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HISTÓRIA GERAL DA CIVll..

IZAÇÃO BRASILEIRA
Sob a direção de BORlS FAUSTO com relação. ao período republicano

TOMO

m

o BRASIL REPUBLICANO
3° Volume

SOCIEDADE E POLÍTICA (1930-1964)
por'

ÂNGElA

MARIA DE CASTRO GOMES, MENDES

Eu

DINIZ,

AWÁsIA

DE ALCÂNTARA CAHaGIO SAES E

MARGO, ANTÔNIO TRINDADE, SERGIO

DE ALMEIDAJR., LEÔNCIO

R1CARDO MARANHÃo, RODHIGUES, DÉCIO

ÍTALO THONCA,

MARTINS

MICEI.I

Yedição

CAPÍ11JLO VI

INTEGRALISMO: TEORIA E PRÁXIs POLÍTICA NOS ANOS 30
por
HElGIO TRINDADE

da Universidade Federal e da Porutjicia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

São Paulo. 1970. Nos últimos anos foi escrito um conjunto significativo de teses.Renascença Editora. Civilização Brasileira. A Reooluçâo de 30. pp.A República VeUJa II (Evolução Política). para a unidade absoluta da Pátria. "1935. (3) Boris Fausto. (4) Boris Fausto. "O Brasil Republicano" in História Geralda Cirilização Brasileira. São. DIFEL. DIFEL. Terrorismo em Campo Verde". Rio de Janeiro. 1975. 1976. 72e 73. para a extincçâo das oligarchias. (2) Edgard Carone . de um inusitado interesse como área de estudo para cientistas políticos. A Grande Marcha". a publicação dos primeiros volumes para o período republicano da clássica História Geral da Civilização Brasileira onde são acolhidos. 'ensaístas e ideólogos brasileiros. "1931. instituições. historiodorese filósofos. 19D4-1972 (1922) "Sangue na Areia de Copacabana". O Brasil vae para uma nova phase de sua História. A marcha é fatal. 1933. no período em questão. DIFEL. Os Tenentes no Poder". 1970.A Segunda República. para a restauração dos valores intelectuais e moraes da Nacionalidade. O Tenentismo. provocada por Boris Fausto (3). PlínioSalgado in Para onde vae o Brasil?. São Paulo. "1937. num enfoque interdisciplinar.A República VeUJa / (Instituiçôes e Classes Sociais).A Terceira República. DIFEL. Integralismo enquanto ideologia ou movimento político tem sido alvo. historiografia e história. No campo da análise das idéias políticas a produção. 1975.A Crise do Tenenrísmo". "1939. para a concepção christã e totalitária da vida. Convergentemente a este esforço iniciou-se 'também. A Revolução Traída".Paulo."O Brasil vae para' o Estudo IntegraL para a destruição de todos os partidos.ítica nativa não está desvinculada do esforço de reconstituição histórica do período republicano. São Paulo. a partir da década de 70. desenvolveu-se qualitativamente na última década. São Paulo. 1976.A Primeira República. Marcha da mocidade.AGuerra~aulista".30. Tomos -I e 2. cientistas sociais e economistas sobre a estrutura de poder. 1974. embora ainda restrita. São Paulo. dos regionalismos. 11 vols. a crescente preocupação em torno do estudo do pensamento político autoritário produzido por teóricos. as contribuições de historiadores.AConstituinte". através da documentação reunida nos volumes do "ciclo de Vargas" (I). Todos os golpes se parecem".ARevolta Vermelha". DIFEL. DIFEL. Este novo campo de pesquisa articula-se com. DIFEL. O Estado Noto. 1973.ARepúhlicaNom. "1934. DIFEL. Movimento glorioso de uma raça que se affirma". "1933. "1938. da hedionda politica dos Estados. DIFEL. do trabalho de pesquisa e interpretação históricas realizado por Edgard Carone (2) e da revisão crítica da historiografia sobre a Revolução de .O Ciclo de Vargas. São Paulo. . Com exceção de alguns artigos o (1) Hélio Silva . Véspera da Guerra". "1926. São Paulo. desde os primórdios da Primeira República até o final do interregno estadonovista. São Paulo. São Paulo. defrontar-se-ia com um número extremamente reduzido de publicações. sociólogos. em meados de 1975. é inexoravel. O Brasil será integralista. Riode Janeiro. sociedade e economia de 1889a 1930('). ensaios e artigos em torno do tema. No final dos anos 60 quem pretendesse consultar obras de referências sobre o pensamento político brasileiro. 1971. pioneiramente iniciado por Hélio Silva. Brasiliense. 1969. "1930. Essa nova tendência da pesquisa voltada para a "teoria" poJ. "1932.

utilizando-se simultaneamente da análise de textos dos principais teóricos (Plínio Salgado. contemporâneos à sua elaboração. A segunda de Helgio Trindade. CycJe Superieur D'Etudes Politiques. "Pcrodiqmo e História: a ordem burguesa na imaginação social brasileira" e de Bolívar Lamounier: "Formação de um pensamento político autoritário na Primeira República: uma interpretação" (') e o livro de Jarbas Medeiros. Guilherme dos Santos "Paradigrna e História: a ordem burguesa na imaginação social brasileira" in Ordem burguesa e liberalismo político. dos Santos . Sociais. O Integralismo de Plínio Salgado (forma de regressividade no capitalismo hipertardio). defendida como tese em Filosofia. 1~68. com os movimentos políticos fascistas europeus. Miguel Reale. Contriõuiçãà l:l Mis. (9) Gilberto Vasconcellos. Dados 7. Brasil Republicano. O Modelo Político de Oliveira viana. Azevedo Fernando. A Ideologia Curupira (análise do discurso integralista). Alceu Amoroso Lima e Plínio Salgado). Oliveira Viana. 1~56~l!amosGuerreiro. São Paulo. História das Idéias Filosóficas no Brasil. ed. e a três estudos sobre a história da AIBelaborados por brasilianistas (10). A Presença de A Torres. Rio de Janeiro 1967. Gustavo Barroso. São Paulo. Três Elementos tdeotôgicos do Brasil. Aspásia B. 1971. FGV. Azevedo Amaral. apoiando-se basicamente em textos doutrinários e a análise comparativa. Até então a bibliografia existente limitavase a duas teses de doutoramento elaboradas na Europa. dos Santos. . com um interregno entre ambas de mais de três décadas. de C. Olbiano . tem aparecido novas pesquisas e interpretações elaboradas no Brasil.Belo Horizonte. 1978. de Alcântara "A Teoria Política de Azevedo Amaral". sobre o fascfsmo nativo (9). Tomo 2. "Formação de um pensamento autoritário na Primeira República: uma interpretação" in História Geral da Civilização Brasileira. USP.porém.1977. RBEP. Çivilizaçâo Brasileira. A partir de 1975. Rio de Janeiro. Guerreiro Ramos e Cruz Costa e as recentes histórias das idéias religiosas e filosóficas de João Camilo de Oliveira Torres e Antonio Paim (6). Duas Cidade.São Paulo. Rio de Janeiro 1970. (8) jarbas Medeiros.Marinela Chauí. Dados 213. DIFEL. dos Santos . que se constitui na primeira leitura minuciosa da obra dos principais representantes do pensamento autoritário (Francisco Campos. as únicas obras abrangentes sobre o período eram os trabalhos clássicos de Fernando Azevedo. janeiro.enfatiza o estudo da ideologia. IBGE. Tese de Doutoramento.Cedec. São Paulo. 1971. Eli Diniz Cerqueira e M. (5) Wanderley G.t6rla'das Idéias no Brasil. As Ciências no Brasil. embora restrita. Rio de Janeiro. 1%8. São Paulo. Paris. São Paulo. Rio de Janeiro.Paim Filho. Grijalbo. Dep. Dados 213.Bolívar Lamounier. Grijalbo.1977. Der Brasilianiscae Integralismus (Geschict und wesender Faschistischen Bewegung Brasileirus. 1978. Regina Soares Lima.300 HISTÓRIA GERAL pA CIVIliZAÇÃO BRASILEIRA isolados e publicações em revistas especializadas ('). São Paulo."A Imaginação Política Brasileira". Ciências Humanas. Stuttgart. 1969. (7) W. Riode Janeiro 1967. díreciona-se para o estudo do movimento político (AIB. 1978. recentemente. "Apontamentos para uma crítica da razão integralista" in Ideologia e Mobilização. Cabe ainda acrescentar que no campo da ideologia integralista. 1978. São Paulo. in Crise do Poder no Brasil. apresentada na Sorbonne em 1971. A Cultura Brasileira (Introdução ao Estudo da Cultura no Brasil. Melhoramentos. (10). Ideologia Autoritária no Brasil 193011945.' 1956. 1940. por autores brasileiros. três novos estudos incorporaram-se ao reduzido 'acervo de trabalhos' acadêmicos sobre o pensamento político brasileiro na Primeira Repüblica: refiro-me aos ensaios de Wanderley J. Ideologia Autoritária no Brasil 1930/1945 (8). 1938). Barbosa Lima Sobrinho. A primeira de Karl-Heínrich Hunsche.1932-1938)."AImaginação Político-Social Brasileira". Cruz Costa. Ill. Wanderley G. • • (6»). José Olympio. Paz e Terra. L 'Action Integraliste Brésilienne: un mouoemeru de tyre fasciste de annés 30. . Rio de Janeiro.José Chasin.

a grosso modo. "constituir o campo de estudos sobre o pensamento político e de reconhecê10 como uma problemática". após uma discussão sobre as dificuldades e fatores que explicam a pouca importância atribuída aos estudos ideológicos no Brasil. Três brasilíanístas se ocupariam também do integralismo numa perspectiva histórica: R Levine. (1I) M.atribuem um peso secundário ao papel da ideologia no processo de mutação sóciopolítica: a ideologia transforma-se. Madnacet. Plinio Salgado and Brazilian lntegralism (1932/1938). 1978. Geralmente. Tendência oposta à rejeição do papel mediador da ideologia na articulação entre as transformações sócioeconômicas e a mudança politica é a tentativa de conferir ao aparato ideológico uma autonomia tal que' se transforme na explicação central da mudança da sociedade. de fato. apresentado um modelo de análise alternativo através do qual a ideologia integralista será vista de uma forma mais abrangente do que tem ocorrido nas análises tradicionais de ideologias políticas. ed. p. analisando a origem social. Nenhum destes extremos supera contudo a caracterização da ideologia como algo sem vigor. num primeiro momento. 20. Civilização. formas de organização e mobilízação 'políticas do movimento. ou. especialmente as diferentes interpretações sobre a Revolução de 3D. Columbia University Press. dos periódicos integralistas nacionais (A OJJensiva. Rio de Janeiro. 1972. seria relevante estabelecer um primeiro balanço dos estudos sobre a ideologia e o movimento integralista no Brasil no contexto de análises mais amplas sobre o pensamento autoritário brasileiro na Velha e Nova Repúblicas. Macbiaoéis. New York. em outro extremo. . as análises tradicionais feitas sobre o . 1970. numa espécie de epifenômeno sem nenhuma autonomia no processo histórico. ou rejeita a discussão sobre a ideologia. Anauê e assim como de pesquisas de campo e de entrevistas gravadas com ex-dírígenres e militantes. busca nas proposições ideológicas o fundamento social de movimentos políticos. Teresa A Sadek. O Monitor Integralista. Panorama). Brasileira. Elmer R Broxson. posteriormente. 1977.AMPO IDEOLÓGICO Uma das conseqüências mais positivas da retomada do estudo do pensamento político autoritário do período entre as duas grandes guerras é a valorização da ideologia enquanto campo de pesquisa considerado crucial à compreensão do processo mais amplo de transformações' da sociedade brasileira. será desenvolvida. . por partir de modelos onde este fenômeno não encontra lugar como fonte explicativa. Com este objetivo. (S. Tbe vargas Regime: lhe critical years(1934/1938). S. Hilton. L DESCRÉDITO E COMPLEXIDADE DO (. A Tragédia Oaauiana. The Catholic Universiry of America. enfatiza o fato de que "a historiografia brasileira. Washington. São Paulo. motivações de adesão. de Mello e outros). inspirando-se na perspectiva desenvolvida por Lamounier.) "A Ação lntegralista Brasileira: Fascism in Brazil (193211938)" in O Brasil e a Crise Internacional (1930/1945). atitudes ideológicas. já que apresenta uma ligação automática e universal com específicos grupos sociais" (11). Símbolo. uma avaliação crítica da produçõo recente sobre o integralismo e. Recente trabalho sobre o pensamento de Octavio de Faria ao tentar.período. Ela é para ambos uma mera questão de imputação.SOCIEDADE E POLÍTICA 301 Em decorrência destas novas contribuições.

ou "no lugar".302 HISTÓRIA GERAL ~)A C!"lllZAÇÃO BRASlLETRA INIEGRAllSMO 303 Com a mesma preocupação. Apesar das contribuições de Marx. mas sobretudo uma forma transversal da estrutura social" . pp. toda uma produção teórica gerada no contexto dos unos 30 em função do "descrédito das idéias autoritárias e notadamente da doutrina fascista do após guerra" (14). decorre também de uma dupla conjugação de' fatores: de um lado." 3.listas não só acerca da ideologia. 1974. constituir um objeto de estudo?" B. Segundo a autora "a produção das representações é uma dimensão da práxis social tanto quanto as oções efetivamente realizadas pelos agentes sociais. São Paulo. Caderno de Debate. M. no estágio' atual. se não foi de inovação intelectual. na ótica de Roberto Schwarz. com inteira razão. Paris. radicalizadas. Pensar e répresentar são momentos da práxis tanto quanto agir". E adverte que "perceber o desligamento da noção de ideologia para se cobrir' toda atividade do pensamento é no fundo uma operação ideológica" (12). Se a ideologia é uma estrutura social (uma instituição) ela não é uma superestrutura separável. "As idéias fora do lugar".de Carvalho Franco "As idéias estão no lugar". São Paulo. pois. (17) Roberto Schwartz . das doutrinas ou ideologias políticas produzidas nos países centrais ("). sob o efeito da Grande Guerra. cito pp. torna-se indispensável constatar. (15) Pierre Ansart. "o pensamento autoritário brasileiro. se nos obstinarmos em considerar o trabalho' do pensamento como um efeito ou uma variável de economia e da po'lítica teremos preparado o terreno para explicações mecanicistas ou funciona. idéias políticas A existência de um campo autônomo de especificidade do ideológico supõe a resposta a uma série de questões apenas esboçadas pelas ciências sociais: como os símbolos ideológicos traduzem as estruturas sociais. ao mesmo tempo. (13) "Como poderia". a pouca importância atribuída ao estudo. Estudos sobre comportamentos dos agentes sociais? Conclui o autór que "a dificuldade da ideologia (e a dificuldade particular do seu estudo) reside precisamente em sua ubiqüidade.S. Marilena Chauí. Se da Proclamação da República até a Primeira Guerra nenhuma mudança perceptível ocorre no plano das idéias. 102 e 104. os (12) Martleria Chauí op. (14) Ibid. pressupondo-se que as idéias estejam "fora de lugar". Max Weber e Karl Mqnnheim. fenômeno político. Neste sentido considera que a tentação permanente dos estudiosos da ideologia é a de "introduzir um corte entre a prática (que seria o real) e o imaginário (que _seria o ilusório). 1976. n. de outro lado. como sugere Maria Sylvia de C. a presença de um campo aberto à investigação e que. A importância crescente atribuída ao estudo das doutrinas e ideologias políticas no Brasil. Les idéotogies politiques. começa a 'esboçar-se uma mutação ideológica. cito p. embora noutra perspectiva teórica. Lamounier op. Contribuição à História das Idéias no Brasil. não enfatizam suficientemente a complexidade da área de estudos em questão. quando precisamente a práxis redefine como o que não se pode renovar sem a mediação do simbólico. (16»)oão Cruz Costa. ao menos acabou sendo de reelaboração teórica das idéias dominantes na época. janeiro 73.(15) Recuperados. mas também em função dos desafios gerados pelas transformações da sociedade brasileira. somente nas últimas décadas. mera importação imitativa disso. Neste contexto do após guerra. bem como as dificuldades da área de estudo em questão. uma tal teoria suporia que estivesse concluída uma teoria geral do social. alguns dos principais fatores que explicam a pouca importância atribuída ao campo ideológico nas analises tradicionais sobre a sociedade brasileira. 1956. 9·14 e 15. p. e. a posição dos atores sociais e seus conflitos? Como este trabalho de produção e reprodução simbólica pode engendrar uma ocultação das reJações e das experiências? Como a difusão ideológica consegue modificar e'. no fato de que os sistemas de representação estão implicados em toda práxis comum". quando um "sociologismo marcado pela influência positivista spenceriana ou o evolucionismo sucederá ao filosofismo do tempo do Império'{").355. Brastliense. da "imaginação social e política brasileira". surpreendente. em recente ensaio. parte-se do pressuposto de que não existe pensamento político brasileiro e que a história das idéias políticas no Brasil não passa de um processo de imitação. que permanecem essencialmente as da segunda metade do séc.v 1. a carência As explicações acerca da pouca valorização dos estudos sobre as idéias políticas no Brasil. na expressão' de Wanderley dos Santos.)osé Olympio. embora.. 'esse processo de reprodução ao nível das idéias sociais e políticas. que estivesse realizada essa interdisciplinaridade entre as ciências sociais onde se formulasse uma teoria englobante da ideologia. Franco (17). ainda nõo foi produzida adequadame~te'uma t~oria geral da içleologia: "A ocorrência de uma teoria perfeitamente satisfatória da 'ideologia não é. desvaloriza-se. insiste que "se nos obstinarmos em considerar a ideologia como reflexo superestruturol do que se passa efetivamente no plano da infra-estrutura. como constata Cruz Costa. manifesta-se a preocupação com a criação de um pensamento nacional autônomo para solucionar os problemas brasileiros sem recorrer a modelos estrangeiros. a partir da década de 20. tem atraído a atenção dos cientistas sociais brasileiros. por quais mecanismos. como observa Píerre Ansart. Em razão da universalidade do problema. indaga Lamouníer. Rio de)aneiro. XIX. in Estudos CEBRAP n. Na realidade. e mais crindc. E. 347. um esforço significativo de produção ideológica. duas tendências caracterizam esta evolução intelectual: a utilização de um enfoque sociológico em moda na época estimulará o desenvolvimento de análises mais sistemáticas da sociedade brasileira. revela. Entretanto. por preconceito ideológico. sem nenhuma originalidade. Brasiliense. nas primeiras décadas da República. em síntese. da Revolução Soviética e da ascensão do Fascismo italiano. - . fundados em no Brasil razões teórico-ideológicas. PUF. mas acerca de todo e qualquer modo de pensar". como observa Lamounier. sociológico e psicossociológico".

(21) (22) (23) (24) G. 1977). 41 (25) Yasconcellos. E estas variáveis associadas eventualmente à variável étnica. explica o autor. a denúncia. abordando. (. soa certamente mais derrisório ainda o sonho curupira (bem como sua irmã gêmea a ideologia do desenvolvimento nacional burguês. Ao contrário. A "ideologia curupira" O trabalho de G.forma de regressiuidade no capitalismo bipertardio. a meu ver. identificados ao nacional-socialismo e geralmente constituídos "por alemães natos. A Ideologia Curupira (análise do discurso integralista). cito p. o estudo sociológico dos resultados eleitorais e sua distribuição nos diferentes distritos e sede do município. os "íntegralistas" recrutando elementos mais jovens. cit. op. Ciências Humanas. de um lado. Dep. deixou perplexos os "camisas verdes". aliada obviamente.) "O agente da utopia seria o Estado Integral. Chasin. de outro.. não lhe satisfaz a caracterização do integralismo como uma "ideologia eclética para designar o fato de ter ele se abeberado das mais diversas fontes.. Ciências Sociais da USP. sob diferentes perspectivas analíticas. Alegre. Resultaria desse quadro emaranhado de contradições a resposta fantasmagórica à dependência" (22). explicam o fenômeno ( . quanto à importância teórica. p. apresentam características em que a variável étnica é de importância relativa. São Paulo..' 11. finalmente.'\~ . Vasconcellos. brasileiro. por Gilberto Vasconcellos (A Ideologia Curupira: análise do discurso integralista) e a outra defendida. os "gerrnanístas''. nessa utopia. op-cit. A redefinição da dependência em 1930. A primeira delas! foi apresentada ao Departamento de Ciências Sociais da Universidade de 'São Paulo. isto é. a historiografia que assim se desenvolveu há muito vem reclamando uma revisão" (18). cit. na exata medida em que a burguesia local se internacionaliza. a passagem da agroexportação para a fase em que o setor industrial. que o integralismo conquistava estes adeptos com maior facilidade quando eram dadas certas condições políticas e locais específicas. cit. (René Gertz . o objetivo. ainda que abstrata do imperialismo econômico e o arremedo às claras. uma ideologia heteróclita em virtude de seu extremo irracionalismo" (25). uma vez que a análise do discurso deixa a desejar porque centrado em textos preponderantemente do pensamento pré-integralista (anteriores à criação da AlE em 32) não sendo.. Vasconcellos. posto que todo discurso fascista ostenta ineludivelmente . a presença dos dois fatores conjugadamente constituíam numa situação apropriada para o seu florescimento. o autor refere-. Vasconcellos. pois. a problemática da natureza do integralismo (19). 1977 e). p. articulando-se com a análise histórica e com a coleta de depoimentos e de documentação inédita em língua alemã. "O cerne da nova tese".. Na sua opinião esta interpretação não responde "a questão de sua .se "a uma ambivalência na configuração do discurso integralista: seus principais traços ideológicos teriam sido extraídos tanto do fascismo europeu quanto de uma tradição intelectual autoritária no Brasil" (23). mas no limite inconfesso.como conciliar o nacionalismo. num beco sem scrídc. analisando criticamente as interpretações tradicionais. OFRGS. representativo da ideologia considerada globalmente.Os Teuto-Brasileiros e o Iruegraíismo nq Rio Grande do Sul: Corttribuição para interpretação de um fenômeno polltico controoertido. que já-não cumpre nenhuma função). mais interessados na preservação da cultura alemã do que na política hitlerista e. Nesta perspectiva.majoritariamente localizados no interior do município. fica aquém. No capítulo intitulado "Fontes nacionais do discurso integralista". "é que o integralismo. (19) Em 1977. 1 e 2 . vai ~lém do que o título promete. Tal paradoxo. op. que é vista como intrusão forasteira. uma vez que o paradigma da "ideologia curupira à luz de hoje. a existência de três grupos tliferenciados:"os "nazistas".. isto é.especificidade. em nível local.uma salada teórica. a alguma influência ligada ao sistema de valores associados à origem étnica.. por José Chasin na Escola de Sociologia e Política de São Paulo (O Integralismo de Plínio Salgado: forma de regressividade no capitalismo hipettardio) a) (20). nacionais é estrangeiras" (24). O Iruegralismo de Plinto Salgado. p. valorizam a qualidade acadêmica do estudo em questão. o discurso ostenta um traço que o diferencia de seus congêneres europeus a saber: a fantasmagoria de uma utopia autonomística em relação às nações capitalistas hegemônicas. também foi elaborada uma dissertação de Mestrado em Ciência Política. Ilustramos.. A partir desta A partir de 1977 a produção acadêmica se enriquece com duas novas teses de doutoramento. p. não questiona o mérito indiscutível da contribuição do sociólogo paulista que propõe uma interpretação original sobre a natureza da ideologia integralista: "embora de ponta a pónta mimético. todavia.a1emã no Rio Grande do Sul. NOVAS ÚITERPRETAÇÕES SOBRE AJDEOLOGIA OOEGRAUSTA malogrado o nacional-populismo. São Paulo. subordinando-se aos interesses das corporações multinacionais" (21). A questão principal que procura enfrentar o trabalho de Vasconcellos é buscar a especificídude do integralismo enquanto discurso numa sociedade capitalista periférica. os fundamentos concretos da dependência". 61 . Vasconcellos se. 347. Neste sentido. dos fascismos europeus. Fantasmagoria não só porque é irrealizável o desejo de converter o país numa região apartada do processo civilizatório ocídentcl. apoiando-se em pesquisa realizada em São Leopoldo.' como exemplo. a ausência de grupo social específico e de condiçães locais favoráveis reduziam a força integralista ao mínimo. em dezembro." A análise crítica das interpretações tradicionais.304 HISTÓRIA GERAL DA CIVIliZAÇÃO BRASILEIRA " SOCIEDADE E POLÍTICA 305 de análises sobre o pensamento político reflete-se na própria interpretação histórica do período: "equivocada.. os militantes e dirigentes '-locais do movimento em São Leopoldo.) A maior complexidade social ali existente (nas zonas de colonização alemã). ed. mas também porque são elididos. op..4. (18) B. tornaram o campo especialmente fértil para a penetração do fascismo. passa a ser o pólo dinôrnico da economia brasileira. (20) G. inclusive ~ de origem policial: O autor constata. Lamouníer."' Porto'. op. . teuto-brasileíros e .. quanto ào' relevância para a situaçãó brasileira e em certos casos até mesmo quanto ào' procedência da inspiração autoritária que aqui vicejoú. Vasconcellos op. pp. 1978.quer floresça num país hegemônico ou periférico . proteger o Brasil da luta de classes. ca. 131 Vasconcellos. cidade mais representativa da~~lha colonização ..

ainda que contendo evidentes traços 'comuns. o que existe de consistente na teoria do Estado Integral que. pp. cit. A "ideologia curupírc". Maiores detalhes sobre a concepçao do Estado Integralista. . neste caso. até mesmo. Neste nível. Reale constrói Q modelo do "Estado-smdical-corporativo".37). . respondem a estágios do desenvolvimento capitalista diferenciado e. de uma "utopia autonómística" com relação às nações ccrpitcrljstus hegemônicas. \li partir da orgamzaçao sindical. exprimindo "a contradição de uma burguesia que. solidariedade ideológicá com o fascismo internacional. alguns aspectos merecem ser comentados. 1933. pois. no tipo de combíncçôo entre o nacionalismo nascente. . Noutro nível de análise. prefere a expressão: chamada por ele ~esmo de "Estado social-totalitário Integra!". -----cz:7) . a sínçulcrídcde do discurso ideológico fascista se configura. 81. quanto do "nacional-populismo dos anos 70". em busca de canais de manifestações políticas e que se exprimem através de uma contra-ideologia que não logra a conquista do poder político. se poderia ser enquadrado. sem prejuízo do reconhecimento da fertilidade conceitual da hipótese central do autor. CUJO nucleo de base é a organização dos grupos naturais a partir da_unidade familiar. com a "ruptura imaginária dos traços de dependência". De outro lado. o que conduzia necessorícmenfe ao ecletismo do discurso. . que se encpntra ausente na análise (29). (28) A Formação Política Burguesa (1934). 227-232. corporauvismo italiano e Barroso por sua vez que era mais influenciado pelo nacional-socialismo. em' cada sociedade onde ele florescia e a percepção de um sentido da história marchando para o fascismo em ese~la internacional. Verifica-se. O Capitalismo Internacional (1937). (29) Enquanto Plínio desenvolve um modelo de Estado familiar corporauvo . e do Secretário Nacional da Doutrina. seria. a nível ideológico. Judaísmo. uma especificidade que. In ? Barroso. i Eoolução do ~mento Outra dimensão que poderia ser questíoncdc é a ausência de uma perspectiva evolutiva da ideologia. No nível explicativo global não sutisfoz a crítica à interpretação do ecletismoideológico integralista. Miguel Recrie:faltam.. nã!?podem representar interesses de classe homogêneos. Integralismo em Marcha. preciscmente. com vigência explicativa para os períodos posteriores à década dos 30. p. um nacionalismo exacerbado e uma influência e. . a expressão do "estágio evolutivo do pensamento'" burguês na periferia". paradoxalmente. é desenvolvida essencialmente por Miguel Reale. O Operariado e o Integralisrno (1934). Teoricamente a hipótese parece fascinante. seria interessante centrar as çonsiderações críticas apenas no discurso integralista e em sua interpretação. cujo objetivo seria o de converter o Brasil num país isolado da civilização ocidental. Rio de janeiro. não parece caber na mesma categoria de "ideologia curupiro".. vide in Helgio Trindade. começa a se apegar à ideologia d~ desenvolvimento nacional" (28). uma vez que esta é precisamente a especificidade de todo o fascismo que se reproduz. Aiuaiidade de um mundo antigo (19~6) e ABC do IntegraltsmO. modalidades de discurso ideológicas. desde os primeiros escritos no (26) G. VasconceIlos. com exceção do fascismo italiano.306 HISTÓRIA GERAL DA CIVIliZAÇÃO BRASILEIRA lNTEGRAllSMO 307 postura crítica propõe como hipótese central que o traço diferenciador do integralismo com relação aos fascismos europeus foi a elaboração. p. em função da fundamentação empírica da hipótese de Vasconcellos. (1?. ínspírando-se no. op. em conseqüência. embora mereça alguns reparos no que concerne à ideologia integralista. evolui sensivelmente. ao menos. porém. uma utilização restritq da literatura integralista produzida no período da vigência da Ação Integralista Brasileira (1932 a 1937): os escritos de Plínio utilizados estão mais direcionados a questões relativas à problemática do modernismo e as suas polêmicas literárias e na bibliografia não aparecem os livros anti-semitas de Gustavo Barroso (7'). teria como objetivo "proteger o Brasil da lutcr' de classes". O argumento desdobrado pelo autor como paradigma explicativo da emergência de "ideologias do desenvolvimento nacional" é inteiramente plausível. embora subordinada economicamente. de um lado. raça nova e comunismo (1937). Em todo fascismo coexistem. mesmo na Europa. na medida em que f(~ga no interior do discurso. O Q~to Império (1935) e A sinagoga paulista (1937). a presença de uma transformação dos conteúdos ideológicos através do tempo. em síntese. cinco obras importantes para a compreensão de seu pensamento político-ideológico (28). porém. A questão que poderia ser posta.. tanto na ideologia do "desenvolvimento nacional" dos anos 50. se reproduz genericamente sob a forma da "ideologia curupírc" (simbolizada pelo "duende de pés voltados para dentro" como expressão da resistência nacionalista à influência estrangeira). a ideologia integralista preponderantemente associada às camadas médias urbanas dos anos 30. como manifestação dos mesmos interesses da burguesia. apesar de alguns traços permanentes. Neste sentido. a discussão em tomo do paradigma analítico subjacente. O próprio nacionalismo que é um dos temas constantes de sua obra. enquanto expressão do "pensamento burguês na periferia". 3. é a seguinte: até que ponto a redução da especificidade da ideologia à "utopia autonomística" não corresponde na realidade a uma leitura preponderante dos textos pré-integralistas da fase modernista de Plínio? O questionamento se justifica porque se constata na análise a ausência de referências à literatura de conteúdo mimético mais explícito. o autor. op. inspirada nos fascismos europeus dos anos 30. Schmidt. Brasil-Colônia de Banqueiros (1934). segundo. O discurso de'Plinio Salgado ideológico é apresentado estaticamente quando se percebe de forma explícita. cit. Mesmo o pensamento de Plínio Salgado. Caberia perguntar. e as ideologias do "desenvolvimento nacional" ou "nccíonal-populísto" difundidas sob a capa protetora da dominação política e econômica dos anos 60 e 70? Deixando de lado. segundo a interpretação contida na tese.

O texto que dá origem à observação supra citada é o seguinte: "E verdade que seu conteúdo ideológico se apoiou amplamente no fascismo europeu. pp. aos amigos sobre a obra de Mussolini e. entretanto. p. O Plínio modernista de 1922/30 é o intelectual interiorano que se transfere de São Bento de Sapticaí para São Paulo vivenciando o impacto urbano. Por sua vez.o)deo~ógico.ção deste ângulo parece equivocada porque o objetivo do t~abalho (30) Neste particular vide Helgío Trindade. A obje. exclusivamente.. .. seu encontro com o Duce (33). um mimetismó ideológico". Em conseqüência. H Trindade p. publicado em 1932. Na realidade. porque cantavam o hino fascista. Retomando em síntese. na verdade. que denomina "Associação dos Fósforos de Segurança". se não se consegue mostrar sua diferença em relação aos fasçismos europeus porque então não reconhecer que o integralismo é inteiramente mimético?" E acrescenta: " Até mesmo a análise de Helgio Trindade se afunda nesse imposse" (32). segundo Vcsconcellos. pp. mas a condições históricas que explicam a implantação e expansão de um movimento político-ideológico que se transformou no primeiro movimento político de massa no Brasil. mas o de definir a natureza de um movimento político. com entusiasmo. sobretudo.a ideologia integralista e o contexto histórico brasileiro. em análises que não conseguem. corresponde mais à fase pré-integralísta centrada na experiência modernista e jornalística de Plínio Salgado do que a fase marcada pelo advento da Revolução de 30 à qual o Manifesto de 32 e a fundação da AIB pretendem ser uma resposta condicionada basicamente por parâmetros históricos nacionais. . especialmente no capítulo dedicado à "utopia narcisista". 45 e 219·226. op. e partindo em viagem pela Europa numa atitude simbólica de ruptura. Não se pode dizer. mas às condições históricas internas e externas que se conjugam na emergência da Ação Integralista Brasileira. cit. cit. fundada no nacionalismo telúrico do futuro chefe integralista do que algo representativo da ideologia considerada em sua totalidade. inclusive. .. na 'realidade exclui qualquer referência a espaço histórico na configuração da ideologia. incorporando ao campo analítico do integra lista a complexa literatura sobre o tema. não será homogênea. até os escritos ideológicos do após-3D. social e político dado. Este Plínio sofrerá o fascínio da experiência fascista e escreverá. Este personagem é obviamente sensível à polarização sertão/litoraL à desagregação cosmopolita. referido não era o de determinar a especificidade do discurso integralista.' Ora.p. O Plínio fascista de 1930/32 revela-se insatisfeito coma experiência jomclísticc no Correio Paulistano e. ou seja. op. diante dos seus alunos. 1936 e o artigo "Corno eu vi a Itália". cit. ao choque de valores diluidores da identidade nacional e ao mal urbano. ed. op. neste particular. março/abril. 1932. tais condiç6es surgem durante a evolução histórica entre as duas guerras mundiais pela conjugação dos conflitos econômicos. com a impossibilidade de renovar o velho perrepismo paulista. Mesmo questionando-se alguns aspectos da análise do trabalho de Gilberto Vasconcellos. Evolui igualmente sua atitude em relação ao fascismo: o nacionalismo do professor Juvêncio. sociais e políticos com a crise ideológica das elites íntelectuaís. tem redundado em equivocadas deturpações ideológicas ou. Finalmente. 203. no contexto do período de 1920a 1940. O paradoxo da análise decorre da valorização explícita do autor quanto à importância crucial do período histórico no qual se insere o Integralismo para explicar algumas das proposições centrais do trabalho e o fato de que todo o estudo passa-se num limbo societal. cit. Uma das implicações desta postura analítica repercute na questão das fontes nacionais do discuF. 59. não se pode desmerecer a criatividade das suas duas partes centrais que se constituem nas principais contribuições do autor: a primeira oferece uma rica interpretação psicanalítica do discurso ideológico integralista. sofre alterações significativas no conteúdo ("'). Neste sentido. os comentários críticos ao estimulante trabalho desenvolvidp por Gilberto Vasconcellos poder-se-ia dizer que a "ideologia curupirc" em estado puro. que cria uma organização pólítícc hierarquizada. Riode janeiro. A adesão ao fascismo de setores importantes da população e a aceitação de sua organização paramilitar não se explicam sem condições internas favoráveis. O questionamento subjacÊmte à observação crítica feita anteriormente poderia ser recolocado nos sequintes termos: a "utopia autonomista" enquanto especificidade da ideologia integralista não seria. (32) G. (31) Helgio Trindade." op. 66 e 75. mais express. as condições internas favoráveis não se referem às fontes ideológicas.289. Esta limitação transparece na re'ferência a um "imposse" na determinoçõodc especificidade da ideologia:/'a busca de especificidade do discurso integraHsta. personagem central do romance O Estrangeiro de 1926. Hierarcbia. de modo sastifatório.iva do discurso pré-integralista. que o Integralismo tenha sido exclusivamente um mimetismo ideológico. Plínio Salgado. a ausência de uma análise histórica do período não permite distinguir as mudanças sensíveis no posicionamento ideológico do chefe integralista. com características fascistas (31). a segunda. Yasconcellos. '0 Plínio chefe da Ação Integralista Brasileira de 1932/1938 terá o comportamento de um dirigente político que definirá sua estratégia política e sua produção ideológica em função dos desafios gerados pelo contexto político posterior à Revolução de 30 e a atitude de Plínio. Panorama. Constata-se cofínal da leitura que a perspectiva analítica que supõe a incorporação de um contexto econômico. incorporando a evolução da mesma e suas tendências doutrinárias internas? Outro aspecto que merece um comentário no trabalho de Gilberto Vasconcellos diz respeito à relação entre. demonstrá-Ia. a referência não diz respeito apenas à ideologia. quando está afirmado na conclusão que não se pode dizer que o "integralismo tenha sido. é diferente da atitude exacerbada da figura visionária do filósofo Morcndubc do Cavaleiro de Itararé. São Paulo.s. na cena em que degola os papagaios.308 HISTÓRIA GERAL DA CIVIliZAÇÃO BRASILEIRA SOCIEDADE E POLÍTICA 309 Correio de São Bento em 1916. (33) Yide cartas de Plínio na obra coletiva.

Decorre que.ao fere a ~emocracia extinguindo os partidos políticos".?gund~ ~uerra. E conc~ul n~~ tom justiceiro: . o fio condutor de sua análise é um esforço exaustivo e monocórdio em negar o caráter fascista do integralismo a fim de presérvar sua premissa básica que só admite a existência de fascismo como "um fenômeno de expansão da fase superior do capitalismo" (35). o movimento modernista e. favore. sobretudo..!~açoes. Teoricamente monolítico e apoiando-se exclusivamente em textos de Plínio Salgado. jamais efetivam uma anahse de ~eus textos".. ~~~ os aspectos antipluralistas da ideologia fora~.lsmo n. pp. ) O lntegral. de saída. op.. após escolher como epígrafe um texto de Marx ("Toda ciência seria supérflua se a aparência das coisas coincídiase diretamente com sua essência").su. A preocupação de Chasin com a natureza da ideologia integralista transparece desde as primeiras páginas de seu trabalho. porém. já se observa.. democrático e nacionalista" (grifo nosso). de enfoques analíticos utilizados para captar multíformes dimensões do discurso pliniano..: ~ possibilidade de Idenhf~car o porquê de o ideólogo tanto insistir na brcailidude. 'portanto. at.rr raiz brasileira de suas idéias e sua distinção do fascismo europeu" (36). 652. op. r b) A ideologia do "capitalismo hipertardio". o caráter político da produção literária de 22" CU). Este ardor paradoxalmente revi sionista em função da postura teórica do autor írcque]c. mas cinco anos mais velho". e também. cit. cit. para a formaçao do po~er p~bhco . como se vê dos Estatutos da Sociedade que fundou e do Manifesto com que . O artigo XXIVfoi tambem modificndo: ~o Est~do Integral tornam-se desnecessários os partidos políticos (.?S co~aborarão..1 acr~scentada a seguinte frase: "O integralismo é pela or~amzaça? c?rpOra~l~a nao meramente econômica. (39) Maiores detalhes sobre este aspecto. sensibilizando-se com a autocrítica do chefe da AIB: "Neste livro além 'de recomposição histórica de fatos maldosamente deturpados. 239. começa a citar passagens de O Iiüeqralismo perante a Nação. no afã de escamotear a linguagem ícscistc do seu discurso ideológico (menos enfático deve-se reconhecer do qu: transparece na. . pois: ~ontestar a qualificação de fascista ao discurso pliniano. no grupo a que pertencerem. lança-se numa minuciosa e discutível tentativa de penetrar no sentido último da cosmovisão pliniana. 6 p. poder-se-é apreciar toda a evolução de um pensamento político cristão. em responder ao apelo do chefe integralista que "reiteradamente afirma a originalidade de seu pensamento. transcreve novamente uma passagem de um Salgado travestido em democrata cristão: "(o integralismo) baluarte do respeito à pessoa humana desde sua primeira hora.310 HIST6RIA GERAi DA CIVIliZAÇÃO BRASILEIRA costumes alienígenas.s obras de Miguel Recle). . editado em 1950. Chasin.lme p~~lhCO onentado por princípios cristãos". Vasconcellos. como que se esquecendo da epígrafe de Marx. Na r~produçâo ~este texto foi eliminada qualquer referência à umdade ~mdlca~:. n~ hvro refendo aparece apenas esta frase: "no Estado lntegra~. op. Chasin acrescenta o seguinte comentário visivelmente enredado na linguagem de Plínio: "Estes trechos revelam melhor sua intenção se a eles se ocrescentcrr um outro pertencente ao mesmo livro. por parte do autor. p. Con~ta.pnmldo~. p. cit. op. ano da publicação do primeiro manifesto modernista.. sem que ele disto se dê conta. com argúcia e sensibilidade literária. INTEGRAllSMO 311 reinterpretando. justamente no hvro de Plínio Salgado cltad~ antenormente. integro:l" . classificaram-na como ideologia destruidora da liberdade. teria sido atribuído ao integralismo. Chasin. o problema crucial da "politização do modernismo". mas tambem o prmcipro da rrgorosa unidade sindical num regime político. das fona er: tes do pensamento de Salgado. elinlina-se. nota 4. E. por ~xemplo. os protestos e as afirmações de Sclqcdo a mero resultado de dissimulação tática.ce ~ 'plural~dade sindical dentro do regime liberol vigente. op. . nota 10 . todos os brc. No texto transcnto. de 1937. O l~tegrahsmo mantém o princípio da organização sindica~ num r~g. Preocupa-se. Procurando. de suas for~. onde. o chefe integralista. como documentação de apoio à sua conclusao fmal de q. an!olog~c~ e teleologicamente fascismo e integrali~mo se op~e~ como ob)et~vaçoes dls~mtas" (38). 34.. embora não de forma esccncorcdo. A partir desse equívoco iniciaL Chasin começa criticar os autores que "reduzindo.. 3 e 33 Estes deslizes iniciais poderiam ser irrelevantes no conjunto da obra se eles não prenunciassem uma utilização sistematicamente inadequada. o trabalho de José Chasin peca por qualidades inversas. porem economlco-pohhca exprimindo assim a democracia orgânica" (39). à maneira do fascismo. Chasin. (38)J. no seu interior. declara que o mtegrahsmo. Pau Brasil de Oswaldo de Andrade.'a nosso ver.rsl~eU. 131. provocou deliberadamente adulteraçoes nos textos onginais dos documentos oficiais transcritos.op. Penetrado de sentimento brasileiro até a medula e tírnbrcndo em criticar acremente todas as instituições e (34) G. p. defende a tese de que "desde 24. Chasin mesclou anahhcamente textos pré-integralistas anteriores ao manifesto de outubro d~ 1932 com textos posteriores ao fechamento da Ação lntegralista. cit.ta-se. " atribuíram-lhe a vergonha de copiador de regimes ~~l=s Textos irue- Se a tese de Vasconcellos pode ser considerada polêmica em função da diversidade. Chasin. de desfazer-se da roupagem fascista em 1950. (36) J. E Chasin não concordando com o anéitema de fascismo que. (35) J. e~cri~osno apos s.apareceu. injustamente. exóticos" (37).ue. cit.e fO. afasta-se ao mesmo tempo a posaíbrlidcde de (37)J. o que é mais grave. O ertíqo XXdas Du~trizes lntegralistas". E acusa a estes autores de terem considerado "com demosícdc ligeireza a questão que assim definha em simp~es ~~q~iavelismo ~âo sendo efetivamente alçada à condição de Pl12blema científico . vide Helgío Trindade. nas primeiras páginas de sua "Introdução": abstraindo qualquer cronologia histórica e não percebendo a tentativa de Plínio.

a partir das condições reais nacionais buscar o que faz com que idéias européias desloquem-se de seu lugar e. a partir de uma Além disto. Araújo (Ricardo Benzaquende) "As classificaçõesde Plínío: uma análise do pensamento de Plínio Salgado em 1932 a 1938". embora fora de lugar. e as condições do Brasil de 30 são entendidas como fundamentalmente semelhantes às da Itália. ao ser escolhida determinada ideologia. 21 (3). num trabalho sobre o Integralismo. bem como.)uI!Set. parece contestável" a assertiva de que o mimetismo seja um "pressuposto". que muitas vezes afastam-se de tal modo da -orígínal que apenas dificilmente poderia Identificar-secom a que lhe deu vida. com traços semelhantes ao fascismo ideológico. para rejeitar." M. e que o objeto da explicação deveria. (44) Recente artigo de Ricardo B. de Araújo propõe-se a fazer "uma análise sistemática das categorias (no sentido que ele é dado por Durkheim) que formam o discurso íntegralísta". p.cornentáríos críticos de M. nem fascista. Em outros termos. buscar a refutação de estudos de natureza abrangência diferentes ("). Mas. citando Schwarz. Em conseqüência incorre. seria o de. ao menos no contexto do estudo aludido. estando sua análise centrada tão-somente no pensamento de Plíâío Salgado. tratando de sociedades econômica e socialmente diferentes.. até mesmo. com o objetivo de "perceber a lógica própria do pensamento de Plínío". metodologicamente. Ora. Tampouco responde porque. porém. Teresa Sadek. 34. admitir que. O caráter extensivo da leitura de Chasin à ideologia pliniana é diretamente proporcional à necessidade de legitimar seu argumento: "o fascismo é uma ideologia da mobilização nacional para a guerra imperialista (40)]. consegue estabelecer um esboço sintético da "lógica específica da reflexão" de Plínío Salgado. eu. Nestas condições o integralismo é um fascismo. op. 26. Apesar de não ser inteiramente convincente 'a classificação do pensamento pliniano como sendo uma visão conservadora do mundo" diferenciada e. deixem de ser abstrações dos processos a que se referem. pp.op: cit. a possibilidade de vigência de qualquer tipo de fascismo.Sadek. E nesta busca. tenta caracterizar o capitalismo brasileiro da década de 30 como sendo "hipertordio". evitando as confusões entre análise de ideologia e do movimento. op. Revista de Ciência Política. desempenha sua função . o trabalho tem o mérito de postar-se. o autor concluísse que o seu conteúdo não seria nem mimético. a concepção analítica subjacente à abordagem de Chasin.T. como estas idéias conseguem ser importadas e reelaboradas não só pelas elites intelectuais. aflora o segundo equívoco que inspira sua revisão da "análise tradicional". "as idéias estão no lugar quando representam abstrações do processo a que se referem". ca. por definição. não apenas uma deformação (deslocamento). transferindo-as para um contexto que tem muito pouco a ver com sua matriz original (. ela é uma hipótese de trabalho comprovada empiricamente através de uma análise sistemática que não se cingiu ao nível do discurso ideológico. cujos textos são buscados de forma indiscriminada antes. ao mesmo tempo. uma vez que ninguém pode negar que. o menos fascista dos teóricos integralistas. durante e depois da existência da AIB. muita genérica. de outro lado. que se colocaria para o analista das idéias no Brasil. mas que considerou o integralismo como um movimento político inserido concretamente no processo histórico dos anos 30 (43). A referida interpretação. a análise desenvolvida sobre a sociedade brasileira fundamentasse o mimetismo na existência no Brcsíl da época de condições "semelhantes às da Itália.. mas também como penetram em segmentos mais amplos da sociedade? Na realidade. utilizando-se apenas do discurso de um dos seus teóricos. no trabalho criticado. Pois O simples fato da importação de idéias não responde em . .. a especificidade da ideologia que colocou como problema fundamental "o da relação entre indivíduo e sociedade" (p. 24. metodologicamente. A distorção básica da análise de Chasin provém.. Não seria o caso de questionar se a viabilidade de um mimetismo ideológico não suporia que as idéias estivessem "fora de lugar". DA CIVIliZAÇÃO BRASILEIRA SOCIEDADE E POLÍTICA 313 determinar a natureza real de sua doutrina. em se. 177). mas também o modo pelo qual aquela ideologia. 34 e 35.00) o problema central. (45) M.si mesmo porque se tenha preferido imponar tal teoria e não outras. cit. 161-180. ao fato de que "a crítica ao integralismo tem sucumbido à explicação mimética na medida em que esta tem sido o pressuposto mesmo das análises até hoje realizadas e não o seu produto analítico" ("). que é evidentemente fundamental (40). no erro de comparar a ideologia int~9lista global com corporíficcções diversas da ideologia pliniana.Teresa Sadek: "A questão da imitação foi com freqüência mal colocada. O que não parece plausível. Alemanha e outros países de mesma época" (o que seria uma aberração histórica) e. e Nesta linha de análise. A partir desta perspectiva crítica adotada pelo autor no início de seu trabalho. Chasin se opõe de forma radical. de um lado. acrescenta: "Se no Brasil as 'Idéias estão fora do lugar' é porque delas nos apropriamos. incorporado no movimento integralista. o chefe integralista foi. na sua ótica. a questão análise de conteúdo de textos. Chasin. Chasin. op. Se levarmos em consideração que a ciência não é caracterizada pela noção que a produziu. já que. de sua tentativa em negar o mimetismo ideológico.312 HISTÓRIA GERAÍ.pp.permitindo que as pessoas se integrem no processo social através de convicções refletidas e não (só através) da força bruta" ("'). portanto. embora tenha permanecido rium nível descritívo. supõe que. Poder-se-ia. como muito bem observa M. "não só o mimetismo é afirmado. 1978. (42)/bid (43) Com relação à questão do "mímetísmo". a nível de discurso ideológico. mas também as condições de sua possibilidade. é misturar níveis analíticos diferentes e. do ponto de vista doutrinário. p. Alemanha e outros países da mesma época ("). p. esta sofre transformações específicas..Teresa A Sadek. Este equívoco decorre da afirmação mecanicista ao reverso que. tentar captar. portanto. endosso os. como foi utilizado ou deformado. mesmo no período da AIB. poderíamos perguntar se não mereceria estudo ou debate sobre o que foi importado. justamente. (41)]. procurou o autor dar fundamento de realidade à ope~ação mimética hipoteticamente constatada.

publicado em abnl de 1932. 39 e 61. A panir desta postura analítica. a inconsistência maior da' tese de Chasin decorre de . mas também receio de sucitar confusões ("). nccíonolísto. conceitos extraídos de outros contextos históricos e sociais. . .. porém. mesmo porque seria aberrante no contexto d~ se~ quadro teórico. a crítica fundamental: "Negando que seja possível aplicar no Brasil. como nova abordagem. tradicionaIisrno e irracíonalísmo . a questão controvertida que per~anece é a de saber. na última pane de seu ensaio. constitui atualmente a suprema garantia da ~lberda~e ( ). . mterpretar as diferenças e conflitos entre os documentos segundo as representaçoes que oferecem do social. brotam perspectivas analíticas novas) "não tomar como critério a adequaçao ?U ínadequação entre o texto e o real. ele mterpreta como recurso tático. cit. em seu estimulante ensaio sobre a AlB (de cuja leitura.. p. GOmo explicar que os intérpretes usem categorias como atr~ tardio. quando se atinge ao final do livro. sugerir que a imagem da Crise .~ndante da ideologia salgadiana" é "Esplritualismo. caricaturalmente. não a continuidade cultural em relação às matrizes européias. Chasin. (47)]. importação de idéias. afirmando. embora respeitando a abordagem teórica de Chasin.que o fa~clsm<:. sendo que o espirítualísmo é a última Instância da ideologia pliníana'' ].op. op. da mesma forma em que Gustavo Barroso ao escrever seu livro O Integralismo e o Mundo reduz.vazio.' próprio prefácio do livro de Chasin. imaturidade. na prolixo retórica de Salgado. polítícas . . e. . porém. escrupulosomente. em conseqüência vincula-se a um outro universo ideológico. independentemente do fascls?t0. Apesar da desproporção entre a ambição teórico-metodológica do autor e o campo da análise efetivamente percorrido. entao. 647. por exemplo. . Ch~sin pr~ura. Sua argumentação apresenta o que há de melhor nesta linha. não se pode negar uma certa frustração.. Chasin. como no artigo "Como eu vi a Itália". de forma elegante. ruralista. cit. Um dos méritos indiscutíveis de Chasin. Chasin.identificaç~o que. em diferentes sentidos é o "tema mobilizador dos lntegralistas: "A· dramaturgia da crise. a partir de uma ordenação discutível dos textos. a tríade .314 HIST6RIA GERAL . op. além desse papel que permite ~ emergência da ideologia nacionalista e mítica. pp. um prestigioso porcerro a quem taticamente convém remeter. ~ara dar. DA CIVIliZAÇÃO BRASILEIRA lNTEGRAllSMO 315 que se pôs nas formações de capitalismo tardio quando estas emergem na condição de elos débeis da cadeia imperialista e o integralismq uma manifestação de regressividade nas formações de capitalismo hipert~rdio. seria improcedente". uma proposta de freiagem de desenvolvimento das forças produtivas com um objetivo ruralista" (<6).. muitas vezes. pp. "o mte~rahsmo de Salgado se põe. a autora dispõe-se a penetrar ~a 'complexa qu~stao do desunatlr!? do discurso" integralista para. inclusive documentação inédita (49). 16. dissociá-los é uma empresa nova e arrojada. propõe.nao é outra coisa do que uma figura muito próxima à própna pr<:.. em função do conteúdo "espiritualista. ) Em outros termos. a . (53)] Chasin. mas também alguma coisa que ela tem de menos seguro. etc. em certa medida e a um tempo dado. pp. se esta perde seu caráter fascista e. Até mesmo quando Plínio manifesta explícitas slm~tlas pelo foscismo. 462 e 463. irracionalista" da ideologia integralista. p. estimulada pela crítica de Chasin à interpretação "tradicional".: p. mes!D0 quando dela discordo. (52)].. . onde se entrevistara com Mu~solini. mas na realidade sua proposta de análise é bem mais modesta: enquanto o filósofo húngaro percorre "dezenas de autores. se engrena numa linha de pensamento que prefere salientar a diferença brusíleíro. 149). que desperta no autor admiração. 25. sem mais aquela. Em síntese.mas que e~te é. ~?caín~ literária. se não exprimem o proc~o intern_opelo qual aquílo é o mesmo (o modo de produção capitalista) existe engendrando suas díferencíações internas necessárias (no caso os diferentes países capitalistas). Marilena. 616. Quando. mas a representação do real veiculada r:1o texto.. op cit. Chasin.' op cit. op. tem um outro mais preciso e que a alimenta.t~ de 1928 a 1930. (49) Por exemplo: o Manifesto da Legião Revolucíonárta de São Paulo de. p.e Ideológicas)? In Chauí (Marilena). op. ao analisar "o imaginário integralista". conseqüentemente. O autor propõe-se a oferecer uma "explicação alternativa" a partir de uma "investigação balizada pelo talhe histórico-genético praticado por Luckccs". Chasin aceita o argumento megalomaníaco de Plínio Salgado de que "o integralismo e fascismo não se confundem na ~edida em que o fascismo é dado como um estágio inferior ao integralismo" ( ). AnaIS . colocar. foi o de ter conseguido estabelecer uma lógica interna na temática ideológica de Salgado que o próprio autor jamais conseguiu ou pretendeu realizar!. segundo os destínatários que el~gem". enfatizados por Chasin ("'). Divergindo. Concordo com Marilena Chauí quando diz que "Se número. . o nosso autor. 235. Na perspectiva do autor. para sustentar sua hipótese básica. Penso que o fascismo funciona como um destes. (48)]. tão caluniada pelos ~bnos d~. e. despreparo. rastreando a composição genética do nacional-socialismo" (48). No longo percurso d~scritivo. Chasin.~atlca ~o fasc~smo não pode ser dissimulada.posltura mte!1ralista( . os fascismos a manifestações imperfeitas da idéia integralista.. (51)]. ambos de autoria do futuro chefe íntegralísta. ~onta da stngularízação histórica brasileira isto é das práticas sociais (vale dizer econômicas.. em sua essencialidade. a teoria pliniana da história. espaço e tempo I)ão diferenciam. do político e da história e. cit. (46)]. o autor se embaraça. . que "Roma fascista.. Chasin. negar a presença de qualquer traço ideolóqíco faSCista no mtegrahsmo.u!lhzaçao . A drarnaturgía da crise é o contraponto necessáno para neutralizar a revolução" (p. aliás. levando a certo perigo de particularização que' pode comprometer o entendimento adequado dos fatos. ""-li\.que teve o mérito de tentar uma penetração em profundidade no pensomento de Plínio Salgado e de incorporar ~ anédise.Entretonto. Finalmente. em relação ao integralismo. então Chasin prefere dizer .. mas este aí se encontra genericamente convertido à fórmula integralista" (52). no. 31' e os discursos do da Câmara dos Dep'1. Salgado em alguns de seus artigos de A Razao faz a defesa e o elogio do fascismo. porque impede o retomo dialético aos conceitos. reahzando monótonos 'vaivéns analíticos. op cit. (50) Segundo Ch:.m. Aliás. ninguém melhor que Antônio Cândido para.. cit. 462 e 463. . cit.34). apos seu retomo de viagem à Europa. contanto que não seja pago o ô~u_sde_um~ . p. ~p. Chasin limita-se apenas à obra de Salgado desvinculada de qualquer análise do período histórico em qu~stão.

a questão não se restringe ao estudo da ideologia em si. cujos escritos reforçaram o conteúdo fascistizante da _ ideologia: o primeiro com a concepção de Estado inspirado no fascismo italiano e a segunda com os componentes anti-semitas do nacional-socialismo. o comunismo dos militantes e. in jean Touchard. IJ' 85. se for o caso. .ou . em princípio. tradicionalismo e irracionalismo ideológico" ou seja como "pensamento conservador" seriam consistentes na medida em que refluíssem de uma postura teórica ou metodológica unívocas. homogêneo. as interferências ou conclusões devem permanecer em seu ômbito próprio. foi um movímenfo político e que seu caráter fascista provinha não apenas de semelhanças entre sua temática e a dos fascismos europeus. apesar das aparências. além da ideologia do qual ele é porta-voz. às vezes. base social de recrutamento. mas. compreendendo. a origem social dos dirigentes e militantes. Se esta limita-se ao discurso ideológico. o comunismo dos intelectuais' cujas obras procedem de uma reflexao ínspirada no pensamento comunista. panfletos e todo: tipo de material pertinente disponível ao pesquisodor): no entanto.. a partir desta penetração nas diferentes camadas ideológicas. em geral. finalmente. Mas. porque estes só enriquecem o nível de conhecimento sobre o temo). a relação entre o partido e a sociedade no qual está inserido. • Estas dimensões cruciais para a elucidação da natureza do integraÜsmo enquanto ideologia e práxis política escaparam. o seu espectro perderíc a conceitualização coerente observável nos textos doutrinários para misturar-se com as questões de táticas ou de estratégia dos documentos produzidos pelos órgãos de decisão do partido e.pp. . mas pretende ser uma interpretação global de uma organização política com características fortemente ideológicas. No caso do integralismo não se pode dissociar. op. certamente. e. A ideologia . essencialmente. historicamente. Secretário Nacional de Doutrino e de Gustavo Barroso. passando por outras corncdos. todos os que consideram a Ideolo~la como uma degração da idéia (.recusando a pno. Provavelmente. sobretudo. conforme sua latitude. O que acontece.ncia serão. é preciso distinguir diferentes níveis do discurso ideológio que. os escritos ideológicos ou doutrinários. o estudo sobre a natureza de uma orqcníaoçõo envolve outros aspectos igualmente cruciais. de um partido de tal tipo tem que ser examinada sob diferentes dimensões. provém de uma confusão entre níveis analíticos. acima de tudo. contraditórias. Chefe Nacional da Milícia. a ideologia dos eleitores ou simpatizantes do movimento. Além da complexidade da análise da ideologia vinculada a um movimento ou partido político. de uma maneira mútuo geral.316 HISTóRiA GERAL DA CIVlUZAÇÃO BRASILEIRA SOCIEDADE E POLÍTICA 317 deficiência ria documentação selecionada que. transmitidas pela imprensa partidária ou a percepções de dimensões individualizadas da ideologia a nível dos militantes e eleitores (55).Colin 1969. o integralismo. finalmente. a Chasin. pela sua forina de organização. Ill. A CONCEPÇÃO PIRAMIDAL DA IDEOLOGIA INTEGRALISTA As difi~uldades com que se defrontam os estudiosos do integralismo decorrem basicamente de dois tipos de fatores. pretendendo superar d explicação mimético. a ideologia comunista como uma certa concepção de mundoprópria aos que se reclamam do comunismo" Touchard (jean) lntroduction à l'ideo 10gie du Parti Comuniste Français in Le Comunisme en France. Neste particular também é relevante o estudo da organização em função do papel que desempenha como instrumento de socialização político-ideológica dos militantes. uma vez que a ideologia enquanto doutrina sistemática somente vigora e se reproduz a nível dos ideóloqos ou dos intelectuais do partido. As fontes de referê. com os estudos que analisam a ideologia de um partido de tal tipo. já explicitado na análise crítica de trabalhos anteriores. recusando igualmente empregar o termo ideológico com uma conotaçao pejorauva como o fazem. Assim que. as críticas referidas aos novos trabalhos sobre' a ideologia integralista são enfáticas não tanto pelo conteúdo interpretativo atribuído ao universo ideológico . tais como. a ideologia dos dirigentes políticos. segundo as interpretações de um teórico ou de diferentes teóricos.. mais ou menos conscientemente. o problema torna-se mais complexo. a caracterização da ideologia integralista seja como "utopia autonomística". sem considerar que o integralismo.. 84/5. motivações de adesão-de seus militantes e sentimento de solidariedade com o fascismo internacional.n considerar ideologia política como expressão de um grupo social determl~ado . por tratar-se de um movimento de inspiração facista. sem que se procure penetrar em outras camadas da ideologia. a confusão conceitual geradora de equívocos sob a capa protetora da "científícídode".) nós pensamos que é possível poupar-se de longas defiOlçcx:s prévias e considerar. cit. O que tem ocorrido quando estas regras elementares não são seguidas é. sua análise ficou a nível do significado interno dos textos. (55) Touchard propõe a análise da ideologia comunista na França em quatro níveis: o comu~lSmo dos dírígentes do partido. O primeiro. O comunismo dos eleitores do partido. nem sempre são homogêneos entre si (54). Parece indispensável conceber diferenciações sob a forma de uma concepção piramidal da ide~logiaem cujo topo estivesse a expressão mais elaborada da ideologia. a fim de que sua configuração capte as diferentes dimensões de uma organização política complexa. outras fontes escritas (implensa. mais do que uma ideologia. Quando. a ideologia dos militantes de base.hnclusive. expurgou do universo ideológico integralista as contribuições relevántes de Miguel Reole. mais preocupado em combater as "aparências empíricas" da pesquisa do que apresentar uma nova interpretação da sociedade brasileira que gerou e rejeitou. mas poroquilo que elas contêm de iníerêncícrs discutíveis. Neste caso. enfim. seja como "espírttuclísmo. o campo analítico deve abranger também a organização. é que a análise tem se limitado aos teóricos do movimento. de 'ideologia liberal' ou de 'ideologia de SFIO.. um ou mais teóricos e. Paris. geralmente. reduzir-se a proposições fragmentárias e. Neste sentido. (54) O tema "ideologia" está sendo utilizado no contexto desta discussão no sentido empregado por Jean Touchard no seu estudo sobre a ideologia do Partido Comunista Francês: "considerando de noss~ parte que é tão legítimo falar de 'ideologia gaullísta'. quando o objeto de estudo é o movimento político. a ideologia da rmprenso partidária. porém. Ao se indagar sobre a natureza do integralismo deve-se definir em que nível a análise está sendo proposta. a ideologia e a organização porque existe uma relação explícita entre a estrutura desta e o conteúdo daquela.

alguns trabalhos para lançar o seu Partido Nacional Sindicalista (58) e. da origem sociol dos dirigentes e militantes a fim de melhor compreender sua inserção na relação de forças políticas da sociedade. de tentativas de enfrentar os desafios propostos pela sociedade tornando-se a energia criadora e transformadora da ideologia. Rio de]aneiro. captar o processo de formação ou de transformação da ideologia em permanente interação com a estrutura sócio-econômica e com a conjuntura política da sociedade. as tensões ou conflitos internos resultam. Rio dejaneíro. p'{ocurando recuperar no estudo da ideologia integralista algumas dimensões não consideradas na análise de textos doutrinários. Rio Branco. Em primeiro lugar.Rio de]aneiro. se o seu alcance dimensiona-se além dos limites da análise convencional de idéias políticas ('"). Rio de]aneiro. a AlB do fato político mais relevante do período que foi a Revolução de 30. através de uma análise sintética inspirada na abordagem indicada. as pessoas a quem se dirigia e tentava convencer. Neste nível de análise da ideologia integralista. Portanto. ' . A formação de tendências. Maçonaria e Comunismo. existam dados disponíves. de que elas exprimiam as linhas básicas do corpo ideológico. Tip. Terra do 501. provocou a percepção constatada empiricamente. que não se pode deixar de encarar a ideologia como uma realidade dinâmica em relação à dialética com o contexto societal. parece legítimo aproximar. o tipo de pessoa. ou seja. 1934. Integralismo em Marcha. Análise da ideologia A~segunda questão relaciona-se com a primeira na medida em que a determinação do nível de abrangência da ideologia depénde do grau. Em segundo lugar. relacionar o movimento político com o processo histórico em curso. Esta proposição para ser válida deve também ser contestável a nível empírico através da visão ideológica dos militantes da AlE. o movimento da sua estrutura interna.318 HISTÓRIA GERAL DA CIvIliZAÇÃO BRASILEIRA INTEGRALISMO 319 Não se pode igualmente. O método contextualista requer. de Gustavo Barroso com seus livros anti-semitas (59). etc.. em última análise. embora este aspecto seja mais importante nos partidos ideológicos. Nesta ótica.Brasil. quando o movimento integralista seria extinto. "A posição do integralísrno" in Estudos lruegratistas. o primeiro "definido como o estudo do pensamento político exclusivamente através dos textos. . que já produzira. duas questões devem ser enfrentadas. . 1977. nitidamente. Civilizaçâo Brasileira 1934. Terra do 501.1931. porém. 1931. na medida em que se possa obter este tipo de informações através de entrevistas. restringir-se ao estudo da ideologia pliniana. 1937Judaismo. O Integralismo e o Mundo Rio de]aneiro Civilização Brasileira. Civilização Brasileira. Portcmto. Rio de]aneiro. 1936. em que "o historiador" concentra sua atenção no contexto do autor. Levanta-te Brasil. pois. concretamente. in Vicente Barreto. articulando o estudo da ideologia dos teóricos e dirigentes com outros níveis de expressão da ideologia associados ao universo ideológico dos militantes de base. isto é.stadoMOderno. 1937. Poder-se-ia perfeitamente admitir o caso em que a ideologia produzida pelos teóricos e dirigentes de um movimento político qualquer não se (56) Mesmo na ótica do estudo do pensamento político concordo com Vicente Barreto quando afirma que ele "deveria ser encarado antes de tudo como um pensamento histórico" e que "a análise do pensamento político tem sido realizada' por duas grandes . Finalmente.enquanto ideologia não é apenas o discurso doutrinário produzido por seu fundador. Zahar. em função de algumas interpretnçõeasobre a ideologia inteqruliste. bem como os interesses que procura agregar ou representar. caberia tentar explicitá-las. prescindir da análise. Terra do Sol. Plínio Salgado. a nível de seus militantes. percebe-se. a teoria e a práxis do mesmo . sem a pretensão de produzir uma análise de conjuntura onde se forma e se estrutura a Am. Assim que não é suficiente uma análise que pretenda inferir conclusões sobre a natureza do discurso integralista. República Sindicalista dos Estados Unidos do Brasil. Mesmo que esta seja a fonte inicial de inspiração do movimento com a divulgação do Manifesto de outubro de 32. antes da AIB. entre 1935 e 1937. pp. Rio de]aneiro. de propagação da mesma nos diferentes níveis da organização partidária. 1937. o que define a amplitude do seu campo ideológico é a visão que dela têm os próprios membros do -movimento. (58) Olbiano de Mello. . de Olbiano de Mel10. Tip. na análise da ideoloqicr de um partido político. Rio de]aneiro.O E:. isto é.José Olympio. embora reveladora de tendências internas da AlB nem sempre publicamente explicitadas.ino caso do integralismo. Típ. 193.(59) G: Barroso. ao menos analiticamente. buscando. que se aproxima da perspectiva sugerida anteriormente. Não seria ocioso insistir. A convergência dessas contribuições sob a forma de livros. Colônia de Banqueiros. Rio dejaneíro. através das obras de Miguel Reale (57). . o segundo. Civilização Brasileira. 24 e 25.1931: Comunismo ou Fascismo?. sempre que. Estabelecidas estas premissas teóricas e metodológicas. Nesta direção parece indispensável aproximar. (57) Míguel Reale. que foi o Secretário Nacional de Doutrina. Ideologia e Roluica nopensameruo dejosé Bonijâcio deAndrade e Silva. elaboração teórica sofisticada para evitar a simplificação envolvida na idéia de que a obra intelectual reflete ou espelha a posição ou classe social de seus autores". 22. é importante conhecer as motivações de adesão dos membros do partido porque -elas podem ser elucidativas 'sobre os aspectos da ideologia que foram mais salientes na decisão de aderir ao movimento. A questão básica parece ser: onde se situam as fronteiras da ideologia integralista? O que define o integralismo . EditoraABC. o tipo de sociedade. A Formação Política Burguesa.correntes metodológícas: O textualísrno e o contextuallsrno". Rio de Ianeíro. internalizando a reprodução doutrinária gerada por diferentes teóricos. no estudo global de um partido.como estratégia para compreender melhor sua natureza e perceber as tendências mais significativas de sua evolução. Tip. Schmidt. 1934. A primeira refere-se à integralista abrangência do campo ideológico _ do integralismo. 17.ASinagogaPaulisla. a ideologia irá incorporar de forma substancial outras contribuições teóricas. Buscandose. os outros livros de Reale serão posteriores. e seus efeitos sobre a sociedade brasileira até o advento do Estado Novo. a cmálíse da ideologia de um partido político qualquer deve ser mais compreensiva e complexa do que a análise de textos dos seus teóricos. c:utigos de jornal e documentos programáticos.3. considerando-se 0_ próprio texto suficiente para a sua compreensão" e. o período histórico no qual viveu. mas também outras manifestações ideológicas que se incorporaram a partir da reílexõo de diversos teóricos.

nada contra o Estado". cit.. ao mesmo tempo. pp. 33. ed. mas não através de todas as suas manifestações mais significativas. novas dimensões da ideologia integram as contribuições de outros ideólogos. ligação entre a filosofia da história e a concepção do homem e da sociedade se estabelece através da idéia de "Revolução".) "Discurse du Theâtre de Ia Scala à Milan". una. unidade política local) na busca mitológica da "quarta humanidade" (63) e a concepção do Estado Integral que é a forma de (60) P. fazendo ROrte. a concepçõo de Estado-Sindical-Corporativo inspirado em Miguel Reale. elas circulam amplamente. 129-130. seja na concepção migueliana do Estado SindicalCorporativo (64). sob a mediação dos conceitos de "revolução integral" e de nacionalismo. nada fora do Estado. Este ato de fé nos destinos do Brcsfl traduz-se num projeto ambicioso na medida em a) A ideologia dos doutrinadores A análise global dos fundamentos da ideologia integralista. localiza-se um dos aspectos centrais de inspiração fascista do integralismo. . 81. que procura "afirmar o valor do Brasil". poderosa. senhor dos elementos. (65) Aliás. "Manifesto de Outubro de 1932".Clássíca Brasileira. p. iluminado pelo Verbo Divino. rica e feliz" (67). (66) P. Plínio profetiza que a "Quarta Humanidade terá sua base física na América Latina" e que a "raça cósmica" que fecundará esta nova civilização terá como traços fundamentais: agudeza dos instintos graças a sua origem indígena. o campo da ideologia concreta embora mais diversificada no plano das contribuições teóricas. (62) Ibid. Salgado.. o integralismo.DA CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA SOCIEDADE E POLÍTICA 321 transmitisse. Psicologia da Revolução. como complementações uma de outra. interpreta-os sem nenhum juízo de valor. Embora as duas concepções de Estado Integral ofereçam diferenciações na forma básica de sua estruturação política e social (enquanto a idéia de Estado no Manifesto é a de uma superestrutura autoritária.. segundo a concepção difundida pelo próprio Mussolini em discurso pronunciado no Scala de Milão. fonte geradora de um novo equilíbrio social. Além da concepção espiri tua lista da história.se. da ideologia (65). p. (61) Ibid. o nacionalismo éa dimensão mais abrangente da ideologia integralista. ' rÓ. no interior da AIB. no entanto. o Estado é a organização política e jurídica das sociedades nacionais e se manifesta por uma série de instituições de natureza diferente. Neste caso. o socialismo e. L . sindicato e. . nascidas da conquista da terra e da luta contra a exploração econõrníca. aos seus aderentes. fundiu-se. p. Salgado expõe no livro Psicologia da Revolução a posição integralista face ao fato revolucionário na história. organização social e política do integralismo. textos doutrinários constata-se uma articulação entre esta concepção provídencícddcr história ("Deus dirige os destinos dos povos") (60). v. "A Quarta Humanidade" Obras Completas. Ele parte da premisse que "o progresso do Espírito Humano realiza-se ao ritmo das revoluções" (66). o capitalismo internacional. indivisível. ambas. Paris. enquanto que a de Reale repousa na versão italiana do fascismo. Nossa fórmula é a seguinte: tudo no Estado. que são o liberalismo. unindo todos os brasileiros num só espírito para construir uma Nação "organizada. do qual resulta a organização hierárquica da sociedade através dos grupos naturais (família. (64) Barroso prefere a expressão "Estado social-totalitário integral". vol. na proposição de Reale o Estado é o princípio e o fim do universo ideológico integralista). neste nível teórico de exaltaçâo do Estado. in Barroso (Gustavo) Integralismo em Marcha. em todas as suas dimensões. 1955. (67) P. baseada na crença do proqresso-morcl do ser humano ("0 homem deve praticar sobre a terra as virtudes que o aperfeiçoam") (6') e' num .320 HISTÓRIA GERAJ. O Manifesto Integralista· de 32 atribui uma posição central à idéia nacionalista. Se a concepção doutrinária do integralismo repousa numa Concepção concepção do homem e da sociedade. especialmente. diferentemente do fascismo italiano onde "o fato precedeu a doutrina". forte. A revolução. Flammarion. é que a decorrência de sua difusão através da estrutura cutoritéricr do movímento e dos meios internos de transmissão do seu conteúdo. . A concepção de Salgado busca inspiração no tradícíonalísrno tomista. num único corpo ideoiógico e percebido como tal pelos militantes de base. definindo sua concepção de "revolução integral". Além disto. op.o judaísmo. "Manifesto de Outubro" de Plínio Salgado). seria um instrumento para destruir o equilíbrio da sociedade em crise e. em 1925: "A idéia central de nosso movimento é o Estado. in Oeuvres Completes. O fundamento dessa interpretação do fato revolucionário está na noção de equilíbrio social. seja na variante pliniana do Estado familial-corporativo. como a Terceira" in P. anatematiza os seus adversários. revela um arcabouço doutrinário que. seria percebido através de alguns dos seus comp~mentes ou idéias-forças. Salgado. in Mussolini (B. como "fatos naturais" ou como "necessidades históricas". Rio de Janeiro. . inserida numa perspectiva espiritual nacionalista. em conseqüência.T. Salgado. a ideologia. apesar das tensões internas latentes. neste sentido. como a Primeira Humanidade. Salgado. sob a égide do Departamento Nacional de Doutrina e. provavelmente buscada em Pareto. ". 13. Liv. A. bondade extrema que caracteriza os povos infantes. como toda a ideologia que pretende opor-se à ordem vigente de forma combativa. apoiado numa concepção do universo do homem. 1953. O que singulariza o núcleo ideológico básico do inteqrcrlismo. Considerando esses acontecimentos como um dado da evolução histórica. humanismo inspirado num retomo ao ideal medieval de uma sociedade harmoniosa ("Os homens e as classes podem e devem viver em harmonia") (••). Manifesto. em 28 de outubro de 1925.- (63) Onde "se realize o Homem Integral penetrado do sentido profundo do Cosmos. estrutura. p. profunda espiritualidade e tenacidade na luta. até definir uma concepção de organização social e política da sociedade através do Estado integral-corporativo. Todos os teóricos integralistas estão de acordo com a idéia de que a evolução da sociedade se faz através dê rupturas e pelo ulterior restabelecimento do equilíbrio. p. das Américas. como a Segunda. A partir da leitura dê. inspirada num doutrinária humcmísmo espiritualista e numa visõo harmônica da organização da vida em sociedade (cujos lineamentos básicos encontram-se no .

. 1935..que o "Integralismo brasileiro constituirá um grande Império. Barroso. 1934. que é considerada como um dos traços essenciais da ideologia (70). geográfica e econômica". saídos também do Partido Único que é a concretização de todas as classes proftssíoncns'{"). cit. Por sua vez.)osé Olympío. 119. também em 1935. Rea1e. que pode ser simbolizada pelo slogan "Despertemos a Nação!". A idéia-força central do Manifesto é. contida no Manifesto: "A Nação tem necessidade de se reorganizar em classes profissionais. Rio de )aneiro. 246. . Salgado. " _ (70) Mussolini proclamou em discurso pronunciado em junho de 1925 que A concepçao do Império é a base da nossa doutrina" in Mussolini. 1935. ' O próprio nacionalism~. criou. Daí decorre a sua vaga concepção sobre a estrutura do Estado Integral. realiza empréstimos" (73). "Palavra Nova dos Tempos Novos". . Provinciais e Nacionais. A concepção estatal de Salgado busca suas raízes na realidade nacional adaptada às necessidades do homem brasileiro: "Pretendemos tomar como base o homem de nossa terra.hora . indiscutivelmen~e. Iivre de todo e qualquer princípio de divisão: partidos políticos. toma-se interessante analisar como Salgado justifica sua concepção imperialista.D~emos a Nação. percebe-se uma preocupação econômica subjacente ao criticar a influência negativa do capitalismo internacional:· "O controle de nossa vida financeira. das Américas. Resta acrescentar que o nacionalismo integralista possui também um conteúdo econômico e antiimperialista. um modo de vida genuinamente brasileiro" (68). op. como pensou Lenine. 1934. O Espírito do Século xx. por sua vez.. inspirado no título de um dos livros de Salgado. as mais graves dificuldades internas" (69). Entretanto. Salgado. Segundo Barroso. de pedagogia. à leitura dos documentos e obras integralistas revela uma defasagem entre o grau de elaboração da teoria do Estado e o papel que a ele é atribuído na sociedade integralista. de fundamentos jurídicos" (75). p. Salgado. Explicitando o imperialismo ideológico de' Salgado. Cada brasileiro se inscreverá na sua classe. Esta Revolução Inteqrcrlisto é a Revolução do Continente" (71). pois. p. "Manifesto de Outubro". p. sob o título O Integralismo em Marcha. Com Barroso o nacionalismo econômico adquire um conteúdo anti-semita. Nesse contexto o papel principal do Estado é o de promover a unidade nacional: "Pretendemos realizar o Estado Integralista. outro teórico integralista. terá chegc. é explícita: "O Imperialismo não é a última fase do capitalismo. dt. p. . ) Quando todos os países da 'América do Sul entrarem neste mesmo ritmo. um grande Império Cristão e sua doutrina integral influenciará os destinos da humanidade" (72). (76)lbid. bem mais poderosa. VII. afirmará. (69) P. numa ótica diferente de Barroso. ele procura inferir o modelo familiar-corporativo compatível com sua visão nacionalista: "Desse elemento biológico e psicológico. op. nos Congressos Provinciais e nos Congressos Gerais C . Estas classes devem eleger. do chefe integralista incorporará mcds tarde outras dimensões reveladoras de sua evolução ideológica. (72) G. Rio de Janeiro. Com exceção do conjunto de conferências públicas em 1933. Mesmo no seu nacionalismo cntícosmopolítc. Este último qualificativo produzirá na imaginação ideológica de Salgado uma nova dimensão: o sonho do Império inspirado no mito da civilização desaparecida da Atlântida. com normas seguras de direito. (71) P. cada um por si. a otitude de Reale com reloçôo ao imperialismo econômico. a qual não pertence à Nação alguma e está acima das Nações: o supercs>italismo financeiro" (74). A idéia central é de que a "revolução integralista" realiza-se pela transformação do Estado. Civilização Brasileira. 98. O Quarto Império. Contudo. o nacionalismo de Plínio permanece essencialmente literário e romântico. Seu conteúdo básico é um apelo à tomada de consciência nacional. ) Não dá batalhas. Entretanto. seus representantes nas Câmaras Municipais. . sempre exercido pelos bancos estrangeiros. (74) M. estadualismo em luta pela O tema aparece claramente na idéia de expansão doutrinária do integralismo sobre o continente latino-americano: "Não me contento co~ a implantação do Estado Integral no Brasil. Gustavo Barroso. Quero que esta idéia se irradie por toda a América do Sul (. (75) P. uma grande República Impérinl. Barroso. na sua realidade histórica. 94..ido a . todos os teóricos do integralismo concordam que o objetivo principal do movimento é a implantação do EstadoInteqral. Esta palavra de ordem integralista estabelecerá a transição' entre o nacionalismo lírico de Salgado e outras formas mais agressivas de nacionalismo que irão desenvolver-se. p. ) Esses representantes todos devem ser de absoluta confiança de cada classe. Rio de janeíro..'. 124. (73) G. preponderantemente cultural.. p. os livros posteriores estão impregnados de anti-semitismo.da grande atitude. Rio de)aneiro. Como no contexto brasileiro o teIn:a do ex~~~o imperialista não tinha razão de ser em função dos espaços vaZIOSdo terntono brasileiro. aparecem explicitamente nos livros de Miguel Reale e Gustavo Barroso. in Obras Completas.322 HISTÓRIA GERAL DA ClV/UZAÇÃO BRASILEIRA lNTEGRAUSMO 323 que o integralismo se propõe a criar "uma cultura. (68) Ibid.josé Olympio. 1935. o nacionalismo ~ujo conteúdo é mais cultural do que econômico. de política econômica. No mundo ocidental ela ainda existe. Se estes-aspectos não predominam nos escritos de Salgado. . mas há outra força. p. A partir desse fundamento.. apesar da presença de uma dimensão econômica.O Estado Moderno. 6. uma civilização. o judaísmo apátrida "é um conquistudor e um colonizador dos povos C .Ed. mais ambiciosamente. vindo seus nomes indicados pelos Conselhos Municipais.175.)osé Olympio. deduziremos as relações sociais.

p. Salgado. porque sua concepçõo é a causa primeira do advento do socialismo. do ponto de vista econômico. Leão Sobrinho lntegralismo Brasileiro. De outro lado. finalmente. p. Salgado. Rio Branco. O objetivo do integralismo é. pretende. políticas. mas o resultado natural de sua solução. ed. Estado liberal diante do desenvolvimento da sociedade. transformar o capitalismo liberal clássico' num capitalismo nacional e social controlado pelo Estado Integral. socialismo e liberalismo sôo consideradas expressões diferentes da concepçõo filosófica materialista. . lendo sua posiçõo reforçada em . São Paulo. de Mello. que preferia a assertiva: "quem diz Integralismo. porém. ) Pretendemos criar a Suprema autoridade N~ô~r~. ed. em última análise. 1933. porém. O anti-socialismo manifesta-se de três maneiras na ideologia integra lista: primeiramente. criou condições favoráveis à cçôo do capitalismo internacional e ao desenvolvimento do segundo socialismo. pois. ao passo que a posiçõo de Redle-o:proximava-se mais da dé Olbiano de Mello. 29. uma íedercçõo de sindicatos". Este paradoxo se explica nôo somente porque o liberalismo é o adver. dirige-se mais contra o liberalismo do que contra o socialismo. que a "técnica capitalista assuma uma funçõo eminentemente social" (84). (8. Nesta perspectiva. mesmo quando aprofundam a análise sobre a natureza e o conteúdo do Estado IntegraL nõo superam a clivagem fundamental dos dois primeiros textos integralistas. O essencial do sistema capitalista.C Mendes de Almeida e J. neste particular: mant~'ve sempre uma linguagem mais vaga e imprecisa. os dois modelos de Estado desenvolvidos. sob a imediata fiscalizaçôo e proteçõo do Estado" (00). no "Manifesto" e no Abecedário deram origem a estudos mais elaborados. Salgado. tempo que a organizaçôo proposta pela ideologia nõo põe em questõo os princípios básicos do sistema. O integralismo. A importância atribuída ao anti-socialismo no conjunto dos. Salgado. pp. mais a expressão de uma atitude reflexa e preventiva diante da importância dos movimentos socialistas europeus contra os quais se onfrontaram os fascismos. Reale e Olbiano lruegralistas (1' série).324 HISTÓRIA GERAL DA CIVIliZAÇÃO BRASILEIRA da SOCIEDADE E POLÍTICA 325 heqemonic: luta de classes (. Cartilha do Integralismo Brasileiro. O "Manifesto" e o Abecedário referem-se vagamente ao socialismo e ao comunismo. Os textos dos principais teóricos utilizam uma I hnguagem muitns vezes fortemente crítica ao sistema capitalista. definiu seus inimigos. p. Noutra perspectiva. em linguagem jurídica. O integralismo. Salgado. "Manifesto de Outubro". São Paulo. torna-se Miguel Reale. ao mesmo ... O que é o lntegralismo. P 8. P. Reale. textos ideológicos é paradoxalmente pequena comparada àquela do liberalismo. in P. Salgado que declara "guerra de morte ao liberalismo". define de maneira mais precisa.' . Só a representnçõo dos trabalhadores é representaçôo popular" ('9). a unidade básiCa dos adversários do integralismo provém do fato de que estõo vinculados à domínnçõo judaica. Star. Reale. permanece intangível na medida em que o inteqrcdismo não põe em questõo a iniciativa privada ("o integralismo é contra o controle dos capitais da indústria") (83). . Ibid. 9. M.sário . sociedades secretas vinculadas ao judaísmo e à maçonaria.iguel Reale no Abecedário Integralista.. Tip. como toda ideologia em oçõo. A posiçõo antiliberal do integralismo transparece no título de um dos capítulos do livro O que é o Integralismo. os integralistas consideram que o socialismo nõo seria a antítese do capitalismo. p. 6.irtude de sua íormcçõo jurídicç e posição de Secretário Nacional de Doutrina. O principal teórico do Estado. porém. econômicas e cultUrais (. A única dimensõo do capitalismo condenado por todos é o capitalismo financeiro internacional. 1933. Star. 11. o socialismo. uma atitude de "alerta ao socialismo" (85). 53. "o sindicato é um órqôo de finalidades éticas.j. A partir da contribuíçôo de Barroso.. Além disso. cit. A lógica desta concepçõo impõe que as forças políticas organizadas da Ncçõo nõo sejam mais os partidos vinculados à democracia liberaL mas os "trabalhadores intelectuais e manuais. I A concepção anticapitalista da ideologia integralista apresenta uma' ~mbigüidade ~undamental. M.. Salgado. na medida em que se propôs a com bater o integralismo liberalismo. mas a unidade das classes produtivas organizadas: "só quem produz tem direito de votar e de ser votcdo". São Paulo. de fato. A Cartilba do (82) (83) (84) (85) P. (81) Olbiano de Mello. Reole considera o Estado como a Noçõo organizada. 'os princípios de sua organizaçôo. "Novos Rumos". o capitalismo internacional e as . porque ambos se apóiam na mesma concepção materialista da sociedade. o Abecedário nõo se limita apenas a apresentar o sindicato como uma das células do organismo nacionaL mas afirma que "o Estado é. (79) Ibid. colocando-o "acima das classes ". Outros ensaios. contentase em anunciar no mesmo livro.0) Ibid. P. porém. Em síntese. São Paulo. a propriedade privada e o princípio do lucro. p. o socialismo encontra-se atrelado às doutrinas "fragmentárias do século passado e que foram superadas pela experiência fascista integral". p. M. 29. O que é o Integralismo. ao mesmo tempo. Estudos . publicado em 1933: "Guerra de morte à liberal' democracia !"(82) A hostilidade principal.. a cara~terizaçôo do Estado Integral feita por ro. 1933. op. Dentro do modelo sindiccl-ínteqmlistc de Heole. 1937. Reale proclama que o Estado nõo é a soma de indivíduos isolados. ) E um órqõo de direito público. J. em seguida. em suas linhas gerais. Salgado. no início dó Integralismo. sendo superior a todas elas "pelas forças de que deve dispor e pelos fins que deve realizar" (18i. em concreto. o combate ao ~~~ o (77) P. diz sindicalismo corporativo-nacionalista" (81). o anti-socialismo 'que se desenvolveu antes da expcnsôo da Aliança Nacional Libertadora e da rebeliôo I comunista de 35 era. mais imediato mas. A neutralidade do . Se para Salgado o Estado confunde-se com a Nnçõo. 1 e 2 (78) P.

Quando não havia uma atração pelos regimes fascistas. Barroso proclama em seus livros panfletários que o integralismo deve afirmar-se ànti-semita e a abrangência de seu preconceito é bastante ampla como se pode deduzir da epígrafe que ele escolheu para seu ensaio histórico Brasil. urna das preocupações principais do integralismo era a de combater o retomo ao sistema (86) G. de uma corrente anti-semita radical. estrutura ideológica de um movimento político toma-se indispensável penetrar no universo ideológico dos militantes. O nacionalismo. analiticamente. O segundo motivo era a simpatia pelo fascismo europeu: a mcíoríe absoluta das respostas confirma a influência sobre os aderentes integralistas da ascensão dos movimentos fascistas. anticomunismo. da Aliança Nacional Libertadora. através das "Notas Políticas" publicadas em A Razão. de um anticomunismo reflexo. incorporou-se à ideologia integralista em razão da grande receptívidade das idéias antijudaicas dos militantes de base. Barroso. sem considerar a ordem em que as respostas foram dadas. penetrar nos aspectos mobilizadores dos apelos ideológicos dirigidos aos militantes captados através das motivações de adesão. estes dois extremos abrangem toda a sociedade. a análise foi conduzida com o objetivo de determinar a freqüência relativa de cada motivo indicado. Nesta perspectiva. Realizada uma' pesquisa junto a um grupO selecionado de ex-militantes. O conjunto de respostas foi agrupado em nove categorias em função do tipo de motivos indicados:' nacionalismo.enriquecem a compreensão da natureza do partido político em questão conhecimentos sobre as razões de adesão ao movimento.qA CIVIliZAÇÃO BRASILEIRA INTEGRAllSMO 327 comunismo reveste-se de uma linguagem primária. o quarto tipo de "motívcçõo" é a oposição ao sistema político. especialmente no campo das finanças internacionais. porque nem sempre o primeiro motivo referido revelava necessariamente a razão principal de sua adesão ao movimento (87). ao posso que os outros doutrinádores. pp. b) A ideologia dos militantes Na análise da. O primeiro aspecto relevante a considerar é a análise das "motivações da adesão" ao movimento no contexto dos anos 30. determinou-se a relação entre o motivo considerado pelo entrevistado como principal e os outros indicados na resposta. Neste sentido. na realidade. além da análise da lógica interna da ideologia dos teóricos e' dirigentes da cúpula do partido. valores autoritários. assim como a percepção' dos . O nacionalismo literário provocado pelo modernismo da década de 20 politiza-se rapidamente e o integralismO torna-se a sua encarnação na extrema-direita após a década de 30. mostravam-se. Considerando-se que a força do PCB era muito secundária até o surgimento.. de vez que não se trata de proceder a um estudo de motivações no sentido psicológico do termo. e. Civilização Brasileira. de influenciar o Governo Provisório de Vargas.326 HISTÓRIA GERAL . A proporção de respostas concentradas neste motivo (56%)é superior a qualquer previsão a priori. . 1934. _uma gradação nas formas do anti-semitismo integralista. Toma-se necessário. não existe contradição com a importôncio prioritária atribuída aos dois motivos anteriores. Nestes casos. bem como no grau de assimilação dos militantes com relação ao universo ideológico proposto pela doutrina. . . Gustavo Barroso é praticamente o único representante. Os resultados mostraram que a "motivação" principal que ocasionou a adesão de cerca de dois terços dos integralistas foi o anticomunismo. sem negar aspectos nocivos de ação judaica. no segundo. Embora seja possível estabelecer. em 1931. a fim de que a ideologia efetivamente praticada não se reduza a uma mera retórica dos seus principais dirigentes e teóricos. desenvolvimento do país e simpatia pelos movimen_tos fascistas europeus. porque o nacionalismo é mais um estado de espírito e urna atitude afetiva do que uma dimensão ideológica. op. embora o anti-semitismo não seja um tema ideológico que estabeleça consenso entre os ideólogos integralistas. Colônia de Banqueiros. 9. a entrevístcr'e a pesquisa por questionário junto aos aderentes do movimento incorporam novas informações capazes' de' eluddar questões que podem dar origem' a interpretações não circunscritas ao compo -doutrínério dos intelectúais 'do movimento. cit. foi mencionado apenas pela metade da amostra. O estudo desenvolveu-se 'em dois níveis: no primeiro. oposição ao sistema político vigente. reforçando a hipótese do parentesco ideológico entre o integralismo e o fascismo. anti-semitismo.poís. em 1935. ao menos. O tema do nacionalismo está sempre presente na ideologia tanto no plano afetivo como no intelectual. que supostamente poderia ser considerado como o motivo provavelmente o mais freqüente. vide em Helgio Trindade. o tema. toda a civilização do século XX" (86). Enfim. (87) Maiores detalhes sobre a metodologia do trabalho.mesmos com rekrçõo às principais dimensões teóricas da ideologia. valores espirituais. grande parte da importância atribuída a este motivo provém provavelmente da inspiração anticomunista dos movimentos fascistas europeus. Após a tentativa de Salgado. parecem mais reticentes em aceitar a tese de que se pode reduzir o conjunto dos adversários ao judaísmo. 158 e 168. Colônia de Banqueiros: "Trotski e Rothschild marcam a amplitude das oscilações do espírito judaico. considerou-se a freqüência relativa de cada motivo tomado isoladamente no complexo de motivos mencionados. sensíveis à luta desencadeada pelos movimentos fascistas contra o liberalismo e o comunismo. p. Rio de)aneiro. corporativismo. tendo um papel central na radicalização nacionalista dos anos 30. mas de explorar sistematicamente uma série de informações transmitidas diretamente pelos integralistas e que permitem reconstituii as principais razões que condicionaram os militantes a inscreverem-se' na AIB. Brasil. medo nos militares e simpatizantes do integralismo. ao mesmo tempo. Anti-semitismo procurando provocar o O último inimigo 'do integralismo é o judaísmo. O termo "motivação" está provavelmente sendo utilizado abusivamente.

antiplutocratismo. comparou-se a importância relativa de cada "motivação" com relação às três dominantes. socialismo-nacional. O instrumento de medida das atitudes foi estabelecido ci partir do núcleo de proposições ideológicas que tentava reduzir a ideologici fascista às dimensões básicas presentes no modelo fascista italiano. . disciplina. entretanto. em escala reduzida. pois. implantado num país periférico. A organização integralista. _ . através de análises estatísticas. Desta forma tornou-se imperiosa a ampliação do campo de abrangência do trabalho: possibilitando. pp. através de distribuições das respostas a cada uma das 71 questões. A determinação do índice de uniformidade ideológica demonstrou que o grau de homogeneidade ideológica dos integralistas era bastante elevado. visão pessimista da história. das virtudes militares). Neste sentido. visão hierárquica da sociedade. valores e preconceitos (antisemitismo. O tipo de organização. pp. parece indispensável integrar uma nova dimensão: a análise das atitudes ideológicas dos militantes. O segundo aspecto da análise pretendeu ultrapassar a mera descríçõo dos. a organização daAIB é não somente um meio eficaz. O que se observou nas constelações de "motívoções" foi que elas se organizavam em torno de três núcleos principais constituídos pelos motivos mais freqüentes considerados isolcidamente (o anticomunismo. op. Tratava-se. SOCIEDADE E POLÍTICA 329 liberal. portanto.. anti-socialismo. As. antiliberalismo) ou a valores espirituais. Geralmente as organizações políticas autoritárias se estruturam hierarquicamente com o objetivo de enquadrar eficazmente seus militantes. A partir desta primeira observação. tradicionais. 281-282. As principais obros sobre o fascismo europeu se limitam ao estudo da história. valorização dos grupos naturais. corporativismo. sob o controle de organismos de enquadramento e socialização ideolóqico. a mística da transformação social e a solidariedade face aos fascismos europeus. (88) Maiores detalhes vide in Helgio Trindade. anticapitalismo internacional. como algumas dimensões do nacionalsocialismo alemão.nc ídeoloqío integralista 'vivenciada individualmente pelos militantes. Com este objetivo elaborou-se um conjunto de proposições visand~ an~lisor as atitudes dos militantes através de oomportamentos verbais. a determinar. dimensões ideológicas selecionadas foram as seguintes: nacionalismo. o que está a demonstrar o quanto o integralismo deixou-se penetrar por um alto teor de conteúdo fascista em sua ideologia a ponto de ser assimilada por seus próprios aderentes em todos os níveis (88). simbolizado pela convocação da Constituinte. Este enfoque tradicional pode ser suficiente para o estudo dos movimentos cuja natureza ideológica era indiscutível. ética fascista (fidelidade. op. a simpatia pelo fascismo e o nacionalismo). sacrifícios). voltado para a ação política. No entanto.GERAL DA CIVIliZAÇÃO BRASILEIRA t. cit. . A análise do grau de identificação entre os ideólogos integralista e fascista não implicava em julgamento de valor sobre as relações porventura existentes entre a AIB e os movimentos fascistas europeus. apesar da importância relativa da oposição ao governo atribuída pelos respondentes explicar-se pela conjuntura política. Os outros motivos indicados são representativos do universo ideólógico integralista. quando o objetivo é determinar a natureza de um movimento de aparência fascista. A análise propunha-se. 264-280. (89) Informações sobre o cálculo do Índice de Uniformidade podem ser encontradas Helgio Trindade. sem descaracterizar a linguagem fascista. mas um instrumento de elaboração e experimentação. Os dados revelaram que as motivações mais fortemente associadas eram o anticomunismo e a simpatia para com os fascismos: dois terços dos que fizeram referências ao anticomunismo mostraram-se também favoráveis ao fascismo e a recíproca também era verdadeira para os três quartos de pró-fascistas. exaltação dos valores autoritários. a AlB incorporou uma nova dimensão capaz de transformar a organização na pré-figuração do Estado integral. O pre~s~posto r~!?"ionalera uma o:~anização a~toritári~ dis?o~do de m~os de sociclizor pohhcamente seus militcmtes. antiliberalismo. "motivações" individualmente consideradas para estudar sua articulação com o conjunto de motivos indicados em cada resposta. na realidade tratava-se de uma hostilidade generalizada com relação a todos os regimes políticos republicanos. de construir questões referentes a cada dimensão ideológica. já que 75% das respostas foram consistentes com o padrão esperado e somente em 15%dos casos ocorreu uma discrepância entre a ideologia da cúpula com relação à base da AIB (89). do Estado Integralista. mas procurava apenas verificar a existência ou não de um parentesco entre os dois universos ideológicos independentemente de qualquer relacionamento institucional. as relações entre o Chefe e os diversos órgãos estabelecem as bases de uma estrutura estatal. ordem. amizade. antimaçonaria. formulando proposições capazes de exprimir os temas e valores fascistas e de os introduzir em uma linguagem que levasse em consideração o vocabulário ideológico atual. agrupadas segundo as diferentes dimensões referidas.' determinar o teor do fcscismo. O discurso ideolóqico tenderia a se propagar deuma maneira homogênea entre os diferentes níveis de militância. Estrutura daNB O tipo de estrutura organizativa do integralismo é outra característica importante para definir a natureza do movimento.. in . Portanto. o nível de adesão dos integralistas às dimensões fundamentais da ideologia fascista. espirituais.328 HISr6RIA. cit. Os resultados da pesquisa revelaram um alto grau de identificação dos militantes da AIBcom relação às diferentes dimensões do fascismo ideolóqico (em quase 2/3 dos casos o grau de concordênÍcia com cada questão era superior a 75%). supera esta função meramente instrumental: além da estrutura vertical e rígida. Neste contexto um outro aspecto cr-scrlientor e que reforça as observações anteriores refere-se à determinação do grau de homogeneidade ideolóqicodos militantes comparando-se as atitudes dos que têm responsabilidades nas direções nacional e regional com a dos militantes das bases locais. do discurso ideológico ou da organização fascistas. mas influenciam pouco significativamente nas adesões: apenas um quarto dos integralistas aderiram por 'identificação a valores autoritários (disciplina.

as atitudes ideológicas dos militantes. tomou-se o primeiro partido de massa no Brasil.. Bibliograpby). não se tornaram uma grsrnde força polítíccr?"]") Entretanto. "Certamente. não apenas pelos seus componentes teóricos constatáveis na literatura doutrinária. mas. inclusive regimes com essas características". deve receber alguma atenção neste contexto. . uma tríplice função: fornecer oocheíe meios poderosos para dirigir o movimento. Segundo o autor.. a Falange Socialista Boliviana. o fascismo desenvolveu-se melhor sob condições de liberdade política e encontrou sempre sérias dificuldades em alguns regimes autoritários da Europa Oriental. que "movimentos fascistas capazes de alcançar uma. 138-139 V. foram capazes de alcançar alguns dos' setores da sociedade que. ) e. realizar uma experiência pré-estcrtnl ao nível da organização. INTEGRALISMO. a retórica e os símbolos do fascismo. nenhum grande partido fascista vingou na década de 30". mas por sua presença explícita na visão ideológica dos militantes de base. "houve certamente muitos outros movimentos (antiliberais. Surpreendentemente na Argentina. Um deles. podese concluir que a natureza da ideologia integra lista. como exemplifica o destino de Codreanu sob a real ditadura do rei Carol da Romênia. Linz procura determinar os fatores explicativos do pouco sucesso desses movimentos que. podemos apenas indagar mas não responder "por 'j (90) juan Linz. Unív. Fascism a Reader's Cuide (Analyses. sob liderança burguesa. a presença de colônias de italianos e. sobre o fascismo 'numa perspectiva compcrctívu. . Indubitavelmente. incluindo alguns partidos populistas. possivelmente ter-se-iam identificado com a ideologia.o estilo característicos de seus correspondentes europeus. desde o Chefe até os militantes de base. IV. Talvez a suscetibilidade de outros grupos políticos. O novo nacionalismo associado a certos setores da sociedade. Não deve ser esquecido que. através das relações rígidas entre os órgãos de enquadramento disciplinado dos milítontes (desde as organizações dajuventude até a milícia) e da submissão autoritária e fidelidade aos superiores hierárquicos. antidemocráticos. centralização personalizada no chefe e os elos burocráticos da estrutura vertical são elementos indissociáveis na organização do integralismo. 1976. Linz afirma que "sem a presença política organizada de seus tradicionais immiqos. e partidos como o APRA. funções. com organização e. inspirada no modelo teórico do 'Estado. apesar das limitações de dados disponíveis sobre os movimentos de tipo fascista do continente sul-americano. no Peru. um movimento trabalhista proletário. Porto Alegre. "Some Notes Toward a Comparative Study of Fascism" in Sociological Histortcal Perspeaioe. Revista IFOI. a certas idéias fascistas. "O Integralismo e o Fascismo Internacional". com exceção do Integralismo de Plínio (embora sem alcançar o poder político). resoluções do Chefe e rituais: o caráter totalitário. por sua vez. 1976. a ligação da direita católica com o universo de idéias da Ação Francesa e a receptividade de muitos homens do governo às ideologias antidemocráticas européiastornasself mais difícil o surgimento de um verdadeiro movimento fascista em muitos países ibero-americanos. apesar' de seus componentes extraídos da tradição autoritária brasileira dos anos 30. intelectuais e mesmo burguesias nacionais ri Portanto. O autor acrescenta que. base nas massas. como a mexicana. Neste sentido. sobre o caráter fascista do Integralismo ("!).. somente em uma democracia poderiam crescer e tornar-se ameaçadoras algumas das forças políticas. o grau de homogeneidade da difusão da ideologia entre cúpula e base do movimento e a estrutura rígida da organização. réforçando a linha"d~ interpretação. em outras circunstâncias. Não pode haver muita dúvida de que as idéias fascistas não enfrentaram democracias bem estabelecidas e sucedidas ou de que os latino-americanos não se sentiam tão comprometidos com os valores liberais-democráticos como. os escandinavos ou os cidadãos do Reino Unido. esvaziaram as oportunidades para tais movimentos. como estudantes. A organização integralista desempenha. a partir dos dados sobre as motivações de adesão. constituir-se num instrumento de socialização político-ideológica dos aderentes." Prosseguindo sua análise. contra o qual os fascistas tentaram mobilizar certos setores da sociedade. ria sua opinião qualificada. Em muitos países. Integral.' houve relativamente poucos. forma uma organização burocrática e totnlitórío. (91) Juan Linz. Laqueur. transmitida através dos mecanismos de socialização política. Interpretations. incorpora a Ação Integralista Brasileira em' sua análise. FASCISMO E A SOCIEDADE BRASILEIRA DOS " ANos 30 Juan Linz. devido à falta de pesquisas monográficas sobre o tema. Num texto posterior discútirú algumas questões mais amplas referentes ao fascismo na América Latina onde. A burocracia da organização mcnííestcse através de Um complexo dê órgãos. . como o partido comunista. papéis. governos autoritários já no poder ou a perspectiva de intervenção militar na política para assegurar algumas das metas perseguidas em outros lugares pelos fascistas. inserese no universo ideológico' do fascismo europeu. com exceção do Intregralismo. reacionários ou populistas) (. a despeito e talvez por causa da força das ideologias da ala direita e grupelhos. trabalhadores em empresas sob o controle estrangeiro. In: W. por exemplo. INTEGRAllSMO 331 que na América Latina movimentos fascistas. o fascismo não tinha razão de ser.cdemões (em parte identificados com os movimentos dominantes em seus países de origem) contribuíram para um conhecimento considerável do fascismo.330 HISTÓRIA GERAL DA CNIllZAÇÃO BRASILEIRA " A estrutura da AIB. pp. a explicação deve ser buscada em função de uma série de fatores que ele procura detectar no processo histórico latino-americano da época. O Partido Nazista do Chile aparentemente não teve o sucesso comparável ao do Integralismo. pois. o contacto constante de intelectuais da América Latina com a Europa. comportamentos previstos minuciosamente pelos estatutos." Poder-se-ia também argumentar que algumas das revoluções nacionais populistas. em obra coletiva publicada em 1976. California Press.

onde o . afirmando que a Ação Integralista "semelhante a outros fascismos da Europa ocidental. em que o foco da explicação procura mostrar que na AlB se interpenetram a influêricia do modelo de referência externo do fascismo europeu com as condições favoráveis presentes no 'processo histórico brasileiro dos anos 30: "A ideologia integralista se elaborou num período de transição da evolução (92) juan Linz. em muitos aspectos e aspirações. Eles não eram capazes da mórbida e romântica violência da Guarda de Ferro. Tampouco no contexto de um regime semi-autoritário. Sem dúvida. enquanto a hegemonia econômica era exercida pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido. profissionais e militares. Deslocando-se da análise comparativa para o contexto brasileiro dos anos 30. op.muitos aspectos essencialmente antifascista.o líder da JONS. o que poderia' contribuir para explicar seu aparecimento e relativo sucesso't. dificultasse a união do nacionalismo cultural e econômico. o autor sugere uma interpretação capaz de explicar a significativa ascensão da AIB e seu posterior fracasso. Este texto escrito em 1935. É preciso ressaltar que alguns dos temas que acabamos de apontar. começando a ser mobilizado pelo catolicismo. p. artesãos ou agricultores. como é o caso aqui. como na Legião Cearense do Trabalho. mas não encontraram o tipo de camadas sociais em crise e desesperados violentos que a guerra tinha criado na Europa. chama-se México". da Guarda de Ferro. do que uma pequena burguesia de negociantes. a AIB teve o mesmo destino de muitos outros movimentos fascistas. em suas linhas 'gerais. referindo-se à peguena burguesia republicana. Juan Linz salienta o papel da crise político-cultural dos anos 30. mesmo ao fascismo italiano quando de seu surgimento. excluídos os do sudeste da Europa. cujo sucesso foi interrompido por regimes autoritários: o destino do sindicalismo nacional português. A partir destas reflexões sobre a fraqueza de movimentos de. particularmente o da Espanha. antes de tornar-se fascista. Línz procura explicar as' razões do sucesso relativo do Integralismo e lança explicitamente a questão "Por que o fcrscismo no Brasil?" A busca de uma resposta' a esta questão. com o advento do Estado Novo: "O Integralismo foi uma resposta generacional à crise da Velha República e às revoluções do início dos anos 30. enquanto a esquerda era aparentemente antifascista. Uma vez que o autoritário regime de Vargas foi institucionalizado no Estado Novo. poderiam transformar-se em um partido eleitoral de massa. num contexto um tanto estranho. Estes tensões poderiam mobilizar muitos brasileiros.nacionalismo e a religião podiam fundir-se devido às singulares circunstâncias históricas. é bem diferente da atmosfera em que emergiu o Nacional-Socialismo Afemão. de maneira mais trágica e sangrenta. A análise de Linz coincide.. um núcleo inicial de intelectuais. . op. cit. (. considera. esse fascismo tem um nome que não é invejável. ainda que ele considere que. 139-140. e quando não tem um forte pensamento nacionalista. somentevpode ser feita em uma perspectiva sistemática compcrcrtívc". p. com a vinda da Rep6blica. como uma alternativa funcional ao fascismo. a' qual tentara implantar. mais tarde. 141. o movimento surge em meio modernista e intelectual e. Tratava-se mais de úma resposta cultural e política do que de uma expressão de interesses sócioeconômicos específicos. de alguma forma. e a alguns da França e. mas possuía certas possibilidades de fazer carreira política dentro do sistema. a ala esquerda do foscismo espanhol. nisso. pp. essencialmente fascista. e. . (93) juan Linz. um novo programa de integração nacional e de reforma. 14~ .. a Falange Espanhola. explica o fascinio de cunho religioso do movimento" (94). (95) Juan Linz. tivesse observado que "no Espanha. Em contraste com outros fascismos. cit. como na Romênia. No contexto desta paradoxal análise. Eslováquia e Croácia. é um movimento que responde mais a uma crise política e cultural do que a uma crise econômica. não era um estranho ao processo político. SOCIEDADE E POLfrlCA 333 emergentes poderiam encontrar outros canais. em 1931. Como o Fascismo Italiano e. na ótica do autor. em consequência disso. dos movimentos fascistas do Báltico e. sobre como Inserir o Integralismo no amplo panorama dos movimentos fascistas. cit. sob o Rei Carol e. com a visco do movimento integralista inscrita na conclusão de meu trabalho de tese. op. ele escreve: "O fascismo que a pequena burguesia esquerdista pode desenvolver quando está cercada pelo marxismo. A combinação da violência política.. Seu líder.. requeririam pesquisas mais sérias antes de poderem ser admitidos mesmo como hipóteses (92). Certamente nunca tomou os temas neopagãos que encontraríamos na Alemanha e nos fascismos do Norte da Europa .. o Integralismo nasceu em meio católico.332 HISTÓRIA GERAL DA CIVIliZAÇÃO BRASILEIRA t. embora marginal ao sistema. (94) Ibid. sucesso eleitoral e alianças com a situação para alcançar o poder esteve fechado a eles. neste contexto caiba apenas "esboçar algumas poucas idéias que podem ser discutíveis. de certa forma. como é o caso da Espanha. seu destino' estava selado. sob uma bandeira antidemocrática. e talvez o fato de que na República os católicos ocuparam relativamente uma posição marginal. a ausência de um partido católico. Neste contexto é interessante que Ramiro Ledesma Ramos. instítucionalízada num movimento populista nacional. sob o Marechal Antonescu" (95). ) talvez o fato de que o poder da hegemonia intelectual na América Latina dos anos 30 estivesse ainda sob a influência da França. As tensões na sociedade brasileira levaram aquela geração para diferentes canais políticos. Neste caso.. a revolução mexitana.inspiração fascista na América Latina. a direita era aparentex. Ele atrai mais.I") Análise de [uan Linz Estabelecidas as limitações de sua análise. intelectual e atraiu forças sociais.nente fascista" e em .

. mesmo que fosse um visionário. 288·289. como também entre certos segmentos da classe trabalhadora.: o anti-semitismo de inspiração nccíoncl-socíohstc. como um pesadelo dos. entretanto. fundado sobre o messianismo místico " do destino histórico da nova raça mestiça. Ação Integrafista: O fenômeno fascista.. Nacionalista. O nacionalismo e o espiritucrlismo.modernista pôs em questõo os valores estéticos tradicionais e a renovação católica atingiu amplas camadas intelectuais. a ideologia·integra.que acreditava responder às as~ir~~ões de . Não se pode dizer. teria podido se desenvolver no Brasil. foi outra.334 HISTÓRIA GERAL qA CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA INTEGRALlSMO 335 político-econômica e cultural da sociedade brasileira. A adesão ao fascismo de setores importantes da população e a aceitação de sua organização paramilitar. Desta forma. . católico e republicano desde sua juventude.foi rejeitado pela história brcsíleírc.. O chefe integralista emergia do confronto dessas contradições. Enraizado num nacionalismo telúrico. nesta época. Não foi obra de um só homem. entre as duas guerras. que o Integralismo tenha sido exclusivamente um mimetismo)deológico. A mutação da sociedade brasileira. A consciência nacionalista. . op. A rápida ascensão do integralismo e sua penetração ideológica no seio das classes médias. Contudo. permitiram a coexistência num único movimento de tendêncios ld~l~glcas justapostas. a análise da Ação Inteqrclístcr nos leva a concluir que sua natureza.u~ jovem país e aberto às influências .:!lcas existentes desde seu nascimento até sua dissolução. pode ser considerado na ccepçõo ampla do termo (como todo movimento de reação contrarevolucionária tendendo a impor uma estrutura de dominação totalitária). estilo do Chefe e rituais não se podem explicar sem levar em consideração a influência do modelo de referência externo. com um discurso ideológico e uma organização nacionais. de salvaguardar a unidade do Integralismo. faz do Integralismo uma ideologia eclética. A realidade. tais condições surgem durante a evolução histórica entre duas guerras mundiais pela conjugação dos conflitos econômicos. (95) Helgio Trindade. A fascinação pela experiência fascista na Europa e o surgimento dos movimentos de extrema-direita no Brasil conduzirão Salgado a fundar a Ação Integralista com o objetivo de influir 'sobre os rumos ideológicos da Revolução de 1930. anos 30" (95). desenvolveu-se.se explicam sem condições internas ícvoróveísr-Nc realidade.go c~m. mer~to. Desiludido da República liberal. encontrava-se no centro dessas tensões sócio-políticas e dessas inquietudes ideológicas. sob o impacto de uma nova situação internacional. a influência dos fascismos europeus é essencial para explicar a natureza da. A formação de. apesar das chvagens ldeolo!. pois. o estatismo romano e o corporativismo do fascismo italiano. sociais e políticos com a crise ideológica das elites intelectuais. transformará esse movimento na primeira orqcmízoçõo de ~~~sa no BrasiL É verdade que seu conteúdo ideológico se apoiou amplamente no Icscísmo europeu. associados à luta contra u~ i~imi. mas nasceu de uma sociedade' em transição. que se acentuou no após gúerra. . marcada 'pela revolução soviética e a contra-revolução fascista. O papel conciliador do chefe integralist~ teve o. o Integralismo . sob diversas formas. incorpora numa nova síntese. um proletariado industrial. p. organização hierárquica. colocou sua energia ao serviço da revolução literária que o incitará ao engajamento político. A diversidade de movimentos autoritários na Europa influenciando o Brasil. à insatisfação das classes médias civis e militares em ascensão provocaram crises sucessivas no sístemo político da Primeira República. que conduziu à crise ídeolóqícc dos 'elites intelectuais. porém. engendrou novas contradições entre as Classes sociais em ascensão. Os conflitos sociais do após Primeira Guerra e o ciclo de insurreições 'tenêntístcs' constituíram a infra-estrutura. ctt. a revolução . nõo.um. esses dois elementos doutnnanos de convergência do Integralismo. o tradicionalismo social e religioso do Integralismo lusitano e do salazarismo. Sem excluir a existência de outras formas possíveis do' fascismo latu sensu na América Latina.