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CONCEITOS

Razão/Luz/Ilustração

• CONCEITOS Razão/Luz/Ilustração – luzes naturais da razão guiam os homens dando-lhes maioridade e autonomia –

– luzes naturais da razão guiam os homens dando-lhes maioridade e autonomia

– «O que é o Iluminismo? A saída do homem da sua Menoridade, pela qual ele próprio é responsável. Menoridade, isto é, incapacidade de se servir do seu entendimento sem a orientação de outrem, menoridade de que ele próprio é responsável, visto que a sua causa reside não num defeito do entendimento mas sim numa falta de decisão e de coragem de se servir dele sem a orientação de outrem. Sapere aude! Tem a coragem de te servir do teu entendimento. Eis a divisa das luzes.»

Kant, 1784

Conceitos - Razão/Luz/Ilustração

– razão como meio capaz de conduzir os homens à ciência e à sabedoria

– embora prolongue o racionalismo da filosofia clássica, apresenta uma diferença fundamental: rejeita uma razão metafísica apoiando-se na experiência

– atitude crítica

– liberdade de consciência

– emancipação de todas as tutelas

CONCEITOS

História

– elabora-se a teoria da história a vários níveis:

da humanidade, natural, da Terra, etc.

– há uma tendência para impor uma ideia mestra de devir em todo o âmbito do saber

CONCEITOS

Progresso

– apesar de ambivalente (progresso-degradação), é um conceito que ganha forma neste período

– o devir histórico identifica-se com o progresso humano

– a perfectibilidade anuncia o processo evolutivo do progresso

CONCEITOS

São estas algumas palavras-chave, criações originais do movimento cultural iluminista que ainda hoje caracterizam a cultura europeia:

Razãooriginais do movimento cultural iluminista que ainda hoje caracterizam a cultura europeia: Natureza História Progresso

Naturezaoriginais do movimento cultural iluminista que ainda hoje caracterizam a cultura europeia: Razão História Progresso

Históriaoriginais do movimento cultural iluminista que ainda hoje caracterizam a cultura europeia: Razão Natureza Progresso

Progressooriginais do movimento cultural iluminista que ainda hoje caracterizam a cultura europeia: Razão Natureza História

CONTEXTO INTERNACIONAL

• Barreiras cronológicas:

– Revolução Inglesa 1688/89

– Revolução Francesa 1789

• Centro de gravidade:

– Inglaterra

– Alemanha

– França

CONTEXTO INTERNACIONAL

• começa por ser uma corrente de desconfiança em relação ao movimento cultural dominante

• daí que, o cepticismo e a crítica sejam predominantes numa primeira fase

• pretende-se demolir as grandes ideias, instituições, poderes

• aparece a necessidade de encontrar novos

– fundamentos de evidência e certeza

– valores

– motivos de agir que fossem acessíveis a um grande público (grupo social que se preparava para substituir os nobres – burguesia)

• pretende formar uma opinião universal, pela primeira vez é visada uma grande amplitude social

ALTERAÇÕES ESTRUTURAIS DO ILUMINISMO

Antes:

1. autoridade institucional

2. regra da tradição

3. passado como peso

4. lógica da abstracção

5. modelo matemático, metafísico

6. simbólica do Cristianismo

7. doutrina do pecado original

8. caridade

Com o Iluminismo:

1. autoridade exclusiva da razão

2. regra do livre exame tornado extensivo a tudo

3. passado como alavanca

4. lógica dos factos

5. modelo físico, biológico

6. simbólica do deísmo, religião natural

7. teoria da bondade radical da natureza humana

8. filantropia, humanitarismo

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO ILUMINISMO PORTUGUÊS

• Principais precursores:

• D. João V (1706-1750) – é um reinado

caracterizado por uma forte contradição:

– prolongamento do Barroco

– percursor do Iluminismo

– prolongamento do Barroco – percursor do Iluminismo • Estrangeirados – bolseiros portugueses enviados para o

• Estrangeirados – bolseiros portugueses enviados para o exterior, contratação de estrangeiros para trabalhar em Portugal para suprir algumas necessidades:

– artes

– desenvolvimento nos ramos das indústrias de luxo e na guerra

– técnicos especializados em engenharia e química

– rigor cartográfico, posto em causa pelos cartógrafos europeus mais competentes

– formação escolar dos médicos

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO ILUMINISMO PORTUGUÊS

• Barreiras cronológicas:

• segunda metade do século XVIII

• primeiro quartel do século XIX

• Influências externas:

• sobretudo de França e Inglaterra, já que Portugal se tinha virado para a Europa, deixando a longa e estreita relação com Espanha

• inovações científicas e artísticas

• alterações sociais (burguesia)

• modelo administrativo

• hierarquia e relação do Estado com a Igreja

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO ILUMINISMO PORTUGUÊS

• Alterações político-sociais:

A partir do reinado de D. João V, a corte enxameia-se de gente nova, que não se insere nos grupos sociais já existentes:

-licenciados -geralmente filhos de mercadores ou fidalgos ilustrados -possuem bibliotecas e/ou gabinetes de física -participam em Academias -dominam línguas estrangeiras -viajam bastante O capital social deixa de ser a ascendência social para passar a ser poder económico e o conhecimento

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO ILUMINISMO PORTUGUÊS alterações político-sociais

• Burguesia passa a ser o grupo social dominante

• Dentro deste grande grupo convém distinguir:

– mercador propriamente dito (transporte de mercadorias)

– brasileiro/mineiro (novo-rico, golpista da fortuna)

– empresário de engenhos de açúcar

– capitalista (empréstimos a juro)

– mecânicos (trabalhadores manuais)

– burocratas do Estado

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO ILUMINISMO PORTUGUÊS alterações político-sociais

• No entanto, houve alguma dificuldade de aceitação dos novos valores impostos, dada a forte tradição social portuguesa.

nobre/clérigo

propriedade/terra

rural

espírito/imaginário

mercador objectos móveis citadino cálculos abstractos

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO ILUMINISMO PORTUGUÊS alterações político-sociais

• Com a intervenção política de Sebastião José de Carvalho e Melo (Conde de Oeiras e Marquês de Pombal) o Iluminismo vai triunfar em Portugal

• Fundamentando o absolutismo na utilidade pública, consegue levar a cabo uma série de reformas

• Social e culturalmente convém salientar:

– reestruturação da Inquisição e Censura (directa dependência do Estado)

– expulsão dos Jesuítas 1759

– reforma do ensino

– relacionamento da hierarquia religiosa com a cúria romana faz-se a partir do Estado

1759 – reforma do ensino – relacionamento da hierarquia religiosa com a cúria romana faz-se a

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO ILUMINISMO PORTUGUÊS

• Reformas pedagógicas:

– o ensino deixa de ter influência directa da Igreja, passando a classe docente a ser predominantemente laica

– reestruturação dos Estudos Menores, dando possibilidades de aprendizagem de matérias pertinentes para o quotidiano

– são criadas cadeiras autónomas de latim, grego, retórica, filosofia

– 1758 Aula do Comércio (embrião do ensino comercial)

– 1761 Colégio dos Nobres: primeira instituição pedagógica que dá primazia ao estudo do português sobre o latim, e responde às necessidades de álgebra, exercícios físicos e noções práticas

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO ILUMINISMO PORTUGUÊS

– 1772 Novos estatutos da Universidade de Coimbra

• o essencial dos cursos é reunido em compêndios para se evitar a dispersão

• tendência experiencialista reflecte-se na criação de várias estruturas de apoio ao ensino :

– Horto Botânico

– Museu de História Natural

– Laboratório de Física

– Laboratório de Química

– Hospital Escolar

• distingue-se o direito português do direito romano

• cria-se a Faculdade de Matemática

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO ILUMINISMO PORTUGUÊS

- criação de uma série de instituições que pretendem desenvolver o estudo de matérias específicas e apoiar o ensino superior:

- Academia das Ciências 1779

- Academia Real de História 1720

- Arcádia Lusitana 1756

- Biblioteca Nacional 1776

- Academia Real da Marinha 1779

- Casa Pia 1780

Para além da rede de ensino, vão ser estes também os pólos difusores da cultura erudita em Portugal, durante o Iluminismo.

Principais representantes do Iluminismo em Portugal D. Francisco Xavier de Meneses, 4º Conde da Ericeira,

Principais representantes do Iluminismo em Portugal

D. Francisco Xavier de Meneses, 4º Conde da Ericeira, 1673-1743

- foi a primeira figura de relevo social aberta a novos horizontes

- precursor de Verney

- funda a Academia Portuguesa, 1917, onde se

- critica o Barroco

- divulgam noções de mecânica celeste e terrestre

- fazem classificações naturalistas

- forma um novo conceito mais utilitário de cultura

Principais representantes do Iluminismo em Portugal

Principais representantes do Iluminismo em Portugal Bartolomeu de Gusmão 1685-1724 - secretário particular de D. João

Bartolomeu de Gusmão

1685-1724

- secretário particular de D. João V

- hábil político e diplomata

- teórico do mercantilismo

de D. João V - hábil político e diplomata - teórico do mercantilismo - apologista do

- apologista do classicismo literário francês

Principais representantes do Iluminismo em Portugal

Principais representantes do Iluminismo em Portugal – mais notável e influente doutrinário do iluminismo português

– mais notável e influente doutrinário do iluminismo português

– no seu percurso de estudante mostrou

sempre uma extraordinária capacidade de assimilação cultural que contribuiu para conceber a aspiração de se tornar mentor de uma ampla reforma da mentalidade portuguesa

cultural que contribuiu para conceber a aspiração de se tornar mentor de uma ampla reforma da

Principais representantes do Iluminismo em Portugal

VERNEY

• alcançou o bacharelato já na Universidade de Évora (1731) e o grau de licenciado e Mestre em Artes pela mesma Universidade em 1733

• porventura incompatibilizado com o ensino então ministrado nas escolas da Companhia de Jesus, fixou-se em Roma, aos 23 anos, desenvolvendo, fora da Pátria e até ao fim da sua vida, uma intensa actividade intelectual

• grande mérito de Verney consistiu em sumariar e reunir o que havia de mais inovador em muitos sectores da cultura europeia

Principais representantes do Iluminismo em Portugal

VERNEY

- recebe particular ordem de D. João V de iluminar a Nação em tudo o que pudesse, propondo algumas alterações legislativas:

- Regulamentação laica da Inquisição, com a extinção dos autos de fé, processos secretos, tormentos, delações por judaísmo, e a simplificação da censura

- Medidas para restringir o clero regular

- Simplificação e racionalização da justiça

- Ensino primário obrigatório

- Laicização do professorado

- Desencorajamento legal dos preconceitos linhagísticos e rácicos

- Incentivos legais ao espírito associativo

Principais representantes do Iluminismo em Portugal

VERNEY

• Alterações fundamentais em relação aos programas anteriores:

– análise gramatical da língua materna e não da latina

– banimento de vocábulos obsoletos

– introdução de vocábulos necessários à expressão abstracta (pensar, juízo, entendimento, talento)

– necessidade das línguas modernas consideradas de cultura adiantada, como o francês e o italiano

– direito civil e canónico: desejo de profunda racionalização e simplificação de códigos e procedimentos jurídicos, aproximando-os do direito natural

Principais representantes do Iluminismo em Portugal

VERNEY

– Medicina:

• critica o verbalismo da filosofia escolástica e teoria dos espíritos que animavam as funções biológicas

• denuncia o grande atraso da medicina portuguesa:

– velha proibição da observação anatómica em cadáveres humanos, fazendo-se o aprendizado em carneiros

– quase não havia prática hospitalar para os futuros médicos

– certas operações eram confiadas a barbeiros- sangradores

Principais representantes do Iluminismo em Portugal

VERNEY

– Instrução:

• deviam existir escolas elementares em cada «rua grande ou bairro»

• deviam proibir-se praxes medievais (exemplo: perseguição aos caloiros)

• Universidade e qualquer outro estudo público devia ter a porta aberta a quem quisesse assistir às aulas

• vantagem da instrução das mulheres para a educação dos filhos, governo da casa, relacionamento com marido

Principais representantes do Iluminismo em Portugal VERNEY - Verdadeiro Método de Estudar

em Portugal VERNEY - Verdadeiro Método de Estudar • linguagem franca, objectiva • mede todas as

• linguagem franca, objectiva

• mede todas as questões pedagógicas segundo a utilidade prática

• não tem preconceitos exclusivistas de superioridade - sob as mesmas condições de vida e de escolaridade todos podem obter os mesmos resultados

• preocupação de formular problemas de um modo impessoal para não ferir susceptibilidades

Principais representantes do Iluminismo em Portugal

Principais representantes do Iluminismo em Portugal Sebastião José de Carvalho e Melo (Marquês de Pombal) -
Principais representantes do Iluminismo em Portugal Sebastião José de Carvalho e Melo (Marquês de Pombal) -

Sebastião José de Carvalho e Melo (Marquês de Pombal)

- secretário de D. José I

- reformador da administração segundo os princípios iluministas

- num âmbito geral, foi o executor do programa de Verney e dos restantes estrangeirados

Principais representantes do Iluminismo em Portugal

Marquês de Pombal

• Social e culturalmente convém salientar:

– reestruturação da Inquisição e Censura (directa dependência do Estado)

– expulsão dos Jesuítas 1759

– reforma do ensino

– relacionamento da hierarquia religiosa com a cúria romana faz-se a partir do Estado

Principais representantes do Iluminismo em Portugal

Marquês de Pombal

Com o terramoto de 1755 tem a oportunidade de pensar a reconstrução de Lisboa numa perspectiva urbana iluminista

Pombal Com o terramoto de 1755 tem a oportunidade de pensar a reconstrução de Lisboa numa

Principais representantes do Iluminismo em Portugal

Marquês de Pombal

Principais representantes do Iluminismo em Portugal Marquês de Pombal Projecto de Eugénio dos Santos e Carlos

Projecto de Eugénio dos Santos e Carlos Mardel

Principais representantes do Iluminismo em Portugal

Marquês de Pombal

representantes do Iluminismo em Portugal Marquês de Pombal Fachada tipo A - Rua do Ouro Fachada

Fachada tipo A - Rua do Ouro

representantes do Iluminismo em Portugal Marquês de Pombal Fachada tipo A - Rua do Ouro Fachada

Fachada tipo B - Rua da Madalena

Principais representantes do Iluminismo em Portugal Rafael Bluteau , 1638-1734 – filho de pais franceses,

Principais representantes do Iluminismo em Portugal

Principais representantes do Iluminismo em Portugal Rafael Bluteau , 1638-1734 – filho de pais franceses, veio

Rafael Bluteau, 1638-1734

– filho de pais franceses, veio para Portugal em 1668

– estudou Humanidades no célebre Colégio de La Flèche, em Paris e, posteriormente, no Colégio dos jesuítas de Clermont

– ainda muito jovem, frequenta sucessivamente as Universidade de Verona, Roma e Paris

Principais representantes do Iluminismo em Portugal BLUTEAU

• intelectual de curiosidade intensa e de saber enciclopédico, nutrido pelas suas permanentes deslocações aos grandes centros culturais da Europa

• não nos legou propriamente um sistema de pensamento, deixando-nos antes a riqueza de uma efervescência intelectual que o fez participar nos alvores do iluminismo em Portugal

• chegado a Portugal, é no movimento académico fomentado pelo conde da Ericeira, D. Francisco Xavier de Menezes, que encontra a mola propulsora da sua intervenção cultural

Principais representantes do Iluminismo em Portugal BLUTEAU

• destaca-se tanto nas Conferências Discretas e Eruditas como na Academia dos Generosos, enquanto divulgador da actividade científica das grandes academias europeias. Aí discorre sobre a Astronomia moderna e seus diversos sistemas, preocupando-se ainda com as questões relativas à «duração da terra», na altura um intenso foco de polémica.

• também no campo das actividades literárias se destacou como intermediário entre Portugal e a cultura francesa

• CIDADE, Hernani, Lições de Cultura e Literatura Portuguesas , 2.º Volume, Coimbra, Coimbra Editora,

• CIDADE, Hernani, Lições de Cultura e Literatura

Portuguesas, 2.º Volume, Coimbra, Coimbra Editora,

1984

• LOPES, Óscar, SARAIVA, António José, História da Literatura Portuguesa, Porto,Porto Editora, 2000

• RUSS, Jacqueline, A Aventura do Pensamento Europeu, Lisboa, Terramar, 1997

• www.instituto_camoes.pt