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Instituto de Ciência e Tecnologia Bacharelado em Ciência e Engenharia Unidade Curricular: Engenharia das Reações Químicas

Instituto de Ciência e Tecnologia Bacharelado em Ciência e Engenharia Unidade Curricular: Engenharia das Reações Químicas Profas. Giselle P. Sancinetti e Grazielle S. S.

Andrade

5ª Aula Prática DISTRIBUIÇÃO DO TEMPO DE RESIDÊNCIA EM REATORES QUÍMICOS Teste de traçador tipo pulso

1. INTRODUÇÃO 1.1. Características gerais

O projeto de reatores CSTR (Reator Tanque Contínuo com Agitação), PFR (Reator Tubular com Escoamento Empistonado) e PBR (Reator de Leito Fixo) é feito considerando o escoamento nos mesmos como sendo ideal, ou seja, há mistura perfeita no CSTR, o escoamento é empistonado e turbulento no PFR, e não há canais preferenciais no PBR. Estes três tipos de reatores, juntamente com o batelada, constituem os reatores ideais, ponto de partida para o projeto e análise de qualquer outra configuração de reator químico ou bioquímico. Em um reator ideal de escoamento uniforme, todos os átomos que saem do reator permaneceram dentro dele exatamente o mesmo tempo. Da mesma forma, em um reator batelada ideal, todos os átomos dos materiais dentro do reator estiveram dentro dele por um idêntico período de tempo. O tempo que os átomos permanecem no reator é chamado de tempo de residência dos átomos no reator.

Com exceção do reator batelada, em todos os outros tipos de reatores, os vários átomos da alimentação permanecem tempos diferentes dentro do reator; isto é, há uma distribuição dos tempos de residência (DTR) do material dentro do reator, o que pode afetar significativamente o seu desempenho. A DTR fornece indícios claros do tipo de mistura que ocorre dentro do reator e é uma das formas de caracterização mais informativas do reator.

Determinação da DTR

A

DTR

é

determinada

experimentalmente

injetando-se uma

substância química inerte, molécula ou átomo, chamada de traçador, no reator no tempo t = 0 e então, medindo-se a concentração do traçador (C)

no efluente do reator em função do tempo. Além de ser uma espécie não reativa e facilmente detectável, o traçador deve ter propriedades físicas semelhantes àquelas da mistura reagente e deve ser completamente solúvel nela. Materiais coloridos e radioativos são os dois tipos mais comuns de traçadores e os dois métodos de injeção mais utilizados são o de entrada tipo pulso e entrada tipo degrau.

Entrada tipo pulso

Para uma entrada tipo pulso, a quantidade de traçador N 0 é injetada de uma só vez na corrente de alimentação do reator, em um tempo tão curto quanto possível. A concentração na saída é então medida em função do tempo. A curva de concentração x tempo no efluente é chamada de curva C(t) na análise de DTR e E(t) é chamada de função de distribuição de tempo de residência. Sendo a vazão volumétrica constante, a função DTR, E(t), pode ser calculada por:

no efluente do reator em função do tempo. Além de ser uma espécie não reativa e

A integral no denominador é a área sob a curva C(t).

Tempo médio de Residência

O tempo médio de residência é dado por:

no efluente do reator em função do tempo. Além de ser uma espécie não reativa e

ou em dados discretos:

no efluente do reator em função do tempo. Além de ser uma espécie não reativa e

Se a densidade do fluido escoando no reator se mantiver constante

onde τ é o tempo espacial, V o volume útil do reator e Vo a vazão
onde
τ
é
o tempo espacial,
V
o
volume útil
do reator
e
Vo
a
vazão

volumétrica na entrada do reator.

2 - Materiais e Métodos:

  • 2.1 - Materiais utilizados:

    • - 1 reator de 5000 ml;

    • - 2 bombas peristálticas;

    • - 30 tubos de ensaio;

    • - 1 proveta de 50 mL;

    • - 1 cronômetro;

    • - balança semi-analítica;

    • - solução cristal de violeta 1x10 -4 M;

    • - espectrofotômetro.

      • 2.2 - Metodologia:

REALIZAÇÃO DO TESTE DE TRAÇADOR TIPO PULSO

  • 1. Ajustar a vazão de entrada e saída do reator, de modo a se obter estado estacionário (nível do tanque constante);

  • 2. Medir a vazão, recolhendo uma quantidade de líquido (aproximadamente 50 mL) em um tempo cronometrado. Efetuar essa medida em triplicata e obter o valor médio;

  • 3. Adicionar 50 mL da solução de cristal de violeta 1x10 -4 mol/L, de uma só vez, próximo ao local onde está a alimentação; Recolher no mesmo instante uma amostra na saída do tanque, que será o branco do experimento;

  • 1. Recolher amostras de 30 em 30 segundos, nos primeiros cinco minutos e depois de 1 em 1 minuto, até tempo máximo de 15 minutos;

  • 2. Medir novamente a vazão no final e considere a média aritmética da mesma (início e final);

  • 3. Ler a absorbância (546 nm) de cada amostra no espectrofotômetro;

  • 4. Medir as dimensões físicas do reator e o volume do líquido.

Amostr

 

Conc.

     

as

Abs.

(g/mL)

Tempo (s)

E(t)

t.E(t)

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

11

12

13

14

15

16

17

18

19

20

3. ROTEIRO PARA O RELATÓRIO Plotar um gráfico de concentração de traçador versus tempo;

Ajustar um polinômio que represente bem os dados de concentração de traçador versus tempo; Calcular a distribuição do tempo de residência E(t) e t.E(t).

Construir

os gráficos

de

E(t)

e

t.E(t)

em função

do tempo, ajustar um

polinômio para cada curva e determinar a integral numérica de cada curva; Calcular o tempo médio de resistência (e o tempo espacial) do sistema;

Comparar a curva E(t) obtida experimentalmente com a curva E(t) teórica de um CSTR; Analisar e discutir os resultados obtidos;

Mencionar

outros

traçadores

que

poderiam

ser

utilizados

nesse

experimento e outras formas de detectá-los.