MICHAEL SAYERS e ALBERT E.

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A GRANDE ‘ CONSPIRAÇÃO
A GUERRA SECRETA CONTRA A BÚSSIA SOV I É T I C A íi." K D I Ç Â O

EDITÔRA BRASILIENSE SÃO PAULO

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NAÇÕES UNIDAS
Na luta pela existência os povos aprendem a conhecer os seus amigos e a reconhecer os seus inimigos. No curso da II Guerra Mundial, muitas ilusões e mentiras se dissi­ param. A guerra apresentou ao mundo muita surpresa. O mundo espantou-se, a princípio quando a quinta-coluna emergiu do subsolo da Europa e da Ásia para tomar o poder com o auxílio dos nazistas e japoneses em vários países. A velocidade das vitórias do Eixo apavorou aquêles que ainda não conhe­ ciam os seus longos anos de preparação secreta, de intriga, de terror e conspiratas. Mas a maior de tôdas as surprêsas da II Guerra Mun­ dial foi a Rússia Soviética. Da noite para o dia, parecia que uma névoa se dissipava e, de detrás dela, emergia na sua verdadeira estatura e significação, a nação soviética com seus líderes, a sua economia, o seu exército, o seu povo e, segundo as palavras de Cordell Hull, “a quantidade épica de seu fervor patriótico.” A primeira realidade ensinada pela II Guerra Mundial foi a do Exército Vermelho que, sob o comando do Marechal Stálin, comprovou-se como a mais poderosa e competente fôrça beligerante ao lado do progresso do mundo e da democracia. Aos 23 de fevereiro de 1942, o General Douglas Mac Arthur do Exército dos E.U.A. informou aos seus concida­ dãos acêrca do Exército Vermelho: “A situação mundial atual indica que as esperan­ ças da civilização descansam sob as bandeiras do cora­ joso Exército russo. Durante a minha vida eu parti­ cipei de numerosas guerras e testemunhei outras tan­

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tas, assim como estudei pormenorizadamente as cam­ panhas dos principais cabos de guerra do passado. Em nenhuma delas eu observei tão eficiente resis­ tência aos violentíssimos golpes de um agressor até então invicto, seguida de um esmagador contra-ataque que vai levando o inimigo de vencida e de volta ao seu próprio país. A escala e grandeza dêsse esforço assinala-o como o maior feito militar em tôda a história.” A segunda grande realidade foi a do sistema econômico da União Soviética, admiràvelmente eficiente e capaz de sus­ tentar a produção em massa sob condições excepcionalmente adversas. De volta de sua missão oficial „a Moscou em 1942, o vice-diretor do Departamento de Produção de Guerra dos E.U.A., William Batt, relatou: “Eu fui com um sentimento de incerteza acerca da capacidade dos russos para sustentar a guerra. total; convenci-me muito depressa, entretanto, de que a po­ pulação inteira estava em pé de guerra, até a última mulher ou criança. Fui com minhas dúvidas quanto à habilidade téc­ nica dos russos; achei-os extraordinàriamente obstina­ dos e hábeis, movimentando as suas indústrias e ma­ nejando as suas máquinas de guerra. Fui extremamente perplexo e perturbado com os boatos que circulavam aqui com respeito à desunião e arbitrariedades do govêmq russo; encontrei o go­ verno russo, forte, competente e apoiado por um imenso entusiasmo popular. Em uma palavra, fui com esta pergunta para ser respondida: É a Rússia um aliado capaz e compe­ tente? . . . E a minha pergunta foi respondida com uma redonda afirmativa.”

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A terceira grande realidade da guerra foi a unidade dos povos multinacionais da União Soviética, coesos em tômo do seu govêmo com um fervor patriótico* único em sua história. Em Quebec, aos 31 de agôsto de 1943, o primeiro-mi­ nistro Winston Churchill 'declarou com respeito ao govêmo soviético e seu chefe: “Nenhum govêmo jamais formado entre os homens foi capaz de sobreviver a danos tão graves e cruéis como os que foram infligidos à Rússia por Hitler. . . a Rússia não só sobreviveu e se refez dêsses tre­ mendos danos, mas ainda infligiu como nenhuma ou­ tra fôrça do mundo jamais o teria feito, danos mortais na máquina de guerra alemã.” A quarta grande realidade foi a da aliança das demo­ cracias ocidentais com a Rússia Soviética, que abriu perspec­ tivas realistas de uma nova ordem internacional de paz e segurança para todos os povos. Aos 11 de fevereiro de 1934, o N ew Y ork H erald Tribune declarou em editorial: “Há duas alternativas diante das democracias atual­ mente. Uma, que consiste em cooperar com a Rússia na reconstrução do mundo — como há uma excelente oportunidade para o fazermos, se acreditamos na fôrça de nossos próprios princípios e quisermos comprová-los na prática. Outra, que consiste em nos envolvermos em intrigas com tôdas as fôrças reacionárias e anti-democráticas na Europa, cujo único resultado seria alienar o Kremlin.” Em Nova Iorque aos 8 de novembro de 1943, o diretor do Departamento de Produção de Guerra dos E.U.A., Donald Nelson, relatou sua visita à Rússia Soviética: “Voltei de minha viagem com uma grande fé no futuro da Rússia, e no benefício que êsse futuro trará para o mundo inteiro, inclusive para nós mesmos. Tão longe quanto me é dado ver, ganha a nossa vitória e tendo tudo ficado atrás, nada teremos a temer senão

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a mútua suspeita. Já que estamos trabalhando em co­ laboração com as outras Nações Unidas para a con­ quista dapaz e para elevar o nível de vida de todos os povos, caminharemos para novas etapas de pros­ peridade e de maiores satisfações do que as que co­ nhecemos até aqui.” Em 1 de dezembro de 1943, na histórica Conferência de Teerã, foi dada a resposta à conspiração antidemocrática, e anti-soviética que durante 25 anos envolvera o mundo num torvelinho de diplomacia secreta, de intriga contra-revolucionária, de terror, mêdo e ódio, e que culminara inevitável* mente na guerra do Eixo para escravizar a humanidade. Os líderes das três nações mais poderosas do globo, o Presidente Franklín Delano Roosevelt dos E.U.A., da Amé­ rica, o Primeiro-Ministro Winston Churchill da Grã-Bretanha e o Marechal José Stálin da URSS* encontraram-se pela pri­ meira vez e, depois de uma série de conferências militares e diplomáticas, promulgaram a Declaração das Três Potências. A Declaração de Teerã garantia que o nazismo seria var­ rido pela ação conjunta dos três grandes aliados. Ainda mais, a Declaração abria ao mundo acabrunhado pela guerra uma perspectiva de paz duradoura e de uma nova era de ami­ zade entre as nações. A Declaração dizia: “Nós, o presidente dos E.U.A. da América, o primeiro-ministro da Grã-Bretanha e o primeiro-minis­ tro da União Soviética, reunimo-nos nestes quatro dias nesta capital de nosso aliado, Teerã, e estruturamos e confirmamos a nossa política comum. Exprimimos a nossa determinação de que as nos­ sas nações trabalhem juntas na guerra e na paz que há de seguir-se. Quanto à guerra, nossos estados-maiores militares reuniram-se em mesa-redonda e concertaram planos de destruição das fôrças alemãs. Conseguimos completo acôrdo no que concerne à época e escopo das ope­ rações que serão empreendidas de leste, oeste e sul. O entendimento comum a que chegamos assegura-nos a vitória.

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Quanto à paz, estamos certos de que o nosso en­ tendimento há de torná-la duradoura. Reconhecemos plenamente as responsabilidades que pesam sôbre nós e sôbre tôdas as nações a fim de edificarmos uma paz que determine a boa vontade das imensas massas dos povos do mundo e consiga banir o pânico e o terror da guerra durante muitas gerações. Com os nossos consultores diplomáticos encaramos o problema do futuro. Procuraremos a cooperação e participação ativa de tôdas as nações, grandes e pe­ quenas, cujos povos almejam, com todo o coração e a mente, como os nossos povos a eliminação da tira­ nia e da escravidão, da opressão e da intolerância. Nenhum poder no mundo poderá impedir-nos de destruir os exércitos alemães por terra, seus barcos, no mar e suas fábricas bélicas pelo ar. Nossos ataques serão incessantes e crescentes. Saindo destas amistosas conferências, nós encara­ mos com confiança o dia em que os povos todos do mundo possam levar as suas vidas livres da tirania e de acôrdo com a variedade dos seus desejos e de suas próprias consciências. Aqui viemos com esperança e determinações. Saí­ mos daqui amigos de fato, no espírito e nos intuitos. Assinado em Teerã, 1 de dezembro de 1943.
R o o s e v e l t , S t á l i n , C h u b c h i l l .”

O histórico acôrdo de Teerã, foi seguido pelas Deci­ sões da Criméía em fevereiro de 1945. Novamente encontraram-se os três estadistas, Roosevelt, Churchill e Stálin, dessa vez em Ialta, na Criméia, onde chegaram a um acôrdo acêrca da sua política conjunta para a derrota final da Alemanha nazista e completa eliminação do Estado-Maior alemão. As discussões de Ialta enfrentaram já o período de paz que es­ tava por vir, e lançaram os fundamentos para a Conferência das Nações Unidas em São Francisco, na qual deveria ser promulgada, em abril, a Carta de uma organização de segu­ rança mundial, fundada na aliança das três maiores potências. Na véspera da Conferência de São Francisco, ao£ 12 de abril de 1945, a Rússia Soviética perdeu um grande amigo

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e o mundo todo perdeu um grande líder democrático: o Pre­ sidente Franklin Delano Roosevelt morreu. Mas o trabalho que êle iniciara prosseguiu. O Presidente Harry S. Truman, imediatamente ao tomar posse, comprometeu-se a prosseguir na guerra contra a agressão do Eixo até à sua conclusão vi­ toriosa em aliança com os outros membros das Nações Unidas e a consumar o programa de após-guerra para uma paz dura­ doura em firme acôrdo com a Grã-Bretanha e a Rússia So­ viética. Aos 8 de maio de 1945, os representantes do alto co­ mando alemão, em presença dos chefes generais americano, britânico e soviético assinaram na Berlim arruinada, o ato final da rendição incondicional das fôrças da Wehrmacht na­ zista. A guerra na Europa estava concluída. Winston Churchill, numa mensagem ao Marechal Stálin, disse: “As gerações fu­ turas reconhecerão a sua dívida com o Exército Vermelho, como o fazemos irrestritamente, nós que vivemos para teste­ munhar êste esplêndido desfecho.” Nenhuma guerra na história foi tão feroz quanto a guer­ ra travada entre a Alemanha nazista e a Rússia Soviética. Durante mil e quatrocentos e dezoito dias, quarenta e sete meses, quatro anos, travaram-se batalhas sem precedentes pela sua amplitude e violência, nos gigantescos campos da Frente Oriental. O fim chegou no dia 2 de maio de 1945, quando as tropas motorizadas do Exército Vermelho assaltaram e cap­ turaram o coração da cidadela nazista — Berlim. Um soldado anônimo do Exército Vermelho hasteou a Bandeira Vermelha no tôpo do Reichstag. As bandeiras da liberdade flutuavam por tôda parte na Europa (105.)
(105) A guerra anglo-americana no Extremo Oriente, contra o ter­ ceiro parceiro do Eixo, o Japão Imperial, continuou. Aqui, também, a Rússia Soviética demonstrou a sua fôrça e identidade de interêsses com a causa democrática. O Japão foi um dos primeiros poderes a intervir na jovem Repú­ blica Soviética, em 1919. O Memorial de Tanaka de 1927 apelou para a conquista do Extremo Oriente soviético como preliminar para a domi­ nação de tôda a região do Pacífico. Os governos japonêses repetida­ mente conspiraram contra o regime soviético. Em julho de 1938 fôr­ ças armadas iaponêsas invadiram o território russo para serem re­ chaçadas pelas tropas soviéticas. Os “incidentes” envolvendo muitas

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Quando êste livro foi para o prelo, os autores entrevis­ taram o homem com cuja história êste livro começa; o Co­ ronel Raymond Robins. Há poucos anos, o Coronel Robins retirou-se dos negócios públicos para viver calmamente na sua estância de 2.000 acrés em Chinesgut Hill, Flórida, que êle cedera ao govêmo dos E.U.A., para refúgio campestre e estação experimental de agricultura. O Coronel Robins con­ servara a sua “mentalidade aberta”, seu interêsse apaixonado pelo bem-estar do homem do povo, sua impaciência contra os preconceitos e a miséria, e seu vivo interêsse pela nação cujo nascimento êle testemunhara no meio do torvelinho da revolução.
vêzes ° fôrças consideráveis dc homens, tanques e aviões, foram fre­ qüentes ao longo da fronteira soviético-manchuriana em 1938. Em 1939, porém, a derrota do exército japonês, comprometendo grande parte de divisões armadas, levou os lordes japonêses da guerra a re­ considerarem os seus planos para um ataque imediato em larga escala contra a Rússia Soviética, de leste. Foi assinado um armistício em se­ tembro de 1939. em tèrmos desfavoráveis ao Japão, o qual constituiu a base para o pacto de neutralidade de abril de 1941. O govêmo so­ viético nunca escondeu a sua oposição à camarilha feudal-fascista que governava em Tóquio, e estava claro que chegaria o dia do ajuste de contas entre a Rússia Soviética e o Japão Imperial. Enquanto o Exército Vermelho estêve combatendo os nazistas, ao oeste, o Exército Vermelho do Extremo Oriente teve de imobilizar con­ tinuamente um exército maciço de japonêses, que segundo se relata, ia para mais de 500.000 homens excelentemente mecanizados, sob o co­ mando de Tóquio, na fronteira da Manchúria. Aos 6 de abril de 1945, depois da Conferência de Ialta, o govêmo soviético denunciou o seu pacto de neutralidade com o Japão com os seguintes fundamentos, como figuram na nota soviética dessa data: “A Alemanha atacou a URSS, e o Japão — aliado da Alemanha — ajudou esta na guerra contra a URSS. Além do que, o Japão está lutando contra os E.U.A e a Grã-Bretanha, que são aliados aa União Soviética. Nessas condi­ ções o pacto de neutralidade entre o Japão e a URSS perdeu o seu sentido e toma-se impossível mantê-lo.” Aos 9 de agôsto de 1945, a União Soviética entrou formalmente na guerra contra o Japão, cumprindo assim a promessa feita na Con­ ferência de Ialta em janeiro de 1945, de entrar na guerra do Extremo Oriente dentro de 90 dias depois da derrota da Alemanha nazista. Depois da declaração de guerra soviética e do bombardeio atômico de dois centros industriais japonêses, o govêmo japonês capitulou e pediu paz. Aos 2 de setembro, o Japão reconheceu a sua derrota e assinou o ato de rendição incondicional. De leste a oeste, terminara a II Guerra Mundial.

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Eis o que o Coronel Robins nos disse: “A maior hora que eu já conheci foi aquela em que vi luzir a esperança de libertação das velhas ti­ ranias e opressões nos olhos dos trabalhadores e cam­ poneses da Rússia, ao responderem aos apelos de Lénin e outros líderes da Revolução Soviética. A Rússia Soviética sempre desejou a paz. Lénin sabia que o seu grande programa doméstico seria to­ lhido, se não destruído pela guerra. O povo russo sem­ pre quis a paz. A educação, produção, exploração de um vasto e rico território envolvem todos os seus pen­ samentos, energias e esperanças. O maior ministro cie Negócios Exteriores de nossa geração, o Comissário Maxim Litvinov, trabalhou hábü e tenazmente pela segurança coletiva até tornar-se impossível ,a segurança coletiva diante da política anglo-francesa de apazigua­ mento com respeito a Mussolini e Hitler. A Rússia Soviética não explora colônias nem pre­ tende explorar nenhuma. A Rússia Soviética não opera em cartéis comerciais estrangeiros, nem pretende ex­ plorar nenhum. A política de Stálin liquidou os anta­ gonismos raciais, religiosos, nacionais e de classe nos territórios soviéticos. Essa unidade e harmonia dos, po­ vos soviéticos estão apontando o caminho para a paz internacional.”

NOTAS BIBLIOGRÁFICAS
Na feitura dêste livro, os autores documentaram-se lar­ gamente com os relatos oficiais do Departamento de Estado dos E.U.A.; nas atas e relatos dos vários Comitês do Con­ gresso dos E.U.A.; nos documentos oficiais publicados pelo govêmo da Grã-Bretanha; e nos relatórios publicados pelo go­ vêmo soviético contendo os processos dos julgamentos de es­ pionagem, sabotagem e traição realizados na Rússia Soviética desde a Revolução. Utilizamo-nos também largamente de memórias publieadàs pelos principais personagens mencionados neste livro. To­ dos os diálogos dêste livro são tirados dessas memórias, dc rela­ tos oficiais ou de outras fontes documentárias. O Índice do N ew York Times, T he R ea d ers Guide to Periodical Literature e o International Index to Periodicals foram fontes valiosíssimas de referência. Queremos exprimir nossa particular gratidão a Ilarper e Irmãos, por nos terem permitido citar largamente o Britains Master Spy, Sidney R eillys Narrativo written hy H im self ed i­ tor and GC/tnpíled btj Iiis W ifc. Desejamos manifestar igualmente a nossa gratidão a Cedric Belfrage, pela assistência editorial e às pesquisas durante as primeiras fases de nosso (utliallio «esto livro. A lista que segue 6 a fonte das principais referências de A G rande C on sp lm çao . , , Ntio se trata de uma bibliografia exaustiva, mas ó apenas a reraemoração e consignação das fontes que os autores julgavam particularmente úteis e, em alguns casos, indispensáveis. ,

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