EDUARDO TAKAHASHI

A INFLUÊNCIA DAS REDES SOCIAIS NA SALA DE AULA E NA ESCRITA

APUCARANA 2013

EDUARDO TAKAHASHI

A INFLUÊNCIA DAS REDES SOCIAIS NA SALA DE AULA E NA ESCRITA

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Departamento de Letras Português/Inglês e Português/Espanhol da Faculdade Apucarana Cidade Educação, como requisito parcial à obtenção do título de Licenciado em Letras Português/Espanhol. Orientadora: Prof.ª Aparecida Cristina Oliveira

APUCARANA 2013

Dedico este trabalho a minha esposa companheira de todas as horas e a todos os

professores que me orientaram durante o período acadêmico.

AGRADECIMENTOS

A minha esposa por sua paciência e dedicação.

A minha orientadora professora Aparecida Cristina de Oliveira, por toda sua dedicação e atenção que tornaram possível a conclusão desta monografia.

Ao professor Neemias Dornelo pelas aulas de monografia.

Aos professores que conheci durante todo o curso e que foram tão importantes na minha vida acadêmica e no desenvolvimento desta monografia.

A Faculdade Apucarana Cidade Educação, pela oportunidade de realizar o curso.

Aos diretores e coordenadores da FACED que se empenharam para o reconhecimento dos cursos.

Os professores ideais são os que se fazem de pontes, que convidam os alunos a atravessarem, e depois, tendo facilitado a travessia, desmoronam-se com prazer, encorajando-os a criarem suas próprias pontes. Nikos Kazantzakis

TAKAHASHI, Eduardo. A influência das redes sociais na sala de aula e na escrita. 2013. 58 pag. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura Plena Do Curso de Letras Portugues/Espanhol) – Faculdade Apucarana Cidade Educação, Apucarana, 2013.

RESUMO

A presente monografia foi pautada em pesquisas bibliográficas e tenta mostrar a influência que os gêneros digitais têm sobre o aprendizado do aluno em sala através das comunidades chamadas redes sociais existentes na atualidade, reconhecendo os benefícios e os malefícios que elas trazem influenciando no aprendizado dos alunos identificando-as como gêneros textuais oriundos da evolução de outros e esclarecer se a linguagem virtual (internetês) tem modificado a escrita dos jovens no textos escolares. O trabalho mostra a importância do seu uso na área educacional mostrando casos reais de professores que tem obtido bons resultados com o uso das redes sociais como ferramentas de auxílio nas suas aulas, mostrando também como que cada escola sendo ela particular ou pública trabalha com o uso das tecnologias no cotidiano escolar, também são contextualizadas as dificuldades em se inseri-las nas salas mostrando problemas que contribuem para seu fracasso. Palavras chave: Redes Sociais. Internetês. Capacitação. Gêneros Textuais. Tecnologia.

TAKAHASHI, Eduardo. La influencia de las redes sociales en la aula y en la escritura. 2013. 58 pag. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura Plena Do Curso de Letras Portugues/Espanhol) – Faculdade Apucarana Cidade Educação, Apucarana, 2013.

RESUMEN

La presente monografia fue basada en la literatura de investigación y trata de mostrar la influencia que los géneros digitales tienen sobre el aprendizaje del estudiante en el aula a través de las comunidades llamadas de redes sociales existentes en la actualidad, el reconocimiento de los beneficios y los perjuicios que ellas traen influenciando en el aprendizaje del estudiante mediante la identificación de ellos como géneros textuales viniendo de la evolución de otros y aclarar si el lenguaje virtual (internetês) ha modificado la redacción de los jóvenes en los textos escolares. El trabajo muestra la importancia de su uso en el ámbito educativo que muestra casos reales de maestros que han obtenido buenos resultados con el uso de las redes sociales como herramientas para ayudar en sus clases, también muestra cómo cada escuela sea ella pública o privada trabaja com el uso de las tecnologías en la vida escolar cotidiana, también se contextualizan las dificultades para su inserción en los salones que muestran los problemas que contribuyen a su fracaso.

Palabras clave: Redes Sociales. Internetês. Capacitación. Géneros Textuales. Tecnología.

LISTA DE ILUSTRAÇÕES Ilustração 1 – Exemplos emoticons ou smiley..................................................... Ilustração 2 – Amostra dos textos escolar e virtual do Informante 3 (A3)........... Ilustração 3 – Amostra dos textos escolar e virtual do Informante 7 (A7)...........

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LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Comparativo entre a forma escrita em texto virtual (Fotolog) e em texto escolar..................................................................................... Tabela 2 – Comparativo entre a forma escrita em bate-papo pelo MSN e em redações feitas em sala pelos mesmos alunos................................ 29 27

SUMÁRIO

1.

INTRODUÇÃO.......................................................................................... 12

2.

HISTÓRIA DAS REDES SOCIAIS...........................................................

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2.1

ANOS 90: O INÍCIO....................................................................................... 15

2.2

SÉCULO XXI: A EVOLUÇÃO........................................................................... 16

3.

INTERNETÊS...........................................................................................

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4.

O INTERNETÊS E SUA PRESENÇA NA SOCIEDADE ATUAL.............. 22

5.

A INFLUÊNCIA DO INTERNETÊS NA PRODUÇÃO ESCOLAR............. 25

6.

GÊNEROS TEXTUAIS.............................................................................

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7.

AS REDES SOCIAIS E SUA PRESENÇA DA EDUCAÇÃO....................

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8.

REDES SOCIAIS: RELATOS DE EXPERIÊNCIAS NA EDUCAÇÃO......

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9.

METODOLOGIAS PARA O USO DAS REDES SOCIAIS EM SALA.......

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10.

CONCLUSÃO..........................................................................................

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REFERÊNCIAS BILIOGRÁFICAS..........................................................

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BIBLIOGRAFIAS CONSULTADAS.........................................................

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1. INTRODUÇÃO

O parâmetro atual vivido pelas crianças e adolescentes em pleno século XXI difere muito de outros períodos onde o contato e o calor humano eram sentidos e experimentados a todo instante, brincadeiras como pega-pega, amarelinha, pular corda, pescaria e quem diria, o jogo de betis com os amigos e vizinhos, o jogo de fliperama no bar da esquina, o ato de um menino ao arriscar uma conversa com uma menina sem mesmo conhecê-la, o coração batendo mais acelerado ocasionado pela aventura, pelo medo, pela emoção, pelo primeiro beijo que conseguiria dela, resultado de seu sucesso na abordagem, jogar vídeo game na casa de um amigo, o futebol de domingo da rapaziada, ou então a reunião das garotas na casa de uma das colegas para discutir tudo que aconteceu no decorrer da semana. São coisas que fazem parte da capacidade do ser humano de se socializar, mas que deixaram de ter tanta importância na vida desses jovens. Quem afirmaria que grande parte dessas e outras em um futuro e não tão distante poderiam ser feitas por eles no conforto dos seus lares e sem se deslocarem para as outras casas. Atualmente, pode se jogar com os amigos sem ter que sair de casa os jogos online como “Dungeons and Dragons”, “Tribal Wars”, “Final Fantasy XI”, entre outros, há ainda a possibilidade de se conversar horas e horas sem estar frente a frente com os seus colegas, contar as novidades e tudo mais, mandar uma cartinha para a menina mais linda da sala sem ter que mandar entregar ou mesmo sem precisar escrever num pedaço de papel correndo o risco da professora pegar e ler para toda a sala. Essa é a realidade dessa nova geração que cada vez mais deixa de lado a vida real e concreta que é o contato físico para se socializar a longas distâncias, se comunicar quase que em tempo real e sem mesmo estar em contato com outras pessoas, mas o que provocou essa mudança tão repentina e estranha? Será que o indivíduo está deixando de ser “humano”? O fato é que a sociedade atual difere em muito daquela dos anos 40 a 60, por exemplo, onde tudo era mais lento, transporte, comunicação, notícias do Brasil e do mundo, acesso as tecnologias modernas existentes na época (telefone,

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televisão, rádio, carros, etc.), o contato físico era inevitável e necessário para a interação das pessoas. No período atual, com a globalização aliada a uma maior facilidade em se adquirir os produtos oferecidos pelas grandes empresas do ramo de tecnologia a preços acessíveis e com facilidades de pagamento, aproximou a população dos seus sonhos, levando às massas o mundo moderno e tecnológico, atualmente, existem carros, trens e aviões mais rápidos, ônibus modernos e também aparelhos que cada dia estão mais finos ou menores como é o caso do computador com suas várias categorias, micro, notebook, ultrabook, netbook, tablete ou o telefone que antes só ficava em casa, agora cabe no bolso, é o chamado aparelho celular, ultimamente trocado pelo smartphone, uma mistura de celular com computador e que se movem impulsionados pelo advento da conexão com internet em banda larga, GSM, e as novas tecnologias 3G e 4G, esta ainda em implantação no Brasil. Aos poucos tecnologias e hábitos tradicionais foram substituídos ou complementados por novos, como exemplo, o hábito de assistir televisão à noite para se ter acesso à informação, tinha um horário definido, se não o obedecesse teria que comprar um jornal ou revista para se manter inteirado dos acontecimentos, atualmente com o avanço da internet pode se ter aquela mesma informação a qualquer hora e em qualquer lugar sem ter que se preocupar com os horários. Na escola, o tradicional bilhetinho que corria de mão em mão foi trocado pelo celular que envia e recebe mensagens com a privacidade que o usuário necessita, a carta que seguia pelos correios, entregue pelo carteiro e que demorava dias para chegar ao destino agora chega em questão de minutos através do e-mail, do Facebook, etc. Tudo isso apresentado até o momento dá a impressão de que o mundo se tornou um lugar melhor e mais interessante, porém como ressalta Silva 1 (2012 apud Natali, 2012, p. 43), “todas essas inovações tecnológicas trazem benefícios e alguns prejuízos”, pois deixar de andar a pé ou de bicicleta para dirigir um possante automóvel faz com que o indivíduo deixe de praticar uma atividade física, tendo que dedicar mais tempo e dinheiro em uma academia, ele deixa de ler um bom livro para ficar na frente de um computador, atualmente é mais fácil e prazeroso teclar por horas do que realizar uma boa leitura.

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Luiz Antonio da Silva, professor de sociolinguística da USP.

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Para Campos (2007, p. 1) “O impacto das tecnologias na sociedade contemporânea gera uma duplicidade na qual, em muitos momentos, a técnica é considerada responsável por todos os males da sociedade e, contraditoriamente, como a solução dos seus problemas” mostrando concordância com o trabalho de Silva e afirmando ainda que qualquer pensamento ou ação que não faça parte do contexto tecnológico ficará sem sentido, fazendo com que atividades como exercícios, leitura, contato físico, afeto pessoal, entre outros fiquem em segundo plano. Seguindo essa linha de pensamento chega-se ao objetivo principal do presente trabalho, mostrar os benefícios e os malefícios que as mídias tecnológicas no ramo da comunicação têm sobre o aprendizado do aluno em sala, levando-se em conta a sua utilidade e também a sua influência no que se refere à escrita, uma vez que a problemática incutida nesse contexto fica por conta dos meios de comunicação presentes nessas tecnologias como ORKUT, MSN, FACEBOOK, SKYPE, TORPEDO, SMS, entre outros, que com sua linguagem própria modificam a escrita em prol de uma comunicação mais rápida. Deve-se ressaltar que neste trabalho não se mencionam os perigos da interação nas redes sociais no que se diz respeito aos casos de pedofilia, assédio, ameaças, bulling e outros, não se trata de negligenciar a importância dos temas, pois esses assuntos há muito vem sendo discutidos pela sociedade não só em nível nacional como internacional e aparecem cada vez mais na mídia, uma vez que esse tipo de comunicação abrange esferas além das paredes das instituições escolares, contudo o objetivo aqui é contextualizar a sua presença na educação dos jovens. Cada um desses meios de comunicação denominados comunidades formam a chamada “rede social” que segundo Spyer (2009, p. 25) define: “Rede social é gente, é interação, é troca social. É um grupo de pessoas, compreendido através de uma metáfora de estrutura, a estrutura de rede” havendo a possibilidade de interação com milhares de pessoas ao mesmo tempo não só do próprio país como de outros também.

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2. HISTÓRIA DAS REDES SOCIAIS2

O trajeto percorrido pelas redes sociais acompanha a Internet desde a sua idealização quando o Departamento de Defesa dos Estados Unidos resolveu criar uma rede de computadores que estabeleceriam contato online entre si com o objetivo de reunir tecnologia militar para superar a União Soviética que estava para lançar na orbita terrestre o satélite Sputinik em 1957. Em 1969 a Arpanet entrava em operação reunindo interativamente três universidade norte americanas: a

Universidade da Califórnia em Los Angeles, a Universidade da Califórnia em Santa Barbara e a Universidade de Utah, aumentando para 15 a partir de 1971, mas para expandir as redes foi criado em 1978 o protocolo TCP/IP3 (que está em uso até os dias atuais), somente em 1990 com a Arpanet já obsoleta, os militares começaram a ceder a tecnologia para a iniciativa privada sendo que a essa altura grande parte dos computadores do país já podiam entrar em rede e daquela época até a atualidade vários nomes surgiram, Netscape, Microsoft (Windows), Linux, Macintosh (antiga Apple de Steven Jobs com o Sistema O.S), Google, entre outros, que deram início ao que conhecemos da Internet e das redes sociais. As redes sociais representam mais de 62% do volume de tráfego de dados na web brasileira atualmente, mas apesar do século XXI ser conhecido como a explosão das redes sociais tudo começou a se definir ao final do século anterior onde a maioria da população brasileira nem sequer imaginava que algum dia haveria quase um computador em cada casa e a interação entre as pessoas pudesse acontecer de forma simultânea mesmo estando distante uns dos outros.

2.1. ANOS 90: O INÍCIO

ClassMates.com é considerada a primeira rede social, surgiu em 1995 fundada pelo norte-americano Randy Conrads, bacharel em engenharia industrial, possuía usuários nos Estados Unidos e Canadá e tinha como objetivo
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Fonte: site techtudo artigos e o livro “Galáxia da Internet: reflexões sobre a Internet, negócios e a sociedade”. . 3 O TCP/IP é um conjunto de protocolos de comunicação entre computadores em rede, se divide em camadas onde cada uma é responsável por um grupo de tarefas, que trabalham para uma camada superior, é um programa pesado, que exige que o equipamento tenha boa capacidade de memória, mas que possibilita a comunicação com um grande número de computadores.

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possibilitar o reencontro de amigos que estudaram juntos, conhecidos de infância, militares, era um serviço pago e que fez muito sucesso na época, tanto que continua online até os dias atuais. Contudo, o SixDegrees criado por Andrew Weinreich em 1997 retrata o primeiro modelo de rede social com estrutura semelhante às das outras redes mais atuais, com ela já era possível adicionar amigos, enviar mensagens privadas, ampliar conexões. Era o primeira rede social que permitia criar perfis e classificar os tipos de amigos em seis degraus diferentes (por isso se chamava Six Degrees), chegou a possuir mais de 1 milhão de usuários registrados, mas permaneceu até meados de 2001, ressurgiu recentemente, mas só admite usuários que já possuíam cadastro. O MSN4 surgiu em 1999 através da Microsoft, era uma rede simples e leve que enviava e recebia mensagens instantâneas, nele se podia criar uma lista, adicionar ou apagar contatos, definir status do usuário, era como uma conversa a distância através do teclado do computador, passou por várias modificações desde transferência de arquivos, bate-papos em viva-voz, busca fácil e exibição de mensagens por usuário, conversas em vídeo, podendo até ver canais de tv, assistir trailers de filmes, arquivos de vídeo do MSN junto com outros amigos simultaneamente.

2.2. SÉCULO XXI: A EVOLUÇÃO

A evolução das redes sociais veio com o Friendster, idealizado por Jonathan Abrans em 2002, introduziu o modelo atual de redes sociais e tinha como conceito básico o de formar amigos reais no mundo todo, chegou a possuir cerca de 3 milhões de utilizadores, mas devido a falta de espaço e recursos perdeu mercado para as concorrentes mais poderosas, contudo ainda possui muitos adeptos na Ásia que representa 90% do seu tráfego, principalmente no que se diz respeito aos jogos online. O My Space criado em 2003, semelhante ao Friendster trazia como inovação além dos recursos da outra, a possibilidade de se adicionar músicas, fotos e possuía um blog para a atualização do usuário, ao longo dos anos vem sendo

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Fonte: site tecmundo.com.br e techtudo artigos.

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reformulado com o intuito de atrair mais usuários, é o espaço preferido para os artistas em começo de carreira que querem divulgar seu trabalho. Neste mesmo ano surgia o LinkedIn, cujo objetivo não era somente de reunir amigos, mas também estabelecer contatos profissionais, é a única rede social feita para quem busca uma oportunidade de trabalho e por empregadores que procuram nos perfis dos usuários, candidatos em potencial para cargos em sua empresa, ele foca o perfil profissional do usuário, o tempo gasto nele é uma espécie de investimento e não simplesmente para passar as horas de folga. Em 2004, Orkut Büyükkökten, um engenheiro turco da Google , criou o Orkut que inicialmente tinha como principal público os Estados Unidos, mais tarde se tornou popular entre países emergentes como Brasil e Índia, possuía recursos como álbum de fotos para até 12 imagens e tinha como principal ingrediente comunidades com usuários que tinham assuntos em comum possibilitando a troca de ideias, sofreu várias reformulações como: aumento no espaço dos álbuns para mais imagens, bate-papo, etc. Contudo, sucumbiu com a chegada do Facebook, criado a princípio por Mark Zuckerberg e alguns amigos de faculdade, primeiramente limitado a apenas usuários da Universidade de Harvard, mas aos poucos foi se estendendo a outras universidades e institutos, e sendo liberado em 2006 para todos que tivessem mais de 13 anos, seu número de usuários chega a casa de um bilhão de adeptos, ele agrega além dos recursos das redes sociais anteriores, a possibilidade de compartilhamento de tudo, informação, notícias, fotos, jogos, aplicativos, entre outros, está sempre em constante atualização para cativar cada vez mais seus usuários. O Twiter criado em 2006, é uma rede social que funciona como um pequeno blog, onde o usuário pode seguir aquele de sua preferência, é o preferido entre emissoras de televisão, rádio, programas, artistas, blogueiros, pessoas que estão na mídia em geral e até mesmo políticos, onde o objetivo da maioria é divulgar trabalhos, notícias, opiniões, preferências, entre outros. Possui aproximadamente 400 milhões de usuários e o único inconveniente era o de números de caracteres, apenas 140, obrigando o usuário a utilizar mensagens curtas iguais ao SMS.

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O SMS5 é um método de comunicação simples muito utilizado em aparelhos celulares e smartphones, criado na década de 80 pelo engenheiro finlandês Matti Makkonen onde o objetivo era enviar mensagens mesmo se os aparelhos estivessem desligados ou fora da área de cobertura, funcionou pela primeira vez em 1992, tem um limite de escrita para 140 caracteres, pode-se mandar uma mesma mensagem para vários aparelhos, no Brasil foi apelidado de “torpedo”, popular entre os jovens por causa de seu baixo custo, pois dependendo da promoção da operadora se pode até enviar vários SMS em um mesmo dia só pagando por 1 minuto de ligação. O objetivo de se contextualizar todo esse caminho percorrido pelas redes sociais durante mais de uma década é demonstrar que em pouco tempo algo que começou pequeno e delimitado a um país ou esfera social se tornou mundial, sociedades inteiras de pessoas sejam elas homens, mulheres, adolescentes ou crianças fazem parte dessa comunidade virtual atualmente, dando ideia da amplitude alcançada por ela na vida das pessoas. Como citado anteriormente, o advento dessas tecnologias trazem tanto benefícios quanto malefícios para o ser humano, portanto as redes sociais trazem embutidas em si essas características também, porque se há uma comunicação instantânea e em tempo real por outro lado o ser humano sentiu a necessidade de se adaptar a língua para que se tornasse viável para uma comunicação mais rápida e que imitasse a oralidade, tornando o “bate-papo” divertido, interessante e ágil. Nestes anos todos de evolução, as redes sociais não se modernizaram apenas em estrutura e ferramentas, mas houve também a criação de uma nova linguagem, o chamado “internetês” que, preocupado com a rapidez na comunicação promoveu mudanças no modo de se escrever, fato que ultimamente vem despertando muita aflição entre pais e professores que se preocupam com a educação das crianças e dos jovens em geral sendo alvo de críticas nas instituições escolares haja vista alguns professores preocupados com a produtividade e a qualidade de suas aulas utilizam os gêneros digitais em suas no dia a dia.

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Fonte: mobilepronto.org

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3. INTERNETÊS

Com o avanço do mundo tecnológico e a melhoria no poder aquisitivo, equipamentos como computadores e modernos celulares (incluem-se os smartphones) se tornaram rotina na vida das pessoas assim como a sua participação na rede mundial de computadores (internet) onde são encontradas comunidades com indivíduos de várias nações e classes sociais que se comunicam diariamente de forma instantânea através de uma linguagem muito específica, o internetês, que segundo Komesu e Tenani (2009, p. 624) explica:
O internetês é conhecido como forma grafolinguística que se difundiu em textos como chats, blogs e demais redes sociais. Seria uma prática de escrita caracterizada pelo registro divergente da norma culta padrão [...] razão pela qual seus adeptos são tomados como “assassinos da língua portuguesa”, do ponto de vista dos avessos a essa prática de escrita. A prática de abreviação, o banimento da acentuação gráfica, o acréscimo ou a repetição de vogais, as modificações do registro gráfico padrão, com troca ou com omissão de letras, são alguns dos traços que podem ser observados na ortografia desse texto, os quais serão descritos e discutidos na próxima seção. É esse quadro que, apresentado ao não-iniciado, é quase sempre tomado como “simplificação da escrita”, com consequente “morte da língua”.

Sua escrita possui recursos que vão desde a troca de uma sílaba inteira por uma letra com som igual, acréscimo de letras em uma palavra para se dar ênfase na pronúncia, repetição de letras para demonstrar alguma ação ou comportamento até a supressão de letras de uma palavra. A saber: baun (bom), Kkkkk...kkk (gargalhada), blz (beleza), fds (final de semana), nela a ortografia tradicional da escrita do nosso português “brasileiro” perde um pouco da validad e dando a noção de que o “erro” é permitido. Ele é próprio do mundo virtual, onde as pessoas passam seus momentos de lazer trocando mensagens (teclando) de forma escrita, se distingue da escrita tradicional por pequenas mudanças no modo de escrever as palavras onde, na ânsia de se ter comunicação rápida que se assemelhe a uma comunicação oral se tenta passar essa oralidade para a escrita, uma vez que graficamente no português formal não se consegue expressar sentimentos como na vida real, por exemplo, pode se expressar uma gargalhada simplesmente escrevendo assim: “Kkkkkkk.... kkkkk”. Nesse sentido consegue se expressar uma ação ou sentimento com algumas letras ou sílabas, contudo, o internetês não se limita apenas a isso, é

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costume abreviar palavras com a supressão de letras como no pronome de tratamento “você” que no mundo virtual se escreve vc, ce ou c, ou mudanças radicais na escrita como em “não” no qual geralmente se usa naum, ñ ou num, ou o próprio pronome de tratamento “vocês” que se escreve voceis. Há também a

mistura de símbolos gráficos com palavras para demonstrar aborrecimento “#chatiado”, uso apenas de letras para dar ideia de surpresa “OMG (oh my god)”. Outro elemento muito comum também são os grafismos que demonstram sentimentos, estados ou ações: “:-) ou :) Sorriso”; “} {s Beijos”; “8-) “Virando os olhos”, eles são chamados “emoticons ou smiley”6 são bastante utilizados para demonstrar as mesmas coisas que os grafismos, são símbolos com diversas formas diferentes, principalmente as famosas carinhas redondas em geral de cor amarela, verde ou vermelha que imitam expressões faciais de um rosto humano. ILUSTRAÇÃO 1 Exemplos emoticons ou smiley

Fonte: http://www.bate-papo.com/emoticons.htm
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Forma de comunicação paralinguística, um emoticon, palavra derivada da junção dos seguintes termos em inglês: emotion (emoção) + icon (ícone).

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São variados os recursos utilizados no “internetês” e que tornam o dia a dia do internauta mais dinâmico, sendo que, o domínio sobre essas técnicas de escrita imputam em aceitação por determinada comunidade, o lado positivo se deve ao fato que a apropriação desses recursos mostra que a capacidade deles em apreender uma nova variedade linguística é notável tendo em vista que os jovens ultimamente tem sido taxados de desinteressados, entretanto, na realidade eles têm interesse em algo que é aceito pelo grupo ou comunidade, o que torna realmente necessário levar todo esse interesse e energia gastos na internet para a sala de aula.

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4. O INTERNETÊS E SUA PRESENÇA NA SOCIEDADE ATUAL

Não se tem conhecimento de quando, como e quem deu início a esse tipo de linguagem, a única certeza é de que se espalhou rapidamente pelas redes sociais afora sendo vista com estranheza pela sociedade que ainda se encontra regida pela dureza da língua portuguesa tradicional e pelas culturas dominantes, fato esse que lembra um pouco da época em que as HQs (popularmente conhecidas por gibis) ocupavam o lugar de vilão na aprendizagem das crianças e dos jovens em geral, pois os educadores achavam que a linguagem muito singela, com poucas palavras e o excesso de imagens presentes nas histórias em quadrinhos influenciava negativamente no desenvolvimento cognitivo dos alunos conforme afirma Silva et. al (2012, p. 28):
Durante um bom tempo, a escola e outros setores da sociedade não reconheciam as HQs como uma leitura válida. Alguns chegaram a combatêla sistematicamente por considerarem sua linguagem simples e concisa demais, além de estar apoiada na linguagem não verbal dos desenhos. A leitura em quadrinhos, assim, prejudicaria o desenvolvimento de capacidade de leitura e escrita da criança e do jovem em formação.

Atualmente, as tirinhas das HQs estão presentes na maioria dos livros didáticos, pois, não há comprovação dessa má influencia na educação, em contrário, sabe-se que elas ajudam a desenvolver a subjetividade dos educandos quando expostos a quadrinhos com ótima qualidade onde a leitura complexa dependerá do que o jovem será capaz de retirar daquilo que está vendo assim como Silva et. al (2012, p. 28-29) em letramentos no Ensino Médio (2012) argumentam:
Hoje já se sabe que muitos quadrinhos são de leitura extremamente complexa, pois exigem que o leitor recupere informações que não estão explícitas [...] Também já existe uma produção de quadrinhos de ficção com reconhecida qualidade literária. Ao mesmo tempo nunca ficou comprovado que ler gibis influencia negativamente o processo de formação do leitor, iniciante ou não.

Outro “inimigo” da educação brasileira é a televisão que devido à ausência dos pais durante o dia, pois necessitam trabalhar para ganhar o sustento da sua família entregam suas crianças para a mídia que trata de educa-los através de sua programação feita para cativar um público que anseia por atenção que em geral não tem das pessoas a quem ele mais confiava, os pequenos encontram a afetividade de um produto que dá diversão, algo que os adultos deveriam lhes dar,

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mas ainda não conseguiu a total aprovação dos educadores, como foi o caso das HQs. Na sociedade atual segundo Silva et. al (2012, p. 29) o computador com suas ferramentas até pouco tempo também eram tidos como os “inimigos” da educação por parte de alguns professores e pelos pais, pois as crianças e adolescentes passam horas teclando em vez de praticar atividades físicas, ler um livro ou mesmo estudar, aliado a isso, em nome da comunicação mais ágil e instantânea presente nas redes sociais os indivíduos tentam passar para a tela do computador a mesma fala informal da conversa real acabando por fazer mudanças na escrita, fato esse que para os educadores é motivo de preocupação, uma vez que em sala as crianças tendem a repetir a mesma escrita utilizada nas redes sociais em textos escolares. Concomitante a isso, há também o medo de extinção da língua portuguesa como a conhecemos hoje devido ao fato de que na história da língua portuguesa o uso ou não de determinadas palavras e termos, determinou o nascimento ou a morte de alguns verbetes da nossa língua, cita-se o caso de “vossa mercê” que virou “vosmecê” que atualmente é “você”, mas que os internautas alteraram para “vc” ou no plural “voceis”, ou então, o uso dos verbos em segunda pessoa na fala cotidiana (tú, vós) que são utilizados em apenas algumas regiões do país, fato comprovado por Reis e Luiz (2006, p. 06) afirmando que:
A forma de escrita dos internautas tem preocupado educadores e estudiosos da língua, no sentido de que a escrita estaria sendo deturpada/corrompida pelos integrantes de comunidades virtuais e a língua estaria sob ameaça, como consequência de tal prática discursiva.

Contudo, apesar das alterações que estão sendo feitas na escrita pelos usuários das redes sociais, esse indivíduo sabe separar o mundo real do virtual, pois a sua consciência o leva a decidir onde e quando utilizar certo tipo de linguagem que os identifica em sua comunidade virtual específica, uma vez que as esferas de utilizações de cada linguagem são distintas e representam o papel que o ser humano tem naquele determinado meio conforme afirma Reis e Luiz (2006, p. 07):
Nesses termos, consideramos que a geração net está reinventando a forma de escrita e, ao que tudo indica não há porque os linguistas e educadores terem preocupação quanto a isso. As pesquisas revelam que a escrita cifrada dos internautas não passa de uma certa diversão, de registro social

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de comunidades virtuais que estabelecem contato no ambiente de blogs ou fotologs, salas de bate-papo, Orkut etc., e se reúnem em torno de diferentes temas, para discussão online via digitação, utilizando formas de escrita que os identificam, sem que isto possa representar uma real ameaça à língua.

O “internetês” e as redes sociais são capazes de romper barreiras, igualar os seres que se encontram separados por questões etárias, sociais, políticas, etc. Há possibilidade de um jovem conversar com alguém mais velho, o patrão dialogar com os seus funcionários e porque não, alunos trocando argumentos, dúvidas e experiências com seus professores.

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5. A INFLUÊNCIA DO INTERNETÊS NA PRODUÇÃO ESCOLAR

Se a grande preocupação dos professores é a influência que o “internetês” exerce sobre os alunos, então por que as DCOE7 PARANÁ (2008, p. 69) dizem que é importante trabalhar com os gêneros digitais em sala, principalmente se há a desconfiança de que está havendo uma deturpação da língua portuguesa? A resposta embora tão antiga quanto à própria Internet valida toda e qualquer dúvida acerca da questão levantada, uma vez que, na Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) em seu artigo II diz que:
Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.

A democracia é a explicação mais justa para uma pergunta que se pauta em um ensino tradicional e altamente ditatorial, onde a linguagem normativa dominou a educação por anos e que até os tempos atuais resiste tentando manter a sua hegemonia, proporcionar aos alunos das instituições escolares, principalmente as públicas direito ao conhecimento que lhes proporcionem direito à cidadania, trabalho e uma vida digna, são as premissas básicas que a DCOE PARANÁ (2008, p. 38) afirmam ao dizer que:
É nos processos educativos, e notadamente nas aulas de Língua Materna, que o estudante brasileiro tem a oportunidade de aprimoramento de sua competência linguística, de forma a garantir uma inserção ativa e crítica na sociedade. É na escola que o aluno, e mais especificamente o da escola pública, deveria encontrar o espaço para as práticas de linguagem que lhe possibilitem interagir na sociedade, nas mais diferentes circunstâncias de uso da língua, em instâncias públicas e privadas. Nesse ambiente escolar, o estudante aprende a ter voz e fazer uso da palavra, numa sociedade democrática, mas plena de conflitos e tensões [...] dar acesso ao conhecimento, para que todos, especialmente os alunos das classes menos favorecidas, possam ter um projeto de futuro que vislumbre trabalho, cidadania e uma vida digna.

A verdade é que a língua escrita formal foi colocada por muitos anos em um patamar muito acima da oral dando a impressão de que uma se sobressaía sobre a outra, contudo, segundo Marcuschi (2007 apud Storto e Galembeck, 2009,
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DCOE (Diretriz Curricular Orientadora do Estado) em substituição à antiga nomenclatura DCE(Diretriz Curricular do Estado).

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p. 1590) “a língua falada e a escrita não são modalidades estanques, tão pouco uma se sobressai sobre a outra, pois ambas são formas por nós utilizadas para interagir nos mais diversificados contextos de comunicação”, o que se deve observar é que seus usuários devem saber que cada uma tem sua utilização de acordo com a situação em que estão inseridas. Uma pesquisa realizada por Reis e Luiz (2006, p. 2) buscava investigar até que ponto a escrita com “códigos cifrados ( Internetês)” estaria influenciando a produção de textos escolares de alunos da 7ª série com idade entre 12 e 14 anos de uma escola particular de Criciúma (SC) com o pressuposto de provar que eles sabem reconhecer as variantes da língua em seus ambientes específicos tanto no escolar como no ambiente virtual e se o internetês estaria influenciando a escrita escolar. Foram escolhidos oito alunos, sendo que um era do sexo masculino e sete do sexo feminino, a pesquisa consistia na escrita de textos em duas modalidades diferentes, um texto escolar argumentativo com um tema determinado pelo professor e outro um comentário de uma foto postada por eles em seus fotologs8. O resultado da pesquisa evidenciou que em apenas um dos textos (A3) analisado havia a presença da linguagem virtual, mas com uma ocorrência de um total de 27 palavras enquanto nos textos do fotolog a presença da grafia cifrada em todos com porcentagem na faixa de 4,1% a 56,2% das palavras. Fica então evidenciado que “nossos alunos reconhecem o ambiente discursivo de uma e de outra comunidade linguística, demonstrando cuidado no momento em que estão redigindo seus textos escolares, no sentido do não uso do internetês em atividades formais de língua portuguesa” (Reis e Luiz, 2006, p. 7). Contudo as autoras reconhecem que os dados apresentados não são suficientes para se definir a influência dessa linguagem nos textos escolares dos alunos, sendo assim, se faz necessário levantar dados em maior quantidade para se chegar a uma conclusão palpável e que sirva de parâmetro para futuras intervenções nas aulas de produção textual.

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Fotolog é uma espécie de diário fotográfico hospedado na Internet. Com ele você pode compartilhar fotos da galera, da escola, de suas viagens ou trabalho com qualquer pessoa no mundo que tenha acesso a Web. Fonte: duvidas.terra.com.br/duvidas/1019/o-que-e-um-fotolog.

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TABELA 1 A tabela abaixo mostra um comparativo entre a forma escrita em texto virtual (Fotolog) e em texto escolar. Texto virtual - FOTOLOG Amostra alunos A1 A2 A3 A4 A5 A6 A7 A8 Total de palavras 12 22 16 34 25 28 24 33 Número de palavras em ‘internetês’ 4 1 9 5 6 6 1 8 % Total de palavras 33 73 27 35 41 49 36 38 Texto escolar Número de palavras em ‘internetês’ 0 0 1 0 0 0 0 0 %

33,3 4,5 56,2 14,7 24,0 21,4 4,1 24,2

0 0 3,7 0 0 0 0 0

Fonte: Reis e Luiz (2006) Revista Educação em Rede v.1 n.1 nov. 2006

A amostra abaixo contém os textos de dois informantes (A3 e A7), um teve mais incidências do internetês e o outro menos na escrita virtual sendo que A3 foi o único que utilizou a linguagem virtual no texto escolar.

ILUSTRAÇÃO 2 Amostra dos textos escolar e virtual do Informante 3 (A3). TEXTO ESCOLAR Amizade é um termo essencial para a vida das pessoas, porque elas q não têm amigos com certeza não são felizes. Na verdade ter amigos é bom. Palavras em internetês: q Total de palavras: 27 Total de internetês: 1 Percentual de internetês: 3,7 % TEXTO VIRTUAL sei la9 andu meio tixt =* (... hahaha elis mi fizeru ri mto ogi né auhauhauaha Palavras em internetês: andu, tixt, hahaha, Elis, mi, fizeru, mto, ogi, auhauhauaha Total de palavras: 16 Total de internetês: 9 Percentual de internetês: 56,2 %
Fonte: Reis e Luiz (2006) Revista Educação em Rede v.1 n.1 nov. 2006

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ILUSTRAÇÃO 3 Amostra dos textos escolar e virtual do Informante 7 (A7) TEXTO ESCOLAR Ser amigo de alguém é muito importante, ajudá-los quando necessário, nos deixa felizes de saber que existem amigos de nos dão confiança. E também nada melhor do que ter aquela amiga ou amigo para te aconselhar. Palavras em internetês: 0 Total de palavras: 36 Total de internetês: 0 Percentual de internetês: 0% TEXTO VIRTUAL Beijos pra todo mundo e um especial pro meu amor (RAFINHA), que já estamos completando 2 anos.... Felicidades a nós, porque nós merecemos!!!! Huahauhua. . . Palavras em internetês: huahauhua Total de palavras: 24 Total de internetês: 1 Percentual de internetês: 4,1%
Fonte: Reis e Luiz (2006) Revista Educação em Rede v.1 n.1 nov. 2006

Outro estudo realizado por Reis e Schuelter (2008) tenta comprovar se a escrita escolar estaria sendo prejudicada com o advento da linguagem utilizada nos gêneros digitais envolvendo 15 redações escolares escolhidas aleatoriamente de um total de 270 em salas das salas de turmas de primeiras e segundas séries, esses textos poderiam ser de qualquer gênero textual com base em uma matéria vinculada na revista Veja, devendo ser entregue à professora de redação. Após isso, esses mesmos 15 alunos deveriam fornecer trechos de mensagens cotidianas provenientes da comunicação no ambiente virtual

(Messenger), com o objetivo de se constatar ou não a influência da escrita do “internetês” na escrita do aluno na escola. Conforme Reis e Schuelter (2008) puderam comprovar o resultado final da pesquisa comprovou que, na escrita escolar a influência da escrita digital foi quase nula, tendo maior relevância somente nos indivíduos A5 (3,2%), A9 (6,5%) e A12 (29,8%), este último apesar da grande incidência de uso da linguagem virtual se justifica segundo os autores porque o informante simulou textualmente uma conversa virtual com outro colega, uma vez que o gênero textual era de livre escolha do aluno, também foi detectado além do internetês um vocabulário típico de um grupo social, o juvenil, com termos como: “legal neh?”, “Tah ligado”, “na parada”, “os preço”, “das cerva”, etc., sendo assim concluiu-se que este tem conhecimento sobre

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o uso adequado das variantes linguísticas utilizadas em situações textuais específicas, contudo deve-se ressaltar que o grande erro dessa pesquisa foi a de deixar a escolha do gênero livre, pois o objetivo era constatar se o estudante tinha conhecimento da linguagem a ser utilizada em situações comunicativas específicas. Quanto ao texto virtual, eles utilizaram mais frequentemente a escrita das redes sociais com variações de textos entre 20% a 70%, mas apesar desses dados serem tranquilizadores os autores afirmam que: “Convém, no entanto, continuar acompanhando a utilização da escrita no ambiente virtual, pois não se pode afirmar com segurança, pelos dados apresentados, que o uso prolongado e contínuo de tal escrita não sofrerá influência mais acentuada na língua com o passar do tempo”, pois na época da pesquisa o fenômeno digital ainda era considerado como algo novo e havia necessidade de acompanhamento e mais estudos para verificar se estes dados se manteriam estáveis.

TABELA 2 A tabela abaixo mostra um comparativo entre a forma escrita em bate-papo pelo MSN e em redações feitas em sala pelos mesmos alunos. Texto virtual - FOTOLOG Texto escolar Amostra alunos A1 A2 A3 A4 A5 A6 A7 A8 A9 A10 A11 A12 A13 A14 Total de palavras 15 11 53 60 51 13 17 35 68 36 44 20 30 44 Número de palavras em ‘internetês’ 6 5 36 29 22 6 5 7 23 21 17 12 21 20 % 40,0 45,5 67,9 48,3 43,1 46,2 29,4 20,0 33,8 58,3 38,6 60,0 70,0 45,5 Total de palavras 80 81 98 133 157 132 101 188 137 144 98 84 180 122 Número de palavras em ‘internetês’ 0 0 0 0 5 0 0 0 9 0 0 25 0 0 % 0 0 0 0 3,2 0 0 0 6,5 0 0 29,8 0 0

Fonte: http://www.unigran.br/interletras/ed_anteriores/n6_n7/textos/internetes.pdf

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Seguindo essa mesma linha de estudo, Alves e Oliveira (2010) em “O ‘INTERNETÊS’ NA SALA DE AULA” citam uma pesquisa realizada em 2009 com 70 alunos de duas turmas do colégio Opet, uma instituição de ensino particular localizada na capital Curitiba no bairro do Bom Retiro, sendo que as turmas eram compostas por jovens de 7ª e 8ª série, oriundos da classe média, com pais possuem um alto nível de escolar. Com o mesmo objetivo de Reis e Luiz (2006) e Reis e Schuelter (2008), os alunos, além de responder a um questionário, também deveriam produzir um texto sobre o uso da Internet onde os temas seriam: “Os usos da Internet” para a 7ª série e “Internet e profissões” para a 8ª. Como resultado do questionário foi constatado que todos têm acesso à Internet (em casa, colégio, na casa de amigos e parentes, ou em lan houses), 67% navegam todos os dias sendo que, 51% ficam conectados mais de 3 horas. Dos 70 alunos 20% a utilizam para conversar, 19% para ver vídeos e o restante para acessar e-mails, baixar música e pesquisar. Dos programas mais utilizados o Youtube foi citado em 18% dos entrevistados, o MSN com 17%, o Orkut com 16% e ver e-mail, site do colégio, site de jornais e revistas, portais como Terra, Globo.com e UOL, Twitter e Facebook9 também foram mencionados, porém com menos frequência. Na última questão 96% responderam que se utilizam de recursos e emoticons para teclar na Internet, mostrando nesta primeira fase da pesquisa que, conversar com os amigos nas redes sociais é a atividade preferida dos jovens sendo que sua maioria se utiliza dos recursos do “internetês” para se comunicar. Na análise das redações foram constatadas que: na turma da 8ª série o “internetês” aparece em 6 dos 35 textos escritos apresentando as seguintes ocorrências: a abreviação net (internet); uso de reticências (...) no lugar do ponto final para finalizar o parágrafo; troca do fonema /e/ por /i/ nas palavras dependi (depende) e simplismente (simplesmente); a abreviação da preposição pra (para). Na turma da 7ª série a linguagem virtual apareceu em 9 das 35 redações com o uso de mais recursos como: ditongação da conjunção mas (mais); as variações click (clique) e clicko (clico); abreviações como net, vc (você), pc (computador) e a preposição pra (para); ausência da letra “u” no ditongo /ou/ em vo
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O Facebook foi somente liberado ao público em 2006 e o Twiter criado em 2006, daí a sua pouca preferência no ano de 2009, mas nos parâmetros atuais passaram o Orkut em número de usuários.

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(vou), acabo (acabou) e estoro (estouro); houve a troca do ponto final

na

finalização de frases, a reticências (...) e pelas carinhas (emoticons); a palavra nasalizada naum (não). Pela análise das redações apresentadas no trabalho de Alves e Oliveira (2010), se pôde perceber que o “internetês” interfere mais na 7ª serie, contudo o que mais se predomina são os desvios ortográficos (erros) de ortografia e gramática em relação a linguagem da Internet ou da oralidade na escrita dos pesquisados. Há de se reconhecer que apesar de serem poucas as pesquisas quantitativas acerca da influência da linguagem utilizada nos gêneros digitais no cotidiano escolar, o comparativo entre o estudo realizado por Reis e Schuelter (2005) e o do ano de 2009 que consta no trabalho de Alves e Oliveira (2010) não se consegue perceber um aumento significativo da influência do ‘internetês” nas produções escolares, por outro lado mesmo se chegando a essa conclusão não se permite chegar a uma verdade absoluta sobre o uso dessa variação da escrita na escrita do aluno. Não se trata de justificar a aceitação ou não acerca dessa linguagem, mas sim de compreendê-la enquanto texto, pois é um gênero novo que nasceu em uma esfera nova e moderna e que bem ou mal faz parte da vida da maioria da população não só do Brasil como do mundo inteiro, por isso, há necessidade de se situá-la nos conceitos pertinentes aos gêneros textuais, uma vez que segundo a DCOE PARANÁ (2008, p. 26) “o conhecimento que identifica uma ciência e uma disciplina escolar é histórico, não é estanque, nem está cristalizado, o que caracteriza a natureza dinâmica e processual de todo e qualquer currículo” sendo que, a língua materna desde o descobrimento do Brasil no ano de 1500 vem sofrendo alterações, portanto, alguns termos caíram em desuso e algumas palavras tiveram sua escrita alterada ou adaptada.

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6. GÊNEROS TEXTUAIS

Para se chegar ao conceito de gênero textual há de se esclarecer a distinção entre as “tipologias” e os “gêneros”, uma vez que a tipologia textual se refere a um texto de característica limitada, possui uma estrutura definida e cristalizada que segundo Marcuschi (2002, p.22) é “uma espécie de construção teórica definida pela natureza linguística de sua composição (aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas)”, sendo que, os tipos textuais em geral podem se classificar separadamente em: narrativos, argumentativos, expositivos, descritivos e injuntivos. Quando se fala em “gêneros textuais” pode -se dizer que os textos vão muito além de apenas classificações de tipologias textuais, pois em um mesmo gênero podem conter partes da descrição, da narração, da argumentação, entre outros, e que estão sujeitos a mudanças, pois fazem parte de atividades comunicativas realizadas no cotidiano do ser humano e surgem de acordo com as suas necessidades acompanhando as mudanças que acontecem no meio social, tal como os avanços tecnológicos, fato comprovado por Marcuschi (2002, p.19) em Gêneros textuais: definição e funcionalidade:
[...] os gêneros não são instrumentos estanques e enrijecedores da ação criativa. Caracterizam-se como eventos textuais altamente maleáveis, dinâmicos e plásticos. Surgem emparelhados a necessidades e atividades sócio-culturais, bem como na relação com inovações tecnológicas, o que é facilmente perceptível ao se considerar a quantidades de gêneros textuais hoje existentes em relação a sociedades anteriores a comunicação escrita.

Segundo Bakhtin (1997, p. 280) “Qualquer enunciado considerado isoladamente é, claro, individual, mas cada esfera de utilização da língua elabora seus tipos relativamente estáveis de enunciados, sendo isso que denominamos gêneros do discurso”, e quando se fala em “relativamente estáveis” que dizer que um gênero está sujeito a mudanças, pois a língua sofre interferências internas e externas que fazem com que ela sofra mutações, questões como o tempo, a mudança no modo de pensar do homem fazem surgir novos gêneros textuais originados de outros. O “internetês” com sua linguagem curta lembra um pouco o telegrama que suprimia ao máximo o número de palavras para tornar a mensagem mais sucinta sem que seu contexto fosse violado, já foi mencionada anteriormente a

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“cartinha” que circulava dentro da sala de aula que foi substituída pelo “torpedo”, ou seja um gênero semelhante originado de outro, por serem “relativamente estáveis”. Vale ressaltar que, apesar de não obedecer a uma estrutura e forma fixa no que se refere à normatividade, os gêneros textuais não o desprezam, são simplesmente mais maleáveis e adaptáveis para exercer uma função social no ambiente no qual o indivíduo está inserido, são textos que fazem parte do cotidiano do ser humano assim como o: telefonema, bula de remédio, receita culinária, lista de compras, cardápio de restaurante, manual de instruções, piada, artigo de jornal, notícias, chats, bate-papo na internet, vídeo conferência, email, entre outros, portanto são tão infinitos os gêneros que se torna difícil mencioná-los todos no trabalho. A possibilidade de se trabalhar textos na concepção de gêneros textuais possibilita ao aluno além de aperfeiçoar a sua da escrita, o domínio de práticas sociais fundamentais na vida cotidiana do ser humano em todas as áreas da sociedade, segundo afirmam a DCOE PARANÁ (2008 p. 69) quando mencionam que “as propostas de produção textual precisam corresponder àquilo que, na verdade, se escreve fora da escola – e, assim, sejam textos de gêneros que têm uma função social determinada, conforme as práticas vigentes na sociedade’”. A DCOE PARANÁ (2008, p. 69) destacam também a importância de se trabalhar com os gêneros digitais para que o educando se aproprie do modo de escrita dos e-mails, blogs, chats, incluindo também todas as redes sociais existentes, pois fazem parte do dia a dia da maioria da população não interessando a que classe social pertença, que idade tenha, nem sexo ou opção sexual e nem a que profissão trabalhe. Em uma situação hipotética, mas possível onde um jovem que ingressa no seu primeiro emprego sem conhecimento nenhum sobre os gêneros digitais tendo como primeira tarefa enviar um e-mail para um determinado cliente para confirmar um pedido, ou mesmo acessar o twiter ou facebook de um fornecedor para se inteirar dos novos produtos lançados, não teria muita chance nessa empresa, por outro lado o conhecimento sobre eles ampliaria seu horizonte profissional. Quando se fala em “dominar um gênero”, significa apreender esse conhecimento para utilizá-lo na vida real, portanto dominá-lo significa romper as diferenças existentes entre as pessoas de todas as classes e esferas sociais, igualar

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os indivíduos, pois dinheiro ou posses não podem e não devem caracterizar o ser humano, mas sim suas atitudes, seu conhecimento e a pessoa que ele representa na sociedade.

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7. AS REDES SOCIAIS E SUA PRESENÇA NA EDUCAÇÃO10

O acesso à Internet proporcionado pela presença da tecnologia possibilitou a comunicação entre as pessoas não importando o quão distantes estejam, interagir está cada vez mais fácil, rápido e prazeroso graças à criação das redes sociais, porém, como se pode usufruir dessa novidade em prol do aprendizado dos alunos na escola? Tendo em vista o acesso mais fácil aos modernos recursos tecnológicos, atualmente, se tornou inevitável a existência das redes sociais no universo escolar, crianças e adolescentes vão para a escola com seus aparelhos celulares e smartphones, sejam eles nacionais ou importados ( made in China, mais baratos), aliados às promoções e pacotes de dados que economizam créditos, os alunos recebem e enviam ilimitadamente torpedos (SMS) o dia inteiro, os mais moderninhos conversam pelo “Face” , acessam o Twiter e se conectam dentro e fora dos limites da escola. A sua presença na educação dos jovens traz a tona discussões entre o ensino tradicional e o contemporâneo proposto pela DCOE’s e PCN’s, pois os docentes mais tradicionalistas não acreditam em um sistema de ensino que não seja o praticado por eles há décadas, para estes, essa pedagogia ainda funciona, ou deveria funcionar, portanto a culpa recairia nos jovens aprendizes que insistem em não querer aprender, há ainda uma parcela que após anos de docência não se sentem predispostos às mudanças, mesmo que achem a necessidade em se fazer, isso ficaria para os novos profissionais. A grande verdade é que escola e governo não tem acompanhado a evolução da sociedade, uma vez que as crianças são produtos dessa mesma sociedade “moderna” e necessitam de uma atualização na educação para se sentirem mais propensos a aprender e mais que isso acompanhar a realidade fora dos muros escolares. As entidades escolares carregam uma herança pedagógica antiga no que diz respeito às aulas de língua portuguesa e que persiste até a atualidade, uma vez que segundo Possenti (2002, p.17) “o objetivo da escola é ensinar o

10 Fonte: Diário Catarinense – versão online. As Redes Sociais como um recurso para a Aprendizagem - Pedagoga Naiana Kubota comenta os desafios da internet em sala de aula. Topict Learning News. Como usar as redes sociais na sala de aula.

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português padrão, ou, talvez exatamente, o de criar condições para que ele seja aprendido. Qualquer outra hipótese é um equívoco político e pedagógico” , não se trata de dar autoridade para a norma padrão e desvirtuar a variedade linguística, mas sim de assumir posturas inovadoras para que não seja necessário decorar regras que mais tarde os alunos esquecerão, sendo assim subentende-se que as formas de ensinar devem ser diferentes, contextualizar as regras com situações cotidianas dos jovens para que eles aprendam em vez de simplesmente decorar. O verdadeiro papel da escola “não é o de ensinar uma variedade no lugar da outra, mas de criar condições para que os alunos aprendam também as variedades que não conhecem” (Possenti, 2002, p. 83), pois a gramática normativa é um bem social e é de direito do aluno aprendê-la, ou seja não se deixa a língua de lado, mas fazer com que eles saibam que existe o diferente e não o errado. Na verdade o que Possenti (2002, p. 94) defende não é a instituição da norma padrão como verdade absoluta e nem a existência de “textos errados e textos corretos (pelo menos, nem sempre), mas, fundamentalmente, textos mais ou menos adequados, ou mesmo inadequados a determinadas situações” fazendo -se compreender que os gêneros digitais têm seu lugar de uso próprio da educação dos alunos. A grande preocupação dos professores se encontra em fazer com que o aluno não misture o bate-papo cotidiano com as atividades escolares, há necessidade de se fazer com que os jovens percebam que as plataformas digitais podem ser utilizadas de modo mais produtivo e que além de facilitar a comunicação geram conhecimentos com essa interação, ao mesmo tempo o professor deve compreender que as redes sociais não são suas inimigas, mas aliadas fortes para cativar os alunos, torná-los mais participativos e produtivos. Segundo Souza e Deps [20...?] “A escola não deve se abster do seu papel de ensinar a língua padrão, mas é preciso reconhecer a importância das demais variedades”, essa concordância com Possenti (2002) se dá, pois, o problema não está em ensinar a norma padrão da língua, mas sim nas pedagogias aplicadas que são ultrapassadas, quanto à importância do reconhecimento das variações linguísticas, esses estudiosos reconhecem que o mundo e as pessoas estão passando por transformações e se tornou cada vez mais importante construir relações sociais visando a produção de conhecimento.

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Faz-se então, necessário utilizar todas as formas possíveis de interação existentes na Internet, pois atualmente professores, estudiosos,

estudantes, pais e demais usuários das redes sociais estão cada vez mais conectados aprendendo interativamente, assim como afirma Queiroz (2011, p. 11235) acerca das redes sociais:
Dentro deste contexto de trabalho cooperativo possibilitado pela internet, encontra-se a utilização das redes sociais, e que está crescendo e tomando seu espaço rapidamente no mundo e, principalmente, no Brasil. As redes sociais, Orkut, Twitter, Facebook, entre outras, possibilitaram a criação de uma sociedade virtual, nas quais o individualismo deu origem à comunidades ou seguidores, as quais se constituem pelo compartilhamento de interesses, de crenças, de desejos, etc.

Contudo, não se deve priorizar o seu uso nas escolas a exemplo do ensino normatizado e descontextualizado da língua portuguesa que perdurou por anos, a balança da educação tem que se manter nivelada, sendo que cada componente seu, tem o seu valor e utilização no ensino, sendo assim, o dever das redes sociais é auxiliar no aprendizado estimulando os jovens a aprender juntos e de forma mais ativa. As crianças de hoje, chamadas por Queiroz (2011 p. 11232) de “nativos digitais” nascem inseridas em torno dessas mudanças tecnológicas, familiarizados com a internet e seus recursos, elas já entram na escola conhecendo não apenas um gênero, mas sim o meio de comunicação mais moderno e rápido disponível na sociedade, isso tem que ser aproveitado pelo professor, pois é algo que os novos educandos apreciam muito e não precisa ser ensinado a eles, pelo menos para a maioria. A primeira coisa que se passa na mente de quem está querendo começar a utilizar as redes sociais na educação seria a de passar conteúdos via email, chat, blog, etc., contudo, segundo Mercado (1999 apud Queiroz, 2011, p. 11234) não se pode simplesmente trocar a sala de aula pelo ambiente virtual, o quadro negro pela tela do computador, smartphone ou tablet, pois assim se está alimentando ainda mais um modelo de ensino tradicional arcaico, fato esse confirmado por Valente (1993 apud Queiroz, 2011, p. 11234) dizendo que:
O uso do computador com viés instrucionista, não deixa máquina de ensinar e seu uso na educação, apenas, transposição de métodos de ensino tradicionais para informatizado. Isto que o autor nos coloca, apenas, faz de ser uma consiste na o ambiente com que se

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solidifiquem as velhas práticas pedagógicas com os novos meios digitais, ou seja, tanto o professor quanto o aluno continuam desempenhando papel secundário no processo educativo.

As instituições de ensino não tem uma pedagogia que leve a conclusão de como as redes sociais vão auxiliar no ensino dos alunos, a única certeza é de que o professor deve utilizá-la para incentivar a interação e a aprendizagem coletiva e ressalta importância avaliar a sua participação na sociedade acompanhando as mudanças que acontecem ao seu redor, pois as comunidades virtuais são a realidade dos alunos, uma vez que, “não existe uma fórmula pronta para se trabalhar o conceito de redes sociais em sala de aula. [...] não há fórmula pronta. A rede é um espaço social e, como todo o espaço social, é também um espaço de educação e aprendizado” (Recuero, 2009 apud Queiroz 2011, p. 11235). Ultimamente, os professores também tem se beneficiado das redes digitais, eles tem amigos, seguidores, possuem blogs, abrem discussões em chats e interagem com os seus alunos, passar conteúdos para auxiliar o seu educando está virando prática na vida profissional de alguns docentes, que passam algumas horas de folga no auxílio aos seus pupilos. A interação tecnológica entre mestre e aprendiz traz junto com o aprendizado, a afetividade, algo raro de se encontrar em uma sala de aula, na comunicação virtual existe com mais frequência fazendo com que o aluno se aproxime mais do professor e se interesse mais sobre determinado assunto, fato esse comprovado por Staa (199?)11:
O que surpreende, no entanto, é que, quando levantamos dados de como os alunos interagem com os professores por meio da tecnologia, o que vemos são estudantes interessados, que querem se aproximar dos professores e gostam de trocar palavras carinhosas com eles. [...] Encontramos também cobranças de materiais a serem postados como a publicação de gabaritos, o que significa que os alunos não andam tão desinteressados assim.

Ao que parece, a resolução desses entre tantos problemas existentes na educação está na criatividade e vontade do professor, pois não há teorias prontas para o uso de tais tecnologias na escola, existem somente relatos de experiência de alguns docentes com seus alunos, que fazem das redes sociais uma
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Betina von Staa é coordenadora de pesquisa em tecnologia educacional e articulista da divisão de portais da Positivo Informática. Autora e docente de cursos on-line para a COGEAE, a Fundação Vanzolini e o UnicenP, é doutora em Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem pela PUC-SP.

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extensão da sala de aula onde esse espaço social além de facilitar a interação entre os usuários ajuda na educação e no aprendizado. Silva (2010, p.40) encontra na teoria sócio construtivista de Vygotsky autoridade para afirmar que:
[...] os processos psicológicos superiores ocorrem primeiro nas relações sociais, processos intermentais ou processos interpsicológicos, sendo regulados e controlados pela interação, que no caso das redes sociais digitais são as interações entre os alunos, professores e os recursos tecnológicos.

Em uma aula tradicional, o professor, detentor do conhecimento explica a matéria, os alunos assistem a aula, mas dificilmente anotam algo da explicação, alguns ainda conseguem acumular algum conhecimento, é claro, isso dependerá muito da disposição e do grau de estímulo do aluno e também, poucos se arriscam a perguntar e tampouco argumentar, nestes termos fica difícil formar um educando “participativo” e crítico, pois o conhecimento é construído com o envolvimento de todos os presentes na sala e fora dela, o aluno tem que deixar de ser simplesmente um ouvinte e se tornar participante ativo do seu processo educacional. Para João Mattar12, pedagogicamente, o que justifica o uso das Redes Sociais na educação é o fato delas serem “Habitat dos nossos alunos”, eles conhecem seus recursos e não precisam ser ensinados para utilizá-las, facilitando seu uso na escola, aliado a isso são geradoras de interação e capazes de formar o cidadão crítico, objetivo da escola pois, segundo a DCOE (2008, p. 48):
É tarefa da escola possibilitar que seus alunos participem de diferentes 13 práticas sociais que utilizem a leitura, a escrita e a oralidade, com a finalidade de inseri-los nas diversas esferas de interação. Se a escola desconsiderar esse papel, o sujeito ficará à margem dos novos letramentos, não conseguindo se constituir no âmbito de uma sociedade letrada.

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Fonte: Instituto Airton Senna- ver em “O USO DAS REDES SOCIAIS NA EDUCAÇÃO”. João Mattar é professor da Universidade Anhembi Morumbi e pesquisador e orientador de Doutorado no TIDD - Programa de Pós-Graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital (PUC-SP), Fez Mestrado em Tecnologia Educacional (Boise State University), Doutorado em Letras (USP) e Pós-Doutorado (Stanford University), onde foi visiting scholar (1998-1999). 13 Prática(s) social(is) entendida, nestas Diretrizes, como toda atividade humana exercida com e na linguagem.

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Contudo, Mattar ainda afirma que seu uso ou não nas instituições educacionais, principalmente as públicas, dependem de muitos fatores, além da aceitação por parte das escolas, há também problemas de base estrutural, como as redes de banda larga que não suportam o tráfego ocasionado pelo uso simultâneo de vários computadores, também, há o limite de idade para o acesso às redes sociais, apesar de se saber que elas acessam fora da escola, mas se deve fazer cumprir a lei, pelo menos dentro dela. Outro fator é o despreparo por parte dos professores para se trabalhar essa tecnologia em sala, alguns nem acessam as redes ainda e tampouco conhecem os seus recursos. Ele ainda ressalta que para os docentes falta uma formação continuada, que deve abranger além do uso das ferramentas, noções de como se trabalhar atividades de forma presencial e à distância, contudo, não se pode exigir que eles as realizem nas suas horas de descanso, pois seria injusto, uma vez que não recebem para cumprir turnos fora de seu horário de trabalho, mesmo que os professores devam praticar a docência com amor e dedicação, os professores tem a sua vida própria fora das instituições escolares, pois possuem deveres e obrigações na sua vida cotidiana, além disso há escassez de pesquisas acadêmicas acerca do tema na qual não dificulta a prática, mas não traz credibilidade para o uso das redes sociais na formação dos educandos.

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8.

REDES SOCIAIS: RELATOS DE EXPERIÊNCIAS NA EDUCAÇÃO Segundo o Instituto Paramitas14 (2012), tecnologia é “tudo aquilo que

o ser humano inventa para tornar sua vida mais fácil e agradável”, portanto, na sala de aula “agradável” é a palavra chave para justificar o uso dos meios tecnológicos na educação dos jovens, principalmente numa época em que o ensino tradicional, ditatorial e imposto já não surte tanto efeito quanto antigamente, é um desafio ganhar a atenção dos novos educandos, a escola não é e nunca foi atrativa para eles, contudo há algo que atualmente em sala tem a capacidade de cativá-los e ainda fazer com que se desenvolvam melhor, faz com que eles queiram estender a aprendizagem além dos muros da escola, os gêneros digitais15. Paulo Cesar Campos16 é professor de artes e orientador do Projeto Aluno Monitor na Escola Municipal de Ensino Fundamental Ângela Cury Zakia da cidade de Campinas, orienta um projeto onde se capacitam estudantes para atuar nas escolas como monitores nas salas de informática com a função de auxiliar os professores e os seus próprios colegas, eles também organizam publicações em blogs e no Youtube, o professor Campos também procura tirar as dúvidas de seus alunos de 6º ao 9º ano e vistoria os trabalhos através das redes sociais, ele sempre faz uso dos meios tecnológicos para ministrar suas aulas, podendo os alunos assim, acessar vídeos sobre um assunto em discussão, pesquisar sites, blogs, fóruns, etc. Junto com a professora Elaine Lucy Marcelino, alfabetizadora, ele realiza atividades com alunos do 4º ano onde, as crianças fazem pesquisas em sites sobre diversos assuntos, e em seguida gravam vídeos, dando a eles a noção de que a internet e a informática possuem diversos recursos que podem ser utilizados para eles se expressarem. Alexandre Le Voci Sayad17 jornalista e educador, há mais de dez anos deu início ao curso extraclasse chamado “Idade Mídia”, no Colégio Bandeirantes para os alunos do 2º ano do Ensino Médio, uma espécie de interação entre a educação e a comunicação, onde o mais interessante fica por conta do uso das redes sociais para que os alunos realizem atividades extra curriculares como cobertura de eventos esportivos através do Twiter e do Facebook e projetos
Ver referências em “Tecnologias, Redes Sociais e Educação”. Blog, e-mail, redes sociais, etc. 16 Fonte: noticias.terra.com.br - Professores usam redes sociais para atrair participação dos alunos 17 Fonte: noticias.terra.com.br - Professores usam redes sociais para atrair participação dos alunos
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(produção de revistas, documentários, etc.) que ficam a critério dos próprios estudantes, ele também transmite aulas pela twitcam através do microblog18. O projeto do professor passa por mudanças conforme ocorrem os avanços da tecnologia e se utiliza dos blogs e das mais recentes redes sociais, atualmente, outros professores também aderiam à ideia e já fazem uso da tecnologia criando os seus próprios blogs. Sayad ressalta em seu livro intitulado “Idade Mídia” sobre a importância do curso, pois servirá de inspiração para a criação de mais cursos. A importância do uso da rede social na vida das crianças dessa escola fica por conta da oportunidade de se trabalhar gêneros textuais que normalmente não se tem tempo para realizar em sala, os alunos fazem edição de vídeos, produção de revistas, documentários e pequenos jornais o qual lhes proporciona um aprendizado real e produtivo dando eles sentem prazer, pois ultrapassa os limites da sala de aula, não existe mais só aquela velha aula em que se passava 4 horas ouvindo e realizando atividades, através das redes, isso tudo ficou mais prazeroso, aliado a isso, o simples fato de se poder mostrar uma produção textual ou mesmo tirar uma dúvida em um ambiente (Facebook) ao qual está familiarizado é para o aluno mais fácil, uma vez que isso faz parte do seu dia a dia. Facebook, Orkut, Twiter, etc. são as realidades sociais da maioria das escolas particulares e públicas, porém, nem todos os pais concordam que seus filhos acessem as redes sociais existentes no cotidiano, baseado nisso uma escola particular localizada no Rio de Janeiro com unidades na Barra e na Gávea chamada Escola Parque19 tomou por iniciativa criar a sua própria rede chamada EP220, ela é acessível somente para membros e estudantes a partir dos 10 anos que fazem parte do colégio, conta com algo em torno de 700 usuários e é necessário ter uma senha individual para acessá-la. Segundo Giocondo Magalhães, coordenador do Ensino

Fundamental, ela tem as mesmas características e funcionalidades de qualquer
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Ferramenta do Twiter onde o usuário pode fazer uma postagem curta com menos de 200 caracteres, podendo inserir fotos, vídeos, links. Pode se microblogar de um computador ou celular. 19 O nome foi inspirado na Escola Parque criada por Anísio Teixeira na década de 40, só que esta se situava em Salvador e era voltada para o Ensino Integral e público tendo como público alvo as crianças pobres da região, mas segue as mesmas filosofias de Anísio. 20 Fonte: noticias.terra.com.br – Escolas criam redes sociais próprias para interagir com alunos.

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outra rede social, nela se pode criar um perfil, participar de fóruns de discussão, bate-papo, etc., porém, antes de liberar o seu uso foi necessário realizar palestras aos alunos sobre privacidade e comportamento perante as redes sociais além de ensinar a utilizar a ferramenta. Os professores dão a sua contribuição postando vídeos para trabalhos em sala, recomendam livros e sites para complementar o aprendizado do aluno, em contrapartida foi observado por Magalhães, que os alunos organizam trabalhos em grupo na EP2, participam de fóruns de discussão na rede e os faltosos se atualizam com os colegas sobre o conteúdo perdido para não atrasar a entrega das tarefas, isso faz com que os alunos sejam estimulados a cooperarem entre si. A vantagem desse sistema utilizado pela Escola Parque é que além de ter mais controle sobre acessos já que só participam membros e alunos da escola, inibe interferências externas, evitando assim contato das crianças com pessoas de perfis duvidosos, contudo não abre uma brecha para que os pais participem da vida do aluno na escola, pelos menos é o que foi percebido na matéria do site Terra, mas a iniciativa pode ser considerada louvável e correta o suficiente para proteger as crianças e deixar os pais mais tranquilos. Outro bom exemplo21 do uso das redes sociais em sala vem do professor Mario Galvão22, professor da ETEP Faculdades e do Colégio Embraer23, que tem como aliado importante há mais de dois anos, a rede social, em especial o Facebook, Twiter e Linkedin, ele acredita que o uso dos aparelhos celulares e das redes na instituição é inevitável, sendo assim o docente acredita que se se for utilizá-los então que faça para melhorar o aprendizado, Galvão criou a “tuíted-aula” e através dos hashtags24 deixa dicas em seu perfil do Twiter para que os seus alunos saibam onde procurar o assunto que desejam, aliado a isso os estudantes podem postar trabalhos para que sejam propostas melhoras antecipadamente, para serem avaliados e também para que todos possam ver e opinar.
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Fonte: site do Olhar Digital Professor da ETEP Faculdades e do Colégio Embraer, Veris Faculdades, gerente de Marketing do Jornal O Vale “Vale Paraibano” e proprietário da Galvão Consultoria, formado pela Universidade de Taubaté na área de publicidade e propaganda (1989-1993) e pós graduado em Marketing e Competências Gerenciais e graduado Escola Superior de Propaganda e Marketing (1996-1997). 23 Instituição de Ensino Médio de caráter Integral e gratuito, mantido pelo Instituto Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica) no qual o egresso é realizado através de concurso realizado pelo mesmo, a relação candidato vaga é de quatro mil candidatos para 200 vagas, dados do ano de 2011. 24 São palavras-chave (que tenham relevância) ou termos antecedidos por “#” e são utilizadas como hiperlinks, pois quando se clica na hashtag acontece uma busca ou acesso acerca daquela palavra ou termo.

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O objetivo do professor Galvão é de fugir da aula tradicional, proporcionar aos alunos algo que os motive, divirta e que tenha mais a ver com o dia a dia deles, isso aumenta a afetividade e a confiança tornando as aulas menos autoritárias e mais democráticas. Vale ressaltar que o sucesso dessas iniciativas depende muito da iniciativa do professor para realizar essa interação entre aula e redes sociais, da equipe pedagógica da instituição em realizar o projeto e a qualidade da estrutura física oferecida na escola, vantagem essa que não é encontrada na maioria das escolas públicas, pois grande parte delas não possui nem rede Wi-fi25 disponível, o que dificulta a realização de ações como essa, aliado a isso há uma falta de acesso por parte dos alunos das escolas públicas às mídias digitais sendo que, boa parte deles ainda não possuem internet em seus domicílios, os das particulares normalmente provêm das classes média, média alta e alta, sendo assim, possuem acesso mais fácil às tecnologias e muitas dessas instituições contam com pedagogia e estrutura superior ao das públicas. Estrutura é o que falta para as instituições públicas, principalmente no que se diz respeito ao sinal Wi-fi que não é de boa qualidade, um bom exemplo disso são as escolas municipais da cidade de Paranavaí no Paraná que em reportagem do Paraná TV 1ª edição da RPC publicada em 02 de setembro de 2013 trazia na matéria a entrega de tablets aos alunos do 5º série (antiga 4ª série) para uso em aula, alguns estão tendo contato com a Internet pela primeira vez e aos poucos vão aprendendo a utilizar o aparelho. A professora de uma dessas escolas municipais, Adriane Souza Carlos, procura trabalhar os Gêneros Textuais, fábulas, interpretação de imagens e pesquisas, facilitando o ensino, é lógico que os docentes ainda estão passando por adaptações, mas a vinda desses aparelhos para as crianças além de tornar as aulas diferentes trouxe mais prazer aos alunos em aprender, contudo, a conexão com a rede tem problemas de velocidade e sinal, o que faz as consultas ficarem mais demoradas, não há em salas interação via redes sociais, o que empobrece um pouco o projeto, não houve um planejamento como, por exemplo, construir uma rede social da escola para uso somente dos alunos e professores para a prática interativa.
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Wi-fi é uma tecnologia popular que permite que dispositivos eletrônicos troquem dados ou se conectem a Internet sem fios, através de ondas de rádio.

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É correto que o primeiro passo já foi dado, mas além das melhorias na estrutura tecnológica da escola, há também a necessidade de expandir o uso dos tablets para os alunos do Ensino Fundamental II e principalmente para alunos do ensino médio que estão se preparando para o ENEM ou qualquer outro vestibular do país, pois há a questão da redação nos concursos sendo que, com uso das redes sociais e fóruns de discussão eles podem trabalhar mais a questão dos artigos de opinião, muito requisitados nas provas de redação, além de poder mandar e receber os trabalhos corrigidos com mais rapidez. Em contrapartida, na rede pública de ensino de Pernambuco26 desde o ano de 2012 distribuiu para mais de mil escolas, tablets modernos que tem a forma de um netbook aos alunos de 2º e 3º anos, são muito utilizados como apoio ao material didático impresso, pois o equipamento já vem acompanhado com conteúdo referente à matéria facilitando o aprendizado, as anotações são feitas nos “ notes”, as aulas se tornaram mais atraentes, os alunos estão mais interessados e faltam menos às aulas, porém, o uso das redes sociais ainda é encarado pelas escolas como distração para os alunos nas horas vagas ou após as aulas, os educadores ainda não se inteiraram dos benefícios que o seu uso pode trazer e também ainda há falta de planejamento para o uso dessa tecnologia, aliado a isso, se tem a falta

de capacitação para os professores que tentam se adaptar a nova ferramenta.

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Escolas usam tablets, mas falta capacitação de professores. Fonte: http://mais.uol.com.br

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9. METODOLOGIAS PARA O USO DAS REDES SOCIAIS EM SALA

Há muitos anos atrás quando educação escolar era coisa para poucos, os conhecimentos eram transmitidos de pessoa para pessoa, essa interação serviu para que crenças e costumes antigos continuassem vivos até a época atual, porém muito ainda se perdeu pela falta de transmissão de conhecimentos, daí surgiram os escritos que preservariam toda essa bagagem cultural através dos tempos, o professor aos poucos foi começando a fazer o papel de transmissor de informações onde ele falava e o aluno acumularia tudo e nada mais se perderia no tempo e no espaço, iniciava-se a educação escolar tradicional. Todo esse caminho percorrido pela educação através dos tempos mostra como evoluiu a transmissão de conhecimentos, atualmente o professor perdeu um pouco da sua hegemonia para a tecnologia, os PCNs e as DCOEs não permitem que o docente se limite apenas à transmissão, mas sim que seja um mediador que conduza o aluno pela estrada da aprendizagem, diante disso, o educando deve procurar aquilo que precisa orientado pelo mestre. As redes sociais além da internet estão entrando nas salas com o intuito de auxiliar professor e aluno para que juntos consigam alcançar um aprendizado melhor e mais democrático, formar um cidadão crítico tem sido a razão de todo o esforço dos mestres da língua portuguesa, mas como utilizar as redes a favor da educação sem que elas se tornem um veneno para ela própria? Não existem métodos prontos para se utilizar as redes sociais nas aulas de língua portuguesa, o que há são experiências e sugestões para que o educador possa traçar estratégias de ensino e aprendizagem, atualmente vem aumentando o número de professores, não só os novos como os mais experientes participam das redes como o Twiter, Linkedin, Orkut e Facebook, tornando os trabalhos com elas mais fácil, alguns possuem até Blogs que auxiliam os alunos em pesquisas, contudo há alguns que não fazem uso dessa tecnologia, tornando-se necessário passar por capacitação para tornar a proposta viável. A princípio antes de se aplicar a metodologia nova há necessidade de planejamento uma vez que em geral, as redes sociais na sociedade contemporânea tem a função de distrair o seu usuário, nunca se pensou em utilizálas para fins educacionais, até agora, sendo assim Seabra (2010) recomenda que “O uso das redes sociais no processo educativo deve ser feita de maneira bem

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pensada, pois corre-se o risco de ser apenas uma distração, gerando mais ruído do que ajudando no processo de ensino e aprendizagem”, nesse caso deve haver um processo de conscientização por parte do aluno, para que ele não use como desculpa para teclar indiscriminadamente. Porém, os métodos querendo ou não, ficam sempre a cargo do professor regente, pois somente ele vai poder perceber a necessidade da sua turma, conforme Seabra (2010, p. 20) sugere que:
Uma boa opção para você iniciar as redes sociais com seus alunos é simplesmente acompanhá-los, perceber a linguagem utilizada, os valores envolvidos, a forma com que as questões significativas se encaixam em suas vidas, como subsídio para seu conhecimento sobre cada um, identificando melhores conteúdos cognitivos a serem trabalhados.

O regente vai trabalhar com a turma conforme as necessidades e dificuldades que encontrar na sua observação, a intervenção virá a partir disso, mas vale ressaltar que não se devem tratar as variações na escrita como erros, são desvios ortográficos, principalmente no que se diz respeito ao Internetês, pois ele faz parte da comunidade a qual eles estão inseridos, lembrando que Reis e Schuelter (2006) e Alves e Oliveira (2010) concordam que essa linguagem exerce pouca influência na escrita escolar. Os gêneros digitais são ótimas ferramentas para se trabalhar a capacidade argumentativa do aluno, conforme a DCOE PARANÁ (2008, p. 50) definem que “O professor de Língua Portuguesa precisa, então, propiciar ao educando a prática, a discussão, a leitura de textos das diferentes esferas sociais (jornalística, literária, publicitária, digital, etc.)”, sendo que nas redes sociais há a possibilidade de se lançar um tema qualquer oriundo de um texto que preferencialmente gere polêmica e que faça parte do cotidiano dos jovens, que seja de conhecimento deles. Seabra (2010, p. 20) cita o Twiter e o SMS (torpedo), pois são ótimas ferramentas para isso, por terem um limite de 140 caracteres, o aluno exercita sua capacidade de transmitir uma ideia ou um conceito de forma sintetizada, além de poder ler o que os outros estão escrevendo, é o que se chama “seguir”, ele pode também receber as mensagens que os outros estão tuitando27.

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Neologismo que significa postar uma mensagem no Twitter.

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Desse modo, os alunos estarão interagindo entre si mediante a exposição de pontos de vistas diferentes ou mesmo semelhantes, esse tipo de interação seria impossível em uma sala de aula diante de um debate oral porque nem sempre todos os alunos participam desse tipo de atividade, os empecilhos são vários, dentre eles se podem destacar a timidez, o medo, o desinteresse pela aula, falta de estímulo, contudo, nas redes sociais estão em um ambiente familiar, pelo menos para os estudantes, a aula se torna mais interessante, a vergonha e o medo praticamente desaparecem. Aliado a isso, se pode contar com o auxílio da Internet na qual o professor previamente escolhe o gênero que quer trabalhar, o tema e os alunos podem fazer o acesso on-line, também há a possibilidade de se escolher que intervenção gramatical fazer dentro do texto que foi posto para os alunos, sugestionar links para pesquisas, enviar atividades e trabalhos via e-mail para que os alunos resolvam e devolvam depois para correção. Para as aulas de literatura existe a twiteratura28, é um projeto criado pelo professor Roberto Carlos de Souza que leciona literatura na Escola Crescer PHD, de Vitória no Espirito Santo, é um concurso no qual os alunos publicam pequenos contos no Twiter com no máximo 140 caracteres (limite do Twiter), mas antes foi preciso ministrar duas aulas sobre as redes sociais, e conscientizar o aluno a respeito do Internetês e da linguagem formal utilizada na sala de aula. Os professores dessa escola são treinados para utilizar o Twiter e o Facebook como ferramentas para interagir com os alunos tanto dentro como fora do ambiente escolar, eles têm a filosofia de estar sempre prontos para ajudar os alunos em suas dúvidas, portanto esse exemplo da Escola PHD amplia os horizontes para se trabalhar com as redes sociais em sala, pois além de formar o leitor crítico como já foi visto antes, também serve como extensão da sala de aula onde o jovem pode sanar as dúvidas que ficaram pendentes durante a aula, isso serve bem para aquele aluno tímido que tem receio ou medo de fazer perguntas para o professor, além deste ter a chance de criar vínculos com os estudantes, pois a partir do momento em que as barreiras são derrubadas, educador e educando sentem mais confiança entre si.

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Fonte: site noticias.terra.com.br “Redes sociais e twiteratura professor.”

aproximam o aluno do

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As escolas públicas em geral possuem alunos que não tem contato com as redes sociais por não ter disponível Internet em suas casas, portanto, faz-se necessário realizar esse tipo de metodologia nos laboratórios de informática da própria instituição, pois um dos objetivos é incluir esses estudantes nas comunidades virtuais. Contudo, o professor deve tomar certos cuidados ao se aliar às redes sociais29, pois ele estará se expondo em público, sendo assim, deve continuar sendo um bom exemplo para os alunos a fim de que sua imagem perante seu aluno não seja anulada por atitudes inapropriadas como utilizar um padrão de escrita fora das normas ortográficas ou postar fotos comprometedoras nos álbuns das redes.

29 Fonte: revista on-line Nova Escola - Como usar as redes sociais a favor da aprendizagem

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CONCLUSÃO

Diante do que foi exposto durante todo o desenvolvimento deste trabalho e apesar da monografia ter sido pautada somente em pesquisas bibliográficas e estar carente de pesquisas de campo, quanto à influência da linguagem virtual pode-se concluir que o Internetês interfere pouco ou quase nada nas produções textuais dos alunos e se verificou que eles têm noção da esfera de utilização dessa linguagem, mesmo que em alguns momentos cometam alguns desvios, mas nada que comprometa o ensino como um todo, como já foi dito anteriormente há necessidade de se acompanhar frequentemente as mudanças na escrita dos educandos uma vez que a língua é um bem social em constante evolução e sujeito a interferências de todos os tipos, ademais cabe ao professor conscientizar o aluno das esferas de utilização de cada variedade linguística. Outra conclusão a que se chegou foi de que as redes sociais têm boa aplicabilidade e aceitabilidade na sala de aula, verificou-se que as aulas tendem a render mais quando se utiliza essa ferramenta, pois ela faz parte da do cotidiano social da maioria dos brasileiros, é um bem social que bem aproveitado ajuda no aprendizado dos alunos, uma vez que se está utilizando algo que para estes é de fácil manuseio e não necessita ser ensinado, pelo menos para a maioria. Deve-se reconhecer que a implantação na maioria das escolas está a passos lentos, principalmente nas instituições públicas, sendo assim, a sua concretização pode demorar mais que o desejado, citando o exemplo do Estado do Paraná que neste ano de 2013, forneceu tablets somente para os professores sem lhes dar qualquer tipo de capacitação para utilização da tecnologia em sala, outro fator negativo é a falta de estrutura não só do Paraná, mas na maioria dos estados do Brasil para a implantação dessa tecnologia. Foi constatado durante as pesquisas bibliográficas que nas escolas privadas, as redes sociais tiveram boa aceitação tanto pelos alunos como pelos próprios professores que as têm como uma importante ferramenta de ensino e trouxe mais motivação por parte dos jovens que se divertem estudando, é uma realidade diferente, pois na particular os discentes são oriundos das classes média, média alta e alta, sendo que a maioria possui notebooks, smartphones, tablets e outros, as escolas são bem estruturadas e não dependem de autorização do

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governo para que sejam tomadas decisões, tornando as ações e as mudanças mais rápidas. As instituições de ensino públicas dependem de licitação para aquisição de produtos e serviços, esse processo é quase sempre trabalhoso e lento, dependem da vontade dos órgãos públicos em idealizar os projetos e principalmente precisa ter o aval do governo, fora isso na maioria das vezes o primeiro passo tem que ser dado com um projeto de ensino bem estruturado e claro com argumentos fortes para aquisição da verba, porém, isso não significa que tal projeto irá se concretizar. Contudo, mesmo nas escolas particulares a implantação das redes sociais em sala são oriundas de iniciativas isoladas de alguns professores que “curtem” as redes e que perceberam o seu potencial no ensino, porém com o tempo atraíram mais docentes interessados em cativar o aluno nas aulas. Utilizar a imaginação é imprescindível para tornar a aula interessante, a capacidade do regente em organizar atividades que realmente tragam produtividade principalmente nas aulas de língua portuguesa é de suma importância. Também há necessidade de se situar o aluno acerca do uso da linguagem virtual, pois ele deve estar consciente de que o internetês é oriundo de uma comunidade social especifica típica de seus usuários e que existe uma linguagem adequada para cada esfera de utilização, esse é um requisito muito importante para quem espera trabalhar com as redes sociais com seus alunos. Quanto à parte prática vai depender do conhecimento e da criatividade de cada professor, uma vez que o sucesso desse tipo de pedagogia é uma combinação de saberes já existente que é de propriedade de cada um aliado a inclusão da informática e dos gêneros digitais, portanto quem conseguir conciliar pelo menos esses conhecimentos tem chance de começar a trabalhar com as redes sociais em sala. Outro fator que infelizmente não é de agrado da maioria dos docentes é o uso das horas livres para auxiliar seus alunos nas suas dúvidas e para enviar materiais e dicas para pesquisas, abrir grupos de discussão online para treinar a prática da argumentação, esta pode ser feita na escola se houver computadores suficientes disponíveis, pois é uma atividade que explora a principal característica das redes sociais e todos devem participar, contudo fica a critério do

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professor se ele vai ou não sacrificar algumas horas de seu descanso na semana ou fim de semana. O exemplo dado pela Escola Parque do Rio de Janeiro mostra com a criação da sua própria rede social, a EP2, que apesar da inserção das redes sociais (Twiter, Facebook, etc.) nas aulas ter sido bem aceita pela comunidade escolar, deixa claro que há necessidade de se ter controle sobre o seu uso, fazer uso indiscriminado dessa tecnologia além de não agradar aos pais pode não trazer benefícios para o aprendizado, além do mais deve se proteger os alunos dos perigos do mundo virtual, pois se o objetivo é utilizar de forma produtiva, devem-se impor regras aos alunos. O ideal é que as escolas tenham sua rede social própria para utilização na instituição e que seja permitido o acesso somente para os alunos, professores e se possível abrir espaço para os pais opinarem ou até mesmo organizar reuniões virtuais semanais para acompanhamento dos seus filhos na escola, pois nota-se nos estágios obrigatórios nas escolas, principalmente no ensino fundamental que os professores ainda utilizam a velha cartinha com avisos para os pais, é logico que nem todos possuem acesso à Internet em suas residências, mas a maioria possui celular e os torpedos ainda são muito utilizados pelas pessoas e alguns celulares já têm acesso ao Facebook. Como já foi dito anteriormente não há um método próprio para a utilização das novas tecnologias, haja vista que é um assunto relativamente novo e por enquanto cabe aos professores ditarem suas próprias regras e métodos de ensino, mas as instituições de ensino superior já deveriam contar com o ensino de abordagens nas aulas de metodologia que situem os futuros docentes para o uso das redes sociais em sala, porém o que se vê na realidade é que são ensinadas e discutidas muitas teorias para os acadêmicos de Letras sem que lhes sejam esclarecidas as formas de utilização dessas mesmas teorias na prática e nem a inserção de novas e práticas pedagogias educacionais. Há de se concordar que quem faz a faculdade não é a instituição e nem o professor, mas sim o aluno, no entanto não é justo jogá-lo no mundo real com muitas teorias para que ele aprenda na prática e encontre um método de ensino que levaria anos para se construir e aliado a isso, não se encontra durante o curso de Letras formas de tornar as aulas mais prazerosas e que contemplem a criança da era digital.

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Atualmente, o professor tem que direcionar sua matéria de forma que o aluno sinta prazer em assisti-la, do contrário a aula não terá rendimento, muitos docentes, principalmente os mais experientes e tradicionalistas acham isso errado, pois o aluno vem para a escola aprender e não brincar, mas os parâmetros mudaram e as crianças desse mundo moderno não são mais as mesmas de anos atrás, nem as pedagogias permaneceram iguais, a escola é obrigada a acompanhar os avanços da sociedade, portanto se deve aproveitar tudo de bom que a modernidade tem proporcionado na vida das pessoas. A conclusão final que se chega é de que há espaço para a inclusão das redes sociais nas aulas, principalmente de Língua Portuguesa, porém com ressalvas, a primeira é que não se pode esquecer que o aluno ainda deve praticar a escrita cursiva tendo em vista que os concursos e vestibulares nas provas de redação ainda a utilizam assim como na vida cotidiana na qual seu uso ainda é muito solicitado. Em segundo, devem se resolver os problemas estruturais das escolas em relação às tecnologias de informática como, computadores mais atualizados e suficientes para uma grande quantidade de usuários, rede de internet que comporte um tráfego mais pesado e a criação de uma rede social própria para uso na instituição para maior segurança dos alunos. O terceiro ponto fica por conta da capacitação para os professores para que eles saibam como utilizar a tecnologia ao seu favor e quando se diz “tecnologia” menciona-se desde a elaboração de uma aula com slides, edição de vídeos até a construção de blogs e utilização das comunidades digitais nas suas aulas levando se em conta que a escola deve acompanhar a evolução tecnológica, que faz parte da vida dos estudantes. Há muito mais que se poderia nomear nesta monografia, mas que requer mais pesquisas de campo, coleta de experiências e aplicação em sala, entretanto essa complementação ficaria para um próximo trabalho talvez até de outro autor e que contemple mais aspectos práticos e menos teorias a fim de que sirva de base para uso em projetos pedagógicos e nas aulas, mas sempre lembrando que a tecnologia caminha a passos largos e não espera por um upgrade escolar.

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