UnB - UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ARTE - IdA Linha de Pesquisa - Arte e Tecnologia - Doutorado.

ANDRÉ LUIZ GONÇALVES DE OLIVEIRA

Monografia apresentada à disciplina de S e m i n á r i o Av a n ç a d o I I , s o b responsabilidade da professora Dra. Suzete Venturelli, cursada no primeiro semestre de 2012, como parte da avaliação para obtenção de créditos do curso de doutorado.

BRASÍLIA 17/07/2012

Esse autor trata especificamente do tipo de ação que caracteriza a produção artística. Palavras-chave: Arte e tecnologia. marcou a passagem do homem do paleolítico para o neolítico. tais como : 2 . André Luiz Gonçalves de Oliveira PhD Candidate . que denominamos por arte. conhecimento e tecnologia. seja socialmente. E por último. O argumento está estruturado em três etapas. aponta aspectos da origem da arte ligada a origem do ser humano. estética naturalizada. seja individualmente. A segunda parte trata do desenvolvimento comum e mútuo entre arte. P. Segundo o autor. como um possível exemplo de aplicação dos princípios discutidos até esse momento no texto. A primeira delas apresenta neurocientistas como J. 1. ganha força a idéia de que a arte é uma das primeiras produções que diferenciam o homem de outros animais. Damásio que propõe a arte como fazer basal da natureza humana. Resumo: O presente texto encaminha uma reflexão acerca das possibilidades de se argumentar em direção à uma estética naturalizada a partir de proposições poéticas como as Paisagens Sonoras Situadas. apresenta-se uma descrição esquemática de uma paisagem sonora situada denominada por Biocybrid Frog’s Signature como possível emxemplo de poética em direção ao posicionamento do conceito de estética naturalizada. arte e natureza. 2) com isso a prática artística (seja a prática de produção ou de experimentação) aumenta a complexidade da regulação da vida. Entre as diversas produções do homem a arte tem características próprias. Tais pinturas nas cavernas acabam por sugerir que esse tipo de produção.IdA. Autores como Heidegger são tomados em sua reflexão quanto à tecnologia e seu papel na vida humana.UnB . Arte nas origens do humano Desde que se começou a encontrar a produção imagética nos ambientes onde viveram os primeiros humanos. de que a produção de arte estava entre essas primeiras produções humanas. ou ao menos que apontamos como o predecessor daquilo que se entende hoje por arte. a arte emerge entre os humanos por conta de basicamente dois aspectos que ela proporciona: 1) a produção artística melhora a comunicação possibilitando a expressão de uma gama de estados emocionais. neurocientista em palestra proferida em 2009. Changeaux e A. Essa argumentação sobre o papel da arte é feita por Damásio (2009) que oferece possíveis pistas para a compreensão das relações entre o desenvolvimento de algumas características próprias do ser humano e suas habilidades para a produção artística. Também Jean-Pierre Changeux.Arte e tecnologia em direção à uma estética naturalizada. Ou de alguma maneira ao menos.

Um dos aspectos realçados pelo neurocientista A. como a música. Nenhuma outra espécie desenvolveu um sistema de produção e fruição sequer parecido como a arte para a espécie humana. oferece situações de prazer à vida. que diferenciam a espécie humana das outras. 3 . Práticas como essa foram perpetuadas até os dias de hoje e remetem os humanos às suas origens. enquanto outras modalidades atuam sobre outros aspectos da percepção humana.. por meio das diversas modalidades artísticas pode-se evidenciar estados emocionais bastante diferentes e diversos daqueles alcançados pela linguagem referencial.1 como é o caso da língua falada. Em primeiro lugar ele afirma que as habilidades utilizadas para a produção de arte guardam uma importante relação com as ações de sobrevivência da espécie. staggering effects on emotion & reason mobillissing conscious and non-concious process. Mas para ele. Assim. Esse efeito ligado diretamente a aspectos de regulação homeostática do sistema vivo do ser humano tem estreita relação com as possibilidades de organização e motivação individual e coletiva oferecida por modalidades artísticas. 2009). Essa ampliação na capacidade de comunicação trazida pela arte se dá porque. uma vez que ele lembra a ótima acústica das cavernas. são um exemplo de ligação de habilidades artísticas com habilidades de sobrevivência. Também. como a de Lascaux. para o ser humano. desenvolvidos desde os primeiros grupos de homo spaiens.(. Ao contemplar tal posicionamento ficam explícitos os dois aspectos que Damásio (2009) aponta como próprios dessa relação entre a emergência da arte e a evolução humana: a melhoria na 1 Linguagem referencial como aquela que estabelece forte vínculo da representação linguística com o representado. with aesthetic eficacy. Ele apresenta também alguns aspectos que descrevem a arte como um tipo de hábito humano dos mais basais. Damásio (2009) apresenta especialmente a atividade de tocar os tambores. de bem estar. para organização da mente e para organização do grupo. ou até antes das pictóricas. distinct from language. a arte. Também segundo Damásio (2009) a prática artística produz um aumento no prazer e portanto oferece um efeito de balanço compensatório. Uma vez então satisfeitas as necessidades de sobrevivência a arte passa a ser valorizada como hábito que possibilita o bem estar. entre outros. em geral. art in constant evolution (art history) renewal yet without apparent progress (Changeux. Segundo o autor a música é um meio muito eficiente para induzir estados emocionais bem específicos.) specilized for intersubjective comunication that uses symbolic forms genetically and epigenetically encoded. é uma contribuição direta para a saída do homem do estágio conhecido como Paleolítico. Em outras palavras. Damásio (2009) é que a arte está presente na origem da espécie humana pelo potencial de ampliar as possibilidades de comunicação. como um recurso fundamental para concentração. Os laços interpessoais são fortalecidos conforme hábitos como esse descrito acima consolidam-se e isso é um grande fomento à formação de grupos sociais e posteriormente à cultura. Cantar em volta da fogueira abrigado na caverna com comida farta. linguagem e arte podem ser considerados dois aspectos.. knowledge experiences. conforme afirma o próprio Damásio. pode ter sido um hábito já amplamente desenvolvido entre os primeiros humanos. non verbal comunication of emotionalstates. Changeux (2009) acaba por dar condições de considerar a arte como comportamento mais fundamental do que a linguagem falada. with multiplicity of codes. Assim o neurocientista afirma que as atividades musicais devem ter florescido juntamente. Assim. nenhuma outra espécie desenvolveu linguagem como os humanos. entre grupos de humanos primitivos. Habilidades como organizar sons produzidos pelo corpo para atrair caça. yet under implicit constraints of rules. Damásio aponta algumas características específicas dessa relação entre a emergência da arte na espécie humana e a própria evolução dessa espécie.

Isso como aspecto característico da prática artística. O segundo é o que Changeux (2009) chama de descoberta da simetria. talvez antes da fala. o autor destaca o cuidado com a estrutura simétrica da construção. Heidegger. relações que não estão à mão. Changeux (2009) trata as obras de arte como artefatos simbólicos próprios de um sistema complexo de comunicação de estados emocionais. processos conscientes e não conscientes. mobilizando ao mesmo tempo processos conscientes e não-conscientes.comunicação e o efeito de balanço compensatório. e talvez especificamente por conta disso. e com a posição dos autores que serão apresentados na sequência. A repetição de tais comportamentos até a configuração de hábitos potencializa os laços afetivos e com isso a sensação de bem-estar. O primeiro é a criação de ferramentas pelo homo habilis.5 milhão de anos atrás. Isso porque a arte é muitas vezes não-verbal e traz em si uma multiplicidade de possibilidades de descrições de emoções e sensações distintas das apresentadas pelas palavras faladas ou escritas. parece estar de acordo com posições como a de Damásio. Changeux (2009) também fala de uma eficácia estética com fortes efeitos sobre a razão e a emoção. Basta recorrer à experiências artísticas para que se alcance o que se pretende dizer com os efeitos da arte sobre processos conscientes e não-conscientes. é o fato de que a arte está em constante evolução. apresentar o crescimento qualitativo e quantitativo de habilidades psicomotoras profundamente a ponto de produzir um mundo próprio de hábitos. há cerca de 1. J. procedimentos e significações a que se deu o nome de arte. ou à disposição da consciência. ou estágios em direção à formação dos hábitos considerados como prática artística. que de acordo com sua opinião apresentam possibilidades de expressão de emoções e sensações bem mais restritas por conta de sua alta referencialidade. Nos instrumentos e ferramentas criados e utilizados pelo homo erectus. quando Changeux (2009) afirma que a arte envolve ambos. Ele aponta ao menos 5 marcos. com sua força simbólica. Por isso. E um último. por vezes esquecido. tais como W. P. Uma vez que as memórias de uma pessoa não são algo de acesso tão consciente assim. por conta da observação desse tipo de experiência. como o próprio ser humano que também não tem encerrada sua própria evolução. o acontecimento. mas conhecida de todo o grupo. durante o decorrer de seu desenvolvimento. de modo bastante explicito em sua argumentação. e pode-se pensar no fortalecimento dos laços interpessoais presentes em tal situação. aspecto relevante para o neurocientista francês. e também de suas tecnologias e hábitos. e que abre algumas portas interessantes para nossas intenções aqui. Jaeger e M. Um grupo com laços interpessoais fortalecidos e com crescente noção de grupo. que localiza a arte como parte da formação da consciência humana. muito antes da escrita. citado em parágrafo anterior. Damásio (2009) atribui ainda à prática artística o envolvimento em um ciclo virtuoso que possibilita ao ser humano. Embora não haja palavras. marca profundamente os hábitos de tal grupo a ponto de configurar o tal efeito de compensação descrito por Damásio (2009). nas possibilidades simbólicas presentes aí. O autor ainda localiza tais habilidades como distintas da linguagem. há cerca de 2. e não por isso menos importante. Mas o que é exatamente isso que se toma por arte? O que caracteriza uma prática humana como arte ou não arte? Com perguntas como essa em mente o neurocientista Jean-Pierre Changeux (2009) aponta alguns critérios para um melhor entendimento de tais características. Essa característica é suporte para o próximo marco explicitado por Changeux: o uso de 4 . cantando. consegue melhores oportunidades de boa comunicação e com isso ganha possibilidades de melhoria em sua qualidade de vida. Changeux (2009) mostra a relação estreita entre o constante desenvolvimento do ser humano e o desenvolvimento de sua arte.5 milhões de anos atrás. muito da atividade artística possibilita ligações. Imagine-se um determinado grupo humano primitivo. Ele começa sua descrição por um caminho bastante óbvio mas. ou murmurando uma melodia simples. e que se encontram presentes já entre os hábitos dos humanos primitivos. ou desenvolvimento.

Regras que segundo ele são padrões de hábitos dos artistas que vão se formando e se transformando no tempo. em torno de 100 mil anos o homo sapiens então tem condições de produzir algo semelhante ao que hoje consideramos como arte. muitas vezes implícitas por restrições top-down de possibilidades de representação. O desenvolvimento de tecnologia tem aqui evidenciada uma forte ligação com o próprio desenvolvimento evolutivo do ser humano. Os fenômenos de xamanismo e suas variantes. bem como a perpetuação de tais hábitos é aquilo que se denominará aqui como conhecimento. Seu argumento trata da indicação de que os homo heldelbergenses utilizavam símbolos durante os funerais. pode-se entender o desenvolvimento do que o autor denomina por arte. que encontram-se presentes em diferentes estágios anteriores de evolução. Em capítulos posteriores esta tese apresentará um argumento sobre uma espécie de grau zero de significação. por conta dos objetivos dessa tese. Isso reforça a perspectiva da possibilidade de experiências estéticas ligadas profundamente a aspectos naturais de todos os seres da espécie homo sapiens sapiens independente da grande variedade de culturas desenvolvidas por tal espécie. posteriormente tais ferramentas servem para produzir ferramentas melhores (com simetria inclusive). E entre outros aspectos ele está ocupado em descrever as regras próprias desse tipo de produção humana. também é evidente a participação de estados inconscientes na experiência artística. fundamental para tal estética que se pretende naturalizada. ligados à evolução e desenvolvimento do ser humano. Realçar tais aspectos da arte. pode-se encaminhar a continuidade da reflexão dessa seção para o que acontece com o que o homem vai denominar por conhecimento. a partir disso aparecem os indícios de uso de simbolismos e posteriormente. A partir da perspectiva apontada por estes dois neurocientistas tratando das relações entre a arte e as origens do ser humano. e que tem fundamentos mesmo préhumanos. Em outras palavras.simbolismos. Se de uma maneira a produção artística depende de procedimentos conscientes e bastante regulares. Aqui também aparece a noção de estilo do artista criado pela seleção e armazenamento de regras eficientes. A capacidade de desenvolver hábitos específicos para necessidades igualmente específicas. ou ciência. é relevante à presente tese para justificar o caminho em direção à uma estética que por várias vezes chamar-se-á aqui de naturalizada. a partir da argumentação de Changeux até aqui pode se considerar a arte como um tipo produção humana sustentada sobre diversas habilidades de base. Este autor ainda fala de um tipo de eficácia estética que propicia a emergência de sentimentos e emoções. Um último aspecto a ser localizado por Changeux (2009) é a capacidade que a experiência artística tem de articular ambos estados. Embora por vezes esses dois lados pareçam distantes. por referir-se a aspectos mais naturais do que culturais presentes em processos de significação e experimentação artística. no ser humano. de outra. Dessa forma o autor afirma que a arte permite um acesso à consciência sem que se despreze aspectos inconscientes. é fundamental uma análise relacional para a melhor compreensão dos dois desenvolvimentos (humano e tecnológico). Esse conceito de grau zero está ligado diretamente à perspectiva de que a arte surgiu com a natureza do ser humano. se 5 . Essa possibilidade de articulação do consciente com o inconsciente é um caminho ligado à arte de muitos tipos de culturas distintas. Primeiro há o uso de ferramentas. É por esse tipo de argumento que fica clara a relação entre o desenvolvimento tecnológico de um lado e o desenvolvimento estético de outro. como nesses aspectos realçados por Changeux (2009). Ao considerar esse terceiro aspecto. exemplificam bem isso em diferentes épocas e locais do planeta. Não cabe aqui um maior refinamento na terminologia sobre conhecimento e ciência. Changeux (2009) trata aqui especificamente das possibilidades e restrições que demarcam e limitam o universo de possibilidades de ação. bem como seu controle e manipulação. consciente e inconsciente. ou mesmo de produção.

Heidegger sobre a tecnologia.. Lembre-se que o vocábulo técnica vem de uma palavra grega que significa “como se faz”. Pode-se propor que a arte esteve ligada diretamente aos avanços do conhecimento humano porque envolviam em suas práticas. Jaeger. Uma vez que a linguagem configura-se como acarretadora de novas possibilidades cognitivas. com essa nova tecnologia inaugurou-se uma nova era nas possibilidades de relacionar arte e conhecimento. também será enorme a importância da tecnologia de escrita desenvolvida pela humanidade há cerca de 4 mil anos atrás. conhecimento (ciência) e tecnologia. entende que conhecer é algo próprio mesmo do viver. assim como sobre as meras experiências acidentais da vida do indivíduo. por um tipo de hábito próprio dessa espécie. Uma influência imensa para o desenvolvimento das ações humanas em geral. da mesma maneira como após cada salto tecnológico. Nesse sentido o ser humano vem desenvolvendo seus conhecimentos sobre o mundo em consonância com sua própria evolução. 23): (. 63) afirma que: (. por exemplo. p. Desde que a espécie humana surgiu vem transformando esse mundo como nenhuma outra nunca o fez. toda a produção de um artefato qualquer envolvia uma tecnologia. a escrita também deu suporte para o aparecimento de sistemas de organização da vida social e comunicação bastante sofisticados. tem ciência de algo. Ocorre que há no desenvolvimento humano uma associação bastante forte de arte e linguagem. e se as tecnologias que proporcionaram a agricultura foram fundamentais para a evolução humana. que somente foram possíveis a partir das tecnologias de escrita. Tais laços se reforçam com o desenvolvimento de modalidades artísticas como a literatura.) comunicação de conhecimentos e aptidões profissionais (. para se manter vivo precise conhecer o mundo que habita. como entre os Hebreus. a maneira como o ser humano conhece o mundo se distingue muito da maneira como outros animais o conhecem. E isso por conta da maneira como se relaciona com esse mundo. Em obras de diferentes povos da antiguidade.tomará um como sinônimo do outro porque o que se busca é indicar formas de se relacionar com o mundo. entre outros aspectos. É mais 6 . E embora a arte tenha aparecido um tanto antes da escrita.. também a arte pode ser considerada como tal. 2003) não poderia haver saber fora da beleza ou do prazer. inclusive da arte. Além de servir para transmitir habilidades desenvolvidas por antepassados referentes à técnicas de plantios e outros aspectos ligados diretamente à sobrevivência. Assim. E embora todo ser vivo. p. 1999 entendem por Deriva Natural) acontecem cada vez mais próximos uns dos outros.). em sua Biologia do Conhecimento. após o desenvolvimento da linguagem a capacidade cognitiva do ser humano se ampliou muito. quando apresenta um hábito próprio para um determinada situação. Nas palavras de Humberto Maturana (2001) vive para conhecer e conhece para viver. o viver na linguagem. portanto a arte era a melhor maneira de apresentar o conhecimento. ou conforme afirma Jaeger (2003. evidenciada principalmente a partir do aparecimento da escrita.. procedimentos específicos sobre materiais especificamente também selecionados no mundo. Ele distingue o homem. Em certo período Jaeger (2003. que no decorrer da evolução (que Maturana e Varela. Dizemos que um animal conhece algo.. a poesia e mesmo a dramaturgia. como conhece esse mundo. como afirmaram Damásio (2009) e Changeux (2009). Assim. e portanto uma arte. ou os Gregos. Se o domínio do fogo foi uma tecnologia que marcou muito o desenvolvimento nos primórdios da humanidade. não é tarefa simples (e talvez seja mesmo inadequado) separar o que é basicamente transmissão de conhecimento e o que é expressão artística. essa íntima relação foi explicitada em poemas que foram considerados de suma importância para o desenvolvimento moral e cultural. o linguajar. Aqui então são evidentes os laços entre arte. Especificamente entre os Gregos do período Arcáico (cf.. O filósofo Humberto Maturana. Essas relações serão descritas com mais detalhes logo mais a frente quando da exposição de aspectos da reflexão de M.) a poesia tem vantagem sobre qualquer estudo intelectual e verdades racionais. Em obras escritas da cultura desses dois povos ..

tiveram também enorme destaque na educação. primeiro. para fazer arte.filosófica que a vida real (. na opinião de Heidegger os possíveis perigos na relação do homem com suas tecnologias se tais tecnologias são próprias da natureza humana e são também motivo de seu próprio desenvolvimento? 7 . por exemplo. é um tipo de fazer humano. não nasceu do nada. O papel do poeta na formação da cultura grega é bem descrito por Jaeger (2003. Essa relação mais estreita entre desenvolvimento tecnológico e artístico é tema da próxima seção desse capítulo. e segundo.. mais vital que o conhecimento filosófico. quando se alcançou uma tecnologia que permitisse explicitamente uma série de habilidades. E em certo sentido esse é um dos motivos da força educadora e formadora do próprio Estado que a Grécia atribui à Arte. os instrumentos. entre elas. A perspectiva de não distanciamento entre ética e estética para o grego primitivo fez com que se fortalecesse ainda mais a relação da arte com o conhecimento e suas decorrências sociais. como a ciência. a técnica vem antes da arte. mas é ao mesmo tempo. mas tem raízes profundas na própria evolução da espécie humana. p. Desenvolvimento artístico e tecnológico: influências mútuas A tecnologia. entre outras características por seu forte apelo à formação técnica. Assim a arte pode ser descrita como um tipo mais específico ainda de fazer humano. E outras modalidades. Jaeger (2003) sobre os aspectos da arte que a fazem importante ao desenvolvimento do conhecimento porque ela seria mais vital que a filosofia e mais filosófica que a vida. Mas quais são. Essa forma de utilizar os dispositivos. como a escrita ou a fotografia. segundo Heidegger (1949). Esse aprofundamento das questões iniciais o remete de volta às perspectivas fundadoras do Ocidente. mas também de alguma maneira a arte. Se um grande desenvolvimento intelectual e tecnológico marcou sua época. 2. entre estética e ética. a poesia teve papel central no desenvolvimento e transmissão do conhecimento. como a música. e outros fazeres humanos. pela concentração de sua realidade. até os pré-socráticos. De acordo com esse autor o poeta (o artista) basicamente precede o filósofo na tradição do desenvolvimento do conhecimento (ciência) na Grécia. Ao perguntar pela essência da técnica o filósofo acaba por se deparar com uma pergunta sobre a verdade e em último caso. sobre a existência. políticas e econômicas.). à perspectiva da Grécia présocrática. ou a computação digital proporcionaram. tais marcas foram tão profundas que chegam aos tempos atuais. 105): É característica pessoal do poeta-profeta grego querer guiar o Homem transviado para o caminho correto por meio do conhecimento mais profundo das conexões do mundo e da vida. arte e conhecimento se conjugaram de forma a permitir períodos de grande desenvolvimento humano. Por todo o período da Grécia Arcaica. por conta de determinadas necessidades ou demandas advindas de diversas áreas da ação humana. De alguma maneira. É interessante notar a relação entre as colocações de Heidegger neste texto de 1949 com a afirmação de W. o fazer e a experiência artística. é o que Heidegger enfatiza como saída para o problema advindo das relações humanas com as tecnologias modernas e sua concepção de mundo. um tipo que se utiliza desse conjunto de técnicas.. e se desenvolvem. acabam por orientar o desenvolvimento da própria tecnologia. Para O filósofo alemão a maneira instrumental de conceber a tecnologia apresenta uma perigo extremo para a sociedade e a arte configura-se em uma possibilidade de escapar de tais perigos. Também essas tecnologias se desenvolveram. E o que cabe ressaltar para os objetivos dessa tese é que esse profundo alinhamento entre arte e conhecimento científico. Por conta de uma maneira bastante peculiar de lidar com o conhecimento e sua transmissão é que os Gregos dessa época chamam a atenção.

é o que representa um grande perigo na medida em que se toma um posicionamento que ele denomina por instrumentalização. em concomitância com a lógica dessa noção de relação com a essência da técnica. e essa mesma ciência ser o fundamento da criação de tal tecnologia? O que o autor acaba por responder é que a tecnologia existe mesmo oculta. No entanto. do ser. 16). 8 . 1996. Segundo ele a técnica é aquilo pelo qual o homem conhece o mundo. nem mesmo a causalidade implicada pela instrumentalidade.The threat to man does not come in the first instance from the potentially lethal machines and apparatus of technology. Na citação do comentador Z. como pode a tecnologia proporcionar tal enquadramento da natureza. Desse quadro ele aponta a apresentação. ou a serem incorporadas (tratadas como parte do corpo) conforme se aumenta o envolvimento com ela. Loparic há uma importante referência à esse respeito: No artigo A pergunta pela técnica (1949). Porque uma vez que afirma que a natureza passa a ser entendida como algo que pode ser calculável ele afirma também que há ciência possível para tal tecnologia. É interessante retomar o início do texto onde Heidegger (1949) afirma que quando se está muito envolvido. The rule of Enframing threatens man with the possibility that it could be denied to him to enter into a more original revealing and hence to experience the call of a more primal truth. Pois essa vê o mundo como armazém de recursos energéticos para a produção. vive o mundo. que as interfaces tendem a se tornar invisíveis. como vivendo sob uma provocação constante tendendo à essa prática de “fazer sair do oculto”. Essa mesma noção será posteriormente retomada ao se tratar das relações possíveis com as interfaces. ou armação2. ou que se oculta o enquadramento (Gestell) que se tem do mundo. p. Heidegger reafirma o desligamento (operado em 1935) da pergunta pela técnica da questão da instrumentalidade e do agir instrumental. Ocultam-se as causas. dependendo da relação que o homem estabeleça com ela. abandonado à essência da técnica pode se ficar cego à tal essência3 . e o acesso à elas. traduzido por armação por Z. pelo qual ele faz as coisas “sairem do oculto”. Heidegger refere-se ao homem da era moderna. que produza uma ciência própria. dos usos que faça de tais e tais instrumentos. sendo que a essência desse enquadramento é o próprio “fazer sair do oculto”. Esse é o enquadramento próprio da modernidade que faz com que Heidegger trate então da relação entre ciência e tecnologia. Esse é exatamente o centro das ameaças apontadas por Heidegger. (HEIDEGGER. Heidegger submete à desconstrução explícita o conceito grego de téchne. mas o modo de desocultamento. É de acordo com as possibilidades técnicas e científicas que o ser humano descreve. o problema aparece. 28). de importância capital para o nosso tema. uma forma de entender e perceber o mundo. conceito que em 1935 ainda ocupava o lugar de produção originária de manifestação. aquilo que ele denomina por enquadramento. Para o filósofo a essência da técnica. The actual threat has already affected man in his essence. A isso o autor denomina por enquadramento (Gestell). ou o entendimento de uma Natureza como trama de forças calculáveis de antemão. Na medida em que não se sabe. Loparik. (LOPARIC. Com uma maneira que o filósofo denomina por instrumental. da verdade. p. 2 3 Gestell para Heidegger. A crítica de Heidegger parece caminhar no sentido de condenar a perspectiva instrumentalizadora da tecnologia. Especialmente por conta dessa perspectiva da natureza como uma enorme fonte de armazenamento das potencialidades de produção frente às novas tecnologias. sobretudo da época da Revolução Industrial. 1977. entende e em último caso. veremos. tratamnas como algo distinto da ideia de responsabilidade por algo. O problema da técnica não é o da instrumentalidade.

com as críticas de G. mas é condição geral do mundo moderno. A idéia central é que a dominação acaba por se sedimentando com o uso de uma linguagem apropriada. nada existe. porque não haverá mais necessidade de decidir sobre o belo ou o feio. da ciência e da amplitude de emoções à liberdade que se esgota com a relação instrumentalista com a tecnologia. ele chega mesmo a afirmar. Além das inúmeras possibilidades de relação. apontado por Heidegger (1977). É interessante observar o paralelo possível entre o que diz Heidegger nesse texto. pode-se encontrar nas palavras da personagem O’Brien. E essa perspectiva acarreta dois problemas centrais: 1) o homem passa a ser tratado por ele mesmo como recurso. uma ampla defesa de que a realidade existe apenas na mente humana. p. Ja na página 4 do livro de Orwell (1949. em referência ao Partido Comunista dirigente na época da URSS. É também relevante aqui observar o discurso de O’Brien sobre o novo mundo criado a partir das regras do Partido4. A primeira ameaça tornou-se realidade explícita no comunismo stalinista e pós-stalinista e mesmo no capitalismo contemporâneo. O torturador propõe uma espécie de antropocentrísmo como justificativa para o domínio total do indivíduo e sua escravização. faz com que o ser humano venha antropormofisando o mundo. Orwell em novela do mesmo ano (1949): Nineteen Eighty-Four. Essa maneira seria responsável pelo privilégio dos dados matemáticos antes dos dados experiências e vivenciais. não há nada. socialistas ou nazistas. 6 7 Esse é o nome dado ao líder do Partido. assim como ele trata toda a natureza. 2) o homem passa a se sentir senhor de tudo e de toda a natureza e acaba excluindo tudo o que não é ele mesmo. Heidegger referencia Jünger (1930) ao utilizar a noção de mobilização total para falar da transformação da vida em energia potencial. durante as seções de tortura do protagonista Winston. como os slogans7 e a ação 4 No livro “1984” o Partido é a grande instituição controladora da sociedade. e assim. E deixa também claro a extinção da arte e da ciência. dentro da pele. Como sua resposta é negativa. E. o torturador segue afirmando que isso tudo (e toda a ciência) é invenção dos biólogos do século XIX (e dos cientistas em geral). como se os primeiros fossem os responsáveis pelos segundos. triumph and self-absement. 4) pode-se ler os 3 slogans do Partido: “WAR IS PEACE. nada existe fora do homem. Ao propor a Newspeak 5 o Partido do Big Brother 6 restringe a amplitude da tecnologia da escrita ao limite do universo pretendido. A perspectiva de lidar com números e não com pessoas espalhou-se por todas as áreas da ação humana. 5 Esse é o nome dado à nova língua criada pelo Partido para a nova sociedade. Winston tenta pela última vez apresentar um argumento que mostre ao menos a relevância de um mundo fora do homem. Essa negação do mundo externo ao homem. Ao questionar a existência do universo externo antes do homem. IGNORANCE IS STRENGTH”. como se o mundo externo todo fosse produto dela. como acontece em 1984. e portanto do controle do partido. FREEDOM IS SLAVERY.Segundo Loparic. Essa restrição permite então a permanência de paradoxos diversos explícitos naquele tipo de sociedade. Como se nada existisse fora do ser humano. rage. da mente humana. Ele afirma que fora do homem. Para Heidegger (1977) essa forma de noção instrumental da técnica não é exclusividade das sociedades capitalistas. e não o contrário. fora da mente humana. Orwell enfatiza a relação da arte. A pretensão de controlar tudo e todas as situações. mas é mais uma vez vencido pelo argumento de O’Brien que pergunta se Winston ja viu alguma vez os tais fósseis existentes antes do homem. 9 . de tudo o que não é ele próprio. Presença que observa a todos em todos os momentos. Ele deixa claro a redução de todas as emoções a apenas quatro básicas: fear. da mente humana. O Partido decidirá e o fará cada momento segundo sua necessidade específica. O segundo problema afeta o mundo contemporâneo diretamente também. é basicamente o referente Orwelliano ao segundo perigo na relação do homem com a tecnologia.

Parece ser essa vantagem que a arte leva sobre outros fazeres humanos que faz Heidegger propô-la como saída para os riscos de uma relação instrumentalista com a tecnologia. fundamentally different from it. That continuum generates a biocybrid zone (Bio+cyber+hybrid) and the life is reinvented. E é nesse sentido que se encaminha a reflexão heideggeriana exposta no texto sobre a tecnologia (HEIDEGGER. E trata disso voltando aos fundamentos daquilo que ele chama de enquadramento (Gestell). Ao propor a arte como saída para esses riscos da forma como se lida com a tecnologia Heidegger referencia os gregos pré-socráticos e mesmo os clássicos. pode-se ler: Because the essence of technology is nothing technological. E que também faz G. Entre os últimos parágrafos do texto de 1949 de Heidegger.and the hybrid properties of physical world. 1977).cyberspace and data . Esse espaço formado pela ação comum entre agentes naturais e artificiais. p. Ela apresenta as armadilhas presentes nessa forma de se relacionar com a tecnologia. Quanto ao termo “biocíbrido” cabe citar: We consider human existence is nowdays co-located in the continuum and symbiotic zone between body and flesh . que a experiência da presente proposta de paisagem sonora situada se realiza. Such a realm is art. akin to the essence of technology and. mostrando como a tecnologia pode ser esse “fazer sair do oculto” em diversos aspectos. somada à eliminação das expressões artísticas e científicas. a partir de suas aplicações no fazer artístico. conforme expostos na primeira seção também estabelecem-se pararelos entre a atividade artística. 1977 p. pode-se passar à descrição da proposta de paisagem sonora denominada Biocybrid Frog's Signature. (DOMINGUES et al. a expressão de emoções. No entanto. sem um centro único de controle e sem pré-definição total dos estados iniciais ou finais. o desenvolvimento tecnológico e as relações sociais. e assim apresenta a arte como fazer humano capaz de proporcionar uma relação não instrumentalista com a tecnologia. Orwell reconhecer a arte e a ciência como perigos para aquela sociedade possível com aquele uso daquelas tecnologias descritas na novela 1984. o autor indica uma possibilidade de salvação desses dois perigos apontados. tanto poéticos como estéticos. ou espaço biocíbrido. comprometem efetivamente as prórpias características fundamentais do ser humano. on the other. Em último caso. (HEIDEGGER. que coincide com a citação acima e afirma que a arte é um tipo de fazer humano privilegiado. 35).do Partido e de seus membros. on the one hand. 2) É basicamente nessa “zona biocíbrida”. uma relação que escape aos perigos anunciados. Jaeger (2003). Note-se que essa zona espacial criada na proposta aqui esboçada pode então ser 10 . Cabe também retomar o argumento de W. essa restrição à língua falada e escrita. Paisagens Sonoras Situadas em direção à uma estética naturalizada A partir dessa revisão conceitual colocada até aqui. que leva vantagem sobre outros fazeres como a razão ou as ações do próprio dia-a-dia. essential reflection upon technology and decisive confrontation with it must happpen in a realm that is. citado na seção anterior. Ele lembra que a palavra techné denominava desde as fine arts até toda a produção manual. Se retomarmos os argumentos de Changeux e Damásio. 3. 2011.

e emitem padrões vocais regulares e com muita pertinência para a manutenção de sua vida. Os anuros anfíbios têm sido considerados na biologia. como “marcadores de condições ambientais” (HEYER et al. no entanto há que se entender que tal descrição não acarreta em um sistema hierárquico de controle. entre outras mais. Dessa maneira são muito relevantes para a discussão sobre paisagem sonora como marcadora de condições sociais de um determinado ambiente. é que propriedades imprevisíveis emerjam juntamente com o controle auto-organizado e distribuído por todos os agentes do sistema. Serão posicionados microfones em locais previamente selecionados para captar as vocalizações das comunidades de anuros anfíbios de um trecho de cinquenta metros com um microfone a cada dez metros. quantidade de vocalizações. a partir do início do funcionamento do sistema (quando os agentes iniciam suas interações). Para isso será necessária a utilização de um tipo de algorítimo de classificação. A paisagem sonora instalada que se propõe aqui precisa ser descrita por suas etapas. ou de outro sistema computacional capaz de identificar no sinal sonoro as variáveis necessárias para discriminação de diferentes aspectos que nos interessam. tipos de vocalizações. O que se espera.chamada de bioma biocíbrido. A proposta envolve a captação de sons dos anuros anfíbios que ocorrem em um fluxo de água em região de fronteira entre zona rural e urbana. 11 . uma vez que é uma zona de inter-relação entre os diferentes agentes participantes do sistema total. Essa paisagem sonora serve de entrada para um sistema de classificação que reconhecerá diferentes variáveis presentes nas vocalizações dos animais em questão. 1990). ou entre zona rural e mata virgem. Isso porque regulam seus padrões vitais intimamente com características da água (como o pH e a temperatura da água) e do ar. No sistema de Biocybrid Frog's Signature há distribuição de controle entre os diferentes agentes nos diferentes níveis de implementação. como por exemplo: quantidades por espécies.

por sua vez. será ouvida como outra camada da paisagem sonora resultante do bioma biocíbrido. do que às culturas que as distingue olhando de dentro. uma vez que diferentes agentes interferem diretamente na composição do que se está experimentando. A captação dos dados do ambiente da instalação será entrada para outro sistema classificador. será também apresentada a paisagem sonora original captada no fluxo de água escolhido. A perspectiva de uma proposta de estética naturalizada passa pela leitura da proposta de naturalização da fenomenologia apresentada por Petitot et al (1999). dos anfíbios da reserva. e sensores chamados de afetivos. que integrando seus hábitos proporcionam estados emergentes. de cada um dos agentes envolvidos no sistema. Aqui um algorítimo que associe as variáveis sonoras fará relações com variáveis visuais para a tal produção. O participante explora o espaço (bioma biocíbrido) e seus gestos e expressões são dados de entrada para outro sistema inteligente de classificação e reconhecimento. como uma das camadas da paisagem sonora final emergente do sistema. A saída desse sistema de visualização de dados produzirá então imagens projetadas em um ambiente específico de circulação de pessoas a ser preparado. 12 . auto falantes. Mas que encontram mais ressonâncias com aquilo que faz do homem homem. Esta por sua vez amplia a perspectiva fenomenológica husserliana. Tais padrões de atividades encontrados e classificados nesse ambiente da instalação serão então dados de entrada para um sistema de vida artificial que procurará se manter vivo a partir dessa entrada de dados. do que com aquilo que distingue um homem de outro. Também esse tipo de experiência é completamente impossível sem a ação adequadamente descrita aqui. em direção à abordagens como as de Merleau-Ponty. Nesse espaço preparado para a situação da experiência. mas também da entrada de dados advinda do fluxo d'água escolhido. É a experiência de tais estados emergentes que estão ligados à possibilidade do tal grau zero de significação. Porque é uma experiência possível a todos da natureza humana. com efetores como projetores. A saída desse sistema de vida artificial (os estados gerados pelas condutas de cada organismo e pela conduta do grupo) será utilizada para produzir uma paisagem sonora (sonificação de dados) que. vivos (como os humanos no espaço de circulação e os anuros anfíbios na reserva) é que ocorre o processo auto-organizado que proporciona a emergência da experiência artística. E é nesse sentido que se propõe o conceito de estética naturalizada. nem há previsibilidade plena daquilo que acontecerá. Ainda nesse bioma biocíbrido propõe-se o uso de um espaço de circulação do experienciador preparado.Na etapa denominada por “data visualização” ocorrerá o processo de transformação dos eventos que formam a paisagem sonora original. padrões gráficos que se transformarão de acordo com a dinâmica da paisagem sonora. A partir desse acoplamento de diferentes sub-sistemas (comunidades de anuros anfíbios. chamado aqui de bioma biocíbrido. os algorítimos classificadores e de vida artificial. sensores de movimento. E é relevante atentar que se caminha para tal experiência estética por meio das possibilidades apresentadas por novas tecnologias para um tipo de acoplamento com outras espécies vivas e não vivas de máquinas. Que transpondo barreiras culturais aproximam o humano de sua natureza. que não é outra natureza distinta dos não-humanos. superfícies de projeção. Não há um controle central de o que será visto e ouvida no ambiente de instalação (bioma biocíbrido). em imagens. Os procedimentos descritos nos parágrafos anteriores possibilitam experiências estéticas que de certa forma se remetem muito mais aos fundamentos da humanidade. O bioma biocíbrido é criado (emerge) na medida em que todos esses agentes estejam em interação. Uma experiência que perpassa as diferentes culturas. que reconhecerá ações específicas daqueles participantes da instalação. de calor. mas também com sensores como microfones. não que tais culturas não as influenciem. os participantes em movimento no bioma biocíbrido) e da interação entre agentes maquínicos não vivos (algorítimos reconhecedores).

DAMÁSIO. HEIDEGGER. PACHOUD.youtube. J. et al Envisioning Ecosystems: biodiversity. M. MATURANA. H. Dreyfus. R. PETITOT. F. São Paulo: Arquivos de Zoologia. W. VARELA. São Paulo: Martins Fontes. Evolutionary Origins of Art and Aesthetics Series. W. DOMINGUES. 13 . Acessado em: http://www. Nineteen Eighty-Four. Z. Gibson. 2003. Paidéia: a formação do homem grego. G.interleft. J. R.com/watch?v=Qt1PCP7oeNI . infirmity and affectivity. Evolutionary Origins of Art and Aesthetics Series. New York: Penguin Books. Acessado em 17/05/2012. London: Harper & Row.com/watch?v=j2rodmJcn7g . 1999. J. Dennet. Stanford: Stanford University Press.youtube. Disponível em: http:// www. 1961. ciência e vida cotidiana. Disponível em: http:// www. Longe de serem abordagens idênticas.com. D. Et al Frogs of Boracéia.Heidegger.br/ loparic/zeljko/pdfs/PerguntaTecnica. Cognição. p. LOPARIK. J. elas guardam semelhanças na medida em que se distanciam da busca metafísica da essência e se aproximam da naturalização da fenomenologia. HEYER. ORWELL. ROY. Belo Horizonte: Editora da UFMG. 31 (4).M. Naturalizing Phenomenology. Acessado em 17/05/2012. 1977. Heidegger e a pergunta pela técnica. ou ainda D. A. J. P. Referências Bibliográficas CHANGEAUX. 2001. B. 231 – 410. The question concerning technology. Em preparação.pdf Em 17/07/2012. JAEGER.

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