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Técnicas Utilizadas No Diagnóstico E Seguimentos

Métodos de diagnóstico

Os métodos antigos para a detecção da glicose no sangue, no geral

baseiam-se no seu poder redutor frente aos metais como o cobre, que

cede electrões com facilidade, e convertem-se a outros iões metálicos de

cor diferente.

Os métodos modernos são enzimáticos e variam consoante as enzimas utilizadas (hexoquinase, glicose oxidase, glicose desidrogenase).

Existem variantes em formas de tiras/fitas reactivas para a denominada de

química seca (Fitas)

Glicémia Em Jejum

O valor da glicémia em jejum tem sido muito utilizado, sobretudo para descartar alterações grosseiras do metabolismo dos carbohidratos.

Está influenciada por muitos factores endógenos (stress, insónia, exercício físico) e exógenos (excesso de medicamentos),

Muitos especialistas preferem realizar a PTG, que mede, a resposta do organismo.

Pós-prandrial

Com esta prova, realiza-se uma comparação do valor basal da

glicose com o valor medido 2 horas.

Após ingestão de uma sobrecarga de glicose oral (75 g de glicose

dissolvidos em um copo de água).

Permite verificar, se o pâncreas produz insulina em tempo hábil para

degradar a glicose circulante.

Pós Dextrose

Semelhante a pós-prandrial

Administrado 1 g de dextrose por cada kg de peso (oferece valores precisos);

Ela compara os 2 valores

Atenção a glicémia de jejum tem de ser 140 mg/dl, uma vez que

se for superior o paciente poderá sofrer um Infarto MA.

PTG ou A Curva Glicémica

Semelhante a pós-dextrose, mas com uma vantagem: faz-se várias

dosagens (30, 60, 90 e 120 minutos) em vez de após 2 horas.

Permite saber o tempo exacto em que o pâncreas iniciou a liberação

da insulina.

Útil no diagnóstico da DM Tipo II.

HB A1C

É uma modificação pós sintética da Hb A produzida pela glicosilação da

Hb através de uma reacção não enzimática, lenta, irreversível e depende

fundamentalmente da concentração da glicose circulante.

Este método mede a percentagem de hemoglobina A 0 que está unido ao açúcar.

Representa um índice muito objectivo dos níveis médios de glicémia nos

últimos 3 meses (tempo média de vida da Hb).

Metodologia importante e ideal para seguir a evolução, a longo prazo,

nos pacientes diabéticos, tantos do tipo I como o II.

Outras Metodologias

Níveis de Insulina Plasmática: funcionamento das células beta dos ilhéus de

Langerhans no pâncreas;

Doseamento do Glucagon ou Glucagina

Glicosúria ou Glicose na Urina: Usa-se as tiras reactivas;

Perfil Lipídico: Níveis de colesteróis (total, HDL e LDL) e triglicerídeos

Acetonúria

PATOLOGIAS ASSOCIADAS A DIABETES

Universidade Jean Piaget De Cabo Verde AS ENZIMAS PLASMÁTICAS

Universidade Jean Piaget De

Cabo Verde

AS ENZIMAS PLASMÁTICAS

Universidade Jean Piaget De Cabo Verde AS ENZIMAS PLASMÁTICAS

Enzimas Plasmáticas.

Função fisiológica e classificação das enzimas.

Patologias associadas a enzimas Plasmáticas.

As Enzimas da Função Hepática

Pancreática

Ósseo e Cardíaco.

AS ENZIMAS

Proteínas

globulares,

que

catalisam

as

reacções

químicas,

aumentando a sua velocidade sem serem destruídas, consumidas ou

alteradas nesse processo.

As enzimas estão presentes em todos os tecidos e fluidos orgânicos e

Devido ao seu papel na manutenção da vida

O

estudo da regulação farmacológica das enzimas tem se tornado

um elemento chave no diagnóstico clínico e na terapêutica.

As Várias Formas Das Enzimas

Denominadas de isoenzimas são as múltiplas formas moleculares de

uma enzima.

Catalisam as mesmas reacções.

São codificadas por genes diferentes.

Diferem

na (modificação pós-tradução).

sua

estrutura

por

variantes

genéticas

Existem ainda: os heteropolímeros

Proteínas

conjugadas

ou

derivados

(Apoenzimas,

Holoenzimas Apo + co-factor).

e

não

genéticas

Coenzimas

e

as

Funções Das Enzimas

As enzimas aceleram a velocidade de uma reacção química e não

são consumidas nem destruídas no processo.

As

enzimas podem ser reguladas (activadas ou inibidas) de modo

que a velocidade de formação do produto responda às necessidades

da célula

São consideradas unidades funcionais do metabolismo celular.

Classificação E Nomenclatura Das Enzimas

Existem 3 métodos para a nomenclatura enzimática:

Nome recomendado utiliza o sufixo ase, adicionado ao nome do substrato para caracterizar a enzima.

Ex. Urease, peptidase.

Nome usual algumas mantém o seu nome trivial original, o qual não tem qualquer associação com a reacção enzimática.

Ex. Tripsina, pepsina.

Nome Sistemático mais complexo, nos dá informações sobre a função metabólica da enzima, estabelecido pela UIB.

Ex. ATP-G-Fosfotransferase.

Classificação Internacional das Enzimas

Classe

Reacção catalisada

1. Oxidoredutases

Transferência de electrões

1. Transferases

Reacções de transferências de grupos

1. Hidrolases

Reacções de hidrólise (transferência de grupos

funcionais para a água)

1. Liases

Adição de grupos em ligações duplas, ou formação

de ligações duplas por remoção de grupos

1. Isomerases

Transferência de grupos dentro de uma mesma

molécula produzindo formas isoméricas

1. Ligases

Formação de ligações C C, C S, C O e C N através de reacções de condensação acopladas à hidrólise de ATP.

Propriedades Das Enzimas

As enzimas são catalisadores biológicos extremamente eficientes que aceleram em média 10 3 a 10 8 vezes a velocidade da reacção.

Capaz de transformar de 100 a 1000 moléculas de substratos em

produto por segundo.

Actuam em concentrações muito baixas e em temperatura e pH

fisiológicos

CINÉTICA ENZIMÁTICA

A maioria das enzimas tem algumas propriedades cinéticas em

comum.

A velocidade de uma reacção enzimática depende além da [ ] de

substratos e enzimas

Ainda

de

outros

inibidores, etc.

factores

como:

pH,

temperatura,

presença

de

Temperatura

Quanto aumenta a temperatura

Aumenta a velocidade da reacção até

se atingir

A temperatura óptima (ideal), a partir

do qual a actividade volta a diminuir

Pela desnaturação da molécula.

óptima (ideal), a partir do qual a actividade volta a diminuir  Pela desnaturação da molécula.

O pH

 Existe um pH ideal para cada uma das enzimas, onde a distribuição de cargas
 Existe
um pH ideal para
cada uma das
enzimas,
onde
a
distribuição
de cargas
eléctricas
da
molécula
da
enzima
e,
em
especial
do
sítio
activo,
é
ideal
para
a
catálise enzimática.
 Portanto,
enzimas
que
tem
a
sua
velocidade ideal em
 pH ácido – Pepsina, Amilase
 Neutro – As Catalases
 Alcalina – A tripsina, fosfatases, arginase

Inibidores

São qualquer substâncias que reduzem a velocidade de uma reacção enzimática. Podem ser:

Inibidores irreversíveis aqueles que se ligam ou destroem um grupo funcional,

imprescindível para a actividade enzimática.

Inibidores reversíveis caracterizados por uma rápida dissociação o complexo enzima-

inibidor (E-I).

Competitivos em que a enzima pode ligar-se ao substrato ou ao inibidor, mas não aos

dois simultaneamente.

Esse tipo de inibição é revertido pelo simples aumento da concentração do substrato

(competição)

Não-competitivos o inibidor liga-se à enzima em um local diferente do sítio activo, alterando a sua conformação.

Enzima pode ligar-se simultaneamente ao inibidor e ao substrato.

METODOLOGIAS DE ESTUDO DAS ENZIMAS

Os métodos que analisam o consumo do substrato.

Métodos que analisam o produto formado.

Produto formado na reacção já é um composto corado

Produto formado tem que ser transformado em compostos corados

Métodos que analisam a variação de absorção da Coenzima que participa da

reacção enzimática.

Métodos optimizados com elevada sensibilidade e excelente reprodutibilidade;

Outros métodos são os imunoensaios, electroforese, titulometria, etc.

AS ENZIMAS PLASMÁTICAS

E A SUA SÍNTESE

LOCAIS DE SÍNTESE E TIPOS

Todas

as

enzimas

intracelularmente.

presentes

no

corpo

humano

são

sintetizadas

Enzimas plasma-específicas: Enzimas activas no plasma utilizadas no mecanismo de coagulação sanguínea e fibrinólise.

Enzimas secretadas:

geralmente

na forma

inactiva

e

activação actua extracelularmente.

após a

sua

Enzimas celulares: Normalmente apresentam baixos teores séricos que

aumentam quando são liberadas a partir de tecidos lesados por alguma

doença.

A ENZIMOLOGIA CLÍNICA

A ENZIMOLOGIA CLÍNICA

A ENZIMOLOGIA CLÍNICA

É definida como sendo a aplicação das ciências das enzimas ao

campo do diagnóstico e tratamento das patologias.

Utilidade da Enzimologia Clínica

Medidas da actividade de enzimas são importantes no diagnóstico de

várias doenças.

São indicadores sensíveis de lesões ou proliferações celulares.

As determinações enzimáticas contribuem para estabelecer a causa,

localização e grau de extensão da lesão, controlo de tratamento e

ainda determinar a cura.

O AUMENTO E A DIMINUIÇÃO SÉRICA DAS ENZIMAS

Em

condições

normais

as

actividades

enzimáticas

permanecem

constantes, reflectindo o equilíbrio entre estes processos.

Quatro factores são responsáveis pelos níveis plasmáticos ou séricos

das enzimas.

Factores que influem os níveis plasmáticos ou séricos

A entrada das enzimas no sangue (enzimas que saem das células e

aumento da síntese);

Vazamento

das

orgânicas);

enzimas

das

células

Síntese enzimática alterada e

A própria depuração das enzimas

(vírus

ou

substâncias

O aumento sérico de enzimas é quase sempre resultado da…

Lesão celular extensa

Proliferação celular e aumento na renovação celular

Aumento na síntese enzimática

Obstrução de ductos ou canais que afectam sobretudo as enzimas

normalmente encontradas nas secreções exócrinas.

Doenças concomitantes, por exemplo à insuficiência renal.

Uma redução sérica das enzimas é quase sempre o resultado de

Síntese enzimática reduzida

Deficiência congénita de enzimas → caso da hipofosfatasemia

congénita

Variantes enzimáticas inerentes com baixa actividade biológica.

AS PRINCIPAIS ENZIMAS DE USO CLÍNICO

A determinação de enzimas no laboratório clínico tem grandes

aplicações como:

No diagnóstico, prognóstico

Acompanhamento da terapia de diversas patologias,

Especialmente no caso das doenças hepáticas, cardíacas, ósseas,

musculares e pancreáticas.

Enzimas

Tecidos de origem

Principais

aplicações

 

clínicas (Significado)

Amilase

G. Salivares, pâncreas e

Diagnóstico de doenças

ovários

pancreáticas

Transaminases

Fígado, músculo-esquelético, coração, rim, eritrócitos

Doenças do parênquima

hepático, IM, doença

muscular

PSA

Próstata

Carcinoma da próstata

Creatinoquinase CK, CPK

Músculo-esquelético, cérebro, coração, Músculo

liso

IM, e doenças musculares

Fosfatase ácida

Próstata, eritrócitos

Carcinoma da próstata

Fosfatase alcalina

Fígado, osso, mucosa

intestinal, rim

Doenças hepáticas e ósseas

GGT

Fígado, rim

Doenças hepátobiliar,

alcoolismo

Lactato desidrogenase

Coração, fígado, músculo- esquelético, eritrócitos

IM, Hemólise, doenças do parênquima hepático,

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Lipase

Pâncreas

Doenças pancreáticas

A FUNÇÃO HEPÁTICA

A FUNÇÃO HEPÁTICA

A FUNÇÃO HEPÁTICA

O fígado é um dos maiores órgãos glandulares e possui inúmeras

funções metabólicas:

Síntese de proteínas, ureia, bile,

Modificação de gorduras,

Armazenamento de glicose, vitaminas, ferro,

Remoção de substâncias tóxicas.

As principais enzimas hepáticas

As enzimas hepáticas após a sua síntese, quando liberadas do fígado,

tem acesso imediato à corrente sanguínea.

As principais enzimas hepáticas são: a GOT/ALT, GPT/AST, GGT,

LDH e ALP (fosfatase alcalina).

O doseamento da GOT/ALT, GPT/AST, GGT, identificam mais de

95% das formas de lesão hepática.

ENZIMAS HEPÁTICAS E AS PATOLOGIAS ASSOCIADAS

Os Testes de função hepática descrevem a função do fígado mas

Também a presença de lesão hepatocelular e das vias biliares.

Costuma incluir AST, ALT, fosfatase alcalina, GGT, albumina,

bilirrubinas total e fracções e actividade da protrombina.

As Transaminases

São enzimas que catalisam a transferência de um grupo alfa-amino de um

aminoácido para um alfa-cetoácido, com a formação de novos alfa-amino e

alfa-cetoácido (Ciclo Krebs).

O fígado produz mais de 60 transaminases, sendo que apenas 2 são de

maior importância clínica o ALT/GPT e o AST/GOT.

O aumento das transaminases está associado a várias desordens que afectam o sistema hepátobiliar.

Temos 2 Tipos:

AS TRANSAMINASES GLUTÂMICA-OXALACÉTICA (GOT)

Encontrados

esqueléticos

fígado,

miocárdio,

pâncreas,

rins,

eritrócitos,

músculos

Também no citoplasma e também nas mitocôndrias.

Utilidade: Diagnóstico diferencial de doenças do Sistema Hepatobiliar e do Pâncreas, Infarto do miocârdio e miopatias.

Aumento:

Doenças hepáticas, hepatite viral aguda (20 100x), hepatite alcoólica,

Congestão (Cirrose, Obstrução Biliar, Cancro metastático)

Eclâmpsia e drogas hepatotóxicas.

IAM após 48h, doenças músculo-esqueléticas;

Pancreatite aguda, anemia hemolítica; queimaduras.

TRANSAMINASES GLUTÂMICA-PIRÚVICA (GPT)

Origem

citoplasmática

eleve

rapidamente

após

a

lesão

hepática,

tornando-se um marcador sensível da função do fígado.

Maiores concentrações: Fígado, rim, coração e músculo-esqueléticos

[

] nos recém-nascidos imaturidade dos hepatócitos, valores tornam

normais a adultos por volta dos 3m

Aumentadas: Obesidade 1 a 3x o GOT não aumenta

Pré-eclampsia grave

Leucemia linfoblástica aguda

Baixa: Infecção do tracto gástrico, neoplasias.

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Patologias associadas as Transaminases

Desordens hepatocelulares

Lesões ou destruição das células hepáticas

Hepatites Virais agudas (100x) - GPT que a GOT

A Cirrose hepática do GOT é maior que a do GTP.

Mononucleose infecciosa (20x)

Colestase extrahepática aguda retenção de cálculos biliares, carcinoma

Infarto do miocárdio AST (GOT) Após 6 a 8 horas

Pancreatite aguda (2 a 5x) Outras desordens como a inflamação dos ductos biliares.

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Gama glutamiltransferase (GGT)

Encontrada em grande quantidade no fígado, rins, pâncreas, intestino e próstata.

Avaliam a capacidade de excreção do fígado;

Associam-se a alterações hepatobiliares (90% dos casos alterados).

Associadas a neoplasias primário ou secundário do fígado e a

obstrução biliar.

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GGT

Utilidade Diagnóstica

Lesões hepáticas ligadas ao álcool

Colestase (bloqueio do fluxo biliar) crónica e

Outras patologias hepáticas e biliares.

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