UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ

JUAREZ GONÇALVES DE CARVALHO

PROCESSO DE PURIFICAÇÃO DE ÁGUA PARA O ABASTECIMENTO PÚBLICO

TERESINA – PI 2008

JUAREZ GONÇALVES DE CARVALHO

PROCESSO DE PURIFICAÇÃO DE ÁGUA PARA O ABASTECIMENTO PÚBLICO

Relatório do estágio curricular apresentado à AGESPISA e a Universidade Federal do Piauí, como parte dos requisitos para a obtenção do grau de Bacharel em Química com Atribuições Tecnológicas, curso de graduação do Centro de Ciências da Natureza da UFPI. Gerente da ETA: Engo Benedito Bezerra de Alencar Professora: Msc. Mayza Franco Zampa

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JUAREZ GONÇALVES DE CARVALHO

PROCESSO DE PURIFICAÇÃO DE ÁGUA PARA O ABASTECIMENTO PÚBLICO

FOLHA DE APRESENTAÇÃO

Gerente da ETA: _______________________________________ Engo. Benedito Bezerra de Alencar
AGESPISA

Supervisores ETA: ______________________________________ Laboratório Físico-Químico ______________________________________ Laboratório Bacteriológico ______________________________________ Operacional

Professora: _____________________________________ Msc. Mayza Franco Zampa
UPPI

Graduando: ______________________________________ Juarez Gonçalves de carvalho

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CARVALHO, J. G. Processo de purificação de água para o abastecimento público, Relatório final de estágio, UFPI-Universidade Federal do Piauí, Teresina 2008.

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AGRADECIMENTOS

Quero agradecer a todas as pessoas que se fizeram presentes, que se preocuparam, que foram solidárias ou que torceram por mim. Mas bem sei que agradecer é sempre difícil. Aos técnicos da ETA – Teresina: Helena, Kelson, Silvana, Rosy, Maria Augusta, Maria Antonia, Rejane, Estefania, Kennya, Evandro e David por todo auxílio, empenho e preocupação em compartilhar seus conhecimentos. Aos amigos Herbert, Josivan, Suely, Luzineide e Ozando, parceiros de estágio pela amizade e companheirismo. À professora Mayza, que em suas aulas, nos permitiu espaços para discussão de questões relevantes e importantes, pelo constante incentivo e por toda dedicação e interesse em nos mostrar a importância do curso. De qualquer forma, todos os que realizam um trabalho de pesquisa sabem que não o fazem sozinhos, embora seja solitário o ato da leitura e o do escrever. O resultado de nossos estudos foi possível apenas pela cooperação e pelo esforço de outros antes de nós.

Juarez Gonçalves de Carvalho

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SUMÁRIO

ÍNDICE DE FIGURAS 1.0 INTRODUÇÃO 2.0 OBJETIVOS 2.1 Objetivo Geral 2.2 Objetivos Específicos 3.0 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 3.1 Manancial 3.2 Gradeamento 3.3 Captação 3.4 Adução 3.5 Purificação de Água de Manancial Superficial 3.5.1 Processos de Clarificação 3.5.1.1 Teoria da Mistura 3.5.1.2 Teoria da Coagulação 3.5.1.2.1 Principais Agentes Coagulantes 3.5.1.3 Teoria da Floculação 3.5.1.4 Teoria da Decantação ou Sedimentação 3.5.1.5 Teoria da Filtração 3.5.1.5.1 Classificação dos Filtros 3.6 Purificação de Água de Manancial Subterrâneo 3.7 Desinfecção 3.8 Fluoretação 3.9 Correção do pH 3.10 Reservação 3.11 Distribuição 3.12 Qualidade da Água 3.12.1 Variáveis Físico-Químicas das Águas 3.12.1.1 Cor 3.12.1.2 Turbidez 3.12.1.3 Sabor e Odor 3.12.1.4 Temperatura 3.12.1.5 Potencial Hidrogeniônico (pH) 3.12.1.6 Alcalinidade 3.12.1.7 Dureza 3.12.1.8 Cloretos 3.12.1.9 Ferro Total 3.12.1.10 Nitratos e Nitritos 3.12.1.11 Alumínio 3.12.2 Variáveis Microbiológicas das Águas 3.12.2.1 Contagem do Número Total de Bactérias 3.12.2.2 Coliformes Totais e Termotolerantes 3.12.2.2.1 Ensaio Presuntivo para o Grupo Coliforme 3.12.2.2.2 Ensaio Confirmativo para o Grupo Coliforme 3.12.2.3 Cryptosporidium sp e Giardia sp

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4.0 DESENVOLVIMENTO 4.1 Local de Estágio 4.2 Processos de Purificação de água na ETA- Teresina 4.2.1 Manancial 4.2.2 Captação e Adução 4.2.3 Coagulação 4.2.4 Floculação 4.2.5 Decantação 4.2.6 Filtração 4.2.7 Desinfecção 4.2.8 Correção do pH 4.2.9 Fluoretação 4.2.10 Armazenamento 4.2.11 Distribuição 4.3 Casa da Química 4.3.1 Sulfato de alumínio 4.3.2 Cloro 4.3.3 Cal 4.4 Controle de Qualidade 4.4.1 Coletas das amostras 4.4.1.1 Coletas para o laboratório físico-químico 4.4.1.2 Coletas para o laboratório bacteriológico 4.4.2 Análises Físico-Químicas 4.4.2.1 Turbidez 4.4.2.2 Potencial Hidrogeniônico (pH) 4.4.2.3 Cor 4.4.2.4 Cloro residual 4.4.2.5 Alcalinidade 4.4.2.6 Cloretos 4.4.2.7 Dureza 4.4.2.8 Ferro Total 4.4.2.9 Flúor 4.4.2.10 Alumínio 4.5.2.11 Nitrato 4.4.2.12 Nitrito 4.4.3 Análises Microbiológicas 4.4.3.1 Contagem padrão de bactérias 4.4.3.2 Ensaio presuntivo para coliformes totais 4.4.3.3 Ensaio confirmativo para coliformes totais 4.4.3.4 Ensaio confirmativo para coliformes termotolerantes 5.0 RESULTADOS E DISCUSSÃO 6.0 CONCLUSÃO 7.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANEXOS

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ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 01. Esquema de um sistema convencional de abastecimento de água Figura 02. Vista aéria do Complexo ETA’s – Teresina Figura 03. Fluxograma do Processo de Purificação de Água da ETA-Teresina Figura 04. Canal de aproximação do rio Parnaíba Figura 05. Bombas elevatórias Figura 06. Chegada da água bruta ao canal de água bruta Figura 07. Canal de água bruta Figura 08. Calha Parshall Figura 09. Câmaras de floculação Figura 10. Tanque de decantação da ETA I Figura 11. Tanque de decantação da ETA I Figura 12. Lavagem de decantador da ETA I Figura 13. Canal de água decantada Figura 14. Filtros da ETA I Figura 15. Lavagem de filtro da ETA I Figura 16. Câmara de contato Figura 17. Estação elevatória Figura 18. Cilindros de Cloro

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1.0 INTRODUÇÃO
A água é um recurso fundamental para a existência da vida, na forma que nós conhecemos e transformou-se num bem necessário e essencial para agrupamentos humanos, animais, cidades e países. Foi na água que a vida floresceu, e seria difícil imaginar a existência de qualquer forma de vida na ausência deste recurso vital. Nosso planeta está inundado d’água; um volume de aproximadamente 1,4 bilhão de Km3 cobre cerca de 71% da superfície da Terra. Apesar disso, muitas localidades ainda não têm acesso à quantidade de água com características de potabilidade adequadas às necessidades do consumo humano (UFPR, 2008; THEODORO, 2005). A experiência mostrou que uma melhoria na qualidade do suprimento público de água é seguida por uma melhoria na saúde pública. A poluição do suprimento público de água e o aparecimento de doença têm sido vinculados a várias causas. Estudos científicos mostram haver relação entre a água e a transmissão de muitas doenças, causadas por agentes físicos, químicos e biológicos presentes na água. Com isso a sociedade começou a se preocupar com a qualidade da água consumida e, para evitar problemas e prejuízos à saúde pública, passou a realizar uma série de processos físicos e químicos para o tratamento dessas águas (BABITT et al, 1976; RICHETER, 1991). A qualidade da água pode ser definida como sendo um conjunto das características físicas, químicas e biológicas de um determinado corpo de água cujos critérios de qualidade dependem do propósito de uso (HARDENBERGH, 1964). O conhecimento dos diversos tipos de impurezas, dos seus efeitos e do modo em que se encontram na água é de grande importância para o delineamento do tratamento a ser adotado, ou seja, são as impurezas que determinam as características da água bruta e em função das quais se fixam os processos de tratamento que devem ser adotados. A determinação de impurezas é feita através da analises físico-químicos e bacteriológicos (HARDENBERGH, 1964; LEME, 1984). As análises físico-químicas compreendem determinações: de temperatura, que identifica valores de densidade, viscosidade, pressão de vapor, tensão superficial, taxas de atividade biológicas, químicas e bioquímicas; de valores de turbidez, medidos pela interferência da matéria em suspensão à passagem da luz e que são devidos à existência de argila, silte, matéria orgânica, organismos microscópios; de cor que servem para revelar a 9

existência de substancias dissolvidas e no estado colonial de origem vegetal ou matéria turfosa; de odores, que identificam a existência de substância volátil, matéria orgânicas, organismos vivos, algas, gases; de pH, que expressam a concentração dos íons de hidrogênio, que são relacionados com o processo de coagulação e controle de corrosão; de alcalinidade, definida como sendo a capacidade de neutralização de ácidos e é normalmente devida a presença de íons carbonato ou bicarbonatos, importantes no processo de redução da dureza, coagulação e controle de corrosão; de dureza, relacionadas com a redução de dureza e controle de corrosão; de teores de nitrito, nitrato, ferro e cloretos (LEME, 1984). As análises bacteriológicas devem ser visam estabelecer indicações a respeito do grau de contaminação da água por bactérias e também interfere na escolha do processo de tratamento, principalmente nos relacionados com a desinfecção, que é a cloração., a interpretação é feita pelo índice de colimetria da água , caracterizado pelo número mais provável de coliformes (LEME, 1984). As análises efetuadas com a água, segundo Fair, são reunidas nas categorias: Análises cujos resultados refletem a segurança e a salubridade; Análises que medem ou refletem o sabor ou a aceitação estética da água; Análises que revelam as vantagens econômicas da água que depende do fim para o qual ela se destina; Análises interligadas aos processos de tratamento, alcalinidade, pH, teor de CO2, ferro, alumínio, relacionadas ao coagulante usado ou ao processo de cloração (LEME, 1984). O condicionamento de água para o consumo das comunidades envolve sistemas de tratamento de águas. A necessidade do homem de purificar a água decorre de sua dificuldade de encontrá-la em estado de pureza, isto em consequência da sua grande capacidade de solvência. Na purificação, três objetivos são desejados: Obtenção de água que apresente segurança para a saúde humana, o que é conseguido isentando-a de bactérias, elementos venenosos, mineralização excessiva, teores elevados de compostos orgânicos, protozoários e outros; Obtenção de água que satisfaça a um critério econômico, eliminando ou reduzindo as impurezas que interferem na utilização; Obtenção de água com aspecto agradável ao consumidos, conseguida através da obediência a padrões estabelecidos relativamente à cor, turbidez, sabor e odor (LEME, 1984). O Sistema de Abastecimento de Água deverá fornecer e garantir à população água de boa qualidade do ponto de vista físico, químico, biológico e bacteriológico, sem impurezas

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prejudiciais à saúde. Para tanto, e em função das características qualitativas da água fornecida pelos mananciais, procede-se o tratamento da água (HARDENBERGH, 1964). As principais operações que se praticam nas estações de tratamento de água para garantir a distribuição de água de boa qualidade para o consumo humano são: A captação, bombeamento da água do manancial para a estação de tratamento; A coagulação, mistura de um coagulante para reagir agregando as partículas de impurezas em suspensão existentes na água; A floculação, agitação lenta da água para aumentar o tamanho das partículas formadas na coagulação; A decantação, separação por sedimentação das partículas formadas nos processos anteriores; A filtração, passagem da água por filtros de areia e carvão que retém partículas e odores; A desinfecção ou cloração, adição de um desinfetante com a finalidade de matar os microorganismos patogênicos; A fluoretação, mistura de flúor na água para prevenção contra as cáries dentarias; A Correção de pH, adição de cal hidratada para eliminar a acidez da água; A distribuição da água tratada para os reservatórios e residências; e por fim o Controle de Qualidade da água realizado em laboratórios verificando-se a eficiência do tratamento e a qualidade da água da casa do consumidor (LEME, 1984; RICHETER & AZEVEDO Neto, 1991). As necessidades de controle de qualidade da água tratada levam à elaboração de normas e padrões de qualidade, e estas devem ser obedecidos nos processos de tratamento de águas. No Brasil, os padrões de qualidade da água para o consumo humano são regidos por portarias (PORTARIA Nº. 518/MS em 25 de março de 2004) e resoluções legais do CONAMA, que dão subsídios aos laboratórios na expedição de seus laudos. A Portaria 518/04 estabelece que a água produzida e distribuída para consumo humano deve ser controlada. A legislação define, ainda, a quantidade mínima e a freqüência que as amostras de água devem ser coletadas, bem como os parâmetros e limites permitidos (LEME, 1984; SABESP, 2008). A AGESPISA- Água e Esgotos do Piauí S/A é uma sociedade de economia mista, pessoa jurídica de direito privado, integrante da Administração Indireta do Governo do Estado do Piauí. Foi criada através das leis estaduais nº2281, de 27 de julho de 1962 e 2387, de 12 de dezembro de 1962 e tem como objetivo executar a política de abastecimento de água e de esgotamento sanitário do Piauí.

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A AGESPISA é responsável pelo tratamento da água para abastecimento público de Teresina e para isso conta com um complexo de estações de tratamento, com manancial superficial, e dois sistemas independentes, com manancial subterrâneo. O complexo de tratamento de água localizado às margens do rio Parnaíba, no bairro Distrito Industrial, zona sul de Teresina, abriga três estações de tratamento de água, denominados ETA I, ETA III e ETA IV, funcionando 24 horas por dia, produzindo diariamente um volume médio de 190.000m3 de água tratada e abastecendo 9 (nove) reservatórios de distribuição. O sistema de abastecimento de água da Santa Maria da Codipi, possui 5 (cinco) posso tubulares e 1 (um) reservatório de distribuição, abastecendo cerca de 25.000 consumidores. O sistema de abastecimento do Residencial Deus Quer, possui 2 (dois) poços tubulares e 1 (um) reservatório de distribuição, abastecendo cerca de 3.500 consumidores. Os poços dos dois sistemas são equipados com bombas e sistemas de cloração, com o objetivo de preservar a qualidade da água até o ponto de consumo. O órgão responsável pela vigilância da qualidade da água em Teresina e a GEVISA – Gerencia de Vigilância Sanitária Municipal.

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2.0 OBJETIVOS
2.1 OBJETIVO GERAL
• Ampliar os conhecimentos teórico-experimentais adquiridos durante o curso de química e participar das etapas do processo de purificação de água realizado pela AGESPISA no complexo de estações de tratamento ETA’s - Teresina.

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

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Efetuar as coletas das amostras de águas para realização das análises; Realizar análises físico-químicas e bacteriológicas das amostras de águas coletadas; Conhecer os produtos químicos utilizados no tratamento da água; Analisar o processo de tratamento de água para obtenção de água que atenda ao padrão de potabilidade e que não ofereçam riscos à saúde; Acompanhar os procedimentos operacionais durante o processo de purificação de água; Acompanhar o controle de qualidade da água, desde a entrada no sistema até a sua distribuição final; Comparar os resultados obtidos das análises com os padrões de potabilidade exigidos pelas legislações vigentes.

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3.0 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A água é o elemento fundamental da vida. Seus múltiplos usos são indispensáveis a um largo espectro das atividades humanas, onde se destacam, entre outros, o abastecimento público e industrial, a irrigação agrícola, a produção de energia elétrica e as atividades de lazer e recreação, bem como a preservação da vida aquática (CETESB, 2008). A crescente expansão demográfica e industrial observada nas últimas décadas trouxe como conseqüência o comprometimento das águas dos rios, lagos e reservatórios. A falta de recursos financeiros nos países em desenvolvimento tem agravado esse problema, pela impossibilidade da aplicação de medidas corretivas para reverter esta situação (CETESB, 2008). As disponibilidades de água doce na natureza são limitadas pelo alto custo da sua obtenção nas formas menos convencionais, como é o caso da água do mar e das águas subterrâneas. Deve ser, portanto, da maior prioridade, a preservação, o controle e a utilização racional das águas doces superficiais (CETESB, 2008). Um Sistema de Abastecimento de Água, Figura 01, caracteriza-se pela retirada da água da natureza, da adequação de sua qualidade, do transporte até os aglomerados humanos e fornecimento à população em quantidade e qualidade compatíveis com suas necessidades (LEME, 1984). Uma das considerações fundamentais acha-se diretamente ligada ao grau de poluição da água bruta disponível, pois as características da água bruta variam conforme a fonte de suprimento. A seqüência de analise dos elementos do projeto abrange a avaliação da quantidade de água a ser tratada, com base em estudos de crescimento populacional; a avaliação da quantidade e características da água bruta disponível nas fontes de suprimento; e a determinação da eficiência qualitativa da água tratada, se obedece aos padrões de potabilidade. (LEME, 1984). Sendo um sistema constituído de fonte de suprimento, captação, adução, reservação e distribuição, a segurança sanitária da água não depende somente do tratamento. Assim, quando se projetam e constroem sistemas de adução e distribuição seguros, evitam-se muitos problemas relativos á contaminação, que muitas vezes são atribuídos ao tratamento. O tratamento da água é conseguido utilizando-se processos físicos, químicos e bioquímicos, para remover as impurezas (LEME, 1984). 14

A escolha do manancial se constitui na decisão mais importante na implantação de um sistema de abastecimento de água, seja ele de caráter individual ou coletivo. Havendo mais de uma opção, sua definição deverá levar em conta, além da predisposição da comunidade em aceitar, as águas do manancial a ser adotado (FUNASA, 2008).

Figura 01: Esquema de um sistema convencional de abastecimento de água.

3.1 MANANCIAL
Manancial para abastecimento de água é toda fonte de água utilizada para abastecimento doméstico, comercial, industrial e outros fins. De maneira geral, quanto à origem, os mananciais são classificados em manancial superficial, manancial subterrâneo e águas meteóricas. Os mananciais têm grande participação na concepção do projeto dos sistemas de abastecimento d'água, pois eles são fontes naturais de onde se pode captar a água para os fins pretendidos de abastecimento público. Os fatores decisivos para a escolha do manancial são: a qualidade, a quantidade, a distância e as implicações técnicas e econômicas (PUPPI,1981). Os mananciais superficiais (rios, lagos, barragens) por serem as águas naturais potabilizáveis mais acessíveis, permitem o conhecimento do seu regime e favorecem a sua captação. Os mananciais subterrâneos (lençóis do subsolo, ou aqüíferos), fornecem água de qualidade satisfatória para uso imediato, principalmente os mais profundo; Porém apresentam inconvenientes de uma exploração trabalhosa e às vezes dispendiosa. Já as águas meteóricas (águas das chuvas) por serem naturais e potabilizaveis podem ser admitida, em condições especiais, nos serviços de abastecimento de pouca monta (HARDENBERGH, 1964; NETTO, 1979). 15

3.2 GRADEAMENTO Os materiais que impurificam as águas podem ser assim classificados como: Materiais que flutuam; Materiais em suspensão, bactérias, algas e protozoários, lodos; Materiais dissolvidos; Colóides, matéria orgânica, sílica, resíduos industriais (PEREIRA, 1979). A água dos lagos e rios pode carrear folhas, gravetos ou mesmo objetos maiores, que flutuam na sua superfície, bem como peixes e vegetação aquática, que vivem na massa líquida ou no fundo. A entrada desses objetos nos sistemas de abastecimento d’água é evitada pelo uso telas (HARDENBERGH, 1964). Um tratamento de água sempre se inicia com a remoção dos materiais que flutuam ou estão suspensos com o uso de grades e telas. Grades são dispositivos formados de barras metálicas que se destinam à remoção de sólidos grosseiros, em suspensão e corpos flutuantes, tem a finalidade a proteção de dispositivos de transporte da água contra obstrução, tais como: bombas, registros e tubulações (BASOL e ABREU, 1988; SOUTO, 1990). Pode-se também utilizar as telas de malhas largas ou ralos com aproximadamente 6 cm2 de área livre. Esse tipo de grade é colocado no ponto de chegada da água, e torna-se necessário uma manutenção para retirada dos resíduos, em geral, uma vez por semana (CAMPOS, 2000).

3.3 CAPTAÇÃO
A seleção da fonte abastecedora de água é processo importante na construção de um sistema de abastecimento. Deve-se, por isso, procurar um manancial com vazão capaz de proporcionar perfeito abastecimento à comunidade, além de ser de grande importância a localização da fonte, a topografia da região e a presença de possíveis focos de contaminação (COPASA, 2008). A captação pode ser superficial ou subterrânea. A superficial é feita nos rios, lagos ou represas, por gravidade ou bombeamento. Se por bombeamento, uma casa de máquinas é construída junto à captação. Essa casa contém conjuntos de motorbo-mbas que sugam a água do manancial e a enviam para a estação de tratamento. A subterrânea é efetuada através de poços artesianos, perfurações com 50 a 100 metros feitos no terreno para captar a água dos

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lençóis subterrâneos. Essa água também é sugada por motor-bombas instaladas perto do lençol d’água e enviada à superfície por tubulações (COPASA, 2008). A captação se destina a recolher do manancial a quantidades de água demandada para o abastecimento e varia conforme as condições locais, para águas superficiais, hidrológicas, topográficas e, para as águas subterrâneas, hidrogeológicas. Além de estarem subordinadas aos requisitos: garantia de funcionamento, economia das instalações, garantia da qualidade (PUPPI, 1981). Os principais tipos de captação existentes para águas superficiais são em função das características dos mananciais: a captação direta, a barragem de nível, canal de derivação, canal de regularização, reservatórios de regularização, torre de tomada, poço de derivação e a captação das águas da chuva (LEME, 1984; PUPPI, 1981). No caso das águas subterrâneas existem várias opções para a captação, sendo as principais a caixa de tomada, as galerias filtrantes, os drenos os poços. Estes últimos podem ser rasos, profundos, artesiano ou poço profundo semi-artesiano. Os poços rasos, conhecidos como poço escavado ou caipira, são indicados quando o lençol aqüífero está a menos de 20 metros de profundidade e exigem a necessidade de sistemas de elevação da água através de mecanismos manuais ou mecânicos como as bombas d'água (CAMPOS, 2000; PUPPI, 1981 ). Os poços artesianos fornecem água que jorra sem necessidade de meios de elevação mecânica e sem consumo energético. Em algumas regiões a água produzida nesses poços apresenta temperaturas elevadas, podendo ser aproveitada em trocadores de calor. O poço semi-artesiano também atinge o lençol freático a grandes profundidades e necessita de um mecanismo de elevação da água até a superfície. Para esta elevação de água do subsolo são utilizados sistemas motores-bombas (CAMPOS, 2000).

3.4 ADUÇÃO
No estudo de um sistema de abastecimento d’água, aparece quase sempre a necessidade de se projetar uma adutora. A adução é a operação de conduzir a água do manancial à estação de tratamento ao sistema de distribuição, passando pelos reservatórios. Assim, a adutora é uma canalização destinada a conduzir água bruta e/ou água tratada entre as unidades de um sistema de abastecimento, podendo ser canais e galerias, em superfície livre ou condutas em pressão. Levando-se em conta a energia utilizada, as adutoras podem ser classificadas em adutoras por gravidade, por recalque ou mistas (HARDENBERGH, 1964). 17

A qualidade dos tubos a ser usado nas adutoras, ferro fundido, fibro-cimento, aço, concreto ou mesmo madeira, dependerá das condições e custos locais, a serem estudados tecnicamente. A seção da adutora é determinada pela pressão disponível (carga) e pela vazão necessária. O fator econômico é mais preponderante no projeto da adutora do que em qualquer outra parte do sistema de abastecimento (HARDENBERGH, 1964). A adução por gravidade pode ser em conduto livre ou em conduto forçado. Em adutora com conduto livre a água escoa sempre em declive, mantendo uma superfície livre sob o efeito da pressão atmosférica; em sistemas maiores, apresentam grande seção, podendo ser galerias, túneis ou canais e, em sistemas menores, são tubulações ou canais de pequena seção. Nas adutoras em conduto forçado a água corre sob pressão, processando-se o escoamento por gravidade (HARDENBERGH, 1964; SOUSA, 2001). A adução por recalque, ou através de bombeamento, existe um conjunto elevatório ou estação de bombeamento. A água é conduzida sob pressão de um ponto a outro mais elevado, através de um conjunto motor-bomba. As demais características, no entanto, são iguais às do conduto forçado (BARROS, 1995). A adução do tipo combina trechos de escoamento por gravidade, quando possíveis, com outros trechos de escoamento por recalque, aproveitando assim os desníveis favoráveis do percurso e reduzindo o consumo de energia necessária para o bombeamento da água (BARROS, 1995). Estações elevatórias são instalações que servem para bombear a água a pontos mais elevados a fim de garantir a vazão nas linhas adutoras, sendo consumidores representativos de energia elétrica, basicamente pelo uso de bombas e seus motores de acionamento (BARROS, 1995).

3.5 TRATAMENTO DE ÁGUA DE MANANCIAL SUPERFICIAL
O tratamento da água tem por objetivo condicionar as características da água bruta, isto é, da água como encontrada na natureza, a fim de atender à qualidade necessária a um determinado uso. A água a ser utilizada para o abastecimento público deve ter sua qualidade ajustada de forma a (BARROS, 1995): • Atender aos padrões de qualidade exigidos pelo Ministério da Saúde e aceitos internacionalmente;

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• Prevenir o aparecimento de doenças de veiculação hídrica, protegendo a saúde da população; • Tornar a água adequada a serviços domésticos; • Prevenir o aparecimento da cárie dentária nas crianças, através da fluoretação; • Proteger o sistema de abastecimento de água, principalmente tubulações e órgãos acessórios da rede de distribuição, dos efeitos danosos da corrosão e da deposição de partículas. O tratamento da água pode ser parcial ou completo, de acordo com a análise prévia de suas características físicas, químicas e biológicas. O tratamento coletivo é efetuado numa Estação de Tratamento de Água (ETA), onde passa por diversos processos de depuração. Os processos de depuração são diversos, todos eles de alcance parcial ou limitado, uma vez que não existe um com atuação universal que isoladamente promova a remoção ou eliminação de todas as impurezas presentes. Daí a necessidade de sistematizá-los, processando-se a potabilização por fases, cada uma correspondendo a um órgão específico da estação de tratamento. As etapas do processo de depuração são: clarificação, desinfecção, fluoretação e correção do pH (PUPPI, 1981).

3.5.1 Processo de Clarificação
A clarificação é definida como sendo a remoção da matéria finamente dividida e em suspensão em água. A clarificação quando necessária é o primeiro passo a ser dado em qualquer tipo de tratamento de água. A etapa de clarificação constitui-se de um conjunto de operações unitárias, destinadas à remoção de sólidos presentes na água, incorporando as operações básicas de coagulação, floculação, decantação e filtração (BARROS, 1995; PUPPI, 1981). A clarificação, cuja função essencial consiste na remoção da turbidez, apresenta uma grande importância no tratamento de águas de abastecimento, proporcional à importância do parâmetro turbidez na potabilidade da água. Uma água que atenda aos rigorosos requisitos de turbidez padrões de potabilidade garantem: uma aparência esteticamente adequada; quantidades reduzidas de microrganismos; desempenho adequado durante o processo de desinfecção, devido à ausência de sólidos capazes de proteger os patogênicos da ação do desinfetante (BARROS, 1995). 19

3.5.1.1 Teoria da Mistura O processo mecânico no qual a água é agitada para que nela se criem um gradiente de velocidade que definam a intensidade da agitação, e denominado mistura. Fatores que influem na eficiência da mistura: tempo de mistura do coagulante, que deve ser extremamente curto; intensidade de agitação, que deve ser elevada para assegurar completa dispersão do coagulante (LEME, 1984). A mistura é efetuada em câmaras denominadas “câmaras de mistura rápida”, nas quais se assegura uma coagulação homogênea. Por isso é imprescindível uma mistura intensa no ponto de aplicação do coagulante na água, para que se possa garantir uma distribuição homogênea e uma exposição das partículas finas existentes na água ao coagulante, antes que a reação termine. A mistura é uma operação de pré-tratamento da água de grande importância para o funcionamento eficiente dos decantadores (LEME, 1984). 3.5.1.2 Teoria da Coagulação A coagulação é um processo químico de pré-tratamento empregado para a remoção de substancias no estado coloidal, produtoras de turbidez e de materiais finamente divididos em suspensão, que resultam da decomposição de materiais ou despejos industriais, entre os colóides, encontram-se partículas de argila, matéria orgânica, bactérias algas e substancias produtoras de cor (LEME, 1984). As principais funções da coagulação são: a desestabilização, agregação e adesão simultânea de colóides, Os quais se caracterizam pela sua estabilidade, ou seja, falta de tendência a aglomeração (LEME, 1984). A coagulação exige a adição e mistura rápida de um coagulante à água a ser tratada. A reação química resultante neutraliza as cargas das partículas coloidais e forma um precipitado. O mecanismo da coagulação consiste em alterar a carga das partículas, provocando a aglutinação das mesmas, formando aglomerados maiores. Com isso tem-se um aumento na velocidade de sedimentação. A predominância de ânions na estrutura das partículas resulta na carga negativa. A neutralização das cargas negativas acontece por que da dissociação do coagulante resulta cátions polivalentes, estes substituem os monovalentes da estrutura da partícula, havendo como conseqüência a neutralização das cargas, diminuindo o potencial zeta e favorecendo a junção das partículas (LEME, 1984; MORGADO, 1994).

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3.5.1.2.1 Principais agentes coagulantes Muitas substâncias são utilizadas para a coagulação, mas principais coagulantes disponíveis no mercado para tratamento de água são: Sulfato de alumínio, Sulfato ferroso, Aluminato de sódio, cloreto férrico, Hidróxido de cálcio, hidroxicloreto de alumínio e sulfato férrico. Dentre estes o sulfato de alumínio e mais utilizado nas estações de tratamento de água (BABITT et Al, 1976; PAVANELLI, 2001). O Sulfato de alumínio, também chamado de alúmen. Apresentam fórmula Al2(SO4)3.18H2O ou Al2(SO4)3. 14H2O. O produto comercial é sólido cristalino, cinza, sujo ou amarelado, a pureza é de acordo com o teor de Al 2O3, aproximadamente de 17%, a melhor faixa de pH para coagulação depende da quantidade de sulfato de alumínio utilizado. O produto com 14 moléculas de água de cristalização é aproximadamente 12% mais duro do que o produto com 18 moléculas (BABITT et al, 1976). O sulfato de alumínio líquido é produzido a partir de hidrato de alumínio. Deve-se manter um teor de água suficiente para impedir a cristalização; apresenta 7 a 8% de Al 2O3, com teores acima de 8,26%, o produto pode cristalizar. A boa qualidade do produto se mede pelo teor de resíduos insolúveis e é incolor, um dos parâmetros é o teor de ferro, expresso em função de Fe2O3, com valores menores de 0,02% (MACEDO, 2004). A dosagem de sulfato de alumínio depende das características da água a ser tratada. As águas com concentrações relativamente baixas de partículas coloidais, em geral, águas superficiais utilizadas no abastecimento público, delimita-se a dosagem de sulfato de alumínio entre 2 e 30 mg/L e faixa de pH de coagulação de 5,0 a 6,8 (MACEDO, 2004). A determinação das dosagens ótimas dos coagulantes a serem empregados numa estação de tratamento de água - ETA é definida através do teste do jarro, onde se monitora a velocidade de agitação, pH, quantidade do produto químico, temperatura e tempo de decantação (MACEDO, 2004). O aparelho para o teste do jarro consta de seis cubas com pás misturadoras, nas quais a velocidade de rotação possa ser ajustada. Sendo a melhor dosagem aquela da cuba na qual aconteceu melhor floculação. (MACÊDO, 2004). Para que o sulfato de alumínio possa reagir, para formar um precipitado, é necessário que a água, dentro da qual é colocado, contenha alguma alcalinidade, usualmente

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sob forma de bicarbonato de cálcio, que pode ser natural ou adicionada (BABITT et al, 1976; MACEDO, 2004): Reações químicas para o sulfato de alumínio: • Reações com alcalinidade natural 3 CaSO4 + 2 Al(OH)3 + 6 CO2 + 18 H2O

1) Al2(SO4)3. 18 H2O + 3 Ca(HCO3) →

2) 2FeSO4.7H2O + 2Ca(HCO3)2 + ½ O2 → Fe(OH)3 +n 2CaSO4 + 4CO2 + 6H2O 3) 2FeSO4.7H2O + 3Ca(HCO3)2 + Cl2 → Fe(OH)3 + 2CaSO4 + CaCl2 + 6CO2 + 7H2O 4) Fe2(SO4)3 + 3Ca(HCO3)2 → 2Fe(OH)3 + 3CaSO4 + 6CO2 • Reações com alcalinidade adicionada

Al2(SO4)3 .18 H2O + 3 Na2CO3 + 3H2O → 3Na2SO4 + 2 Al(OH)3 + 3CO2 + 14,3 H2O Al2(SO4)3. 14,3 H2O + 3 Ca(OH)2 → 3 CaSO4 + 2 Al(OH)3 + 14,3 H2O

Os principais auxiliares de coagulação são: Bicarbonato de sódio (NaHCO3), Carbonato de sódio (Na2CO3), Hidróxido de sódio (NaOH), Óxido de cálcio (CaO) e o Hidróxido de cálcio (Ca(OH)2). Agente coadjuvante de floculação é todo produto que, de alguma forma, aumenta sensivelmente o desempenho do processo de coagulação, quando usados em conjunto com os agentes coagulantes. Os principais coadjuvantes são a sílica ativada e os polieletrólitos. Polieletrólitos são polímeros originários de proteína e polissacarídeos de natureza sintética e natural. De acordo com a carga da cadeia polimérica pode ser catiônico e aniônico. Os polieletrólitos são divididos em duas subclasses: fracos e fortes. No Brasil, em função das características das águas e sólidos suspensos são utilizados os aniônicos (MACEDO, 2004) Tanto polímeros sintéticos, como os naturais (amidos em geral), são considerados auxiliares de floculação e filtração. Os sintéticos são utilizados para aumentar a velocidade de sedimentação dos flocos, a resistência às forças de cisalhamento que podem ocorrer na veiculação da água floculada e a diminuição da dosagem do coagulante primário. Já os naturais são utilizados para reduzir a ocorrência de transpasse dos flocos no filtro e aumentar a taxa de filtração (MACÊDO, 2004). 22

A sílica ativada utiliza-se de uma solução parcialmente neutralizada de silicato de sódio, tratado com ácido sulfúrico. Como auxiliar de coagulação ela apresenta vantagens na redução da dosagem de coagulante, aumenta a faixa de pH ótimo produzido flocos com melhores propriedades de decantação e resistência. Quando utilizada junto com o sulfato de alumínio ou sulfato ferroso, a sílica, por sua elevada carga negativa, promove a formação de flocos maiores, mais densos e resistentes, com isso, aumenta a eficiência de coagulação (MACÊDO, 2004). 3.5.1.3 Teoria da Floculação A floculação é a aglomeração de partículas de coagulante e de meteria em suspensão na água, formando conjuntos maiores e mais densos, denominados flocos. Ela é efetuada por meio de processo mecânico que produz agitação na água, com o objetivo de criar gradientes de velocidade que causem turbulência para provocar choques ou colisões entre as partículas coaguladas se sulfato de alumínio e as existentes na suspensão e estado coloidal da água. Os gradientes são limitados para que não ultrapassem a capacidade de resistência do cisalhamento das partículas (LEME, 1984). Os contatos formados permitem que os flocos aumentem de tamanho e densidade, tornando-os mais fáceis a sedimentação, o que contribui para que se obtenha uma melhor clarificação da água que esta sendo purificada. A dosagem ideal de coagulantes e floculantes pode ser determinada experimentalmente através de um teste de Jarro (LEME, 1984). A eficiência da floculação depende da intensidade da agitação fornecida, que deve cair gradientes de velocidades tais que não conduzam a esforços cortantes, geradores de tensões cisalhantes superiores às tensões admissíveis do material coagulado (LEME, 1984). Os floculadores são dotados de mecanismos de agitação e, desta forma, são divididos em hidráulicos e mecânicos. Os floculadores hidráulicos podem ser do tipo chicanas, conjunto de cortinas verticais formando compartimentos em série; Nos de floculação mecânica a energia utilizada para formação dos flocos é fornecida por agitadores, acionados por sistema eletromecânico. Os tipos mais comuns de floculadores mecânicos são os de eixo vertical e horizontal. Com agitadores de do tipo paleta, do tipo hélice e do tipo turbina de fluxo axial. Cada um destes tipos de equipamentos possui um consumo de energia elétrica devida aos motores existentes para os acionamentos (BARROS, 2005; MACEDO, 2004). 23

3.5.1.4 Teoria da Decantação ou Sedimentação A decantação ou sedimentação é um processo dinâmico de separação de partículas sólidas suspensas nas águas, consiste na utilização da força gravitacional para separar partículas de densidade superior a da água, depositando-as em uma superfície ou zona de armazenamento. Essas partículas, sendo mais pesadas do que a água, tenderá a cair para o fundo, com certa velocidade (NETTO, 1977). Sedimentação é o efeito da gravidade sobre as partículas suspensas num liquido de densidade inferior. Sob a influencia da gravidade, qualquer partícula com densidade maior que a da água se sedimentara com velocidade crescente até o momento em que a resistência do liquido se igualar ao peso efetivo da partícula (LEME, 1984). A temperatura da água influência na sedimentação através da viscosidade, que influencia na velocidade das partículas, assim as sedimentação é mais eficiente em águas de temperaturas mais e elevados por nestas a viscosidade diminui (LEME, 1984). As unidades onde se realiza o processo de decantação são denominadas de decantadores. Tipos de decantadores: a) Em função do escoamento da água

Decantadores de escoamento horizontal: a água escoa na direção longitudinal, sendo

que o comprimento é a dimensão predominante; • Decantadores de escoamento vertical: a água escoa em movimento ascendente da parte

inferior até a superfície dos tanques; b) Em função das condições de funcionamento • Decantadores do tipo clássico ou convencional: são aqueles em que se processa apenas

a sedimentação com água já floculada. • Decantadores com contato de sólidos: são aqueles que promovem simultaneamente a

agitação, floculação e a decantação. • Decantadores com escoamento laminar: o escoamento se dá em regime laminar. A eficiência de funcionamento de um decantador depende das condições em que a água entre e se distribui na unidade. Ou seja, a distribuição da água a ser decantada deve ser tão uniforme quanto possível (NETTO, 1979).

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3.5.1.5 Teoria da filtração É um processo físico e químico empregado na purificação da água que remove impurezas colidais através de sua passagem por um meio poroso que é constituído normalmente de um leito de areia ou outro material granular. A água ao encher os poros deixa as impurezas nas aberturas ou sobre o próprio material granular e os mecanismos de natureza física e química envolvidos na filtração são a adsorção, a floculação, a sedimentação e a coagem (LEME, 1984) A adsorção, que caracteriza a adesão das impurezas á superfície dos grãos do leito filtrante um fator importante no trabalho dos filtros e depende das características físicas da suspensão e do filtro, sendo uma função da granulometria do leito e dos flocos. A floculação e a sedimentação, embora sejam de menor importância, ocorre no interior dos poros, devendose a elas o crescimento que se processa em alguns flocos em virtude da oportunidade permitida pelo contato entre as partículas, graças ao qual os flocos ficam retidos nos poros. A coagem é a retenção pura e simples que se processa nos flocos de maior tamanho que os poros existentes. (LEME, 1984). 3.5.1.5.1 Classificação dos filtros A classificação dos filtros pode ser feita de acordo com o material filtrante, de acordo a disposição do material filtrante, de acordo com o sentido de escoamento da água ou de acordo com a taxa de velocidade da filtração. Veja tabela 01 (LEME, 1984). O meio filtrante pode ser constituído de diferentes materiais (antracito, areia e granada) na filtração descendente; na filtração direta ascendente, emprega-se apenas areia como meio filtrante e pedregulho na camada suporte. Na filtração direta ascendente, em geral, o meio filtrante é constituído de areia com grãos se comparado com a filtração descendente, o que leva a um maior consumo de água de lavagem na filtração (MACÊDO, 2004). O filtro rápido é formado de uma camada de areia, e pode ainda, possui uma outra camada de um meio poroso mais grosso e menos denso, como o antracito, que é colocado sobre a areia, o que permite taxas de filtração ainda maiores. Em média a taxa nominal de filtração dos filtros de uma camada, está compreendida entre 120 e 360 m3 / m2dia; enquanto os de duas camadas variam de 240 a 600 m3/m2 dia (RICHTER e AZEVEDO NETO, 1991).

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Tipo de material do meio filtrante. De areia;

Disposição do material do leito filtrante.

Sentido de escoamento da água.

Velocidade ou taxa de filtração.

Em camadas superpostas de De areia com diferente; ou Em camadas de areia e carvão; Em camadas de areia, De

escoamento Lentos;

granulometria descendente; Rápidos; escoamento De pressão; De gravidade. Duplo escoamento.

De

carvão

antracinto; De carvão-areia;

antracinto, garnet; De terra diatomácea; De antracinto, areia e De leito misturado. garnet.

ascendente;

Tabela 01: Classificação dos filtros. Os filtros de gravidade de grande área - com finalidade de obter economia – podem ser subdivididos em duas câmaras: filtros simples e filtros duplos. Os filtros de camada única utilizam-se a camada torpedo que é uma camada de areia mais grossa, com espessura de 0,08 a 0,125 m, colocada sob a camada filtrante de areia. A camada de pedregulho assenta sobre uma placa provida de orifícios, denominada de fundo falso, situado pouca acima do fundo verdadeiro. É composta de cinco subcamadas, recebe também o nome de camada suporte. Os filtros rápidos são lavados contracorrente, ou seja, por inversão de fluxo, com uma vazão capaz de assegurar a expansão adequada para o meio filtrante. Expansões acima de 50% são indesejáveis, porque reduzem o processo de atrito entre os grãos e permitem a perda do material filtrante. Na prática consideram-se como ideal, as expansões do material filtrante que variam de 25 a 50% (sendo o valor mais comum de 40%). No filtro de duas camadas, além da temperatura da água, velocidade ascensional da água de lavagem, deve-se levar em consideração a expansão da areia e do antracito. Atualmente, recomenda-se que a velocidade ascensional não seja inferior a 0,80 m/s (RICHTER e AZEVEDO Neto, 1991). Os filtros, após certo período de trabalho, precisam ser submetidos a uma limpeza feita por uma lavagem hidráulica por reversão do escoamento executada no próprio leito filtrante. Esta lavagem algumas vezes pode ser auxiliada pela condução de jatos de água no interior do leito expandido por meio de injeções de ar antes ou durante a lavagem (LEME, 1984).

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3.6 TRATAMENTO DE ÁGUA DE MANACIAL SUBTERRÂNEO
Uma parte da água da chuva, que se infiltra no solo, reaparece à superfície deste, não somente como agente capaz de manter uma certa uniformidade na descarga dos cursos d’água como também sob a forma de poços e fontes. Água Subterrânea pode ser definida como a água existente no subsolo. Preenchendo os poros e fraturas das rochas, a água passa por um processo de filtragem natural e fica acumulada, dando origem aos aqüíferos. A formação desses aqüíferos subterrâneos ocorre de formas variadas, com diversos níveis de profundidade. Através da construção de poços artesianos, essa água pode ser captada para ser utilizada no abastecimento público (AGUA.BIO, 2008; HARDENBERGH, 1964). As águas subterrâneas normalmente contêm menos bactérias, menos matéria orgânica e maior quantidade de substâncias minerais do que as águas de superfície. Com exceção dos terrenos calcáreos, as águas subterrâneas podem carregar grande quantidade de matéria orgânica e bactérias, uma vez que circulam elas nesses terrenos através das fendas e canais que ordinário ali se formam por efeito da erosão (HARDENBERGH, 1964). A água de lençóis subterrâneos muito profundos tem geralmente uma excelente qualidade, apresentando uma composição constante num mesmo lençol, sendo menos vulnerável à poluição que a água de camadas menos profundas (NATURLINK, 2008). De um modo geral, a água subterrânea não contém oxigênio dissolvido. Podem encontrar-se neste tipo de água algumas substâncias como o gás carbônico, ferro, manganês, amônia ou ácidos húmicos e mais raramente nitratos e pesticidas, quando em zonas onde se pratica uma agricultura intensiva (NATURLINK, 2008). Os poços artesianos fornecem água que jorra sem necessidade de meios de elevação mecânica. O poço semi-artesiano também atinge o lençol freático a grandes profundidades, mas, no entanto, necessita de um mecanismo de elevação da água até a superfície, Para esta elevação de água do subsolo são utilizados sistemas motores-bombas. Quando o manancial fornece água naturalmente potável, o tratamento pode ser dispensado. Depois de captada, a água proveniente dos poços é levada para um reservatório apropriado e recebe o tratamento adequado. O tratamento se dá em função dos problemas existentes, podendo-se recorrer às seguintes tecnologias de tratamento para tornar a água potável (NATURLINK, 2008): • Arejamento: para oxigenar e retirar gás carbônico; 27

• •

Filtração: através de areia para eliminar ferro e manganês e eventualmente amônia; Desinfecção: para garantir a qualidade bacteriológica durante a adução até à

distribuição. A desinfecção é realizada geralmente com cloro através de uma solução de hipoclorito de sódio (NaOCl); • Tratamentos específicos: para eliminação de nitratos e pesticidas (por exemplo, remoção de azoto e filtração em carvão ativado granular, respectivamente).

3.7 DESINFECÇÃO
A importância da desinfecção da água está intimamente ligada ao problema da sua segurança sanitária, conseguida através da eliminação dos agentes capazes de produzir as doenças de veiculação hídrica. Ela só pôde ser realmente conhecida pelo homem após as experiências de Pasteur, que comprovaram a tese de que as doenças eram produzidas por microrganismos. O emprego da desinfecção no tratamento da água permitiu que se conseguissem excelentes resultados na eficiência do sistema de controle e eliminação de vários tipos de doenças. (LEMME, 1984). Tecnicamente, aplica-se a simples desinfecção como meio de tratamento para águas que apresentam boas características físicas e químicas, a fim de garantir seu aspecto bacteriológico. É o caso das águas de vertentes ou nascentes, águas de fontes ou de poços protegidos, que se encontram enquadradas na classe Especial da Resolução CONAMA nº 20/ 86. Na prática, a simples desinfecção, sem outro tratamento, é muito aplicada. Em épocas de surtos epidêmicos, a água de abastecimento público deve ter a dosagem de desinfetante aumentada. Em casos de emergências, deve-se garantir, por todos os meios, a água potável, e a desinfecção, em alguns casos, é mais prática que a fervura. A desinfecção é também aplicada à água após seu tratamento, para eliminar microorganismos patogênicos porventura presentes no sistema de distribuição. A desinfecção é a destruição de microrganismos patogênicos presentes na água, incluindo bactérias, protozoários, vírus e algas capazes de infectar o homem através de seu consumo em água contaminada. A desinfecção pode ser feita por cloração, ozonação ou por meio de radiação ultravioleta. Entre os processos utilizados numa desinfecção o mais largamente empregado no tratamento da água é a cloração (LEME, 1984). A cloração é a injeção de um produto químico clorado, altamente oxidante à água. A finalidade desta operação é oxidar diversas impurezas contidas na água. A cloração é usada 28

no tratamento de água para efetuar a desinfecção, visando á destruição de microorganismos patogênicos, controle dos microorganismos e para a oxidação. Como agente oxidante é usado na remoção de ferro e manganês, destruição de compostos causadores de gosto e odor, e na eliminação do N2 amoniacal (MACEDO, 2004). O cloro é mais pesado do que o ar. Possui cor verde-amarelado, é um gás tóxico. O cloro em reação com a água tende a abaixar o pH desta, enquanto os hipocloritos tende a aumentá-los. É um agente oxidante forte; reagindo com uma grande numero de substâncias. O cloro líquido é extremamente corrosivo, as tubulações deverão ser de materiais resistentes à corrosão. O seu vapor irrita o sistema respiratório, podendo causar acidentes se houver exposição prolongada ao mesmo. Os hipocloritos são sais do ácido hipocloroso. A forma mais utilizada é a do Hipoclorito de Cálcio (Ca(OCl)2. O hipoclorito de sódio (NaOCl), normalmente está disponível no mercado na forma líquida, tendo concentração entre 5 e 15% de cloro disponível. A maioria das estações de tratamento de água utiliza o cloro liquido ou gasoso por ser mais econômico (MORGADO, 1994). A pratica atual da desinfecção é baseada no estabelecimento de um dado residual de cloro durante o tratamento e, depois, manter um outro valor adequado até atingir o consumidor. Assim, a maior parte de qualidade da água tratada se resume na determinação do residual de cloro no sistema de distribuição (MORGADO, 1994).

3.8 FLUORETAÇÃO
Fluoretação é um processo utilizado para a aplicação de produtos de flúor na água de abastecimento público, constituído de uma simples adição de maneira controlada. O flúor traz efeitos benéficos se a criança o ingere regularmente, desde o seu nascimento até a formação dos dentes. A estatística, incluindo as efetuadas em algumas cidades brasileiras, tem comprovado sua eficiência na redução de 50 a 70% da incidência de cáries. A fluoretação sendo um processo simples, seguro, barato e de grande alcance social vem tendo gradativa aceitação em nosso país (SABESP, 2008). Os compostos mais utilizados no processo de fluoretação são: fluorsilicato de amônio [(NH4)2SiF6] que se apresenta como cristais brancos; fluorita ou fluoreto de cálcio (CaF2) na forma de pó; ácido fluorsilicíco (H2SF6) como líquido altamente corrosivo; fluoreto de sódio (NaF) sob forma de pó e flúorsilicato de sódio (Na2SiF6) (YAGUINUMA, 1979).

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Além da redução dos níveis de cáries, a fluoretação das águas contribui para a maturação do esmalte, e estes impactos são mais sensíveis nas populações de baixa renda. O excesso da concentração do íon fluoreto na água, responsável pelo desfiguramento do esmalte e causando manchas nos dentes (YAGUINUMA, 1979).

3.9 CORREÇÃO DO pH
Ocorre a correção de pH, quando é adicionada cal hidratada ou barrilha leve (carbonato de sódio) para uma neutralização adequada à proteção da tubulação da rede e da residência dos usuários (COPASA, 2008). A corrosão de canalizações, válvulas e equipamentos metálicos representam um grande prejuízo anual para os serviços de abastecimento da água. As tubulações corroídas, além de terem a sua vida útil reduzida, apresentam menor capacidade de condução de água (NETTO, 1977). Depois do tratamento químico para o tratamento da água, estas ficam agressivas e geralmente mais corrosivas do que as águas naturais. Algumas impurezas (CO2, ácidos diluídos, cloretos) presentes nas águas podem favorecer e acelerar a corrosão (NETTO, 1977). As águas tratadas, antes de serem distribuídas, deveram ser alcalinizadas, isto é, deverão receber uma quantidade de um alcalinizante para que ocorra correção do Ph, ou seja, a elevação do pH, tornando a água menos ácida ( NETTO, 1977).

3.10 RESERVAÇÃO
Nos serviços de água os reservatórios são usados para repesar a água, pára acumular água, para equilibrar vazões, para equilibrar pressões no sistema de distribuição e para outros fins. Um reservatório usado para armazenar água é um reservatório de armazenamento, o que é usado para compensar as vazões é um reservatório de compensação e o que é usado para compensar as pressões num sistema de distribuição é conhecido como um reservatório de distribuição. Um reservatório de compensação situado no lado da sucção de uma bomba pode ser chamado câmara de sucção, poço de sucção ou poço úmido. Os reservatórios são usados para uma multiplicidade de objetivos (BABITT, 1976). No sistema de distribuição os reservatórios podem ser classificados, de acordo com sua posição, como superficial ou elevado, ou de acordo com o material com que foram 30

construídos, tais como aço, concreto, madeira ou terra (BABITT, 1976; HARDENBERGH, 1964). Após o tratamento, a água segue para a distribuição para a população, ou então, para a reservação estratégica em reservatórios de água tratada. Os reservatórios podem ser ao nível do terreno, enterrados ou semi-enterrados, elevados e standpipes. Os reservatórios elevados estão numa estrutura de sustentação e são empregados quando há necessidade de aumentar a pressão em conseqüência de condições topográficas. Os standpipes são reservatórios de grande diâmetro, assentados verticalmente sobre o terreno. Seu objetivo é a equalização da pressão na rede (PUPPI, 1981; COPASA, 2008). No processo de abastecimento os reservatórios têm como principais funções operar como reguladores da distribuição, atendendo à variação horária do consumo, assegurando uma reserva d'água para atender as condições de emergência, atender à demanda no caso de interrupções de energia elétrica e a manutenção de pressões na rede distribuidora (HARDENBERGH, 1964).

3.11 DISTRIBUIÇÃO
O projeto de um sistema de distribuição compreende os seguintes pontos característicos: a seleção do método de armazenamento e de distribuição de água; a determinação da pressão exigida nas tubulações; a localização dos vários reservatórios, tubos, registros, válvulas e hidrantes; e os cálculos para a determinação das capacidades dos reservatórios e dos diâmetros das tubulações. Antes de iniciar o projeto, é necessário obter informações fundamentais por meio de levantamentos completos e preparo de plantas que possam ser usadas no estudo do sistema (HARDENBERGH, 1964). Um sistema de distribuição de água inclui tubos, registros, hidrantes e acessórios para o transporte da água; reservatórios para fins de armazenamento, compensação e distribuição; tubos de derivação para os consumidores; hidrômetros; e todas as demais peças do sistema de transporte, após a água deixar a estação de bombeamento ou os reservatórios de distribuição. Uma rede de distribuição atravessa todas as ruas da cidade, onde, em frente a cada um dos prédios é efetuada uma ligação a um outro tubo de menor diâmetro denominado ramal predial. Este ramal se encarregará de abastecer os consumidores. (BABITT, 1976). O traçado dos sistemas de distribuição pode ser classificado, por conveniência, como: (1) sistemas em anel ou circuitos; (2) sistemas em malha e (3) sistemas em árvore. Os 31

nomes são descritivos da maneira pela quais os tubos de distribuição são dispostos no plano. A maioria dos sistemas de distribuição contém aspectos de cada tipo de traçado; praticamente nenhum é um exemplo de apenas um sistema, embora o sistema em malha seja, provavelmente, o mais comum, especialmente nas grandes cidades (BABITT, 1976). Numa rede malhada as tubulações são distribuídas pela área a ser abastecida, formando malhas. A água circula em qualquer direção de acordo com as solicitações do consumo, evitando assim as extremidades mortas no sistema. As redes malhadas são as mais comuns, já que quase todos os centros urbanos se estendem em várias direções. No caso de cidades pequenas, pode haver um único anel; nas cidades maiores, poderão existir diversos, cada qual abastecendo um determinado setor da cidade. Quando a pressão se situa numa faixa abaixo do satisfatório, o sistema encontra-se prejudicado, pois não conta com pressão mínima que permita ao usuário receber água em vazão suficiente, ou sequer receber água. A pressão insuficiente na rede ainda pode comprometer a qualidade da água fornecida, uma vez que as infiltrações poderão ocorrer sendo a pressão externa à rede maior que a interna. Já quando a pressão for maior que o satisfatório, a rede estará mais propensa a vazamentos. A suficiência de um sistema de distribuição é determinada pelas pressões que existem em vários pontos do mesmo, sob condições de operação. Por outro lado, as pressões devem ser suficientes para atender aos consumidores e à demanda contra incêndio; por outro lado, as pressões desnecessariamente altas são onerosas (BABITT, 1976).

3.12 QUALIDADE DA ÁGUA
A água a ser usada num suprimento público deve ser potável, não deve ser quimicamente pura, porque a água carente de matéria dissolvida e em suspensão não tem paladar e é anti-higiênica, acredita-se que a presença de certos minerais na água é essencial à saúde, e por este motivo algumas águas são consideradas mais saudáveis que outras. A água que é ideal como bebida, pode não ser própria para outros fins (BABITT, 1976). Água quimicamente pura não é encontrada na natureza, devido ao seu poder solvente quase universal. As águas naturais podem ser poluídas pela drenagem das áreas urbanas e rurais. A água poluída é definida como uma água inofensiva maculada pelo esgoto ou outros líquidos ou suspensões, tornando-se ofensiva a visão e ao olfato, e insatisfatória para bebida, uso doméstico ou fins industriais. Água contaminada é aquela especificamente 32

poluída pela introdução de materiais tóxicos, bactérias, ou outras substâncias deletérias, as quais tornam a água imprópria para uso. Água infectada é aquela contaminada com organismos patogênicos (BABITT, 1976). A qualidade de um manancial proposto para o suprimento público de água deve ser apreciada tendo por base uma pesquisa sanitária do mesmo, uma análise completa, e um estudo das considerações econômicas e estéticas envolvidas (BABITT, 1976). A qualidade de uma água é definida por sua composição química, física e bacteriológica. Para o consumo humano há necessidade de uma água pura e saudável, livre de matéria suspensa visível, cor, gosto e odor, de quaisquer organismos capazes de provocar enfermidades e de quaisquer substâncias orgânicas ou inorgânicas que possam produzir efeitos fisiológicos prejudiciais (LEME, 1984). A qualidade de determinada água é avaliada por um conjunto de parâmetros determinados por uma série de análises físicas, químicas e bacteriológicas (RICHTER e AZEVEDO Neto, 1991).

3.12.1 Variáveis Físico-Químicas das Águas
3.12.1.1 Cor A cor na água é, usualmente, devido a matéria orgânica em suspensão coloidal, podendo, porém, ser devido a matéria mineral em solução, como um colóide, ou em suspensão. Os materiais corantes podem ser associados pelas águas de superfície ao fluir através de pântanos, ou pelas águas subterrâneas ao dissolverem minerais. As águas túrbidas são menos prováveis de ser altamente coloridas como as águas claras, devido a possível remoção de matéria coloidal por adsorção nas maiores partículas da matéria em suspensão, que causa turbidez (BABITT, 1976). A cor de uma amostra de água está associada ao grau de redução de intensidade que a luz sofre ao atravessa, devido à presença de sólidos dissolvidos, principalmente material em estado coloidal orgânico e inorgânico. Dentre os colóides orgânicos pode-se mencionar os ácidos húmico e fúlvico, substâncias naturais resultantes da decomposição parcial de compostos orgânicos presentes em folhas, dentre outros substratos (CETESB, 2008) A cor da água é o resultado principalmente dos processos de decomposição que ocorrem no meio ambiente. Por isso, as águas superficiais estão mais sujeitas a ter cor do que 33

as águas subterrâneas. Além disso, pode-se ter cor devido à presença de alguns íons metálicos como ferro e manganês, plâncton, macrofilas e despejos industriais (MACEDO, 2004). A cor, em sistemas públicos de abastecimento de água, é esteticamente indesejável para o consumidor e economicamente prejudicial algumas indústrias. A cor é medida em uH, unidade de escala de Hanzen-platina/cobalto.Os padrões de potabilidade de água para o consumo humano descrito na portaria 518/2004 do Ministério da Saúde, estabelece para água tratada o limite recomendado de 15 unidades de cor(MACÊDO, 2004). 3.12.1.2 Turbidez A turbidez de uma amostra de água é o grau de atenuação de intensidade que um feixe de luz sofre ao atravessá-la (e esta redução se dá por absorção e espalhamento, uma vez que as partículas que provocam turbidez nas águas são maiores que o comprimento de onda da luz branca), devido à presença de sólidos em suspensão, tais como partículas inorgânicas (areia, silte, argila) e de detritos orgânicos, algas e bactérias, plâncton em geral, etc. A erosão das margens dos rios em estações chuvosas é um exemplo de fenômeno que resulta em aumento da turbidez das águas e que exigem manobras operacionais, como alterações nas dosagens de coagulantes e auxiliares, nas estações de tratamento de águas (CETESB, 2008). Os esgotos sanitários e diversos efluentes industriais também provocam elevações na turbidez das águas. Um exemplo típico deste fato ocorre em conseqüência das atividades de mineração, onde os aumentos excessivos de turbidez têm provocado formação de grandes bancos de lodo em rios e alterações no ecossistema aquático (CETESB, 2008). Alta turbidez reduz a fotossíntese de vegetação enraizada submersa e algas. Esse desenvolvimento reduzido de plantas pode, por sua vez, suprimir a produtividade de peixes. Logo, a turbidez pode influenciar nas comunidades biológicas aquáticas. Além disso, afeta adversamente os usos doméstico, industrial e recreacional de uma água (CETESB, 2008). O método padrão para medir a turbidez é feito pelo “Turbidímetro de Jackson”, que consiste essencialmente de uma vela e um tubo de vidro calibrado. È um método visual, que se baseia na determinação da altura de uma coluna de amostra de água, que, observada verticalmente, faz com que a imagem da chama da vela deixe ser visível. Atualmente, utilizam-se os métodos denominados nefelométricos, mais sensíveis, que consistem em equipamento com luz de tungstênio e detectores fotoelétricos, capazes de detectar a luz que é dispersa num ângulo de 900C com a luz incidente. A unidade de turbidez 34

passou a ser denominada de “unidades nefelométricas de turbidez” (UNT) (RICHTER e AZEVEDO Neto, 1991). 3.12.1.3 Sabor e Odor Sabores e odores na água podem resultar de um ou combinações de fatores, como a presença de microrganismos; mortos ou vivos, gases dissolvidos, tal como o sulfeto de hidrogênio, metano, dióxido de carbono, ou oxigênio, matéria orgânica, substâncias minerais, tal como cloreto de sódio, compostos de ferro, e carbonatos e sulfatos de outros elementos, e fenóis e outras matérias alcatroadas e oleosas, ou ainda de fontes industriais de poluição (BABITT, 1976). A água pura não produz sensação de odor ou sabor nos sentidos humanos. Espe1cialmente após a cloração. Alguns gostos, tais como aqueles conferidos pelo oxigênio dissolvido ou dióxido de carbono, são desejáveis (BABIT, 1976; MACÊDO, 2004). A detecção de sabor e odor e sua quantificação são bastante difíceis, pois depende, exclusivamente, da sensibilidade dos sentidos humanos. Além disso, essa sensibilidade varia de indivíduo para indivíduo e tende a diminuir com a constante exposição (MACÊDO, 2004). 3.12.1.4 Temperatura A temperatura desempenha um papel principal de controle no meio aquático, condicionando as influências de uma série de parâmetros físico-químicos. Em geral, à medida que a temperatura aumenta a viscosidade, tensão superficial, compressibilidade, calor específico, constante de ionização e calor latente de vaporização diminuem, enquanto a condutividade térmica e a pressão de vapor aumentam as solubilidades com a elevação da temperatura. Organismos aquáticos possuem limites de tolerância térmica superior e inferior, temperaturas ótimas para crescimento, temperatura preferida em gradientes térmicos e limitações de temperatura para migração, desova e incubação do ovo (CESTEB, 2008). 3.12.1.5 Potencial Hidrogeniônico (pH) O pH é uma medida que estabelece a condição ácida ou alcalina da água sendo importante em cada fase do tratamento da água. É um parâmetro de caráter operacional que deve ser acompanhado para otimizar os processos de tratamento e preservar as tubulações contra corrosões ou entupimentos. É um parâmetro que não tem risco sanitário associado diretamente à sua medida (SABESP, 2008). 35

A concentração do íon hidrogênio numa solução é geralmente expressa em termos do seu pH. O pH é o logaritmo, ou logaritmo negativo, do inverso da concentração do íon hidrogênio, quando expresso em moles por litro. Modificações na concentração do íon hidrogênio num suprimento de água as vezes afetam o metabolismo dos consumidores. A maioria dos suprimentos de água tem um pH entre 6,8 e 7,2, porém existem águas potáveis com um pH além desta faixa. Valores menores podem indicar corrosividade e valores elevados podem indicar possibilidade de efeitos fisiológicos, assentamento de crosta ou sedimento, ou dificuldade na cloração (BABITT, 1976). Podemos determinar o valor do pH de acordo com a equação: pH= -log10 [H+]. Algumas substâncias são usadas como indicadores e possibilitam uma determinação aproximada do pH por sofrer alterações de cor a vários níveis de pH. Algumas gotas adicionadas a uma amostra, dão a esta amostra uma certa coloração que, comparada a um disco colorímetro, corresponde ao valor do pH (RICHTER e NETTO, 1991). Também se pode fazer leitura do pH através de pHmetros com eletrodos de vidro. Esses aparelhos são mais precisos, além de sofrerem interferências de cor, turbidez ou variedade de íons. Nos sistemas de abastecimento público de água, o pH está geralmente compreendido entre 6,5 e 9,5. De modo geral, águas de pH baixo tendem a ser corrosivas ou agressivas a certos metais, paredes de concreto e superfícies de cimento-amianto, enquanto que águas de alto pH tendem a formar incrustações (RICHTER e NETTO, 1991). De acordo com a Portaria 518/04 do Ministério da Saúde a faixa recomendada de pH na água distribuída é de 6,0 a 9,5 (SABESP, 2008). 3.12.1.6 Alcalinidade A alcalinidade representa o teor de carbonatos, bicarbonato e hidróxidos e, ocasionalmente, silicatos e fosfatos presentes na água. A alcalinidade é comumente encontrada nas águas naturais sob forma de carbonato de sódio ou bicarbonato de cálcio e magnésio. A alcalinidade cáustica, causada por hidróxidos, é uma caracter5stica indesejável. É raramente encontrada nas águas naturais (BABITT, 1976). A quantificação da alcalinidade em uma água tem grande importância, pois se relaciona com o processo de coagulação com floculantes, que é uma das etapas do tratamento

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convencional de água e com a prevenção de incrustações e da corrosão de canalizações de ferro fundido (MACÊDO, 2004). Os três tipos de alcalinidade são possíveis de serem encontradas em uma água natural, alcalinidade a hidróxido (OH-), a carbonato (CO3-), e a bicarbonato (HCO3-). Sendo que, somente dois tipos podem estar presentes simultaneamente numa mesma amostra, pois haveria uma reação entre hidróxidos e bicarbonatos, que levaria a forma de carbonatos. A tabela 02 apresenta a relação entre o pH e as alcalinidade (MACÊDO, 2004).

Faixa de pH Alcalinidade > 9,4 Hidróxidos e carbonatos 8,3 – 9,4 Carbonatos e bicarbonatos 4,4 – 8,3 Bicarbonatos Tabela 02: A relação entre pH e as diversas formas de alcalinidade.

3.12.1.7 Dureza A propriedade da água conhecida por dureza é devida principalmente à presença de carbonatos, bicarbonatos, sulfatos ou outros compostos de cálcio e magnésio. Compostos de cálcio são a causa mais comum de dureza nos abastecimentos d’água, pois são facilmente dissolvidos dos depósitos de calcáreo. Todavia, os compostos de magnésio são também causa importante de dureza. Em um grau menor, a dureza pode ser causada por certos compostos de ferro e alumínio (HARDENBERGH, 1964). A dureza na água é a característica que evita a espuma do sabão. Esta condição é causada, principalmente, pelos cátions bivalentes de cálcio e magnésio. Os principais compostos solúveis, exigindo remoção no abrandamento dos suprimentos públicos de água, são os carbonatos e os sulfatos de cálcio e magnésio. Os cloretos e os nitratos desses dois elementos são eficazes, em menor grau, em causar dureza na maioria das águas naturais (BABITT, 1976). A dureza na água é comumente classificada em dureza temporária e dureza permanente. A dureza temporária pode ser removida pela ebulição da água, o que não se dá com a dureza permanente. Para fins técnicos, uma classificação melhor da dureza é a que se designa pelos termos dureza de carbonato e dureza sem carbonato. A dureza de carbonato é devida a carbonatos e bicarbonatos de cálcio e magnésio; e a dureza sem carbonato é devido a 37

sulfatos, cloretos e nitratos de cálcio e magnésio, e a outros compostos não carbonatados que causam dureza. A fervura não remove da água toda a dureza de carbonato e, por conseguinte, dureza temporária não é o mesmo que dureza de carbonato (HARDENBERGH, 1964). Os níveis de dureza dão classificação das águas em relação à suas respectivas durezas. A Tabela 03 abaixo mostra a classificação da água. O valor máximo permitido para a dureza total é de 500 mg de CaCO3/ L, segundo a Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde (RICHTER e AZEVEDO Neto, 1991; MS, 2004).

Classificação da água Concentração de CaCO3/L Águas moles < 50 mg CaCO3/L Águas de dureza moderada Entre 50 e 150 mg CaCO3/L Águas duras Entre 150 e 300 mg CaCO3/L Águas muito duras > A 300 mg CaCO3/L Tabela 03: classificação da água em função dos níveis de dureza 3.12.1.7 Cloretos A presença de cloretos numa concentração mais elevada que a encontrada nas águas naturais numa região é uma indicação de poluição. Um excesso de cloretos é usualmente um sinal de perigo. Como os cloretos solúveis não são comumente afetados pelos processos biológicos são reduzidos em concentração principalmente por diluição. Teor elevado de cloreto é indesejável para algumas finalidades industriais e pode aumentar a corrosividade da água (BABITT, 1976). O teor elevado de cloretos é um indicador de poluição por esgotos domésticos nas águas naturais e podem interferir na coagulação e floculação, etapas do tratamento de água Além de inferir um sabor salgado na água. O teor de cloretos é utilizado na caracterização de águas brutas. O valor máximo permitido é de 250 mg de CL- / L para água tratada, segundo a portaria 518/2004 do Ministério da Saúde (MACÊDO, 2004: MS, 2004). 3.12.1.8 Ferro Total O ferro é objetável num abastecimento público de água porque mancha as peças de louça sanitária, roupas e tecidos na lavagem, pode causar gostos e odores, e oferece dificuldades nos processos de manufatura. O sulfato de ferro provoca acidez e corrói o metal ferroso e o latão. Para transportar águas ricas em sulfato de ferro são necessários tubos de

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bronze e revestidos de chumbo. A presença do ferro na água normalmente não tem significação sanitária. (BABITT, 1976). O ferro aparece principalmente em águas subterrâneas devido à dissolução do minério pelo gás carbônico da água. O ferro constitui-se em padrão de potabilidade, sendo o valor máximo permitido, segundo a Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde, concentração limite de 0,3 mg/L (CESTEB, 2008; MS, 2004) O carbonato ferroso é solúvel e frequentemente é encontrado em águas de poços contendo elevados níveis de concentração de ferro. Nas águas superficiais, o nível de ferro aumenta nas estações chuvosas devido ao carreamento de solos e a ocorrência de processos de erosão das margens. Também poderá ser importante a contribuição devida a efluentes industriais, pois muitas indústrias metalúrgicas desenvolvem atividades de remoção da camada oxidada (ferrugem) das peças antes de seu uso, processo conhecido por decapagem, que normalmente é procedida através da passagem da peça em banho ácido. Nas águas tratadas para abastecimento público, o emprego de coagulantes a base de ferro provoca elevação em seu teor (CESTEB, 2008). A presença de ferro influencia na etapa de coagulação e floculação no tratamento de águas para abastecimento. As águas que contêm ferro caracterizam-se por apresentar cor elevada e turbidez baixa. Os flocos formados geralmente são pequenos e com velocidades de sedimentação muito baixa. Em muitas estações de tratamento de água este problema é resolvido, através da oxidação do ferro, mediante a aplicação de cloro, a chamada précloração (CESTEB, 2008; MACÊDO, 2004). 3.12.1.9 Nitratos e Nitritos O nitrogênio é um gás inerte constituindo cerca de 80 por cento da atmosfera. Não tem significação sanitária na água. Numa análise sanitária da água os compostos de nitrogênio são registrados como nitrogênio orgânico total, amônia albuminóide, amônia livre, nitritos e nitratos. A presença de compostos de nitrogênio na água é usualmente admitida como indicação da presença de matéria orgânica. A natureza do composto indica a relativa remotividade do contato da água com a matéria orgânica. A amônia livre ou albuminóide na água é considerada, geralmente, evidência de poluição recente, exceto se presente em baixa concentração. Na água tratada os compostos nitrogenados servem para posterior proliferação, nas canalizações de distribuição e nos reservatórios, e são considerados indesejáveis (BABITT, 1976). 39

O nitrogênio em recursos hídricos pode se apresentar de diversas formas, como nitrato (NO3-), nitrito (NO2-), amônia (NH3), nitrogênio molecular (N2) e nitrogênio orgânico. É um elemento indispensável para crescimento de algas, entretanto, quando em grande quantidade, também pode levar a um processo de eutrofização de lagos e represas. O VPM para nitratos é de 10 mg de N/L; e para o nitrito e de 1 mg N/L, segundo a Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde (MACEDO, 2004; MS, 2004). São diversas as fontes de nitrogênio nas águas naturais. Os esgotos sanitários constituem em geral a principal fonte, lançando nas águas nitrogênio orgânico devido à presença de proteínas e nitrogênio amoniacal, devido à hidrólise sofrida pela uréia na água. Alguns efluentes industriais também concorrem para as descargas de nitrogênio orgânico e amoniacal nas águas; A atmosfera é outra fonte importante devido a diversos mecanismos; Nas áreas agrícolas, o escoamento das águas pluviais pelos solos fertilizados também contribui para a presença de diversas formas de nitrogênio; Também nas áreas urbanas, as drenagens de águas pluviais associadas às deficiências do sistema de limpeza pública, constituem fonte difusa de difícil caracterização (CESTEB, 2008). 3.12.1.10 Alumínio O alumínio em concentração apreciável não é comum nas águas naturais, podendo, porém, ser dissolvido dos utensílios de cozinha, nos suprimentos domésticos, sem significação higiênica. Os suprimentos de água tratados adequadamente com compostos de alumínio, tal como o sulfato de alumínio, contêm menos alumínio do que a água não tratada, devido à insolubilidade dos compostos de alumínio formados e sua remoção por sedimentação e filtração (BABITT, 1976). Na água, o alumínio é complexado e influenciado pelo pH, temperatura e a presença de fluoretos, sulfatos, matéria orgânica e outros ligantes. A solubilidade é baixa em pH entre 5,5 e 6,0. O alumínio deve apresentar maiores concentrações em profundidade, onde o pH é menor e pode ocorrer anaerobiose. Se a estratificação, e conseqüente anaerobiose, não for muito forte, o teor de alumínio diminui no corpo de água como um todo, à medida que se distancia a estação das chuvas. O aumento da concentração de alumínio está associado com o período de chuvas e, portanto, com a alta turbidez (CESTEB, 2008). A principal via de exposição humana não ocupacional é pela ingestão de alimentos e água. O acúmulo de alumínio no homem tem sido associado ao aumento de casos de demência senil do tipo Alzheimer. Brown (1989, apud Moore, 1990) correlacionou o aumento 40

do risco relativo da ocorrência do Mal de Alzheimer com o nível de alumínio na água de abastecimento. Não há indicação de carcinogenicidade para o alumínio (CESTEB, 2008).

3.12.2 Variáveis Microbiológicas das Águas
São analisadas amostras de água de vários pontos do processo de produção de água. A qualidade microbiológica da água bruta e quaisquer alterações na carga microbiana proporcionam informações importantes para as decisões operacionais sobre o tratamento da água. Também são colhidas amostras de água à saída da estação de tratamento, no sistema de distribuição, e deve incluir amostras colhidas nas torneiras dos clientes (LIGHTFOOT e MAIER, 2003). As espécies de bactérias são quase incontáveis, a vasta maioria sendo inofensiva ou benéfica ao homem. As bactérias que causam doenças no homem são conhecidas como bactérias patogênicas, as bactérias que não produzem doença são denominadas não patogênicas (HARDENBERGH, 1964). As bactérias que podem ser consideradas normais nas águas naturais e que não causam doenças no homem incluem os gêneros Pseudomonas e várias espécies do gênero Serratia, Flavobacteriuin e Chromobacfrrium. As bactérias não patogênicas que podem ser carreadas do terreno para dentro da água incluem os gêneros da família Bacilius, como B.subtilis e B. cereus variedades mycoides, B. macerans e B. polymyrax. Estas bactérias, incluindo o Sphaeroiilus dichotomus, não possuem significação sanitária, porém algumas podem interferir com os testes padrões para os coliformes. As bactérias do ferro e do enxôfre, não têm significação sanitária, mas podem causar dificuldades nos sistemas de distribuição de água, particularmente a deterioração da qualidade da água após tratamento (BABITT, 1976). As águas de abastecimento apresentam o risco de serem poluídas por águas residuárias e excretas de origem humana ou animal podendo, desta forma, conter organismos patogênicos, tornando-se assim um veículo de transmissão de doenças. Por isso, impõe-se a necessidade de exames rotineiros das mesmas, par determinar seu grau de segurança do ponto bacteriológico (CETESB, 1984). O exame bacteriológico da água consiste em duas partes principais: (1) a determinação do número total de bactérias por mililitro d’água, e (2) a determinação da presença ou ausência na água de bactérias do grupo coliforme (HARDENBERGH, 1964).

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3.12.2.1 Contagem do número total de bactérias A determinação numérica das bactérias na água, consiste em diluir a amostra colocando 1 mililitro da mesma em 9 ou 99 mililitros de água (não destilada) esterilizada, a diluição dependendo do número provável de bactérias na amostra. Então, 1 mililitro da diluição bem misturada e 10 mililitros do meio de cultura, que é usualmente ágar ou gelatina, são colocados numa placa de Petri, deixando o meio solidificar. As placas inoculadas são colocadas na estufa. O período de incubação é de 24 ou 48 horas (BABITT, 1976). A contagem padrão de bactérias é utilizada para estimar a população de bactérias heterotróficas aeróbicas e anaeróbicas facultativas, presentes na água, quem tem a capacidade de se desenvolver nas condições de nutrição, temperatura e tempo de incubação definidos para o teste (CETESB, 1984). Um número elevado de bactérias não é obrigatoriamente indicativo de poluição, variações bruscas nos resultados dos exames podem ser interpretadas como poluição, águas pouco poluídas geralmente apresentam resultados expressos por números baixos (RICHTER e NETTO, 1991). 3.12.2.2 Coliformes Totais e Termotolerantes O grupo coliforme inclui todos os bacilos aeróbios ou anaeróbios facultativos, que fermentam a lactose com formação de gás; não formam esporos e são Gram-negativos, isto é, não corados pelo corante de Gram (HARDENBERGH, 1964). As bactérias do grupo coliforme são consideradas os principais indicadores de contaminação fecal. O grupo coliforme é formado por um número de bactérias que inclui os gêneros Klebsiella, Escherichia, Serratia, Erwenia e Enterobactéria. Todas as bactérias coliformes são gran-negativas manchadas, de hastes não esporuladas que estão associadas com as fezes de animais de sangue quente e com o solo (BABITT, 1976; CESTEB,2008). As bactérias coliformes termotolerantes reproduzem-se ativamente a 44,5ºC e são capazes de fermentar o açúcar. O uso das bactérias coliformes termotolerantes para indicar poluição sanitária mostra-se mais significativo que o uso da bactéria coliforme "total", porque as bactérias fecais estão restritas ao trato intestinal de animais de sangue quente (CESTEB, 2008)

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A determinação da concentração dos coliformes assume importância como parâmetro indicador da possibilidade da existência de microorganismos patogênicos, responsáveis pela transmissão de doenças de veiculação hídrica, tais como febre tifóide, febre paratifóide, desinteria bacilar e cólera (CESTEB, 2008). A técnica comumente utilizada para exame bacteriológico da água e dos esgotos com a finalidade de detectar bactérias do grupo coliforme é a dos Tubos Múltiplos (CETESB, 1984). 3.12.2.2.1 Ensaio Presuntivo para o Grupo Coliforme. O ensaio presuntivo para a presença do grupo coliforme na água consiste em incubar, durante 24 ou 48 horas, a 37° C, uma quantidade determinada de uma amostra diluída da água era um tubo de fermentação padrão, contendo caldo lactosado. Se houver produção de gás em 24 horas, considera-se o ensaio como presuntivo positivo. Em trabalho de campo ou em casos de emergência ou catástrofe, um ensaio presuntivo positivo é usualmente considerado suficiente para condenar a água (HARDENBERGH, 1964). 3.12.2.2.2 Ensaio Confirmativo para o Grupo Coliforme O ensaio confirmativo para a presença do grupo coliforme total na água consiste em incubar, durante 24 ou 48 horas, a 37° C, uma quantidade determinada de uma amostra que deu ensaio presuntivo positivo para um tubo de fermentação padrão, contendo caldo Bile Verde Brilhante. Se houver produção de gás em 24 horas, considera-se o ensaio como confirmativo positivo para coliformes totais. O ensaio confirmativo para a presença do grupo coliforme Escherichia, coli. na água consiste em incubar, durante 24 ou 48 horas, a 37° C, uma quantidade determinada de uma amostra que deu ensaio presuntivo positivo para um tubo de fermentação padrão, contendo caldo E. C. Se houver produção de gás em 24 horas, considera-se o ensaio como confirmativo positivo para Escherichia, coli. 3.12.2.3 Cryptosporidium sp e Giardia sp As doenças parasitárias representam uma parcela significante de casos de morbidade e mortalidade e, a Giardia lamblia e Cryptosporidium parvum estão entre os protozoários capazes de causar diarréias graves tanto em indivíduos imunocompetentes quanto imunodeficientes. A partir da década de 80, a preocupação com estes protozoários 43

aumentou principalmente em relação aos casos de criptosporidiose. Dentre os vários modos de transmissão destas duas protozooses, a veiculação hídrica tem sido considerada a mais importante, sendo implicada na ocorrência de mais de cem surtos de gastroenterite por Giardia e Cryptosporidium, de acordo com relatos nos Estados Unidos, Canadá e países da Europa nos últimos 25 anos (CESTEB, 2008). Nos Estados Unidos, o "Federal Register" estabelece para essas águas um limite máximo de 10 cistos por litro de água bruta. Os coliformes termotolerantes podem não ser bons indicadores da presença destes protozoários. Outro importante aspecto que justifica a avaliação dos protozoários em águas reside no fato de que estes não são eliminados pela ação do cloro (CESTEB, 2008).

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4.0 DESENVOLVIMENTO
4.1 Local do Estágio
Complexo de Estações de Tratamento de Água de Teresina (ETA – Teresina); Sediada à Rua D, S/N; Distrito Industrial.

Figura 02: Vista aéria do Complexo ETA – Teresina

4.2 Processos de Purificação de Água na ETA –Teresina
Devido à boa qualidade da água do manancial, O processo, figura 03, de tratamento da água realizado na ETA-Teresina e um tratamento convencional, no qual são empregados os processos: captação, coagulação, floculação, decantação, filtração, desinfecção, correção do pH, fluoretação, reservação, distribuição e controle de qualidade. As operações do processo de tratamento são executadas por operadores, sob a supervisão do engenheiro Benedito Bezerra de Alencar, responsável pela gerencia do complexo de estações de tratamento de água ETA – Teresina.

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A parte operacional do complexo funciona 24 (vinte e quatro horas) por dia, para isso os operadores trabalham em turnos ininterruptos de revezamento. As operações contam ainda com laboratório para análises de Turbidez, pH, Flúor e cloro, que são feitas em intervalos de 1 hora. Estas análises é que subsidiam as decisões dos operadores a respeito da tomadas de decisões para manter a eficiência do processo e a qualidade da água tratada. Os operadores também trocam informações com os outros laboratórios específicos, encarregados do controle de qualidade, com o intuito de manter a água tratada dentro dos padrões de potabilidade exigidos pelas legislações vigentes. Os operadores têm deveres e funções bem definidas a saber: Aumentar ou diminuir a dosagem das substâncias químicas que são adicionadas durante o tratamento; Aumentar ou diminuir a rotação das bombas; Abrir ou fechar comportas; Controlar os níveis dos reservatórios e lavar os decantadores e filtros.

CAPTAÇÃO Sulfato de alumínio COAGULAÇÃO

FLOCULAÇÃO

DECANTAÇÃO

FILTRAÇÃO DESINFECÇÃO FLUORETAÇÃO CORREÇÃO DO pH RESERVAÇÃO

DISTRIBUIÇÃO Figura 03: Fluxograma do Processo de Purificação de Água da ETA-Teresina.

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4.2.1 Manancial
O complexo de estações de tratamento de água de Teresina utiliza o rio Parnaíba como o manancial. Já o sistema de abastecimento de água da Santa Maria da Codipi e o do Residencial Deus Quer utilizam mananciais subterrâneos, sendo abastecidos por poços tubulares.

4.2.2 Captação e Adução
A Capitação se faz pelo canal de aproximação do Rio Parnaíba, figura 04, e a adução é feita com a utilização de duas bombas elevatórias de 2000 CV, figura 05, com vazão de 1300 L/s por segundo cada, que abastecem o canal de água bruta, figura 07.

Figura 04: Canal de aproximação do rio Parnaíba

Figura 05: Bombas elevatórias 47

Figura 06: Chegada da água bruta ao canal de água bruta

Figura 07: Canal de água bruta

4.2.3 Coagulação
A água bruta captada é conduzida às estações de tratamento através de um canal, figura 07. Antes da entrada da água nos floculadores é feita a leitura da medição da vazão e aplicação do coagulante, sulfato de alumínio, utilizando-se uma calha Parshall, figura 08, que faz uma distribuição uniforme. O sulfato de alumínio será o agente que promoverá a agregação do material coloidal e particulado presentes na água bruta. A reação entre Sulfato de alumínio e a alcalinidade da água é rápida, e ocorre em poucos segundos e tem função precípua resultante neutralizar as cargas das partículas coloidais e formar precipitados.

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Figura 08: Calha Parshall

4.2.4 Floculação
Depois da mistura rápida do sulfato de alumínio à água bruta, esta segue para as câmaras de floculação, figura 09. Os floculadores são dotados de mecanismos de agitação, conjunto de cortinas verticais formando compartimentos em série, para produzir agitação na água, com o objetivo de criar gradientes de velocidade que causem turbulência para provocar choques ou colisões, com isso, ocorrerá a aglomeração de partículas em suspensão na água, formando conjuntos maiores e mais densos e propensos à sedimentação. A água floculada escoa para os decantadores. As câmaras de floculação são lavadas periodicamente para a remoção das partículas que aderem em suas paredes.

Figura 09: Câmaras de floculação 49

4.2.5 Decantação
A água floculada abastece os tanques de decantação, figuras 10 e 11, com baixa velocidade. As partículas floculadas, sendo mais pesadas do que a água, tenderão a sedimentar-se no fundo dos decantadores pela ação da gravidade. A água decantada é coletada, por canaletas que abastecem o canal de água decantada, e escoada para os filtros. A temperatura da água influência na sedimentação através da viscosidade, que influencia na velocidade das partículas, assim as sedimentação é mais eficiente em águas de temperaturas mais e elevados, por estarem menos viscosas. Os Tanques de decantação, figuras 12, e canais de água decantada, figura 13, são lavados periodicamente para a remoção do material decantado. Com isso mantém-se a eficiência do processo.

Figura 10: Tanque de decantação da ETA I

Figura 11: Tanque de decantação da ETA I 50

Figura 12: Lavagem de um decantador da ETA I

Figura 13: Canal de água decantada

4.2.6 Filtração
A água decantada abastece os filtros, figura 14, que reterão impurezas que não foram removidas nos floculadores e decantadores. As impurezas ficam retidas no leito filtrante. O leito filtrante dos filtros da ETA – Teresina, é composto de 7 camadas sendo, duas de areia e cinco de seixo, com granulometria diferentes. A granulomentria da areia e do seixo 51

aumenta da camada superior para a camada inferior. A água passa por gravidade no meio filtrante e é recolhida num canal geral de água filtrada. Sempre que se observa que a capacidade filtrante está ficando baixa, procede-se a lavagem dos filtros, figura 15, para que se mantenha a eficiência da filtragem e do abastecimento. A lavagem é feita por retrolavagem, ou seja, é uma injeção de água no sentido contrário ao da filtração, Alem da água faz-se também uso de sopradores (jatos fortes de ar) para promover uma agitação no leito filtrante, para proteger o leito filtrante de arraste de seus materiais, existe uma tela metálica superior e outra inferior no leito filtrante.

Figura 14: Filtros da ETA I

Figura 15: Lavagem de filtro da ETA I 52

4.2.7 Desinfecção
Após a fase de filtração, a água que já está totalmente límpida segue a câmara de contato, figura 16, onde é feita a aplicação do cloro para a desinfecção, ou seja, a destruição de bactérias e outros microorganismos patogênicos que não tenham sido eliminados nos processos de tratamento anteriores. O cloro passa para o estado gasoso através dos evaporadores sendo dosado por cloradores de controle automático.

4.2.8 Correção do pH
O sulfato de alumínio adicionado para a coagulação tem influencia direta no pH da água, como o pH baixa, o caráter ácido da água aumenta, por isso tem-se a necessidade da correção do pH. A correção do pH é feita pela adição de Cal Hidratada na câmara de contato, figura 16. A cal age elevando o pH da água, tornando-a alcalina, para proteger as canalizações das redes das casas contra corrosão ou incrustações nas tubulações.

4.2.9 Fluoretação
A fluoretação, mesmo não sendo etapa obrigatória no tratamento da água tem função muito importante na saúde publica. O flúor tem comprovado sua eficiência na redução da incidência de cáries e preservação do esmalte dos dentes. A adição de flúor à água ocorre na câmara de contato, figura 16. Na ETATeresina utiliza-se o flúor silicato de sódio 50%.

Figura 16: Câmara de contato 53

4.2.10 Armazenamento
Terminado as etapas de tratamento, a água está pronta para o consumo, então esta é encaminha a para um poço de sucção no subsolo da estação. Do poço de sucção a água é recalcada, com o auxilio de duas bombas pelas estações elevatórias, figura 17, da ETA I e da ETA IV, para o reservatório principal do Parque Piauí com capacidade aproximada de 25 milhões de litros de água.

Figura 17: Estação elevatória

4.2.11 Distribuição
As bombas de recalque fazem o bombeamento da água tratada diretamente para o reservatório principal com capacidade de armazenar aproximadamente 25 milhões de litros de água aproximadamente. Do reservatório principal á água é então distribuída, por gravidade através das linhas adutoras, aos demais reservatórios espalhados pelos bairros da cidade.

4.3 Casa da Química
No setor operacional do complexo de estações de tratamento de água existe a casa da química, que é o local aonde são armazenadas as matéria primas e preparadas as tinas dos produtos utilizados no processo de tratamento da água. 54

4.3.1 Sulfato de alumínio
A AGESPISA utiliza com agente coagulante o sulfato de alumínio líquido, para a ETA I e ETA IV, e o sólido para a ETA III. O sulfato de alumínio sólido é armazenado na casa da química, onde se procede a dissolução pra o uso na ETA III. Já o sulfato de alumínio líquido chega à estação através de tubulações que interligam o distribuidor e o complexo ETA – Teresina. Para a estocagem do coagulante o complexo dispõe de seis tanques. A dosagem de sulfato é feita com auxilio de bomba, que envia o sulfato das tinas para o dosador no canal de água bruta.

4.3.2 Cloro
A desinfecção da água é feita com a utilização de cloro, sendo cloro granulado para a ETA III, e cloro gasoso para a ETA I e ETA IV. O cloro gasoso, figura 18, vem acondicionado sob pressão em cilindros de aço, e é armazenado em área aberta da casa da química. A dosagem de cloro acontece de maneira a manter o limite de cloro residual não ultrapassando os valores máximos permitidos pela legislação.

Figura 18: Cilindros de cloro.

4.3.3 Cal
A cal hidratada é utilizada para fazer a correção do pH. Pois, com a ação coagulante do sulfato de alumínio, o pH da água baixo, daí então a necessidade de correção. A cal é dissolvida, sendo transformada é um leite de cal, para só então ser dosada á água na câmara de contato.

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4.4 CONTROLE DE QUALIDADE
Para assegura a qualidade da água tratada do complexo ETA’s–Teresina a AESPISA, conta com controle de qualidade realizado pelos Laboratórios físico-químico e bacteriológico, que analisam amostras a água colhidas em todas as etapas do processo e em pontos da cidade, após a distribuição. O controle de qualidade também assegura se a água está de acordo com o recomendado pela Portaria 518/2004 do MS, que estabelece normas e padrões de potabilidade da água destinada ao abastecimento público. Os métodos de análise são baseados na edição do “Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater”. A coleta de amostras de água distribuída é feita diariamente em pontos da cidade, de acordo com um roteiro de coleta. Já as amostras de água das estações de tratamento são feitas em pontos específicos a cada 2 (duas) horas, denominadas de acordo o local de coleta: água bruta, no canal de água bruta; água decantada, nos canais de água decantada; e tratada final, em torneira de escoamento continuo do laboratório.

4.4.1 Coletas de amostras
4.4.1.1 Coletas das amostras para o laboratório físico-químico a) Nas estações de tratamento 1. Mergulhou-se o frasco de coleta diretamente no canal de água bruta; 2. Agitou-se o frasco e fez-se o descarte, para a eliminação de possíveis resíduos ou resquícios de amostras anteriores. 3. Mergulhou-se novamente o frasco no canal para a coleta da amostra para ser analisada. 4. Procedeu-se a identificação da amostra e anotou-se o horário, o local da coleta. 5. Os procedimentos anteriores foram repetidos para amostra de água decantada e tratada final. b) Em pontos da cidade 1. Abriu-se a torneira e deixou-se escoar á água por dois a três minutos, tempo suficiente para eliminar a água acumulada na canalização. 2. Procedeu-se a coleta em fracos, descartando a primeira amostra, para ambientação do recipiente de coleta. 3. Fez-se a identificação da amostra e anotou-se a hora e o local da coleta.

56

4.4.1.2 Coletas das amostras para o laboratório bacteriológico 1. Abriu-se a torneira e deixou-se escoar á água durante dois a três minutos, tempo suficiente para eliminar a água acumulada na canalização. 2. Fez-se a assepsia da torneira, primeiro com detergente e depois com álcool. 3. Fez-se a flambagem ao redor do fluxo de água no momento da coleta. 4. Remevou-se a tampa do frasco, previamente esterilizado e cuidadosamente, coletou-se 100mL da água, fechou-se e rotulou-se os frascos. 5. Colocou-se os frascos em uma caixa de isopor contendo gelo para conservar as amostras durante o transporte até o laboratório.

4.4.2 Análises Físico-Químicas
São feitas para conferir se o sistema o funcionamento e o rendimento do processo. Além de verificar se as variáveis físico-químicas estão dentro dos padrões de potabilidade estabelecidos pelas legislações vigentes. 4.4.2.1 Turbidez 1. Colocou-se a amostra na cubeta, limpou-se e secou-se a cubeta por fora. 2. Colocou-se a cubeta com a amostra dentro da câmara do turbidimetro e fez-se a leitura numérica do valor dado pelo equipamento. 4.4.2.2 Potencial Hidrogeniônico (pH) 1. Colocou-se a amostra num Becker de um pHmetro. 2. Fez-se a imersão do eletrodo do pHmetro na amostra e procedeu-se a leitura do valor numérico fornecido pelo equipamento. 3. Anotou-se o resultado. 4.4.2.3 Cor 1. Colocou-se 20 mL de água destilada na cubeta “A”, e levou-se para o colorimetro. 2. Colocou-se 20 mL da amostra na cubeta “B”, e levou-se à câmara do colorímetro. 3. Fez-se a comparação de cor com o disco do colorímetro até encontrar a equivalência entre as cores da cubetas “A” e “B” 4. Anotou-se a leitura.

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4.4.2.4 Cloro Residual 1. Colocou-se 10 mL de água destilada no tubo de ensaio “A”
2.

Colocou-se 10 mL da amostra no tubo de ensaio “B” e adicionou-se o gotas do ortotolidina. Colocou-se os dois tubos nas câmaras A e B, respectivamente do medidor de Cloro. dois tubos de ensaio.

3.

4. Fez-se a comparação de cor com o disco até encontrar a equivalência de cores entre os
5.

Anotou-se a leitura.

4.4.2.5 Alcalinidade 1. Adicionou-se 100 mL da amostra em um erlemeyer de 250 mL e adicionou-se 3 gotas de fenolftaleína e depois 3 gotas e metil orange. 2. Titulou-se com ácido sulfúrico (H2SO4) N/50 até formação de leve coloração avermelhada 3. Anotou-se o volume de titulante gasto e aplica-se na fórmula que expressa a Alcalinidade Total, em termos de CaCO3 em mg/L 4.4.2.6 Cloretos 1. Adicionou-se 100 mL da amostra em um erlemeyer de 250 mL e adicionou-se 7 gotas de cromato de potássio. 2. Titulou-se com nitrato de prata até formação da coloração vermelho tijolo. 3. Anotou-se o volume de titulante gasto, e fez-se o calculo da concentração de cloretos. 4.4.2.7 Dureza 1. Adicionou-se 50 mL da amostra em um erlemeyer de 50 mL e a adicionou-se 1 mL de solução tampão; 2. Adicionou-se alguns cristais de eriocromo e uma pitada de NaCN; 3. Titulou-se com solução de EDRA N/50 até a mudança de coloração de avermelhado para azul brilhante. 4. Anotou-se o volume gasto e fez-se o calculo para a obtenção da dureza em mg/L de CaCO3.

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4.4.2.8 Ferro Total 1. Adicionou-se 50 mL de água destilada em 4 elermeyers de 50 mL, para preparar os padrões, 0,0; 0,1; 0,3 e 0,5 ppm; 2. Adicionou-se à solução padrão de análise, os padrões de ferro, colocaram-se 0,0; 0,5; 1,5 e 2,5 mL respectivamente da solução padrão de ferro; 3. Adocionou-se 50 mL da amostra de água, a serem analisadas, em elermeyer de 50 mL; 4. Adicionou-se 5 mL da solução de ácido nítrico 6N em todos os elermeyers, aqueceu-se por 30 minutos na chapa a 300 °C e adicionou-se 3 gotas de KMnO4 0,02N e deixou-se esfriar; 5. Em seguida adicionou-se 10 mL de tiocionato de potássio 2%, em todos os elermeyers e fez-se a leitura imediatamente comparando a cor da amostra com os padrões e anotou-se os valores. 4.4.2.9 Flúor 1. Preparou-se os padrões 0,0; 0,4; 0,6 e 0,8 ppm de flúor. 2. Colocou-se 50 mL de água destilada num tubo de Nessler e o identificou com o valor 0,0 ppm. 3. Colocou-se 30 mL nos outros 4 tubos e acrecentou-se 4,0; 6,0 e 8,0 mL da solução padrão de flúor, aos tubos respectivamente, indetificou-os com 0,4; 0,6 e 0,8 ppm e comptetou-se o volume para 50 mL dos tubos. 4. Adicionou-se 50 mL da amostra em outro tubo de Nessler. 5. Acresentou-se 2,5 mL de zirconil e 2,5 mL de vermelho de alizarina a todos os tubos e homogeneizou-se. 6. Fez-se a leitura, depois de 1 hora comparando-se a coloração da amostra com os padrões preparados. 7. Anotou-se o resultado. 4.4.2.10 Alumínio 1. Preparou-se os padrões 0,0; 0,2; 0,4 e 0,6 ppm de alumínio. 2. Colocou-se 50 mL de água destilada em 5 tubos de Nessler e os identificou com o valor 0,0; 0,2; 0,4 e 0,6 ppm. 3. Acrecentou-se 0,0; 0,2; 0,4 e 0,6 mL da solução padrão de alumínio, aos tubos respectivamente. 59

4. Adicionou-se 50 mL da amostra em outro tubo de Nessler. 5. Adicionou-se 1,0 mL da solução de carbonato de amônia saturado e 1,0 mL da solução de hematoxilina a todos os tubos e homogeneizou-se. Deixou-se em repouso por 15 minutos. 6. Adicionou-se 1,0 mL de ácido acético 30% a cada tubo e fez-se a leitura após 5 minutos comparando-se a coloração das amostras com os padrões preparados. 7. Anotou-se os resultados. 4.4.2.11 Nitrato 1. 2. agitação. 3. 4. 5. Colocou-se os tubos na câmara de leitura do medidor de nitrato. Fez-se a comparação de cor com o disco até encontrar a equivalência de cores Anotou-se a leitura. Adiciona-se 2,0 mL da amostra em um tubo “A” e 2,0 mL de água destilado Adicionou-se um reagente, que vem pronto, ao tubo da amostra “A” e fez

em um tubo “B”.

entre os dois tubos.

4.4.2.12 Nitrito 1. 2. fez agitação. 3. 4. 5. Colocou-se os tubos na câmara de leitura do medidor de nitrito. Fez-se a comparação de cor com o disco até encontrar a equivalência de Anotou-se a leitura. Adiciona-se 2,0 mL da amostra em um tubo “A” e 2,0 mL de água Adicionou-se um reagente, que vem pronto, ao tubo da amostra “A” e

destilado em um tubo “B”.

cores entre os dois tubos.

4.4.3 Análises Microbiológicas
São realizadas, no laboratório bacteriológico, analises para avaliar as condições sanitárias da água, tendo como parâmetro pesquisa de bactérias heterotróficas e bactéria do grupo coliforme. Os métodos utilizados para identificação e quantificação de coliformes são: técnica dos tubos múltiplos, contagem padrão de bactérias e Colilert®. 60

4.4.3.1 Contagem padrão de bactérias 1. Aqueceu-se um tubo de ensaio contendo ágar nutriente, meio de cultura, para a liquefação. 2. Agitou-se o frasco com a amostra e pipetou-se 1,0 mL e adicionou-se a uma placa de Petri, flambando-a. 3. Adiciono-se à placa de Petri 1,0 mL de ágar nutriente, e fez-se movimentos em círculos para homogeneizar e espalhar bem. 4. Esperou-se 15 minutos, tempo de solidificação do ágar nutriente. 5. Levou-se a placa para estufa incubadora com temperatura de 35,0 ºC. 6. Procedeu-se a leitura dos tubos com 24h depois da incubação para verificação de possível crescimento bacteriano. 4.4.3.2 Ensaio presuntivo para coliformes totais a) Técnica dos tubos múltiplos - TM 1. Agitiou-se a amostra, pipetou-se 10 mL da amostra e inoculo-se em um tubo de ensaio contento 10 mL de caldo glicosado, que é o meio de cultura. 2. Repetiu-se o procedimento anterior para mais 4 tubos contento 10 mL de caldo glicosado. 3. Incubadora os tubos em estufa com temperatura de 35,0ºC, 4. Procedeu-se a leitura dos tubos com 24h e 48h depois da incubação para verificação de possível fermentação. b) Técnica do Substrato Cromogênico Definido ONPG-MUG 1. Coleto-se 100 mL da amostra em frasco. 2. Adicionou-se todo o conteúdo do Substrato e fez-se agitação para a dissolução. 3. Fecho-se o frasco e fez-se a agitação levemente para dissolver completamente o reagente. 4. Incubou-se em estufa o frasco contendo a amostra e o substrato por 24 horas a 35 ºC. 5. Após a incubação, observou-se visualmente os frascos para a interpretação dos resultados. 4.4.3.3 Ensaio confirmativo para coliformes totais a) Técnica dos tubos múltiplos – TM 1. Pegou-se tubo do ensaio presuntivo com resultado positivo. 2. Aqueceu-se uma alça de platina até ficar incandescente imergiu-se no tubo positivo. 61

3. Retirou-se uma gotícula e inoculo-se em um tubo contento caldo B.V.B, 4. Repetiu-se o procedimento para mais 3,0 tubos contento caldo B.V.B. 5. Incubou-se os tubos em estufa a 35°C, por 24 e 48 horas. 6. Após a incubação, observou-se visualmente os frascos para a interpretação dos resultados. b) Técnica do Substrato Cromogênico Definido ONPG-MUG 1. Coleto-se 100 mL da amostra em frasco. 2. Adicionou-se todo o conteúdo do Substrato e fez-se agitação para a dissolução. 3. Fecho-se o frasco e fez-se a agitação levemente para dissolver completamente o reagente. 4. Incubou-se em estufa o frasco contendo a amostra e o substrato por 24 horas a 35 ºC 5. Após a incubação, observou-se visualmente os frascos para a interpretação dos resultados. 4.4.3.4 Ensaio confirmativo para coliformes termotolerantes b) Técnica dos tubos múltiplos – TM 1. Pegou-se tubo do ensaio presuntivo com resultado positivo. 2. Aqueceu-se uma alça de platina até ficar incandescente imergiu-se no tubo positivo. 3. Retirou-se uma gotícula e inoculo-se em um tubo contento caldo E.C. 4. Repetiu-se o procedimento para mais 3,0 tubos contento caldo E.C. 5. Incubou-se os tubos em estufa a 44,5°C, por 24 horas. 6. Após a incubação, observou-se visualmente os frascos para a interpretação dos resultados. b) Técnica do Substrato Cromogênico Definido ONPG-MUG 1. Coletou-se 100 mL da amostra em frasco. 2. Agitou-se o frasco com a amostra para a homogeneização, adicionou-se todo o conteúdo do Substrato e fez-se agitação para a dissolução. 3. Fechou-se o frasco e fez-se a agitação levemente para dissolver completamente o reagente. 4. Incubou-se em estufa o frasco contendo a amostra com o substrato por 24 horas a 35 ºC 5. Após a incubação, observou-se visualmente os frascos para a interpretação dos resultados.

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5.0 RESULTADOS E DISCUSSÃO
O tratamento de água consiste em melhorar suas características organolépticas, físicas, químicas e bacteriológicas, a fim de que se torne adequada ao consumo humano. As águas de superfície são as que mais necessitam de tratamento, porque se apresentam com qualidades físicas e bacteriológicas impróprias. Para este trabalho foi utilizado apenas resultados de uma análise diária do laboratório físico-químico e do laboratório bacteriológico. Vale ressaltar que as análises do laboratório físico-químico ocorrem a cada 2 horas para as amostras das estações de tratamento e diária para a água distribuída. Já o laboratório bacteriológico faz duas análises diárias das amostras de água das estações de tratamento e uma análise diária da água distribuída. A coleta de amostras de água para as análises no laboratório físico-químico, não requere cuidados específicos relacionados ao tipo de frasco ou procedimentos de esterilização de recipientes ou torneiras. Bastando encher o recipiente e descartar e descartar a primeira, para a ambientação da amostra e a retirada de possíveis requisitos de amostra anteriores. Pode-se constatar pelas análises demonstradas na tabela 04 que a água do manancial escolhido para ao abastecimento de Teresina tem baixo teor de poluição, provalvemente pelo fato de ser muito pequeno os despejos poluentes antes do ponto de capitação da água para ao tratamento. A qualidade da água bruta é que determina o processo de purificação. Assim, como dispomos de água bruta consideravelmente de boa qualidade, o tratamento convencional com floculação, decantação filtração correção de pH e cloração se faz suficiente para que se tenha uma água tratada de boa qualidade. A turbidez é o indicador da presença de material em suspensão. Nas ETAS faz-se a medição de turbidez das águas bruta, decantada, filtrada e final. Avalia-se a eficiência da remoção do material em suspensão, comparando-se a turbidez da água bruta com a decantada e com a filtrada O pH representa a concentração de íons hidrogênio em uma solução. É fator primordial nos processos de coagulação, desinfecção e abrandamento das águas, no controle da corrosão e no tratamento dos esgotos e despejos industriais. A desinfecção das águas se processa melhor em pH ácido do que em pH alcalino. A cor são substâncias dissolvidas de origem mineral e orgânica nas águas que acarretam maior ou menor intensidade da cor, dependendo da concentração dessas substâncias. 63

Amostra de água Bruta D IV D III DI TF Distribuída VPM

Turbidez (UNT)

pH

Cor mgPt/L

Alcalinidade
CaCO3(mg/L)

Cloreto s (mg/L)

Dureza mg/L

Ferro mg/L

Alumínio (mg/L)

Cloro mg/L

50,0 6,4 7,5 7,4 2,9 3,5 5,0

7,5 6,9 7,0 6,8 7,2 7,3 6,0 a

100 15,0 15,0 15,0 5,0 7,0 15,0

15,0 12,0 11,0 10,0 12,0 13,0 14,0

10,0 12,0 12,0 12,0 13,0 14,0 250,0

26,0 33,0 33,0 33,0 35,0 36,0 500,0

0,3 0,2 0,2 0,2 0,0 0,0 0,3

0,20 0,20 0,15 0,05 0,05 0,2

1,5 0,2 a 5,0

9,5 Tabela 04: Resultados das análises Físico-Químicas Legenda: Bruta: água sem tratamento; D IV: Decantada ETA IV; D III: Decantada ETA III; D I: Decantada
ETA I; TF: Tratada final; Distribuída: Coletada em um ponto da cidade; VPM: Valores máximos permitidos pela portaria 518/2004 do Ministério da Saúde.

A alcalinidade de uma água tem grande importância, pois se relaciona com o processo de coagulação que é uma das etapas do tratamento convencional de água, e , com a prevenção de incrustações e da corrosão de canalizações de ferro fundido. Um excesso de cloretos é usualmente um sinal de perigo, além de ser indesejável para algumas finalidades industriais e pode aumentar a corrosividade da água. O ferro é objetável num abastecimento público de água porque mancha as peças de louça sanitária, roupas e tecidos na lavagem, podendo causar gostos e odores, e oferece dificuldades nos processos de manufatura. A presença do ferro na água normalmente não tem significação sanitária. O ferro aparece principalmente em águas subterrâneas devido à dissolução do minério pelo gás carbônico da água. O alumínio deve apresentar maiores concentrações em profundidade, onde o pH é menor e pode ocorrer anaerobiose. Se a estratificação, e conseqüente anaerobiose, não for muito forte, o teor de alumínio diminui no corpo de água como um todo, à medida que se distancia a estação das chuvas. O aumento da concentração de alumínio está associado com o período de chuvas, por que neste a turbidez está mais alta, assim uso de sulfafto de alumínio para a coagulação da água é aumentado. O cloro é o desinfetante químico mais comumente usado na desinfecção da água para consumo humano. A quantidade de cloro na água como Cl2 é denominada de cloro residual livre e é de extrema importância na inibição do crescimento bacteriano. 64

A água distribuída pela AGESPISA em Teresina apresenta características físicoquímicas dentro dos padrões de potabilidade exigidos pela Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde, evidenciando que o tratamento adotado é eficaz. A coleta de amostras de água para serem analisadas no laboratório bacteriológico, requer cuidados específicos de higienização e esterilização, Para a coleta de amostra em canais da estação de tratamento, procede-se a esterilização e a flambagem do frasco durante a coleta. Já para a coleta de amostras de água distribuída, faz-se a limpeza e assepsia tanto dos fracos quanto das torneiras das quais se faz a coleta. Amostras Contagem padrão de bactérias heterotróficas Ensaio presuntivo Tubos Múltiplos Ensaio confirmativo Coli total Tubos Múltiplos Ensaio confir Coliforme termotolerantes Tubos Múltiplos Ensaio presuntivo Coliforme total Colilert® Ensaio presuntivo E. Coli Colilert® 1 P P A A A A 2 A A A A A A 3 A A A A A A 4 A A A A A A 5 A A A A A A VR A A A A A

Tabela 05: Resultados das análises do laboratório bacteriológico.
Legenda: P: Presença; A: ausência; VR: Valor de referencia segundo a portaria 518 MS.

A detecção e quantificação de todos os microorganismos patogênicos potencialmente presentes na água é trabalhoso e nem sempre se obtém resultados positivos ou que confirmem a presença do microorganismo. O objetivo do exame microbiológico da água é fornecer subsidio a respeito da sua portabilidade, ou seja, ausência de risco de ingestão de microorganismos causadores de doenças. Vale ressaltar que os microorganismos presentes nas águas naturais são, em sua maioria, inofensivos à saúde humana. Os microorganismos patogênicos incluem vírus, bactérias, protozoários e helmintos. Como indicadores de contaminação fecal, são eleitas como bactérias de referência as do grupo coliforme, por reunirem as seguintes características. As bactérias do grupo coliforme são consideradas os principais indicadores de contaminação fecal. O grupo coliforme é formado por um número de bactérias que inclui os generos Klebsiella, Escherichia, Serratia, Erwenia e Enterobactéria. Todas as bactérias coliformes são gran-negativas manchadas, de hastes não esporuladas que estão associadas com as fezes de animais de sangue quente e com o solo.

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As bactérias coliformes termotolerantes reproduzem-se ativamente a 44,5ºC e são capazes de fermentar o açúcar. O uso das bactérias coliformes termotolerantes para indicar poluição sanitária mostra-se mais significativo que o uso da bactéria coliforme "total", porque as bactérias fecais estão restritas ao trato intestinal de animais de sangue quente. A determinação da concentração dos coliformes assume importância como parâmetro indicador da possibilidade da existência de microorganismos patogênicos, responsáveis pela transmissão de doenças de veiculação hídrica, tais como febre tifóide, febre paratifóide, desinteria bacilar e cólera. Pode-se observar que a qualidade sanitária da água distribuída pela AGESPISA atende aos padrões de potabilidade exigidos pela legislação vigente, a Portaria 518 do Ministério da Saúde. Determina como parâmetro de qualidade bacteriológico a ausência de coliformes totais e coliformes termotolerantes. O resultado deu positivo para bactérias heterotróficas, mas isso não evidencia contaminação fecal, pois estas não são consideradas bactérias patogênicas.

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6.0 CONCLUSÃO
A água é o elemento fundamental à vida, e a qualidade da água está relacionada com um conjunto das características físicas, químicas, biológicas e o propósito do uso. Sendo assim é de suma importância que o cidadão tenha consciência da necessidade de avaliação da água por ele consumida. O tratamento da água tem por objetivo sua adequação a determinado uso. A água a ser utilizada para o abastecimento público deve ter sua qualidade ajustada de forma prevenir a veiculação de doenças e deve também atender os padrões de potabilidade exigidos pela legislação vigente. O resultado das análises físico-químicas e bacteriológicas de uma água é que determinarão a necessidade ou não de submeter essa água a processos corretivos, a fim de garantir a boa qualidade da água e a segurança no abastecimento. Um sistema de tratamento de água de abastecimento deverá produzir uma água sem cor, turvação, cheiros, com um pH e teores de cálcio, alcalinidade e flúor aceitáveis e apropriados ao organismo humano. Além disso, desinfectada, de modo a eliminar a poluição microbiológica. Assim teremos uma água de qualidade aceitável e apropriada para consumo humano, bem como evitar riscos para a saúde pública. A água que não contém microrganismos patogênicos nem substâncias químicas nocivas para a saúde é denominada de potável. Os aspectos mais importantes no que se refere ao fornecimento de água potável são a ausência de microrganismos patogênicos e a de produtos químicos nocivos ou desagradáveis. A distribuída pela AGESPISA em Teresina tem baixo teor de poluição e apresenta características físico-químicas e bacteriológicas dentro dos padrões de potabilidade exigidos pela Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde, o tratamento convencional com floculação, decantação filtração correção de pH e cloração se faz suficiente para que se tenha uma água tratada de boa qualidade. Não resta duvida, que o estágio na AGESPISA, ampliou de maneira muito significativa meus conhecimentos teórico-experimentais adquiridos durante o curso de Química. Sendo a participação nas análises e nas etapas do processo de purificação de água o elemento determinante.

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7.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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ANEXOS

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