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MARINHA DO BRASIL DIRETORIA DE PORTOS E COSTAS

ENSINO PROFISSIONAL MARÍTIMO

DIRETORIA DE PORTOS E COSTAS ENSINO PROFISSIONAL MARÍTIMO MÓDULO DE AUTOMAÇÃO UEA-11 UNIDADE DE ESTUDO AUTÔNOMO

MÓDULO DE AUTOMAÇÃO

UEA-11

UNIDADE DE ESTUDO AUTÔNOMO

2ª.edição

Rio de Janeiro

2009

Autor: Francisco DIOCÉLIO Alencar de Oliveira

Revisão Pedagógica: Francisco DIOCÉLIO Alencar de Oliveira

Revisão Ortográfica:Luiz Fernando

Concessão de Publicação de

exemplares a:

Diretoria de Portos e Costas

Rua Teófilo Otoni, n o 4 – Centro

Rio de Janeiro, RJ

20090-070

http://www.dpc.mar.mil.br

secom@dpc.mar.mil.br

Depósito legal na Biblioteca Nacional conforme Decreto n o 1825, de 20 de dezembro de 1907

IMPRESSO NO BRASIL / PRINTED IN BRAZIL

MENSAGEM AOS ALUNOS

MENSAGEM AOS ALUNOS Ensina-nos a Pedagogia que na aprendizagem há duas operações distintas: a compreensão e
MENSAGEM AOS ALUNOS Ensina-nos a Pedagogia que na aprendizagem há duas operações distintas: a compreensão e

Ensina-nos a Pedagogia que na aprendizagem há duas operações distintas: a compreensão e a fixação. No aprendizado de uma tecnologia, os alunos têm de observar e agir, de raciocinar e concluir, e cabe ao professor guiá-los e orientá-los nessas tarefas.

Na fase da compreensão, a missão do professor é criar condições para os alunos compreenderem os assuntos ministrados. Assim, nessa fase é necessário que os alunos observem os fenômenos, os objetos ou as imagens filmadas, fotografadas, desenhadas ou esquematizadas, além de vivenciarem atividades práticas, aplicando os conhecimentos construídos, conforme o assunto ministrado.

O recurso ao livro só deveria ser feito por necessidade de observar esquemas que completassem as folhas tarefas.

Na fase da avaliação da aprendizagem, é indispensável o uso do(s) livro(s), pois esse(s) terão como objetivo facilitar-lhes a recordação dos fundamentos que apreenderam, mas que não puderam reter. Mas tais livros, de acordo com a Psicologia e a Didática atual, terão de ser necessariamente concisos e com linguagem de fácil entendimento porque, uma vez compreendido o assunto, a sua sedimentação passa a ser função do número de leituras e de observações esquemáticas, número esse que é inversamente proporcional à extensão.

No ensino a distância (EAD), estas recomendações sobre os livros, tornam-se mais necessárias, pois o contato do aluno com o professor é limitado.

Assim, pretendemos, com esse livro-texto, propiciar ao estudante ou ao leitor interessado sínteses claras dos princípios e explicações sucintas dos assuntos que envolvem a automação industrial. Por outro lado, defendemos a tese de que um livro comum ou eletrônico (CD), ou qualquer outro material didático elaborado com base no programa de curso da disciplina, não deve ser encarado como o único meio de se atingir os objetivos. Outros livros devem ser consultados periodicamente, assim como é imprescindível o apoio de meios auxiliares, tais como: audiovisuais, filmes e experiências de laboratórios, vivenciando a construção do conhecimento.

Analisando os cursos anteriores, verificamos que muitos alunos não respondem determinadas questões em provas ou não sabem executar algumas tarefas, simplesmente por não terem dado importância a contextualização histórica ou mesmo não ter entendido os princípios básicos. Assim sendo, recomendarmos aos estudantes que não desprezem os conteúdos que tratam da história sobre como determinadas tecnologias evoluíram.

Lembramos que todo o conteúdo exposto neste material didático, mesmo não tendo sido estabelecido no sumário (programa) da disciplina, é de valiosa importância para quem deseja obter um conhecimento sólido sobre automação de processos industriais.

Esta edição tem como propósito oferecer-lhes conhecimentos científicos e tecnológicos especificados no currículo do Curso de Aperfeiçoamento de Aquaviários de Máquinas - Marítimos – a fim de alcançar determinadas competências e habilidades. Desta forma este livro-texto se propõem a:

I

Proporcionar ao aluno conhecimento para interpretar, monitorar, operar e efetuar a manutenção em sistemas de

Proporcionar ao aluno conhecimento para interpretar, monitorar, operar e efetuar a manutenção em sistemas de automação aplicados a navios com máquinas propulsoras de ate 3.000 kW de potência.

Algumas figuras são apenas para reflexão ilustrando a descrição outras são específicas do conteúdo estudado necessitando, portanto, de maior atenção.

Por fim, ao final de cada capítulo apresentamos um exercício para que você possa fazer uma auto-avaliação do conhecimento adquirido. Caso você tenha dificuldade para responder as questões propostas ou queira que façamos a correção, entre em contato através de carta ou de e-mail, que teremos a maior boa vontade em lhe ajudar.

Esforçamo-nos para que este livro texto fosse claro e atendesse a todas as recomendações didáticas. Oxalá o tenhamos conseguido. Caso seja do agrado do leitor nos escrever, dando conta da aplicabilidade deste material didático ou fazendo algumas sugestões construtivas, ficaremos gratos pela sua atenção.

construtivas, ficaremos gratos pela sua atenção. Francisco DIOCÉLIO Alencar de Oliveira, concluiu o Mestrado

Francisco DIOCÉLIO Alencar de Oliveira, concluiu o Mestrado em Educação na Área de Administração e Supervisão Escolar na UNICAMP em 1996, com a Dissertação: A Formação do Oficial de Máquinas da Marinha Mercante do Brasil; concluiu o Curso (superior) de Aperfeiçoamento para Oficial de Máquinas no CIABA (1985); é Graduado pela UFPA (1978) como Professor da área de mecânica de: tecnologia, fabricação e desenho técnico mecânico; é formado pela EMMPA (1972) como Oficial de Máquinas da Marinha Mercante.

Possui diversos cursos de automação industrial específicos, desenvolvidos pelo IBP:

Automação e Robótica Industrial. (FEM-UNICAMP 1992); Produtividade e Tecnologia de Grupo nos Sistemas de Manufatura. (FEM-UNICAMP 1992); Controladores Lógicos Programáveis. (SENAI 1996); Instrumentação e Controle de Caldeiras. (ISQP 1997); Básico de Instrumentação e Controle (IBP 2000); Instrumentação Analítica Aplicada a Analisadores de Processo (IBP 2000); Avançado de Instrumentação e Controle (IBP 2002); Projeto de Instrumentação (IPB 2004); Sistemas Inteligentes para Controle, Automação e Otimização de Processos (IBP 2005).

Foi Oficial de Máquinas nos navios do extinto Loide Brasileiro; Professor do CIABA; Professor de Mecânica em Escola Profissional do Estado do Pará; Perito da ONU agência da IMO, como Professor e Diretor do Departamento de Máquinas da Escola Náutica da República de Cabo Verde (1985-1991); e professor da disciplina Aspectos Sócio-filosófico da Educação, da Universidade ABEU. Atualmente é professor das disciplinas específicas de máquinas e automação industrial e, Chefe do Departamento de Ensino de Máquinas do CIAGA.

FFFFRANCISCORANCISCORANCISCORANCISCO DDDDIOCÉLIIOCÉLIOIOCÉLIIOCÉLIOOO AAAALENCARLENCARLENCARLENCAR DEDEDEDE OOOOLIVEIRALIVEIRALIVEIRALIVEIRA

E-mail: dioclevelis@ig.com.br

COMO USAR O LIVRO TEXTO

Antes de cada unidade de ensino é especificado as competências que o aluno deve alcança com o estudo. No final de cada capítulo é disponibilizado um exercício para auto- avaliação, desenvolvido com base nas habilidades propostas para serem adquiridas, conforme definidas no Sumário da disciplina.

1. Como você deve estudar cada unidade?

Ler a visão geral da unidade.

as

funcionamento e análise dos exemplos contemplados em cada unidade.

Estudar

os

conceitos,

definições,

as

características

e

explicação

Responder às questões para reflexão.

Realizar a auto-avaliação.

Realizar as tarefas.

de

Comparar a chave de respostas e encaminhar as respostas dos exercícios para o Orientador de Aprendizagem.

2. Visão geral da unidade

A visão geral do assunto apresenta as competências que devem ser alcançadas com os estudos.

3. Conteúdos da unidade

Leia com atenção o conteúdo, procurando entender e fixar os conhecimentos por meio dos exercícios propostos. Se você não entender, refaça a leitura e os exercícios. É muito importante que você entenda e domine os conhecimentos.

4. Questões para reflexão

São questões que ressaltam a idéia principal do texto, levando-o a refletir sobre os temas mais importantes deste material.

5. Auto-avaliação

São testes que o ajudarão a se auto-avaliar, evidenciando o seu progresso. Realize-os

à medida que apareçam e, se houver qualquer dúvida, volte ao conteúdo e reestude-o.

6. Tarefa

Dá a oportunidade para você colocar em prática o que já foi ensinado, testando seu desempenho de aprendizagem.

7. Respostas dos testes de auto-avaliação

Dá a oportunidade de você verificar o seu desempenho, comparando as respostas com

o gabarito que se encontra no final do Manual.

8.

Competências a serem adquiridas

Após estudar todas as Unidades de Estudo Autônomo (UEA) deste módulo, você estará apto a realizar uma avaliação da aprendizagem.

9. Símbolos utilizados

Existem alguns símbolos no manual para guiá-lo em seus estudos. Observe o que cada um quer dizer ou significa.

Este lhe diz que há uma visão geral da unidade e do que ela trata.

Este lhe diz que há uma visão geral da unidade e do que ela trata. Ou melhor, define a competência que você deverá alcançar.

Este lhe diz que há, no texto, uma pergunta para você pensar e responder a

Este lhe diz que há, no texto, uma pergunta para você pensar e responder a respeito do assunto.

Este lhe diz para anotar ou lembrar-se de um ponto importante.

Este lhe diz para anotar ou lembrar-se de um ponto importante.

E E s s t t e e l l h h e e d

EEssttee llhhee ddiizz qquuee hháá uumm eexxeerrccíícciioo rreessoollvviiddoo

Este lhe diz que há uma tarefa a ser feita por escrito.

Este lhe diz que há uma tarefa a ser feita por escrito.

Este lhe diz que há um teste de auto-avaliação para você fazer.

Este lhe diz que há um teste de auto-avaliação para você fazer.

Este lhe diz que esta é a chave das respostas para os testes de auto-avaliação,

Este lhe diz que esta é a chave das respostas para os testes de auto-avaliação, perguntas e tarefas.

SUMÁRIO

11 EVOLUÇÃO DA TECNOLOGIA DE CONTROLE

1

1.1 DEFINIÇÕES, CONCEITOS E IMPORTÂNCIA DA AUTOMAÇÃO

2

1.2 A CONCEPÇÃO HUMANA DO TRABALHO

5

1.3 EVOLUÇÃO DAS TÉCNICAS INDUSTRIAIS

6

1.4 EVOLUÇÃO DO EMPREGO DAS FONTES DE ENERGIA FLUIDAS

11

1.5 DESENVOLVIMENTO DO COMÉRCIO E DA INDÚSTRIA

17

 

1.5.1

Desenvolvimento da Manufatura

20

1.6

DESENVOLVIMENTO DA CIÊNCIA DAS MÁQUINAS

23

1.6.1

Desenvolvimento dos Motores de Combustão Interna

30

1.7

IMPORTÂNCIA DOS SISTEMAS DE CONTROLE INDUSTRIAL

32

1.7.1 Sistema

32

1.7.2 Período Empírico ou Experimental

33

1.7.3 Período da Mecanização ou Automatização

34

1.7.4 Período da Automação Propriamente Dita

41

1.8

EVOLUÇÃO DA AUTOMAÇÃO NOS NAVIOS

47

1.8.1 Implicações Técnicas e Sociais da Automação dos Navios 50

1.8.1.1 Normas Técnicas Aplicadas a Praça de Máquinas Desguarnecidas

52

1.9

DESENVOLVIMENTO DA INFORMÁTICA

56

1.10 TESTE DE AUTOAVALIAÇÃO DA UNIDADE 1

63

22 FUNDAMENTOS DO CONTROLE AUTOMÁTICO

66

2.1 ELEMENTOS DOS SISTEMAS DE AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL 67

2.2 NORMAS TÉCNICAS

70

2.2.1 Norma Técnica S5.1 da ISA

71

2.2.2 Padrões de Comunicações

74

2.3

TÉCNICAS DE CONTROLE DE PROCESSO

79

2.3.1 Classificação dos Controles de Processos

79

2.3.2 Controle Manual

81

2.3.3 Malha Aberta (open-loop)

82

2.3.4 Comando Automático Industrial

82

2.3.4.1 Comando Simples

 

83

2.3.4.2 Comando com Neutralização

83

2.3.4.3 Comando de Entrada Fixa

84

2.3.4.4 Comando

de

Entrada

Variável

84

2.3.4.4.1 Comando Temporizado

84

2.3.4.4.2 Comando Seqüenciado

84

2.3.5 Malha Fechada (close-loop)

84

2.3.6 Controle Automático de Processos Industriais

85

2.3.7 Classificação dos Tipos de Controle Automático

86

2.3.7.1 Controle Auto-operado

88

2.3.7.2 Automatização

88

2.3.7.3 Automação

90

2.4 CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DOS PROCESSOS

90

2.4.1

Mudança na Carga do Processo

91

2.4.2 Inércia do Processo

92

2.4.2.1 Resistência

92

2.4.2.2 Capacitância

92

2.4.2.3 Tempo Morto

94

2.5

ESTRATÉGIAS DE AUTOMAÇÃO DE PROCESSOS INDUSTRIAIS

94

2.5.1 Controle Antecipativo (Feedforward)

96

2.5.2 Controle Automático Descontínuo (on-off)

97

2.5.2.1 Controle Automático Descontínuo (on-off) com Zona Morta

98

2.5.2.2 Controle Descontínuo (on-off) por Válvula Termostática

101

2.5.3 Controle Automático Contínuo

101

2.5.3.1 Controle Proporcional (P)

102

2.5.3.2 Controle Integral

105

2.5.3.3 Controle Derivativo

105

2.5.3.4 Controle Proporcional mais Integral (PI)

105

2.5.3.5 Controle Proporcional mais Derivativo (PD)

107

2.5.3.6 Controle PID

108

2.6

TESTE DE AUTOAVALIAÇÃO DA UNIDADE 2

108

33 INSTRUMENTAÇÃO DE CONTROLE

110

3.1 GENERALIDADES

111

3.2 TERMINOLOGIA TÉCNICA DA INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL

113

 

3.2.1 Segurança Intrínseca

116

3.2.2 Unidades

117

3.3

MEDIDORES DE PRESSÃO

119

3.3.1 Definição de Pressão

120

3.3.2 Escala de Pressão

122

3.3.3 Classificação dos Instrumentos Medidores de Pressão

126

3.3.4 Manômetro de Coluna

127

3.3.5 Manômetro de Tubo em “L”

128

3.3.6 Barômetro

129

3.3.6.1 Barômetro de Cisterna

130

3.3.6.2 Barômetro Metálico ou

130

3.3.7 Manômetros por Deformação Elástica (Mecânicos)

131

3.3.7.1 Manômetro de Diafragma

132

3.3.7.2 Manômetro de Fole

133

3.3.7.3 Manômetro de Bourdon

134

3.3.8 Medidores e Sensores de Pressão

135

3.3.8.1 Calibre de Tensão

136

3.3.8.2 Sensores Piezelétricos

137

3.3.8.3 Sensores Piezoresistivos

138

3.4

MEDIDORES DE TEMPERATURA

138

3.4.1

Temperatura

139

3.4.1.1 Escalas de Temperatura

140

3.4.1.2 Pontos Fixos de Temperatura

142

3.4.2 Classificação dos Medidores de Temperatura

143

3.4.3 Termômetro de Líquido com Bulbo de Vidro

143

3.4.4 Termômetro Bimetálico

145

3.4.5 Termômetro Tipo Pressão Mola

147

3.4.5.1 Termômetro de Bourdon Enchimento com Líquido

148

3.4.5.2 Termômetro de Bourdon de Enchimento Líquido e Vapor

150

3.4.6 Termômetro de Bourdon de Enchimento Líquido e Gás

150

3.4.6.1

Sistemas de Compensação

151

3.4.7

Termopar

153

3.4.7.1 Principio de Funcionamento do Termopar

154

3.4.7.2 A f.e.m. de Peltier

154

3.4.7.3 A f. e. m. Thomson

155

3.4.7.4 Material dos Termopares

155

3.4.8 Pirômetro

161

3.4.9 Termoresistência

162

3.5

MEDIDORES DE NÍVEL

163

3.5.1

Medidores Diretos

166

3.5.1.1 Sonda

166

3.5.1.2 Visor

166

3.5.1.3 Bóias

168

3.5.2 Medidores Indiretos Baseados na Pressão Hidrostática

171

3.5.2.1 Tipo Caixa de Diafragma

171

3.5.2.2 Tipo Pressão Diferencial

172

3.5.2.3 Tipo DP-Cell

172

3.5.2.4 Tipo Manométrico com Sistema Pneumático (Borbulhamento)

173

3.5.2.5 Medidores de Nível Baseados no Deslocamento

174

3.5.3 Medidores de Nível Elétricos

175

3.5.3.1 Medidores de nível por condutividade elétrica

175

3.5.3.2 Medidores de Nível Capacitivos

176

3.5.4 Medidor de Nível Radioativo

176

3.5.5 Medição de Nível de Sólidos

177

3.6

MEDIDORES DE VAZÃO

178

3.6.1 Grandezas Físicas e Características dos Líquidos

178

3.6.2 Princípios Físicos

182

3.6.2.1 Quantidade em volume de líquido num determinado período de tempo

184

3.6.2.2 Medição da vazão do líquido na unidade de tempo

185

3.6.3 Medidores de Vazão do Tipo Pressão Diferencial

186

3.6.3.1 Tomada Piezométrica

187

3.6.3.2 Tubo

Pitot

187

3.6.3.3 Tubo Venturi

188

3.6.3.4 Bocal ou Tubo de Vazão

189

3.6.3.5 Placa de Orifícios

189

3.6.4 Medidores de Vazão de Área Variável

3.6.4.1

Rotâmetros

3.6.5 Medidores Volumétricos

190

190

191

3.6.5.1 Tanque Medidor

191

3.6.5.2 Disco Nutante

191

3.6.5.3 Movimento Alternativo

192

3.6.5.4 Movimento

rotativo oscilante

192

3.6.6 Deslocamento Positivo do Fluido

3.6.6.1 Medidores de turbina

192

193

3.6.7 Medidores Eletromagnético

195

3.6.8 Medidor de Vazão Ultra-Sônico

196

3.7

ELEMENTO FINAL DE CONTROLE

197

3.7.1 Válvula de Deslocamento Linear

198

3.7.2 Válvula de Deslocamento Rotativo

199

3.7.3 Componentes da Válvula de Controle

199

3.7.3.1 Conjunto de Corpo

199

3.7.3.2 Sedes de Válvulas

200

3.7.3.3 Obturador

201

3.7.3.4 Conjunto do Atuador

202

3.8

TESTE DE AUTOAVALIAÇÃO DA UNIDADE 3

204

44 CONTROLADORES

207

4.1

CONTROLADOR PNEUMÁTICO

208

4.1.1

Ar de Controle

210

4.1.1.1 Fundamentos Físicos do Ar

210

4.1.1.2 Propriedades do Ar de Controle

211

4.1.1.3 Produção do Ar Comprimido

212

4.1.1.4 Métodos de Tratamento de Ar Comprimido

213

4.1.1.5 Resfriamento do Ar

214

4.1.1.6 Reservatório de Ar

215

4.1.1.7 Secagem do Ar

215

4.1.1.7.1 Secagem por Absorção

216

4.1.1.7.2 Secagem por Adsorção ou Regeneração

216

4.1.1.7.3 Secagem a Frio

217

4.1.1.7.4 Pré-aquecimento do Ar

217

4.1.1.8 Filtros de Ar de Controle

217

4.1.1.9 Dreno Automático do Condensado

219

4.1.1.10 Unidade de Conservação

219

4.1.1.11 Válvulas Reguladora de Pressão

221

4.1.1.12 Distribuição de Ar de Controle em Navio

222

4.1.2 Bico Palheta

225

4.1.3 Transmissor Pneumático

226

4.1.4 Amortecedor de Oscilação

228

4.1.5 Amplificador de Sinal Pneumático

228

4.1.6 Extrator de Raiz Quadrada

229

4.1.7 Controlador Pneumático

231

4.1.7.1 Detector de Erro

231

4.1.7.2 Controlador Pneumático de Duas Posições (on-off)

231

4.1.7.3 Controlador Pneumático Proporcional

233

4.1.7.4 Controlador Pneumático Proporcional e Integral (PI)

234

4.2

SISTEMA DIGITAL DE CONTROLE DISTRIBUÍDO (SDCD)

235

4.2.1 Origem do SDCD

235

4.2.2 Configuração do SDCD

237

4.2.3 Comunicação de um SDCD

238

4.2.4 Controladores Autônomos Interligados ao SDCD

238

4.3

CONTROLADOR LÓGICO PROGRAMÁVEL (CLP)

238

4.3.1 Benefícios do Uso de CLPs

240

4.3.2 Operação do CLP

241

4.3.3 Componentes do CLP

242

4.3.3.1 Fonte de alimentação

242

4.3.3.2 Unidade Central de Processamento (CPU)

243

4.3.3.3 Relógio de Tempo Real

243

4.3.3.4 Bateria

243

4.3.3.5 Memória do Programa Monitor

243

4.3.3.6 Memória do usuário

243

4.3.3.7 Memória de dados

244

4.3.3.8 Memória imagem dos módulos de entradas

244

4.3.3.9 Memória imagem das entradas e saídas

244

4.3.3.10 Circuitos auxiliares

244

4.3.3.11 Módulos de Entrada

245

4.3.3.12 Módulos ou interfaces de saída

246

4.3.4 Capacidade do CLP

247

4.3.5 Linguagens de Programação Para CLP

248

4.3.5.1

Intercambialidade Entre Representações

248

4.3.5.2

Estrutura da Linguagem e Representações

249

4.3.5.2.1 Álgebra de Boole

249

4.3.5.2.2 Portas lógicas

250

4.3.5.2.3 Instruções Básicas

251

4.3.5.2.4 Instruções e Blocos Especiais

252

4.3.6

Passos para a Automação de um Processo com CLP

255

4.4

TESTE DE AUTOAVALIAÇÃO DA UNIDADE 4

256

55 COMANDO E CONTROLE PNEUMÁTICO

258

5.1

CARACTERÍSTICAS DOS CIRCUITOS PNEUMÁTICOS

259

5.1.1

Identificação dos Elementos dos Circuitos Pneumáticos

261

5.1.1.1 Identificação por Algarismo

262

5.1.1.2 Identificação

por

Letras

263

5.2

VÁLVULAS DE CONTROLE DIRECIONAL (VCD)

264

5.2.1 Normalização da Simbologia das VCDs Segundo DIN 24300

264

5.2.2 Elementos de Acionamento ou de Comando

267

5.2.3 Características de Construção

270

5.2.4 Válvulas de Sede

271

5.2.4.1 Válvulas de Sede Tipo Esfera

271

5.2.4.2 Válvula de Sede Tipo Prato

272

5.2.4.3 Sede Prato (Assento) Flutuante

275

5.2.4.4 Sede de Prato Servocomandada

276

5.2.5 Válvulas Corrediças

277

5.2.5.1 Válvula Corrediça Longitudinal

278

5.2.5.2 Válvula Corrediça Plana Longitudinal

279

5.2.5.3 Válvula Corrediça Giratória

280

5.2.6

Valores de Vazão nas Válvulas

281

5.3

VÁLVULAS DE BLOQUEIO

282

5.3.1 Válvula de Retenção

282

5.3.2 Válvula Alternadora (OU)

282

5.3.3 Válvula Reguladora de Fluxo Unidirecional (VRU)

283

5.3.3.1 VRU com Acionamento Mecânico

284

5.3.4 Válvula de Escape Rápido

 

285

5.3.5 Válvulas de Simultaneidade

285

5.3.6 Válvula Limitadora de Pressão

286

5.3.7 Válvula de Seqüência

 

286

5.3.8 Válvulas Reguladoras de Fluxo

286

5.4

COMBINAÇÕES DE VÁLVULAS

287

5.4.1 Bloco de Comando Pneumático

287

5.4.2 Bloco Temporizador NF (comutação retardada)

287

5.4.3 Bloco Temporizado Normalmente Aberto

288

5.5

COMANDO E CONTROLE ELETROPNEUMÁTICO

289

5.5.1 Conhecimentos Elétricos Necessários

289

5.5.2 Principais componentes de comando eletropneumáticos

290

5.5.3 Válvulas Solenóides de Comando Direto

293

5.5.4 Válvulas

Solenóides

com Servocomando

294

5.6

ATUADORES PNEUMÁTICOS

295

5.6.1 Simbologia dos Atuadores

 

295

5.6.2 Atuadores Pneumáticos Lineares

296

5.7

CIRCUITOS PNEUMÁTICOS E ELETROPNEUMÁTICOS

297

5.7.1

Circuitos Pneumáticos de Comando Direto

298

 

5.7.2 Circuitos Pneumáticos de Comando Indireto

300

5.7.3 Circuitos de Comando Eletropneumático

302

5.8

TESTE DE AUTOAVALIAÇÃO DA UNIDADE 5

305

66

COMANDO E CONTROLE ELETRO-HIDRÁULICO

307

 

6.1

HIDRÁULICA

308

6.1.1 Fundamentos Físicos da

309

6.1.2 Fluido Hidráulico

310

 

6.1.2.1 Propriedades do Fluido de Pressão

310

6.1.2.2 Tipos de Óleos Hidráulicos

312

 

6.2

ELEMENTOS HIDRÁULICOS E ELETRO-HIDRÁULICOS

313

 

6.2.1

Simbologia Gráfica de Hidráulica Segundo DIN ISO 1219

313

6.2.1.1 Símbolos Básicos

314

6.2.1.2 Símbolos Funcionais

315

6.2.1.3 Tipos de Atuação

316

6.2.1.4 Conversão de Energia e Armazenamento de Energia

317

6.2.1.5 Comando e Regulagem de Energia

318

 

6.2.2 Unidade Hidráulica / Reservatório

321

6.2.3 Bombas Hidráulicas

323

 

6.2.3.1 Bombas de Engrenagens

324

6.2.3.2 Bombas de Palhetas

326

 

6.2.4 Regulador de Pressão

328

6.2.5 Regulador de Vazão

329

6.2.6 Filtros de Circuitos Hidráulicos

330

6.3

CIRCUITOS DE COMANDO/CONTROLE HIDRÁULICO

331

6.3.1 Circuito Aberto

332

6.3.2 Circuito Fechado

332

6.3.3 Exemplos de Circuitos Hidráulicos

333

6.4

TESTE DE AUTOAVALIAÇÃO DA UNIDADE 6

335

77

BIBLIOGRAFIA

338

88

RESPOSTAS DOS TESTES DE AUTOAVALIAÇÃO

339

UNIDADE DE ENSINO 1

11 EVOLUÇÃO DA TECNOLOGIA DE CONTROLE

“O meio em que o homem vive, é ampliado em função de novos conhecimentos, novas opções e, conseqüentemente, novas tecnologias. As sociedades humanas não só selecionam um meio como também fazem os seus meios”

(USHE 1973, p.17)

meio como também fazem os seus meios” (USHE 1973, p.17) Nesta unidade, você deve adquirir as

Nesta unidade, você deve adquirir as seguintes competências

unidade, você deve adquirir as seguintes competências - Conhecer como evoluiu a tecnologia do controle

- Conhecer como evoluiu a tecnologia do controle automático industrial; e

- Compreender a importância da automação industrial para a sociedade.

1 AUT
1
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1.1 DEFINIÇÕES, CONCEITOS E IMPORTÂNCIA DA AUTOMAÇÃO

Nesta subunidade, você deve adquirir as seguintes competências:

subunidade, você deve adquirir as seguintes competências: - Entender o que é automação industrial; - Conhecer

- Entender o que é automação industrial;

- Conhecer a evolução da automação industrial; e

- Compreender a importância da aplicação da automação industrial para o capitalista, o trabalhador e a sociedade.

- Compreender como o ser humano concebe e realiza um trabalho; e

- Analisar a concepção do trabalho na ótica do ser humano.

Provavelmente você já trabalhou com equipamentos, máquinas e sistemas automatizados. Talvez já tenha lido algumas publicações que tratam do assunto ou escutado algumas explicações sobre a automação industrial.

algumas explicações sobre a automação industrial. Mas, você seria Automação? capaz de definir

Mas,

você

seria

Automação?

capaz

de

definir

ou

conceituar

tecnicamente

É bem provável

que para alguns estudantes responder essa questão será tarefa fácil,

porém para outros haverá dificuldade. Então, vamos ajudá-los.

A AUTOMAÇÃO, como é denominado o controle automático nos dias atuais, toma por referência o desenvolvimento de um programa para que o controlador do processo execute a monitoração e tem por base as técnicas da eletrônica digital.

Para formalizar esse entendimento, vamos analisar o controle do funcionamento do sistema de resfriamento do motor principal (MCP) de um determinado navio, conforme ilustrado na figura a seguir.

um determinado navio, conforme ilustrado na figura a seguir. Fig.1.1 - Sistema de resfriamento do MCP

Fig.1.1 -

Sistema de resfriamento do MCP controlado por CLP.

Durante as manobras de fundeio, atracação ou desatracação de um navio, operando com controle manual, as temperaturas e pressões do MCP se modificam em função de maior

ou menor regime de rotação, obrigando o Oficial de Máquinas ou seu auxiliar a manter uma atenção especial na operação, abrindo ou fechando as válvulas do referido sistema, isto é, aumentando ou reduzindo o fluxo para os aparelhos trocadores de calor (resfriadores), a fim de conservar o MCP operando dentro das faixas desejáveis de temperatura.

No caso de uma falha humana, esta acarretará choques térmicos, ou seja, se o operador abrir demasiadamente a válvula e/ou fechá-la imediatamente, causará variações elevadas dos máximos e mínimos da temperatura.

variações elevadas dos máximos e mínimos da temperatura. Um operador humano, limitado pelas suas capacidades, utiliza

Um operador humano, limitado pelas suas capacidades, utiliza o conhecimento adquirido e as informações sensoriais, para pensar, analisar e executa a ação mais apropriada de controle do processo.

Porém, se deixarmos aos cuidados de um controlador lógico programável (CLP), devidamente programado, a análise dos valores das variáveis enviados pelos transmissores e medidos por sensores (S) adequados e a decisão de como deve atuar os acionadores (motores) elétricos, pneumáticos ou hidráulicos das válvulas de três vias de controle (CV) do fluxo de água dos resfriadores, teremos um sistema de automação, minimizando assim as tarefas e os riscos de acidentes.

minimizando assim as tarefas e os riscos de acidentes. Na automação, há auto-adaptação a condições

Na automação, há auto-adaptação a condições diferentes de modo a que as ações do sistema de maquinismos conduzam a resultados ótimos. O órgão central de um sistema de automação é, na maior parte dos casos, o computador eletrônico.

O professor português Horta Santos conceitua a AUTOMAÇÃO da seguinte forma:

Automação é o conjunto das técnicas que permitiram a criação de dispositivos capazes de estender o nosso sistema nervoso e a capacidade de pensar”.

Ele considera também que a automação só foi possível graças ao aparecimento de uma nova ciência, a CIBERNÉTICA, e suas realizações concretas apoiadas pelo avanço da eletrônica (ROBÓTICA), especialmente no domínio dos COMPUTADORES.

(ROBÓTICA) , especialmente no domínio dos COMPUTADORES. ” a CIBERNÉTICA é uma ciência que corta

a CIBERNÉTICA é uma ciência que corta transversalmente os entrincheirados departamentos da ciência natural: o céu, a terra, os animais e as plantas. Seu caráter interdisciplinar emerge quando considera a Economia não como um economista, a Biologia não como um biólogo, e as Máquinas não como um engenheiro. Em cada caso seu tema permanece o mesmo, isto é, como os sistemas se regulam, se reproduzem, evoluem e aprendem. Seu ponto alto é de como os sistemas se organizam.” Gordon Pask (1961),

sua

concretização prática. A inteligência artificial teoriza, e a cibernética encontra formas de materializar e de aplicar esses modelos teóricos.

A cibernética está ligada à inteligência artificial,

na medida

em que

é

a

A cibernética, ligada à robótica, encontra modelos em que os sistemas criados pela Inteligência artificial se alojam. Assim, a inteligência artificial relacionada com as ciências cognitivas compreende e reproduz os processos mentais, ao mesmo tempo em que a cibernética e a robótica compreendem e reproduzem os processos biológicos e motores dos seres humanos. Ao longo da história da cibernética e da robótica, máquinas cada vez mais próximas dos comportamentos humanos foram substituindo, progressivamente, os autômatos que caracterizaram os primeiros passos dessa ciência.

3 AUT
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Atualmente, vemos robôs que jogam futebol em equipe, que dobram folhas de papel, atribuindo-lhes formas; que conseguem passar linhas por buracos de agulha, etc.; que conseguem realizar tarefas tão minuciosas e tão particulares, que até há bem pouco tempo apenas eram do domínio humano.

As investigações, em cibernética e robótica, caminham no sentido de aperfeiçoar a

percepção visual e o controle motor dos robôs e de encontrar linguagens de programação que

permitam uma melhor comunicação homem-máquina, máquina-máquina e máquina-homem. Esses assuntos são estudados em cursos avançados de automação.

Diversos Engenheiros e autores, de livros sobre controle automático de processos, consideram a necessidade de fazer distinção idiomática dos vocábulos AUTOMAÇÃO e AUTOMATISMO, para melhor entendimento do controle automático nos dias atuais.

“ automação significa a dinâmica organizada dos automatismo, ou seja, suas associações de uma forma

automação significa a dinâmica organizada dos automatismo, ou seja, suas associações de uma forma otimizada e direcionada à consecução dos objetivos do progresso humano.” FIALHO1,

“ automatismo , são os meios, os instrumentos, máquinas, processos de trabalho, ferramentas ou recursos,

automatismo, são os meios, os instrumentos, máquinas, processos de trabalho, ferramentas ou recursos, capazes de potencializar, reduzir, ou até mesmo eliminar a ação humana” (FIALHO)

Por outro lado, sabe-se que as inovações mecânicas e as modernas tecnologias produzem desemprego nas áreas industriais; porém, os economistas, os sociólogos e outros estudiosos do assunto nunca chegaram a um consenso sobre esse desemprego ser transitório ou permanente. Da mesma forma, não sabemos se a automação contribui para a promoção ou o aviltamento dos trabalhadores.

O importante é que você saiba que a automação destina-se a estimular a

produtividade e a reduzir o custo unitário da produção. Por essas características, ela tem

sido o grande propulsor da chamada “globalização”, interferindo nos canais de comunicação, na diplomacia e, por fim, no volume do comércio internacional.

diplomacia e, por fim, no volume do comércio internacional. Quais fatos explicam a evolução do controle
Quais fatos explicam a evolução do controle automático de processos industriais?
Quais
fatos
explicam
a
evolução
do
controle
automático
de
processos
industriais?

Ao recorrermos aos registros históricos da humanidade, verificamos que, nos primórdios, os sistemas de controle de processos industriais foram projetados e desenvolvidos por meio de procedimentos empíricos baseados na intuição e na experiência cumulativa, ou seja, a maioria dos raciocínios envolvidos não tinha por base cálculos matemáticos ou aplicação de conhecimentos da física.

Contudo, esta aproximação não cientifica e por tentativas, como ocorreu, satisfez as necessidades de controle por longo tempo.

Da mesma forma, os historiadores consideram que o maior desenvolvimento tecnológico que a humanidade já presenciou ocorreu no século XX e que uma das tecnologias que mais repercussão alcançou e se mantém em constante desenvolvimento é a de controle automático de processos industriais, ou seja, da automação industrial.

1 Fialho, Arivelto Bustamante (2003).

Fig.1.2 - O ser humano e seu ambiente artificial Os principais cien- tistas dedicados ao

Fig.1.2 -

O ser humano e seu ambiente artificial

Os principais cien- tistas dedicados ao estudo do desenvolvimento tec- nológico consideram que a evolução do controle automático ocorreu devido à necessidade de o ser humano superar as suas limitações.

Na atualidade, esta importância sustenta-se em dois fatos principais:

esta importância sustenta-se em dois fatos principais: 1. substituir o trabalho humano nas tarefas monótonas,

1. substituir o trabalho humano nas tarefas monótonas, repetitivas, inseguras e cansativas; e

2. permitir, com baixo custo de investimento, sensível melhoria na qualidade de operação dos processos, o que possibilita ao produto fabricado ser competitivo no mercado, gerando lucros razoáveis.

Para Horta Santos, desde os seus primórdios, o ser humano vem criando dispositivos que possibilitem estender as suas capacidades, ou seja, seus poderes, tais como:

- habitações e vestuários para se proteger, como extensão de sua epiderme;

- a piroga (canoa), carroça, carro, trem, avião, foguete, etc., ampliando a sua capacidade de locomoção;

- as máquinas para ampliar o poder de seus músculos e agir sobre a natureza;

- o rádio e o telefone, para ouvir e falar mais longe;

- o telescópico, a televisão e o radar, para amplificar a sua própria capacidade de ver; e

- o computador, que aumentou e aperfeiçoou o seu poder de comunicação e controle.

e aperfeiçoou o seu poder de comunicação e controle. Neste momento é importante que você faça

Neste momento é importante que você faça uma reflexão sobre o que lhe foi apresentado. Anote os pontos de que discorda, justificando-os a seguir crie exemplos para os fatos com que concorda, etc.

1.2 A CONCEPÇÃO HUMANA DO TRABALHO

O processo de evolução de uma invenção tecnológica envolve um trabalho humano que, quase sempre, implica a alteração do meio ambiente e do padrão de comportamento da humanidade, originando nova fase de desenvolvimento.

da humanidade, originando nova fase de desenvolvimento. Como se define o trabalho humano? O trabalho é

Como se define o trabalho humano?

“O trabalhador não transforma apenas o material sobre o qual opera; ele imprime ao material

“O trabalhador não transforma apenas o material sobre o qual opera; ele imprime ao material o projeto que tinha conscientemente em mira, o qual constitui a lei determinante do seu modo de operar ao qual tem de subordinar sua vontade(Aristóteles)

O que regula o trabalho nos outros animais é a sua característica instintiva, que lhe é inata, antes de aprendida. Já no trabalho humano, o mecanismo regulador é o poder do pensamento conceptual, que tem origem em todo um excepcional sistema nervoso.

Assim sendo, só a espécie humana é capaz de fazer um trabalho propositadamente orientado pela inteligência. É esse modo de trabalho que faz a humanidade evoluir e que mantém a evolução. As diversas formas sociais que conhecemos e as que ainda hão de surgir dependem da característica distintiva do trabalho humano.

O processo de trabalho começa com um contrato ou acordo que estabelece as condições da venda das forças de trabalho pelo trabalhador e sua compra pelo empregador. Portanto, no contrato normal de trabalho:

pelo empregador. Portanto, no contrato normal de trabalho: “O que o trabalhador vende e o que

“O que o trabalhador vende e o que o capitalista compra não é uma quantidade contratada de trabalho, mas a força para trabalhar por um período contratado de tempo”. (MAX, 1985)

1.3 EVOLUÇÃO DAS TÉCNICAS INDUSTRIAIS

Nesta subunidade, você deve adquirir as seguintes competências:

subunidade, você deve adquirir as seguintes competências: - Reconhecer os principais inventos relacionados

- Reconhecer

os

principais

inventos

relacionados

às

máquinas

que

contribuíram para o desenvolvimento dos sistemas de controle.

- Compreender como ocorreu a evolução das técnicas industriais.

No mundo ocidental, a evolução industrial ocorreu com grande lentidão até o início do emprego das máquinas térmicas, pois as sociedades antigas viviam da economia agrária e artesanal, com produções domiciliares, voltadas para um pequeno mercado interno.

domiciliares, voltadas para um pequeno mercado interno. Fig.1.3 - Ferramentas primitivas Fig.1.4 - As técnicas

Fig.1.3 -

Ferramentas primitivas

um pequeno mercado interno. Fig.1.3 - Ferramentas primitivas Fig.1.4 - As técnicas predominantes eram rudimentares,

Fig.1.4 -

As técnicas predominantes eram rudimentares, baseadas em processos empíricos, transmitidos de geração em geração, e empregavam apenas ferramentas simples (manuais), inventadas com base na utilização da energia muscular de origem humana ou animal, pois essas não se diferenciavam. Os resultados alcançados satisfizeram as necessidades específicas do momento e, por razões relacionadas ao sobrenatural religioso, as investigações praticamente pararam no tempo.

Ferramentas para trabalho em madeira

Antes de prosseguirmos, é importante que saibamos as definições técnicas de ferramentas e máquinas, para obtermos uma melhor compreensão dos fatos relacionados as técnicas industriais de controle.

dos fatos relacionados as técnicas industriais de controle. “ ferramentas são os utensílios empregados para

ferramentas são os utensílios empregados para execução direta de certos trabalhos que envolvam os atos de bater, esfregar e cortar”. Marx

O termo “máquina” é de difícil definição tendo em vista a sua diversidade de aplicação. Adotamos a definição de de Karl Marx2, que acreditamos ser a mais concisa, pois ele tomou por base os pensamentos de Poncelet, Ure e Babbage. Porém, também citaremos as definições de Willis e Reùleaux, que fazem distinções entre a parte e o todo.

“toda a maquinaria inteiramente aperfeiçoada consiste em três partes essencialmente diferentes: o mecanismo motor ,

“toda a maquinaria inteiramente aperfeiçoada consiste em três partes essencialmente diferentes: o mecanismo motor, o mecanismo de transmissão e, por fim, a ferramenta ou máquina de acionamento”. Marx

“ toda máquina consiste em uma série de peças ligadas entre si de formas variadas

toda máquina consiste em uma série de peças ligadas entre si de formas variadas que, ao se movimentar uma delas, todas elas recebem um movimento, cuja relação com o da primeira é governada pela natureza da conexão”. Willis

“ uma máquina é uma combinação de corpos resistentes, dispostos de tal forma que, por

uma máquina é uma combinação de corpos resistentes, dispostos de tal forma que, por seu intermédio, as forças mecânicas da natureza podem ser coagidas a efetuar trabalhos, acompanhados por certos e determinados movimentos”. Reùleaux

por certos e determinados movimentos”. Reùleaux Fig.1.5 - Ferramentas embarcações manuais para calafetar 1

Fig.1.5 -

Ferramentas

embarcações

manuais

para

calafetar

1 -

2 -

3 -

4 -

5 -

6 -

7 -

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17 -

5 - 6 - 7 - 8 - 9 - 10 - 11 - 12 -

Observando a figura 1.5, consulte um dicionário técnico ou mesmo um colega, para identificar os nomes das ferramentas enumeradas de 1 a 17.

Mas, foi no tratado de Herão de Alexandria, sobre “Mecânica”, que começaram a ser definidas matematicamente as aplicações das “máquinas” ferramentas simples. No seu estudo sobre levantamento de grandes pesos, ele demonstrou como cinco máquinas simples poderiam movimentar um peso por meio de uma determinada força.

Por mais que as ferramentas tenham sido criadas para serem utilizadas com as mãos, muitas delas foram adaptadas a máquinas, sem grandes alterações da forma ou da finalidade. O aperfeiçoamento técnico delas ocorreu por acaso, em cima das próprias dificuldades e

2 Karl Marx, Capital. Vol I, p. 407. Chicago: , 1912

7 AUT
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necessidades do trabalhador, em peças e ferramentas de seu uso, buscando diminuir o esforço empregado, melhorar a performance de seu trabalho e a qualidade de vida.

Não houve análise da aplicação prática, porque não havia nenhuma preocupação com a produtividade e com a incidência da mão-de-obra no custo do produto final ou coisa parecida já que esses conceitos eram desconhecidos antes da era industrial.

esses conceitos eram desconhecidos antes da era industrial. Os historiadores da Antiguidade consideram que tenha sido

Os historiadores da Antiguidade consideram que tenha sido a alavanca a primeira ferramenta mecânica empregada pelo ser humano.

Nas figuras a seguir são ilustradas ferramentas, as máquinas-ferramentas simples e algumas aplicações de instrumentos ou equipamentos simples da Antiguidade

de instrumentos ou equipamentos simples da Antiguidade Fig.1.6 - Ferramentas para trabalho manual em oficinas

Fig.1.6 -

Ferramentas para trabalho manual em oficinas

Fig.1.6 - Ferramentas para trabalho manual em oficinas Fig.1.9 - Cunha F i g . 1

Fig.1.9 -

Cunha

Ferramentas para trabalho manual em oficinas Fig.1.9 - Cunha F i g . 1 . 1

Fig.1.12 - Roldana

- Cunha F i g . 1 . 1 2 - R o l d a

Fig.1.10 - Roda e eixo

. 1 2 - R o l d a n a Fig.1.10 - Roda e eixo

Fig.1.13 - Plano Inclinado

d a n a Fig.1.10 - Roda e eixo Fig.1.13 - Plano Inclinado Fig.1.7 - Alavanca

Fig.1.7 -

Alavanca

- Roda e eixo Fig.1.13 - Plano Inclinado Fig.1.7 - Alavanca Fig.1.8 - Alavanca F i

Fig.1.8 -

Alavanca

- Plano Inclinado Fig.1.7 - Alavanca Fig.1.8 - Alavanca F i g . 1 . 1

Fig.1.11 - Parafuso

- Alavanca Fig.1.8 - Alavanca F i g . 1 . 1 1 - P a

Fig.1.14 - Nora romana aperfeiçoada

Fig.1.15 - Parafuso de água de Arquimedes Também era empregado para esgotar os porões dos

Fig.1.15 - Parafuso de água de Arquimedes

Também era empregado para esgotar os porões dos navios.

Também era empregado para esgotar os porões dos navios. Fig.1.17 - Guincho romano Fig.1.19 - Picota
Também era empregado para esgotar os porões dos navios. Fig.1.17 - Guincho romano Fig.1.19 - Picota

Fig.1.17 - Guincho romano

esgotar os porões dos navios. Fig.1.17 - Guincho romano Fig.1.19 - Picota (shafus). A picota, também

Fig.1.19 - Picota (shafus).

A picota, também conhecida como cegonha, era utilizada no Egito (550a.C.), para tirar água de poços ou de rios. Ao lado, uma foto, onde vemos egípcios utilizando-as na captação de água do rio Nilo para se usada na irrigação das plantações agrícolas.

Fig.1.16 - Cadeia de alcatruzes

das plantações agrícolas. Fig.1.16 - Cadeia de alcatruzes Fig.1.18 - Guindaste romano Fig.1.20 - Exemplo do

Fig.1.18 - Guindaste romano

agrícolas. Fig.1.16 - Cadeia de alcatruzes Fig.1.18 - Guindaste romano Fig.1.20 - Exemplo do emprego da

Fig.1.20 - Exemplo do emprego da picota

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Conforme as dificuldades iam surgindo, os homens usavam de sua inteligência para estudá-las e superá-

Conforme as dificuldades iam surgindo, os homens usavam de sua inteligência para estudá-las e superá- las. Assim, foram criadas as máquinas primitivas e as formas de controlá-las, ou melhor, iniciaram-se os estudos que originaram os “tratados” sobre mecânica pura e aplicada.

Fig.1.21 - Transmissão mecânica por meio de engrenagens, acionada por roda d’água. Invenção romana do século IV.

por roda d’água. Invenção romana do século IV. Tratados são os escritos dos inventores ou cientistas

Tratados são os escritos dos inventores ou cientistas sobre os estudos que fizeram sobre os seus inventos, que precederam a intuição ou foram feitos depois da concepção da idéia

Dentre os tratados da Antiguidade, destacamos os de:

- Filon de Bizâncio (270-200 a.C.);

- Marcus Vitruvius Pollio (Séc. II a.C.);

- Aristóteles (384-322 a.C.);

- Euclides (Séc. III a.C.);

- Herão de Alexandria (Séc. II d.C.); e

- Pappus de Alexandria (284-305 d.C.).

(Séc. II d.C.); e - Pappus de Alexandria (284-305 d.C.). AGORA TEMOS UM DESAFIO! Escolha um

AGORA TEMOS UM DESAFIO! Escolha um dos cientistas mencionados, para fazer uma pesquisa sobre o que eles estudaram em seus tratados.

As bases para a análise e a concepção dos mecanismos de engrenagens, elementos principais dos primeiros sistemas de controle,

foram definidas pelos fabricantes de relógios3. Começou com os tratados do século XIII em árabe e castelhano sobre os relógios de água,

os quais foram empregados desde o antigo Egito

até o século XVIII.

No século XIV, sugiram os relógios mecânicos, destacando-se o tratado de Giovanni Dondi sobre o seu relógio planetário e

o relógio do Palácio da Justiça de Paris, no reinado de Carlos V.

do Palácio da Justiça de Paris, no reinado de Carlos V. Fig.1.22 - Relógio marítimo de

Fig.1.22 -

Relógio marítimo de Christian Huygens (1661)

3 Outras informações consultem USHE (História das Invenções Mecânicas, 1973).

Fig.1.23 - Imprensa medieval O aperfeiçoamento das técnicas da metalurgia , principalmente daquelas aplicadas à

Fig.1.23 - Imprensa medieval

O aperfeiçoamento das técnicas da metalurgia, principalmente daquelas aplicadas à fundição de peças de ferro, que contribuiu para o desenvolvimento da mais importante máquina- ferramenta que o homem inventou, o torno mecânico. A partir de então, foi possível construir com mais precisão as peças dos seus conjuntos mecânicos, como eixos, polias, engrenagens, cames etc., assim como outras máquinas, propiciando a confiabilidade dos mecanismos e a automatização dos seus funcionamentos.

Nesta evolução, devemos destacar, também, a invenção da imprensa, que se deu na Alemanha por volta de 14574 e espalhou-se por toda a Europa, propiciando o registro das grandes invenções e os desenhos precisos das máquinas e mecanismos de Leonardo da Vinci (1451-1519), além de alguns tratados da mecânica.

Vinci (1451-1519), além de alguns tratados da mecânica. Fig.1.24 - Torno de veio (eixo) (1785) 1.4

Fig.1.24 - Torno de veio (eixo) (1785)

1.4 EVOLUÇÃO DO EMPREGO DAS FONTES DE ENERGIA FLUIDAS

Nesta subunidade, você deve adquirir a seguinte competência:

subunidade, você deve adquirir a seguinte competência: - Compreender conhecidas; a evolução do emprego das
- Compreender conhecidas; a evolução do emprego das fontes de energia fluídas - Conhecer os
- Compreender
conhecidas;
a
evolução
do
emprego
das
fontes
de
energia
fluídas
- Conhecer os aspectos básicos relacionados a energia; e
- Entender os tipos de energia.

Energia é o termo técnico, originário da Física, mais empregado em nossa vida cotidiana. Foi estudado no Módulo Mecânica Técnica, porém vamos rever o assunto, na perspectiva de dirimir qualquer dúvida que tenha ficado com relação a questão das “energia pneumática” e “energia hidráulica”.

Por ser uma palavra muito abrangente e, por isso mesmo, muito abstrata energia é difícil de ser definida com poucas palavras de um modo preciso.

4 O mais antigo livro impresso de que temos noticias é o Livro de Salmos de Mogúncia, de 1457 (fonte de consulta:

Grandes Impérios e Civilizações – A Europa Medieval. Vol. II – Edições Delprado)

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Usando apenas a experiência do nosso cotidiano, poderíamos conceituar energia como “algo que é capaz

Usando apenas a experiência do nosso cotidiano, poderíamos conceituar energia como “algo que é capaz de originar mudanças no mundo”.

Exemplos: O deslocamento de uma embarcação. A queda de uma folha. A correnteza de um rio. A rachadura em uma parede. O vôo de um inseto. A remoção de uma colina. A construção de uma represa. Em todos esses casos, e em uma infinidade de outros que você pode imaginar, a interveniência da energia é um requisito comum.

a interveniência da energia é um requisito comum. realizar trabalho ”. Mas esta é uma definição

realizar

trabalho”. Mas esta é uma definição limitada a uma área restrita da física: a Mecânica.

Como

visto,

muitos livros

definem

energia

como

capacidade de

À medida que procuramos abranger outras áreas da Física (calor, luz, eletricidade, por exemplo) no conceito de energia, avolumam-se as dificuldades para se encontrar uma definição concisa e geral. Mais fácil é descrever aspectos que se relacionam à energia e que, individualmente e como um todo, nos ajudam a ter uma compreensão cada vez melhor do seu significado.

- Conversão de energia: A quantidade que chamamos energia pode ocorrer em diversas formas. Ou seja a energia pode ser transformada, ou convertida, de uma forma em outra.

Exemplo: A energia mecânica de uma queda d’água é convertida em energia elétrica a qual, por exemplo, é utilizada para estabilizar a temperatura de um aquário (conversão em calor) aumentando, com isso, a energia interna do sistema em relação à que teria à temperatura ambiente. As moléculas do meio, por sua vez, recebem do aquário energia que causa um aumento em sua energia cinética de rotação e translação.

- Transferência de energia: Cada corpo e igualmente cada “sistema” de corpos contém energia. Energia pode ser transferida de um sistema para outro.

Exemplo: Um sistema massa/mola é mantido em repouso com a mola distendida. Nestas condições, ele armazena energia potencial. Quando o sistema é solto, ele oscila durante um determinado tempo mas acaba parando por causa do atrito e da resistência do ar. A energia mecânica que o sistema possuía inicialmente acaba transferida para o meio que o circunda (ar) na forma de um aumento da energia cinética de translação e rotação das moléculas do ar.

- Conservação de energia: Quando energia é transferida de um sistema para outro, ou quando ela é convertida de uma forma em outra, a quantidade de energia não muda .

Exemplo: A energia cinética de um automóvel que pára é igual à soma das diversas formas de energia nas quais ela se converte durante o acionamento do sistema de freios que detém o carro por atrito nas rodas.

- Degradação de energia: Na conversão, a energia pode transformar-se em energia de menor qualidade, não aproveitável para o consumo. Por isso, há necessidade de produção de energia apesar da lei de conservação. Dizemos que a energia se degrada.

Exemplo: Em nenhum dos três exemplos anteriores, a energia pode “refluir” e assumir sua condição inicial. Nunca se viu automóvel arrancar reutilizando a energia convertida devido ao acionamento dos freios quando parou. Ela se degradou. Daí resulta a necessidade de produção constante (e crescente) de energia.

- Energia Mecânica são todas as formas de energia relacionadas com o movimento de corpos ou com a capacidade de colocá-los em movimento ou deformá-los

As classes de energia mecânica são:

1. Energia potencial (Ep): É a que tem um corpo que, em virtude de sua posição ou estado, é capaz de realizar trabalho;

2. Energia Cinética (E C ) : É a que todo corpo em movimento tem associada a esse movimento que pode vir a realizar um trabalho (em uma colisão por exemplo).

- Manifestação da energia - As forças, que integradas manifestam a existência do Universo estão associadas as três formas de energia existentes: a Energia Gravitacional, a Energia Eletromagnética e a Energia Nuclear. Juntas, elas criam o todo e tudo que existe é formado por elas.

1. A energia gravitacional é manifestada pela força de atração entre corpos que possuem massa, produzindo uma ação sobre toda a matéria existente.

Apesar da força da gravidade ser a mais fraca de todas, possui uma intensidade de longo alcance atuando no Universo como um todo.

A gravitação solar participa - em conjunto com a energia eletromagnética e a

A

gravitação solar participa - em conjunto com a energia eletromagnética e a

nuclear - na composição da energia solar. Por meio da gravitação terrestre, causa

 

influência no movimento das massas de ar e água, contribuindo para formação da energia fluídica.

2.

A energia eletromagnética se origina da fonte de interação da força da carga elétrica. Resulta numa força de atração ou repulsão entre partículas, conforme suas polaridades

A energia eletromagnética participa da composição da energia solar e é a sua própria

A

energia eletromagnética participa da composição da energia solar e é a sua própria

manifestação, pois é por meio dela que a energia radiante do sol chega até nós. Pelas ligações atômico-moleculares forma a energia química, que em conjunto com o sol origina a biomassa.

 

3.

A energia nuclear resulta das forças que atuam entre as partículas que compõem o núcleo da matéria.

A fusão nuclear possibilita a liberação de energia no interior do sol, contribuindo

A

fusão nuclear possibilita a liberação de energia no interior do sol, contribuindo

para formação da energia solar. As ligações nucleares originam os elementos radioativos, que pela fissão nuclear produzem grandes quantidades de energia em forma de calor. Esse processo resulta em produção de resíduos de alto impacto social e ambiental, inviabilizando o uso dessa fonte como substituta da geração termelétrica. A alternativa para o aproveitamento dessa fonte energética é por meio da energia geotérmica.

4. A energia solar é formada pela

gravitação solar, juntamente com a energia

eletromagnética e as reações nucleares (fusão=junção; fissão=separação) no interior do sol. A parcela da energia solar que chega até a terra contribui na composição do planeta e manifesta a vida.

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“ A energia solar pode ser armazenada pelos vegetais através da fotossíntese na forma de hidratos de carbono, originando a biomassa. Também chamada massa da vida, compreende toda matéria orgânica animal (zoomassa) ou vegetal (fitomassa). Restos e rejeitos orgânicos industriais, urbanos e rurais, dejetos oriundos do sistema de esgoto e aterros sanitários, são também fonte de biomassa energética. O petróleo é biomassa fóssil, possuindo um período de formação de milhões de anos” .

“As energias química, mecânica e elétrica compreendem três formas de energia que estão diretamente associadas com as energias que forma o todo:

energia eletromagnética, energia nuclear e energia gravitacional. Devido a essa característica, toda manifestação de vida na biosfera é resultante da transformação da energia solar em energia química (produção de hidratos de carbono, gorduras e proteínas a partir da fotossíntese) e da energia química em energia mecânica e calor no metabolismo celular. A origem dos recursos abióticos é produto das reações nucleares e químicas nas diferentes fases de formação geológica da Terra” (STI/MIC, 1979).

5. A energia fluídica ou fluxo, como os físico preferem, é originada pela influência da energia solar no aquecimento e evaporação das massas de ar e marítimas, e pela força de gravitação terrestre devido à energia gravitacional. Através da fotossíntese, forma a biomassa. Portanto, a conversão da energia solar em fluídica e biomassa é fundamental para existência da Terra.

e biomassa é fundamental para existência da Terra. Energia de fluxo é composta da energia hídrica

Energia de fluxo é composta da energia hídrica e da energia eólica. Água e ar são elementos equivalentes com densidades diferentes, ambos são chamados fluídos.

Como já mencionado, o Homem desde o próprio processo de hominização (formação do ser humano), que busca superar suas dificuldades, assim primitivamente utilizou-se do fogo como fonte de calor e luz, tanto para cozinhar os alimentos quanto, para iluminar os ambientes. Mais tarde o fogo passou a ser empregado no tratamento térmico de materiais e tornou-se elemento constitutivo do próprio crescimento da humanidade, em sua vida material, cotidiana e simbólica.

Na sua evolução o Homem, para à realização de trabalhos que empreguem força e movimento não compatível com o ser humano, passou a utilizar-se das diversas fontes de energia disponível na natureza.

Os estudos pioneiros sobre a mecânica permitiram que, aos poucos, houvesse uma evolução da utilização da energia muscular dos animais e dos homens para as energias fluidas (fluxo): eólica e hidráulica, depois para a pneumática e, mais tarde com estudos modernos, para as energias térmica e elétrica.

estudos modernos, para as energias térmica e elétrica . Sabe-se que os chineses, nos primórdios da

Sabe-se que os chineses, nos primórdios da civilização, foram os primeiros seres humanos a fazer uso da energia eólica sobre as velas, para propulsão das embarcações, e que permaneceram até os dias atuais.

No Ocidente, os primeiros estudos sobre emprego do ar comprimido (pneumática) são encontrados nos trabalhos de Filom, de Bizâncio, e de Herão, de Alexandria. Mas, sabe-se que as primeiras aplicações da pneumática ocorreram por volta do ano 2.500 a.C. em “foles” e mais tarde, também, foi utilizado em equipamentos de mineração, em usinas siderúrgicas e em órgãos musicais.

Fig.1.25 - Emprego da energia eólica na propulsão de embarcações a vela. Depois, no final
Fig.1.25 - Emprego da energia eólica na propulsão de embarcações a vela. Depois, no final

Fig.1.25 - Emprego da energia eólica na propulsão de embarcações a vela.

Depois, no final do século XV, a eólica foi utilizada nos moinhos de vento da agricultura européia e nas azenhas. O aperfeiçoamento do funcionamento do moinho de vento fez aparecer um dos primeiros instrumentos de controle automático:

um dos primeiros instrumentos de controle automático: O aparelho de posicionamento automático do hélice do

O aparelho de posicionamento automático do hélice do moinho de vento (mostrado na figura a seguir), inventado por Meikle em 1750.

(mostrado na figura a seguir), inventado por Meikle em 1750. Fig.1.26 - Moinho de vento –

Fig.1.26 - Moinho de vento – Meikle

Esse aparelho fazia o ajuste automático do eixo do hélice, visando a uma melhor posição relativa ao vento.

Funcionamento: O pequeno hélice h é um motor que gira enquanto o vento não está a 90º de seu eixo. Sua rotação gira toda a estrutura superior e carrega o eixo do hélice principal, H. Quando o pequeno hélice (h) pára com seu eixo a 90º do vento, o hélice grande (H) pára na direção do vento, obtendo assim a posição de máxima captação de energia.

Porém, a aplicação da pneumática na indústria, passou a ocorrer sistematicamente somente em meados do século XIX em ferramentas de perfurar, em locomotivas, em “correio” de tubos e outros dispositivos acionados por ar comprimido.

Por volta de 1920, começou a ser empregado como ar de controle na automatização e racionalização dos processos de trabalho, tendo se acentuado a partir de 1950. Nos dias atuais a energia eólica é bastante aproveitada no acionamento de geradores de energia elétrica, de construção semelhante aos moinhos de vento.

elétrica, de construção semelhante aos moinhos de vento. A palavra “ Pneumática ” provém da expressão

A palavra “Pneumática” provém da expressão pneuma, do antigo grego, que significa fôlego (respiração), vento e humanidade. Nos dias atuais, nos navios e na Indústria trata especificamente do ar de controle.

Exemplos: O comportamento de um gás, ao transmitir energia, pode ser entendido facilmente, analisando-se os exemplos a seguir:

- Se pegarmos uma bomba comum de bicicleta, puxarmos o cabo para fora e cobrirmos com o dedo a saída, o ar no interior comportar-se-á de forma muito semelhante a uma mola; um peso colocado sobre o cabo oscilará para cima e para baixo.

- Se colocarmos um corpo razoavelmente pesado sobre uma mesa e empurrarmos com o cabo da bomba, ainda com a saída fechada, notar-se-á que o êmbolo entra ou sai à medida que varia o atrito do corpo contra a mesa.

- Sacudir para cima e para baixo o cabo da bomba não produzirá nenhum aquecimento apreciável; mas, se a bomba for usada continuamente para forçar a saída de ar sobre pressão, ela acabará ficando bastante quente, assim como o ar que a deixa.

- Ao se esvaziar um pneu de bicicleta, o ar que sai dará a sensação de estar bastante frio. Pode mesmo tornar a válvula tão fria, que fará aparecer uma camada de gelo.

A energia hidráulica que, não tendo o inconveniente de depender da irregularidade do vento, e sim dos leitos regulares dos rios e de suas características menos caprichosas, evoluí ao longo do tempo, da simples nora (figura 1.17), empregada para retirar (bombear) água do rio para abastecer os canais de irrigação agrícola, aos sofisticados engenhos de rodas hidráulicas aliada à transmissão mecânica por meio de engrenagens (figura 1.27) que convertiam-na em de energia mecânica para mover os pesados martelos de forjar o ferro, os foles das forjas, as mós de moer o trigo e afiar as ferramentas, etc. As rodas hidráulicas, mais tarde, passaram a bombear água tanto para as cidades como para o campo.

a bombear água tanto para as cidades como para o campo. Fig.1.27 - Rodas hidráulicas de

Fig.1.27 - Rodas hidráulicas de Babegal, cidade romana do século IV

Atualmente, a hidráulica é empregada para acionar as turbinas das hidrelétricas, para produzirem energia elétrica, como é o caso da hidrelétrica de Xingó, mostrado na figura a seguir.

elétrica, como é o caso da hidrelétrica de Xingó, mostrado na figura a seguir. Fig.1.28 -
elétrica, como é o caso da hidrelétrica de Xingó, mostrado na figura a seguir. Fig.1.28 -

Fig.1.28 -

Hidroelétrica do Xingó

A gravura da figura 1.27 mostra uma parte dos moinhos de água de Babegal, cidade

A gravura da figura 1.27 mostra uma parte dos moinhos de água de Babegal, cidade romana do século IV, vizinha da capital imperial Arles. As rodas tinham mais de 2m de diâmetro, eram acionadas pela água que corriam nos aquedutos e caíam sobre elas a um ângulo descendente de 30°. O movimento er a convertido para acionamento das rodas de moer (mos) horizontais por meio de um conjunto de engrenagens.

Um outro engenho famoso que empregava este tipo de energia foi a “ A máquina

Um outro engenho famoso que empregava este tipo de energia foi a “A máquina de Marly”, que acionava as fontes de Versalhes. Tinha 14 rodas hidráulicas que forneciam o mínimo de 75 cavalos-vapor (CV).

Provavelmente, a dificuldade encontrada para o emprego das energias eólica e hidráulica em grandes quantidades residiu no alto custo de produção, se comparado com o trabalho produzido pelos animais, pelos homens e pelas máquinas térmicas, o que justifica essas energias terem sido pouco exploradas.

A tabela a seguir demonstra o resultado do estudo desenvolvido por Rankine5, comparando as potências das energias, baseados nos números de d’Aubuisson6, para oito horas de serviço.

Fontes de Energia

Potência da Energia Exercida em (CV)

- Homem acionando uma bomba

0,036

- Homem acionando uma manivela

0,04 – 0,078

- Homem acionando um cabrestante

0,0047

- Cavalo fazendo girar um molinete a passo

0,267 – 0,578

- Rodas acionadas pela parte superior, de 5,5 m

2

– 5

- Moinho de poste

2

– 8

- Moinho de torre

6

- 14

de poste 2 – 8 - Moinho de torre 6 - 14 Os conteúdos que acabamos

Os conteúdos que acabamos de estudar serão de grande valia para compreensão dos sistemas de controle industrial. Por essa razão faça um estudo mais detalhado sobre o que lhe foi apresentado, consulte outras publicações, anote os pontos importantes e associe no que for possível com as técnicas de controle automático.

1.5 DESENVOLVIMENTO DO COMÉRCIO E DA INDÚSTRIA

Nesta subunidade, você deve adquirir a seguinte competência:

subunidade, você deve adquirir a seguinte competência: Compreender a importância do desenvolvimento do comércio e

Compreender a importância do desenvolvimento do comércio e da industria para a evolução da tecnologia de automação industrial.

“São as grandes crises que levam a humanidade a descobrir novas tecnologias, novas formas de trabalho e novas relações trabalhistas.”

5 Rankine, W. J. M. Useful rules and tables. Londres: 1873

6 D’Aubuisson de Voisins. Boston, 1852.

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Se você analisar esse pensamento em função da automação industrial concluirá que assim é como ela tem se comportado ao longo da sua evolução. Vejamos alguns fatos importantes da humanidade.

Assim aconteceu na Idade Média, com a Guerra dos Cem Anos (1346-1450, entre França e Inglaterra), com a Peste Negra e as revoltas populares que provocaram a escassez da mão-de-obra, antes tão abundante, causando o desequilíbrio da oferta de mercadoria. A solução encontrada foi aproveitar os conhecimentos técnicos existentes para introduzir novas formas de trabalho por meio das quais os homens pudessem produzir mais.

por meio das quais os homens pudessem produzir mais. Na produção feudal , foi adotado o

Na produção feudal, foi adotado o arrendamento das terras e liberdade aos servos, para venderem seus excedentes nos mercados das cidades.

Com isso, ocorreu o incremento de técnicas para o aumento da produção, como a charrua e a rotação trienal das culturas. Surgiram então povoamentos rurais independentes dos domínios dos senhores feudais, que, não tendo quem trabalhasse em suas terras, além das despesas com as guerras, foram se endividando e acabaram por se desfazer delas. Assim, liberaram os seus servos, aumentando ainda mais o êxodo para as grandes cidades, favorecendo os mercadores e os financistas.

Às crises do século XIV provocaram um desequilíbrio da oferta de mercadoria e mudanças na economia dos Estados europeus, de forma tal que só os Países de regime político centralizados conseguiram se adequar e puderam levar adiante um empreendimento de caráter estatal, que se transformou em um instrumento de riqueza e poder: a expansão ultramarina.

um instrumento de riqueza e poder: a expansão ultramarina. Fig.1.29 - Piloto quinhentista e uso da

Fig.1.29 - Piloto quinhentista e uso da bolina.

ultramarina. Fig.1.29 - Piloto quinhentista e uso da bolina. Fig.1.30 - Navio Espanhol do século XV

Fig.1.30 - Navio Espanhol do século XV (Caraça).

Portugal, sob a dinastia de Dom Dinis e seus sucessores, na busca de superar as suas dificuldades, deu início à expansão ultramarina, que foi consolidada pelo Infante D. Henrique. Este incentivou o desenvolvimento de instrumentos que facilitaram a arte de navegar e atraiu para Portugal, precisamente para a Ponta de Sagres, os melhores navegadores da Europa, marinheiros experientes e estudiosos da arte de navegar, os quais propiciaram ao Estado português expandir e manter um domínio do comércio marítimo por quase cem anos,

tornando-se o maior império marítimo colonial já existente e o primeiro Estado moderno europeu.

Com a consolidação da monarquia na Espanha, em 1492, os reis católicos deram início às grandes navegações marítimas que levaram a esse país descobrir e conquistar novas terras, as quais lhes propiciaram muito ouro e rápido enriquecimento, o que a tornou dona de inúmeras colônias nas Américas. A disputa com a França obrigou a Espanha a formar uma frota para proteger sua costa e seus navios comerciais, criando assim a sua famosa “invencível armada”, que lhe deu o título de “a senhora dos mares” europeus.

França, Inglaterra, Holanda e Alemanha, a exemplo de Portugal e Espanha se dedicaram às conquistas marítimas. Mas a cobiça, a ambição e o desejo de ser o melhor, o dominador, fizeram esses principais países europeus travarem entre si um “jogo de guerra”, que levou a destruição econômica de uns e o crescimento de outros. Após o desastre da invencível armadaespanhola, em 1588, quando tentavam conquistar a Inglaterra, as diversas batalhas perdidas nos anos seguintes e a aliança dos ingleses com os Países Baixos levaram a Espanha à perda da liderança dos mares e à ascensão dos holandeses e ingleses.

A Holanda, devido à qualidade de suas terras, não produzia o suficiente para sustentar a sua população. Então, fez do comércio marítimo o sangue vital de sua sobrevivência, tornando-se a nação dominadora do “mercantilismo” e a principal construtora naval da Europa no século XVII.

A Inglaterra, também dona de um poderio marítimo e almejando expandir-se, criou mecanismos que levaram a uma rivalidade marítima entre essas nações. O principal foi o “Ato da Navegação”, de 1651, o qual determinava que só os navios britânicos tinham autorização para levar carregamentos para a Grã-Bretanha, com exceção dos navios que conduziam produtos de seu próprio país; todo navio que navegasse pelo Canal da Mancha deveria saudar seus navios de guerra e que a pesca de “arenques”, a 30 milhas de sua costa, pagaria impostos.

Essa decisão britânica foi a causa principal que levou à guerra contra a Holanda e contra a França. O resultado destas lutas foi entregar aos ingleses, por volta da segunda metade do século XVII, o domínio dos mares. Controlando os mares e aperfeiçoando as suas companhias monopolistas, pouco tempo levou para que a Inglaterra se tornasse a soberana dos mercados coloniais.

a Inglaterra se tornasse a soberana dos mercados coloniais. A expansão marítima quatrocentista e quinhentista,

A expansão marítima quatrocentista e quinhentista, capitaneada por Portugal e Espanha, seguidas pela Holanda, Inglaterra e França, foi batizada como “mercantilismo” e pode ser considerada como uma “Revolução Comercial”.

Os descobrimentos marítimos provocaram mudanças na economia, fizeram aparecer uma reserva de capital e propiciaram uma outra concepção do universo, ampliando as idéias geográficas do homem. Trouxeram à tona novas matérias-primas, novas especiarias, novos mercados consumidores e a necessidade de acelerar a produção.

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1.5.1 Desenvolvimento da Manufatura

O comércio marítimo não só ajudou as igrejas a aumentarem o seu entesouramento como também fez surgir uma classe de negociantes ricos, desejosos de aumentar suas riquezas. Por isso, investiam seus ganhos em todas as atividades que acreditavam dar lucros.

A exigência de grandes quantidades de objetos fabricados para que houvesse o intercâmbio comercial entre os países ou com suas colônias, aliada ao enriquecimento de uma camada da população, aumentou a procura de produtos essenciais e de luxo, aguçando a curiosidade do homem europeu, promovendo debates e estudos que forçosamente levaram a descobertas de novas tecnologias e aperfeiçoamento de todas as artes já conhecidas, surgindo então as primeiras indústrias e os primeiros estaleiros.

então as primeiras indústrias e os primeiros estaleiros. Você sabe como evoluíram as indústrias? As primeiras

Você sabe como evoluíram as indústrias?

As primeiras indústrias foram pequenas oficinas, denominadas de “artesanato das guildas“, onde o artesão trabalhava duramente, ao mesmo tempo em que dirigia outros trabalhadores da oficina

Esse método de produção não foi capaz de atender ao aumento da demanda, sendo obrigado a se modificar. Apareceu, então, a “manufatura”, o embrião do capitalismo industrial, em que um significativo número de trabalhadores passa a ser empregado de um patrão, que detém o controle da comercialização da produção. As primeiras unidades eram pequenas e a produção tinha como insumo a lã de carneiro.

pequenas e a produção tinha como insumo a lã de carneiro. As unidades de manufatura ,

As unidades de manufatura, para proteção de seus interesses, organizavam-se em associações corporativistas com o capitalista financiando a produção (compra das matérias primas, pagamento dos empregados diaristas, aprendizes e do artesão), ou formavam uma cooperativa de trabalhadores.

Com a evolução da manufatura e a intensificação do comércio marítimo, apareceram outras unidades de produção que dependiam da importação de matéria-prima, das técnicas estrangeiras, como por exemplo, o algodão importado da Índia, do linho e da seda e da exportação da sua produção.

Na Inglaterra, as primeiras fábricas que trabalhavam com algodão não foram bem recebidas pelos industriais e trabalhadores da lã. Estes, alegando que haveria queda no preço dos produtos baseados na lã, incendiaram as indústrias e conseguiram, no ano de 1700, que o governo inglês proibisse a importação de tecidos de algodão. Essa proibição incentivou a produção de algodão na própria Inglaterra, fez surgir diversos inventos mecânicos e agrícolas que levaram ao grande desenvolvimento da indústria têxtil.

As invenções no campo da indústria têxtil fizeram aparecer as primeiras técnicas de controle automático na produção industrial e, conseqüentemente os primeiros choques entre os trabalhadores e a tecnologia, ou melhor, entre o trabalho manual e a máquina. Dessas invenções as que consideramos mais importantes foram:

a ) O tear mecânico de fazer meias, inventado por volta de 1589, por William Lee, pároco de Calverton. Nesse tipo de tear, o operador era não só uma fonte de energia, mas também um meio de coordenar os movimentos das diversas peças da máquina.

As vantagens da máquina inventada foram: fazer a teia da meia para costura até o

As vantagens da máquina inventada foram: fazer a teia da meia para costura até o pé; fabricar finas meias de seda e de fantasia, sem perder a velocidade de funcionamento; produzir de 1000 a 1500 malhas por minuto, enquanto que as pessoas que faziam malhas manuais chegavam no máximo a 100 malhas por minutos; e por fim podia ser operada por uma criança de doze ou treze anos, que acionava a máquina por meio de um pedal e com as mãos controlava a fiação.

b ) O tear mecânico de fazer fita, originário do Oriente, que, no Ocidente, porém, tem duas versões sobre sua invenção:

1. segundo um escritor veneziano de 1629, a primeira versão foi em Danzing, por volta de 1579, inventado um tear para tecer diversos comprimentos de fitas simultaneamente, por um só operário. O conselho da cidade ficou apreensivo e, receando que muitos tecelões pobres ficassem sem trabalho, mandou estrangular o inventor secretamente; e

2. a segunda é de um escritor holandês que afirma que esse tipo de tear foi inventado em Leyden, por volta de 1621.

c ) O aperfeiçoamento do tear de fitas foi feito por John Kay e Vaucanson, em 1745. Eles patentearam um sistema mecânico que tornou possível fazer a lançadeira movimentar-se de uma extremidade da tela à outra:

movimentar-se de uma extremidade da tela à outra: John Kay criou a “ lançadeira volante ”

John Kay criou a “lançadeira volante” (uma espécie de corredeira). Esta era acionada por cordas e alavancas comandadas por meio excêntricos (cames) movimentados por pedais, sincronizando, assim, os movimentos da máquina. Por causa desse invento, sua casa foi depredada por trabalhadores da indústria têxtil, e ele teve de fugir da Inglaterra.

Vaucanson criou a barra de acionamento, o movimento de cremalheira e a roda dentada para acionar os eixos.

Exemplo: técnica de comando por eixo e excêntricos (cames) usado, em anos recentes, no controle automático de purificadores de óleo em navio mercantes (figura a seguir).

purificadores de óleo em navio mercantes (figura a seguir). Fig.1.31 - Comando elétrico do funcionamento de

Fig.1.31 - Comando elétrico do funcionamento de um purificador de óleo de navio.

Funcionamento: Um sinal de ação (manual, pneumático, hidráulico, elétrico) atua no disjuntor (T), colocando o motor elétrico (M) em funcionamento, o qual faz o eixo de cames girar até que os contatos (K1) e (K2) fechem os seus respectivos circuitos elétricos. K2 alimenta a solenóide que atua abrindo a válvula de controle da água de selagem do purificador. O tempo que a válvula ficará aberta é regulado pela rotação do eixo de cames.

d ) Fuso (spinning-jenny) de Hargreaves. Este tecelão e carpinteiro inventou, na década de 1760, uma roda de fiar com vários fusos, que funcionava à mão, mas propiciava o aumento da produção. Uma pessoa que antes fiava um fio por vez, após esta invenção, passou a fabricar oito ou mais fios. Porém, o fio era pouco resistente, servindo apenas para o trançado;

e ) A fiandeira de Arkwright. Barbeiro e fabricante de peruca, Richard Arkwright patenteou,

em

1769,

a máquina water-frame.

Essa máquina esticava os fios antes que se

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f )

enrolassem no fuso e utilizava força hidráulica para movimentar o cilindro. Podia fiar algodão mais rapidamente do que a velha roca e produzia um fio mais resistente. Tornou possível produzir, em 1773, um tecido feito exclusivamente de algodão e não mesclado com linho, como era o costume;

A mula (mule-jenny) de Samuel Crompton, inventada por volta de 1779.

de Samuel Crompton , inventada por volta de 1779. Crompton unificou a técnica de Hargreaves e

Crompton unificou a técnica de Hargreaves e a de Arkwright, fazendo com que os fusos fossem montados em um carril móvel e as agulhas fizessem um duplo movimento para esticar os fios em volta do cilindro, reproduzindo o movimento do fio, tal qual se realizava na fiação manual. A máquina inventada funcionava a energia hidráulica e, mais tarde, passou a ser acionada por máquina a vapor

g ) A técnica de reprodução “automática”

de gravuras, papelão perfurado, criada pelo

francês Basile Bouchon, por volta de 1725. Ver a figura a seguir.

Basile Bouchon , por volta de 1725. Ver a figura a seguir. Fig.1.32 - Tear de

Fig.1.32 - Tear

de

Bouchon

Basile

Ver a figura a seguir. Fig.1.32 - Tear de Bouchon Basile Orifícios eram feitos em um

Orifícios eram feitos em um rolo de papel, de acordo com o desenho que se desejava tecer. Quando esse papel em código era pressionado contra uma fileira de agulhas, as que coincidiam com as perfurações permaneciam na mesma posição. As demais eram movidas para a frente, formando, assim, o desenho do tecido. Era uma máquina simples, comandava uma única fileira de agulha.

Esta técnica é semelhante às utilizadas pelas rendeiras do Nordeste brasileiro, para fazer os belos e perfeitos trabalhos das rendas de birro.

h) Anos mais tarde, Joseph-Marie Jacquard aperfeiçoou a idéia de Bouchon, passando para cartões perfurados e conseguiu a patente do primeiro tear automatizado.

e conseguiu a patente do primeiro tear automatizado. Fig.1.33 - Controlador com programação em fita perfurada,

Fig.1.33 - Controlador com programação em fita perfurada, (decádas 60 e 70).

A linguagem empregada por esses inventores para estabelecer uma comunicação com a máquina resumia- se a nada mais do que: orifício e não- orifício, semelhante à linguagem binária (0 e 1), empregada nos cartões perfurados ou fitas perfuradas (figura ao lado) dos primeiros computadores de automação de processos e dos torno mecânico e fresa com controle numérico de nosso tempo.

i) A gerência rudimentar, a princípio assumida pelo capitalista, em função de ser ele o proprietário do capital, surgiu com a aglomeração da produção, em função da necessidade da coordenação das atividades, tais como:

a) ordenação das operações;

b) centralização do suprimento de materiais;

c)

escalonamento, mesmo rústico, das prioridades;

d) atribuição de funções;

e) registros de custos (folhas de pagamento, matérias primas, produtos acabados);

f) registro de vendas;

g) cadastro de crédito; e

h) cálculos dos lucros e da perdas.

Na análise deste desenvolvimento, não mencionamos os inventos orientais, porém devemos lembrar que, desde o século V a.C., a China já conhecia as técnicas de fundição do ferro por aquecimento pelo carvão, o tear de laço, o papel, a imprensa e técnicas de navegação marítima: manuseio da vela como elemento propulsor, o leme para manter o rumo, bússola para orientar a navegação, estanqueidade dos compartimentos para garantir a flutuabilidade das grandes embarcações e a tão conhecida pólvora.

As invenções dos chineses chegaram ao Ocidente por meio das Cruzadas e dos renovados contatos da Europa com outros povos, e consolidaram-se em decorrência do crescimento demográfico, do renascimento urbano e da necessidade de aprimorar a agricultura para atender a essas novas demandas.

1.6 DESENVOLVIMENTO DA CIÊNCIA DAS MÁQUINAS

Nesta subunidade, você deve adquirir a seguinte competência:

subunidade, você deve adquirir a seguinte competência: Reconhecer os principais inventos relacionados às máquinas

Reconhecer os principais inventos relacionados às máquinas que contribuíram para o desenvolvimento dos sistemas de controle automático industrial.

Tomando por base o trabalho histórico de USHER7, podemos considerar que o desenvolvimento industrial, especificamente as técnicas aplicadas às máquinas térmicas, começa com os estudos de Herão e Filon sobre o funcionamento do sifão, que já era empregado no Egito antigo, mas sem considerar o princípio do vácuo.

no Egito antigo, mas sem considerar o princípio do vácuo. Fig.1.34 - Bomba aspirante-premente Fig.1.35 -

Fig.1.34 - Bomba aspirante-premente

o princípio do vácuo. Fig.1.34 - Bomba aspirante-premente Fig.1.35 - Órgão acionado por vento Depois, vem

Fig.1.35 - Órgão acionado por vento

Depois, vem a invenção da bomba aspirante-premente, atribuída a Ctesíbio, e descrita por Filon em seu tratado de hidráulica. Devemos contabilizar, também, a evolução dos dispositivos sonoros, empregando a força da água ou dos ventos.

7 USHER, Abbott Payson. História das Invenções Mecânicas. vol. I. Lisboa: Edições Cosmos, 1973

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Devido às limitações desses inventos, o ser humano continuou os estudos em busca de soluções. Uma nova teoria nasceu com os princípios de Galileu, no tratado ”Diálogos referentes a duas novas ciências” (1638) e prosseguiu com os eficientes estudos de Torricelli (1644), comprovados por Blaise Pascal, no tratado “O equilíbrio dos líquidos e o peso da massa de ar”, publicado em 1664, após sua morte.

Paralelamente, Von Guericke, em 1654, definiu os princípios da bomba de sucção, ao desenvolver uma importante experiência sobre a força da pressão atmosférica, utilizando a aplicação da pressão de ar a um êmbolo, conforme mostra a figura a seguir.

A partir de então, as preocupações se voltaram para as modificações dos modelos das bombas existentes, buscando um melhor aproveitamento da pressão atmosférica.

p r e s s ã o a t m o s f é r i

Fig.1.36 - Experiência de Von Guericke

Assim sendo, em 1675, Samuel Moreland obteve a patente da invenção da bomba de êmbolo. A figura a seguir representa a bomba de êmbolo montada no edifício York, em Londres, cerca de 1710.

montada no edifício York, em Londres, cerca de 1710. Fig.1.37 - Bomba de êmbolo Funcionamento: Um

Fig.1.37 -

Bomba de êmbolo

Funcionamento: Um dispositivo de energia mecânica eleva o êmbolo até o fim de seu curso, criando vácuo no cilindro e propiciando que a água o encha. Cessada ação do dispositivo de elevação e devido ao peso dos discos de chumbo montado no êmbolo, que é proporcional à altura que a água deve subir, força-se o cilindro a descer, elevando-se (bombeando) a água que passa por uma válvula de retenção, que evita que ele retorne. A vedação do cilindro é feita pelo conjunto formado pela caixa de gaxetas e a sobreposta (bucin). As gaxetas são feitas de couro.

Com a melhor eficiência das bombas as atenções voltaram-se para o aproveitamento da energia do vapor d’água. Este já era conhecido da humanidade pelo menos 100 anos a.C., mesmo não se fazendo distinção de vapor e ar, tendo em vista a sua aplicação em alguns dispositivos de Herão de Alexandria, como a eolipila (Turbina de reação) da figura a seguir.

Fig.1.38 - A eolipila de Herão de Alexandria Salomon de Caus, em 1615, declarou que

Fig.1.38 -

A eolipila de Herão de Alexandria

Fig.1.38 - A eolipila de Herão de Alexandria Salomon de Caus, em 1615, declarou que “

Salomon de Caus, em 1615, declarou que “o vapor é água evaporada que, depois de arrefecer, regressa à sua condição original”.

A partir dessa distinção, os estudiosos definiram que as potencialidades da pressão de vapor eram de muito mais importância do que as da pressão de ar. Na esteira destes estudos, destacaram-se Edward Somerset, Ramelli, Bates, Worcester, Savery e Papin.

O estudo de Worcester sobre a aplicação do vapor d’água, segundo seu biógrafo, começou em 1628, contando com a ajuda do mecânico Caspar Kaltoff. Por problemas políticos, foi exilado, teve seus bens confiscados, inclusive seus estudos e foi preso quando regressou. Na prisão, tentando recuperar seus estudos sobre as bombas, escreveu um tratado sobre o funcionamento de uma máquina para elevar água. Quando foi solto, dedicou-se a construir sua máquina.

Quando foi solto, dedicou-se a construir sua máquina. A Máquina (bomba) inventada por Worcester, foi denominada

A Máquina (bomba) inventada por Worcester, foi denominada de “Centenas”, (figura

a seguir) e construída para elevar água no castelo de Vauxhall.

Funcionamento: A fornalha (D) e a caldeira (C) são representadas por linhas tracejadas, O vapor sai da caldeira por meio de uma válvula de quatro vias (b) e dos tubos de abastecimentos (B e B’). Os dois reservatórios (A e A’) estão ligados à fonte de água pelos tubos (G e G’), e estão equipados com tubos de saída (F e F’) que se unem numa válvula de quatro vias (C). Produz-se um vácuo parcial no reservatório vazio (A), pela condensação de uma certa quantidade de vapor. A água é, então, forçada a entrar no reservatório pela pressão de ar que atua sobre a superfície da água na fonte. Quando o reservatório está quase cheio de água, entra vapor através da válvula de vapor e a sua pressão é suficiente para forçar a água a sair do reservatório. Quando o reservatório esta quase vazio, fecha-se a entrada do vapor, rapidamente seguida pela condensação e formação de vácuo.

Contemporâneo de Worcester, o inglês Thomas Savery patenteou, em 1698, uma máquina para retirar água de minas, cujo princípio de funcionamento era semelhante ao da máquina de Worcester.

ao da máquina d e W o r c e s t e r . Fig.1.39

Fig.1.39 - Engenho de Worcester

W o r c e s t e r . Fig.1.39 - Engenho de Worcester Estes
Estes engenhos só eram eficientes para determinadas pressões e certas profundidades.
Estes
engenhos
eram
eficientes
para
determinadas
pressões
e
certas
profundidades.
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Estudos sobre o funcionamento dos êmbolos, desenvolvidos por Hautefeuille (1678), Robert Hooke (1678) e Samuel Moreland (1681), contribuíram para que o americano Newcomen, entre 1705 e 1712, desenvolvesse a primeira máquina térmica, que funcionava com base na condensação do vapor. Denominada de máquina alternativa a vapor de condensação, acionava uma bomba de extração de água de poço. Sua potência chegou a 5 ½ CV. A figura anterior (1.40) mostra o esquema dessa máquina e a gravura nos dá uma idéia de como eram esses primeiros engenhos.

nos dá uma idéia de como eram esses primeiros engenhos. Esquema da instalação Fig.1.40 - Máquina
nos dá uma idéia de como eram esses primeiros engenhos. Esquema da instalação Fig.1.40 - Máquina

Esquema da instalação Fig.1.40 - Máquina alternativa a vapor de condensação de Newcomen.

Gravura de 1732

de Newcomen. G r a v u r a d e 1 7 3 2 Como

Como funcionava a máquina alternativa a vapor de condensação?

Funcionamento: Quando a máquina estiver parada, devido ao movimento dos contrapesos (12), o êmbolo (6) fica posicionado no topo do cilindro, que estará frio e cheio de ar. Todas as válvulas estarão fechadas. Alimentando a fornalha (2) da caldeira (1) com carvão, aliado à presença de oxigênio contido no ar e uma chama, ocorrerá a combustão. Esta reação química produzirá energia calorífica, que será transmitida por processos termodinâmicos (condução, convecção e radiação) para a água contida no tubulão da caldeira (3). A água transforma-se em vapor d’água saturado (4). Abrindo-se a válvula de vapor (8), o vapor se expande para dentro do cilindro, expulsando o ar pela válvula (17), que se abre pela pressão maior. A ação do vapor enche e aquece o cilindro rapidamente. Então, fechando-se a válvula de vapor (8) e abrindo-se a válvula de injeção de água (9), o jato de água condensa o vapor rapidamente. A condensação do vapor provoca uma queda de pressão no interior do cilindro, permitido que a pressão atmosférica, atue sobre o êmbolo, forçando-o a descer. À medida que o processo de condensação continua, a descida do êmbolo é acelerada. Quando o êmbolo atinge o seu ponto morto inferior, o jato de injeção é fechado e abre-se a válvula de vapor (8). A primeira baforada de vapor liberta o cilindro de qualquer evaporação existente e cria pressão suficiente para permitir que a água de condensação escoe livremente para o reservatório (5). Devido aos contrapesos, o êmbolo eleva-se tão rapidamente quanto a entrada do vapor, pois há peso suficiente para levantar o êmbolo mas não para criar o vácuo. (continua.)

Funcionamento (continuação) : Desta forma, a subida do êmbolo e o enchimento do cilindro com

Funcionamento (continuação): Desta forma, a subida do êmbolo e o enchimento do cilindro com vapor são simultâneos, embora o vapor não exerça qualquer força ativa contra o êmbolo. As válvulas são abertas e fechadas automaticamente, por meio da haste (tirante) (10).

Diversos cientistas dedicaram-se a estudar o funcionamento da máquina de Newcomen, a fim de aperfeiçoá-la, mas o relativo sucesso ficou restrito à sua utilização como unidade de bombeamento. Não foi possível fazê-la produzir, na prática, movimento rotativo, por meio de manivelas, como já acontecia com as rodas hidráulicas, em razão de a máquina produzir trabalho apenas no curso de descida do êmbolo.

Porém, James Watt, fazendo um estudo, científico e crítico sobre essa máquina, verificou que ocorria uma grande perda de calor devido ao arrefecimento e ao aquecimento do cilindro. Então, teve a idéia de fazer modificações radicais no funcionamento da máquina. Essas mudanças podem ser entendidas observando-se a gravura a seguir e a sua descrição.

Descrição: Ele começou por fazer a instalação de uma câmara de condensação em separado. Tomou como cilindro uma seringa de latão, empregada em cirurgia, que media 4,45cm de diâmetro e 25cm de comprimento (ver figura ao ado). Contrariamente à máquina de Newcomen, inverteu a posição do cilindro (C) e prendeu um peso (E) ao êmbolo (D). Para liberar o cilindro da água condensada, a haste do êmbolo foi brocada e equipada com uma válvula (J) na sua extremidade inferior. Criou uma câmara de condensação (G), em estanho, imersa num reservatório de água fria. Para retirar o ar e a água desta câmara, adicionou uma pequena bomba manual (K).

desta câmara, adicionou uma pequena bomba manual ( K ). Fig.1.41 - Máquina, experimental, de James

Fig.1.41 - Máquina,

experimental,

de James Watt - 1765

Funcionamento: O vapor era direcionado da caldeira (A) a ambas as extremidades dos cilindros pelas tubulações (B). Tendo sido produzido vapor, era fechada a válvula para o condensador e a válvula de vapor para a parte inferior do cilindro, e aberta a válvula de vapor para a parte superior do cilindro. O ar do cilindro era expelido por meio da válvula da haste do êmbolo e ao redor da válvula do condensador. Então, a bomba do condensador era acionada para cima, produzindo um vácuo parcial no condensador. Neste instante, era fechada a válvula superior de vapor, aberta a válvula do condensador e a válvula inferior de vapor. Assim, o vapor da parte superior do cilindro passava para o condensador e era condensado. O vapor da parte inferior do cilindro atuava sobre o êmbolo, impulsionando o contra o vácuo e elevando um peso de 8,100 kg, indicando uma pressão efetiva de cerca de 6,170 kg por 6,45 cm².

Desta forma, James Watt demonstrou a eficiência da máquina e consolidou os princípios fundamentais. À medida que iam sendo construídas, essas máquinas eram aperfeiçoadas e aumentavam de tamanho, de tal forma que, rapidamente, atingiram o limite das possibilidades existentes para a construção.

o limite das possibilidades existentes para a construção. Em condensação e conseguiu que o Dr. Roebuck

Em

condensação e conseguiu que o Dr. Roebuck fosse seu sócio financeiro para o

empreendimento.

máquina de

5

de janeiro de 1769,

James Watt obteve a

patente de sua

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Mas, em decorrência da escassez do carvão em determinadas regiões e do seu alto custo em outras, seu sócio faliu e vendeu sua parte para Boulton, que transferiu a construção para Soho, em Birmingham (1774).

Os novos sócios dedicaram-se às máquinas empregadas para bombeamento num sistema de royaltry. Devido à grande dificuldade de receber dinheiro dos usuários e ao elevado custo do carvão, eles decidiram construir uma máquina para uso industrial.

eles decidiram construir uma máquina para uso industrial. Fig.1.42 - Máquina a vapor de James Watt

Fig.1.42 - Máquina a vapor de James Watt

uso industrial. Fig.1.42 - Máquina a vapor de James Watt F i g . 1 .

Fig.1.43 - Locomotiva a vapor

Assim, Watt dedicou-se a construir uma máquina que fosse capaz de produzir um movimento rotativo a partir do movimento recíproco (alternativo) e conseguiu patentear seu novo invento em 1781 e 1782, nascendo assim a máquina de ação dupla, com o vapor trabalhando alternadamente de ambos os lados do êmbolo. Nasceu, então, a máquina alternativa a vapor. (ver figura a seguir).

a máquina alternativa a vapor . (ver figura a seguir). Fig.1.44 - Máquina alternativa a vapor
a máquina alternativa a vapor . (ver figura a seguir). Fig.1.44 - Máquina alternativa a vapor

Fig.1.44 - Máquina alternativa a vapor entrada de vapor no cilindro

empregada nos navios mercantes e detalhes da

no cilindro empregada nos navios mercantes e detalhes da Qual a técnica de controle automático que

Qual a técnica de controle automático que surgiu com a invenção da máquina alternativa a vapor de James Watt?

O Regulador Centrífugo , de James Watt, em 1775, foi o segundo aparelho de controle

O Regulador Centrífugo, de James Watt, em 1775, foi o segundo aparelho de controle automático que o homem criou, e foi o precursor da aplicação do conceito de realimentação (Feedback). Por essa razão é considerado, por muitos, como o primeiro controlador automático.

Em função das deficiências dos materiais empregados na construção das caldeiras e das máquinas alternativas a vapor, as potências dessas máquinas ficaram restritas à faixa de 40 a 50 CV. Raríssimas chegavam a 80 CV.

à faixa de 40 a 50 CV. Raríssimas chegavam a 80 CV. 1. Hélice; 2. Eixo

1. Hélice;

2. Eixo propulsor;

3. Eixo de manivelas;

4. Cilindros;

5. Conjunto conector e biela;

6. Volante;

7. Caldeira de baixa pressão;

8. Caldeira de alta pressão; e

9. Tubulação de vapor.

Fig.1.45 - Instalação propulsora a maquina alternativa a vapor

Com o aperfeiçoamento da fundição do ferro, no final do século XVIII, outros inventores, como o Inglês Murdock, o francês Cugnot, o americano Oliver Evans e o inglês Richard Trevithick, dedicaram-se a construir máquinas que podiam funcionar com vapor de alta pressão. O aperfeiçoamento da caldeira, realizado por Booth e Hackworth, permitiu que fosse alcançado êxito no teste que Rainhill fez, nos meados de 1830, e determinasse a eficiência das máquinas de condensação, encerrando essa fase primitiva da técnica de vapor.

encerrando essa fase primitiva da técnica de vapor. Com essa nova tecnologia, romperam-se as amarras da

Com essa nova tecnologia, romperam-se as amarras da corrente que emperrava a produção industrial, dando origem às fábricas modernas.

A máquina a vapor substituiu o trabalho físico dos homens e dos animais. Energias muito mais poderosas eram postas a serviço do homem, permitindo-lhe uma maior ação sobre a natureza.

Essa revolução industrial iniciou-se na Inglaterra, nas indústrias têxteis e se estendeu depois à América e ao resto da Europa Ocidental. Por volta de 1800, já havia pelo menos 500 máquinas alternativas a vapor em funcionamento. Foram aceleradas e aperfeiçoadas as comunicações, os transportes e a fabricação. O comércio mundial foi estimulado. Houve um rápido aumento da população, provocando o crescimento das cidades até chegar aos nossos dias com as megametrópoles.

Por outro lado, o avanço do conhecimento tecnológico da fabricação do aço e da produção do vapor fez surgiu uma nova máquina térmica - a Turbina a Vapor.

Os princípios básicos de funcionamento deste tipo de máquina perdem-se nos séculos pois podemos encontrá-los, como já mencionado, na turbina de reação, de Heron de Alexandria, cerca de 100 anos a.C. e na turbina de ação, de Giovanni Bianca, em 1629.

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Fig.1.46 - Parsons Fig.1.47 - Princípio da propulsão a Turbina a Vapor As primeiras tentativas

Fig.1.46 - Parsons

Fig.1.46 - Parsons Fig.1.47 - Princípio da propulsão a Turbina a Vapor As primeiras tentativas de

Fig.1.47 - Princípio da propulsão a Turbina a Vapor

Fig.1.47 - Princípio da propulsão a Turbina a Vapor As primeiras tentativas de aplicação prática das

As primeiras tentativas de aplicação prática das turbinas de reação e ação foram feitas a partir de 1884, por Charles Algenor PARSONS e LAVAL.

Depois de vencidas inúmeras dificuldades de construção, eles obtiveram êxito em 1894, com a adaptação de uma turbina a vapor a um pequeno barco torpedeiro. A este barco de 30 metros de comprimento e 45 toneladas de deslocamento, foi dado o nome de "TURBINIA"

1.6.1 Desenvolvimento dos Motores de Combustão Interna

Consolidada a máquina alternativa a vapor, o ser humano voltou suas atenções para o desenvolvimento da energia motora, cujos estudos começaram com Carnot, publicado em 1824. Porém, a dificuldade de se aproveitar essa energia residia no fato de que o combustível teria que ser um gás ou, na pior das hipóteses, um líquido facilmente vaporizável. Esse tipo de combustível só apareceu por volta da metade do século XIX, quando surgiram as primeiras indústrias de exploração e refino do petróleo.

Foi o franco-belga Jean Joseph Étienne LENOIR, em 1859, quem projetou e construiu a primeira máquina de combustão interna capaz de realizar um trabalho, empregando como combustível o gás de iluminação. Em 1860, ele a adaptou a uma carruagem e, mais tarde, a empregou como máquina propulsora de um barco

Fig.1.48 - Lenoir

como máquina propulsora de um barco Fig.1.48 - Lenoir Fig.1.49 - Motor a gás de Lenoir
como máquina propulsora de um barco Fig.1.48 - Lenoir Fig.1.49 - Motor a gás de Lenoir

Fig.1.49 - Motor a gás de Lenoir

Após a invenção de Lenoir, muitos estudos foram desenvolvidos para aperfeiçoar o invento do motor de combustão interna.

O francês, Alphonse Beau de Rochas desenvolveu uma teoria sobre o funcionamento do motor de combustão interna de quatro tempos, a qual chegou às mãos do caixeiro viajante alemão Nikolaus August Otto, que, depois de muito estudá-la conseguiu, em 1876, construir o primeiro motor desse tipo. Foi batizado, em sua homenagem como “motor de ciclo Otto ” mas, também é conhecido como motor de explosão ou de inflamação por centelha.

Fig.1.50 - Nikolaus August Otto Em 1885, o primeiro veículo impulsionado por um motor a

Fig.1.50 - Nikolaus August Otto

Em 1885, o primeiro veículo impulsionado por um motor a gasolina circulou pelas ruas de Munique, na Alemanha. Era um triciclo patenteado por Karl Benz, precursor da famosa fábrica de automóveis Mercedes Benz

O engenheiro alemão Rudolph Diesel, em 1890, financiado por uma cervejaria de St. Louis, iniciou suas pesquisas que buscavam melhorar a eficiência do funcionamento do motor do ciclo Otto. Sua dedicação foi premiada em 1892, quando patenteou um motor de maior rendimento, que mais tarde receberia o seu nome - “motor do ciclo Diesel”, mas que também ficou conhecido como motor de inflamação por compressão.

ficou conhecido como motor de inflamação por compressão. Fig.1.51 - Motor de Ciclo Otto Fig.1.52 -

Fig.1.51 - Motor de Ciclo Otto

inflamação por compressão. Fig.1.51 - Motor de Ciclo Otto Fig.1.52 - Rudolph Diesel Fig.1.53 - Motor

Fig.1.52 - Rudolph Diesel

Fig.1.51 - Motor de Ciclo Otto Fig.1.52 - Rudolph Diesel Fig.1.53 - Motor tempos. Diesel marítimo

Fig.1.53 - Motor tempos.

Diesel

marítimo

de

4

Diesel Fig.1.53 - Motor tempos. Diesel marítimo de 4 O motor Diesel trabalha de maneira semelhante

O motor Diesel trabalha de maneira

semelhante ao do ciclo Otto, porém utiliza um combustível mais pesado

(óleo diesel ou havy fuel oil) derivado

de petróleo.

A combustão ocorre devido a alta compressão do ar, a qual eleva a temperatura no cilindro, e injeção do combustível na câmara de combustão no momento preciso, ou seja, para que ocorra a queima do combustível, não é necessário a centelha, como nos motores do ciclo Otto.

Essa invenção se impôs rapidamente. As máquinas a vapor foram pouco a pouco suplantadas em eficiência, e logo surgiram os motores navais e motores estacionários sem concorrentes que fossem parecidos.

Na propulsão marítima, essa nova tecnologia teve a sua primeira grande aplicação por volta do ano de 1912, depois de cerca de 15 anos de desenvolvimento.

Graças ao seu elevado rendimento térmico, o motor criado por Rudolph Diesel há cerca de 100 anos, após os diversos melhoramentos aplicados ao longo de um século de pesquisas e evoluções, é considerado nos dias de hoje a máquina motriz de maior eficiência térmica, ou

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seja, capaz de transformar a maior quantidade de energia fornecida sob a forma de calor em trabalho mecânico com um mínimo de perdas e, por essa razão, este tipo de máquinas é aplicada em larga escala nas marinhas mercantes de todo os países.

A primeira revolução industrial trouxe, de fato, um progresso nunca antes alcançado, com o aumento da riqueza e do nível de qualidade de vida para uma parte da população. Nesse período, surgiu o sistema corporativo fazendo desaparecer o artesanato medieval e, conseqüentemente, o ofício do artesão e o declínio do aprendizado.

Houve uma maior interdependência entre o capital e o trabalho, dando início a produção em massa e a padronização dos produtos, primórdio da produção em série”.

Por outro lado, para a grande maioria da população, a industrialização mostrou-se danosa devido aos distúrbios sociais que provocaram (migração do camponês para a cidade, declínio do artesão e do aprendiz, etc.) e não provocou a sonhada distribuição de renda. Permaneceu a pobreza e a miséria, entre outras mazelas.

Permaneceu a pobreza e a miséria, entre outras mazelas. Essa fase de evolução da industrialização, ainda

Essa fase de evolução da industrialização, ainda hoje encontrada, é definida como mecanização ou automatização.

1.7 IMPORTÂNCIA DOS SISTEMAS DE CONTROLE INDUSTRIAL

Nesta subunidade, você deve adquirir a seguinte competência:

subunidade, você deve adquirir a seguinte competência: - Compreender as diversas aplicações da palavra sistema;

- Compreender as diversas aplicações da palavra sistema; e

- entender

a

organização

dos

sistemas

de

automação

de

processos

industriais.

reconhecer

- a

importância

dos

sistemas

de

controle

automático

de

processos industriais;

- compreender como se desenvolveu o controle de processo industrial; e

- reconhecer como evoluiu as técnicas dos sistemas de controle automático de processos industriais.

1.7.1 Sistema

A palavra sistema tem diversas aplicações. Emprega-se para designar pequenos sistemas, como o sistema de injeção de combustível de motores de veículos, grandes e complexos sistemas, como o nosso sistema nervoso, o sistema econômico mundial, o

sistema de defesa americano, o sistema de informação, o sistema de controle de planta

A literatura

industrial, o sistema de controle de navegação dos navios e dos aviões, etc científica define como sendo:

dos navios e dos aviões, etc científica define como sendo: “sistema é uma disposição de componentes

“sistema é uma disposição de componentes físicos, conectados ou relacionados de tal maneira a formar e/ou atuar como um conjunto”.

À primeira vista, parece imprópria a utilização do termo para conjuntos tão diferentes, mas na prática esses conjuntos apresentam várias características comuns, como é demonstrado a seguir:

1.

compõem-se de muitas partes diferentes, onde os componentes podem ser bastante

distintos (elementos físicos, humanos, regras e regulamentos sobre as inter-relações dos

elementos);

2.

interação de seus diversos componentes (cada um influencia sobre o outro);

3.

evoluem de um estado para outro (em pequenos intervalos de tempo os sistemas móveis parecem estáticos).

4.

em sua maioria, são homeostático (quando observado em curtos períodos, o seu funcionamento parece manter continuidade ou estabilidade. Por outro lado, quando observado em períodos bastante longos, tendem a evoluir e mudar seu estado).

5.

seqüência:

tendem a evoluir e mudar seu estado). 5. seqüência: Em qualquer sistema há sempre uma unidade
tendem a evoluir e mudar seu estado). 5. seqüência: Em qualquer sistema há sempre uma unidade

Em qualquer sistema há sempre uma unidade central processadora e todo sistema possui um tipo de controle.

Exemplos:

a) controle político exercido por funcionários sobre diversos sistemas sociais;

b) computadores de controle para sistemas de armas militares;

c) controle da navegação pelo piloto automático;

d) controle de funcionamento do motor propulsor do navio (MCP), por meio de programa de computador (softwares) etc.

(MCP), por meio de programa de computador (softwares) etc. Resumindo, um sistema constitui-se de três diferentes

Resumindo, um sistema constitui-se de três diferentes funções: função perceptiva, função reativa e função controladora.

Para um melhor entendimento da importância dos sistemas de controle industrial é necessário que façamos um estudo da sua evolução. Para tal, vamos dividi-lo em três períodos: O empírico ou experimental; o da automatização e o da automação.

1.7.2 Período Empírico ou Experimental

Nesse período os sistemas de controle eram projetados através de procedimentos empíricos baseados na intuição e na experiência cumulativa, ou seja, a maioria dos raciocínios envolvidos não considerava cálculos matemáticos, ou seja, não empregava métodos teóricos e analíticos.

Os instrumentos indicadores das condições das variáveis eram o único meio que o ser humano tinha para controlar manualmente os processos industriais. Até então, uma unidade fabril era dependente de uma única fonte de potência mecânica.

As fábricas dispunham de energia gerada por uma roda d’água ou por um moinho de vento, acoplada a um eixo que se estendia ao longo da fábrica. Desse eixo, por meio de correias, as máquinas fabris recebiam a energia mecânica necessária ao seu funcionamento.

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Assim, o controle era interdependente e centralizado, exigindo do operador uma atividade mental baseada na

Assim, o controle era interdependente e centralizado, exigindo do operador uma atividade mental baseada na intuição e na experiência, além de uma exposição constante ao perigo, devido à falta de segurança da instalação

Contudo, essa abordagem não científica e por tentativas satisfez as necessidades de controle por longo tempo. Porém, com o advento das máquinas alternativa a vapor e, conseqüentemente, com o aumento acentuado da demanda da produção industrial, o homem foi obrigado a desenvolver técnicas e equipamentos de controle que fossem capazes de substituí-lo nesta nova tarefa, libertando-o de grande parte deste esforço braçal e mental.

1.7.3 Período da Mecanização ou Automatização

Durante muitos anos, sociólogos, filósofos e outros profissionais se dedicaram a analisaram o trabalho humano em todos os seus aspectos, de tal forma que seus estudos propiciaram mudanças na maioria das funções dos trabalhadores.

Na

área

industrial

foram

reduzidas

a

gestos

simples

e

empregados na linha de produção de Ford.

mecanizadas

como

os

na linha de produção de Ford. mecanizadas como os Desses estudos, os mais conhecidos foram o

Desses estudos, os mais conhecidos foram o estudo do rendimento das máquinas- ferramentas de Taylor e a definição de normas de controle dimensional dos produtos fabricados.

A padronização permitiu automatizar a execução das tarefas, resultando numa maior precisão no trabalho e aquisição, pelos trabalhadores, de habilidades mais restritas, levando-os a perderem a noção do que e para que produziam.

O precursor da técnica de produção em série foi o americano Eli Whitney, que criou o sistema de peças permutáveis (estandardizada). Esse sistema foi utilizado na fabricação de uma máquina de descaroçar algodão e de um rifle para o exército americano.

algodão e de um rifle para o exército americano. Na cadeia de produção em série ou

Na cadeia de produção em série ou em massa, todos os movimentos das máquinas são sincronizados, temporizados e repetitivos.

Na indústria que opera com controle automático baseado na produção em série, o controle é feito por operadores humanos, de forma que a máquina fornece a força e o operador(a) o pensamento. Ele dispõe de informações sensoriais, dos dados dos instrumentos de medição e de informações de outras variáveis e faz a correção necessária para obter a melhor performance do sistema.

necessária para obter a melhor performance do sistema. Neste caso, o operador(a) é o senhor(a) da

Neste caso, o operador(a) é o senhor(a) da máquina, pois pode comandá-la e pará-la quando desejar. Por outro lado, a máquina exige que o operador acompanhe os seus movimentos, sejam eles lentos, sejam rápidos, dentro de rigorosos limites de tempo.

Qualquer falha do operador pode provocar grandes prejuízos e acidentes fatais. Diz-se, então, que o operador fica reduzido à condição de escravo da máquina, sem nenhuma possibilidade de alterar seu comportamento.

Com a criação do regulador de velocidade das máquinas a vapor por James Watt e de outros avanços tecnológicos, as máquinas passaram a dispor de um motor dedicado e somado a eles os métodos de padronização o controle do processo foi descentralizado. Estava dado o primeiro passo para o controle automático.

Como funciona a estratégia de controle por realimentação ?

Como funciona a estratégia de controle por realimentação?

funciona a estratégia de controle por realimentação ? Na estratégia de controle por realimentação o

Na estratégia de controle por realimentação o equipamento (controlador) age sobre o elemento de controle (válvula de controle), baseando-se em informações da variável física controlada, detectadas na saída do processo, por instrumentos de medidas (sensor).

saída do processo, por instrumentos de medidas ( sensor ). Fig.1.54 - Regulador centrífugo de velocidade
saída do processo, por instrumentos de medidas ( sensor ). Fig.1.54 - Regulador centrífugo de velocidade

Fig.1.54 - Regulador centrífugo de velocidade das máquinas a vapor – James Watt

Funcionamento: Neste tipo de regulador, quando a velocidade do eixo E ultrapassa o valor desejado, a força centrífuga sobre cada massa M tem uma componente normal à haste de suporte, que vence a componente da força-peso; as massas M se afastam do eixo vertical e o cursor C sobe; o cursor C aciona a válvula de controle de vapor, reduzindo sua vazão e, por sua vez, reduzindo a velocidade do motor e do eixo E. O inverso ocorre quando a velocidade esta abaixo da desejada.

O aumento do tamanho das plantas industriais e a complexidade dos processos exigiram maior atenção com a segurança e a qualidade dos produtos. Na busca de soluções para os problemas que surgiram, diversas pesquisas foram desenvolvidas e produziram uma evolução das técnicas de controle automático na área industrial ou, melhor dizendo, iniciou o processo de automatização das fábricas.

Dentre essas técnicas, as que mais se destacaram foram:

a) a aplicação do cálculo diferencial para análise matemática do comportamento de um sistema máquina-regulador, utilizado por Clerk Maxwell, em 1868;

b) o desenvolvimento científico da aplicação da energia pneumática, tornando essa energia a primeira forma de processamento de sinal a ser empregada para a automatização de processo industrial;

c) a introdução da estratégia e/ou a filosofia de Controle Distribuído;

da estratégia e/ou a filosofia de Controle Distribuído ; Nos primórdios do Controle Distribuído , os

Nos primórdios do Controle Distribuído, os instrumentos de controle (reguladores mecânicos, controladores pneumáticos, medidores, etc.) eram instalados próximo aos equipamentos do processo a serem controlados. A ação do controle era executada pelo operador, que também fazia o registro das variáveis e a comunicação, por troca de informações verbais, com o gerente de operação da planta.

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d)

aplicação dos primeiros controladores pneumáticos de conexão direta ao processo, por

volta de 1930. Porém, foi mantida a filosofia de controle distribuído, ou seja, o controlador e

a interface homem-máquina (IHM) permaneceram junto do processo (no campo);

e) a teoria da reação (Regeneration Theory) desenvolvida por H. Nyquist, da Bell Telephone Company, em 1932. Essa teoria definiu o primeiro método de análise de sistema à realimentação e estabeleceu um critério para o estudo de estabilidade em tais sistemas. O conceito de estabilidade é extremamente importante na operação de sistemas de controle;

importante na operação de sistemas de controle; Um sistema estável é aquele que permanecerá em repouso,

Um sistema estável é aquele que permanecerá em repouso, a menos que sofra um distúrbio (perturbação) de fonte externa, e que retornará ao estado de repouso quando todas as excitações desaparecerem

f)

fabricação do primeiro controlador pneumático com ação proporcional mais integral (PI). Obs. Esta estratégia de controle será estudado mais adiante na unidade “Controladores”;

a

g)

a padronização da faixa de alimentação (20 a 22 PSI) e de transmissão de sinal pneumático (3 a 15 PSI), ou seja, definido o primeiro protocolo de comunicação, antes da Primeira Guerra Mundial;

h)

concentração dos controladores e instrumentos indicadores dos valores das variáveis em consoles de controle da máquina (CCM) nas salas de controle, graças ao desenvolvimento técnico e emprego dos instrumentos pneumáticos do tipo regulador de pressão, foles, relés, transmissor, atuadores, amplificadores de sinal, controladores a corda, aperfeiçoamento de funções (extração de raiz quadrada, multiplicação, etc.);

i) criação do servocon- trole (figura anterior), por N. Minorsky baseado no conceito de realimen- tação (feedback), para a manutenção automática, do rumo do navio. Definido em um artigo intitulado “Dictional Stability of Automatically Steered Bodies”, durante a Primeira Guerra Mun- dial;

Steered Bodies ”, durante a Primeira Guerra Mun- dial; Fig.1.55 - Controle do rumo do navio

Fig.1.55 - Controle do rumo do navio por servocontrole

j) no final da década de 50 começou o emprego da energia elétrica, com utilização de relés elétricos, após a padronização de transmissão de sinal elétrico, estabelecida entre 4 a 20mA e o advento da eletrônica analógica. Os equipamentos eletrônicos analógicos empregavam válvulas eletrônicas, por essa razão eram grandes e consumiam muita energia. Porém, possibilitou:

- a substituição das longas linhas de sinais pneumáticos ou hidráulicos por cabos elétricos.

- Instalar a sala de controle mais distante da área de processo; e

- a utilização de terminais multiplexe remoto que aceleraram a comunicação entre os elementos do sistema de controle de processo. A figura a seguir ilustra esse sistema de controle remoto.

A figura a seguir ilustra esse sistema de controle remoto. Fig.1.56 - Diagrama de blocos de

Fig.1.56 - Diagrama de blocos de automatização de uma instalação propulsora a turbina a vapor com padrão analógico de 4-20 mA. e 3–15 PSI.

a vapor com padrão analógico de 4-20 mA. e 3–15 PSI. Na sala de controle eram

Na sala de controle eram montados painéis imensos (quadro mímico) contendo as lógicas de seqüenciamento e segurança da planta. (ver figura a seguir)

e segurança da planta. (ver figura a seguir) Fig.1.57 - Console com quadro mímico da AEG

Fig.1.57 - Console com quadro mímico da AEG de um sistema de propulsão a turbina a vapor

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a evolução dos componentes eletrônicos analógicos que permitiu a fabricação dos controladores de arquitetura dividida e a implementação da filosofia ou configuração de

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