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INTRODUÇÃO

O presente trabalho traz como tema A Gestão da Dívida Pública Angolana. É


apresentado como monografia para obtenção do grau de licenciatura em Economia e Gestão,
na Universidade Piaget de Angola.
Nos últimos anos, o peso da dívida pública de muitos países aumentou de forma
significativa. Os défices públicos gerados se tornaram um obstáculo ao crescimento
económico dos países. Parece existir um laço directo entre a diversificação de fontes de
capitais, a grande mobilidade do capital financeiro provocando um crescimento espectacular
das transacções financeiras e a expansão de trocas comerciais no mundo globalizado e o
aumento dos níveis de endividamento dos países. Existem evidências empíricas do recurso
generalizado ao mercado internacional para o financiamento da dívida pública.
Assim, o tema vem assumindo cada vez mais lugares em debates parlamentares e
conferências internacionais ou regionais. As cimeiras têm constituído lugares privilegiados
para discutir as grandes politicas a adoptar para a dívida publica dos países ou grupo de
países. Temas tais como a insolvência de certos países, o reescalonamento ou ainda o perdão
da dívida pública dominam frequentemente a actualidade económica internacional. Nos
meios académicas, o tema suscita igualmente conferências, palestras, monografias, teses e
artigos nas Revistas e é objecto de uma abundante produção científica, como revelam os
manuais de Finanças Públicas, Economia de Desenvolvimento, Relações Económicas
Internacionais e Contabilidade Nacional. A recuperação das finanças públicas tornou-se um
objectivo prioritário de politica económica.
Se o debate académico sobre as funções da dívida pública se prolonga ainda hoje, as
consequências tais como as enormes variações nas taxas de câmbio e de juro, as restrições
orçamentais, a compressão do consumo, as politicas fiscais rigorosas, os deslocamentos
significativos de capitais e elevados níveis de desemprego têm sido fontes de inquietação e
tensões sociais. É nessa senda que a corrente económica heterodoxa qualifica os créditos
fornecidos aos países em via de desenvolvimento de máquina para manter o terceiro mundo
sobre a dominação capitalista.

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O estudo do tema ganha mais interesse quando se observa, por um lado, estruturas
iguais da dívida pública entre países com níveis de desenvolvimento económico diferentes 1, e
por outro, países com enormes riquezas naturais na lista dos países mais endividados do
mundo e em situação de cessação de pagamento, principalmente no surgimento da subida
brutal das taxas de juro, do dólar ou do euro que acresce fortemente a carga da sua dívida.
Torna-se necessário desenvolver pesquisas sobre as politicas e princípios de gestão da
dívida pública para compreender as várias situações e os factores do elevado endividamento
publico notado.
Angola não devera ficar em margem dessas reflexões, sobretudo no campo
académico. Numa notável fase de crescimento económico, mas com índices de pobreza
alarmantes, a estrutura do balanço de pagamento, a estrutura do seu endividamento e do seu
orçamento devera ser um caso de estudo nas comparações internacionais.
O trabalho tem como Objectivo Geral conhecer o modo de gestão da Dívida Pública
angolana enquadrando o mesmo numa posição teórica.

Objectivos Específicos:

 Apresentar uma revisão da literatura sobre a dívida pública, para uma melhor
compreensão do conceito e das posições teóricas sobre o assunto,
 Apresentar os princípios de gestão da dívida pública recenseados na literatura
económica para servir de referencia,
 Comparar a gestão da dívida pública angolana com os princípios de gestão
acima referidos.

Justificação da Escolha do Tema:

O tema, muito embora sugerido pelo orientador para preencher algumas lacunas
observadas na análise macroeconómica do orçamento e finanças publicas angolanos, foi

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Exemplo dos USA que se tornaram o principal devedor internacional, depois de terem sido o primeiro credor.

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aceite por ter suscitado muitos debates parlamentares e conferências internacionais que
alimentam a actualidade económica internacional.

Actualidade e importância do tema

Este tema é bastante actual como indicam os numerosos e incessantes encontros


internacionais que tencionam diminuir o fardo dos países pobres mais endividados. Ganhou
ainda actualidade com a crise financeira que poderá reduzir as receitas de exportações de
muitos países e ao mesmo tempo as possibilidades de pagamento da dívida pública.
A sua importância, no plano académico, está no facto de permitir integrar e consolidar
conhecimentos de varias áreas assim como interpretar, a luz da teoria económica, as
frequentes informações sobre o endividamento dos países. De forma pragmática, possibilita
analisar, como estudante da opção Economia e Desenvolvimento, as informações recebidas
sobre este tema.

Estrutura do Trabalho

O primeiro capítulo desta monografia será dedicado a uma exposição de elementos


teóricos e analíticos necessários para compreender o conceito de dívida pública, suas funções
e os diferentes mecanismos da sua gestão, segundo diferentes posições teóricas.
O segundo capítulo privilegiara a analise empírica a partir de informações
quantitativas e qualitativas que possibilitam avaliar o modo de gestão da dívida pública
angolana.

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1 Posturas Teóricas Sobre a Dívida Pública

O campo de analise da dívida pública, interna e externa, é muito imenso. Envolve


entre outras, disciplinas como Finanças Públicas, Macroeconomia, Economia do
Desenvolvimento, Relações Económicas Internacionais, Contabilidade Nacional e Geografia
Económica.
Dentro dos temas desenvolvidos constam frequentemente as dificuldades de
pagamento da dívida externa elevada, a perda de eficiência pelo aumento de impostos para
pagar os juros da dívida e o impacte da dívida sobre a acumulação de capital, assim como as
controvérsias sobre as causas do enorme endividamento dos países do terceiro mundo, os
factores da evolução da dívida publica nos países desenvolvidos, os princípios de gestão da
dívida pública, os efeitos da divida pública sobre a tributação a repartição do rendimento e a
pobreza. Nota - se também estudos comparativos sobre o peso do serviço da dívida pública
no orçamento geral do Estado e os indicadores da insolvência dos países. A literatura registra
ainda trabalhos comparando a taxa do serviço da dívida pública com as taxas dos sectores
sociais como Educação e Saúde. Vale também a pena de assinalar os debates sobre as
vantagens e desvantagens do perdão integral da divida e o papel das instituições
internacionais na gestão da dívida pública, bilateral ou multilateral.

1.1. Conceito e Evolução da Dívida Pública

O termo “ dívida pública ” é utilizado frequentemente para designar realidades


diversas, nomeadamente: a dívida do Estado ou a dívida do Sector Público Administrativo (e
mesmo nesta última acepção dependendo do universo considerado para o Sector); a dívida
resultante apenas do recurso a empréstimos públicos ou englobando também outras situações
passivas (como por exemplo, as que resultam do diferimento no pagamento de operações
sobre bens e serviços e de bonificação de juros; da emissão de moeda metálica; da retenção
de cobranças efectuadas por conta de terceiros); a divida pública consolidada ou não
consolidada; a divida pública bruta ou a dívida líquida de activos da mesma natureza.

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A Dívida Pública pode ser ainda definida da seguinte forma: “Conjunto das situações
passivas que resultam para o estado do recurso ao crédito público”, podendo assim falar-se
em dois sentidos de divida pública: em sentido restrito, a dívida pública corresponde apenas
às situações passivas de que o estado è titular em virtude do recurso a empréstimos públicos:
em sentido amplo, abrange o conjunto de situações derivadas, não só do recurso ao
empréstimo público, mas também da prática de outras operações de crédito como sejam os
vales, os débitos resultantes do crédito administrativo, vitalício, empresarial ou monetário, e
da assunção de remunerações em contrapartida de atribuições patrimoniais. A dívida pública
pode também ser definida em função dos elementos que a constituem, numa aproximação
contabilística do que seria o passivo financeiro do estado (ou do SPA) se nas contas anuais
fosse elaborado um balanço.

1.2 Dívida do Estado em Sentido Restrito

Na óptica da contabilidade pública, consolidada e não consolidada, de acordo com o


mercado de emissão, a sua negociabilidade, a duração dos empréstimos e por instrumentos
financeiros. – Dívida que corresponde apenas às situações passivas de que o estado é titular
em virtude do recurso a empréstimos, englobando também os descobertos em contas
correntes.

1.3 Dívida do Estado em Sentido Lato

Na óptica da contabilidade nacional, consolidada, por natureza dos débitos segundo a


nomenclatura das operações financeiras das Contas Nacionais angolanas. Dívida que abrange
a totalidade das responsabilidades financeiras do Estado para com terceiros, de acordo com a
nomenclatura de operações e a metodologia das Contas Nacionais angolanas. Corresponde ao
passivo financeiro do Estado, que integraria o balanço se este documento contabilístico
constasse das suas contas anuais.

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1.4 Dívida do Sector Público Administrativo

Na óptica da contabilidade nacional, consolidada, por natureza dos débitos segundo a


nomenclatura das operações financeiras das Contas Nacionais angolanas. – Dívida que
abrange a totalidade das responsabilidades financeiras do Sector Público Administrativo para
com terceiros, de acordo com a nomenclatura de operações e a metodologia das Contas
Nacionais angolanas. Existem várias instituições que fornecem informação relativa á dívida
pública, informação essa caracterizada por um carácter periódico; como seja o Ministério do
Plano, o Ministério das Finanças (MINFIN, a Direcção Nacional do Orçamento (DNO) e
também o Banco Nacional de Angola (BNA).
Cada uma destas instituições fornece informação de acordo com a sua área de
actuação e é complementada com relatórios de Fundos Autónomos, bem como a informação
da própria conta do Orçamento Geral do Estado. Após consultar as diversas fontes verifica-se
que a Gestão do Financiamento do Estado e a Estrutura da Dívida Pública sofreram
profundas alterações ao longo das duas últimas décadas. Em grande parte devido á mudança
de regime político ocorrido em Angola em 1975, o que conduziu a uma significativa
intervenção do Estado na economia nos anos pós-revolução.
O financiamento interno do países dependia quase exclusivamente dos empréstimos
colocados directamente no Banco Nacional de Angola e o financiamento externo consistia
em empréstimos obtidos junto de instituições multilaterais. Nas duas últimas décadas os
instrumentos de dívida pública sofreram profundas transformações quer quanto à sua
natureza quer quanto ao seu número, que tendo em vista a promoção de liquidez da dívida
têm vindo a diminuir ao longo dos anos.

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1.5. Classificações da Dívida Pública

A dívida pública pode ser classificada quanto ao grau de responsabilidade em


principal e acessória:
Dívida Principal ou Directa – Dívida em que o Estado (ou outra entidade pública) é
o devedor efectivo de determinadas quantias, pela qual responde as suas receitas. Na dívida
principal ainda se distinguem duas situações:
Dívida Efectiva – Quando a entidade credora não é uma entidade pública.
Dívida Fictícia – Quando a entidade credora é outra entidade pública.
Dívida Acessória – Quando o estado (ou outra entidade pública) responde
subsidiariamente pelas dívidas de terceiros, sendo posteriormente reembolsado, segundo as
seguintes modalidades:
Dívida com Reembolso de Encargos – Quando o Estado procede ao reembolso dos
empréstimos como se fosse devedor principal;
Dívida com Aval do Estado – Quando o Estado se substitui ao devedor principal
quando este não cumpre. A dívida pública pode ser classificada quanto ao lugar de emissão
dos empréstimos:
Dívida Interna – Se os empréstimos são emitidos no mercado nacional,
independentemente do tipo de moeda e da nacionalidade dos credores.
Dívida Externa – Se os empréstimos são emitidos em mercados estrangeiros,
independentemente do tipo de moeda e da nacionalidade dos credores. A dívida pública pode
ser classificada quanto à duração dos empréstimos:
Dívida Flutuante (de curto prazo) – Dívida que resulta de empréstimos temporários
de curto prazo, contraídos geralmente para suprir défices momentâneos de tesouraria.
Engloba também os saldos credores de contas correntes do Estado e das Regiões Autónomas
no Banco de Portugal e noutras instituições financeiras.
Dívida Fundada (de médio e longo prazo) – Dívida que resulta de empréstimos
perpétuos e dos empréstimos temporários a médio e a longo prazo. Compreende:
Dívida Perpétua ou Consolidada – Dívida que resulta de empréstimos perpétuos,
isto é, empréstimos em que o Estado fica obrigado a pagar um determinado juro anual, não

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estando obrigado a proceder ao reembolso do capital, podendo no entanto gozar da faculdade
de os reembolsar (empréstimos remíveis) ou não gozando de tal faculdade (empréstimos não
remíveis).
Dívida Temporária – Dívida que resulta de empréstimos temporários a médio e
longo prazo, em que o Estado assume a obrigação de reembolsar o capital emprestado num
prazo certo (dívida amortizável) ou num prazo incerto, por morte do credor.

A dívida Pública Pode Ser Classificada Quanto a Sua Negociabilidade:

Dívida Negociável – Dívida livremente transmissível representada por títulos de


curto, médio e longo prazo, geralmente cotados em bolsa.
Dívida Não Negociável – Dívida cujo grau de transmissibilidade é reduzido ou nulo.
Estes conceitos não coincidem com os da dívida pública titulada e não titulada.

Dívida Titulada – Aquela em que os direitos e deveres emergentes da contracção de


um empréstimo público são incorporados em certos documentos, em condições definidas por
lei.
Dívida Não Titulada – Aquela em que os direitos e deveres emergentes de operações
financeiras não estão incorporados em “títulos documentais”, embora estejam registados ou
contabilizados e possam assim ser objecto de meio de prova.
Obrigações de Dívida Pública: a Aposta Segura Num Cenário de Crise e
Incerteza. Numa altura em que as taxas de juro continuam a cair nos dois maiores blocos
económicos do mundo (EUA e Europa), e o mercado accionista anda à deriva, os títulos de
dívida pública são uma opção para os investidores particulares em especial para os que são
avessos ao risco, que preferem ver as suas poupanças aplicadas em activos de menor risco.
Em períodos de incerteza económica as obrigações constituem um refúgio que
garante rendibilidade às carteiras e é por isso que os mercados obrigacionistas têm gozado de
alguma aderência por parte dos investidores num momento em que a conjuntura internacional
e evidentemente a conjuntura nacional atravessa uma fase de indefinição.

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Este mercado tem sido claramente beneficiado pela tendência descendente das taxas
de juro, tendência essa que se repercute negativamente na “yield to maturity” (rendimento até
à maturidade) das obrigações, mas representam um ganho em termos de cotação dos títulos.
Em Portugal o mercado obrigacionista tem perdido dinâmica nos últimos anos, quer no
segmento da dívida pública, bem como nas emissões obrigacionistas empresariais. O
comportamento das obrigações é determinado pela taxa de juro, o que normalmente se
observa entre o preço das obrigações e a taxa de juro resulta das características particulares
destes títulos, daí não ser tão simples investir em obrigações como é em acções.
Por um lado existe o simples investimento nos títulos, tentando-se obter ganhos
sempre que as cotações evoluam favoravelmente, por outro lado, a constituição de uma
carteira, pode ser vista como uma aplicação de poupanças tendo em vista um rendimento
periódico garantido.
Os países devedores optam sempre por pagar as suas dívidas, pois ao declararem a
insolubilidade, admitem que o países está em falência. Por outro lado, a imagem
internacional dos bancos credores não ficará prestigiada se estes admitirem a falência dos
seus devedores; por este motivo, os bancos comerciais optam sempre por considerar que as
dificuldades de pagamento dos países devedores são passageiras.
Deste modo, a solução para os países devedores é sempre difícil de encontrar, pois
terão sempre de ter em conta os interesses dos credores, muitas vezes contraditórios comos
seus.
Assim, relativamente ao pagamento da sua dívida externa, os países devedores têm
três hipóteses, tal como apresenta no esquema seguinte:

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Hipótese de pagamentos
Da dívida externa

Interromper o pagamento Esforçar-se por pagar o Solicitar uma


serviço da dívida negociação da dívida

- Adopção de politicas
- Descrédito no mercado para limitar a saída de - Custo suplementar
internacional divisas, põe exemplo

- A declaração de - Acumulação de
cessação de pagamentos dívidas
pode levar à confiscação . Diminuição das
de bens no estrangeiro importações ficando - Continuação dos
limitados ao essencial problemas de fundo.
- Correlação de forças
entre países e abertura . Proibição de colocação
de uma crise de capitais no estrangeiro

Após o impacto inicial da suspensão de pagamentos, por parte de alguns países e


outros, a dívida passa a ser considerada como um problema internacional específico,
exigindo um tratamento adequado, a fim de se evitar uma ruptura prejudicial de ambas as
partes.
Por razões de varias ordens, o perdão total da dívida é uma medida rejeitada pelas
partes. Na verdade o perdão total da dívida:
• Reduz a capacidade de conceder mais empréstimos por parte dos credores
• Coloca os países que pagaram parte da dívida numa situação de injustiça.
Compreende-se, pois, que os países devedores não defendam esta solução para não
serem excluídos do mercado financeiro internacional. Deste modo, resta-lhes apenas a
renegociação da dívida.

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A renegociação da dívida dos países em via de desenvolvimento a contrair mais
dívidas ou a substituir a dívida antiga por outra de maior montante; deste modo, o peso do
serviço da dívida é crescente na maioria dos países em vias de desenvolvimento.

Renegociação da dívida

Reescalonamento da divida, Refinanciamento da dívida, ou


isto é, reestruturação do seja, concessão de um novo
escalonamento das prestações empréstimo a médio prazo que
da dívida, cobrindo o seu pode ser reembolso da dívida. A
montante e os juros nova dívida substitui-se à
antiga.
Os países em desenvolvimento enfrentam uma situação muito difícil no que diz
respeito ao endividamento interno e externo, o que, aliado à necessidade de fortes ajustes
fiscais, vem colocando-os em um estado de escassez de recursos públicos para investimentos
em políticas sociais. Grande parte destes países foi classificada como países severamente
endividados.

O reconhecimento da insustentabilidade da sua dívida já foi feito pelas instituições de


Bretton Woods (FMI e Banco Mundial), ao lançarem uma iniciativa para a redução do
endividamento dos países pobres. No continente africano, os países como Benin, Burkina
Fasso, Etiópia, Gana, Madagáscar, Mali, Mauritânia, Moçambique, Níger, Ruanda, Senegal,
Tanzânia, Uganda e Zâmbia já beneficiaram do perdão imediato da divida decido pelo FMI,
Banco Mundial e o G8.

No entanto, uma das exigências dos doadores e que o perdão de 100% da divida seja
realizado na medida em que a corrupção for combatida e o dinheiro for aplicado a área de
saúde, educação e projectos de desenvolvimento e redução da pobreza.
Sobre a suspensão do pagamento da dívida pública a historia registou o seguinte

• Entre 1826 e 1850, por ocasião da primeira crises financeira , quase todos os
países do continente Americano suspenderam o pagamento da dívida pública;

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• Um quarto de século depois, em 1876, onze nações latino-americanas estavam
com os pagamentos suspensos;
• Durante a década de 30, um total de 14 países suspendeu os pagamentos em
carácter prolongado. Entre os grandes devedores, somente a Argentina
manteve os pagamentos sem interrupção – o que, por sinal, já havia feito
durante a crise anterior, no final do século XIX;
• Entre 1982 e 2002, o México, a Bolívia, o Peru, o Equador, o Brasil e a
Argentina interromperam, em ou outro momento, os pagamentos por um
período de vários meses: a suspensão permitiu aos países endividados a
criação de condições favoráveis à retomada posterior dos pagamentos, após
uma renegociação com os seus credores;

O FMI já projectou criar um mecanismo que permitisse, aos países com dificuldades
para pagar a dívida, a suspensão do pagamento por um período prolongado. Isso permitiria,
em certos casos, evitar a explosão de uma crise que poderia forçar os credores privados a
renunciarem a uma parte de suas pretensões, e, ao mesmo tempo, aliviaria o peso da dívida.

Para o FMI, tratava-se de disciplinar os credores privados a fim de evitar que se


repitam crises como a que abalou o México em 1994, o Sudeste asiático em 1997, a Rússia
em 1998 e, ultimamente, a Turquia e a Argentina.

1.6. Analise Económica da Dívida Pública

O debate em torno da dívida pública, sua composição e formas de financiamento


remontam aos séculos XVIII e XIX, sendo notáveis as interpretações clássicas de GALIANI
(1750), HUME (1752), SMITH (1776), RICARDO (1817), MILL (1848) e BASTABLE
(1892) entre outros. As análises actuais se concentram mais nos aspectos de administração da
dívida do que propriamente em sua problematização, abstraindo, na maioria das vezes, o
papel que a dívida pública cumpre na estrutura do sistema de crédito capitalista e como
interfere na reprodução e acumulação desse sistema.

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1.6.1 Escolas Mercantilistas

Diversos autores no início do século XVIII viam a dívida pública positivamente,


reforçando, de algum modo, a percepção de que o desenvolvimento e a expansão da
acumulação capitalista requerem uma crescente subjugação dos interesses do Estado – e do
soberano – às necessidades da ordem nascente. Vale citar três autores: Jean-François Melon,
citado por RICARDO (1982:172) como exemplo das contradições que envolveriam a dívida
pública. Para Melon a divida pública interna era a divida da mão direita com a esquerda, não
sendo problema, FOLEY (1990:291) argumenta que os determinantes dos gastos estatais
relacionam-se com o desenvolvimento histórico do capitalismo, considerando, ainda, que o
seu conteúdo, ou seja, a composição e distribuição das suas despesas são manifestações das
contradições económicas e políticas das relações de produção dominantes em uma dada
quadra histórica.
Ricardo cita Say quanto à posição de Melon sobre a dívida pública. bastando
distribuir esta dívida entre as duas mãos. Outro autor que considera relevante a divida pública
no processo de financiamento do Estado foi James Steuar, autor complexo, bastante discutido
por Marx, segundo o qual a dívida pública era componente necessário à acumulação e
reprodução capitalista. Por último vale citar Galiani, que mesmo vendo aspectos também
negativos no sistema de endividamento público, porém notava dois aspectos convenientes: o
financiamento de grandes gastos – pensava especificamente na guerra – mediante
empréstimos a serem pagos em parcelas; e os títulos do Estado serviriam como reserva de
valor, tanto para uso comercial e contratual, quanto para aplicação por sectores de assistência
pública
.
1.6.2. Escola Clássica

A concepção liberal-clássica da segunda metade do século XVIII e primeira metade


do século XIX, por sua vez, concebia um Estado muito menos interveniente. A doutrina dos
economistas clássicos, particularmente Smith e Ricardo, considerava o Estado enquanto

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organização de gerência dos “interesses comuns da burguesia produtiva; e seu custo, por
pertencer às despesas acessórias da produção, tem de ser reduzido ao mínimo indispensável”.
O período concorrencial, enquanto período clássico de acumulação capitalista,
observou, pelo menos em termos da Inglaterra, algum declínio do capital accionaria, tendo
como característica marcante na indústria têxtil a participação de pequenas e médias
empresas. Por mais que o Estado liberal fosse menos interveniente, porém como notou
BASTABLE (2000) a divida pública continuou crescendo durante todo o século XVIII e,
principalmente, no XIX, seja na França quanto na Inglaterra e, de forma mais acentuada
ainda, nos Estados Unidos.
Os autores clássicos, como Hume, Smith, Say, Ricardo e Mill, tiveram posições muito
próximas em relação aos empréstimos estatais. SMITH (1988:175) relaciona a dívida do
Estado com gastos extraordinários de guerra, considerando que em épocas de paz, o gasto
estatal pode ser perfeitamente coberto com a receita fiscal. De fato neste estágio liberal do
capitalismo a dívida.
Sumariando, a Escola clássica posiciona-se contrariamente ao endividamento,
arrolando razoes politicas e económicas, no campo politico entende que o parlamento era o
único instrumento da defesa de que a população dispõem contra a fúria dos reis absolutistas,
constituindo/se o endividamento uma forma de o soberano desviar desse obstáculo.
Consideravam ainda que as despesas públicas eram de todo improdutivas, perdidas para a
economia e que, por isso era necessário evitar a sua expansão. Ainda acreditava que a
burguesia emergente não estava interessada na expansão sócio/político do estado, mas, tão-
somente nas possibilidades de aumentar o consumo; no campo económico acertavam para o
facto de que em uma economia baseada na moeda com lastro metálico existe efectivamente o
risco da Bancarrota pública, eis que inexiste o potencial de emissão monetária (facto comum
nos séculos XVIII e XIX). Possui uma visão parcial da economia e, consequentemente, uma
visão idêntica entre o estado e a economia individual (hoje ainda vigente em alguns sectores).
Procura transmitir a visão Politana da necessidade do indivíduo poupar em favor do estado.
Um dos seus principais pareceres, Adam Smith, tido como o fundador da ciência económica,
já afirmava que o endividamento reduz a propensão a poupar e incentiva o consumo.

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Para a ciência económica a divida pública centra-se em três factores: impostos,
Consumo e Poupança com os reflexos na taxa de juros e nos montantes e recursos destinados
a investimentos (Mankiw, 1995, Cap. 16). Nesse campo, dividem-se os economistas em duas
correntes principais. Uns defendem a concepção clássica ou tradicional, pela qual a redução
de impostos financiada pelo endividamento público causaria de imediato um aumento no
consumo e redução da poupança e, consequentemente, aumento das taxas de juros. Haveria,
no curto prazo, uma vantagem para a geração presente, com o aquecimento da economia e a
geração de emprego. Entretanto, como haverá uma redução na poupança nacional,
diminuirão as fontes de recursos para o investimento futuros, alem de desviar os recursos
disponíveis para o pagamento dos encargos decorrentes da dívida. A outra concepção
chamada de teoria de equivalência Ricardiana, sustenta que a redução dos impostos via
aumento da dívida pública por si só não aumenta o consumo, não havendo, põe esse
raciocínio, diferença entre o financiamento por meio de aumento de imposto ou por meio de
obtenção de recursos via empréstimo. Essas teorias, entretanto, serão tratadas mais
detalhadamente nos tópicos seguintes: é também economicamente relevante a origem dos
recursos, se externos ou internos.
O Empréstimo Interno: é aquele que é obtido dentro de uma mesma unidade
económica, voluntária ou compulsória – irá retirar de circulação uma parte dos capitais
privados que seriam destinados a investimentos ou consumo, reduzindo num primeiro
momento, a circulação de bens capitais podendo causar estagnação económica ou até a
recessão. No entanto, quando pago dos juros correspondentes operando o efeito inverso.
O Empréstimo Externo: é aquele que é adquirido de outras unidades económicas –
tem a vantagem de não retirar de circulação os capitais internos e, ainda acrescentar a
economia dos capitais externos. Assim, sendo maior o volume dos recursos disponíveis para
a sociedade no caso de dívida externa, maior será a renda nacional que se obterá. Deste maior
volume de renda nacional obter-se-ia uma maior arrecadação a títulos de impostos, a qual
serviria para o pagamento dos encargos futuros, formando círculo virtuoso. A desvantagem
de vir a no futuro, em que uma parte da renda interna deveria ser subtraída para o pagamento
de amortizações e encargos além das dificuldades institucionais que sempre acompanham a
dívida externa, que também anteriormente fora mencionada.

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A Teoria Clássica da Dívida Pública

De acordo com a teoria clássica (Musgaw, 1976), o financiamento do deficit público


ou investimento através da tribulação implicaria a redução de recursos antes disponíveis para
a formação de capitais privados ou destinados ao consumo, o que poderia comprometer as
taxas de crescimento económico, no cenário em que estas dependem de consumo e de
capitais circulantes.
Assim, a decisão entre o financiamento por tomada de empréstimos ou por aumento
de imposto, envolve uma recolha íntegra e aumenta o consumo presente, com elevação das
taxas de produção e de emprego beneficiando a geração actual, em detrimento das gerações
futuras, no primeiro caso; é uma retirada de recursos de grande parte da formação de capitais
privados e a outra de consumo privado para o financiamento de investimento que irão
beneficiar as gerações futuras como sacrifício das gerações presente, no segundo caso; como
se vê é uma questão de se buscar um ponto de equilíbrio, de acordo com cenário politico,
económico e social vigente em uma determinada unidade económica, de modo a contemplar
a geração actual, sem comprometer a gerações futuras e realizar investimentos necessários
para o futuro sem sacrificar em demasia a geração presente. Uma politica fiscal que tem por
alvo acentuar o crescimento, no financiamento por colecta de imposto, ao passo que está
destinada a suportar o consumo presente se apoia no financiamento por empréstimo. No
entanto, o financiamento através da tribulação seria a alternativa mais correctamente
aplicável para suprir deficits primário, em que a despesas correntes separam as receitas
próprias; e também não comprometer gerações futuras com encargos que possivelmente lhes
havia de trazer beneficio algum.

Por outro lado, a actualização do endividamento como forma de financiamento


justifica-se em duas situações:
• Quando o deficits for a causa básica de um processo inflacionário, o que o que
inviabilizaria sua cobertura através da comissão de moeda e apresentaria um
cenário desfavorável para a majoração real de tarifas e tributos.

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• Quando se trata de financiamento de longo prazo e longa duração, em que os
benefícios do investimento se estendam ao longo do tempo favorecendo varias
gerações de forma que também os custos, assim como os benefícios sejam
distribuídos entre a população efectivamente favorecida, de acordo com os
princípios da equidade entre as gerações e pagamento conforme o uso, os
quais serão vistos a seguir

O Principio da Equidade Entre Gerações

É o ponto de vista económico clássico que preconiza a translação entre gerações dos
encargos decorrentes da dívida pública, desde que esta dívida tenha sido constituída para
financiar investimentos de longa duração, que venham a beneficiar as gerações futuras.
Assim, essas gerações futuras tendem a sua disposição bens, equipamentos, infra-estruturas
para a prestação dos serviços público de longa duração. Dessa forma os empréstimos
públicos passam a ser uma técnica pela qual as gerações futuras partilham das despesas da
actualidade, uma vês que tais investimento virão também em benefícios dessas gerações
vindouras. Vale dizer, a geração que optou pela criação da dívida ao invés do aumento da
carga de impostos, optou por aumentar o consumo e a renda presente em detrimento da
poupança da renda futura. Por isso, a dívida constituída deve ser reservada para os casos em
que se destinem a finanças, bens e capital fixos e de utilidade duradoura, que venham a ser
legados aos posteriores.
A geração futura ficaria onerada com amortização ou com juros da dívida mais
receberia em compensação, a infra-estrutura urbana, as redes de energia e de comunicação,
etc. por essa linha de raciocínio, fica claro ser inacreditável a transferência de dívida para o
futuro quando estas financiam tão somente as despesas do presente, tomando ilegítimas a
translação dos encargos sem os respectivos benefícios. Segundo Musgaw (1976), a questão
principal, consiste em saber que forma se distribui ao longo do tempo o bónus da dívida, isto
é, qual a incidência inter-geracional será obtida quando cada geração de forma proporcional
aos bens e serviços postos a disposição.

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O Princípio do Pagamento Conforme o Uso

Diferentemente do principio da equidade entre gerações que considera a transferência


de encargos e benefícios por mais de uma geração, o principio de pagamento conforme o uso
pendente ser a técnica pela qual uma mesma geração divide os encargos ao longo do tempo
como forma de viabilizar o pagamento de uma obra de maior vulto que se paga de uma só
vez causaria grande impacto no restante da economia, centralizando em um único
investimento, a maioria dos recursos disponíveis no presente. Dessa maneira o prazo a ser
fixado para o pagamento deveria ser compatível com o tempo de vida útil da obra, de forma
que a carga em impostos destinada ao pagamento desta dívida sejam suportadas pela mesma
geração que a criou.

Teoria da Equivalência Ricardiana

A faculdade de contrair dívida, como meio de realização de fins de estados já se


entrega no carácter geral do processo económico de repartição do custo de funcionamento do
governo e, ao mesmo tempo, de redistribuição de rendas nacionais, actividades peculiares a
administração das finanças públicas. A concepção de que o empréstimo público dividia com
as gerações futuras, o custo de um investimento público do presente já era entendimento
consagrado entre aos financistas do século XVIII. No inicio do século seguinte, o economista
David Ricardo, em seus estudo sobre Fusão de Sistemas, viria a iniciar uma controvérsia
sobre a repartição dos encargos da dívida no tempo, a qual tem sido reaumentada por varias
gerações de financistas, (Beleiro-1981,pagina 442) debate esse que perdura ate os dias de
hoje.
Ao descrever a sua teoria, Ricardo, nos apresenta o seguinte raciocínio: nos
inclinamos a crer que a guerra é um fardo somente na proporção daquilo que de pronto
somos convocados a pagar por ela em impostos, em reflexões a cerca da provável desses
encargos. Seria difícil convencer o possuidor de | $20. 000, ou de qualquer soma, que o
pagamento perpetuo de |$50 por ano é tão pesada quanto o impostos de | $1. 000 de uma vez.

18
Ele teria vaga noção de que $50 por anos seriam pagas pela posteridade e não por ele
próprio; mas se ele deixa ao filho a fortuna onerada perpetuamente pelo imposto de $50, qual
a diferença entre legar-lhe $20. 000 Sujeitas ao imposto ou $19. 000 sem esses bónus?
Ao contrário da teoria clássica, a chamada teoria da equivalência Ricardiana sustenta
que não há diferença entre o financiamento de investimento por meio de endividamento ou
por meio majoração de tributos. O princípio defendido é o de que a dívida pública actual é
equivalente ao impostos futuros e, se os consumidores estiverem suficientemente atentos ao
futuros, verão que os impostos futuros a serem utilizados para pagamento da actividades são
equivalentes ao impostos presente mudando apenas o momento da sua cobrança.
Por tanto, segundo a teoria de Ricardo, financiar o governo por meio da dívida
pública é o mesmo que financia-lo por meio de impostos. Da mesma forma, uma redução de
impostos financiada pela dívida pública deixaria inalterado o consumo e aumentaria a
população que o consumidor racional pouparia o crescimento de renda disponível para poder
pagar, no futuro, o provável aumento nos impostos, (Mankiw, 1996, cap16). James M.
Buchanan, em sua obra principies off Public Debit, em 1958 (Apud Herber, 1975) reabriu a
controvérsia pela óptica da aquisição no mercado interno dos títulos da dívida pública.
Burchanan nega que a geração actual suporte a carga da dívida pública, dado que aquelas
pessoas que adquirem os títulos desta dívida o fazem voluntariamente. Tais pessoas
adquirem-no no activo actuais como alternativa a um consumo actual mas pensando em
ganhos futuros de em que, também no futuro lhes será devolvido o principal. Em outras
palavras, para ele, não existe uma carga actual, posto a que estão fazendo limita-se a proteger
seu consumo presente para o futuro, quando for amortizado os títulos. Enquanto isto, essas
pessoas obterão também os juros correspondentes aos títulos que possuem. Uma vez que os
títulos da dívida pública são adquiridos voluntariamente, aqueles da geração presente que os
adquirem não concederam que estão realizando um sacrifício, enquanto que, as gerações
futuras, as quais deverão financiar o pagamento dos juros e da amortização dos títulos, estas
assim experimentaram um sacrifício ao ter que realizar obrigatoriamente pagamentos de
impostos para fazer frente aos despendios correspondentes aos juros e amortização. Afirma,
ainda que os impostos se põem uma autentica carga real, não simplesmente uma transferência
ou distribuição, postos que, em não existindo a dívida, tais tributos não seriam pagos pelas

19
gerações futuras, tal como seria o caso se a geração presente houvesse financiado os gastos
por meio de impostos e não de endividamento, alem de que a geração presente poderia
continuar obtendo juros de qualquer maneira por meio de aplicação de sua economia em
outro tipo de investimento financeiros.

1.6.3. Escola Keynesiana

Fundada a partir da difusão das ideias de John Maynard Keynes, sintetizadas em sua
obra: The General Theory of Emploment, Interest, and Money – 1937. Defende o
endividamento como financiador de deficits público, como forma de movimentar a economia
e provocar a geração de emprego, combatendo a estagnação e o desemprego, males que
afectavam de sobremaneira a economia capitalista no período conhecido como depressão,
ocorrido na década de 30, procura superar a visão parcial dos economistas clássicos que,
igualava a economia do estado com a economia individual. “As regras de cobertura”,
preconizadas pelas escolas clássicas, históricas são substituídas por analises do efeito do
crédito público segundo as formas de endividamento, segundo os instrumentos de captação
de empréstimos e segundo os sectores beneficiado pelo financiamento integra as teorias de
finanças pública com a politica monetária; defende que, da função estabilizadora do estado
emerge a visão funcional do crédito político.
Conforme já exposto, o grande problema da dívida pública é o seu aspecto nominal.
O tratamento austero dado as contas públicas pelo governo mostra a subordinação da politica
fiscal aa monetária.
Se o problema estivesse realmente dotado aa, um simples aumento da carga tributaria
corrigiria o desequilíbrio. Segundo John Keynes, o problema da dívida pública é de liquidez,
podendo ser corrigido apenas com liquidez.

1.6.4. Escola Neoliberal

A escola neoliberal que faz ressurgir algumas ideias de cunho liberal, não
intervencionistas e de redução de actividade estatal, propugnadas pela escola clássica,

20
posiciona-se concretamente a utilização do crédito público como financiador do
desenvolvimento.
Entende ser o crédito público a realização, no presente de receitas tributárias futuras
alinhando-se, em parte a teoria da equivalência Ricardiana. Segundo Buchanan (Apud
Legemann – Documentos não Publicados), a dívida baseada em postos futuros transforma o
leviata “Etemo” pois transforma a certeza e a possibilidade de majoração dos tributos no
futuro. Os Neoliberais defendem soluções baseadas na limitação das receitas e despesas
totais, no equilíbrio orçamental e na redução do endividamento por meio da venda de activos
e privatização de empresas públicas e economias mistas.

1.7 Princípios de Gestão da Dívida Pública

Quais os melhores indicadores para avaliar a gestão da dívida pública?


Como e que os países comparam esses indicadores?
Podem conseguir-se conclusões sobre uma eventual estrutura óptima para o portofolio
de dívida pública?
Existem varias teorias de gestão da dívida pública. Os critérios do endividamento
óptimo ou as condições de estabilidade da dívida pública variam consoante o volume de
dívida pública. Para satisfazer os imperativos de gestão da dívida pública varias politicas são
adoptadas.
Newsletter (Nº 006 / 05 Nov / 2007) indica que há diversos objectivos de gestão na
dívida pública:
* Ajudar a politica monetária a influenciar as taxas de juro de curto prazo
* Garantir um mercado liquido para os activos sem risco (títulos de dívida)
* Minimizar os custos de financiamento face ao risco
* Apoiar a politica orçamental face a potenciais choques na economia. Este objectivo
e medido por dois tipos de indicadores: uns relativos a estabilização do peso da dívida
pública no PIB em torno de um valor definido, outros relativos a estabilização da politica
fiscal.

21
Na União Europeia, o tratado de Maastricht impôs aos membros um défice inferior a
3% e uma dívida pública que não pode exceder 60% do PIB em cada país membro.
De acordo com Chesnais (1996), para que o ratio dívida pública /PIB permaneça
constante, e preciso que o crescimento da dívida pública seja igual ao do PIB. A estabilidade
do ratio dívida pública /PIB pode ser obtida de duas maneiras:
- Pela igualdade entre a taxa de juro e a taxa de crescimento do PIB com um saldo
primário nulo;
- Ou, se a taxa de juro e superior ao crescimento económico, a estabilidade do ratio
dívida pública/PIB requer um saldo primário positivo, ou seja, um excedente das receitas
sobre as despesas correntes.
SADC também tem como meta a dívida pública exceder 60% do PIB em cada país
membro.
A literatura oferece ainda outros critérios tais como a solvabilidade, a liquidez e o
risco de repudiaçao.

Critério de Solvabilidade

O primeiro critério refere a capacidade do país a garantir o serviço da dívida. Na


medida em que o serviço da dívida pública e financiado pelo excedente comercial, o país tem
a solvabilidade quando o valor do excedente comercial e superior ao montante da dívida
pública.

Critério de Liquidez

No segundo caso, mesmo para um país potencialmente solvível, o serviço da dívida


pública pode ser interrompido quando falta a liquidez.

22
Critério de Risco de Repudiaçao

E a incapacidade do país a pagar a dívida e a perder as possibilidades de um


endividamento adicional.

As teorias de gestão da dívida pública afirmam ainda que ma das principais perguntas
sobressaídas da dívida pública é a escolha das maturidades. Em cada período as maturidades
da dívida pública podem ser objecto de varias reformulações, nomeadamente através de
amortizações antecipadas e novas emissões com maturidades diferentes.
Um dos aspectos tem a ver com a escolha das maturidades que minimizam os
encargos com juros, tendo presente naturalmente como bases fundamentais que as taxas de
juro diferem consoante a maturidade em causa.
Outro aspecto prende-se naturalmente com as suas necessidades de financiamento a
curto, médio e longo prazo, ligadas ao défice orçamental em cada ano, à dívida Pública
acumulada e ao plano de amortização dessa dívida.
Também um dos aspectos determinantes na escolha das maturidades tem a ver com as
expectativas do governo sobre a evolução das próprias taxas de juros. Se os gestores da
dívida esperam uma subida das taxas de juros, a escolha vai no sentido de emitirem hoje os
títulos da dívida Pública com prazos mais longos com uma taxa de juro contratada hoje para
a totalidade do período (maturidade do titulo).
Por outro lado, se os gestores da dívida pública esperam que um período de taxas de
inflação elevadas seja ultrapassado a prazo, então tendem a preferir emissões por prazos
curtos durante esta fase mais inflacionista.
As diferenças comportamentais dos investidores que detêm dívida de curto e de longo
prazo devem ser consideradas na gestão da dívida pública. Pode ainda o Governo amortizar
ou recolocar a dívida pública, sem perder de vista que uma amortização da dívida determina
maior liquidez, potenciando um aumento da procura agravada e da inflação, o que tem
implicado nos níveis das taxas de juros.
Os economistas têm tentado explicar a estrutura das taxas de juros face aos distintos
prazos de maturidade da dívida através das expectativas dos agentes económicos sobre as

23
taxas de juro. Numa situação em que se esperam maiores ou menores alterações nas taxas de
juro, não há razões para as taxas de juro de curto e longo prazo serem diferentes. Supondo
que entretanto surge uma expectativa de subida das taxas de juro, os investidores vão
procurar investir por mais curtos de forma a obter mais ganhos no longo prazo. E o Governo
por seu lado vai procurar obter os financiamentos da dívida mais a longo prazo, a custos mais
baixos correspondentes às taxas de juro dos empréstimos obrigacionistas. Assim no curto
espaço de prazo, a oferta de dívida pública tende a ser superior á procura por parte dos
investidores, o que faz com que o preço no curto prazo tende a aumentar. Da mesma forma os
preços no longo prazo também tendem a aumentar.

1.7.1 Rating e Diferenciais de Taxa de Juro da Dívida Pública

O rating atribuído à divida pública do estado soberano, tem haver muito mais como
fundamentais das economias do que com os riscos financeiros assinado ao facto do estado
soberano emissor não cumprir com os sus compromissos de pagamentos do juros e
reembolsos.
Quando as diferenciais entre países nas taxas de juro para uma mesma maturidade, tal
prende-se também com o Fundamentais das economias, em particular dos diferenciais das
taxas de inflação, com implicações também a nível cambial. Um outro aspecto a ter em
consideração é o da liquidez associada a dimensão da emissão e as expectativas do mercado.
Se este acredita que a emissão tem liquidez, então ela vai atrair compradores e vendedores
minimizando o custo de transacção, e que vai gerar um elevado turn-over a nível do mercado
secundário.

24
2. Modo de Gestão da Dívida Pública Angolana

2.1 Metodologia
O problema central que norteou a realização desta analise empírica e saber se há
eficiência na gestão da dívida pública angolana, com base nos princípios universalmente
aceites.
O primeiro capítulo já forneceu os princípios de um endividamento óptimo. Neste
capítulo serão apresentadas as fontes (instituições e documentos consultados) e a
metodologia utilizada na recolha de dados relativos a gestão da dívida pública angolana.
A hipótese geral formulada é: Espera˗se uma gestão eficiente da dívida pública
angolana, com base nos princípios universalmente aceites.

Métodos da colheita de dados


Os dados foram recolhidos utilizando a observação indirecta.

Fontes de informações
Universidade Católica de Angola, Ministério das Finanças, Ministério do
Planeamento, Banco Nacional de Angola e Banco Mundial

Documentos Consultados: Relatórios Económicos

A qualidade da informação recolhida revela-se adequada para a pesquisa que se


pretende. Não se encontra no países outras fontes de dados mais fidedignos. As informações
produzidas pelas instituições do Estado foram cruzadas com as analises do Centro de Estudos
e Investigação Cientifica duma Universidade privada (UCAN).

25
Problemas Específicos Levantados

1) Qual o montante e a composição actual de dívida pública angolana?


2) Qual é a evolução da dívida pública angolana?
3) Quais são os principais credores do países?
4) Qual é o perfil da dívida pública ( concentrada no Curto ou longo Prazo)?
5) Qual é capacidade do pais saldar a sua dívida externa (tendo em conta os
indicadores Dívida Pública/ PIB, Dívida Pública/Exportações)?
6) Comparação Serviço da Dívida Pública com Gastos na Educação e Saúde

2.2 Contextualização da Análise

Angola é o terceiro maior países a sul do Sahara e um dos países com as maiores
reservas de riquezas naturais especialmente minerais. Quarto maior produtor africano de
petróleo.
A guerra que assolou o países teve como consequência imediata o êxodo e emigração
das populações provocando a fuga de quadro a médios, superiores e de intelectuais
reconhecidos e da juventude. Certamente, esta consequência aliada a nacionalidade das
unidades fabris e comerciais e a atenção desmentida ao petróleo provocaram numa primeira
fase a paralisação da indústria transformadora e produtiva. A curto e médio prazo aliadas a
crescente colocação de minas em todo o território nacional provocaram a paralisação e
impediram a livre circulação de pessoas e bens.
Estas condições de trabalho reforçam o ambiente propicio para o aumento da quase
mono produção extractiva de dois recursos naturais minerais: petróleo e os diamantes. A
economia de exportação bruta destes minerais foi criado espaço para uma micro economia de
importação que convive de forma regulamentada e de forma livre contribuindo para o
seguinte da corrupção.

26
2.2.1 Crescimento Económico

O declínio económico de Angola depois da Independência é explicado por três


factores: a abordagem Marxista adoptada para governo o países; a Guerra civil prolongada; o
processo de transição para uma economia do mercado, mal concebido e implementado.
Durante uma década depois da Independência, Angola adoptou um modelo de
planeamento central marxista, envolvendo-se num enorme programa de nacionalizações em
todos os sectores da economia.
A economia de Angola depende enormemente do sector petrolífero que está a
expandir a sua produção, visto que novos depósitos petrolíferos estão a dar início à produção
e foram adjudicadas novas concessões. Por outro lado, Angola é o quarto maior produtor de
diamantes a nível mundial, a maioria de depósitos fluviais, e os diamantes de Angola são
considerados como sendo de alta qualidade. Os depósitos diamantíferos mais ricos estão
concentrados no nordeste do países e, em menor grau, nas zonas centrais e sul do países. Por
várias razões os sectores não mineiros de Angola sofreram sérios problemas e estão a operar
a uma fracção dos níveis de produção antes da independência. A Guerra e a deslocação
maciça da população afectaram seriamente a produção agrícola. Só 3% da terra fértil total
(estimada entre 5 a 8 milhões de hectares) são cultivados, e Angola, que foi auto-suficiente
em termos das culturas básicas (milho, mandioca e mapira/sorgo) viu-se a braços com um
enorme défice alimentar, necessitando de assistência humanitária através do Programa
Alimentar Mundial (PAM) e importando 50 por cento dos seus requisitos alimentares.
O sector da indústria transformadora quase que teve a produção estagnada. Em 1999,
menos de 3 por cento da capacidade antes da independência estava operacional. Este sector,
que antes da guerra civil contribuía com 18 por cento do PIB, está agora a contribuir com
menos de 4.0 por cento. A produção está concentrada, principalmente, na indústria leve
(alimentos, bebidas e têxteis) enquanto a indústria pesada opera a níveis de baixa capacidade
ou não opera de todo. O Governo está empenhado na reabilitação das infra-estruturas,
especialmente das estradas, e esta actividade, conjuntamente com a reabilitação do sector
residencial em Luanda, impulsionou o sector da construção.

27
O crescimento real do PIB (ver Figura -1) tem flutuado, dependendo do volume da
produção petrolífera. A taxa de crescimento desceu em 2003, devido ao declínio dos
depósitos petrolíferos maturos, mas recuperou em 2004, quando novos depósitos petrolíferos
ficaram operacionais.

Em 2004, o sector petrolífero cresceu em 13,1 por cento e projectasse que a produção
petrolífera aumente, no futuro, quando novos depósitos de petróleo forem desenvolvidos em
resultado das recentes descobertas. Em 2004, a produção foi de 1,1 milhão de barris por dia.
Ultrapassara os 2 milhões de barris por dia, durante 2007, e ficou estimado em 90 por cento
acima dos níveis de 2005, em 2010. Isto significaria taxas anuais de crescimento do PIB
superior a 13 por cento entre 2007 e 2010. A produção diamantífera em 2003 alcançou 6
milhões de carates, no valor de US$788 milhões, contribuindo com 95 por cento das
exportações não petrolíferas.
O sector agrícola cresceu em 14,1 por cento em 2004, devido principalmente ao
acréscimo da produção tradicional e em pequena escala. Contudo, o sector de exportação não
está a crescer. No passado, Angola era o quarto maior produtor de café, mas agora está atrás
de outros produtores internacionais devido aos grandes investimentos necessários para a
reabilitação das culturas (As actuais tendências do mercado internacional favorecem o café
tipo Arábica enquanto Angola ainda está a usar Robusta).

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2.2.2. Reservas de Divisas

Em resultado dos preços do petróleo, Angola tem registado um crescimento abrupto


das reservas cambiais, embora o aumento tenha sido atenuado pela política cambial do
“Kwanza forte”. Apesar das vendas substanciais de divisas pelo Banco Nacional de Angola,
estima-se que as reservas cambiais brutas tenham aumentado de US$0.4 bilhões, no fim de
2002, para cerca de US$2.2 bilhões, no fim de 2004 (dois meses de importações), incluindo
um montante estimado em US$660 milhões em contas em divisas, administradas pela
Sonangol em nome do governo.

RANKING MUNDIAL DOS PAÍSES PELA PROPORÇÃO DA DÍVIDA PÚBLICA EM


RELAÇÃO AO PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) – ESTIMATIVA DO ANO 2006

Quadro 1 Comparação de Angola em relação aos países membros da SADC


DÍVIDA PÚBLICA
LUGAR NO RANKING PAÍSES
(% DO PIB)
4 Ilhas Seicheles 134,40
8 Zimbabué 96,40
66 Zâmbia 35,70
70 África do Sul 33,30
84 Angola 26,60
96 Moçambique 23,20

Quadro 2 Comparação de Angola com países membros da CPLP


DÍVIDA PÚBLICA
LUGAR NO RANKING PAÍSES
(% DO PIB)
23 Portugal 65,30
49 Brasil 46,00
96 Moçambique 23,20
84 Angola 26,60

No entanto , conclui-se que Angola ainda é um países que está melhor enquadrada a
respeito da dívida pública comparadamente com os países da SADC e CPLP em função do
produto interno bruto.

29
Cabe aqui mencionar, que o estoque da dívida pública - PIB não é um indicador
confiável de analise de solvência do sector público, pois abstrai a qualidade do
endividamento em termos de títulos que possui naturezas diferentes, e também nada diz
respeito aos prazos de vencimentos dos títulos públicos.

2.3. LEI-QUADRO DA GESTÃO DA DÍVIDA PUBLICA ANGOLANA

1. A presente lei estabelece os procedimentos de constituição, emissão e gestão da


dívida pública Directa decorrentes da necessidade de financiamento interno ou externo
para a execução dos programas inscritos no Orçamento Geral do Estado.

Artigo 2º – Princípios.

1. O recurso ao endividamento público, sob qualquer de suas formas, deve


subordinar-se aos limites estabelecidos na lei orçamental e conformar-se com as
necessitardes financiamento dos programas e acções prioritários do estado,
devendo, ao mesmo tempo se harmonizar com as metas de equilíbrio nas contas
públicas.
2. A gestão da dívida pública Directa deve orientar-se princípios der rigor e
eficiência, assegurando a disponibilização do financiamento requerido para o
exercício orçamental e visando os seguintes objectivos:
a) Minimização de custos directos e indirectos numa perspectiva de longo prazo;
b) Garantia de distribuição equilibrada de custos pelos vários orçamentos anuais;
c) Prevenção de excessiva concentração temporal de amortizações;
d) Minimização de riscos
e) Promoção de um equilibrado e eficiente funcionamento dos mercados monetários e
financeiro.

Artigo 3º – Definições

30
1. Para da presente lei, a dívida pública directa pode ser:
a). Flutuante;
b). Fundada;
c). Em moeda Nacional;
d). Em moeda externa.
2. Por dívida pública flutuante entende-se dívida pública directa contraída para ser
totalmente amortizada até ao fim do exercício do orçamento em que foi criada.
3. Por dívida pública fundada entende-se a dívida pública directa contraída para ser
amortizada em exercício orçamental futuro àquele em que foi criada.
4. Por dívida pública em moeda nacional entende-se a dívida pública directa
denominada em moeda com curso legal em Angola.
5. Por dívida pública em moeda externa, entende-se a dívida pública directa
denominada em moeda com curso legal em países estrangeiros.
6. Por data de maturidade entende-se àquela em que o pagamento do titulo torna-se
devido, correspondendo ao ciclo de vida do titulo, atingindo aqui a sua fase de
redenção.

Emissão da dívida Pública directa

Artigo 4º – (Condições gerais sobre o financiamento)

A lei do orçamento geral do estado deve estabelecer para cada exercício orçamental
as condições gerais a que se deve subordinar o financiamento do estado e gestão da dívida
pública directa, nomeadamente, o montante máximo de acréscimo do endividamento liquido
autorizado e o prazo mínimo dos empréstimos emitido.

Artigo 5º – (Condições complementares)

O governo deve, em obediência às condições gerais estabelecidas no termo do artigo


anterior, definir as condições complementares que obedecerão a negociação, contratação e

31
emissão de títulos da dívida pública directa pelo ministério das Finanças, nome e
representação do estado, bem como a realização pelo aquele ministério de todas as operações
financeiras de gestão referida dívida.

Artigo 6º – Condições Técnicas Especificas)

As condições especificas dos empréstimos e das operações financeiras de gestão da


dívida pública directa devem ser proposta e monitorizadas pelo ministro das finanças ouvido
pelo Governador do Banco Nacional de Angola, no intuito de ser atenderem as condições
correntes nos mercados financeiros bem como as expectativas razoáveis da sua evolução.

Artigo 7º

1. As condições de cada empréstimo integrante da dívida pública fundada, salvo se


representado por contrato, devem constar de obrigação geral assinada pelo
ministro das Finanças, que poderá atribuir ao Banco Nacional de Angola, bem
como as Instituições de credito, no todo ou em parte, tarefas administrativas e
executivas ligadas a emissão e serviço das operações relativas aos desdobramento
da obrigação geral.
2. Da obrigação geral deverão constar os seguintes elementos:
a). Finalidades do empréstimo;
b). Designação do empréstimo
c). Moeda do empréstimo;
d). Montantes máximo do empréstimo;
e). Tipos de Taxas de juros;
f). Modalidades de colocação do empréstimo;
g). Condições de amortização;
h). Periodicidade de pagamento de juros;

32
Artigo 8º - (Formas de Representação da dívida pública directa)
1. A dívida pública poderá assumir as seguintes formas de representação:
a). Contrato;
b). Títulos, que podem ter a forma de:
• Obrigações do tesouro;
• Bilhete do tesouro;
• Certificado de poupança;
• Certificado especial de dívida pública;
• Notas promissórias;
2. Sem prejuízo do disposto nº1 do presente artigo, outras formas de representação
da dívida pública directa podem ser estabelecidas pela Assembleia Nacional,
mediante propostas do governo,

Artigo 9º – (Características dos títulos).

Os títulos da dívida pública directa devem ter as seguintes características:


a). Gozarem de garantia do pagamento integral do capital e do juro;
b). Não serem passíveis de confiscos ou de qualquer outro acto de intervenção da
administração do estado;
c). Podem ser subscrito por quaisquer pessoas singulares ou colectivas residentes no
países ou no estrangeiro;
d). Podem, nas condições complementares ou especificas que forem estabelecidas
pelo governo, ser utilizado de garantia de crédito bancários, no pagamento das obrigações no
pagamento das responsabilidades financeiras em processo de privatização ou outros;
e). Podem ser objecto de resgate antecipados, nas condições que vierem a ser
determinados pelo Ministro da Finanças para cada emissão.

33
Artigo 10º – (Garantia de Pagamento da dívida pública Directa)

Os pagamentos dos juros e amortização do capital relativo à dívida pública directa


devem ser assegurados pelas receitas ordinárias do tesouro escritas no orçamento geral do
estado.

Capítulo III da Lei Quadro

Gestão da Dívida Pública Directa

Artigo 11º – (Medidas de gestão e tratamento da dívida)

1. O governo pode ser autorizado pela Assembleia nacional a realizar as operações


de gestão da dívida pública directa, visando uma correcta gestão e o eficiente
reconhecimento da dívida, nomeadamente;
a). A conversão, após validação de atrasados da execução orçamental e dívida
existente, em títulos da dívida pública directa;
b). A substituição entre as várias modalidades de empréstimos;
c). A executar operações de troca do regime de taxa de juro e prazos.

Artigo 12º – (Fundo de regularização)

O governo deve criar um fundo da regularização da dívida pública directa escrever


anualmente no orçamento geral do estado (OGE) de forma a garantir maior liquidez no
mercado de títulos.

Artigo 13º – (Informação à Assembleia Nacional)

34
1. O governo deve informar à Assembleia Nacional sobre os financiamentos
realizados e as condições específicas dos empréstimos celebrados nos termos da
presente lei, quando efectuar a prestação de conta da execução do OGE.
2. Sem prejuízo do disposto no nº anterior a Assembleia Nacional pode, a qualquer
momento convocar o Ministro da Finanças para prestar informação sobre os
empréstimos contraídos e as operações financeiras de gestão da dívida pública
directa efectuadas nos termos da presente lei.

Capítulo IV da Lei Quadro

Disposição Financeiras

Artigo 14º – (Foro Competente)

Os litígios emergentes das operações da dívida pública directa são de dirimidos pelos
tribunais da Comarca de Luanda, salvo se Contratualmente sujeitas a direito e foro
estrangeiro.

Organização e Componentes do Sistema Convencional de Gestão das Finanças Públicas

Geral: O princípio básico da gestão das finanças públicas em Angola está expresso
na Constituição, que estipula que o Estado oriente o desenvolvimento da economia e
assegure o uso racional e eficiente de toda a capacidade produtiva e recursos nacionais.
Acrescenta ainda que a Assembleia Nacional é responsável por analisar e aprovar o Plano
Nacional e o Orçamento Geral do Estado, bem como os relatórios sobre a sua execução.
Com base na autoridade que lhe é conferida, a Assembleia Nacional preside à
totalidade do ciclo orçamental, desde a aprovação do Orçamento do Estado até ao exame das
Contas finais do Estado19. Da parte do poder executivo, o Ministério das Finanças
(MINFIN) tem o papel principal na gestão das finanças públicas, desde a elaboração do

35
orçamento, execução orçamental e contabilidade de todas as transacções públicas em Angola
até à administração do património e dos activos financeiros do Estado. Cada uma das
unidades que efectua despesas é responsável pela execução do seu orçamento sob a
supervisão e controlo do MINFIN e por fornecer relatórios mensais sobre a sua execução.
O MINFIN está organizado em seis Direcções Nacionais operacionais (Orçamento,
Contabilidade, Tesouro, Impostos, Alfândegas e Património), seis gabinetes de apoio técnico
(Gabinete de Estudos e Relações Económicas Internacionais – GEREI; Jurídico; Preços e
Concorrência; Tecnologias de Informação; Inspecção Nacional das Finanças – INF; e
Secretaria Geral). O MINFIN tem Delegações Provinciais nas 18 províncias do países. O
controlo interno é da competência da Inspecção Nacional de Finanças.
Os outros ministérios que tomam parte na gestão das finanças públicas são o
Ministério do Plano (MINPLAN), Ministério da Administração Pública, Emprego e
Segurança Social (MAPESS). O Banco Central de Angola (BNA) detém a Conta Única do
Tesouro (CUT), enquanto a maior parte das operações do tesouro dentro do países são
efectuadas pelo agente fiscal do Estado, o Banco de Poupança e Crédito (BPC). O BPC tem
uma cobertura territorial extensa (46 filiais ligadas electronicamente em 14 das 18
províncias). Nas quatro províncias restantes, os pagamentos orçamentais são feitos por um
outro banco público, o Banco de Comércio e Indústria (BCI). O controlo externo das contas
financeiras do estado cabe ao Tribunal de Contas que foi criado em 1996 pela Lei 5/96.
A contabilidade e elaboração d e relatórios estão a cargo das Unidades Orçamentais e
da Direcção Nacional da Contabilidade (DNC) no MINFIN, dando origem às contas
orçamentais e de gestão. O SIGFE tornou-se o principal instrumento para a produção destas
contas e relatórios e uma versão actualizada está a ser instalada e gradualmente introduzida
para fins de normalização e integração de todos os aspectos da gestão e reporte das receitas e
despesas. Uma vez plenamente executado e activados os aspectos de controlo, este sistema
será um dos esteios da gestão das finanças públicas em Angola, não sendo fácil de encontrar
em muitos países semelhantes da região.
Os controlos internos mecânicos e automatizados das despesas, que são aspectos do
SIGFE, são complementados pela função de auditoria interna do MINFIN, conferida à INF,
que é um departamento especializado do Ministério das Finanças. Conforme se discutiu no

36
Capítulo 6, a INF precisa de ser reforçada para poder desempenhar ao máximo a sua função,
pois os outros controlos não são suficientemente sólidos e não existe uma cultura de
observação dos princípios estabelecidos.
No que diz respeito aos controlos externos e independentes, a auditoria externa das
contas públicas cabe ao Tribunal de Contas, criado em 1996 (Lei 5/96) e que se tem estado a
apetrechar para desempenhar as funções de uma Instituição Superior Independente de
Auditoria que, de momento, ainda não existe em Angola.
Por último, o ciclo fica completo com o escrutínio dos relatórios sobre os resultados
orçamentais por parte do Parlamento e a verificação jurisdicional das contas de gestão pelo
Tribunal.

37
O balanço fiscal de Angola passou a excedente em 2005 (+3 por cento do PIB), pela
primeira vez em mais de uma década, em resultado das receitas do petróleo. As receitas do
petróleo que subiram de US$5,6 bilhões em 2004 para US$10,6 bilhões em 2005, devem
subir novamente quando os novos depósitos de petróleo derem início à produção.
Aproveitando-se da prosperidade do petróleo, o governo quase que duplicou as despesas
orçamentadas para 2006, para US$23 bilhões, o equivalente a 64 por cento do PIB, a taxa
mais elevada do mundo. Levantam-se algumas preocupações derivadas da capacidade do
governo para executar todos os seus planos de despesas visto que no passado o governo não
conseguiu executar nada mais do que uma porção das despesas projectadas.
Por outro lado existe a preocupação relativa à capacidade da economia poder absorver
um tal aumento de despesas de capital. A sustentabilidade orçamental jaz nos elevados preços
do petróleo e, portanto, uma queda súbita desses preços, combinada com os planos
ambiciosos de despesas do governo, poderiam criar uma crise fiscal e pôr em perigo o plano
de desenvolvimento do governo.
O desempenho do crescimento de Angola é, igualmente, impressionante; a taxa de
crescimento da economia está muito acima das metas da SADC e espera-se que continue a
este nível elevado de curto a médio prazo. Contudo, é necessário que se empreendam
algumas reformas estruturais se quiser que o países se liberte da dependência do sector
petrolífero e impulsione a diversificação da economia. Finalmente, é necessário melhorar a
produção de dados quantitativos. A interpretação das estatísticas macroeconómicas é, por
vezes, confusa quando se consultam várias fontes. A falta de exactidão dos dados pode
prejudicar as conclusões relativamente à concretização das metas.

38
2.5. Um Panorama Geral do Sistema de Gestão das Finanças Públicas de Angola
A característica mais saliente do enquadramento da gestão das despesas públicas e da
responsabilização financeira em Angola é a coexistência de, pelo menos, dois sistemas de
despesas públicas, paralelos mas articulados entre si: o sistema “convencional”, coordenado
pela Direcção Nacional do Tesouro, e o “não convencional” que visa facilitar transacções tais
como o serviço de operações da dívida externa mais relevantes, centradas em torno da
companhia petrolífera Sonangol. Uma avaliação normal do enquadramento fiscal de um
países concentrar-se-ia, naturalmente, no sistema convencional”; o PEMFAR vai um passo
além ao tentar entender o funcionamento do sistema “não convencional e bem assim da sua
articulação com o “convencional”. O PEMFAR propõe, portanto, a adopção de uma
estratégia com duas dimensões: e o reforço das estruturas e instrumentos de gestão formal
das finanças públicas; redução progressiva, e eventual eliminação dos mecanismos “não
convencionais”.

2.6. Dependência Excessiva do Petróleo

A principal fonte de receitas fiscais em Angola é através da tributação do sector


petrolífero, incluindo a empresa estatal Sonangol. Como consequência, as receitas fiscais têm
sido extremamente vulneráveis à volatilidade dos preços internacionais do “crude” e nem

39
sempre foram capazes de acompanhar as despesas. Na falta de um mecanismo consistente
destinado a estabilizar as receitas, o Governo está à mercê das flutuações dos preços
internacionais do petróleo, um problema que é ainda mais grave quando há uma queda brusca
dos preços do petróleo.
Por outro lado, durante o período da guerra, a economia não petrolífera continuou
muito dependente da evolução dos preços do petróleo. Como consequência da dependência
do petróleo, os gastos de tendência cíclica relacionados com os preços do petróleo
conduziram a ciclos de expansão-contracão com os consequentes efeitos prejudiciais no
sector não petrolífero. A queda dos preços do petróleo de 1998 para USD 12/barril, por
exemplo, levou a uma melhoria imediata do saldo fiscal não petrolífero a que se seguiu uma
profunda deterioração no ano seguinte, quando o preço do petróleo retomou o nível
observado em 1997, antes da queda do preço (ver Gráfico 1). A economia não petrolífera
parece que está a crescer desde 2002, com uma taxa anual de crescimento estimada de 8,8%
em 2004, o que mais uma vez reflecte os impactos de uma maior produção de petróleo e
preços internacionais do petróleo em alta.
Os diamantes são uma outra fonte de recursos naturais que contribuem para as
receitas fiscais em Angola. O países é o quarto produtor mundial de diamantes, com cerca de
12% do valor das exportações mundiais em 2003. Em 2004, Angola exportou 6,63 milhões
de carates de diamantes, com um valor de USD 763 milhões. As contribuições fiscais do
sector melhoraram consideravelmente nos últimos anos, de USD 44,6 milhões em 2002 para
USD 112 milhões em 2003. Os números preliminares para 2004 indicam, no entanto, uma
redução drástica das receitas governamentais para USD 69,5 milhões. Ainda tem que ser
plenamente explorada pelo Governo a potencialidade para um crescimento adicional das
receitas fiscais dos diamantes, uma vez que a produção informal e o contrabando continuam
a ser muito significativos neste sector e a transparência é muito limitada.

2.7. Dívida e Reservas (poupança não realizada)

O pagamento da dívida externa (em parte) deixou o países sem reservas. Durante
mais de 7 anos as reservas do países não chegavam, para os anos mais optimistas, um mês e

40
alguns dias do volume de importações. Isto quer dizer que o países não consegue constituir
poupanças de forma a constituir fundos para combater a pobreza e adoptar politicas
estruturais para o desenvolvimento.
A dívida angolana está garantida pelo petróleo através de mecanismos segundo os
quais as alterações positivas do preço do barril de petróleo reflectem em maiores pagamentos
de divida de curto prazo. A economia acaba por ter poucos benefícios e mesmos em
conjunturas favoráveis, denunciando a existência dum sistema financeiro estruturalmente
desfavorável aos países devedores.
Socialmente, Angola ocupa o 146 lugar no índice de e desenvolvimento humano
juntando-se aos países mais pobres do planeta. O países alcançou um índice de esperança de
vida de 0,28 em 1998 permanecendo nesta situação segundo dados estatísticos.
Os angolanos sobreviventes estão afectados por uma taxa de analfabetismo que ronda
os 57% e convivem com meninos de rua, com insegurança alimentar que certamente
contribui para o agravamento da saúde mental física.
A dívida está assim a penalizar grande parte da maioria dos povos que não têm o
acesso à educação, nem a assistência à saúde. Angola é um dos países da África Subsariana
que vem apresentando as mais baixas taxas sobre a alfabetização, a cobertura de saneamento
básico, a água potável e a relação doente/médico.
Há pois situações de empobrecimento absoluto causado pela existência da dívida
externa e um empobrecimento relativo da maioria da população em função das políticas
redistributivas injustas.

2.8. Dívida Angolana

2.8.1. Magnitude (Montante e a composição actual de dívida pública angolana)


A Dívida Externa de Angola em 2001 foi estimada em cerca de 11 biliões de dólares.
Isto significa 1,5 vezes mais que o PIB e cerca de 2 vezes mais que o nível de exportações do
países, cobertura que em 1994 representava 342 por cento quer dizer que praticamente cada
angolano incluindo bebés, mutilados e outros grupos desfavorecidos devem ao exterior 1.000
US$. O serviço da dívida ascende a cerca de 1 milhão e duzentos mil dólares, cerca de 30 por

41
cento do OGE (1994) e corresponde a 100 US$ per capta, ou seja, metade do salário de um
técnico superior da Função Pública. Cerca de 10% da dívida corresponde a "Juros com
atrasados", o que indicia o facto de uma grande parte da dívida corresponder a compromissos
sem contrapartida real. Em 1994 o serviço da dívida representou 56% do volume de
exportações, valor que baixou para 24 por cento em 1998, percentagem que se estima volte a
subir em 2001.
Em 2004, a dívida externa de Angola alcançou o US$8.9 bilhões, dos quais 34 por
cento eram capital e juro em atraso na maior parte devidos aos credores bilaterais oficiais.

A figura abaixo mostra a estrutura da dívida em 2004.

Evolução da Dívida Pública Angolana

Até meados dos anos 80, a dívida externa de Angola (menos de 3 biliões de dólares
americanos) não tinha uma dimensão preocupante, quando o preço do barril de petróleo veio
a experimentar uma importante queda. Em 1994, entretanto, a dívida ascendeu a 11 biliões de
dólares americanos e nos anos seguintes até 1999 (estimativa). A quebra deve-se ao facto
dum eventual "perdão" não assumido oficialmente de parte da dívida militar a Rússia. No que
diz respeito ao serviço da dívida, em 1998, este correspondia a 37 por cento dos rendimentos
do petróleo equivalente a mais 18 por cento que em 1996. Se Angola pagasse a dívida total,

42
isto é se não acumulasse os atrasos, o serviço da dívida elevar-se-ia a 62 por cento dos
rendimentos do petróleo em 1999. Neste ano se o preço do petróleo tivesse permanecido em
11 US$, o FMI estimava que o serviço da dívida teria absorvido quase metade dos
rendimentos do petróleo. Quer os juros atrasados, quer o serviço da dívida são sempre
crescentes desde 1994, com excepção do ano de 1999.
A dívida externa cresceu muito rapidamente desde 2001 como resultado de um défice
enorme, alcançando o US$2,2 bilhões neste período.
As recentes alterações positivas no preço do petróleo têm reduzido substancialmente
o tamanho da dívida externa de Angola em relação ao PIB e as exportações com tudo o
problema da dívida de Angola estará na sua própria estrutura de grande dependência em
empréstimos garantido pelo petróleo, a curto prazo, mais muito desperdício o que aprofunda
a vulnerabilidade externa do países aos voláteis preço do petróleo internacionalmente. O
compromisso do países de procurar grandes empréstimos garantidos pelo petróleo enfraquece
a sua posição externa. Tipicamente, tais empréstimos têm de ser pagos num prazo de 1-4
anos, e os custos é cerca de 2,25-2,5 por cento acima da taxa de referência Libor. A posição
externa de Angola é vulnerável aos choques registados no mercado petrolífero internacional
que pode ter de enfrentar problemas de liquidez se os preços do petróleo caírem subitamente.
No que diz respeito a dívida interna, o governo está empenhado em manter, a médio
prazo um excedente orçamental a fim de conter a dívida interna e de resolver o stock da
dívida privada de modo sustentável e equitativo. O governo está a trabalhar no programa para
emitir dívidas a médio prazo (1 a 7 anos) de modo a superar a dívida privada interna.
Algumas das preocupações têm origem no federalismo fiscal que poderá atenuar a disciplina
fiscal e por em risco a estabilidade fiscal, levando ao acumular das dívidas internas. Isto
acontece porque a gestão fiscal, a planificação, a monitorização e o controlo efectivo
orçamental ainda são muitos fracos.

2.8.3 Os Principais Credores do País

A dívida externa de Angola é, principalmente, dívida de Bancos Comerciais que


alcança 48 por cento do total, na sua maioria a bancos comerciais (37 por cento). 4 por cento

43
Constituem dívidas a instituições multilaterais, e 48 por cento com acordos de empréstimos
baseados no petróleo.
Os principais credores são: China, Israel, Índia e Portugal que concederam novas
linhas de crédito, para alem da linha já existente com o Brasil. O Brasil concedeu um
empréstimo de €450 milhões para o período 2005-2007 que Angola pagará em petróleo com
o equivalente de 20000 barris por dia, e recentemente a China concedeu um empréstimo
baseado no petróleo de uma linha de credito de €1.7 bilhões que se tornou a principal fonte
para programas de investimentos públicos durante o período de 2004-2006.
Durante a década de 90 o governo deixou de servir a dívida externa e Angola
acumulou atraso relativamente a todos os credores externos; além disso, em resultado das
relações tensas com as instituições de Bretton Woods, foi excluída da assistência financeira
internacional. Devia ter sido realizada uma conferencia de doadores depois do acordo de paz,
a fim de negociar o programa multilateral estimado em €2,2 bilhões, mas a comunidade
doadora e as instituições internacionais financeiras adiaram a referida conferencia, sujeito a
maior transparência no uso das receitas derivadas da produção do petróleo.

Perfil da Dívida Pública ( Concentrada no Curto ou Longo Prazo)

Angola tem servido ainda regularmente a sua dívida multilateral e comercial, e


procedeu ao reescalonamento dos atrasos com o Brasil, Alemanha, Polónia e Portugal. Em
Agosto de 2004, Angola fixou um novo calendário para pagar a sua dívida para com Portugal
no montante de US$1.8 bilhões. O acordo envolveu um pagamento numerário no montante
de US$256 milhões e fixou o novo calendários para os pagamentos em 28 anos com juros de
1 por cento por ano, e um montante de US$500 milhões atribuído ao pagamento de todos os
atrasos pendentes com os bancos comerciais e fornecedores privados.

Capacidade do pais saldar a dívida externa (tendo em conta os indicadores Dívida


Pública/ PIB e Dívida Pública/Exportações)

44
Em 2001, a capacidade de solvência da divida era mensurada pelo a rácio da
dívida externa em relação ao PIB, tendo sido de 146 por cento, embora tenha reduzido
subsequentemente em resultado do crescimento estável da economia e dos elevados preços
do petróleo. O rácio da dívida externa em relação ao PIB registou um decréscimo de 81,3 por
cento no fim de 2002 para 48,6 por cento no fim de 2004. o que demonstra claramente a
melhorias na capacidade de solvência da dívida pública. As exportações de Angola de
bens e serviços são dominados pelo sector do petróleo (mais de 90 por cento das exportações
totais), de modo que o rácio de serviço da dívida externa em relação as exportações desceu
de 40 por cento em 2002, para 23,4 por cento, estimados em 2004, abaixo dos limiar da
iniciativas dos países pobres altamente endividados. O que habilita – nos a afirmar que a
capacidade solvência da dívida pública em relação as exportações situa – se abaixo dos
25%.

No que diz respeito à divida interna, o défice da balança do passado foi coberto
através da emissão de moedas no vazio e o stock de títulos da dívida é quase inexistente.
Com tudo, há um problema da dívida interna visto que o governo não pagou os bens e
serviços adquiridos das empresas estatais e privadas durante muitos anos.
Não existe uma estimativa exacta do montante devido, visto que os arquivos públicos,
especialmente nas zonas rurais, foram destruídos durante a guerra. Por outro lado, os

45
credores não podem justificativos das contas que apresentam, visto que não têm mais as
promessas verbais de alguns funcionários do governo.

. A Conta Corrente da Balança de Pagamentos

Angola possui um enorme potencial de exportações em consequência da riqueza do


países em termos dos recursos naturais (agricultura, produção de electricidade, etc.), metais
preciosos e petróleo. Contudo, nenhuma destas fontes está explorada em pleno, com
excepção do petróleo.
Em 2004, o petróleo bruto contribuía com 93% para as exportações totais seguido
pelos diamantes (6 por cento); as contribuições de outros sectores foram nulas. O valor das
exportações aumentou em 70 por cento no período de 2000-2004, impelido pelo crescimento
da produção do petróleo (+34 por cento) e pelo aumento do seu preço (+33 por cento). O
volume do sector diamantífero expandiu em 41 por cento, mas os preços dos diamantes
registaram um decréscimo de 25 por cento. No mesmo período, as importações que eram
dominadas por artigos de consumo, aumentaram em 91 por cento.
A balança comercial foi positiva durante todo o período, apesar do facto de que o
aumento das importações foi mais rápido do que o das exportações, O excedente comercial
global registou um acréscimo do montante de US$1.5 bilhões em 1998 para US$7,6 bilhões
em 2004, impulsionado pelo aumento do volume de produção de petróleo e pelo preço do
petróleo. Esta situação deve perdurar e Angola não terá de enfrentar problemas de défice na
sua balança comercial.

46
. Consequências da Dívida

Para o conjunto dos países devedores, as consequências das crises das dívidas são
muito grandes, pois o valor da sua produção passa a ser canalizado para o pagamento do
serviço da dívida no entanto, a situação dos países com menor rendimento é ainda mais
critica. Assim as consequências das dívidas do terceiro mundo analisadas em casos particular
onde o nosso pai faz parte, são as seguintes:

• Consequência económica:
• Edução dos níveis de investimentos;
• Estrangulamento das exportações:
• Consequências sociais.

2.8.7. Consequências Económicas

Redução do nível de investimento

O nível de investimentos dos países em vias de desenvolvimento reduziu-se


drasticamente. Por consequência, os planos de saúde e de educação, imprescindível ao
desenvolvimento económico desses países, não puderam ser postos em pratica.

47
No final de 1989, os países devedores deviam ainda o equivalente de cerca de metade
do somatório dos seus produto nacional bruto e duas vezes mais o total das suas receitas de
exportações.

Em alguns países é tão aflitiva que a redução do nível de investimento tornou possível
a manutenção do capital fixo de que dispunham. Assiste-se, assim, à total degradação do
capital fixo existente.

. Estrangulamento Das Importações

O esforço necessário para o pagamento da dívida impede os países devedores de


manter o nível das suas importações de produtos, alguns deles essenciais, tais como adubos,
sementes seleccionadas e maquinas. Este facto contribui para a diminuição da produtividade
em todos os sectores da produção, incluindo as dívidas de exportações.
Assim, as consequências económicas da divida para o nosso pais são evidentes e
constituem um obstáculo ao desenvolvimento do países.

Consequências Sociais

As consequências sociais da dívida impõem grandes sofrimentos às populações dos


países endividados verificando-se nalguns países o empobrecimento de largas camadas da
população, provocando tensões sociais.
Quadro 7 - Comparação Serviço da Dívida Pública com Gastos na Educação e Saúde
Despesas do Governo 2006 2007
Edução 6,0% 8,3%
Saúde 4,9% 5,3%
Agricultura, Pescas e Ambiente 1,7% 2,8%
Serviço da Dívida pública interna e externa 22,0% 10,3%

Angola gastou em 2006 e 2007 mais do seu PIB no pagamento da dívida pública que
nos sectores da Educação e Saúde. O que demonstra que o governo angolano apesar dos
grandes problemas sempre dedicou uma importante parcela do seu PIB para saldar os seus

48
compromissos. Em termos gerais gastasse mas com a educação e saúde em relação a dívida
pública.
Angola continua a ser confrontada com o que se pode chamar de “paradoxo da
potencialidade”. Mas na verdade, poderia ser um dos países africanos aonde a erradicação da
pobreza teria uma maior perspectiva viável a médio prazo. Contudo os indicadores anteriores
que previam o melhoramento desta situação social estagnaram, as despesas sociais
diminuíram. Estes resultados devem-se a utilização das receitas petrolíferas para o
reescalonamento da dívida e para o funcionamento das anteriores máquinas de guerra que,
conjuntamente, absorveram mais de 60 por cento das receitas e despesas do aparelho do
Estado.
Dívida externa e desequilíbrio interno – O desequilíbrio externo (dívida) estimula
dois desequilíbrios internos, a inflação, via forma de cobertura dos défices e a degradação
monetária, face a manutenção do enclave petrolífero, provocando a polarização da economia.
Ambos os desequilíbrios beneficiam quer o exterior, quer sectores governamentais.
Acresce o facto de que a negociação de empréstimos estar sujeita a consabidos
processos de corrupção por parte de funcionários bancários, via comissões, permitindo
negociações desfavoráveis ao países por incremento da dívida. Os processos acima
apontados, designadamente, a existência de intermediários sem carácter, a forma de garantia
petrolífera, os prazos mínimos e as taxas acrescidas são processos que vêm aumentando a
magnitude da dívida mas que não afecta antes pelo contrário os rendimentos dos sectores
internos preponderantes que têm na questão das relações externas vantagens pessoais.
A relação das Instituições Financeira Internacionais (IFI) com o Governo vai no
sentido generalizado de estimular processos antidemocráticos, restringindo a formulação de
política a círculos meramente governamentais. Em Angola há inclusive sugestões para certos
técnicos não integrarem as comissões de estudo com o FMI. As organizações internacionais
com o pretexto de que o Governo é que deve abrir mão da participação da sociedade civil
ignoram as pretensões destas e evitam qualquer tipo de diálogo. Contudo, referem
cinicamente nos seus relatórios que elaboram a participação da sociedade civil e colaboram
em todas as farsas visando folclorizar a sobredita participação.

49
As políticas concretas sob orientação do FMI têm agravado o fosso entre ricos e
pobres em Angola. O Relatório do PNUD (2000) refere que esta tendência é crescente desde
1992. Tal permite aferir que o resultado das políticas têm estimulado o Governo a adoptar
medidas anti-sociais.

2.9 Défice Orçamental e Dívida Pública

O actual programa do governo visa manter as finanças públicas sob controlo através
de uma política de despesas mais transparente e responsável, uma recolha mais eficiente das
receitas e de uma melhor organização administrativa. No lado das despesas, estão a ser
implementados novos procedimentos e classificações orçamentais. Foi introduzida uma única
conta do Tesouro, o fluxo dos fundos é acompanhado através de sistemas on-line na
administração e as prioridades das despesas foram agora definidas.
No lado das receitas, tiveram lugar importantes intervenções no sector aduaneiro.
Estas incluíram a eliminação de licenças de importação e restrições quantitativas, a assinatura
de um contrato com Crown Agents para procederem à modernização da administração
aduaneira, e o aumento da transparência na recolha de tarifas alfandegárias. Ao nível
institucional, as intervenções para melhorarem os níveis de competência das instituições
locais e centrais, os procedimentos para seguir pagamentos e encomendas são contínuas.
As receitas internas de Angola dependem grandemente das exportações de petróleo,
que providenciam 80 por cento das receitas totais (ver quadro 8), enquanto os impostos
directos ou indirectos contribuem com 17 por cento; as subvenções são uma proporção
mínima da receita total.

50
O rácio das receitas em relação ao PIB foi bastante elevado (40 por cento), embora o
Ministério das Finanças tivesse adoptado uma abordagem muito conservadora a fim de tomar
em conta as receitas do petróleo em termos de produção e de preços.
O orçamento de 2005, o volume da produção, estimado em 567,1 milhões de
barris por ano, foi previsto a 498,1 milhões de barris e o preço foi fixado a US$56 por barril,
quando o preço real do mercado é de cerca de US$ 70. Esta abordagem tende a eliminar os
ciclos com períodos alternados de expansão e recessão devido ao ambiente incerto da
produção e dos preços do petróleo que podem debilitar a estabilidade e desenvolvimento. As
despesas do governo em 2005 representaram 35,7 por cento do PIB: desta percentagem, as
despesas correntes receberam 58 por cento; despesas de capital 39 por cento e os pagamentos
de juros receberam 3 por cento. Os juros pagos sobre a dívida externa alcançaram 1 por cento
do PIB (ver quadro 9).

51
As transferências e os subsídios constituem uma importante rubrica orçamental,
especialmente os subsídios que cobrem os défices das empresas estatais e a diferença entre os
custos de produção e as tarifas de petróleo, electricidade e água. O governo visa reduzir os
subsídios, e no orçamento de 2006 a referida rubrica é responsável por 15 por centro das
despesas como resultado de uma redução do subsídio de gasolina, que foi degressivo visto
que tendia a favorecer os ricos.
Nas últimas duas décadas, Angola registou um elevado défice orçamental. No período
de 1980-1990 o défice era em média de 10,2 por cento do PIB e na década seguinte, subiu
para 16,1 por cento. O orçamento estava, efectivamente, fora de controlo visto que algumas
instituições foram autorizadas a gerir as despesas e as receitas, fora do controlo do governo.
Desde 2002 (Figura 3-4), a posição tem melhorado e registou-se um declínio
substancial no défice fiscal, reflectindo:
• O aumento dos preços de petróleo;
• Menos gastos reais em bens e serviços; e
• As políticas para reduzir os subsídios de combustíveis, o que, por sua vez, fez
aumentar os preços da gasolina para cerca de US$1.50 por galão em Novembro de 2004 não
tem recebido muito apoio dos doadores internos.

2.10. Notas finais sobre os défices e a dívida

Ao acabarmos a exposição sobre a dívida pública e o seu impacte no crescimento


económico é útil reflectirmos sobre a experiência orçamental das duas ultimas décadas. Na
sequência de um conjunto de medidas controversas de política cortes de impostos do lado da
oferta – no início dos anos 70 e 80, Angola entrou num período de grandes défices e de
crescentes dívida. Durante mais de uma década o governo, o presidente e o povo esforçaram-
se por endireitar o navio orçamental encaminhá-lo em direcção a um orçamento equilibrado
nos finais 90 e princípios dos anos 2000.

52
Conclusões

Este trabalho teve como objectivo geral pesquisar o modo como e gerido a dívida
pública angolana. Iniciou com uma apresentação das posições teóricas sobre a dívida pública
enfatizando as posições tradicionais e modernas. Apresentou alguns princípios de gestão da
dívida pública para nortear a reflexão sobre o caso de Angola que exigiu a recolha de dados
em varias instituições.
O trabalho é de alguma complexidade técnica na medida em que as teorias de gestão
de dívida não pretendem apresentar princípios de gestão aplicáveis a todos os países. Esses
dependem dos níveis da dívida. As teorias não evidenciam os melhores indicadores para
avaliar a gestão da dívida pública, nem indicam critérios pertinentes de comparação
internacional entre os países. Por fim, não se consegue conclusões uniformes sobre uma
eventual estrutura óptima para o portofolio de dívida pública.
No entanto, as comparações internacionais revelam que nos critérios da União
Europeia e da SADC Angola esta bem posicionada com 26,60% do PIB. Uma
performance muito melhor que os 60% exigidos.
As mesmas comparações internacionais e os dados do actual contexto económico
garantem uma boa postura da economia angolana, tanto na solvabilidade e liquidez, como na
capacidade do país pagar a dívida pública e contrair um endividamento adicional, devida da
sua reputação.

53
No entanto, é legitimo pensar que o serviço da dívida pública, superior ao montante
consagrado a educação e saúde, vem reduzir o impacto da boa gestão da dívida pública em
Angola.
Este pode originar restrições orçamentais, compreensão do consumo agregado,
politica fiscais rigorosas, deslocamento de capitais e elevado níveis de desemprego que tem
sido fontes de inquietação e de tensões sociais.
Angola, apesar do elevado nível da sua dívida pública face ao produto interno bruto, é
um benchmark em vários domínios, como o da evolução das taxas de juros de longo prazo e
dos diferenciais associados. Sobre esta matéria também a convergência se tem verificado,
mas tem os seus limites.
Outro aspecto relevante e convergente em Angola tem a ver com a própria gestão da
dívida pública, os produtos cada vez mais originais que Angola vai oferecendo ao investidor,
um investidor que intervém nos mercados de uma forma cada vez mais globalizada,
aproveitando as oportunidades e, no espaço africano, beneficiando da existência dos riscos
cambiais e da liberdade de circulação de capitais reforçada dela crescente eficiente do
funcionamento dos mercados.
Angola tem conseguido acompanhar razoavelmente o ritmo desta acelerada
convergência, apesar de recentes estudos ditarem algum atraso na convergência real da
economia de Angola, no plano da sua produtividade, competitividade, em síntese, do seu
desenvolvimento. E aguardemos com uma grande expectativa a evolução e o pagamento
sistemático nos próximos anos, no quadro de uma Angola que está a sofrer um claro
abrandamento do crescimento da sua dívida pública.

54
Recomendações

O desenvolvimento do tema requereu mobilizar muitas informações tanto qualitativas


como quantitativas cuja análise leva as seguintes recomendações:

Ao Governo

- Estender as boas performances na gestão da dívida pública, que podem assinalar


uma eficiência das instituições do Estado especializadas na matéria, a outros sectores
da vida económica e social;
- continuar os esforços de redução dos encargos financeiros do estado (serviço da
dívida pública interna e externa) e aumentar as despesas com a saúde e a educação.

Aos pesquisadores

- Enriquecer as teorias de gestão da dívida pública a partir de pesquisas empíricas


com amostra de países com estruturas económicas diferentes;
- Padronizar os critérios pertinentes de avaliação da gestão da dívida pública para
facilitar as comparações internacionais;

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- Realizar pesquisas procurando evidenciar a eficiência na gestão da dívida pública
integrando o ponto de vista dos credores.

Bibliografia
Livros

• Blanchard, Olivier (2000): Macroeconomics, Printice-hall Editora


• Chesnais, Francois (1996): A Mundialização Financeira , Divisão editorial Instituto
Piaget
• Rocha, Manuel José Alves da. (2005): Finanças pública, edição de CEIC
• Samuelson, Paul & Nordhaus, William (2005): Macroeconomia, 18ª Edição MC
Graw Hill, Lisboa.
• Silva, Aníbal Cavaco & Neves, João César (1992) Finanças pública e Politicas
Macroeconómicas.

Fontes Oficiais

• Banco Nacional de Angola, Boletim Estatístico 1994-2006,


• Ministério do Planeamento, Estratégia Interna de Redução da Pobreza, 2001-2003,
• Concelho de Ministros – Programa do Governo, para 2002, 2003, 2004, 2005,
2006.
• Ministério das Finanças de Angola – Orçamento Geral do Estado. 2006-2007.

56
• Programa da Nações Unidas Para o Desenvolvimento (PNUD), Relatório do
Desenvolvimento Humano Angola: 1999 – 2006.
• Centro de Estudos e Investigação Cientifica, Universidade Católica de Angola.
Relatório Económico de 2004, 2005, 2006, 2007.

Fontes Internet
• www.google.com.br ;
• www.wikpedia.com ;
• www.sapo.ao .

Acrónimos

ADRA - Associação para o Desenvolvimento Rural e Ambiente


BNA - Banco Nacional de Angola
CAP - Caixa Agro-pecuária e Pescas
DFID - Department for Foreign and International Development
EUA - Estados Unidos de América
FMI - Fundo Monetário Internacional
FNLA - Frente Nacional de Libertação de Angola
GURN - Governo de Unidade e Reconciliação Nacional
IDH - Índice de Desenvolvimento Humano
IFI - Instituições Financeira Internacionais
MPLA - Movimento Popular para Independência de Angola
OGE - Orçamento Geral do Estado
ONU - Organização das Nações Unidas
OXFAM-UK - Organização Não Governamental Britânica
PERP - Programa Estratégico de Redução da Pobreza
PIB - Produto Interno Bruto
PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
PRSP - Poverty Reduction Strategy Programme
D.P. - Dívida pública
P.V.D - Países em vias de Desenvolvimento

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INF - Instituto Nacional de Finanças

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