Informática em Saúde

História da Informática em Saúde
Autores

ESPECIALIZAÇÃO EM

a da Informática em
Claudia Barsottini Paulo Roberto de Lima Lopes Fabiana Ferrari

Sumário

Objetivos do Módulo ................................................................................ 2 Introdução ............................................................................................. 2 Conteúdo .............................................................................................. 3 Considerações finais .................................................................................14 Reflita a respeito .....................................................................................14 Bibliografia complementar .........................................................................15

antes. 2006. Epub. A proposta não é traçar uma linha cronológica completa de fatos e eventos. University of Illinois at Chicago. JBS. A History of Medical Informatics in the United States. Reilly. 2003. 2008..H. uma reflexão sobre o contexto no qual ela se organizou como uma nova área de conhecimento e disciplina. 161. • SITTIG. Joseph. Addison Wesley.F. Greenwood Press. o foco fica no cenário brasileiro. • SIGULEM. Kaiser Permanente.. Tese (Livre-Docência) do Centro de Informática em Saúde – CIS-EPM. Um novo paradigma de aprendizado na prática médica da UNIFESP/EPM. mas sim uma perspectiva histórica que possa estimular a reflexão sobre o contexto.unifesp. Medical Informatics: Computer Applications in Health Care. 1995. Baltimore. Introdução Para compreender a importância e as consequências da Informática em Saúde é preciso. Nursing Informatics and Health Information Management Degrees.S.2 Módulo Básico História da Informática em Saúde Objetivos do Módulo • O aluno deverá ser capaz de apresentar uma perspectiva crítica da histórica da Informática em Saúde no Brasil e no mundo. American Medical Informatics Association. Health Informatics. Bethesda. 1964” • MGH . Edwin D. MD. 2012. Milestones in Computer Science and Information Technology.. 1990. D. • NOVEMBER.Laboratory of Computer Science • REILLY. Informática em Saúde https://is. • “Walking Patterns of Normal Men. • SHORTLIFFE. p. 1997. • O aluno deverá ser capaz de caracterizar a área de conhecimento de Informática em Saúde de forma multidisciplinar. São Paulo. Johns Hopkins University Press. The story behind the development of the first whole-body computerized tomography scanner as told by Robert S. A trajetória se inicia por uma análise internacional e. Morris Collen Tribute”.E. E. & LEDLEY R. mais recentemente.br/ . Biomedical Computing: Digitizing Life in the United States. Saiba mais. L. Daniel. • “Dr. Journal of the American Medical Informatics Association. • “The History of Health Informatics”. • COLLEN. & PERRAULT. Ledley. 1950 to 1990. ASH J.uab. Morris F.S.

Computação e Informação Comecemos pela revolução introduzida pela computação muito antes dos computadores. muitas vezes. a internet. nossa atual ferramenta diária. Alguns operadores com determinadas propriedades chamaram seu sistema de As Leis do Pensamento. Como se sabe. que um computador é muito mais do que uma máquina de somar. a ciência é o resultado de um processo que tem várias contribuições e. esses resultados são incorporados no nosso dia a dia. O doutor Claude Elwood Shannon. sons. imagens – talvez. pode ser efetuada automaticamente com comutação de circuitos elétricos. tornou-se fundamental uma definição precisa de “informação”. O doutor Shannon também mostrou que se os bits adicionais suficientes fossem acrescentados a uma mensagem. por meio da qual os problemas podem ser resolvidos com a manipulação de apenas dois símbolos . e um deles é Shannon. que é uma rede de computadores. Essa foi uma ideia chocante para uma geração de engenheiros que eram acostumados a pensar sobre a comunicação em termos de envio de formas de onda eletromagnética por um fio. ideias. mas apenas com os números 1 e 0. que a utilizou para representar um interruptor que foi ativado pelo símbolo 1. baseada no controle e na comunicação. até mesmo. Hoje. A teoria matemática da comunicação. diminuindo a influência do ruído do canal de comunicação. Com isso. as utilizações e a economia do computador nos levaram muito além da cibernética de Wiener. Os conhecimentos técnicos de base.números. No entanto. Essa visão tem sido desenvolvida ao longo das décadas em códigos de correção de erros sofisticados para assegurar a integridade dos dados com os quais a sociedade interage. cada vez mais complexo.unifesp. esse mundo digital tem muitos pais. O doutor Shannon percebeu. Inicialmente. escreveu dois artigos que permanecem sendo monumentos nas áreas de Ciência da Computação e Teoria da Informação. música. ele publicou sua obra-prima. Nos anos https://is. e que os dígitos binários poderiam ser usados para representar palavras. ele mostrou como a lógica booleana. essa ideia tem suas raízes no papel do doutor Shannon. A lição primordial era que a natureza da mensagem não importava . A ideia não foi perdida pelo doutor Shannon. nos parece algo trivial. toda a revolução nas comunicações surgiu.Módulo Básico História da Informática em Saúde 3 Conteúdo Da Cibernética à Comunicação. inventou essa álgebra lógica de dois símbolos. Ele propôs que o conteúdo de informação de uma mensagem. em grande parte. que reconhecia uma teoria comum a homens e máquinas. No entanto. as implicações foram muito mais amplas. anteriores à ciência da computação. desde cedo. Em 1948. A tese A análise simbólica de relé de interrupção de circuitos foi. poderiam ajudar a corrigir os erros em um canal de comunicação mais barulhento e chegar ilesos ao final. o símbolo 0 seria um interruptor que foi desligado. Nomes como Shannon. motivada pela necessidade da indústria de telefone de encontrar uma linguagem matemática para descrever o comportamento. Para analisar esse problema de forma adequada. matemático e cientista cujas teorias foram os pilares das redes eletrônicas de comunicação. vídeo. Em última análise. estabelecendo uma ideia básica que existe até hoje em todos os equipamentos de computação construídos.1 e 0 -. A motivação novamente foi prática: como transmitir mensagens. tudo era apenas 1 e 0. músicas e e-mails trafegam através dos mesmos fios e de ondas eletromagnéticas. Contudo. que publicou a primeira ocorrência da palavra “bit”. dando origem à ciência chamada Teoria da Informação. conduziram a uma revolução transformadora da sociedade.br/ Informática em Saúde . Hoje. perdendo-se a história do processo. palavras. que é utilizado para transmiti-la. o matemático britânico do século 19. quando gigabytes de trailers de filmes. de comutação de circuitos que substituíram os operadores humanos. não tinha relação com o seu conteúdo. George Boole. a ideia parece quase elementar. Von Neumann e Alan Turing representam um conjunto de cientistas cujos resultados de suas pesquisas.uab. um conceito assustadoramente novo. os fundamentos da cultura da informática. O doutor Shannon foi quem viu que o dígito binário era elemento fundamental na comunicação.

Matemática da Probabilidade e.uab. e. Von Neumann vislumbrou que as máquinas precisariam ser “universais” e propôs uma organização lógica dos diferentes elementos baseada fortemente no processamento binário de dados de Shannon e no recorte do funcionamento de uma máquina em conformidade com as regras da álgebra de Boole. pesava 30 toneladas e utilizava 18 mil válvulas. e que efetuam operações lógicas de cálculo e de processamento da informação graças a algoritmos gravados. equivalente eletrônico ao cérebro humano. Informática em Saúde https://is. a computação teve seu início real em 1946.na área de Inteligência Artificial. criando raízes em Criptografia. a seguir.4 História da Informática em Saúde Módulo Básico posteriores.br/ . um computador que ocupava uma área de 450m².unifesp. na Teoria de Investimento. Essa máquina deveria ser capaz de resolver todos os problemas passíveis de serem formulados em termos de algoritmos. De lá para cá. que partiu das limitações das máquinas elétricas de cálculos aritméticos de arquitetura específica para uma arquitetura geral de um novo tipo de máquina para processamento de informações de forma lógica. No entanto. as quais queimavam à velocidade de uma a cada sete minutos. todos os computadores construídos desde o final da década de 40. presente nos smartphones e smart TVs. Seu objetivo era uma reflexão teórica sobre os fundamentos e limites da lógica. praticamente. suas ideias se espalharam para além das áreas de Engenharia de Comunicação e Ciência da Computação. desde as nossas calculadoras programáveis. computadores pessoais (PCs). programas. e John von Neumann. Allan Turing criou a forma atual de um conceito do século 13 . as potencialidades de utilização dessas máquinas foram sempre amplamente acompanhadas e avaliadas por todas as áreas do conhecimento humano.Teste de Turing . Alan Turing. passando pelos mainframes. A máquina ainda conseguiu demonstrar alguns limites pela força da pesquisa algorítmica. que lançou as bases teóricas de algoritmo. Assim. de marcar uma das casas na fita de papel e parar. de deslocar a fita para a direita ou para a esquerda. e baseado nos estudos do neurologista McCulloch publicados em 1943. Em Biologia.o algoritmo . aplicativos e apps (aplicativos móveis). por força estratégica da Segunda Guerra Mundial. Trata-se de máquinas inteiramente automáticas. que resultaram em dois grandes pilares: a unidade de comando interno e a representação dos problemas a serem processados sob a forma de algoritmos gravados. por chips. Os profissionais dessa nova área desenvolviam programas em códigos extremamente complexos e eram indivíduos altamente especializados. hoje. ele tornou-se um modelo teórico para pensar sobre a replicação do DNA e sobre a sinalização hormonal em termos de informação. que dispõem de uma memória ampliada e de uma unidade de controle interno. inclusive a da saúde. com profundo conhecimento sobre a máquina. havia uma pequena “Irmandade de Dados” – os únicos profissionais de processamento de dados capazes de fazer o cérebro gigante funcionar –. Turing definiu algoritmo como o conjunto completo das regras que permite a resolução de um problema. Turing também é referência devido ao teste que propôs . Segundo o escritor Alvin Toffler (1990). o processamento automático da informação. mesmo o atual multicore. ”cujos sacerdotes gozavam das ‘bênçãos’ de um infomonopólio”. com a construção do ENIAC. Foi apenas com a substituição das válvulas por transistores e. até mesmo. ficou aberto um caminho para a concepção de uma máquina que realiza. obedecem ao mesmo princípio de base. escrever ou apagar um símbolo. que os computadores se tornaram acessíveis tanto aos laboratórios de pesquisas das universidades quanto às empresas. Ele propôs uma máquina hipotética que consistia em uma fita de papel sem fim (memória infinita) e em um ponteiro que era capaz de ler. Outro fenômeno surpreendente é que.utilizado em um tratado completo sobre Álgebra. Isso é resultado da síntese direta de dois grandes trabalhos. de forma efetiva. Instigado pelos estudos de construção de uma máquina artificial. Desde então. sistemas. isso evoluiu para os algoritmos em linguagem de máquinas.

Foi a pioneira na utilização do Modelo Biomédico na enfermagem. o evento da guerra foi um ponto de partida da importância da informação na saúde. contribuindo especialmente no campo de tomadas de decisões médicas. um artigo amplamente divulgado pela Science Magazine. Guiado pelas pesquisas de Ledley no final dos anos 50. introduzindo técnicas do trabalho com computador para profissionais médicos. Esse artigo continuou influente por décadas. Ele também mostrou que a taxa de mortalidade foi maior no primeiro ano da guerra e. conseguiu melhorar a higiene nos acampamentos e hospitais. Inicialmente utilizado para a realização do censo dos Estados Unidos daquele ano. de sua escola de enfermagem no Hospital Saint Thomas. a saúde sempre foi fortemente organizada na informação. investiu-se no desenvolvimento de sistemas especialistas (expert systems) ou sistemas em expertise. Nessa época. a primeira escola secular de enfermagem do mundo.br/ Informática em Saúde . Na metade desse mesmo período. o uso de computadores auxiliava na quantificação de movimentos humanos. devido ao fato de servir-se desse instrumento para ajudar na iluminação ao auxiliar os feridos durante a noite. adotado para solucionar problemas nas áreas de epidemiologia e saúde pública. O gráfico mostrou que a maioria dos soldados britânicos morreu por motivo de doença em vez de por feridas ou por outras causas. agora parte do King’s College de Londres. em grande parte. os cartões perfurados também começaram a ser utilizados como técnicas de armazenamento de sequências de instruções – ou programas. Em 1959. em 1860. o sistema foi. enfermeira britânica que ficou famosa por ser a pioneira no tratamento de feridos de guerra durante a Guerra da Crimeia. No final da década de 40. logo a seguir. Nightingale percebeu que as estatísticas precisavam ser padronizadas e levariam a melhorias na prática médica e cirúrgica. Começou a utilizar métodos de representação visual de informações. Sua proposta foi a de adquirir um registro padronizado de dados. a força área americana desenvolveu diversos projetos médicos nos seus computadores enquanto encorajava agências civis como a Academia Nacional de Ciências (National Academy of Sciences) e os Institutos Nacionais de Saúde (National Institutes of Health) a dar suporte a esse trabalho. Com esses avanços teóricos. criado por Herman Hollerith em 1890. o uso do computador na Biologia e na Medicina foi levado a cabo principalmente pela Academia Nacional de Ciências e pelo Conselho Nacional de Pesquisa. Desde Florence Nightingale (1820-1910). que incorporou o computador especialmente no que tangia às atividades de pesquisa. Nightingale também pediu a adoção de classificação de doenças de William Farr para a tabulação de morbidade hospitalar. práticos e tecnológicos na década de 50 nos Estados Unidos. Nightingale lançou as bases da enfermagem profissional com a criação. iniciada em 1853. baseando-se na medicina praticada pelos médicos. teve início o uso de computadores eletrônicos digitais. a primeira aplicação prática da computação relevante para a área da saúde foi o desenvolvimento de um sistema de processamento de dados baseado em dados codificados em cartões perfurados. No entanto. No entanto. perante a Comissão Sanitária. Ledley e Lusted publicaram Fundamentos Racionais do Diagnóstico Médico. Ficou conhecida na história pelo apelido de “a dama da lamparina”. que fizeram o primeiro grande esforço para que isso acontecesse.uab. inclusive na Medicina e em projetos odontológicos promovidos por Robert Ledley no Escritório Nacional de Padrões (National Bureau of Standards). Durante a metade dos anos 60. Nightingale estava angustiada por suas experiências com os feridos e começou a analisar as taxas e as causas. https://is. A técnica dos cartões perfurados foi amadurecida e amplamente utilizada nas décadas de 20 e 30. criado inicialmente por William Playfair. como o gráfico setorial (habitualmente conhecido como gráfico do tipo “pizza”). patrocinados. pelos Institutos Nacionais de Saúde (National Institutes of Health) dos Estados Unidos.Módulo Básico História da Informática em Saúde 5 Computação na Saúde Mesmo antes da computação. em Londres. algo cientificamente precursor para medir desvios do considerado padrão no design de próteses. como o MYCIN e o Internist-I.unifesp.

Na mesma época. e mais tarde. O MEDLINE é um banco de dados bibliográficos de ciências naturais e informação biomédica que contempla informações bibliográficas de artigos e jornais acadêmicos. Informática em Saúde https://is. médico que trabalhava para a divisão de pesquisa da Kaiser Permanente. a Biblioteca Nacional de Medicina. apesar da tendência – a dos sistemas voltados para o apoio à decisão médica –. Também durante os anos 60.6 História da Informática em Saúde Módulo Básico O MYCIN era um sistema de expertise que usava inteligência artificial para identificar infecções severas causadas por bactérias e para recomendar o uso de antibióticos com dosagem ajustada para o peso corporal do paciente. Multi-User Multi-Programming System ou Sistema Multiprogramável Multiusuário. projetos similares começaram a ser desenvolvidos em outros hospitais americanos: Latter Day Saints Hospital (LDS) em Salt Lake City. Embora exista grande oferta desses produtos nos dias atuais. etc. Department ofVeterans Affairs – VA) tem o maior sistema de Informática em Saúde. Kaiser Permanente. relatórios de laboratórios e resumos de prescrições. os quais discorrem sobre assuntos ligados à Medicina.uab. O MEDLARS é um sistema de análise e recuperação da literatura médica. Morris Collen. o primeiro projeto de informatização hospitalar (Hospital Computer Project) foi realizado em 1962 a partir de um contrato firmado entre o Massachusetts General Hospital (MGH) e uma empresa de Cambridge denominada Bold Beranek and Newman (BBN Technologies). Dentre essas contribuições. O departamento que cuida de assuntos de veteranos de guerra nos Estados Unidos (U. um grupo médico dos Estados Unidos. tendo sido financiado pelos National Institutes of Health e pelo American Hospital. A partir de 2004. Em 1965.unifesp. Durante os anos 70. apenas uma pequena parcela de profissionais da área de saúde utiliza sistemas de prontuário eletrônico. O próprio nome do programa deriva dos antibióticos que possuem o sufixo “-mycin”. Nos Estados Unidos. que inclui o prontuário eletrônico médico conhecido como VistA (Veterans Health Information Systems and Technology Architecture) ou Arquitetura Tecnológica do Sistema de Informação em Saúde dos Veteranos. Enfermagem.S. o MUMPS era a linguagem de programação mais utilizada para aplicações médicas. um descendente desse sistema vem sendo usado no sistema de hospitais dos veteranos de guerra dos Estados Unidos. que inicialmente foi chamado de Massachusetts General Hospital Utility Multi-Programming System. Desde 1993. Curtis Marble e Robert Greene desenvolveram o MUMPS no Laboratório de Ciência Computacional do Hospital Geral de Massachusetts (MGM – Laboratory of Computer Science at the Massachusetts General Hospital) em Boston. Os médicos Neil Papalardo. Esse sistema se tornou o alicerce para a grande base de dados médicos que a Kaiser Permanente desenvolveu durante os anos 70 e 80. desenvolveu um sistema computadorizado para automatizar aspectos dos checkups na área da saúde. alguns pesquisadores começavam a se preocupar com a computação para a informação hospitalar como um todo. passou a desenvolver o MEDLINE e o MEDLARS. maior biblioteca em medicina do mundo. outro centro de computação biomédica que recebeu o importante apoio dos Institutos Nacionais de Saúde. Nesse mesmo período. Farmácia. Universidade de Stanford. Veterinária e ao Cuidado em Saúde. A Kaiser Permanente é um grande plano de saúde. Durante os anos 70 e 80. o ' (Colégio Americano de Informática Médica) premia com um troféu em nome de Morris Collen aqueles que contribuíram significativamente no campo da informática médica. destacam-se programas de admissão e alta. um número crescente de empresas começou a comercializar sistemas de prontuário eletrônico e práticas de gerenciamento. Odontologia. MUMPS.br/ . Em função desse projeto. é a versão computadorizada desse sistema. é uma linguagem de programação de uso geral. diversos aplicativos começaram a ser desenvolvidos no MGH por Octo Barnett – um dos profissionais que mais contribuições fez para a área de Informática em Saúde – e seus associados.

sem que seus fundadores possam ser reconhecidos como ciberneticistas. Com eles. É impossível pensar em interoperabilidade de sistemas sem pensar em normas para a Informática em Saúde que a viabilizem. que. os precursores da área foram Wagner em Heidelberg e Reichertz em Hannover (Alemanha). Mas a partir de 1948. novas questões em torno dos computadores continuavam crescendo e se especializando em um novo campo de saber. como a ultrassonografia. Antes. Por outro lado. a OMS e a ITU (International Telecommunication Union) oferecem ferramentas para auxiliar países a desenvolverem suas estratégias para o uso de Informática em Saúde ou. Os sistemas de informação em saúde podem monitorar o processo de assistência à saúde e aumentar a qualidade da assistência ao paciente por auxiliar no processo de diagnóstico ou na prescrição da terapia por permitir a inclusão de lembretes clínicos para o acompanhamento da assistência.br/ Informática em Saúde . diz respeito a todas as áreas da Medicina. se encontram os modelos de representação da informação de saúde. e Peterson em Estocolmo (Suécia). a informática sofreu um notável processo de democratização e de popularização. Em todo o mundo. e focada principalmente nos processos de comunicação. sistemas. Evidentemente. no registro e na análise de dados. Grémy em Paris (França). aventurando-se também pelos fenômenos de tomada de decisão.unifesp. surge como uma forma de congregar questões que se encontravam entre diversos campos de saberes. a “cibernética”. países vêm investindo sistematicamente em infraestrutura.uab. e. provocaram mudança radical no perfil dos usuários de computador. a informática passa a reconhecer o emprego dos computadores. como videolaparoscopia e analisadores automáticos de eletrocardiogramas. da informação e do controle. a informática ajuda na coleta. pois muitos pertenciam a outras disciplinas que não desejavam abandonar. e programas cada vez mais fáceis de usar. palavra do grego antigo que serve para designar o piloto. e-Saúde. o que fez com que múltiplos eventos acabassem por cristalizar uma área na Cibernética nos https://is. O professor Peter Reichertz foi um dos primeiros a escrever na década de 70 sobre a importância da informática médica tanto na pesquisa quanto na melhora do currículo médico. dessa forma. da Austrália. de alertas sobre tratamentos duvidosos e desvios dos protocolos clínicos. Novos equipamentos de monitorização de pacientes. do Canadá e do Reino Unido. reinterpretada como meio de governar. recursos humanos e em modelos de organização para tornar a e-Saúde parte do cotidiano da Saúde. máquinas menores e mais baratas. as terminologias e serviços associados. oferecem informações vitais que auxiliam o médico quer no tratamento eficaz do paciente quer no apoio à pesquisa. da microscópica à macroscópica. de avisos sobre interações de drogas. Mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) explicita a necessidade de esforços nacionais em resoluções muito recentes. e os critérios para garantir segurança e privacidade da informação. e da assistência individual à saúde coletiva. serviços. contribuíram para a grande explosão de mercado da indústria da computação. Anderson em Londres (Inglaterra). As técnicas não invasivas de produção de imagem. nos anos 40. a medicina nuclear. globais e regionais. O impacto dessa nova tecnologia na prática da Medicina é surpreendente. Com o surgimento do microcomputador na década de 70. fluxos sanguíneos e gasosos. os mecanismos para troca de mensagens e objetos. alteraram sensivelmente o processo de diagnóstico médico. Entre essas normas. a tomografia e a ressonância magnética. gera conhecimento sobre o conhecimento. Esse é o caso dos Estados Unidos. padrões e mecanismos de interoperabilidade entre sistemas para a Saúde. que encorajam os países também a adotarem arquiteturas. Na prática médica. Além disso. e. associadas a poderosos sistemas operacionais. simplesmente. surgiram também as linguagens de alto nível – bastante próximas da linguagem coloquial.Módulo Básico História da Informática em Saúde 7 Na Europa. Informática e Informática em Saúde A caracterização do termo “informática” decorre dos anos 60. entre outros.

foram instalados em diversas universidades e as primeiras aplicações foram desenvolvidas a partir deles. Em troca. mais precisamente.8 História da Informática em Saúde Módulo Básico termos Computer Science (Ciência da Computação) nos países anglo-saxões. como o senso hospitalar na Escola de Medicina de Ribeirão Preto e os arquivos principais dos pacientes (patient máster files) no Hospital das Clínicas na Universidade de São Paulo. principalmente a partir dos anos 90. tem uma influência nessa perspectiva histórica. a situação dessa especialidade era bastante diversa do que ocorria na quase totalidade dos países do hemisfério norte e da Europa. respectivamente nas cidades de Ribeirão Preto e São Paulo.unifesp.uab. No entanto. Nos anos 2000. Daniel Sigulem. nas sociedades contemporâneas. Professor Titular em Informática em Saúde na Unifesp e um dos pioneiros no Brasil. telefonia. constituindo as faces de uma mesma moeda. também designada de Tecnologia da Informação em Saúde. Assim. a OMS tem se referido ao termo e-Saúde (e-Health) da mesma forma que outras áreas de conhecimento reconhecem nas TIC uma transformação cultural e econômica – a chamada economia do conhecimento -. Um dos principais propulsores foi a monitorização remota dos astronautas e cosmonautas nos anos 60 e 70. A Informática em Saúde. Minicomputadores. e atribui a e-Saúde ou saúde eletrônica um papel de contribuir para uma forma de consumo de saúde e bem-estar. a Informática acabou por representar muito mais para o desenvolvimento da automação que todos os domínios que a precederam. essenciais para a solução do problema de acesso à saúde de qualidade e à educação para a saúde. telegrafia. Informática em Saúde https://is. de informação e de conhecimento de saúde para suportar e viabilizar todos os aspectos do sistema de saúde” [ISO TC-215]. sempre utilizando o mesmo meio mediado por computador. os PCs se tornaram um meio poderoso para o desenvolvimento da Telemedicina. mas sempre caracterizados por um serviço ponto a ponto. entende-se que não é possível discutir “informação” de forma desarticulada do debate das tecnologias que lhe dão suporte. Essa convergência entre o computador e um meio de comunicação digital padronizado permitiu um modelo de serviço de muitos para muitos. Por outro lado. pode ser definida como “a aplicação das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) para facilitar a criação e o uso de dados. que também utiliza recursos tecnológicos para desenvolver ações de saúde a distância. no Brasil. Cada uma delas conserva a sua especificidade epistêmica e funcional. Antes. com o aparecimento dos computadores pessoais e da internet. mais precisamente a Informática. por meio da fusão de dois outros: informação e automático. a área de Telemedicina. O termo “informática” foi criado. radiofonia. Cenário Nacional As primeiras aplicações de informática em Medicina e no tratamento de saúde no Brasil começaram por volta de 1968 com a instalação dos primeiros computadores de grande porte (mainframes) nos hospitais e universidades públicas e com o uso de calculadoras programáveis em aplicações de pesquisas científicas. tanto no alcance como na modalidade de mídias. tanto a Informática em Saúde quanto a Telemedicina foram reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde na forma de Tecnologias de Comunicação e Informação em Saúde. Mais recentemente. nos anos 90. para representar a tradição milenar do automatismo (regulação e controle focados pela cibernética) sobre a informação. Informatik na Alemanha e Informatique na França. como o IBM1130. em sua tese de Livre-Docência.br/ . circuitos de TV e enlaces de satélite. onde a informática médica implicava hardware e software avançados e abundância de recursos para o desenvolvimento e a manutenção de sistemas que utilizavam tecnologia de ponta. afirma que. por Philippe Dreyfus. ou seja. a Saúde sempre tentou utilizar os avanços tecnológicos das comunicações para permitir uma ação de saúde a distância por meio de cartas. mas considerando o autômato programável para calcular e processar a informação. em 1962.

Sigulem descreve um pouco da história do início da Informática em Saúde na Unifesp: “Na Escola Paulista de Medicina. já na era da microinformática. a área de informática aplicada à saúde era estudada. da Universidade de São Paulo. sendo utilizados mais intensamente nas unidades de tratamento intensivo. e para concretizá-lo necessitávamos conhecer os fundamentos teóricos da área e acompanhar o que estava sendo desenvolvido em centros de excelência. no monitoramento do paciente e em outras aplicações.Módulo Básico História da Informática em Saúde 9 Apesar das restrições impostas inicialmente pelo estabelecimento de uma comissão para a Coordenação de Atividades na Área da Eletrônica (CAPRE) em 1972 e. porém ambicioso. nem aplicativos. entre outras. A primeira oportunidade de conhecer o ‘estado da arte’ ocorreu em 1986 quando a Organização Pan-americana de Saúde patrocinou uma viagem de estudos de um grupo de jovens administradores da América Latina. hoje Universidade Federal de São Paulo. a informática começou a ser implantada em 1976 graças à visão.unifesp. O CPD da EPM. bem como. O professor vivia em uma época muito além da sua – não havia nem máquinas. Durante os anos 70. pela Lei Nacional de Informática institucionalizada em novembro de 1984 (BOTELHO. as iniciativas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. ao incentivo e ao apoio da chefia dessa Disciplina. esse professor criou o Serviço de Informática. Começamos com vantagens em relação a diversos precursores da informática médica do mundo. da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP –. hoje Departamento de Processamento de Dados. e o Jornal de Informática em Saúde brasileiro foi publicado. ocorreu um grande surgimento de aplicações em saúde para computadores. tivemos duas universidades pioneiras no ensino e na pesquisa de informática médica. muito pouco foi implementado.uab. depois. Tínhamos um sonho viável. No Brasil. do Tenth Annual Symposium on Computer Applications in Medical Care (SCAMC) e do workshop International Collaboration on the Application of Medical Informatics em Washington. de um de seus médicos. O I Congresso Brasileiro de Informática em Saúde ocorreu. com a chegada dos microcomputadores com valores mais baratos. Nessa https://is. da Escola Paulista de Medicina e da própria máquina do governo federal.br/ Informática em Saúde . Ciente das necessidades de coleta padronizada da informação e de seu adequado armazenamento. o Professor Doutor Silvio Borges. em nossa opinião revolucionária na época. Em 1986. na pequena “sala de informática” instalada na Disciplina de Nefrologia do Departamento de Medicina da Escola Paulista de Medicina. No entanto. 1989). acompanhada e desenvolvida por grupos isolados em todo o país. que mais tarde se transformou no Centro de Processamento de Dados (CPD) da Escola Paulista de Medicina. Destacam-se. no diagnóstico cardiológico. A Informática em Saúde começou a ser concebida. Durante 15 dias de intensa convivência e de discussões. No começo dos anos 80. tem como tarefas o gerenciamento das informações administrativas da instituição e também o das informações do seu Hospital Universitário – o Hospital São Paulo (HSP). Diversos protocolos de coleta sistematizada de informações foram idealizados pelo professor Silvio e são referidos até hoje por sua engenhosidade e adequação e por revelarem uma visão de futuro extremamente precisa. Acreditávamos firmemente que a informática médica ocuparia um lugar cada vez mais importante dentro das instituições de saúde. participamos do Fifth Congress on Medical Informatics. Tanto a Universidade de São Paulo quanto a Universidade Federal de São Paulo oferecem programas de graduação altamente qualificados na área assim como programas de extensão de graduação (mestrado e doutorado). vários minicomputadores foram instalados nos hospitais públicos e nos das forças armadas. criada devido à sensibilidade. e nem recursos humanos adequados para permitir que suas ideias fossem colocadas em prática. a Sociedade Brasileira de Informática em Saúde foi fundada. em 1985.

Além disso. mas. CONIN . Essa visita causou um grande impacto em todo o grupo devido a sua incrível infraestrutura de informática composta. investigaram e desenvolveram diversos sistemas e aplicativos orientados ao gerenciamento da informação em saúde e à educação a distância. dos governos federal. integrando os departamentos acadêmicos da Unifesp.br/ Informática em Saúde . A partir de 1999. começaram a movimentar-se e a mostrar ao país que era preciso preocupar-se com a Informática em Saúde. sobretudo.10 História da Informática em Saúde Módulo Básico visita. bem como a de dar suporte a grupos emergentes. em seus primeiros dez anos de existência. Conscientes da imensa distância existente na área entre a situação brasileira e a dos países desenvolvidos. universidades. O CIS foi responsável. por 2. Feigenbaum (FEIGENBAUM. Vimos alguns resultados e muitos projetos em desenvolvimento. Participamos de discussões em um ambiente onde a Informática Médica já estava consolidada há mais de 15 anos e com profissionais experientes na área. bem como pela implantação da infraestrutura física de comunicação da rede de TI da Unifesp.SECRETÁRIA ESPECIAL DE INFORMÁTICA . o Centro de Informática em Saúde da Escola Paulista de Medicina – CIS-EPM . composta por dezenas de representantes do setor de saúde do país. Em 2002.”. contudo era difícil absorver as dificuldades não só porque não as conhecíamos. Várias necessidades estão evidenciadas nesse documento (APÊNDICE A): a de formar profissionais especializados na área e a de equipar os centros de pesquisa já existentes. centros de pesquisa e associações profissionais – apresentou a Proposta de Plano Setorial de Informática em Saúde. os grupos de pesquisadores mapeados. agregados e estimulados pelo Doutor Reginaldo de Holanda Albuquerque. citada na abertura do SCAMC pelo Professor Edward A. Nesse período também foi criada a disciplina de Informática em Saúde para os cursos de graduação da universidade. o CIS passou a se chamar DIS . prevenção e recuperação da saúde da população quanto nos aspectos de produção de equipamentos. Não temos hoje a menor dúvida de que essa viagem nos marcou profundamente e definiu o rumo de nossas pesquisas. o DIS recebeu aprovação da Capes para os cursos de https://is. entre outras.1988). a Secretaria Especial de Informática (SEI) do Ministério da Ciência e Tecnologia – através da Comissão Especial de Informática em Saúde. pela disseminação da cultura da Informática em Saúde da Unifesp. conhecemos alguns institutos de pesquisa em Informática em Saúde como a National Library of Medicine – NLM – sediada no National Institutes of Health. 1990): ‘você pode imaginar que no passado havia bibliotecas onde os livros não conversavam uns com os outros?’. Em março de 1988 o CIS-EPM foi oficialmente inaugurado. SEI .Departamento de Informática em Saúde -. Em fevereiro de 1988. nessa ocasião. conhecemos o projeto pioneiro da Lister Hill National Center for Biomedical Communications que desenvolvia a metodologia para gravar o acervo do Medline em CD-ROM. porque experiência não se aprende – adquire-se. Em 1986. com o apoio da então Diretoria da Escola Paulista de Medicina e com a predisposição dos órgãos governamentais e de fomento de dar suporte aos centros de pesquisa de Informática em Saúde.200 microcomputadores e quatro mainframes IBM 3090. de hospitais. visando à orientação do uso da informática tanto nos aspectos da aplicação da tecnologia para a solução dos problemas relativos à promoção. estaduais e municipais. programas e serviços necessários a essa aplicação (MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA. contato com a área da Inteligência Artificial e nos emocionamos com a frase do Professor Marvin Minsky referindo-se a uma biblioteca do ano 2020.deixava de ser um ideal de poucos e passava a ser uma necessidade institucional e um compromisso com a sociedade.unifesp. A NLM já era informatizada e possuía centenas de microcomputadores à disposição do público. superintendente da área de Ciências da Vida do Conselho Nacional de Desenvolvimento Tecnológico – CNPq –.CONSELHO NACIONAL DE INFORMÁTICA E AUTOMAÇÃO. Ainda nessa viagem.uab. durante esse seminário. Tivemos ainda.

cerca de sete anos depois de iniciados os programas nacionais de e-Saúde. econômico e científico em que são gerados e desenvolvidos pelas articulações federativas. Observam-se as diferentes concepções de saúde e de política de saúde. foi elaborada uma nova versão da Política Nacional de Informação e Informática em Saúde (PNIIS) cujo texto atual apresenta princípios e diretrizes. no mínimo. na área da saúde. as diversas iniciativas do Cartão Nacional de Saúde desde 1999. já que a experiência internacional aponta que os resultados do investimento em e-Saúde começam a surgir. considerando que a saúde é um direito universal. os estudos sobre as experiências de implantação dos sistemas de informações de saúde de base nacional. O Brasil utiliza sistemas de informação de reconhecida qualidade: o sistema bancário. a transparência e a segurança das https://is. São necessários.Módulo Básico História da Informática em Saúde 11 mestrado e doutorado . que requerem respostas novas para a melhoria da informação e da Informática em Saúde no Brasil. depois do Ministério da Saúde (MS) redefinir o Comitê de Informação e Informática em Saúde (CIINFO) em 2011. gestão e avaliação de políticas e ações públicas pertinentes. de populações e de seus determinantes. indicadores e análises sobre as condições de saúde e suas tendências. Em 2012. visando aperfeiçoar a capacidade de formulação.br/ Informática em Saúde . ainda há muito a ser desenvolvido. cumprindo a Lei de Acesso à Informação – Lei 12. Nessas disputas a informação em saúde é trabalhada como recurso/instrumento (matéria-prima) que agrega valor a produtos e processo. Recentemente têm sido desenvolvidos esforços significativos para melhorar e adequar os sistemas de informação às três esferas de governo. até a pressão do mercado da computação e das telecomunicações. esforços em longo prazo. O Brasil tem larga experiência no uso de Sistemas de Informação em Saúde.unifesp. o sistema de votação eletrônica e o sistema de declaração de ajuste de renda por meio da internet são exemplos de sistemas críticos que atendem ambientes complexos. Entretanto. tendo como base a melhoria do acesso e da qualidade no SUS. que tem como propósito promover a disponibilidade adequada e oportuna de dados básicos. em média.527/2011 .uab. os diferentes esforços para uma Política Nacional de Informação e Informática em Saúde são exemplos de algumas referências a serem levadas em conta por suscitarem velhas questões ainda não resolvidas e questões novas. A análise da construção histórica da informação e da Informática em Saúde evidencia disputas ao longo desse processo. pesquisas em torno das condições de saúde-doença-cuidado de indivíduos. para a justiça social e o exercício para garantir atenção integral à saúde com qualidade equanimemente distribuída. É responsável por articular com as entidades representativas dos segmentos técnicos e científicos nacionais envolvidos na produção. Informações e Informática em Saúde produzidas.a primeira pós-graduação stricto sensu em Informática em Saúde na América Latina e Caribe. como também a Tecnologia da Informação tem mudado a forma de se oferecer serviços de saúde. análise e disseminação de dados. viabilizando parcerias capazes de propiciar informações úteis ao conhecimento e à compreensão da realidade sanitária brasileira e de suas tendências. eventualmente. O Brasil se encontra entre os 10 países que mais uso fazem de transações eletrônicas [Folha.e a democratização da informação em saúde como direito de todos e como um dos alicerces da cidadania. No Brasil. 2013]. a área da Informática em Saúde é um serviço para a sociedade. político. A saúde depende de conhecimento e de tecnologia para ampliar o alcance e a qualidade dos seus serviços. desenvolvidas. social. entretanto. o que inclui as opções em torno das tecnologias de informação adotadas e. um insumo fundamental para os processos dos sistemas de saúde. A história brasileira da Informática em Saúde. Em 1996 foi criada a RIPSA (Rede Interagencial de Informação para a Saúde – Ministério da Saúde e OPAS). geridas e disseminadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) constituem um bem público e um patrimônio da sociedade brasileira que são determinados pelo contexto histórico.

Epistemologia da Informática em Saúde Informática em Saúde integra a Tecnologia da Informação e as diferentes áreas da saúde com o propósito de investigar a estrutura e as propriedades da informação médica. pela pesquisa científica. termo utilizado no Brasil. em grande parte. e. A expressão “Informática Médica” tem sua origem entre 1968 e 1970 na Rússia. O sucesso foi tão grande que o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) de 2010 incluiu a cobertura total de todos os estabelecimentos de saúde nos seus objetivos de conectividade pelo país para a economia do conhecimento da sociedade brasileira. Nessas regiões.br/ . o suporte da informação para tomada de decisão por parte do gestor e profissional de saúde. a PNIIS visa ainda a uma melhor governança no uso da informação em saúde e dos recursos de informática. por fim. em seu artigo “O que é informática em saúde?”. temos a área da Informática em Saúde como “o campo científico que trata do armazenamento. O Telessaúde Brasil Redes é o programa do Ministério da Saúde para apoiar a consolidação das Redes de Atenção à Saúde (RAS). sob a coordenação da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). telediagnóstico. entendendo o termo “ciência” como a atividade restrita à pesquisa de novos conhecimentos e ampliação do entendimento daqueles já existentes. Jaques Wainer. Entende o termo “tecnologia” como o desenvolvimento e análise de novos materiais. mas também a Enfermagem. integrando-se ao conceito de Governo Eletrônico. na Ásia e nos Estados Unidos. De modo restrito. as TIC em saúde avançaram muito também desde 2006 quando foram lançados dois projetos nacionais de Telessaúde. recuperação e uso otimizado da informação biomédica. Adaptando a definição de Shortliffe (1990) da Informática Biomédica para a Informática em Saúde. a Veterinária e a Odontologia. Por outro lado. considera o termo “pesquisa” como a busca sistemática de respostas a indagações científicas e soluções tecnológicas às necessidades da vida diária. pontos de serviços de saúde a partir dos quais os trabalhadores e profissionais do SUS demandam telessaúde. Aponta que as atividades relativas à saúde abrangem não só a Medicina. Nele a interoperabilidade dos sistemas de informação em saúde é condição central nessa política. A Rede Universitária de Telemedicina (RUTE). bem como promover a integração de projetos entre as instituições participantes. de dados e do conhecimento para o apoio à tomada de decisões visando à solução rápida de problemas”. A Sociedade Brasileira de Informática em Saúde – SBIS . visa contribuir com a melhoria de acesso e com o aprimoramento da infraestrutura para a Telemedicina já existente em hospitais universitários e de ensino. que são ordenadas pela Atenção Básica do SUS por meio de teleconsultoria.unifesp. ao contrário do que se faz na Europa. equipamentos e métodos de execução de determinadas tarefas. segunda opinião formativa e tele-educação. a saber: a Rede Universitária de Telemedicina (RUTE) e o Telessaúde Brasil Redes. É uma área que fica entre a arte e o conhecimento estruturado.uab. a Nutrição. sendo assim. discute o assunto e apresenta algumas considerações sobre a estruturação da pesquisa na área. o adjetivo “medical” é utilizado em sentido tão amplo quanto o termo “saúde” que adotamos. na França e em países Informática em Saúde https://is. Considera que as expressões “informática médica” e “informática em saúde” têm sido usadas como sinônimos.resolveu utilizar o termo mais amplo “saúde” em vez de “médica”. Pesquisas podem ainda ser classificadas como teóricas ou experimentais em função do objeto de estudo e método utilizado. uma iniciativa do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) apoiada pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e pela Associação Brasileira de Hospitais Universitários (Abrahue). Ambos os projetos ampliaram a disseminação do conceito de tecnologia de informação e comunicação na saúde por meio dos núcleos e das unidades de telessaúde. o desenvolvimento institucional do SUS.12 História da Informática em Saúde Módulo Básico informações.

De um modo simplificado. • Pesquisa semiempírica. embora próximas. Unesp.rnp. Wainer ainda apresenta uma classificação de pesquisa em IS: • Pesquisa empírica. em particular às áreas de Engenharia Biomédica.Módulo Básico História da Informática em Saúde 13 de língua inglesa ao se referir. 1991. mas não é preciso prová-lo. • Criação de um sistema computacional ‚‚Sistema inovador ou. ‚‚Sistema deve ser potencialmente útil para a saúde. Além disso.ripsa. Revista Ciência & Saúde Coletiva. pelo menos. inicialmente. podemos dizer que: “Informática em Saúde é o estudo e o uso de computadores e sistemas de comunicação e informação na assistência médica. têm suas próprias práticas científicas. MNG.org. Saiba mais.pdf • RUTE: http://rute. • MORAES. as quais..org. São Paulo.br/ https://is.gov. ‚‚Estudos de implantação e utilização de sistemas no processo da saúde.br/ Informática em Saúde . • RIPSA: http://www. IHS & GÓMEZ. • BRETON. Ed. são áreas correlatas à IS.uab. como Ciência da Computação aplicada à Medicina ou Ciência da Informação Médica. no ensino e em pesquisa na área da saúde.br • PNIIS: http://portal..unifesp.telessaudebrasil.br/portal/arquivos/pdf/pniis. Informação e informática em saúde: caleidoscópio contemporâneo da saúde. 2007.saude. ‚‚Sistema de elaboração não trivial. ‚‚Sistema com um componente computacional central. • Meta-análises e reanálises. Philippe.br/ • Telessaúde Brasil: http://www. a uma interface entre disciplinas. incomum na saúde. Bioinformática e Modelagem Computacional de Fenômenos Biológicos/Cognitivos. História da informática. 12(3):553–65.

resultantes dessa história da Informática na Saúde.uab. para a saúde no contexto das TIC? Informática em Saúde https://is. Quais outros fatos ou versões históricas contribuem com a perspectiva atual da tecnologia da informação e comunicação de forma geral para a economia do conhecimento e. Muitos outros fatos existem e outras inúmeras versões são possíveis. ainda muito mais acelerada pela própria utilização da tecnologia.. que revela uma projeção de muitos pequenos fatos que contribuíram para o cenário atual da Informática em Saúde. com conhecimentos específicos em fases diferentes de maturidade e desempenho. Por outro lado. a Informática em Saúde é uma área de conhecimento multidisciplinar em construção. o que permite também espaço para a arte do fazer e a experimentação necessária para uma sociedade em constante transformação.unifesp.br/ . Os próximos módulos irão apresentar alguns alicerces fundamentais da área. em particular.14 História da Informática em Saúde Módulo Básico Considerações Finais Apresentamos aqui uma versão da história da Informática em Saúde. E a informática na saúde não é diferente disso. desde que pautados numa visão crítica da realidade.. Reflita a respeito.

IHS & GÓMEZ.E. & LEDLEY R. Informação e informática em saúde: caleidoscópio contemporâneo da saúde. EDWIN. MNG.. São Paulo. Philippe. Milestones in Computer Science and Information Technology.H. Reilly. A History of Medical Informatics in the United States.S. 2003. Daniel.uab. p.br/ Informática em Saúde . Bethesda. 2007. Revista Ciência & Saúde Coletiva. Journal of the American Medical Informatics Association. SIGULEM. 161. D. NOVEMBER. American Medical Informatics Association. E. ASH J. São Paulo. The story behind the development of the first whole-body computerized tomography scanner as told by Robert S. Biomedical Computing: Digitizing Life in the United States. COLLEN. Ledley. D. Addison Wesley. 1997. Joseph. Unesp. 12(3):553–65.S. Greenwood Press. Epub. 2012. L.F. 2006.unifesp. MD. & PERRAULT. Baltimore. 1991.Módulo Básico História da Informática em Saúde 15 Referências Bibliográficas BRETON. História da informática. Morris F. Ed. Johns Hopkins University Press. Tese (Livre-Docência) do Centro de Informática em Saúde – CIS-EPM. Um novo paradigma de aprendizado na prática médica da UNIFESP/ EPM. Medical Informatics: Computer Applications in Health Care. https://is. 1995. SITTIG. MORAES. 1990. 1950 to 1990. SHORTLIFFE.

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