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Processamento de Sinais

Data de impressão (versão): 28 de agosto de 2004, 08:23:23 documento composto com L A T E X2 ε usando L Y X.

1.1 Transformadas Integrais

gˆ (t ) g (t ) contínua Análise descontínua equacionamento Série de Fourier Harmônica periódica
gˆ (t )
g (t )
contínua
Análise
descontínua
equacionamento
Série de Fourier
Harmônica
periódica
simples
(Série Complexa de Fourier)
(Análise de Circuitos,
equacionamento
Termodinâmica)
complexo
G ( f )
discreta
G
( f )
Análise
g
(t )
contínua
Espectral
Transformada de Fourier
aperiódica
complexa (G ( f ) ∈ )
(Análise de Sistemas,
real (g (t ) ∈
)
f
< 0
Telecomunicações)
Análise
g (t )
G
(s)
Transformada de Laplace
Transitória
g
(t ) = 0,
t
< 0
s
(Controle Automático)
Sistemas
g (t ) → g [k ]
G (z)
Amostrados
Transformada Z
tempo
z ∈
(Controle Digital,
discreto
Processamento Digital de Sinais)

1.2 Série de Fourier

A idéia de se representar uma função complicada como uma combinação linear de funções elementares de forma simples é bem conhecida e bastante utilizada na análise de circuitos. Desta forma, uma função complicada g (x) em um intervalo [x 1 , x 2 ] pode ser representada por:

onde:

Ψ i (x )

a i

é um conjunto de funções elementares;

são os coeficientes do desenvolvimento.

g

(x ) =

i = 0

1

a i Ψ i (x)

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Se Ψ i (x ) é formado por um conjunto de funções ortogonais 1 , então os coeficientes a i são independentes. Neste caso, trata-se de um “desenvolvimento em série de funções ortogonais”. De todos os desenvolvimentos em série de funções ortogonais, a Série de Fourier 2 é sem dúvida o desenvolvimento mais utilizado em Análise de Circuitos e Tratamento de Sinais. As séries de Fourier são expansões de funções periódicas g (x ) na forma de uma soma infinita de senos e co-senos:

g (x) =

n

= 0

a n cos(nx ) +

n

= 0

b n sen (nx ) .

As séries de Fourier fazem uso da relação de ortogonalidade existente entre as funções seno e co-seno que é usada para calcular os coeficientes a n e b n da somatória. O cálculo e estudo das séries de Fourier é conhecido como Análise Harmônica. Para computar a série de Fourier, usa-se as identidades integrais:

Z

π

π sen (nx ) dx

Z

π

π cos (nx ) dx

Z

π

π cos(mx) sen (nx ) dx

Z

π

π sen(mx) sen (nx ) dx

Z

π

π cos(mx) cos (nx ) dx

=

=

=

=

=

0

0

0

se

n

= 0

2 π

se

n = 0

0

se

m

= n

π

se

m = n

= 0

0

se

m = n = 0

0

se

m

= n

π

se

m = n

= 0

2 π

se

m = n = 0

onde m, n , isso é, m e n são inteiros. Estas identidades correspondem a condição de ortogonalidade das funções integradas no intervalo [π , π ]. Expandindo g (x ) numa série infinita na forma:

∞ ∞

g (x ) =

n

= 0

a n cos (nx ) +

n

= 0

b n sen (nx )

ou iniciando a série em n = 1 para evitar os casos especiais das identidades integrais acima (assim n > 0):

∞ ∞

g (x ) = a 0 +

n

= 1

a n cos (nx ) +

n

= 1

b n sen (nx )

(1.1)

onde foi usado o fato de que sen0 = 0 o que torna b 0 indeterminado (e desnecessário) já que b 0 sen0 = 0 para todo e qualquer valor de b 0 ; e também a 0 cos0 = a 0 já que cos0 = 1. Supondo que a função g (x ) é periódica no intervalo [π , π ] 3 pode-se usar a condição de ortogonalidade para, integrando a Equação (1.1) no intervalo [π , π ], obter:

Z

π

π g (x) dx

=

=

=

π a 0 +

Z

π

n

= 1

a n cos (nx ) +

1 b n sen(nx ) dx

n

=

a 0 Z

π

2 π a 0 +

π

= 1 Z

n

π

dx +

n = 1

π [a n

cos (nx ) + b n sen (nx )] dx

(0 + 0 ) = 2 π a 0

1 Duas funções g ( x) e h ( x ) são ditas ortogonais em um intervalo [a, b] se:

Z b
a

g ( x ) h ( x ) dx = 0.

2 Jean-Baptiste-Joseph Fourier (1768-1830), matemático e físico francês. 3 Portanto com período igual à 2π.

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e, multiplicando a Equação (1.1) por sen (mx ) e integrando no intervalo [π , π ], temos:

Z

π

π g (x) sen (mx ) dx =

=

=

Z π a 0 +

π

b n sen(nx ) sen (mx ) dx

= 1

a n cos (nx ) +

n

= 1

n

π

a 0 Z π sen(mx ) dx +

= 1 Z

n

π

π [a n cos (nx ) sen (mx ) + b n sen(nx ) sen (mx )] dx

π b n

se n = m .

Da mesma forma, multiplicando a Equação (1.1) por cos(mx ) e integrando no intervalo [π , π ], assim:

Z

π

π g (x) cos(mx ) dx

=

=

=

π a 0 +

Z

π

b n sen(nx ) cos (mx ) dx

= 1

a n cos (nx ) +

n

= 1

n

a 0 Z π cos(mx ) dx +

π a n

π

se n = m .

= 1 Z

n

π

π [a n cos (nx ) cos (mx ) + b n sen(nx ) cos (mx )] dx

Note que se m = 0 a expressão acima recai no primerio caso (cálculo de a 0 ). Isolando a 0 , a n e b n tem-se as Fórmulas de Euler 4 :

a 0

a

b

n

n

=

=

=

π Z π g (x ) dx

2

1

Z

π

1

π

π

1

π

π g (x ) cos(nx ) dx

Z

π

π g (x ) sen(nx ) dx

(1.2)

(1.3)

(1.4)

para n = 1, 2, 3, A expansão em série converge para a função g (x ) que é igual a função original g (x) nos pontos onde g (x) é contínua ou igual à média dos dois limites laterais nos pontos de descontinuidade. Por isso o sinal de igual da Equação ( 1.1) não está rigorosamente correto; a expansão em série de Fourier é na verdade uma aproximação para a função. Mas esta aproximação é muita boa e geralmente só traz problemas do ponto de vista teórico nos pontos de descontinuidade da função original. Note que um sinal físico real não pode apresentar pontos de descontinuidade pois implicaria no dispêndio de uma potência infinita para fazer a função mudar de valor instantaneamente o que não é possível na prática. Num ponto de descontinuidade x 0 [π , π ], g vale:

(x 0 )

g

lim xx 0 g (x ) + lim xx 0 + g (x )

2

lim x π + g (x ) + lim xπ g (x )

2

para

para

π < x 0 < π

x 0 = π , π

se a função g(x) satisfaz a condição de Dirichlet 5 , isso é:

1. a função g(x ) possui um número finito de descontinuidades;

2. a função g(x ) tem um número finito de extremos.

(1.5)

Exemplo: considere a onda quadrada g (x ) representada na Figura ( 1.1-a) com período igual à 2π . A expansão em série de Fourier pode ser obtida aplicando as fórmulas de Euler dadas pelas Equações ( 1.2), (1.3) e (1.4) para calcular os coeficientes a 0 , a n e b n e, então, substituindo os coeficientes obtidos na Equação (1.1). Note que, no intervalo (π , π ), a função g(x ) pode ser escrita como:

g (x) =


1

se

π < x < 0

1

se

0 < x < π

Observe que g (x ) não precisa ser definida nos pontos de descontinuidade, isso é, quando x valer ( Pela Equação (1.5) o valor da expansão em série de Fourier nestes pontos será zero.

4 Leonhard Euler (1707-1783), matemático suíço. 5 Peter Gustav Dirichlet (1805-1859), matemático alemão.

, π , 0, π , 2π , 3 π ,

).

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Aplicando a Equação (1.2):

a 0 =

π Z π g (x) dx =

2

1

π

π Z

1

2

0

π 1dx + Z π 1dx = 1 π (0π + π 0 ) = 0 .

2

0

Da mesma forma, aplicando a Equação (1.3), temos:

a n

=

=

π Z π g (x) cos (nx ) dx =

1

π

π Z

1

π cos(nx ) dx + Z π cos (nx ) dx

0

0

1 sen (nx )

π

n

0

π

+ sen (nx )

n

π

0

= 1 π (00 + 00) = 0

n

Então, aplicando a Equação (1.4), temos:

b n

=

=

=

π Z π g (x) sen (nx ) dx =

1

π

π Z

1

π sen (nx ) dx + Z π sen (nx ) dx

0

0

1 cos(nx )

π

n

0

π

+

cos(nx )

n

π

0

= 1 π (1 cos(n π ) cos(n π ) + 1 )

n

2 π (1 cos(n π ))

n

como o cos (n π ) vale (1, 1, 1, 1,

) para n = (1, 2, 3, 4,

) pode-se simplificar o resultado para:

b n =

4

n π

para n ímpar

.

0 para n par

Levando os valores de a 0 , a n e b n à Equação (1.1), obtemos:

ou, de outra forma:

g

g (x ) = 4

π

= 1

n

1

n sen (nx )

com n ímpar

(x ) = π sen x + 1 3 sen3x + 1

4

1

1

5 sen5x + 7 sen7x + 9 sen9x +

1

11 sen11x +

(1.6)

(1.7)

(1.8)

isso é: uma somatória de senóides com freqüência crescente e amplitude decrescente. Observe que a função representada na Figura (1.1-h) não é a função g (x) mas sim uma aproximação de g (x ) usando vinte e cinco harmônicas (da 1 a até a 49 a harmônica, apenas as harmônicas ímpares).

Para simplificar a n e b n convém observar que:

sen n π

=

cos n π

=

1 + cosn π

=

1 cosn π

=

sen n π

=

2

cos n π

=

2

sen n π

=

2

cos n π

=

2

0

1, 1, 1, 1, 1,



2

para n par

0

para n ímpar

2

para n ímpar

0

para n par

1, 0, 1, 0, 1, 0,

0, 1, 0, 1, 0, 1,

= (1 ) n

=

=

⎧ ⎨ (1 ) n1 2

0

para n ímpar

para n par

⎧ ⎨ (1 ) 2

n

para n par

para n ímpar

0

sen 3n π = sen 5n π = sen 7n π = sen 9n π

2

2

2

2

cos 3n π = cos 5n π = cos 7n π = cos 9n π

=

2

2

2

2

=

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(a)

(b)

(c)

(d)

(e)

(f)

(g)

(h)

g (x ) x − π 0 π 2 π 3 π x − π
g
(x )
x
π
0
π
2 π
3 π
x
π
0
π
2 π
3
π
x
− π
0
π
2 π
3 π
x
− π
0
π
2 π
3 π
x
− π
0
π
2 π
3 π
x
− π
0
π
2 π
3 π
x
− π
0
π
2 π
3 π
x
π
0
π
2
π
3
π

Figura 1.1: Onda quadrada representada como soma parcial de uma série de Fourier, (a) onda original, (b) primeira harmônica (fundamental), (c) 1 a e 3 a harmônicas, (d) 1 a , 3 a e 5 a harmônicas, (e) 1 a , 3 a , 5 a e 7 a harmônicas, (f) 1 a , 3 a , 5 a , 7 a e 9 a harmônicas, (g) 1 a , 3 a , 5 a , 7 a , 9 a e 11 a harmônicas, (h) da 1 a até a 49 a harmônicas ímpares

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G (n )

4

π

4

3

π

4

5

π

4 πω ω n 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
4
πω
ω
n
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15

rd

s

Figura 1.2: Espectro de freqüência da onda quadrada

Note que as Equações (1.7) e (1.8) podem ser interpretadas no domínio da freqüência (ou, mais especificamente, da freqüência

angular) se x for tomado como sendo o tempo medido em segundos: como n = 1, 2, 3, 4,

com amplitude igual à 4/ π ; outra senóide de 3 rad/s com amplitude igual à 4/3 π ; outra senóide de 5 rad/s com amplitude igual

à 4/5 π ; e assim por diante. Cada uma destas senóides é chamada de harmônica, daí o fato do cálculo das séries de Fourier ser conhecido como Análise Harmônica. A primeira harmônica é chamada de fundamental (n = 1 ); todas as outras harmônicas são de freqüências que são múltiplos inteiros da fundamental. A freqüência da fundamental é sempre igual a da onda original. Pode-se, então, ilustrar como é o comportamento da onda quadrada em termos de freqüência e amplitude das senóides que

a compõe (a Análise Harmônica propriamente dita). A Figura 1.2 mostra a amplitude relativa de cada senóide para n = 1, 2,

3, 4,

rad/s e tem o valor da amplitude de cada senóide na respectiva

freqüência angular 6 . A nova função G (ω ) ou G (n ) é chamada espectro de g (x ). Na Figura 1.2 foi mostrada uma função contínua

de ω com uma linha tracejada que passa pelos pontos da função G (ω ) quando G (ω )

função G (ω ) que só existe nos pontos onde ω = 0, 1, 2, 3, 4,

tem-se uma senóide de 1 rad/s

, 15, ou seja, para as senóides de freqüência angular valendo 1, 2, 3, 4,

, 15 rad/s. Pode-se, então, definir uma nova

= 0 (isso é, para n ímpar) que dá uma idéia

melhor do comportamento da função G (ω ) mas que não é o espectro da função g(x ). Como g (x ) é periódica o seu espectro G(ω ) ou G ( f ) ou ainda G (n ) é uma função descontínua, se g (x ) fosse aperiódica o seu espectro seria contínuo; o estudo de funções aperiódicas se faz pela Transformada de Fourier.

Se a n e b n forem ambos diferentes de zero a expansão em série de Fourier terá componentes tanto em sen nx como em cos nx

o que torna a representação do espectro um tanto confusa. Pode-se contornar este problema usando a equação:

sen ( nx + ϕ n ) = cos ϕ n sen nx + sen ϕ n cos nx

que possibilita representar o soma de seno com um co-seno da mesma freqüência com um único seno (pode-se fazer o mesmo com co-seno). O ângulo ϕ n depende de n é chamado de ângulo de fase ou simplesmente fase. Assim, é possível expandir o conceito de espectro para espectro de fase e, em contra partida, o espectro de uma função g (x ) será chamado de espectro de módulo e será definido como:

|G (n )| = a + b

2

n

2

n

e o espectro de fase por:

ϕ n = arg(b n , a n ) = arg b n

a

n

=

atan2 (b n , a n )

onde arg é o argumento da relação de b n por a n que pode ser calculado pela função atan2 7 . O espectro de módulo e fase de função g (x ) exprimem a distribuição freqüencial do módulo e da fase, respectivamente, da função. Ainda na Figura (1.1-h) observa-se que próximo aos pontos de descontinuidade ocorrem “oscilações” conhecidas como Fenômeno de Gibbs 8 .

6 Note que ω = 0 corresponde à co-senóide com freqüência angular nula queéovalor médio da função representado por a 0 . 7 A função atan2 ( y, x ) calcula o ângulo da representação polar do ponto ( x, y ) o que equivale a calcular arctan y/x levando em conta os sinais de x e y (que determinam o quadrante do argumento) e os casos onde x = 0 onde não é possível realizar a divisão mas o argumento existe e vale π ou π rad dependendo do sinal de y. 8 Josianh Willard Gibbs (1839-1903), matemático e físico americano.

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Se a função g (x ) for par 9 de tal forma que g (x ) = g (x ), então g (x) sen (nx ) é ímpar uma vez que sen(nx) é ímpar e que uma função ímpar multiplicada por uma função par resulta numa função ímpar e que, ainda, a integral sobre um ou mais períodos inteiros de uma função ímpar é zero. Logo, b n = 0 para todo n. Da mesma forma, se a função g (x ) é ímpar 10 de tal forma que g(x ) = g(x ), então g (x ) cos (nx ) é ímpar uma vez que cos(nx) é par e que uma função par multiplicada por uma função ímpar resulta numa função ímpar. Logo, a n = 0 para todo n. Resumindo:

se g (x) for

par

ímpar

g (x ) sen (nx )

g (x ) cos (nx )

a 0 = 0

é ímpar

b n = 0

é ímpar

a n = 0

Se a função g(x) for simétrica em relação ao eixo dos xx (mesma área acima e abaixo do eixo) então a 0 = 0 mesmo que ela não seja ímpar. Se a função g (x ) for ímpar a 0 = 0 já que uma função ímpar é simétrica em relação ao eixo dos xx. Note que a n

pode ser zero se a função g (x ) não for ímpar; basta que g(x ) a 0 seja ímpar. Assim, se aparentemente uma função não for par

nem ímpar e a 0 = 0 pode ser que seja desnecessário calcular a n 11 .

Exemplo: considere a função g (x), uma co-senóide retificada, mostrada na Figura 1.3 que pode ser definida no intervalo (π , π )

como:

g (x ) =

0

se

π < x < π /2

cos x

se

π /2 < x < π /2

.

0

se

π /2 < x < π

Pode-se observar que a função g (x ) é par, logo, b n = 0. Deve-se então calcular a n e a 0 já que a função obviamente não é simétrica em relação ao eixo dos xx. Assim:

e

a 0 =

a n

π Z π g (x) dx =

2

1

π

π Z

2

1

π

/2 cos (x ) dx = sen x

2

π

π

/2

π /2

π /2 =

1

2

π

sen π senπ = 1

2

2

π

=

=

=

=

1

π

1

π

π g (x) cos (nx ) dx = 1

π

Z

π Z π /2 cos(x ) cos(nx ) dx

π

/2

π

Z

π

/2 cos (x + nx ) dx + 1

/2

π Z π /2 cos(x nx ) dx

π

/2

1 sen ((1 + n )x)

π

1 + n

π /2

π /2

+

sen ((1 n )x )

1n

π /2

π

/2

se n

= 1

n sen π

sen π

+ n sen π

n π

sen π

2

2

2

2

2

2

2

2

+ n π

n π

n π

π (2n 2 2 )

sen n π π sen π

n sen π

n sen n π π

2

2

2

2

2

2

2

2

n π

n π

π (2n 2 2 )

=

2cos n π

2
2

π (n 2 1

)

se n

= 1

9 Um forma fácil de verificar se um função é par observando o gráfico da função consiste em rebater o lado positivo do eixo horizontal (abscissa) ou eixo dos xx sobre o lado negativo, isso é, girar o lado direito da função sobre o eixo vertical (ordenada) e verificar se ele recai sobre o lado negativo da função: se a curva do lado direito recair exatamente sobre a curva do lado esquerdo a função é par. Se não houver coincidência é porque a função não é par. 10 Para verificar se um função é ímpar pode-se rebater o lado direito da função sobre o lado esquerdo (da mesma forma que foi feito para verificar se a função é par) e então girar o lado direito já rebatido ao redor do eixo horizontal (abscissa) ou eixo dos xx de 180 o : se a curva do lado direito rebatida e rotacionada recair exatamente sobre a curva do lado esquerdo a função é ímpar. 11 Nesse caso, após rebater o lado direito da função sobre o lado esquerdo gira-se o lado direito já rebatido ao redor de um eixo horizontal que passa por a e não ao redor do eixo das abscissas. Se houver coincidência a n = 0.

0

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g (x) x − π 0 π 2 π 3 π
g (x)
x
− π
0
π
2 π
3 π

Figura 1.3: Co-senóide retificada

que não inclui o caso especial onde n = 1. Assim, se n = 1, tem-se:

a 1 =

a n | n = 1

=

=

=

=

π Z

1

π g (x) cos(nx ) dx

π

n = 1

=

π Z π /2 cos (x ) cos(x ) dx =

1

π

/2

π Z

2

1

π

/2

π

/2 1 + cos(2x ) dx =

1

2

π

x + sen (2x)

2

π /2

π /2

1

π π

2

2

1

2

π

2

+ sen π sen π

2

2

= 1 π (π )

2

e a função g (x ) pode ser aproximada por:

π Z

1

π

/2

π

/2 cos 2 (x) dx

g

(x ) =

=

a 0 +

n

= 1

π 1 + cosx

2

a n cos nx = a 0 + a 1 cos x +

) cos nx .

2

cos n π ( n 2 1

2
2

π

n

= 2

n

= 2

a n cosnx

Note que cos n π = 1, 0, 1, 0, -1,

e o tratamento de um caso especial quando n = 1 que impossibilita o cálculo de a n usando o caso geral porque implica em

uma divisão por zero.

2

para n = 2, 3, 4, 5, 6,

Este exemplo é interessante porque mostra o surgimento

Funções com Período Arbitrário

Para uma função g (x ) periódica no intervalo [T /2, T /2 ], usa-se uma mudança de variável para comutar o intervalo de integração

para [T /2, T /2 ]. Fazendo:

x

dx

=

2 π T t 2 π dt T

.

Resolvendo para t, t = Tx/2 π tem-se que se x = ± π t = ±T /2. Aplicando nas Equações ( 1.1), (1.2), (1.3) e (1.4) obtem-se:

g (t ) = a 0 +

a 0

a n

b n

1 a n cos 2 π n t +

n

=

T

1 b n sen 2 π n t

n

=

T

=

=

=

1

T

2

T

2

T

Z

T/2

T/2 g (t ) dt

Z

T/2

T/2 g (t ) cos(

Z

T/2

T/2 g (t ) sen(

2 π

n

T

2 π

T

n

t ) dt

t ) dt

(1.9)

(1.10)

(1.11)

(1.12)

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Observe que a 0 tanto na Equação (1.2) como na Equação (1.10) representa o valor médio da função g (x ) (compare as Equações (1.2) e (1.10) com (??)e(??), note que início e fim dos períodos de integração são diferentes 12 ). Então, as expansões em série de Fourier de uma função g (x ) ou g (t ) dada pelas Equações ( 1.1) e (1.9) podem ser interpretadas como sendo uma componente contínua de amplitude a 0 e freqüência nula somada à uma série de componentes alternadas (a somatória de senos e co-senos). Normalmente, a amplitude de cada componente alternada diminui com o aumento da freqüência o que torna possível apro- ximar a função original por uma soma finita de senóides e co-senóides. Esta aproximação da função é conhecida como Série Incompleta de Fourier. Por exemplo, a função da Figura (1.1-h), que só tem 25 harmônicas, pode ser considerada uma boa apro- ximação para a função g (x ) mostrada na Figura (1.1-a) dependendo da aplicação. É possível calcular qual será o erro cometido no valor RMS de uma aproximação de uma função quando é empregado uma série incompleta de Fourier em função do número de harmônicas presentes nesta série. Quanto mais harmônicas menor será o erro. Contudo, além do erro no valor RMS há ainda o problema do erro no valor instantâneo da função. Uma função sem descontinuidades pode ser aproximada de forma muito exata usando um número relativamente pequeno de harmônicas: tanto o valor RMS quanto o valor da aproximação da função a cada instante de tempo será muito próximo do valor da função original. Por outro lado, uma função com descontinuidades apresentará o Fenômeno de Gibbs de forma mais acentuada e, quando aproximada por uma série incompleta de Fourier, poderá apresentar valores muito diferentes da função original em pontos próximos as descontinuidades. Como as funções seno e co-seno formam uma base ortogonal complexa, o teorema da superposição é aplicável e pode-se dizer que a série de Fourier de uma combinação linear de funções é a combinação linear da série de Fourier das funções que a compõe.

Exemplo: Considere a aplicação de uma tensão com forma de onda quadrada sobre um circuito RC série como ilustrado na

Figura (1.4-a). O valor da tensão em regime sobre o capacitor pode ser obtido usando a análise fasorial com uma pequena modificação: ao invés de uma única senóide aplicada ao circuito considera-se que há várias delas. Como o circuito é linear

o teorema da superposição é aplicável e o resultado final é a soma dos resultados parciais. Supondo que há uma única

senóide aplicada com valor v f (t ) = A sen ωt pode-se expressar este valor com um fasor na forma V f = A0 0 . Aplicando a Segunda Lei de Kirschhoff 13 :

V f = RI + X C I = (R + X C ) I I =

onde

X C =

1

j ωC

e j 2 = 1. A tensão no capacitor é dada por:

V f

R + X C

V C

=

=

X C I =

V f

j ωC

X C V f

V f

1 j ω RC

R

+ X C

R +

j ωC

1

1

=

=

1 + j ω RC =

+ ω 2 R 2 C 2 V f

A 2 R 2 C 2 arctan ω RC . ω

1 +

Expressando a tensão no capacitor como uma função do tempo:

v C (t ) =

=

=

ω A 2 R 2 C 2 sen (ωt arctan (ω RC ))

1 +

1 + ω 2 R 2 C 2

1 + ω A 2 R 2 C 2 (sen ( ωt ) ω RC cos (ωt ))

A

1

1 + ω 2 R 2 C 2 sen (ωt )

ω RC R 2 C 2 cos ( ωt ) 1 + ω 2

Porém, não foi aplicado apenas uma senóide com freqüência angular igual à ω e sim várias delas com amplitude A = 4/n π

e freqüência angular ω = n. Assim, comparando a equação acima com a Equação ( 1.7), temos:

v C (t ) =

=

n = 1

n = 1

4

n π 1 +

n 2 R 2 C 2 sen (nt arctan (nRC ))

4

n π (1 +

n 2 R 2 C 2 ) ( sen ( nt ) nRC cos (nt ))

com n ímpar

com n ímpar .

(1.13)

12 Como as funções são periódicas, o início e fim do intervalo de integração não é importante desde que a integral seja calculada sobre um número inteiro de períodos completos, isso é:

Z T

0

g

( x ) dx = Z a + T g ( x ) dx

a

a

onde T é o período de g ( x ) . 13 Gustav Robert Kirschhoff (1824-1887), físico alemão.

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v f (t )

R

C
C

(a)

v C (t )

vˆ f (t ) v C (t ) t − π 0 π 2 π
vˆ f (t )
v C (t )
t
− π
0
π
2 π
3 π
(b)

Figura 1.4: Exemplo de aplicação de uma onda quadrada em um circuito linear

o que significa que 14 :

Supondo R = 100 k e C = 10 µF, temos:

v C (t )

=

=

= 1

= 1

n

n

a

a

b

0

n

n

=

=

0

4RC

π (1 + n 2 R 2 C 2 )

=

4

n

π (1 + n 2 R 2 C