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Seminário da disciplina Teorias da Educação

Equipe: Matriz Marxista

Membros: Remo Bastos, Pablo Carvalho, Araújo Filho, Bianka de Jesus, Francirene e Maria Inez.

ANTONIO GRAMSCI

Breve relato biográfico:

político,

político comunista.

Cientista

filósofo,

jornalista,

crítico

literário

e

Nasceu na Sardenha, Itália, em 22 de janeiro de 1891 e morreu em Roma, em 27 de abril de 1937, após mais de dez anos de encarceramento nas prisões do Estado fascista italiano, comandado por Benito Mussolini.

Sua origem humilde e todas as dificuldades econômicas que enfrentou na vida influenciaram decisivamente a conformação de suas opções político-ideológicas.

Tendo sido um bom estudante, Gramsci venceu um prêmio que lhe permitiu estudar literatura na Universidade de Turim. A cidade de Turim, à época, passava por um rápido processo de industrialização, com os sindicatos se fortalecendo, o que fez com que começassem a surgir conflitos social-trabalhistas. Gramsci frequentou círculos comunistas e associou-se com migrantes sardos.

No final de 1913 filia-se ao Partido Socialista Italiano.

Em Turim, trabalhou como jornalista em jornais de esquerda como Avanti (órgão oficial do Partido Socialista) e outros, alem de ter produzido muito como editor de diversos jornais comunistas na Itália.

Funda o Partido Comunista Italiano (PCI) em 21 de janeiro de

1921.

Em 1924, Gramsci foi eleito deputado pelo Veneto. Ele começou a organizar o lançamento do jornal oficial do partido, denominado L'Unità, vivendo em Roma.

Em 8 de novembro de 1926, é preso pela polícia de Mussolini. Em 1934, com a saúde seriamente abalada, recebeu a liberdade condicional, e após ter passado por alguns hospitais, faleceu aos 46 anos, três anos após de ter sido libertado.

Sua Pedagogia:

Educação para a emancipação das massas. Para ele, a tomada do poder pelos trabalhadores deve ser precedida por uma mudança de mentalidade, uma elevação cultural das massas, no sentido de livrá-las de uma visão de mundo que interioriza de forma acrítica a ideologia das classes dominantes.

Diferentemente da maioria dos teóricos marxistas do final do século XIX e inicio do século seguinte, que privilegiavam a esfera econômica, Gramsci deteve-se particularmente no papel da cultura e dos intelectuais nos processos de transformação da sociedade burguesa de sua época (as "sociedades ocidentais", como ele gostava de se referir). Suas idéias sobre educação surgem desse contexto, e para entendê- las, é fundamental a apreensão de um dos pilares do seu pensamento, o conceito de hegemonia.

Hegemonia é a relação de domínio de uma classe social sobre o conjunto da sociedade, domínio esse que se caracteriza por dois elementos: força e consenso. A força é exercida pelas instituições políticas e jurídicas e pelo controle do aparato policial-militar. Já o consenso é operado pelos "aparelhos privados de hegemonia", que atuam, sobretudo, na esfera cultural, conformando a liderança ideológica da classe dominante sobre a maioria da sociedade, através de um conjunto de valores morais, culturais e regras de comportamento.

Na escola preconizada por Gramsci, as classes desfavorecidas poderiam se inteirar dos códigos dominantes, a começar pela alfabetização. A construção de uma visão de mundo que desse acesso à condição de cidadão teria a finalidade inicial de substituir o senso comum.

Gramsci defendeu a concepção de “uma escola única inicial de cultura geral, humanista, formativa”. Ao contrário das teorias pedagógicas que defendiam (ou defendem) a construção do aprendizado pelos estudantes, Gramsci acreditava que, pelo menos nos primeiros anos de estudo, o professor deveria transmitir conteúdos aos alunos.

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(Texto indicado na bibliografia da disciplina, para ser abordado no nosso seminario: "Os Intelectuais e a Organização da Cultura", que corresponde ao primeiro capitulo da versao brasileira dos "Cadernos do Cárcere".)

CONTRIBUIÇÕES

INTELECTUAIS

HISTÓRIA

PARA

UMA

DOS

Formação dos Intelectuais

Os intelectuais formam um grupo autônomo e independente, ou cada grupo social tem uma sua própria categoria especializada de intelectuais?

Gramsci assinala que o problema é complexo por causa das várias formas que assumiu a criação das diversas categorias intelectuais. As mais importantes dessas formas são duas:

Todo grupo social, oriundo de uma função essencial no mundo da produção econômica, cria para si, ao mesmo tempo, organicamente, uma ou mais camadas de intelectuais que lhe dão homogeneidade e consciência da própria função, não apenas no campo econômico, mas também no social e político. São, na maioria dos casos, especializações” de aspectos parciais da sua atividade.”

Exemplo: o empresário capitalista, que cria consigo o técnico da indústria, o economista, o organizador de uma nova cultura, de um novo direito, etc.,

(Observar que Marx já aludia a isto na Ideologia Alemã, pg 49):

"Reencontramos aqui a divisão do trabalho mencionada antes como uma das forças capitais da história. Ela se manifesta também na classe dominante sob a forma de divisão entre o trabalho intelectual e o trabalho material, de tal modo que teremos duas categorias de indivíduos dentro dessa mesma classe. Uns serão os pensadores dessa classe, os ideólogos ativos, que teorizam e fazem da elaboração da ilusão que essa classe tem de si mesma sua substância principal, ao passo que os outros terão uma atitude mais passiva e mais receptiva em face desses pensamentos e dessas ilusões, porque eles são na realidade os membros ativos dessa classe e têm menos tempo para alimentar ilusões e idéias sobre suas próprias pessoas. Dentro dessa classe, essa cisão pode mesmo chegar a uma certa oposição e a uma certa hostilidade das duas partes em questão. Mas, surgindo algum conflito prático em que a classe toda fique ameaçada, essa oposição cai por si mesma." (49)

Notar que, na criação desse tipo de intelectual, para Gramsci, o empresário já representa uma elaboração social superior, já caracterizada por uma capacidade não somente dirigente e técnica (na sua área de atuação), mas principalmente organizativa da sociedade em geral, até o organismo estatal, tendo em vista a necessidade de criar as condições mais favoráveis à expansão de sua classe ou, pelo menos, deve possuir a capacidade de escolher os “prepostos” (empregados especializados) a quem confiar esta atividade organizativa das relações gerais exteriores à empresa.

Vejamos agora a outra forma de desenvolvimento de categoria de intelectuais:

“Aquele grupo social anterior, contudo, encontrou categorias intelectuais preexistentes, as quais apareciam, aliás, como representantes de uma continuidade histórica que não foi interrompida nem mesmo pelas mais complicadas e radicais modificações das formas sociais e políticas. A mais típica destas categorias intelectuais é a dos eclesiásticos, que monopolizaram durante muito tempo alguns serviços importantes: a ideologia religiosa, isto é, a filosofia e a ciência da época, através da escola, da instrução, da moral, da justiça, da beneficência, da assistência, etc.”

(Mas o monopólio das superestruturas por parte dos eclesiásticos não foi exercido sem luta e sem limitações; e, por isso, nasceram outras categorias, favorecidas e ampliadas pelo fortalecimento do poder central do monarca, até o absolutismo. Assim, foi-se formando a aristocracia togada, com seus próprios privilégios, bem como uma camada de administradores, etc., cientistas, teóricos, filósofos não eclesiásticos, etc.)

Autonomização: Dado que estas várias categorias de intelectuais tradicionais sentem com “espírito de grupo” sua ininterrupta continuidade histórica e sua “qualificação”, eles se põem a si mesmos como autônomos e independentes do grupo social dominante.

Esta autoposição tem conseqüências de grande importância no campo ideológico e político: toda a filosofia idealista pode ser facilmente relacionada com esta posição assumida pelos intelectuais e pode ser definida como a expressão desta utopia social segundo a qual os intelectuais acreditam ser “ independentes”, autônomos, dotados de características próprias, etc.

Critério unitário para caracterizar as diferentes atividades intelectuais e para distingui-lo dos outros agrupamentos sociais:

Gramsci observa que o erro metodológico mais difundido na busca desse critério tem sido procurá-lo no que é intrínseco às atividades intelectuais, ao invés de buscá-lo no conjunto do sistema de relações no qual essas atividades se encontram, ou seja, no conjunto geral das relações sociais. Ele explica, ilustrando que nem o operário, e nem o empresário se caracterizam pelo tipo de atividade restrita, instrumental, que desempenham, mas por essas atividades em determinadas relações sociais.

"Todos os homens são intelectuais, mas nem todos os homens têm na sociedade a função de intelectuais"

(Cita o exemplo de que se alguém fritar dois ovos ou costurar um rasgão no paletó não significa que seja cozinheiro ou alfaiate).

Gramsci salienta que, então, quando se faz a distinção entre intelectuais e não intelectuais, faz-se referencia, na verdade, só à imediata função social da categoria profissional dos intelectuais, isto é, leva-se em conta o maior peso da atividade desenvolvida na ocupação, se constituída de esforço intelectual ou esforço muscular-nervoso. Como a relação entre esses dois tipos de esforços em qualquer ocupação pode pender para um ou outro, mas não exclui nenhum dos dois, é precisamente por isso que não existe não intelectuais.

"Não existe atividade humana da qual se possa excluir toda intervenção intelectual, não se pode separar o homo-faber do homo-sapiens. Em suma, todo homem, fora de sua profissão, desenvolve uma atividade intelectual qualquer, ou seja, é um "filósofo", um artista, um homem de gosto, participa de uma concepção do mundo, possui uma linha consciente de conduta moral, contribui assim para manter ou para modificar uma concepção do mundo, isto é, para promover novas maneiras de pensar."

Hegemonia ideológica (hegemonia, no sentido de vitória de uma visão de mundo sobre outras, a ser conseguida através da ocupação de espaços ideológicos):

"Formam-se assim, historicamente, categorias especializadas para o exercício da função intelectual; formam-se em conexão com todos os grupos sociais, mas especialmente em conexão com os grupos sociais mais importantes, e sofrem elaborações mais amplas e complexas em ligação com o grupo social dominante. Uma das mais marcantes características de todo grupo social que se desenvolve no sentido do domínio é sua luta pela assimilação e pela conquista "ideológica" dos intelectuais tradicionais, assimilação e conquista que são tão mais rápidas e eficazes quanto mais o grupo em questão elaborar simultaneamente seus próprios intelectuais orgânicos."

Observa Gramsci que o processo de elaboração das camadas intelectuais na realidade concreta não ocorre num terreno democrático abstrato, mas de acordo com processos históricos tradicionais muito concretos.

Na Itália, ele relata que se formaram camadas que, tradicionalmente, "produziam" intelectuais (a pequena e média burguesia). A dualidade de tipos de escolas entre clássica e profissional conforma as aspirações das camadas às quais as mesmas se destinavam. Assim, na Itália de Gramsi, a burguesia rural produzia notadamente funcionários estatais e profissionais liberais, e a burguesia urbana técnicos para a indústria: por isso, o norte da Itália produzia preponderantemente técnicos e o sul funcionários e profissionais (burocratas). A relação entre os intelectuais e o mundo da produção é mediada, em diversos graus, pelo conjunto das superestruturas, do qual os intelectuais são exatamente os "funcionários". Ou seja,

Pode-se aferir como os diferentes estratos intelectuais servem à classe dominante, em função das gradações de suas ocupações na sociedade civil e no Estado.

Neste (no Estado), a classe dominante exerce, com a ajuda da camada mais refinada de intelectuais, a hegemonia em toda a sociedade, expressa no governo "jurídico". Ou seja, os intelectuais são os "comissários" do grupo dominante para o exercício das funções subalternas da hegemonia social e do governo político. Essa hegemonia é exercida sob duas formas:

1.

Através do consenso "espontâneo" dado pelas grandes massas da população à orientação ideológica imposta pela classe dominante à vida social, em função do seu prestígio (e, portanto, da confiança), por causa de sua posição social e econômica no mundo da produção;

2. Através da coerção estatal que assegura "legalmente" a disciplina dos grupos que não "consentem", nem ativa nem passivamente, mas não só para eles, e sim para todos que não legitimarem e aquiescerem com o status-quo.