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PREPARANDO-SE PARA O III MILÊNIO 7.

O Perispírito – 1ª parte: Corpo Astral 1

FRATERNIDADE RAMATÍS DE CURITIBA


CURSO “PREPARANDO-SE PARA O TERCEIRO MILÊNIO”
1º módulo: Introdução ao estudo das obras de Ramatís

O PERISPÍRITO – 1ª parte: CORPO ASTRAL

Através da escolástica hindu, sabe-se que o Universo é setenário, isto é, todas as manifestações mais
importantes da Vida Cósmica são disciplinadas ou regidas por um padrão vibratório diretor, que é o número
sete.

Por essa razão, as filosofias e doutrinas espirituais da Terra, em sua essência, tratam da revelação
cosmogônica pela ordem setenária, embora às vezes variem entre si nas suas denominações peculiares e
especulações filosóficas, conforme a índole, o temperamento e as tradições de cada povo:

CAMPO DE
VEÍCULO
EVOLUÇÃO OU FILOSOFIA BUDISMO HINDUISMO ESCOLAS
DE TEOSOFIA ESPIRITISMO
ESTADO DE YOGA ESOTÉRICO (Vedas) ESOTÉRICAS
CONSCIÊNCIA
CONSCIÊNCIA

ATMA
PLANO ÁTMICO CORPO
5 7 ESPÍRITO Espírito ATMAN (a vontade ÁTMICO ESPÍRITO
OU NIRVÂNICO ÁTMICO
do Logos)
CORPO
ANANDA
CAUSAL
MAYAKOSHA
PLANO BÚDICO CORPO MENTE
4 6 Intuição BUDDHI (corpo ilusório BÚDICO
OU INTUICIONAL BÚDICO ESPIRITUAL EGO
ou de perene
ALMA felicidade)

Sem forma Inteligência MANAS VIJNANA


CORPO
ou ARUPA MAYAKOSHA CORPO MENTAL
5 MENTAL INTELECTO
ABSTRATO (mental sem (corpo ilusório ABSTRATO
ABSTRATO CORPO
(RUPA) forma) do espírito)
PLANO CAUSAL
3
MENTAL
Com forma MANAS
CORPO MANAS RUPA CORPO
ou MENTE CORPO MAYAKOSHA PERISPÍRITO
4 MENTAL (mental com MENTAL
CONCRETO INSTINTIVA MENTAL (corpo ilusório
CONCRETO forma) COMPLEXO CONCRETO
(ARUPA) da mente)
KAMA-
MANAS
KAMA KAMA (desejo-
CORPO CORPO SHARIRA MAYAKOSHA mente) CORPO
2 PLANO ASTRAL 3 CORPO ASTRAL
ASTRAL ASTRAL (corpo dos (corpo ilusório ASTRAL
desejos) dos desejos)

PRÂNA
LINGA
MAYAKOSHA CORPO
DUPLO PRÂNA ou DUPLO SHARIRA
ETÉRICO 2 (corpo ilusório ETÉRICO
ETÉRICO Força Vital ETÉRICO (corpo vital ou
onde circula a ou VITAL
etérico)
PLANO energia vital) CORPO
1
FÍSICO FÍSICO
ANA
STULO CORPO
CORPO CORPO CORPO MAYAKOSHA
DENSO 1 SHARIRA FÍSICO CORPO FÍSICO
FÍSICO FÍSICO DENSO (corpo ilusório
(corpo denso) DENSO
denso)

Por exemplo, a Filosofia Yoga se refere a sete divisões com relação ao homem, da seguinte forma: Espírito,
Mente Espiritual, Intelecto, Mente Instintiva, Corpo Astral, Prâna ou Força Vital e Corpo Físico.

No entanto, para melhor entendimento e facilidade de estudo, pode-se reduzir essa enunciação setenária,
tão tradicional e familiar no Oriente, para uma concepção mínima de “quatro divisões”, assim
esquematizada: “Espírito, Perispírito, Duplo-Etérico e Corpo Físico”.

Deste modo, o perispírito, no estudo espiritista, é o veículo que abrange, no seu conjunto, a mente
espiritual, o intelecto, a mente instintiva, o Prâna e o corpo astral da especificação Yoga.
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Esses corpos ou elementos intermediários da atividade espiritual, agrupados num só conjunto, constituem o
perispírito que assim preenche os planos intermediários e serve de elo para que o Espírito se ponha em
contato com a matéria.

Dessa forma convencional, o perispírito é a ponte de ligação entre o reino espiritual e o mundo físico, sem
necessidade de esmiuçá-lo com especificações e subdivisões que lhe destaquem o corpo mental, vital,
espiritual ou astral, tão ao gosto dos orientais. Para os espíritas é suficiente enfeixar todas essas
“subdivisões” e “veículos” intermediários, da filosofia Oriental, num só corpo: o perispírito.

O corpo astral, por vezes confundido com o “duplo-etérico”, muito familiar dos esoteristas, teosofistas, rosa-
cruzes e yogas, em verdade compõe o mesmo veículo que Allan Kardec generalizou sob o nome de
“perispírito”.

1. ESPÍRITO x PERISPÍRITO
O Espírito é a “chama”, a centelha ou o clarão etéreo, espécie de luz imaterial, que se justapõe ou se
conjuga a um “invólucro”, o perispírito, no dizer de Kardec, a fim de lhe ser possível baixar e ajustar-se a um
mundo planetário sob a configuração de um corpo físico ou humano.

“A vida do Espírito é a espiritual, que é eterna; a vida corpórea é transitória e passageira,


verdadeiro minuto na eternidade”. (Allan Kardec).

O Espírito, portanto, é a entidade imortal e sem forma humana, enquanto o perispírito é o seu invólucro, ou
seja, o seu corpo fluídico, estruturado com fluidos mentais e astrais que o envolvem e lhe dão a
configuração humana.

2. O CORPO ASTRAL
O Corpo Astral, também chamado de “corpo dos desejos”, é um veículo ou expressão da consciência, de
aparência bastante semelhante à do corpo físico correspondente, à visão astral ou clarividência; é o veículo
pelo qual o homem expressa suas paixões, sentimentos, desejos e emoções, servindo de ponte ou
intermediário, meio de transmissão, entre o cérebro físico e a mente.

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A tradição ocultista ensina que o corpo astral, como um dos veículos que compõem o perispírito, é
realmente o “corpo dos desejos”, no qual sedia-se o desejo do espírito e se conservam todos os resíduos
produzidos pela emotividade e paixões vividas nos milênios findos.

OS VEÍCULOS DA ALMA

veículo de
plano finalidade produto característico
consciência

ideais pensamentos
superior corpo causal para evoluir com
abstratos
PLANO
MENTAL
idéias pensamentos
inferior corpo mental para pensar com
concretos

emoções
PLANO ASTRAL corpo astral para sentir com
desejos, sentimentos

ações
PLANO FÍSICO corpo físico para agir com
reações sensoriais

Através desse sutilíssimo corpo astral, constituído de toda a essência psíquica emotiva desde sua origem
planetária, é que realmente se manifesta o desejo do espírito.

Nessa contextura delicadíssima atuam, gritam e dominam todos os ecos e estímulos das paixões, desejos e
vícios que hajam vibrado na alma através de suas encarnações físicas anteriores.

PRINCIPAIS FUNÇÕES DO CORPO ASTRAL:

• Atua como veículo de consciência e de ação totalmente independente no plano astral.


• Torna possíveis ao ser as paixões, desejos e sentimentos de qualquer natureza.
• Serve de intermediário entre o cérebro do corpo físico e o corpo mental.

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Dessa forma, o corpo astral atua como um transmissor de vibrações, tanto do corpo físico para o corpo
mental, como do mental para o físico.

No ser humano, a inteligência normal do cérebro produz-se em virtude da união


do desejo com a mente, o conhecido binário Kâma-Manas na terminologia hindu.

• Kâma: desejo, sentimento, paixões.


• Manas: mente, interessando-se por coisas externas, objetivas.
• Kâma-Manas: o Ser, o Eu pensante, a personalidade do homem (o Ego).

No atual estágio da evolução humana, o corpo astral está intimamente ligado ao corpo mental concreto
(“rupa” ou com forma), advindo daí o indissolúvel binário Kâma-Manas, o conhecido “perispírito” entre os
espíritas. Entretanto, através do Yoga ou de práticas de outras escolas iniciáticas, é possível ao homem
libertar-se desse binário, passando a atuar livre e conscientemente quer no veículo astral, quer no mental.

O corpo físico não pode realizar as emoções e sentimentos da criatura, pois suas células não têm
capacidade para sentir, limitando-se a colher e a transmitir aos veículos etérico (o duplo etérico) e astral (o
corpo astral) as vibrações provenientes do mundo exterior. Quando essas respostas vibratórias atingem o
corpo astral, são imediatamente transformadas nas mais diferentes sensações, sentimentos e emoções,
como amor, ódio, prazer, dor, alegria, tristeza, etc.

3. CORPO ASTRAL E PLANO ASTRAL


O corpo astral é composto de matéria mais sutil que a física, a saber, a matéria astral, que compõe todo o
plano astral da Criação Divina, e que antecede o plano físico. A matéria astral existe em sete graus de
adensamento, ou ordens de contextura que, por falta de nomes específicos, recebem os mesmos nomes
usados para a matéria físio-etérica:

• Atômico
• Sub-atômico
• Super-etérico nível de sensibilidade
• Etérico e de freqüência
• Gasoso vibratória diminuem
• Líquido
• Sólido

Tais graus ou subplanos evidentemente superpõem-se uns aos outros, dos mais grosseiros aos mais sutis.
Como a matéria astral é muito rarefeita, ela interpenetra a matéria física.

Todo átomo físico flutua em um mar de matéria astral que o envolve e o interpenetra.

Dessa forma, um ser que vive no mundo astral pode ocupar o mesmo espaço ocupado por um ser vivente
no mundo físico, totalmente inconscientes um da presença do outro, pois estão em planos de diferentes
dimensões.

O plano astral e os outros diferentes planos da natureza, embora possam ser interpenetrados, não se
acham separados em espaço, isolados uns dos outros, mas sim sobrepostos em diferentes estados
vibratórios, em outros estados de consciência. É uma condição da natureza, não uma localidade própria.

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Caso se pudesse, hipoteticamente, produzir fenômenos com um objeto tridimensional em um mundo


bidimensional, ocorreriam os mais estranhos fatos ou evidências. Nessa condição, uma humanidade que só
conhecesse o comprimento e a largura verificaria, com surpresa, o aparecimento e o desaparecimento de
vários objetos através da terceira dimensão, a altura.

No mundo astral, tal fenômeno se verifica através da quarta dimensão, pois o plano astral é
quadridimensional, assim como o mental tem cinco dimensões e o plano búdico ou intuicional tem seis.

Se existem sete dimensões, então não há seres de três ou de quatro dimensões; a diferença aparente está
no limitado poder de percepção e não em alguma mudança nos objetos ou seres percebidos.

O plano astral ainda pode ser subdividido em sete subplanos ou faixas vibratórias seletivas, com variações
graduais de freqüência característica, que vão desde uma faixa ou zona vibratória luminosa até uma faixa
ou região trevosa, representadas didaticamente na figura da próxima página, na forma de esferas
concêntricas associadas ao planeta Terra.

Há, portanto, uma seletividade de freqüências nos subplanos vibratórios do plano astral, sendo os mais
densos constituídos de matéria astralina com estados de agregação igualmente mais densos, como sólidos,
líquidos e gases astrais, e os mais sutis formados por matéria astral mais quintessenciada, nos estados
etérico, super-etérico, sub-atômico e atômico.

Essa característica confere aos habitantes do plano astral do planeta, situados vibratoriamente em
subplanos distintos e com faixas de freqüência muito diferenciados, coexistência sobreposta, uma vez que
um não toma conhecimento do outro no astral, devido à diferença dos próprios estados vibratórios.

É assim que um desencarnado, vivendo em região luminosa do astral superior da Terra, não tem acesso ou
percepção, por meio dos seus sentidos perispirituais, de um outro desencarnado que vive em região trevosa
do astral inferior.

As zonas luminosas ou do astral superior estão referidas como “supracrostais” enquanto as trevosas,
umbralinas ou do astral inferior estão indicadas como “subcrostais”.

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A matéria astral é composta de átomos de viva luminescência, em constante movimento, podendo ser
moldada ou plasmada a cada emissão de
pensamento, e tomará uma forma efêmera
enquanto durar a ação do pensador.

Assim como as formas-pensamento, os


sentimentos imprimem na matéria astral uma
determinada cor, cujo brilho varia de acordo com a
intensidade do sentimento ou emoção:

PRINCÍPIOS QUE REGEM A PRODUÇÃO DAS FORMAS DOS PENSAMENTOS-EMOÇÕES

aspecto determinado pela

• COR • qualidade do pensamento ou emoção


• FORMA • natureza do pensamento ou emoção
• NITIDEZ DA FORMA • precisão do pensamento ou emoção
• DURAÇÃO DA • tempo, intensidade e precisão do pensamento ou
FORMA emoção

O perispírito é o veículo mais avançado da alma


para o ser encarnado, cujo grande potencial de
energias não apenas sobrevive à destruição do
corpo carnal, como ainda se revigora
continuamente, a fim de servir às futuras
encarnações.
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Ele é o instrumento para que o espírito possa descer novamente à Terra e aqui viver tanto tempo quanto
seja o da resistência do seu corpo físico.

Durante as inúmeras existências reencarnatórias, ele vai colhendo experiências através da dor, do
sofrimento e das vicissitudes humanas.

Após a desencarnação, ele se torna o precioso instrumento de que a alma se utiliza nos planos sutis do
astral, pondo-se em relação direta com todas as energias originárias do próprio meio.

À medida que o perispírito se torna mais sensível, devido ao sofrimento que lhe favorece contínuas
expurgações da escória agregada durante as vidas materiais, também a sua alma consegue maior
expansão na vida espiritual e favorecimento para um intercâmbio de realizações felizes.

Só depois de desencarnado é que o homem compreende a ilusória realidade da existência carnal, ao


compará-la com a vida de sensações maravilhosas e positivas que ele pode gozar depois de sua morte
física, graças à cooperação do perispírito sobrevivente, preexistente à encarnação que se finda.

Diversamente do duplo etérico, que se extingue ao término de cada encarnação na matéria, o perispírito é,
portanto, um veículo autônomo de consciência do espírito, sobrevivendo à morte do corpo físico e do duplo
etérico, podendo ainda servir de veículo independente de consciência nas seguintes situações:

SITUAÇÕES EM QUE O CORPO ASTRAL SERVE DE VEÍCULO INDEPENDENTE DE CONSCIÊNCIA:

• durante o sono, em sonho, ou em transe, o corpo astral pode se separar do físico e atuar
livremente no plano astral.
• durante o período de vigília, com o cérebro e os sentidos físicos despertos, a ação da
consciência no veículo astral pode se processar, mediante prévio desenvolvimento dos chacras.
• consciente e deliberadamente, a qualquer momento que se queira, pode-se abandonar o
veículo físico denso e atuar livremente no astral, com passagem de um plano para outro feito em
absoluta continuidade de consciência, mediante exercícios de Yoga ou de práticas iniciáticas.
• após a morte do corpo físico, o Ego se retira para o plano astral em corpo astral, e terá nesse
plano existência de duração variável, dependendo da evolução espiritual de cada um.

4. CONSTITUIÇÃO DO PERISPÍRITO
Na época da codificação espírita, o conceito generalizado dos seus adeptos era de que a morte do corpo
carnal compacto deixava o espírito desencarnado tão somente atuando no campo mental, alegando que o
espírito, depois da morte física, é pensamento.

Em conseqüência, após a desencarnação, todos os fenômenos próprios do mundo físico não passariam de
ilusões, que poderiam ser eliminadas nas doutrinações de espíritos sofredores, por exemplo; deste modo, a
maior preocupação dos doutrinadores resumia-se em eliminar da mente dos comunicantes as “miragens”
obstrutivas ou reminiscências da vida material.

No entanto, com o advento de obras mediúnicas psicografadas posteriormente por bons médiuns,
comprovou-se que o perispírito não é apenas um corpo tão simples como se supunha nas primeiras
revelações espíritas.

Trata-se de um equipo complexo, sobrevivente, que, além de sua capacidade mental, também se constitui
do veículo astral, conhecido desde os vedas como o “corpo dos desejos”, e transmissor dos sentimentos e
outros fenômenos do Espírito imortal.

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Em conseqüência, o simples desvestimento do corpo carnal não extingue vícios, desejos e velhos hábitos
estratificados no mundo físico, assim como os fenômenos “post mortem” de sofrimento, lesões, fadiga, fome
e sede não são frutos do pensamento indisciplinado no Além, mas cruciante realidade, atuando com mais
intensidade no espírito desencarnado, cuja morte apenas o transfere para outra moradia, sem lhe violentar o
campo de idéias e emoções cultuadas no mundo material.

Há os religiosos dogmáticos que consideram os desencarnados no plano astral como bandos de almas
penadas, sofrendo o castigo das chamas do inferno, ou então como felizes borboletas em eterno vôo sem
pouso, no seio das nuvens amigas, ou presas no céu a contemplar a “face de Deus...”, há os que crêem que
os mortos detestam qualquer parente, afeto ou coisa que tenha ficado no mundo terreno do pecado e que,
por isso, não abandonam o céu para visitá-los.

Outros já os consideram como prolongamentos vivos de seus ideais e responsabilidades, vivendo em


ambiente sensato e sem hiatos violentos, possuindo corpos adequados às relações com o meio astral,
porém temem-nos como espantalhos ou figuras doentias e caricatas de um mundo melancólico!

Muitas pessoas ainda imaginam, erroneamente, o perispírito de um desencarnado como um corpo


constituído de bloco de fumaça, ou então igual a uma espécie de massa vaporosa e informe, um corpo
constituído de éter flutuante, que esvoaça à vontade do espírito, vagueando daqui para ali, sem qualquer
organização ou função que lembre o corpo físico. Muitos consideram que o perispírito tudo vê, ouve e sente,
como se um floco de nuvem tivesse inteligência e vida própria!

Na verdade, um espírito desencarnado vivendo no plano astral tem para si uma percepção de vida
muitíssimo mais viva do que se estivesse no corpo físico!

Isso ocorre porque ele atua no plano astral, um campo vibratório excessivamente mais dinâmico e
fenomenicamente mais elástico do que é o plano letárgico e pesado da matéria, a ponto de considerar ter
deixado na sepultura terráquea um pesado escafandro de carne ao qual estava algemado.

Para o desencarnado existindo no plano astral, o seu espírito é tão material como o corpo físico o é
para o encarnado no mundo da matéria, e isso lhe é perfeitamente perceptível pelo sentido do tato.

Se o perispírito fosse uma dessas supostas configurações esvoaçantes etéricas, o desencarnado não
poderia, por exemplo, apoiar a sua mão em sua cintura, pois seria de crer que essa mão afundasse no seio
da imaginada massa gasosa de que deveria ser constituído, o que, em verdade, não ocorre.

Servindo-se de seu perispírito, um desencarnado move-se tão logicamente no meio astral quanto o espírito
encarnado se movimenta com naturalidade no mundo material, porque em ambos os casos cada corpo é
feito da mesma substância que constitui o meio onde atua.

Se um homem fosse feito de fumaça não poderia sentar-se numa cadeira de madeira; no entanto, sob a lei
comum da reação igual entre as substâncias iguais, ele sentar-se-ia facilmente em outra cadeira que fosse
construída de fumaça.

Portanto, desde que o solo, as coisas, os seres e tudo o que constitui o mundo astralino são feitos da
mesma substância, a vida de relações de um espírito desencarnado também decorre tão logicamente como
decorre a vida na Terra, apenas com uma diferença: a vida astral é muito mais intensa e dinâmica do que a
terrena.

Isso ocorre porque os desencarnados atuam na matéria astralina quintessenciada que, além de mais rica na
reprodução vibratória de suas emoções, ainda lhes oferece elevado padrão de beleza, dotada da pitoresca
propriedade de uma encantadora luminosidade interior.

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O espírito desencarnado move-se num ambiente de matéria astralina sutil do mesmo


modo como o homem carnal se move dentro do cenário pesado do mundo terreno.

O homem, por ser portador de um corpo material, toca, apalpa ou manuseia perfeitamente a sua veste, o
seu sapato ou o seu alimento, que são feitos de substâncias materiais. Do mesmo modo, mas sob outra
modalidade vibratória, o espírito desencarnado, com o seu corpo feito de substância astral, pode sentar-se
numa cadeira astral, vestir roupa astral ou ingerir sucos de frutas astrais.

Depois de desencarnado, o homem atua pelo perispírito, que é o seu verdadeiro organismo, que tanto
preexiste ao nascimento como sobrevive após a morte do corpo físico. Como esse delicado instrumento de
relação com o ambiente astral é mais sensível às percepções do espírito, o desencarnado passa a gozar de
maior sensibilidade psíquica.

Visto que a chama espiritual (o “espírito”) é na realidade o centro da consciência individual do homem no
seio do Todo, o seu corpo físico e o seu perispírito significam tão somente os seus respectivos veículos de
atuação nos planos material e astral.

Desses dois veículos, o mais valioso e importante para a estrutura espiritual do ser é, sem dúvida, o
perispírito, porque, além de ser um organismo definitivo, é o que se liga mais intimamente à sua consciência
imortal.

Enquanto o corpo de carne é um organismo pesado e denso, que atende dificultosamente às intenções e
necessidades do espírito reencarnado, o perispírito, devido à sua contextura sutilíssima e quintessenciada,
é maravilhoso instrumento de ação no seio das energias vivíssimas do mundo astral. A sua leveza e
dinâmica permitem atender, de imediato, à mais insignificante vontade do espírito desencarnado.

O corpo físico, para o espírito encarnado, é como um escafandro a oprimir os movimentos do mergulhador
no fundo do mar, restringindo-lhe os sentidos físicos no ambiente modificado pela água! Assim que o
mergulhador despe o seu escafandro à superfície da água, logo se reintegra na posse de todos os seus
movimentos naturais e passa a gozar da paisagem colorida e iluminada pelo Sol, que constitui o panorama
da vida ao ar livre.

Essa falsa idéia a respeito da verdadeira constituição


do corpo perispiritual tem por base as deformações
apresentadas nos trabalhos mediúnicos de
materialização em que, muitas vezes, as figuras dos
desencarnados parecem instáveis e sem continuidade,
movendo-se no seio de massas gasosas, como se
realmente fossem nuvens de algodão, com
movimentos espasmódicos e deformantes.

Outras vezes, durante a produção desses fenômenos


de materialização, os espíritos desencarnados
aparecem semelhantes a máscaras carnavalescas,
cujos olhos, bocas e nariz horrendos não só assustam
os neófitos, como ainda impressionam mal muitos
freqüentadores habituais de sessões de fenômenos
físicos, que então julgam-nos egressos de um mundo
mórbido e lúgubre, no qual é provável que só vivam se
compondo e se desfazendo incessantemente no seio
da fumaça leitosa do astral.

Porém, tudo isso é conseqüência das dificuldades no


trabalho de efeitos físicos, devidas aos tipos de
ectoplasma de certos médiuns.

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Em muitos deles, a fluidificação é rude e primária, produzida em centros orgânicos demasiadamente


instintivos, sem a sutilização vibratória suficiente para configurar todas as minúcias e contornos da
verdadeira configuração perispiritual.

No entanto, a verdadeira aparência do desencarnado no astral é outra: os espíritos, quanto mais evoluídos
são, mais belos e rejuvenescidos em seu aspecto humano se tornam; os seus modos são agradáveis, com
certa graça e beleza que só pode ser comparada à delicadeza dos movimentos dos pássaros!

O espírito desencarnado, no plano astral, não é nenhum fantasma compungido ou consagrado


pelas lendas fantásticas do passado, ou um produto virtual da imaginação dos médiuns.

5. FISIOLOGIA NO CORPO ASTRAL


Ainda são raras as criaturas que se apercebem da complexidade de todos os órgãos e atividades do
perispírito, que tanto preexiste ao nascimento físico como sobrevive após a morte carnal.

Bem ao contrário de uma massa gasosa, uma simples fumaça astral, simulando mórbida caricatura, o
perispírito possui órgãos, semelhantes e bem mais complexos do que os existentes no corpo grosseiro de
carne, tais como coração, pulmões e fígado astrais, dotados de fisiologia sofisticada, e apresentam
considerável semelhança com a configuração carnal.

Os órgãos do corpo físico são apenas cópias resumidas dos modelos ou das matrizes
orgânicas esculpidas na substância etéreo-astral do perispírito e que há muitos milênios
constituem a sua exata fisiologia.

Enquanto o corpo de carne é temporário, feito para o homem viver na Terra por 60 a 80 anos em média, o
corpo sobrevivente à morte física, o perispírito, é muito mais complexo e de maior valor do que aquele,
sendo organização definitiva, cuja vida não pode ser medida pelo calendário humano.

A constituição do perispírito remonta há alguns milhões de anos terrenos, durante os


quais ele veio se plasmando através de todos os reinos da natureza, no seio de todas as
espécies inferiores.

Durante esse prolongado mas progressivo desenvolvimento, nele se acumularam as energias fundamentais,
plasmaram-se os órgãos e os sistemas etéreo-astrais, até alcançar o progresso e a sensibilidade suficientes
para servir como o mais valioso veículo intermediário entre o mundo invisível dos espíritos e o mundo físico
dos encarnados.

O perispírito é um organismo cuja fisiologia etéreo-astral é muito mais complexa e avançada do que a do
corpo físico. Embora funcione num plano vibratório imponderável aos sentidos físicos, ele é o “molde
preexistente” ou a matriz original do corpo físico, possuindo as contrapartes astrais de todos os órgãos
carnais.

Essas contrapartes astrais do perispírito, pouco a pouco, também se atrofiam pelo desuso, devido ao
progresso espiritual da alma, que então se ajusta a planos cada vez mais sutis.

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O perispírito, mesmo desligado do corpo físico e apesar de liberto das exigências da vida
material, apresenta ainda uma fisionomia etéreo-astral que lembra o velho casulo de carne.

O perispírito de um desencarnado que se materialize em trabalho de fenômenos físicos, permite que se lhe
ausculte o coração, que bate de modo perceptível, podendo até mesmo escutar-lhe a débil respiração,
própria do ser vivo no plano físico, para a surpresa de muitos, comprovando nos desencarnados uma
fisiologia semelhante à do organismo carnal.

Não há discrepância ou anormalidade no fato de os encarnados apalparem ou ouvirem as pulsações dos


órgãos de espíritos materializados, pois o seu invólucro perispiritual é anatômica e fisiologicamente idêntico
às suas contrapartes do organismo físico. A diferença consiste em que esses órgãos palpitam noutra
freqüência vibratória mais sutil e cumprem a função adequada ao plano em que se manifestam (o plano
astral).

Convém destacar a grande importância e preponderância do perispírito sobre o corpo físico, pois ele é a
matriz, o molde, ou seja, a origem exata da organização de carne e o “detonador” de todos os demais
fenômenos corporais projetados pela mente humana.

Todos os seres vivos, inclusive os vegetais, são dotados de um duplo etérico que lhes configura a forma e
também traça os limites do seu crescimento e expansividade. Assim como o homem é portador de um
perispírito que lhe dá forma humana e o mantém equilibradamente no meio onde habita, as espécies
vegetais também possuem um corpo etérico provisório, nutrido pelo Prâna ou vitalidade, o qual se desata da
semente e se expande até um limite peculiar.

Se o homem não fosse um perispírito limitado na sua configuração humana, é obvio que ele cresceria
indeterminadamente em todos os sentidos, durante a sua existência física, tornando-se a humanidade
terrena um conjunto de gigantes em relação à sua estatura tradicional atualmente conhecida. Em breve, sob
essa hipótese, o orbe terráqueo estaria saturado e superpovoado por tais gigantes, ainda coberto por uma
vegetação em incessante crescimento.

No entanto, graças ao perispírito, que funciona à guisa de um “cartucho” ou “molde” invisível, a impedir o
crescimento anormal do homem e do animal, e ao duplo-etérico que contém os vegetais, a Terra ainda é um
planeta suficiente para ser povoado e cultivado por incontáveis milênios.

O perispírito, situado no mundo oculto, modela, disciplina e sustém o corpo físico.

Em suas funções transcendentais, ele também possui órgãos astrais como o coração, fígado, baço, rins,
pâncreas, estômago e intestinos, de substância idêntica à do meio astral e alguns novos projetos de
acessórios orgânicos que servirão ao homem do futuro!

O perispírito é um organismo definitivo, hipersensível, consideravelmente mais aperfeiçoado do que o corpo


físico transitório; é, enfim, o molde original, a matriz ou “contraparte” astralina, que tanto preexiste no
nascimento físico, como sobrevive à morte do corpo de carne.

Todas as emoções de sentimentos deprimentes da alma repercutem na contextura sutilíssima do perispírito,


dando lugar a afecções mórbidas no mesmo, as quais, por sua vez, repercutem e afetam o corpo carnal,
que, na realidade, é o seu fiel prolongamento ou reprodução materializada.

A mínima infecção ocorrida no fígado carnal do homem basta para também mudar a cor, a densidade, a
temperatura, a luminosidade, o magnetismo, o odor ou o tipo de éter físico circulante no fígado matriz, ou
seja, da contraparte “hepática astral” existente no perispírito. Os sinais cromosóficos, as alterações
magnéticas, a transparência ou a luminosidade que o fígado perispiritual apresente à visão dos espíritos
desencarnados e aos clarividentes terrenos servem para indicar-lhes a natureza e a gravidade da doença
que grassa no fígado do corpo carnal.

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PREPARANDO-SE PARA O III MILÊNIO 7. O Perispírito – 1ª parte: Corpo Astral 12

Assim como o duplo etérico, o corpo astral também é dotado de centros de forças ou chacras, sendo sete
os principais, verdadeiros vórtices de quatro dimensões, que se estendem em direções muito diferentes das
do corpo etérico; não são de forma alguma limítrofes com aqueles, ainda que alguma porção sempre
coincida.

Qualquer alteração na saúde física, por menor que seja, perturba o bom funcionamento dos chacras, ou
centros de forças etéricos, situados no duplo etérico, que é o intermediário entre o corpo físico e o
perispírito.

Dessa conexão resulta que toda e qualquer emoção deprimente, dinamizada pela consciência do homem,
gera os seus efeitos tóxicos que se manifestam e evidenciam tanto no perispírito como no organismo
carnal.

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Quando os espíritos desencarnados examinam diretamente o perispírito dos encarnados, eles podem
avaliar o tom vital e a resistência dos órgãos físicos do homem segundo seja o diâmetro, a transparência, o
colorido e a dinâmica dos chacras, que, embora situados no duplo etérico, ficam à altura dos principais
plexos nervosos.

Através desses chacras fluem do organismo carnal para o perispírito os diversos tipos de energias
sutilíssimas, casadas ao éter físico, aos elementos magnéticos procedentes do Sol (energia cósmica e
prâna, ou energia vital), ou emanados da Terra (energia telúrica ou kundalini), e também dos fluidos
provindos da aura astral dos orbes mais próximos (energias cósmicas planetárias).

Em sentido inverso, o perispírito se utiliza desses mesmos centros de forças do duplo etérico para também
alimentar o corpo físico com as energias espirituais superiores, que convergem pelo centro ou chacra
coronário, a fim de sublimá-lo na sua espécie humana.

Essa ligação íntima das energias do mundo angélico, em descenso para o homem encarnado, efetua-se
principalmente pelo centro etérico ou chacra coronário, situado no alto da cabeça, que é por excelência o
órgão de relação com o mundo espiritual superior, ou centro de “união divina”, supremo comandante dos
demais chacras.

6. NUTRIÇÃO DO PERISPÍRITO
O fato de se dizer que o perispírito possui órgãos semelhantes aos do corpo físico não implica em afirmar
que o seu metabolismo é perfeitamente idêntico ao do corpo carnal. Esses órgãos atuam no perispírito em
funções algo semelhantes às dos órgãos da matéria, mas não iguais, pois a nutrição do perispírito é outra, e
bem diferente, de acordo com o mundo astral que passa a habitar, sendo inconcebível que continuasse a
ingerir substâncias idênticas às fornecidas na Terra.

A nutrição perispiritual se exerce mais pelo fenômeno da osmose magnética, por absorção e eliminação
do magnetismo do meio ambiente astralino.

No entanto, conforme o grau de materialidade do espírito recém-chegado da Terra, ele exige recursos afins
e grosseiros para atender ao seu metabolismo astral, ainda fortemente condicionado às funções também
grosseiras do corpo físico.

Durante a absorção prânica, a energia magnética do astral, processam-se no metabolismo do perispírito


transformações químicas de natureza transcendental muito mais acentuadas do que as que se registram
para a alimentação e sustento do corpo de carne.
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Os resíduos das substâncias astrais consumidas pelo perispírito também precisam ser expelidos para o
exterior, dissolvendo-se no meio ambiente astral através de um processo denominado “emanações
residuais”.

Os espíritos mais elevados se ajustam a essa alimentação magnética, e só quando descem para as regiões
do astral inferior é que se servem de sucos etéricos de frutas, ou mesmo de caldos de substâncias de
essências etéricas reconfortantes.

À medida que o espírito vai ascencionando para esferas mais distanciadas da matéria, os órgãos do
perispírito vão se atrofiando pelo desuso, mas enquanto ele ainda necessita de encarnações nos mundos
físicos, é obvio que precisa manter em atividade os órgãos do seu perispírito, que são as contrapartes
etéricas exatas dos mesmos órgãos físicos.

Quando se trata, porém, de espíritos de certa elevação, que já se habituaram com a nutrição prânica astral
e estão entrosados na vida sutilíssima do plano mental, o seu perispírito vai se tornando obsoleto, e então
se encaminham para o fenômeno da “segunda morte”, no plano astral, porque tais espíritos não só já se
imunizaram contra as emoções humanas alimentadas pelos fluidos astrais do “mundo dos desejos”, como
também estão, em definitivo, dispensados dos renascimentos na carne.

Passam, então, para o plano mental concreto, que lhes é imediato, onde o espírito vive instintivamente
tudo aquilo que criou e pensou.

As matrizes originais do perispírito modelam os órgãos do corpo físico em cada nova


encarnação, mas futuramente eles se atrofiam pelo desuso no ambiente astralino.

Só então a alimentação do espírito será exclusivamente mental e ele poderá dispensar o perispírito e
poupar os cuidados para mantê-lo ativo, a fim de servir às futuras reencarnações. Alcançando, então, tal
progresso, e habitando definitivamente um plano tão sutil, o espírito poderá dispensar o uso de fígado,
estômago, intestino, rins, dentes astrais e uma infinidade de cuidados como os que os encarnados precisam
ter com seus corpos carnais.

O homem deve buscar ter muito equilíbrio psicofísico, porque se materializa na Crosta em
perfeita conformidade com o produto de suas criações mentais e espirituais, passando a
possuir um organismo físico de acordo com o zelo e cuidado dispensados ao seu molde
perispiritual; por isso, deve sempre se manter regrado, zelando pelas energias do perispírito.

7. O CÉREBRO DO CORPO ASTRAL


Entre o espírito e o corpo físico, portanto, interpõe-se o perispírito, que é o verdadeiro veículo ou elo das
relações boas ou más que o homem estabelece com o mundo invisível.

O domínio do corpo físico não se exerce por uma ação energética, produto exclusivo da matéria, nem ele é
uma entidade estranha, controlada por processo especial e isolado do pensamento humano; a carne
materializa em sua configuração todos os atributos e conquistas milenárias não dela, mas do perispírito, que
é o sobrevivente absoluto de todas as transformações físicas.

O perispírito é um conjunto de natureza vital poderosíssima e de intensa atividade no seu plano eletivo do
mundo astral, sendo organização levíssima e de tão assombrosa plasticidade, que reage imediatamente à
mais sutil cogitação mental do espírito, por cujo motivo é extraordinariamente influenciável pela natureza
dos pensamentos bons ou maus das entidades desencarnadas.

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Durante a encarnação, o perispírito “desce” vibratoriamente, a fim de aglutinar a matéria carnal do mundo
físico, mas sempre o faz com sua poderosa influência magnética e com o seu psiquismo elaborado nos
milênios findos; a seguir, submete-se às leis da vida física e sofre a ação das tendências hereditárias do
corpo de carne, malgrado os seus princípios milenários.

O organismo físico, apesar dos seus ascendentes biológicos, que parecem dar-lhe uma autonomia toda
especial e um valor exclusivo em sua linhagem hereditária carnal, é apenas o revelador objetivo da alma à
luz do ambiente do mundo material.

No período de gestação do corpo carnal, o perispírito recapitula rapidamente todas as lições vividas na
escalonada animal, e que lhe foram proporcionadas nos vários contatos anteriores com o mundo material,
para, em seguida, servindo-se da nova oportunidade da vida física, poder ampliar e consolidar as suas
próprias realizações anteriores.

O comando do espírito sobre a carne não se faz diretamente pelo cérebro físico, mas sim através do
cérebro do perispírito, que é a sua matriz etéreo-astral, o maravilhoso aparelhamento que se assemelha a
poderosa e divina usina a serviço da vida superior.

O cérebro do perispírito é o valioso órgão responsável pelo pensamento humano, desempenhando as


admiráveis funções de transmissor da vontade e da inteligência da alma, como um produtor de onda, luzes
e energia de todos os matizes, fazendo cintilar as suas altíssimas emissões desde o encéfalo até as forças
e os elementos que se agrupam na região dos lobos frontais, que será o campo avançado das atividades
do homem do futuro.

O corpo físico, embora servindo de escafandro ou de muralha de carne protetora do espírito, é no mundo
exterior o agente e o reagente dos fenômenos provindos das relações do espírito com o meio ambiente. E o
seu verdadeiro domínio, obviamente, se processa no seu mundo interno e através do controle delicadíssimo
do perispírito.

O verdadeiro controle do organismo de carne, portanto, é processado por via interna, através do perispírito,
isto é, exatamente onde tanto podem atuar os espíritos benfeitores como os malfeitores, isso dependendo,
sem dúvida, da natureza elevada ou inferior das simpatias psíquicas de cada um.

O cérebro do perispírito, embora estruturado com substância sutil, também se apresenta com os dois
hemisférios característicos e sulcados pelas circunvoluções tradicionais configuradas pelos lobos,
convenientemente separados entre as cissuras da massa encefálica. Mesmo o seu mecanismo orgânico, no
plano “etéreo-astral”, guarda grande identidade com a própria função dos centros motores, descrita nos
compêndios humanos, no tocante ao cérebro físico.

Mas a supremacia excepcional do cérebro do perispírito consiste em que, à semelhança de complexo


aparelhamento elétrico, jamais conhecido pelos olhos humanos, ela se transforma em verdadeira usina de
força radiante, controlando as mais complexas operações exercidas pelo espírito e emitindo sinais
luminosos, que variam tanto de zona para zona, como de lobo para lobo.

São bem grandes as diferenças de potencial radiante das criaturas humanas: enquanto as almas
mentalmente evoluídas emitem fulgurações luminosas nos lobos frontais, as desprovidas do conhecimento
espiritual se tingem de sombras em torno da importante região frontal.

Através de seu cérebro maravilhoso, talhado na substância astral e muito mais complexo e eficiente do que
a sua cópia física, o espírito dirige e controla o seu perispírito, harmonizando o seu funcionamento de
acordo com a qualidade dos seus pensamentos. Quando estes são elevados, realçam a luminosidade dos
centros criadores mentais, mas quando de desregramento ou irritação, submergem a fronte diáfana na
fuligem sombria das energias animalizadas.

O cérebro do perispírito lembra, também, o automatismo do cérebro físico no seu comando de todas as
operações instintivas, que se subordinam às atividades do subconsciente e são produtos de esforço
milenário da evolução do homem.

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O corpo físico é o “efeito” e não a “causa” da vida psíquica!

Em rude exemplo, pode-se compara-lo a um encorpado “mata-borrão”, capaz de absorver todas as


substâncias exaladas pelo psiquismo do espírito encarnado. Do mesmo modo, a natureza das
manifestações do corpo carnal depende fundamentalmente das funções do perispírito, pois este é realmente
o verdadeiro molde ou o plasmador da configuração do organismo físico.

Em verdade, o perispírito suporta simultaneamente a carga da vida humana em dois planos diferentes: o
físico e o astral, embora ambos estejam profundamente interpenetrados, tanto em sua origem como na
produção de seus fenômenos. É veículo preexistente ao nascimento e que, pelo fato de sobreviver à morte
do corpo físico, é dotado de um energismo e produção vital muito intensos, que se disciplinam sob o seu
inteligente automatismo milenário.

O perispírito é o equipo mais completo e valioso do ser humano, significando a sua


veste indestrutível e o seu arquivo inalterável, onde se conserva toda a memória da
alma, acumulada no pretérito!

As células nervosas do corpo físico, além de suas propriedades e manifestações objetivas, são núcleos
sobrecarregados de eletricidade inteligentemente armazenada pelo perispírito.

Os neurônios não servem unicamente para atender o curso das sensações exteriores, mas são também
responsáveis pelas mensagens que os neurônios perispirituais lhes transmitem, como fruto das impressões
internas enviadas pela consciência do espírito.

Se são complexos os elementos físicos classificados pela ciência, e que no cérebro carnal funcionam à
semelhança de interruptores, fusíveis, condutores, condensadores e osciladores constituídos pelos “plexo”,
agrupamentos de gânglios nervosos e filamentos neurocerebrais na área do sistema nervosos, muito mais
importantes e complexos são eles quando se referem ao cérebro do perispírito.

Este significa admirável estação radiofônica, submissa ao serviço da mente, e ativada por indestrutível
potencial de energia, ondas e emissões da mais alta freqüência vibratória, o que presentemente ainda é
inacessível mesmo à mais avançada instrumentação científica. É central elétrica, funcionando entre o plano
invisível e o material, atendendo às mensagens que são captadas no campo da vida física, e expedindo as
sugestões provindas do mundo interior do espírito.

8. O AUTOMATISMO DO PERISPÍRITO
O perispírito é possuidor de um automatismo permanente, conseqüente da onda de vida que flui por ele e o
alimenta, automatismo esse que teve o seu impulso inicial há muitos milênios. Devido a esse poderoso
impulso, que não só sustém coeso o perispírito como torna sensível a sua memória etérica, e alicerçada a
consciência individual do espírito, não é possível que se destrua essa delicada e importante organização.

Mesmo que muitas almas se desesperem a ponto de pretenderem extinguir-se definitivamente como
entidades conscientes, isto lhes é impossível, em face de jamais poderem neutralizar a onda vital que se
formou alhures, na maré da vida planetária.

O perispírito é um organismo tão sábio, que é capaz de corrigir quase todos os descuidos do espírito e
obedecer docilmente às leis imutáveis que lhe regulam o intercâmbio entre o mundo espiritual e o material.
Esse automatismo, tão sábio e eficiente, se transfere para o corpo físico em cada encarnação do espírito, a
fim de que possam ser controlados os fenômenos que podem dispensar a consciência.

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Sob a ação do automatismo milenário do perispírito, o homem não precisa pensar para dormir ou andar,
nem precisa cogitar de promover a assimilação nutritiva e a produção de sucos ou hormônios, dispensando
também o controle pessoal dos fenômenos excretivos de toxinas, suores e substâncias perigosas à
integridade física.

Graças a essa inteligente direção e capacidade de controle automático e milenário do perispírito, o corpo
físico do homem realiza centenas de funções, sem que seja preciso intervir no fenômeno, e todos os
dispêndios e recuperações de energias se efetuam sob elogiável disciplina e se destinam ao mais breve
progresso e aperfeiçoamento do espírito.

A prova da existência desse automatismo sábio do perispírito se revela, por exemplo, durante o seu
afastamento no processo de anestesia, quando cai a temperatura do corpo físico e diminuem as suas
funções orgânicas.

As energias próprias do perispírito, que lhe sustém esse automatismo característico, se ativam mais durante
o verão, quando o magnetismo perispiritual se torna mais ativo, e então as unhas, os cabelos e os pelos
crescem mais rapidamente do que no inverno.

O conhecimento avançado dessa maravilhosa organização, que é o perispírito, do qual a maioria dos
homens ainda ignora o alto valor, permitirá solucionar muitos de seus problemas como paralisias,
epilepsias, doenças desconhecidas e distúrbios nervosos.

Isso porque ele é realmente o principal organismo onde está sediada a onda de vida que flui pela
constelação solar, e depois através dos planetas e da Terra, para então se infiltrar pelos reinos mais
inferiores, nutrindo o vegetal, o animal e o hominal.

9. A INFLUÊNCIA DA ALIMENTAÇÃO MATERIAL SOBRE O PERISPÍRITO


O perispírito sofre em sua contextura até mesmo a influência da alimentação material do próprio corpo
físico. Os carnívoros, por exemplo, são mais letárgicos em sua sensibilidade psíquica porque as fortes
emanações de uréia e de albumina, que exsudam das vísceras animais durante a digestão, costumam
obscurecer o delicado tecido etéreo-astral.

O vegetarianismo contribui para higienizar a estrutura do perispírito, livrando-o dos fluidos viscosos da aura
do animal sacrificado, cuja carne se decompõe no estômago humano; recorda o fato de que “as lentes dos
óculos se conservam límpidas quando não sofrem os efeitos da gordura exsudada pelo calor do rosto”.

10. PERISPÍRITO E EVOLUÇÃO ESPIRITUAL


Todas as coisas e seres possuem o seu duplo etérico, estruturado do próprio éter físico exalado da Terra,
que os relaciona com o mundo invisível e com as forças do atavismo animal.

Entretanto, nem todos os animais são portadores de um perispírito, pois este é um veículo mais avançado
porque incorpora em si o corpo astral dos “desejos” e o corpo mental do “pensamento rudimentar”.

Os animais primitivos, sem capacidade cerebral para distinguir as reações emocionais, quando morrem, o
que lhes sobrevive é um duplo etérico compacto, pois suas “ações” estão subordinadas ao instinto ou ação
do espírito-grupo, sem qualquer resquício de consciência individualizada.

Está nesta categoria, por exemplo, o peixe, cuja vida, circunscrita aos movimentos instintivos do cardume,
faz com que seja sempre igual a outro peixe quanto ao modo de sentir.

No entanto, as espécies mais evoluídas como o cão, o gato, o macaco, o elefante, o cavalo e o boi, já
possuem um perispírito rudimentar, porque, além do duplo etérico, já possuem um corpo astral que, embora
rude, já está em condições de lhes facultar a manifestação de certos desejos e emoções que demonstram
vislumbres de sentimento.

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Enquanto são mais inferiores os corpos etéricos do peixe, dos pássaros e de certos animais
de menor importância, que não passam de apêndices do “espírito-grupo” que os comanda
instintivamente, o duplo etérico do cão, do cavalo ou do gato são portadores de certa dose de
consciência à parte, e já se emancipam da consciência instintiva global do Espírito diretor da
espécie e, conseqüentemente, da generalidade do seu corpo etérico.

Os animais que já possuem certa sensibilidade mental de discernimento, depois que morrem, o seu
“espírito” embrionário é encaminhado para outros planetas, onde se lhes oferecem condições de vida num
ambiente compatível com a sua consciência em formação; assim, pouco a pouco, eles adquirem a sua
independência individual e se desprendem do espírito-grupo da sua espécie.

Essas espécies de animais citadas são as que, na atualidade, mais se afastam do comando espírito-grupo,
pois já denunciam emoções e reações diferentes no ambiente de sua própria raça.

É comum, atualmente, uma ninhada de cães apresentar emoções diferentes entre cada um deles, pois se
um é covarde, outro é fiel e valente; há também o que é mais afável e o que é mais egoísta.

Isso prova que já existe uma individualização na espécie “cão”, ou seja, a sua sensibilidade emotiva, à
medida que se desenvolve e se apura, amplia a sua faculdade do raciocínio, assim que a “alma-cão”
encarnar em corpos com sistema cerebral ou fisiológico mais apurado.

Na contínua evolução dos centros sensoriais físicos e dos centros astralinos dos animais, também se
aperfeiçoa e sensibiliza o intercâmbio das células nervosas, pela constituição de um sistema somático e
parassimpático mais adequado e sensível.

Tal sensibilidade passa a ativar o cérebro animal e abrindo caminho, pela “via interna”, para o
desenvolvimento do corpo mental, que é responsável pelo encadeamento dos raciocínios, encetando assim
a sua mancha “individual” e a ascese, cada vez mais consciente rumo à perfeição.

Por outro lado, quanto mais evoluída é a espécie vegetal, tanto maiores são as suas qualidades etéricas. Há
plantas carnívoras cujo eterismo já está impregnado de desejos e de paixão, pois já participam do mundo
astral, que é o dos desejos e que precede o mundo etérico na progressão formativa do planos da criação no
esquema sideral dos Grandes Planos.

11. A AÇÃO MENTAL SOBRE O PERISPÍRITO


Os espíritos desencarnados que já possuem a própria força mental razoavelmente desenvolvida podem
impor a sua vontade sobre o funcionamento dos seus órgãos perispirituais; por exemplo, podem facilmente
controlar, através da vontade, o seu ritmo de batimentos cardíacos, acelerando ou reduzindo o seu coração
em seus movimentos de diástole e sístole, coisa que o ser encarnado ainda não consegue fazer com o seu
coração carnal.

Atualmente, os homens terrenos atuam nos órgãos originais existentes em seus perispíritos e aceleram
inconscientemente os seus órgãos físicos; mas, não o fazem por maturidade espiritual, e sim através da
violência, do desregramento, da irascibilidade, ou como conseqüência da cólera, do ódio, do ciúme ou do
amor-próprio ofendido.

As criaturas que mais sofrem dos intestinos, do duodeno ou do fígado, são geralmente as que mais se
queixam de ser muito nervosas, ou de apresentarem exagerada sensibilidade, mas, na verdade, elas são
muito descontroladas mental e psiquicamente e, por isso, vivem molestando os órgãos do perispírito e
lesando continuamente as suas contrapartes físicas.

Embora o homem possa ser portador de virtudes que o elevariam a planos superiores, ainda está sujeito a
sofrer as conseqüências de certos descuidos com os principais órgãos do corpo físico.

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Todos os órgãos do corpo físico são duplicatas exatas ou cópias perfeitas dos originais
correspondentes, existentes no perispírito; tanto o zelo como o descaso humanos com
seus órgãos físicos produzem efeitos duradouros nos correspondentes órgãos delicados
e valiosos do perispírito.

Por exemplo, a ação de fumar é nefasta ao perispírito porque, quando o fumo se carboniza, desprende
substâncias etéreo-astrais nocivas, que então agridem os seus pulmões delicadíssimos e causam
dificuldades ao espírito após a desencarnação.

A vontade desenvolvida e a mente disciplinada com dignidade tanto podem remover os empecilhos do
corpo físico, como controlar as próprias operações dos órgãos autônomos e desenvolvê-los a contento, de
forma sadia.

Muitos descrêem de tal possibilidade porque ainda não conseguiram o domínio espiritual de si mesmos,
esperando que esses segredos, que sempre foram guardados sob o respeito das instituições iniciáticas, lhe
sejam revelados como que por magia.

O desenvolvimento da capacidade mental do homem, através da perseverança e tenacidade, sempre foi


muito buscado pelos orientais, que não se deixam condicionar exclusivamente aos fenômenos transitórios
dos cinco sentidos físicos.

Muitos faquires, submetidos a experiências científicas em avançados centros médicos do Ocidente, já


comprovaram a força real do pensamento ao demonstrarem absoluto controle mental sobre o metabolismo
de seus corpos físicos.

Muitos deles aceleram ou retardam a sua pulsação cardíaca, atuando deliberadamente nos centros térmicos
de seus organismos, produzindo temperaturas gélidas ou quentes; outros logram inverter as funções
peristálticas do intestino e apressam a diurese ou a produção de sucos gástricos e pancreáticos.

Esses fenômenos são conseguidos no plano da matéria pela feliz atuação da vontade treinada sobre o
perispírito e, em conseqüência, seus órgãos astrais, via os correspondentes órgãos do duplo etérico,
reagem nas suas cópias físicas, sustendo funções ou incentivando o dinamismo material.

É o que ocorre, por exemplo, na hipnose, quando o paciente, ao receber sugestões imperiosas do
hipnotizador, agindo através de reflexos condicionados, atua nos seus centros térmicos e tanto pode baixar
como elevar sua temperatura, sob a vontade daquele que o induz a sentir frio ou calor.

Se alguns homens sem grandes atributos crísticos, mas teimosos e tenazes em sua disciplina física,
conseguem exercer o domínio e controle em seus corpos carnais, esse domínio, no astral, dos
desencarnados sobre o seu perispírito, pode ser alcançado de modo mais positivo e com absoluto sucesso,
por já estarem livres das algemas da carne.

O perispírito, sob ação mental elevada, respira aprimorado magnetismo; mas, submetido à violência
psíquica e emotiva, se debilita e se intoxica, tornando-se então ponto convergente das energias do baixo
astral.

O seu magnetismo se adensa e o seu peso específico aumenta, nessas ocasiões, muito acima do normal e
natural, fazendo-o precipitar-se nas regiões infernais, ao passo que, atuando por pensamentos sublimes, ele
se adelgaça e se purifica, elevando-se para planos felizes, logo em seguida ao abandono do corpo físico.

Quando o Mestre Jesus de Nazaré afirmou que “os humildes serão exaltados e os que se exaltam serão
humilhados”, revelando a justeza do ensinamento da ciência transcendental, aludiu veladamente ao peso
específico do perispírito, que tanto se adensa na exaltação da cólera ou do orgulho, como se afina e se
eleva na humildade e na bondade.

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A cólera revela fraqueza do espírito e, portanto, comprova debilidade de caráter, pois aquele que se
encoleriza perde a direção do seu comando mental em favor dos impulsos do instinto animal: obscurece-se
a sua mente e se aniquila a sua vontade. O arrebatamento irascível semeia discórdia e conduz à revolta,
transformando o homem racional num louco momentâneo.

Por isso, quando o perispírito é submetido a tal processo pelo homem exaltado e desgovernado, enche-se
de sombras e fulgores sinistros, que depois o sobrecarregam da fuligem gasosa do baixo astral, para onde
se inclina em “queda específica”, devido ao aumento do seu peso magnético.

12. A INFLUÊNCIA DA MENTE SOBRE O PERISPÍRITO DOS DESENCARNADOS


Nas colônias astrais há a necessidade de se manter o perispírito em equilíbrio com o meio no qual
ingressou; por isso, se estabeleceu certa disciplina para os recém-chegados e débeis de vontade, para que,
cultivando o espírito, possam sustentar-se no meio energético e ajustar-se mentalmente ao alto teor
vibratório do ambiente em que se encontram.

Essa disciplina especial visa, portanto, despertar nos desencarnados os seus poderes mentais e as suas
energias vitais, que tanto subestimaram na matéria.

Como os desencarnados aportam a certas esferas espirituais de melhor elevação grandemente


desvitalizados em seu perispírito, devido à ignorância do mecanismo “magnético-respiratório”, que é o
responsável pela absorção energética do meio ambiente astralino, são lá então submetidos a um tratamento
e um exercício baseados na atuação da força astral do Sol, espécie de “helioterapia”, que muito ajuda a
desenvolver as energias circulatórias do perispírito.

Muitas metrópoles e colônias do Astral contam com cursos e exercícios, orientados por hábeis instrutores,
que têm por finalidade ensinar o aproveitamento inteligente do magnetismo astral do Sol, que ajuda os
desencarnados a ativar o dinamismo do perispírito e apurar ainda mais a sensibilidade para mais eficiente
contato com o meio astralino, e maior clareza no intercâmbio emotivo com seus moradores.

O perispírito é muitíssimo complexo, particularizando-se por sistemas delicadíssimos, que


são responsáveis pela produção de força, luminosidade, cores, magnetismo e temperatura,
que precisam ser ativados e disciplinados, principalmente naqueles que ainda são fracos de
vontade e débeis de energias para futuras reencarnações.

Após a desencarnação, o desenvolvimento do perispírito depende tão somente da sua energia mental, ou
do próprio pensamento do espírito. Sem dúvida, a mente é o principal fator da atividade espiritual, em
qualquer latitude cósmica em que se encontre.

A mente do espírito é a força propulsora com que ativa a sua consciência.

A mente desequilibrada é fonte de enfermidades no perispírito, produzidas pelas paixões destruidoras. Para
extirpar os grandes males que comumente o atacam, é necessário empregar inteligentemente a força
mental valiosa, para que sejam extintas a vaidade, a maledicência, o medo, a melancolia, a cobiça, e outros
sentimentos que podem ferir a delicadeza do corpo astral.

Acontece que só depois de desencarnar é que realmente o homem começa a perceber sua grande
ignorância com relação ao potencial assombroso que significa o seu pensamento!

Não só os sentimentos baixos, como a maledicência, a inveja, a sensualidade, a prepotência, o orgulho,


etc., prejudicam a organização perispiritual e interferem na delicadeza do corpo astral, mas também os
vícios do corpo carnal, tais como o do fumo, o do álcool, bem como a ingestão de carne de animais, pois

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com isso o homem o esbanja não só as suas forças vitais, como prejudica o seu perispírito, no
desenvolvimento das leis que regulam o divino mecanismo da vida.

13. A TRANSIÇÃO PARA O PLANO MENTAL CONCRETO


No mundo astral ocorre uma transição completa do espírito para o plano mental, que a tradição oriental
esotérica chama de “segunda morte”. É quando o espírito abandona o corpo astral, que é o veículo
revelador da emoção, e ingressa no plano mental, onde então passa a viver instantaneamente aquilo que
“pensa” e não o que “sente”; porém, muitos espíritos abnegados e heróicos protelam por longo tempo esta
“segunda morte” para o plano mental, a fim de não perderem o contato com os seus tutelados na Terra.

Após a perda do corpo astral, que reflete as emoções algo terrenas do espírito, é dificílimo para este
reconstruí-lo a tempo de atender a trabalhos mediúnicos.Também não compensam o consumo energético
“mento-astral” e a colaboração exaustiva de entidades técnicas para procederem a uma fugaz exposição
aos encarnados.

Eis porque certos espíritos, que se encontram em esferas inacessíveis ao contato terreno, não podem se
comunicar mediunicamente, e também porque nem sempre se encontra presente nos trabalhos
medianímicos a entidade que foi convocada ou se presume falar, porquanto pode faltar-lhe o elo
intermediário do corpo astral, já desintegrado e somente sintetizado no átomo-semente, muito conhecido
dos ocultistas.

O espírito nessa situação então transmite a sua mensagem para aqueles que operam em esfera abaixo do
seu plano de moradia, os quais, por sua vez, a transferem para os encarnados. Por isso, em cada equipe de
trabalhadores desencarnados, no astral, há sempre um elemento medianímico responsável pela
transmissão dos recados daqueles que não podem se manifestar diretamente na matéria.

Fontes bibliográficas:

1. O Evangelho à Luz do Cosmo – Maes, Hercílio. Obra mediúnica ditada pelo espírito Ramatís. 3ª ed.
Rio de Janeiro, RJ. Ed. Freitas Bastos, 1987.

2. Umbanda, essa desconhecida – Feraudy, Roger. 1ª ed. Porto Alegre, RS. Ed. FEEU, 1984.

3. Mensagens do Astral – Maes, Hercílio. Obra mediúnica ditada pelo espírito Ramatís. 9ª ed. São Paulo,
SP. Ed. Freitas Bastos, 1989.

4. Elucidações do Além – Maes, Hercílio. Obra mediúnica ditada pelo espírito Ramatís. 6ª ed. Rio de
Janeiro, RJ. Ed. Freitas Bastos, 1991.

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1º módulo: Introdução ao estudo das obras de Ramatís