watch?v=Qt1PCP7oeNI . Z. Disponível em: http:// www.br/ loparic/zeljko/pdfs/PerguntaTecnica. 1961. DOMINGUES. Disponível em: http:// www.interleft. W. New York: Penguin Books. DAMÁSIO. The question concerning technology. PACHOUD. HEIDEGGER.youtube. P. 231 – 410. Acessado em 17/05/2012. Evolutionary Origins of Art and Aesthetics Series. Evolutionary Origins of Art and Aesthetics Series. et al Envisioning Ecosystems: biodiversity. J. Et al Frogs of Boracéia.com. G. LOPARIK. ROY. Stanford: Stanford University Press. Paidéia: a formação do homem grego. Belo Horizonte: Editora da UFMG. Heidegger e a pergunta pela técnica. J. 2003. VARELA. Acessado em: http://www. p. Acessado em 17/05/2012. 31 (4). PETITOT. Em preparação. R. infirmity and affectivity. J. ou ainda D. São Paulo: Martins Fontes. ciência e vida cotidiana. 13 . F. Longe de serem abordagens idênticas. Nineteen Eighty-Four. Cognição. H. JAEGER. R. A. HEYER.Heidegger. MATURANA. 1999.M. Gibson. 1977. M. Naturalizing Phenomenology.youtube. B. Dreyfus. São Paulo: Arquivos de Zoologia. W. J.com/watch?v=j2rodmJcn7g . elas guardam semelhanças na medida em que se distanciam da busca metafísica da essência e se aproximam da naturalização da fenomenologia. Dennet. Referências Bibliográficas CHANGEAUX. 2001. London: Harper & Row. D. J.pdf Em 17/07/2012. ORWELL.

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