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DOMINGO, 6 DE JANEIRO DE 2008

A Gênese do Número

A única forma de vida na Terra a desenvolver uma escrita e um procedimento sistemático para
armazenar informações a ponto de poder transmiti-la de um tempo a outro mais remoto, é a
espécie humana. Embora alguns animais possuam formas rudimentares de armazenar e
codificar informações.

Boa parte do que hoje se chama matemática tem sua origem em idéias que estavam
primitivamente centradas nos conceitos de número, grandeza e forma. Consideramos
antiquadas algumas definições de matemática que restringem seu significado a "uma ciência
do número e noções primitivas relacionados com conceitos de números e grandeza". As
noções matemáticas podem ser encontradas em formas de vida que podem datar de milhões
de anos antes da própria humanidade.

Durante centenas de anos pensou-se que a matemática tinha como única ocupação o mundo
desvendado pelos nossos sentidos. A partir do século XIX a matemática pura libertou-se das
limitações sugeridas por observações que se restringia à natureza. Durante seu processo inicial
de codificação - envolvendo inclusive a codificação da linguagem - o homem dirigia sua
atenção à sua vida diária, às suas relações com o universo que podia observar. A princípio as
noções primitivas de número, grandeza e forma, podiam estar relacionadas mais com
contrastes do que com semelhanças. Diferenças de tamanho entre um mamute e e um lobo,
entre uma sardinha e uma baleia, a forma do arredondada do Sol e a forma linear de uma
árvore. Não deixaram de observar as próprias mãos, a quantidade de dedos iguais às dos pés.
A observação de grupos de animais e a associação com as quantidades de dedos, numa
correspondência um a um é inevitável até hoje. Afinal, quem ainda não conta nos dedos? Essa
percepção que obtemos desse tipo de observação nos leva a uma propriedade abstrata de
importância capital para a matemática: o número. Talvez essa percepção tenha surgido muito
antes dos 20000 anos citados na gravura acima (créditos à Larry Gonick - Introdução Ilustrada
ao Computador - 1983) mas talvez por volta de 300000 anos atrás.
A idéia de número tornou-se suficientemente ampla para que pudesse ser vivida, aumentando
consideravelmente a necessidade de o homem exprimir a propriedade utilizando alguma
representação simbólica, desenvolvendo modos cada vez mais sofisticados para efetuar a
contagem por correspondência. O registro da contagem para consultas futuras foi uma
realização inevitável dos homens das cavernas.

O mais interessante é que todas as civilizações antigas, mesmo as mais isoladas, China, Índia,
Mesopotâmia, Egito, algumas das quais ainda na Idade da Pedra quando começaram a ser
estudadas há pouco mais de cem anos, em todos os continentes e em várias outras partes do
mundo apresentaram o mesmo caminho na gênese do número: a contagem digital.

Para a criança a gênese do número é tal como foi para a humanidade, com a diferença de que
ela ocorre em um tempo tão restrito quanto for a amplitude das construções numéricas que a
possam influenciar e acelerar o progresso. O processo histórico jamais é violado em seu
contexto.

"O número é, pois, solidário de uma estrutura operatória de conjunto, na falta da qual não 
existe ainda conservação das totalidades numéricas, independentemente da sua disposição 
figural. (...) é preciso inicialmente insistir sobre o fato de que, no ser humano, os números se 
constroem em função de sua sucessão natural, (...)." (Piaget, 1971, p.15).

"... um número só é inteligível na medida em que permanece idêntico a si mesmo, seja qual for 
a disposição das unidades das quais é composto: é isso o que se chama de "invariância" do 
número (...) em qualquer lugar e sempre a conservação de alguma coisa é postulada pelo 
espírito, a título de condição necessária de qualquer inteligência matemática." (Piaget, 1971, 
p.24

Grupos de pedras são demasiado efêmeros para conservar informação mesmo quantitativa: 
esse foi o motivo que levou o homem pré­histórico a registrar um número fazendo marcas num 
bastão, pedaço de osso ou mesmo nas paredes internas de uma caverna.

O homem difere de outros animais principalmente pela sua linguagem, cujo desenvolvimento foi essencial para que surgisse o 
pensamento matemático abstrato.
 
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DOMINGO, 30 DE DEZEMBRO DE 2007

OS PROBLEMAS DO ENSINO DA MATEMÁTICA
Parte I – Da Educação em Geral
O ensino de um modo geral vai muito mal. O Brasil consegue ser um dos piores países no
ranking mundial da educação e a culpa tem caído quase sempre sobre os ombros dos
professores. Os discursos medíocres dos pedagogos nas escolas, nas universidades e nas
secretarias de educação (nos municípios, estados e órgãos federais) causam perplexidade e
no mesmo momento demonstram a incapacidade na gestão da educação.

Ao entregar a educação fundamental, em seu primeiro ciclo, aos cuidados de educadores


formados precariamente no ensino médio, comete-se um erro imperdoável. Justamente a fase
escolar que exige a presença de especialistas, cuidadosamente preparados tanto no aspecto
de domínio de conteúdo como também de técnicas pedagógicas, conhecimento de
psicopedagogia e de fundamentos da educação básica. Nossa realidade educacional,
invariavelmente, conta com as “tias” sem domínio de classe, escrevendo e falando
erradamente, muitas delas odiando Matemática, imaturas, entregues às traças. Se os alicerces
deixam muito a desejar, então o que esperar da segurança e estabilidade do edifício?

Costuma-se dizer que o insucesso do professor é equivalente ao insucesso do aluno, em parte


é verdade. Para ser mais preciso, 25% da culpa cabe ao professor. Os outros 75% podem estar
assim distribuídos: 25% da escola mal equipada priorizando interesses estatísticos e/ou
financeiros, 25% aos pais dos alunos e 25% ao sistema de gestão. Por outro lado, cada item
pode ter suas causas. Vejamos o caso do PROFESSOR: baixos salários (25%), despreparo
(50%), e os 25% restantes, atribuímos à falta de condições e de material adequado para
ensinar o que o aluno precisa. Quantificando a culpa da escola, encontramos: 25%
correspondem à precariedade das salas de aulas (mobiliários, paredes pintadas
inadequadamente, luminosidade deficiente, péssima ventilação, sem proteção térmica; 25%
falta de equipamentos como computadores, projetores, vídeos, televisores, microscópios,
maquinário de laboratório de ciências, etc.; 25% podem ser atribuídos à ausência de boas
bibliotecas, salas de leitura, auditório, salas culturais, oficinas de artes, etc.; e os 25% restantes
à gestão pedagógica da pior qualidade, com sua prática com seu modelo horroroso de
“CONSELHO DE CLASSE”, cujo objetivo é “empurrar os alunos de uma série para outra” sem
uma efetiva preocupação com a orientação das atividades escolares, tanto na parte que afeta o
aluno como no que afeta os professores e pais de alunos – o que é discutido em conselho é
tratado muito precariamente fora dele ou simplesmente deixa-se ficar como está. A cota de
culpa correspondente aos pais dos alunos também é relevante considerar: 50% correspondem
a fatores sócio-econômicos, tais como baixa renda, violência doméstica, desajustes familiares,
brigas, etc.; 25% atribuímos à falta de limites na educação familiar; 25% devem-se à ignorância
e a pouca importância dada à vida escolar do aluno. Dos 25% da gestão, destacamos: 50% ,
do pouco ou nenhum valor dado aos profissionais da educação, tanto no aspecto de habilitar
profissionais bem preparados, como também na hora de decidir salários justos; os restantes
50% concentra-se na “mentira estatística” como meio de demonstrar eficiência junto a órgãos
internacionais e à população com fins eleitoreiros. Graças a essa prática criminosa, temos os
conselhos de classes que apenas servem para promover alunos (trata-se de uma aprovação
automática colocada em uso, de forma disfarçada, desde 1971) e, mais recentemente, a
fatídica decisão de se instituir o sistema de ciclos nas escolas do município do Rio de Janeiro.

Um artigo publicado no CADERNO DE EDUCAÇÃO do jornal O Dia, no Rio de Janeiro, na


terça-feira 2 de setembro de 1997 – “ A Cola é Crime Intelectual” nos chama a atenção para
outra fraude educacional posta em prática há muito tempo. Sabemos que a cola sempre existiu,
mas o problema é que hoje, ela corre livremente uma vez que poucos professores estão
preocupados em dificultá-la. A desculpa quase sempre é a mesma: “Prefiro que meus alunos
colem a ter que empurrá-los no Conselho de Classe depois de ter-lhe atribuído um conceito
insuficiente.” Além de irresponsável, o professor está agindo criminosamente.

“Diz a máxima que “quem não cola, não sai da escola.” Para o professor de Teoria Literatura da
UFRJ e ex-colador assumido, Gustavo Bernardo, quem cola, sai da escola, sim. Mas muito
mais desonesto e trapaceiro. Gustavo é autor do livro “Cola, Sombra da Escola”, lançado pela
universidade onde dá aula e pela Escola Parque, na Gávea.”

“Infelizmente, no Brasil, há uma cultura de se ‘dar bem’ em tudo, aquele velho jeitinho
brasileiro. Na escola, não é diferente. O aluno brasileiro está acostumado a colar e nunca ser
punido, porque o professor prefere fazer vista grossa. O que ele não percebe, porém, é que
colar é UM CRIME INTELECTUAL, É O ROUBO DE UMA IDÉIA OU UM PENSAMENTO DE
OUTRA PESSOA. Sem notar, ele fica viciado em pequenas desonestidades.”

“O hábito de colar estimula os indivíduos a cometer pequenos ou até grandes desonestidades


em outras situações do dia a dia. Seja no trabalho, na convivência familiar ou no ambiente de
amigos, cale tudo. O importante é levar vantagem.”

Diz um velho adágio popular: “o hábito faz um monge.”.

Mas essa cultura de desonestidade tem seus culpados. Segundo Gustavo Bernardo, a culpa
cabe às próprias instituições de ensino. “Inconscientemente, elas fornecem todos os elementos
para que o aluno cole.” Ao ser perguntado se os alunos tinham alguma culpa, ele respondeu:
“Eles têm uma parcela pequena de culpa. Não conseguem ver que a pressão para que colem é
um jogo e que são as maiores vítimas e os maiores prejudicados nessa história.”

Como resolver o problema da cola?

Existem defensores da cola, como o Prof. Vicente Martins, Universidade Estadual Vale do
Acaraú (UVA)de Sobral, Ceará, Brasil., que provavelmente foi um colador inveterado. Ele
chega a defender um conjunto de direitos imprescritíveis do colante assumido que, obviamente
não vamos reproduzir aqui. Mas para resolver o problema da cola o professor Gustavo
Bernardo tem uma solução que, se não é ideal, pelo menos satisfaz em alguns pontos: “O
primeiro passo é transformar a cola em CONSULTA NECESSÁRIA. Todos os exames, testes e
provas deveriam ser menores, com consulta e mais inteligentes. Ou seja, capazes de desafiar
os estudantes a pensar. Mesmo as provas de múltipla escolha deveriam exigir justificativa
extensa da resposta escolhida.

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QUINTA­FEIRA, 27 DE DEZEMBRO DE 2007

PROFESSOR: PROFISSÃO PERIGO
Créditos: Josafá Santos - Correio Caros Amigos

15 de outubro. Deveria estar orgulhoso por ser homenageado pelo dia destinado à profissão
que abracei, deveria estar comemorando com os meus colegas de ofício, mas não estou. Nem
eu nem meus colegas, pelo menos uma imensa maioria, não temos hoje o que comemorar,
ainda que orgulhosos da profissão que abraçamos. Ser professor tem se tornado um misto de
ofício perigoso e insistência masoquista. Quase um ato suicida. Do pior tipo. Do tipo que, aos
poucos, lentamente, mata a alma. O corpo físico, nem se diga.
Poderia falar das muitas estatísticas que apontam o alarmante (e alguém se alarma com isso?)
quadro de profissionais de educação com sérios problemas de ordem neuro /
fisico/amocional/psicológicas, em decorrência das péssimas condições de nosso trabalho. Não
bastasse o salário indigno à função exercida, somam-se outros tantos cravos conhecidos,
fincados nessa pesada cruz a carregar-se: as salas de aula criminosamente superlotadas, as
(inúmeras) escolas fisicamente ainda mal aparelhadas, a falta de recursos, o que nos força a
aulas semimedievais, ainda à base da saliva, quadro de giz; o barulho ensurdecedor,
lancinante, destrutivo, que emanam de todos os recantos da escola, das sala de aula, dos
corredores, do pátio, da rua, o barulho, ah, o barulho! Nossa única arma contra ele é o nosso
grito, cada vez mais rouco, pois quase aos gritos, ou aos gritos de fato, temos de dar aula,
única forma de nos fazer ouvir ou, muitas vezes, respeitar nesse campo de batalha que tem se
tornado as salas de aula. Aos que se recusam a, gritando, perder a voz, em poucos anos, e
esses, os que perdem a voz, são muitos, resta a difícil arte de educar os ouvidos e corações
alheios, buscando-se-lhes provar que é possível os seres humanos se comunicarem
vocalmente sem que um fique surdo ou sem que o outro perca o dom da voz ou da razão.
Literalmente falando.
Educar nunca foi tão perigoso. Somamos a tudo dito acima o ensinar-se a muitos
que, simplesmente, não querem aprender. E muitos não o querem não por desvio de
caráter ou por indolência íntima, mas porque foram ensinados, e muito bem, antes de
chegar à escola, que estudar é algo ruim. Tiveram bons professores. Falo dos pais
desestruturados, filhos por sua vez de outras "famílias" mal geridas num ciclo evolutivo
quase sem fim. Falo de um encontro casual, de um descuido contraceptivo que o destino fez
transformar-se numa "família". Sem a base efetivo/emocional/estrutural necessária, sem o
planejamento mínimo, duas pessoas que mal se conheciam se fazem, em nove meses, os
primeiros tutores de um ser que aos 6 ou 7 anos é mandado para um lugar chamado
escola. Escola que muitas vezes é vista e usada como creche, ora como porto "seguro"
das ruas violentas, ou simplesmente como o local onde seu rebento vá receber alguma
porção de comida que seja ao longo do dia e onde será entregue a alguém que o forme
como homem, como cidadão, como ser humano, já que para isso são pagos os
professores. Dever da família? Que família?
Há ainda uma outra gama de seres, os que não tendo perspectiva nas ruas, e nela também
não tendo limite algum, limite também que, não encontrando em casa se portam na sala de
aula da mesma indigna forma que se portaria em seus domínios, buscando se impor pela
tirania. Aos que aceitam, dá-se o embate, sempre desgastante, quando não perigoso. Por falar
em embate, a escola tornou-se, com raras exceções, um local de batalhas, num campo
minado. E muitos já são os mutilados nessa guerra. Numa outra análise, pode-se falar da
escola como um hospital não admitido. Nela, muitos são os portadores dos mais variados tipos
de patologias (emocionais, psicológicas, afetivas e físicas) sem que se lhes dê o tratamento
adequado e necessário. Ao professor, esse que "abraçou o magistério como um sacerdócio"
cabe a múltipla função de ser ao mesmo tempo: pai, mãe, irmão, psicólogo, guia espiritual e
médico. E, não raro, ser também da polícia. Sim, nas escolas também existem armas e drogas.
E gente disposta a usá-las.

Muitos acharão pessimista o meu artigo, carregado de excessiva violência verbal. Violência?
Violência é o que nós, educadores, temos vivido e morrido a cada dia em nossas unidades de
ensino. Chegamos ao absurdo de começar a admitir o conceito de "agressividade
aceitavelmente permitida". Os palavrões, os desacatos, os desrespeitos em sala de aula, nos
corredores, nos pátios, nas áreas livres; as ameaças veladas ou não, dirigidas a quem trabalha
em educação, tornam-se a cada dia um fato comum, "natural e perfeitamente aceitável" e que,
portanto, deve ser por todos aceito. Tem se tornado o professor um refém dentro de seu local
de trabalho. Em muitos casos, com medo de entrarmos em nossas escolas, com medo de nos
sentirmos, ao sair delas, um vergonhoso e inaceitável sentimento de alívio nos toma conta da
alma. Não passamos pelos bancos das universidades para, no exercício de nossa carreira,
sentirmos isso.

Educador há doze anos e cidadão aos 35, nunca vi em minha vida um gari varrer a rua e
ser xingado, ofendido. O mesmo digo de um policial a pé ou em sua viatura fardado ou à
paisana; de um delegado em sua delegacia, de um dentista, de um médico, de um
engraxate, de um mecânico, de um feirante ou de um ambulante durante os afazeres de
seus ofícios. Aos professores, entretanto, criaram a fábula medonha de que esses seres
suportam tudo, e que são eles os "detentores da extrema mansuetude e paciência". Não
sabem os que tal asneira professe como verdade que a "paciência" diante desses casos, cada
vez mais citados, muitas vezes nada mais é do que simples medo, ou anulação enquanto ser,
travestidos de calmaria, de santificada resignação.Muitos já são os estressados, os roucos,
os mudos, os surdos, os depressivos, os enfartados, os fartos (ah, os fartos do
ofício), entre nós, professores. Mas também muitos já são os agredidos, os mutilados, os
ameaçados de morte e por fim os mortos de fato. Mas esses números quase nunca
aparecem. Especialmente nas propagandas dos partidos e políticos eleitos, ou dos que
lutam para se eleger. Para ambos, a educação é, e sempre será, o "futuro da nação",
então já roto de tão usado, uma falácia que não causa mais efeito algum. Para estes é
claro que os problemas existem, mas também não são tão graves a ponto de merecerem real
atenção.

Essa técnica, aliás, a de esconder a cabeça num buraco, tal qual se diz da avestruz diante de
um inimigo ou em dias de tempestade, é também norma típica dentre muitos educadores (em
tempo: a história da avestruz covarde é fictícia. Nem ela é um animal tão estúpido
assim). "Problemas? Que problemas? Minha escola? Problemas? Eu? Eu não tenho
problema algum ..." Admitir um mistério implica resolvê-lo, o que implica muito trabalho,
ou no mínimo uma mudança significativa de postura diante de si, do mundo, da vida. E
muitos professores (sic) simplesmente não querem isso. Optaram (aí sim, resignadamente) por
aguardar de forma ansiosa pelo dia de sua sonhada aposentadoria para, então, deixarem de
ser professores.

O que ainda salva nós, professores, nesses dias de eterna tempestade nesse imenso
mar de calhaus são as boas presenças e lembranças dos nossos (ainda muitos) bons
alunos, que nos fazem acreditar que o nosso sonho de um mundo digno ainda é
possível. Mas há de se dizer: desses bons alunos, um número cada vez menor se vê
abraçando a docência como destino. Fica a pergunta: sem professores, onde estará
nosso futuro?

Josafá Santos é historiador e especialista em educação.


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QUARTA­FEIRA, 26 DE DEZEMBRO DE 2007

NATURALISMO PEDAGÓGICO

Não sei se existe de fato Naturalismo Pedagógico. Se não existe vai passar a existir
depois de um bombardeio de críticas. O naturalismo filosófico é o que nos remete à
unidade do homem com a natureza de um modo orgânico e harmônico, do ponto de vista
da cultura grega e, séculos depois da Revolução Francesa; em contraposição aos
dogmas escolásticos mantidos historicamente pela Igreja Católica. Trata-se de um
naturalismo que se opõe à escola tradicional, falida em suas bases educacionais e como
construtora de conhecimento, que toma por base os progressos alcançados pela
Ciência, principalmente nos campos da Biologia e da psicologia, nos anos finais do
século XX. Um naturalismo que se apresenta mais como um processo natural e
histórico, respeitando-se as etapas de desenvolvimento mental, estrutural orgânico e
psicológico, de cada indivíduo partícipe do processo de construção de conhecimento. A
gênese do Naturalismo Pedagógico é encontrada em NATURPHILOSOPHIE nos moldes
ARISTOTÉLICOS tendo desdobramento com o trabalho do crítico ROUSSEAU, no
EMÍLIO em 1762, que defende a origem natural como base para a construção da
EDUCAÇÃO.

Não tem sentido construir os sistemas de numeração sem que se tenha uma base
concreta. O modelo abstrato se não tiver o “molde” original não significa coisa alguma.
A base da construção do saber matemático precisa ser construída levando-se em conta
três capacidades: ARGUMENTAÇÃO, ATENÇÃO e LIVRE VONTADE. A Matemática na
visão holística não pode dispensar o naturalismo pedagógico como fonte inspiradora,
crescente, inerente e extensível a todo campo da educação. Enquanto não se abortar a
tendência viciosa implantada na construção do saber matemático desde longo tempo,
que preconiza o saber nos moldes teológico: “acredito no que você ensina” ou ainda
“tenho total confiança que aquilo que meu professor ensina é a mais pura expressão da
verdade”. O conhecimento teológico tem uma única base: a fé. É mais fácil acreditar
pura e simplesmente do que se dar o trabalho de construir o próprio conhecimento,
observando, experimentando, concluindo ou seja, abstraindo, criando modelos para
expressar e generalizar uma realidade – este é o caminho do conhecimento real, seguro,
verdadeiro e permanente. Quantos fatos matemáticos nos têm sido transmitidos e que
são esquecidos pouco tempo depois? Se a memória não estabelece vínculos com os
fatos considerados concretamente, não encontra o referencial seguro para estabelecer
as conexões indispensáveis no momento preciso, não consegue dar continuidade aos
processos de associações indispensáveis ao encadeamento do pensar matemático.
Combinando holismo com humanismo temos uma fórmula segura para encontrarmos
soluções práticas e rápidas, temos como equacionarmos todos os problemas que
envolvem as estruturas de ensino e de aprendizagem da Matemática. O conhecimento
matemático é aberto, pois é possível a todo instante se construir modelos abstratos para
as quase infinitas combinações que a vida concreta nos oferece.

QUEM APRENDE MELHOR MATEMÁTICA?

Não é preciso ter uma inteligência superior para aprender fundamentos de Matemática.
Mas é indiscutível que as idéias matemáticas ligadas diretamente a fatos numérico
devem preceder a qualquer outra: é fundamental que a ARITMÉTICA receba um
tratamento todo especial e prioritário. O conhecimento matemático pode ser construído
a partir de algumas atitudes básicas:

▣ A compreensão do significado da ARITMÉTICA – é necessário que se dispense à


Aritmética um tratamento diferenciado em relação a outro saber qualquer que se possa
construir. Cada aluno é uma “biblioteca” que reúne um considerável ACERVO de
experiências, por este motivo existem diferenças marcantes na maneira de construir
conhecimento, o que resulta velocidade e resultados diversos. O que nos leva a
considerar três problemas:

1- como SELECIONAR, ORGANIZAR e APRESENTAR os FATOS MATEMÁTICOS de modo


que todos os estudantes, com diferentes níveis de possibilidades possam descobrir
SIGNIFICAÇÃO e compreender o trabalho;

2- como usar os processos de ensino de ensino-aprendizagem, que prefiro denominar de


CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTO, alargando as possibilidades de uso das
tecnologias modernas colocadas à disposição dos PROFESSORES;

3-alterar a grade curricular de formação dos professores de modo a capacitá-los como


ENGENHEIROS DE CONHECIMENTO e não tão somente como PROFISSIONAIS DA
EDUCAÇÃO voltados para o ensino – o SABER não se ensina, CONSTRÓI-SE.

As atividades voltadas para a construção do conhecimento matemático devem levar em


conta sua ORDEM NATURAL, que nada mais é que a ORDEM HISTÓRICA do
desenvolvimento do pensamento matemático, no ato da gestação do símbolo. Eis em
linhas gerais, o que chamamos de NATURALISMO PEDAGÓGICO: das observações
concretas construímos os modelos abstratos ou os símbolos representativos.

A gênese do Símbolo ocorre no momento que tentamos representar a realidade através


de uma forma de comunicação oral, escrita ou uma outra forma que possa ser
identificada por um dos sentidos humanos e interpretada como um código de
linguagem.

De certa forma buscamos inspiração em John Locke quando ele editou o seu “Ensaio
Sobre o Entendimento Humano” que veio a constituir as bases para o Empirismo inglês:
considera ele as QUALIDADES PRIMÁRIAS como sendo o CONCRETO ou seja a
realidade obtida pelos sentidos do corpo humano, que conduz à REALIDADE SUBJETIVA
ou às QUALIDADES SECUNDÁRIAS. A somatória das IDÉIAS SIMPLES constitui as
IDÉIAS COMPLEXAS através de um processo que ele denomina de ASSOCIAÇÃO DE
IDÉIAS. Considero-o precursor do NATURALISMO EDAGÓGICO.

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Postado por aacnàs 14:17    

A Educação no Brasil
“Saiu no Estadão: os professores atuais no início de carreira ganham menos que um policial
também no início de carreira. É simplesmente ridículo, não desmerecendo o policial mas a
covardia dos governantes, que denigrem a imagem do professor. É muito mais fácil educar
agora do que repreender depois!”

Paulo Lucas Scalli, professor de biologia da Rede ANGLO de Ensino

Professores

Os professores que respeitam seu aluno têm procurado se colocar no seu lugar, vendo mundo
como ele vê, situando-se no mesmo universo de suas emoções. Muitos deles gostariam de ver
também os pais se colocando no lugar dos professores, também os próprios alunos e mais
ainda, as autoridades constituídas. Dificilmente um técnico da área educacional consegue ser
um Secretário de Educação e muito menos um Ministro – constitui fato muito raro isto
acontecer.

Algumas pessoas que ainda vivem entre nós conservam em suas lembranças fatos de uma
época marcante, quando o professor detinha respeito e era remunerado satisfatoriamente. Os
sobreviventes da “Era Vargas” lembram que muitos deixaram de ser juízes de direito,
advogados Engenheiros, para abraçar o magistério. A professora solteira era um excelente
partido, disputada por jovens casadouras , fato tido como autêntico golpe do baú.

E hoje? A realidade é bem triste: a hora-aula por vezes é mais barata que uma banana nanica.
O salário não dá sequer para pagar o aluguel e a professora precisa vender bijuteria, lingeries e
até salgadinhos, na própria escola que trabalha, para, pelo menos conseguir arcar com as
despesas das passagens de ônibus.

Não há como sobreviver dignamente com o minguado salário de professor. O professor hoje é
quase miserável. Como ensinar se o professor não tem como aprender? Se sua formação foi
precária e com o que ganha não tem como compensar lendo bons livros, comprando boas
revistas, fazendo novos cursos para obter uma especialização? Um mister de revolta e
desânimo se apossa do pobre coitado e não duvide que, quando morrer, em sua lápide seja
escrito: “Aqui jaz um pobre debilóide que somente não foi enterrado como indigente graças a
ação caridosa de alguns amigos e ex-alunos.”

Vamos deixar de choradeira. Não adianta espernear, fazer beicinho, bater o pé, gritar ou xingar
o presidente ou a governador ou ainda o prefeito. Resta-nos usar o que temos a mão, a pena e
o papel ... que nada! Acabei de me lembrar, ainda sobraram uns trocados, os filhos casaram e
o que gasto com remédios ainda é pouco, assim posso ter um computador – comprado depois
de alguns anos de trabalho extra.

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Postado por aacnàs 14:11    

PREFÁCIO OU COISA PARECIDA
A palavra Debilóide (DEBIL + OIDE) pode até sugerir que estamos depreciando nosso aluno, mas de fato
não é assim que pensamos. O adjetivo DÉBIL é utilizado para denotar aquele que não tem força, fraco,
frágil, pusilânime e neste contexto nós a empregamos no sentido de pouco forte, pouco perceptível.
OIDE significa forma.

O retrato que fazemos da educação brasileira não é dos melhores. Temos consciência que algo urgente
precisa ser feito, pois do contrário nosso país ver-se-á entregue às potências estrangeiras, numa
dependência científica e tecnológica de difícil reversão.

Não tivemos a preocupação de escrever um livro didático, mesmo porque seria mais um entre muitas dezenas de

outros já existentes. Também não nos situamos no contexto do modelo educacional do país e nem pretendemos

introduzir um modelo anárquico. Deixamos de lado a “correção” exigida pelos parâmetros pedagógicos – também não

acredito em pedagogos, pois vejo como discutível sua formação. Quem duvida disso basta visitar algumas das muitas

faculdades de Pedagogia existentes e vai se surpreender com a qualidade da formação desses profissionais de

ensino.

Resolvemos romper com a formalidade do ensino da Matemática, no momento que percebemos a dificuldade sempre

crescente no processo ensino-aprendizagem. Os pedagogos, que fracassaram na escola quase que invariavelmente,

estão aí a ditar regras e a impor modelos pedagógicos que não conhecem – a simples leitura e um estudo precário e

superficial com base em fotocópias de alguns livros sugeridos pelos mestres são insuficientes. A formação do

pedagogo está a exigir maior seriedade. Andam dizendo há algum tempo que as crianças não deviam saber de cor a

tabuada – não só deve como precisa ir mais além: compreender a multiplicação como um fato. A Lei 5692/71, a

conhecida Reforma do Ensino, que instituiu malandramente o “Conselho de Classe” que, teria sido útil se

corretamente aplicado; mas, no entanto, tem servido desde então para mascarar a aprovação automática em todas as

séries dos dois níveis de ensino. A partir daí em diante nosso ensino piorou significativamente, pois, nossos alunos

têm sido “empurrados” série após série sem que se tenha qualquer preocupação com a qualidade e com o futuro

profissional desses jovens que estão sendo enganados sistematicamente, e as autoridades certamente não perderam

as verbas internacionais que seriam comprometidas com o baixo índice de aprovação de nossas escolas. E o pior

aconteceu: nossos alunos já se acostumaram a não estudar e a assim mesmo serem promovidos de série sem

nenhuma condição de acompanhar a seqüência de assuntos encadeados. As primeiras séries já comprometidas pela

atuação desastrosa da professora das primeiras séries do Ensino Fundamental, agravam o segmento da formação do

aluno: estão fadados a se tornarem debilóides. Hoje já temos “professores debilóides”, “engenheiros debilóides”,
“médicos debilóides”, “advogados debilóides”, etc., uma completa geração de debilóides se instalou no país

acentuando-se a dominação estrangeira, pois não é possível a existência de debilóides livres. A ordem dos advogados

não demorará muito compreender a inutilidade dos exames de seleção para separar e rejeitar os debilóides ... coitados

eles fazem parte da grande geração de enganados; mas com certeza são contados estatisticamente entre aqueles que

conseguiram completar um curso superior.

Hoje se tornou necessário escrever um livro de Matemática para os jovens de nossas escolas públicas e privadas,

como uma tentativa desesperada de livrar alguns da triste sina imposta pelos corruptos políticos que moldaram o

modelo educacional gerador de debilóides.

João Carlos disse...

retratam q o ensino da matemática deve estar intimamente ligado a realidade do


aluno, esta concepção distancia o seu ensino, na maioria das vezes, da visão q os
conteúdos vigentes não possuem fundamentos científicos; base esta encontrada na
física e química.
não sou contra a participação do aluno e a criação de uma identificação do mesmo
com a disciplina( pois a disciplina está presente em sua vida, isto é inegável), mas
vejo professores a procura de um meio termo entre cotidiano e ciência
desestabilizando seus métodos, sem encontrar um horizonte as cegas...

5 de Janeiro de 2008 03:21

aacn disse...

Nem 8 nem 80.


Há os que pensam priorizar a "realidade do aluno" quando decidem o método a seguir
nas práticas pedagógicas que pretendem colocar em ação, deixando de lado a
instrumentalização para a ciência e tecnologia. Também não é de bom alvitre
priorizar o lado voltado tão somente ao atendimento das atividades acadêmicas. Isto
não significa ficar em cima do muro ou adotar uma pedagogia que não cuide bem nem
de um lado nem do outro lado. Criaram a interdisciplinaridade e, o que vemos no
Brasil, é o uso desastrado desta prática. Pensam que a composição de um enunciado,
na formulação de algum problema, historiando alguns fatos de outras disciplinas
basta. Ledo engano. Segundo Ivani Fazenda (PUC - São Paulo), a interdisciplinaridade
surgiu na França e na Itália em meados dos anos 60; contemplou uma reivindicação
que marcou os movimentos estudantis realizados na mesma época: um ensino mais
sintonizado com as grandes questões de ordem social, política e econômica naquele
momento. Surgiu mais na base da pressão. Ainda de acordo com a professora Ivani, a
interdisciplinaridade teria sido uma resposta a tal reivindicação, na medida em que os
grandes problemas da época não poderiam ser resolvidos por uma única disciplina ou
área do saber.
A interdisciplinaridade é ainda desconhecida da maioria dos professores brasileiros e
muito pouco discutida a nível acadêmico. Não dispomos de um marco diagnóstico
para, a partir daí, elaborar um marco referencial mais preciso. Desta forma ficamos
ainda muito longe de ter um marco doutrinal, e efetivamente colocar em prática, de
modo correto e eficaz tal prática. Tudo é feito de forma atabalhoada, sem qualquer
articulação entre os educadores. Precisamos de vários laboratórios de pesquisas na
área educacional, instalados em todas as regiões do Brasil e de um esforço
concentrado para traçar o caminho a percorrer.

6 de Janeiro de 2008 06:19