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INTRODUÇÃO AO DIREITO Sua definição 04-10-2013 1
INTRODUÇÃO AO
DIREITO
Sua definição
04-10-2013
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Noções de Direito
Noções de Direito
 O Direito poderá ser definido como o sistema de regras de conduta social, assistido
 O Direito poderá ser definido como o sistema de regras
de conduta social, assistido de protecção coactiva, ou
por outras palavras, uma ordem de regras destinadas a
disciplinar a vida social;
 A existência do Direito decorre de duas ordens de
factores: o Homem é um animal social; Ubi societas, ibi
jus;
 Numa visão sociológica o Direito surge como ordem de
coacção;
 Numa visão jurídica o Direito surge como uma ordem
com um “sentido”, com um referencial de justiça, sendo
esta a que devemos optar, sendo assim, o Direito é,
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 Pois, uma ordem de convivência humana com um sentido – e esse sentido é
 Pois, uma ordem de convivência humana com um
sentido – e esse sentido é o da Justiça;
 A coacção ou a coercibilidade não específica o Direito no
plano do ser, não o determina no seu conteúdo e,
portanto, não faz parte da sua essência;
 O Direito pretende ser e é direito vigente, direito eficaz.
Pois que este é, por definição, uma “realidade social”.
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A problemática da coacção
A problemática da coacção
 Não é da coercibilidade que resulta a juridicidade da norma, mas que, inversamente, a
 Não é da coercibilidade que resulta a juridicidade da
norma, mas que, inversamente, a coercibilidade ou a
legitimidade da coacção deriva de a norma ser uma
norma de Direito. Por outras palavras: o Direito não se
define pela coercibilidade, mas esta é uma característica
ou qualidade que resulta da própria natureza do Direito;
 O que é “de Direito” é obrigatório, é exigível, mesmo
contra a vontade dos destinatários da norma – ou da
decisão. Temos aqui uma heteronomia que se impõe e
limita a autonomia de cada um dos membros da
comunidade.
 Ora, como pode justificar-se esta heteronomia do
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 Direito? Não é em princípio ilegítima qualquer limitação da autonomia ou liberdade da pessoa
 Direito? Não é em princípio ilegítima qualquer limitação
da autonomia ou liberdade da pessoa humana?
 Não, se essa heteronomia é condição da existência
mesma da autonomia. Ora o homem, como pessoa, só
pode realizar-se em comunidade, logo, a obrigatoriedade
daquelas normas que são necessárias à própria
existência e subsistência da comunidade, ou para
fomentar o desenvolvimento da autonomia de todos e
de cada um dos seus membros, não só não viola o
princípio da autonomia ou da liberdade como é
postulada até por esse mesmo princípio.
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 O Direito, informado pelo princípio da justiça, limita-se a definir, segundo um critério objectivo,
 O Direito, informado pelo princípio da justiça, limita-se a
definir, segundo um critério objectivo, o teu e o meu,
isto é, limita-se a definir a esfera de liberdade de cada
um em face dos demais e em face da colectividade;
 Daí que as obrigações impostas a cada um pelo Direito,
correlativas de direitos atribuídos a outros ou à
colectividade, e sendo a contrapartida de vantagens
auferidas por aqueles a quem são impostas, sejam
dotadas da qualidade particular de juridicamente
exigíveis – que não apenas moralmente exigíveis;
 A coacção no domínio do Direito é não só legítima,
senão que também exigível;
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 O Direito é uma ordem necessária: não há sociedade sem Direito, este entra necessariamente
 O Direito é uma ordem necessária: não há sociedade
sem Direito, este entra necessariamente na constituição
do social. A sociedade, por seu turno, é necessária, por
natureza, ao homem;
 Todo o Direito ou é positivo (vigente) ou não é Direito.
Significa isto o seguinte: para que a sociedade exista,
tem de vigorar o Direito; e o Direito, para ser Direito,
tem de ter vigência social. Ou ainda: se não existir uma
sociedade não pode haver Direito e para existir uma
sociedade tem de vigorar um Direito.
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 Claro está que a vigência efectiva do Direito, numa sociedade de homens imperfeitos, requer
 Claro
está que a vigência efectiva do Direito, numa
sociedade de homens imperfeitos, requer a
coercibilidade, isto é, a ameaça de uma sanção efectiva,
daí se entender ser necessária.
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Direito Público e Direito Privado
Direito Público e Direito Privado

Sobre os critérios de diferenciação surgem três teorias:

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Teoria dos interesses (Ulpiano): estaríamos perante uma norma de direito público quando o fim da norma fosse a tutela de um interesse da colectividade; deparar- se-ia uma norma de direito privado, quando a norma visa tutelar ou satisfazer interesses individuais, isto é, interesses dos particulares como tal Este critério terá de ser afastado já que o direito público e privado visa proteger simultaneamente interesses púbicos e particulares;

Teoria da posição dos sujeitos: o direito público disciplina relações entre entidades que estão numa

 Teoria da posição dos sujeitos : o direito público disciplina relações entre entidades que estão
 posição de supremacia e subordinação, enquanto o direito privado regularia relações entre entidades numa
 posição de supremacia e subordinação, enquanto o
direito privado regularia relações entre entidades numa
posição relativa de igualdade ou equivalência – esta
teoria também terá de ser afastada pois, por vezes, o
direito público regula relações entre entidades numa
relação de equivalência ou igualdade, como acontece
com as relações entre autarquias locais (municípios e
freguesias), bem como, o direito privado, por vezes,
disciplina situações onde existem posições relativas de
supra-ordenação e infra-ordenação: como acontece com
o poder paternal, a tutela ou a relação laboral;
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 O critério mais adequado é o da teoria dos sujeitos : o direito privado


O critério mais adequado é o da teoria dos sujeitos: o direito privado regula as relações jurídicas estabelecidas entre particulares ou entre particulares e o Estado ou outros entes públicos, mas intervindo o Estado ou esses entes públicos em veste de particular, isto é, despidos de «imperium» ou poder soberano; Se a relação jurídica disciplinada pela norma não se apresenta com estas características estamos perante uma norma de direito público (assenta na qualidade dos sujeitos das relações jurídicas);

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A relevância prática de tal distinção assenta em dois pilares: vai determinar a via judicial adequada (se diz

11 A relevância prática de tal distinção assenta em dois pilares: vai determinar a via judicial
11 A relevância prática de tal distinção assenta em dois pilares: vai determinar a via judicial
12  respeito a relações jurídicas de direito público ou a efeitos jurídicos com elas
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respeito a relações jurídicas de direito público ou a efeitos jurídicos com elas conexionados são competentes os tribunais administrativos, ao invés, se estamos perante uma relação jurídica de direito privado são competentes os tribunais judiciais) e, por outro lado, no que concerne à responsabilidade civil, isto é, a obrigação de indemnizar os prejuízos sofridos, decorrente de uma actividade de órgãos, agentes ou representantes do Estado está sujeita a um regime diverso, consoante os danos são causados no exercício de uma actividade de gestão pública (tribunais administrativos e o regime da responsabilidade está previsto em legislação especial) ou

de gestão pública (tribunais administrativos e o regime da responsabilidade está previsto em legislação especial) ou
 de uma actividade de gestão privada (tribunais judiciais e o regime da responsabilidade é
 de uma actividade de gestão privada (tribunais judiciais
e o regime da responsabilidade é o constante do Código
Civil – artigos 500.º e 501.º).
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As diversas modalidades de ordem:
As diversas modalidades de ordem:
 A ordem do trato social: fala-se em regras de cortesia ou de civilidade destinada
 A ordem do trato social: fala-se em regras de cortesia ou
de civilidade destinada a tornar a convivência mais fluida
e mais agradável. É expressa pelos usos ou
convencionalismos sociais, subdistinguindo-se ainda
sectores específicos como os relativos à moda, à
cortesia, às práticas profissionais, sendo que a violação
destes usos provoca reprovação social e até sanções
sociais difusas como a segregação, difere da ordem
jurídica pela ausência de coercibilidade organizada;
 A ordem religiosa: é uma ordem normativa que assenta
num sentido de transcendência. Ordena as condutas
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 tendo em vista a posição do homem perante Deus e a sua fé; 
 tendo em vista a posição do homem perante Deus e a
sua fé;
 A ordem moral: é uma ordem de condutas, que visa o
aperfeiçoamento da pessoa, dirigindo-a para o Bem, tem
muito a haver com a sua consciência ética;
 A ordem jurídica: pauta os aspectos mais importantes da
convivência social e exprime-se através de regras
jurídicas. Os valores cuja prossecução visa são a justiça
e a segurança, ou seja, é a que regula a vida do homem
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 ao ultrapassar a indiferença de interesses e conflitos. 16
 ao ultrapassar a indiferença de interesses e conflitos.
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