Informática em Saúde

História da Informática em Saúde
Autores

ESPECIALIZAÇÃO EM

a da Informática em
Claudia Barsottini Paulo Roberto de Lima Lopes Fabiana Ferrari

Sumário

Objetivos do Módulo ................................................................................ 2 Introdução ............................................................................................. 2 Conteúdo .............................................................................................. 3 Considerações finais .................................................................................14 Reflita a respeito .....................................................................................14 Bibliografia complementar .........................................................................15

2 Módulo Básico História da Informática em Saúde Objetivos do Módulo • O aluno deverá ser capaz de apresentar uma perspectiva crítica da histórica da Informática em Saúde no Brasil e no mundo. A trajetória se inicia por uma análise internacional e. Um novo paradigma de aprendizado na prática médica da UNIFESP/EPM. Baltimore. Ledley. Health Informatics..uab. Edwin D. Joseph. 1950 to 1990. Epub. Milestones in Computer Science and Information Technology. 1995. • COLLEN. Johns Hopkins University Press. uma reflexão sobre o contexto no qual ela se organizou como uma nova área de conhecimento e disciplina.unifesp. JBS. Reilly. Kaiser Permanente. Morris Collen Tribute”. • SITTIG. 1990. Addison Wesley. • “The History of Health Informatics”.br/ . Morris F. mais recentemente. 161.S. & PERRAULT. • “Dr. Journal of the American Medical Informatics Association.Laboratory of Computer Science • REILLY. 1964” • MGH .. The story behind the development of the first whole-body computerized tomography scanner as told by Robert S. ASH J. L. 2003. 2006.F. mas sim uma perspectiva histórica que possa estimular a reflexão sobre o contexto. MD.H. 2008. Tese (Livre-Docência) do Centro de Informática em Saúde – CIS-EPM.S. Informática em Saúde https://is. A History of Medical Informatics in the United States. Nursing Informatics and Health Information Management Degrees.E. Daniel. • SIGULEM. o foco fica no cenário brasileiro. • NOVEMBER. 2012. p. D. 1997. antes. & LEDLEY R.. Greenwood Press. • SHORTLIFFE. Biomedical Computing: Digitizing Life in the United States. Introdução Para compreender a importância e as consequências da Informática em Saúde é preciso. São Paulo. Bethesda. • “Walking Patterns of Normal Men. American Medical Informatics Association. Medical Informatics: Computer Applications in Health Care. A proposta não é traçar uma linha cronológica completa de fatos e eventos. E. Saiba mais. • O aluno deverá ser capaz de caracterizar a área de conhecimento de Informática em Saúde de forma multidisciplinar. University of Illinois at Chicago.

baseada no controle e na comunicação. não tinha relação com o seu conteúdo. inventou essa álgebra lógica de dois símbolos. Essa visão tem sido desenvolvida ao longo das décadas em códigos de correção de erros sofisticados para assegurar a integridade dos dados com os quais a sociedade interage. motivada pela necessidade da indústria de telefone de encontrar uma linguagem matemática para descrever o comportamento. tudo era apenas 1 e 0. até mesmo. Em última análise. por meio da qual os problemas podem ser resolvidos com a manipulação de apenas dois símbolos . toda a revolução nas comunicações surgiu. ele mostrou como a lógica booleana.uab. esses resultados são incorporados no nosso dia a dia. Contudo. O doutor Shannon foi quem viu que o dígito binário era elemento fundamental na comunicação. diminuindo a influência do ruído do canal de comunicação.números. imagens – talvez. Computação e Informação Comecemos pela revolução introduzida pela computação muito antes dos computadores. O doutor Shannon também mostrou que se os bits adicionais suficientes fossem acrescentados a uma mensagem. A teoria matemática da comunicação. A motivação novamente foi prática: como transmitir mensagens. músicas e e-mails trafegam através dos mesmos fios e de ondas eletromagnéticas. de comutação de circuitos que substituíram os operadores humanos. escreveu dois artigos que permanecem sendo monumentos nas áreas de Ciência da Computação e Teoria da Informação. conduziram a uma revolução transformadora da sociedade. Com isso. Como se sabe. No entanto. Em 1948. poderiam ajudar a corrigir os erros em um canal de comunicação mais barulhento e chegar ilesos ao final. que reconhecia uma teoria comum a homens e máquinas. Nos anos https://is. ele publicou sua obra-prima. palavras. os fundamentos da cultura da informática. que um computador é muito mais do que uma máquina de somar. A tese A análise simbólica de relé de interrupção de circuitos foi. perdendo-se a história do processo. No entanto. Para analisar esse problema de forma adequada. Ele propôs que o conteúdo de informação de uma mensagem. a ciência é o resultado de um processo que tem várias contribuições e. música. A ideia não foi perdida pelo doutor Shannon. Essa foi uma ideia chocante para uma geração de engenheiros que eram acostumados a pensar sobre a comunicação em termos de envio de formas de onda eletromagnética por um fio. e que os dígitos binários poderiam ser usados para representar palavras. essa ideia tem suas raízes no papel do doutor Shannon. sons. tornou-se fundamental uma definição precisa de “informação”. Hoje. que a utilizou para representar um interruptor que foi ativado pelo símbolo 1. anteriores à ciência da computação. o matemático britânico do século 19. desde cedo. Alguns operadores com determinadas propriedades chamaram seu sistema de As Leis do Pensamento. vídeo.br/ Informática em Saúde . dando origem à ciência chamada Teoria da Informação. um conceito assustadoramente novo.1 e 0 -. as utilizações e a economia do computador nos levaram muito além da cibernética de Wiener. a internet. Von Neumann e Alan Turing representam um conjunto de cientistas cujos resultados de suas pesquisas. matemático e cientista cujas teorias foram os pilares das redes eletrônicas de comunicação. a ideia parece quase elementar. Hoje. muitas vezes. que é utilizado para transmiti-la. O doutor Claude Elwood Shannon. George Boole. as implicações foram muito mais amplas. cada vez mais complexo. o símbolo 0 seria um interruptor que foi desligado. nos parece algo trivial. ideias.Módulo Básico História da Informática em Saúde 3 Conteúdo Da Cibernética à Comunicação. em grande parte. que publicou a primeira ocorrência da palavra “bit”. A lição primordial era que a natureza da mensagem não importava . mas apenas com os números 1 e 0. nossa atual ferramenta diária. esse mundo digital tem muitos pais. Os conhecimentos técnicos de base. pode ser efetuada automaticamente com comutação de circuitos elétricos. Inicialmente. que é uma rede de computadores. quando gigabytes de trailers de filmes. e um deles é Shannon.unifesp. Nomes como Shannon. estabelecendo uma ideia básica que existe até hoje em todos os equipamentos de computação construídos. O doutor Shannon percebeu.

inclusive a da saúde. A máquina ainda conseguiu demonstrar alguns limites pela força da pesquisa algorítmica. suas ideias se espalharam para além das áreas de Engenharia de Comunicação e Ciência da Computação.utilizado em um tratado completo sobre Álgebra. isso evoluiu para os algoritmos em linguagem de máquinas. Segundo o escritor Alvin Toffler (1990). com a construção do ENIAC. de forma efetiva. ele tornou-se um modelo teórico para pensar sobre a replicação do DNA e sobre a sinalização hormonal em termos de informação. que lançou as bases teóricas de algoritmo. Matemática da Probabilidade e. De lá para cá. a seguir. por chips. e. um computador que ocupava uma área de 450m². passando pelos mainframes. escrever ou apagar um símbolo. Turing também é referência devido ao teste que propôs . com profundo conhecimento sobre a máquina. e John von Neumann. Turing definiu algoritmo como o conjunto completo das regras que permite a resolução de um problema. o processamento automático da informação. todos os computadores construídos desde o final da década de 40. que dispõem de uma memória ampliada e de uma unidade de controle interno. Essa máquina deveria ser capaz de resolver todos os problemas passíveis de serem formulados em termos de algoritmos. obedecem ao mesmo princípio de base. praticamente. que partiu das limitações das máquinas elétricas de cálculos aritméticos de arquitetura específica para uma arquitetura geral de um novo tipo de máquina para processamento de informações de forma lógica. Alan Turing. criando raízes em Criptografia.o algoritmo . e que efetuam operações lógicas de cálculo e de processamento da informação graças a algoritmos gravados. Outro fenômeno surpreendente é que. pesava 30 toneladas e utilizava 18 mil válvulas.na área de Inteligência Artificial.uab. desde as nossas calculadoras programáveis.unifesp. as potencialidades de utilização dessas máquinas foram sempre amplamente acompanhadas e avaliadas por todas as áreas do conhecimento humano. que os computadores se tornaram acessíveis tanto aos laboratórios de pesquisas das universidades quanto às empresas.Teste de Turing . computadores pessoais (PCs). e baseado nos estudos do neurologista McCulloch publicados em 1943. Isso é resultado da síntese direta de dois grandes trabalhos. Desde então. aplicativos e apps (aplicativos móveis). Em Biologia. ”cujos sacerdotes gozavam das ‘bênçãos’ de um infomonopólio”. Foi apenas com a substituição das válvulas por transistores e. até mesmo. havia uma pequena “Irmandade de Dados” – os únicos profissionais de processamento de dados capazes de fazer o cérebro gigante funcionar –. equivalente eletrônico ao cérebro humano. Os profissionais dessa nova área desenvolviam programas em códigos extremamente complexos e eram indivíduos altamente especializados. Assim. a computação teve seu início real em 1946. Instigado pelos estudos de construção de uma máquina artificial. de marcar uma das casas na fita de papel e parar. No entanto. na Teoria de Investimento. de deslocar a fita para a direita ou para a esquerda. Informática em Saúde https://is. hoje. presente nos smartphones e smart TVs. sistemas. Ele propôs uma máquina hipotética que consistia em uma fita de papel sem fim (memória infinita) e em um ponteiro que era capaz de ler. programas. ficou aberto um caminho para a concepção de uma máquina que realiza. as quais queimavam à velocidade de uma a cada sete minutos. Von Neumann vislumbrou que as máquinas precisariam ser “universais” e propôs uma organização lógica dos diferentes elementos baseada fortemente no processamento binário de dados de Shannon e no recorte do funcionamento de uma máquina em conformidade com as regras da álgebra de Boole. Seu objetivo era uma reflexão teórica sobre os fundamentos e limites da lógica.4 História da Informática em Saúde Módulo Básico posteriores.br/ . Allan Turing criou a forma atual de um conceito do século 13 . por força estratégica da Segunda Guerra Mundial. mesmo o atual multicore. Trata-se de máquinas inteiramente automáticas. que resultaram em dois grandes pilares: a unidade de comando interno e a representação dos problemas a serem processados sob a forma de algoritmos gravados.

Desde Florence Nightingale (1820-1910). contribuindo especialmente no campo de tomadas de decisões médicas. adotado para solucionar problemas nas áreas de epidemiologia e saúde pública. como o gráfico setorial (habitualmente conhecido como gráfico do tipo “pizza”). como o MYCIN e o Internist-I. Com esses avanços teóricos. a primeira escola secular de enfermagem do mundo. os cartões perfurados também começaram a ser utilizados como técnicas de armazenamento de sequências de instruções – ou programas. em grande parte. o evento da guerra foi um ponto de partida da importância da informação na saúde. Ficou conhecida na história pelo apelido de “a dama da lamparina”. em Londres. um artigo amplamente divulgado pela Science Magazine. Nightingale também pediu a adoção de classificação de doenças de William Farr para a tabulação de morbidade hospitalar. a saúde sempre foi fortemente organizada na informação. inclusive na Medicina e em projetos odontológicos promovidos por Robert Ledley no Escritório Nacional de Padrões (National Bureau of Standards). algo cientificamente precursor para medir desvios do considerado padrão no design de próteses. a primeira aplicação prática da computação relevante para a área da saúde foi o desenvolvimento de um sistema de processamento de dados baseado em dados codificados em cartões perfurados. Em 1959. teve início o uso de computadores eletrônicos digitais. iniciada em 1853. devido ao fato de servir-se desse instrumento para ajudar na iluminação ao auxiliar os feridos durante a noite.uab. práticos e tecnológicos na década de 50 nos Estados Unidos. a força área americana desenvolveu diversos projetos médicos nos seus computadores enquanto encorajava agências civis como a Academia Nacional de Ciências (National Academy of Sciences) e os Institutos Nacionais de Saúde (National Institutes of Health) a dar suporte a esse trabalho. patrocinados. No entanto. No final da década de 40. que incorporou o computador especialmente no que tangia às atividades de pesquisa. o uso de computadores auxiliava na quantificação de movimentos humanos. Na metade desse mesmo período. Nessa época. Esse artigo continuou influente por décadas. baseando-se na medicina praticada pelos médicos. https://is. Guiado pelas pesquisas de Ledley no final dos anos 50. em 1860. conseguiu melhorar a higiene nos acampamentos e hospitais. o uso do computador na Biologia e na Medicina foi levado a cabo principalmente pela Academia Nacional de Ciências e pelo Conselho Nacional de Pesquisa. Nightingale percebeu que as estatísticas precisavam ser padronizadas e levariam a melhorias na prática médica e cirúrgica. criado por Herman Hollerith em 1890. Ele também mostrou que a taxa de mortalidade foi maior no primeiro ano da guerra e. A técnica dos cartões perfurados foi amadurecida e amplamente utilizada nas décadas de 20 e 30. criado inicialmente por William Playfair. Ledley e Lusted publicaram Fundamentos Racionais do Diagnóstico Médico. No entanto.unifesp. Inicialmente utilizado para a realização do censo dos Estados Unidos daquele ano. pelos Institutos Nacionais de Saúde (National Institutes of Health) dos Estados Unidos. enfermeira britânica que ficou famosa por ser a pioneira no tratamento de feridos de guerra durante a Guerra da Crimeia. Começou a utilizar métodos de representação visual de informações. Durante a metade dos anos 60. logo a seguir. Nightingale lançou as bases da enfermagem profissional com a criação.Módulo Básico História da Informática em Saúde 5 Computação na Saúde Mesmo antes da computação. O gráfico mostrou que a maioria dos soldados britânicos morreu por motivo de doença em vez de por feridas ou por outras causas.br/ Informática em Saúde . Nightingale estava angustiada por suas experiências com os feridos e começou a analisar as taxas e as causas. agora parte do King’s College de Londres. introduzindo técnicas do trabalho com computador para profissionais médicos. de sua escola de enfermagem no Hospital Saint Thomas. o sistema foi. perante a Comissão Sanitária. investiu-se no desenvolvimento de sistemas especialistas (expert systems) ou sistemas em expertise. que fizeram o primeiro grande esforço para que isso acontecesse. Foi a pioneira na utilização do Modelo Biomédico na enfermagem. Sua proposta foi a de adquirir um registro padronizado de dados.

maior biblioteca em medicina do mundo. médico que trabalhava para a divisão de pesquisa da Kaiser Permanente. Também durante os anos 60. outro centro de computação biomédica que recebeu o importante apoio dos Institutos Nacionais de Saúde. e mais tarde. o ' (Colégio Americano de Informática Médica) premia com um troféu em nome de Morris Collen aqueles que contribuíram significativamente no campo da informática médica. etc. Enfermagem.br/ . O MEDLINE é um banco de dados bibliográficos de ciências naturais e informação biomédica que contempla informações bibliográficas de artigos e jornais acadêmicos. projetos similares começaram a ser desenvolvidos em outros hospitais americanos: Latter Day Saints Hospital (LDS) em Salt Lake City. os quais discorrem sobre assuntos ligados à Medicina. passou a desenvolver o MEDLINE e o MEDLARS.unifesp.uab. diversos aplicativos começaram a ser desenvolvidos no MGH por Octo Barnett – um dos profissionais que mais contribuições fez para a área de Informática em Saúde – e seus associados. o MUMPS era a linguagem de programação mais utilizada para aplicações médicas. Desde 1993. Nos Estados Unidos. Multi-User Multi-Programming System ou Sistema Multiprogramável Multiusuário. um grupo médico dos Estados Unidos. o primeiro projeto de informatização hospitalar (Hospital Computer Project) foi realizado em 1962 a partir de um contrato firmado entre o Massachusetts General Hospital (MGH) e uma empresa de Cambridge denominada Bold Beranek and Newman (BBN Technologies). Veterinária e ao Cuidado em Saúde. relatórios de laboratórios e resumos de prescrições. Odontologia. Durante os anos 70 e 80. O próprio nome do programa deriva dos antibióticos que possuem o sufixo “-mycin”. Esse sistema se tornou o alicerce para a grande base de dados médicos que a Kaiser Permanente desenvolveu durante os anos 70 e 80. desenvolveu um sistema computadorizado para automatizar aspectos dos checkups na área da saúde. Informática em Saúde https://is. Em função desse projeto. Morris Collen. apenas uma pequena parcela de profissionais da área de saúde utiliza sistemas de prontuário eletrônico. Em 1965. Na mesma época. apesar da tendência – a dos sistemas voltados para o apoio à decisão médica –. O MEDLARS é um sistema de análise e recuperação da literatura médica. é a versão computadorizada desse sistema. que inicialmente foi chamado de Massachusetts General Hospital Utility Multi-Programming System. um número crescente de empresas começou a comercializar sistemas de prontuário eletrônico e práticas de gerenciamento. que inclui o prontuário eletrônico médico conhecido como VistA (Veterans Health Information Systems and Technology Architecture) ou Arquitetura Tecnológica do Sistema de Informação em Saúde dos Veteranos. a Biblioteca Nacional de Medicina. Embora exista grande oferta desses produtos nos dias atuais. um descendente desse sistema vem sendo usado no sistema de hospitais dos veteranos de guerra dos Estados Unidos. destacam-se programas de admissão e alta. é uma linguagem de programação de uso geral.S. Farmácia. A partir de 2004. Department ofVeterans Affairs – VA) tem o maior sistema de Informática em Saúde. Durante os anos 70. Curtis Marble e Robert Greene desenvolveram o MUMPS no Laboratório de Ciência Computacional do Hospital Geral de Massachusetts (MGM – Laboratory of Computer Science at the Massachusetts General Hospital) em Boston. Universidade de Stanford. Os médicos Neil Papalardo. Dentre essas contribuições. Nesse mesmo período.6 História da Informática em Saúde Módulo Básico O MYCIN era um sistema de expertise que usava inteligência artificial para identificar infecções severas causadas por bactérias e para recomendar o uso de antibióticos com dosagem ajustada para o peso corporal do paciente. O departamento que cuida de assuntos de veteranos de guerra nos Estados Unidos (U. A Kaiser Permanente é um grande plano de saúde. MUMPS. alguns pesquisadores começavam a se preocupar com a computação para a informação hospitalar como um todo. tendo sido financiado pelos National Institutes of Health e pelo American Hospital. Kaiser Permanente.

da Austrália.uab. recursos humanos e em modelos de organização para tornar a e-Saúde parte do cotidiano da Saúde. nos anos 40. Evidentemente. como videolaparoscopia e analisadores automáticos de eletrocardiogramas. novas questões em torno dos computadores continuavam crescendo e se especializando em um novo campo de saber. associadas a poderosos sistemas operacionais. O impacto dessa nova tecnologia na prática da Medicina é surpreendente. países vêm investindo sistematicamente em infraestrutura. os precursores da área foram Wagner em Heidelberg e Reichertz em Hannover (Alemanha). serviços. a informática passa a reconhecer o emprego dos computadores. no registro e na análise de dados. Mas a partir de 1948. entre outros. Entre essas normas.br/ Informática em Saúde . Grémy em Paris (França). sem que seus fundadores possam ser reconhecidos como ciberneticistas. provocaram mudança radical no perfil dos usuários de computador. e. dessa forma. que. as terminologias e serviços associados. sistemas. Os sistemas de informação em saúde podem monitorar o processo de assistência à saúde e aumentar a qualidade da assistência ao paciente por auxiliar no processo de diagnóstico ou na prescrição da terapia por permitir a inclusão de lembretes clínicos para o acompanhamento da assistência. aventurando-se também pelos fenômenos de tomada de decisão. O professor Peter Reichertz foi um dos primeiros a escrever na década de 70 sobre a importância da informática médica tanto na pesquisa quanto na melhora do currículo médico. do Canadá e do Reino Unido. da informação e do controle. Na prática médica. e programas cada vez mais fáceis de usar. a “cibernética”. a informática sofreu um notável processo de democratização e de popularização. oferecem informações vitais que auxiliam o médico quer no tratamento eficaz do paciente quer no apoio à pesquisa. diz respeito a todas as áreas da Medicina. máquinas menores e mais baratas. os mecanismos para troca de mensagens e objetos.Módulo Básico História da Informática em Saúde 7 Na Europa. fluxos sanguíneos e gasosos. como a ultrassonografia. de alertas sobre tratamentos duvidosos e desvios dos protocolos clínicos. Antes.unifesp. Em todo o mundo. de avisos sobre interações de drogas. reinterpretada como meio de governar. Informática e Informática em Saúde A caracterização do termo “informática” decorre dos anos 60. Além disso. Com o surgimento do microcomputador na década de 70. a informática ajuda na coleta. que encorajam os países também a adotarem arquiteturas. contribuíram para a grande explosão de mercado da indústria da computação. e da assistência individual à saúde coletiva. Mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) explicita a necessidade de esforços nacionais em resoluções muito recentes. surge como uma forma de congregar questões que se encontravam entre diversos campos de saberes. Novos equipamentos de monitorização de pacientes. pois muitos pertenciam a outras disciplinas que não desejavam abandonar. a medicina nuclear. e. o que fez com que múltiplos eventos acabassem por cristalizar uma área na Cibernética nos https://is. a OMS e a ITU (International Telecommunication Union) oferecem ferramentas para auxiliar países a desenvolverem suas estratégias para o uso de Informática em Saúde ou. Anderson em Londres (Inglaterra). Esse é o caso dos Estados Unidos. simplesmente. a tomografia e a ressonância magnética. padrões e mecanismos de interoperabilidade entre sistemas para a Saúde. alteraram sensivelmente o processo de diagnóstico médico. Por outro lado. surgiram também as linguagens de alto nível – bastante próximas da linguagem coloquial. Com eles. e os critérios para garantir segurança e privacidade da informação. e Peterson em Estocolmo (Suécia). e focada principalmente nos processos de comunicação. globais e regionais. e-Saúde. As técnicas não invasivas de produção de imagem. palavra do grego antigo que serve para designar o piloto. da microscópica à macroscópica. gera conhecimento sobre o conhecimento. se encontram os modelos de representação da informação de saúde. É impossível pensar em interoperabilidade de sistemas sem pensar em normas para a Informática em Saúde que a viabilizem.

Daniel Sigulem. a Saúde sempre tentou utilizar os avanços tecnológicos das comunicações para permitir uma ação de saúde a distância por meio de cartas. Informatik na Alemanha e Informatique na França. Cada uma delas conserva a sua especificidade epistêmica e funcional. tanto no alcance como na modalidade de mídias.unifesp. essenciais para a solução do problema de acesso à saúde de qualidade e à educação para a saúde. tanto a Informática em Saúde quanto a Telemedicina foram reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde na forma de Tecnologias de Comunicação e Informação em Saúde. Informática em Saúde https://is. sempre utilizando o mesmo meio mediado por computador. telegrafia. com o aparecimento dos computadores pessoais e da internet. No entanto. no Brasil. e atribui a e-Saúde ou saúde eletrônica um papel de contribuir para uma forma de consumo de saúde e bem-estar. Mais recentemente. respectivamente nas cidades de Ribeirão Preto e São Paulo. radiofonia. em 1962. Nos anos 2000. afirma que. por meio da fusão de dois outros: informação e automático. mais precisamente a Informática. Por outro lado. foram instalados em diversas universidades e as primeiras aplicações foram desenvolvidas a partir deles. como o IBM1130.uab. ou seja. também designada de Tecnologia da Informação em Saúde. circuitos de TV e enlaces de satélite. a OMS tem se referido ao termo e-Saúde (e-Health) da mesma forma que outras áreas de conhecimento reconhecem nas TIC uma transformação cultural e econômica – a chamada economia do conhecimento -. por Philippe Dreyfus. constituindo as faces de uma mesma moeda. a área de Telemedicina. nas sociedades contemporâneas. principalmente a partir dos anos 90. tem uma influência nessa perspectiva histórica. que também utiliza recursos tecnológicos para desenvolver ações de saúde a distância. os PCs se tornaram um meio poderoso para o desenvolvimento da Telemedicina. Assim. Cenário Nacional As primeiras aplicações de informática em Medicina e no tratamento de saúde no Brasil começaram por volta de 1968 com a instalação dos primeiros computadores de grande porte (mainframes) nos hospitais e universidades públicas e com o uso de calculadoras programáveis em aplicações de pesquisas científicas. entende-se que não é possível discutir “informação” de forma desarticulada do debate das tecnologias que lhe dão suporte. Antes. O termo “informática” foi criado. Um dos principais propulsores foi a monitorização remota dos astronautas e cosmonautas nos anos 60 e 70. a Informática acabou por representar muito mais para o desenvolvimento da automação que todos os domínios que a precederam. mais precisamente. Em troca. para representar a tradição milenar do automatismo (regulação e controle focados pela cibernética) sobre a informação. como o senso hospitalar na Escola de Medicina de Ribeirão Preto e os arquivos principais dos pacientes (patient máster files) no Hospital das Clínicas na Universidade de São Paulo. telefonia. mas considerando o autômato programável para calcular e processar a informação. mas sempre caracterizados por um serviço ponto a ponto. em sua tese de Livre-Docência.br/ . nos anos 90. A Informática em Saúde. onde a informática médica implicava hardware e software avançados e abundância de recursos para o desenvolvimento e a manutenção de sistemas que utilizavam tecnologia de ponta.8 História da Informática em Saúde Módulo Básico termos Computer Science (Ciência da Computação) nos países anglo-saxões. de informação e de conhecimento de saúde para suportar e viabilizar todos os aspectos do sistema de saúde” [ISO TC-215]. Minicomputadores. Essa convergência entre o computador e um meio de comunicação digital padronizado permitiu um modelo de serviço de muitos para muitos. Professor Titular em Informática em Saúde na Unifesp e um dos pioneiros no Brasil. pode ser definida como “a aplicação das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) para facilitar a criação e o uso de dados. a situação dessa especialidade era bastante diversa do que ocorria na quase totalidade dos países do hemisfério norte e da Europa.

O professor vivia em uma época muito além da sua – não havia nem máquinas. da Escola Paulista de Medicina e da própria máquina do governo federal. Nessa https://is. vários minicomputadores foram instalados nos hospitais públicos e nos das forças armadas. Sigulem descreve um pouco da história do início da Informática em Saúde na Unifesp: “Na Escola Paulista de Medicina.Módulo Básico História da Informática em Saúde 9 Apesar das restrições impostas inicialmente pelo estabelecimento de uma comissão para a Coordenação de Atividades na Área da Eletrônica (CAPRE) em 1972 e. depois. da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP –. acompanhada e desenvolvida por grupos isolados em todo o país. Diversos protocolos de coleta sistematizada de informações foram idealizados pelo professor Silvio e são referidos até hoje por sua engenhosidade e adequação e por revelarem uma visão de futuro extremamente precisa. de um de seus médicos. O I Congresso Brasileiro de Informática em Saúde ocorreu.br/ Informática em Saúde . que mais tarde se transformou no Centro de Processamento de Dados (CPD) da Escola Paulista de Medicina. ocorreu um grande surgimento de aplicações em saúde para computadores. Ciente das necessidades de coleta padronizada da informação e de seu adequado armazenamento. entre outras. em nossa opinião revolucionária na época. porém ambicioso. ao incentivo e ao apoio da chefia dessa Disciplina. esse professor criou o Serviço de Informática. no monitoramento do paciente e em outras aplicações. e o Jornal de Informática em Saúde brasileiro foi publicado. Começamos com vantagens em relação a diversos precursores da informática médica do mundo.unifesp. A Informática em Saúde começou a ser concebida. nem aplicativos. na pequena “sala de informática” instalada na Disciplina de Nefrologia do Departamento de Medicina da Escola Paulista de Medicina. pela Lei Nacional de Informática institucionalizada em novembro de 1984 (BOTELHO. em 1985. A primeira oportunidade de conhecer o ‘estado da arte’ ocorreu em 1986 quando a Organização Pan-americana de Saúde patrocinou uma viagem de estudos de um grupo de jovens administradores da América Latina. sendo utilizados mais intensamente nas unidades de tratamento intensivo. No entanto. a área de informática aplicada à saúde era estudada. as iniciativas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Em 1986. Tínhamos um sonho viável. o Professor Doutor Silvio Borges. O CPD da EPM. Durante 15 dias de intensa convivência e de discussões. No começo dos anos 80. participamos do Fifth Congress on Medical Informatics. hoje Universidade Federal de São Paulo. no diagnóstico cardiológico. Destacam-se. hoje Departamento de Processamento de Dados. Acreditávamos firmemente que a informática médica ocuparia um lugar cada vez mais importante dentro das instituições de saúde. do Tenth Annual Symposium on Computer Applications in Medical Care (SCAMC) e do workshop International Collaboration on the Application of Medical Informatics em Washington. muito pouco foi implementado. e nem recursos humanos adequados para permitir que suas ideias fossem colocadas em prática. No Brasil. a informática começou a ser implantada em 1976 graças à visão. 1989). tem como tarefas o gerenciamento das informações administrativas da instituição e também o das informações do seu Hospital Universitário – o Hospital São Paulo (HSP). já na era da microinformática. e para concretizá-lo necessitávamos conhecer os fundamentos teóricos da área e acompanhar o que estava sendo desenvolvido em centros de excelência.uab. tivemos duas universidades pioneiras no ensino e na pesquisa de informática médica. Durante os anos 70. com a chegada dos microcomputadores com valores mais baratos. bem como. criada devido à sensibilidade. Tanto a Universidade de São Paulo quanto a Universidade Federal de São Paulo oferecem programas de graduação altamente qualificados na área assim como programas de extensão de graduação (mestrado e doutorado). a Sociedade Brasileira de Informática em Saúde foi fundada. da Universidade de São Paulo.

nessa ocasião.200 microcomputadores e quatro mainframes IBM 3090.SECRETÁRIA ESPECIAL DE INFORMÁTICA . programas e serviços necessários a essa aplicação (MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA. por 2. Feigenbaum (FEIGENBAUM. bem como pela implantação da infraestrutura física de comunicação da rede de TI da Unifesp. citada na abertura do SCAMC pelo Professor Edward A.1988). Tivemos ainda. o CIS passou a se chamar DIS . SEI . visando à orientação do uso da informática tanto nos aspectos da aplicação da tecnologia para a solução dos problemas relativos à promoção. durante esse seminário. conhecemos alguns institutos de pesquisa em Informática em Saúde como a National Library of Medicine – NLM – sediada no National Institutes of Health. em seus primeiros dez anos de existência. Em março de 1988 o CIS-EPM foi oficialmente inaugurado. Vimos alguns resultados e muitos projetos em desenvolvimento. Em fevereiro de 1988. o DIS recebeu aprovação da Capes para os cursos de https://is. Participamos de discussões em um ambiente onde a Informática Médica já estava consolidada há mais de 15 anos e com profissionais experientes na área.CONSELHO NACIONAL DE INFORMÁTICA E AUTOMAÇÃO. de hospitais. O CIS foi responsável. composta por dezenas de representantes do setor de saúde do país. porque experiência não se aprende – adquire-se. sobretudo. 1990): ‘você pode imaginar que no passado havia bibliotecas onde os livros não conversavam uns com os outros?’.”. bem como a de dar suporte a grupos emergentes. Conscientes da imensa distância existente na área entre a situação brasileira e a dos países desenvolvidos. universidades.deixava de ser um ideal de poucos e passava a ser uma necessidade institucional e um compromisso com a sociedade.unifesp. contato com a área da Inteligência Artificial e nos emocionamos com a frase do Professor Marvin Minsky referindo-se a uma biblioteca do ano 2020.uab. dos governos federal. estaduais e municipais. começaram a movimentar-se e a mostrar ao país que era preciso preocupar-se com a Informática em Saúde. CONIN . agregados e estimulados pelo Doutor Reginaldo de Holanda Albuquerque. Além disso. centros de pesquisa e associações profissionais – apresentou a Proposta de Plano Setorial de Informática em Saúde. integrando os departamentos acadêmicos da Unifesp. entre outras. Nesse período também foi criada a disciplina de Informática em Saúde para os cursos de graduação da universidade. prevenção e recuperação da saúde da população quanto nos aspectos de produção de equipamentos. mas. o Centro de Informática em Saúde da Escola Paulista de Medicina – CIS-EPM . Não temos hoje a menor dúvida de que essa viagem nos marcou profundamente e definiu o rumo de nossas pesquisas. Em 1986. com o apoio da então Diretoria da Escola Paulista de Medicina e com a predisposição dos órgãos governamentais e de fomento de dar suporte aos centros de pesquisa de Informática em Saúde.Departamento de Informática em Saúde -. Várias necessidades estão evidenciadas nesse documento (APÊNDICE A): a de formar profissionais especializados na área e a de equipar os centros de pesquisa já existentes. Ainda nessa viagem. superintendente da área de Ciências da Vida do Conselho Nacional de Desenvolvimento Tecnológico – CNPq –. Essa visita causou um grande impacto em todo o grupo devido a sua incrível infraestrutura de informática composta. investigaram e desenvolveram diversos sistemas e aplicativos orientados ao gerenciamento da informação em saúde e à educação a distância. A NLM já era informatizada e possuía centenas de microcomputadores à disposição do público. a Secretaria Especial de Informática (SEI) do Ministério da Ciência e Tecnologia – através da Comissão Especial de Informática em Saúde. os grupos de pesquisadores mapeados.10 História da Informática em Saúde Módulo Básico visita.br/ Informática em Saúde . conhecemos o projeto pioneiro da Lister Hill National Center for Biomedical Communications que desenvolvia a metodologia para gravar o acervo do Medline em CD-ROM. pela disseminação da cultura da Informática em Saúde da Unifesp. contudo era difícil absorver as dificuldades não só porque não as conhecíamos. A partir de 1999. Em 2002.

e a democratização da informação em saúde como direito de todos e como um dos alicerces da cidadania. É responsável por articular com as entidades representativas dos segmentos técnicos e científicos nacionais envolvidos na produção. tendo como base a melhoria do acesso e da qualidade no SUS. Recentemente têm sido desenvolvidos esforços significativos para melhorar e adequar os sistemas de informação às três esferas de governo. O Brasil utiliza sistemas de informação de reconhecida qualidade: o sistema bancário. São necessários. como também a Tecnologia da Informação tem mudado a forma de se oferecer serviços de saúde. indicadores e análises sobre as condições de saúde e suas tendências. o que inclui as opções em torno das tecnologias de informação adotadas e. a transparência e a segurança das https://is. cumprindo a Lei de Acesso à Informação – Lei 12. já que a experiência internacional aponta que os resultados do investimento em e-Saúde começam a surgir. pesquisas em torno das condições de saúde-doença-cuidado de indivíduos. econômico e científico em que são gerados e desenvolvidos pelas articulações federativas. as diversas iniciativas do Cartão Nacional de Saúde desde 1999. Em 1996 foi criada a RIPSA (Rede Interagencial de Informação para a Saúde – Ministério da Saúde e OPAS). de populações e de seus determinantes. em média. até a pressão do mercado da computação e das telecomunicações. visando aperfeiçoar a capacidade de formulação. entretanto. desenvolvidas. análise e disseminação de dados. 2013]. eventualmente. A história brasileira da Informática em Saúde. Entretanto. para a justiça social e o exercício para garantir atenção integral à saúde com qualidade equanimemente distribuída. considerando que a saúde é um direito universal. cerca de sete anos depois de iniciados os programas nacionais de e-Saúde. foi elaborada uma nova versão da Política Nacional de Informação e Informática em Saúde (PNIIS) cujo texto atual apresenta princípios e diretrizes. político. Nessas disputas a informação em saúde é trabalhada como recurso/instrumento (matéria-prima) que agrega valor a produtos e processo. ainda há muito a ser desenvolvido. o sistema de votação eletrônica e o sistema de declaração de ajuste de renda por meio da internet são exemplos de sistemas críticos que atendem ambientes complexos. esforços em longo prazo. no mínimo. A saúde depende de conhecimento e de tecnologia para ampliar o alcance e a qualidade dos seus serviços. Em 2012. gestão e avaliação de políticas e ações públicas pertinentes. um insumo fundamental para os processos dos sistemas de saúde. Observam-se as diferentes concepções de saúde e de política de saúde. O Brasil tem larga experiência no uso de Sistemas de Informação em Saúde. os estudos sobre as experiências de implantação dos sistemas de informações de saúde de base nacional. depois do Ministério da Saúde (MS) redefinir o Comitê de Informação e Informática em Saúde (CIINFO) em 2011.br/ Informática em Saúde . a área da Informática em Saúde é um serviço para a sociedade. na área da saúde. que requerem respostas novas para a melhoria da informação e da Informática em Saúde no Brasil. No Brasil. que tem como propósito promover a disponibilidade adequada e oportuna de dados básicos. O Brasil se encontra entre os 10 países que mais uso fazem de transações eletrônicas [Folha. viabilizando parcerias capazes de propiciar informações úteis ao conhecimento e à compreensão da realidade sanitária brasileira e de suas tendências.527/2011 . geridas e disseminadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) constituem um bem público e um patrimônio da sociedade brasileira que são determinados pelo contexto histórico. Informações e Informática em Saúde produzidas. social. os diferentes esforços para uma Política Nacional de Informação e Informática em Saúde são exemplos de algumas referências a serem levadas em conta por suscitarem velhas questões ainda não resolvidas e questões novas.uab.unifesp.a primeira pós-graduação stricto sensu em Informática em Saúde na América Latina e Caribe.Módulo Básico História da Informática em Saúde 11 mestrado e doutorado . A análise da construção histórica da informação e da Informática em Saúde evidencia disputas ao longo desse processo.

sob a coordenação da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). sendo assim. a Nutrição. na França e em países Informática em Saúde https://is. de dados e do conhecimento para o apoio à tomada de decisões visando à solução rápida de problemas”.unifesp. uma iniciativa do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) apoiada pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e pela Associação Brasileira de Hospitais Universitários (Abrahue). discute o assunto e apresenta algumas considerações sobre a estruturação da pesquisa na área. Adaptando a definição de Shortliffe (1990) da Informática Biomédica para a Informática em Saúde. em seu artigo “O que é informática em saúde?”. Nele a interoperabilidade dos sistemas de informação em saúde é condição central nessa política. Por outro lado. Aponta que as atividades relativas à saúde abrangem não só a Medicina. recuperação e uso otimizado da informação biomédica. considera o termo “pesquisa” como a busca sistemática de respostas a indagações científicas e soluções tecnológicas às necessidades da vida diária.resolveu utilizar o termo mais amplo “saúde” em vez de “médica”. a PNIIS visa ainda a uma melhor governança no uso da informação em saúde e dos recursos de informática. ao contrário do que se faz na Europa. temos a área da Informática em Saúde como “o campo científico que trata do armazenamento. O sucesso foi tão grande que o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) de 2010 incluiu a cobertura total de todos os estabelecimentos de saúde nos seus objetivos de conectividade pelo país para a economia do conhecimento da sociedade brasileira. em grande parte.uab. mas também a Enfermagem. termo utilizado no Brasil. A Sociedade Brasileira de Informática em Saúde – SBIS . o adjetivo “medical” é utilizado em sentido tão amplo quanto o termo “saúde” que adotamos. bem como promover a integração de projetos entre as instituições participantes. visa contribuir com a melhoria de acesso e com o aprimoramento da infraestrutura para a Telemedicina já existente em hospitais universitários e de ensino. as TIC em saúde avançaram muito também desde 2006 quando foram lançados dois projetos nacionais de Telessaúde. telediagnóstico. pontos de serviços de saúde a partir dos quais os trabalhadores e profissionais do SUS demandam telessaúde. Ambos os projetos ampliaram a disseminação do conceito de tecnologia de informação e comunicação na saúde por meio dos núcleos e das unidades de telessaúde. segunda opinião formativa e tele-educação. A expressão “Informática Médica” tem sua origem entre 1968 e 1970 na Rússia. Considera que as expressões “informática médica” e “informática em saúde” têm sido usadas como sinônimos. que são ordenadas pela Atenção Básica do SUS por meio de teleconsultoria. a Veterinária e a Odontologia. De modo restrito. A Rede Universitária de Telemedicina (RUTE). e. É uma área que fica entre a arte e o conhecimento estruturado. na Ásia e nos Estados Unidos. O Telessaúde Brasil Redes é o programa do Ministério da Saúde para apoiar a consolidação das Redes de Atenção à Saúde (RAS). integrando-se ao conceito de Governo Eletrônico. Jaques Wainer. por fim. pela pesquisa científica. Epistemologia da Informática em Saúde Informática em Saúde integra a Tecnologia da Informação e as diferentes áreas da saúde com o propósito de investigar a estrutura e as propriedades da informação médica.12 História da Informática em Saúde Módulo Básico informações. Pesquisas podem ainda ser classificadas como teóricas ou experimentais em função do objeto de estudo e método utilizado. o desenvolvimento institucional do SUS. equipamentos e métodos de execução de determinadas tarefas. o suporte da informação para tomada de decisão por parte do gestor e profissional de saúde. a saber: a Rede Universitária de Telemedicina (RUTE) e o Telessaúde Brasil Redes. entendendo o termo “ciência” como a atividade restrita à pesquisa de novos conhecimentos e ampliação do entendimento daqueles já existentes. Entende o termo “tecnologia” como o desenvolvimento e análise de novos materiais.br/ . Nessas regiões.

Informação e informática em saúde: caleidoscópio contemporâneo da saúde. são áreas correlatas à IS. • Criação de um sistema computacional ‚‚Sistema inovador ou. Além disso. inicialmente. ‚‚Sistema com um componente computacional central. IHS & GÓMEZ. • Meta-análises e reanálises.org. ‚‚Sistema deve ser potencialmente útil para a saúde. no ensino e em pesquisa na área da saúde. Wainer ainda apresenta uma classificação de pesquisa em IS: • Pesquisa empírica.pdf • RUTE: http://rute.saude. mas não é preciso prová-lo. • BRETON. Saiba mais..br/ • Telessaúde Brasil: http://www. podemos dizer que: “Informática em Saúde é o estudo e o uso de computadores e sistemas de comunicação e informação na assistência médica. Revista Ciência & Saúde Coletiva.rnp. incomum na saúde.telessaudebrasil. Bioinformática e Modelagem Computacional de Fenômenos Biológicos/Cognitivos. 2007. como Ciência da Computação aplicada à Medicina ou Ciência da Informação Médica. • RIPSA: http://www. embora próximas. • MORAES.uab. a uma interface entre disciplinas.gov. 1991.br/portal/arquivos/pdf/pniis. Philippe. Ed. História da informática. têm suas próprias práticas científicas. 12(3):553–65.br • PNIIS: http://portal. São Paulo.Módulo Básico História da Informática em Saúde 13 de língua inglesa ao se referir. pelo menos.ripsa.org. em particular às áreas de Engenharia Biomédica. as quais. ‚‚Estudos de implantação e utilização de sistemas no processo da saúde. De um modo simplificado.br/ Informática em Saúde .. ‚‚Sistema de elaboração não trivial. • Pesquisa semiempírica. MNG. Unesp.br/ https://is.unifesp.

14 História da Informática em Saúde Módulo Básico Considerações Finais Apresentamos aqui uma versão da história da Informática em Saúde.. Por outro lado.uab. Reflita a respeito. resultantes dessa história da Informática na Saúde. E a informática na saúde não é diferente disso. para a saúde no contexto das TIC? Informática em Saúde https://is. com conhecimentos específicos em fases diferentes de maturidade e desempenho. desde que pautados numa visão crítica da realidade. Os próximos módulos irão apresentar alguns alicerces fundamentais da área.. Quais outros fatos ou versões históricas contribuem com a perspectiva atual da tecnologia da informação e comunicação de forma geral para a economia do conhecimento e. que revela uma projeção de muitos pequenos fatos que contribuíram para o cenário atual da Informática em Saúde. a Informática em Saúde é uma área de conhecimento multidisciplinar em construção. Muitos outros fatos existem e outras inúmeras versões são possíveis. ainda muito mais acelerada pela própria utilização da tecnologia.unifesp. em particular.br/ . o que permite também espaço para a arte do fazer e a experimentação necessária para uma sociedade em constante transformação.

São Paulo. Baltimore. Medical Informatics: Computer Applications in Health Care. Milestones in Computer Science and Information Technology. Reilly. A History of Medical Informatics in the United States. Ledley. São Paulo. EDWIN. Ed. 1990. & PERRAULT. COLLEN. Addison Wesley.H. Unesp. D. Philippe. Biomedical Computing: Digitizing Life in the United States. p. 2012. 1991. 2007. MORAES. NOVEMBER. MD. The story behind the development of the first whole-body computerized tomography scanner as told by Robert S. História da informática.S. Epub. 161.br/ Informática em Saúde . 2006. L. Informação e informática em saúde: caleidoscópio contemporâneo da saúde. SITTIG.uab. ASH J. 1995. E. Daniel. Greenwood Press.F. IHS & GÓMEZ. Joseph. Journal of the American Medical Informatics Association. SHORTLIFFE. MNG. Bethesda. American Medical Informatics Association.unifesp. Johns Hopkins University Press. 12(3):553–65. Um novo paradigma de aprendizado na prática médica da UNIFESP/ EPM. https://is. 1950 to 1990. Morris F. & LEDLEY R. 2003. SIGULEM.. D.S.Módulo Básico História da Informática em Saúde 15 Referências Bibliográficas BRETON. 1997. Revista Ciência & Saúde Coletiva.E. Tese (Livre-Docência) do Centro de Informática em Saúde – CIS-EPM.

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