Crónica Nº 172 – Excentricidades da língua portuguesa

Por Henrique de Almeida Cayolla

30 de Novembro de 2013

1 – Um curioso e desafiador exercício de escrita
De um texto que recebi via internet, de autor desconhecido, mas que elo uso de um ou outro termo, me arece brasileiro, !i" umas ada ta#$es, e transcrevo ara aqui este curioso exerc%cio de escrita da nossa bela l%n&ua' ()*A+ C,+ A-)N./, PA0A 0)1P,ND)0)+: O ue est! faltando no texto a"aixo# $entem

encontrar o ue falta: "Sem nenhum tropeço posso escrever o que quiser sem ele, pois rico é o português e fértil em recursos diversos, tudo isso permitindo mesmo o que de início, e somente de início, se pode ter como impossível. Pode-se dizer tudo, com sentido completo, mesmo sendo como se isto fosse mero ovo de Colom o.
!esde que se tente sem se p"r ini ido pode muito em o leitor empreender este elo e#ercício, dentro do nosso fecundo e peregrino dizer português, puríssimo instrumento dos nossos melhores escritores c mestres do verso, instrumento que nos legou monumentos dignos de eterno e honroso reconhecimento. $rechos difíceis se resolvem com sin%nimos. & serve-se em' é certo que, em se querendo, esgrime-se sem limites com este divertimento

instrutivo. (rinque-se mesmo com tudo. ) um elíssimo esporte do intelecto, pois escrevemos o que quisermos sem o "*" ou sem o "+" ou sem o "&" e, conforme meu e#clusivo dese,o, escolherei outro, discorrendo livremente, por e#emplo, sem o "P-, "." ou "/", o que quiser escolher, podemos, em corrente estilo, repetir um som sempre ou mesmo escrever sem ver os. Com o concurso de termos escolhidos, isso pode ir longe, escrevendo-se todo um discurso, um conto ou um livro inteiro so re o que o leitor melhor preferir. Porém mesmo sem o uso pern%stico dos termos difíceis, muito e muito se prossegue do mesmo modo, discorrendo so re o o ,ecto escolhido, sem impedimentos. !eploro sempre ver moços deste século inconscientemente esquecerem e oprimirem nosso português, ho,e culto e elo, querendo su stitui-lo pelo inglês. Por quê0 Cultivemos nosso polif%nico e fecundo ver o, doce e melodioso, porém incisivo e forte, messe de luminosos estilos, voz de muitos povos, escrínio de elo versos e de imenso porte, ninho de cisnes e de condores. 1onremos o que é nosso, % moços estudiosos, escritores e professores. 1onremos o digníssimo modo de dizer que nos legou um povo humilde, porém viril e cheio de sentimentos estéticos, pugilo de her%is e de no res desco ridores de mundos novos"

%esco"riram# N&o# 'uerem tentar outra (e)# 'uerem sa"er a resposta# Ent&o* controlem a (ossa ansiedade e (&o (er no fim desta crónica* depois do capítulo 2+
Entretanto* (e,am um texto ue eu* -enri ue Ca.olla* escre(i agora* dentro do figurino acima* e (e,am se (os d! uma pista: /0ó pode ter sido escrito por portuenses* po(o perito com o esf1rico* e no topo do fute"ol de ní(el* uerido por todos* em todo o mundo2+ , 23) 4A(-A05 A23*6

2 3 Os no(os termos ue se usam aplicar na nossa ancestral língua+
%esde ue os americanos se lem"raram de come4ar a c5amar aos pretos 6afro3americanos7* com (ista a aca"ar com as ra4as por (ia gramatical* isto tem sido um fartote pegado8

As criadas dos anos 70 assaram a 8em re&adas dom9sticas8 e re aram:se a&ora ara receber a men#;o de <auxiliares de a oio dom9stico=' De i&ual modo, extin&uiram:se nas escolas os <cont%nuos= que assaram todos a <auxiliares da ac#;o educativa='

,s vendedores de medicamentos, com al&uma ros> ia, tratam:se or 8dele&ados de in!orma#;o m9dica8' -ransmudaram:se os caixeiros:via?antes em 8t9cnicos de venda 8' @A aborto eu!emi"ou:se em 8interru #;o volunt>ria da &ravide"8' ,s &an&s 9tnicos s;o 8&ru os de ?ovens8' ,s o er>rios !i"eram:se de re ente <colaboradores= As !>bricas, essas, vistas de dentro s;o <unidades rodutivas=, vistas da estran?a s;o 8centros de decis;o nacionais8' , anal!abetismo desa areceu da crosta ortu&uesa, cedendo o asso B <iliteracia= &alo ante' Desa areceram dos comboios as lC e 2C classes, ara n;o !erir a susce tibilidade social das massas hierarqui"adas, mas continuam a cobrar: se re#os distintos nas classes 8Con!orto8 e <-ur%stica= A 5&ata, rainha do imba, cantava chorosaD E1ou m;e solteiraFGH a&ora, se quiser acom anhar os novos tem os' dever> alterar a letra araD I-enho uma !am%lia mono arental'GJ : eis o novo verso' Aquietadas ela televis;o, ?> se n;o vKem or a% aos inotes crian#as irrequietas e EterroristasGD di":se modernamente que tKm um 8com ortamento dis!uncional hi eractivo8' Do mesmo modo e ara !elicidade dos <encarre&ados de educa#;o= os brilhantes ro&ramas escolares, extin&uiram os alunos c>bulasH tais estudantes ser;o, quando muito, 8crian#as de desenvolvimento inst>vel8'

Ainda h> ce&os, in!eli"mente' +as como a alavra !osse considerada desa&rad>vel e at9 aviltante, quem n;o vK 9 considerado <invisual=D @, termo 9 &ramaticalmente im rL rio, como im rL rio seria chamar inauditivos aos surdos : mas o 8 oliticamente correcto8 marimba:se ara as re&ras &ramaticaisA' As F'' assaram a ser <senhoras de alterne=' Para se darem ares, as &entes cultas da ra#a desbocam:se em 8im lementa#$es=, < osturas rL:activas=, 8 ol%ticas !racturantes8 c outros barbarismos da lin&ua&em' ) assim lin&ua?amos o Portu&uKs, va&ueando erdidos entre a Ecorrec#;o ol%ticaG, e o novo:riquismo lin&u%stico' )stamos lixados com este 8novo ortu&uKs8H n;o admira que o essoal tenha cada ve" mais es&otamentos e stress' M> n;o se di" o que se ensa, tem de se ensar o que se di" de !orma < oliticamente correcta='
Autor desconhecido ::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: :

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