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Professor e educador vivem em mundos diferentes?

Eustaquio Lagoeiro Castelo Branco

Vivem, mas, não deviam. Ser professor é apenas uma função técnica, ser educador
vai além. A escola que trabalha voltada para o conteúdo, onde cada professor pensa que
sua obrigação maior é "dar o programa", precisa reestudar a sua função. Temos de nos
convencer de que a base do compromisso educacional é o "objetivo' e não a "matéria".
....pois não basta a escola ser um simples difusor de conhecimentos. Ensinar a ler, a contar,
a conhecer a geografia, a história, as ciências é sem dúvida tarefa meritória. Mas a vida moderna
exige da escola muito mais: ela tem de levar o aluno a pensar, a contextualizar, a analisar
comparativamente, a quebrar preconceitos, a buscar soluções gradativas para problemas que
afetam a sua comunidade.
Enfim a escola tem também a nobre função de formar cidadãos......(Renato Mesquita) e
para isto é necessário transformar o pessoal docente de instrutores em educadores. Mas essa
é uma proposta repetida inúmeras vezes, em cursos e palestras que eventualmente assistimos.
O importante é como conseguir isso.

A escola e o professor em particular têm uma responsabilidade extraordinária na formação do


adolescente, no aperfeiçoamento da pessoa como ser integral. Esse aperfeiçoamento deve embasar-
se numa filosofia de vida indispensável á formação do ser humano. É o homem
em condições de zelar pela sua dignidade individual perante a coletividade; é o
ser ajustado á família, á comunidade de vivência, ao trabalho, ás instituições, ao
respeito aos demais indivíduos; é a pessoa cultivada para servir ao próximo,
sem preconceitos de quaisquer naturezas, visando o aprimoramento
individual, coletivo, universal; etc

Os parágrafos acima mostram, em resumo, quais seriam os objetivos da educação ou as finalidades


legais da educação contidas nos documentos oficiais. Mas a realidade do texto legal não corresponde
a realidade das nossas escolas. Uma análise, por mais superficial que seja, não pode fugir a uma
constatação de imediato. O professor e as escolas de um modo geral, ainda não colocaram o aluno
no centro de seus interesses, procurando de forma compatível com aquelas finalidades, atender as
verdadeiras necessidades da adolescência e do ser humano.

Nossas escolas oscilam entre dois campos gravitacionais (e os professores devem, ou é aconselhável,
seguir essa orientação): o conteúdo e o documento. Umas vivem em função do conteúdo; é
necessário "dar a matéria", "cumprir o programa", mesmo que os alunos não os
acompanhem.....nestas os índices de reprovação são elevados, o que se constitui num título de glória
e qualificação do estabelecimento.......Outras, talvez a maioria, vivem em função do documento.
È preciso ter documentos para arquivar ou apresentar á inspeção. A realidade
e o valor do que consta no documento é de segunda importância. Cumprido os dias letivos, o
número de disciplinas de cada série, provas realizadas, certidões
anotadas, pagamentos em dia...tudo foi perfeito. Para o aluno essa escola
dá uma lição imediata -
a questão é estar documentado e, para ele, documento é "nota de aprovação". Tudo então se resume
na campanha para obtenção da nota de aprovação, isso com aplausos docente, familiar e
social....Algumas escolas "inovam inteligentemente" (sic) chamando a nota de "conceito". Há até as
que inventaram um processo de tirar média de conceitos!
E o pior que para se chegar a essas "brilhantes" conclusões, vem aí "reuniões pedagógicas" eivadas
de "nobres", "brilhantes" e "maravilhosas" opiniões e conclusões....pérolas da intelectualidade
pedagógica.

O que é necessário é uma mobilização ou conscientização do docente para o seu papel de educador e
não de instrutor de conteúdo. É necessário que reflitam sua vivência para que possam atender as
reais necessidades da sua clientela, ou seja, do adolescente. Quais seriam essas necessidades? Seriam
elas hoje idênticas às de gerações passadas?

Podemos apontar algumas:

A aceitação social. Os adolescentes precisam encontrar maior aceitação social; tem permanente
preocupação de evitar as acusações dos maiores. Até que ponto são eles os responsáveis pelos fatos
em que se envolvem;
O pertencer a um grupo: fazer parte de um grupo é uma necessidade imperiosa. Mas como ser
aceito pelo grupo? As atividades escolares precisam cuidar atentamente disso; preparar o aluno
para que ele saiba escolher e participar ativa e construtivamente nos seus grupos
de trabalho e lazer;

A afeição: os adolescentes na instabilidade biopsicológica que os caracteriza, necessitam


freqüentemente de afeição. O tratamento distante e padronizado provoca acúmulo de
descontentamento e juízos deformados. Tal fato ocorre na família também, provocando as
demonstrações aparentemente ridículas de adolescentes que procuram aparentar o oposto, isto é,
de que são auto-suficientes e não precisam da simpatia e amizade de parentes e professores.

A escola dentro daquelas finalidades não pode alhear-se ao problema;


A responsabilidade. Os adolescentes gostam de assumir responsabilidades e serem considerados
responsáveis. A escola que dá "matéria" e "notas" para cada classe não toma conhecimento de cada
aluno. Mesmo quando exige uma responsabilidade dos alunos, ela não se apresenta na forma
compatível com a necessidade dos adolescentes; é responsabilidade imposta, não aceita.

Outras necessidades poderão ser facilmente levantadas por uma escola que tenha o espírito de
pesquisa. Associando as finalidades da educação com o atendimento das necessidades da
adolescência através do emprego de disciplinas e práticas educativas no seu exato sentido, as escolas
tem elementos para realizar excelente ação educativa.

Mas vamos procurar os educadores. Onde poderiam estar? Encontramos professores,muitos.....


mas professor é profissão, não é algo que se define por dentro, por amor. Educador, ao contrário,
não é profissão; é vocação.
E toda vocação nasce de um grande amor, de uma grande esperança... ...que terá
acontecido com
ele, o educador... resta-lhe algum espaço? Será que alguém lhe concede a palavra e
lhe dá ouvidos? Merecerá sobreviver? Tem alguma função social ou econômica
a desempenhar?

...pode ser que educadores sejam confundidos com professores, da mesma forma como se pode
dizer: jequitibá e eucaliptos, não é tudo árvore , madeira? No final,
não dá tudo no mesmo?
Não, não dá tudo no mesmo, porque cada árvore é a revelação de um "habitat",
cada uma delas tem cidadania num mundo específico...há árvores que tem personalidade...diferente
de todas, que sentiu coisas que ninguém mais sentiu......

Os educadores são como as velhas árvores. Possuem uma face, um nome, uma "estória" a ser
contada. Habitam um mundo em o que vale é a relação que os ligam aos alunos, sendo que cada
aluno é uma "entidade" "sui generis", portador de um nome, também de uma "estória", sofrendo
tristezas e alimentando esperanças. E a educação é algo para acontecer neste espaço invisível e
denso, que se estabelece a dois...(Rubem Alves)

Mas os professores são habitantes de um mundo diferente, onde o "educador" pouco importa, pois
o que interessa é um "crédito" cultural que o aluno adquire numa disciplina identificada por uma
sigla, sendo que, para fins institucionais, nenhuma diferença faz aquele que a ministra. Por isso
mesmo, professores são "entidades" descartáveis, da mesma forma como há canetas descartáveis,
etc, etc...

O educador constrói, habita um mundo em que a interioridade faz uma diferença, em que as
pessoas se definem por suas visões, paixões, esperanças e horizontes utópicos. O professor ao
contrário, é funcionário de um mundo dominado pelo Estado e pelas empresas. É uma entidade
gerenciada, administrada segundo a sua excelência funcional, excelência essa que é sempre
julgada á partir dos interesses do sistema. Freqüentemente o educador é mau funcionário, porque
o ritmo do mundo do educador não segue o ritmo do mundo da instituição. A educação ocorre
colada ao imprevisível de uma experiência de vida não gerenciada. Para ser gerenciada a vida
precisa ser racionalizada. É no espaço institucional entre a razão e a paixão que surge esta
entidade contraditória - o professor - que recebe um salário, CIC, RG e outros números,
adquire direitos, soma qüinqüênios, escreve relatórios, assina listas de presença
e quantifica os estudantes.

De educadores para professores realizamos o salto de pessoa para funções.(Rubem Alves)

Administração e participação: 
reflexões para a educação
Fernando C. Prestes Motta
Universidade de São Paulo
Resumo
Este artigo trata dos conceitos de participação conflitual, par­
ticipação funcional, participação administrativa, co­gestão e
autogestão, discutindo a noção e o papel da educação
participativa na construção de uma nova sociedade.
Palavras­chave
Administração 
Participação 
Co­gestão 
Auto­gestão 
Educação.
Do ponto de vista meramente descriti­
vo, administrar é planejar, organizar, coordenar,
comandar e controlar.
Essa definição, que data dos primórdios
da teoria organizacional, continua absoluta­
mente correta, mesmo considerando­se todos
os avanços que esse campo do conhecimento
experimentou durante o século XX.
Entretanto, nem sempre se atenta para
o fato de que se administrar é planejar, organi­
zar, coordenar, comandar e controlar; ser admi­
nistrado significa ser planejado, organizado,
comandado e controlado. Também não se aten­
ta para o fato de que quem administra é uma
minoria, enquanto que a maioria absoluta da
população é administrada.
O que observei serve apenas para indicar
que a administração possui também um significa­
do político freqüentemente negligenciado. Do
ponto de vista político, administrar significa exer­
cer um poder delegado.
Com isso quero chamar a atenção para
o fato de que se administra em nome daque­
les que dispõem dos meios de administração,
isto é, que dispõem de poder econômico ou
político, ou em nome próprio.
Isso só ocorre quando os próprios
administradores detêm o poder econômico e po­
lítico, o que parece ser seu projeto, mas que ain­
da não corresponde totalmente aos contextos
sociais dos países ditos capitalistas. Evidente­
mente, só se exerce poder sobre alguém, sobre
algum grupo, ou sobre uma coletividade. Isso
quer dizer que se exerce um poder delegado
pela elite econômica e política sobre aqueles
que não detêm poder algum ou, na melhor das
hipóteses, dispõem de pouco poder real.
Por poder entendo a posse de recursos
que permite direcionar o comportamento do
outro ou dos outros em determinada direção
almejada por quem a detém. Há muitas formas
de se exercer poder. Pode­se impor, pode­se
coagir pode­se corromper, pode­se persuadir,
pode­se seduzir, pode­se manipular. Em muitas
situações todas essas possibilidades podem
entrar no jogo do poder e nem sempre é fácil
discernir uma modalidade da outra.
As várias modalidades de exercício do
poder permeiam as relações sociais. Não vejo a
possibilidade de qualquer relação social na qual
pelo menos uma modalidade de exercício do
poder não acabe ocorrendo.
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Há, entretanto, o caso do poder exer­
cido por um conjunto de administradores pro­
fissionais que se estruturam hierarquicamente e
que, em nome da racionalidade e do conheci­
mento, planejam, organizam, coordenam, co­
mandam e controlam, por uma relação de
mando e subordinação, uma determinada cole­
tividade. A isto, inspirado em Max Weber, cha­
mo dominação.
1

A primeira indagação que me ocorre
refere­se à questão da racionalidade. Quer me
parecer que a racionalidade a que geralmente
se refere quando se fala de administração é
apenas um tipo de racionalidade, a saber, a
racionalidade instrumental, aquela vinculada à
adequação mais eficiente entre meios e fins.
Isso significa que geralmente se deixa de
lado a racionalidade com relação a valores, isto
é, os modos de pensar que orientam ações liga­
das ao que se percebe como desejável, adequado
e inadequado, justo e injusto, e assim por diante.
Ocorre também que a própria ação
afetiva entre seres humanos não se baseia
numa irracionalidade, mas num determinado
modo de pensar. Entretanto, não é dessas últi­
mas formas que vive a administração.
Outro ponto refere­se ao conhecimen­
to como base para o exercício do poder. É
importante ressaltar que há questões adminis­
trativas que exigem conhecimento especializa­
do, enquanto outras exigem apenas conheci­
mento comum.
O problema, entretanto, está em saber
se o conhecimento especializado pode ser le­
gitimamente suficiente para a dominação.
A questão só se toma relevante na medi­
da em que se vive num mundo cada vez mais
administrado, isto é, num mundo onde predomi­
nam as grandes organizações como o Estado, as
grandes empresas, etc. A dominação mediante
organização é inseparável da opressão, na medi­
da em que se retira do dominado a faculdade de
pensar e decidir sobre o que faz, pelo menos em
determinadas esferas da vida, como o trabalho.
Também é inseparável da opressão na
medida em que implica uma administração do
tempo, contrária a qualquer noção conhecida de
liberdade, bem como em uma organização geral­
mente rígida do espaço, além da utilização regular
de sanções disciplinares e da regulação das rela­
ções sociais em benefício da produtividade.
Opressão não é necessariamente sinôni­
mo de exploração. A primeira categoria é polí­
tica, enquanto a segunda é econômica. Mesmo
que os administrados não estejam sendo explo­
rados, ainda assim podem estar sendo oprimidos.
Se a administração nos moldes em que
a conhecemos parece, em sentido absoluto, não
poder perder o aspecto coercivo que lhe é
próprio, certamente pode ter esse aspecto
minimizado. Uma das formas de minimizar o
aspecto coercivo da administração é a partici­
pação. Falo evidentemente de participação
autêntica e não de modalidades de manipula­
ção camufladas sob este rótulo.
Evidentemente, participar não significa
assumir um poder, mas participar de um poder,
o que desde logo exclui qualquer alteração
radical na estrutura de poder. Ainda, freqüen­
temente é difícil avaliar até que ponto as pes­
soas efetivamente participam na tomada e na
implementação das decisões que dizem respeito
à coletividade e até que ponto são manipula­
das.
Uma observação mesmo superficial de
algumas experiências participativas revela
que os dois aspectos não são excludentes,
isto é, que é perfeitamente possível que a co­
letividade influa sobre o poder, ao mesmo
tempo em que este procura cooptá­la para
seus objetivos.
Todavia, a preocupação com a participa­
ção é algo que decorre de valores democráticos,
isto é, da idéia de que a sociedade ou as cole­
tividades menores como a empresa ou a escola
são pluralistas, constituindo­se num sistema de
pessoas e grupos heterogêneos, e que, por isto
mesmo, precisam ter seus interesses, suas von­
tades e seus valores levados em conta.
1. WEBER, Max. Economia y Sociedad. México, Fundo de Cultura Econô­
mica, Tomo II. 1975.

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Participar não implica necessariamente
que todas as pessoas ou grupos opinem sobre
todas as matérias, mas implica necessariamen­
te algum mecanismo de influência sobre o
poder. Para participar é necessário algum co­
nhecimento e certas habilidades políticas. Isso
varia conforme a amplitude da participação e a
natureza das matérias em que se participa.
Boa parte desses conhecimentos e ha­
bilidades são entretanto fruto da própria expe­
riência, o que significa que não se pode espe­
rar que só se inicie a participação quando es­
ses requisitos estiverem preenchidos.
Evidentemente, uma educação parti­
cipativa favorece a aquisição de habilidades de
valor na participação na administração na idade
adulta. Participar também implica um desejo. Pes­
soas educadas em contextos muito autoritários
podem simplesmente preferir não participar. Esse
aspecto parece essencial, visto que a participação
implica um alto grau de envolvimento e, com fre­
qüência, o envolvimento implica desgaste emoci­
onal ou mesmo físico.
2

A participação imposta, isto é, os for­
matos participativos criados pela própria admi­
nistração e voltados para a maior eficiência da
organização, para a melhoria dos canais de
comunicação e de nível de satisfação não são
necessariamente indesejáveis.
O problema que se coloca para a par­
ticipação imposta é que ela abre uma oportu­
nidade, mas não um leque de possibilidades, a
ser explorada pela própria coletividade. Ela, até
mesmo, com freqüência, ignora se a participa­
ção é um desejo efetivo de comunidade. Entre­
tanto, o que a preocupação com a participação
e os movimentos participacionistas revelam é
que esse desejo vem se ampliando na maioria
dos países, desde aqueles de tradição democrá­
tica mais forte até aqueles de tradição mais
autoritária.
Há formatos participativos em países
capitalistas avançados como os Estados Unidos,
a França, a Alemanha, a Grã­Bretanha, em paí­
ses que se dizem socialistas como os do Leste
europeu e em países subdesenvolvidos como o
Brasil. É certo que varia muito a natureza des­
ses formatos e seus resultados, de contexto para
contexto, mas também é certo que dia a dia
ampliam­se as experiências participativas seja em
nível de Estado, seja em outros níveis, como os
da escola e da empresa.
Historicamente, os movimentos parti­
cipacionistas surgem com a situação de explora­
ção e de opressão na empresa que a aplicação do
taylorismo, primeira teoria administrativa, tornou
transparente. O taylorismo implicou a destruição
dos restos de oficio que o trabalho conservava.
Separou concepção de execução, introduziu tem­
pos e movimentos rígidos e, seguido do fordismo,
organizou rigidamente o espaço.
Chama­se participação conflitual aquela
que se desenvolveu como oposição ao taylorismo.
Baseia­se no processo de negociação coletiva
entre patronato e sindicato de trabalhadores. Essa
forma de participação vigora na maior parte dos
países ocidentais, mas seus resultados nem sem­
pre têm se mostrado suficientes.
Entre outros problemas, a negociação
coletiva exclui a maioria dos trabalhadores e é
regressiva, visto que supõe que as cúpulas sin­
dicais falem pelos trabalhadores. Isso tem leva­
do os trabalhadores a procurar outras formas
um pouco mais autônomas de participação.
Chama­se participação funcional a prá­
tica de reuniões periódicas entre patrões e tra­
balhadores, entre administradores, funcionários
e trabalhadores, entre unidades organizacionais
e entre níveis hierárquicos em geral. Essas reu­
niões servem de ocasião para o debate, para a
consulta e a informaçãao.
Participação administrativa é um tipo
especial de participação, que se organiza por
representação. Há, neste caso, a formação de
comissões de trabalhadores, ou de trabalhado­
res e funcionários ou ainda de comissões que
reúnem administradores e trabalhadores, ou
administradores, funcionários e trabalhadores.
2. SILVA, Jorge F. da, Planejamento e Administração Participativos em
Educação. Conferência. 4. Rio de Janeiro, Instituto de Estudos Avançados
em Educação, Fundação Getúlio Vargas. Mimeografado.

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Fernando C. P. MOTTA. Administração e participação...
Essas comissões são muito semelhantes
a algumas experiências no plano da administra­
ção da educação, especialmente em termos de
universidade, no que se refere a órgãos de re­
presentação discente, ou a órgãos colegiados
que reúnem representantes tanto do corpo
docente quanto do corpo discente.
Co­gestão é uma forma avançada de par­
ticipação administrativa que implica co­decisão em
determinadas matérias e direito de consulta em
outras. Ela pode ser paritária ou não. Na Alema­
nha Ocidental, onde existe este sistema por
força de lei, ela é paritária em dois setores in­
dustriais e não paritária nos demais.
Entretanto, a maioria absoluta de expe­
rimentos participativos é caracterizada pela na­
tureza consultiva dos órgãos de representação e
não por uma natureza deliberativa e normativa.
3

Autogestão não é participação. Por
autogestão se entende um sistema no qual a co­
letividade se auto­administra. Portanto, não se
trata de participar de um poder, mas sim de ter
um poder. Há experiências autogestionárias his­
tóricas como a da Comuna de Paris, o movi­
mento machnovista na Ucrânia em 1917 e boa
parte da Espanha entre 1936 e 1939. Há tam­
bém o caso da Iugoslávia, que se proclama
autogestionária, mas cujo caráter autogestionário
é pelo menos discutível. Há ainda movimentos
pela autogestão importantes como o Solidarie­
dade na Polônia e experiências setoriais de
autogestão em empresas e escolas.
No caso particular das escolas é preci­
so distinguir autogestão pedagógica de auto­
gestão institucional. Enquanto a primeira se
refere à dinâmica do trabalho pedagógico, a
segunda se refere à administração do estabele­
cimento de ensino.
Nem sempre a participação visa a
auto­gestão. Da mesma forma, é discutível se
a favorece ou a dificulta. Segundo querem al­
guns estudiosos de algumas filiações ideoló­
gicas, ela é um caminho; segundo outros, é
mais um descaminho.
Um último ponto a ser considerado é
que a participação não precisa necessariamen­
te se restringir ao nível das instituições. Tam­
bém se fala de participação para se referir a
movimentos sociais autônomos de trabalhado­
res e de outros grupos que procuram afirmar
seus direitos na sociedade. Também caberia
aqui perguntar sobre o papel desse movimen­
to na construção de uma sociedade ao mesmo
tempo igualitária e pluralista.
A eventual construção de uma sociedade
autogestionária passa inquestionavelmente pela
questão da educação politécnica e polivalente,
pela aprendizagem não­autoritária.
Por aprendizagem não­autoritária enten­
do aquele que impede a internalização dos me­
canismos de submissão e conformidade. A
aprendizagem para uma nova sociedade precisa
centrar­se na erradicação da angústia, do medo,
da culpa e da dependência. A aprendizagem
não­autoritária fomenta o apoio mútuo; não
trata, como salienta o “Sindicato de Enseñanza”
da CNT espanhola, a criança como um adulto
imperfeito na qual o adulto completo precisa
colocar aquilo que julga faltar.
Nessa concepção, aprender torna­se
uma prática contínua de ação direta, na qual
a experiência torna­se a meta ao mesmo tem­
po em que não é reminiscência, mas prática
continuada.
Num processo desse tipo, o que se pode
esperar é que a criança aprenda a ser livre, sa­
bendo respeitar e se fazendo respeitar, que
aprenda a pensar com autonomia, a ser sincera,
a ser capaz de amar e ser amada, que possa
lutar pela promoção da pessoa humana, que
possa criar uma consciência crítica e autocrítica,
que saiba se expressar e ser justa, que venha a
possuir uma cultura verdadeira.
Esses objetivos singelos parecem­me
verdadeiros e traduzem em sua pureza o dile­
ma da educação: reprodução e criação. A nova
sociedade depende dessa pureza, que não pode
e nem deve ser confundida com ingenuidade.
Naturalmente os obstáculos são vários, mas não
3. MOTTA, Fernando C. P. Participação e co­gestão: novas formas de
administração. 29 ed. (s.n.). São Paulo, 1984.

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373
Educação e Pesquisa, São Paulo, v.29, n.2, p. 369­373, jul./dez. 2003
se constrói nada a não ser enfrentando e supe­
rando obstáculos.
A nova sociedade pressupõe ainda o
aprendizado da ação política, da utilização da
vontade da criação de uma disponibilidade para
ajudar e ser ajudada, bem como da capacidade de
fruir coletiva e igualitariamente a vida. Isto tudo,
entretanto, só se pode alcançar no contexto de
uma sociedade anti­autoritária. Entendo aqui a
expressão contexto anti­autoritário no sentido de
uma sociedade que despreze e lute contra as
forças opressivas e homogeneizadoras, que per­
ceba a força da singularidade no igualitário.
Certamente, o respeito à singularidade
não pode excluir a solidariedade e ajuda mútua,
que precisam nortear as relações entre indiví­
duos e grupo, e precisam excluir a emulação
competitiva, o domínio e a dependência, o
preço de cada um no mercado e a subserviên­
cia a objetivos gerais abstratos.
4

Em termos
mais radicais, uma atitude desse tipo implica o
fim da criação e transmissão da cultura separada
da vida, traço fundamental da educação mera­
mente voltada para a reprodução da exploração
e da opressão. Evidentemente, a grandeza da
tarefa, pode desestimular os muito ávidos, que
não percebem a natureza processual e lenta da
verdadeira transformação.
O passo inicial parece estar em uma
mudança de atitude, e isso se refere a todos os
participantes diretos e indiretos das unidades e
sistemas escolares. Com isso quero frisar que as
mudanças na educação são um assunto de
todos. Constituem um tema que se refere a
educadores e educandos e, de uma forma mais
geral, educadores e educandos são, simulta­
neamente, todos os membros de uma socieda­
de. Por essa razão a comunidade não pode
deixar de participar, a menos que, suicidamente,
ela opte pela não educação, pela estagnação,
pela repetição, pelo retrocesso.
No âmbito da escola, a participação
constitui tema de estudantes, professores, ad­
ministradores, supervisores, orientadores e fun­
cionários. Aos administradores educacionais,
cabe especialmente o desafio não pequeno de
descobrir e delinear formatos organizacionais
que, adequados a contextos específicos, asse­
gurem a educação participativa voltada para a
construção de uma sociedade verdadeiramente
igualitária, não apenas em termos econômicos,
mas em termos de distribuição do poder.
4. CORTEZ, Francisco F. Orellana: la assambIea em la escuela. Bilbao,
Zerozyx, 1978.

Tecnologia da Informação a serviço da educação superior no Brasil


Novos horizontes se abrem para o atendimento da demanda existente em cursos de graduação no país através do
uso da tecnologia: Educação a Distância (EAD), que é a modalidade educacional na qual a mediação didático-
pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias, com
estudantes e professores desenvolvendo atividades em lugares ou tempos diversos.

Há vários cursos de pós-graduação (lato sensu) oferecidos na modalidade de EAD e uma centena de instituições
credenciadas para ministrar cursos de graduação a distância. De acordo com o censo do Inep de 2005, há 189
cursos de graduação utilizando EAD com 114.642 matrículas, representando 2,5% do total de matrículas nos cursos
de graduação no país. Pela legislação, as avaliações, o uso de laboratórios, estágios e defesas de trabalhos de
conclusão de cursos devem ser presenciais. Há também, muitos cursos de graduação semi-presenciais, através dos
quais os alunos têm 20% da carga horária desenvolvida através de EAD.

As vantagens da EAD são inúmeras, tanto que muitas empresas utilizam esta modalidade (e-learning) para realizar
treinamento de seus funcionários, permitindo agilidade no processo de capacitação profissional e redução de custos,
pois não há necessidade de locomoção de instrutores e treinandos. Os funcionários podem realizar seus cursos, de
acordo com sua velocidade de aprendizagem ou em função de sua disponibilidade.

Ainda há obstáculos a serem superados na EAD, a começar pelas políticas públicas que devem impedir a expansão
quantitativa e descontrolada de cursos, eliminando qualquer possibilidade de transformação desta modalidade de
ensino em business, impedindo que organizações com pouco ou nenhum compromisso com a qualidade da
educação no país atuem neste segmento.

A EAD traz para o aluno inúmeras vantagens em seu dia-a-dia. Os custos e as dificuldades de transportes e o tempo
despendido na locomoção até a instituição de ensino são praticamente eliminados. Para os estudantes do período
noturno, em geral estudantes-trabalhadores, há também a redução nos riscos associados à segurança pessoal.

Há outra dimensão para ser analisada: a sala de aula, pois é o espaço para a interação entre professor-aluno,
aluno-aluno, discussões de novas situações propostas e troca de experiências. A vivência em outras áreas físicas da
instituição, como: bibliotecas, espaços de convivência, laboratórios e outros, não pode ser negligenciada. Os
conteúdos e o sistema de avaliação são outros elementos fundamentais. Os materiais de aula, exercícios, testes e
de estímulo à realização de pesquisas devem ser criteriosamente desenvolvidos por professores especializados e
com sólida experiência na prática pedagógica, com o apoio de profissionais da área de tecnologia da informação.
Estes materiais podem ser contextualizados de acordo com aspectos locais, além de facilitar a integração entre as
diversas disciplinas do curso.

O sistema de avaliação deve ser contínuo e intensamente discutido com professores e elaboradores de políticas
públicas. Infelizmente, quando se fala em avaliação, pensa-se quase que exclusivamente na realização de provas e
exames com o intuito de se realizar a medição do aprendizado do estudante, a fim de promovê-lo ou não para o
nível seguinte. A avaliação deve também servir para os professores como feedback de aprendizado, permitindo
identificar as principais dificuldades dos alunos, subsidiando melhorias nos aspectos didáticos do professor e na
estratégia de desenvolvimento de conteúdos.

As ferramentas tecnológicas que surgem a cada dia têm muito a contribuir com a educação superior no país, com a
qualidade de materiais e ferramentas para cursos de EAD (chats, jogos, simuladores, comunicadores instantâneos,
e-mail, bibliotecas virtuais), porém, sempre deverá existir uma porção presencial nos cursos, pois é só através da
interação e do convívio social é que se tem a efetiva troca de informações, experiências, vivências e sentimentos, e,
de estímulo à pesquisa e à evolução do conhecimento humano. De acordo a Unesco (Relatório Delors), os quatro
pilares da educação são: fazer com que o aluno aprenda a conhecer, aprenda a fazer, aprenda a conviver e aprenda
a ser. Uma questão que se lança para a reflexão é se a EAD consegue endereçar estes quatro itens de forma ampla
e realista.

emoção de ser professor

Brasílio Neto

Você está concorrendo com muita gente – Não parece, professor, mas você não é o
dono de sua sala de aula. Primeiro que seus alunos têm muitas opções para aquelas
aulas: video game, namorar, brincar. E, se são obrigados a comparecer à sala de aula,
nada garante que a mente deles esteja lá, também. E, para trazê-los integralmente,
para ajudá-los a se apaixonar pelo estudo, o caminho mais fácil é através da emoção.
Algumas dicas para você:

Misture – Assim como um circo apenas com palhaços não iria funcionar, é necessário
ter de tudo um pouco em sua aula. Lembro de uma aula de História, onde um
professor levou fotos do Sudário de Turim para a turma e narrou de forma
impressionante a história e as polêmicas acerca do objeto. É uma das poucas aulas
que me lembro. Da mesma forma, tenha espaço para fazê-los rir, e também para
refletir. Prepare uma vasta gama de histórias e “causos” que agradem todas as
emoções.

Atenção ao fluxo – Nenhum circo irá colocar todos os números em que há risco de
morte juntos. Primeiro, que a audiência não agüenta tanto suspense, ou abandona o
recinto, ou “desliga”. Isso mesmo, desliga os sentimentos, em uma reação natural do
corpo para preservar o cérebro e o coração e sobreviver. Isso faz com que os últimos
números perigosos percam totalmente seu impacto. Em vez disso, vem um número
perigoso, depois vêm os palhaços ou um balé, para relaxar o pessoal. Da mesma
forma, nenhum circo termina sua função com o número de maior perigo – a intenção é
terminar com algo que deixe as pessoas leves, felizes e com vontade de voltar. Da
mesma forma, dose suas piadas e histórias.

Não tenha medo das risadas – Poucas coisas são tão fortes, tão humanas como uma
boa risada. E ter uma função que faça os outros rirem é uma das grandes missões que
as pessoas têm nesse mundo. Por isso, não tenha medo de fazer seus alunos rirem de
vez em quando. Você não irá perder o respeito deles, muito pelo contrário. Professor
“sério” e “competente” não são sinônimos. Use a emoção, use a risada e estimule-os a
aprender.

É buscar dentro de cada um de nós
forças para prosseguir, mesmo com toda pressão,
toda tensão, toda falta de tempo...
Esse é nosso exercício diário!
Ser professor (a) é se alimentar do conhecimento
e fazer de si mesmo (a) janela aberta para o outro.
Ser professor (a) é formar gerações, propiciar o
questionamento e abrir as portas do saber.
Ser professor (a) é lutar pela transformação...
É formar e transformar,
através das letras, das artes, dos números...
Ser professor (a) é conhecer os limites do outro.
E, ainda assim, acreditar que ele seja capaz...
Ser professor (a) é também reconhecer que
todos os dias são feitos para aprender...
Sempre um pouco mais...
Ser professor (a)
É saber que o sonho é possível...
É sonhar com a sociedade melhor...
Inclusiva...
Onde todos possam ter acesso ao saber...
Ser professor (a) é também reconhecer que somos,
acima de tudo, seres humanos, e que temos licença para  
rir, chorar,
esbravejar.
Porque assim também ajudamos a pensar e construir o  
mundo.
Todos os dias do ano são seus, professor(a)!
Parabéns!

Ser Professor (a)
Fonte: Jornal AconteeCendo, nº. 22, Setembro de 2001
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• Presidente: Célia Regina Ferrari • Diretor Responsável: Oswaldo de Oliveira Santos Jr.
• Jornalista: Luciana Mastrorosa • Diagramação e ilustração: Israel Barbosa
• Tiragem: 4000 exemplares • Gráfica: Diário Artes Gráficas
A publicação não se responsabiliza por matérias assinadas e declarações de terceiros.
EXPEDIENTE
O Professor ­ Boletim Informativo do SINPRO­ABC ­ Sindicato dos Professores do Grande ABC

“Sou professor a favor da decência contra o despudor, a favor da liberdade contra
o autoritarismo, da autoridade contra a licenciosidade, da democracia contra a
ditadura de direita ou de esquerda.
Sou professor a favor da luta constante contra qualquer forma de discriminação,
contra a dominação econômica dos indivíduos ou das classes sociais.
Sou professor contra a ordem capitalista vigente que inventou esta aberração: a
miséria na fartura.
Sou professor a favor da esperança que me anima apesar de tudo.
Sou professor contra o desengano que me consome e imobiliza.
Sou professor a favor da boniteza de minha própria prática, boniteza que dela
some se não cuido do saber que devo ensinar, se não brigo por este saber, se não
luto pelas condições materiais necessárias sem as quais meu corpo descuidado,
corre o risco de se amofinar e já não ser testemunho que deve ser de lutador
pertinaz, que cansa mas não desiste”.
Paulo Freire, mestre de todos nós.
Homenagem ao professor(a)
Certa lenda conta que duas crianças estavam
patinando em cima de um lago congelado. Era uma
tarde nublada, fria e as crianças brincavam sem
preocupação.
De repente, o gelo se quebrou e uma das crianças
caiu na água. A outra criança, vendo que seu
amiguinho se afogava debaixo do gelo, pegou uma
pedra e começou a golpear o gelo.
Quando os bombeiros chegaram e viram o que
havia acontecido, perguntaram ao menino:
­ Como você fez isso? É impossível que você tenha
quebrado o gelo com essa pedra em suas mãos tão
pequenas!
Nesse instante, apareceu um ancião e disse:
­ Eu sei como ele conseguiu.
Todos perguntaram:
­ Como?!
O ancião respondeu:
­ Não havia ninguém ao seu redor para lhe dizer
que não poderia fazer!
1

É isto que ocorre na escola ou fora dela, muitas
vezes. Pessoas nos dizendo que isto ou aquilo não é
possível!
Um colega dizendo que este ou aquele aluno não
consegue aprender!
Nós, como professores, estamos o tempo todo
pensando em como encorajar nossos alunos em suas
descobertas, em seu autoconhecimento. Nos
preocupamos em tornar nossas aulas atraentes,
estimulantes e agradáveis. Procuramos auxiliar jovens
e crianças a avançarem em seus desafios, a
descobrirem quem são e do que são capazes. Nos
aventuramos com nossos alunos.
Precisamos sempre dar prioridade ao que o aluno
aprende e não ao que queremos ensinar. Acariciar e
preservar o espírito de cada um, pois, mesmo não
sendo o mais inteligente da classe, com certeza
resplandecerá com elogios e estímulos ao invés de
murchar com descrédito e humilhação.
É fundamental que tenhamos consciência de que
somos modelo de valores e padrões que o aluno imitará
ou rejeitará; levará na lembrança para a vida toda ou
esquecerá.
Esta é a parte profissional que nos toca. No
entanto, temos nossa vida pessoal e todas as
obrigações.
Contudo, assim como na lenda acima citada, não
podemos deixar que nos digam o que podemos ou
não fazer. Quando desejamos atingir um objetivo, nada
e nem ninguém pode nos impedir.
Muitas vezes, nos deixamos abater pelas
cobranças do dia­a­dia, por uma discussão com um
colega de trabalho, por um mal­entendido com um
pai de aluno, por uma atividade sem sucesso, por um
problema familiar, pelas relações pessoais, de um
modo geral, nem sempre muito fáceis.
No entanto, “a força de ser pessoa significa a
capacidade de acolher a vida assim como ela é (...).
A força de ser pessoa traduz a capacidade de conviver,
de crescer e de humanizar­se com estas dimensões
de vida(...)”
2

Assim, podemos enfrentar as situações do
cotidiano com uma atitude saudável, agindo de forma
a contribuir para a transformação de nossa sociedade,
para que os alunos com quem trabalhamos sejam
cidadãos preocupados com a transformação deste
mundo, conscientes das desigualdades sociais e
dispostos a trabalhar para a eliminação disto tudo, e
não simplesmente pensar que ‘não temos nada com
isso’, tomando uma atitude passiva perante as
mazelas que acontecem todos os dias bem diante de
nossos olhos.
Mais uma vez, não podemos permitir que nos
digam:
­Isto não é possível!
Lutemos! Acreditando em nossas capacidades,
na certeza de que “um outro mundo é possível”.
Profª. Denise Fernandes Pereira
1

Manoela Vitorino
2

Boff, L. Saber Cuidar: ética do humano – compaixão
pela terra. Editora Vozes, 1999.

Ser Professor e Professora é acreditar
que um outro mundo é possível
“(...) Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu”.
(Fernando Pessoa)
Duas garotinhas de dez anos de idade
conversam sobre o que querem ser na vida. A primeira,
orgulhosa, nem pensa duas vezes: “quero ser
médica!”. A segunda diz “e eu quero ser professora”.
“Professora? Só isso?”, retrucou a menina, com uma
certa arrogância. A amiga nem se abalou: “E você
acha que vai se tornar médica como? Tendo aulas
com um monte de professores, oras!”
Esse diálogo simples, que se repete entre
milhares de crianças todos os dias, revela aquilo que
estamos acostumados a sentir na própria pele: o
descaso com o ofício de professor, que hoje possui
uma imagem desgastada em virtude de todas as
transformações que a educação sofreu em nosso país.
Mas, como afirmou a menina, não há jornalista,
advogado, médico ou outro doutor que não tenha,
algum dia, freqüentado salas de aula, dividindo
diariamente suas experiências com os mestres que
nos ensinam não só matemática, física, química, como
nos ensinam sobre a própria vida.
Os salários são baixos, as condições de ensino
são, hoje, muitas vezes precárias, mas a maior virtude
do mestre está em ensinar. Em conduzir crianças,
adolescentes, adultos, a algum rumo na vida.
É possível que não nos recordemos de todos
os professores com quem tivemos contato nesta vida,
mas sem dúvida nos lembramos de algum mestre
em especial. A primeira professora costuma ser
sempre inesquecível, assim como aquele mestre na
faculdade que nos ajudou a tomar um rumo mais
acertado na profissão.
Apesar de todos os percalços, de todas as
dificuldades, é nos mestres em quem confiamos.
Mestres que não abandonam seus caminhos, por mais
difíceis que sejam, mantendo vivo o compromisso de
educar. Como dizia Fernando Pessoa, “tudo vale a
pena, se a alma não é pequena”. Aos professores de
almas enormes, aqui vai o nosso muito obrigado por
nos ensinar a viver. Feliz Dia dos Professores!
Diretoria do SINPRO­ABC

Tudo vale a pena, quando a
vocação é grande
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Todos sabemos que as condições de ensino,
hoje em dia, estão cada vez mais complexas e,
muitas vezes, piores. No entanto, muitos professores
persistem no caminho da educação, acreditando e
lutando por melhores condições de ensino. Um
exemplo dessa luta é o da professora Maria Lúcia
Micali Cantu, atualmente professora aposentada, que
sempre militou pelas causas sociais. Maria Lúcia, 55
anos de vida e 35 de profissão, é uma apaixonada
pela educação. Como ela mesma se define, é uma
“dinossaura” do ensino, pois acompanhou as diversas
mudanças que acompanharam a educação nos
últimos trinta anos.
Depois de trabalhar a vida toda em São Paulo,
atualmente Maria Lúcia dedica­se também a ensinar
História, uma de suas grandes paixões,
voluntariamente no cursinho da Soab ­
Sociedade Amigos de Boiçucanga ­ , no litoral
paulista, tentando auxiliar alunos de escolas
públicas que desejam se preparar para o
vestibular, mas não podem pagar.
Com sua experiência de 35 anos de
profissão, Maria Lúcia discute o que considera
alguns pontos cruciais da educação hoje em dia.

Questão salarial
“Acredito que os salários ruins são a
principal questão a ser levantada para que uma
escola pública ou privada mantenha bons
profissionais. O valor hora­aula, infelizmente, não
corresponde mais às necessidades básicas do
profissional”, afirma a professora.
“Conciliar sobrevivência de qualidade, moradia,
comida saudável, lazer e saúde, com a necessidade
de estar estudando constantemente é o grande dilema.
Para que isso aconteça, o professor virou um ‘bóia­
fria’. Todo ano corre atrás das aulas fechando seu
bloco em várias escolas para conseguir sua

Receita de professor:  
criatividade,
persistência e amor pela  
profissão
sobrevivência básica, nem sempre com a qualidade
desejada. Em virtude disso, seu aperfeiçoamento
profissional fundamental não acontece, a não ser que
a própria instituição se encarregue disso. Como o
professor tem de dar conta de muitas escolas com
um número elevado de alunos, normalmente segue
apostilas ou livros didáticos, tornando­se um executor
de tarefas e não aquele que conduz e motiva o aluno
para reorganizar conhecimentos adquiridos e
transformados cientificamente”, completa Maria Lúcia.

Profissão Feminina
É inegável que, até hoje, o magistério seja uma
profissão onde a presença feminina é maioria. Isso
ocorre, sobretudo, porque dar aulas um dia já foi um
diferencial social, sobretudo para a mulher. Na década
de 1950, quando a inserção feminina no mercado de
trabalho ainda era considerada um mito, lecionar era
a saída para as mulheres que desejavam se dedicar
a outras atividades, sem precisar abandonar o lar e
os filhos. Era possível trabalhar somente meio período,
recebendo um salário razoável, e ainda ter tempo para
cuidar da vida. “Eu sou da década de 1960”, afirma
Maria Lúcia. “Nessa época, o costume era educar as
meninas para serem boas mães e donas de casa, e
os meninos para se tornarem homens de negócios.
Portanto eu acabei seguindo o mesmo destino de
tantas outras meninas. Como professora, poderia me
realizar num trabalho simples e ao mesmo tempo
cuidar da família. Por incrível que pareça, na época,
casar com uma professora era sinal de status, porque
socialmente a profissão era respeitada e bem
remunerada”, conta a professora.
Esse quadro só começou a mudar, segundo
Maria Lúcia, com a democratização do ensino na
década de 1980. Foi justamente nessa época que,
com as mudanças, o professor começou a perder seu
status e seu poder aquisitivo, passando a trabalhar
mais do que um período, com um salário menor. “Isso
tornou a profissão socialmente desprestigiada,
afastando ainda mais os homens dessa profissão.
Isso não significa que a democratização do ensino
seja ruim. Acontece que há ausência de políticas
educacionais, de políticas competentes para conciliar
o profissional com um ensino de qualidade”, afirma.
“Não podemos esquecer que toda classe
trabalhadora perde gradativamente seu poder
aquisitivo, não só o magistério que, sem dúvida, foi
uma das categorias mais atingidas”, completou.

Ser professor hoje
“Com a nova LDB e a globalização, tudo está
mudando. Ser professor hoje é escolher uma profissão
pra lá de promissora, mas é preciso uma mudança
radical do professor na sua maneira de encarar o
ensino. Essa mudança deve começar com uma
reflexão sobre sua prática no dia­a­dia para que o
magistério seja encarado como profissão, e não como
um simples ofício”, diz Maria Lúcia. A professora
defende a idéia de que “ensinar é mais do que uma
extensão do trabalho doméstico ou mera execução
de tarefas”. A professora acredita que uma sociedade
que quer ser igualitária e democrática “necessita de
um professor que aprenda a discutir, argumentar e
construir coletivamente o saber cientifico e o espaço
escolar, superando os conflitos e convivendo com as
diferenças”.
“Hoje o professor não dá mais informação, os
alunos chegam com elas! Cabe ao professor ajudar a
selecioná­las e transformá­las em conhecimento
cientifico, usando suas teorias na prática. Ele deve
‘aprender a aprender’ com os alunos e com toda a
comunidade, que precisam participar da escola”,
defende a professora.
Apesar de todos os pesares, Maria Lúcia
continua acreditando na profissão de educador,
e afirma que, mesmo não tendo escolhido ser
professora por vontade própria, “tornei­me
professora por imposição do meu pai”, assim que
entrou numa sala de aula, apaixonou­se. E não
saiu mais. “Aprendi muito com a prática da
educação”, afirma Maria Lúcia. “Adquiri
experiência para lidar com os seres humanos;
aprendi a ter tranqüilidade nas escolhas e
decisões e, acima de tudo, ganhei sabedoria
para criar meus quatro filhos. Não tenho do que
me queixar”.
“Por isso, antes de escolher esta
promissora profissão eu diria que os jovens
precisam amar e gostar do ser humano, encarar o
fato de dar aulas como uma profissão, ser
competente, criativo e perseverante”, afirmou. Agora,
a escolha é sua!
(Por Luciana Mastrorosa)
“Hoje o professor não dá mais
informação, os alunos chegam com elas!
Cabe ao professor ajudar a selecioná­las
e transformá­las em conhecimento
cientifico, usando suas teorias na prática.
Ele deve ‘aprender a aprender’ com os
alunos e com toda a comunidade, que
precisam participar da escola”
Divulgação

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Tribunal Internacional dos Crimes
do Latifúndio do Pará: um ato
contra a impunidade
A palavra texto significa tecido. Com efeito, o texto
é um tecido composto de palavras que se reúnem em
frases, períodos e parágrafos. Mas antes de assumir
essa forma, o texto começa na mente de quem vai
escrevê­lo.
Aí é que reside o grande problema do ensino de
“redação”: ensinam­se técnicas, macetes, dicas, truques,
fórmulas pré­fabricadas de textos, esquemas, roteiros,
etc., mas não se ensina a pensar.
Tem sido comum, nas aulas de redação, a prática
de sugerir aos alunos que escrevam sobre um assunto
em relação ao qual, na maioria das vezes, não têm
sequer afinidade ou aproximação com suas experiências
de vida. A essa prática não se agrega um componente
fundamental, que é o de levar os alunos a se debruçarem
sobre a questão proposta, a discutirem a matéria, a
questioná­la, a enxergá­la de diversas facetas.
Em outras palavras, os alunos não são levados a
pensar sobre o assunto; não se propõe uma discussão
na qual possam externar o que pensam relativamente à
questão. As aulas de redação têm sido momentos
enfadonhos dos quais os alunos participam mais para
se verem livres da tarefa do que para poderem ter a
oportunidade de exteriorizar suas opiniões; participam
mais por questões de recebimento de nota do que por
questões de assumir um compromisso intelectual.
Pois o escrever é comprometer­se intelec­
tualmente; é assumir antes um compromisso com você
mesmo, diante do que pensa sobre o assunto, sobre
aquilo em que acredita, sobre aquilo que forma seu
conjunto de valores e concepções de mundo. Escrever é
conhecer­se; escrever, como dizia Clarice Lispector, é
lembrar­se do que nunca existiu. Escrever, segundo
Roland Barthes, é espantar­se.
Espantamo­nos à medida que conhecemos
sobre nós mesmos, sobre o que nos impulsiona, sobre
o que nos mantém ligados à existência, etc.

Escrever é comprometer­se
Sérgio Simka *
Mas nada disso parece merecer a atenção de
nossos alunos e dos professores, mergulhados que se
encontram num ensino de redação cujo foco consiste
em distanciar cada vez mais os alunos de constituírem
os sujeitos de seu próprio dizer, de seu próprio texto,
que se assenta em experiências de vida, pessoal e
intransferível.
Daí o medo da folha em branco, dos bloqueios
que costumam vir associados ao ato de escrever. Porque
o escrever, na maior parte das vezes, esteve ligado a um
ato que gerou mais frustração do que prazer, que causou
mais traumas do que benefícios, que serviu mais para
aferir a correção gramatical do que para aferir a
capacidade de organização textual­discursiva, que
sempre esteve associado mais a um dom que poucos
têm do que a uma habilidade que todos podem adquirir.
O escrever sempre gerou medo. Temos medo de
escrever porque não sabemos pensar. Porque à
proporção que o ensino nos levava a não pensar, o
ensino nos levava a ter medo de escrever. E escrever,
dentro dessa concepção, pressupunha conhecer as
regras gramaticais, que o ensino também não nos
ensinava. Somos um misto de sem­língua, sem­texto,
sem­escrita, sem­pensamento com outra porção bem
grande de com­medo, com­frustração, com­bloqueios.
O resultado, como se vê, não é nada animador.
Devemos mudar o foco de nossas aulas de
redação, alterando as estratégias, que façam com que o
medo de escrever se transforme no prazer de escrever.
Quando há prazer, tudo fica mais fácil; é mais gostoso,
você não vê a hora, você fica superbem, você fica de bem
com a vida. Por que então não ficar de bem com o ato de
escrever, conferindo­lhe prazer e não medo?
* Sérgio Simka é professor universitário e
autor de Ensino de Língua Portuguesa e Dominação:
por que não se aprende português? (Musa), entre
outros. Seu site: www.sergiosimka.com .
O movimento social camponês realiza de 27 a
30 de outubro de 2003, em Belém, o Tribunal
Internacional dos Crimes do Latifúndio do Pará, quinze
anos depois da realização do Tribunal da Terra.
A iniciativa ocorre para discutir a situação de
violência e os conflitos agrários no Pará, que atingem
proporções gigantescas, envergonhando o estado, que
paira como o primeiro em violência no ranking
nacional. Registros organizados pela Comissão
Pastoral da Terra mostram que, nos últimos 30 anos,
foram assassinados 726 camponeses no estado do
Pará. De 1971 a 1985, observaram­se 340
assassinatos em decorrência de conflitos fundiários.
De 1986 a 2002, foram vitimados 386 camponeses,
demonstrando assim a persistência no tempo do
padrão de violência existente no estado. De todos
esses crimes, houve apenas 7 condenações, sendo
três mandantes, Jerônimo Alves de Amorim, Edílson
Laranjeiras e Vantuir de Paula; um intermediário,
Francisco de Assis Ferreira; e três pistoleiros, Péricles
Ribeiro Moreira, José Serafim e Ubiratan Ubirajara.
O massacre de Eldorado do Carajás configura­
se como o caso mais emblemático de impunidade,
onde 19 camponeses foram assassinados e depois
de 7 anos nenhum dos policiais envolvidos foi para a
cadeia, apesar de dois comandantes terem sido
condenados. A impunidade, infelizmente, não tem
recebido nenhuma atenção especial por parte do Poder
Judiciário do Pará. Por isso, o Tribunal Internacional
dos Crimes do Latifúndio quer julgar todos esses
crimes contra camponeses e lideranças populares no
estado, a partir da elucidação dos casos mais graves
e emblemáticos, especialmente os ocorridos nos
governos de FHC e Almir Gabriel.
Participam deste evento entidades,
personalidades nacionais e internacionais, ativistas
e defensores dos direitos humanos.
No último dia 29 de setembro realizou­se na
sede do Semesp – Sindicato das Entidades
Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino
Superior no Estado de São Paulo – o segundo foro
conciliatório entre o Sinpro ABC e o Instituto Metodista
de Ensino Superior, visando à solução de conflitos
trabalhistas.
Após três horas de negociações, a Metodista
confirmou a devolução aos professores das cartas
de renúncia aos reajustes salariais de setembro de
2003 e janeiro de 2004, de acordo com o que foi
definido no foro anterior. A Metodista propôs, ainda,

Realizado segundo foro conciliatório com  
a Metodista
85% de estabilidade para os professores, mas a
proposta não foi aceita pelo Sinpro ABC, que defende
100% de estabilidade para o corpo docente.
Ficou decidido também que o 13º salário dos
professores será pago 50% em novembro, 25% em
20 de dezembro e 25% junto com o pagamento do
salário de dezembro.
O próximo foro está marcado para o dia 19 de
janeiro de 2004, para discutir as reposições e perdas
do período. A mobilização permanente dos
professores é necessária para alcançar nossos
objetivos.
O Sinpro ABC permanece em negociação
com a UNIABC na tentativa de solucionar os
conflitos coletivos entre a mantenedora e os
professores. Solicitamos aos professores que
denunciem ao Sindicato todos os casos de

Foro conciliatório da UNIABC
abuso e desrespeito à convenção coletiva.
O professor que tiver dúvidas sobre o
cálculo de suas férias deve procurar o
Departamento Jurídico do Sinpro ABC para rever
o cálculo.
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Como conseqüência dos protestos ocorridos
em todo o país, o MEC transferiu para o segundo
semestre de 2004 a realização do Exame Nacional
de Certificação para Professores. A mudança foi
anunciada no dia 12 de setembro, em Brasília, durante
o 1º Encontro Nacional do Sistema de Formação
Continuada e Certificação dos Professores.
No encontro, realizado pela Secretaria de
Ensino Fundamental para definir as matrizes do exame,
houve diversas manifestações contrárias à certificação,
tal qual ocorrera na maior parte dos estados, em
agosto último.
Das 27 reuniões estaduais realizadas para
discutir as matrizes do exame, 14 resultaram em
documentos contrários à iniciativa do MEC, em
particular contra a forma de encaminhamento adotada.
Destes, seis estados, inclusive São Paulo, se
recusaram a discutir as matrizes. O encontro paulista
ocorreu no dia 25 de agosto e contou com a
participação da FEPESP, do SINPRO­SP e do
SINPRO­ABC.
No Encontro Nacional, os professores da rede
privada estiveram representados pela CONTEE, pela
FEPESP e pelo SINPRO­SP. Estiveram presentes
cerca de 800 delegados, divididos em vinte e dois
grupos de trabalhos, cujos relatórios deveriam ser
apresentados, debatidos e votados em plenário, por
todos os delegados.
Para evitar que se repetisse em Brasília o que
ocorrera nos encontros estaduais, os organizadores
do seminário impediram que fossem levados a plenário
os relatórios contrários ao exame de certificação,
muitos dos quais exigiam a revogação da Portaria
1204, que instituiu a certificação.
Houve ainda acusações de que os grupos de
trabalho foram previamente organizados de maneira a
isolar, num único local, todos os delegados contrários
à iniciativa do MEC.
Gafes marcam a
abertura do encontro
A cerimônia de abertura do Encontro Nacional
foi palco de várias impropriedades.
Dizendo­se “ministro dos professores”,
Cristovam Buarque tentou justificar o exame de
certificação comparando a categoria a “atletas que
devem correr atrás de medalhas”. Cometeu também
a deselegância de afirmar que os sindicatos, por serem
entidades corporativas, não assumem a luta pela
qualidade de ensino.
Talvez para mostrar que a certificação era coisa
de Primeiro Mundo, foi convidado a falar o adido
cultural da Espanha, que se encarregou de explicar
como o exame funcionava em seu país. Descobriu­
se, então, que, em comum, havia apenas a
semelhança nos nomes.
A “certificación” espanhola não é nem de longe
a versão tupiniquim inventada pelo MEC. Do outro lado
do Atlântico, é apenas concurso para ingresso no
serviço público. Uma vez aprovado, o professor não
tem que se submeter a exames de cinco em cinco
anos, como aqui. Lá, ele terá garantidas as condições
para desenvolver a formação continuada, inclusive com
licença para estudos.
Depois de seis anos, poderá ainda candidatar­
se a um acréscimo salarial ­ uma espécie de
aceleração no quadro de carreira ­ mediante os cursos
que tenha realizado no período.
Vale lembrar que o professor espanhol não deve
trabalhar em duas, três ou mais escolas, nem precisa
lecionar para mais de 600 alunos, como é freqüente
no Brasil. O discurso do adido cultural espanhol,
portanto, só faz reforçar as críticas à proposta do MEC.
Fonte: FEPESP

MEC adia exame de 
certificação
para professores
O Executivo enviou mensagem ao Congresso Nacional, pedindo a retirada do PL 43/02, que
legaliza a contratação terceirizada. Na mensagem, o governo alerta para as graves conseqüências que
o projeto trará aos trabalhadores, caso ele seja aprovado.
A decisão final, contudo, cabe aos parlamentares, que deverão votar se aceitam ou não a retirada.
Por isso, o Sinpro recomenda que os trabalhadores pressionem os parlamentares e partidos
políticos e enviem mensagem, exigindo a aprovação da mensagem presidencial e a conseqüente retirada
do projeto de lei.
“Pretensamente com o mesmo propósito de
mobilizar recursos políticos para colher vantagens
econômicas, os Estados Unidos tomaram a
iniciativa de integrar, sob seu comando, as
economias do hemisfério Ocidental.
No caso singular do Canadá, a integração
dá continuidade a um processo histórico. Mas, na
América Latina, e em particular no Brasil, esse
plano de integração continental reveste­se de maior
gravidade. Com efeito entre iguais, o Brasil está
firmando um compromisso entre desiguais, pois
quem o lidera é a maior potência econômica, política
e militar do mundo.
É evidente a assimetria entre os futuros co­
signatários do projeto conhecido como Alca, que
estabelece regras comuns para aspecto abrangente
de atividades. Em outras palavras, o plano acarreta
clara perda de soberania para o Brasil, que terá de
renunciar a um projeto próprio de desenvolvimento,
abdicar de uma política tecnológica independente
e esfacelar o seu já fragilizado sistema industrial.
Se o modelo de integração européia objetiva
homogeneizar os padrões de desenvolvimentos de
seus membros, permitindo a mobilidade da mão­
de­obra, a Alca, ao contrário, exclui toda a
possibilidade de fluxos migratórios.
E, mesmo que não excluísse, seria tão
prejudicial para o nosso país que, parodiando às
avessas o famoso escritor que fugiu do nazismo e
veio se suicidar entre nós, poderíamos proclamar:
o Brasil é um país sem futuro.
Faço essas reflexões para enfatizar nossa
responsabilidade coletiva na construção de um
Brasil melhor. Resta­nos velar para que a chama
criativa se mantenha acesa e ilumine as áreas mais
nobres do espírito humano.”
Rio de Janeiro, 13 de junho de 2003.
Celso Furtado
Fonte: Sindicato dos Economistas do Rio de
Janeiro / Conselho Regional de Economia­RJ.

Governo retira projeto de
lei sobre terceirização
Fórum Social Brasileiro
O I Fórum Social Brasileiro, que se realizará de
06 a 09 de novembro de 2003 em Belo Horizonte, Minas
Gerais, foi convocado pelas organizações da sociedade
civil, constituintes do Conselho Brasileiro, seguindo a
Carta de Princípios do Fórum Social Mundial.
Os eixos a serem abordados no Fórum Social
Brasileiro serão discutidos através de conferências
propostas pelo Conselho Brasileiro e também em
atividades auto­gestionadas que serão realizadas pelas
redes e movimentos sociais: painéis, mesas de diálogo,
testemunhos, oficinas, seminários, debates,
convergências, assembléias e laboratórios organizados
pelas entidades participantes.

Para onde vai o Brasil?
“`É evidente a assimetria entre os
co­signatários do projeto
conhecido como Alca”
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Nascemos criativos,
mas, à medida que crescemos,
nossa criatividade vai sendo
sufocada por adultos
interessados em “manter tudo
como está”, porque o novo, o
diferente, ameaça aquilo que
está estabelecido, perturbando
a harmonia da acomodação.
Acontece no lar, na escola e
na sociedade.
Mas aqueles que ousam
perceber a riqueza e o potencial
criativo das crianças, incentivando­as e promovendo­
lhes os meios de desenvolvê­lo, descobrem, fascinados
a contribuição que elas têm a dar, para tornar tudo mais
interessante, atraente e belo.
O resultado tem sido surpreendente e inspirador.
É isso que está sendo repartido com você, educador/a
de educação religiosa, através deste Criativando.
E por ser dinâmico e criativo, está em suas mãos
criar também ao usar esta material, descobrindo novas
formas de fazer.
Autores:
Prof. Luiz Carlos Ramos
Profa.Neusa Cezar da Silva
Prof. Oswaldo de Oliveira Santos Junior
Profa.Telma Cezar da Silva Martins
Contatos: (11) 4427­4908 ou
(11) 4368­8087 (com Telma)

Criativando
Auxílio para Crianças
O Sinpro­ABC promove nos dias 17,18 e 19 de outubro seu 5º Congresso. O tema
deste ano é “Professor: Educador ou prestador de serviço? Educação não é mercadoria!”.
O evento será realizado no Pampas Palace Hotel, em São Bernardo do Campo, e terá a
seguinte programação:

Participe do 5º Congresso do  
Sinpro­ABC
17 de outubro – Abertura – 19h00
Presença confirmada:
Madalena Guasco Peixoto (PUC­SP)
Julio Turra (CUT)
Gilmar Mauro (MST)
Dep. Ivan Valente (PT­SP)
18 de outubro – das 9h00 às 18h00
Presença confirmada:
Roberto Romano (Unicamp)
Carlos Rodrigues Brandão (Unicamp)
Sérgio Haddad (PUC­SP)
19 de outubro – 9h00 às 12h00
Reforma estatutária
Educação não é mercadoria! As inscrições para o 5º Congresso do Sinpro­ABC
podem ser feitas no telefone (11) 4994­0700 ou na sede da entidade
.
Já está pronta a Agenda do Professor 2004,
com o tema “Terra”. Os professores(as) sócios
receberão a agenda já nos próximos dias.
Nossos representantes visitarão as escolas
para fazer a entrega, mas se o professor desejar poderá
retirar a agenda na sede do SINPRO­ABC.
Sindicalize­se!
Informações: (11) 4994­0700

Tome nota
Agenda 2004
O Sindicato dos
Professores do ABC
Paulista – Sinpro ABC –
oferece aos professores
e professoras o seu
Caderno de Formação
número 4 – Paulo Freire:
um educador do Povo.
Este caderno é entregue
à categoria no momento
do 5º Congresso do
Sinpro ABC, quando se
debate o papel dos
educadores – Professor:
educador ou prestador
de serviço?
Paulo Freire nos
deixou a certeza e a confiança de que a educação é um
instrumento de humanização e libertação da mulher e
do homem que sofrem as agruras da opressão política,
econômica e cultural. Ensinou que a educação é uma
conduta, uma postura de vida, uma atitude de respeito
pela cultura popular.
Paulo Freire sintetiza o verdadeiro lutador do povo
brasileiro, que jamais sucumbiu, que jamais se deixou
levar pelos interesses dos poderosos, e esteve sempre
ao lado dos pobres e oprimidos.
Desejamos que os princípios do mestre Paulo
Freire nos permitam seguir lutando e confiando na
educação como um dos instrumentos de libertação do
ser humano.
Estamos certos de que um novo mundo é possível
a partir da solidariedade entre as pessoas.
Informações: (11) 4994­0700

Caderno de Formação nº. 4
Paulo Freire:
um educador do Povo

Conceitos
As tecnologias mais recentes criaram novos espaços para o conhecimento. Além da
escola, também a empresa e o espaço domiciliar tornaram-se educativos: a cada dia
mais pessoas estudam em casa, ou mesmo na empresa, podendo buscar serviços que
respondam às suas demandas de conhecimento nas informações disponíveis na rede
de computadores interligados.

Jacques Delors (1998) aponta como principal conseqüência da Sociedade do


Conhecimento, a necessidade de uma aprendizagem ao longo de toda vida,
fundamentada em quatro pilares que são, ao mesmo tempo, pilares do conhecimento e
da formação continuada:
Aprender a Conhecer
É necessário tornar prazeroso o ato de compreender, descobrir, construir e reconstruir
o conhecimento. Urge valorizar a curiosidade, a autonomia e a atenção. É preciso
aprender a pensar, pensar também o novo, reinventar o pensar.

Aprender a Fazer
Não basta preparar-se profissionalmente para o trabalho. Como as profissões evoluem
muito rapidamente, vale mais a competência pessoal, que torna a pessoa apta a
enfrentar novas situações de emprego e a trabalhar em equipe, do que a pura
qualificação profissional. É essencial saber trabalhar coletivamente, ter iniciativa,
gostar de uma certa dose de risco, ter intuição, saber comunicar-se, saber resolver
conflitos, e ser flexível.

Aprender a Viver Juntos


No mundo atual a tendência é a valorização de quem aprende a viver com os outros, a
compreender os outros, a desenvolver a percepção da interdependência, a administrar
conflitos, a participar de projetos comuns, a ter prazer no esforço comum.

Aprender a Ser
É importante desenvolver sensibilidade, sentido ético e estético, responsabilidade
pessoal, pensamento autônomo e crítico, imaginação, criatividade, iniciativa e
desenvolvimento integral da pessoa em relação à inteligência. A aprendizagem precisa
ser integral não negligenciando nenhuma das potencialidades de cada indivíduo.

A partir dessa visão dos quatro pilares do conhecimento, pode-se prever grandes
conseqüências na educação. O ensino-aprendizagem voltado apenas para a absorção
de conhecimento, que tem sido objeto de preocupação constante de quem ensina,
deverá dar lugar ao ensinar a pensar, saber comunicar-se, saber pesquisar, ter
raciocínio lógico, fazer sínteses e elaborações teóricas, ser independente e autônomo,
enfim, ser socialmente competente. Para desenvolver tais competências, envolvendo
capacidades e habilidades, quer no ensino presencial quer na educação a distância, é
necessário dispor de uma metodologia que trabalhe a informação indicando, ao mesmo
tempo, como ler reconstrutivamente, como construir o próprio texto e como pesquisar.
Esta metodologia também deve ajudar o participante do processo de aprendizagem a
perceber maneiras como as pessoas aprendem.

Na formação continuada, através da educação a distância, é a Mediação Pedagógica


que contribui para uma educação fundada nos quatro pilares acima citados, utilizando
estratégias como:

Relacionamento do tema com a experiência do estudante e de outros personagens


do contexto social;
Desenvolvimento da pedagogia da pergunta;
Utilização da relação dialógica com o estudante;
Construção do texto paralelo pelo estudante;
Envolvimento do estudante num processo que conduz a resultados, conclusões ou
compromissos para a prática;
Processo de auto-aprendizagem; e
Utilização do jogo pedagógico com o princípio de construir o texto.
A mediação pedagógica ocupa um lugar privilegiado em qualquer sistema de ensino-
aprendizagem. No ensino presencial, é o docente quem atua como mediador
pedagógico entre a informação a oferecer e a aprendizagem dos estudantes. Já nos
sistemas de educação a distância, a mediação pedagógica acontece por meio de textos
e outros materiais postos à disposição do estudante. Isto supõe que os mesmos sejam
pedagogicamente diferentes dos materiais utilizados na educação presencial. A
diferença passa, em um primeiro momento, pelo tratamento dos conteúdos que estão
a serviço do ato educativo. Em outras palavras: o conteúdo será válido na medida em
que contribua para desencadear um processo educativo. Uma informação em si mesma
não potencializa o aprendizado da mesma forma que uma informação mediada
pedagogicamente.

A mediação pedagógica parte de uma concepção radicalmente oposta à dos sistemas


de instrução baseados na primazia do ensino como mera transferência de informação.
Para Gutierrez (1990), mediação pedagógica é "o tratamento de conteúdos e de
formas de expressão dos diferentes temas, a fim de tornar possível o ato educativo
dentro do horizonte de uma educação concebida como participação, criatividade,
expressividade e racionalidade".

A mediação pedagógica ocupa um lugar privilegiado em qualquer sistema de ensino-


aprendizagem.

Os cursos do Academos são fruto de cuidadoso projeto de mediação pedagógica que,


durante a produção do curso, se dá sob três enfoques:

Base no tema: situa a temática, define o tratamento do conteúdo, as estratégias de


linguagem e deixa claro os conceitos básicos;
Base na aprendizagem: desenvolve os procedimentos para que a auto-
aprendizagem converta-se verdadeiramente num ato educativo. Os exercícios
utilizados referem-se às experiências e ao contexto do aprendiz;
Base na forma: possibilita o aprendiz identificar-se com o produto pedagógico. O
Academos acredita que a forma é a expressão do conteúdo, e quanto mais bela e
expressiva for aquela, mais se aproximarão os destinatários do conteúdo.

Em cada curso busca-se a interatividade para um aprendizado ativo e, para tanto, os


conteúdos e as estratégias pedagógicas são projetados de modo a prover um alto grau
de interação entre o aprendiz e sua máquina, seu professor e seus colegas. Em cada
módulo do curso o aprendiz deverá encontrar diversas atividades, como exercícios,
simulações, jogos instrucionais, quebra-cabeças, estudo de casos etc., que o façam
aprendiz ativo.

O design pedagógico define a opção de ensino/aprendizagem em que os conteúdos


serão acessados pelos aprendizes, entre as seguintes possibilidades:

Auto-aprendizagem, sem tutoria, individual ou em grupo de aprendizes;


Ensino/aprendizagem, com tutoria, individual ou em grupo.

Diferentes cursos requerem diferentes mídias, que são escolhidas considerando-se o


valor da aplicação, o número de usuários e a velocidade com que a informação
necessita ser distribuída. Se houver necessidade de se entregar informação
rapidamente, os cursos utilizarão mídias simples, como documentos e apresentações.
Por outro lado, mídias sofisticadas são muito eficazes com grandes públicos, com
treinamento com exigências críticas de segurança ou que exijam alto grau de
compreensão e retenção da informação.

No atual estágio tecnológico, as principais mídias utilizadas em cursos Web,


apresentadas em ordem crescente de custo e de tempo necessários para desenvolver o
conteúdo, são as seguintes: Textos e ilustrações; Apresentações em slides;
Documentos; Conteúdo de Web; Streaming Media: áudio e vídeo; Animações;
Simulações.

Quanto mais mediado para a Web for o curso, melhores os resultados obtidos no
processo ensino-aprendizagem, porém mais caro e demorado será o seu
desenvolvimento. Por isso o Academos realiza o desenho do curso com uma equipe de
mediação pedagógica capaz de buscar a melhor relação custo x benefício para cada
aplicação.

Os cursos são projetados por equipes multidisciplinares de design de mediação


pedagógica para Web, compostas por especialistas no conteúdo, em ensino a distância
pela Web, e em Web Design. Na fase de desenvolvimento são utilizados os serviços de
profissionais de análise de sistemas e programação Web que transformam o projeto do
curso em um site Web capaz de ser acessado pelos aprendizes através de Intranets ou
da Internet.

Os quatro pilares de uma educação para o século XXI e suas implicações na prática
pedagógica

Zuleide Blanco Rodrigues*

O livro Educação: um Tesouro a Descobrir, sob a coordenação de Jacques Delors, aborda de


forma bastante didática e com muita propriedade os quatro pilares de uma educação para o
século XXI, associando-os e identificando-os com algumas máximas da Pedagogia prospectiva, e
subsidia o trabalho de pessoas comprometidas a buscar uma educação de qualidade. Diz o texto
na página 89: “À educação cabe fornecer, de algum modo, os mapas de um mundo complexo e
constantemente agitado e, ao mesmo tempo, a bússola que permite navegar através dele”.

Segundo Delors, a prática pedagógica deve preocupar-se em desenvolver quatro aprendizagens


fundamentais, que serão para cada indivíduo os pilares do conhecimento: aprender a conhecer
indica o interesse, a abertura para o conhecimento, que verdadeiramente liberta da ignorância;
aprender a fazer mostra a coragem de executar, de correr riscos, de errar mesmo na busca de
acertar; aprender a conviver traz o desafio da convivência que apresenta o respeito a todos e
o exercício de fraternidade como caminho do entendimento; e, finalmente, aprender a ser,
que, talvez, seja o mais importante por explicitar o papel do cidadão e o objetivo de viver.

Os pilares são quatro, e os saberes e competências a se adquirir são apresentados,


aparentemente, divididos. Essas quatro vias não podem, no entanto, dissociar-se por estarem
imbricadas, constituindo interação com o fim único de uma formação holística do indivíduo.

Jacques Delors (1998) aponta como principal conseqüência da sociedade do conhecimento a


necessidade de uma aprendizagem ao longo de toda vida, fundamentada em quatro pilares, que
são, concomitantemente, do conhecimento e da formação continuada.
A seguir, é apresentada uma síntese dos quatro pilares para a educação no século XXI.

Aprender a conhecer – É necessário tornar prazeroso o ato de compreender, descobrir,


construir e reconstruir o conhecimento para que não seja efêmero, para que se mantenha ao
longo do tempo e para que valorize a curiosidade, a autonomia e a atenção permanentemente. É
preciso também pensar o novo, reconstruir o velho e reinventar o pensar.

Aprender a fazer – Não basta preparar-se com cuidados para inserir-se no setor do trabalho. A
rápida evolução por que passam as profissões pede que o indivíduo esteja apto a enfrentar
novas situações de emprego e a trabalhar em equipe, desenvolvendo espírito cooperativo e de
humildade na reelaboração conceitual e nas trocas, valores necessários ao trabalho coletivo. Ter
iniciativa e intuição, gostar de uma certa dose de risco, saber comunicar-se e resolver conflitos e
ser flexível. Aprender a fazer envolve uma série de técnicas a serem trabalhadas.

Aprender a conviver – No mundo atual, este é um importantíssimo aprendizado por ser


valorizado quem aprende a viver com os outros, a compreendê-los, a desenvolver a percepção
de interdependência, a administrar conflitos, a participar de projetos comuns, a ter prazer no
esforço comum.

Aprender a ser – É importante desenvolver sensibilidade, sentido ético e estético,


responsabilidade pessoal, pensamento autônomo e crítico, imaginação, criatividade, iniciativa e
crescimento integral da pessoa em relação à inteligência. A aprendizagem precisa ser integral,
não negligenciando nenhuma das potencialidades de cada indivíduo.

Com base nessa visão dos quatro pilares do conhecimento, pode-se prever grandes
conseqüências na educação. O ensino-aprendizagem voltado apenas para a absorção de
conhecimento e que tem sido objeto de preocupação constante de quem ensina deverá dar lugar
ao ensinar a pensar, saber comunicar-se e pesquisar, ter raciocínio lógico, fazer sínteses e
elaborações teóricas, ser independente e autônomo; enfim, ser socialmente competente.

Uma educação fundamentada nos quatro pilares acima elencados sugere alguns procedimentos
didáticos que lhe seja condizente, como:

• Relacionar o tema com a experiência do estudante e de outros personagens do contexto


social;
• Desenvolver a pedagogia da pergunta (Paulo Freire e Antonio Faundez, Por uma
Pedagogia da Pergunta, Editora Paz e Terra, 1985);
• Proporcionar uma relação dialógica com o estudante;
• Envolver o estudante num processo que conduz a resultados, conclusões ou
compromissos com a prática;
• Oferecer um processo de auto-aprendizagem e co-responsabilidade no processo de
aprendizagem;
• Utilizar o jogo pedagógico com o princípio de construir o texto.

Conclusão
Presenciamos um momento muito importante em nosso país, o da demanda por educação, que,
ao crescer, faz com que sociedade e instituições, em uníssono, movimentem-se no atendimento
a essa urgência nacional. Essa é uma tarefa importante e é isso que se espera que o Brasil faça.
Temos materiais e idéias. É preciso pôr em prática todos os estudos e projetos para a
modernização da educação.
Para mudar nossa história e lograr conquistas, precisamos ousar em cortar as cordas que
impedem o próprio crescimento, exercitar a cidadania plena, aprender a usar o poder da visão
crítica, entender o contexto desse mundo, ser o ator da própria história, cultivar o sentimento de
solidariedade, lutar por uma sociedade mais justa e solidária e, acima de tudo, acreditar sempre
no poder transformador da educação.

Sugestão de leituras
DELORS, Jacques (Coord.). Os quatro pilares da educação. In: Educação: um tesouro a
descobrir. São Paulo: Cortezo. p. 89-102.

FREIRE, Paulo; FAUNDEZ, Antonio. Por uma pedagogia da pergunta. Rio de Janeiro: Paz e Terra,
1985.

OS QUATRO PILARES DA EDUCAÇÃO


Jaques Delors et al *

Para poder dar resposta ao conjunto das suas missões, a educação deve organizar-se em torno de quatro
aprendizagens fundamentais que, ao longo de toda a vida, serão de algum modo, para cada indivíduo, os
pilares do conhecimento: aprender a conhecer, isto é, adquirir os instrumentos da compreensão; aprender a
fazer, para poder agir sobre o meio envolvente; aprender a viver juntos, a fim de participar e cooperar com os
outros em todas as atividades humanas; finalmente, aprender a ser, via essencial que integra as três
precedentes. É claro que essas quatro vias do saber constituem apenas uma, dado que existem entre elas
múltiplos pontos de contato, de relacionamento e de permuta.

Mas, em regra geral ensino formal orienta-se, essencialmente, se não exclusivamente, para o aprender a
conhecer, e, em menor escala, para o aprender fazer. As outras duas aprendizagens dependem, a maior parte
das vezes, de circunstâncias aleatórias quando não são tidas, de algum modo, como prolongamento natural
das duas primeiras. Ora, a Comissão pensa que cada um "dos quatro pilares do conhecimento" deve ser
objeto de atenção igual por parte do ensino estruturado, a fim de que a educação apareça como uma
experiência global a levar a cabo ao longo de toda a vida, no plano cognitivo como no prático, para o indivíduo
enquanto pessoa e membro da sociedade.

Desde o início dos seus trabalhos que os membros da Comissão compreenderam que seria indispensável,
para enfrentar os desafios do próximo século, assinalar novos objetivos à educação, e, portanto, mudar a
idéia que se tem da sua utilidade. Uma nova concepção ampliada de educação devia fazer com que todos
pudessem descobrir, reanimar e fortalecer o seu potencial criativo - revelar o tesouro escondido em cada um
de nós. Isto supõe que se ultrapasse a visão puramente instrumental da educação, considerada como a via
obrigatória para obter certos resultados, (saber-fazer, aquisição de capacidades diversas, fins de ordem
econômica), e se passa a considerá-la em toda a sua plenitude: realização da pessoa que, na sua totalidade,
aprende a ser.

A educação ao longo de toda a vida baseia-se [portanto] em quatro pilares:

Aprender a conhecer, combinando uma cultura geral, suficientemente vasta, com a possibilidade de trabalhar
em profundidade um pequeno número de matérias. O que também significa: aprender a aprender, para
beneficiar-se das oportunidades oferecidas pela educação ao longo de toda a vida.

Aprender a fazer, a fim de adquirir, não somente uma qualificação profissional, mas, de uma maneira mais
ampla, competências que tornem a pessoa apta a enfrentar numerosas situações e a trabalhar em equipe.
Mas também aprender a fazer, no âmbito das diversas experiências sociais ou de trabalho que se oferecem
aos jovens e adolescentes, quer espontaneamente, fruto do contexto local ou nacional, quer formalmente,
graças ap desenvolvimento do ensino alternado com o trabalho.

Aprender a conviver-viver juntos desenvolvendo a compreensão do outro e a percepção das


interdependências - realizar projetos comuns e preparar-se para gerir conflitos - no respeito pelos valores do
pluralismo, da compreensão mútua e da paz.

Aprender a ser, para melhor desenvolver a sua personalidade e estar à altura de agir com cada vez maior
capacidade de autonomia, de discernimento e de responsabilidade pessoal. Para isso, não negligencia na
educação nenhuma das potencialidades de cada indivíduo: memória, raciocínio, sentido estético, capacidades
físicas, aptidão para comunicar-se.

Numa altura em que os sistemas educativos formais tendem a privilegiar o acesso ao conhecimento, em
detrimento de outras formas de aprendizagem, importa conceber a educação como um todo. Esta perspectiva
deve, no futuro, inspirar e orientar as reformas educativas, em nível tanto de elaboração de programas como
da definição de novas políticas
pedagógicas.

(*) Texto transcrito do Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o Século
XXI, coordenada por Jacques Delors.

"Os quatro pilares da educação". (Resenha da obra de Jacques D’Elors (Org.). Educação: um tesouro a
descobrir. Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI. São
Paulo, Cortez, 1998, Cap. 4).

Sandra R. Vanessa
Faculdades Associadas Ipiranga, Curso Pedagogia. Novembro, 1998

Este capítulo nos leva a fazermos uma reflexão séria, sobre o futuro da educação para o próximo século. Fala
da educação e de suas obrigações, que cabe a educação dar informações e fórmulas para que o indivíduo
possa viver socialmente, e ter material suficiente para a sua sobrevivência, conforme diz o texto (pg.89); "À
educação cabe fornecer, de algum modo, os mapas de um mundo complexo e constantemente agitado e, ao
mesmo tempo, a bússola que permite navegar através dele".

Para que isso ocorra segundo o autor a educação deve ater-se em torno de quatro aprendizagens fundamentais,
que serão para cada indivíduo, os pilares do conhecimento; aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a
viver juntos, aprender a ser. Temos que perceber que estas quatro vias do saber, torna-se apenas uma devido
ser uma dependente da outra, necessitando sempre de trocas de informações entre elas.

Aprender a conhecer

Para mostrar como devemos aprender a conhecer, o texto diz que este tipo de aprendizagem tem a finalidade e
o seu fundamento é o prazer de compreender, de conhecer e de descobrir. Para isso a educação deverá criar
formas para que a escolaridade tenha seu tempo prolongado. Ou seja que o adulto, após concluir seus estudos
possa prosseguir com vontade de fazer novos cursos, pesquisa etc., fazendo-o perceber que o aumento do
saber o faz compreender melhor o ambiente, sob os seus diversos aspectos, com isso ser mais critico e
atualizado. Na criança, desperta-la e aguçá-las para que tenha mais prazer de estudar, mas é essencial que ela
possa ter acesso às metodologias científicas, com isso possa ser "amiga da ciência". Enfim aprender a
conhecer antes de tudo o indivíduo deve aprender a aprender, para isso deverá até o final de sua vida estar
sempre atualizado, fazer cursos de especialização da sua profissão exercitar a leitura e as pesquisas pois assim
ele terá mais facilidade para encarar todas as situações e com isso ser competitivo dentro da sociedade onde
vive. Também o indivíduo deverá exercitar a memória, pois a criança aprende o exercício do pensamento com
os pais, depois com os professores.

Aprender a fazer
Segundo o texto "Aprender a conhecer e aprender a fazer são em larga medida indissociáveis". Porém
aprender a fazer tem maior referência com a formação profissional. O indivíduo aprende e põe em prática os
seus conhecimentos. Temos que perceber que aprender a fazer não pode ser apenas ensinar o jovem para uma
função onde fará uma tarefa material. Para isso deverá o jovem ser sempre atualizado, de acordo com o
desenvolvimento industrial.

Da noção de qualificação à noção de competência:

Aqui o autor cita o qual é importante a competência pessoal, principalmente na indústria, especialmente para
os operadores e os técnicos. Para a indústria atual as tarefas físicas estão sendo substituídas pôr tarefas mais
intelectuais e mais mentais. Para isso é necessário que o trabalhador a cada dia se especialize e se atualize
para atender as exigências do mercado de trabalho moderno, é preciso Ter uma perfeita combinação entre
qualificação, comportamento social, sentido de equipe e capacidade de iniciativa. Segundo o autor para os
dirigentes empresarias, as qualidades do "Saber Ser" se juntam ao "Saber" e ao "Saber Fazer". Isto fez com
que a comissão, alerta-se para a importância de ligação que a educação deve manter entre os diversos aspectos
da aprendizagem. Qualidades como a capacidade de comunicar, de trabalhar com os outros, de gerir e de
resolver conflitos tornam-se cada vez mais importantes.

A "desmaterialização" do trabalho e a importância dos serviços entre as atividades assalariados.

Para falar sobre este assunto o autor mostra o crescente aumento e as consequências negativas sobre a
aprendizagem da "desmaterialização". A formação de inúmeros profissionais técnicistas os quais futuramente
possam criar graves disfunções, exigindo qualificações de novo tipo com base mais comportamental do que
intelectual ou seja não é o nível superior que ensina a intuição, o jeito, a capacidade de julgar, e a capacidade
de manter unida uma equipe.

Isto dá oportunidades para as não formados ou seja profissionais com essas qualidades natos porém sem
nenhum curso superior.

O trabalho na economia informal.

Nesta o autor como exemplo as economias em desenvolvimento, em países da África Sub-Saariana e alguns
países da América Latina e da Ásia, onde a maioria da população não tem emprego assalariado e vivem da
economia informal de região somente para sua subsistência. A questão levantada nestes países é de como
comportar-se eficazmente, numa situação de incerteza como participar na criação do futuro? (pág. 96).

Aprender a viver juntos, aprender a viver com os outros.

Para que todos possam aprender a viver juntos, e aprender a viver com os outros, tem a educação um papel
importantíssimo, e um grande desafio, já que a opinião pública toma conhecimento através dos meios de
comunicação e nada pode fazer. Conforme diz o autor a história humana sempre foi escrita pelos conflitos
raciais e até mesmo de religiosos etc. Para ele cabe a educação trabalhar para a mudança deste quadro desde a
simples idéia de ensinar a não violência, o não preconceito etc. Porém deve utilizar duas vias
complementares, primeiro a descoberta progressiva do outro, segundo ao longo de toda a vida a participação
em projetos comuns que parece um método eficaz para evitar ou melhorar conflitos latentes.

A descoberta do outro

A missão da educação, transmitir conhecimentos sobre a diversidade humana, bem como mostrar e levar as
pessoas a conscientizar sobre as interdependências entre todos os seres humanos do planeta. Segundo o texto
as disciplinas mais adaptadas para este fim são; Geografia humana a partir do ensino básico e as Línguas e
Literaturas estrangeiras nos cursos posteriores.
Baseado nisto educando a criança desde pequena a descobrir a si mesma, poderá estas se por no lugar dos
outros assim compreendendo-as e respeitando-as. O professor não deve Ter regras que mantém a curiosidade
dos adolescentes, se assim o fizer prejudicaram-os a vida inteiras, pois não aceitarão pessoas de outro grupos
ou nações. Para o Século XXI é indispensável o diálogo e a troca de argumentos.

Tender para objetivos comuns

A exemplo dos desportos como os jogos olímpicos, copa do mundo e jogos entre nações, a educação formal
deve iniciar os jovens em programas onde haja o cooperativismo. Importante é que haja um bom
relacionamento entre professor e aluno, que ambos desenvolvam projetos comum, com o intuito de resolver
os conflitos.

Aprender a ser

Reafirmado pela comissão, a educação deve contribuir para o desenvolvimento total da pessoa, espírito e
corpo, inteligência, sensibilidade, sentido estético, responsabilidade pessoal, espiritualidade. Todos os seres
humanos devem ser preparados pela educação que recebe, para agir nas diferentes circunstâncias da vida. Para
isso cada um deverá Ter pensamentos autônomos e críticos, ou seja personalidade própria.

Deverá o ser humano estar preparados para as mudanças principalmente evitar a desumanização do mundo
relacionado com a evolução técnica.

Portanto a educação deve preparar as crianças e aos jovens para possíveis descobertas e de experimentação.

"O desenvolvimento tem pôr objeto a realização completa do homem, em toda a sua riqueza e na
complexidade das suas expressões e dos seus compromissos: Indivíduo, membro de uma família e de
coletividade, cidadão e produtos, inventos de técnicas e criador de sonhos" (pag. 101).

Pistas e recomendações

- Os quatros pilares da educação devem ser a base ao longo de toda a vida.

- Aprender a conhecer, é o mesmo que aprender a aprender, para se beneficiar das oportunidades oferecidas.

- Aprender a fazer, tornar as pessoas aptas a enfrentar numerosas situações e a trabalhar em equipe, não
somente uma qualificação profissional.

- Aprender a viver juntos, desenvolver a compreensão do outro e a percepção dos interdependências realizar
projetos comuns, nos valores do pluralismo e da compreensão mutua de paz.

- Aprender a ser, desenvolver sua personalidade, maior capacidade, responsabilidade pessoal.

Conclusão

O texto deste capítulo é fácil de ler e compreender, pôr ser um assunto atual e importantíssimo. Porém nos
perguntamos o porque tudo o que se fala e o que se conclui não é posto em prática? Já está mais que na hora
de alterarmos este quadro atual da educação que parece que está sem futuro.

Temos material e temos idéias que pode reverter este pobre e triste quadro. Devemos lutar e pôr em prática
todos os estudos e projetos para a modernização da educação. Devemos parar de escrever e criticar sobre o
assunto e mudar radicalmente o ensino, caso não façamos isso não conseguiremos um desenvolvimento, e
seremos para sempre um país subdesenvolvido.
EDUCAÇÃO PARA CONVIVÊNCIA E A COOPERAÇÃO
MS. JEFEFRSON CAMPOS LOPES (ver currículo)
1. INTRODUÇÃO
Partindo da premissa que para uma educação voltada para a convivência e cooperação seja realmente concretizada,
precisamos observar alguns pontos que caracterizem este processo.
Para tal, a convivência é uma condição importante da vida cotidiana, relação esta que, na medida em que buscamos a
melhoria da qualidade interpessoal e intrapessoal, podemos desenvolver e aperfeiçoar competências na perspectiva de viver
juntos.
Com relação à cooperação, num primeiro momento temos que identificar o quanto os nossos comportamentos e atitudes estão
condicionados e postos em prática, em situações que favoreçam uma posição que nos coloquem numa constante competição,
gerando confronto, e em que sejamos vistos como vitoriosos e considerados os melhores por tal resultado.
Neste processo ou jogo da vida, precisamos resgatar e valorizar atitudes e comportamentos mais humanos por meio de uma
visão um pouco diferente da que estamos acostumados a ver quando realizamos esse jogo da vida, de maneira que possamos
experimentar novas alternativas que mostrem que é possível existir outros caminhos que possam ser incorporados de maneira
espontânea e autêntica com a devida importância de sermos, essencialmente, o que somos e valorizarmos o que fazemos.

2. PILARES DA EDUCAÇÃO
O conceito da Educação, ao longo de toda a vida, aparece como uma das chaves de acesso ao século XXI.
A literatura existente aborda diversos conceitos sobre educação, mas neste caso, gostaríamos de citar uma educação que se
baseia na função de preparar na autoformação do cidadão. Segundo Morin (2001), o objetivo da educação não é o de somente
transmitir conhecimentos, mas criar um espírito para toda vida, onde ensinar é viver em transformações consigo próprio e com
os outros.
Baseando-se nesta citação, é possível afirmar que um dos fatores que garantem essa educação é fundamentado em palavras,
como cooperação e autonomia.
Partindo dessas palavras, encontramos no dicionário de língua portuguesa suas definições para podermos entender melhor o seu
significado:
COOPERAÇÃO: trabalhar e ajudar para alcançar um objetivo comum.
AUTONOMIA: faculdade de governar por si só.
Segundo Orlick (1989, p.105), a cooperação é "uma força unificadora, que agrupa uma variedade de indivíduos com
interesses separados numa unidade coletiva" e, segundo Freire (1996), autonomia é a prática da liberdade.
Lendo estas definições objetivas (dicionário) e citações (autores), acrescentamos que a educação proposta por meio dos Pilares
da Educação tem em sua forma de autonomia um comando da consciência em que, por meio da cooperação, podemos criar uma
rede de funções com desempenhos relacionados uns com os outros.
Dessa forma, atuar em educação é, antes de tudo, uma jornada ao longo de um conjunto de respostas organizadas em torno
dos quatro Pilares da Educação, apontados pelo relatório da UNESCO (Delours, 1999, p.101-2), no sentido que estes pilares
possam transformar-se em um instrumento que facilite a sua implementação:
Aprender a conhecer: significa combinar a cultura geral com as possibilidades do aumento dos saberes num continuo
exercício do aprender a aprender para beneficiar-se das oportunidades oferecidas pela educação ao longo de toda a vida.
Aprender a fazer: a fim de poder agir, não somente sobre uma qualificação profissional, mais sim ampliando suas
competências no âmbito das diversas experiências sociais ou de trabalho.
Aprender a viver juntos: participando e cooperando na compreensão do outro e na percepção das interdependências, realizando
projetos e preparando-se para gerir conflitos e no respeito pelos valores humanos, da compreensão mútua e da paz.
Aprender a ser: contribuir para o desenvolvimento mental, corporal e espiritual a fim de atingir uma realização completa com
cada vez maior capacidade de autonomia de cada interser.
Sendo assim, o saber, o saber fazer, o saber conviver juntos e o saber ser constituem quatro aspectos, intimamente ligados,
de uma realidade de experiência vivida e assimilada por momentos de compreensão e criação pessoal.
Para tal, a educação deve desenvolver e formar cidadãos com estas novas competências, que serão necessidades
fundamentais para a convivência entre os outros, partindo da condição de estar cooperando para uma melhoria da qualidade de
vida.

O JOGO
A discussão a seguir será sobre o jogo, numa condição de vital importância e relevância que exerce como forma e processo
de aprendizagem. Nesse contexto, hoje, a maioria dos filósofos, sociólogos, etnólogos, antropólogos e professores de educação
física concordam em compreender o jogo como uma atividade que contém em si mesmo o objetivo de decifrar os enigmas da
vida e de construir momentos de prazer.
Sendo assim, Huizinga (1996, p.33) expressa a noção do jogo como:
Uma atividade ou ocupação voluntária, exercida dentro de certos e determinados limites, dotados de um fim em si mesmos,
acompanhados de um sentimento de tensão e de alegria e de uma consciência de ser diferente da vida cotidiana.
Assim, a alegria é a finalidade do jogo, em que, quando esta finalidade é atingida, a estrutura de como se pode jogar assume
uma qualidade muito específica; torna-se uma ferramenta de aprendizagem que mantém uma constância de forma a dar prazer
e de continuar sendo eterno.
Portanto, podemos verificar que o jogo é muito importante, não só porque ficamos alegre ou nós dá prazer, mas quando
estamos vivendo-o, direta e reflexivamente, estamos indo além da sua representação simbólica de vida.
De acordo com Brotto (1999, p.16), a idéia da aproximação do jogo com a vida numa representação do reflexo de um sobre
outro é: "eu jogo do jeito que vivo e vivo do jeito que jogo".
Nesse sentido, o jogo passa a ter a capacidade de desenvolver, por meio dele, formas e contribuições para gerar talentos,
aperfeiçoar potencialidades e criar novas habilidades de conviver.
Um outro autor a ser destacado é Friedmann (1996), que, baseando-se nos estudos de Piaget, afirma que o jogo pode ser
utilizado como forma de incentivar o desenvolvimento humano por meio de diferentes dimensões, que são: