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TÓPICOS SOBRE PODERES ADMINISTRATIVOS

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1 – NOÇÕES
Eles são atribuídos à autoridade para que ela possa remover, por ato próprio, as resistências particulares à satisfação do interesse
público.

1.1. PODERES DO ADMINISTRADOR PÚBLICO - A ordem jurídica confere aos agentes públicos certas prerrogativas que
são outorgadas por lei, com base em seus princípios, para a satisfaça do interesse público.
1.2. DEVERES ADMINISTRATIVOS. - Por outro lado impõe a este mesmo administrador alguns deveres específicos e
peculiares.

2 – DEVERES DO ADMINISTRADOR PÚBLICO


2.1. Poder-Dever de Agir
HELY LOPES MEIRELES, “se para o particular o poder de agir é uma faculdade, para o administrador público é uma obrigação de
atuar, desde que se apresente o ensejo de exercita-lo em benefício da coletividade”.
a. os poderes administrativos são irrenunciáveis, devendo ser obrigatoriamente exercidos pelos titulares.
b. A omissão do agente, diante de situações que exigem sua atuação, caracteriza abuso de poder, que poderá ensejar, até
mesmo, responsabilidade civil da administração.

2.2. Dever de eficiência


Mostra a presente necessidade de tornar cada vez mais qualitativa a atividade administrativa, no intuito de imprimir à atuação do
administrador público maior celeridade, perfeição, coordenação, técnica, controle, etc. Ex.: estágio probatório e a possibilidade de
perda do cargo do servidor como público por razões insuficiência de desempenho e a possibilidade de celebração de contrato de
gestão entre o Poder Público e seus órgão e entidades.

2.3. Dever da probidade


Que no desempenho de suas atividades o administrador público aja em consonância com os princípios da moralidade e honestidade
administrativa. Lei da Probidade 8.429/1992.

2.3.1. Os atos e improbidade – Não apenas aos agentes mas sim a todo àquele que, mesmo não sendo agente público,
induza ou concorra para a prática do ato de improbidade. Dividido pela lei 8.429/94 em 1o. Enriquecimento Ilícito, 2o. que
causaram prejuízo ao erário, 3o. Atentam contra os princípios da ADM PÚB.

2.4. Dever de prestar contas


HELY LOPES MEIRELES, “A regra é universal: quem gere dinheiro público ou administra bens ou interesses da comunidade deve
prestar contas ao órgão competente para a fiscalização”.

3 – PODERES DO ADMINISTRADOR PÚBLICO


JOSÉ DOS SANTOS CARVALHO FILHO conceitua os poderes como: “ o conjunto de prerrogativas de direito público que a ordem
jurídica confere aos agentes administrativos para o fim de permitir que o Estado alcance seus fins”.
Chamados também pela doutrina de poderes instrumentais, são meio, diferentemente dos Poderes Estruturais que políticos –
Legislativo, Executivo e Judiciário.

3.1. Poder Vinculado ou Regrado


Para o exercício do Poder Vinculado, devem ser observados todos os contornos traçados, que não deixa margem de manobra à
autoridade responsável. A lei estabelece todos os detalhes, como deve ser feito, quando, opor quem, etc.
No exercício do Poder Vinculado, os cinco elementos dos atos (competência, finalidade, forma, motivo, objeto), são previstos na lei
e de observância obrigatória.

3.2. Poder Discricionário


Aqui a lei também estabelece uma série de regras para a prática de um ato, mas deixa certa dose de prerrogativas à autoridade,
que poderá optar por um entre vários caminhos igualmente válidos. Se a lei deixa certo grau de liberdade, diz-se que há
discricionariedade.

3.2.1. Fontes do Poder Discricionário – (1)Lei expressamente permite pois não existe Poder Discricionário absoluto
pois sempre a lei fixará limites de atuação, se passa desse limite diz-se que praticou desvio ou excesso de poder. Segundo
alguns autores existe (2) conceitos jurídicos indeterminados que geram uma discricionariedade presumida,chamada
zona da incerteza ou “penunbra”. (Ex.: “boa-fé, decoro, bons costumes, manifestações de apreço, moralidade pública.)

3.2.2. Limites do Poder Discricionário (# Poder Arbitrário) – os maiores limitadores da Discricionariedade são aqui :

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Proporcionalidade e Razoabilidade –– onde os meios utilizados estejam de acordo com os fins que se pretendia alcançar.
Princípio das proibição do excesso, compatibilidade dos meios com seus fins, aferição adequada entre o motivo e o objeto. É
liberdade dentro da lei
Não compete ao Judiciário a apreciação de mérito administrativo (conveniência + oportunidade). Apenas revê o mérito de seus
próprios atos administrativos.

3.3. Poder Hierárquico(#Poder Disciplinar)


É a divisão de funções. Não há hierarquia no judiciário e no legislativo pois ela é privativa do executivo. Obedecer a
hierarquia não significa obedecer a ordens visivelmente injustas/ilícitas.

Advém da estrutura hierarquizada da ADM PUB, podendo o superior, com relação a seu subordinado:
a. dar ordens: que devem ser obedecidas, exceto quando manifestamente ilegais;
b. fiscalizar: verificação e acompanhamento das tarefas executadas pelos subordinados;
c. delegar: repasse de atribuições administrativas de responsabilidade do superior para o subalterno;
d. avocar: o caminho contrário, aqui ele traz de volta responsabilidade outrora delegada ao subalterno
e. rever: ato de seus subordinados, enquanto não for ato definitivo, mantendo-o ou modificando-o

3.4. Poder Disciplinar


Diferente de Justiça Penal que é Social e é privativo da chefia imediata.

Conceito - O poder/dever de a ADM PUB punir seus servidores sempre que cometem faltas, apuradas mediante sindicância ou
PAD, ou o particular submetido ao controle estatal, como no caso daquele que descumpre contrato ADM. O poder Disciplinador é
essencialmente administrativo e tem por objetivo punir as infrações funcionais dos servidores e demais pessoas sujeitas à
disciplina dos órgãos e serviços da administração.

Ex.: Lei 8.112; art. 127. São penalidades disciplinares:Advertência, Suspensão, Demissão, Cassação de aposentadoria ou
disponibilidade, Destituição de cargo em comissão, Destituição de função comissionada.

Observação: Elas Devem ser Discricionárias, Motivadas, Reais, Legítimas.

3.5. Poder Regulamentar (não é inovador- não cria lei nova)


Importante = Privativo do CHEFE DO PODER EXECUTIVO

Este poder foi conferido pela CF aos chefes do Poder Executivo federal, municipal e estadual, cabendo-lhes editar normas gerais
e abstratas que, em complemento à lei, a explicam, dando sua correta aplicabilidade. São também chamados decretos de
execução.
a. Decretos de execução
b. Decretos autônomos
c. Regulamento autorizado

3.6. Poder De Polícia


Faculdade que dispõe a ADM PUB para condicionar o uso, o gozo e a disposição da propriedade ou liberdades, em prol da coletividade
ou do ESTADO. Exercido pelos 3 poderes, um mecanismo de frenagem de que dispõem a administração pública para conter abusos do
direito individual.

O ATO DE POLÍCIA - Editado pela ADM PUB ou por quem lhe faça as vezes, fundamentado num vínculo geral com interesse público
e social incidindo sobre propriedade ou sobre a liberdade.

3.6.1. Conceito
HELY LOPES MEIRELES, “Poder de Polícia é a faculdade de que dispõe a Administração Pública para condicionar e restringir o
uso e gozo de bens (a disposição da propriedade ou liberdades) , atividades e direitos individuais, em prol da coletividade ou
do próprio Estado.

3.6.2. Tipos de Polícias


a. Polícia Administrativa
• Age sobre as Atividades dos indivíduos – (Age sobre Bens, direitos e atividades)
• Não pode prender salvo em flagrante delito (como qualquer cidadão pode prender)
• Órgãos Administrativos de caráter fiscalizador (Ex.: Vigilância sanitária, fiscais da prefeitura, Guardas do detran)
• RESUMO: José dos Santos Carvalho Filho: “ quando agentes administrativos estão executando serviços de
fiscalização em atividades de comércio, ou em locais proibidos, para menores, ou sobre condições de alimentos
para consumo, ou ainda em parques florestais, essas atividades retratam o exercício de polícia administrativa.

b. Polícia Judiciária (órgãos de segurança)


ƒ Age sobre o indivíduo, aquele a quem se atribui o cometimento do ilícito penal/ Discricionariamente
ƒ Judiciária(Pol. Civil e PF(que é a civil da união)), Preservação da ordem(PM, PRF)
ƒ As 2 atuam na preservação e manutenção da ordem pública, podem prender

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ƒ RESUMO: Se ao desenvolverem várias atividades necessárias a sua apuração, como oitiva de testemunhas,
inspeções e perícias em determinados locais e documentos, convocação de indiciados, etc., essas são atividades
caracterizadas como polícia judiciária, eis, que, terminada a apuração, os elementos são enviados ao Ministério
Público para, se for o caso, providenciar a propositura da ação penal.

3.6.2. Meios de atuação


a. Preventivamente: atua por meio de normas limitadoras ou sancionadoras
b. Repressivamente: fiscalização e aferição do cumprimento da lei.

3.6.3. Limites
a. Princípio da proporcionalidade – necessidade de adequação entre a restrição imposta pela ADM e o benefício coletivo
que se tem em vista com a medida. Ex.: Do PAD contra Policial Rodoviário em Dourados-MS
b. Princípio Constitucional do Devido Processo legal , Ampla Defesa e contraditório (CF; art. 5o., LIV e LV)

3.6.4. Sanções e Condições de Validade


Multa, Interdição de Atividade, fechamento do estabelecimento, demolição de construção irregular, embargo administrativo da
obra, inutilização de gêneros, apreensão e destruição de objetos,etc.

3.6.5. Atributos do Poder de Polícia

a. Discricionariedade (Mas não omissão muito menos arbitrariedade)


Liberdade que a lei concede para o agente valorar, a conveniência e oportunidade, na medida proporcional a infração
cometida.

b. Auto-executoriedade
• “Possibilidade que certos atos administrativos ensejam de imediata e direta execução pela própria ADM,
independentemente de ordem Judicial” HLM
• É atributo inerente ao Poder de Polícia sem o qual este não faria sentido
• Mesmo obtenção sendo uma faculdade, em determinados casos onde seja previsível forte resistência ela o
pede. Ex.: demolição de edificações irregulares, Multa quando é resistida resistida pelo particular.
• Situações de urgência

c. Coercibilidade
Quando o particular resisti a ato obrigatório a ADM poderá valer-se da força pública para garantir seu cumprimento.
A imposição coercitiva também independe de prévia autorização judicial, mas estando passível a futuro controle de
ilegalidade e se provado abuso de poder ou desvio podendo o ato ser anulado e ensejando até uma possível
reparação ou indenização.

4 – O ABUSO DE PODER
HLM “O abuso do poder ocorre quando a autoridade, embora competente para praticar o ato, ultrapassa os limites de suas atribuições ou se desvia das
finalidades administrativas” Pode ser comissivo ou omissivo. O abuso do Poder, em qualquer de suas modalidades, conduz à invalidade do ato, que
poderá ser reconhecida pela própria ADM ou pelo Judiciário.

4.1. O Excesso de Poder


Ação do agente fora dos limites de sua competência. Excedeu, exorbitou
Ex.: Suspensão que é de 90 dias ser aplicada com 100 dias, PM que ao prender usa de agressividade,

4.2. O Desvio de poder / Finalidade


Ação do agente, embora dentro de sua competência, afastada do interesse público.
Ex.: Demissão para punir um desafeto, desapropriação de terras de amigo para construir rodovia, Ex. PRF em dourados

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