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SANSÃO E A SEDUÇÃO DA CULTURA 1

(Fé para Hoje)


FÉ PARA HOJE é uma publicação periódica da Editora FIEL
da Missão Evangélica Literária. Como outros ministérios da FIEL
- as conferências e os livros - FÉ PARA HOJE é mais um passo de
fé cujo propósito é semear o glorioso evangelho de Cristo.

O conteúdo desta revista representa uma cuidadosa


seleção de artigos, escritos por homens que têm mantido a fé
que foi entregue aos santos. Os artigos são escritos em quatro
áreas: Expositiva e Teológica, Prática, Histórica e Tópica.
Seguindo uma filosofia bem definida de difusão da fé reformada, a
revista procura encorajar o leitor a pregar fielmente a Palavra da
Cruz.

FÉ PARA HOJE é oferecida gratuitamente aos pastores e


seminaristas. Não oferecemos assinaturas, porém, quem
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versões são usadas, a fonte é especificamente citada.
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Conteúdo
AVIVAMENTO E MEMBROS DE IGREJA
NÃO-REGENERADOS ...................................... 1
Jim Elliff

A CENTRALIDADE DA CRUZ .............................. 7


James Montgomery Boyce

A EDUCAÇÃO DOS MEUS FILHOS ....................... 9


Paulo César Moraes de Oliveira e outros

MENTIRAS, MENTIRAS, MENTIRAS ..................... 14


Les Walthers

ABNEGAÇÃO: UM ELEMENTO NA ADORAÇÃO ......... 15


George H. Morrison

PROFUNDA SERIEDADE E AVIVAMENTO ................. 22


William B. Sprague

A LEI DE DEUS E O AMOR DE DEUS .................... 23


Ernest Reisinger

“FANÁTICOS” OU DEFENSORES DA VERDADE? ........ 28


John Kennedy

VOCÊ É UM VERDADEIRO MEMBRO DE IGREJA ....... 31


Conrad Mbewe
AVIVAMENTO E MEMBROS DE IGREJA NÃO-REGENERADOS 1

AVIVAMENTO E MEMBROS DE
IGREJA NÃO-REGENERADOS
Jim Elliff

P ermita-me iniciar este artigo, reuniões de domingo pela manhã.


ilustrando por meio de fatos vistos Apenas 30 a 35 (ou seja 10%) vinham
em igrejas de minha própria deno- ao culto de adoração à noite. Todas
minação, nas quais preguei recen- estas são consideradas ótimas igrejas
temente. Em uma igreja, havia uma e possuem um nível de liderança e
admirável presença de 2000 pessoas visão bastante competente. Alguns
no domingo pela manhã; mas existia que se encontram internados em hos-
7000 no rol de membros e apenas 600 pitais e outros que estão doentes ou
ou 700 nos cultos da noite. Exclua- em viagem amenizam esta realidade,
mos os visitantes, e a quantidade re- mas não o suficiente para mudar o
presentará menos do que 10% do triste panorama, especialmente quan-
número de membros. Em outra igre- do recordamos que esses números
ja, havia 2100 pessoas no rol de representam pessoas batizadas. O que
membros, das quais 725 vinham à estes fatos nos sugerem?
igreja no domingo de manhã. Se re-
tirarmos os visitantes e as crianças
não pertencentes à membresia da
OS CRENTES QUE SE AUSENTAM
igreja, o número de participantes
DOS CULTOS NÃO SÃO VERDADEIROS
cairá para 600. Somente um terço
CRENTES
desta quantidade freqüentava o culto
de domingo à noite. E isto represen- Em primeiro lugar, estes fatos
ta menos de 10% do número de revelam que muitos dos que estão
membros. inscritos em nossas listas de membros
Outra igreja tinha 310 pessoas em demonstram pouca evidência de que
sua membresia, das quais aproxi- amam os irmãos — um sinal claro de
madamente 100 freqüentavam as serem indivíduos não-regenerados
2 Fé para Hoje

(1 Jo 3.14). É impossível acreditar- Jesus mostrou que existe a pes-


mos que existe qualquer genuíno soa semelhante ao bom solo, a qual é
amor fraternal nos corações de pes- receptiva à semente do evangelho e
soas que não vêm à igreja ou apenas resulta em uma planta que dá frutos;
marcam presença como em um exer- mas a pessoa que se assemelha ao solo
cício cultural. O amor é a principal rochoso apenas tem a aparência de que
característica de um verdadeiro cren- é uma pessoa salva. Este imediata-
te (1 Jo 3.14-19). mente demonstra alegria, mas logo
Em segundo, esses números su- murcha (Mt 13.6,21). Esse tipo de
gerem que os ausentes ou os que vêm fé temporária (que não corresponde
apenas no domingo pela manhã estão à fé que salva; ver 1 Co 15.1-2) se
mais interessados em si mesmos do encontra em abundância em minha
que em Deus. Apresentando isto nas própria denominação. Todavia, essa
palavras de Paulo, tais pessoas se in- denominação acredita que a fé sal-
clinam para as “coisas da carne” e vadora persiste até ao fim. Nós
não para “as coisas do Espírito” (Rm cremos na preservação e perseveran-
8.5-9). A atmosfera que mais as sa- ça dos santos (uma vez que alguém é
tisfaz é a do mundo e não a de Deus. salvo, sempre perseverará). Se a fé
São capazes de permanecer na igreja exercida por uma pessoa não perse-
enquanto Deus as faz sentirem-se vera, então o que ela possui é algo
melhor a respeito de si mesmas. Mas, inferior à fé salvadora.
além disso, com muita delicadeza Em João 2.23-25, o Senhor Je-
recusarão envolver-se nas coisas dele. sus foi o protagonista daquilo que se
Para alguns, comprometer-se signi- tornou em uma experiência de evan-
fica vir aos cultos de vez em quando; gelismo de multidões, no qual ve-
para outros, a vida cristã consiste em rificamos grande número de pessoas
uma farisaica e estéril ida à igreja cada crendo nEle. Porém, Ele não se con-
domingo. fiava a qualquer delas, “porque os
Embora estas pessoas tenham fei- conhecia a todos” e “sabia o que era
to “a oração do pecador”, “vindo à a natureza humana”. É possível que
frente” e sido informadas de que ago- tenhamos entre influentes denomina-
ra são crentes, as coisas velhas re- ções atuais milhões de “crentes que
almente ainda não passaram e as no- jamais se converteram”, cujos cora-
vas ainda não vieram; elas não mos- ções não foram transformados?
tram ser novas criaturas em Cristo (2 Acredito que sim. Nossa denomina-
Co 5.17). Em muitos casos, podem ção, por exemplo, por mais que a
ser vistos os evidentes sinais de um amemos, está constituída, em sua
coração não-regenerado, tais como maioria, de pessoas não-regeneradas.
adultério, fornicação, avareza e dis- Se duplicarmos, triplicarmos ou qua-
sensão. Estes são “crentes professos”, druplicarmos minha avaliação a
a respeito dos quais a Bíblia afirma respeito de quantos são verdadeiros
estarem enganados (1 Co 6.9-1; Gl crentes, ainda teremos um problema
5.19-21; 6.7-8; Ef 5.5-6; Tt 1.16; gigante. É tolice crermos de outro
1 Jo 3.4-10). modo.
AVIVAMENTO E MEMBROS DE IGREJA NÃO-REGENERADOS 3

Existem aqueles que diriam ser O PROBLEMA É O PROGRAMA DE


tais pessoas “crentes carnais” e não INTEGRAÇÃO DE “NOVOS DECIDI-
merecem ser chamadas de não-rege- DOS ”?
neradas. É verdade que os crentes de
Corinto (em referência aos quais Pau- Comete-se um grande engano ao
lo utilizou esta expressão; ver 1 Co atribuir ao “discipulado” a culpa deste
3.1-3) agiam “segundo os homens”, problema. Em muitas igrejas, di-
em sua atitude de divisão. Os crentes reciona-se todo objetivo e esforço
sujeitam-se a tropeçar e cair em pe- para discipular o novo convertido, e
cado que não seja imperdoável. os números permanecem inalterados.
Entretanto, com certeza Paulo Certa igreja procurou integrar todas
suspeitava que alguns da igreja de as pessoas que foram registradas co-
Corinto eram incrédulos, visto que mo novos convertidos de uma cruzada
posteriormente ele os advertiu sobre evangelística promovida por um fa-
esta possibilidade em 2 Coríntios moso evangelista internacional. O
12.20-13.5. Um estado permanente pastor que coordenava essa atividade
de carnalidade e falta de arrependi- relatou que nenhuma delas quis con-
mento é, antes de mais nada, a própria versar sobre como crescer na vida
descrição de uma pessoa não-regene- cristã. Ele disse: “Elas fugiram de
rada (Rm 8.5-14; 1 Jo 3.4-10, etc.). nós!
Ao chamar alguns de “carnais”, Pau- Conheço algumas igrejas que rea-
lo não preten- lizam esforços
dia afirmar que g extremos a fim
aceitava como
característico Para alguns, comprometer- de integrar os
novos crentes.
do cristão um se significa vir aos cultos Isto é louvável,
estilo de vida de vez em quando; para mas, assim co-
que, com clare- mo outras, tais
za, ele des- outros, a vida cristã igrejas obtêm
creveu como consiste em uma farisaica pouquíssimo
peculiar aos in- e estéril ida à igreja resultado.
crédulos, em Aprenderam a
outras passa- cada domingo. aceitar o fato
gens bíblicas. g de que as pes-
Nesta mesma soas que decla-
epístola, Paulo escreveu: “Ou não ram ser crentes precisam ouvir a res-
sabeis que os injustos não herdarão o peito de progredirem na vida cristã e
reino de Deus? Não vos enganeis” (1 de que muitos, talvez a maioria, sim-
Co 6.9-1 1). Aparentemente, havia plesmente não se importam com isso.
algumas pessoas, mesmo naquela Os verdadeiros crentes podem ser
época, que estavam enganadas ao pen- discipulados, pois têm o Espírito San-
sarem que realmente poderia ser to, através do qual eles clamam:
crente um homem ou uma mulher “Aba, Pai” (Rm 8.15). Entretanto,
injustos! não podemos discipular uma pessoa
4 Fé para Hoje

que está espiritualmente morta. lho de Deus. Somos incapazes de ti-


Pregar a regeneração, explican- rar a salvação dos verdadeiros cren-
do suas evidentes características, foi tes.
o âmago do Grande Despertamento. É verdade que existem aqueles
J. C. Ryle, ao escrever sobre os pre- que se mostram excessivamente es-
gadores do avivamento do século crupulosos e desanimados por tal
dezoito, afirmou que nenhum deles, averiguação. No entanto, muitos são
por um momento sequer, acreditava autoconfiantes e fundamentaram sua
ter ocorrido verdadeira conversão, se segurança de salvação em alicerces
não era acompanhada de santidade tolos, tal como o proferir correta-
pessoal. Esse tipo de pregação foi a mente a “oração do pecador”. Ensino
matéria-prima da maioria das men- paciente e atenção ajudarão a vencer
sagens de avivamento, em toda a as dúvidas, se eles foram verdadeira-
história dos avivamentos. Somente mente regenerados. Jamais esque-
uma tão poderosa mensagem pode çamos que pessoas quietas e sensíveis
despertar aqueles que estão dormin- também podem ser enganadas.
do em Sião. Em segundo, temos de pregar
sobre o assunto do pecado persisten-
te entre os membros de nossas igrejas,
ENFRENTANDO O PROBLEMA
incluindo o pecado de faltar às reu-
O que precisa ser feito? Propo- niões da igreja. Para fazer isto, pre-
nho cinco atitudes. Primeiramente, cisamos restabelecer a desprezada
temos de pregar e ensinar a respeito prática de disciplina na igreja. Cada
deste assunto. Todos os autores do igreja deve ter estatutos que estabe-
Novo Testamento escreveram sobre lecem o que acontecerá ao membro
a natureza do engano. Algumas epís- que cai em pecado, incluindo o pe-
tolas abordam com mais abrangência cado de não participar dos cultos.
o assunto. O próprio Senhor Jesus Todas as pessoas na igreja, bem como
falou abundantemente sobre o verda- os novos membros, devem familia-
deiro e o falso, dando importante rizar-se com os passos bíblicos para
atenção ao fruto que se encontra no a disciplina na igreja. Jesus asseve-
verdadeiro crente (Jo 10.26-27; Mt rou que, se uma pessoa for disci-
7.21-23; 25.1-13). Se de início isto plinada com amor e firmeza e deixar
causar dúvidas nas pessoas, não de- de se arrepender, deve ser considera-
vemos considerar esta reação de da como um “gentio e publicano”
maneira negativa. Um amigo disse- (Mt 18.15-17). Embora Davi tenha
me: “As dúvidas jamais levam cometido pecados terríveis, ele se
alguém para o inferno, mas o enga- arrependeu de coração (ver 2 Sm
no sempre o faz”. As pessoas escla- 12.13; Sl 51). Todo cristão é um
recerão suas dúvidas, se continuar- pecador que se arrepende durante
mos a pregar a verdade. Todas as toda a sua vida, e a disciplina da igreja
dúvidas não procedem de Satanás, ao ressalta este fato.
contrário da opinião popular. Temos Precisamos visitar todos os mem-
de ensinar verazmente todo o conse- bros de nossas igrejas, procurando ou
AVIVAMENTO E MEMBROS DE IGREJA NÃO-REGENERADOS 5

trazê-los a Cristo ou, com ousadia, mitir que a convicção desempenhas-


libertá-los para o mundo, que eles se um grande papel na conversão.
amam mais do que a Cristo. Esta é a Eles não precisavam de qualquer mu-
atividade básica do ministério pasto- leta para o evangelho, mas confiavam
ral. na Palavra pregada e no Espírito San-
Nunca devemos arrancar o supos- to. O grande batista, Charles H.
to joio do meio do trigo (Mt 13. Spurgeon, por exemplo, contemplou
24-30; 36-40), como se tivéssemos milhares de pessoas se convertendo
absoluto conhecimento. Podemos es- sem utilizar aquele método de evan-
tar enganados. Todavia, disciplina gelismo. A própria mensagem que ele
amável na igreja é um cuidadoso pro- pregava era seu convite.
cesso por meio do qual o pecador Não temos necessidade de melho-
não-regenerado exclui a si mesmo da res métodos a fim de conseguirmos
comunhão, devido a sua resistência que as pessoas venham à frente, e sim
à correção. A igreja foi estabelecida mais unção em nossas mensagens.
para santos que se arrependem e não Você não pode afastar de Cristo os
para pecadores rebeldes. pecadores, quando Deus os está tra-
Em terceiro, devemos ser mais zendo a Ele (cf. Jo 6.37). Em uma
cuidadosos na questão de receber pes- época em que 70 a 90% daqueles que
soas na membresia da igreja. Em respondem ao evangelho demonstram
minha opinião, pouca evidên-
o apelo público g cia de serem
convidando o salvos, após as
pecador a vir à O próprio Senhor Jesus primeiras se-
frente (uma in- falou abundantemente sobre manas ou me-
venção moder- o verdadeiro e o falso, ses de impulsos
na) com fre- emo ci o n ai s,
qüência colhe dando importante devemos fazer
frutos prema- atenção ao fruto que algumas per-
turamente. Nós se encontra no guntas. Se for
o utilizamos possível, es-
por causa de verdadeiro crente. queça o fato de
nosso zelo ge- g que não existe
nuíno para ver qualquer prece-
os perdidos se converterem. Embora dente bíblico para esta realidade; ape-
isto seja sagrado entre os batistas, um nas considere esta questão de maneira
estudo cuidadoso deve ser feito no que pragmática.
concerne ao seu uso na evangelização. Ainda, precisamos seguir regras
Durante dezoito séculos, a igreja cris- mais cuidadosas em relação àqueles
tã não utilizou este método, até que que se tornam membros de nossas
seu principal criador, Charles Finney, igrejas. Devemos abandonar a impru-
promoveu suas “novas medidas”. Ao dente atitude de receber novos mem-
contrário disso, os batistas daquela bros imediatamente após eles virem
época demonstravam o intuito de per- à frente. E mais diligente pondera-
6 Fé para Hoje

ção tem de ser realizada no que con- namos o arrependimento constante-


cerne à conversão de crianças. Uma mente esquecido nas pregações do
grande porcentagem da profissão de evangelho ou a compreensão de que
fé das crianças se desvanece mais tarde o arrependimento significa apenas
na adolescência ou nos anos de uni- “admitir que você é um pecador”.
versidade (quanto mais independente “Convidar Cristo para entrar em seu
elas se tornam, tanto mais demons- coração”, uma expressão que jamais
tram sua verdadeira natureza). encontramos na Bíblia (estude o con-
Em quarto lugar, temos de ces- texto de João 1.12 e Apocalipse 3.20),
sar de imediatamente assegurar tem ocupado o lugar da doutrina bí-
salvação à pessoa que se converteu. blica da justificação pela fé. A doutri-
É tarefa do Espírito Santo outorgar na do julgamento divino é raramente
segurança de salvação. Devemos ofe- apresentada com cuidado, e dificil-
recer ao convertido as bases sobre as mente ouvimos sobre a cruz em toda
quais esta segurança está fundamen- sua abrangência. Apenas ler os títu-
tada, e não a própria segurança. A los de sermões ministrados por prega-
este respeito, estude 1 João. Quais dores de épocas de avivamento cau-
coisas foram escritas para que os cren- saria surpresa em muitos pastores mo-
tes soubessem que possuíam a vida dernos.
eterna (1 Jo 5.13)? Resposta: os tes-
tes apresentados na epístola.
Por último, temos de restaurar a SAUDÁVEL OU ENVERGONHADO?
sã doutrina. Um avivamento, desco-
bri enquanto estudava sua história, é Que tipo de exército você gosta-
uma restauração do ensino do evan- ria de possuir? O primeiro ou o se-
gelho. As três principais doutrinas gundo exército de Gideão? Nenhu-
que freqüentemente têm se revelado ma igreja ou denominação pode de-
em avivamentos são a soberania de clarar-se saudável, se não tem mais
Deus na salvação, a justificação pela pessoas vindo às reuniões regulares
graça mediante a fé e a regeneração do que as registradas em seus livros
com seus frutos visíveis. Um aviva- de membros. Este é um padrão ob-
mento é Deus se revelando, mas a servado pela maioria dos homens do
bênção da presença dEle é diretamente mundo, bem como por nossos ante-
afetada por aquilo que nós cremos. passados. Teríamos o avivamento que
Com freqüência Ele se manifesta no desejamos, se reconhecêssemos nos-
contexto das grandes doutrinas pre- sas falhas como igrejas e deno-
gadas com a unção do Espírito Santo, minação, humildemente curvássemos
de maneira penetrante e fiel. nossas cabeças e procurássemos cor-
Citando um exemplo de nossa rigir este terrível obstáculo que im-
atitude de reduzir doutrinas, mencio- pede a bênção de Deus.
O DECLÍNIO DA PREGAÇÃO CONTEMPORÂNEA 7

A CENTRALIDADE DA CRUZ
James Montgomery Boyce

S e a morte de Cristo na cruz é A ressurreição não é apenas uma vi-


o verdadeiro significado de sua tória sobre a morte, mas também uma
encarnação, não existe evangelho prova de que a expiação foi sa-
sem a cruz. O nascimento de Cristo, tisfatória aos olhos do Pai (Rm 4.25)
por si mesmo, não é a essência do e de que a morte, o resultado do pe-
evangelho. Mesmo a ressurreição, cado, foi abolida por causa desta sa-
embora seja importante no plano ge- tisfação.
ral da salvação, não é o cerne do Qualquer evangelho que procla-
evangelho. As boas-novas não con- ma somente a vinda de Cristo ao
sistem apenas no fato de que Deus se mundo, significando a encarnação
tornou homem, ou de que Ele falou sem a expiação, é um falso evange-
com o propósito de revelar-nos o ca- lho. Qualquer evangelho que pro-
minho da vida, ou de que a morte, o clama o amor de Deus sem ressaltar
grande inimigo, foi vencida. As boas- que seu amor O levou a pagar, na
novas estão no fato de que Deus lidou pessoa de seu Filho, na cruz, o preço
com nosso pecado (do que a ressur- final pelos nossos pecados, é um fal-
reição é uma prova); que Jesus sofreu so evangelho. O verdadeiro evan-
o castigo como nosso Representante, gelho é aquele que fala sobre o “úni-
de modo que nunca mais tenhamos co Mediador” (1 Tm 2.5-6), que
de sofrê-lo; e que, por isso mesmo, ofereceu a Si mesmo por nós.
todos os que crêem podem antegozar E, assim como não pode haver
o céu. Gloriar-se na Pessoa e nos en- um evangelho que não apresenta a
sinos de Cristo somente é possível expiação como o motivo para a en-
para aqueles que entram em um novo carnação, assim também sem a ex-
relacionamento com Deus, por meio piação não pode haver vida cristã.
da fé em Jesus como seu Substituto. Sem a expiação, o conceito de en-
8 Fé para Hoje

carnação facilmente se degenera num uma grande casa, carros novos, rou-
tipo de deificação do homem, levan- pas finas e boas férias, ou com uma
do-o a arrogância e auto-exaltação. boa formação educacional, ou com a
E além disso, com a expiação (ou riqueza espiritual de boas igrejas,
sacrifício) como a verdadeira men- Bíblias, ensino correto das Escritu-
sagem da vida de Cristo e, por con- ras, amigos ou uma comunidade
seguinte, também da vida do cristão, cristã. Pelo contrário, a vida cristã
quer homem ou mulher, esta deverá envolve a conscientização de que ou-
conduzi-lo à humildade e ao auto-sa- tros carecem de tais coisas; portanto,
crifício em favor das reais neces- precisamos sacrificar nossos própri-
sidades de outros. A vida cristã não os interesses, para nos identificarmos
demonstra indiferença àqueles que com eles, comunicando-lhes cada vez
estão famintos e doentes ou têm qual- mais a abundância que desfruta-
quer outra dificuldade. A vida cristã mos...Viveremos inteiramente para
não consiste em contentar-nos com Cristo somente quando estivermos
as coisas que temos, ou com um vi- dispostos a empobrecer, se necessá-
ver da classe média, desfrutando de rio, para que outros sejam ajudados.

O DILÚVIO - POR QUÊ?


Martinho Lutero

O dilúvio veio, não porque a raça cananita havia se torna-


do corrupta, mas porque a raça dos justos que cria em Deus,
obedecia sua Palavra e observava o verdadeiro culto a Ele ha-
via caído em idolatria, desobediência aos pais, prazeres sensuais
e a prática da opressão. De forma similar, a vinda do último dia
será apressada, não por causa dos pagãos, os turcos, ou os ju-
deus que são ímpios, mas porque o papa e os fanáticos da própria
igreja se tornaram cheios de erro e porque até mesmo aqueles
que ocupam posições de liderança na igreja são licenciosos,
cheios de concupiscência e tirania.
Isto deve gerar temor em todos nós, porque mesmo aqueles
que nasceram dos mais excelentes patriarcas, começaram a se
tornar cheios de si e se afastaram da Palavra. Eles glorificaram
sua própria sabedoria e justiça, assim como os judeus o fizeram
com a circuncisão e com seu pai Abraão. De forma semelhante,
depois que abandonaram o conhecimento de Deus, a Palavra e
o culto a Deus, os papas começaram a transformar suas distin-
ções eclesiásticas em luxúria carnal. Embora a igreja romana
tenha, no passado, sido verdadeiramente santa e adornada com
os mais destacados mártires, hoje nós vemos a que profundeza
ela caiu.
A EDUCAÇÃO DOS MEUS FILHOS 9

A EDUCAÇÃO DOS MEUS FILHOS


4
À influência intencional e sis- meira parte, procura responder a per-
temática sobre o ser juvenil, com o gunta “quem é responsável pela
propósito de formá-lo e desenvolvê- educação de meus filhos?” e foi ori-
lo, denominamos educação. Ela é ginalmente escrita pelo Dr. Paulo
parte integrante essencial da vida do César Moraes de Oliveira. A segun-
homem e da sociedade e existe desde da parte reúne diversos argumentos
quando há seres humanos sobre a ter- em resposta à pergunta “Por que a
ra. A educação cristã tem por objetivo escola evangélica?”
proporcionar ao educando não ape- Nosso objetivo em trazer nova-
nas a obtenção de conhecimentos va- mente à lume estes dois singelos tex-
riados uns dos outros e da sua pró- tos é que possamos examinar as nos-
pria constituição física e moral, mas sas responsabilidades como crentes e
também conceder uma visão integra- fazer muito mais do que temos feito
da e coerente de vida, relacionada no sentido de promover os princípi-
com o Criador e com os Seus propó- os bíblicos na educação dos filhos, e
sitos.1 Isto só será uma realidade se fomentar a promoção e disseminação
as mentes forem formadas pelos en- da verdadeira educação cristã.
sinos das Santas Escrituras, ou seja,
em que os preceitos do Senhor sejam
I - QUEM É RESPONSÁVEL PELA
a base para a educação. É o temor do
EDUCAÇÃO DE MEUS FILHOS?
Senhor o princípio da sabedoria!
O presente artigo reproduz, na A educação e a formação acadê-
verdade, o conteúdo de dois folhetos mica tornaram-se uma constante
anteriormente publicados pela Edito- preocupação de pais, em sua luta por
ra Fiel. Eles se apresentam na forma garantir aos filhos um lugar adequa-
de duas importantes perguntas no do na sociedade. Diante de uma va-
tocante à educação dos filhos. A pri- riedade de filosofias educacionais, os
10 Fé para Hoje

pais se vêem muitas vezes confusos nhor Jesus Cristo nestes termos: “E
em relação ao melhor caminho a se- crescia Jesus em sabedoria, estatura
guir. Fortes correntes educacionais e graça, diante de Deus e dos homens”
têm criado grande impacto não so- (Lucas 2.52).
mente nas salas de aula, mas também Verificamos que Jesus se desen-
em muitos lares conscientes de que a volvia intelectualmente (em sabe-
educação familiar é o alicerce para o doria), fisicamente (em estatura), es-
desenvolvimento acadêmico da cri- piritualmente (em graça diante de
ança. Embora a discussão destas fi- Deus) e socialmente (em graça dian-
losofias educacionais vá além dos li- te dos homens). São estas as quatro
mites deste ar- áreas específi-
tigo, cabe men- g cas a serem fo-
cionar que a fi- calizadas no pro-
losofia huma- Deus e seus princípios cesso de cria-
nista, que con- não devem ser somente ção dos filhos.
sidera o ho- uma área a mais no O desenvolvi-
mem o centro mento sadio,
do universo e desenvolver da criança, consistente e
deriva toda sua mas a base através equilibrado de
temática do pen- da qual tudo deve ser visto uma criança
samento huma- não será com-
no, tornou-se a e avaliado. pleto, se uma
base dos diver- g destas áreas for
sos movimen- negligenciada.
tos educacionais que vêm ganhando Cultivar estas áreas de crescimento
ímpeto neste século. na vida dos filhos é levá-los a atingir
Entretanto, para os pais que têm a maturidade, a ponto de se torna-
suas vidas governadas pelos princí- rem obreiros aprovados, capacitados
pios das Escrituras Sagradas, a filo- a fazer a vontade de Deus e, assim,
sofia educacional a ser seguida é cla- glorificá-Lo.
ra: “E vós, pais, não provoqueis vos- O princípio vital para que a cria-
sos filhos à ira, mas criai-os na disci- ção de filhos se realize biblicamente
plina e na admoestação do Senhor” é que a desafiadora e importante ta-
(Efésios 6.4). refa de criar os filhos é responsa-
Neste texto, o verbo criar (no bilidade exclusiva dos pais. A nin-
grego) se refere a cuidar e nutrir com guém será pedido contas a respeito
um foco específico na criação de fi- da criação de filhos exceto aos pais,
lhos. Este cuidar compreende a edu- a quem Deus explicitamente ordenou
cação desde a infância até à maturi- que criassem e se responsabilizassem
dade, isto é, o completo desenvol- pelo desenvolvimento de seus filhos.
vimento do ser humano, abrangendo Embora outros venham a influ-
todas as dimensões de sua pessoa. enciar o seu desenvolvimento, cabe
Lucas refere-se a estas dimensões em aos pais filtrar esse fluxo de influên-
relação ao desenvolvimento do Se- cias, pois o processo de criação como
A EDUCAÇÃO DOS MEUS FILHOS 11

um todo é responsabilidade exclusi- ra ordenada por Deus para a criação


va deles. Essa tarefa, ordenada por de filhos e que se distingue claramente
Deus, é grandiosa e difícil, porém dos padrões seculares. Muitos lares
perfeitamente viável, pois Aquele que cristãos aderem a uma mistura de
a ordenou também fornece os meios padrões seculares com verdades
com os quais realizá-la. Deus não bíblicas, na esperança de que estas
somente ordena que criemos nossos prevaleçam; contudo, o modo de
filhos, mas também que o façamos educar ordenado por Deus é claro, e
na disciplina e admoestação do Se- sua adulteração, por mínima que se-
nhor. ja, compromete os resultados.
Nosso segundo princípio é que a Considerando esses dois princí-
criação dos filhos em sua totalidade pios — os pais são responsáveis pela
deve ser de acordo com a Palavra de educação de seus filhos até a sua ma-
Deus, sendo o objetivo maior que a turidade, e esta educação tem de ser
criança seja transformada segundo a de acordo com a Palavra — podemos
imagem de Cristo e chegue à sua es- concluir que qualquer pessoa ou en-
tatura. No decorrer desta criação tidade que colabore na criação e
almeja-se que a criança se desenvol- educação de filhos deva fazê-lo con-
va com uma perspectiva bíblica que forme a instrução dada aos pais, isto
abranja todas as áreas de sua vida. é, na disciplina e admoestação do
Deus e seus princípios não devem Senhor.
ser somente uma área a mais no de- Assim sendo, perguntemo-nos:
senvolver da criança, mas a base estarão nossos filhos sendo ensinados
através da qual tudo deve ser visto e por educadores que possuem o mes-
avaliado. Isso implica que, ao longo mo objetivo que o nosso, isto é,
do processo educacional, tanto o en- transformá-los segundo a imagem de
sino de preceitos morais quanto de Cristo? Há consistência entre aquilo
História, Matemática, Estudos Soci- que ensinamos a nossos filhos e o que
ais e demais matérias devem ser eles estão aprendendo na sala de aula?
efetuados de uma perspectiva bíbli- Existe entre nosso lar e a escola uma
ca. Só assim a criança obterá uma disputa de interesses, princípios e ob-
compreensão completa e coerente da jetivos? É sempre Cristo o centro na
interação entre Deus, o homem e o criação dos nossos filhos? Estarão
universo. É apto para essa tarefa so- nossos filhos aprendendo que só existe
mente o educador cristão com um um Deus que nos ensina como avali-
ponto de referência absoluto para dis- ar todas as coisas ou estarão apren-
tinguir o certo e o errado, a perce- dendo que existem várias alternati-
pção correta da depravação total do vas dentre as quais podem livremente
homem e da soberania de Deus. escolher? Sem dúvida, tal inconsis-
Assim, cada aspecto da criação tência causa enormes danos em
dos filhos tem de ser arraigado em muitos lares cristãos onde o maior
princípios bíblicos para que frutifi- perdedor será nosso filho, que se vê
que em louvor e glória Àquele que em conflito diante de objetivos anta-
criou todas as coisas. Esta é a manei- gônicos. Crianças estão convivendo
12 Fé para Hoje

com essa duplicidade de enfoque que PORQUE uma escola secular não
os enfraquece e os limita em um de- encoraja, nem mesmo pode encora-
senvolvimento completo, coerente e jar um estudante a amar ao Senhor
que glorifica a Deus. de toda a sua mente.
PORQUE o temor ao Senhor, que
é o princípio da sabedoria e do co-
II - POR QUE A ESCOLA EVANGÉ-
nhecimento, não é ensinado nas es-
LICA?
colas seculares, mas, antes, é cuida-
PORQUE... dosamente rejeitado.
Jesus Cristo deve receber a pree- PORQUE Satanás, que é o enga-
minência em todas as coisas, in- nador, um mentiroso voluntário, o
clusive, necessariamente, na educa- príncipe deste mundo maligno, con-
ção dos estudantes. trola a educação secular, utilizando-a
PORQUE Jesus Cristo é a chave como uma das principais armas con-
da educação, visto que nEle estão tra as verdades do cristianismo.
ocultos todos os tesouros da sabedo- PORQUE a educação secular está
ria e do conhecimento. alicerçada exclusivamente sobre a
PORQUE a educação deve ser razão humana, ao passo que a educa-
Cristocêntrica, porquanto educação ção evangélica está baseada sobre a
que omite Deus, ou que não lhe con- revelação divina.
fere o merecido lugar, não O honra. PORQUE as escolas seculares não
PORQUE uma escola genuinamen- ensinam a depravação da natureza
te evangélica fornece uma sã educação humana, mas, antes, educam os es-
acadêmica, integrada com a Palavra tudantes com base no conceito de
de Deus, onde o propósito mais ele- que o homem é um ser bom por na-
vado da vida é a honra e glória do tureza.
Senhor. As escolas seculares, por PORQUE a teoria da evolução é
outro lado, não ensinam um sistema uma mentira, e nenhum sistema edu-
de valores coerente com a Bíblia. cacional baseado nela pode primar
PORQUE é a Bíblia que fornece pela verdade.
uma perspectiva verdadeira que deve PORQUE não existe tal coisa como
moldar o estilo de vida do estudante, temas seculares, visto que toda a ver-
bem como seus conceitos sobre Deus, dade deriva-se de Deus.
o homem e o mundo. PORQUE os seríssimos problemas
PORQUE existem muitas diferen- das drogas, da imoralidade, do des-
tes filosofias de vida, mas somente o respeito às autoridades, da ausência
cristianismo é a verdadeira filosofia, de disciplina pessoal e dos baixos ní-
porquanto Deus ordenou que todo o veis acadêmicos estão em ascensão na
pensamento seja cativo à obediência maioria das escolas seculares, e essas
a Jesus Cristo. escolas não sabem como solucionar
PORQUE a filosofia de vida cristã tais problemas.
e a filosofia de vida secular estão em PORQUE uma escola genuinamen-
conflito uma com a outra, sendo im- te evangélica ensina os estudantes a
possível harmonizá-las entre si. respeitarem os líderes do governo,
A EDUCAÇÃO DOS MEUS FILHOS 13

orando por todos quantos se acham posição é comunicada aos estudantes.


em posição de autoridade. Essa ati- PORQUE a maneira de pensar do
tude enfatiza a relação que existe entre professor tem sido distorcida pelo pe-
o respeito e a obediência às pessoas cado, e, a menos que se trate de uma
investidas em posições de autoridade pessoa regenerada, a sua compreen-
e o respeito e a obediência a Deus. são sobre o verdadeiro significado dos
PORQUE os padrões de moralida- fatos está distorcida, pois sua mente
de devem alicerçar-se somente sobre se acha em trevas.
a Bíblia e não sobre situações éticas PORQUE os professores de uma
como as escolas seculares ensinam. escola genuinamente evangélica de-
PORQUE as atividades das esco- dicam tempo para ajudarem os seus
las seculares pertencem exclusivamen- alunos, interessando-se por eles e
te a este mundo, excluindo Deus e os aconselhando-os de uma maneira
seus caminhos. sempre coerente com o ponto de vis-
PORQUE os alunos de uma escola ta cristão a respeito da vida.
evangélica são ensinados a percebe- PORQUE os filhos são primaria-
rem a relação que há entre a Bíblia e mente responsabilidade dos pais e não
a totalidade da vida e do processo de do Estado, portanto compete aos pais
aprendizado. considerar a obrigação de oferecer
PORQUE uma escola genuinamen- uma educação cristã a seus filhos.
te evangélica ensina aos estudantes DAÍ a necessidade de uma escola
que todas as suas aptidões derivam- evangélica.
se de Deus, devendo serem usadas Se acreditamos nestas afirma-
tendo em vista a honra do Senhor. ções, devemos orar por mais escolas
PORQUE não há tempo, nem con- genuinamente evangélicas no Brasil,
dições suficientes, quer no culto do- sobretudo por uma U NIVERSIDADE
méstico, quer nas igrejas, para com- EVANGÉLICA, que vivam estas afirma-
bater todas as influências adversas de ções.
uma educação secular.
PORQUE não existe professor es-
colar totalmente neutro, que não
promova nem iniba as questões reli- 1
Recomendamos a leitura do livrete
giosas, porquanto, ainda que indi- Educação Cristã, F. Solano Portela
retamente, de alguma maneira, sua Neto, publicado pela Editora Fiel.

Tocamos em poucas coisas, mas deixamos


sempre as impressões digitais.
Richard Baxter
14 Fé para Hoje

MENTIRAS, MENTIRAS, MENTIRAS


Les Walthers

Mentiras, mentiras, mentiras. Todos os dias estamos sendo bom-


bardeados por um crescente número de mentiras. Por que em nossos dias
a atitude de mentir se tornou tão comum? Daniel Webster (1792-1852) se
referiu a esta questão da seguinte maneira: “Se a verdade não for difundi-
da, o erro o será. Se Deus e sua Palavra não se tornarem conhecidos e
forem aceitos, o diabo e sua obra ganharão ascendência. Se a verdade
evangélica não alcançar todos os lugares, a literatura imoral e corrupta o
fará. Se o poder do evangelho não for sentido em todos os cantos de nosso
país, a imoralidade e as trevas reinarão”.
Por que existe tanta corrupção, trevas e mentiras? A resposta não é
complicada; de fato, é bem simples, mas bastante profunda. A mentira se
tornou tão comum porque a verdade de Deus não tem sido fielmente
proclamada. A triste realidade é que tem havido ampla rejeição de Deus e
sua Palavra. Sempre houve e continua havendo um resoluto, firme e cons-
tante esforço para remover Deus e sua verdade dos pensamentos e da
consciência dos homens. Não sejamos tão néscios, ao ponto de imaginar
que tais esforços não trazem conseqüências drásticas. A mais terrível das
conseqüências é esta: “Luz rejeitada torna-se trevas”.
O fato mais terrível é que os homens que não conhecem e não obede-
cem a Deus preferem ouvir e acreditar na mentira. Não desejam ouvir a
verdade, porque esta lhes aflige a consciência, deixando-os inquietos. Na
realidade, ouvir a verdade os faz sentirem-se miseráveis. Eles querem
antes acreditar na mentira de que a criança ainda no ventre de sua mãe é
apenas um “conjunto de tecidos fetais”. Isso resulta em que o aborto não
é considerado um assassinato. Os homens preferem dar ouvidos à mentira
de que a homossexualidade é um “estilo de vida” e não algo abominável
aos olhos de Deus; acham melhor ouvir que não são responsáveis por seus
próprios atos. Ouvir que um dia os homens prestarão conta de seus atos
deixa-os muitíssimo perturbados. Eles não querem escutar a verdade so-
bre Deus, sobre seus pecados e o juízo vindouro. Em ampla escala, nossa
sociedade tem rejeitado Deus e sua Palavra. Os homens têm recusado a
verdade em um esforço para viverem confortavelmente em seus pecados.
Existe remédio para esta situação? Sim, encontra-se nestas palavras
do apóstolo Paulo: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo
que o homem semear, isso também ceifará”. Os homens não devem pen-
sar que podem semear rebeldia contra Deus e sua Palavra, sem colher
mentiras, corrupção e trevas. Se tem de acontecer uma diminuição no
bombardeio de mentiras, trevas e corrupção de nossos dias, esta diminui-
ção será realizada através de nos rendermos completamente a Deus e à sua
Palavra. O povo de Deus não deve desfalecer, enquanto permanece firme
contra a onda de mensagens corruptas que, sem restrições, está sendo
propagada por intermédio da mídia. O povo de Deus tem de proclamar,
viver e promover a verdade.
ABNEGAÇÃO: UM ELEMENTO NA ADORAÇÃO 15

ABNEGAÇÃO:
UM ELEMENTO NA ADORAÇÃO
George H. Morrison

Tributai ao SENHOR a glória devida ao seu nome; trazei


oferendas e entrai nos seus átrios.
(Salmo 96.8)

N a adoração pública, há certas ração. Sem estes elementos, uma pes-


exigências solicitadas de todo ado- soa pode vir à igreja e retirar-se “da
rador. Existem determinados ele- maneira como entrou”.
mentos que precisam estar presentes, Existe outro elemento, igualmen-
para que a adoração seja realizada em te importante, que com freqüência é
espírito e em verdade. Por exemplo, ignorado — a abnegação. Todos ad-
existe o sentimento de gratidão pela mitimos que a adoração demanda
bondade de Deus para conosco, dia louvores a Deus, mas também deve-
após dia. Há também o sentimento mos lembrar que a adoração exige
de necessidade espiritual e o reconhe- que nos neguemos a nós mesmos.
cimento de que ninguém, exceto Muitas pessoas consideram a adora-
Deus, pode satisfazer essa necessida- ção uma alegria; porém, ela é muito
de. Existe o sentimento de que somos mais do que uma alegria, é um de-
devedores a Cristo, que nos amou e ver. Quando a entendemos correta-
a Si mesmo se entregou por nós; em mente, a adoração é um dever que
cuja morte está nossa única esperan- possui uma natureza tão sublime e
ça e cujo Espírito é nossa única força. sobrenatural, que realizá-la correta-
Todos esses elementos precisam es- mente é impossível, exceto quando
tar juntos e mesclados, para que a existe certa medida de sacrifício pes-
nossa adoração seja verdadeira ado- soal. Seguindo este conceito, dis-
16 Fé para Hoje

correrei sobre o elemento de sacrifí- parte dos crentes, que Paulo falou
cio na adoração. Desejo insistir com sobre o triunfo da ressurreição e, em
você no fato de que adorar a Deus seguida, parecendo inconsciente da
tem sempre de exigir abnegação. mudança de assunto, acrescentou:
Considerando o assunto desta manei- “Quanto à coleta para os crentes…”
ra, minha oração é que nossa adora- Ora, enquanto todas as ofertas
ção se torne algo nobre e escapemos dos crentes eram aceitáveis a Deus e
da leviandade em relação a ela, a le- traziam bênção aos ofertantes, desde
viandade tão prevalecente e per- tempos remotos os homens espirituais
niciosa. sentiam que o verdadeiro ofertar tinha
de envolver o negar-se a si mesmo.
Lembramos o repúdio de Davi contra
CONTRIBUIR NA ADORAÇÃO
a atitude de oferecer a Deus algo que
Primeiramente, o elemento de nada lhe custaria (2 Sm 24.24). Esse
sacrifício pode ser visto na questão comportamento do rei Davi, em meio
de ofertar dinheiro. “Trazei oferendas a todas as suas falhas, revela seu
e entrai nos seus átrios.” Nenhum caráter centralizado em Deus. E le-
judeu vinha adorar com as mãos mos a respeito do Senhor Jesus e de
vazias. Ofertar de seus bens era uma seu julgamento referente à oferta da
parte de sua adoração. Dos treze co- viúva e às riquezas que Ele encontrou
fres que havia no tesouro do templo, em tal oferta, porque houve abne-
quatro eram para as ofertas volun- gação no ofertá-la. Foi um mara-
tárias do povo. Esse espírito nobre vilhoso clamor que brotou dos lábi-
da adoração no Antigo Testamento os de Zaqueu, quando ele se en-
passou à adoração realizada pela controu face a face com o Senhor
igreja e foi gran- Jesus. Ele cla-
demente inten- g mou olhando pa-
sificada e apro- A adoração é um dever ra Jesus: “Se-
fundada pelo
novo conceito que possui uma natureza nhor, resolvo
dar aos pobres a
do sacrifício de tão sublime e sobrenatu- metade dos me-
Cristo. “Graças ral, que realizá-la us bens” (Lc 19.
a Deus pelo seu 8). Zaqueu sem-
dom inefável!” corretamente é impossível, pre havia ofer-
— este senti- exceto quando existe tado de confor-
mento era a mo- certa medida de midade com sua
la mestra da li- maneira judaica
beralidade cris- sacrifício pessoal. de fazê-lo. Ele
tã. O sublime g nunca entrara no
pensamento a templo sem le-
respeito de tudo que Cristo havia dado var uma oferta; mas agora, ao con-
estimulava até os mais pobres a templar Jesus, sentiu que nunca
ofertarem. Este pensamento san- poderia dar o bastante.
tificou de tal maneira o ofertar por Irmãos, esta é a característica
ABNEGAÇÃO: UM ELEMENTO NA ADORAÇÃO 17

distintiva da oferta cristã: ela alcança em rituais de adoração. Podemos


a abnegação. Você pode contribuir deduzir que desde a sua juventude ele
como cidadão e nunca sentir essa jamais havia adorado a Deus ofe-
característica; mas não penso que você recendo alguma coisa que não lhe
pode ofertar como cristão e deixar de custasse nada. Ele trouxera suas
experimentá-la. Não penso que po- ofertas, pagando por elas, e negara
demos ofertar no mesmo espírito de algo a si mesmo, de modo que pu-
Jesus, até que, assim como Ele, nossa desse comprá-las. O Deus que Davi
abnegação seja atingida, até que o encontrara, enquanto pastoreava seus
amor de Cristo nos constranja a al- rebanhos, não era um Deus que de-
gum sacrifício, assim como O com- veria ser adorado sem custo algum.
peliu ao maior de todos os sacrifí- Em seguida, Davi subiu ao tro-
cios. no, ocorreu sua queda e a terrível de-
Com seriedade, perguntemos a vastação de seu caráter real; e ele
nós mesmos: o nosso ofertar já descobriu que todo o sangue de bo-
chegou ao ponto de envolver sacri- des não poderia torná-lo um ver-
fício? Temos negado a nós mesmos dadeiro adorador novamente. “Os
alguma coisa, para que tenhamos sacrifícios agradáveis a Deus são um
condições de trazer oferendas aos espírito quebrantado, um coração hu-
átrios de Deus? milhado e contrito”. Ainda que ele
Somente assim o ofertar é uma desse seu reino como oferta, não seria
alegria e nos aproximará mais de um adorador aceitável a Deus. Ele
Cristo; somente assim o ofertar será tinha de entregar a si mesmo como
um dos meios da graça, tão espiritual uma oferta a Deus; pois, do contrário,
e fortalecedor quanto a oração. não seria um adorador aceitável. Davi
Agora aprofundemo-nos um tinha de negar a si mesmo e suas con-
pouco mais; pois gradualmente, à cupiscências; precisava abandonar seu
medida que nos tornamos mais es- orgulho e arrepender-se; pois, doutro
pirituais, o conceito de renúncia modo, toda a sua adoração seria uma
própria também se aprofunda em zombaria e o santuário, um lugar de
nós. Apenas trazer uma oferta em esterilidade para ele. Desde o início
suas mãos não era o suficiente para ele sabia que adorar significava
uma pessoa que vinha adorar a Deus. renunciar.
Lentamente foi gravado na mente dos Seu pensamento de renúncia
judeus o fato de que a verdadeira ofer- própria aprofundou-se. Ele reco-
ta estava no coração. E não existe nheceu que não existe qualquer
algo tão instrutivo quanto observar bênção no santuário, a menos que em
nas Escrituras o desenvolvimento seu coração houvesse arrependimen-
desse conceito — o gradual apro- to e humilhação. Esta era uma po-
fundamento da abnegação como um derosa verdade que Davi precisava
elemento na adoração aceitável a assimilar, uma verdade que enri-
Deus. queceu a adoração a Deus através dos
Primeiramente, devemos pensar séculos, passando à Nova Aliança e a
no caso de Davi, um homem treinado todas as congregações dos santos.
18 Fé para Hoje

conforme ensinou o Senhor Jesus,


A ATITUDE DO CORAÇÃO
alguém pode esperar tornar-se ado-
NA ADORAÇÃO
rador aceitável a Deus. Mas quem é
Agora, olhemos para o maior suficiente para essas coisas? Isso é
filho de Davi e ouçamos as palavras exatamente o que desejo gravar em
dEle próprio. No Sermão do Monte, sua mente. Pretendo ensinar-lhe que
Ele se referiu à atitude de trazer uma a adoração não é algo fácil; é bastan-
oferta ao altar: “Se, pois, ao trazeres te difícil. Não é um momento re-
ao altar a tua oferta, ali te lembrares confortante no culto dominical, com
de que teu irmão tem alguma coisa músicas belas e um pregador elo-
contra ti, deixa perante o altar a tua qüente. É uma atitude do coração e
oferta, vai primeiro reconciliar-te da alma que é impossível existir sem
com teu irmão; e, então, voltando, que se negue a si mesmo. Agradeço
faze a tua oferta” (Mt 5.23-24). a Deus pelo fato de que na mais pura
Observe que Jesus estava falando adoração há poucas exigências ao
sobre adoração. Seu assunto não era intelecto. O mais humilde crente, que
a reparação de contendas. Ele estava talvez não seja capaz de escrever uma
nos ensinando quais os elementos ne- carta, pode experimentar todas as
cessários para adorarmos a Deus em bênçãos durante o culto. No entanto,
espírito e em verdade. O Senhor Jesus na mais pura adoração existe uma
não somente insistiu na atitude de exigência sobre a alma; existe uma
ofertar — Ele estava certo de que isto chamada ao sacrifício e a tomar a sua
é necessário —, mas também insistiu cruz. O caminho que nos leva à igreja
no fato de que por trás de cada oferta é semelhante ao que nos conduz ao
existe uma atitude de renúncia no céu — passa à sombra da cruz.
coração. É mais fácil desistir de uma
moeda do que desistir de uma con-
REUNIR-SE PARA A ADORAÇÃO
tenda. É mais fácil estender a mão e
fazer uma oferta generosa do que Agora consideremos o assunto de
abandonar um rancor permanente e nos reunirmos para adoração pública.
demorado. Na própria atitude de nos dirigirmos
E Jesus insistia sobre o seguinte: à igreja, em cada domingo, precisa
se a adoração tem de ser aceitável a haver um elemento de abnegação. Em
Deus, o adorador precisa deixar de áreas rurais, talvez seja um pouco
lado seu orgulho e humilhar-se, como diferente, pois em tais lugares as pes-
uma criancinha. Isto não é fácil e nun- soas encontram-se mais isoladas. E,
ca o será. Isso está muito acima da por causa de seu instinto social, sen-
capacidade do homem natural. É tem-se felizes por reunirem-se na
muito difícil de ser realizado, muito igreja. Na cidade, porém, sempre há
desagradável e bastante contrário às companhia, e a dificuldade é alguém
inclinações do homem natural. Exige ficar sozinho; por conseguinte, na
paciência e sacrifício íntimo; e, jun- cidade não há um instinto social que
tamente com oração, é o segredo da reforce a chamada à oração pública.
abnegação. Somente desta maneira, Se uma pessoa examinasse apenas
ABNEGAÇÃO: UM ELEMENTO NA ADORAÇÃO 19

suas inclinações, é provável que poltrona de descanso. Jesus “entrou,


raramente ela viria à igreja. Ela está num sábado, na sinagoga, segundo o
cansada quando a semana termina; e seu costume, e levantou-se para ler”
o domingo, afinal de contas, não é (Lc 4.16). Você já meditou nessas
um dia de descanso? Talvez ela não palavras? Ele era o Filho de Deus, o
esteja se sentindo bem e parece que céu era sua habitação, mas, conforme
poderá chover. Não somente isso, seu costume, Ele foi à igreja. Jesus
mas ela também poderá dizer, se- nunca disse: “Não preciso ir à igreja,
riamente, que será mais beneficiada posso desfrutar da comunhão com
permanecendo em casa do que indo à Deus em casa”. Ele tomou a cruz,
igreja. E, se ela deseja um sermão, negou a Si mesmo e nos diz que
possui muitos em sua estante, escritos devemos seguir seus passos.
por homens que conhecem bem o
coração e que a atingem de uma
COMUNHÃO NA ADORAÇÃO
maneira que nem sempre acontece
pelo que ela ouve do púlpito de sua Deixemos de considerar agora o
igreja. Todas estas podem ser des- assunto de nos aproximarmos para
culpas inconsistentes ou podem ser adorar a Deus e falemos a respeito da
de fato verdadeiras. No entanto, própria adoração. Primeiramente,
revelam que a inclinação natural do devemos pensar que a adoração
coração se opõe à igreja. Mesmo significa comunhão. Na adoração
levando em conta velhos hábitos e pública, não somos apenas ouvintes,
pressões sociais permanece o fato de somos uma comunhão do povo de
que a abnegação é necessária, se Deus. Você se dirige a uma palestra
alguém deseja estar todos os domingos apenas para ouvi-la; vai ao teatro
na igreja. simplesmente para assistir uma peça;
A verdade é esta: a abnegação é e não importa quem são as pessoas
boa para o homem e agrada a Deus. que estão ao seu lado. Elas não re-
A melhor de to- presentam nada
das as maneiras g para você, e vi-
de iniciar a se- À medida que nos ce-versa. Ne-
mana é subjugar nhuma delas fa-
um pouco as nos- tornamos mais ria qualquer coisa
sas propensões. espirituais, o conceito por você ou pro-
Realizar no do- de renúncia própria curaria ajudá-lo,
mingo aquilo se estivesse em
que é nosso dever também se aprofunda dificuldade, ou o
e, ao fazê-lo, tra- em nós. visitaria, se você
zer nossa vontade g estivesse doente,
em submissão é ou se esforçaria
um dos melhores indícios de que para animá-lo, se você estivesse em
desfrutaremos de uma semana bri- dias de aflição. No teatro você tem
lhante, um indício melhor do que a uma platéia, mas isto não é verdade
leitura de um excelente sermão na em relação à igreja. Você pode
20 Fé para Hoje

chamá-la de audiência, porém não é ta mensagem é pregada, embora pa-


realmente uma audiência, em qual- reçam não ter qualquer aplicação di-
quer templo abençoado. É uma co- reta para determinado adorador, este
munhão de homens e mulheres unidos sempre conservará em sua mente o
pela mesma fé e por coisas profundas, fato de que para outro aquela men-
homens e mulheres que amam uns aos sagem é oportuna. Tudo isso cons-
outros em Cristo Jesus. Em toda co- titui a essência da verdadeira adoração
munhão deve haver certo elemento e exige um pouco de sacrifício. Sem
de sacrifício? É isto verdade em re- isto, não existe um lar feliz; o mesmo
ferência ao lar, para que o lar seja é verdade em referência a uma igreja
algo melhor do que uma bagunça? feliz. Uma terna consideração pelos
Sim; em toda comunhão precisa outros, juntamente com a abnegação
haver abnegação e uma constante nela envolvida, é uma parte integral
disposição de ceder um pouco. Se isto de nossa adoração pública.
é correto em referência à comunhão
no lar, também é correto em relação
à comunhão na igreja.
NOSSA APROXIMAÇÃO A DEUS
Assim como algumas mães, dig-
EM ADORAÇÃO
nas desse nome, amam ao ponto de
negarem a si mesmas em benefício A mesma verdade se torna ainda
de seus filhos queridos; assim como mais evidente quando pensamos a res-
um esposo de- peito da adora-
monstrará con- g ção como nossa
sideração por aproximação a
sua esposa em Adoração... é uma Deus. Adoração
toda decisão que atitude do coração e da significa nos
tomar e todo alma que é impossível aproximarmos
plano que fizer, de Deus por me-
assim também existir sem que se negue a io do novo e vi-
na comunhão si mesmo. vo caminho de
durante a ado- g Jesus Cristo.
ração pública Ora, é verdade
tem de haver consideração mútua e que fomos criados para Deus e que
uma constante disposição de renunciar nEle vivemos, nos movemos e exis-
um pouco por amor a outros em favor timos. Também é verdade que, ao
de quem Cristo morreu. Os jovens acordarmos e nos levantarmos, Ele
têm seus direitos, porém não insistirão não está distante de qualquer um de
neles, quando sabem que fazê-lo nós. No entanto, existe um tão grande
causará irritação e vexame aos mais envolvimento nas coisas do mundo,
velhos. Os mais velhos têm suas mesmo entre aqueles que oram e vi-
reivindicações; entretanto, por amor giam intensamente, que para nos
aos jovens, receberão com alegria aproximarmos de Deus com todo o
aquilo que não lhes é tão interessante. coração é necessário um verdadeiro
E, quando um hino é cantado ou cer- esforço.
ABNEGAÇÃO: UM ELEMENTO NA ADORAÇÃO 21

Evidentemente, podemos ir à de modo visível nada existe na igreja


igreja, estar ali e jamais conhecer a para prender sua atenção.
realidade da adoração; pois somos Na adoração, há somente alguns
capazes de nutrir pensamentos, ter hinos, oração tranqüila e a simples
sonhos e, em espírito, estar a milhares leitura de uma parte das Escrituras.
de quilômetros. Mas rejeitar cal- Você precisa fazer o esforço ne-
mamente pensamentos intrusos e de- cessário, fechar as portas de sua mente
dicar-se à oração, louvor e leitura da e reservar-se; através deste esforço,
Bíblia são tarefas que raramente se- vem a bem-aventurança da adoração
rão fáceis e, para alguns, incri- pública de Deus. Desse modo, a ado-
velmente difíceis. Se houvesse algo ração torna-se um festa celestial —
que prendesse nossa atenção, isto faria quando trazemos nossa vontade à
toda a diferença do mundo. Em um adoração e a consideramos algo no-
teatro, você pode esquecer de si bre. Desse modo, a adoração torna-
mesmo, absorvido pela excitação da se um dos meios da graça, em qual-
peça. Mas a igreja do Deus vivo não quer lugar populoso e agitado. Torne
é um teatro e, quando ela se torna a adoração tão atrativa quanto desejar,
teatral, a sua adoração desaparece, mas lembre que, se ela tiver de ser-
com todas as suas bênçãos. Se você lhe uma bênção, você tem de negar a
quiser vaguear com seus pensamentos, si mesmo, tomar a sua cruz, trazer
pode fazê-lo sempre que desejar, pois ofertas e entrar nos átrios de Deus.

“PASSA PELO MEIO DO CAMINHO”


Antes de chegar ao Alto da Colina, porém, o sol se escondeu
atrás do horizonte, e Cristão lembrou-se novamente da tolice de
haver dormido. E lembrou-se também do que lhe contaram Tí-
mido e Desconfiado, que haviam recuado com medo dos leões.
E pensou: _ Essas feras devem estar por aí, à solta. Se me
encontrarem no escuro, me matarão. Como poderei escapar?
Enquanto assim meditava sobre seu infeliz descuido, eis que
levantou os olhos e viu um magnífico palácio à sua frente, cujo
nome era Belo. Entretanto, por uma passagem estreita, porém,
viu dois leões no caminho. Hesitava quando o porteiro, de nome
Vigia, exclamou: _ É assim pequena a tua coragem?
E continuou: _ Não temas passar. Os leões estão
acorrentados e só estão aí para provar a fé ou a incredulida-
de. Passa pelo meio do caminho e nada te sucederá de mal.
(Trechos da alegoria de John Bunyan, O Peregrino _ a história da
viagem de um cristão à cidade celestial. Ilustrado, 4a. edição revista
e corrigida, 1981, Editora Fiel, SP, p. 43, itálicos e grifos nossos.)
22 Fé para Hoje

PROFUNDA SERIEDADE
E AVIVAMENTO
William B. Sprague

T odos os meios relacionados ao avivamento, autorizados


pela Palavra de Deus, caracterizam-se por seriedade.
Devo indagar a todos os que já presenciaram um aviva-
mento: uma profunda reverência não permeava o ambiente?
Preciso também perguntar: se você costuma gracejar de tudo,
não foi compelido a manifestar grande seriedade no lugar em
que ocorria um avivamento? E, se naquele momento desejou
agir como uma pessoa brincalhona, não sentiu ser aquele lu-
gar impróprio para isto?
Ora, se um profundo grau de reverência acompanha um
avivamento; se na terra não existe algo mais solene, certa-
mente todas as medidas que adotamos em conexão a um
avivamento devem possuir esta mesma característica. Seria
absurdo pensar em levar avante uma obra como esta utilizan-
do meios que não se identificam por profunda seriedade ou
introduzir coisas que têm o propósito de estimular emoções
superficiais, quando tais emoções devem estar ausentes de nossa
mente. Todas as anedotas irreverentes, formas cômicas de ex-
pressão, gestos e atitudes engraçadas nunca são mais incon-
venientes do que nas ocasiões em que o Espírito Santo está
agindo nos corações das pessoas presentes na igreja. Todas as
coisas desse tipo O entristecem, porque frustram o objetivo
para o qual Ele veio — convencer de sua culpa os pecadores e
renová-los para arrependimento. E a situação não é ameniza-
da se, após coisas levianas, introduzirmos aquilo que é real-
mente solene e importante, pois seu efeito legítimo é quase
neutralizado pela conexão com a qual é apresentado; e aquilo
que poderia vir com terrível poder sobre as consciências dos
ouvintes torna-se, deste modo, sem poder e expressão. E, não
apenas isso, com freqüência é formada uma associação na
mente do ouvinte, a qual é excessivamente hostil às impres-
sões religiosas — uma associação entre verdades solenes que
deveriam fazer os pecadores tremer e expressões engraçadas
que lhe oferecem matéria para achar graça.
A LEI DE DEUS E O AMOR DE DEUS 23

A LEI DE DEUS
E O AMOR DE DEUS
Ernest Reisinger

Se me amais, guardareis os meus mandamentos.


(João 14.15)
Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus
mandamentos; ora, os seus mandamentos não são penosos.
(1 João 5.3)

O QUE DEUS UNIU Uma das maiores dificuldades ao


Para servirmos a Deus com fide- lidar com esse assunto são as muitas
lidade, precisamos não apenas dis- formas em que as palavras lei e amor
tinguir as coisas que diferem, mas são empregadas na Bíblia. Nas Es-
também preservar a conexão entre as crituras lemos a respeito do amor a
coisas que Deus uniu. A lei e o amor Cristo, do amor à esposa, do amor
são esse tipo de coisa que Deus uniu. ao próximo, do amor aos nossos ini-
São parceiros inseparáveis. migos e de um amor especial e
Quando Martinho Lutero disse: peculiar pelos irmãos. Inúmeros li-
“Ame a Deus e faça o que te parecer vros têm sido escritos acerca dessas
melhor”, ele tinha algo a comunicar, duas pequenas palavras, lei e amor.
ou seja: se você verdadeiramente ama Todo o verdadeiro cristão quer
a Deus, fará aquilo que agrada a Ele. saber como agradar a Deus. O desejo
Mas isso ainda levanta uma pergun- vem com o novo nascimento e ime-
ta: O que agrada a Deus? Por isso a diatamente nos impulsiona rumo à
frase de Lutero precisa de alguma Bíblia, onde a vontade de Deus é ex-
explanação, para que não pareça uma pressa. Mas como é que Deus ex-
questão demasiadamente simplifica- pressa a sua vontade? Será que Ele
da ou confusa. diz: “Ame”; ou será que Ele expres-
24 Fé para Hoje

sa sua vontade ao nos dar seus man- go disse: “Obviamente, os pales-


damentos? A Bíblia claramente faz trantes não chegaram a qualquer
as duas coisas, o tempo todo, nos en- conclusão definitiva, mas concorda-
sinando o relacionamento adequado ram genericamente que, em alguns
entre a lei e o amor. aspectos, a nova moralidade é um
Precisamos fazer uso de nossos avanço sadio no esforço genuíno de
melhores esforços para discernir qual interpretar literalmente as palavras de
é esse relacionamento. Há uma vas- Paulo, as quais ensinam que através
ta gama de livros, debates e opiniões de Cristo estamos livres da lei”.
sobre este assunto. Por isso mesmo, Embora essas palavras venham
saber escolher entre essas várias pos- do Novo Testamento, elas certamen-
sibilidades requer oração e uma obra te não ensinam o que os palestrantes
plena do Espírito Santo, único ver- de Harvard subentenderam. Algumas
dadeiro Professor. Que Deus nos dê perguntas precisam ser feitas acerca
discernimento para distinguir as coi- do contexto das palavras de Paulo:
sas que diferem e para juntar as coisas em relação a que nós precisamos ser
que precisam ser compreendidas libertados da lei, e de que leis somos
como pertencentes uma à outra. libertos? As pessoas motivadas pelo
genuíno amor certamente não são
anárquicas. Elas amam o padrão
“TUDO O QUE SE PRECISA moral e ético que Cristo amou e obe-
É AMOR”?1 deceu, ao contrário das palavras do
presidente de Princeton, Paul Ram-
Todas as heresias e seitas fazem sey, que disse no mesmo artigo: “As
tremular a palavra amor como se fosse listas de ‘pode e não pode’ não fa-
uma bandeira de virtude. É a palavra zem mais qualquer sentido”.
favorita deles, mas jamais está liga- Por outro lado, não nos surpre-
da à lei de Deus. O movimento hippie endemos com essa ignorância pe-
dos anos 60 também proclamou essa rigosa e destrutiva quando a encon-
palavra, pintando-a em automóveis tramos nas seitas, entre os liberais
e cartazes, freqüentemente na forma e os agnósticos. Mas, quando pre-
de “amor livre”. Os políticos libe- gadores, que crêem na Palavra de
rais continuam a falar do amor di- Deus, estipulam uma antítese falsa
vorciado da responsabilidade indi- entre a lei e o amor, deveríamos fi-
vidual. car assustados, consternados, entris-
Em março de 1965, a revista tecidos, completamente tomados de
TIME falou sobre uma reunião de 900 desgosto.
pastores e alunos na Harvard Divini- Criar uma falsa antítese entre lei
ty School (Escola de Divindade de e amor (como se fossem idéias con-
Harvard) na qual eles consideraram flitantes e opostas) é uma das formas
o assunto da “nova moralidade”. O mais sutis de se minar os Dez Man-
título do artigo “Amor em Lugar da damentos, a moralidade e o ver-
Lei?” propôs uma antítese. Sob o dadeiro cristianismo. Sabemos esta-
subtítulo “Fomos Libertos”, o arti- belecer a diferença entre lei e amor;
A LEI DE DEUS E O AMOR DE DEUS 25

mas existe uma conexão imutável. Observe, também, a conversa do


Deixar de enxergar esse relaciona- nosso Senhor com o intérprete da lei
mento impossível de ser mudado tem em Mateus 22.35-40. Quando per-
levado pessoas a erros e heresias, a guntado no versículo 36: “Mestre,
naufrágios espirituais incontáveis. qual é o grande mandamento na
lei?”, o Senhor imediatamente fez a
conexão entre os mandamentos de
UMA CONEXÃO IMUTÁVEL
Deus e o amor de Deus. Jesus sem-
Abordemos algumas passagens pre ligou a lei ao amor. O que po-
bíblicas a fim de mostrar a conexão deria ser mais claro do que os se-
imutável entre a lei e o amor. Repare guintes exemplos?
como o amor está inserido nos Dez “Aquele que tem os meus man-
Mandamentos, no seguinte ensi- damentos e os guarda, esse é o que
namento de Paulo: “A ninguém fi- me ama; e aquele que me ama será
queis devendo coisa alguma, exceto amado por meu Pai, e eu também o
o amor com que vos ameis uns aos amarei e me manifestarei a ele...
outros; pois quem ama o próximo Respondeu Jesus: Se alguém me ama,
tem cumprido guardará a mi-
a lei. Pois isto: g nha Palavra; e
Não adultera- meu Pai o ama-
rás, não mata- Criar uma falsa antítese rá, e viremos
rás, não furta- entre lei e amor (como se para ele e fare-
rás, não cobi- mos nele mora-
çarás, e, se há
fossem idéias conflitantes da. Quem não
qualquer outro e opostas) é uma das me ama não
mandamento, formas mais sutis de se guarda as mi-
tudo nesta pa-
lavra se resu-
minar os Dez Mandamen- nhas palavras;
e a palavra que
me: Amarás o tos, a moralidade e o estais ouvindo
teu próximo verdadeiro cristianismo. não é minha,
como a ti mes- mas do Pai, que
mo. O amor g me enviou”
não pratica o (João 14.21,
mal contra o próximo; de sorte que 23-24).“Se guardardes os meus man-
o cumprimento da lei é o amor” (Ro- damentos, permanecereis no meu
manos 13.8-10). amor; assim como também eu tenho
Além do mais, que melhor defi- guardado os mandamentos de meu
nição de amor, no sentido bíblico, Pai e no seu amor permaneço... O
poderemos ter do que a de João, o meu mandamento é este: que vos
grande apóstolo do amor? “Porque ameis uns aos outros, assim como eu
este é o amor de Deus: que guarde- vos amei... Vós sois meus amigos,
mos os seus mandamentos; ora, os se fazeis o que eu vos mando” (João
seus mandamentos não são penosos” 15.10, 12, 14).
(1 Jo 5.3). Essas afirmações deixam inequi-
26 Fé para Hoje

vocamente claro que existe um rela- O amor é o fruto maduro do


cionamento eterno entre a lei e o amor Espírito (ver Gálatas 5.22-23).
de Deus. O espírito do genuíno amor ja-
Enfatizar que o amor em si é um mais existe às custas da lei e da
mandamento é algo consistente com verdade. Nem, por outro lado, é o
muitas passagens do Novo Testamen- amor, em qualquer momento, sepa-
to: “Amarás o teu próximo” (Mateus rado das diretrizes bíblicas de um
5.43); “amai vossos inimigos” (Lu- viver santo que são objetivas e deter-
cas 6.27, 35); “que vos ameis uns minadas nos Dez Mandamentos. Isso
aos outros” (Romanos 13.8); “amai é enfatizado no grande capítulo do
vossa mulher” (Efésios 5.25); “amai amor, escrito na Bíblia, quando Paulo
os irmãos” (1 Pedro 2.17). diz que “o amor regozija-se com a
Essas passagens são suficiente- verdade” (1 Coríntios 13.6).
mente claras para demonstrar que A conexão entre a lei e o amor
existe uma ligação vital entre a lei e está profundamente encravada no
o amor. Elas deveriam nos levar a Antigo Testamento, assim como no
renunciar qualquer ensinamento — Novo Testamento. Isso é ilustrado
quer empacotado em ilustrações sa- em Êxodo 20, onde Deus deu o
gazes ou ministrado via implicações Decálogo, no monte Sinai.
sutis — que separe a lei do amor. Antes de dar os Dez Mandamen-
Se houve uma época em que o tos, Deus relembrou os israelitas de
ensinamento bíblico acerca dos man- seu amor redentor: “Eu sou o Senhor,
damentos foi necessário no lar, na teu Deus, que te tirei da terra do
igreja ou na nação, essa época é hoje! Egito” (v.2). Essa ação de Deus foi
Com a anarquia cada vez mais exu- um ato redentor amoroso. Não é so-
berante, certamente não precisamos mente no prólogo aos Dez Man-
de pastores ou professores que sepa- damentos que Deus fala de seu amor
rem aquilo que Deus juntou. redentor; mas mais tarde, tratando
A doutrina de “somente o amor” acerca do segundo mandamento, o
é inimiga do verdadeiro cristianismo, v.6 fala acerca de Deus “fazer mise-
da Bíblia e da alma dos homens. Essa ricórdia” a seu povo. Amor e mise-
doutrina não é o amor bíblico, de ricórdia estão harmoniosamente liga-
forma alguma, nem o “amor” sem a dos no Decálogo.
lei é algo que possa se assemelhar a Jesus reafirmou essa conexão em
Cristo. João 14.15: “Se me amais, guarda-
reis os meus mandamentos”. O re-
O evangelho de Cristo exala o sumo da lei que Ele deu em Mateus
Espírito de amor santo, ou seja: 22:37-40 — a lei do amor a Deus e
O amor é o cumprimento de to- ao próximo — ecoa o mandamento
dos os preceitos dos evangelhos. do amor dado na lei, em Deu-
O amor é a garantia de todas as teronômio 6.5. Não são apenas o
alegrias do evangelho. Senhor Jesus e os apóstolos que unem
O amor é a evidência do poder a lei de Deus e o amor de Deus, mas
do evangelho. a Bíblia toda o faz.
A LEI DE DEUS E O AMOR DE DEUS 27

Novo Testamento. Jesus disse: “Isto


O AMOR COMO MOTIVAÇÃO
vos mando: que vos ameis uns aos
O amor não tem olhos exceto os outros” (João 15.17). O amor tam-
da lei de Deus; não possui direção bém é descrito como um manda-
fora dos mandamentos de Deus. Paulo mento em Deuteronômio 6.5-7
falou do amor de Cristo nos cons- “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus,
trangendo. Ele nos impele ao dever. de todo o teu coração, de toda a tua
O amor é a única verdadeira motiva- alma e de toda a tua força. Estas pa-
ção para toda adoração e dever, mas lavras que, hoje, te ordeno estarão
por si só não define nenhuma das duas no teu coração; tu as inculcarás a teus
coisas. Portanto, não podemos colo- filhos, e delas falarás assentado em
car o amor “no lugar da lei”. Eles tua casa, e andando pelo caminho, e
caminham juntos. O comportamento ao deitar-te, e ao levantar-te”.
cristão brota do amor a Deus e ao Temos de perceber com clareza
próximo. Se nós nos amássemos per- que o mandamento para amar não
feitamente, nosso caráter e nosso criará ou produzirá amor. Esse man-
comportamento seriam perfeitos por- damento, como qualquer outro, não
que nos conformariam à vontade de pode criar a disposição ou vontade
Deus. O amor é a motivação para a de obedecermos. Mas o simples fato
ação obediente, assim como se ex- de que o amor é um mandamento de-
pressa em ação obediente. veria ser suficiente para silenciar
Tal ação cumpre a lei: “O amor aqueles que argumentam a favor de
não pratica o mal contra o próximo; uma antítese entre lei e amor. Moi-
de sorte que o cumprimento da lei é sés, Jesus e Paulo, todos fizeram a
o amor” (Romanos 13.10). Motiva- conexão entre a lei e o amor, assim
ção e ação não podem estar mais como o faz João, em 1 João 5.3:
atreladas uma a outra do que nessa “Porque este é o amor de Deus: que
passagem. Se o amor não nos cons- guardemos os seus mandamentos;
trange a cumprirmos a lei moral, não ora, os seus mandamentos não são
é o amor de que fala a Bíblia. O após- penosos”.
tolo Paulo deixou muito claro quando Ai de qualquer pessoa que sepa-
disse que “o amor de Cristo nos cons- rar aquilo que Moisés, Cristo e os
trange” (2 Coríntios 5.14). É o amor apóstolos afirmaram que não pode
de Deus que coloca a lei de Deus em ser separado! O que Deus uniu, não
funcionamento. o separe o homem.
O amor genuíno por Deus é in-
tensamente preocupado com Ele
como Objeto Supremo. Ele está, por- 1
Nota do tradutor: música do con-
tanto, intrinsecamente ativo ao fazer junto “The Beatles”, cujo título em
a vontade de Deus. O amor em si é inglês é All You Need Is Love, e que
ordenado tanto no Antigo quanto no se tornou muito popular em 1967.
28 Fé para Hoje

“FANÁTICOS”
OU DEFENSORES DA VERDADE?
John Kennedy

E m tempos como o nosso é fá- a morrer, mas não comprometeriam


cil alguém parecer fanático, se a verdade. Submeter-se-iam a tudo
mantém uma firme convicção sobre por motivo de consciência, mas em
a verdade e quando se mostra cuida- nada se sujeitariam aos déspotas. So-
doso em ter certeza de que sua es- freriam e morreriam, mas temiam o
perança procede do céu. Nenhum pecado. Esse fanatismo trouxe liber-
crente pode ser fiel e verdadeiro nes- dade para a sua própria terra natal,
ses dias, sem que o mundo lhe atribua como bem demonstra o exemplo dos
a alcunha de fanático. Mas o crente reformadores escoceses. O legado
deve suportar esse título. É uma marca deixado por esses homens — cujo lar
de honra, embora a sua intenção seja eram as cavernas na montanha e cuja
envergonhar. É um nome que com- única mortalha era a neve, que com
prova estar o crente vinculado ao freqüência envolvia seus corpos quan-
grupo de pessoas das quais o mundo do morriam por Cristo — é uma
não era digno, mas que, enfrentando dádiva mais preciosa do que todas as
a ignomínia por parte do mundo, fi- oferecidas por reis que ocuparam o
zeram mais em benefício deste do que trono de seus países ou por todos os
todos aqueles que viviam ao seu re- nobres e burgueses que possuíam suas
dor. O mundo sempre sofre por causa terras. Sim, eles eram realmente fa-
dos homens que honra. Os homens náticos, na opinião dos zombadores
que trazem misericórdia ao mundo cépticos e perseguidores cruéis; e toda
são os que ele odeia. a lenha com a qual estes poderiam
Sim! Os antigos reformadores atear fogueiras não seria capaz de
eram homens fanáticos em sua épo- queimar o fanatismo desses homens
ca. E foi bom para o mundo eles de fé.
terem sido assim. Estavam dispostos Foram esses implacáveis fanáti-
“FANÁTICOS” OU DEFENSORES DA VERDADE? 29

cos, de acordo com a estimativa do mens que se gloriam de uma carida-


mundo, que encabeçaram a cruzada de indiscriminada em suas consi-
contra o anticristo, quando na época derações, de um sentimento que re-
da Reforma desceu fogo do céu e jeita o padrão que a verdade impõe;
acendeu em seus corações o amor pe- homens que aprenderam do mundo a
la verdade. Esses homens, através de zombar de toda a seriedade, a quei-
sua inabalável determinação, motiva- xarem-se da escrupulosidade de
dos por fé viva, venceram em épocas consciência e a escarnecer de um cris-
de severas provações, durante as tianismo que se mantém através da
quais eles ergueram sua bandeira em comunhão com os céus! Esses têm os
nome de Cristo. Um lamurioso seus seguidores.
Melanchthon teria barganhado o Um amplo movimento emergiu
evangelho em tro- afastado do cristia-
ca de paz. A re- nismo vital, de
soluta coragem de g crenças fixas e de
um Lutero foi ne- Homens que possuem um viver santo. As
cessária para evitar igrejas estão sendo
esse sacrifício. Em pulso fraco e amor arrastadas nessa
todas as épocas, menos intenso pouco corrente. Aproxi-
desde o início da farão em benefício ma-se rapidamente
igreja, quando a o tempo em que as
causa da verdade da causa da verdade únicas alternativas
emergiu triunfante e dos melhores interes- serão ou a fé viva
sobre o alarido e a
poeira da contro-
ses da humanidade. ou o cepticismo de-
clarado. Uma vio-
vérsia, a vitória foi g lenta maré se a-
conquistada por um bate sobre nós nes-
grupo de fanáticos que se compro- sa crise, e poucos mostram-se zelo-
meteram solenemente na defesa dessa sos em resistir. Não podemos prever
causa. qual será o resultado nas igrejas, nas
Existe hoje a carência de homens comunidades e nos indivíduos, tam-
que o mundo chame de “fanáticos”. pouco somos capazes de tentar con-
Homens que possuem pulso fraco e jeturá-lo sem manifestar sentimentos
amor menos intenso pouco farão em de tristeza. Contudo, uma vitória se-
benefício da causa da verdade e dos gura é o destino da causa da verdade.
melhores interesses da humanidade. E, até que chegue a hora de seu triun-
Eles negociarão até sua esperança fo, aqueles que atrelaram seus inte-
quanto à vida por vir em troca da resses à carruagem do evangelho per-
honra proveniente dos homens e da ceberão que fazem parte de um grupo
tranqüilidade resultante do compro- que está diminuindo, enquanto avan-
metimento do evangelho. Há muitos çam até àquele dia; seu sentimento
homens assim em nossos dias, mes- de solidão se aprofundará, enquanto
mo nas igrejas evangélicas e na linha seus velhos amigos declinarão à ne-
de frente do evangelicalismo; ho- gligência, a indiferença se converterá
30 Fé para Hoje

em zombaria, e as lamúrias se trans- lampejos da mensagem profética


formarão em amarga inimizade. Eles trazem ao seu coração, quando bri-
levarão adiante a causa da verdade so- lham através das nuvens de provação.
mente em meio aos escárnios dos O seu Rei triunfará em sua causa na
incrédulos e às flechas dos persegui- terra e seus amigos compartilharão da
dores. glória dEle. Todas as nações sujeitar-
Mas nenhum daqueles que amam se-ão ao seu domínio. As velhas
a verdade — aqueles cujos olhos fortalezas de incredulidade serão
sempre descansaram na esperança aniquiladas até ao pó. A iniqüidade
do evangelho — deve acovardado esconderá sua face envergonhada. A
fugir das provações. Perecer lutando verdade, revelada dos céus, receberá
pela causa da verdade significa ser aceitação universal e será gloriosa no
exaltado no reino da glória. Ser mas- resplendor de seu bendito triunfo aos
sacrado até à morte, pelos movi- olhos de todos.
mentos de perseguição, significa
abrir a porta da prisão, para que o
espírito redimido passe da escravidão
ao trono. Em sua mais triste hora, (Originalmente, Truth’s Defen-
aquele que sofre por causa da verdade ders Vindicated, The Banner of
não deve recusar a alegria que os Truth, maio de 1957, pp 32-33).

Homem algum acharia difícil morrer, se mor-


resse todo dia. Ele teria praticado tanto, que teria
tão somente que morrer mais uma vez; como o can-
tor que ensaiou tão bem a sua parte; só tem agora
que soar as notas mais uma vez, e assim, termi-
nar.
C. H. Spurgeon

Se pelo Espírito mortificardes os feitos do


corpo, certamente vivereis.
Romanos 8.13
O PRINCÍPIO REGULADOR DO CULTO 31

VOCÊ É UM VERDADEIRO
MEMBRO DE IGREJA?
Conrad Mbewe

Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual,


também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos.
(Colossenses 3.15)

M uitos crentes vão à igreja da menta, então param, conversam um


mesma maneira que vão aos Correi- pouco antes de sumirem, retornando
os. Não sabem quem abriu a agência para casa.
ou a limpou. Não se importam com Com certeza, isso está errado.
quem mais ali está, exceto os funcio- Todo crente deveria ser um membro
nários no balcão. Tudo que desejam ativo de sua igreja. Se você é culpa-
é enviar suas correspondências e ir do desse tipo de atitude em relação à
embora. Nem mesmo se interessam em igreja, deve parar. Precisa tornar-se
olhar rapidamente para as outras pes- membro de uma igreja local e fazer
soas que estão na fila, a menos que que sua membresia seja significativa.
alguém lhes chame pelo nome. Se isto Isto é o que Bíblia ensina com a
acontece, então se voltam e conver- expressão “em um corpo”, encontra-
sam um pouco com aquela pessoa. da no versículo que citamos no início.
Isto é o que acontece a muitos cren- Em sua conversão, você foi espiritu-
tes. Tudo que lhes interessa é desfrutar almente unido ao corpo de Cristo. Isto
do culto, do pastor e de sua mensa- acontece porque a salvação asseme-
gem. Não sabem quem abriu o templo, lha-se a um pacote. Inclui regeneração,
quem o varreu, colocou os hinários justificação, adoção, habitação do Es-
nos bancos, etc. Tudo que desejam é pírito, etc. Um dos elementos deste
ouvir o sermão e desaparecer, voltan- pacote é a união com Cristo, ou seja,
do para casa. Se alguém os cumpri- o processo pelo qual o Espírito Santo
32 Fé para Hoje
o enxerta no corpo de Cristo, de modo motivo pelo qual Deus deseja que
que você se torna um membro orgâ- você se torne membro de uma igreja.
nico desse corpo (1 Co 12.12-13), ao Tornar-se membro ativo de uma igre-
invés de um membro autômato. ja não é opcional ao seu crescimento
É necessário que esta experiência na santidade. As inevitáveis implica-
espiritual seja traduzida para termos ções de pertencer à membresia de uma
concretos por meio de sua deliberada igreja podem ser resumidas na pala-
união visível a um grupo de crentes. vra “responsabilidade”, sendo esta
Por causa de nossa união espiritual uma responsabilidade que temos in-
com Cristo, ajuntar-se a um grupo de diretamente para com Deus e dire-
crentes tem de ser desejado por você. tamente uns para com os outros. Con-
Precisa haver em você o desejo de sidere o exemplo dos discípulos a-
pertencer ao povo de Deus, que cons- presentado no Novo Testamento (At
titui a família dEle. Isto é o que sig- 2.42-47; 4.32-35).
nifica ser membro de uma igreja: é Este é o motivo por que sua mem-
uma expressão externa e objetiva de bresia a uma igreja não pode consistir
uma experiência subjetiva e íntima. apenas de um registro formal no rol
O Novo Testamento não menciona de membros. Precisa ser expressa em
qualquer coisa a respeito de crentes envolvimento prático em toda a vida
que não se importam com a igreja e da igreja. Torne-se semelhante a um
vivem isoladamente a vida cristã, an- filho que se envolve positivamente nas
dando para lá e para cá. Você tem de tarefas do lar.
pertencer a uma igreja local. Existem Você é um verdadeiro membro de
muitos crentes que são semelhantes a igreja? Se não, acabe com essa atitu-
ervas aquáticas, vivem flutuando de de imediatamente! Se é membro de
igreja em igreja. Não pertencem à uma igreja, você é responsável? Existe
membresia de nenhuma delas, mas uma diferença real entre você e os
estão presentes a todas as “poderosas” visitantes? Pense sobre os membros
reuniões da cidade. Onde for aberta de sua igreja, você os conhece, está
uma nova igreja, ali os encontraremos. orando e se interessando por eles, a
E, se outra igreja for estabelecida, tais fim de ajudá-los em suas necessida-
crentes mudarão para ela. des? Torne-se agora um responsável
O seu crescimento espiritual é o membro de igreja.

É possível ser diligente em nossa religião


e distante em nosso relacionamento.
John Blanchard

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