Você está na página 1de 4

Comunidade Cristo de Betânea

A Sociologia e outras ciências humanas não são de modo algum a minha área e fazer a análise a um artigo nesta
área ser-me ia difícil se não conhecesse bem o assunto abordado. Neste caso - considerações sobre a CCdB.
Comunidade que conheço desde há muitos anos. É para mim razoavelmente fácil discernir até que ponto uma
análise externa sobre a mesma dá uma imagem realista ou não.

O artigo de Rodrigo Portella – COMUNIDADE CRISTO DE BETÂNEA: HISTÓRIA E CONSIDERAÇÕES SOBRE


UM NOVO MOVIMENTO CATÓLICO EUROPEU apresenta uma visão muito distorcida acerca da CCdB.

Analizando a realidade, que conheço bem e a descrição de Rodrigo Portella, constato ser o artigo de Rodrigo
Portela uma tentativa intencional e maliciosa de denegrir a imagem da CCdB. Tentando compreender o que
poderia ter levado a interpretações tão falsas e quase sempre no sentido pejorativo, elaborei várias hipóteses
como:

1) Falta de rigor e honestidade científicas.

No passado já me deparei com trabalhos, nomeadamente jornalísticos em que para acrescentar


interesse ao assunto se dramatizavam os contextos, dando realce aos aspectos negativos, pois é isso
que vende, ou que prende a atenção do leitor. Parece-me que houve aqui uma intencionalidade de
denegrir uma comunidade religiosa para magnificar o valor do artigo, em que tenta expor esta
comunidade como algo nebuloso, de contornos quase perigosos; e, como tal, sendo o seu artigo algo
interessante, com assunto e substância que não teria sem maquilhagem.

2) Protestante ressabiado?
Mas a possibilidade de isto ter acontecido não me parece justificação suficiente para uma tal distorção
entre a realidade e a interpretação do Sr. Rodrigo Portella. A análise do Sr. Rodrigo Portella não se
baseia, desde o princípio, numa visão científica e imparcial. É, pelo contrário, uma análise totalmente
parcial. Apenas vê e relata o que lhe parece negativo e mesmo o que não é negativo ele tinge
intencionalmente de negro na sua análise.

Não sei se é alheia a esta intencionalidade uma visão, ainda muito popular entre certos grupos
protestantes no Brasil, de guerra aberta com a Igreja Católica. Não sei se será esta a razão de o Sr.
Rodrigo Portella (que é pastor Luterano), como pseudo-investigador académico, em vez de um
trabalho científico isento, fazer um premeditado e maldoso achincalhamento da CCdB. Não consigo
compreender claramente as motivações que possam ter levado o Sr. Rodrigo Portella a esta atitude.
Penso que seria útil estudar outros “trabalhos” dele e ver se também achincalha outras comunidades
católicas ou a própria estrutura eclesiástica.

3) Arrogância
Não sei mesmo se não haverá também arrogância intelectual como me parece ver bem estampada no
cap 18 (veja-se logo o título) e na maneira quase ofendida como acha que não dão os dados todos que
precisa para fazer o seu trabalho. O Sr. Rodrigo na sua casa faz o que quer, na casa dos outros que
agradeça a ajuda que lhe dão!

Não sei se haverá aqui algum despeito a não ter sido tratado com toda a consideração que acha que
tinha direito, ou se foi tratado com demasiada simplicidade. Francamente não sei! Mas há aqui,
claramente orgulho e penso que mesmo algum desprezo em relação à simplicidade e genuinidade com
que na CCdB amigavelmente trata toda a gente.

Abstraindo-me de pontos de menor importância e que se devem a uma análise de uma realidade que não se
conhece em profundidade, e como tal, sempre imperfeita, uma resposta a tudo o que me parece distorcer
gravemente a realidade da CCdB no artigo do Sr. Rodrigo Portella seria extremamente morosa; pois
exceptuando o escrever bem em termos linguísticos e ter certa capacidade de sistematização, o artigo é quase
do princípio ao fim das 36 pag. um conjunto confrangedor de disparates, cuja resposta aos mesmos obrigaria a
muitas páginas.

No artigo do Sr. Rodrigo Portella há uma mistura de termos quando se refere à CCdB Movimento (pag 85), grupo
(pag 87), movimento religioso (pag 87), comunidade (pag 86), instituto (pag 109), etc. São termos que têm
significados concretos, e nada sinónimos por vezes, dentro do universo em que se inserem (Igreja Católica). O uso
de diversas classificações acerca da CCdB é confuso e leva-me a pensar que o autor é bem pouco esclarecido
acerca de aspectos extremamente básicos da realidade actual da Igreja Católica.

Parece-me também que para dar credibilidade ao seu artigo, o Sr. Rodrigo Portella usa numerosas citações de
outros autores e “martela” os assuntos e as interpretações que faz, para que vão intencionalmente de encontro a
essas citações.

Há também uma falta de aprofundamento das realidades religiosas que aborda e em especial das novas
comunidades religiosas da Igreja Católica. A análise é feita também a partir de um background sociológico e
religioso de protestantismo brasileiro, bastante desajustado da realidade europeia actual e das novas
comunidades. As conclusões são por vezes bizarras. Por ex. Não sei qual é a embirração do Sr. Rodrigo Portella
com os hábitos dos membros internos, talvez o ele ter encontrado uma citação acerca das “hábitos medievais” e
ai tecer arrojadas considerações acerca da volta aos “bons velhos tempos”. Se aprofundasse um pouco mais a
realidade religiosa em que se insere a CCdB descobriria muitas outras comunidades (novas comunidades e
comunidades clássicas de bem depois do concílio de Trento) em que os consagrados usam hábito, talvez
descobrisse muitas outras razões menos medievais e revivalistas, mas que se ajustam menos a tantas citações
como as do cap. 4. Veja-se também a afirmação (entre outras) das 1ªs linhas da pag 93 – Não há uma reflexão
sobre a possibilidade de ser contemplativo sem ter que, necessariamente, recorrer ao baú de vestuários da
Igreja (cito). Esta frase denota a falta de imparcialidade, de objectividade do artigo e mais ainda, a má vontade
que se tem acerca da realidade sobre a que se escreve. No cap 4 é insistente a tentativa de colar a imagem da
CCdB como algo medieval com toda as conotações negativas que isto encerra.

Há, como já referi anteriormente, no trabalho do Sr. Rodrigo Portella uma enorme falta de substancia na análise
dos factos. Analisa as coisas de maneira superficial, nomeadamente; analisa factos pontuais e apresenta-os como
características da CCdB. É quase ridícula a maneira como confunde a árvore com a floresta. Espero que esse
senhor nunca se cruze comigo na rua, vestindo eu uma T-shirt vermelha, pois poderia concluir ser eu benfiquista
ou comunista e fazer arrojadas considerações acerca das razões familiares, ou outras, que a isso levaram.

Como exemplo de considerações arrojadas e insuficientemente fundamentadas aponto o cap 8, nomeadamente


na maneira como exagera a importância da faceta judaica da música da CCdB e ignora factos mais importantes na
análise da música da CCdB. Mas ele tem trabalhos na área da música judaica e como tal exagera a importância
dessa componente, mostrando mais uma vez a falta de qualidade e objectividade com que fez esta análise.
Outra parte do seu trabalho, que me parece um bom exemplo da superficialidade das análises que faz é o último
parágrafo do capítulo 9. Veja-se também o cap 15 (feira de Famalicão).

Um outro exemplo claro de que mais que parcialidade há antipatia na análise que faz é expressa no cap.11 em
que lhe foram explicadas claramente as razões da criação de uma casa no Brasil. Em vez de as aceitar, ou não,
exprime arrojadas considerações acerca de “conflito pelo território”, “auto-afirmação”,”acusar os pares para
justificar uma existência destacada”, etc.

Quanto ao comentário do cap. 16 acerca do tapete e da preocupação da limpeza do mesmo, parece-me que só
o posso enquadrar na categoria de insulto e a resposta ao mesmo nível não cabe no presente comentário.

Considero particularmente grave a referencia a “efervescência emocional-orgiastica” no mesmo cap 16. A CCdB
é extremamente discreta e respeitadora da intimidade das pessoas, na maneira como lida com os sintomas de
manifestações ao nível psíquico-espíritual. A classificação que o Sr Rodrigo Portella usou é extremamente grave,
mesmo se considerada na acepção mais leve do termo. Se considerada a palavra orgiástica no sentido mais
normal do termo, a sua aplicação para qualificar uma actividade da CCdB é extremamente grave. Eu sugeria o
ponderar-se uma acção em tribunal brasileiro, uma vez que se trata de um cidadão brasileiro e de um artigo
publicado no Brasil. A publicação de um artigo em meios científicos ou académicos não dá cobertura para se
proferirem todo o tipo de barbaridades acerca de outros. Penso que se impõe uma resposta razoavelmente
musculada.

Há uma tentativa nada subtil de tentar colar a imagem da CCdB à de uma seita tentando realçar de maneira clara
aspectos típicos das seitas, como:

· Controlo dos seus membros (pag 96 e 97, de maneira muito clara)


· Líder absoluto e carismático com forte ascendente emocional sobre o grupo (pag 96 e pag 111)
· Afastamento propositado dos membros da matriz social (pag 94, 1º paragrafo),
· Duplicidade de discurso interior e exterior (pag 95, 1º paragrafo do cap 6, pag 96, cap. 7)
· etc.
Há até no inicio da pag 108 uma referência à IURD que não sei até que ponto é inocente.

Há uma tentativa de denegrir a aceitação da CCdB a nível da Diocese de Braga (pag 90).

Ainda no mesmo cap 12 veja-se a maneira como cita um sacerdote com opiniões fortes acerca da CCdB. Porque
foi o Sr Rodrigo Portella falar com um sacerdote com tão pouco conhecimento da CCdB não foi falar com o
Monsenhor Joaquim, o pároco da aldeia de Telhado, ou muitos outros que tenham mais contacto com a CCdB.

Não continua a CCdb a animar uma das principais eucaristias na Sé de Braga? Não o faz há pelo menos 5 anos? Se
levantasse assim tantas questões ao Sr. Arcebispo e à generalidade da hierarquia (ele usou o termo - cito –
antipatia hierárquica), como permitiriam tal situação em eucaristia de tão grande visibilidade no lugar mais
emblemático da diocese? Outros factos não faltariam para rebater este disparate. O Sr. Rodrigo Portella que
apresenta a CCdB como algo que não é de fiar e bastante à margem da Igreja, e para isto tenta magnificar
supostas desconfianças de sectores da hierarquia em Braga. Veja-se também a visão distorcida como interpreta
o carisma da escuta na CCdB e como tenta fazer um pseudo-confilto nesse sector.

A diocese de Braga grande é fértil em tensões desde há dois milénios. A Igreja Católica não é uma carneirada, Sr.
Portella.! As pessoas tem opiniões próprias, lutam pela sua visão da realidade e pela sua visão de como se caminha
melhor em Igreja. Quando surgem maneiras novas de ver essa caminhada em Igreja, surgem tensões, como em
qualquer organização humana. Não foi assim que surgiram as grandes comunidades religiosas? Foi por acaso sem
tensões que o próprio Senhor Jesus fundou a Igreja? Se o Sr. Rodrigo Portella quer fazer deste tipo de estúpido
raciocínio distorcido um motivo de desconfiança, não será certamente esta a visão de qualquer cristão
esclarecido e certamente a visão da hierarquia católica desde os tempos de Nicodemus.

O penúltimo parágrafo da pag 88 é particularmente grave pois faz considerações de aspecto legal das quais se
devia informar para emitir um parecer claro, em vez de dizer “não me parece ser legal”. Mas mais do que isto,
lança a dúvida de ser a CCdB uma sociedade esotérica por alegadamente não serem públicos os estatutos e o
livro da vida. Esta acusação leviana (por ridiculamente pouco sustentada) é grave em termos de Igreja Católica.

É difícil deixar escapar o completo disparate do cap.5, ainda na pag 94 em que o Sr. Rodrigo Portella faz as
conclusões mais temerárias e artificiais, por falta de conhecimento básico da realidade religiosa em que a CCdB
se insere e por superficialidade na análise de características básicas da CCdB.

O cap 7 no 1º parágrafo da pag 97 é difícil de responder por descrever factos internos à CCdb, mas
gravemente e intencionalmente distorcidos. Deixava a resposta para outras pessoas, se entenderem tocar nestes
assuntos. No mesmo cap7, parágrafo 2 o Sr. Rodrigo Portella mostra o seu interior de protestante marcadamente
anti-católico, fazendo uma interpretação claramente parcial e que mostra o nulo valor científico da análise que
faz da CCdB. Levanta mais uma vez a suspeita das reais motivações com que escreveu o seu “trabalho”.

No mesmo cap 7, a análise da questão da sustentação financeira, ao princípio fez-me rir pois pareceu-me que
havia laivos de paranóia na maneira como presumia que tinha de haver “gato escondido com rabo de fora”.
Depois de analisar o artigo até ao fim, de fazer alguma busca na net acerca do próprio Sr. Rodrigo Portella, e
voltar a este capitulo; talvez esta sua dúvida acerca da providência divina e de como Deus cuida efectivamente
da sua obra, mostre algo acerca do próprio Sr. Rodrigo Portella.
Como pode um homem que tem tanta dificuldade em aceitar a providencia divina e de como Deus cuida
efectivamente da sua obra ser pastor de uma igreja evangélica? Onde para a sua confiança e a sua espiritualidade
como cristão?

3 hipóteses

· Ou a Igreja Luterana que lidera funciona bem longe de Deus


· Ou este pastor Luterano funciona bem longe de Deus
· Ou o Sr. Rodrigo Portella não acredita mesmo que a CCdB seja coisa de Deus e a providência seja eficaz
para o seu sustento.

Penso que as últimas 2 hipóteses sejam as mais credíveis.

Fiquei com a ideia, especialmente da análise dos capítulos 14 e 15, que o Sr. Rodrigo Portella, apesar de falar
muito do RCC não consegue encaixar de maneira nenhuma a vertente carismática da Igreja Católica e muito em
especial da CCdB. No meu entender ele só concebe (consegue compreender) instituições e a funcionar como
instituições. Isto mais uma vez me levanta também suspeitas acerca do seu trabalho como pastor luterano, até
mesmo as reais motivações desse seu ministério (vaidade?).

Eng.º N. Alves (Membro de Aliança da Comunidade Cristo de Betânea)