Informática em Saúde

História da Informática em Saúde
Autores

ESPECIALIZAÇÃO EM

a da Informática em
Claudia Barsottini Paulo Roberto de Lima Lopes Fabiana Ferrari

Sumário

Objetivos do Módulo ................................................................................ 2 Introdução ............................................................................................. 2 Conteúdo .............................................................................................. 3 Considerações finais .................................................................................14 Reflita a respeito .....................................................................................14 Bibliografia complementar .........................................................................15

• NOVEMBER. Milestones in Computer Science and Information Technology. 1995.uab. Bethesda. Daniel. mas sim uma perspectiva histórica que possa estimular a reflexão sobre o contexto. • SIGULEM. Ledley. 1997. 2008. uma reflexão sobre o contexto no qual ela se organizou como uma nova área de conhecimento e disciplina. Biomedical Computing: Digitizing Life in the United States. • SHORTLIFFE. University of Illinois at Chicago. 2012.Laboratory of Computer Science • REILLY. mais recentemente. American Medical Informatics Association. Addison Wesley.2 Módulo Básico História da Informática em Saúde Objetivos do Módulo • O aluno deverá ser capaz de apresentar uma perspectiva crítica da histórica da Informática em Saúde no Brasil e no mundo. Nursing Informatics and Health Information Management Degrees.. Tese (Livre-Docência) do Centro de Informática em Saúde – CIS-EPM. • “Walking Patterns of Normal Men. 161. Edwin D. A trajetória se inicia por uma análise internacional e. • “Dr. Johns Hopkins University Press.unifesp. Introdução Para compreender a importância e as consequências da Informática em Saúde é preciso. • O aluno deverá ser capaz de caracterizar a área de conhecimento de Informática em Saúde de forma multidisciplinar. A proposta não é traçar uma linha cronológica completa de fatos e eventos. D. A History of Medical Informatics in the United States. Morris Collen Tribute”. Kaiser Permanente.H. p. L.F. & PERRAULT. 1964” • MGH . Reilly. Baltimore. • “The History of Health Informatics”. • COLLEN. Health Informatics. Medical Informatics: Computer Applications in Health Care.br/ . Joseph. • SITTIG. The story behind the development of the first whole-body computerized tomography scanner as told by Robert S.E. 1990. JBS. o foco fica no cenário brasileiro. & LEDLEY R. Journal of the American Medical Informatics Association. São Paulo. MD. E. Epub. Greenwood Press. Morris F.. Um novo paradigma de aprendizado na prática médica da UNIFESP/EPM.S.. 2006. 1950 to 1990. Informática em Saúde https://is. Saiba mais. 2003. ASH J. antes.S.

Em última análise. A motivação novamente foi prática: como transmitir mensagens. a ciência é o resultado de um processo que tem várias contribuições e. nos parece algo trivial. perdendo-se a história do processo. George Boole. esses resultados são incorporados no nosso dia a dia. essa ideia tem suas raízes no papel do doutor Shannon. ele publicou sua obra-prima. Essa foi uma ideia chocante para uma geração de engenheiros que eram acostumados a pensar sobre a comunicação em termos de envio de formas de onda eletromagnética por um fio. vídeo. Nomes como Shannon. e que os dígitos binários poderiam ser usados para representar palavras. a internet. palavras. escreveu dois artigos que permanecem sendo monumentos nas áreas de Ciência da Computação e Teoria da Informação. Ele propôs que o conteúdo de informação de uma mensagem. música. baseada no controle e na comunicação. A tese A análise simbólica de relé de interrupção de circuitos foi. mas apenas com os números 1 e 0.br/ Informática em Saúde . até mesmo.números. Para analisar esse problema de forma adequada.uab. O doutor Shannon percebeu.Módulo Básico História da Informática em Saúde 3 Conteúdo Da Cibernética à Comunicação. tudo era apenas 1 e 0. motivada pela necessidade da indústria de telefone de encontrar uma linguagem matemática para descrever o comportamento. que reconhecia uma teoria comum a homens e máquinas. A lição primordial era que a natureza da mensagem não importava . muitas vezes. Os conhecimentos técnicos de base. Computação e Informação Comecemos pela revolução introduzida pela computação muito antes dos computadores. sons. dando origem à ciência chamada Teoria da Informação. em grande parte. Hoje.unifesp. Com isso. Contudo. Alguns operadores com determinadas propriedades chamaram seu sistema de As Leis do Pensamento. No entanto. Como se sabe. toda a revolução nas comunicações surgiu. A teoria matemática da comunicação. pode ser efetuada automaticamente com comutação de circuitos elétricos. matemático e cientista cujas teorias foram os pilares das redes eletrônicas de comunicação. No entanto. Inicialmente. quando gigabytes de trailers de filmes. o símbolo 0 seria um interruptor que foi desligado. que é utilizado para transmiti-la. O doutor Claude Elwood Shannon. poderiam ajudar a corrigir os erros em um canal de comunicação mais barulhento e chegar ilesos ao final. que a utilizou para representar um interruptor que foi ativado pelo símbolo 1. nossa atual ferramenta diária. O doutor Shannon foi quem viu que o dígito binário era elemento fundamental na comunicação. Nos anos https://is. Von Neumann e Alan Turing representam um conjunto de cientistas cujos resultados de suas pesquisas. estabelecendo uma ideia básica que existe até hoje em todos os equipamentos de computação construídos. a ideia parece quase elementar. e um deles é Shannon. os fundamentos da cultura da informática. músicas e e-mails trafegam através dos mesmos fios e de ondas eletromagnéticas. desde cedo. Em 1948. Hoje. ele mostrou como a lógica booleana. tornou-se fundamental uma definição precisa de “informação”. cada vez mais complexo. ideias. diminuindo a influência do ruído do canal de comunicação. o matemático britânico do século 19. as implicações foram muito mais amplas.1 e 0 -. as utilizações e a economia do computador nos levaram muito além da cibernética de Wiener. não tinha relação com o seu conteúdo. que publicou a primeira ocorrência da palavra “bit”. por meio da qual os problemas podem ser resolvidos com a manipulação de apenas dois símbolos . imagens – talvez. inventou essa álgebra lógica de dois símbolos. que um computador é muito mais do que uma máquina de somar. esse mundo digital tem muitos pais. um conceito assustadoramente novo. O doutor Shannon também mostrou que se os bits adicionais suficientes fossem acrescentados a uma mensagem. conduziram a uma revolução transformadora da sociedade. que é uma rede de computadores. Essa visão tem sido desenvolvida ao longo das décadas em códigos de correção de erros sofisticados para assegurar a integridade dos dados com os quais a sociedade interage. A ideia não foi perdida pelo doutor Shannon. anteriores à ciência da computação. de comutação de circuitos que substituíram os operadores humanos.

praticamente. suas ideias se espalharam para além das áreas de Engenharia de Comunicação e Ciência da Computação. sistemas. Isso é resultado da síntese direta de dois grandes trabalhos.Teste de Turing . passando pelos mainframes. e John von Neumann. Allan Turing criou a forma atual de um conceito do século 13 . Alan Turing. por chips. Em Biologia.utilizado em um tratado completo sobre Álgebra. inclusive a da saúde. Instigado pelos estudos de construção de uma máquina artificial. Informática em Saúde https://is. Desde então. e. por força estratégica da Segunda Guerra Mundial. Turing definiu algoritmo como o conjunto completo das regras que permite a resolução de um problema. ele tornou-se um modelo teórico para pensar sobre a replicação do DNA e sobre a sinalização hormonal em termos de informação. escrever ou apagar um símbolo. Os profissionais dessa nova área desenvolviam programas em códigos extremamente complexos e eram indivíduos altamente especializados. que lançou as bases teóricas de algoritmo. Trata-se de máquinas inteiramente automáticas. hoje. programas. isso evoluiu para os algoritmos em linguagem de máquinas. Von Neumann vislumbrou que as máquinas precisariam ser “universais” e propôs uma organização lógica dos diferentes elementos baseada fortemente no processamento binário de dados de Shannon e no recorte do funcionamento de uma máquina em conformidade com as regras da álgebra de Boole. Assim. obedecem ao mesmo princípio de base. havia uma pequena “Irmandade de Dados” – os únicos profissionais de processamento de dados capazes de fazer o cérebro gigante funcionar –. o processamento automático da informação. que partiu das limitações das máquinas elétricas de cálculos aritméticos de arquitetura específica para uma arquitetura geral de um novo tipo de máquina para processamento de informações de forma lógica. presente nos smartphones e smart TVs.br/ . pesava 30 toneladas e utilizava 18 mil válvulas. com a construção do ENIAC. que os computadores se tornaram acessíveis tanto aos laboratórios de pesquisas das universidades quanto às empresas. que dispõem de uma memória ampliada e de uma unidade de controle interno. na Teoria de Investimento. Matemática da Probabilidade e. No entanto. mesmo o atual multicore. as quais queimavam à velocidade de uma a cada sete minutos. Ele propôs uma máquina hipotética que consistia em uma fita de papel sem fim (memória infinita) e em um ponteiro que era capaz de ler. Essa máquina deveria ser capaz de resolver todos os problemas passíveis de serem formulados em termos de algoritmos. equivalente eletrônico ao cérebro humano. ficou aberto um caminho para a concepção de uma máquina que realiza.4 História da Informática em Saúde Módulo Básico posteriores.unifesp. um computador que ocupava uma área de 450m². criando raízes em Criptografia. a computação teve seu início real em 1946. de deslocar a fita para a direita ou para a esquerda.uab. que resultaram em dois grandes pilares: a unidade de comando interno e a representação dos problemas a serem processados sob a forma de algoritmos gravados. Foi apenas com a substituição das válvulas por transistores e. computadores pessoais (PCs). ”cujos sacerdotes gozavam das ‘bênçãos’ de um infomonopólio”. Seu objetivo era uma reflexão teórica sobre os fundamentos e limites da lógica. desde as nossas calculadoras programáveis. De lá para cá. as potencialidades de utilização dessas máquinas foram sempre amplamente acompanhadas e avaliadas por todas as áreas do conhecimento humano. de marcar uma das casas na fita de papel e parar. e baseado nos estudos do neurologista McCulloch publicados em 1943.o algoritmo . A máquina ainda conseguiu demonstrar alguns limites pela força da pesquisa algorítmica. de forma efetiva. a seguir. Turing também é referência devido ao teste que propôs . Segundo o escritor Alvin Toffler (1990). até mesmo. Outro fenômeno surpreendente é que. todos os computadores construídos desde o final da década de 40.na área de Inteligência Artificial. e que efetuam operações lógicas de cálculo e de processamento da informação graças a algoritmos gravados. com profundo conhecimento sobre a máquina. aplicativos e apps (aplicativos móveis).

No final da década de 40. No entanto. Durante a metade dos anos 60. em 1860. a saúde sempre foi fortemente organizada na informação. o evento da guerra foi um ponto de partida da importância da informação na saúde. de sua escola de enfermagem no Hospital Saint Thomas. Nightingale estava angustiada por suas experiências com os feridos e começou a analisar as taxas e as causas. em grande parte. a força área americana desenvolveu diversos projetos médicos nos seus computadores enquanto encorajava agências civis como a Academia Nacional de Ciências (National Academy of Sciences) e os Institutos Nacionais de Saúde (National Institutes of Health) a dar suporte a esse trabalho. Sua proposta foi a de adquirir um registro padronizado de dados. práticos e tecnológicos na década de 50 nos Estados Unidos. Ficou conhecida na história pelo apelido de “a dama da lamparina”. Foi a pioneira na utilização do Modelo Biomédico na enfermagem.br/ Informática em Saúde . como o gráfico setorial (habitualmente conhecido como gráfico do tipo “pizza”). que fizeram o primeiro grande esforço para que isso acontecesse. a primeira aplicação prática da computação relevante para a área da saúde foi o desenvolvimento de um sistema de processamento de dados baseado em dados codificados em cartões perfurados. No entanto. um artigo amplamente divulgado pela Science Magazine. Guiado pelas pesquisas de Ledley no final dos anos 50. adotado para solucionar problemas nas áreas de epidemiologia e saúde pública. perante a Comissão Sanitária. Em 1959. Nightingale também pediu a adoção de classificação de doenças de William Farr para a tabulação de morbidade hospitalar. o uso do computador na Biologia e na Medicina foi levado a cabo principalmente pela Academia Nacional de Ciências e pelo Conselho Nacional de Pesquisa. introduzindo técnicas do trabalho com computador para profissionais médicos. https://is. Ele também mostrou que a taxa de mortalidade foi maior no primeiro ano da guerra e. em Londres. investiu-se no desenvolvimento de sistemas especialistas (expert systems) ou sistemas em expertise. devido ao fato de servir-se desse instrumento para ajudar na iluminação ao auxiliar os feridos durante a noite. pelos Institutos Nacionais de Saúde (National Institutes of Health) dos Estados Unidos. a primeira escola secular de enfermagem do mundo. os cartões perfurados também começaram a ser utilizados como técnicas de armazenamento de sequências de instruções – ou programas. Com esses avanços teóricos. Na metade desse mesmo período. logo a seguir. baseando-se na medicina praticada pelos médicos. o sistema foi.uab. teve início o uso de computadores eletrônicos digitais. o uso de computadores auxiliava na quantificação de movimentos humanos. inclusive na Medicina e em projetos odontológicos promovidos por Robert Ledley no Escritório Nacional de Padrões (National Bureau of Standards). Começou a utilizar métodos de representação visual de informações. patrocinados. agora parte do King’s College de Londres. conseguiu melhorar a higiene nos acampamentos e hospitais. A técnica dos cartões perfurados foi amadurecida e amplamente utilizada nas décadas de 20 e 30.unifesp. algo cientificamente precursor para medir desvios do considerado padrão no design de próteses. como o MYCIN e o Internist-I. que incorporou o computador especialmente no que tangia às atividades de pesquisa.Módulo Básico História da Informática em Saúde 5 Computação na Saúde Mesmo antes da computação. Nessa época. Nightingale percebeu que as estatísticas precisavam ser padronizadas e levariam a melhorias na prática médica e cirúrgica. enfermeira britânica que ficou famosa por ser a pioneira no tratamento de feridos de guerra durante a Guerra da Crimeia. Nightingale lançou as bases da enfermagem profissional com a criação. Inicialmente utilizado para a realização do censo dos Estados Unidos daquele ano. Desde Florence Nightingale (1820-1910). iniciada em 1853. Esse artigo continuou influente por décadas. Ledley e Lusted publicaram Fundamentos Racionais do Diagnóstico Médico. criado inicialmente por William Playfair. contribuindo especialmente no campo de tomadas de decisões médicas. O gráfico mostrou que a maioria dos soldados britânicos morreu por motivo de doença em vez de por feridas ou por outras causas. criado por Herman Hollerith em 1890.

A Kaiser Permanente é um grande plano de saúde. relatórios de laboratórios e resumos de prescrições. Dentre essas contribuições. Durante os anos 70 e 80.unifesp. que inicialmente foi chamado de Massachusetts General Hospital Utility Multi-Programming System. médico que trabalhava para a divisão de pesquisa da Kaiser Permanente. Kaiser Permanente. Nesse mesmo período. outro centro de computação biomédica que recebeu o importante apoio dos Institutos Nacionais de Saúde. Na mesma época. MUMPS. o ' (Colégio Americano de Informática Médica) premia com um troféu em nome de Morris Collen aqueles que contribuíram significativamente no campo da informática médica. Universidade de Stanford. etc. Os médicos Neil Papalardo. O departamento que cuida de assuntos de veteranos de guerra nos Estados Unidos (U. Morris Collen. tendo sido financiado pelos National Institutes of Health e pelo American Hospital.br/ . apenas uma pequena parcela de profissionais da área de saúde utiliza sistemas de prontuário eletrônico. os quais discorrem sobre assuntos ligados à Medicina. é uma linguagem de programação de uso geral. e mais tarde. projetos similares começaram a ser desenvolvidos em outros hospitais americanos: Latter Day Saints Hospital (LDS) em Salt Lake City. é a versão computadorizada desse sistema.uab. Nos Estados Unidos. o MUMPS era a linguagem de programação mais utilizada para aplicações médicas. Embora exista grande oferta desses produtos nos dias atuais. Em 1965. Department ofVeterans Affairs – VA) tem o maior sistema de Informática em Saúde.S. A partir de 2004. passou a desenvolver o MEDLINE e o MEDLARS. Desde 1993. Enfermagem. um número crescente de empresas começou a comercializar sistemas de prontuário eletrônico e práticas de gerenciamento. O próprio nome do programa deriva dos antibióticos que possuem o sufixo “-mycin”. destacam-se programas de admissão e alta. Durante os anos 70. diversos aplicativos começaram a ser desenvolvidos no MGH por Octo Barnett – um dos profissionais que mais contribuições fez para a área de Informática em Saúde – e seus associados. Odontologia. O MEDLARS é um sistema de análise e recuperação da literatura médica. a Biblioteca Nacional de Medicina. um grupo médico dos Estados Unidos. apesar da tendência – a dos sistemas voltados para o apoio à decisão médica –. Em função desse projeto. um descendente desse sistema vem sendo usado no sistema de hospitais dos veteranos de guerra dos Estados Unidos. Farmácia. desenvolveu um sistema computadorizado para automatizar aspectos dos checkups na área da saúde. que inclui o prontuário eletrônico médico conhecido como VistA (Veterans Health Information Systems and Technology Architecture) ou Arquitetura Tecnológica do Sistema de Informação em Saúde dos Veteranos. alguns pesquisadores começavam a se preocupar com a computação para a informação hospitalar como um todo.6 História da Informática em Saúde Módulo Básico O MYCIN era um sistema de expertise que usava inteligência artificial para identificar infecções severas causadas por bactérias e para recomendar o uso de antibióticos com dosagem ajustada para o peso corporal do paciente. maior biblioteca em medicina do mundo. Multi-User Multi-Programming System ou Sistema Multiprogramável Multiusuário. Veterinária e ao Cuidado em Saúde. o primeiro projeto de informatização hospitalar (Hospital Computer Project) foi realizado em 1962 a partir de um contrato firmado entre o Massachusetts General Hospital (MGH) e uma empresa de Cambridge denominada Bold Beranek and Newman (BBN Technologies). O MEDLINE é um banco de dados bibliográficos de ciências naturais e informação biomédica que contempla informações bibliográficas de artigos e jornais acadêmicos. Informática em Saúde https://is. Esse sistema se tornou o alicerce para a grande base de dados médicos que a Kaiser Permanente desenvolveu durante os anos 70 e 80. Também durante os anos 60. Curtis Marble e Robert Greene desenvolveram o MUMPS no Laboratório de Ciência Computacional do Hospital Geral de Massachusetts (MGM – Laboratory of Computer Science at the Massachusetts General Hospital) em Boston.

como a ultrassonografia. os precursores da área foram Wagner em Heidelberg e Reichertz em Hannover (Alemanha). como videolaparoscopia e analisadores automáticos de eletrocardiogramas. globais e regionais. o que fez com que múltiplos eventos acabassem por cristalizar uma área na Cibernética nos https://is. Com eles. Informática e Informática em Saúde A caracterização do termo “informática” decorre dos anos 60. Mas a partir de 1948. e programas cada vez mais fáceis de usar. sem que seus fundadores possam ser reconhecidos como ciberneticistas. O professor Peter Reichertz foi um dos primeiros a escrever na década de 70 sobre a importância da informática médica tanto na pesquisa quanto na melhora do currículo médico. e.unifesp. alteraram sensivelmente o processo de diagnóstico médico.Módulo Básico História da Informática em Saúde 7 Na Europa. a informática ajuda na coleta. e os critérios para garantir segurança e privacidade da informação. oferecem informações vitais que auxiliam o médico quer no tratamento eficaz do paciente quer no apoio à pesquisa. Evidentemente. Grémy em Paris (França). As técnicas não invasivas de produção de imagem.uab. que. Com o surgimento do microcomputador na década de 70. recursos humanos e em modelos de organização para tornar a e-Saúde parte do cotidiano da Saúde. sistemas. a tomografia e a ressonância magnética. a medicina nuclear. fluxos sanguíneos e gasosos. Novos equipamentos de monitorização de pacientes. que encorajam os países também a adotarem arquiteturas. Por outro lado. aventurando-se também pelos fenômenos de tomada de decisão.br/ Informática em Saúde . a “cibernética”. a informática passa a reconhecer o emprego dos computadores. e da assistência individual à saúde coletiva. surgiram também as linguagens de alto nível – bastante próximas da linguagem coloquial. surge como uma forma de congregar questões que se encontravam entre diversos campos de saberes. dessa forma. se encontram os modelos de representação da informação de saúde. países vêm investindo sistematicamente em infraestrutura. Na prática médica. palavra do grego antigo que serve para designar o piloto. reinterpretada como meio de governar. novas questões em torno dos computadores continuavam crescendo e se especializando em um novo campo de saber. de avisos sobre interações de drogas. entre outros. a informática sofreu um notável processo de democratização e de popularização. contribuíram para a grande explosão de mercado da indústria da computação. É impossível pensar em interoperabilidade de sistemas sem pensar em normas para a Informática em Saúde que a viabilizem. e focada principalmente nos processos de comunicação. e Peterson em Estocolmo (Suécia). Em todo o mundo. da Austrália. O impacto dessa nova tecnologia na prática da Medicina é surpreendente. e. nos anos 40. os mecanismos para troca de mensagens e objetos. Mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) explicita a necessidade de esforços nacionais em resoluções muito recentes. simplesmente. da informação e do controle. Antes. padrões e mecanismos de interoperabilidade entre sistemas para a Saúde. Entre essas normas. no registro e na análise de dados. as terminologias e serviços associados. Esse é o caso dos Estados Unidos. Além disso. da microscópica à macroscópica. Anderson em Londres (Inglaterra). de alertas sobre tratamentos duvidosos e desvios dos protocolos clínicos. provocaram mudança radical no perfil dos usuários de computador. pois muitos pertenciam a outras disciplinas que não desejavam abandonar. do Canadá e do Reino Unido. associadas a poderosos sistemas operacionais. diz respeito a todas as áreas da Medicina. serviços. gera conhecimento sobre o conhecimento. e-Saúde. Os sistemas de informação em saúde podem monitorar o processo de assistência à saúde e aumentar a qualidade da assistência ao paciente por auxiliar no processo de diagnóstico ou na prescrição da terapia por permitir a inclusão de lembretes clínicos para o acompanhamento da assistência. máquinas menores e mais baratas. a OMS e a ITU (International Telecommunication Union) oferecem ferramentas para auxiliar países a desenvolverem suas estratégias para o uso de Informática em Saúde ou.

em sua tese de Livre-Docência. Informática em Saúde https://is. em 1962. afirma que.unifesp. Informatik na Alemanha e Informatique na França. constituindo as faces de uma mesma moeda. Cada uma delas conserva a sua especificidade epistêmica e funcional.uab. telefonia. tanto a Informática em Saúde quanto a Telemedicina foram reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde na forma de Tecnologias de Comunicação e Informação em Saúde. Minicomputadores. radiofonia. os PCs se tornaram um meio poderoso para o desenvolvimento da Telemedicina. Mais recentemente. nas sociedades contemporâneas. mais precisamente. para representar a tradição milenar do automatismo (regulação e controle focados pela cibernética) sobre a informação. Assim. pode ser definida como “a aplicação das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) para facilitar a criação e o uso de dados. principalmente a partir dos anos 90. a Saúde sempre tentou utilizar os avanços tecnológicos das comunicações para permitir uma ação de saúde a distância por meio de cartas. Antes. Professor Titular em Informática em Saúde na Unifesp e um dos pioneiros no Brasil. Cenário Nacional As primeiras aplicações de informática em Medicina e no tratamento de saúde no Brasil começaram por volta de 1968 com a instalação dos primeiros computadores de grande porte (mainframes) nos hospitais e universidades públicas e com o uso de calculadoras programáveis em aplicações de pesquisas científicas. Em troca. a situação dessa especialidade era bastante diversa do que ocorria na quase totalidade dos países do hemisfério norte e da Europa. também designada de Tecnologia da Informação em Saúde. telegrafia. essenciais para a solução do problema de acesso à saúde de qualidade e à educação para a saúde. circuitos de TV e enlaces de satélite. O termo “informática” foi criado. como o senso hospitalar na Escola de Medicina de Ribeirão Preto e os arquivos principais dos pacientes (patient máster files) no Hospital das Clínicas na Universidade de São Paulo. Nos anos 2000. Um dos principais propulsores foi a monitorização remota dos astronautas e cosmonautas nos anos 60 e 70. e atribui a e-Saúde ou saúde eletrônica um papel de contribuir para uma forma de consumo de saúde e bem-estar. No entanto. nos anos 90. por meio da fusão de dois outros: informação e automático. A Informática em Saúde. de informação e de conhecimento de saúde para suportar e viabilizar todos os aspectos do sistema de saúde” [ISO TC-215]. foram instalados em diversas universidades e as primeiras aplicações foram desenvolvidas a partir deles. a OMS tem se referido ao termo e-Saúde (e-Health) da mesma forma que outras áreas de conhecimento reconhecem nas TIC uma transformação cultural e econômica – a chamada economia do conhecimento -. Essa convergência entre o computador e um meio de comunicação digital padronizado permitiu um modelo de serviço de muitos para muitos. por Philippe Dreyfus. sempre utilizando o mesmo meio mediado por computador. a área de Telemedicina. entende-se que não é possível discutir “informação” de forma desarticulada do debate das tecnologias que lhe dão suporte. Por outro lado. mais precisamente a Informática. tem uma influência nessa perspectiva histórica. tanto no alcance como na modalidade de mídias. ou seja. onde a informática médica implicava hardware e software avançados e abundância de recursos para o desenvolvimento e a manutenção de sistemas que utilizavam tecnologia de ponta. respectivamente nas cidades de Ribeirão Preto e São Paulo.8 História da Informática em Saúde Módulo Básico termos Computer Science (Ciência da Computação) nos países anglo-saxões. a Informática acabou por representar muito mais para o desenvolvimento da automação que todos os domínios que a precederam. que também utiliza recursos tecnológicos para desenvolver ações de saúde a distância. mas considerando o autômato programável para calcular e processar a informação. com o aparecimento dos computadores pessoais e da internet. Daniel Sigulem. mas sempre caracterizados por um serviço ponto a ponto. como o IBM1130.br/ . no Brasil.

O I Congresso Brasileiro de Informática em Saúde ocorreu. ao incentivo e ao apoio da chefia dessa Disciplina. esse professor criou o Serviço de Informática. 1989). Começamos com vantagens em relação a diversos precursores da informática médica do mundo. muito pouco foi implementado. participamos do Fifth Congress on Medical Informatics. no monitoramento do paciente e em outras aplicações. acompanhada e desenvolvida por grupos isolados em todo o país.br/ Informática em Saúde . na pequena “sala de informática” instalada na Disciplina de Nefrologia do Departamento de Medicina da Escola Paulista de Medicina. sendo utilizados mais intensamente nas unidades de tratamento intensivo. Ciente das necessidades de coleta padronizada da informação e de seu adequado armazenamento. Acreditávamos firmemente que a informática médica ocuparia um lugar cada vez mais importante dentro das instituições de saúde. Nessa https://is. criada devido à sensibilidade. o Professor Doutor Silvio Borges. entre outras. tem como tarefas o gerenciamento das informações administrativas da instituição e também o das informações do seu Hospital Universitário – o Hospital São Paulo (HSP). em nossa opinião revolucionária na época. No Brasil. No começo dos anos 80. a informática começou a ser implantada em 1976 graças à visão.uab. do Tenth Annual Symposium on Computer Applications in Medical Care (SCAMC) e do workshop International Collaboration on the Application of Medical Informatics em Washington. Durante os anos 70. Tanto a Universidade de São Paulo quanto a Universidade Federal de São Paulo oferecem programas de graduação altamente qualificados na área assim como programas de extensão de graduação (mestrado e doutorado). hoje Departamento de Processamento de Dados. já na era da microinformática. vários minicomputadores foram instalados nos hospitais públicos e nos das forças armadas. tivemos duas universidades pioneiras no ensino e na pesquisa de informática médica. depois. Diversos protocolos de coleta sistematizada de informações foram idealizados pelo professor Silvio e são referidos até hoje por sua engenhosidade e adequação e por revelarem uma visão de futuro extremamente precisa. O professor vivia em uma época muito além da sua – não havia nem máquinas. de um de seus médicos. O CPD da EPM. Destacam-se. que mais tarde se transformou no Centro de Processamento de Dados (CPD) da Escola Paulista de Medicina. Tínhamos um sonho viável. e o Jornal de Informática em Saúde brasileiro foi publicado. e para concretizá-lo necessitávamos conhecer os fundamentos teóricos da área e acompanhar o que estava sendo desenvolvido em centros de excelência.Módulo Básico História da Informática em Saúde 9 Apesar das restrições impostas inicialmente pelo estabelecimento de uma comissão para a Coordenação de Atividades na Área da Eletrônica (CAPRE) em 1972 e. com a chegada dos microcomputadores com valores mais baratos. porém ambicioso. da Universidade de São Paulo.unifesp. Durante 15 dias de intensa convivência e de discussões. em 1985. pela Lei Nacional de Informática institucionalizada em novembro de 1984 (BOTELHO. no diagnóstico cardiológico. da Escola Paulista de Medicina e da própria máquina do governo federal. A Informática em Saúde começou a ser concebida. No entanto. bem como. Em 1986. nem aplicativos. da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP –. a Sociedade Brasileira de Informática em Saúde foi fundada. Sigulem descreve um pouco da história do início da Informática em Saúde na Unifesp: “Na Escola Paulista de Medicina. as iniciativas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. ocorreu um grande surgimento de aplicações em saúde para computadores. e nem recursos humanos adequados para permitir que suas ideias fossem colocadas em prática. a área de informática aplicada à saúde era estudada. hoje Universidade Federal de São Paulo. A primeira oportunidade de conhecer o ‘estado da arte’ ocorreu em 1986 quando a Organização Pan-americana de Saúde patrocinou uma viagem de estudos de um grupo de jovens administradores da América Latina.

integrando os departamentos acadêmicos da Unifesp. prevenção e recuperação da saúde da população quanto nos aspectos de produção de equipamentos.br/ Informática em Saúde . os grupos de pesquisadores mapeados. Ainda nessa viagem. Em fevereiro de 1988. Não temos hoje a menor dúvida de que essa viagem nos marcou profundamente e definiu o rumo de nossas pesquisas. composta por dezenas de representantes do setor de saúde do país. durante esse seminário. nessa ocasião. programas e serviços necessários a essa aplicação (MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA. dos governos federal. Essa visita causou um grande impacto em todo o grupo devido a sua incrível infraestrutura de informática composta. Vimos alguns resultados e muitos projetos em desenvolvimento. Tivemos ainda. o CIS passou a se chamar DIS .CONSELHO NACIONAL DE INFORMÁTICA E AUTOMAÇÃO. de hospitais. Conscientes da imensa distância existente na área entre a situação brasileira e a dos países desenvolvidos. O CIS foi responsável. CONIN .SECRETÁRIA ESPECIAL DE INFORMÁTICA . mas.unifesp. investigaram e desenvolveram diversos sistemas e aplicativos orientados ao gerenciamento da informação em saúde e à educação a distância.deixava de ser um ideal de poucos e passava a ser uma necessidade institucional e um compromisso com a sociedade. Várias necessidades estão evidenciadas nesse documento (APÊNDICE A): a de formar profissionais especializados na área e a de equipar os centros de pesquisa já existentes. contudo era difícil absorver as dificuldades não só porque não as conhecíamos. estaduais e municipais.uab.Departamento de Informática em Saúde -. bem como a de dar suporte a grupos emergentes. Além disso. em seus primeiros dez anos de existência. bem como pela implantação da infraestrutura física de comunicação da rede de TI da Unifesp. Em 2002. com o apoio da então Diretoria da Escola Paulista de Medicina e com a predisposição dos órgãos governamentais e de fomento de dar suporte aos centros de pesquisa de Informática em Saúde. A partir de 1999. o DIS recebeu aprovação da Capes para os cursos de https://is.200 microcomputadores e quatro mainframes IBM 3090.10 História da Informática em Saúde Módulo Básico visita. pela disseminação da cultura da Informática em Saúde da Unifesp. a Secretaria Especial de Informática (SEI) do Ministério da Ciência e Tecnologia – através da Comissão Especial de Informática em Saúde. entre outras. 1990): ‘você pode imaginar que no passado havia bibliotecas onde os livros não conversavam uns com os outros?’. sobretudo. A NLM já era informatizada e possuía centenas de microcomputadores à disposição do público.1988). começaram a movimentar-se e a mostrar ao país que era preciso preocupar-se com a Informática em Saúde. conhecemos alguns institutos de pesquisa em Informática em Saúde como a National Library of Medicine – NLM – sediada no National Institutes of Health. Participamos de discussões em um ambiente onde a Informática Médica já estava consolidada há mais de 15 anos e com profissionais experientes na área. o Centro de Informática em Saúde da Escola Paulista de Medicina – CIS-EPM . Nesse período também foi criada a disciplina de Informática em Saúde para os cursos de graduação da universidade.”. porque experiência não se aprende – adquire-se. citada na abertura do SCAMC pelo Professor Edward A. agregados e estimulados pelo Doutor Reginaldo de Holanda Albuquerque. por 2. visando à orientação do uso da informática tanto nos aspectos da aplicação da tecnologia para a solução dos problemas relativos à promoção. conhecemos o projeto pioneiro da Lister Hill National Center for Biomedical Communications que desenvolvia a metodologia para gravar o acervo do Medline em CD-ROM. Feigenbaum (FEIGENBAUM. superintendente da área de Ciências da Vida do Conselho Nacional de Desenvolvimento Tecnológico – CNPq –. centros de pesquisa e associações profissionais – apresentou a Proposta de Plano Setorial de Informática em Saúde. contato com a área da Inteligência Artificial e nos emocionamos com a frase do Professor Marvin Minsky referindo-se a uma biblioteca do ano 2020. universidades. SEI . Em 1986. Em março de 1988 o CIS-EPM foi oficialmente inaugurado.

ainda há muito a ser desenvolvido. que tem como propósito promover a disponibilidade adequada e oportuna de dados básicos. esforços em longo prazo. considerando que a saúde é um direito universal. o que inclui as opções em torno das tecnologias de informação adotadas e. O Brasil tem larga experiência no uso de Sistemas de Informação em Saúde. É responsável por articular com as entidades representativas dos segmentos técnicos e científicos nacionais envolvidos na produção. A análise da construção histórica da informação e da Informática em Saúde evidencia disputas ao longo desse processo. tendo como base a melhoria do acesso e da qualidade no SUS.br/ Informática em Saúde . análise e disseminação de dados. Em 2012.uab. São necessários. pesquisas em torno das condições de saúde-doença-cuidado de indivíduos. viabilizando parcerias capazes de propiciar informações úteis ao conhecimento e à compreensão da realidade sanitária brasileira e de suas tendências. até a pressão do mercado da computação e das telecomunicações.unifesp. de populações e de seus determinantes. em média. a área da Informática em Saúde é um serviço para a sociedade. desenvolvidas. cumprindo a Lei de Acesso à Informação – Lei 12. Informações e Informática em Saúde produzidas. indicadores e análises sobre as condições de saúde e suas tendências.a primeira pós-graduação stricto sensu em Informática em Saúde na América Latina e Caribe. No Brasil. Nessas disputas a informação em saúde é trabalhada como recurso/instrumento (matéria-prima) que agrega valor a produtos e processo. econômico e científico em que são gerados e desenvolvidos pelas articulações federativas. um insumo fundamental para os processos dos sistemas de saúde. visando aperfeiçoar a capacidade de formulação. O Brasil se encontra entre os 10 países que mais uso fazem de transações eletrônicas [Folha. cerca de sete anos depois de iniciados os programas nacionais de e-Saúde. o sistema de votação eletrônica e o sistema de declaração de ajuste de renda por meio da internet são exemplos de sistemas críticos que atendem ambientes complexos. a transparência e a segurança das https://is. 2013]. os diferentes esforços para uma Política Nacional de Informação e Informática em Saúde são exemplos de algumas referências a serem levadas em conta por suscitarem velhas questões ainda não resolvidas e questões novas.e a democratização da informação em saúde como direito de todos e como um dos alicerces da cidadania. Recentemente têm sido desenvolvidos esforços significativos para melhorar e adequar os sistemas de informação às três esferas de governo. político. como também a Tecnologia da Informação tem mudado a forma de se oferecer serviços de saúde. que requerem respostas novas para a melhoria da informação e da Informática em Saúde no Brasil. Observam-se as diferentes concepções de saúde e de política de saúde. social. Em 1996 foi criada a RIPSA (Rede Interagencial de Informação para a Saúde – Ministério da Saúde e OPAS). A saúde depende de conhecimento e de tecnologia para ampliar o alcance e a qualidade dos seus serviços. Entretanto. na área da saúde. depois do Ministério da Saúde (MS) redefinir o Comitê de Informação e Informática em Saúde (CIINFO) em 2011. O Brasil utiliza sistemas de informação de reconhecida qualidade: o sistema bancário.527/2011 .Módulo Básico História da Informática em Saúde 11 mestrado e doutorado . no mínimo. para a justiça social e o exercício para garantir atenção integral à saúde com qualidade equanimemente distribuída. foi elaborada uma nova versão da Política Nacional de Informação e Informática em Saúde (PNIIS) cujo texto atual apresenta princípios e diretrizes. A história brasileira da Informática em Saúde. já que a experiência internacional aponta que os resultados do investimento em e-Saúde começam a surgir. os estudos sobre as experiências de implantação dos sistemas de informações de saúde de base nacional. geridas e disseminadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) constituem um bem público e um patrimônio da sociedade brasileira que são determinados pelo contexto histórico. entretanto. eventualmente. gestão e avaliação de políticas e ações públicas pertinentes. as diversas iniciativas do Cartão Nacional de Saúde desde 1999.

12 História da Informática em Saúde Módulo Básico informações. Adaptando a definição de Shortliffe (1990) da Informática Biomédica para a Informática em Saúde. Por outro lado. considera o termo “pesquisa” como a busca sistemática de respostas a indagações científicas e soluções tecnológicas às necessidades da vida diária. na Ásia e nos Estados Unidos. A Sociedade Brasileira de Informática em Saúde – SBIS . o desenvolvimento institucional do SUS. Nessas regiões. telediagnóstico. Considera que as expressões “informática médica” e “informática em saúde” têm sido usadas como sinônimos. pela pesquisa científica. a Nutrição. as TIC em saúde avançaram muito também desde 2006 quando foram lançados dois projetos nacionais de Telessaúde.uab. Aponta que as atividades relativas à saúde abrangem não só a Medicina. de dados e do conhecimento para o apoio à tomada de decisões visando à solução rápida de problemas”. O Telessaúde Brasil Redes é o programa do Ministério da Saúde para apoiar a consolidação das Redes de Atenção à Saúde (RAS). É uma área que fica entre a arte e o conhecimento estruturado. Ambos os projetos ampliaram a disseminação do conceito de tecnologia de informação e comunicação na saúde por meio dos núcleos e das unidades de telessaúde. na França e em países Informática em Saúde https://is. ao contrário do que se faz na Europa. Entende o termo “tecnologia” como o desenvolvimento e análise de novos materiais. por fim. recuperação e uso otimizado da informação biomédica. Jaques Wainer. entendendo o termo “ciência” como a atividade restrita à pesquisa de novos conhecimentos e ampliação do entendimento daqueles já existentes. integrando-se ao conceito de Governo Eletrônico. mas também a Enfermagem. Nele a interoperabilidade dos sistemas de informação em saúde é condição central nessa política. e. em seu artigo “O que é informática em saúde?”.resolveu utilizar o termo mais amplo “saúde” em vez de “médica”. temos a área da Informática em Saúde como “o campo científico que trata do armazenamento. A expressão “Informática Médica” tem sua origem entre 1968 e 1970 na Rússia. equipamentos e métodos de execução de determinadas tarefas. De modo restrito. visa contribuir com a melhoria de acesso e com o aprimoramento da infraestrutura para a Telemedicina já existente em hospitais universitários e de ensino. a saber: a Rede Universitária de Telemedicina (RUTE) e o Telessaúde Brasil Redes. Epistemologia da Informática em Saúde Informática em Saúde integra a Tecnologia da Informação e as diferentes áreas da saúde com o propósito de investigar a estrutura e as propriedades da informação médica. discute o assunto e apresenta algumas considerações sobre a estruturação da pesquisa na área. uma iniciativa do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) apoiada pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e pela Associação Brasileira de Hospitais Universitários (Abrahue). em grande parte.br/ . pontos de serviços de saúde a partir dos quais os trabalhadores e profissionais do SUS demandam telessaúde. bem como promover a integração de projetos entre as instituições participantes. a PNIIS visa ainda a uma melhor governança no uso da informação em saúde e dos recursos de informática. o suporte da informação para tomada de decisão por parte do gestor e profissional de saúde. o adjetivo “medical” é utilizado em sentido tão amplo quanto o termo “saúde” que adotamos. segunda opinião formativa e tele-educação. Pesquisas podem ainda ser classificadas como teóricas ou experimentais em função do objeto de estudo e método utilizado. termo utilizado no Brasil. O sucesso foi tão grande que o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) de 2010 incluiu a cobertura total de todos os estabelecimentos de saúde nos seus objetivos de conectividade pelo país para a economia do conhecimento da sociedade brasileira. sendo assim. A Rede Universitária de Telemedicina (RUTE). a Veterinária e a Odontologia. que são ordenadas pela Atenção Básica do SUS por meio de teleconsultoria. sob a coordenação da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP).unifesp.

História da informática.uab. De um modo simplificado. • RIPSA: http://www.. pelo menos.br/ • Telessaúde Brasil: http://www.unifesp. 12(3):553–65. como Ciência da Computação aplicada à Medicina ou Ciência da Informação Médica.. Unesp. Informação e informática em saúde: caleidoscópio contemporâneo da saúde.pdf • RUTE: http://rute.telessaudebrasil. • Pesquisa semiempírica. 1991. a uma interface entre disciplinas. MNG. São Paulo. IHS & GÓMEZ. ‚‚Estudos de implantação e utilização de sistemas no processo da saúde. têm suas próprias práticas científicas. as quais. 2007.org. ‚‚Sistema com um componente computacional central. Philippe. Revista Ciência & Saúde Coletiva. • MORAES. Ed.ripsa.br/ https://is. inicialmente.Módulo Básico História da Informática em Saúde 13 de língua inglesa ao se referir. • Meta-análises e reanálises. são áreas correlatas à IS. • BRETON. embora próximas. mas não é preciso prová-lo. ‚‚Sistema de elaboração não trivial. ‚‚Sistema deve ser potencialmente útil para a saúde.gov. Wainer ainda apresenta uma classificação de pesquisa em IS: • Pesquisa empírica.br/ Informática em Saúde . podemos dizer que: “Informática em Saúde é o estudo e o uso de computadores e sistemas de comunicação e informação na assistência médica. em particular às áreas de Engenharia Biomédica. no ensino e em pesquisa na área da saúde.br/portal/arquivos/pdf/pniis. Bioinformática e Modelagem Computacional de Fenômenos Biológicos/Cognitivos. Além disso. Saiba mais.rnp. incomum na saúde.br • PNIIS: http://portal.org. • Criação de um sistema computacional ‚‚Sistema inovador ou.saude.

resultantes dessa história da Informática na Saúde. desde que pautados numa visão crítica da realidade. ainda muito mais acelerada pela própria utilização da tecnologia..uab. Os próximos módulos irão apresentar alguns alicerces fundamentais da área. que revela uma projeção de muitos pequenos fatos que contribuíram para o cenário atual da Informática em Saúde. Quais outros fatos ou versões históricas contribuem com a perspectiva atual da tecnologia da informação e comunicação de forma geral para a economia do conhecimento e.14 História da Informática em Saúde Módulo Básico Considerações Finais Apresentamos aqui uma versão da história da Informática em Saúde. com conhecimentos específicos em fases diferentes de maturidade e desempenho. a Informática em Saúde é uma área de conhecimento multidisciplinar em construção.br/ . Muitos outros fatos existem e outras inúmeras versões são possíveis. em particular. E a informática na saúde não é diferente disso.unifesp.. Por outro lado. para a saúde no contexto das TIC? Informática em Saúde https://is. Reflita a respeito. o que permite também espaço para a arte do fazer e a experimentação necessária para uma sociedade em constante transformação.

. 1990. Epub. Tese (Livre-Docência) do Centro de Informática em Saúde – CIS-EPM.F. 1997. Biomedical Computing: Digitizing Life in the United States. História da informática. 2003. & LEDLEY R. 12(3):553–65. Medical Informatics: Computer Applications in Health Care. Milestones in Computer Science and Information Technology. https://is.br/ Informática em Saúde . São Paulo. Revista Ciência & Saúde Coletiva. IHS & GÓMEZ. Journal of the American Medical Informatics Association. 2006. SHORTLIFFE. 1995. Bethesda. ASH J. SIGULEM. Ed. Informação e informática em saúde: caleidoscópio contemporâneo da saúde. Baltimore. Greenwood Press. Daniel.S. EDWIN. Addison Wesley. MNG. Unesp.uab.E.H. L. Johns Hopkins University Press. 161.Módulo Básico História da Informática em Saúde 15 Referências Bibliográficas BRETON. MORAES. COLLEN. NOVEMBER.unifesp. Um novo paradigma de aprendizado na prática médica da UNIFESP/ EPM. MD. Reilly.S. American Medical Informatics Association. SITTIG. Philippe. The story behind the development of the first whole-body computerized tomography scanner as told by Robert S. D. Ledley. 2012. & PERRAULT. E. Morris F. Joseph. 1950 to 1990. p. 1991. D. 2007. São Paulo. A History of Medical Informatics in the United States.

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