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AULA 06

DOS CONTRATOS

DISPOSIÇÕES GERAIS

Meus Amigos e Alunos. Estou adiantando mais esta aula referente aos Contratos. Isto para dar mais tempo ao aluno de estudar a matéria e também de poder elucidar suas dúvidas em nosso “Fórum”. Até porque esta aula, apesar de se referir às disposições gerais dos contratos é muito ampla. O termo “disposições gerais” é enganador, pois estas disposições vão do artigo 421 até o artigo 471 do CC. Portanto, haja disposição

DICA = Nos últimos exames da FCC, em todos os níveis, tem caído pelo menos uma questão referente aos arts. 421/426 CC

(preliminares), embora o capítulo sobre disposições gerais vá até o art. 471. Geralmente o examinador elabora uma questão referente a este assunto no moldes da questão nº 01, tentando abranger todas as situações ali mencionas. E depois uma outra questão, que pode abordar

Vejam as últimas

qualquer outro aspecto desta aula. Confiram

questões desta aula específicas do Concurso de Analista Judiciário. Vale

a pena focar o estudo nestes artigos, pois são poucos (sem ignorar os demais).

MEUS AMIGOS – ESTA É A NOSSA ÚLTIMA AULA. ESPERO, DE CORAÇÃO, QUE TODOS TENHAM MUITAS ALEGRIAS E SUCESSO NESSA EMPREITADA. LEMBREM-SE QUE AINDA ESTAREI RESPONDEDO QUALQUER DÚVIDA DESTAS ÚLTIMAS AULA EM NOSSO FORUM.

UM GRANDE BEIJO NO CORAÇÃO DE TODOS!!!

E VAMOS A AULA!

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D

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G O

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V

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TÍTULO V

DOS CONTRATOS EM GERAL

CAPÍTULO I Disposições Gerais

Seção I

Preliminares

Art. 421. A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato.

Art. 422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé.

Art.

423.

Quando

houver

no

contrato

de

adesão

cláusulas

ambíguas

ou

contraditórias, dever-se-á adotar a interpretação mais favorável ao aderente.

Art. 424. Nos contratos de adesão, são nulas as cláusulas que estipulem a renúncia antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio.

Art. 425. É lícito às partes estipular contratos atípicos, observadas as normas gerais fixadas neste Código.

Art. 426. Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva.

Seção II Da Formação dos Contratos

Art. 427. A proposta de contrato obriga o proponente, se o contrário não resultar dos termos dela, da natureza do negócio, ou das circunstâncias do caso.

Art. 428. Deixa de ser obrigatória a proposta:

I -

se,

feita sem

prazo

a pessoa presente, não foi imediatamente

aceita.

Considera-se também presente a pessoa que contrata por telefone ou por meio de comunicação semelhante;

II - se, feita sem prazo a pessoa ausente, tiver decorrido tempo suficiente para

chegar a resposta ao conhecimento do proponente;

III - se, feita a pessoa ausente, não tiver sido expedida a resposta dentro do prazo dado;

IV - se, antes dela, ou simultaneamente, chegar ao conhecimento da outra parte a retratação do proponente.

Art. 429. A oferta ao público equivale a proposta quando encerra os requisitos essenciais ao contrato, salvo se o contrário resultar das circunstâncias ou dos usos.

Parágrafo único. Pode revogar-se a oferta pela mesma via de sua divulgação, desde que ressalvada esta faculdade na oferta realizada.

Art. 430. Se a aceitação, por circunstância imprevista, chegar tarde ao conhecimento do proponente, este comunicá-lo-á imediatamente ao aceitante, sob pena de responder por perdas e danos.

Art. 431. A aceitação fora do prazo, com adições, restrições, ou modificações, importará nova proposta.

Art. 432. Se o negócio for daqueles em que não seja costume a aceitação expressa, ou o proponente a tiver dispensado, reputar-se-á concluído o contrato, não chegando a tempo a recusa.

Art. 433. Considera-se inexistente a aceitação, se antes dela ou com ela chegar ao proponente a retratação do aceitante.

Art. 434. Os contratos entre ausentes tornam-se perfeitos desde que a aceitação

é expedida, exceto:

I - no caso do artigo antecedente;

II - se o proponente se houver comprometido a esperar resposta;

III - se ela não chegar no prazo convencionado.

Art. 435. Reputar-se-á celebrado o contrato no lugar em que foi proposto.

Seção III Da Estipulação em Favor de Terceiro

Art. 436. O que estipula em favor de terceiro pode exigir o cumprimento da obrigação.

Parágrafo único. Ao terceiro, em favor de quem se estipulou a obrigação, também

é permitido exigi-la, ficando, todavia, sujeito às condições e normas do contrato, se a ele anuir, e o estipulante não o inovar nos termos do art. 438.

Art. 437. Se ao terceiro, em favor de quem se fez o contrato, se deixar o direito de reclamar-lhe a execução, não poderá o estipulante exonerar o devedor.

Art.

438. O estipulante pode reservar-se o direito de

substituir o terceiro

designado no contrato, independentemente da sua anuência e da do outro contratante.

Parágrafo único. A substituição disposição de última vontade.

pode

ser

feita

por ato

entre

vivos ou

Seção IV Da Promessa de Fato de Terceiro

por

Art. 439. Aquele que tiver prometido fato de terceiro responderá por perdas e danos, quando este o não executar.

Parágrafo único. Tal responsabilidade não existirá se o terceiro for o cônjuge do promitente, dependendo da sua anuência o ato a ser praticado, e desde que, pelo regime do casamento, a indenização, de algum modo, venha a recair sobre os seus bens.

Art. 440. Nenhuma obrigação haverá para quem se comprometer por outrem, se este, depois de se ter obrigado, faltar à prestação.

Seção V Dos Vícios Redibitórios

Art. 441. A coisa recebida em virtude de contrato comutativo pode ser enjeitada por vícios ou defeitos ocultos, que a tornem imprópria ao uso a que é destinada, ou lhe diminuam o valor.

Parágrafo único. É aplicável a disposição deste artigo às doações onerosas.

Art. 442.

Em vez de rejeitar a coisa, redibindo o

adquirente reclamar abatimento no preço.

contrato (art. 441), pode o

Art. 443. Se o alienante conhecia o vício ou defeito da coisa, restituirá o que recebeu com perdas e danos; se o não conhecia, tão-somente restituirá o valor recebido, mais as despesas do contrato.

Art. 444. A responsabilidade do alienante subsiste ainda que a coisa pereça em poder do alienatário, se perecer por vício oculto, já existente ao tempo da tradição.

Art. 445. O adquirente decai do direito de obter a redibição ou abatimento no preço no prazo de trinta dias se a coisa for móvel, e de um ano se for imóvel, contado da entrega efetiva; se já estava na posse, o prazo conta-se da alienação, reduzido à metade.

1 o Quando o vício, por sua natureza, só puder ser conhecido mais tarde, o prazo contar-se-á do momento em que dele tiver ciência, até o prazo máximo de cento e oitenta dias, em se tratando de bens móveis; e de um ano, para os imóveis.

§

2 o Tratando-se de venda de animais, os prazos de garantia por vícios ocultos

serão os estabelecidos em lei especial, ou, na falta desta, pelos usos locais, aplicando- se o disposto no parágrafo antecedente se não houver regras disciplinando a matéria.

§

Art. 446. Não correrão os prazos do artigo antecedente na constância de cláusula de garantia; mas o adquirente deve denunciar o defeito ao alienante nos trinta dias seguintes ao seu descobrimento, sob pena de decadência.

Seção VI

Da Evicção

Art. 447. Nos contratos onerosos, o alienante responde pela evicção. Subsiste esta garantia ainda que a aquisição se tenha realizado em hasta pública.

Art. 448. Podem as partes, por cláusula expressa, reforçar, diminuir ou excluir a responsabilidade pela evicção.

Art. 449. Não obstante a cláusula que exclui a garantia contra a evicção, se esta se der, tem direito o evicto a receber o preço que pagou pela coisa evicta, se não soube do risco da evicção, ou, dele informado, não o assumiu.

Art. 450. Salvo estipulação em contrário, tem direito o evicto, além da restituição integral do preço ou das quantias que pagou:

I - à indenização dos frutos que tiver sido obrigado a restituir;

II - à indenização pelas despesas dos contratos e pelos prejuízos que diretamente resultarem da evicção;

III - às custas judiciais e aos honorários do advogado por ele constituído.

Parágrafo único. O preço, seja a evicção total ou parcial, será o do valor da coisa, na época em que se evenceu, e proporcional ao desfalque sofrido, no caso de evicção parcial.

Art. 451. Subsiste para o alienante esta obrigação, ainda que a coisa alienada esteja deteriorada, exceto havendo dolo do adquirente.

Art. 452. Se o adquirente tiver auferido vantagens das deteriorações, e não tiver sido condenado a indenizá-las, o valor das vantagens será deduzido da quantia que lhe houver de dar o alienante.

Art. 453. As benfeitorias necessárias ou úteis, não abonadas ao que sofreu a evicção, serão pagas pelo alienante.

Art. 454. Se as benfeitorias abonadas ao que sofreu a evicção tiverem sido feitas pelo alienante, o valor delas será levado em conta na restituição devida.

Art. 455. Se parcial, mas considerável, for a evicção, poderá o evicto optar entre a rescisão do contrato e a restituição da parte do preço correspondente ao desfalque sofrido. Se não for considerável, caberá somente direito a indenização.

Art. 456. Para poder exercitar o direito que da evicção lhe resulta, o adquirente notificará do litígio o alienante imediato, ou qualquer dos anteriores, quando e como lhe determinarem as leis do processo.

Parágrafo único. Não atendendo o alienante à denunciação da lide, e sendo manifesta a procedência da evicção, pode o adquirente deixar de oferecer contestação, ou usar de recursos.

Art. 457. Não pode o adquirente demandar pela evicção, se sabia que a coisa era alheia ou litigiosa.

Seção VII Dos Contratos Aleatórios

Art. 458. Se o contrato for aleatório, por dizer respeito a coisas ou fatos futuros, cujo risco de não virem a existir um dos contratantes assuma, terá o outro direito de receber integralmente o que lhe foi prometido, desde que de sua parte não tenha havido dolo ou culpa, ainda que nada do avençado venha a existir.

Art. 459. Se for aleatório, por serem objeto dele coisas futuras, tomando o adquirente a si o risco de virem a existir em qualquer quantidade, terá também direito

o alienante a todo o preço, desde que de sua parte não tiver concorrido culpa, ainda

que a coisa venha a existir em quantidade inferior à esperada.

Parágrafo único. Mas, se da coisa nada vier a existir, alienação não haverá, e o alienante restituirá o preço recebido.

Art. 460. Se for aleatório o contrato, por se referir a coisas existentes, mas

expostas a risco, assumido pelo adquirente, terá igualmente direito o alienante a todo

o preço, posto que a coisa já não existisse, em parte, ou de todo, no dia do contrato.

Art. 461. A alienação aleatória a que se refere o artigo antecedente poderá ser

anulada como dolosa pelo prejudicado, se provar que o outro contratante não ignorava

a consumação do risco, a que no contrato se considerava exposta a coisa.

Seção VIII Do Contrato Preliminar

Art. 462. O contrato preliminar, exceto quanto à forma, deve conter todos os requisitos essenciais ao contrato a ser celebrado.

Art. 463. Concluído o contrato preliminar, com observância do disposto no artigo antecedente, e desde que dele não conste cláusula de arrependimento, qualquer das partes terá o direito de exigir a celebração do definitivo, assinando prazo à outra para que o efetive.

Parágrafo único. O contrato preliminar deverá ser levado ao registro competente.

Art. 464. Esgotado o prazo, poderá o juiz, a pedido do interessado, suprir a vontade da parte inadimplente, conferindo caráter definitivo ao contrato preliminar, salvo se a isto se opuser a natureza da obrigação.

Art. 465. Se o estipulante não der execução ao contrato preliminar, poderá a outra parte considerá-lo desfeito, e pedir perdas e danos.

Art. 466. Se a promessa de contrato for unilateral, o credor, sob pena de ficar a mesma sem efeito, deverá manifestar-se no prazo nela previsto, ou, inexistindo este, no que lhe for razoavelmente assinado pelo devedor.

Seção IX Do Contrato com Pessoa a Declarar

Art. 467. No momento da conclusão do contrato, pode uma das partes reservar-se

a faculdade de indicar a pessoa que deve adquirir os direitos e assumir as obrigações dele decorrentes.

Art. 468. Essa indicação deve ser comunicada à outra parte no prazo de cinco dias da conclusão do contrato, se outro não tiver sido estipulado.

Parágrafo único. A aceitação da pessoa nomeada não será eficaz se não se revestir da mesma forma que as partes usaram para o contrato.

Art. 469. A pessoa, nomeada de conformidade com os artigos antecedentes, adquire os direitos e assume as obrigações decorrentes do contrato, a partir do momento em que este foi celebrado.

Art. 470. O contrato será eficaz somente entre os contratantes originários:

I - se não houver indicação de pessoa, ou se o nomeado se recusar a aceitá-la;

II - se a pessoa nomeada era insolvente, e a outra pessoa o desconhecia no momento da indicação.

Art.

471. Se

a pessoa a nomear

era incapaz ou

insolvente no momento da

nomeação, o contrato produzirá seus efeitos entre os contratantes originários.

CAPÍTULO II Da Extinção do Contrato

Seção I

Do Distrato

Art. 472. O distrato faz-se pela mesma forma exigida para o contrato.

Art. 473. A resilição unilateral, nos casos em que a lei expressa ou implicitamente

o permita, opera mediante denúncia notificada à outra parte.

Parágrafo único. Se, porém, dada a natureza do contrato, uma das partes houver feito investimentos consideráveis para a sua execução, a denúncia unilateral só produzirá efeito depois de transcorrido prazo compatível com a natureza e o vulto dos investimentos.

Seção II Da Cláusula Resolutiva

Art. 474. A cláusula resolutiva expressa opera de pleno direito; a tácita depende de interpelação judicial.

Art. 475. A parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do contrato, se não preferir exigir-lhe o cumprimento, cabendo, em qualquer dos casos, indenização por perdas e danos.

Seção III Da Exceção de Contrato não Cumprido

Art. 476. Nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua obrigação, pode exigir o implemento da do outro.

Art. 477. Se, depois de concluído o contrato, sobrevier a uma das partes contratantes diminuição em seu patrimônio capaz de comprometer ou tornar duvidosa a prestação pela qual se obrigou, pode a outra recusar-se à prestação que lhe incumbe, até que aquela satisfaça a que lhe compete ou dê garantia bastante de satisfazê-la.

Seção IV Da Resolução por Onerosidade Excessiva

Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da citação.

Art. 479. A resolução poderá ser evitada, oferecendo-se o réu a modificar eqüitativamente as condições do contrato.

Art. 480. Se no contrato as obrigações couberem a apenas uma das partes, poderá ela pleitear que a sua prestação seja reduzida, ou alterado o modo de executá- la, a fim de evitar a onerosidade excessiva.

QUADRO SINÓTICO – CONTRATOS - PARTE GERAL (arts. 421 a 480 CC)

I – Conceito de Contrato acordo de vontades que visa aquisição, resguardo, transformação, modificação ou extinção de relações jurídicas de natureza patrimonial.

II – Elementos Essenciais

Duas ou mais pessoas.

Capacidade plena das partes (representação ou assistência dos incapazes).

Consentimento.

Objeto lícito, possível determinado ou determinável e economicamente apreciável.

Forma prescrita ou não defesa em lei.

III – Princípios Gerais dos Contratos

Autonomia da vontade – liberdade para estipular o que lhes convier. Não é mais absoluto

Observância das normas de ordem pública – supremacia da lei (normas impositivas que visam o interesse coletivo) sobre o interesse individual.

Obrigatoriedade das obrigações – pacta sunt servanda; em regra o simples acordo de duas ou mais vontades é suficiente para gerar o contrato.

Relatividade dos efeitos – o contrato, como regra, só vincula as partes que nele intervierem.

Boa-fé objetiva – as partes devem agir com lealdade probidade e confiança recíprocas; está ligado a justiça social, solidariedade e dignidade da pessoa.

Função Social do Contrato – a liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato: atém-se mais à intenção do que o sentido literal das disposições; visa o equilíbrio das partes, coíbe cláusulas abusivas, prevê a revisão por onerosidade excessiva – Justiça contratual.

IV – Formação duas vontades (bilateral): a) proposta (oferta ou policitação); b) aceitação. Regra – feita a proposta, vincula o proponente (art. 427 CC).

V – Momento da Celebração

entre presentes momento da aceitação da proposta.

entre ausentes teoria da expedição – momento em que a aceitação é expedida (contratos epistolares).

VI – Local da Celebração Regra dispositiva – art. 435 CC – no lugar em que foi proposto (admite- se convenção em contrário).

VII – Classificação

Unilaterais (apenas um dos contratantes assume obrigações em face do outro) ou Bilaterais (direitos e obrigações para ambas as partes – também são chamados de sinalagmáticos).

Onerosos (ambas as partes assumem obrigações) ou Gratuitos (oneram somente uma das partes). Em regra os contrato bilaterais são também onerosos. E os unilaterais são gratuitos. Exceção: mútuo sujeito a juros – obriga a devolução da quantia emprestada (contrato unilateral) devendo-se pagar os juros (contrato oneroso).

Comutativos (prestações de ambas as partes são conhecidas e guardam relação de equivalência – ex: compra e venda de uma casa)

ou Aleatórios (uma das prestações não é conhecida no momento da celebração do contrato – ex: seguro do carro; convênio médico).

Nominados (denominação prevista em Lei – ex: compra e venda, locação) ou Inominados (contratos criados pelas partes, não havendo tipificação legal – ex: factoring).

Paritários (os interessados – ao menos em tese – podem discutir as cláusulas contratuais em pé de igualdade) ou de (por) Adesão (uma das partes adere às cláusulas já estabelecidas pela outra – ex:

contratos bancários, seguro, sistema financeiros da habitação, etc).

Consensuais (perfazem-se pelo simples acordo de vontades), Solenes (lei exige forma especial para sua celebração – compra e venda de um imóvel - escritura) ou Reais (perfazem-se com a entrega da coisa – penhor, depósito, etc.).

Principais (existem por si, independente de outro – compra e venda, locação) ou Acessórios (sua existência supõe a do principal – ex: fiança).

Pessoais (intuitu personae – a pessoa do contratante é fundamental para a sua realização – contratar um pintor famoso para a pintura de um mural) ou Impessoais (a pessoa do contratante é indiferente para a conclusão do negócio)

VIII – Efeitos dos Contratos

A) Exceção de contrato não cumprido (excptio non adimpleti

contractus) é a regra nos contratos bilaterais – nenhum dos contratantes poderá, antes de cumprir a sua obrigação, exigir a do outro – arts. 476/477 CC

B) Direito de retenção permite ao credor conservar coisa alheia em seu poder além do momento em que deveria restituir, até o pagamento do que lhe é devido (ex: direito de reter a posse – de boa-fé – até a indenização de uma benfeitoria necessária realizada no bem).

C) Revisão dos contratos Imprevisão – Onerosidade excessiva -

Rebus sic Stantibus – arts. 478/480 CC - excepcionalmente, admite-se a revisão judicial dos contratos quando uma das partes vem a ser prejudicada sensivelmente por uma alteração imprevista da conjuntura econômica. O evento extraordinário é imprevisto, que dificulta o adimplemento da obrigação, é motivo de resolução contratual por onerosidade excessiva. A parte lesada ingressa em juízo pedindo a rescisão do contrato ou o reajuste da prestação.

D) Regra dos contratos gratuitos devem ser interpretados de

forma restritiva.

E) Arras ou Sinal prova de conclusão do contrato; assegura o

cumprimento da obrigação e é princípio de pagamento (arts. 417/420

CC). Arrependimento previsto arras penitenciais; arrependimento não previsto arras confirmatórias.

F) Estipulação em Favor de Terceiros pactua-se vantagem para

terceira pessoa que não é parte no contrato (arts. 433/438 CC).

G) Evicção perda da propriedade para terceiro em virtude de sentença judicial e ato jurídico anterior (arts. 447/457 CC). Nos contratos onerosos o alienante responde pela evicção. Exemplo Usucapião. Exceção: estipulo cláusula expressa de exclusão da garantia, informo o adquirente sobre o risco de evicção e ele assume o risco.

H) Vício Redibitório vício ou defeito oculto na coisa que a tornam

imprópria para o uso a que se destina ou lhe diminui o valor (arts. 441/446 CC). Também previsto no Código de Defesa do Consumidor, que tem maior abrangência. Redibir = restituir coisa defeituosa. O consumidor pode exigir alternativamente: a) substituição do produto, b) restituição da quantia paga, ou c) abatimento proporcional do preço.

IX – Extinção da Relação Contratual

1 – Normal Execução, cumprimento, adimplemento do contrato (quem cumpre tem direito à quitação).

2 – Rescisão ou Dissolução (Anormal) a) causas anteriores ou contemporâneas nulidade, condição resolutiva, arrependimento. b) causas supervenientes resolução (descumprimento voluntário ou involuntário), resilição (acordo – bilateral ou unilateral) ou morte de um dos contratantes nas obrigações personalíssimas.

TESTES

01 – (Magistratura do Trabalho – Mato Grosso do Sul – 2.006) Sobre os contratos em geral:

I - A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato.

II – Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução os princípios de probidade e boa-fé.

III – A proposta do contrato obriga o proponente, se o contrário não resultar dos termos dela, da natureza do negócio, ou das circunstâncias do caso.

IV – Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva.

RESPONDA:

a) somente III e IV estão incorretas.

b) somente IV está incorreta.

c) somente I e IV estão incorretas.

d) todas estão corretas.

e) todas estão incorretas.

02 – São os seguintes os princípios introduzidos pelo novo Código Civil no direito contratual brasileiro:

a) dignidade da pessoa humana, função social do contrato; boa-fé

objetiva e justiça contratual.

b) autonomia das vontades das partes, força vinculante do contrato e

igualdade das partes contratantes.

c) igualdade das partes, efeitos do contrato somente em relação às

partes contratantes e pacta sunt servanda.

d) função social do contrato, boa-fé objetiva, autonomia das vontades

das partes e intangibilidade do conteúdo do contrato.

03 – O contrato aleatório é:

a) contrato gratuito, sujeito a evento futuro, porém certo ou ao menos

previsível.

b) contrato oneroso, sujeito a evento futuro e incerto.

c) contrato gratuito, pelo qual um dos contratantes transfere coisa

determinada independentemente de contraprestação.

d) contrato oneroso, pelo qual um dos contratantes transfere coisa

incerta em troca de coisa certa.

04 – Assinale a alternativa CORRETA:

a) A policitação é uma declaração receptícia de vontade, dirigida pelo

policitante ao oblato, por força da qual o primeiro manifesta sua intenção de se considerar vinculado se a outra parte aceitar.

b) Os elementos integrantes do contrato de compra e venda são a

coisa e o preço.

c) Res nullius é coisa sem dono porque foi abandonada pelo seu

proprietário.

d)

arrependimento.

o

Feita

a

policitação

e

aceita

pelo

oblato

não

se

permite

05

Código Civil:

É correto

afirmar a respeito dos vícios redibitórios no

a) trata-se da perda ou desapossamento da coisa por causa jurídica,

determinante e preexistente à alienação, reconhecida por decisão

judicial em favor de outrem.

b) ao adquirente prejudicado somente assiste o direito de pleitear o

abatimento do preço.

c) o adquirente decai do direito de obter a redibição no prazo de 02 (dois) anos, se o bem for imóvel.

d) ao adquirente prejudicado é lícito manejar ação redibitória para

rejeição da coisa e devolução do preço do negócio, ou ação estimatória

objetivando a restituição de parte do preço, a título de abatimento.

06 – “A” comprou de “B” uma casa, por escritura pública, pelo preço de R$ 200.000,00, pagando R$ 20.000,00 de sinal. “A” obrigou-se a pagar o restante do preço, ou seja, R$ 180.000,00, com financiamento da Caixa Econômica Estadual, a ser obtido no prazo de 03 meses. Acontece que, após ter sido pago o sinal, referida Instituição Financeira fechou sua Carteira de Financiamento, pelo período de um ano, o que impossibilitou o comprador “A” de completar o pagamento do preço. Esse fato, em si:

a) acarreta a extinção do contrato por resolução.

b) acarreta a extinção do contrato por resilição por onerosidade excessiva.

c) acarreta a extinção do contrato por rescisão bilateral.

d) não acarreta a extinção do contrato.

07 – “A” obrigou-se a construir para “B” um edifício, com 12 andares, que foi terminado, segundo peremptória afirmação de “A”. Por sua vez, “B” alega que houve cumprimento insatisfatório e inadequado da obrigação por parte de “A”, pois este não observou, rigorosamente, a

qualidade dos materiais especificados no memorial, que eram superiores aos que de fato foram usados. Assim, “B” suspende os últimos pagamentos devidos a “A”,

a)

aguardando que este cumpra, corretamente, a obrigação.

 

b)

ajuizando

ação

com

fundamento

na

exceptio

non

adimpleti

contractus.

c) ajuizando ação com fundamento na cláusula rebus sic stantibus.

d) ajuizando ação com fundamento na exceptio non rite adimpleti

contractus.

08 – É correto afirmar que pelo atual Código Civil brasileiro:

a) o juiz pode intervir no contrato somente quando ocorrer onerosidade

excessiva.

b) somente nos contratos paritários pode haver cláusulas abusivas.

c) para que possa haver intervenção judicial por onerosidade excessiva

em um contrato é necessário que o mesmo seja decorrente de um fato extraordinário e imprevisível.

d) em razão do princípio do “pacta sunt servanda” o juiz nunca pode

intervir em um contrato.

09 – Relativamente à onerosidade excessiva, é correto afirmar:

a) No Código de Defesa do Consumidor a onerosidade excessiva deve

sempre advir de evento extraordinário e imprevisível, que dificulta o

adimplemento da obrigação de uma das partes.

b) No Código de Defesa do Consumidor não há qualquer menção à

resolução contratual por onerosidade excessiva.

c) O Código Civil adotou a teoria da imprevisão tendo atrelado a esse

conceito a teoria da onerosidade excessiva. Assim, havendo desequilíbrio no contrato, somente por acontecimento superveniente extraordinário ou imprevisível, poder-se-á pleitear a resolução do contrato.

d) A onerosidade excessiva, no Código Civil, independe da demonstração de fato superveniente imprevisível ou extraordinário, bastando a demonstração do desequilíbrio contratual.

10 – Sobre a boa-fé objetiva, é incorreto afirmar:

a) implica o dever de conduta leal, probo e íntegro entre as partes

contratantes.

b) implica a observância de deveres anexos ao contrato, tais como

informações, cooperação e segurança.

c) aplica-se aos contratos do Código Civil e do Código de Defesa do

Consumidor.

d) deve estar presente não só na elaboração, como na conclusão e

execução do contrato.

e)

significa a ignorância de vício que macula o negócio jurídico.

11

– Podemos afirmar que contrato real é o que:

a)

tem por objeto coisa imóvel.

b)

só se perfaz com a tradição do objeto.

c)

visa a transmissão da propriedade do objeto do contrato.

d)

visa conferir direito real sobre coisa alheia de garantia.

e)

se perfaz com o simples acordo de vontades entre as partes.

12

– (Magistratura – São Paulo – Concurso 172) Em um contrato

oneroso convencionam as partes excluir a garantia da evicção. Verificada esta e apesar da cláusula excludente, o evicto:

a) pode cobrar apenas as despesas de conservação da coisa.

b) pode recobrar apenas as despesas dos contratos e dos prejuízos que

foi obrigado a indenizar.

c) pode recobrar apenas as custas e despesas.

d) pode recobrar o preço que pagou pela coisa, provando que não

soube do risco ou se dele informado, não o assumiu.

13 – (Tribunal Regional Eleitoral/RN – Analista Judiciário –

2.005)

– A respeito dos contratos

em geral, é INCORRETO

afirmar:

a) nos contratos de adesão as cláusulas que estipulem a renúncia

antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio são consideradas nulas.

b) a herança de pessoa viva não pode ser objeto de contrato.

c)

nenhuma obrigação haverá para quem se comprometer por outrem,

se este, depois de se ter obrigado, faltar à prestação.

d) o contrato entre ausentes torna-se perfeito desde que a aceitação é

expedida, salvo, dentre outras hipóteses, no caso de, antes dela ou

com ela, chegar ao proponente a retratação do aceitante.

e) na ausência de outro prazo estipulado, em se tratando de contrato

com pessoa a declarar, a indicação deve ser comunicada à outra parte

no prazo de 10 (dez) dias da conclusão do contrato.

14 – (Procurador do Estado de Goiás – 2.005) O novo Código Civil prescreveu que a liberdade de contratar será exercida em razão da função social do contrato. Assim, neste caso, o princípio da função social do contrato foi erigido como:

a) cânon de interpretação dos contratos.

b) limitação da autonomia privada.

c) elemento da validade do contrato.

d) requisito indispensável à eficácia do contrato.

e)

convenções.

cláusula

de

revogação

do

princípio

da

obrigatoriedade

das

15 – (Tribunal Regional Eleitoral/RN – Analista Judiciário – 2.005) Nos termos do Código Civil Brasileiro, se houver vícios ou defeitos ocultos na coisa recebida em virtude de contrato comutativo,

a) não pode a coisa ser rejeitada, cabendo ao alienatário, tão somente,

reivindicar o abatimento do preço.

b) pode a coisa ser enjeitada, se o vício ou defeito a torne imprópria ao

uso a que se destina, ou lhe diminuam o valor.

c) pode a coisa ser rejeitada, mas o alienante terá o direito de ser

ressarcido das despesas decorrentes da tradição da coisa.

d) não haverá responsabilidade para o alienante, se a coisa perecer em

poder do alienatário, ainda que em razão do vício oculto já existente ao tempo da tradição.

e) o alienante somente será responsável se a coisa móvel perecer no

prazo mínimo de 60 (sessenta) dias, após a tradição, e desde que o perecimento ou defeito decorra de vício oculto já existente ao tempo da tradição.

16 – (Analista Judiciário - Tribunal Regional Eleitoral – 4 a . Região – 2.006) Considere as seguintes assertivas a respeito dos contratos, segundo o Código Civil Brasileiro:

I – A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato.

II – Pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva.

III – As partes não podem estipular contratos atípicos, mesmo sendo

observadas as normas gerais fixadas em lei.

IV – Nos contratos de adesão, são nulas as cláusulas que estipulem a renúncia antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio.

Está correto o que se afirma APENAS em:

a) I e IV.

b) I e II.

c) I, II e III.

d) II, III e IV.

e) III e IV.

17 – (Analista Judiciário - Tribunal Regional Eleitoral – São Paulo – 2.006) Com relação aos contratos, considere as seguintes assertivas:

I – É ilícito às partes estipular os contratos atípicos.

II – Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva.

III

– Reputar-se-á celebrado o contrato no lugar em que foi proposto.

IV

– O contrato preliminar deve conter todos os requisitos essenciais

ao

contrato a ser celebrado, inclusive quanto à forma.

De acordo com o Código Civil Brasileiro, está correto o que consta APENAS em:

a) I e II.

b) I, II e IV.

c) I, III e IV.

d) II e III.

e) III e IV.

GABARITO COMENTADO

01 – Alternativa correta – letra “d”. Todas as proposições

estão corretas. Esta questão abrange as disposições preliminares dos contratos, constantes nos arts. 421/426 do Código Civil, que vem caindo com muita freqüência em concursos de Analista Judiciário. A afirmação I realmente está correta, pois se trata da previsão expressa do art. 421 do CC. Trata-se de um novo princípio dos contratos, que visa dar maior equidade entre os contratantes. A proposição II está prevista no art. 422 CC. Trata-se da boa-fé objetiva, ou seja, as partes devem agir com lealdade, probidade e confiança recíprocas, com o dever de cuidado, cooperação, informando o conteúdo do negócio e agindo com equidade e razoabilidade. É uma seqüência do princípio anterior. A proposição III

está correta, pois como regra, feita uma proposta (oferta ou policitação) esta obriga o proponente (ou policitante). É o que dispõe o art. 427 do

CC.

Lembrem-se que as exceções a esta obrigação estão previstas no

art.

428 CC. A afirmação IV também está correta, pois a herança de

pessoa viva não pode ser objeto de contrato (art. 426) – é o que chamamos de pacta corvina (acordo “do corvo”).

02 – Alternativa correta – letra “a”. Com o objetivo de

proteger a sociedade, de equilibrar as relações contratuais, o atual Código Civil introduziu os princípios da dignidade da pessoa humana (vide arts. 11 a 21); da função social do contrato (art. 421); da boa-fé objetiva (art. 422); e também o da justiça contratual (art. 317 e 478). Na realidade, se a questão se referisse aos princípios contratuais, todas as alternativas estariam corretas. Todas as alternativas trazem princípios relativos aos contratos. No entanto notem que o cabeçalho da questão fala em princípios introduzidos pelo novo Código. Somente a letra “a” se refere aos novos princípios contratuais. Nas demais alternativas foram colocados princípios que o Código anterior já previa misturados aos novos.

03 – Alternativa correta – letra “b”. O contrato aleatório é

aquele em que a prestação (se há uma prestação o contrato é oneroso) de uma das partes não é conhecida com exatidão no momento da celebração do contrato. Depende de uma alea, ou seja, depende de um fato futuro e incerto, não se podendo antecipar exatamente o seu montante. Esta modalidade de contrato está prevista nos art. 458 e 459

do CC. O exemplo clássico é o contrato de seguro de um veículo. No momento em que ele é pactuado eu não sei qual será a eventual contra- prestação da seguradora. Depende de um fato futuro e incerto. Eu sei qual é o valor da minha obrigação. Mas ainda não sei qual o valor da prestação da seguradora. Eu posso pagar o seguro durante dez anos e nunca precisar acioná-lo. Por outro lado, posso precisar acioná-lo no primeiro dia após a celebração do contrato e pelo valor integral (perda total do veículo). Assim, pode haver também uma não-equivalência entre o valor que eu paguei (pelo seguro) e aquilo que eu receberei (em caso de eventual acidente).

04 – Alternativa correta – letra “a”. Vejam como o examinador

pode complicar uma questão fácil. A alternativa correta, na verdade

necessita ser “traduzida”. Por isso é interessante conhecer vários termos que são sinônimos em Direito. Os examinadores gostam muito de “variações sobre um mesmo tema”. Vamos então “traduzir” a alternativa. A policitação (oferta) é uma declaração receptícia de vontade (ou seja, que necessita ser aceita), dirigida pelo policitante (pessoa que oferece, oferta, ou seja, o proponente) ao oblato (que é o aceitante), por força da qual o primeiro manifesta sua intenção de se considerar vinculado se a outra parte aceitar. Após esta “tradução”, percebe-se que a alternativa está correta (arts. 427 e seguintes do CC).

A letra “b” não será vista nesta aula, pois se trata de um tema fora de

nosso edital, porém podemos esclarecer que ela não está totalmente errada; no entanto está incompleta, pois os elementos de um contrato de compra e venda são: coisa, preço e consentimento (“res, pretium e consensus”). A letra “c” também está errada. Na aula sobre bens falamos que “res nullius” é coisa de ninguém. Já a coisa abandonada pelo proprietário é chamada de “res derelictae”. A letra “d” também está errada, pois realizada a policitação (ou oferta) e aceita pelo oblato (o aceitante), admite-se o arrependimento, se antes da aceitação ou juntamente com ela, chegar ao proponente a retratação do aceitante. A regra é que a oferta vincula o proponente (art. 427 CC). No entanto há exceções (art. 428 CC), permitindo-se, em situações especiais o arrependimento.

05 – Alternativa correta – letra “d”. Vício redibitório é o vício

ou defeito oculto da coisa que a torna imprópria ao uso que se destina ou que lhe diminui sensivelmente o valor, de forma que o contrato não seria realizado se o adquirente tivesse conhecimento do vício. Nos termos do art. 442 do CC, o prejudicado pode ingressar (observem que

o examinador usou o termo “manejar”, que também é correto) com

ação redibitória (redibir = devolver a coisa) ou pedir abatimento proporcional no preço (por meio de uma ação chamada de estimatória ou quanti minoris). A letra “a” está errada, pois fornece o conceito de evicção (art. 447 CC). Já letra “b” está errada, pois o prejudicado pode pleitear a substituição do produto ou a restituição da quantia paga ou o abatimento proporcional do preço. A expressão “somente” tornou esta alternativa errada. Finalmente a letra “c” também está errada, pois o prazo previsto no CC para imóveis é de um ano. Observem que este tema também é tratado pelo Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/90), que é mais abrangente.

06 – Alternativa correta – letra “a”. Não há uma unanimidade

entre os autores sobre a utilização da nomenclatura correta e exata dos institutos. No entanto os examinadores vêm a adotando a seguinte terminologia. A extinção do contrato por fato posterior é chamada de rescisão contratual (gênero), que, por sua vez, se divide em resilição e resolução (espécies). A questão traz uma hipótese de resolução, que é a do inadimplemento (não cumprimento ou inexecução) involuntário do contrato, isto é, quando a parte não consegue cumprir o contrato por

causa de um fator externo, não se podendo lhe atribuir culpa. Portanto o correto é a extinção pela resolução. A letra “b” está errada por dois motivos. Primeiro: não existe resilição por onerosidade excessiva (os arts. 478/480 CC falam em resolução). Segundo: no caso da questão, não se trata de resilição (pois nesta há declaração de vontade, geralmente bilateral, como no distrato), mas impossibilidade de cumprimento da obrigação. A letra “b” também está errada, pois no problema não houve manifestação de ambas as vontades (o ato não foi bilateral, como mencionado na alternativa). Finalmente, também não se pode dizer que mesmo diante da situação exposta no problema não acarretará a extinção do contrato. É lógico que acarreta. Assim, até por exclusão, a melhor alternativa é a “a” mesmo.

07 – Alternativa correta letra “d”. Todo contrato bilateral gera

direitos e obrigações para ambas as partes. Logo, deixando alguma delas de cumprir a sua obrigação, não poderá exigir o cumprimento da obrigação da outra parte. Portanto, são cláusulas resolutivas (extintivas) tácitas, tanto a exceptio non adimpleti contractus (que, genericamente significa: “não sou obrigado a cumprir com a minha obrigação se você não cumprir com a sua primeiro”), como também a exceptio non rite adimpleti contractus (que é o cumprimento incompleto, defeituoso ou inexato da prestação por um dos contraentes; não foi feito da forma como combinados; não foi obedecido o “rito” como foi combinamos).

Havendo o descumprimento deve-se ajuizar a ação correta (portanto a letra “a” está incorreta; “B” suspendendo os últimos pagamentos deve ingressar com ação). No problema exposto percebe-se que o contratante não utilizou a qualidade dos materiais especificados no memorial. Assim, houve o cumprimento da obrigação, mas não da forma pela qual a ajustaram. O cumprimento foi defeituoso ou inexato. Portanto a letra “d” está correta. Observem que a letra “c” diz respeito à Teoria da Imprevisão, que veremos em outra questão. No entanto esclareço que esta questão não está nos padrões da FCC para o cargo de Analista. A FCC também gosta de expressões latinas. Mas não na prova de Direito Civil, para Analista. Mas não deixa de ser uma questão interessante, pois na resposta abordo pontos importantes sobre

o tema.

08 – Alternativa correta – letra “c”. Para que possa haver intervenção judicial em um contrato, seja para corrigi-lo, seja para decretar a sua resolução (arts. 478 e 479), o CC exige que o contrato seja de execução continuada (que ocorre quando uma das prestações do contrato será executada por partes, como por exemplo: em prestações do valor devido) ou diferida (que ocorre quando a prestação da outra parte será cumprida posteriormente; ela será adiada, postergada ou

procrastinada), e que um evento extraordinário e imprevisível ocasione

o desequilíbrio deste contrato, trazendo onerosidade excessiva para uma

das partes. A alternativa está correta. No entanto gosto de acrescentar que não é somente nesta hipótese que o juiz pode intervir. Pode o juiz agir em diversas hipóteses, como no caso de vício redibitório (defeito oculto na coisa), defeitos de consentimento (erro, dolo, coação, lesão, estado de perigo), forma especial não obedecida, capacidade das partes, objeto ilícito, etc. A expressão “somente” na letra “a” a tornaram errada. A letra “b” está completamente errada, pois não se admite, em contrato algum, as chamadas “cláusulas abusivas”. E não somente no contrato paritário. Este é uma espécie de contrato onde os contratantes estão “em pé de igualdade”; ou seja, as cláusulas contratuais podem ser discutidas pelos contratantes (ao menos em teoria) uma a uma. Ele se contrapõe ao contrato de adesão (ou por adesão) em que uma das partes adere às cláusulas já estabelecidas pela outra (ex: contratos bancários – ou assina a proposta da forma que foi formulada, ou o contrato não sai). E esta também é outra hipótese em que o juiz pode intervir para sanar defeitos: havendo abusos em contratos de adesão. A propósito, o C.D.C. arrola, em seu art. 39, diversas hipóteses de práticas abusivas. E em seu art. 51 as cláusulas consideradas nulas de pleno direito. No entanto, é importante deixar consignado que a nulidade de cláusula contratual abusiva, como regra, não invalida o

contrato. A obrigatoriedade das convenções (chamados de pacta sunt servanda) é um importante princípio contratual. Mas, como vimos, há uma série de exceções a este princípio e que vem perdendo a sua antiga importância; portanto a expressão “nunca” torna a questão errada.

09 – Alternativa correta – letra “c”. Como vimos, o art. 478,

do CC, adotou a Teoria da Imprevisão, tendo atrelado a este conceito a noção de onerosidade excessiva. Para permitir a resolução (extinção) do contrato, deve ocorrer um sensível desequilíbrio entre as partes envolvidas, ocasionado por um evento extraordinário e imprevisível. Por este motivo a alternativa “d” está errada, pois diz que independe do fato imprevisível e extraordinário. É interessante acrescentar (reforçando o que já foi dito) que a resolução poderá ser evitada se a parte favorecida concordar em modificar eqüitativamente as condições do contrato (art. 479 CC). A onerosidade excessiva também está prevista no Código de Defesa do Consumidor (portanto a letra “b” está errada). A grande dificuldade na questão é com relação a alternativa “a”. Aparentemente também está correta. No entanto o CDC (Lei n° 8.078/90) se refere como direito do consumidor a modificação das cláusulas que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas (art. 6°, inciso V). Portanto ele se refere apenas a fato superveniente. Não utiliza as expressões “extraordinário” e “imprevisível”. Portanto esta alternativa também está errada. É uma diferença muito sutil. Particularmente, entendo que uma questão desta somente pode cair quando o edital menciona expressamente, como matéria a ser estudada,

o Código de Defesa do Consumidor. Por isso ela foge dos padrões para o concurso de Analista, mas interessante pela análise das demais alternativas. E para deixar claro as “sutilezas” do examinador.

10 – Alternativa incorreta – letra “e”. Esta alternativa está

errada, pois ela trata de um vício de consentimento: o erro ou a ignorância (arts. 138/144 CC), que, se for essencial, torna o negócio anulável. Portanto nada tem a ver com o tema da questão: o Princípio da Boa-fé Objetiva. Como vimos trata-se de um novo princípio estabelecido pelo atual Código Civil. Segundo ele, as partes devem agir com lealdade, probidade e confiança recíprocas (art. 422 CC), com o dever de cuidado, cooperação, informando o conteúdo do negócio e agindo com equidade e razoabilidade. A boa-fé deve estar presente não só na elaboração, como na conclusão e execução do contrato, que além da função econômica de circulação de riquezas, serve, também, de mecanismo para se atingir a justiça social, solidariedade, dignidade das

pessoas. A quebra deste dever gera a violação objetiva do contrato e a responsabilização, independentemente de culpa (portanto, responsabilidade objetiva por abuso de direito – art. 187 CC).

11 – Alternativa correta – letra “b”. O contrato real é aquele em que o contrato só se torna perfeito com a tradição do objeto, ou seja, com a entrega da coisa combinada no contrato. Um exemplo disso

é

uma das partes (credor

pignoratício) empresta determinada importância a outra (devedor pignoratício), sendo que esta última deve entregar um bem móvel (como regra) à primeira, como garantia de que irá saldar sua dívida. O contrato real se contrapõe ao contrato consensual, que é aquele que se torna perfeito com o simples acordo das partes; basta o consenso das partes envolvidas, não se exige mais nenhuma formalidade especial para a sua celebração e para torná-lo perfeito (ex: compra e venda de bens móveis, locação, transporte, etc.).

o

penhor, que

é um contrato

em que

12 – Alternativa correta – letra “d”. Evicção é a perda (total ou parcial) da propriedade para terceiro, em razão de ato jurídico anterior e de uma sentença judicial. Confiram os arts. 447 e seguintes do CC. O exemplo clássico é o seguinte: comprei um sítio e paguei à vista. Quando fui tomar posse, percebi que uma família já morava lá. Esta família entrou com uma ação de usucapião contra mim, pois estavam morando lá muito antes de eu ter comprado o sítio. O juiz, por meio de uma sentença, dá ganho de causa à família. Nesta relação há três pessoas: o alienante (que é a pessoa que transfere a coisa de forma onerosa); o evicto, adquirente ou evencido (que é a pessoa que perdeu a coisa adquirida, em virtude da sentença judicial – no caso “eu”) e o evictor ou evencente (que é a pessoa que ganhou a ação judicial – no caso a família). Como regra o alienante, nos contratos onerosos responde pelos riscos da evicção, pois esta decorre da lei. No entanto a responsabilidade pode ser reforçada ou excluída, desde feita de forma expressa (art. 448 CC). Mesmo que excluída a responsabilidade pela evicção, se esta ocorrer, o alienante ainda pode responder por ela (basta o evicto provar que não sabia do risco da evicção ou informado, não assumiu este risco). Neste caso, a responsabilidade consiste apenas na devolução do preço (art. 449 CC). É esta a alternativa correta. No entanto vamos mais adiante na questão. O alienante poderá ficar totalmente isento de responsabilidade se foi pactuada a cláusula de exclusão e o adquirente foi informado sobre o risco da evicção, ou seja, ficou sabendo que havia o risco pela evicção e

mesmo assim assumir este risco. Somente nesta hipótese excepcional, operada a evicção, o alienante não responderá por ela.

13 – Alternativa incorreta – letra “e”. Esta alternativa trata de um ponto do edital que não costuma cair muito em concursos (e eu nunca vi na prática). Selecionamos esta questão exatamente por isso, ou seja, para que esta aula tenha uma maior abrangência possível. Além do mais, caiu em um concurso de Analista Judiciário. Os artigos 467/471 do CC tratam do contrato com pessoa a declarar. Em geral, as partes e os beneficiários já são conhecidos logo no início do contrato. No entanto a lei permite que uma das partes se reserve no direito de indicar a pessoa que deve adquirir os direitos e assumir as obrigações decorrentes deste direito, posteriormente. O nome desta pessoa será indicado após a conclusão do negócio. A indicação desta pessoa deve ser comunicada no prazo estipulado pelo contrato. Porém, se este for omisso quanto ao prazo, determina o CC que a comunicação se dará no prazo de 05 (cinco) dias (e não dez dias como na alternativa). A alternativa “a” está correta, pois se trata do texto literal do art. 424 CC. Explicando melhor esta alternativa: Contratos de adesão são aqueles em que a manifestação de vontade de uma das partes se reduz a mera anuência à proposta da outra. Uma das partes elabora o contrato e a outra parte apenas adere às cláusulas já estabelecidas, não sendo possível a discussão dessas cláusulas. Este contrato é válido. No entanto o CC proíbe a renúncia antecipada de direito do aderente, como no caso de existir no contrato uma cláusula estipulando que caso o objeto adquirido esteja com algum problema, o aderente abre mão de pedir a substituição do produto. Tal cláusula, caso estipulada, será considerada como nula, não gerando efeito algum. A alternativa “b” está correta, pois a herança de pessoa viva não pode ser objeto de contrato (art. 426 CC); isto é o que chamamos de pacta corvina (ou o “acordo do corvo”). Tal disposição não é aceita pelo nosso Direito, gerando sua nulidade. A letra “c” está correta. Trata-se do texto literal do art. 440 CC. Se uma terceira pessoa anuir em executar uma prestação e não a cumprir, nenhuma responsabilidade caberá ao promitente (ou seja, o devedor primário); a responsabilidade ficará a cargo da terceira pessoa que assumiu a obrigação. Finalmente a alternativa “d” também está correta, pois o art. 434 CC prevê que os contratos entre ausentes tornam-se perfeitos desde que a aceitação é expedida, exceto: I - no caso do artigo antecedente; II - se o proponente se houver comprometido a esperar resposta; III - se ela não chegar no prazo convencionado.

14 – Alternativa correta – letra “b”. Trata-se de uma questão que menciona termos doutrinários, mas que em se conhecendo os princípios contratuais acaba não sendo de difícil resolução. Como já vimos em outras questões, o art. 421 do CC estabeleceu um novo princípio contratual no Direito Civil: a Função Social do Contrato. Vamos agora aprofundar o conceito. Na verdade este princípio se trata de um dispositivo genérico que deve ser preenchido pelo Juiz dependendo do caso concreto que lhe for apresentado, levando-se em consideração a ocorrência de outros princípios tais como: na interpretação do contrato (atendo-se mais à intenção do que ao sentido literal das disposições escritas); justiça contratual (protegida por institutos como o da onerosidade excessiva, para dar maior equilíbrio às partes e ao contrato, estado de perigo, lesão, etc.). O princípio da função social do contrato tem como funções básicas: a) abrandar a força obrigatória do contrato; b) coibir cláusulas abusivas, gerando nulidade absoluta das mesmas; c) possibilitar, sempre que possível, a conservação do contrato e o seu equilíbrio; d) possibilitar a revisão do contrato quando o mesmo contiver alguma onerosidade excessiva. Portanto os princípios da autonomia privada da vontade e da obrigatoriedade (anteriormente quase que absolutos), perderam muito a importância que tinham, sendo agora mais limitados.

15 – Alternativa correta – letra “b”. Observem, inicialmente, que o examinador utilizou a expressão alienatário, para se referir ao adquirente da coisa. Não é uma expressão comum da prática. Mas não está errado, até porque está previsto na lei. Trata-se de mais um termo rebuscado usado por nosso legislador. O tema tratado na questão é o do Vício Redibitório, já analisado acima e previsto nos arts. 441/446 do

CC. A letra “b” tem o exato texto do art. 441 e por isso está correta. A

letra “a” está errada, pois o adquirente (alienatário) pode enjeitar a coisa (art. 441) ou aceitar a coisa, mas com abatimento no preço (art. 442). A letra “c” está errada, pois o art. 443 prevê que se o alienante

conhecia o vício ou defeito da coisa, restituirá o que recebeu com perdas e danos; se o não conhecia, tão-somente restituirá o valor recebido, mais as despesas do contrato. As letras “d” e “e” estão erradas pois o

art. 445 determina que a responsabilidade do alienante subsiste ainda

que a coisa pereça em poder do alienatário, desde que o vício já era existente ao tempo da tradição (ou seja da entrega do bem).

afirmações I e IV. Esta questão também abrange as disposições preliminares dos contratos, constantes nos arts. 421/426 do Código

as

16

Alternativa

correta

letra

“a”.

Estão corretas

Civil. A afirmação I realmente está correta, pois se trata da previsão expressa do art. 421 do CC. A afirmação II está errada, pois a herança de pessoa viva não pode ser objeto de contrato (art. 426). A afirmação III está errada. Contratos atípicos são os criados pelas partes, dentro do princípio da liberdade contratual e que não correspondem a nenhum tipo contratual previsto na Lei; não têm uma tipificação prevista na lei; não têm um nome com uma previsão legal (exemplos de contratos atípicos: cessão de clientela, factoring, etc.). O art. 425 CC permite às partes estipular contratos atípicos, observadas, obviamente, as normas gerais fixadas no Código Civil. Finalmente a afirmação IV está correta, pois se trata da previsão expressa do art. 424 CC, já analisado mais acima.

17 – Alternativa correta – letra “d”. Estão corretas apenas as afirmações constantes nos itens II e III. Observem como esta questão é semelhante à anterior. Por isso realçamos a importância de fazer todos os testes. A afirmativa I está errada, pois o art. 425 CC permite às partes estipular contratos atípicos, observadas as normas gerais constantes no Código Civil. A afirmação II está correta, pois a herança de pessoa viva não pode ser objeto de contrato (art. 426 CC). A afirmação III também está correta, pois o art. 435 CC prevê que “reputar-se-á celebrado o contrato no lugar em que foi proposto”. Finalmente a afirmação IV não está correta, pois o contrato preliminar é aquele em que as partes se comprometem a celebrar mais tarde outro contrato, denominado principal ou definitivo (ex: compromisso irretratável de compra e venda). Ele deve ser registrado, presumindo-se irretratável. Se uma das partes desistir do negócio, sem justa causa, a outra poderá exigir-lhe o seu cumprimento, sob pena de multa diária, fixada no contrato ou pelo Juiz. As partes se denominam promitentes. Quanto à forma, não há obrigatoriedade de ser observada a mesma que figurará no contrato definitivo (art. 462 CC).