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ESPÉCIES ARBÓREAS NATIVAS DA MATA ATLÂNTICA:

PRODUÇÃO E MANEJO DE SEMENTES

Projeto de Pesquisa Participativa da UPR7 – São Bonifácio

Parceiros: Grupo do Pasto, EPAGRI, UFSC/CCA, Prefeitura de São Bonifácio,


Agroindústria de Laticínios Doener, Caipora Cooperativa, ACEPSJ.

Este texto é destinado aos agricultores


familiares de São Bonifácio e apresenta, de
maneira simplificada, algumas informações
sobre a produção de sementes de espécies
nativas, suas formas de coleta, beneficiamento
e armazenamento.

Elaborado por:
Marisa Prudencio
Daiane Caporal
Luis Antonio de Freitas

São Bonifácio
Junho de 2007.
PRODUÇÃO E MANEJO DE SEMENTES DE ESPÉCIES
NATIVAS DA MATA ATLÂNTICA.

A Floresta Atlântica é um ecossistema que está em constante mudança. Há um


processo cíclico e natural de crescimento, estabilização, senescência e morte das plantas
que compõe este ambiente.
Este processo, que gera transformações na composição (tipos de plantas) e na
estrutura (altura das plantas) de uma vegetação ao longo do tempo, é chamado de
sucessão vegetal. Ou seja, a sucessão é a seqüência em que as plantas se
desenvolvem num ambiente determinado. Ocorre de duas maneiras: sucessão primária e
sucessão secundária.
A sucessão primária está relacionada com a ocupação gradativa de um terreno ao
longo do tempo geológico; e a sucessão secundária ocorre devido a processos naturais
como a queda de árvores e desmoronamento de encostas e por intervenções humanas,
formando clareiras na mata.
Estas clareiras são inicialmente
ocupadas por plantas que suportam alta
incidência luminosa e solos pobres em
nutrientes. Estas plantas que conseguem
se estabelecer no primeiro momento da
sucessão são chamadas de plantas
pioneiras e são espécies de crescimento
rápido e ciclo de vida curto. Esta
colonização inicial e jovem é chamada
de capoeirinha ou capoeira baixa.
É ela que proporciona uma melhoria gradativa das condições do ambiente,
permitindo o estabelecimento de outras espécies mais exigentes em nutrientes e que
precisam de um pouco mais de sombra, chamadas de espécies secundárias. Esta fase da
sucessão é chamada de capoeirão ou capoeira alta e nela estão presentes tanto as
espécies pioneiras quanto as secundárias.
Aos poucos o ambiente vai ficando mais “adulto” e outras espécies vão surgindo
até conformar a floresta. As espécies climácicas são as que definem o desenvolvimento
final da sucessão vegetal.
A produção de sementes

Geralmente, as plantas florescem e frutificam periodicamente, porém, este


fenômeno pode variar na época de ocorrência, na sua duração e intensidade. É comum
também, haver irregularidade na produção de sementes:
• Há espécies que produzem anualmente ou em intervalos regulares grandes
quantidades de sementes, como as espécies pioneiras, por exemplo.
• Há espécies que ficam por longos períodos sem produzir sementes, entre anos de
produção.
• Há espécies que produzem grandes quantidades de sementes (anos de picos de
produção) e logo passam por períodos com produção irregular.
• Outras espécies, como o guarapuvu, por exemplo, tem a sua produção de frutos
variável conforme a exposição de sua copa aos quatro pontos cardeais (norte, sul,
leste e oeste) e ainda variável de ano para ano.
• Cada espécie floresce em épocas diferentes do ano, dependendo do local e das
condições climáticas. Por exemplo: o cedro, no estado do Espírito Santo floresce
de janeiro a março (estação chuvosa).

Dizem os livros que em Santa Catarina, o cedro floresce de setembro a dezembro.


Mas como ocorre em São Bonifácio?

Para podermos lidar com toda esta diversidade relacionada à produção de sementes,
precisamos fazer o..

Planejamento da Colheita

O local selecionado para a colheita de sementes deve ter preferencialmente uma


fauna diversificada de polinizadores e dispersores e um número razoável de indivíduos
daquela planta que está sendo coletada.
Deve ser evitada a colheita em plantas isoladas. Este cuidado é importante, pois
possibilita que as sementes possuam maior variabilidade genética e, conseqüentemente,
sejam plantas capazes de sobreviver em diferentes condições ambientais.

Para fazer um bom planejamento da colheita, precisamos fazer primeiro...


A seleção de árvores-mãe ou matrizes

São chamadas de árvores matrizes, porta sementes ou árvores-mãe, aquelas


plantas das quais são coletadas as sementes. É importante escolher bem as árvores
matrizes para assegurar que as sementes tenham boa qualidade.

A escolha das árvores matrizes depende da finalidade a que se destina a semente


que vai ser colhida. Por exemplo: quando o objetivo for a produção de madeira, devemos
colher sementes de árvores que tenham fustes retos e cilíndricos; se for a extração de
resina, a árvore deve apresentar elevado teor deste extrativo; se for a produção de frutos,
devemos coletar sementes de árvores que produzam os melhores e mais gostosos frutos.

Na época da colheita, as árvores matrizes devem estar sadias, vigorosas e em


plena maturidade.

Depois de selecionadas as árvores matrizes, elas devem ser identificadas, por


meio da marcação:
• Etiquetagem: colocar uma pequena placa de alumínio (ou outro material) fixada na
casca da árvore selecionada, contendo o número de cada árvore.
• Mapeamento das matrizes: fazer um croqui de cada área onde foram selecionadas
as matrizes, com o seu posicionamento. Isto facilita a localização da matriz que foi
etiquetada em futuras coletas.

Além de marcar as árvores das quais vamos coletar as sementes, precisamos saber...

A época ideal de colheita de sementes


É a época em que as sementes atingem o ponto de maturidade fisiológica, na qual
possuem o máximo de poder germinativo e vigor.
Mas como sabemos se as sementes estão prontas?
Isto ocorre quando os frutos estão maduros, isto é, quando eles começam a se
abrir espontaneamente, ou iniciam a queda espontânea. O ponto de maturidade dos
frutos varia em função da espécie, do local e do ano, portanto, mais uma vez, precisamos
observar a floresta! Normalmente reconhecemos um fruto maduro pela sua: cor, cheiro,
umidade, densidade, tamanho e peso.
A definição da época de colheita é muito importante, porque grande número de
espécies produz frutos secos que se abrem naturalmente quando amadurecem, e liberam
as sementes. Por isso, se não coletarmos na época certa, acabamos perdendo de vista
as sementes.
Além disso, é importante coletar as sementes logo que os frutos estão maduros,
para evitar que elas permaneçam no campo, sujeitas ao ataque de predadores e expostas
a condições que favoreçam o aparecimento de fungos.

PREDAÇÃO
É toda interação entre indivíduos, na qual
um deles se alimenta do outro. Assim,
alguns animais podem se alimentar das
flores, frutos e outras partes das plantas
afetando a produtividade e qualidade das
sementes.

A predação auxilia na dispersão natural


das espécies e na perpetuação da vida!
Por isso, em cada planta devemos coletar
no máximo 30% de seus frutos, para que os
outros 70% possam suprir as necessidades
dos animais da região.
Como são os diferentes frutos que carregam as sementes?

Existem dois grupos principais de frutos: os secos e os carnosos.

Frutos secos - não apresentam polpa úmida, podem de dois tipos:

Deiscentes: abrem-se sozinhos quando maduros e liberam naturalmente


as sementes.
Exemplo: feijão, ervilha, cedro, jacarandá.

Fruto do cedro

Indeiscentes: não se abrem sozinhos, retêm as sementes quando ficam


maduros.
Exemplo: arroz, milho, canela-sassafrás.
Fruto da timbaúva

Frutos carnosos - apresentam polpa úmida, suculenta e, às vezes, abundante. São


quase todos indeiscentes e de dois tipos:

Baga: fruto que contém uma ou mais sementes, envolvidas pela polpa.
Exemplos: uva, tomate, abóbora, laranja, goiaba, fruto do vassourão-
preto.

Goiaba

Drupa: fruto que contém em seu interior uma só semente, que forma um
caroço.
Exemplos: pêssego, ameixa, pitanga, fruto da aroeira.

Pitanga
Também é fundamental conhecer a forma como cada espécie dispersa suas
sementes, pois é isto que determina a distribuição espacial de cada espécie e, portanto,
ajuda a planejar a colheita das sementes.

A dispersão de sementes pode ocorre de diferentes formas:

• Pelo vento (anemocoria): ocorre em sementes leves e pequenas, como o cedro, ipê,
peroba.
• Pelos animais (zoocoria): ocorre, por exemplo, para o palmito-juçara, ingá e
pinheiro-do-paraná.
• Pela água (hidrocoria): ocorre principalmente para as espécies que naturalmente
margeiam os rios e córregos e em terrenos com declive acentuado. Por exemplo: o
guarapuvu e algumas espécies de ingá.
• Pela própria planta (autocoria): ocorre quando o fruto possui mecanismos ejetores
de sementes; como por exemplo, a pata de vaca.

Mas como podemos coletar estes frutos?

De duas maneiras: no chão ou diretamente dos galhos da árvore.

Colheita no chão:
É aconselhável somente para espécies que produzem frutos grandes. São
coletados do chão os frutos que estiverem no entorno da árvore-mãe.

A colheita deve ser iniciada logo após começar a queda dos frutos ou sementes
para evitar o ataque de roedores, insetos, pássaros e fungos, que podem reduzir a
produção de sementes e afetar a sua qualidade.

Como alternativa, e para apressar a queda dos frutos, pode-se limpar o terreno ao
redor da árvore ou colocar uma lona, e sacudir o tronco ou os galhos da árvore até que os
frutos maduros caiam. Para isso, pode-se utilizar uma corda chumbada, atirada entre os
galhos, permitindo a sua agitação e a queda dos frutos ou sementes sobre a lona.

Colheita em árvores em pé:


Este método consiste em colher os frutos, ramos ou sementes diretamente na
copa da árvore. Neste caso o coletor necessita escalar a árvore para efetuar a colheita.
Pode-se usar para isso escadas, cordas e equipamentos de escalada (mas estes só
podem ser utilizados depois de um treinamento). A segurança nesta atividade é o
principal cuidado, procure sempre a companhia de outra pessoa nesta atividade.

No caso de árvores pequenas e de médio porte, o acesso à copa pode ser


conseguido do chão, com alcance equivalente à altura do coletor, se necessário, o coletor
pode alcançar a copa com auxilio de uma escada colocada ao lado da árvore.

O que fazemos depois de coletar os frutos e sementes?

1- Registro de informações

O agricultor-coletor de sementes deve anotar em uma caderneta de campo, alguns


dados, como os que constam no exemplo abaixo. Isto é bem importante para auxiliar as
futuras colheitas e para se saber o período de floração das diferentes espécies em cada
região.

Caderneta de campo
Data de coleta:__________________________________
Local de coleta: _________________________________
Nome do coletor: ________________________________
Lote: __________________________________________
Nome popular da espécie: _________________________
Nº da árvore matriz: ______________________________
Outros dados sobre as características da planta e do local
onde ela está (p. ex.: encosta, banhado, margem de rio,
terreno arenoso, etc.): ____________________________

Cada montante de sementes colhidas de uma árvore-mãe em um determinado


local e dia são depositados em sacos plásticos e formam um lote. Ou seja, o lote contém
as sementes da mesma espécie coletadas na mesma árvore-matriz, no mesmo dia.

Estes lotes podem ser identificados com uma etiqueta. Por exemplo: o agricultor
João Silva fez uma colheita no dia 03 de junho de 2008. Então, ele coloca as sementes
num recipiente e coloca uma etiqueta contendo: JS 030608-1. Isto indica que o Sr. João
Silva coletou o primeiro lote de sementes no dia 3 de junho de 2008.
2- Beneficiamento de sementes

O beneficiamento de sementes compreende todas as etapas que precisam ser


feitas para o preparo da semente até elas ficarem prontas para serem semeadas.

Após a colheita, normalmente as sementes apresentam excesso de umidade,


grande quantidade de impurezas e a maioria encontram-se aderidas aos frutos. Os frutos
podem ter a polpa carnosa ou seca, podem manter-se fechados ou abrirem-se
naturalmente, como vimos antes. Por isso, cada tipo de fruto é submetido a um
tratamento diferente para a extração das sementes.

Além disso, nem sempre a sementes são plantadas logo após a colheita,
precisando então passar por um período de armazenamento para o posterior plantio.

O que fazemos, então?

1° Passo: Extração das sementes

Os frutos que tem polpa carnosa, primeiro devem ser submetidos à remoção
manual ou mecânica da polpa para extração das sementes.
Para isto, a técnica mais utilizada é a maceração: os frutos são colocados em
tanques com água por 12 a 24 horas (ou mais) até o amolecimento da polpa; logo, os
frutos devem ser macerados sobre peneiras para extração das sementes. Os materiais
indesejáveis como sementes murchas, imaturas e quebradas, pedaços de frutos, folhas
ou qualquer detrito vegetal devem ser cuidadosamente retirados.

Os frutos secos não precisam de maceração. Eles podem ser colocados para
secar e com isso, os frutos irão abrir e liberar as sementes. Existem frutos que mesmo
após a secagem, não se abrem, sendo necessária a abertura forçada com o uso de
canivete, tesoura de poda manual, martelo ou machadinho.

Depois de obtidas as sementes limpas, elas devem passar pelo processo de secagem.
2º passo: Secagem das sementes

A secagem é empregada para extração das sementes do interior dos frutos e


posteriormente, para a redução do conteúdo de umidade das sementes até o ponto em
que elas possam ser armazenadas. A secagem serve para que as sementes não
germinem e não apodreçam enquanto estão armazenadas.
Para secar as sementes, podemos colocá-las em estufas ou deixa-las expostas ao
sol (secagem natural). Para isso, os frutos ou sementes devem ser colocados sobre
bandejas ou lonas plásticas.
Os frutos que apresentam alto teor de umidade quando colhidos, não devem ser
expostos ao sol diretamente. Eles precisam de uma pré-secagem à sombra, em local
coberto e bem arejado.
Alguns cuidados são importantes durante a secagem:
• Revolver os frutos periodicamente: isto propicia uma maior aeração, evita a
fermentação, o aumento excessivo da temperatura e torna a secagem mais
homogênea.
• Recolher as bandejas ou a lona para área coberta ou cobrir com outra lona
durante a noite: isto mantém a temperatura e evita a umidade noturna.
• Manter em área coberta durante os períodos de chuva.
• Recolher as sementes na medida em que são liberadas.
• Acompanhamento constante durante o período de secagem.

O período de secagem depende da espécie, da umidade inicial das sementes, da


temperatura e umidade do ar. É preciso conhecer a espécie que está sendo tratada. Em
geral, sementes ricas em carboidratos tendem a secar mais rapidamente do que as
oleaginosas. A secagem não deve ser muito lenta para não propiciar o aparecimento de
fungos, nem muito rápida.

3º passo: Armazenamento

Depois que as sementes são retiradas dos frutos e secas, elas devem ser
armazenadas adequadamente até a época correta de semeadura ou até a sua
comercialização.
O armazenamento não melhora a qualidade das sementes, apenas permite que
elas durem por mais tempo, isto é, que permaneçam viáveis.
No geral, as melhores condições para o armazenamento das sementes são baixa
temperatura e ar seco. O local de armazenamento deve ser limpo, seco e ventilado. Para
guardar as sementes podem ser utilizados recipientes bem fechados de vidro, garrafas
PET ou sacos plásticos. Em alguns casos, podem ser utilizados sacos de papel ou pano.
Nos recipientes deve ser colocada uma etiqueta com o nome popular da espécie,
data de armazenamento e número do lote.

Pode ser utilizada cinza dentro dos recipientes para manter as sementes livres de fungos.

É importante saber que muitas das sementes das florestas tropicais não aceitam a
secagem e armazenamento. Isto depende da longevidade natural das sementes, ou
seja, sua viabilidade: é o período em que a semente mantém a capacidade de germinar.
Esta característica é intrínseca da semente e varia entre as espécies: enquanto
algumas sementes permanecem viáveis durante muitos anos, outras perdem rapidamente
a capacidade de germinar. Esta característica natural de cada espécie determina se suas
sementes podem ou não ser secas e armazenadas.

Classificação das sementes quanto à secagem e armazenamento:

• Ortodoxas: suportam bem a desidratação e podem ser armazenadas em


ambientes de baixa temperatura e umidade por um período de seis meses a mais
de um ano, dependendo da espécie.
Exemplo: guarapuvu; aroeira-vermelha.

• Recalcitrantes: são sementes com alto teor de umidade que não aceitam a
desidratação e armazenamento, perdendo rapidamente a viabilidade. Sementes
deste tipo devem ser expostas à ventilação natural, à sombra, apenas para perder
o excesso de umidade. Só podem ser armazenadas com alto grau de umidade e
por curtos períodos de tempo (de semanas até alguns meses).
Exemplo: pinheiro-do-paraná (araucária), palmito-juçara, ingá.
3- Plantio das sementes

Após o beneficiamento as sementes estão prontas para serem semeadas.

O tempo que as sementes demoram em germinar, ou período de dormência, varia


entre as espécies, algumas germinam em poucas semanas, outras demoram alguns
meses.

Podemos apressar um pouco o período de germinação induzindo a quebra de


dormência das sementes. Consiste em quebrar a primeira barreira que a água encontra
para penetrar na semente, facilitando a entrada de água no interior da semente e com
isso, a sua germinação.

Pode-se conseguir isto através de diferentes métodos: raspando a superfície da


semente com uma lixa para madeira, deixando a semente imersa na água por algum
tempo, utilizando ácido sulfúrico ou submetendo a semente por um período em água
morna.

O meio pelo qual será feita a quebra de dormência vai depender da espécie que
está sendo trabalhada e os meios que o coletor dispõe.

Após feita a indução da quebra de dormência as sementes devem ser


imediatamente plantadas e irrigadas regularmente.

Como foi possível observar muitas características da coleta e manejo de sementes


da Floresta Atlântica variam de espécie para espécie. E isto ocorre graças a termos uma
floresta rica, com uma diversidade enorme de vida. Porém, para facilitar, apresentamos a
seguir uma tabela com algumas espécies que ocorrem em São Bonifácio e as
características de seus frutos e sementes. O agricultor pode recorrer a esta tabela sempre
que tiver dúvida sobre alguma espécie que deseja reproduzir.

Para finalizar é bom lembrar que a floresta possui diversos recursos que podem
ser manejados para o usufruto dos agricultores familiares. Mas este manejo deve ser feito
com o cuidado necessário para que o recurso não acabe e possa ser usufruído também
pelas gerações futuras.
Informações para coleta, armazenamento e beneficiamento de algumas espécies nativas de interesse em São Bonifácio.
Nome Nome Época de Tipo de Extração das Quebra de
Coleta dos frutos Deiscência Tipo de semente
comum científico frutificação fruto sementes dormência
Ortodoxa – secar
Quando passam da Macerar e depois em ambiente
Aroeira- Schinus Não é
cor verde para róseo- fev-jul Carnoso Indeiscente lavar em água ventilado, abaixo de
vermelha terebinthifolius necessária.
vermelho-viva. corrente 40°C. Armazenar
na geladeira.
Deixar os frutos
Diretamente da
expostos ao sol
Casearia árvore quando
Cafezeiro set-nov Carnoso Indeiscente para completarem a Recalcitrante
sylvestris iniciarem a abertura
abertura e liberarem
espontânea.
as sementes.
Deixar os frutos
expostos ao sol
Diretamente da para completarem a Imersão em
Camboatá- Cupania árvore quando abertura e liberarem água quente
set-nov Seco Deiscente Recalcitrante
vermelho vernalis iniciarem a abertura as sementes. Não (50°C) por 5
espontânea. há necessidade de minutos.
remover a parte
carnosa.
Quando passam da Retirar a cúpula e
Recalcitrante –
Canela- Ocotea cor verde para macerar a parte
jun-set Seco Indeiscente secar em ambiente Escarificação
sassafrás odorifera violáceo, com ou sem carnosa que
ventilado.
a cúpula envoltória. envolve a semente.
Quando passam da Ortodoxa –
Não é
Cedro Cedrela fissilis cor verde para jul-ago Seco Deiscente armazenar na
necessária.
marrom-claro. geladeira.
Imersão em
água fervente
por 4 a 10
Retirar min., deixando
Quando os frutos
Schizolobium manualmente as as sementes
Garapuvu começam a secar, e abr-ago Seco Deiscente Ortodoxa
parahyba sementes do nesta água e
antes de abrirem-se.
envelope. fora do
aquecimento
por 72h. Ou
escarificação.
Nome Nome Época de Tipo de Extração das Quebra de
Coleta dos frutos Deiscência Tipo de semente
comum científico frutificação fruto sementes dormência
Deixar os frutos
amontoados
Imersão em
Diretamente da árvore durante alguns dias
água a
quando iniciarem a e despolpá-los
Psidium temperatura
Goiabeira abertura espontânea dez-mar Carnoso Indeiscente manualmente em Ortodoxa
guajava ambiente
ou colhê-los no chão água corrente. Após
(25°C) por 48
após a queda. a separação das
horas.
sementes, deixa-las
secar a sombra.
Deixar os frutos Ortodoxa – secar
Imersão em
Quando atingirem a imersos em água em ambiente
água quente
Trema coloração verde- (temp. ambiente) ventilado.
Grandiúva jan-mar Carnoso Indeiscente (50°C) por 5
micrantha avermelhada ou por dois dias. Logo, Armazenar em
minutos. Ou
vermelha. macerar e lavar em ambiente
escarificação.
água corrente. controlado.
Deixar os frutos
amontoados em
saco plástico até a
Guabiroba decomposição
Diretamente da árvore
(Araçá-da- parcial da polpa Recalcitrante –
quando iniciarem a
folha-nem- Campomanesi para facilitar a armazenar em vidro Não é
abertura espontânea nov-dez Carnoso Indeiscente
lisa-nem- a xanthocarpa separação das fechado por, no necessária.
ou recolhe-los no
crespa) sementes através máximo, 30 dias.
chão após a queda.
da lavagem em
água corrente com
auxílio de uma
peneira.
Ingá-de-
Diretamente da árvore
beira-de-rio Abrir as vagens Recalcitrante – sua
quando iniciarem a
Inga manualmente para viabilidade de Não é
abertura espontânea dez-fev Carnoso Indeiscente
Ingá-de- uruguensis a retirada das germinação não necessária.
ou recolhe-los no
quatro- sementes. ultrapassa 15 dias.
chão após a queda.
quinas
Colher as vagens
Abrir as vagens
diretamente da árvore
manualmente para
quando iniciarem a Não é
Ingá-feijão Inga marginata mar-mai Carnoso Indeiscente a retirada das Recalcitrante
queda espontânea ou necessária.
sementes. Não
recolhê-las no chão
deixa-las secar.
após queda.
Nome Nome Época de Tipo de Extração das Quebra de
Coleta dos frutos Deiscência Tipo de semente
comum científico frutificação fruto sementes dormência
Ingá-
Colher as vagens Frutos abertos Recalcitrante –
macaco
diretamente da árvore manualmente com secar em ambiente
quando iniciarem a auxílio de uma faca. ventilado. Não é
Ingá-preto Inga sessilis jul-jan Carnoso Indeiscente
queda espontânea ou Logo, lavar as Armazenar em necessária.
recolhe-las no chão sementes com recipientes bem
Ingá-
após queda. maceração. vedados.
ferradura
Deixar os frutos
expostos ao sol
para secar a polpa
suculenta. Os frutos
Colher os frutos
Hieronyma assim obtidos
Licurana quando ainda jan-abr Carnoso Indeiscente Recalcitrante
alchorneoides podem ser
estiverem na árvore.
diretamente
utilizados para
semeadura como se
fossem sementes.
A coleta pode ser Deixar os frutos
feita do solo, quando imersos em água
Imersão em
os frutos (temp. ambiente)
água fria por
Palmiteiro Euterpe edulis apresentarem cor abr-nov Carnoso Indeiscente por 12 a 24 horas. Recalcitrante
48 horas. Ou
preta, roxa ou rosada. Logo macerar sobre
escarificação.
Frutos maiores peneiras para retirar
germinam melhor. a polpa.
Manter os frutos por
Diretamente da alguns dias dentro Recalcitrante –
Xylopia árvore quando uma de um saco plástico viabilidade de
Pindaíba set-nov Carnoso Deiscente Escarificação.
brasiliensis boa parte dos frutos para amolecer e armazenamento
estiver aberta. facilitar a remoção inferior a 30 dias.
das sementes.
Diretamente da Os frutos podem ser Recalcitrante – no
árvore quando utilizados caso de
Eugenia iniciarem a queda diretamente para armazenamento e Não é
Pitangueira out-jan Carnoso Indeiscente
uniflora espontânea ou semeadura, como transporte é necessária.
recolhê-los no chão se fossem necessário
após queda. sementes. despolpar os frutos.
Nome Nome Época de Tipo de Extração das Quebra de
Coleta dos frutos Deiscência Tipo de semente
comum científico frutificação fruto sementes dormência
Quando mudam de
Colubrina cor, passando do Frutos devem ser
Sobragi abr-out Seco Deiscente Ortodoxa Escarificação
glandulosa verde para castanho- quebrados.
escuro.
Diretamente da Deixar os frutos
Imersão em
árvore quando expostos ao sol
água quente
iniciarem a abertura para completarem a
(antes de
espontânea, o que é abertura e liberarem
Alchornea ferver) e
Tanheiro facilmente percebido jan-mar Seco Deiscente as sementes. Não Recalcitrante
triplinervia deixar até que
pela exposição da há necessidade de
a água atinja a
parte carnosa remover a parte
temperatura
vermelha-viva que carnosa, apenas
ambiente.
envolve a semente. deixar secar.
Diretamente da
Despolpar os frutos
árvore quando Imersão em
Tarumã manualmente em
Vitex iniciarem a queda água fria por
jan-mar Carnoso Indeiscente peneira sob água Recalcitrante
megapotamica espontânea, ou 48 horas. Ou
Drumão corrente e leva-los
recolhê-los no chão escarificação.
ao sol para secar.
após queda.
É de difícil
germinação.
Macerar os frutos
Semear as
em água e deixar
sementes num
em repouso. As Ortodoxa – secar
substrato que
Vassourão- Podem ser coletados sementes afundam, em ambiente
contenha
preto frutos maduros (de perdem a coloração sombreado e
Miconia materiais
cor violáceo-escura) mar-jun Carnoso Indeiscente arroxeada e o ventilado.
cinnamomifolia fibrosos (como
Jacatirão- ou imaturos (de cor restante do material Armazenar em
casca de coco
açú verde). permanece na ambiente com baixa
granulada ou
superfície, temperatura.
casca de
facilitando a
arroz) pode
separação.
auxiliar no
processo.
Bibliografia consultada e recomendada:

BACKES, P.; IRGANG, B. Árvores do Sul - Guia de Identificação & Interesse Ecológico - As
principais espécies nativas sul-brasileiras. Clube da Árvore - Instituto Souza Cruz. 1ª ed. 326
p. 2002.
CARVALHO, P.E.R. Espécies Arbóreas Brasileiras. Embrapa Informações Tecnológica; Colombo,
PR. Embrapa Florestas. V1. 1.039 p. 2003.
CARVALHO, P.E.R. Espécies arbóreas de usos múltiplos na região do sul do Brasil. In: CONGRESSO
BRASILEIRO SOBRE SISTEMAS AGROFLORESTAIS, 1.; ENCONTRO SOBRE SISTEMAS
AGROFLORESTAIS NOS PAÍSES DO MERCOSUL, 1., 1994, Porto Velho. Anais. Colombo: EMBRAPA-
CNPF, 1994. v. 1, p. 289-320.
FOWLER, J. A. P.; BIANCHETTI, A. Dormência em Sementes Florestais. Colombo: EMBRAPA-
CNPF, 2000. 27p. (Embrapa Florestas. Documentos, 40).
IPEF. Recomposição da Vegetação com Espécies Arbórea Nativas em Reservatórios de
Usinas Hidrelétricas da CESP. IPEF Série Técnica, Piracicaba, 8(25): 1-43, set.1992.
REDE SEMENTE SUL. Produção e Manejo de Sementes da Mata Atlântica. Florianópolis: Rede
Semente Sul, 25p. (cartilha).
VIANNA, E.; KOEHLER, A.B. Tratamentos simplificados para germinação de sementes de Tarumã
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