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Motores

As máquinas eléctricas são classificadas, quanto ao movimento, em dois grupos principais: máquinas estáticas e máquinas rotativas. As estáticas são constituídas pelos diferentes transformadores existentes, os quais não possuem nenhum órgão em movimento, não tendo por isso tantas perdas mecânicas por atrito; transformam a energia eléctrica em energia eléctrica. As máquinas eléctricas rotativas são máquinas que transformam energia eléctrica em mecânica ou energia mecânica em eléctrica. Quanto ao tipo de alimentação, as máquinas eléctricas rotativas podem ser de corrente alternada (monofásica ou trifásica) ou de corrente contínua. Quanto á função que desempenham, podem funcionar como geradores ou como motores. No primeiro caso, transformam energia mecânica em eléctrica e, no segundo caso, eléctrica em mecânica. As máquinas rotativas de corrente alternada podem ser ainda classificadas, quanto á velocidade do rotor, em máquinas síncronas e assíncronas. No quadro 1, apresentamos as diferentes classificações das máquinas eléctricas rotativas.

Máquinas Eléctricas rotativas
Máquinas Eléctricas
rotativas
De corrente continua
De corrente
continua
De corrente alternada
De corrente
alternada
Geradores (dínamos)
Geradores
(dínamos)
Motores
Motores
Geradores
Geradores
Motores
Motores
Síncrono (alternador)
Síncrono
(alternador)
Assíncrono
Assíncrono
Síncrono
Síncrono
Assíncrono
Assíncrono

Quadro 1 Classificação das máquinas eléctricas rotativas

As máquinas de corrente alternada são as mais utilizadas, não só porque a rede de corrente alternada está mais vulgarizada, mas também porque, no caso dos motores, o motor assíncrono é bastante mais barato e mais robusto do que o de corrente contínua. As máquinas eléctricas rotativas funcionam como geradores e como motores, isto é, transformam energia mecânica em energia eléctrica e energia eléctrica em mecânica.

Motores As máquinas eléctricas são classificadas, quanto ao movimento, em dois grupos principais: máquinas estáticas e

Fig.2.1Transformações energéticas no gerador e no motor.

No gerador, a energia absorvida é mecânica e a energia fornecida é eléctrica no motor é exactamente o contrário. As máquinas de corrente alternada dividem-se em dois grandes grupos: máquinas síncronas e máquinas assíncronas. Uma máquina diz-se síncrona quando roda a velocidade de sincronismo. Uma máquina diz-se assíncrona quando roda a uma velocidade n diferente (geralmente inferior) da velocidade de sincronismo. Diferenças entre motor síncrono e motor assíncrono Velocidade ns=n1 motor síncrono Velocidade ns>n2 motor assíncrono

No gerador, a energia absorvida é mecânica e a energia fornecida é eléctrica no motor é

No entanto, as duas podem funcionar como um motor ou como gerador. No caso da máquina síncrona, temos o gerador síncrono ou alternador e temos o motor síncrono. No caso da máquina assíncrona, temos o gerador assíncrono e temos, fundamentalmente, o motor assíncrono, com uma utilização muito diversificada. Qualquer das máquinas (síncrona ou assíncrona) pode funcionar em corrente alternada monofásica, bifásica (pouco usual) e ainda trifásica. O motor assíncrono tem, actualmente, muitas aplicações, tanto na indústria como em receptores electrodomésticos, dada a sua grande robustez, baixo preço, arranque fácil, não possuir colector (órgão delicado e caro, existente nas máquinas de corrente continua), não produzir faíscas e necessitar, portanto, de uma manutenção mais reduzida. O motor assíncrono trifásico é constituído basicamente pelos seguintes elementos: um estator e um rotor. O estator constitui a parte estática da máquina e envolve o rotor que é a parte rotativa. E constituído por um conjunto de chapas ferromagnéticas empilhadas e isoladas entre si (para reduzir as perdas no ferro), constituindo o circuito magnético da máquina; no interior do estator são colocadas as bobinas (um, dois ou três grupos de bobinas consoante a máquina é monofásica, bifásica ou trifásica), em cavas (rasgos) abertas no núcleo do estator e alimentadas pela rede de corrente alternada. O rotor, envolvido pelo estator, é constituído também por chapas ferromagnéticas empilhadas e isoladas entre

si, sobre o qual é bobinado um enrolamento (no caso de motor de rotor bobinado ou de anéis) ou são colocados

condutores paralelos entre si, formando uma espécie de “gaiola de esquilo” (motor com rotor em gaiola de esquilo

ou rotor em curto-circuito). Nas bobinas ou nos condutores paralelos do rotor são induzidas correntes provocadas pela corrente alternada que alimenta as bobinas do estator. Nas figuras 3.14 e 3.16, exemplificamos a constituição de um motor de rotor de gaiola e outro de rotor bobinado. O rotor é apoiado num veio que transmitirá à carga accionada a energia mecânica produzida pelo motor.

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O entreferro (pequeno espaço de ar deixado entre o rotor e o estator, para que o rotor possa rodar sem tocar no estator) é bastante reduzido, de forma a diminuir a corrente em vazio da máquina e, portanto, as perdas. Na figura 3.1 sugerem-se os elementos constituintes do motor assíncrono, em corte.

Fig. 3.1 Elementos principais de um motor assíncrono.

O entreferro (pequeno espaço de ar deixado entre o rotor e o estator, para que o
O entreferro (pequeno espaço de ar deixado entre o rotor e o estator, para que o

Fig.3.14 – Motor assíncrono com rotor em gaiola de esquilo. Vista em “projecção” dos diversos elementos

O entreferro (pequeno espaço de ar deixado entre o rotor e o estator, para que o

Fig .3.16 – Motor assíncrono de rotor bobinado, demonstrado. Vista “em projecção

Estator Rotor bobinado Rotor gaiola de esquilo Induzido(constituição) 2 tipos genéricos – Pólos lisos (alta velocidade)

Estator

Rotor bobinado

Rotor gaiola de esquilo

Estator Rotor bobinado Rotor gaiola de esquilo Induzido(constituição) 2 tipos genéricos – Pólos lisos (alta velocidade)
Estator Rotor bobinado Rotor gaiola de esquilo Induzido(constituição) 2 tipos genéricos – Pólos lisos (alta velocidade)
Estator Rotor bobinado Rotor gaiola de esquilo Induzido(constituição) 2 tipos genéricos – Pólos lisos (alta velocidade)
Estator Rotor bobinado Rotor gaiola de esquilo Induzido(constituição) 2 tipos genéricos – Pólos lisos (alta velocidade)

Induzido(constituição)

2 tipos genéricos Pólos lisos (alta velocidade) Pólos salientes (baixa velocidade)

Rótor - Pólos salientes

Rótor - Pólos salientes Rótor – Pólos lisos Indutor Imanes permanentes De enrolamentos com expansões polares

Rótor Pólos lisos

Rótor - Pólos salientes Rótor – Pólos lisos Indutor Imanes permanentes De enrolamentos com expansões polares

Indutor Imanes permanentes

Rótor - Pólos salientes Rótor – Pólos lisos Indutor Imanes permanentes De enrolamentos com expansões polares

De enrolamentos com expansões polares

Rótor - Pólos salientes Rótor – Pólos lisos Indutor Imanes permanentes De enrolamentos com expansões polares
Rótor - Pólos salientes Rótor – Pólos lisos Indutor Imanes permanentes De enrolamentos com expansões polares

Induzido (Rotor)

Ao longo de uma volta, o campo indutor que atravessa o induzido, é variável. É então necessário «chapear ou folhear» o rótor de forma a reduzir as perdas no ferro do induzido. O rótor é assim constituído por chapas circulares isoladas e empilhadas sobre o eixo formando o cilindro do induzido. Estas chapas são em aço silicioso e isoladas por verniz.

Rótor - Pólos salientes Rótor – Pólos lisos Indutor Imanes permanentes De enrolamentos com expansões polares

Escovas

As escovas asseguram a ligação eléctrica (contacto deslizante) entre a parte fixa e a parte rotativa. Em máquinas de grande potência, é necessário colocar em paralelo vários conjuntos de escovas. Por razões económicas, as escovas devem ter uma vida útil o mais longa possível e assegurar um bom contacto eléctrico. Existem vários tipos de escovas: de carvão duro, as grafíticas, as eletro-grafíticas, e as metalo-grafíticas. Podemos considerar que num contacto deslizante as perdas são de natureza mecânica em 35% e os restantes 65% de natureza eléctrica.

Rótor - Pólos salientes Rótor – Pólos lisos Indutor Imanes permanentes De enrolamentos com expansões polares

Colector

Colector O colector tem a função de assegurar a comutação de corrente nos condutores do induzido.

O colector tem a função de assegurar a comutação de corrente nos condutores do induzido. É constituído essencialmente por uma justaposição cilíndrica de lâminas de cobre separadas por lâminas isolantes (mica). Cada lâmina está ligada electricamente ao enrolamento do induzido. O colector é o órgão mais crítico das máquinas de corrente contínua dado que as lâminas são colocadas manualmente e estão sujeitas à força centrifuga. Necessita de serviços periódicos de manutenção, devido ao desgaste abrasivo do contacto das escovas com o colector. É responsável por um acréscimo do comprimento total da máquina em cerca de 20 a 30%.

Princípio de funcionamento

Colector O colector tem a função de assegurar a comutação de corrente nos condutores do induzido.
Colector O colector tem a função de assegurar a comutação de corrente nos condutores do induzido.
Colector O colector tem a função de assegurar a comutação de corrente nos condutores do induzido.
Colector O colector tem a função de assegurar a comutação de corrente nos condutores do induzido.

Máquinas elétricas de corrente alternada

ARRANQUE DE MOTORES ELÉCTRICOS

Aquecimento excessivo dos condutores das canalizações. Actuação dos aparelhos de protecção. Quedas de tensão.

As altas correntes de arranque dos motores podem causar:

Para evitar

estas situações o RSIUEE

(regulamento de segurança de instalações de utilização de energia eléctrica)

obrigava aos seguintes tipos de arranque em motores de indução trifásicos de rotor em curto

circuito:

Arranque directo para potências ≤ 4 kW ( 5,4 C.V. )

Arranque estrela/triângulo para potências até 11 KW ( 15 C.V.) Motores com potência > 11 KW só podem ser ligados à rede depois de acordo prévio com o

distribuidor.

À falta de indicações do fabricante deve-se considerar:

Arranque directo: Corrente de arranque = 6 X I S durante 5 segundos. Arranque estrela/triângulo: Corrente de arranque = 2 X I S durante 15 segundos.

PROTECÇÃO DE MOTORES ELÉCTRICOS

Os motores eléctricos devem ser protegidos contra:

Sobrecargas

(Relé Térmico)

Curto circuitos

(Disjuntor - Fusível)

Sobretensões Falta de tensão e sub tensão

(Disjuntor - Fusível)

1 C.V. (cavalo-vapor) = 735.50 W I S Corrente absorvida pelo motor

1 H.P. (horse-power) = 745.70 W

Máquinas elétricas de corrente alternada ARRANQUE DE MOTORES ELÉCTRICOS Aquecimento excessivo dos condutores das canalizações. Actuação

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Protecção do motor contra sobrecargas 1

Relé térmico

O relé térmico deve ser regulado para uma corrente igual à corrente nominal do motor.

Protecção do motor contra curto circuitos 2

Corta circuito fusível (aM)

A intensidade de funcionamento do aparelho de protecção contra curto circuitos não deve ser superior a 4 vezes a intensidade nominal do motor.

Exemplo: Se a intensidade nominal do motor for de 2,6 A, o térmico deve ser regulado para 2,6 A e o corta circuito fusível deve ter uma intensidade nominal ≤ 4 x 2,6A ≤ 10,4 A.

MOTOR ASSÍNCRONO TRIFÁSICO

Carcaça Ventoinha Estátor Rolamento Veio Caixa de terminais Rótor Patas
Carcaça
Ventoinha
Estátor
Rolamento
Veio
Caixa de
terminais
Rótor
Patas

Caixa de terminais/bornes

Protecção do motor contra sobrecargas Relé térmico O relé térmico deve ser regulado para uma corrente

Um motor trifásico tem 3 enrolamentos no estátor com os terminais U 1 U 2 , V 1 V 2 e W 1 W 2 , cujas ligações podem fazer-se em estrela ou em triângulo. As ligações em estrela e em triângulo são efectuadas com pontes que se ligam entre os terminais. A velocidade (n) de um motor de indução é directamente proporcional à frequência (f) da corrente de alimentação e inversamente proporcional ao número de pares de pólos (p) do estátor. n s = (f x 60) / p

A velocidade nominal (n n ) do motor de indução é ligeiramente inferior à velocidade do campo girante (n s ) velocidade de sincronismo porque o motor possui escorregamento.

1 A protecção contra sobrecargas pode ser assegurada por: disjuntores, contactores disjuntores, relés térmicos, dispositivos térmicos incorporados no próprio motor (sondas de termistências) ou corta circuitos fusíveis (gL). 2 A protecção contra curto circuitos pode ser assegurada por disjuntores electromagnéticos ou por corta circuitos fusíveis (cartuchos fusíveis aM ou gL).

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Caixa de terminais/bornes

Um motor trifásico tem 3 enrolamentos no estátor com os terminais U 1 U 2 , V 1 V 2 e W 1 W 2 , cujas ligações podem fazer-se em estrela ou em triângulo. As ligações em estrela e em triângulo são efectuadas com pontes que se ligam entre os

terminais da placa do motor.

Caixa de terminais/bornes Um motor trifásico tem 3 enrolamentos no estátor com os terminais U –
U1 W2 U2 V2 W1 V1
U1
W2
U2
V2
W1
V1
W2 U2 V2 U1 V1 W1 L1 L2 L3
W2
U2
V2
U1
V1
W1
L1
L2
L3
W2 U1 W1 U2 V2 V1
W2
U1
W1
U2
V2
V1
U2 W2 V2 U1 V1 W1 L1 L2 L3
U2
W2
V2
U1
V1
W1
L1
L2
L3

Chapa de características

A chapa de características de um aparelho ou máquina é uma chapa metálica que tem inscrito os valores característicos desse aparelho ou máquina.

Tensão nominal Frequência Velocidade nominal
Tensão nominal
Frequência
Velocidade nominal

Potência absorvida

Factor de potência

Corrente nominal
Corrente nominal
Caixa de terminais/bornes Um motor trifásico tem 3 enrolamentos no estátor com os terminais U –

Regras Técnicas das Instalações Eléctricas de Baixa Tensão (RTIEBT)

553Motores.

  • 553.1 Características estipuladas.

Os motores devem apresentar características estipuladas adequadas à utilização prevista.

  • 553.2 Limitação das perturbações devidas ao arranque dos motores.

A corrente absorvida por um motor durante o seu arranque (ou por um conjunto de motores que

possam arrancar simultaneamente) deve ser limitada a um valor que não seja prejudicial à conservação da instalação que o alimenta e não seja origem de perturbações inaceitáveis ao funcionamento dos outros equipamentos ligados à mesma fonte de energia.No caso de motores alimentados directamente por uma rede de distribuição, os seus arranques não originam, em regra, perturbações excessivas se a

Regras Técnicas das Instalações Eléctricas de Baixa Tensão (RTIEBT) 553 — Motores. 553.1 — Características estipuladas.

intensidade de arranque não ultrapassar os valores indicados no quadro 55A.

Para valores de intensidades de arranque superiores aos indicados no quadro 55A, a alimentação dos motores directamente a partir da rede de distribuição (pública) carece de parecer favorável do distribuidor de energia, de forma a que sejam tomadas as medidas apropriadas para tornar a sua utilização compatível com a exploração da instalação e a não criar perturbações graves aos restantes utilizadores.

553.3 Dispositivos de comando e de regulação. Os motores devem ser equipados com dispositivos adequados ao seu arranque e, eventualmente, à sua regulação. Os dispositivos de arranque podem ser combinados com os que garantem a protecção dos motores devendo, neste caso, satisfazer as regras aplicáveis aos dispositivos de protecção.

REGIMES DE SERVIÇO MAIS IMPORTANTES:

Regime S1: Regime contínuo

553.3 — Dispositivos de comando e de regulação. Os motores devem ser equipados com dispositivos adequados

Regime S2:

Funcionamento a carga constante durante um período inferior ao tempo necessário para atingir o equilíbrio térmico.

553.3 — Dispositivos de comando e de regulação. Os motores devem ser equipados com dispositivos adequados

Regime S3:

Sequência de ciclos idênticos, sendo um período a carga constante e um período de repouso. O ciclo é tal que a corrente de arranque não altera significativamente a elevação de temperatura.

553.3 — Dispositivos de comando e de regulação. Os motores devem ser equipados com dispositivos adequados

Regime S4:

Sequência de ciclos idênticos, sendo um período de arranque, um período com carga constante e um período de repouso. O calor gerado no arranque é suficientemente grande para afectar o ciclo seguinte.

553.3 — Dispositivos de comando e de regulação. Os motores devem ser equipados com dispositivos adequados

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CLASSES DE ISOLAMENTO

CLASSES DE ISOLAMENTO FACTORES DE CORRECÇÃO Os motores são projectados para operar a uma Temperatura Ambiente

FACTORES DE CORRECÇÃO

CLASSES DE ISOLAMENTO FACTORES DE CORRECÇÃO Os motores são projectados para operar a uma Temperatura Ambiente

Os motores são projectados para operar a uma Temperatura Ambiente máxima de 40ºC e uma altitude de 1000 m acima do nível médio das águas do mar. Se o motor operar a temperaturas superiores, deve ser classificado de acordo com a tabela acima. Quando um motor é desclassificado, os correspondentes valores de catálogo, tais como In, Ia/In, etc., tem de ser recalculados e colocados na chapa de características

O tempo de vida dos equipamentos eléctricos

é limitado pela temperatura do isolamento • maior a temperatura => menor Tv. – diminui para metade por cada aumento de 10º C na temperatura. • Ex: um motor terá um Tv de 8 anos a uma temp. de 105º C, 4 anos a 115º C, 2 anos a 125º C, 1 ano a 135º C.

Factores que contribuem para o

“envelhecimento” dos isolantes:

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Índice de Protecção - IP

Códigos de Refrigeração - IC

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