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TRABALHO APLICADO I – DIREITO MINERÁRIO

TALITHA DE MENEZES SILVA

TUANNE CAROLINE FERREIRA RODRIGUES

PROCESSO: 94.03.091315-0 AMS 156696

RELATOR: JUIZ CONV. VALDECI DOS SANTOS

TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO

DIREITO CONSTITUCIONAL. DIREITO ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. EXPLORAÇÃO DE JAZIDA DE BASALTO. AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO DE UM DOS PROPRIETÁRIOS. ANULAÇÃO VÁLIDA DE LICENÇA DE EXPLORAÇÃO.

Inicialmente, a pessoa física ou jurídica interessada em minerar, encaminha ao Departamento Nacional de Produção Mineral - DNPM, o Requerimento de Autorização de Pesquisa para poder realizar sondagens e levantamentos geológicos, dentre outros procedimentos. Cumpridas as formalidades, o DNPM expede Alvará autorizando a pesquisa, que é publicado no Diário Oficial da União e tem validade de três anos, podendo ser renovado. Publicado o Alvará, a pesquisa poderá ser executada. Concluída a pesquisa, o titular do Alvará apresenta Relatório Final ao DNPM, e caso seja aprovado, tem o prazo de um ano para requerer a Concessão de Lavra.

Os recursos minerais, inclusive os

do subsolo,

constituem bens da União, de acordo com o disposto no art. 20, inciso IX da Constituição Federal de 1988. A concessão de lavra é o consentimento da União ao particular para exploração de suas reservas minerais. Nos termos do art. 2° da Lei n° 6.567/78, o aproveitamento mineral por licenciamento é facultado exclusivamente ao proprietário do solo ou a quem dele tiver expressa autorização, salvo se a jazida situar-se em imóveis pertencentes à pessoa jurídica de direito público, bem como na

hipótese de haver o cancelamento do registro de licença por ato do Diretor-Geral do DNPM, publicado no Diário Oficial da União, quando então a habilitação ao aproveitamento da jazida, sob regime de licenciamento, estará facultada a qualquer

interessado, independentemente de autorização do proprietário do solo, observados os demais requisitos previstos na Lei.

O licenciamento depende da obtenção, pelo

interessado, de licença específica, expedida pela autoridade administrativa local, no município de situação da jazida, e da efetivação do competente registro no Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM), do Ministério das Minas e Energia, conforme dispõe o art. 3º do diploma legal retro mencionado. Tratando-se de aproveitamento de jazida situada em imóvel pertencente a pessoa jurídica de direito público, o licenciamento ficará sujeito ao prévio assentimento desta e, se for o caso, à audiência da autoridade federal sob cuja jurisdição se achar o imóvel, na forma da legislação específica.

Durante a instrução do requerimento de registro da licença, o interessado deverá apresentar, dentre outros elementos, a comprovação da nacionalidade brasileira, tratando-se de pessoa natural, ou o registro da sociedade no órgão de registro de comércio de sua sede, se tratar de pessoa

jurídica, bem assim da inscrição do requerente no órgão próprio do Ministério da Fazenda, como contribuinte do imposto único sobre minerais, e memorial descritivo da área objetivada na licença. (Art. 5º da Lei n° 6.567/78).

A autorização do Diretor-Geral do DNPM é

formalizada mediante publicação do extrato no Diário Oficial da União, valendo como título do licenciamento. De acordo com o disposto no parágrafo único do art.

5º da Lei n° 6.567/78 incumbe à autoridade municipal exercer vigilância para assegurar que o aproveitamento da substância mineral só se efetive depois de apresentado ao órgão local competente o título de licenciamento.

Caberá

ao

titular

do

licenciamento,

obrigatoriamente, apresentar ao DNPM, até 31 de março de cada ano, relatório simplificado das atividades desenvolvidas no ano anterior, consoante for estabelecido em portaria do

Diretor-Geral do DNPM. Nas hipóteses de haver insuficiente produção da jazida, considerada em relação às necessidades do mercado consumidor; suspensão, sem motivo justificado, dos trabalhos de extração, por prazo superior a 6 (seis) meses ou haver aproveitamento de substâncias minerais não abrangidas pelo licenciamento, após advertência realizada pelo DNPM, será ainda determinado o cancelamento do registro de licença, por

ato do Diretor-Geral do DNPM, publicado no Diário Oficial da União, consoante prevê o art. 10 da Lei 6.567/78. Para a obtenção da Licença Prévia (LP), a qual deverá ser requerida ao órgão ambiental competente, o empreendedor deverá apresentar os Estudos de Impacto Ambiental com o respectivo Relatório de Impacto Ambiental ou o Relatório de Controle Ambiental e demais documentos necessários. Quanto à Licença de Instalação deverá ser requerida ao órgão ambiental competente, ocasião em que o empreendedor deverá apresentar o Plano de Controle Ambiental - PCA, que conterá os projetos executivos de minimização dos impactos ambientais

avaliados na fase da Licença Prévia, acompanhado dos demais documentos necessários. O órgão ambiental competente, após a análise do PCA do empreendimento e da documentação pertinente, decidirá sobre

a concessão da Licença de Instalação, e após a análise de

aprovação do Plano de Controle Ambiental - PCA, expedirá a Licença de Instalação - LI, comunicando ao empreendedor, que deverá solicitar a Licença de Operação - LO. Após o interessado (empreendedor) obter a Licença de Instalação, deverá então apresenta-la ao DNPM para obtenção do Registro de Licenciamento. Após a obtenção do Registro de Licenciamento e a implantação dos projetos constantes do PCA, aprovados quando da concessão da Licença de Instalação, o interessado deverá requerer a Licença de Operação, apresentando a documentação necessária.

Cumpre observar que, nos termos do art. 9º da Resolução CONAMA nº 010, de 06 de dezembro de 1990, o não cumprimento do disposto nessa Resolução acarretará aos infratores as sanções previstas nas Leis nº 6.938, de 31/08/81

e nº 7.805, de 18/07/89, regulamentadas pelos Decretos nº

99.274, de 06/06/90 e nº 98.812, de 90/01/90, e demais leis específicas, especialmente a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências, notadamente o disposto no art. 55 e seu parágrafo único que prevê como crime o ato de “executar pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais sem a competente autorização, permissão, concessão ou licença, ou em desacordo com a obtida”, prevendo a pena de detenção, de seis meses a um ano, e multa, sendo que incorre nas mesmas penas quem deixa de recuperar a área pesquisada ou explorada, nos

termos da autorização, permissão, licença, concessão ou determinação do órgão competente. Conforme visto acima, para a exploração mineral faz-se necessária a Concessão de Lavra emitida pelo DNPM, além da necessidade de atendimento de outros requisitos ambientais previstos em lei. Nos autos do processo licitatório devem ser inseridos os documentos comprobatórios de atendimento aos preceitos legais de proteção ambiental, especialmente o Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental, ou Relatório de Controle Ambiental, entregue ao órgão Ambiental Estadual (incluindo-se da Licença Prévia, Licença de Instalação e a Licença de Operação), bem como o competente licenciamento junto ao DNPM, nos termos do disposto no art. 7º do Decreto-Lei Federal nº 227/67. O Tribunal de Contas no exercício da sua jurisdição própria e privativa sobre as pessoas e matérias sujeitas à sua competência, especialmente quando no exercício da fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial dos entes, órgãos e entidades da administração pública, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, ao julgar pela irregularidade das despesas, deverá aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as sanções previstas na Lei Complementar nº 202/2000. A jurisdição do Tribunal abrange qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie, ou administre dinheiro, bens e valores públicos, ou pelos quais o Estado ou o Município responda, ou que em nome destes, assuma obrigações de natureza pecuniária, bem como a todos aqueles que derem causa à perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte dano ao erário. Constatando irregularidade no procedimento licitatório, se apresenta possível à comunicação destes fatos ao Departamento Nacional de Produção Mineral - DNPM, e ao Ministério Público Estadual, para que sejam adotadas as medidas legais cabíveis, e, se for o caso, a imediata suspensão da extração irregular de minérios nas pedreiras exploradas pelos municípios, uma vez que, inexistindo autorização expedida previamente pelos órgãos públicos competentes, toda a exploração realizada deve ser considerada irregular e, portanto, ilegal, por contrariar as normas de mineração e proteção ambiental elencadas neste Relatório, sem prejuízo de outras normas específicas.