Você está na página 1de 65

INSTITUTO DE ENSINO SUPERIOR SANTO ANTÔNIO – INESA CURSO DE GRADUAÇÃO DE ADMINISTRAÇÃO

VANESSA STEFFEN

TRANSAÇÃO INTERNACIONAL ATRAVÉS DE UTILIZAÇÃO DA MODALIDADE DE PAGAMENTO CARTA DE CRÉDITO

JOINVILLE

2008

VANESSA STEFFEN

TRANSAÇÃO INTERNACIONAL ATRAVÉS DE UTILIZAÇÃO DA MODALIDADE DE PAGAMENTO CARTA DE CRÉDITO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de Administração do Instituto de Ensino Superior Santo Antônio – INESA – como requisito parcial para a obtenção do grau de Bacharel em Administração.

Orientador: Prof º Tárcio Vieira, Específico.

JOINVILLE

2008

TERMO DE APROVAÇÃO

A aluna Vanessa Steffen, regularmente matriculada no 8º semestre do curso de

administração, apresentou e defendeu o Trabalho de Conclusão de Curso, obtendo

tendo sido

da Banca Examinadora a média final

considerada

(

),

Joinville, 09 de julho de 2008.

Marcelo Rodrigo Pezzi, Mestre Coordenador do Curso

Banca Examinadora:

Tárcio Vieira, Presidente.

Tânia Regina Conceição, Membro.

Adelir Stolf, Membro.

DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho ao meu namorado, Genilson a quem compartilho todos os momentos de minha vida e tenho muito a agradecer pelo incentivo, compreensão, carinho e amor. A minha família, a qual agradeço pelo que sou hoje. Amo vocês. Muito Obrigada!

AGRADECIMENTOS

Primeiramente, agradeço a Deus por estar ao meu lado nos momentos mais difíceis da minha vida, me guiando e

dando coragem para seguir e superar

conquista. Gostaria de agradecer a todas as pessoas que por diversas vezes e todas importantes, cooperaram para eu chegar ao âmbito deste trabalho. Aproveito para agradecer ao meu orientador Tárcio Vieira pela motivação e dedicação ao desenvolvimento do trabalho. Agradeço também aos professores como: Rildo, Antonio Monteiro, Tânia, Darci, Patrícia, Rogério, Marco Antonio e aos demais que contribuíram com a minha formação acadêmica ao longo destes anos. O meu Muito Obrigada aos proprietários da Empresa Alane Confecções Ltda, em especial ao diretor de vendas, que colaboraram para o enriquecimento deste. As minhas amigas Jaqueline, Leidi e os demais colegas de classe, meu agradecimento, pois nesse período compartilhamos e superamos todos os obstáculos, em especial agradeço a minha melhor amiga Vanessa Goulart Cancellier Raimundi por sua amizade, compreensão e incentivo nos momentos difícil durante a academia. Obrigada a todos que me acompanharam nesta jornada, pela paciência e compreensão das minhas falhas e fraquezas, me ajudando a conquistar mais este acontecimento na minha vida.

mais esta

As pessoas são do tamanho de seus sonhos. Fábio Barbosa.

RESUMO

Este estudo demonstra a importância da utilização adequada de uma forma de pagamento. Devido a grande concorrência no mercado internacional as empresas precisam constantemente buscar modalidades que melhor se adaptam as suas necessidades, como: redução de custo, maior segurança na negociação, agilidade nos processos, satisfação dos clientes e viabilidade nos negócios. Assim, é importante compreender que muitas empresas, principalmente as de menores portes, não têm suporte ou conhecimento necessário e precisam buscar informação de como se efetua uma exportação. Exportar não é somente enviar mercadorias para o exterior e recolher os impostos para União, é preciso um estudo do assunto e um planejamento de todos os atributos que compõe esta base, a forma de pagamento é um dos temas dentro da exportação com maior grau de relevância e que deve ser analisado todos os ângulos, se viável ou não a empresa, pois há tipos de pagamentos que reduz o custo da exportação, em controvérsia o risco de inadimplência é alto e vice-versa. Em tese é distinguido o significado de uma exportação e uma importação, conseqüentemente é mencionada a forma de despachos nas aduanas, os principais documentos exigidos em uma exportação e como foi a introdução das empresas brasileiras no mercado internacional. Nesse contexto foram apresentadas algumas formas de pagamentos para quitação de negociações internacionais e as informações necessárias para proceder fora do território nacional. Dentre as condições de negociações e/ou pagamentos foi abordada e enfatizada a Carta de Crédito, a qual se trata de compromisso assumido entre as partes, simplesmente tem que ser cumprida em conformidade com as normas da UCP 500. O problema levantado para a elaboração deste trabalho é saber qual o tipo de modalidade de pagamento internacional que melhor se adapta a empresa Alane Confecções Ltda., já que a mesma tem interesse de ingressar nesse segmento. O objetivo desde é definir e demonstrar a forma de pagamento ideal para as necessidades da empresa, facilitando a venda no exterior e diminuindo o risco de inadimplência. Evidenciar que para uma empresa com o perfil da Alane Confecções, a melhor modalidade de pagamento é a Carta de Crédito, que ainda se divide em várias formas de Carta de Crédito na qual a empresa pode se adequar conforme as necessidades que poderão surgir. A natureza da pesquisa realizada neste trabalho foi aplicada com abordagens qualitativas, exploratórias e explicativas, já o procedimento de coleta de informações foi através de pesquisa bibliográfica.

Palavras-chave: Comércio Exterior, Exportação, Carta de Crédito.

SUMÁRIO

RESUMO

LISTA DE GRÁFICOS

LISTA DE FIGURAS

LISTA DE TABELAS

LISTA DE SIGLAS

1 INTRODUÇÃO

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 O DESENCADEAMENTO DO COMÉRCIO INTERNACIONAL

2.2 IMPORTAÇÃO

2.3 EXPORTAÇÃO

2.4 DESEMBARAÇO ADUANEIRO

2.5 PRINCIPAIS DOCUMENTOS

2.6 INTRODUÇÃO DAS EMPRE SAS BRASILEIRAS NO C OMÉRCIO INTERNA- CIONAL

2.7 FORMA DE PAGAMENTO INTERNACIONAL

2.8 PAGAMENTO ANTECIPADO OU DOWN PAYMENT

2.9 COBRANÇA BANCÁRIA

2.9.1

2.9.2

2.10 REMESSA DIRETA

2.11

Cobrança bancária à vista ou At Sight

Cobrança bancária a prazo ou Time Draft

CRÉDITO DOCUMENTÁRIO, CARTA DE CRÉDITO OU LETTER OF CREDIT

2.12 TIPOS DE CARTA DE CRÉDITO

2.12.1 Carta de crédito à vista

2.12.2 Carta de crédito a prazo

2.12.3 Carta de crédito revogável e irrevogável

2.12.4 Carta de crédito transferível ou intransferível

2.12.5 Carta de crédito rotativa

2.12.6 Stand-by letter of credit

2.12.7 Bid letter of credit

2.13 ETAPAS PARA UTILIZAÇÃO DA CARTA DE CRÉDITO

2.14 RED CLAUSE

2.15 ANÁLISE DA CARTA DE CRÉDITO SEGUNDO A UCP 500 + EUCP

2.16 SEQÜÊNCIA DE TÓPICOS DA CARTA DE CRÉDITO

2.17 DISCREPÂNCIAS EM CRÉDITOS DOCUMENTÁRIOS

2.18 DISCREPÂNCIAS COMUMENTE ENCONTRADAS EM CARTA DE CRÉDITO

6

9

10

11

12

14

16

16

19

20

21

24

24

29

30

31

31

32

33

34

35

35

35

36

36

37

37

38

38

40

40

41

43

44

3

CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA

47

3.1 HISTÓRICO

47

3.2 INSTALAÇÕES

47

3.3 ORGANOGRAMA

47

3.4 MISSÃO E VISÃO

48

3.4.1 Missão

48

3.4.2 Visão

48

4

METODOLOGIA

49

4.1

TIPO DE PESQUISA

49

4.1.1 Pesquisa

qualitativa

49

4.1.2 Pesquisa

exploratória

50

4.1.3 Pesquisa

explicativa

50

4.1.4 Pesquisa

bibliográfica

51

 

4.2

INSTRUMENTO DE PESQUISA

51

5

DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA

52

5.1 PROBLEMA DA PESQUISA

52

5.2 OBJETIVO GERAL

52

5.3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

52

5.4 JUSTIFICATIVA

52

6

ANÁLISE DA PESQUISA

54

6.1

PROPOSTA DE MELHORIA

54

7

CONSIDERAÇÕES FINAIS

57

REFERÊNCIAS

59

APÊNDICE

61

LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 . Gráfico dos principais países de destino - Janeiro de 2008

27

LISTA DE FIGURAS

Figura 1. Organograma da empresa Alane Confecções

47

LISTA DE TABELAS

Tabela 1. Quantidades totais de RE registradas e desembaraçadas. Período:

janeiro de 1997 a dezembro 2006

23

Tabela 2. Quantidades diárias de RE registradas e desembaraçadas. Período: janeiro de 1997 a dezembro 2006

23

Tabela 3. Exportações segundo as principais mercadorias - Janeiro de 2008

26

Tabela 4. Exportação segundo os países de destino - Janeiro de 2008

27

Tabela 5. Distinções das Formas de Pagamentos Internacionais mais Utilizadas

56

LISTA DE SIGLAS

Aboard – A bordo. Bacen – Banco Central do Brasil.

B/L – Bill of Lading - Conhecimento de embarque.

BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

Camex – Câmara de Comércio Exterior.

CCI – Câmara de Comércio Internacional.

Certificate – Certificado. Consular Certificate – Certificado consular. Consular Invoice – Fatura consular. Date – Data, prazo. DDE – Declaração de Despacho Aduaneiro. Decex – Departamento de Operações de Comércio Exterior. Decom – Departamento de Defesa Comercial. Deint – Departamento de Negociações Internacionais (DEINT).

Depla – Departamento de Planejamento e Desenvolvimento do Comércio Exterior. DI – Declaração de Importação. Draft – Saque ou letra de câmbio. Drawback – Incentivo Fiscal. Export Licence – Registro de Exportação. Export Permit – Registro de Exportação. Import Licence – Licença de Importação. Insurance Policy – Apólice de Seguro. Invoice – Fatura Comercial. Irrevocable Credit – Carta de Crédito Irrevogável. Loading Port – Porto de Embarque.

L/C ou Letter of Credit – Letra de Câmbio.

Marine Insurance – Seguro Marítimo. MDIC – Ministério do Desenvolvimento, Indústria, e Comércio Exterior.

MRE – Ministério das Relações Exteriores. ONU – Organização das Nações Unidas. REI – Registro de Exportação e Importação. Secex – Secretaria de Comércio Exterior. Siscomex – Sistema de Comércio Exterior Brasileiro. SRF – Secretaria da Receita Federal. UCP 500 OU 525 – Norma Internacional referente a utilização da Carta de Crédito.

1 INTRODUÇÃO

Atualmente o mundo internacional dos negócios vem crescendo dia após dia e conseqüentemente os Estados Soberanos estão influenciando para que este nicho cresça ainda mais, com isso, os índices de inadimplência vem acompanhando gradualmente, dificultando as negociações e a entrada de muitas empresas exportadoras. No desenvolvimento deste estudo foi abordado sobre o início do Comércio Internacional que se originou na Antiguidade, na Mesopotâmia e Egito, de modo que o comércio era feito através do escambo de mercadorias. Os oásis eram utilizados como depósito de mercadorias, formando as tão conhecidas caravanas. A ampliação das práticas de comércio internacional foi através do desenvolvimento das técnicas de transporte e comunicação. Desta época até a atualidade estas práticas comerciais só vieram a aumentar, não conhecendo mais fronteiras e atingindo a todos os países, indiferente do tipo de transporte (SOUZA, 2003). As exportações e importações se fizeram devido à necessidade dos países em suprir a ausência de algum produto que não consegue produzir, seus motivos são diversos, sendo que os fatores podem variar desde impossibilidade climática até mesmo a tecnologia não aprimorada (RATTI, 2007). Com estas operações se faz necessário à administração aduaneira do Estado para controlar o fluxo de mercadorias que entram e saem do país. Por isso, criou-se o Siscomex, sistema que controla eletronicamente e emite os registros e documentos necessários para que os exportadores e importadores tenham a autorização para estas operações. Estas fiscalizações são feitas em todas as zonas alfandegárias, desde portos, aeroportos e postos de fronteiras do país (LUZ, 2007). As formas de pagamentos internacionais mais utilizadas são: Pagamento Antecipado, Cobrança Bancária, Remessa Direta e Carta de Crédito, seguindo do detalhamento dos diversos tipos de Carta de Crédito e a interpretação da UCP 500 + eUCP, que regulamenta as normas da mesma. O estudo foi realizado com o intuito de desenvolver a resposta do problema principal da pesquisa: como utilizar o recurso da ferramenta de Carta de Crédito

15

para minimizar o risco da inadimplência no mercado internacional?

A finalidade foi destacar as formas de pagamento, as vantagens e

desvantagens de cada uma, após esta análise, tornar evidente que a Carta de Crédito foi a alternativa ideal para a Alane Confecções ingressar no mercado internacional, reduzindo o risco de inadimplência na transação. As negociações internacionais são imprevisíveis e torna difícil a cobrança

por ressarcimento de despesas ou prejuízo em outro país. Desta forma, a Carta de Crédito garante segurança nas negociações, tanto dos importadores como exportadores melhorando a capacidade competitiva de mercado, diminuindo a falta de pagamento e comprometendo o fornecedor, ao assumir compromisso perante seus compradores.

O objetivo geral da pesquisa foi promover a entrada de mercadorias no

exterior, de modo a garantir o pagamento de uma negociação internacional e conscientizar sobre a importância do profissional em conhecer as melhores formas de pagamento, inclusive destacar os tipos de Carta de Crédito. A escolha adequada da forma de negociação e o conhecimento nas operações com o mercado externo facilitarão a entrada no exterior, diminuindo os obstáculos, prejuízos e aumentando as vendas. Para finalizar, o estudo detalha os tipos de pesquisas realizadas para desenvolver o trabalho e os métodos utilizados para dar veracidade aos dados abordados. Já a proposta de melhoria, para o problema da empresa, foi sugerir a implantação para a utilização da forma de pagamento “Carta de Crédito” em suas negociações, pois se tratam de primeiras vendas, sem confiabilidade, segurança e o evidente risco do não pagamento.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 O DESENCADEAMENTO DO COMÉRCIO INTERNACIONAL

Através de pesquisas, a história revelou que o comércio no passado estava diretamente ligado ao desenvolvimento das técnicas de transporte e comunicações, sendo que, o comércio de grande distância foi aferido através das rotas nos desertos e os mercadores formavam a tão conhecidas caravanas. Como depósitos de mercadorias eram utilizados os oásis, onde desempenhavam a função de depósitos para as mercadorias, os comércios na antiguidade. Ainda Souza (2003, p.19), considera que:

Por meio dos registros históricos, as primeiras transações comerciais foram feitas entre núcleos de civilizações localizados nos vales da Mesopotâmia e do Egito. As operações comerciais limitavam-se ao escambo de algumas mercadorias, como tecidos, tintas e artigos de metal.

O Comércio Exterior iniciou com a necessidade dos países em trocar mercadorias nas quais não produziam, por exemplo, as exportações de frutas tropicais para a Europa. Devido ao clima os países não conseguem produzir este commodities, deixando os mesmos na dependência de comprar frutas em outros países, onde a situação climática permite a produção. Contudo, estas necessidades não vieram somente de problemas climáticos, mas também da falta de aprimoramento das técnicas ou de tecnologia na fabricação de mercadorias. Um exemplo pode ser o comércio do vinho, aonde há países que se destacam pela qualidade do produto , aumentado sua procura no mercado internacional. Podemos citar ainda os produtos extraídos de recursos naturais, neste caso os países que não possuem insumos em seu subsolo, ficam na dependência da comercialização de outros países, como a venda do carvão, encontrado na América do Norte e em alguns lugares da Europa, já no Brasil o petróleo, minério de ferro e outros. Isso também vale para todos os países, exporta o que se tem em excesso e importa o que não produzir, ou o que é precário para abastecer a necessidade da população (RATTI, 2007). Como explana Souza (2003, p.19):

17

Tendo como base a permuta, o comércio na Antiguidade promovia a transferência de mercadorias de uns povos para outros, deslocando-as de regiões onde elas existiam em abundância para aquelas onde eram escassas ou insuficientes para atender ao consumo.

Estas necessidades não poderiam ter sido supridas, caso os meios de transportes não se desenvolvessem com o passar dos anos, auxiliando nas exportações para outros países e até mesmo outros continentes. Souza (2003, p.23) ainda complementa que:

A evolução dos meios de transporte também contribuiu para o desenvolvimento das práticas comerciais, por meio da construção de estradas de ferro, abrindo o comércio para o interior dos continentes, bem como a introdução do navio a vapor que, no tráfego marítimo, incorporou extensas áreas de atuação no sistema mercantil mundial.

A Revolução Industrial do século XVIII, também contribuiu para este novo sentido comercial, marcando o período moderno. Após o período da Primeira Grande Guerra Mundial, no século XX, o comércio internacional passou por momentos de desorientação, onde o governo era responsável pelas atividades mercantis. Muitos tentaram obter liberdade comercial, mas fracassaram com a crise econômica de 1929. Conseqüentemente, após 1938, a economia começava a se desenvolver junto com as atividades comerciais. No ano seguinte surgi outra crise econômica, explodindo a Segunda Grande Guerra Mundial, no período de 1939 a 1945, resultando na redistribuição dos mercados entre os países vitoriosos (SOUZA, 2003). Conforme salienta Maia (2007, p.02), “a troca, nos dias atuais, ultrapassou as fronteiras, tornando-se o Comércio Internacional”. Logo, para Junior & Souza (2005, p.37), “com a evolução das relações entre os Estados soberanos e os recentes fenômenos econômicos e tecnológicos, surge à comunidade internacional”. Entretanto, na obra de Maluf (2000, p.23) a escritora relata que, “é o intercâmbio de bens e serviços entre países, resultante das especializações na divisão internacional do trabalho e das vantagens comparativas dos países”. Assim, o mundo iniciou suas transações internacionais trocando suas mercadorias e isso segue até os dias atuais, com o diferencial dessas trocas de mercadorias e do feedback com outros mercados as negociações tornaram-se cada vez mais exigentes e cobrando de seus fornecedores mais qualidade nos produtos adquiridos. Ainda para o economista Maia (2007, p.04), “não só o comércio se tornou internacional. Também outros atos humanos, relacionados com a atividade

18

econômica, não respeitaram as fronteiras nacionais, formando um conjunto de atividades que constituem a Economia Internacional”. Com toda essa interação dos povos e a formação desta comunidade internacional, gerou a globalização e o comércio internacional, no qual vem se expandindo significativamente, alterando a administração de muitas empresas. Para as empresas que já estão inseridas no mundo internacional, a globalização está sendo útil para a expansão de seus negócios, no entanto, para as empresas que negociam apenas no mercado interno, a globalização está induzindo a uma mudança em seu planejamento de negócios, onde a mesma tem a escolha de se integrar ao mundo internacional ou em um futuro próximo estas empresas poderão estar condenadas ao possível fracasso (SOUZA, 2003; MAIA , 2007). Maluf (2000, p.18) afirma que:

O comércio exterior assume cada vez mais um papel vital para a maioria dos países do mundo, constituindo uma variável fundamental para o desenvolvimento das nações. Em razão de sua própria natureza, os fatos ligados ao comércio exterior têm profundas implicações com as relações internacionais, sejam estas vistas nas suas repercussões internas e externas.

Um dos instrumentos importantes atualmente é a Internet, que cada vez mais está interligando pessoas, desencadeando no passar dos anos uma melhoria nos processos de negócios. Hoje estamos interligados mundialmente por línguas universais, na qual, possibilita a comunicação com quase todas as pessoas do mundo. Para Maia (2007, p.05), “a internet é o grande instrumento da globalização, porque o produtor pode entrar em contato direto com o consumidor e com os fornecedores, eliminando os intermediários”. Já Maluf (2000, p.18) descreve que, “com a globalização provocada pela revolução tecnológica, as prioridades mundiais modificaram-se. Busca-se relações mais transparentes, trocas comerciais mais baseadas na competição do que na proteção”. A internacionalização é necessária entre os povos e os estímulos proporcionados pelos países são cada vez maiores, o motivo é suprir as necessidades no mundo organizacional e desenvolve r a economia do país . As operações internacionais variam de acordo com os negócios e necessidades, eles podem ser importações ou exportações, podendo ser divididas ainda em bens e serviço (MAIA, 2007).

19

2.2 IMPORTAÇÃO

Conforme já mencionado, a importação faz parte do comércio internacional e nasceu devido à impossibilidade dos países suprirem suas necessidades internas, buscando novas aquisições em outros territórios. Portanto, importação é a compra de bens e serviços do exterior, podendo ser utilizado pelo governo, como uma forma de criar competitividade dentro do mercado interno. Assim, estas mercadorias são nacionalizadas para consumo no país ou para a fabricação de um novo produto a ser exportado (RATTI, 2001). Segundo Souza (2003, p.144), “destarte, podemos conceituar a importação como uma relação de troca entre países distintos, relativamente à entrada de mercadorias contra a saída de divisas”. Podemos acrescentar ainda, que a importação é de suma importância para o controle interno do governo, é uma forma de controlar os preços abusivos das mercadorias produzida no próprio país. Suponhamos que os produtores internos estejam montando um cartel para tabelar a venda de certos produtos, desta forma, o governo estimula a importação, com incentivos se for necessário, para que o produto ou similar a ele sofra redução, evitando assim o preço abusivo. Podendo, é claro, acontecer o inverso, o governo limitar a entrada ou taxar certos produtos para evitar prejuízo no mercado interno e às empresas nacionais (MALUF, 2000). Carpio (2007, p.58) descreve que:

A partir de julho de 1990 quando o Brasil abriu as importações, esta atividade adquiriu grande importância na economia brasileira e no decorrer dos últimos anos foi amplamente desburocratizada, passando do sistema manual ao informatizado através do Siscomex.

No conceito do economista Maia (2007, p.07), “em determinado momento, é mais conveniente importar um produto específico para consumir e exportar o mesmo produto que produzimos”. No passado, muitas empresas instalaram-se em outros países com a necessidade de produzir bens ou matéria prima, na qual não havia em seu próprio país, ou aonde a mão-de-obra era mais lucrativa e competitiva no preço final do produto. Podemos citar um fato que aconteceu nos Estados Unidos, algumas empresas que tinham dificuldades em baratear o custo de seus produtos, resolveram instalar sede da empresa na China, onde a mão-de-obra era mais barata, essa foi uma das possibilidades para que os Estados Unidos pudesse se tornar competitivo no mercado internacional (MAIA, 2007). Comprar no mercado internacional é importantíssimo para estratégia de uma

20

empresa, ela pode conseguir matéria prima com preço competitivo ao mercado interno e com alto nível de qualidade. Mas para que tudo aconteça da melhor forma possível os dirigentes não podem esquecer de algo muito importante nas negociações externas, à variação cambial, caso contrário o preço final do produto pode ficar muito acima do mercado (GARCIA, 1997).

2.3 EXPORTAÇÃO

A partir do momento que algum produto passa a ser competitivo e atrativo

para o mercado global, o produto e seu fabricante passam a fazer parte da comercialização externa. Sendo esse processo conhecido por exportação, que são mercadorias nacionais fabricadas para vender no exterior, estas também sofrem concorrências com as demais fabricadas no mundo. Para que esta transação aconteça é necessário que o fabricante esteja em ordem com os documentos organizacionais, tributários e esteja dentro dos procedimentos da fiscalização da Receita Federal, podendo assim, despachar as mercadorias através das modalidades aéreas, marítimas, fluviais, ferroviárias, rodoviárias e outras. Souza (2003, p.132), ainda conclui:

Existem inúmeras razões para que as empresas optem por exportar e para que o governo incentive a exportação, quais sejam: expansão de negócios, diversificação de mercado, aprimoramento da qualidade, redução de custos, geração de novos empregos, incentivos financeiros e fiscais, etc.

O autor Ratti (2007, p.313) destaca que, “exportação vem a ser remessa de

bens de um país para outro”. É importante citar que, para as empresas importadoras de matéria-prima com a finalidade de beneficiar e transformar mercadorias para exportação, recebem do governo incentivos fiscais e algumas isenções de impostos com a finalidade de estimular a exportação, dentre elas está o Drawback (MAIA,

2007).

Exportação exige continuidade e não pode ser considerada como uma válvula de escape para as crises do mercado interno, para tanto, alguns pontos devem ser analisados para o planejamento estratégico na exportação (Carpio,

2007):

a) Somente começar a exportar se estiver decidido;

b) Estar disposto a investir na organização do seu mercado externo;

21

d) Estudar as táticas comerciais dos países;

e) Conhecer o essencial sobre os regimes alfandegários, cambiais, impostos, taxas, embalagens e outros do país em questão;

f) Manter alguma forma de representação no mercado a conquistar;

g) Calcular com muito cuidado os preços de exportação;

h) Manter um comportamento de rigorosa seriedade comercial e moral;

i) Lembrar também que ninguém compra por motivo de favor;

j) Colocar um profissional experiente à frente do seu departamento de exportação;

k) Não esperar resultados grandiosos e imediatos;

l) Observar a regulamentação do comércio exterior de cada país;

m) Aceitabilidade dos preços;

n) Preparação da mercadoria;

o) Assistência técnica.

Por fim, exportar ou importar pode ser um bom negócio para a empresa desde que os dirigentes se conscientizem da importância de um planejamento e de uma política que levem em conta o conhecimento e o domínio das regras e usos do comércio internacional, é nesse momento que entra a experiência e o conhecimento do profissional de relações internacionais (MALUF, 2000).

2.4 DESEMBARAÇO ADUANEIRO

Toda e qualquer mercadoria, seja ela importação ou exportação, não pode sair das fronteiras brasileiras sem ter passado pelo desembaraço aduaneiro, executado sob a responsabilidade do fiscal da Secretaria da Receita Federal. A exportação deve ser de acordo com a Instrução Normativa SRF 28 de 27/04/94 e alterações posteriores. Como também, toda mercadoria que ingresse no país sujeitar-se-á a despacho aduaneiro de importação, os procedimentos estão regulamentados pela Instrução Normativa 680/06. Uma vez a mercadoria depositada na alfândega, a fiscalização responsável pela aduana analisa os documentos e o carregamento os libera para o desembaraço da carga (BRASIL , 2008b). Como a fiscalização e controle de mercadorias na fronteira são de responsabilidade da Receita, ela também assume o compromisso de certificar se os importadores e exportadores estão recolhendo todos os impostos exigidos pela

22

União, tendo a certeza que estão respeitando as diversas barreiras que cada país constitui, conforme suas atividades e obrigações. Essas fiscalizações também podem ser feitas em postos alfandegários, podendo em outros casos, a Receita Federal fazer uma investigação na própria empresa importadora ou exportadora. Ainda na explanação de Luz (2007, p.03):

De acordo com a legislação aduaneira, mercadorias procedentes do exterior (ou a ele destinadas) somente entram no Brasil (ou dele saem) pela Zona Primária. Esta é composta pelos portos, aeroportos e pontos de fronteira alfandegados, ou seja, declarados pela Receita Federal como locais com Alfândega instalada, possibilitando a fiscalização das mercadorias.

O passo inicial para uma empresa que deseja importar ou exportar é cadastrar-se no Registro de Exportação e Importação (REI), onde o órgão gestor responsável pelo cadastramento é a Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), que está conectada ao Sistema de Comércio Exterior (SISCOMEX). Após o término do cadastramento no REI, as empresas poderão solicitar seu credenciamento para processar suas operações no SISCOMEX. Nesse sistema encontramos o Registro de Exportação (RE), solicitado anteriormente ao embarque dos produtos para o exterior, onde formará uma estrutura de informação cambial, comercial, financeira e fiscal da operação de exportação (LUZ, 2007). Além do RE há uma outra opção que é a Declaração de Despacho de Exportação (DDE), este procedimento fiscaliza desembaraços aduaneiros com destino ao exterior, podendo ter um único registro, desde que seja o mesmo exportador, a mesma mercadoria e a mesma unidade da SRF de despacho e de embarque, conforme Art. 7 da IN nº28/94. De acordo com orientação do site da Secretaria da Receita Federal, a Tabela 1 demonstra as Médias Totais de produtos desembaraçadas em um período de dez anos e a Tabela 2 demonstram as médias diárias de RE e DDE desembaraçadas no mesmo período, de janeiro de 1997 a dezembro de 2006, inclusas as DDE canceladas. Desta maneira, torna fácil analisar o crescimento das exportações no Brasil e a conquista de espaço no mercado internacional que as empresas exportadoras brasileiras demonstraram nestes últimos dez anos (BRASIL , 2008c).

23

 

1997 a 2002

2003

2004

2005

2006

TOTAL

RE

18.460.350

3.713.291

4.580. 363

4.896.257

4.962.209

36.612.470

Registradas

4.899.843

1.085.243

1.311.572

1.377.607

1.398.138

10.072.403

Desembaraçadas

4.899.502

1.082.715

1.311.100

1.378.221

1.398.460

10.069.998

Obs: o número de DDE canceladas no período considerado foi de 18.475 (8 DDE canceladas, em média, por dia ).

Tabela 1. Quantidades totais de RE registradas e desembaraçadas . Período: janeiro de 1997 a dezembro 2006. Fonte: Secretaria da Receita Federal, 2008.

 

1997 a 2002

2003

2004

2005

2006

TOTAL

RE

12.274

14.677

18.033

19.353

19.770

14.558

Registradas

3.258

4.289

5.164

5.445

5.570

4.005

Desembarcadas

3.258

4.280

5.162

5.448

5.572

4.004

* quantidades totais divididas pelo número de dias úteis.

 

Tabela 2. Quantidades diárias de RE registradas e desembaraçadas. Período: janeiro de 1997 a dezembro 2006. Fonte: Secretaria da Receita Federal, 2008.

Este cadastro foi a solução da secretaria em padronizar todas as empresas interessadas no comércio internacional, garantindo a integridade moral tanto das empresas quanto do país. Para Garcia (1997, p.18), “a função básica do mencionado cadastro é a de selecionar as empresas que operam nessas atividades, objetivando credenciar apenas aquelas que possam ser consideradas íntegras para atuar nas atividades do comércio internacional brasileiro”. A maior parte destes documentos é padronizada com a finalidade de viabilizar o negócio, ainda que em alguns países haja a necessidade de incorporar outros documentos para a conclusão da venda. Em cada país existem algumas diferenças nas documentações exigidas e sem estas, os negociadores estrangeiros não poderão nacionalizar as mercadorias, assim que as mesmas chegarem aos portos de destino, gerando transtornos. Ainda Garcia (1997, p.24) explica que:

Conhecendo-se a existência dessas regras, é importante que o exportador, antes mesmo de iniciar o processo de negociação de determinado produto no exterior, proceda a rigorosa verificação, com vistas a constatar a existência de possíveis restrições à sua saída para o exterior ou mesmo se determinados procedimentos especiais devem ser cumpridos objetivando a viabilização administrativa da operação.

Mais uma vez conclui-se que, o responsável pelo departamento de câmbio de uma empresa deva estar preparado, tecnicamente e até mesmo juridicamente para que não haja prejuízo financeiro por uma falha técnica na transferência de mercadorias de um país para outro.

24

2.5 PRINCIPAIS DOCUMENTOS

Em um processo de compra ou venda no exterior, é importante que as partes pactuantes conheçam os principais documentos exigidos em uma negociação, e todo profissional de comércio exterior deve se ater a todos as normas, principalmente as particularidades e documentos exigidos pelos países estrangeiros conforme suas legislações. Os principais documentos utilizados para uma negociação internacional são: Fatura Proforma, Fatura Comercial, Conhecimento de Embarque, Certificado de Origem, Apólice de Seguro, Contrato de Câmbio, Packing List, Saque ou Câmbio e a Nota Fiscal de exportação (GARCIA, 1997).

2.6 INTRODUÇÃO DAS EMPRE SAS BRASILEIRAS NO COMÉRCIO INTERNACIONAL

No mundo internacional acredita-se que as empresas brasileiras estejam conscientes da necessidade e atribuições necessárias, para se integrar no mercado de vendas de bens e produtos para o exterior. A atuação internacional visa a abertura de novos mercados e a consolidação e expansão de mercados já conquistados (MAIA, 2007). Para Maluf (2000, p.24), ”baseado no exposto, a Sistemática de Comércio Exterior do Brasil terá o seu arcabouço operativo descrito com base nos Acordos Internacionais assinados pelo Brasil, bem como nas políticas econômicas por ele estabelecido”. As atividades exportadoras demonstram ser uma segura alternativa para as empresas, desde que as mesmas possuam uma atividade empresarial integrada, e um árdio planejamento estratégico para exportar seus produtos. As exportações podem trazer melhorias financeiras além de marketing e status para a empresa, todavia, a mesma deve possuir qualidade e competência na produção e distribuição de seus produtos (SOUZA, 2003). Porém, deve ter total conhecimento dos órgãos que formam a estrutura governamental, voltada para o comércio exterior, sendo eles (MALUF, 2000):

a) Câmara de Comércio Exterior (CAMEX),

b) Secretaria de Comércio Exterior (SECEX),

c) Departamento de Operações de Comércio Exterior (DECEX),

d) Departamento de Defesa Comercial (DECOM),

e) Departamento de Negociações Internacionais (DEINT),

25

f) Departamento de Planejamento e Desenvolvimento do Comércio Exterior (DEPLA),

g) Banco do Brasil S.A.,

h) Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES),

i) Banco Central do Brasil (BACEN),

j) Ministério do Desenvolvimento, Indústria, e Comércio Exterior (MDIC),

k) Ministério das Relações Exteriores (MRE),

l) Embaixadas e Consulados Estrangeiros,

m) Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF),

Segundo Garcia (1997, p.23):

O comércio exterior brasileiro viveu, nos últimos anos, uma política de liberdade, dando-nos a sensação de total liberdade de importar e exportar produtos. Apesar da Liberdade aparente, há certos controles mantidos pelo Governo, que se fazem necessários.

A exportação brasileira representa alta prioridade ao país, no qual é importante que continuem a cultivar o desenvolvimento das aduanas, por isso é que o governo cria diversos incentivos, estimulando os exportadores a adquirirem uma mentalidade voltada a conquistar parceiros comerciais ativos no exterior (SOUZA,

2003).

Como podemos analisar na Tabela 3 as exportações brasileiras cresceram, embora poderia ter sido melhor se não fosse a sobrevalorização do Real perante o dólar, impedindo maior expansão das vendas. De todos os itens existentes na pauta de exportação do país, os vinte itens a seguir se destacam com maior venda em todo período de janeiro de 2008, representando 48,38% das exportações, (BRASIL ,

2008d):

Em US$ 1.000 FOB

CÓD. NBM

DESCRIÇÃO

VAL.

PART.

ACU

FOB

%

M. %

1 Minérios de ferro e seus concentrados

2601

962.205

7,25

7,25

2 Petróleo

2709

615.869

4,64

11,89

3 Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos

2710

489.816

3,69

15,58

4 Automóveis de passageiros e outros veículos

8703

405.265

3,05

18,63

5 0207

Carnes de aves

389.995

2,94

21,56

6 1701

Açúcar

335.225

2,52

24,09

26

7 Carnes bovinas congeladas

8 Celulose

0202

4703

9 Café mesmo torrado ou descafeínado

0901

10 Partes e acessórios dos veículos automóveis

8708

11 Produção semimanufaturados de ferro ou aços não ligados

12 Soja mesmo triturada

7207

1201

13 1507

Óleo de soja

14 8802

Aeronaves

15 2304

Farelo de soja

16 7202

Ferroligas

17 Sucos de frutas (incluídos os mostos de uvas)

18 Ferro fundido bruto e ferro "spiegel"

19 Alumínio em formas brutas

2009

7201

7601

20 Aparelhos elétricos para telefonia ou telegrafia por fio

8517

301.819

2,27

26,36

293.393

2,21

28,57

286.693

2,16

30,73

254.755

1,92

32,65

254.163

1,91

34,57

250.651

1,89

36,45

232.916

1,75

38,21

231.050

1,74

39,95

219.548

1,65

41,60

193.814

1,46

43,06

188.338

1,42

44,48

174.605

1,32

45,79

172.050

1,30

47,09

171.402

1,29

48,38

Tabela 3. Exportações segundo as principais mercadorias - Janeiro de 2008. Fonte: Secretaria da Receita Federal, 2008.

Sendo assim, podemos analisar as exportações brasileiras no período de janeiro de 2007 que foram US$ 10.962 milhões (FOB), com as exportações de janeiro de 2008 que foram US$ 13.277 milhões. Desta forma, torna evidente que apesar da sobrevalorização da nossa moeda nacional sobre o Dólar, o Brasil vem crescendo de maneira significativa e importante. A seguir na Tabela 4, há a relação dos vinte países que mais importou os produtos brasileiros da Tabela 3 já mencionada. Estes países estrangeiros representam 70,97% de clientes na pauta de Exportação em Janeiro de 2008, representando US$ 9.423 milhões em exportações por transporte marítimo (FOB) (BRASIL , 2008d):

 

Em US$ 1.000 FOB

PAÍSES DE AQUISIÇÃO

VALOR

PART. %

ACUM. %

1 Estados Unidos

1.895.207

14,27

14,27

2 Argentina

1.299.681

9,79

24,06

3 Holanda

755.111

5,69

29,75

4 China

647.033

4,87

34,62

5 Alemanha

536.199

4,04

38,66

6 Itália

454.382

3,42

42,08

7 Bélgica

413.724

3,12

45,20

27

8 Japão

374.381

2,82

48,02

9 México

361.140

2,72

50,74

10 Chile

348.475

2,62

53,37

11 Reino Unido

322.573

2,43

55,80

12 Venezuela

317.092

2,39

58,18

13 Espanha

259.500

1,95

60,14

14 França

257.137

1,94

62,07

15 Rússia

228.358

1,72

63,79

16 Peru

227.897

1,72

65,51

17 Colômbia

193.754

1,46

66,97

18 Arábia Saudita

179.676

1,35

68,32

19 Canadá

178.166

1,34

69,67

20 Paraguai

173.597

1,31

70,97

Tabela 4. Exportação segundo os países de destino - Janeiro de 2008. Fonte: Secretaria da Receita Federal, 2008.

Na tabela 4, há seis países que mais se destacam: Estados Unidos, Argentina, Holanda, China, Alemanha e Itália que importaram do Brasil mais de US$ 454 milhões (FOB), e estes são responsáveis por 42,08% da Pauta de Janeiro/2008, gerando US$ 5.588 milhões (FOB). Conforme demonstrado no Gráfico 1, com as exportações dos principais países importadores de janeiro em 2008, (BRASIL ,

2008e):

países importadores de janeiro em 2008, (BRASIL , 2008e): Gráfico 1. Gráfico dos principais países de

Gráfico 1. Gráfico dos principais países de destino - Janeiro de 2008. Fonte: Secretaria da Receita Federal, 2008.

28

Quanto às importações no Brasil, é necessário que o importador providencie o registro de Declaração de Importação (DI). Nos vários tipos de mercadorias que o Brasil importa há mercadorias que não possuem a necessidade de solicitar o licenciamento sobre as mercadorias, como existem mercadorias que são exigidos o Licenciamento de Importação (LI), por possuir restrição por Resoluções da ONU. A lista de produtos que exige uma LI, está disponível no Sistema de Comércio Exterior ou Siscomex, devido às mercadorias serem de controle especial, ficando a responsabilidade do importador consultar antecipadamente no Siscomex, por meio do Simulador do Tratamento Tributário e Administrativo das Importações, para se obter a informação do tipo de operação a qual se enquadra à mercadoria (BRASIL , 2008a). Como citado anteriormente, o cadastramento do Registro de Exportadores e Importadores (REI), na Secretaria de Comércio Exterior é o passo inicial para as empresas brasileiras que planejam exportar e/ou importar. Importante também é verificar qual a aceitabilidade do produto em outros países (GARCIA, 1997). Ao que já foi mencionado e conforme os professores Souza & Júnior (2005, p.26) “por isto, o profissional de comércio exterior precisa conhecer quais instituições governamentais determinam as normas de comércio internacional, estimulam as exportações e coordenam o processo de pagamentos e créditos no Brasil”. Para as empresas que desejam vender seus produtos no exterior devem verificar as condições de embarques, chamadas INCOTERMS, as mesmas definem as responsabilidades do exportador e do importador nas operações de compra e venda de mercadorias. Para Maluf (2000, p.58):

Os chamados Incoterms (Internation Commercial Terms) é um conjunto padrão de definições determinando regras e práticas neutras que servem para definir, dentro de um contrato de compra e venda internacional, os direitos e obrigações recíprocos do exportador e do importador.

Como explica Garcia (1997, p.62), “É inadmissível que alguém que decida operar no comércio internacional não acumule conhecimentos profundos das regras usadas para definir as modalidades de vendas na movimentação de produtos entre os países”. Maluf (2000, p.59) destaca:

A Câmara de Comércio Internacional (CCI), através da publicação nº 560, Revisão 2000, estabelece que o propósito dos Incoterms é o de prover um conjunto de regras internacionais para interpretação dos termos comerciais usuais mais utilizados no comércio internacional. Dessa forma, as incertezas das diferentes interpretações de tais termos em diferentes países pode ser evitada ou, pelo menos reduzidas a um patamar considerável.

29

Os INCOTERMS foram ditados pela Câmara do Comércio Internacional (CCI) no ano de 1936, sofrendo revisões na Publicação 460 no ano de 1990. Estes visam a expressar como será a logística internacional dos produtos, podendo destacar as mais utilizadas (SOUZA, 2003):

? EXW ou Ex Works: Nesta modalidade a responsabilidade do exportador sobre o produto vai até a embalagem do mesmo. Assim, cabe ao importador assumir todos os riscos e custos do transporte da mercadoria, bem como frete e seguro internacional.

? FAS ou Free alongside ship: Neste termo, a responsabilidade do

exportador termina no carregamento da carga ao porto, colocada ao longo do costado do navio, no porto de embarque designado, sendo por conta do importador, a contratação do frete e do seguro internacional. Esta modalidade é somente utilizada em transporte aquaviários.

? FOB ou Free on board: De acordo com esta modalidade, finda a

responsabilidade do exportador na acomodação da mercadoria no interior do navio transportador, no porto de embarque. Assim, os custos do transporte do navio são por conta do importador. Esta modalidade é somente utilizada em transporte aquaviários.

? CFR ou Cost and freight: Modalidade em que o exportador assume

todos os custos, inclusive o transporte internacional, até o porto de destino. Ainda no porto da carga, todos os riscos e danos nas mercadorias são repassados ao importador. Esta modalidade é somente utilizada em transporte aquaviários.

? CIF ou Cost, insurance and freight: Neste termo, o exportador fica sob

total responsabilidade de arcar com os custos de transporte e seguro internacional de riscos e danos às mercadorias. Esta modalidade é somente utilizada em transporte aquaviários.

2.7 FORMA DE PAGAMENTO INTERNACIONAL

Com o crescimento do Comércio internacional, um dado muito importante e

preocupante

vem

crescendo,

a

inadimplência.

É

fundamental

o

negociador

30

internacional conhecer as diversas formas de pagamentos legais, para que não tenham problemas no recebimento das divisas de suas exportações, ou ter que efetuar um pagamento por uma mercadoria que não condiz com o combinado (GARCIA, 1997).

A partir destas formas de pagamentos serão definidas como serão inseridas

as divisas no país, de que formas os pagamentos chegarão aos seus destinos e que

decisões serão tomadas para evitar um descontentamento na finalização das negociações. As principais modalidades de pagamentos internacionais são:

Pagamento Antecipado, Cobrança Bancária, Remessa Direta e Carta de Crédito. Estas modalidades de pagamentos possuem uma regulamentação especifica na Câmara de Comércio Internacional (CCI), que poderão ser utilizadas internacionalmente, de acordo com as cláusulas contratuais entre exportador e importador. Garcia (1997, p.66) continua descreve ndo que:

Para serem estabelecidos as condições de pagamento que o exportador utilizará nas vendas de seus produtos para o exterior, há necessidade de uma análise criteriosa não apenas no sentido de ser estipulada a condição que melhor atenderá aos anseios de quem vende, como também que, acumulativamente, se encontre integrada às condições usualmente utilizadas para aquelas operações.

A análise pela modalidade de pagamento é fundamental para que a empresa

possa minimizar perdas, visualizar lucros e manter uma relação confiável com o comprador. As modalidades de pagamentos possuem característica especifica em cada negociação, dando a oportunidade do exportador e o importador entrarem em acordo mútuo referente à forma de pagamento (GARCIA, 1997).

2.8 PAGAMENTO ANTECIPADO OU DOWN PAYMENT

Nesta modalidade de pagamento, o importador remete antecipadamente o valor total ou parcial da fatura ao exportador. Após o pagamento das divisas, o exportador embarca as mercadorias e envia os documentos originais diretamente ao importador, para que a mesma possa ser retirada no porto de destino, ou na fronteira do país (MAIA, 2007). Segundo Carpio (2000, p.172), “do ponto de vista cambial brasileiro, não há risco em enviar os originais ao importador, porque o contrato de câmbio celebrado antes do embarque já está liquidado através da efetiva entrada de divisas ao país”. É necessário que após o embarque o exportador forneça cópias dos documentos de exportação ao banco negociador do câmbio.

31

Nesta situação, o importador fica na dependência de que o exportador realmente cumprirá com o combinado. Este tipo de remessa proporciona certa vulnerabilidade para o importador, pois, o exportador tem a segurança de que irá receber o dinheiro, mas o importador não terá a segurança que receberá a mercadoria ou se as receberá conforme o combinado no ato da compra. Esta modalidade de pagamento é mais utilizada na primeira venda, na insegurança por parte do vendedor ou na necessidade de crédito para efetivar o pedido do importador, na compra de máquinas e equipamentos que serão produzidos especialmente para o importador, como é o caso de móveis e máquinas para a indústria (RATTI, 2007).

2.9 COBRANÇA BANCÁRIA

Os tipos de pagamentos chamados Cobrança Bancária são regulamentadas pelas Uniform Rules for Collections, onde estas regras sofrem revisões periódicas. A última revisão ocorrida foi em 1° de janeiro de 1996, está em vigor até os dias atuais e é chamada de URC 522 (RATTI, 2007). O banco, por ordem do exportador, envia aos seus correspondentes no exterior, os documentos de embarque, com instruções de promover a cobrança ou aceite dos saques junto aos devedores e ou sacados. Neste caso o exportador embarca as mercadorias para o exterior e em seguida se dirigi a um banco de sua praça, com todos os documentos da exportação, como:

Fatura, Conhecimento de Embarque (B/L), Apólice de Seguro, Letra de Câmbio e outras (LUZ, 2007). Explana Garcia (1997, p.66):

A cobrança é exatamente o oposto do pagamento antecipado: o exportador recebe o produto da venda (divisas) e, posteriormente, remete a mercadoria, enquanto que na cobrança ele remete a mercadoria para, posteriormente, receber seu pagamento.

Para melhor entendimento, a cobrança documentária poderá ser dividida em duas condições de pagamentos, sendo elas:

2.9.1 Cobrança bancária à vista ou At Sight

Uma cobrança bancária é à vista quando, após o embarque da mercadoria para o exterior a mesma já pode ser reembolsada. Desta forma, o exportador efetua

32

o embarque e encaminha ao banco remetente de sua praça os documentos originais da transação. Após o exame rigoroso dos mesmos, o banco remetente encaminhará os documentos a um banco correspondente na praça do importador, também chamado banco cobrador, para que o banco efetue a cobrança do importador e remeta as divisas ao exportador (RATTI, 2007). É importante esclarecer que os banqueiros analisam apenas documentos e não mercadorias, portanto, os documentos são examinados e estando em ordem, o banco entra em contato com o importador para executar a cobrança da exportação e efetuar o pagamento (GARCIA, 1997). Já com os documentos originais em mãos, o importador aguarda a chegada da mercadoria para retira na alfândega, pois a mercadoria só pode ser desembaraçada com os documentos originais (MAIA, 2007). Conforme cita na obra de Carpio (2000, p.174):

Após o embarque da mercadoria, o exportador entrega a um banco de sua preferência os documentos originais acompanhados de uma Letra de Câmbio (Saque ou Draft) contra o importador. Esta modalidade de pagamento não oferece ao exportador nenhuma garantia de que o importador irá pagar. O banco no exterior é mero cobrador, porém, não tem força legal para obrigar o importador a pagar.

O risco do exportador será evidente, pois estará remetendo a mercadoria para o exterior com a promessa do pagamento por parte do importador. Assim, ao chegar à mercadoria no país de destino, o exportador correrá o risco da mercadoria atracar no porto e o importador não honrar com o compromisso. Ficando nesse caso, a responsabilidade de todas as despesas de retorno da mercadoria para o país de origem, do exportador.

2.9.2 Cobrança bancária a prazo ou Time Draft

Nesta modalidade, Cobrança à Prazo, os documentos originais são anexados a um Saque, tipo de nota promissória, com vencimento futuro ao exterior, posteriormente o importador deverá retirar os documentos no banco cobrador mediante aceite ao saque, isso quer dizer, comprometendo-se a pagar no vencimento. Desta forma, o exportador proporcionará ao importador uma forma de financiamento, onde o importador terá em mãos os documentos e a mercadoria, no entanto, o mesmo pagará somente no vencimento do saque (RATTI, 2007). Os prazos mais utilizados nestas transações são de 90 e 180 dias, iniciando da data do embarque ou da data do aceite do saque se não constar à palavra

33

conhecimento de embarque (B/L, AWB, etc.) na fatura, ao lado do prazo de pagamento. Souza (2003, p.138) descreve que, “Se a cobrança for a prazo, deverá ceder seu aceite nas respectivas cambiais ou saques para que o exportador possa receber seu crédito”. No caso de inadimplência, o Banco Central (Bacen) exige que o exportador receba o valor da transação de alguma forma, sendo estas por protesto ou cobrança judicial, podendo ainda em últimos casos, exigir a comprovação de falência do importador, pois ocorreu saída de mercadorias do país sem a entrada de divisas. Como Carpio (2000, p.176) ainda explica, “neste caso, o contrato de câmbio somente será liquidado quando o exportador apresentar ao Banco Central documentos que provem a falência do importador ou que o mesmo liquidou o valor do saque”. Ratti (2001, p.82) demonstra que:

No Brasil, por exemplo, o preço do produto é registrado no Siscomex. Qualquer abatimento representaria redução de preço, motivo por que há necessidade de autorização. O mesmo controle se verifica em países onde

o sistema cambial compreende taxas múltiplas de câmbio.

Por fim, há possibilidade de o exportador conceder ao importador abatimento pela liquidação do saldo antes do vencimento, necessitando assim de uma autorização das autoridades monetárias, no qual os mesmos têm a finalidade de evitar um subfaturamento.

2.10 REMESSA DIRETA

Nesta forma de pagamento os documentos não seguem através de bancos anexados a um saque, no entanto, são enviados a fatura, o conhecimento de embarque e a apólice de seguro ao exportador que fará o desembaraço aduaneiro na alfândega e somente após estar de posse do produto providencia a transferência das divisas para o exterior. Segundo Luz (2007, p.138):

A grande vantagem desta modalidade de pagamento é a rapidez na entrega

dos documentos ao importador, pois eles não transitam por bancos. Mas o exportador fica como risco de não tê-los mais para exigir o pagamento do

importador. Ele fica à espera do pagamento que pode não acontecer, já que

o importador não depende de mais nada que venha dele.

Assim, não é gerado prazo para pagamento, o importador deverá confiar muito no exportador, tendo a garantia que o mesmo irá cumprir com o combinado nas pré-negociações. Esta modalidade é utilizada em casos de mercadorias

34

enviadas da matriz para as filiais no exterior. Apesar do fato de que o exportador deverá ter muita confiança na outra parte, a vantagem é dos documentos chegarem às mãos do importador e tornar o processo muito mais ágil, pois, não haverá trânsito bancário, burocrático e despesas (MAIA, 2007).

2.11 CRÉDITO DOCUMENTÁRIO, CARTA DE CRÉDITO OU LETTER OF CREDIT

Esta modalidade de pagamento também conhecida como Carta de Crédito (Letter of Credit) ou pela sigla L/C, é o tipo de pagamento mais bem aceito em transações internacionais, pelo fato da mesma obter a garantia de uma terceira parte, o banco negociador. Carta de Crédito é a forma de pagamento mais recomendada, pois oferece garantia tanto para o importador qua nto para o exportador (RATTI, 2007). A Carta de Crédito é requerida quase sempre como garantia de crédito, principalmente quando o exportador começa a comercializar no exterior ou quando não há relações comerciais de confiança entre exportador e importador (CARPIO, 2000). Conforme Luz (2007, p.144), “a carta de crédito é um compromisso irrevogável que um banco assume de pagar ao beneficiário se e somente se os termos e condições da carta tiverem sido cumpridos”. Certamente, com destinos a países estrangeiros, exportador e importador encontram dificuldades em garantir que seu acordo contratual seja respeitado e cumprido. Quando efetuamos uma negociação no exterior esperamos que tudo dê certo, mas não é a realidade. Em uma transação precisamos nos prevenir de quase todas as possíveis falhas, uma negociação mal realizada sempre reflete em prejuízo para a empresa, uma delas é a forma de negociação, portanto, ela precisa ser bem elaborada e estudada junto com o comprador e ou vendedor. Muitas vezes a venda acontece, ficando o impasse de como iremos negociar, de que forma vamos pagar e quando iremos receber a mercadoria. Podemos dizer que a carta de crédito é o melhor mecanismo para resolver essa situação, com as dificuldades encontradas nas operações comerciais pelo comércio internacional, referente à liquidação do valor negociado na compra ou entrega de mercadorias, surgiu a modalidade de pagamento Carta de Crédito (GARCIA, 1997). Segundo Carpio (2000, p.08), “carta de crédito não se interpreta. Cumpre-se”. Em muitos casos podemos notar a necessidade do exportador em garantir que o negócio se concretize, iniciando assim a produção do bem a ser

35

vendido e fazendo que tal situação trouxesse segurança ao exportador e de que o mesmo irá receber o valor negociado, ao entregar a mercadoria na transação comercial. No caso do importador, ele deseja se prevenir de que o pagamento realizado irá corresponder na entrega do bem, conforme combinado na negociação, estando certamente nas condições esperadas e combinadas (RATTI, 2007). Segundo Luz (2007, p.146):

Para o exportador, a segurança está em que na carta de crédito quem se compromete a lhe pagar não é o importador, mas um banco, o que lhe dá muito mais segurança. Para o importador, a segurança está em que o banco designado, que é aquele que recebe os documentos do exportador, age como se fosse o fiscal do contrato.

Com a publicação da UCP 500, onde é uma norma obrigatória para a formalização da Carta de Crédito, nela possui todas as regras e informações necessárias que devem ser obedecidas para a confecção da mesma (CARPIO, 2000). Porém, Garcia (1997, p.70) esclarece que, “a mencionada publicação é respeitada pelos bancos de todos os países que aderiram ao sistema, para as operações da espécie”.

2.12 TIPOS DE CARTA DE CRÉDITO

2.12.1 Carta de crédito à vista

Uma Carta de Crédito será à vista quando apresentar as palavras “at sight” (à vista) ou “by negotiation” (por negociação), isso significa que o exportador receberá o crédito do Banco Negociador apenas com a apresentação dos documentos exigidos, se os mesmos não apresentarem nenhuma discrepância em relação à Carta de Crédito (CARPIO, 2000).

2.12.2 Carta de crédito a prazo

O beneficiário da L/C entrega ao Banco Negociador os documentos necessários para negociação e/ou comprovação do embarque realizado, sendo que, quando exigido pela carta de crédito o exportador deverá apresentar um saque a prazo capeando os documentos. No vencimento o mesmo será quitado pelo ordenante e remetido ao aplicante. Os prazos são variados, tudo de acordo com o combinado na abertura da carta de crédito (CARPIO, 2000).

36

2.12.3 Carta de crédito revogável e irrevogável

Em modelo Revogável, a L/C pode ser modificada ou cancelada a qualquer momento, sem prévio aviso, não representando compromisso entre as partes, pois não oferece estabilidade até o final da operação. Quando da emissão da carta de crédito, uma das partes (Emitente, Beneficiário, Banco) pode a qualquer momento, por decisão espontânea, desistir da transação sem a necessidade da concordância dos demais envolvidos (RATTI, 2007). Para Carpio (2000, p.179), ’’este tipo de crédito não oferece garantias ao exportador no que se refere à continuidade do negócio, motivo pela qual é pouco utilizada’’. Já no modelo Irrevogável fica estabelecido um compromisso inalterável, caso haja necessidade de alguma alteração ou cancelamento, deverá ser autorizado por todas as partes envolvidas. Para que seja acatada qualquer modificação no documento de carta de crédito, todos os envolvidos na operação deverão ser avisados da circunstância e acatar tal situação. No entanto, na L/C deve constar à condição de ser revogável ou irrevogável, caso não conste nenhuma clausula ou observação, obedecendo às normas internacionais, a carta de crédito será considerada automaticamente irrevogável (MAIA, 2007). Carpio (2000, p.179), “somente poderá ser cancelada ou alterada mediante a anuência prévia de todas as partes interessadas, principalmente o exportador”.

2.12.4 Carta de crédito transferível ou intransferível

Para ser considerada Transferível deverá constar no campo da L/C à palavra “transferível”, desta forma a mesma autoriza que o exportador transfira o pagamento destas divisas para um ou mais exportadores, desde que sejam cumpridas todas as instruções da Carta de Crédito original (MAIA, 2007). Carpio (2000, p.179) explana que, ‘’neste caso o Banco Negociador está autorizado a pagar o total ou parte de seu valor a terceiros exportadores, conforme instrução do primeiro exportador’’. Desta forma, Maia (2007, p.88) afirma que, “quando a carta de crédito declara que é transferível, é permitido que o primeiro beneficiário (exportador) transfira à carta de crédito para outro exportador, desde que obedecida às condições originais da carta de crédito”. Caso esteja especificada na L/C a palavra “Intransferível”, o beneficiário

37

original não poderá transferir o crédito para mais nenhum outro beneficiário, sob qualquer circunstância. Seguindo as Normas da CCI - Brochura 500, torna -se claro que, se uma carta de crédito não for declarada transferível, será automaticamente considerado Intransferível (RATTI, 2007).

2.12.5 Carta de crédito rotativa

Também conhecida como Revolving Letter of Credit, este modelo possibilita que o exportador abra somente uma única Carta de Crédito, devido suas compras freqüentes do mesmo produto, estabelecendo assim, as datas de embarque e os respectivos valores, não havendo necessidade da abertura de uma nova Carta de Crédito para cada negociação. Ainda Ratti (2007, p.100), “normalmente, as cartas de créditos rotativas são abertas com um prazo de validade não excedente a um ano. Isso porque os bancos costumam rever a situação de seus clientes ao menos uma vez ao ano”. Isto acontece porque no mercado internacional é comum ocorrer do importador contrair sucessivamente mercadorias do mesmo exportador.

2.12.6 Stand-by letter of credit

Esta Carta de Crédito entende-se como uma garantia, onde estará sendo aberta em conjunto a um empréstimo bancário, para o pagamento de um tomador na quitação de bens ou serviços. O tomador que solicita o empréstimo abre uma Carta de Crédito Stand By letter of Credit em outro Banco Instituidor, geralmente no exterior. Ela fica à disposição, podendo apenas ser utilizada em caso de necessidade, em caso do não cumprimento das obrigações contratuais por parte do aplicante. No entanto, se assemelha mais a uma garantia do que a uma Carta de Crédito propriamente. Foi adotada pela CCI, por influência dos Estados Unidos, que, por problemas legais não aceitam outro tipo de garantia. Uma vez que o solicitante do empréstimo não consiga pagar, o Banco Instituidor a quem foi solicitada a L/C, tem a obrigação de honrar o pagamento. Após a finalização do serviço ou a liquidação da dívida pelo tomador, a Carta de Crédito torna-se automaticamente cancelada. Embora muito utilizado pelos bancos norte- americanos, este tipo de documento é proibido por lei, emitir cartas de garantias (MAIA, 2007).

38

2.12.7 Bid letter of credit

Esta Carta de Crédito é considerado como um documento de garantia, sendo utilizada sempre que houver uma licitação internacional por exigência da empresa detentora do projeto, esta serve para garantir os custos em uma desistência durante o período de licitação. Esta garantia é honrada pelo Banco que emitiu este crédito a pedido da empresa que se propôs a competir internacionalmente ao fornecimento de mercadoria para o projeto (MAIA, 2007). Ratti (2007, p.101) ainda conclui:

A bid letter of credit, portanto, é um documento que concede ao beneficiário o direito de sacar contra o banco pagador, desde que o saque seja acompanhado de uma declaração indicando que a parte que institui a carta de crédito teve sua proposta aceita, mas recusou-se a levar o negócio adiante.

Como em toda licitação, há vários concorrentes disputando pelo fechamento do contrato, assim que o vencedor assinar o contrato , sua carta de crédito proposta na inscrição da licitação torna-se automaticamente cancelada. Assim, caso o vencedor desista de assinar o contrato, a empresa detentora do projeto tem o direito de solicitar o ressarcimento de suas despesas com a licitação, sendo este valor garantido com a emissão da Bid Letter of Credit. O mesmo se estende para as concorrentes que perderam a disputa, onde suas cartas de créditos também são canceladas com a assinatura do contrato com o vencedor. No entanto, caso algum participante decida desistir antes da escolha da instituição, o beneficiário ou empresa detentora do projeto terá o direito de apresentar a Carta de Crédito ao banco pagador e receber pela garantia (RATTI, 2007).

2.13 ETAPAS PARA UTILIZAÇÃO DA CARTA DE CRÉDITO

Para iniciar a comercialização de produtos para o exterior, é comum a exigência da apresentação de uma Carta de Crédito pelo importador para garantir o pagamento do bem em negociação. São diversas as etapas para concluir a utilização da carta de crédito, onde a fase inicial é nos primeiros contatos entre os negociadores, iniciando a discriminação das condições de compra e venda dos bens negociados. Em seguida, o exportador deverá emitir e enviar a fatura ProForma ao importador para providenciar a abertura da L/C junto ao banco (CARPIO, 1997). Nessa condição, o importador solicita a um Banco Instituidor de sua praça,

39

mais conhecido como Banco Emitente, onde possui crédito para uma abertura de crédito documentário. No mesmo constará como beneficiário o exportador, assim será aberta a carta, no valor tota l da mercadoria a ser exportada (MAIA, 2007). O banco deverá avaliar as condições de garantia com o importador, podendo exigir um depósito em dinheiro para Carta de Crédito não financiada ou apenas garantias para Carta de Crédito Financiada, em seguida assume a responsabilidade de pagamento em favor do beneficiário (CARPIO, 1997). Posteriormente avisará o banco da praça do exportador, chamado Banco Avisador, da existência de uma Carta de Crédito, e tudo que nela consta , como: exigências, prazo de embarque, documentos necessários, valor e quantidade de produtos, porto de origem, prazo para negociação, entre outras (RATTI, 2001). Conforme Carpio (2007, p.177) afirma, “para isso, deve procurar o Banco Emitente ao qual solicita a emissão de um crédito documentário em favor do exportador, nas condições negociadas na Proforma Invoice”. Após estes tramites vêm à fase da negociação, no qual o banco avisador entrará em contado com o exportador e lhe informará a existência de uma Carta de Crédito e suas condições, em seguida, o exportador despacha as mercadorias para o importador, seguindo o que pede a carta de crédito. Terminado o envio da mercadoria, o exportador encaminha os documentos ao banco, onde deseja fechar o câmbio e/ou negociar a L/C, este chamado de Banco Negociador, ele enviará ao Banco Emitente. Recebido a documentação o mesmo fará um cheking na documentação, comprovando que as exigências de seu cliente foram executadas, nesse ponto é liberado o câmbio ao exportador via Banco Avisador e posteriormente ao Banco Negociador. Na fase seguinte o Banco emitente, assim que confirmar todo o procedimento, avisará ao importador que a documentação esta a disposição, o importador se dirigirá ao banco para o acerto da carta de crédito , pagamento através de fechamento de câmbio, e tomar posse dos documentos originais de embarque para a liberação das mercadorias na alfândega (MAIA, 2007). Essa forma de pagamento trás segurança a todos, caso ocorrer alguma discrepância na documentação, ou seja , caso tenha algo de errado com a mercadoria enviada ou com os documentos de embarque , o importador terá o direito de negar a compra e o exportador terá que arcar com o seu erro e custo de retorno da mercadoria para o país de origem. Assim descreve Carpio (2000, p.178), “se

40

houver discrepância, o Banco Emitente suspende o pagamento e consultará o importador sobre a situação documental”. Mas, caso toda a documentação esteja correta e a mercadoria estiver dentro do combinado na carta de crédito, mesmo que o importador não esteja mais interessado na aquisição, ele deverá arcar com a compra, pois o mesmo assumiu uma dívida não para o exportador, mas, para o banco emitente e garantidor (GARCIA, 1997). Segundo Souza (2003, p.140), “o crédito documentário constitui uma obrigação bancária de pagamento condicional“.

2.14 RED CLAUSE

A Red Clause significa “Cláusula Vermelha”, pois ela era grifada em

vermelho quando aparecia na Carta de Crédito. Esta tem como objetivo, liberar antecipadamente o crédito ao exportado, sem que haja a necessidade do mesmo apresentar os documentos exigidos na Carta de Crédito ao Banco Negociador. Desta forma, torna-se questionável a segurança da entrega dos bens negociados. Ainda Ratti (2001, p.99) demonstra que:

o

beneficiário receba antecipadamente o valor total ou parcial do crédito. Dada a sua natureza de adiantamento sem garantia, essas cláusulas

somente poderá existir quando o importador confiar plenamente no exportador. Geralmente, ela é instituída com o fim de fornecer meios ao beneficiário para adquirir ou fabricar o produto a ser exportado.

A

Red

Clause,

muito

usual

no

comércio

internacional,

permite

que

O risco é do importador, pois o banco emitente do crédito documentário

acatou essa clá usula durante o processo de abertura, por outro lado, o banco negociador no país do exportador também está obedecendo à vontade do importador. Segundo Carpio (2000, p .179):

Pode-se concluir, então, que o sucesso financeiro de uma operação internacional envolvendo crédito documentário depende unicamente da capacidade do exportador cumprir as exigências do documento, e isso depende do profissional de cada empresa.

No Brasil, a Red Clause não é utilizada, exceto em alguns casos especiais autorizados pelo Banco Central do Brasil, passando a ser utilizada em Créditos de Exportação.

2.15 ANÁLISE DA CARTA DE CRÉDITO SEGUNDO A UCP 500 + EUCP

No

período

das

negociações

comerciais

que

envolvem

exportador

e

41

importador há duas etapas distintas e necessárias para iniciar o processo da Carta de Crédito. A primeira etapa está relacionada à Fatura Pro Forma, iniciando os primeiros contatos entre vendedor e comprador. A segunda etapa, a mais importante, está o recebimento da Carta de Crédito pelo exportador. Carpio (2000, p.135) ainda explana que:

É nesta segunda fase que temos que ter muito cuidado, verificando se a L/C aberta pelo importador está de acordo com os termos e condições pactuados durante a primeira fase. É necessário, então, comparar a Fatura ProForma com a Carta de Crédito.

É no documento que as exigências são impostas pelo importador, na fase de

abertura da Carta de Crédito, Issuing Bank. Tornando assim, fundamental que o exportador cumpra todos os requerimentos da L/C, pois, ao término da averiguação dos documentos de exportação, sem discrepâncias, o exportador garantirá seu direito de receber suas divisas e liquidar o contrato de câmbio com o Banco Negociador. Carpio (2000, p .05) afirma ainda que :

No entanto, é preciso entender e observar com muita atenção todos os detalhes de uma carta de crédito, bem como dos os documentos de embarque, de forma a evitar possíveis discrepâncias e emendas necessárias de última hora, que poderão resultar em riscos e prejuízos às partes envolvidas.

Caso o exportador não concorde com alguma cláusula da L/C, prazos ou outros, durante a transação de exportação utilizando Carta de Crédito, o mesmo

deverá avisar o importador; o importador concordando com a reclamação do beneficiário, o mesmo deverá providenciar junto ao banco emissor a devida alteração, chamada de emenda, da mesma forma que iniciou a transação, ou seja, pelo mesmo banco emissor e banco avisador, chegando assim às mãos do exportador.

É importante deixar claro que, esta emenda deve ser solicitada durante as

negociações, antes do embarque das mercadorias ao destino, ficando a critério do importador em concordar com qualquer alteração, podendo assim causar sérios prejuízos ao exportador. Carpio (2000, p.136) ainda explana que , “o sucesso do exportador vai depender, então, de sua capacidade, habilidade, prática e conhecimento de lidar com a L/C”.

2.16 SEQÜÊNCIA DE TÓPICOS DA CARTA DE CRÉDITO

No entanto, para a construção de uma Carta de Crédito sem discrepância

42

são necessárias que o responsável se atenha as seguintes seqüências de tópicos

(CARPIO, 2000):

a) Issue Date: Campo da L/C onde consta a data em que o importador

compareceu ao Banco Emitente para realizar a abertura da Carta de

Crédito.

b) Issuing Bank: Local na Carta de Crédito que mostra a razão social

completa do Banco E mitente.

c) Applicant: Neste campo da L/C nota-se a razão social e endereço do

importador que recebeu a Fatura ProForma.

d) Beneficiary: Consta neste campo a razão social e endereço completo do

exportador.

e) Número da L/C: aparece o número de controle da L/C, este fornecido

pelo Issuing Bank , no momento da abertura. f) Amount: Verifica-se neste campo o valor que corresponde a venda

negociada na Fatura ProFoma.

g) About: Este termo aparece ao lado do valor mencionado na L/C, quando

é permitido o faturamento de até 10% a mais ou a menos do valor total da

Carta de Crédito.

h) Condições de Venda: Neste campo em qual INCOTERMS a transação

esta amparada. i) Condição de Pagamento: Mostra a forma de pagamento, à vista ou a

prazo, de acordo com a Fatura ProForma. j) Porto de Embarque: Este campo define qual porto, aeroporto ou local de

embarque da mercadoria. Aparecendo a expressão “Any Port Brazilian”

garante o embarque em qualquer porto brasileiro.

k) Porto de destino: Define neste campo qual o porto de destino da

mercadoria. l) Embarques Parciais: Determina se pode (Partial Shipment Allowed) ou

(Partial Shipment not Allowed) ocorrer embarques parciais.

m) Trasbordos: (Allowed) ou não pode (not Allowed) ocorrer transbordos.

n) Descrição da mercadoria: É o campo que descreve o produto vendido,

exatamente de acordo com a Fatura ProForma.

o) Quantidade: Neste campo relaciona-se a quantidade da mercadoria a ser

43

exportada, ligada diretamente ao preço da mercadoria. O termo “About”

encaixa também neste campo da L/C, já que possui relação com a

quantidade do produto em questão. p) Documentos exigidos na L/C: A Carta de Crédito exige a relação de

todos os documentos envolvidos na exportação (Fatura Comercial, Packing List, Seguro Internacional, Certificado de Origem, Certificado de

Peso, Declarações Especiais, Bill of Lading – B/L) todos de acordo com a

exigência da Carta de Crédito, ou das Normas da CCI - Brochura 500. q) Embarque Até: Mostra a data final de embarque da mercadoria no porto

do país exportador; Negociação Até: Determina o prazo máximo de negociação dos documentos junto ao banco negociador. A Brochura 500

define o prazo máximo de até 21 dias da data de embarque da

mercadoria (Artigo 43-a).

r) UCP 500: Neste campo pode citar a Brochura 500, significando que todas

as partes envolvidas na operação devem respeitar as Regras da UCP

500.

s) Instruções de Reembolso de Banco para Banco: Este termo demonstra

as instruções que são dirigidas ao Banco Negociador, que usará às mesmas para a negociação dos documentos da L/C e solicitar o crédito

das divisas.

t) Instruções Especiais: Este campo mostra as instruções especiais que a

L/C está solicitando ao exportador.

2.17 DISCREPÂNCIAS EM CRÉDITOS DOCUMENTÁRIOS

O descumprimento de cláusulas e/ou solicitações efetuadas pelo emitente

encontradas durante a averiguação dos documentos da L/C, pelo Banco Negociador, são conhecidas como Discrepâncias. Ocorrendo tais discrepâncias, o

Banco Negociador automaticamente cancela o pagamento das divisas ao exportador, liberando somente com autorização do Banco Instituidor. Ainda Maia

(2007, p.88) cita que:

Quando isso ocorre, o banco negociador não paga ao exportador e consulta o banco instituidor se pode pagar. Se, eventualmente, a resposta do banco instituidor for demorada, o banco negociado encaminha os documento em cobrança. Nesse caso, a carta de crédito se transforma numa simples cobrança.

44

Nesta situação pode haver discrepâncias solúveis e insolúveis, solúveis são aquelas que podem ser resolvidas sem maiores problemas ou podem ser negociadas em comum acordo, podendo haver uma renegociação. Assim, é possível citar como exemplo a mudança de cor externa de um lápis que deveria ser preta e foi enviada na cor vermelha. Discrepância insolúvel é algo que não têm solução, como um erro em algum documento, onde a mercadoria já foi enviada ao exterior e não há condição de corrigir, como a data do conhecimento de embarque , neste caso a mercadoria saiu com uma semana de atraso para o exterior não havendo possibilidade de alteração no documento, gerando discrepância insolúvel (CARPIO, 2000).

2.18 DISCREPÂNCIAS COMUMENTE ENCONTRADAS EM CARTA DE CRÉDITO

Em relação às Faturas Comerciais as Discrepâncias mais comuns podem ser (CARPIO, 2000):

a) Descrição da mercadoria diferindo da que aparece no crédito;

b) Nome do importador em discordância com a Carta de Crédito;

c) Vias insuficientes;

d) Valor em desacordo com o Saque;

e) Faturamento ou Embarque em excesso;

f) Firmas não reconhecidas por tabelião, quando exigido na L/C;

g) Omissão do preço INCOTERMS, quando especificado na L/C;

h) do frete e/ou seguro não especificado, quando exigido na L/C;

i) Rasuras não autenticadas;

j) Emitidas em moedas em desacordo com a prevista;

k) Não estarem assinadas quando o crédito pedir;

l) Excedem o valor do crédito, salvo quando constar o termo About, que permite a diferença em 10%.

Em relação ao Conhecimento de Embarque as discrepâncias mais comuns podem ser (CARPIO, 2000):

a) Apresentação de jogos incompletos (3 originais e 3 cópias), salvo quando especificado na alteração na L/C;

b) Alterações não rubricadas pelo emitente;

45

d) Divergir da data de embarque que consta na Carta de Crédito;

e) A mercadoria não estar consignado de forma correta (à ordem de);

f) Consta porto de embarque ou de destino diferente da L/C;

g) Conhecimentos sem assinatura da companhia ou agente de navegação;

h) O conhecimento não é Clean on Bord, exigido na L/C;

i) Embarque feito no convés (on deck), quando não autorizado na L/C.

Em relação a outros documentos as Discrepâncias mais comuns podem ser (CARPIO, 2000):

a) O Certificado de Origem não está de acordo com os requisitos do país para o qual a mercadoria está sendo exportada;

b) O Seguro não cobre todos os riscos específicos requeridos pela L/C;

c) A mercadoria não é descrita de acordo no Certificado de Seguro;

d) O valor da cobertura do seguro é insuficiente;

e) O saque está emitido incorretamente ou por uma importância que não está de acordo com o valor do crédito;

f) A Carta de Crédito está vencida.

2.19 REGRAS E USOS UNIFORMES SOBRE CRÉDITOS DOCUMENTÁRIOS

No ano de 1933, uma reunião em Viena, resultou na publicação da Brochura 500, onde sua finalidade é imunizar os bancos contra instruções incompletas requeridas pelo importador. Após sua publicação, a Brochura 500 passou por diversas alterações, nunca alterando sua essência. Estas revisões se passaram nos anos de 1951, 1962, 1974, 1983 e 1993, onde está vigente até os dias atuais. Sendo assim, sua última alteração, entrou em vigor em 1° de janeiro de 1994, substituindo as normas anteriormente compiladas na Brochura 400. Ainda para Carpio (2000, p.08) explica:

Esta nova regulamentação, que veio para vigorar por muitos anos, uma vez que dificilmente a CCI modificará seu conteúdo, levou em conta aspectos e considerações importantes, tendo como base a jurisprudência internacional, as inovações tecnológicas dos bancos, casos especiais e práticas rotineiras, constituindo-se como um guia indispensável para todos os envolvidos numa negociação com Crédito Documentário.

Desta forma torna recomendável, para se obter maior conhecimento de como manusear uma Carta de Crédito, a leitura e interpretação do documento denominado Regras e Usos Uniformes sobre Créditos Documentários, conhecidos

46

também como Brochura 500, ou UCP 500 + eUCP. O que regulamenta a Carta de Crédito é a UCP 500 + eUCP, uma legislação internacional, no caso de haver alguma dúvida em relação aos itens da L/C, todas as partes envolvidas deverão seguir a Brochura 500, se a mesma for citada na Carta de Crédito. Carpio (2000, p.142) ainda explana que:

Porém, para que uma L/C possa se valer desta legislação internacional é importante que a L/C conste uma vinculação por escrito. Ao analisar uma L/C, então, devemos ter o cuidado de verificar se foi mencionada alguma cláusula neste sentido.

Mesmo havendo ajustes na brochura, o CCI não modificará sua essência, esta legislação regula a maneira correta de pagamento através de Carta de Crédito, sendo hoje a forma de pagamento com melhor aceitação em qualquer país, pois trás segurança do início ao fim da negociação, assegurando o ressarcimento a parte prejudicada através de um banco, esse assumirá, caso a outra parte negociadora cometa alguma discrepância (CARPIO, 2000).

3 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA

3.1 HISTÓRICO

Fundada em janeiro de 1997, a Alane Confecções Ltda, é uma micro- empresa que atua no segmento de roupas intimas femininas e masculinas. Atualmente, a empresa comercializa seus produtos apenas no mercado nacional, especificando melhor, no mercado regional, onde possui clientes na região norte de Santa Catarina e em algumas cidades do Paraná. Seus principais produtos são: calcinha, cueca em algodão, cotton e tecidos sintéticos, pijamas e conjuntos de calcinha e sutiã em tamanhos e modelos diversos. A Alane Confecções Ltda, não possui representantes comerciais e nem vendedores no exterior. Seu canal de distribuição é realizado através de seu posto de venda, que se encontra anexado à confecção.

3.2 INSTALAÇÕES

A empresa Alane Confecções Ltda., está situada na Rua Albano Schmidt, 5027, bairro Boa Vista em Joinville, Santa Catarina.

3.3 ORGANOGRAMA

Diretor (Proprietária) Gerente Geral Produção Comercial
Diretor
(Proprietária)
Gerente Geral
Produção
Comercial

Figura 1. Organograma da empresa Alane Confecções Ltda. Fonte: Primária (2008).

48

3.4 MISSÃO E VISÃO

3.4.1 Missão

‘’Desenvolver produtos de alta qualidade para quem busca praticidade e conforto para o seu dia-a-dia’’.

3.4.2 Visão

‘’Traduzir e transformar desejos e necessidades, em produtos de alta qualidade, conforto e beleza’’.

4 METODOLOGIA

A metodologia científica é utilizada como um guia, direciona o foco que os

estudos devem tomar, para gerar veracidade nos resultados (Gil, 1999). De acordo com a obra de Fachin (2001, p.27):

O método é um instrumento do conhecimento que proporciona aos

pesquisadores, em qualquer área de sua formação, orientação geral que facilita planejar uma pesquisa, formular hipóteses, coordenar investigações, realizar experiências e interpretar os resultados.

No entanto, os estudos realizados utilizaram a metodologia de natureza aplicada, pois visa o conhecimento na teoria e no desenvolvimento dos processos, aumentando o conhecimento. Para Ruiz (2002, p.50), “a pesquisa aplicada toma certas leis ou teorias mais amplas como ponto de partida, e tem por objetivo investigar, comprovar ou rejeitar hipóteses sugeridas pelos modelos teóricos”.

4.1 TIPO DE PESQUISA

4.1.1 Pesquisa qualitativa

A forma de abordagem da pesquisa foi qualitativa, conforme salienta Fachin

(2001, p.82):

As variáveis qualitativas são definidas por meio de uma descrição analítica,

e não medidas ou contadas. Convém mencionar que os atributos são aspectos qualitativos nas variáveis da pesquisa, e em sua descrição não se

utilizam números. Contudo, isto não quer dizer que a qualificação não possa

ser aplicada para determiná-los.

Convém relatar que neste tipo de pesquisa não se utilizam números, mas sim, fatos que qualificam um atributo importante na análise do caso. No entanto, há casos em que se utilizam os números apenas para identificar categorias ou escalas, mas não como base de dados (FACHIN, 2001). Com tudo, não houve a necessidade da confecção de tabelas ou outras pesquisas que analisassem dados numéricos, na qual representa a situação atual da empresa, pois havia documentos internos que demonstravam todos estes dados. Por tanto, somente qualitativo para que se pudesse analisar a melhor estratégia financeira para pagamentos internacionais.

50

A opção pela pesquisa qualitativa procedeu da necessidade da empresa em implantar uma forma de pagamento diferenciada e atrativa aos seus possíveis clientes internacionais, que até o momento gerava dificuldade para negociar com o mercado externo, nesse caso o Chile, devido à possibilidade de inadimplência no exterior. O estudo ainda procedeu com o objetivo de promover pesquisas exploratórias, descritivas e explicativas, e o procedimento de coleta de informações foi através de pesquisa bibliográfica.

4.1.2 Pesquisa exploratória

A

pesquisa

exploratória

tem

a

finalidade

de

propiciar

o

estudo

mais

aprofundado, que traga ao momento da pesquisa uma maior reflexão dos fatos, gerando fatores que trace os rumos dos fatos ou problemas.

Na opinião de Gil (1999, p.42):

As pesquisas exploratórias têm como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e idéias, tendo em vista, a formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores.

No entanto, esta pesquisa foi muito utilizada para iniciar a busca da solução do problema, sendo que as análises foram feitas na presença do orientador e da proprietária da Alane Confecções. Desta forma, mostrou-se notável a necessidade de buscar alguma forma de pagamento que fosse compreensiva pelo cliente no exterior e que do mesmo modo trouxesse maior confiança às partes envolvidas na negociação. Através de documentos e pesquisas internas, fornecida pela empresa, esclareceu a necessidade de mudança no planejamento estratégico, que até então não havia visão do problema para que se pudesse buscar uma melhor solução.

4.1.3 Pesquisa explicativa

A pesquisa explicativa tem o objetivo de identificar circunstâncias que

contribuem para a ocorrência de determinados fatores ou problemas, propondo maior aprofundando nos fatos reais, explicando a razão das situações ou o porquê dos acontecimentos. Ainda na opinião de Gil (1999, p.44), “pode-se dizer que o conhecimento científico está assentado nos resultados oferecidos pelos estudos explicativos”.

51

Em tese, isto não quer dizer que essa pesquisa é considerada melhor que as outras, no entanto, em alguns casos os estudos explicativos são conseqüências de outros métodos, principalmente da pesquisa descritiva e exploratória.

4.1.4 Pesquisa bibliográfica

Esta pesquisa tem por objetivo possibilitar uma visão ampla e melhor embasada em materiais existentes, auxiliado no melhor desenvolvimento do estudo, sendo as fontes de base os livros e artigos científicos (G IL , 1999). Segundo relata Fachin (2001, p.124):

A pesquisa bibliográfica diz respeito ao conjunto de conhecimentos humanos reunidos em obras. Tem como base fundamental conduzir o leitor a determinado assunto e a produção, coleção, armazenamento, reprodução, utilização e comunicação das informações coletadas para o desempenho da pesquisa.

Todavia, nesta pesquisa foi utilizada referência bibliográfica, pois são essenciais para o desenvolvimento do trabalho, possibilitando um melhor embasamento e veracidade nas informações. É importante contextualizar que devido ao fato desde tipo de assunto ser explorado no dia-a-dia das organizações, se faz necessário que o estudioso busque opiniões com autores conceituados.

4.2 INSTRUMENTO DE PESQUISA

A busca pelos instrumentos de pesquisas não é fácil, no entanto é crucial para a realização da mesma. São utilizados como instrumentos de pesquisas os formulários, questionários, roteiros de entrevistas, escalas, dentre outros (LAKATOS & MARCONI, 2001). Foram utilizados como instrumentos de pesquisa: documentos, dados restritos da empresa, referência bibliográfica, leis, decretos do site da Receita Federal, entre outros.

5 DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA

5.1 PROBLEMA DA PESQUISA

Como utilizar o recurso da ferramenta Carta de Crédito, para minimizar o risco de inadimplência no mercado internacional?

5.2 OBJETIVO GERAL

Facilitar a venda no exterior, de modo a garantir o pagamento de uma negociação internacional.

5.3 OBJETIVOS ESPECÍF ICOS

a) Propor a negociação no exterior através da forma de pagamento: Carta de Crédito.

b) Explanar sobre a importância da forma de pagamento através de Carta de Crédito.

c) Expor à empresa, a segurança na qual se há em uma negociação com Carta de Crédito.

d) Apontar as Cartas de Créditos mais utilizadas.

e) Conscientizar a empresa que desta forma facilitará a entrada no mercado internacional, diminuindo os obstáculos com tranqüilidade.

5.4 JUSTIFICATIVA

Atualmente o mundo internacional dos negócios vem crescendo dia após dia e conseqüentemente os Estados estão influenciando para que este nicho cresça ainda mais, com isso, os índices de inadimplência vem crescendo gradualmente e dificultando a vida de muitas empresas exportadoras. Devido a este fato, a empresa Alane Confecções Ltda. também têm um forte interesse em integrar seus produtos no mercado internacional e seu principal alvo é o mercado chileno. Todavia, como visto inicialmente, o índice de inadimplência vem se tornando uma barreira para o

53

planejamento estratégico da empresa, e devido a grande dificuldade em conseguir

cobrar estes faturamentos no exterior, é que, após várias trocas de informações com o responsável da empresa e com o orientador específico, foi possível chegar à conclusão da importância na implantação de uma forma de pagamento mais segura

e adequada, a Carta de Crédito. Essa segurança se obtém devido à intervenção de

uma terceira parte, o banco negociador, o qual garante ao exportador o pagamento,

e assegurará ao importador a não necessidade da transferência das divisas, caso o exportador Alane não cumpra com as suas obrigações, referente às mercadorias exportadas. Portanto, essa será a alternativa correta para que as exportações ocorram da melhor forma, garantindo assim o pagamento das vendas, tranqüilizando o importador e possibilitando a expansão de mercado.

6 ANÁLISE DA PESQUISA

Foram utilizadas para avaliação deste estudo, pesquisas internas na empresa Alane Confecções Ltda, onde puderam se avaliar suas necessidades e dificuldades, utilizando como fonte de apoio às pesquisas qualitativas, pois não houve a necessidade da utilização de levantamento de dados numéricos. Estas pesquisas tiveram por objetivo indicar a melhor solução à empresa, no entanto, a visita teve forte importância no desenvolvimento. Estas pesquisas contribuíram para uma melhor ação junto a empresa perante a possibilidade de se integrar ao mercado internacional, como a implementação da forma de pagamento Carta de Crédito em suas atividades financeiras, devido a possibilidade de inadimplência no mercado externo, a falta do lastro de confiabilidade entre importador e exportador, a segurança de não correr o risco de quebrar a empresa por falta de pagamento e alta despesa para a fabricação e exportação dos produtos.

6.1 PROPOSTA DE MELHORIA

Após o término da análise das pesquisas e a visita a Alane Confecções, tornou obvio que para este momento em que a empresa deseja ingressar no mercado internacional, esta precisa incorporar a forma de pagamento Carta de Crédito como hábito em suas rotinas de negociações internacionais. A utilização desta modalidade de pagamento nas operações de exportação evidenciará a garantia do pagamento dos produtos vendidos em favor do exportador e gerará além da segurança um laço de confiança entre exportador e cliente. A sugestão da implementação da Carta de Credito na modalidade de pagamento foi discutida juntamente com o orientador específico, a proprietária e o setor responsável de vendas. Depois de concluído o estudo foi enviado aos responsáveis da empresa, com embasamento teórico para comprovar, que na tese a modalidade Carta de Crédito atenderá melhor as expectativas e necessidades da empresa para iniciar suas vendas no mercado internacional. Mesmo tendo um maior

55

custo, pois todos os trâmites são feitos via banco, para as negociações que não possuem o lastro de confiabilidade entre as partes negociantes esta é a mais indicada, podendo ainda os custos serem repassados ao preço final das mercadorias. Embora seja uma micro-empresa e que deseja ingressar no mercado internacional, esta possui o ponto forte em confecção de lingerie e fácil acesso a matéria-prima, podendo aumentar sua capacidade produtiva considerável. Sua escolha por optar pelo mercado chileno se deu devido a sua estabilidade econômica e por pertencer a América Latina, o que na questão logística ficaria viável. Com isso, precisa contratar um profissional que esteja qualificado para auxiliar nas negociações de seus produtos no exterior, não somente na divulgação do produto, mas também a forma de pagamento que será utilizada, pelo fato de oferecer maior tranqüilidade às partes negociantes. Necessita obter conhecimento referente a todos os Acordos Internacionais que relacionam os países da América Latina, em especial o que agrega Brasil e Chile, já que seu foco é iniciar suas vendas no mercado chileno. Com a correta conferência de uma L/C honrada pelo importador e pelo banco emissor sem nenhuma discrepância, deixa clara a segurança desta forma de pagamento , mesmo havendo vários tipos de Carta de Crédito, podendo, portanto se encaixar no perfil adequado de cada operação de exportação. Com esta forma de pagamento abrirá muitas portas para a micro-empresa Alane, pois lhe possibilitará ampliar seu mercado, deixando de fornecer mercadorias somente no mercado interno. Desta forma estará ampliando as negociações com exterior e desenvolvendo sua marca entre os demais países ao seu redor. O Brasil deve continuar ampliando as exportações de seus produtos, que demonstram qualidade e mercado no exterior, ampliando cada vez mais o setor industrial do país e desenvolvendo a economia brasileira. Para isso, as empresas devem buscar se integrar no Mercado Internacional, mas não esquecer de se preocupar com o recebimento das divisas das mercadorias exportadas. Na seqüência há uma tabela que descreve a função de cada modalidade de pagamento, as mais utilizadas, suas vantagens e desvantagens, sua aplicabilidade em alguns seguimentos e sua importância de confiabilidade nas negociações.

56

ITEM

CARTA DE

PAGAMENTO

 

REMESSA

   

COBRANÇA

 

CRÉDITO

 

ANTECIPADO

DIRETA

BANCÁRIA

 

Nas primeiras ne- gociações, onde as partes não

É dado um sinal

Esta

possui

um

O

importador so-

do

pagamento

forte

lastro

de

mente terá aces- so à carga após

para

iniciar

a

confiança, geral-

possuem

lastro

produção de de- terminada mer- cadoria, geral- mente quando se trata de mercado- rias com alto valor agregado.

mente

utilizada

a

posse

dos

de confiabilidade.

para clientes

an-

documentos, es- se só é liberado

APLICABILIDADE

tigos

ou

entre

filiais e matriz.

 

após o pagamen- to bancário ao exportador.

 

Há um terceiro garantidor do pa- gamento, o Ban- co Emitente. Es-

O

exportador re-

Menor custo, pois os tramites não passam via tran-

Possuirá um ban-

cebe antecipada-

co

que facilitará a

mente

para

ini-

cobrança no

ciar

a

produção

sação

bancária,

exterior.

 

se

pagará

a

di-

das mercadorias.

os

documentos

 

VANTAGENS

vida caso

o

im-

seguem

junto

portador

não

com a

carga,

 

honrar

com

o

tornando rápido o tramite de docu-

compromisso.

Maior

segurança

mentação.

 

na negociação.

 
 

Custo

elevado,

Trás insegurança ao importador que vai pagar por uma mercadoria na qual não tem certeza se deve-

A insegurança do

Custo

pela

co-

pois

os

tramites

exportador, nesta

brança, desobri-

são

feitos

via

ele

envia os

gação

por parte

banco, com ga- rantia, por isso o processo é um

documentos junto

do

banco em

DESVANTAGENS

à

carga

e

por

fazer o pagamen-

isso

dificulta

a

to

ao exportador.

pouco

mais

de-

receber.

 

cobrança,

pois

 

morado.

   

não

tem

como

 

comprovar nada.

 

Empresas novas

Exportação de alto valor agrega- do, como: produ- ção de máquinas, veículos, serviços, etc.

Exportação de projeto de enge- nharia, feitos por encomenda e com longo tempo de desenvolvi - mento.

Empresas já es- tabelecidas no mercado, com venda de produ-

com

ramo de

produtos

 

de

SEGMENTO DE

baixo valor, como

venda de roupas, móveis, etc.

tos

de alta com-

MERCADO

corrência, para

   

clientes freqüen-

 

tes.

 
 

Adequada e me- lhor aceita nos demais mercados

Adequada, no entanto, pode ge -

Inadequada, trás

Inadequada, trás

segurança

ao

insegurança pelo

rar dificuldade na penetração de mercado de seus produtos, trás in- segurança ao im- portador, empre-

cliente e insegu- rança a Empresa, não possui certe- za de recebimen- to pela exporta- ção.

recebimento

e

EFEITO DESTA

MODALIDADE

internacionais,

trazendo

segu-

conseqüência do

custo

bancário,

rança

a

 

esta

além

de

arcar

NA EMPRESA

ALANE CONF.

empresa e a seu cliente.

com o

retorno das mer-

custo de

sa

nova no ramo.

 

cadorias.

 

Tabela 5. Distinções das Formas de Pagamentos Internacionais mais Utilizadas. Fonte: Primária (2008).

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Inicialmente, foi realizada uma visita na empresa Alane Confecções Ltda., na qual foi constatado o problema que estava prejudicando o desenvolvimento da empresa, que é a utilização da ferramenta Carta de Crédito para evitar o risco de inadimplência em sua penetração no mercado internacional. Com base nisso é que se iniciou o desenvolvimento deste trabalho e as pesquisas subseqüentes com a finalidade de ajudar a melhorar suas negociações. Todas as contribuições obtidas pelas pesquisas com os levantamentos bibliográficos, assim como, a própria visita à empresa e o conhecimento geral de seu funcionamento, foi fundamental para que se pudesse chegar ao ponto de partida das mudanças necessárias na proposta de melhoria. As principais contribuições foram a visualização das verdadeiras necessidades da empresa, que até então não obtinha conhecimentos e o fundamental foram os resultados alcançados de maneira científica e fundamentada, não utilizando o empirismo e sim dados e fatos reais citados por autores experientes e conhecedores do assunto. Após um melhor contato com a área de vendas da empresa, conhecendo melhor como é sua forma de negociação e tendo como base as informações das pesquisas qualitativas, foi possível constatar que poderia ser utilizada a modalidade de pagamento Carta de Crédito. Essa auxiliará no aumento de suas exportações e significativamente o campo de mercado no exterior, já que em tese esta modalidade é bem aceita nas transações internacionais, passando a segurança nas transações já que a empresa não tem o hábito de exportar e a confiabilidade com o mercado externo, além de evitar um imenso prejuízo em uma venda mal sucedida, gerando perdas e despesas no processo de exportação. Ao meu ponto de vista, os resultados obtidos têm a finalidade de gerar segurança as empresas que tem a intenção de se integrar ao mercado internacional, no entanto há a necessidades destas em investir em estudos, planejamentos e pessoas qualificadas que possam dar suporte, quanto a intenção de investir neste público. Contudo, esta opção gera maior custo por se tratar de uma negociação via rede bancária, em contra partida, esta modalidade trás a certeza de que a Alane irá

58

receber pela operação realizada no exterior, pois há um terceiro garantidor, o Banco, que pagará pela mercadoria caso o importador não honre com os seus compromissos. Afinal, foi muito satisfatório a realização e o desenvolvimento desta pesquisa sobre a utilização da ferramenta Carta de Crédito, principalmente para o curso de Administração com Habilitação em Relações Internacional, pois propicia a observação na prática de toda a fundamentação teórica estudada nestes últimos anos. Além de dar oportunidade às empresas brasileiras em traçar desafios em fazer do comércio exterior um fator de desenvolvimento destas e da economia do país, cabendo aos administradores buscar na legislação e nas organizações específicas, meios de obter novos benefícios e desenvolver novas pesquisas para as melhorias de conduta das empresas exportadoras brasileiras.

REFERÊNCIAS

BRASIL.

Ministério

da

Fazenda.

Secretaria

da

Receita

Federal.

Controle

Administrativo

da

Importação.

Disponível

em:

<http://www.receita.fazenda.gov.br/Aduana/ProcAduExpImp/ContrAdmin.htm>. Data:

01 de maio de 2008a.

Despacho Aduaneiro de Exportação. Disponível em:

<http://www.receita.fazenda.gov.br/Aduana/ProcAduExpImp/DespAduExport.htm>. Data: 01 de maio de 2008b.

Quantidades totais de Registro de Exportação (RE) e de Declaração de Despacho de Exportação (DDE) registradas e desembaraçadas. Disponível em:

<http://www.receita.fazenda.gov.br/Aduana/DeclaracaoExportacao/2006/QuantTotR

EeDDE.htm>. Data: 01 de maio de 2008c.

Exportações Segundo as Principais Mercadorias. em:

Disponível

<http://www.receita.fazenda.gov.br/Aduana/Exportacao/2008/janeiro/principaismerca

dorias.htm >. Data: 01 de maio de 2008d.

Exportações Segundo os Países de Destino. em:

Disponível

<http://www.receita.fazenda.gov.br/Aduana/Exportacao/2008/janeiro/paisesdestino.ht

m>. Data: 01 de maio de 2008e.

CARPIO, Rómulo Francisco Vera Del. Carta de crédito e UCP 500. São Paulo:

Aduaneiras, 2000.

CARPIO, Rómulo Francisco Vera Del. Carta de crédito e URR 525 (Comentada). São Paulo: Aduaneira, 2000.

CARPIO, Rómulo Francisco Vera Del. Livro. Gestão de operação de exportação e importação. Apostila Fundação Getúlio Vargas. Joinville: FGV, 2007.

FACHIN, Adília. Fundamentos de metodologia. 3º Edição. São Paulo: Saraiva,

2001.

GARCIA, Luiz Martins. Exportar: rotinas e procedimentos, incentivos e formação de preços. São Paulo: Aduaneiras, 1997.

GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas,

1999.

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. 4º Edição Revista e Ampliada. São Paulo: Atlas, 2001.

LUNARDI, Ângelo Luiz. UCP 500 + EUCP. Versão 1.0. São Paulo: Aduaneiras,

2002.

60

LUZ, Rodrigo. Comércio internacional e legislação aduaneira. 2ª Edição Atualizada Até A IN RFB N° 748/2007. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.

MAIA, Jayme de Mariz. Economia internacional e comércio exterior. São Paulo:

Atlas, 2007.

MALUF, Sâmia Nagib. Administrando o comércio exterior do Brasil. São Paulo:

Aduaneiras, 2000.

RATTI, Bruno. Comércio internacional e câmbio. São Paulo: Aduaneiras, 2001.

RATTI, Bruno. Comércio internacional e câmbio. São Paulo: Aduaneiras, 2007.

RUIZ, João Álvaro. Metodologia científica: guia para eficiência nos estudos. São Paulo: Atlas, 2002.

SOUZA, Cláudio Luiz Gonçalves de. A teoria geral do comércio exterior. Minas Gerais: Líder, 2003.

SOUZA, Rodrigo Freitas de; MORAIS Jr, Devani de. Comércio internacional:

Blocos Econômicos. Curitiba: IBPEX, 2005.

APÊNDICE

APÊNDICE

62

62

63

63

64

64