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1.

Capim-tanzânia (Panicum maximum cv. Tanzânia)

Características da planta: as plantas desse capim podem alcançar 2 m de altura. Crescem em touceiras nas quais podem ser encontrados, além de colmos verticais, muitos colmos semi-decumbentes cujos nós raramente produzem raízes. Uma das suas características marcantes é a abundante produção de folhas.

Principais atributos agronômicos: produz mais forragem que o tradicional capim- colonião, porém, menos que o capim-mombaça; cerca de 26 t/ha por ano de matéria seca foliar.

Apresenta mediana resistência as ‘cigarrinhas-das-pastagens’, em especial às espécies pertencentes aos gêneros Deois e Notozulia e nenhuma tolerância a condições de excesso de água no solo. Adapta-se em regiões tropicais onde o total anual de precipitações excede 1.000 mm, e onde os solos são de alta fertilidade, profundos e bem drenados. Exigente quanto a disponibilidade de fósforo e de potássio. Para assegurar boa produtividade e persistência de pastagens formadas com essa cultivar, a saturação por bases no solo deve ser mantida entre 45% e 50%.

Atributos especiais: O fato de produzir talos mais finos, de apresentar porte mais baixo e de crescer de modo menos agressivo, comparativamente ao capim-tobiatã e ao capim- mombaça, faz dele um capim mais fácil de manejar. Seus colmos pouco lignificados reduzem a possibilidade da ocorrência de ‘pastejo em mosaico’.

Uso potencial: Em área corrigida e adubada, é bem aceito por bovinos, bubalinos, eqüinos, caprinos e ovinos. Dele pode ser obtida silagem. Apesar do capim-tanzânia apresentar menor capacidade de suporte, quando em comparação ao capim-mombaça, os bovinos nele mantido apresentam ganhos de peso individual superior. A relação folha:talo muito favorável ao pastejo, que bem caracteriza essa planta, explica em grande parte as altas produtividades de animais que dele se alimentam.

2. Capim-mombaça (Panicum maximum cv. Mombaça)

Características da planta: cresce em touceiras muito vigorosas e altas, podendo chegar até 2,5 m de altura. Muitas de suas folhas apresentam até 4 cm de largura e a relação folha:talo dessa cultivar é tão favorável ao pastejo quanto à apresentada pelo capim-tanzânia.

Principais atributos agronômicos: apresenta o maior potencial de produção de forragem, atingindo 33 t/ha de matéria seca foliar por ano. Para tanto, faz-se necessário atender seus requisitos de solo (profundo, bem drenado, fértil) e de clima (quente, precipitação superior a 1.000 mm por ano), que são idênticos aos do capim-tanzânia.

A resistência desse capim às ‘cigarrinhas-das-pastagens’ (espécies dos gêneros Deois e Notozulia) é mediana e sua tolerância a excesso de água no solo (má drenagem) é pequena.

Atributos especiais: deve ser mantido continuamente sob tal pressão de pastejo que não permita seu crescimento excessivo e a produção talos lignificados, os quais não serão consumidos pelos animais, limitarão seu acesso às folhas produzidas no interior das touceiras e contribuirão à ocorrência do problema do ‘pastejo em mosaico’. As produtividades de forragem por ela proporcionada são particularmente altas sob irrigação em regiões onde a temperatura ambiente não restringe o crescimento e onde são feitas regularmente adubações de reposição em cobertura.

Uso potencial: Essa cultivar pode ser utilizada sob sistema de pastejo contínuo; entretanto, ela mostra-se especialmente adequada para uso sob sistema rotacionado. Não é recomendado para a produção de feno; entretanto tem sido utilizado com sucesso na produção de silagem.

3. Capim-piatã cv. Piatã)

(Brachiaria

brizantha

Características da planta: a planta dessa cultivar de gramínea perene cresce em touceiras compostas por grande número de perfilhos finos e podem alcaçar 1,1 m de altura. Cada perfilho é composto por folhas que tem, em média, 1,8 cm de largura e até 45 cm de comprimento e bainha pouco pilosa. Diferencia-se das demais cultivares de B. brizantha principalmente pela inflorescência que pode ser composta por até 12 rácemos (um tipo de ramificação) horizontais, ou seja, um número de rácemos superior à média encontrada nas plantas de outras cultivares (três a cinco); pelo rebrote mais rápido e maior relação folha:talo.

Floresce continuamente, de janeiro a maio, quando cultivada em regiões situadas ao redor da latitude 20oS.

Principais atributos agronômicos: No Brasil, sua adaptação climática ocorre nitidamente em regiões tropicais úmidas ou de cerrado, onde a precipitação anual supera 1.000 mm, mas onde a estação seca pode se estender por quatro ou cinco meses.

Esse capim requer solos de média a alta fertilidade e níveis de saturação por bases superando 40%. Essa cultivar mostra resistência às ‘cigarrinhas-das-pastagens’ pertencentes às espécies Notozulia entreriana e Deois flavopicta.

São boas as possibilidades de sucesso do seu cultivo consorciado com amendoim forrageiro (Arachis pintoi), estilosantes Mineirão (Stylosanthes guianensis var. vulgaris cv. Mineirão), estilosantes Campo Grande (Stylosantes capitata + S. macrocephala), puerária (Pueraria phaseoloides) e calopogônio (Calopogonium mucunoides), o que pode aumentar consideravelmente o potencial produtivo e a qualidade nutritiva da pastagem.

Atributos especiais: o nível de tolerância a condições de excesso de água no solo (encharcamento) é superior ao da B. brizantha cv. Marandu.

Uso potencial: em ensaios de pastejo conduzidos, em área não irrigada, a cv. Piatã resultou, em média, 45 kg/ha de peso vivo a mais, em comparação ao braquiarão. Presta-se bem à produção de silagem e de feno.

4. Capim-xaraés (Brachiaria brizantha cv. Xaraés)

Características da planta: cresce em touceiras de até 1,5 m de altura, nas quais são encontrados muitos perfilhos decumbentes, cujos nós produzem raízes quando em contato com o solo. Suas folhas apresentam intensa coloração verde-escura.

Principais atributos agronômicos: a resistência desse capim às cigarrinhas-das-pastagens pertencentes às espécies Deois flavopicta e Notozulia entreriana é moderada, mas apresentando-se susceptível à espécie Mahanarva fimbriolata. Não tolera condições de alagamento, porém mostra-se mais tolerante a solos encharcados, que a cv. Marandu.

Desde que atendidos seus requisitos de fertilidade do solo e de clima tropical úmido (com precipitações anuais superiores a 800 mm), essa cultivar tem potencial para produzir sem irrigação mais de 18 t/ano de matéria seca foliar. Requer solos de média a alta fertilidade; melhores resultados são obtidos sob condições de saturação por bases do solo de, no mínimo, 40%.

Seu cultivo consorciado com amendoim forrageiro (Arachis pintoi), estilosantes Campo Grande (Stylosantes capitata + S. macrocephala), puerária (Pueraria phaseoloides), estilosantes Mineirão (Stylosanthes guianensis var. vulgaris cv. Mineirão) e calopogônio (Calopogonium mucunoides) pode aumentar consideravelmente o potencial produtivo e a qualidade da pastagem.

Atributos especiais: possui maior produção de forragem, melhor distribuição estacional dessa produção (cerca de 30% na seca e 70% no período das chuvas), florescimento mais tardio (mês de abril) e rebrote mais rápido, quando comparado ao capim-braquiarão. Além disso, seus talos são mais vigorosos (muitos deles são semi- decumbentes) e suas folhas são mais largas. O alto potencial produtivo e alta taxa de crescimento que caracterizam esse capim, exigem manejo cuidadoso em especial no que tange a taxa de lotação (sendo mais alta do que o capim-braquiarão), para que seja evitado o crescimento excessivo das plantas, conseqüente acamamento dos colmos e rejeição das folhas mais velhas pelos animais.

Uso potencial: O florescimento tardio possibilita a manutenção de boa qualidade nutricional da forragem até o final de outono/início do inverno. Presta-se bem à produção de silagem.

5. Ruziziensis

‘comum’)

(Brachiaria

ruziziensis

Características da planta: esse capim cresce em touceiras semi-eretas de até 1 m de altura e produz rizomas curtos além de estolões. As bainhas das folhas são cobertas por densa pilosidade macia; quando cultivada ao redor da latitude 20oS, floresce intensamente, uma única vez, no início do outono.

Principais atributos agronômicos: essa planta requer clima quente e úmido, onde as precipitações anuais superam 1.000 mm. Não se desenvolve em solos encharcados e é menos tolerante à seca e ao frio que a B. decumbens cv. Basilisk. Requer solos de média fertilidade, mesmo que apresentem alguma acidez. Não tolera queima e é susceptível a várias espécies de ‘cigarrinha-das-pastagens’.

Potencialmente, pode ser cultivada em pastagens utilizadas de forma contínua, em plantios consorciados com estilosantes Mineirão (Stylosanthes guianensis var. vulgaris), calopogônio (Calopogonium mucunoides) e estilosantes Campo Grande (Stylosanthes capitata + S. macrocephala) e amendoim-forrageiro (Arachis pintoi).

Atributos especiais: na década de 1970 a B. ruziziensis foi utilizada com pastagem para bovinos no Brasil Central. Entretanto, o interesse por esse capim diminuiu

rapidamente em função da sua baixa resistência às ‘cigarrinhas’, produtividade inferior

à B. decumbens cv. Basilisk, pouca tolerância ao frio e à seca, de cessar a produção de

folhas após florescer intensamente e reduzir drasticamente sua qualidade nutricional no outono. No entanto, dentre as espécies do gênero Brachiaria utilizadas como pastagem,

é considerada a que produz forragem de maior palatabilidade e melhor qualidade para bovinos.

Uso potencial: é bem consumido por bovinos e bubalinos, mas não por eqüinos e pode ser utilizada sob sistema de pastejo contínuo. É especialmente adequada para a produção de fenos, graças a seus talos tenros, florescimento tardio e qualidade

nutricional. Presta-se muito bem à produção de palhada (após dessecação química), para

o sistema de plantio direto e para a cobertura das entre-linhas em pomares.

6. Brachiaria Brizanta (Brachiaria Brizantha (Hochst) Stapf. cv Marandu)

Braquiarão, brizantão. Origem: África (Zimbábue)

Exigência de solo: Média a alta fertilidade Exigência de chuva: 1.000mm.

Baixa relação folha/talo Responde bem a adubação fosfatada

Boa capacidade de rebrota Boa tolerância à seca

Hábito de crescimento: Touceira

Resistência da planta:

* Geada = Média

* Solo úmido = Baixa

* Cigarrinhas = Já foi mais resistente, hoje começa a apresentar sensibilidade.

* Sombreamento = Média

Consorciações: Calopogônio, soja perene, leucena e estilosante.

Produção de matéria seca: De 12 a 20 t/ha/ano Proteína bruta: 10% Palatabilidade: Boa

Plantio:

* Condição ideal = 240pts VC/ha.

* Condição média = 320 pts VC/ha.

* Condição adversa = 480 pts. VC/ha.

Profundidade de plantio: Até 2 cm Tempo de formação: 80 a 100 dias Altura de corte: 30-40 cm (retirar os animais)

Vantagens:

1. Boa capacidade de rebrota

2. Ideal para terminação de animais.

3. Apresenta boa resposta a adubação

Desvantagem:

1. Medianamente exigente em fertilidade.

GÊNERO BRACHIARIA (Brachiaria brizantha cv Marandu – Capim)

1 - INTRODUÇÃO

A Brachiaria brizantha Hochst Stapf, é originária da África Tropical e África do Sul. A cultivar Marandu foi estudada, inicialmente, pelo Centro Nacional de Pesquisa do Gado de Corte (CNPGC-EMBRAPA), (MS) e, posteriormente, pelo Centro Nacional de Pesquisa Agropecuária dos Cerrados (CNPAC-EMBRAPA), (DF).

Seu porte é muito variável, bem como sua pubescência e rendimento. Desenvolve-se na maioria dos solos, inclusive ácidos (WENZL et al., 2002), mas requer um índice pluviométrico acima de 500 mm de chuva por ano. Não tolera o fogo.

A cultivar apresenta porte quase ereto, enraíza muito pouco nos nós, adapta-se a regiões

mais ou menos úmidas, desde o nível do mar até mais de 3.000 m de altitude. É moderadamente tolerante à seca, desenvolve-se bem em solos não úmidos, é tolerante ao frio, resistente ao ataque de cigarrinhas, tem bom valor forrageiro e alta produção de massa verde e baixa produção de sementes.

Causas de morte de pastagem com Brachiaria brizantha cv Marandu nas regiões de Araguaína, em Tocantins e Redenção, no sul do Pará, motivaram pesquisadores da Embrapa Gado de Corte a realizarem viagens de diagnóstico, em março de 1999. Constatou-se que a morte das pastagens ocorria em áreas localizadas (reboleiras) das pastagens. Apesar de terem sido verificadas altas infestações de cigarrinhas das pastagens, bem como de cupins subterrâneos, em alguns locais, o excesso de água em áreas de depressão do terreno (condição favorável ao ataque de fungos nas raízes – principalmente do gênero Rhizoctonia), associado a um estado geral de degradação de pastagens por excesso de uso (manejo inadequado), foram consideradas as principais causas da morte de Brachiaria nas regiões visitadas.

A queima foliar pela Rhizoctonia é causada por um fungo endofítico que mostra alta

correlação com outros hospedeiros de plantas, resultando em resposta fisiológica de larga aplicação em relação ao vigor da planta, estado de nutrição da planta e proteção contra outros patógenos e insetos. Fungos endofítico não patogênicos, em associação intercelular com as gramíneas completam seu ciclo, em várias partes da parte aérea da planta. Os fungos endofíticos encontrados nas plantas possuem certo número de propriedades, como tolerância a várias doenças, persistência e vigor da planta. Estudos interessantes de associações de fungos endofíticos com as gramíneas tropicais, são conduzidos no CIAT, CGIAR (Colômbia) em parcerias com a EMBRAPA, Governo da China, Governo da Índia e Governo da Austrália.

Foram selecionados cerca de onze fungos nas espécies de Brachiaria. Através de métodos de inoculação com fungos endofíticos foi possível introduzir artificialmente certos fungos endofítiticos em vários genótipos de Brachiaria e verificaram que fungos endofíticos podem atuar como protetores de algumas espécies de Brachiaria, de certas doenças fúngicas e ataque de insetos. Conseguiram desenvolver, em situação especial, condição para eliminar totalmente os fungos endofíticos, de certas espécies de Brachiaria, e, ainda, criaram clones, geneticamente idênticos, de espécies de Brachiaria, com e sem fungos endófitos. Foram, também, obtidos em casa de vegetação, espécies de Brachiaria, totalmente tolerantes ao fungo da queima da folha (Rhizoctonia foliar) através de fungos endófitos (Kelemu et al., 2003).

O fungo endophitico - Acremonium implicatum — foi identificado pelo Grupo CIAT/JAP como Protetor Invisível das gramíneas tropicais, em especial da Brachiaria (KELEMU et al. 2002).

Em princípio, todas as pastagens contem fungos endofíticos, fungos invisíveis a olho nu, e que oferecem um enorme potencial para uso industrial, medicinal e agrícola. Os fungos endofíticos vivem em espaços intercelulares das plantas e criam uma relação de benefício mútuo. A planta oferece albergue e nutrientes ao fungo, enquanto este lhe dá vigor e resistência contra pragas, enfermidades e a seca. O gramado que cobre um campo de Golfe ou de Futebol é beneficiado pela presença destes aliados invisíveis, pois confere a ele resistência aos inimigos naturais. Contudo, esta associação parece não

resultar, tão favoravelmente, para os animais em pastejo. Os animais em pastejo que consomem plantas com fungos endofíticos podem perder peso, diminuir a produção de leite ou sofrerem algum tipo de debilidade, menor fertilidade ou mesmo morrer.Antes de esclarecer tudo sobre os endófitos, as forrageiras, injustamente, adquirem a fama de venenosas.

Nas regiões temperadas, estudaram-se amplamente, estes efeitos, mas não se sabia o que ocorria na região tropical, até final de 1996. Naquele ano, uma equipe de Pesquisadores do Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT), com apoio financeiro do governo japonês, iniciou o estudo dos fungos endofíticos nos pastos tropicais. Graças a esse trabalho, conseguiu-se identificar, pela primeira vez, o fungo endofítico em Brachiaria, o Acremonium implicatum, que produz uma substância que protege a planta contra pragas e doenças e aumenta a resistência à seca. A semente de uma planta que contém este fungo vai gerar outra planta também com o fungo e assim sucessivamente. Os pesquisadores verificaram que os fungos endofíticos produzem algumas toxinas que atacam os fungos patogênicos e não conhecem ainda seu efeito sobre os animais em pastejo. Os principais atributos desta espécie forrageira são produtividade, tolerância à cigarrinha e a doenças, supressão de ervas daninhas, e sua adaptação à condição de baixa luminosidade.

O nome Marandu dado a esta cultivar significa Novidade, em Tupi Guarani. Apresenta a seguinte sinonímia segundo a região: palisade grass (Samoa), signal grass (Leste da África), St. Lúcia grass (Queensland), Ceylon sheep grass (Sri Lanka), Pasto alambe (América espanhola) Upright brachiaria (Zimbabwe), Bread grass (Sul da África), Estrela da África, Braquiarão, Brizantão (Brasil).

As cultivares de Brachiaria brizantha estão assim distribuídas na América Latina:

Marandu (1984-Brazil), Gigante (1989-Venezuela), Insurgente (1989-México), Diamantes1 (1991-Costa Rica), La Libertad (1987- Colômbia), Toledo (2000-Costa Rica), Toledo grass (2002-Colômbia, CIAT 26110), MG5-Vitória (2001-Brasil), Xaraés

(2003-Brasil).

2 - CARACTERÍZAÇÕES BÁSICAS

Nome científico: Brachiaria brizantha (A. Rich.) Stapf vr. Marandu.

Origem: África Tropical e do Sul.

Ciclo: perene.

Precipitação pluviométrica requerida: acima de 500 mm/ano.

Forma de crescimento: touceiras, semi-ereta.

Altura da planta: crescimento livre até 1,0 a 1,20 m.

Digestibilidade: satisfatória.

Palatabilidade: satisfatória.

Tolerância à seca: média.

Forma de uso: pastejo e eventualmente, produção de feno.

Tolerância a insetos: resistente à cigarrinha das pastagens.

Produção de forragem: 10 a 17 t MS/ha/ano.

3 - RECOMENDAÇÕES AGRONÔMICAS

Nível de fertilidade do solo: acima de média fertilidade

Acidez no solo: tolerante.

Forma de plantio: sementes.

Modo de plantio: a lanço.

Sementes necessárias: 7 a 14 kg/ha.

Profundidade de plantio: 2 cm.

Tolerância a solos mal drenados: baixa.

Tolerância a insetos: resistente á cigarrinha da pastagem

Tempo para a utilização: 90 a 120 dias após o plantio

Consorciação: todas as leguminosas

Adubação: de acordo com as recomendações técnicas determinadas pela análise de solo

Altitude: nível do mar até 3.000 m

Latitude: 30° N e S

Temperatura ótima: 30 a 35°C

Valor no controle da erosão: usada com muito sucesso

Dormência da semente: desprezível

Pureza: mínima 40%

Germinação: mínima 60%

7. Capim-massai cv. Massai)

(Panicum

maximum

Características da planta: gramínea perene que cresce em touceiras com altura média de 1 m, compostas por grande número de perfilhos finos e predominantemente eretos. Suas folhas apresentam lâminas estreitas (largura média de 1 cm), longas e curvadas e bainha recoberta por pêlos curtos e duros.

Principais atributos agronômicos: adapta-se bem em regiões onde a precipitação anual excede 1.000 mm. Apesar de tolerar a presença de alumínio tóxico (Al3+) no solo, sua boa implantação na pastagem depende da disponibilidade de níveis médio a alto de fertilidade do solo; idealmente, a saturação por bases do solo deve situar-se entre 40% e 50%.

O plantio consorciado do capim-massai com amendoim forrageiro (Arachis pintoi) e puerária (Pueraria phaseoloides) no estado do Acre (precipitação média anual de 1.890 mm), foi muito bem sucedido em termos de produção de forragem. Sua tolerância a condições de encharcamento do solo é mediana. As chances de sucessos da consorciação desse capim com estilosantes Campo Grande e estilosantes Mineirão são também muito boas, desde que cultivado em áreas bem drenadas.

Apresenta resistência à ‘cigarrinha-das-pastagens’ pertencente à espécie Notozulia entreriana.

Atributos especiais: essa cultivar tem a propriedade de manter a produtividade a despeito de decréscimos dos níveis de fósforo no solo, conseqüentes de sua exploração continuada.

Uso potencial: o porte baixo do capim-massai, associado à alta velocidade de rebrote e alta relação folha:talo, facilitam o manejo da pastagem. Seu uso sob pastejo, em áreas não irrigadas, proporciona produtividades de carne bovina por hectare/ano idênticas às proporcionadas pelo capim-braquiarão, porém, os ganhos individuais dos animais (bovinos) são inferiores aos obtidos com os capins tanzânia e mombaça.

Uma estratégia de utilização especialmente adequada para esse capim é o pastejo rotacionado. Apesar de ser mais utilizado como pastagem, sua utilização como feno está se popularizando. É muito bem consumido também por eqüinos.

Características De origem africana, o CAPIM MASSAI é um híbrido espontâneo entre o Panicum Maximum e o Panicum Infestum, estudado e desenvolvido pelo núcleo Gado de Corte da EMBRAPA, em Campo Grande, MS, a partir de 1984.

É uma cultivar que forma touceiras, com altura média de 60 cm e folhas quebradiças,

sem cerosidade e largura de 1 cm. As lâminas apresentam densidade média de pelos curtos e duros e a bainha densidade alta desses pelos. Os colmos são verdes e possui excelente produção de forragem, com grande velocidade de estabelecimento e de rebrota, média tolerância ao frio e boa resistência ao fogo.

É uma gramínea de múltiplo uso, isto é, tem muito boa aceitação entre bovinos, equinos

e ovinos. Em testes de comparação com outros Panicuns, o MASSAI mostrou-se vantajoso por apresentar melhor cobertura de solo, melhor persistência em terrenos com baixos níveis de fósforo, maior tolerância em áreas com grande concentração de alumínio e por apresentar mais resistência à cigarrinha-das-pastagens.

Seu sistema radicular é privilegiado, com raízes profundas que captam água e nutrientes com facilidade, e mais se adaptam às condições adversas do solo, como compactação, alta acidez, baixa fertilidade, etc.

Sua avaliação evidenciou que, sob pastejo rotacionado, o CAPIM MASSAI suportou 3,2 a 1,1 UA/ha durante o período das águas e o das secas, respectivamente, com os animais ganhando 400 g/dia durante o período das águas, mantendo esse nível de ganho durante o período seco, gerando uma produtividade média de 620 kg de peso vivo por hectare ao ano.

Adaptação a clima e solo Nos sete Estados escolhidos para se avaliar o potencial de adaptação a distintos climas e solos, o MASSAI destacou-se em todos eles, produzindo bem em diferentes latitudes, altitudes e precipitações pluviométricas. Nos estados do Acre e Minas Gerais, e no Distrito Federal, apresentou a mais alta produção de matéria seca de folhas e a mais alta porcentagem de folhas, mesmo quando comparado com forrageiras de porte alto como a Cv. Mombaça. No Pará ficou entre as cinco mais produtivas.

Plantio O preparo do solo para seu plantio é o convencional, ou seja, o mesmo utilizado para a formação de outras pastagens, e a semeadura logo após o início das chuvas. Em sua fase de implantação requer níveis de médio a alto de fertilidade de solo, sendo, porém, menos exigente em adubação de manutenção, já que persiste maior tempo em circunstâncias de baixa fertilidade, com boa produção sob pastejo. Por ser um capim precoce, floresce e produz sementes várias vezes ao ano, com ênfase para o mês de maio, quando atinge seu pico de produção.

Produção Agronômica Apesar de seu porte de apenas 60 cm de altura, a cultivar MASSAI apresentou produção de matéria seca equivalente a 15,6 t/ha semelhante à cultivar Colonião, cujo porte é de 150 cm de altura. Essa sua alta produção ocorre em virtude de possuir capacidade 30% maior de produzir folhas em relação aos colmos, e 83% maior de rebrota após os cortes. A concentração de proteína bruta apresentada foi semelhante à da cultivar Tanzânia-1, ou seja, 12,5% nas folhas e 8,5% nos colmos.

Considereações Múltiplo uso, sustentabilidade e adaptabilidade são as palavras chaves para se definir o CAPIM MASSAI. Sua oferta a todos os tipos de animais, seu desempenho altamente satisfatório associado a outras importantes características de adaptação, sua melhor cobertura do solo e persistência nos níveis mais baixos de fósforo, sua maior tolerância ao alumínio e resistência à cigarrinha-das-pastagens, seu sistema radicular com maior adaptabilidade às condições adversas de solo de baixa fertilidade e com déficit hídrico, fazem dessa cultivar uma forrageira ideal para a diversificação de áreas de pastagens e a viabilização da sustentabilidade de sistemas de produção de bovinos, equinos e ovinos. Sua utilização, em vista dos testes e avaliações efetuados durante os vários anos de pesquisa pela EMBRAPA, ensejará a eliminação definitiva do grave problema que vem alarmando os produtores rurais de vários Estados brasileiros, que é a “morte súbita das pastagens”.