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Crer é Também Pensar

(Resenha do Livro)
por
Isaias Lobão P. Jr.

STOTT, John R. W. Crer é também Pensar. A


importância da mente cristã. Trad. Milton
Azevedo Andrade. Sexta impressão. ABU
Editora. São Paulo, SP. 1994.

Resenhado por Isaias Lobão P. Jr.

John Stott é um líder cristão, muito conhecido por suas obras teológicas e pastorais.
Escritor, pregador e evangelista, temos editadas em português várias de suas
obras, entre elas Cristianismo Básico, Ouça o Espírito, Ouça o Mundo, Mentalidade
Cristã e vários comentários bíblicos da famosa série A Bíblia Fala Hoje, como A
Mensagem de Gálatas, Contracultura Cristã, Tu, Porém.

Stott serviu como pastor da Igreja Anglicana All Souls no centro de Londres, como
capelão honorário da rainha Elizabeth, líder da Aliança Evangélica Britânica. Foi
preletor do Congresso de Evangelização Mundial em Lausanne, na Suiça em 1974 e
posteriormente serviu como membro do comitê do movimento de Lausanne.

Stott já esteve várias vezes na América Latina e foi um dos incentivadores na


fundação da Fraternidade Teológica Latino Americana (FTL). Sua influência na
formação de líderes latino americanos foi muito mais além do que seus livros. Hoje
a fundação John Stott provê livros e material acadêmico aos pastores do Terceiro
Mundo, financiando bolsas de estudos e pesquisa.

O livro escolhido para ser resenhado foi publicado por John Stott na Inglaterra pela
Inter-Varsity Press, em 1972. Com o seguinte título, Your Mind Matters, algo como
“sua mente tem importância”. Já no título ele apresenta sua tese principal. A
importância da mente racional na fé cristã.

O primeiro capítulo, Cristianismo de Mente Vazia, Stott desafia a tendência


antiintelectual de muitos crentes. Baseados na filosofia secular do pragmatismo de
muitos crentes abandonam a doutrina em busca da prática. Stott critica esses
crentes afirmando que toda boa doutrina é sempre acompanhada de um ensino
prático. Ele cita três grupos que fazem isto: os católicos (e acrescento, muitos
evangélicos) que ritualizam sua relação com Deus, mecanizando sua relação com
Deus. O segundo grupo, os cristãos radicais que concentram suas energias na ação
social e na preocupação ecumênica. Se bem que este grupo seja (ainda) pequeno no
evangelicalismo brasileiro, é uma postura bastante comum entre os crentes
britânicos. Sua luta social esconde uma ignorância e desprezo pela doutrina. O
terceiro grupo alistado por Stott, são os crentes pentecostais. (esses nós temos de
sobra!). a busca incessante dos pentecostais por experiências com Deus, os leva,
geralmente, a colocar o subjetivismo e o emocionalismo acima da doutrina bíblica.

Para Stott “ são válvulas de escape para fugir à responsabilidade, dada por Deus,
do uso cristão de nossas mentes”.

O segundo capítulo, Por que usar nossas mentes?. John Stott apresenta sua defesa
contra a postura vazia dos ignorantes. Parte do mandato evangelístico que Cristo
nos deixou. O evangelho deve ser proclamado utilizando a razão humana. A
motivação para isto, Stott encontra na Criação. O ser humano foi criado por Deus,
um ser racional. Mesmo que esta racionalidade tenha sido maculada pela Queda,
ainda assim, Deus se manifestou ao ser humano em categorias racionais.

Segundo suas palavras: “É certo que alguns chegaram à conclusão oposta. Já que o
homem é finito e decaído, argumentam, já que não pode descobrir a Deus através
de sua mente, tendo Deus que se revelar por Si, então a mente não é importante.
Mas não! A doutrina cristã da revelação, ao invés de fazer da mente algo
desnecessário, na verdade a torna indispensável e a coloca no seu devido lugar.
Deus se revelou por intermédio de palavras às mentes humanas [1]. Sua revelação
racional a criaturas racionais. Nosso dever é receber sua mensagem, submetermo-
nos a ela, esforçando-nos por compreendê-la e relacionarmo-la com o mundo que
vivemos.”

O terceiro capítulo, a mente na vida cristã, o pastor John Stott apresenta “os modos
segundo os quais Deus deseja que usemos nossas mentes”. Ele alista seis áreas da
vida cristã.

Ele fala do culto cristão, lugar onde a mente do crente deve estar ativa e
empenhada em produzir frutos. A fé é alistada logo em seguida. E Stott define a fé
como “uma confiança racional, uma confiança que, em profunda reflexão e certeza,
conta com o fato que Deus é digno de todo crédito”. A fé é uma ato de pensar.

Depois, ele alista a terceira área da vida cristã. A busca da santidade. Interessante a
definição de Stott para santo. Ser aquilo que Deus deseja que sejamos. E não basta
apenas saber o que deveríamos ser, entretanto, temos que ir mais além. Resolvendo
em nossas mentes, a alcançá-lo.

A quarta característica, as escolhas que temos fazer como cristãos. Stott fala sobre a
responsabilidade do crente conhecer a vontade de Deus. então, ela apresenta uma
distinção que é bem típica de sua teologia. Existe uma vontade de Deus geral e
outra particular. No comentário de Efésios, também publicado pela ABU editora,
ele expande mais este pensamento. Deus nos escolheu para sermos conforme à
imagem de Jesus (Rm 8:29), esta é a vontade geral. No caso da particular, Deus nos
orienta a fazer as escolhas certas. Para cada situação específica. E como a Bíblia não
é um livro de receitas, mas um livro de princípios, o crente deve usar a sua mente
para discernir o melhor caminho para sua vida.

O quinto exemplo apresentado tem haver com a evangelização. Stott lembra-nos


que a apresentação do evangelho deve ter um conteúdo sólido. A mensagem cristã
não deve ser baseada no emocionalismo, mas deve ser profunda. Stott se baseia em
Paulo para afirmar que nossa mensagem alcança o intelecto do homem. Em
seguida ele nos apresenta a tese de que a conversão, é uma conversão a uma
verdade. Uma proposição intelectual.

O sexto e último exemplo são os ministérios e seus dons. Parece-me que para
muitos crentes hoje em dia, falar em dons espirituais nada tem haver com o uso da
mente. Mas, Stott acredita que sim. Os dons espirituais não excluem o uso da nossa
mente. O ministério cristão é essencialmente de ensino, e este ensino que
fundamenta a nossa fé vem como capacitação espiritual e sobrenatural.

O último capítulo, 4, entitulado Aplicando o Nosso Conhecimento, é a conclusão


deste (grande) pequeno livro. Stott apresenta um resumo do que ele vinha falando
até então e nos desafia a aplicar o que aprendemos com ele nesta (curta, porém
profunda) caminhada. Este conhecimento deve nos conduzir a certas atitudes. Stott
apresenta 4.

O conhecimento deve conduzir-nos a adoração, à fé, à santidade e ao amor. E ele


conclui dizendo:

“O conhecimento é indispensável à vida e ao serviço cristãos. Se não usamos a


mente que Deus nos deu, condenamo-nos à superficialidade espiritual, impedindo-
nos de alcançar muitas riquezas da graça de Deus. Ao mesmo tempo, o
conhecimento nos é dado para ser usado, para nos levar a cultuar melhor a Deus,
nos conduzir a uma fé maior, a uma santidade mais profunda, a um melhor
serviço. Não é de menos conhecimento que precisamos, mas sim de mais
conhecimento, desde que o apliquemos em nossa vida”.
Isaias Lobão P. Júnior. Pastor da Igreja Batista Independente do Planalto, DF.
Professor na Faculdade Teológica Cristã do Brasil e do Instituto Bíblico Batista
Central. Brasília.

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Felipe Sabino de Araújo Neto®
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