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EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA VARA DE FAMÍLIA, INFÂNCIA E JUVENTUDE E IDOSO DA COMARCA DE BARRA MANSA

Ref. Procedimento Administrativo nº 002/07

O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO

RIO DE JANEIRO, CNPJ nº. 28.305.936/0001-40, através da 1ª Promotoria de

Justiça Cível de Barra Mansa, com a legitimidade que lhe confere os arts. 50, XIII

e 74, II e VII da Lei nº 10.741/03 – Estatuto do Idoso, vem propor a presente

ação de

REGISTRO TARDIO C/C INTERDIÇÃO

na tutela individual do idoso HORÁCIO DA SILVA, atualmente abrigado no Asilo da

Mendicidade de Barra Mansa, localizado na Rua Ary Fontenelle, nº 491, Barra Mansa,

pelos fatos e fundamentos a seguir expostos.

I) DA COMPETÊNCIA

De acordo com o disposto nos artigos 92, I e XI, “a” e XII,

do Código de Organização e Divisão Judiciárias do Estado do Rio de Janeiro, este

Juízo é o competente, nesta Comarca, para processar, julgar e praticar todos os atos

concernentes ao idoso abrigado ou abandonado ou em situação de risco,

conhecendo de pedidos de curatela e determinando as medidas relativas a seu abrigo, tratamento e assistência, além de outras necessárias ao seu bem-estar, como coibir o desvio de sua pensão ou qualquer outro rendimento, além de pedidos de registro civil de nascimento tardio.

Assim, considerando o princípio da proteção integral estabelecido no Estatuto do Idoso, a regra do Código de Organização e Divisão Judiciárias, ao dispor sobre a competência do Juízo em sede de tutela do idoso em situação de risco ao mencionar o vocábulo assistência, esta só pode ser interpretada de forma ampla, qual seja, assistência em todos os sentidos, inclusive judiciária.

II) DA LEGITIMIDADE DO MINISTÉRIO PÚBLICO

O Ministério Público está legitimado na forma dos artigos 50, XIII e 74, II e VII da Lei nº 10.741/03 para a tomada de todas as ações e medidas de proteção ao idoso em situação de risco.

O legislador constitucional legitimou o Parquet para defender a ordem jurídica, o regime democrático de direito e os interesses sociais e individuais indisponíveis, dentre os quais se inclui o direito ao registro de nascimento, elemento essencial para o pleno exercício dos direitos individuais, sociais e políticos.

Com isso, uma vez constatada violação de direito de pessoa idosa, mister que o Ministério Público utilize todos os instrumentos jurídicos para garantir a tutela do idoso, dirigindo ao Judiciário todas as demandas necessárias à proteção do idoso em situação de risco.

III) DA INEXISTÊNCIA DE DOCUMENTOS:

Através de notícia encaminhada pela Gerente do Asilo da Mendicidade de Barra Mansa, Sra. Andréa Christine Silva, o Ministério Público tomou

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conhecimento da existência, naquele estabelecimento, de interno sem registro de nascimento e desprovido de qualquer referência familiar, sendo a ele dado pelo SOS o nome de Horácio da Silva.

A realidade vem demonstrando que a falta de identidade civil dificulta a garantia dos direitos fundamentais do idoso e do incapaz, impedindo a sua proteção através da interdição ou até mesmo inviabilizando o recebimento de assistência do Poder Público.

Outrossim, em face da deficiência mental que o acomete, não foi possível estabelecer qualquer vínculo familiar e consequentemente colher maiores dados acerca da identificação deste idoso.

IV) DA CURATELA PROVISÓRIA

O que restou apurado no procedimento administrativo mencionado indica que o Sr. VIVALDO MOREIRA RAMOS, brasileiro, casado, empresário, identidade nº 1.135.459, CPF nº 107.285.977-72, residente na Rua Jansem de Mello, nº 143, nesta cidade, presidente do asilo onde estão abrigados os interditandos, reúne as condições necessárias ao exercício da curatela, razão pela qual o Parquet indica o referido senhor para o exercício da curatela provisória.

V) DOS PEDIDOS:

Por todo o exposto, faz-se mister seja lavrado o registro de nascimento bem como seja decretada a interdição do requerido, com o fim exercer todos os direitos inerentes à cidadania e regularizar sua representação legal, eis que incapaz para a prática dos atos da vida civil, não possuindo meios de reger sua pessoa e administrar seus bens.

Com base nos fatos relatados e visando a amparar o idoso e proteger seus direitos, requer o Ministério Público:

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a) a concessão da CURATELA PROVISÓRIA, intimando-se o curador provisório para assinatura do termo necessário ao exercício de suas funções, a fim de representar o interditando junto ao órgão previdenciário;

b) Nomeação de Curador à Lide, nos termos do art. 1179 do Código de Processo Civil;

c) Citação do Requerido para oferecer resposta no prazo legal;

d) Designação de Audiência de Impressão Pessoal, a ser realizada na instituição;

e) A lavratura gratuita do registro tardio de nascimento, consoante o art. 54 da Lei nº 6.015/73, com base nos dados colhidos no decorrer da instrução;

f) Realização de perícia médico-psiquiátrica, protestando, desde já, pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos.

Requer, ao final, verificada a incapacidade do Interditando para reger sua pessoa e administrar seus bens, seja DECRETADA A INTERDIÇÃO, nomeando-se o Sr. VIVALDO MOREIRA RAMOS seu curador.

Em 24 de janeiro de 2008.

TACIANA CERQUEIRA CABRAL

Promotora de Justiça Matrícula 2496

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