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CCOOLLAABBOORRAADDOORREESS

02.12.2011

Pesquisa mostra que o Brasil é o Clube do Bolinha

MARIO GUERREIRO *

Se há coisa que os brasileiros desconhecem totalmente, esta é seu próprio

País. Massificados pela propaganda oficial esquerdista, vêem o Brasil como se

ele fosse um país-maravilha, quando os poucos bem informados sabem que é

uma grande calamidade.

Poucos são os brasileiros que, mesmo tendo curso superior, têm o hábito de ler

jornais e, mesmo assim, só recebem informações da grande mídia em que,

quando não publica matéria paga pelo governo, veicula artigos escritos por

bajuladores do poder.

As

boas

informações

veiculadas

raramente

trazem

artigos

de

caráter

comparativo, comparando dados sobre o Brasil com dados sobre outros

países.

E essa é uma das razões pelas quais, na falta de comparações, todas as

avaliações ficam bastante comprometidas.

Para todos os efeitos, o Brasil tornou-se um país fechado e isolado do mundo,

onde somente uma minoria que tem acesso à mídia e a livros estrangeiros é

capaz de se dar conta da nossa deplorável condição.

Estamos muito mal em educação, saúde, segurança pública, saneamento

básico,

distribuição

de

renda

per

capita,

infraestrutura

(rodovias,

portos,

aeroportos), etc., isto para não mencionar coisas tais como ética e qualidade

da representação política.

O governo se ufana de que o Brasil é o 8º PIB do mundo – e este dado não

está incorreto – mas não se envergonha de que em quase todos os itens de

avaliação do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), o Brasil está abaixo do

30º colocado no ranking.

o Brasil está abaixo do 30º colocado no ranking . Mapa-múndi indicando o Índice de Desenvolvimento

Mapa-múndi indicando o Índice de Desenvolvimento Humano (baseado em dados de 2011, publicados em 2 de novembro de

2011)

██ acima de 0,900

██ 0,650–0,699

██ 0,400–0,449

██ 0,850–0,899

██ 0,600–0,649

██ 0,350–0,399

██ 0,800–0,849

██ 0,550–0,599

██ 0,300–0,349

██ 0,750–0,799

██ 0,500–0,549

██ abaixo de 0,300

██ 0,700–0,749

██ 0,450–0,499

██ Sem dados

[fonte Wikipedia] 1

Em alguns desses itens, como a educação, por exemplo, estamos piores do

que países pobres da América do Sul. No índice de liberdade fornecido pela

Heritage Foundation 2 , estamos abaixo do 50º colocado e agora acabamos de

ser informados de um dado ainda pior.

e agora acabamos de ser informados de um dado ainda pior. De acordo com o Fórum

De acordo com o Fórum Econômico Mundial 3 , na avaliação

da igualdade entre os gêneros o Brasil ocupa o 82º lugar no

mundo,

conseguindo

não

ser

pior,

entre

países

da

América do Sul, do que o Suriname, a ex-Guiana Holandesa.

Que vergonha!

Foram avaliados 135 países. Apesar de ocupar essa posição vergonhosa, o

Brasil subiu 3 pontos em relação a 2010, ano em que se verificou o lugar mais

baixo ocupado pelo País desde que essa pesquisa começou a ser feita em

2006.

A pesquisa atribuiu em parte essa pequena melhora à eleição de Dilma

Rousseff e em parte a uma oscilação positiva da renda das mulheres em

relação à dos homens.

Quanto ao segundo item, não resta dúvida de que foi um pequeno avanço. Mas

quanto ao primeiro, revela grande desconhecimento da conjuntura política

brasileira.

Dilma foi eleita, assim como teria sido qualquer candidata ou candidato, desde

que fortemente apoiado(a) por Lula e alavancado(a) pela poderosa máquina do

governo. O fato de se tratar de uma mulher é, portanto, puramente acidental!

Como vaticinou Elio Gaspari no período eleitoral: “Lula é capaz de eleger até

um poste”. E como sabemos, elegeu de fato. E como também sabemos, poste

é assexuado

No tocante à participação das mulheres no mercado de trabalho foi verificado

que

ela

é

da

ordem de 65%, bem abaixo da dos homens (85%), mas a

presença feminina entre os legisladores, autoridades públicas do primeiro

escalão e posições de gerência cai para 36%.

Na participação na vida pública, principalmente ocupando cargos políticos, é o

item em que o Brasil mostrou seu pior desempenho: ocupa o 114º lugar no

ranking entre os 135 países avaliados.

Com a agravante de que apenas 21 países apresentaram desempenhos

piores, sendo a maioria dos mesmos países islâmicos em que vige a Shariah

(legislação baseada no Corão) em que se sabe que as mulheres experimentam

as maiores restrições na vida social. Não podem ser candidatas a cargos

eletivos nem sequer dirigir automóveis!

Apesar de ter melhorado o item da participação das mulheres no mercado de

trabalho, elas recebem vencimentos dois terços abaixo do dos homens, ainda

que ocupando as mesmas funções que eles.

No Congresso Nacional, a participação da mulher é de apenas 9%.

[E

acrescentamos

nós:

apesar

de

existir

uma

lei

federal

que

-

semelhantemente ao execrável sistema de cotas em algumas universidades

públicas – obriga aos partidos políticos a manterem uma “reserva de mercado

política” de 20% ou 30% para candidatos a candidatos do sexo feminino.

Como algumas outras, parece que tal lei não saiu do papel, mas, neste caso,

felizmente. Que faria um partido, se não aparecesse um número de candidatas

a candidatas com mínimas condições de disputar uma eleição e o partido não

conseguisse preencher a cota? Sairia pelas ruas pegando mulheres a laço?].

Diz a pesquisa que a representatividade política feminina é um dos maiores

problemas da América do

Sul

e

do Caribe. Neste item, essa região só

consegue se sair pior do que o Oriente Médio.

[Observamos nós: com a possível exceção de Israel: um país democrático em

que as mulheres gozam dos mesmos direitos e das mesmas oportunidades

que os homens, diferentemente dos países muçulmanos que o cercam].

Resta ao Brasil apenas um consolo: a condição social das mulheres é melhor

do que a do Suriname, a ex-colônia Guiana Holandesa, que ocupou o 104º

lugar no ranking dos países sul-americanos.

Países muito mais pobres e carentes do potencial de crescimento do Brasil

encontram-se

em

posições

melhores:

Colômbia

(80º lugar),

Peru

(73º),

Paraguai (67º) e o que é de pasmar: a Venezuela, ainda que sob a ditadura

obscurantista de Hugo Chávez, ocupa o 63º lugar!

E a Argentina, ainda que sob o governo autoritário de Cristina Kirchner -

perseguidora implacável da liberdade de expressão e sob a suspeita de

maquiar dados macroeconônicos – está no primeiro lugar no ranking (28%),

seguida pela Guiana Inglesa (38º), pelo Equador (45º) e pelo Chile (46º).

No topo da lista, como não é de surpreender, estão a Islândia e países

escandinavos: Noruega, Finlândia e Suécia.

Dizemos

isso

porque

esses

são

justamente

países

com

excelente

IDH,

particularmente

com

alto

nível

educacional.

A

Finlândia,

por

exemplo,

juntamente com a Coréia do Sul e o Japão, têm ocupado os primeiros lugares

no ranking das pesquisas sobre educação.

Ao passo que países como o Brasil e o Suriname não só são os piores da

América do Sul, em questão de igualdade entre os gêneros, como também

estão na rabada em matéria de educação.

Há uma correlação exigindo pesquisas mais aprofundadas: a correlação entre

igualdade de gêneros, qualidade da educação e grau de corrupção.

De acordo com uma pesquisa de 2004, piorou a percepção da corrupção no

Brasil nos primeiros anos do governo Lula, segundo relatório da Transparência

Internacional. 4

A nota do Brasil caiu de 3,9 para 3,7, em uma escala de 0 a 10. No entanto, os

recentes escândalos, incluindo o mensalão, influenciaram muito pouco, pois o

levantamento começou a ser fechado em junho, quando a crise estava apenas

começando.

O Brasil caiu da 59ª para 62ª posição, ficando atrás de países como Belize,

Colômbia, Tailândia, Trinidad e Tobago e Cuba. Dentre os países menos

corruptos do mundo estão, por ordem, Islândia (9,7), Finlândia (9,6), Nova

Zelândia (9,6), Dinamarca (9,5), Cingapura (9,4) e Suécia (9,2).

Embora desconheçamos pesquisas mais recentes sobre esse último item,

temos boas razões para acreditar que a corrupção cresceu muito nestes

últimos anos de governos do PT.

No governo Dilma, só está faltando cair o 7º ministro. É a herança maldita de

Lula.

Arriscamos a hipótese de que a posição do Brasil deve ocupar um lugar

bastante próximo daquele ocupado em relação à igualdade entre os gêneros e

em relação à educação.

É preciso acrescentar que essa importante pesquisa patrocinada pelo Fórum

Econômico Mundial foi coordenada pelos economistas Ricardo Hausmann

(Harvard),

Laura

Tyson

(Universidade

da

Califórnia

em

Berkeley),

a

especialista em questões de gênero Yasmina Belhouche e por sua diretora no

Fórum Saadia Zahidi.

Pensamos que os resultados obtidos confirmam o que dissemos no início deste

artigo sobre a desinformação generalizada do povo brasileiro. E é preciso

acrescentar que não nos referimos somente ao “povão”: incluímos também os

portadores de diploma universitário.

Mas o que nos deixa mais perplexos é o horripilante contraste entre o lugar

ocupado pelo PIB - o 8º do mundo e o 1º da América do Sul – e os lugares

ocupados pela igualdade entre os gêneros, educação, saúde, saneamento

básico, etc, entre outros itens que, juntamente com a segurança pública,

transportes, facilidade de locomoção, grau de corrupção, etc. fazem parte da

avaliação do IDH de um país.

etc. fazem parte da avaliação do IDH de um país. A ex-governadora do Estado do Rio

A ex-governadora do Estado do Rio de Janeiro, Rosinha

Garotinho, assaz preocupada com o grande número de

espancamentos de mulheres por seus maridos, namorados

e/ou amantes e também com frequentes assédios sexuais

sofridos pelas mulheres nos trens do Metrô, decidiu criar

um vagão especial somente para mulheres.

É o verdadeiro Clube da Luluzinha onde menino não entra nem a pau.

Acabaram as mãos bobas e as encostadinhas de elementos libidinosos, mas

se intensificaram os assédios praticados por lésbicas, fazendo com que os

carros das mulheres rodem quase vazios

Como sói ocorrer neste País, parece que o remédio foi pior do que a doença

* Doutor em Filosofia pela UFRJ. Professor Adjunto IV do Depto. de Filosofia da UFRJ. Membro Fundador da Sociedade Brasileira de Análise Filosófica. Membro Fundador da Sociedade de Economia Personalista. Membro do Instituto Liberal do Rio de Janeiro e da Sociedade de Estudos Filosóficos e Interdisciplinares da UniverCidade.

1 N.E.: Mapa acrescido pela Editoria

2 N.E. Vide http://www.heritage.org/index/

3 N.E.: Vide http://www.weforum.org/

4 N.E. Vide http://www.transparency.org/

As opiniões emitidas na Série CCOOLLAABBOORRAADDOORREESS são de responsabilidade exclusiva do signatário, não representando a opinião do Instituto Liberal.

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INSTITUTO LIBERAL www.institutoliberal.org.br