UM CONVITE A REFLEXÃO SOBRE SERVIÇOS AMBIENTAIS

NOTATÉCNICA TÉCNICA 1 3 NOTA
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UM CONVITE A REFLEXÃO SOBRE SERVIÇOS AMBIENTAIS Data: Setembro/2011 Ricardo Verdum Assessor do Inesc verdum@inesc.br 3 .org.

É sob este cenário que vemos atualmente um rápido alinhamento de atores públicos e privados em prol da transformação de experiências de projetos e planos estaduais de redução por desmatamento e degradação em estratégias e regulamentos nacionais e estaduais que visam dar corpo e escala a mecanismos capazes de constituir no Brasil uma Política de REDD e PSA. em paralelo ao debate da Política Mundial para o Clima. ajuda na reflexão atual sobre os caminhos e desafios do debate sobre REDD e PSA. de forma distinta do atual debate sobre REDD e PSA. outro campo de atores sociais e conhecimentos. do lugar que a temática do pagamento por serviços ambientais ocupou nesta experiência. Entendemos que a compreensão do processo de construção deste Programa. Este programa nasceu atento a problemática das emissões derivada da queima e degradação das florestas. movidos pelo foco no controle das emissões de Carbono (CO2) e por uma visão “pragmática” de viabilizar instrumentos econômicos-financeiros para manutenção da floresta em pé. mas. fortemente vinculado às demandas dos movimentos sociais do campo. De outro lado. A intenção aqui é chamar atenção para a experiência do Programa de Desenvolvimento Sustentável da Produção Familiar Rural da Amazônia – PROAMBIENTE como um embrião da construção política e instrumental do “Pagamento por Serviços Ambientais” no Brasil. 5 . assim como revisitar seus limites e descontinuidades. internamente com visões nem sempre convergentes. buscamos mostrar como foi se configurando.SUMÁRIO INTRODUÇÃO Este documento inicia uma série de reflexões do Inesc acerca das temáticas do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação – REDD.

orientadas pela boa convivência e adaptação ao bioma. 6 . etc. sua lógica precisa ser invertida. que viabilizem a redução do desmatamento e degradação florestal. atores e riscos relacionados ao atual debate de regulamentação do PSA e REDD . Mas. financiamento.são elementos importantes para ampliar a reflexão e a capacidade de proposição e defesa de políticas públicas. possam continuar desenvolvendo seus modos de vida e de produção.em paralelo a uma maior compreensão dos interesses. mais do que uma preocupação com princípios e salvaguardas capazes de garantir o acesso de povos e comunidades tradicionais aos benefícios advindos de tal política. que são reconhecidamente os principais responsáveis pela preservação ambiental. sustentadas por recursos públicos. ciência e tecnologia. direitos universais.) para que comunidades que vivem na e das florestas. É imperativo que a necessária e urgente redução do desmatamento e das emissões derivadas seja viabilizada por uma Política que garanta as condições objetivas (terra.A experiência do PROAMBIENTE .

Um evento de impacto global que mobilizou governos. organizações não governamentais. e que gerou as Convenções do Clima e da Biodiversidade. por intermédio da captura de carbono pelas árvores plantadas (offsetting). Vinha respaldado e legitimado pelos movimentos sociais de trabalhadores rurais e da agricultura 1 Veja Pagamentos por Serviços Ambientais na Mata Atlântica: lições aprendidas e desafios. o desmatamento evitado. Segundo Guedes & Seehyan (2011). então. br/estruturas/202/_arquivos/psa_na_mata_atlantica_licoes_aprendidas_e_desafios_202. O início dos anos 1990 é também quando se realiza a II Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Humano (Rio92).gov. indústrias e outras empresas formaram parcerias com a finalidade de conservar florestas nativas e plantar árvores. 7 . constituindo as chamadas “florestas plantadas” 1 . O documento está disponível em: <http://www. a redução das perdas potenciais de nutrientes e a redução da inflamabilidade da paisagem. Incluía povos indígenas. já final dos anos 1990. empresas e sociedade civil. a recuperação e conservação da biodiversidade. especialmente via “projetos florestais”. como motivo de preocupação. comunidades tradicionais e comunidades de agricultores familiares . organizado por Fátima Becker Guedes e Susan Edda Seehusen (Brasília: Ministério do Meio Ambiente). 2 Os serviços ambientais prestados teoricamente a totalidade da sociedade humana inclui: a absorção do carbono da atmosfera. que surge a primeira iniciativa concreta destinada a criar uma política pública a partir da noção de “serviços ambientais”. mas também como uma “oportunidade”. o restabelecimento das funções hidrológicas dos ecossistemas naturais. A idéia foi apresentada como proposta de política em 2000 durante o “Grito da Terra”. 2011.06.pdf > Acesso em 23.PROAMBIENTE: BREVE HISTÓRIA DE UMA QUASE POLÍTICA DE PAGAMENTO POR SERVIÇOS AMBIENTAIS Os “projetos florestais” começaram a fazer parte do mercado global de crédito de carbono no início da década de 1990. É dessa época também. Ela estava orientada para beneficiar econômica e financeira os grupos sociais na Amazônia com modos de vida caracterizados pela dependência em relação às florestas e seus recursos.mma.2011. O controle sobre a emissão dos gases de efeito estufa (GEE) já era visto. com o objetivo de neutralizar suas emissões de gases de efeito estufa.

“manejo integrado de unidades de produção” e “acordos comunitários de serviços ambientais”. a emissão de gases de efeito estufa (GEE) e a perda significativa de biodiversidade da região. É através da Certificação de Serviços Ambientais que as famílias agricultoras familiares obteriam a compensação pelos serviços ambientais prestados. a partir da floresta em pé. “estratégias de desenvolvimento territorial endógeno”. então. que ao final se chamou PROAMBIENTE (Programa de Desenvolvimento Sustentável da Produção Familiar Rural da Amazônia). com o apoio de organizações não-governamentais. com isso. Propunha-se uma gestão compartilhada entre governo e sociedade. onde os beneficiários diretos eram a pequena produção rural. O ponto de partida e inspiração para a formulação desse programa foram as “boas experiências” acumuladas no Subprograma Projetos Demonstrativos (PDA). a degradação. fazer com que os chamados serviços ambientais . conectando e adequando o Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO). Valorizava a dimensão social e oportunizava uma forma de geração de renda às comunidades já instaladas na Amazônia. o PROAMBIENTE previa a certificação e compensação por serviços ambientais gerados nas Unidades de Produção Familiar. o programa se comprometeu com facilitar o processo de planejamento integrado de longo prazo vinculado a um novo modelo de assistência técnica voltado para a sustentabilidade no uso da floreta e dos recursos naturais. ém desenvolvimento no âmbito do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Comunidades que viviam na e das florestas. e as boas experiências com as RESEX (reservas extrativistas). que historicamente incentivou o desmatamento. Visando criar condições que possibilitassem uma mudança na forma de ocupação da terra e nos sistemas produtivos.pudessem ter condições de continuidade. A isso se segui1ram dois anos de elaboração de uma proposta de programa de governo (2000-2002).proporcionados pela Natureza em geral e os ecossistemas na Amazônia Legal em particular . Para viabilizar o programa como política pública o Estado teria um papel político e econômico chave.hoje conhecido pela sigla PSA – diretamente para as comunidades locais. do manejo e da recuperação de áreas já desflorestadas. Por exemplo.familiar da Transamazônica. na sua grande maioria desenvolvidas por associações de agricultores familiares. Unia em um mesmo programa governamental “controle social”. Buscava-se. criar uma alternativa ao modelo da Revolução Verde de ocupação da Amazônia. para que elas pudessem continuar desenvolvendo seus modos de vida e de produção. que contava com mais de uma centena de experiências apoiados na Amazônia. A iniciativa previa o pagamento de serviços ambientais . o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) e o Fundo 8 . orientadas pela boa convivência e adaptação ao bioma. Almejava-se. Além de propor a compensação pela manutenção dos serviços ambientais. as comunidades tradicionais e os povos indígenas na região.

do Grupo de Pesquisa e Extensão em Sistemas Agroflorestais do Acre (Pesacre). deveria incentivar o mercado financeiro a acolher essa modalidade de financiamento às populações e comunidades na região. do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora). seus interesses e visão encontram-se de alguma forma contemplado no GEF Indígena e na Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNEGATI). problemáticas: • a inexistência de uma base legal instituindo e regulamentando a prática de pagamentos compensatórios. Contavam com o apoio do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM). o Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS). que era o acesso das famílias aos recursos financeiros de pagamento de serviço ambiental (PSA). a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG). • a instabilidade na permanência das famílias na terra. Além de criar ou adaptar mecanismos de financiamento já existentes. buscando uma alternativa própria de política que incluísse o pagamento de serviços ambientais a partir de critérios e procedimentos específicos. No plano prático. essa última aguardando a assinatura do decreto pela presidenta Dilma Rousseff 3. as organizações ligadas à pequena produção rural foram adquirindo cada vez maior controle das instâncias organizativas e nas negociações com o governo e potenciais financiadores (especialmente as FETAGs da Amazônia e o GTA). Isso fez com que a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) rompesse com a articulação.de Amparo ao Trabalhador (FAT) ao PROAMBIENTE. o Grupo de Trabalho Amazônico (GTA). bem como de destinação de recursos orçamentários a serem alocados para esse fim. o Movimento Nacional dos Pescadores Artesanais (MONAPE) e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB). com uma visão predominante mais “produtivista”. Hoje. 3 A busca de uma alternativa própria do movimento indígena para garantir a conservação ambiental associado com autodeterminação territorial será tratada em um trabalho posterior. Mais bem organizadas e assessoradas. 9 . a viabilização do principal objetivo do PROAMBIENTE. As principais organizações sociais incentivadoras e participantes da criação desse programa foram as Federações dos Trabalhadores na Agricultura (FETAGs) da Amazônia Legal. mas também políticas. . levando consigo o controle da gestão do programa. • a situação jurídica da terra (regularização e segurança fundiária). da Federação dos Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase). Isso gerou certo “descolamento” dos demais parceiros. entre outras organizações sociais. deparou com situações e condições técnicas.

e que não era apenas um problema na lógica do arranjo programático-operacional vigente no modelo de planejamento 6. movimentos e comunidades locais na Amazônia . 6 Veja Decisões sobre usos da terra e dos recursos naturais na agricultura familiar amazônica: o caso do PROAMBIENTE.• a possibilidade de continuidade das emissões de GEE fora do limite da atividade do projeto . Pólo Transamazônica (PA). Isso até que faz algum sentido nos primeiros anos. organizações. • a participação das famílias.a comunidade continuaria derrubando e degradando floretas (vazamento). o PROAMBIENTE se insere dentro do PPA 2004-2007 não como prioridade de governo. Pólo Bico do Papagaio (TO). • a titularidade dos recursos financeiros conquistados (quem deteria o direito de controle e gestão). acoplado a uma política nacional de serviços ambientais – tenham tido um importante papel na campanha política que levou à eleição do presidente Lula da Silva em 2003. de Luciano Mattos ET AL. Projetos Demonstrativos – PDA: sua influência na construção do Proambiente. em Belém (PA). Instituto de Economia. quando da implantação dos “pólos pioneiros”. 4 Pólo Alto Acre (AC). mas não o que aconteceu a partir de 2006: não há previsão orçamentária para essa ação.mma. Pólo Ouro Preto d’Oeste (RO). a maior parte do recurso financeiro autorizado e aplicado foi utilizado na “gestão e administração do programa”. no Ministério do Meio Ambiente 5.gov. Mas ainda que as principais lideranças. Pólo Rio Capim (PA). 2001. Pólo Manaus/ Rio Preto da Eva (AM).mobilizadas em torno da idéia da criação de uma estratégia e de um mecanismo financeiro que fortalecesse um processo endógeno de desenvolvimento voltado ao setor de produção familiar. 10 . isso especialmente no caso de povos e comunidades indígenas. A gestão ficou a cargo da Secretaria de Políticas para o Desenvolvimento Sustentável (SDS). o PROAMBIENTE iniciou o ano de 2003 com onze “Pólos Pioneiros” em processo de estruturação na Amazônia . Além disso. O programa foi acolhido pelo novo governo federal como uma política pública e recebeu dotação orçamentária específica no Plano Plurianual (PPA) 2004-2007. a linha de ação que menos contou com recurso e despesa no período 2004-2007 foi exatamente a que se destinava à “remuneração por prestação de serviços certificados”. Pereira (2006). mas como sobrevivente de um campo de disputa política pontual no momento de elaboração do PPA 20042007. e Pólo Vale do Apiaú (RR). de Luciano Mattos e C.br/proambiente. Séries Estudos 2. Brasília: Ministério do Meio Ambiente. apresentado no Encontro Nacional da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica. comunidades e organizações no processo de decisão. Pólo Laranjal do Jari (AP). incluindo as etapas referentes à negociação e repartição de benefícios. Pólo Baixada Maranhense (MA). Já ali se percebia que outras lógicas e arranjos político-partidários passavam a orientar as prioridades e o processo decisório. e Construindo uma política de serviços ambientais na Amazônia. Considerado inovador em vários aspectos. de Mattos (Universidade Estadual de Campinas. Pólo Ilha do Marajó (PA). 2010). 5 Veja Uma Proposta alternativa para o desenvolvimento da produção familiar rural da Amazônia: o caso do Proambiente. tese de doutoramento de Luciano M. Como pode ser visto na tabela a seguir. principalmente por ter sido uma proposta de política pública elaborada pelo movimento social da Amazônia4. Pólo Noroeste do Mato Grosso (MT). disponível em www. de Paul Little (2005).

000 954.285.000 916. conflitos e disputas no campo das organizações e movimentos sociais e a uma crescente perda de apoio e legitimidade no âmbito governamental.613 4.000 492.000 0 529.152 3. some da previsão orçamentária e o programa formalmente deixa de existir.131.814.920 651.152 529.000 300.780.000 3.082.000 500.280 360.000 0 912.668 0 0 0 105. no PPA 20082011 o PROAMBIENTE é rebaixamento de status.350 3.685. somente duas continuaram: (1) Implementação dos planos de utilização dos pólos do Proambiente em escala territorial.652.252 3.000 3.000 990.300.512 0 783.681. e (2) Implantação de unidades territoriais de gestão ambiental.000 MINISTÉRIO S E AÇÕES Ministério da Agricultura Avaliação e Validação Científica das Iniciativas Inovadoras de Produção Rural (Embrapa) Ministério do Meio Ambiente Apoio ao Desenvolvimento de Atividades Familiares Sustentáveis em Microbacias do Semi-Árido Apoio à Implantação de Pólos Pioneiros do Proambiente na Amazônia Legal (Região Norte) Apoio à Implantação de Pólos Pioneiros do Proambiente na Amazônia Legal (Rondônia) Apoio à Implantação de Pólos Pioneiros do Proambiente na Amazônia Legal (Maranhão) Implantação dos Polos do Proambiente . aos agricultores familiares e extrativistas praticamente.000 100.197 4.197 529.Tabela 1: PROAMBIENTE no PPA 2004-2007 Fonte: Siga Brasil/ Senado Federal.981 2.000 1. visando a soberania e a segurança alimentar e nutricional.537.153 3.000 100.453 871.247 0 930. 11 .438. a conservação.815 180.453 0 990.893 0 0 0 1.920 670.120.205.785.214. o manejo e o uso sustentável dos componentes da agrobiodiversidade.000 750.553 0 739.600.981 916.153 0 0 0 0 952.926 0 542.000 3.000 180. Do conjunto das ações que integraram o Programa no período anterior.529 0 905.000 0 0 0 864. a geração de trabalho e renda e a retribuição por serviços ambiental”.252 0 0 0 0 250.252 1. o pagamento por serviços ambientais.078 4.292 0 529.447 2.Nacional Remuneração por Prestação de Serviços Ambientais Certificados Gestão e Administração do Programa Certificação de Serviços Ambientais Fomento a Projetos de Preparação e Execução dos Pólos do Proambiente (FNMA) Implantação de Unidades de Gestão Ambiental Rural (GESTAR) Implantação de Unidades Territoriais de Gestão Ambiental Rural (GESTAR) Total 4.021 0 0 0 0 225.280 1.071. Acesso em: 11/07/2011 LOA 2004 LOA 2005 Autorizado Liquidado Autorizado Liquidado 990.000 0 0 0 1.477 100.086 1. Ou seja. Manejo e Uso Sustentável da Agrobiodiversidade (da SEDRS/ MMA).050 0 50.502.000 2.000 500.419.709 3.002 Em meio a divergências.970 113.319.612.128 LOA 2007 Autorizado Liquidado 919.321 2.412 1. Esse programa tem por objetivo “assegurar o resgate. passando de programa governamental para ação dentro do programa Conservação.204.000 0 0 130.000 0 512.000 0 109.680 103.447 871.000 919.000 500.292 100.903 0 0 0 0 862.292 0 LOA 2006 Autorizado Liquidado 900.409 0 273.321 512.000 900.049.

406 1. o que certamente contribuiu para o seu gradativo esvaziamento. mas também de organizações ambientalistas e do cenário internacional. denominado Programa Bolsa Verde.000 8. O governo só passou a construir concretamente essa “base legal” a partir de 2007.Tabela 2: PROAMBIENTE no PPA 2008-2011 Fonte: Siga Brasil/ Senado Federal.900.118 232.696 1.069 2. em parte por não existir uma base legal para sua efetivação.895 632. Muito embora estivesse previsto desde o início do Programa. empresários.655 932.230 2. organizou o Seminário sobre Pagamento por Serviços Ambientais. por cinco ou seis meses. passando a assumir mandatos parlamentares ou cargos na gestão pública federal ou estadual.br/bd/bitstream/handle/bdcamara/1744/pagamento_sevicos_ambientais_meio_ambiente. com o objetivo de “colher subsídios técnicos.049.camara.981. as principais lideranças. o Deputado Federal Antônio Palocci (PT/SP) propôs a criação de um Programa Nacional de Compensação por Serviços Ambientais. ambientalistas e da sociedade em geral” ao PL 792/2007.425.414 2. ou ainda em organismos multilaterais. onde o tema ganhava corpo em organismos internacionais e agências multilaterias de financiamento (Banco Mundial).308.335 1.473 1.160. parlamentares.857.168.450.473 3. que dispõe sobre a definição de serviços ambientais e dá outras providências7. Outras assumiram cargos no setor privado. 7 Em julho de 2008. Também o Projeto de Lei nº 792/2007. destinado à transferência de renda aos agricultores familiares.163. do Deputado Anselmo de Jesus (PT/RO).184 652. é importante registrar.pdf?sequence=1 12 .000 1. da Conservação Internacional e da ONG SOS Mata Atlântica. priorizando agora “pautas mais amplas”. Nesse ano. o pagamento por serviços ambientais não se concretizou no formato inicialmente idealizado.008. nem o domínio e conhecimento sobre esse processo. com condicionalidades ambientais (PL 1.770 De outro lado. a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS) da Câmara dos Deputados.000 0 232. Somente em cinco dos onze pólos estruturados as famílias receberam tal remuneração. a partir de um arranjo provisório.525.000 1.940. em empresas ou consultorias com atuação na Amazônia. com o apoio da Frente Parlamentar Ambientalista.190/2007).160.118 3. em parte pressionado pelo movimento de agricultores/produtores da Amazônia.940. mas de forma provisória. O relator do PL era o deputado Jorge Khoury (DEM/BA).000 511.590 0 8. Acesso em: 11/07/2011 PROGRAMA CONSERVAÇÃO.074 527. a “elite dirigente” que participou do processo de construção do programa subiu politicamente. cientistas.000 3.gov. MANEJO E USO SUSTENTÁVEL DA AGROBIODIVERSIDADE Ministério do Meio Ambiente Implementação dos Planos de Utilização dos Pólos do Proambiente em Escala Territorial Implantação de Unidades Territoriais de Gestão Ambiental Rural (GESTAR) Total LOA 2008 LOA 2009 LOA 2010 LOA 2011 Autorizado LiquidadoAutorizado Liquidado Autorizado Liquidado Autorizado Liquidado 1. Disponível em: http://bd. As novas lideranças que os substituiu nos cargos de direção dos movimentos de base não detinham a experiência política.

como o PDPI (Projetos Demonstrativos dos Povos Indígenas). inclusive orçamentárias. passou por um processo semelhante de rebaixamento e marginalização. seminários e encontros regionais. programas e ações passaram a ser priorizadas pelo governo federal a partir de meados da década. para a implementação progressiva das iniciativas como primariamente havia sido concebido.Outras experiências que emergiram entre o final dos anos 1990 e o início dos anos 2000. isso não foi suficiente para garantir as condições. 13 . Embora tanto o PROAMBIENTE como o PDPI tenham se constituído a partir de um amplo processo baseado nas noções de participação social e protagonismo da população foco da política. em oficinas. Novas políticas.

DO PROAMBIENTE AO REDD: UMA INVERSÃO DE ATORES. vai se configurando outro campo de atores sociais e conhecimentos. internamente com visões nem sempre convergentes. que nasce atento a problemática das emissões derivada da queima e degradação das florestas. movidos pelo potencial do controle das emissões de Carbono (CO2) como suporte para ações de conservação e geração de renda às comunidades locais nas florestas tropicais. realizada no mês de dezembro de 2003. do Governo Federal. mas com foco nos serviços biológicos da conservação e no manejo sustentável da biodiversidade das áreas de floresta e ecossistemas associados na Amazônia. 14 . e no Plano Nacional de Áreas Protegidas (PNAP). No Brasil. buscou-se estabelecer as regras de condução de projetos de reflorestamento a fim de torná-los aptos para a obtenção de créditos de carbono. Na COP-9 da Convenção de Mudança de Clima. na cidade de Milão (Itália). além da regulamentação dos sumidouros de carbono no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). PRIORIDADES E ESTRATÉGIAS Ao mesmo tempo em que no Brasil se dava a mobilização social que gerou o PROAMBIENTE e sua transformação em Programa no PPA 2004-2007. quase que em paralelo a mobilização social que gerou esse Programa. como meio de captação e redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE). no Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento da Amazônia (PPCDAM) e na Operação Arco Verde. Ambas as propostas integram o legue de opções de ação de controle do desmatamento e queimadas previstas no Plano Amazônia Sustentável (PAS). em nível internacional estava em debate a regulamentação dos chamados sumidouros de carbono. com financiamento tanto público como privado. via mercado.

oriundos de “países desenvolvidos” interessados em contribuir para a redução do desmatamento em países “em desenvolvimento”. Intel. Fundação O Boticário. Essa proposta se materializou no Fundo Amazônia (FA).br 9 A Aliança Clima. e conseguissem promover reduções das suas emissões nacionais.gov. Comunidade e Biodiversidade (CCBA) é uma parceria global de empresas e organizações não governamentais criada em 2003. Greenpeace.org/ 10 Veja REDD no Brasil: um enfoque amazônico (SAE. na COP12 (2006).Na ocasião. http://www.2011. Weyerhaeuser.06. APREMAVI. receberiam compensação financeira internacional correspondente as emissões evitadas. o governo brasileiro apresentou sua proposta de criação de um “fundo voluntário”. e instituições conselheiras. SC Johnson. ISA.sae. voluntariamente. 15 . IPAM. em Nairóbi. Um fundo alimentado por recursos financeiros de doação. CGEE e IPAM. Destinado a desenvolver atividades “REDD”. SBDIMA. BP. Os membros da CCBA incluem Conservação Internacional. cuja legitimidade. Disponível em: http://www. oriundas de desmatamento. e gerenciado e administrado pelo BNDES. SOS Mata Atlântica.org.527/2008. GFA Envest.Amazônia Brasileira. IESB. GTA. Mater Natura. CARE.br/site/wp-content/ uploads/Livro-REDD-no-Brasil. oriunda do Governo da Noruega. São membros do OC na atualidade as seguintes organizações: Amigos da Terra . Comissão Pastoral da Terra . e de suas conexões internacionais com grupos de pesquisa e financiadores. Neste contexto. estabelecida em 2002.pdf.. neste as agencias promotoras que estão à frente da iniciativa – possivelmente associado à natureza exageradamente técnica do tema . IBio. SOS Amazônia. produtoras de conhecimento (peritas) nos debates sobre a preservação da biodiversidade e sobre clima. Sustainable Forestry Management Ltd. IPÊ. Rainforest Alliance.oc. em parte. através de projetos de carbono baseados no uso da terra que tenham alta qualidade e múltipos benefícios. Instituto Ecológica. A criação do Fundo Amazônia é atribuída. Wildlife Conservation Society. SPVS.Regional Amazonas. criado pelo Decreto 6. um grupo de pesquisadores tendo a frente o IPAM apresentou a proposta que ficou conhecida como “Redução Compensada do Desmatamento” – um dos conceitos chave sobre o qual está assentado o “mecanismo de REDD” 10 . The Nature Conservancy. os chamados países em desenvolvimento que se dispusessem. algumas há mais de uma década. a pressão de um conjunto de nove 8 O Observatório do Clima é uma rede brasileira de articulação sobre o tema das mudanças climáticas globais. FBDS. Nessa proposta. Instituto Pró-Natura. o FA recebeu a sua primeira doação em março de 2009 (US$ 110 milhões). IMAZON. Contrariando a expectativa e o esforço empreendido desde então pelo grupo coordenado pelo IPAM. Na página da CCBA é informado que tem como objetivo incentivar políticas e mercados para promover o desenvolvimento de projetos agroflorestais de proteção e restauração florestal. IEB.climate-standards. ICLEI LACS. o Observatório do Clima8 e a The Climate. Vêm de um trabalho anterior construído na região. SNE. COIAB. TNC e WWF Brasil. IDESAM. http://www. ICV. 2011). não está diretamente relacionada com qualquer processo de representação democrática tradicional. Diferentemente do processo de constituição do PROAMBIENTE. Instituto Ecoar. Conservação Internacional. que propunha a criação de um mecanismo “de mercado” gerador de créditos de carbono. Community & Biodiversity Aliance (CCBA)9 discutiram possíveis critérios de elegibilidade de projetos florestais para o MDL. Acesso em: 24.são em sua maioria organizações não governamentais socioambientais. três anos depois.

2011. 12 Veja Fundamentos Econômicos do Pacto pela Valorização da Floresta e pelo Fim do Desmatamento na Amazônia. atuantes na promoção do SPA e do REDD em nível subnacional. Acesso em 24.pdf>. por meio do pagamento por serviços ambientais e do mercado de carbono. Essas organizações são: o Instituto Socioambiental (ISA). o papel das florestas para o “equilíbrio climático” é oficialmente reconhecido. aos atores sociais responsáveis pela proteção da floresta (povos indígenas. Entre outras coisas. empresariais e agrícolas) que assumissem estratégias de redução de desmatamento e de manutenção da floresta. sendo aprovada a idéia de criação de um mecanismo para tratar as emissões oriundas de desmatamento e degradação florestal.greenpeace. o Imazon e o WWF-Brasil – todas. a The Nature Conservancy (TNC). o Instituto Centro de Vida (ICV). então. a Conservação Internacional (CI).2011. Para isso. uma vitória da diplomacia brasileira. nacional e internacional desde. populações tradicionais.org/banco_imagens/pdfs/doc-pacto%20desmatamento%20zero%20SUM%20ONGs%20FINAL.Amazônia Brasileira. O resultado foi considerado. além de otimizar o uso agrícola em áreas já desmatadas. o que poderia também lhe atribuir o papel de aportar recursos próprios e de catalisar recursos privados – internos e externos – para a região” 12. assim como um maior apoio econômico e técnico aos órgãos governamentais. Na opinião do grupo. ao menos. como vimos.ONGs nacionais e internacionais.06. sede da COP-13. o Greenpeace.06. a ONG Amigos da Terra . que segundo estudos realizados deveria ficar abrigado no âmbito do BNDES. Propunham também. o fortalecimento da gestão florestal dos estados e a eficácia do controle do desmatamento ilegal. que desde a COP-12 defendia 11 Veja o documento com a proposta do grupo em: <http://www. Disponível em: http://www. o documento consubstancia uma espécie de proposta de “pacto socioambiental. 16 . Divulgado no dia 03 de setembro de 2007. Cerca de dois meses depois. agricultores familiares) e aos produtores (florestais. esse banco “goza de prestígio elevado no País e no exterior. 2003. Acesso em 24.org/brasil/pt/Documentos/fundamentos-econ-micos-da-prop/. defendiam ser essencial implementar políticas de “valoração econômica da floresta”. em Bali. na Indonésia. propõe o desenvolvimento de instrumentos de remuneração financeira por serviços ambientais prestados pela conservação florestal11 . O grupo propunha ainda a adoção de um regime de metas de redução do desmatamento na Amazônia num prazo de sete anos. Essas organizações sociais foram responsáveis pelo documento intitulado Pacto para o Fim do Desmatamento e Valorização da Floresta Amazônica.socioambiental. o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM). comunidades locais. O documento também propunha a criação de um Fundo de Doações para a Conservação da Floresta Amazônica ou Fundo Amazônico de Governança.

contempla artigos que vão nesse sentido. de 2011. Na Região Sul do país. aprovado na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. por exemplo. e (iv) no aumento dos estoques de carbono das florestas nos países em desenvolvimento. negociação e distribuição de benefícios. de 2009. da Câmara Federal. Até dezembro de 2010 havia uma lei federal. já estão implementando seus respectivos planos. Manutenção e Aumento dos Estoques de Carbono Florestal. o Banco Mundial. Ela se destina às entidades da sociedade civil e aos órgãos das três esferas de governo. que atualmente 13 O Fundo Nacional sobre Mudanças do Clima (Fundo Clima). No Brasil. Em paralelo. Conservação.mma.pdf 17 . por exemplo. como instrumento da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) 13. O mesmo se observa em relação ao PLS 212. As discussões sobre REDD com a inclusão de compensação por atividades de manejo e restauração de funções dos ecossistemas florestais (conhecido pela sigla REDD+) foi objeto de debates nas Conferências das Partes (COP) 15 e 16. em 08 de junho passado.133.a proposta. os estados da Região Amazônia estão. A maioria (67%) previa povos indígenas e comunidades tradicionais como beneficiários desses mecanismos. respectivamente em Copenhague e Cancun. além do Fundo Amazônia. como. instituído pela Lei nº 14. institui a Política Estadual de Serviços Ambientais e regulamentou o Programa Estadual de Pagamento por Serviços Ambientais. vários fundos com a finalidade de financiar ações de redução de emissões por desmatamento foram sendo criados por países e organismos multilaterais. de 2011. da deputada federal Rebecca Garcia (PP-AM). A chamada pública de projetos está disponível no link: http:// www. Manejo Florestal Sustentável. mas apenas dois tratavam do grau de autonomia desses grupos na definição. por meio da Lei Estadual nº 15.675. a proposição deixa dúvidas sobre o grau de protagonismo efetivamente destinado aos povos indígenas e comunidades tradicionais. a primeira desde quando foi criado. para apresentação de projetos. (ii) na conservação florestal. Foi definido posteriormente que essa estratégia deveria envolver ações no seguinte sentido: (i) na redução de emissões provenientes do desmatamento e da degradação florestal nos países em desenvolvimento. de 19 de janeiro de 2010. em diferentes estágios. Os estados do Amazonas e do Acre. foi criado em novembro de 2009 o Fundo Nacional sobre Mudanças Climáticas (FNMC). que pretende instituir um sistema nacional de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação.br/estruturas/251/_arquivos/chamada_1_2011_251. o estado de Santa Catarina. construindo seus planos de redução de emissões de GEE. quatro leis estaduais e oito projetos de leis federais que abordavam o tema de PSA e REDD+ diretamente . (iii) no manejo sustentável das florestas.gov. Ao lado disso. Mas vista no conjunto. do Senador Eduardo Braga. vinculado ao Ministério do Meio Ambiente (MMA). com objetivo semelhante ao PL em tramitação na Câmara Federal. O Projeto de Lei 195. tornou público no dia 7 de julho de 2011 uma chamada.

Além disso. o REDD e o PSA já são uma realidade no Brasil. Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal. Em síntese. Além disso. no âmbito do projeto Observatório dos Investimentos na Amazônia. no levantamento recentemente realizado pelo INESC. a despeito da inexistência de um “sistema de instituições e atores” devidamente regulamentado. 18 . tramitam em ambas as casas do Congresso Nacional proposições legislativas que apontam claramente para a criação de uma estratégia nacional nesse sentido.está em análise na Comissão de Constituição. já há ao menos sete “projetos REDD” em fase adiantada de estruturação para atender aos padrões de mercado exigidos internacionalmente. alguns inclusive mesclando o mercado com fundos públicos.

representantes de povos indígenas.imaflora. isso ainda é uma incógnita.org/upload/repositorio/pc_redd_julho2010. em um panorama mais geral. mudanças climáticas e. às formas alternativas de uso do solo em áreas florestais” 14 . a existência de salvaguardas socioambientais elaboradas no âmbito da sociedade civil.como reconhecido por seus promotores -. Há o risco de ocorrer. sim. organizações ambientalistas. Envolvendo o setor privado. Disponível em: http://www. com apoio técnico do IPAM e Imaflora. uma contribuição para a elaboração de políticas públicas “relacionadas à REDD+. desenvolvendo e aplicando sua metodologia de análise orçamentária enfocada na promoção e proteção dos direitos humanos. 14 Veja Princípios e Critérios Socioambientais de REDD+. Esse é um campo onde o INESC estará atento. Além disso. agricultores familiares e instituições de pesquisa em consultas presenciais e virtuais. a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS). como os princípios e diretrizes elaborados pelo Comitê Multisetorial coordenado pelo Grupo de Trabalho Amazônico (GTA). comunidades tradicionais. é uma mera substituição das fontes de financiamento das ações do governo por recursos financeiros gerados e internalizados no governo a partir de atividades “REDD” e do PSA. é ainda um “subsídio”.CONSIDERAÇÕES FINAIS Em que medida isso proporcionará ou contribuirá para a realização progressiva dos direitos. a iniciativa. Para o desenvolvimento e implementação de programas e projetos na Amazônia Brasileira (Julho de 2010). é um dado importante.pdf 19 . ou no aumento dos recursos disponíveis para a sua efetivação. no entanto .

Com o advento da proposta de mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal (REDD). a titularidade sobre os créditos de carbono é um item de disputa. Assim. empresas e diferentes instâncias do Estado nacional. e menos ainda se na prática de aplicação (no caso de o serem considerados) essa normativa se materializará em instituições e procedimentos que promovam efetivamente a realização progressiva dos direitos dos povos indígenas. comunidades locais. envolvendo comunidades locais. com uma efetiva e adequada participação e consulta às populações e comunidades locais. o mínimo que se pode afirmar é que este debate precisa ser ampliado e aprofundado. 20 . populações tradicionais e agricultores familiares.Ainda é difícil de saber se os tais princípios e diretrizes serão efetivamente incorporados na formulação da normatização em discussão no Congresso Nacional.

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