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INFORMAÇÕES SOBRE O ICMS INCIDENTE NA PRODUÇÃO DO RS

O ICMS é um imposto não cumulativo no qual, para calcular o valor a pagar, deduz-se do
seu valor total - que é uma alíquota, uma porcentagem, do preço de cada venda - o que já foi pago
nas vendas das etapas anteriores e dos insumos consumidos para produzir o bem tributado. Assim, a
sua carga real para a população é medida na essência pela chamada Alíquota Básica, que é aquela
incidente sobre todos os bens, com a exclusão apenas daqueles que a lei excepcionar. Os estados
costumam excepcionar da alíquota básica alguns bens essenciais, como os da Cesta Básica, sobre os
quais a alíquota é inferior - usualmente 7% -, e outros bens supérfluos ou de difícil sonegação,
como bebidas, cigarros, combustíveis, energia e comunicação, em que cobram alíquotas por volta
de 25%, havendo valores de até 37%.

Não há Alíquota Básica no País inferior à do RS, que é de 17%, como pode ser
constatado na tabela seguinte, que também reproduz as alíquotas básicas dos principais estados
exportadores:

Unidade A menor
RS PR SP RJ MG
Federativa do Brasil
Alíquota
17% 18% 18% 19% 18% 17%
Básica

A energia industrial e rural, o diesel e o gás, que são importantes insumos da produção,
têm, no RS, as menores alíquotas do Brasil, como se pode constatar na planilha seguinte, que
também reproduz as maiores alíquotas do País e as que são adotadas nos principais estados
exportadores:

Unidade A menor A maior


RS PR SP RJ MG
Federativa do Brasil do Brasil
Energia 18 a
17% 27% 18% 18% 17% 30%
Industrial 25%*
Energia
0% 0% 18% 13% 18% 0% 27%
Rural

Diesel 12% 12% 12% 12% 12% 12% 25%

Gás 12% 18% 18% 18% 18% 12% 25%

* 18%, até 300 Kw/hora, e 25% sobre o excedente.

É importante frisar que nenhuma das alíquotas acima foi alterada pelo aumento das
alíquotas de comunicação e de alguns itens de energia e de combustíveis promovido pelo
governo do RS, em dezembro de 2004, como último recurso disponível para ele poder cumprir
suas obrigações constitucionais. Naquele transitório ajuste das alíquotas desses poucos itens,
também ficaram excluídas do aumento a gasolina de aviação e a energia da iluminação pública e a
dos domicílios de 394 mil famílias – 1,4 milhão de gaúchos - de baixa renda, para as quais,
inclusive, a alíquota foi reduzida para 7%. Apesar de todas essas limitações do aumento, foi ele
denunciado como grave acréscimo nos custos da produção gaúcha, em muito devido à nossa
incapacidade de transmitir as corretas informações aqui contidas.

A VERDADEIRA CARGA DO ICMS SOBRE A PRODUÇÃO NO RS:

I - NA PRODUÇÃO INDUSTRIAL

Neste setor, temos as seguintes alíquotas e reduções do ICMS:

a) Alíquota básica de 17%, a menor do Brasil;


b) alíquota de energia elétrica de 17%, a menor do Brasil;
c) alíquota do óleo diesel de 12%, a menor do Brasil;
d) alíquota do gás de 12%, a menor do Brasil;
e) alíquota de 0% nos equipamentos para o ativo fixo, se importados e sem similar gaúcho;
f) alíquota de 0% sobre o transporte entre empresas de qualquer insumo ou produto acabado, e
g) redução do ICMS a pagar em valor igual ao frete do aço plano que vem de outros estados.

Afora essas genéricas e favoráveis características, o Estado tem implementado inúmeras


medidas redutoras do valor do ICMS a ser pago na produção de vários bens, entre os quais carnes,
arroz, trigo, pão, massas, vinho, doces, compotas, serviços e bens de tecnologia da informação, com
o objetivo de manter a competitividade desses setores, ameaçada pela guerra fiscal adotada por
alguns estados.

Além disso, em 2004, o governo criou um programa denominado RS COMPETITIVO, de


grande relevância para a competitividade de setores produtivos gaúchos, ampliado no final de 2005
com a inclusão de mais setores, estabelecendo, por exemplo, a redução da alíquota do ICMS, de
17% para 12%, em todos os elos das cadeias produtivas, até o varejo, para produtos dos seguintes
setores:

• CALÇADISTA
• TÊXTIL
• MOVELEIRO
• PETROQUÍMICO
• PLÁSTICO
• ATACADISTA

II - NA PRODUÇÃO RURAL

Neste setor, é praticamente 0% a carga do ICMS, haja vista que:

a) na aquisição de insumos para a produção, tais como adubos, fertilizantes, sementes, mudas,
reprodutores, rações e vacinas, não há pagamento de ICMS;
b) na aquisição de máquinas e equipamentos, como tratores, colheitadeiras e arados, não há
pagamento de ICMS;
c) na aquisição de energia elétrica, inclusive a consumida na residência do produtor e nos
levantes de água para irrigação, não há pagamento de ICMS;
d) nas vendas, para a indústria ou o comércio, de qualquer dos bens produzidos, seja vegetal ou
animal, como grãos, legumes, frutas, gados e aves, destinados à industrialização ou
comercialização, não há pagamento de ICMS;
e) no transporte de todo produto entre a propriedade rural e qualquer fábrica, loja ou depósito
no RS, realizado por transportador do estado, não há pagamento de ICMS;
f) na comercialização ao consumidor final de produtos hortigranjeiros, tais como frutas,
verduras, hortaliças e diversos outros produtos primários, não há pagamento de ICMS, e que
g) até os talonários das notas que devem acompanhar os produtos que vendem um milhão de
produtores rurais são a eles fornecidos, gratuitamente, pelo governo.

III – NAS MICROEMPRESAS E EMPRESAS DE PEQUENO PORTE -EPP

Em dezembro de 2005, foi sancionada pelo governador Rigotto a nova Lei do ICMS para as
micro e pequenas empresas do RS, que simplifica e diminui radicalmente o ICMS a ser por elas
pago, reduz a sonegação e incorpora ao mercado legal um grande número de empresas que estão na
informalidade. Ela pode ser considerada a mais simples, ampla e adequada de todo o País. Com ela,
cerca de 300 mil empresas gaúchas estão enquadradas no SIMPLES RS, um novo sistema de
pagamento do ICMS para as Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - EPP, no qual:

a) a Microempresa, aquela com faturamento anual de até R$ 244 mil, tem isenção total do
ICMS, e

b) as Empresas de Pequeno Porte - EPP, aquelas com faturamento anual de até R$ 2,42
milhões, têm alíquota de 0%, para a faixa do seu faturamento até R$ 244 mil; de 2%, para a
faixa acima de R$ 244 mil e até R$ 727 mil; de 3%, para a faixa acima de R$ 727 mil e até
R$ 1,45 milhão e de 4%, para a faixa acima de R$ 1,45 milhão e até R$ 2,42 milhões.

REFLEXÃO FINAL

O Rio Grande do Sul construiu ao longo dos anos a mais favorável legislação do ICMS para
a produção industrial e rural, e isso muito tem ajudado a atrair novos investimentos para o Estado.
Todavia, por uma falha de comunicação, principalmente a partir do restrito aumento das alíquotas
sobre a comunicação e sobre parte da energia e dos combustíveis votado em dezembro de 2004,
para viger a partir de 01/04/2005, formou-se a absurda convicção de que, contrariamente aos fatos
reais, o RS tem uma carga tributária que lhe tira competitividade e inibe a produção local. Essa
equivocada interpretação precisa ser corrigida, não apenas para que a verdade seja reconstituída,
mas para que tal desinformação não acabe provocando a perda de preciosos investimentos que
sempre são de grande valia para o desenvolvimento e para o povo do nosso Estado.
É lamentável que um restrito aumento do ICMS, indispensável, comedido, racional, que
inclusive dele excluiu o setor produtivo, e que vigeria por apenas passageiros 21 meses, tenha
causado tantos dissabores e tanta deformação na sua interpretação, ainda mais que aquela ação do
governo era essencial para ele manter as suas funções constitucionais básicas, que restaram
atendidas na plenitude, apesar de o RS ter, reconhecidamente, dificílima condição de
governabilidade, em virtude de um profundo desequilíbrio estrutural nas suas contas públicas.

Mas o que causa maior perplexidade é que o tão criticado aumento do ICMS resumiu-se
apenas a:
a) um acréscimo de 5% na alíquota de comunicação, durante nove meses, que já se
reduziu para 4% desde o dia primeiro de janeiro, e que já se extinguirá no final do
corrente ano;

b) um acréscimo de 5% na alíquota de energia elétrica, exclusivamente do comércio e


das residências das classes médias e altas, durante nove meses, que já se reduziu
para 4% desde o dia primeiro de janeiro, e que já se extinguirá no final do corrente
ano, devendo-se notar que o comércio só paga a metade do acréscimo, já que
desconta a metade dele no pagamento do seu ICMS, de acordo com a legislação
gaúcha, e

c) um acréscimo de 4% na alíquota do álcool e da gasolina, excluída a de aviação


agrícola e de treinamento, durante nove meses, que já se reduziu para 3% desde o
dia primeiro de janeiro, e que já se extinguirá no final do corrente ano.

O desequilíbrio fiscal do RS, acumulado por antigas legislações que implantaram


privilégios, intumesceram o Estado, e estabeleceram grande precocidade nas aposentadorias,
agravado por décadas de taxas de juros insustentáveis, decorrentes de ruinosa política econômica
que levaram o Estado a um endividamento fantástico, só pode ser superado, paulatinamente, com as
medidas possíveis para a redução dos gastos e o aumento da produção, como vem procurando
implementar o Governo Rigotto.

Para que não se comprometa esse fundamental aumento da produção, com a interrupção da
atração recorde de empresas que o RS tem conseguido nos três últimos anos, é fundamental que os
agentes econômicos do estado e de fora dele passem a ver, após uma análise serena dos fatos, que,
na verdade, contrariamente ao que se tem divulgado:

NÃO HÁ ESTADO BRASILEIRO COM CARGA TRIBUTÁRIA DE ICMS SOBRE A


PRODUÇÃO, QUER SEJA INDUSTRIAL, QUER SEJA RURAL, MENOR DO QUE A DO
RIO GRANDE DO SUL.

NÃO HÁ, NO PAÍS, LEI DE ICMS PARA MICROEMPRESAS E EMPRESAS DE


PEQUENO PORTE – EPP - MAIS SIMPLES, MAIS AMPLA E MAIS FAVORÁVEL À
FORMALIDADE E AO CRESCIMENTO DESSAS EMPRESAS DO QUE A ADOTADA
PELO RIO GRANDE DO SUL.

NÃO HÁ HOJE, NO BRASIL, ESTADO COM CONSCIÊNCIA SUPERIOR À DO RS


SOBRE A IMPORTÂNCIA DO DESENVOLVIMENTO E SOBRE O FUNDAMENTAL
PAPEL ECONÔMICO-SOCIAL CUMPRIDO PELAS EMPRESAS, QUE SEMPRE
PERCEBERÃO O AMBIENTE ACOLHEDOR QUE O POVO GAÚCHO CONFERE AO
SEU ESFORÇO PARA PRODUZIR RIQUEZA E GERAR POSTOS DE TRABALHO.

Luis Roberto Ponte


Porto Alegre, 14 de fevereiro de 2006