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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

CAPÍTULO 26
ROTINAS OPERACIONAIS

1. Introdução

De acordo com a Resolução número 1451/95 do Conselho Federal de Medicina, de


10/03/95, publicada no D.O.U. de 17/03/95, conceitua-se emergência como “a constata-
ção médica de condições de agravo à saúde que impliquem em risco iminente de vida ou
sofrimento intenso, exigindo, portanto, tratamento médico imediato”.

O risco iminente de vida na vítima de trauma representa a prioridade máxima de


atendimento pelo SIATE. Subsidiado pelos elementos da triagem, desta forma o COBOM
deve identificar a presença desse risco, decidindo quais recursos serão necessários e
adequados ao seu atendimento. Existem casos, no âmbito do trauma, em que a vida não
está imediatamente ameaçada, porém a vítima apresenta lesões ou situações que, se dei-
xadas sem tratamento ou forem manejadas de forma inadequada, podem redundar em
agravamento e estabelecimento de seqüelas definitivas, ou mesmo resultar em morte.

2. Eventos Médicos Afetos ao SIATE

O SIATE tem como missão prestar assistência médica de emergência à população,


no que diz respeito aos agravos por causas externas, exclusivamente às vítimas de trau-
ma, garantindo-lhes o suporte básico de vida no local da ocorrência, sua estabilização e
transporte adequado ao hospital mais apropriado ao seu cuidado definitivo.

As situações abaixo arroladas determinam a necessidade de atendimento pelo SIA-


TE, desde que impliquem em situações de risco imediato à vida, possibilidade de agrava-
mento das lesões, caso a vítima seja mobilizada ou transportada de forma inadequada,
sofrimento intenso, ou quando a análise do mecanismo de produção da lesão assim o in-
dicar:

● Acidentes de trânsito: Acidentes envolvendo um ou mais veículos, atrope-


lamentos, acidentes ferroviários e outros de similar natureza.

● Quedas: Precipitações ao solo, não importando em que altura se encontra-


va a vítima.

● Lesões por arma de fogo: Lesões provocadas por projéteis de arma de


fogo - revólver, fuzil, espingarda ou similares.

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● Lesões por arma branca: Lesões provocadas por objetos cortantes e/ou
perfurantes - faca, navalha, punhal ou similares.

● Agressões: Ferimentos causados pela ação de animal ou pessoa sobre ou-


trem, neste último caso, com objeto contundente ou a própria força física.

● Queimaduras: Agravos por calor, chamas, eletricidade ou substâncias quí-


micas.

● Soterramento / desabamento: Acidente causado por deslizamento de terra


ou desabamento de materiais sobre a vítima.

● Outros traumatismos: Situações de traumatismos físicos não contempla-


das nos itens acima.

A Rotina Operacional iniciará com a primeira fase da ocorrência que é o aviso onde
se desencadeará inúmeras situações pertinentes ao atendimento pré-hospitalar desde o
sinistro ocorrido até o desfecho com a entrega da vitima no ambiente hospitalar para os
cuidados que se fizerem necessários para a manutenção da vida do paciente em questão
e regresso ao Posto de Bombeiros de origem.

Desta forma a Rotina Operacional desencadeará da seguinte forma:

1) Aviso da Ocorrência;

2) Triagem Médica;

3) Acionamento da Viatura;

4) Deslocamento da Guarnição de Socorro;

5) Chegada ao Local do Acidente;

6) Repasse de Informações da Ocorrência;

7) Atendimento;

8) Encaminhamento ao Hospital;

9) Retorno ao Quartel.

3. Procedimentos e Funções

3.1. Aviso da Ocorrência

A solicitação se dá através de uma das fases do atendimento de ocorrência que é o


aviso da ocorrência. Tal solicitação é efetuada através do telefone de emergência 193,
para a Central de Emergência do Corpo de Bombeiros, onde a ocorrência é inserida no

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contexto da Rotina Operacional e a partir deste momento que há a mobilização dos meios
para que seja atendida a ocorrência propriamente dita.

3.1.1. Atendente da Central de Operações BM (COBOM/CIOSP)

Cabe ao Atendente 193 de serviço na Central de Operações BM - COBOM:

1) Atender aos chamados telefônicos respeitando as Orientações Gerais do


COBOM/CIOSP;

2) Determinar rapidamente:

● A natureza da ocorrência;

● A presença de vítimas na cena do acidente;

● A localização da ocorrência, anotando o endereço preciso, pontos de refe-


rência, sentido da pista se a ocorrência for em rodovia, presença de fogo, vaza-
mento de combustível ou indícios de crime.

● O nome e telefone do solicitante.

3) Passar imediatamente a ligação para o Médico Regulador do SIATE, para


que este proceda à Triagem Médica do chamado.

4) Enquanto aguarda a Triagem Médica, dar ciência das informações já obtidas


ao Despachante BM e posterior ao Chefe de Operações BM.

5) Obter informações adicionais do solicitante, de acordo com a demanda do


Médico Regulador do SIATE ou Chefe de Operações BM.

3.2. Triagem Médica

O Médico Regulador do SIATE deverá colher dados no processo de triagem, deter-


minar a presença desse tipo de risco, e, em caso afirmativo, providenciar o atendimento
necessário com os recursos disponíveis no sistema.

Desta forma cabe ao Médico Regulador do SIATE, no processo de Triagem dos


chamados:

1) Atender aos chamados telefônicos respeitando as Orientações Gerais acima


relacionadas.

2) Informar-se acerca da natureza da ocorrência, perguntando ao solicitante


dados da ocorrência a fim de identificar o evento afeto ao SIATE e a necessidade
de despacho de socorro.

3) Procurar obter do solicitante as informações pertinentes a cada tipo de agra-


vo, utilizando-se dos questionários próprios, e anotá-las em campo específico do
RMO.

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4) De acordo com as respostas obtidas do solicitante, solicitar o tipo de socorro


a ser despachado pelo Chefe de Operações BM.

5) Identificar, em cada tipo de ocorrência, as situações que possam demandar


intervenção médica in loco (médico de área).

6) Orientar o solicitante quanto às ações simples que possam ser tomadas en-
quanto aguarda a chegada de socorro, em relação ao isolamento do local, mobili-
zação ou não da vítima e procedimentos básicos para liberação de vias aéreas e
controle de hemorragias.

7) Caso a ocorrência não se configure como evento afeto ao SIATE, orientar


adequadamente o solicitante, sugerindo alternativas que possam suprir sua de-
manda de atendimento médico.

3.2.1. Quesitos para Triagem Médica

Durante a Triagem Médica o Médico Regulador do SIATE deverá considerar os ti-


pos de ocorrências e suas características, conforme abaixo relacionadas:

3.2.1.1. Acidente de Trânsito

1) Tipo de acidente? (colisão, atropelamento, capotamento).

2) Número de vítimas? Sexo? Idade aproximada?

3) Vítima acordada ou não?

4) Vítima falando? Se não, como está a respiração?

5) Vítima presa nas ferragens?

6) Vítima ejetada do veículo?

7) Morte de algum dos ocupantes do veículo?

8) Lesões aparentes? Região do corpo? Presença de hemorragia?

9) Tempo decorrido entre o acidente e o chamado?

3.2.1.2. Quedas

1) Tipo de queda? (do mesmo nível, de nível diferente, altura da queda, super-
fície sobra a qual caiu)

2) Número de vítimas? Sexo? Idade aproximada?

3) Vítima acordada ou não?

4) Vítima falando? Se não, como está a respiração

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5) Lesões aparentes? Região do corpo? Presença de hemorragia?

6) Tempo decorrido entre o acidente e o chamado?

3.2.1.3. Ferimentos por Arma Branca e Arma de Fogo

1) Número de vítimas? Sexo? Idade aproximada?

2) Vítima consciente ou não?

3) Vítima falando? Se não, como está a respiração?

4) Região do corpo atingida? Presença de mais de um ferimento? Orifício de


entrada e saída de projétil? Presença de hemorragia?

5) Tempo decorrido entre o acidente e o chamado?

6) Motivo aparente para este tipo de lesão?

7) Agressão? Agressor ainda no local da ocorrência?

3.2.1.4. Agressão

1) Número de vítimas? Sexo? Idade aproximada?

2) Vítima consciente ou não?

3) Vítima falando? Se não, como está a respiração?

4) Lesões aparentes? Regiões do corpo atingidas? Presença de hemorragia?

5) Tempo decorrido entre o acidente e o chamado?

6) Motivo aparente para a agressão?

7) Agressor ainda no local da ocorrência?

3.2.1.5. Queimaduras

1) Tipo de agente causador da queimadura? (calor, eletricidade, substâncias


químicas).

2) Número de vítimas? Sexo? Idade aproximada?

3) Vítima acordada ou não?

4) Vítima falando? Se não, como está a respiração?

5) Regiões do corpo atingidas? Atingiu a face?

6) Tempo decorrido entre o acidente e o chamado?

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3.2.1.6. Desabamento / Soterramento

1) Tipo de material precipitado sobre a vítima? Quantidade aproximada?

2) Número de vítimas? Sexo? Idade aproximada?

3) Vítima consciente ou não?

4) Vítima falando? Se não, como está a respiração?

5) Lesões aparentes? Regiões do corpo atingidas? Presença de hemorragia?

6) Tempo decorrido entre o acidente e o chamado?

3.2.1.7. Outros Traumatismos

1) Tipo de traumatismo?

2) Número de vítimas? Sexo? Idade aproximada?

3) Vítima acordada ou não?

4) Vítima falando? Se não, como está a respiração?

5) Lesões aparentes? Regiões do corpo atingidas? Presença de hemorragia?

6) Tempo decorrido entre o acidente e o chamado?

3.2.2. Triagem Médica na Cena do Acidente

Na cena do acidente, a prioridade de atendimento às vítimas se estabelece de


acordo com os seguintes critérios:

● Quando o número de vítimas e a gravidade de suas lesões NÃO EXCEDE-


REM a capacidade técnica de atendimento do Médico de Área, a prioridade de
atendimento será daquelas vítimas que estiverem sob risco imediato de vida ou po-
litraumatizadas.

● Quando o número de vítimas e a gravidade de suas lesões EXCEDEREM a


capacidade técnica de atendimento do Médico de Área, a prioridade de atendimen-
to será daquelas vítimas que apresentarem maiores chances de sobrevivência;
nesta situação, o Médico de Área deverá reportar-se à Central de Operações e so-
licitar o apoio operacional ou assistencial necessários.

3.3. Acionamento da Viatura de Socorro

Imediatamente após os registros e a coleta dos dados efetuados pelo Medico regu-
lador do SIATE atinentes à ocorrência inicia-se o acionamento da viatura de socorro com
a ciência do Chefe de Operações BM do COBOM/CIOSP, que obedecerá sempre que

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possível uma questão lógica de estratégia em relação ao Posto de Bombeiros que melhor
estiver posicionado em relação à ocorrência.

Caso durante a triagem verificar da necessidade de apoio de outros meios caberá


ao COBOM efetuar tal solicitação para que possa dar suporte as guarnições de socorro
que estiverem no local.

3.3.1. Critérios para Acionamento do Médico de Área do SIATE

O médico de Área do SIATE poderá ser acionado nas seguintes condições:

1) Durante o processo de Triagem dos Chamados Telefônicos, será deslocado


conforme a preconização da Norma Técnica, imediatamente o Médico de Área do
SIATE juntamente com a Guarnição que prestará o atendimento à ocorrência, que
caracterizam a necessidade urgente de atendimento no local, mesmo antes da soli-
citação do Medico Regulador por determinação do Chefe de Operações BM e pos-
teriormente durante uma melhor analise na triagem note-se pelo Medico Regulador
que não é necessária à presença do Medico de Área poderá ser determinado o re-
gresso do mesmo. As ocorrências que determinam tal atitude do Chefe de Opera-
ções BM estão inclusas nas seguintes situações:

● Vítima inconsciente;

● Vítima com insuficiência respiratória grave;

● Suspeita de parada cardiorrespiratória;

● Ferimento por arma branca ou de fogo atingindo cabeça, pescoço, face, tó-
rax, abdome, ou com sangramento importante;

● Vítima com grande área corporal queimada ou queimadura de vias aéreas;

● Eventos com mais de três vítimas, no mínimo em código 2;

● Colisão de veículos com vítima presa em ferragens;

● Colisão de veículos com vítima ejetada;

● Colisão de veículos com morte de um dos ocupantes;

● Acidente com veículo em alta velocidade – rodovia;

● Queda de altura de mais de cinco metros.

2) Após a chegada dos Socorristas ao local da ocorrência, e recebidas às pri-


meiras informações sobre a situação, os achados a seguir determinam a necessi-
dade de atendimento médico no local da ocorrência:

● Solicitação do Socorrista, em virtude de suas dificuldades técnicas no aten-


dimento à vítima;

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● Vítima com pressão sistólica abaixo de 100 mmHg., com evidências de hipo-
perfusão periférica;.

● Vítima com freqüência respiratória inferior a 10 ou superior a 40 movimentos


por minuto;

● Escala de Coma com resultado igual ou menor que 8;

● Escala de Trauma com resultado inferior a 9;

● Comprometimento de vias aéreas e ventilação: trauma de face, pescoço,


traumatismos severos do tórax;

● Ferimentos penetrantes da cabeça, pescoço, tórax, abdome, região inguinal;

● Evidência de trauma raquimedular;

● Amputação parcial ou completa de membros;

● Trauma de extremidade com comprometimento vásculo-nervoso;

● Queimaduras com acometimento extenso da superfície corporal ou das vias


aéreas.

3.4. Deslocamento de Viaturas de Socorro

O deslocamento dar-se-á imediatamente após as viaturas tomarem posição na


rampa do Posto de Bombeiro acionado.

A guarnição de ambulância do SIATE, ao tomar conhecimento da ordem para des-


locamento, deve:

1) Determinar o melhor trajeto e rotas alternativas, se não houver orientação


expressa da Central de Operações.

2) Informar-se sobre a natureza da ocorrência, número de vítimas e dados dis-


poníveis acerca do estado das mesmas.

O deslocamento será efetuado seguindo todas as normas de segurança e trânsitos


vigentes no país bem como o que preconiza a Direção Defensiva e também conforme o
Código de deslocamento do Corpo de Bombeiros da PMPR, que estão determinados da
seguinte forma:

● Código 01 – O deslocamento será efetuado em emergências com todos os


sinais luminosos acessos (giroflex) e seguidos de sinais sonoros (sirenes);

● Código 02 – Apenas os sinais luminosos acessos;

● Código 03 – Deslocamento Administrativo com sinais luminosos e sem so-


noros, mas em prontidão para qualquer acionamento pelo COBOM.

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Após o despacho do socorro adequado a cada tipo de ocorrência, cabe ao Despa-


chante BM, ainda enquanto a ambulância está em deslocamento, comunicar-se com a
guarnição via rádio, oferecendo os seguintes dados, colhidos do processo de Triagem:

● A natureza da ocorrência;

● O número de vítimas;

● As lesões aparentes da vítima;

● As primeiras orientações em relação ao atendimento.

3.5. Chegada no Local do Acidente

Na chegada da Viatura no local do acidente o Chefe da Guarnição deverá ficar


atento as seguintes alterações:

● Local seguro para estacionamento da Viatura a fim de proporcionar seguran-


ça à Guarnição e a vitima durante o atendimento da ocorrência.

● Os Socorristas, antes de prestar o atendimento à vítima, deve atentar para


as condições de segurança no local, para garantir a sua própria segurança, a segu-
rança da guarnição, da vítima e de terceiros. Solicitar o apoio da PM no local para
garantir a integridade da Guarnição e da vitima na cena do acidente caso note-se
que esta em risco a segurança da Guarnição durante o atendimento da ocorrência.

● Em ocorrências envolvendo equipes de salvamento e de apoio, Cabe ao Ofi-


cial de Socorro ou o Militar de Maior Posto (Chefe de Guarnição) o controle opera-
cional das ações no local do sinistro. O Médico de Área deve reportar-se ao Oficial
ou Chefe de Guarnição e seguir suas orientações no que diz respeito às formas de
acesso à vítima, à sua segurança e a dos Socorristas.

O Médico Regulador do SIATE deverá cientificar-se dos seguintes dados, no tempo


máximo de 05 (cinco) minutos após a chegada da ambulância ao local, através da Avalia-
ção Primaria Rápida:

1) Confirmação da natureza da ocorrência;

2) Número de vítimas;

3) Vítima presa em ferragens ou não.

4) O estado de cada uma das vítimas, conforme o seguinte código:

Código 1:

● Vítima consciente, sem lesões aparentes ou lesões mínimas;

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Código 2:

● Vítima consciente, com fratura, aberta ou fechada, exceto fratura de fêmur,


quadril ou coluna associada a outra lesão; ou

● Vítima consciente, com ferimento em crânio, face, tórax, abdome ou extremi-


dades, exceto coxa.

Código 3:

● Vítima inconsciente; e/ou

● Vítima com dificuldade respiratória, parada cardiorrespiratória;

● Vítima com ferimento penetrante em cabeça, pescoço, tórax e abdome;

● Vítima com fratura de fêmur, quadril e coluna, aberta ou fechada, associada


a outras lesões;

● Vítima com queimaduras de face; queimaduras graves.

Código 4:

● Vítima em óbito.

3.6. Repasse de Informações da Ocorrência

Deverá ser repassado ao Médico regulador do SIATE os seguintes dados, no me-


nor tempo possível, após a chegada da ambulância ao local:

1) Sexo e idade aproximada de cada uma das vítimas;

2) Principais lesões, evidentes ou suspeitas, de cada uma das vítimas;

3) Sinais vitais de cada uma das vítimas: pressão arterial, freqüência de pulso,
freqüência respiratória, oximetria;

4) Escala de coma e trauma de cada uma das vítimas.

5) Necessidade de apoio operacional - outras viaturas do Bombeiro, Polícia Mi-


litar, BPTran, IML, apoio do Médico de Área, etc.

Desta forma posteriormente o socorrista iniciará o atendimento propriamente dito.

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3.7. Atendimento

No atendimento propriamente dito o Socorrista deverá iniciar os procedimentos


conforme as normas técnicas vigentes do SIATE, observando os seguintes tópicos:

1) Procurar identificar o mecanismo de lesão e situações concorrentes, como,


por exemplo:

● Acidentes automobilísticos:

● Uso do cinto de segurança;

● Deformidade do volante;

● Direção do impacto;

● Deformidades do veículo;

● Ejeção de ocupantes.

● Quedas:

● Altura da queda;

● Superfície sobre a qual caiu.

● Ferimentos penetrantes:

● Localização anatômica da lesão;

● Tipo de agente agressor;

● Calibre/velocidade do projétil.

● Queimaduras:

● Ambiente aberto/confinado;

● Substâncias/materiais queimados;

● Lesões associadas.

● Condições ambientais:

● Exposição a substâncias químicas/tóxicas;

● Exposição à contaminação potencial.

2) Se possível, investigar:

● História pregressa;

● Medicamentos em uso;

● Alergias;

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● Última refeição;

● Uso de álcool/drogas.

O Médico regulador do SIATE deverá orientar os Socorristas quanto aos procedi-


mentos assistenciais adequados para cada vítima.

Quando a comunicação via rádio estiver impossibilitada, os Socorristas obedecerão


fielmente ao protocolo assistencial estabelecido.

O Médico regulador do SIATE deverá informar aos Socorristas o hospital para o


qual deverá ser transportada a vítima.

3.7.1. Presença de Médicos Não Pertencentes ao Sistema

A presença de médicos que não os plantonistas do SIATE interessados em intervir


no atendimento à vítima será imediatamente comunicada pelos Socorristas ao Médico re-
gulador do SIATE. Ambos os médicos devem manter contato via rádio para a troca de in-
formações relativas à situação da vítima. O Coordenador Médico deve orientar o colega
quanto aos procedimentos operacionais e assistenciais previstos neste Protocolo. O médi-
co presente no local deve observar as Orientações do Médico regulador do SIATE quanto
aos procedimentos assistenciais e o destino a ser dado à vítima. O Socorrista deverá soli-
citar para que o médico presente no local poderá registrar sua intervenção no verso da
RAS, identificando-se adequadamente e assinando o documento.

3.7.2. Ocorrências Envolvendo Equipes de Salvamento do CB

As ocorrências que suscitarem o despacho de equipes de salvamento do Corpo de


Bombeiros, como retirada de vítima presa em ferragem, ocorrência em local de difícil
acesso, salvamentos em altura, incêndios e salvamento aquáticos serão acompanhados
por Guarnições de Salvamentos comandadas por um Oficial ou Praça chefe de Guarnição
do Corpo de Bombeiros.

Cabe ao Oficial ou o Chefe de Guarnição o controle operacional das ações de sal-


vamento. O Médico do SIATE deve reportar-se ao Comandante do Socorro e seguir suas
orientações no que diz respeito às formas de acesso à vítima, à sua segurança e a dos
Socorristas.

Cabe ao Médico de Área o controle assistencial das ações de salvamento. O Oficial


deve reportar-se ao Médico do SIATE e seguir suas orientações no que diz respeito à for-
ma de abordagem da vítima a aos procedimentos assistenciais a serem adotados.

Os Socorristas deverão comunicar ao Médico regulador do SIATE as condições da


vítima no local da ocorrência, conforme os procedimentos de comunicação vigentes.

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3.7.3. Vítima em Óbito no Local da Ocorrência

Havendo suspeita de óbito da vítima no local da ocorrência. Os socorristas devem


contatar com o Médico regulador do SIATE que deve providenciar avaliação médica in
loco para confirmar tal situação, salvo se a realidade da morte for inconteste.

Em havendo suspeita de crime, o Socorrista deve orientar a guarnição para a pre-


servação das evidências, não removendo o corpo e mantendo intacta a cena.

A Guarnição deve cientificar a Central de Operações BM da ocorrência de vítima


em óbito, para que se providencie a presença no local de autoridade policial competente.

A guarnição deverá permanecer no local da ocorrência até a chegada de autorida-


de policial competente, salvo orientação contrária da Central de Operações.

O Médico regulador do SIATE registrará o fato em campo específico do RMO.

3.7.4. Vítima que Recusa Atendimento

Caso a vítima recuse atendimento, o Coordenador Médico deverá solicitar aos So-
corristas que investiguem na vítima:

● Situações de risco de vida imediato: comprometimento de vias aéreas e res-


piração, sangramento abundante.

● Alterações de comportamento que indiquem que a vítima se encontra preju-


dicada em sua capacidade de decisão: alterações do nível de consciência, intoxi-
cação etílica ou por droga.

Médico regulador do SIATE, de acordo com a magnitude das lesões apresentadas


pela vítima e sua evolução, solicita aos Socorristas nova abordagem da vítima.

Na persistência da recusa, o Médico regulador do SIATE solicita aos Socorristas


que registrem apropriadamente o fato, com a assinatura da vítima ou testemunha no cam-
po do RAS específico para esse fim, já o Médico regulador do SIATE registrará o fato em
campo específico do RMO.

3.7.5. Liberação de Vítima no Local da Ocorrência

A liberação das vítimas no próprio local da ocorrência é de competência exclusiva


do Médico regulador do SIATE, após tomar conhecimento do mecanismo de lesão, princi-
pais lesões e sinais vitais, ou do Médico do SIATE presente no local, deste modo cabe a
Guarnição de Socorristas efetuar o contato com a Central de Regulação informando da si-
tuação.

O Médico regulador do SIATE e o Médico de Área registrarão o fato em campo es-


pecífico do RMO e RAM.

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3.7.6. Estabilização

A estabilização é uma das fases do Atendimento em que o Socorrista já efetuou o


serviço pré-hospitalar, comunicou repassando os dados da vitima ao Médico regulador do
SIATE o qual já determinou o hospital apropriado e a vítima esta pronta para transporte.
Considera-se estabilizada e pronta para transporte à vítima que:

Segundo critério de suporte básico de vida, já tiver recebido os cuidados providos


pelos Socorristas, em relação à permeabilidade das vias aéreas, controle de hemorragias
e imobilização de fraturas.

Segundo critério de suporte avançado de vida, já tiver recebido os cuidados avan-


çados providos pelo Médico de Área, em relação à permeabilidade das vias aéreas, assis-
tência ventilatória, reposição inicial de fluidos e administração de medicação de urgência,
além do controle de hemorragias e imobilização de fraturas.

3.8. Encaminhamento ao Hospital

Depois do atendimento no local da ocorrência, já com a vitima estabilizada a Guar-


nição de Socorristas deverá entrar em contato com a Central de Regulação para solicitar
o Hospital a ser encaminhado a vitima e após ser dado esta informação avisar o desloca-
mento a Central de Operações BM da viatura ao hospital de referência.

O Médico regulador do SIATE, provido das informações acerca da vítima e das


condições de atendimento dos hospitais de referência, deverá determinar aos Socorristas
o destino da vítima. Todas as vitimas deverão ser encaminhados aos Prontos Socorros
Públicos conveniados com o SUS.

O transporte somente terá início após a estabilização da vítima e sua fixação ade-
quada na ambulância, salvo se houver orientação contrária do Médico regulador do SIA-
TE ou do Médico de Área do SIATE presente no local.

Durante o deslocamento, o Coordenador Médico poderá solicitar aos Socorristas


dados adicionais sobre a estabilidade da vítima.

Na chegada ao hospital a Guarnição deve conduzir a vitima até a entrada do PS,


repassar esta vítima ao Médico Emergencista do PS, colocando o mesmo a par de todos
os procedimentos estabelecidos para manutenção desta vitima apresentar os sintomas e
lesões apresentadas durante o atendimento, citar a cinemática do trauma e repassar os
pertences recolhidos na cena do acidente bem como solicitar ao Médico a assinatura com
o CRM da RAS, a partir de então a guarnição esta liberada para atendimento de outra
ocorrência caso isto seja possível em condições de higiene aceitáveis.

3.8.1. Vítima em Óbito Durante o Transporte

O Médico regulador do SIATE deverá ser cientificado se houver óbito da vítima du-
rante o transporte. O destino do corpo será determinado pelo Coordenado Médico.

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O Médico regulador do SIATE e o Médico de Área registrarão o fato em campo es-


pecífico do RMO e RAM.

3.9. Retorno ao Quartel

Após a vitima ser entregue ao Pronto Socorro a viatura esta pronta para mais um
acionamento para atender uma ocorrência, mas tal acionamento só poderá ser efetuado
caso a Viatura AA esteja realmente pronta para atender esta ocorrência. Muitos são os
motivos para que a viatura não esteja apta a atender novas solicitações, entre elas desta-
camos os mais comuns:

● Falhas mecânicas que impossibilitam o deslocamento e a segurança da


Guarnição em futuros atendimentos;

● Necessidade de limpeza, Assepsia e desinfecção da Auto Ambulância;

● Reposição de material no Almoxarifado;

● Abastecimento.

É dever do Chefe da Guarnição da viatura Auto Ambulância avisar a Central de


Operações BM qualquer novidade que a referida viatura possa apresentar após a saída
do hospital.

Cabe salientar que o retorno ao Quartel de origem o deslocamento será efetuado


em Código 03, obedecendo todos as normas vigentes do Código Nacional de Transito e
também deverá ser observado durante este deslocamento que sempre a viatura deverá
estar em prontidão para qualquer chamado da central de operações BM.

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