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DIREITO PROCESSUAL

CIVIL III

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Expediente
Curso de Direito — Coletânea de Exercícios
Coordenação Geral do Curso de Direito da Universidade Estácio de Sá
Prof. André Cleófas Uchôa Cavalcanti
Coordenação Adjunta
Márcia Sleiman

Coordenação do Projeto
Núcleo de Apoio Didático-Pedagógico
Coordenação Pedagógica
Profa Tereza Moura

Organização da Coletânea
Prof. Luis Carlos de Araújo

101358001001

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APRESENTAÇÃO

A metodologia de ensino do Curso de Direito é centrada


na articulação entre a teoria e a prática, com vistas a desenvol-
ver o raciocínio jurídico do aluno. Essa metodologia abarca o
estudo interdisciplinar dos vários ramos do Direito, permitindo
o exercício constante da pesquisa, bem como a análise de con-
ceitos e a discussão de suas aplicações. Para facilitar sua utiliza-
ção, apresentamos a Coletânea de Exercícios, que contempla
uma série de questões objetivas e discursivas, assim como casos
práticos e interdisciplinares para desenvolvimento em aula, si-
mulando situações prováveis de ocorrer na vida profissional. O
objetivo principal desta coleção é possibilitar aos alunos o aces-
so a um material didático que propicie o aprender-fazendo.
Os pontos relevantes para o estudo dos casos devem ser
objeto de pesquisa prévia pelos alunos, envolvendo a legislação
pertinente, a doutrina e a jurisprudência, de forma a prepará-
los para as discussões realizadas em aula.
Esperamos, com estas coletâneas, criar condições para a
realização de aulas mais interativas e propiciar a melhora cons-
tante da qualidade de ensino do nosso Curso de Direito.

Coordenação Geral do Curso de Direito

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SUMÁRIO
AULA 1
Resposta do réu. Conceito. Atitudes do réu ao ser citado.
Prazos. Contestação. Princípios. Defesas do plano processual
e da ação. Defesas do plano do mérito: indiretas e diretas. 7

AULA 2
Exceções: exceção de incompetência, suspeição e impe-
dimento. Legitimidade. Prazo. Efeitos das exceções. Cabi-
mento. Procedimentos. Preclusão. 9

AULA 3
Reconvenção. Conceito. Requisitos gerais e específicos.
Cabimento. Legitimidade. Conexão. Uniformidade de pro-
cedimentos. Desnecessidade da reconvenção nas ações de
natureza dúplice (alcance da afirmativa). Procedimento.
Extinção do processo principal e suas conseqüências. 12
AULA 4
Revelia. Conceito. Revelia relevante e irrelevante. Reve-
lia no rio sumário. Revelia nos juizados especiais de causas
cíveis. Efeitos da revelia. Alteração do pedido na revelia.
Efeito sanatório parcial da revelia (art. 322, parágrafo único
do CPC). 15

AULA 5
Providências preliminares. Conceito. Etapa explícita de
saneamento do processo (nulidades sanáveis e insanáveis).
Princípio do contraditório (réplica). Conseqüências da
existência de vício insanável. 18
AULA 6
Ação Declaratória Incidental. Conceito. Legitimidade. Ca-
bimento. Requisitos. Prejudicialidade. Momento da proposi-
tura. Revelia (nova citação, art. 321). Finalidade e recurso. 20

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AULA 7
Julgamento conforme o estado do processo. Extinção do
processo. Julgamento antecipado da lide. Audiência preli-
minar de conciliação e de ordenação do processo. 23

AULA 8
Das provas. Conceito. Teoria geral das provas. Caracterís-
ticas da prova. Objeto da prova. Finalidade e destinatário
da prova. Valoração da prova. O sistema do CPC. Poderes
de instrução do juiz. Ônus da prova. Sistema legal da prova.
Convenção sobre a prova. Meios de prova. Prova por pre-
sunção. Procedimento probatório. Produção da prova. 26

AULA 9
Das provas. Espécies de prova. Confissão. Prova documen-
tal. Prova testemunhal. Prova pericial. Inspeção judicial. 28

AULA 10
Audiência de instrução e julgamento. Compreensão. Ca-
racterísticas. Atos preparatórios. Antecipação e adiamento.
Conciliação e seu procedimento. Instrução e julgamento. 31

AULA 11
Sentença. Conceito. Classificações. Publicação. Intimação.
Elementos essenciais. Correção. Integração. Terminativas
e definitivas. Clareza e precisão. Princípios da demanda e
seus efeitos. Interpretação da sentença. Efeitos da sentença.
Sentença liminar (julgamento antecipadíssimo). 34

AULA 12
Coisa julgada. Conceito. Coisa julgada formal e material.
Limites objetivos e subjetivos da coisa julgada. Coisa julga-
da nas demandas coletivas. Fundamento da coisa julgada.
Preclusão. Questões prejudiciais na sentença. Duplo grau
obrigatório. Causas de estado. Relação jurídica continuati-
va. Coisa julgada e terceiros adquirentes de bens litigiosos. 36

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Direito Processual Civil III

AULA 1
Resposta do réu. Conceito. Atitudes do réu ao ser citado.
Prazos. Contestação. Princípios. Defesas do plano processual
e da ação. Defesas do plano do mérito: indiretas e diretas.

Caso 1
Sandro promove ação de conhecimento em face de Odete. Na
petição inicial, narra que o réu é seu fiador, como consta do contrato
de mútuo assinado com Adamastor. Como devedor solidário, assu-
miu a obrigação de pagar; porém, vencida a dívida, não pagou, apesar
de insistentemente interpelada. Citada, transcorridos 5 (cinco) dias,
a ré chama ao processo o devedor principal Adamastor.

Indaga-se:

1. Qual o prazo para a ré oferecer contestação, considerando


que a ação corre pelo rito ordinário?
Fundamente a resposta.

2. O chamamento ao processo acarreta a suspensão do prazo


para a apresentação da resposta do réu?
Por quê?

3. A contestação e a reconvenção, posteriormente, deverão ser


oferecidas simultaneamente, na mesma peça de resistência?
Por quê?

Caso 2
Samuel promoveu ação de conhecimento em face de Damião. Nar-
ra, como causa de pedir, que o réu não cumpriu com suas obrigações
constantes do contrato celebrado pelas partes em 15/3/2005, com previ-
são de duração de 6 (seis) meses, do que lhe resultou um prejuízo no va-
lor de R$ 15.000,00 (quinze mil reais). Citado, o réu contesta o pedido
do autor, alegando que não houve descumprimento de suas obrigações,

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS

tendo paralisado o serviço contratado por falta de pagamento. Assim,


não está obrigado a cumprir com o avençado, se o autor não efetua os
pagamentos nos prazos previstos contratualmente. O réu, após a con-
testação, ingressa com petição, sustentando que o contrato celebrado
pelas partes é anulável, tendo havido manifesto erro na elaboração da
planilha de preços e na relação de bens necessários para a realização da
obra, por ele apresentada, tornando o contrato inexeqüível.

Indaga-se:

1. A petição do réu, apresentada em juízo depois de oferecida a


contestação, deve ser apreciada pelo juiz?
Por quê?

2. O que é o princípio da eventualidade?


Fundamente a resposta.

3. Pode o réu alegar, depois da contestação, matérias de nature-


za processual, indicadas no art. 301 do CPC?
Por quê?

Caso 3
Juliana promove ação de conhecimento em face de Inácio. Narra,
como causa de pedir, que seu marido abandonou voluntariamente o lar
conjugal, já tendo transcorrido o prazo de 2 (dois) anos. Postula a decre-
tação do divórcio do casal, por sentença. Feita a citação, o réu compare-
ce e oferece contestação, confessando que voluntariamente abandonou
o lar conjugal, em abril de 2004, passando a residir com seus pais, após
amigavelmente ajustar com a autora o fim do convívio conjugal.

Indaga-se:

1. A defesa do réu pode ser acolhida de imediato pelo juiz, de-


cretando o divórcio, em julgamento antecipado da lide?
Por quê?

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Direito Processual Civil III

2. É necessária a intervenção no feito do Ministério Público, sob


pena de nulidade? Fundamente a resposta.

Questões objetivas

1. São exceções de direito material as alegações de:


a) compensação, novação e contrato não cumprido;
b) decadência, prescrição e compromisso arbitral;
c) litispendência, coisa julgada e perempção;
d) falta de instrumento público essencial à prova do ato, renúncia ao
direito em que se funda a ação e de que a satisfação de sua pres-
tação depende do cumprimento de contraprestação do credor.

2. A presunção de veracidade dos fatos afirmados na inicial:


a) constitui efeito da revelia e é absoluta;
b) é efeito da revelia e não depende da natureza do direito
litigioso;
c) não ocorre em caso de litisconsórcio simples, se um dos réus
apresentar contestação;
d) pode não ser aceita pelo juiz, embora prevista como efeito da
revelia.

AULA 2
Exceções: exceção de incompetência, suspeição e impe-
dimento. Legitimidade. Prazo. Efeitos das exceções. Cabi-
mento. Procedimentos. Preclusão.

Caso 1
Maria Rosa promove ação de conhecimento em face de Caroli-
na, pelo procedimento sumário. Na inicial, postula indenização por
dano moral, no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). A ré foi citada
para comparecer à audiência de conciliação, instrução e julgamento.
No dia designado, aberta a audiência, a ré, por seu patrono, oferece
contestação oral, além de argüir a incompetência do juízo, também
sob a forma oral.

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS

Indaga-se:

1. Pode o réu oferecer na audiência, sob a forma oral, exceção


de incompetência, ou deverá fazê-lo por escrito?
Por quê?

2. Pode o juiz rejeitar, liminarmente, a alegação de incompetên-


cia do juízo?
Por quê?

3. Admitida a exceção de incompetência, cabe ao juiz apreciá-la


na audiência, ou a sua admissão acarreta automaticamente a suspen-
são do processo?
Por quê?

Caso 2
Juvenal promoveu ação de conhecimento em face de Carlos, pelo
procedimento especial. Postula a reintegração na posse do imóvel, sob
alegação de prática de esbulho praticado pelo réu. Citado, o réu ofere-
ceu contestação e, ainda, argüiu a exceção de incompetência do juízo.
O juiz admitiu a exceção, mandando ouvir o excepto. Retornando os
autos, o juiz rejeitou a argüição de exceção, que foi objeto de recurso.

Indaga-se:

1. Qual é o recurso cabível da decisão proferida no incidente


processual?
Por quê?

2. A suspensão do processo (art. 265, III do CPC) perdura até o


julgamento do recurso na segunda instância, tendo o juiz rejeitado a
argüição de exceção de incompetência?
Por quê?

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Direito Processual Civil III

Caso 3
Foi proposta ação de conhecimento por Caio em face de Anto-
nio, determinando o juiz a citação do réu, que ofereceu contestação
e, ainda, argüiu a exceção de impedimento do juiz sob o argumento
de que o advogado defensor dos interesses do autor é irmão do ma-
gistrado, que dirige o processo.

Indaga-se:

1. O juiz, feita a comprovação do alegado, viola o dever de abs-


tenção se continuar atuando no processo?
Por quê?

2. Pode o juiz rejeitar a exceção?


Por quê?

Questões objetivas

1. Quanto às exceções, é correto afirmar que:


a) impedimento não pode ser reconhecido de ofício pelo juiz;
b) os motivos constantes do impedimento e da suspeição não se
aplicam aos juízes e tribunais;
c) a amizade íntima, ou amizade capital, constitui impedimen-
to que deve ser argüido pelas partes;
d) está impedido de julgar a causa, em segundo grau, o mesmo
juiz que depôs nos autos no primeiro grau de jurisdição.

2. Configura-se causa de impedimento para que o juiz exerça


suas funções no processo contencioso ou voluntário:
a) ser ele amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer das partes;
b) ter ele conhecido a causa em primeiro grau de jurisdição,
tendo-lhe proferido sentença ou decisão;
c) ser ele herdeiro presuntivo, donatário ou empregador de al-
guma das partes;
d) ter ele recebido dádivas antes ou depois de iniciado o
processo.

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS

AULA 3
Reconvenção. Conceito. Requisitos gerais e específi-
cos. Cabimento. Legitimidade. Conexão. Uniformida-
de de procedimentos. Desnecessidade da reconvenção
nas ações de natureza dúplice (alcance da afirmativa).
Procedimento. Extinção do processo principal e suas
conseqüências.

Caso 1
Vanda promove ação de conhecimento em face de João. Narra,
como causa de pedir, que é credora do réu no valor de R$ 5.000,00
(cinco mil reais), provenientes de serviços prestados ao réu conforme
contrato celebrado pelas partes. Citado, o réu oferece contestação
alegando, entre outras defesas, que é também credor da autora na
importância de R$ 6.000,00 (seis mil reais). Sustenta que as dívi-
das são líquidas, certas e exigíveis, pelo que devem ser compensadas,
restando, ainda, um saldo de R$ 1.000,00 (um mil reais). Na mesma
peça processual (contestação), pede a condenação da autora a pagar
o valor excedente.

Indaga-se:

1. Cabe reconvenção no procedimento sumário ou o réu pode


fazer, neste caso, pedido contraposto?
Por quê?

2. O pedido de compensação é uma defesa de natureza proces-


sual direta ou indireta?
Por quê?

3. Se fosse possível a adoção do procedimento ordinário, caberia


a reconvenção?
Por quê?

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Direito Processual Civil III

Caso 2
Foi proposta ação, pelo procedimento ordinário, por Juvêncio
em face de Túlio, narrando como causa de pedir que é credor do
réu no valor de R$ 30.000,00 (trinta mil reais). Citado, o réu ofe-
rece contestação, alegando ser também credor do autor da quan-
tia de R$ 35.000,00 (trinta e cinco mil reais), pelo que postula a
compensação com o valor cobrado pelo autor, oferecendo em peça
autônoma reconvenção, para exigir o valor de R$ 5.000,00 (cinco
mil reis), sendo as dívidas líquidas, certas e exigíveis. O juiz, ao
despachar, determinou a intimação do autor da ação, na pessoa
de seu advogado, para oferecer contestação (art. 316 do CPC). In-
timado, o autor reconvindo oferece contestação e nela postula a
compensação com um outro crédito seu com o réu reconvinte no
valor de R$ 8.000,00 (oito mil reais) e, ainda, em peça autônoma
apresenta pretensão reconvencional postulando a cobrança do sal-
do de R$ 3.000,00 (três mil reais), sendo as dívidas líquidas, certas
e exigíveis.

Indaga-se:

1. É cabível a reconvenção neste caso?


Por quê?

2. É admissível a reconvenção de reconvenção?


Por quê?

3. O pedido na ação reconvencional sendo de valor inferior a


40 (quarenta) salários, em que se adota para a ação o procedimento
sumário, é cabível?
Por quê?

Caso 3
Maria Clara promove ação de conhecimento em face de Carlos,
postulando a separação litigiosa do casal. Narra, como causa de pe-
dir, que a convivência em comum do casal se tornou insuportável,

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS

diante das constantes agressões físicas que vem suportando, confor-


me comprovado pelos boletins médicos expedidos pelo Hospital Mu-
nicipal e pela comprovada notícia do fato dada à Delegacia Policial
do bairro no qual residem. Citado, o réu apresenta contestação e,
ainda, oferece reconvenção para postular a nulidade do casamento
por erro quanto à pessoa da autora da ação, sendo inequívoca que foi
viciada a sua manifestação de vontade.

Indaga-se:

1. Nesse caso, cabe reconvenção?


Por quê?

2. A extinção do processo em que corre a ação de separação


litigiosa acarreta a extinção da reconvenção?
Por quê?

Questões objetivas

1. Quanto à resposta do réu, é falso afirmar que:


a) o réu poderá oferecer, no prazo de 15 (quinze) dias, em peti-
ção escrita, dirigida ao juiz da causa, contestação, exceção e
reconvenção;
b) a contestação e a reconvenção serão oferecidas simultanea-
mente, em peças autônomas; a exceção será processada em
apenso aos autos principais;
c) compete ao réu alegar, na reconvenção, toda a matéria de
defesa, expondo as razões de fato e de direito, com que im-
pugna o pedido do autor, devendo especificar as provas que
pretende produzir;
d) é lícito a qualquer das partes argüir, por meio de exceção, a
incompetência, o impedimento ou a suspeição.

2. Da decisão que indefere a petição inicial do pedido reconven-


cional, dando prosseguimento à ação principal, cabe o recurso de:
a) agravo;

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Direito Processual Civil III

b) embargos de declaração;
c) apelação;
d) nenhum, porque a pretensão reconvencional pode ser feita
em ação independente.

AULA 4
Revelia. Conceito. Revelia relevante e irrelevante. Revelia no
rio sumário. Revelia nos juizados especiais de causas cíveis.
Efeitos da revelia. Alteração do pedido na revelia. Efeito sana-
tório parcial da revelia (art. 322, parágrafo único do CPC).

Caso 1
Gabriel promoveu ação de conhecimento em face de Antonio
para postular a condenação do réu a entregar-lhe um determinado
imóvel. Citado pessoalmente por mandado pelo oficial de justiça, o
réu não ofereceu contestação. O juiz decretou a revelia do réu, de-
terminando, no entanto, a produção de prova oral em audiência, o
depoimento pessoal do autor e a produção de prova testemunhal.

Indaga-se:

1. O juiz agiu corretamente ao determinar a produção de


prova oral?
Por quê?

2. Não caberia, no caso, o julgamento antecipado da lide, com


fulcro no art. 330, II do CPC?
Por quê?

Caso 2
Joana promoveu ação de separação judicial litigiosa em face de
seu marido, Pedro. Alega, em sua causa de pedir, que o réu praticou
grave violação dos deveres conjugais, praticando conduta desonrosa.
Citado pessoalmente por mandado pelo oficial de justiça, o réu não

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS

ofereceu resposta. O juiz determinou a manifestação do Ministério


Público, que pugnou pela designação de audiência, com produção
de prova oral (depoimento pessoal da autora e de testemunhas). A
manifestação do MP foi acolhida pelo juiz.

Indaga-se:

1. Trata-se de revelia relevante ou irrelevante?


Por quê?

2. Poderia o juiz fazer, de imediato, o julgamento anteci-


pado da lide?
Por quê?

Caso 3
Juliano promoveu ação de conhecimento em face de Tiago.
Narra, como causa de pedir, que é credor do réu da importância
de R$ 3.000,00 (três mil reais). O réu foi citado pessoalmente por
mandado pelo oficial de justiça, porém deixou de oferecer contes-
tação, dando-se a sua revelia. Ingressa com petição postulando o
aditamento de sua inicial, para postular também a cobrança de cré-
dito decorrente de uma outra relação jurídica mantida com o réu,
no valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais).

Indaga-se:

1. O juiz deverá acolher o pleito do autor da ação e fazer o julga-


mento antecipado da lide, de ambos os pedidos, por tratar de revelia
relevante?
Por quê?

2. Afrontaria o princípio do contraditório a decisão de julga-


mento antecipada da lide?
Por quê?

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Direito Processual Civil III

Questões objetivas

1. Márcia, nos autos da ação de interdição que lhe foi promovi-


da, ofereceu contestação no décimo sexto dia depois da juntada do
mandado citatório, dando-se causa a:
a) revelia, reputando-se verdadeiros os fatos articulados na for-
ma do art. 285 do CPC;
b) revelia, reputando-se verdadeiros os fatos alegados na forma
do art. 329 do CPC;
c) resposta do réu foi tempestiva em razão do prazo ser de 20
(vinte) dias para oferecimento da contestação nesse tipo de
ação;
d) revelia, sem, contudo, produzir o efeito de veracidade de fa-
tos narrados na petição inicial do autor, por versar o litígio
sobre direito indisponível na forma do art. 320, II do CPC;

2. Proposta ação de conhecimento, pelo rito sumário, o réu, ci-


tado, não comparece à audiência de conciliação, instrução e julga-
mento, declarando o juiz a revelia, determinando, ainda, a produção
de prova pericial. Nesse caso, o réu:
a) será intimado, por oficial de justiça, da determinação pro-
ferida em audiência e, a contar da juntada do mandado de
intimação aos autos, terá o prazo de cinco dias para indicar
assistente técnico e formular quesitos;
b) será intimado pela imprensa oficial ou por edital da deter-
minação proferida em audiência, para que no prazo de 10
(dez) dias indique seu assistente técnico, ficando, no entan-
to, impedido de formular quesitos, uma vez que a revelia já
foi decretada;
c) sendo revel, não terá o direito de produzir qualquer prova,
ficando limitado a acompanhar a prova produzida pelo au-
tor, impugnando-a pelos meios legais, procedendo-se a sua
intimação por carta ou por oficial de justiça;
d) sendo revel e não tendo patrono nos autos, os prazos correm
independentemente de intimação, a partir da publicação de
cada ato decisório do juiz.

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS

AULA 5
Providências preliminares. Conceito. Etapa explícita de sa-
neamento do processo (nulidades sanáveis e insanáveis).
Princípio do contraditório (réplica). Conseqüências da exis-
tência de vício insanável.

Caso 1
Adão promoveu ação de conhecimento em face de Solange, pelo
procedimento ordinário, para postular o ressarcimento de dano ma-
terial, de responsabilidade da ré, alegando que foi destruído o muro
divisório entre as propriedades das partes, sem qualquer justificativa.
Citada, a ré ofereceu contestação, negando a autoria do fato narrado
na inicial. O juiz determinou a especificação das provas pelas partes,
o que foi feito. O juiz, após conclusão dos autos, proferiu julgamento
antecipado da lide.

Indaga-se:

1. O juiz, mesmo após determinar a especificação das provas,


poderia fazer o julgamento antecipado da lide?
Por quê?

2. Houve ou não cerceamento de defesa?


Por quê?

Caso 2
Foi proposta ação de conhecimento por Élcio em face de Jurandir.
O autor postula o pagamento previsto no contrato de prestação de
serviços, vencida a obrigação sem cumprimento pelo réu. Citado, o
réu ofereceu tempestivamente contestação, alegando que deixou de
pagar em razão dos serviços não terem sido prestados de forma plena-
mente satisfatória, além do que houve novação, tendo as partes, em
aditivo contratual, substituído a dívida original por outra constante de

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Direito Processual Civil III

2 (duas) notas promissórias, sendo certo que uma delas ainda não ven-
ceu. A vencida foi paga conforme recibo de quitação, ora nos autos.

Indaga-se:

1. Qual a natureza jurídica das defesas feitas pelo réu, em sua


contestação?
Fundamente a resposta.

2. Qual a providência que o juiz deverá tomar diante do con-


teúdo da defesa do réu?
Fundamente a resposta.

Caso 3
Ana Beatriz promoveu ação de conhecimento em face de Gon-
çalves para postular a restituição de um imóvel. Citado, o réu alega
a ilegitimidade ativa do autor, em conta que o imóvel foi alienado
a Romeu, muito antes da propositura da ação, juntando escritura
definitiva e registrada no registro imobiliário.

Indaga-se:

1. Qual a providência que deverá ser tomada pelo juiz?


Fundamente a resposta.

2. Quais as características da chamada fase das providências


preliminares?
Fundamente a resposta.

Questões objetivas

1. É falso afirmar:
a) Quando o réu alega, na contestação, fato extintivo do direi-
to do autor, o juiz deverá mandar ouvir o autor para apre-
sentar manifestação sobre a questão.

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS

b) A alegação de preliminar peremptória, na contestação, au-


toriza o juiz, sem ouvir o autor, a extinguir o processo sem
resolução do mérito.
c) Não há cerceamento de defesa se o juiz faz o julgamento
antecipado da lide, apesar de deferir provas que posterior-
mente verifique serem desnecessárias.
d) A fase processual das providências preliminares visa atender ao
princípio do contraditório e à eliminação de vícios sanáveis.

2. É correto afirmar:
a) O julgamento antecipado da lide não integra a fase das pro-
vidências preliminares, prevista no CPC.
b) Verificando o juiz que não ocorreram os efeitos da revelia,
deverá sempre julgar antecipadamente a lide.
c) A declaração incidente (Ação Declaratória Incidental) não
integra a fase das providências preliminares.
d) O contraditório pode deixar de ser aplicado em homenagem
à duração razoável do processo.

AULA 6
Ação Declaratória Incidental. Conceito. Legitimidade. Ca-
bimento. Requisitos. Prejudicialidade. Momento da proposi-
tura. Revelia (nova citação, art. 321). Finalidade e recurso.

Caso 1
João Cabral promove ação de conhecimento em face do espólio
de Ribamar Coimbra, para postular o seu quinhão (petição de he-
rança) como herdeiro necessário. Citado, o réu contesta o pedido
alegando que o autor não é herdeiro, pelo que o seu pedido deve ser
julgado improcedente.

Indaga-se:

1. O autor da ação pode oferecer Ação Declaratória Incidental?


Por quê?

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Direito Processual Civil III

2. Quais são os requisitos de admissibilidade da ADI?

3. Qual a finalidade da propositura da Ação Declaratória


Incidental?

Caso 2
Dolores, menor impúbere, filha de Sandra, promove ação de co-
nhecimento em face de Paulo, seu pai, postulando a condenação do
réu a pagar pensão alimentícia. Citado, o réu nega a paternidade e
por tal os alimentos não são devidos, devendo ser julgado improce-
dente o pedido da autora. Na própria contestação, oferece pedido de
declaração, por sentença, da inexistência da relação de paternidade
com a autora.

Indaga-se:

1. O art. 325 do CPC serve de fundamento para a propositura


da ADI pelo réu?
Por quê?

2. Quem são os legitimados para promover a ADI?


Fundamente a resposta.

3. O pedido de declaração incidente, feito pelo réu, não seria


verdadeiramente uma reconvenção?
Por quê?

Caso 3
José promove ação de depósito em face de Guarda Móveis São
Geraldo Ltda., para postular a restituição de diversos móveis deposi-
tados, alegando que o réu, apesar de interpelado, se nega a devolver
as coisas depositadas pelo autor, em descumprimento à obrigação
contratual. Citado, o réu postula a improcedência do pedido do au-
tor, considerando que a restituição só poderá ser feita quando for

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS

efetuado o pagamento do que foi ajustado, mais as despesas feitas


com a coisa, tendo constatado, logo após o depósito realizado, a pre-
sença de cupim nos móveis, considerados de rara beleza, importados
da China, sendo obrigado a fazer tratamento especializado nas coisas
depositadas para não atingir outros bens sob sua guarda.

Indaga-se:

1. Poderia o réu oferecer ADI na contestação para cobrar o va-


lor do preço ajustado no contrato de depósito, além de despesas ex-
traordinárias em razão do tratamento contra cupim?
Por quê?

2. Cabe ADI somente no procedimento ordinário?


Por quê?

Questões objetivas

1. Em relação à Ação Declaratória Incidental, é correto afirmar:


a) Só pode ser proposta pelo autor, conforme art. 325 do
CPC.
b) Visa pôr fim no processo originário, extinguindo-o sem reso-
lução do mérito.
c) Transforma a questão prejudicial, que seria decidida inci-
dentemente, em outra questão principal para sobre ela fazer
também coisa julgada material.
d) Só é cabível no procedimento ordinário.

2. Em relação à Ação Declaratória Incidental, é incorreto afirmar:


a) A decisão não faz coisa julgada material porque a questão
é resolvida incidentemente e apenas na fundamentação da
sentença.
b) Deve ser feita através da elaboração de petição inicial, com
preenchimento dos elementos dos arts. 282 e 283 do CPC,
por se tratar de verdadeira demanda.

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Direito Processual Civil III

c) O réu que não oferece contestação não pode promovê-la


porque a ausência de contestação impede de se tornar liti-
giosa a relação jurídica sobre a qual o autor fundamenta o
seu direito.

AULA 7
Julgamento conforme o estado do processo. Extinção do pro-
cesso. Julgamento antecipado da lide. Audiência preliminar
de conciliação e de ordenação do processo.

Caso 1

Frederico promove ação de conhecimento em face de Zacarias


para postular o pagamento do valor de R$ 35.000,00 (trinta e cinco
mil reais). Citado, o réu oferece contestação alegando que o crédito
está vencido desde 15/1/2000, pelo que a pretensão do autor não
mais pode ser exigida diante da prescrição. É manifesta a perda da
exigibilidade da pretensão, não tendo ocorrido, após o vencimento
da dívida, nenhum fato superveniente capaz de interromper o prazo
de prescrição ou de impedi-lo.

Indaga-se:

1. Pode o juiz julgar o pedido do autor de imediato?


Por quê?

2. A prescrição pode ser conhecida de ofício pelo juiz?


Por quê?

3. Qual seria a razão que autorizaria o julgamento conforme o


estado do processo?
Fundamente a resposta.

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS

Caso 2
Colégio São Joaquim promove ação de conhecimento em face
de Patrício para postular a cobrança de mensalidades em atraso no
valor total de R$ 3.000,00 (três mil reais). Citado, o réu oferece con-
testação, alegando que efetuou o pagamento de duas prestações no
valor total de R$ 2.000,00 (dois mil reais), com os acréscimos legais,
conforme comprovante. A última parcela, no valor de R$ 1.000,00
(um mil reais), foi dividida em duas, não se dando até o presente o
vencimento de nenhuma delas, como se observa do documento de
parcelamento juntado aos autos com o oferecimento da contestação.
Postula, ainda, a produção de provas orais e documentais. O juiz
mandou ouvir o autor, que não se manifestou.

Indaga-se:

1. Deve o juiz fazer o julgamento antecipado da lide?


Por quê?

2. Qual a razão da adoção do julgamento antecipado da lide?


Fundamente a resposta.

Caso 3
Foi proposta ação de conhecimento por Letícia em face de Lú-
cio para cobrança de crédito decorrente de contrato de prestação de
serviços. Citado, o réu ofereceu contestação, impugnando a preten-
são da autora, sob alegação de que não pagou por ter o autor des-
cumprido as suas obrigações, constantes do contrato assinado pelas
partes. Cabe à autora cumprir com a sua obrigação e depois exigir o
cumprimento da obrigação do réu. Ouvida a autora, manifestou-se
no sentido de que as suas obrigações contratuais foram satisfeitas,
conforme ficará comprovado pela prova pericial a ser produzida e
já requerida na inicial. O juiz designou audiência preliminar para
tentativa de conciliação. O réu se insurgiu com a designação, sob
alegação de perda de tempo, porque existe uma forte animosidade
entre as partes, sendo impossível qualquer acordo.

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Direito Processual Civil III

Indaga-se:

1. A designação da audiência preliminar é obrigatória?


Por quê?

2. Como fica o saneamento do feito, realizada a audiência


preliminar?
Fundamente a resposta.

Questões objetivas

1. É correta a afirmativa em relação ao julgamento antecipado


da lide:
a) Só pode ser feito quando a matéria é unicamente de direito.
b) Não é obrigatório, podendo o juiz optar pela designação de
audiência preliminar.
c) É obrigatório se o litígio envolver matéria unicamente de
direito ou de direito e de fato e este estiver incontroverso,
não dependendo, portanto, de prova.
d) Ocorre cerceamento de defesa se o juiz prolata sentença,
sendo a matéria unicamente de direito.

2. Em relação à audiência preliminar, prevista no art. 331 do


CPC, é correto afirmar:
a) É sempre obrigatória, sob pena de nulidade dos atos proces-
suais posteriores, praticados no processo.
b) O juiz pode deixar de designá-la diante da improvável conci-
liação das partes, resultante de grande animosidade existen-
te entre as elas.
c) Não obtida a conciliação, o juiz deve passar sempre para o
imediato julgamento da lide.
d) A presença das partes na audiência é obrigatória, não po-
dendo se fazer representar por procurador ou preposto.

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS

AULA 8
Das provas. Conceito. Teoria geral das provas. Característi-
cas da prova. Objeto da prova. Finalidade e destinatário da prova.
Valoração da prova. O sistema do CPC. Poderes de instrução do
juiz. Ônus da prova. Sistema legal da prova. Convenção sobre a
prova. Meios de prova. Prova por presunção. Procedimento pro-
batório. Produção da prova.

Caso 1
Patrícia promove ação de investigação de paternidade em face
de Daniel. Narra, como causa de pedir, que o réu, seu pai, se nega a
reconhecer a paternidade, sob alegação de que sua mãe tinha vida
sexual liberada, com múltiplos envolvimentos emocionais com ho-
mens, sem fixação duradoura. Citado, o réu nega ter tido, em algum
dia, relação sexual com a mãe da autora da ação. A autora, ouvida
em réplica, junta fita magnética com gravação de conversa entre ela
e o réu, na qual consta claramente o que narra a autora na inicial,
inclusive a confissão do réu de ter tido relação sexual com a sua mãe
por um lapso de tempo duradouro e à época de sua concepção. O
réu, ouvido, impugna a prova produzida, alegando ter sido obtida
por meio ilícito.

Indaga-se:

1. A prova produzida é ilícita? Por quê?

2. A interceptação de conversa de terceiro pode ser admitida


como lícita?
Por quê?

Caso 2
Damião promove ação de conhecimento em face de Lau-
ra para cobrança de crédito decorrente de confissão de dívi-
da. Citado, o réu oferece contestação e suscita a falsidade do

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Direito Processual Civil III

documento, juntando laudo técnico elaborado no juízo crimi-


nal. Ouvido o autor, impugna o laudo pericial juntado aos au-
tos pelo réu e pugna pela realização da prova pericial na esfera
judicial cível.

Indaga-se:

1. Pode o juiz, nesse caso, admitir a prova emprestada, como


conclusiva para proferir sentença de mérito?
Por quê?

2. É moralmente legítima a produção da prova emprestada de


outro processo?
Por quê?

Caso 3
Carlos promove ação de conhecimento em face de João, pos-
tulando a condenação do réu a pagar determinada quantia de
R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais). Diz o autor da ação, na
inicial, que prestou serviços ao réu, embora sem comprovação do-
cumental, por ter sido celebrado contrato verbal. Citado, o réu
nega o fato e não admite que tenha celebrado qualquer contrato
verbal com o autor. Ouvido em réplica, o autor se limita a reiterar
o que consta da inicial. Determinada pelo juiz a especificação das
provas, o autor deixa de indicá-las. Conclusos os autos, o juiz pro-
fere decisão de improcedência do pedido do autor, em julgamento
antecipado da lide.

Indaga-se:

1. A quem compete o ônus da prova?


Fundamente a resposta.

2. Cabe ao réu provar a negativa do fato?


Por quê?

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS

Questões objetivas
1. É correta a afirmativa em relação ao ônus da prova:
a) Ao autor incumbe provar o fato extintivo do direito, alegado
pelo réu.
b) É possível a inversão do ônus da prova, quando o litígio recai
sobre direito disponível.
c) O juiz não pode inverter o ônus da prova em se tratando de
relação de consumo.
d) Não é possível a inversão legal da prova, em razão de presun-
ção e máximas de experiência, conforme art. 335 do CPC.

2. O art. 131 do CPC consagra o princípio da persuasão racional


ou do livre convencimento motivado, resultando como incorreta a
afirmativa:
a) Não se admite decisão decorrente de convicção íntima do
juiz.
b) O juiz tem liberdade para valorar as provas e atribuir-lhes o
valor que mereçam na formação de sua convicção.
c) O juiz pode, excepcionalmente, em razão de conhecimento
pessoal do fato controvertido, decidir a lide.
d) O sistema de prova legal ou tarifada não foi acolhido pelo
ordenamento processual brasileiro.

AULA 9
Das provas. Espécies de prova. Confissão. Prova documen-
tal. Prova testemunhal. Prova pericial. Inspeção judicial.

Caso 1
Foi proposta ação de conhecimento por Adriano em face de
Sérgio. Na inicial, o autor postula a condenação do réu a restituir
valor pago a maior, em virtude de incorreta interpretação do con-
trato celebrado pelas partes. Citado, o réu ofereceu contestação sus-
tentando que o valor recebido está correto, segundo o previsto no
contrato, esclarecendo que a cláusula sobre o preço foi objeto de

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Direito Processual Civil III

ampla negociação, antes da assinatura do pacto. O feito correu regu-


larmente, tendo o juiz deferido o depoimento pessoal das partes e a
produção de prova testemunhal, determinando, ainda, a intimação
das partes do dia e da hora da audiência designada, o que foi feito.
No dia designado, somente compareceu a parte autora, tendo o juiz
colhido seu depoimento.

Indaga-se:

1. A pena de confissão ao réu, que não compareceu à audiência,


pode ser decretada pelo juiz?
Por quê?

2. Poderia o juiz de ofício determinar o depoimento pessoal das


partes?
Fundamente a resposta.

Caso 2
Foi proposta ação de conhecimento por Frederico em face de
Álvaro. Postula o autor a condenação do réu a satisfazer obrigação
de fazer, constante do contrato celebrado pelas partes, juntado aos
autos. Citado, o réu oferece contestação em que nega a obrigação
que o autor afirma ser dela credora, argumentando que posterior-
mente foi celebrado o distrato total do avençado. Em réplica, o autor
juntou vários documentos visando provar que o distrato não abran-
gia a totalidade da obrigação assumida pelo réu.

Indaga-se:

1. O sistema processual admite a juntada de documentos a qual-


quer momento?
Por quê?

2. É admissível a juntada de documentos na fase recursal?


Por quê?

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS

Caso 3
Peralta promoveu ação de conhecimento em face de Tiago. Na
inicial, postula indenização por danos materiais causados em seu
veículo. Alega que o réu, dirigindo de forma imprudente, foi o cau-
sador do acidente de trânsito, ao bater no carro do autor, parado
na pista de rolamento, em razão do sinal vermelho. Citado, o réu
nega o fato narrado na inicial e sustenta que o autor, na condução
do seu veículo, deu, à sua frente, uma freada brusca, assustando-se
com o sinal amarelo, que não o impedia de manter o seu veículo
em movimento e de ultrapassá-lo. Foram deferidas as provas orais
e a pericial para apuração do montante dos prejuízos oriundos do
amassamento da parte traseira do veículo do autor, bem como a sua
desvalorização.

Indaga-se:

1. A lide dependeria de conhecimento técnico para ser solucio-


nada pelo juiz?
Por quê?

2. O juiz pode desconsiderar o laudo elaborado pelo perito no-


meado e julgar segundo os elementos constantes dos autos?
Por quê?

3. O assistente técnico pode ser designado auxiliar do perito do


juiz?
Por quê?

Questões objetivas

1. A prova pericial será indeferida quando:


a) a verificação for impraticável;
b) a perícia se revestir de forma solene;
c) os elementos de livre convicção do juiz forem suficientes
para o deslinde dos fatos;
d) nenhuma alternativa está correta.

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Direito Processual Civil III

2. Na produção da prova testemunhal, é permitido legalmente


que certas pessoas tenham o direito de ser inquiridas em sua residên-
cia ou onde exercem as suas funções.
São elas:
a) os vereadores;
b) os juízes;
c) os embaixadores dos países, mesmo que não concedam idên-
tica prerrogativa ao agente diplomático brasileiro em seus
países de origem;
d) os deputados estaduais.

AULA 10
Audiência de instrução e julgamento. Compreensão. Ca-
racterísticas. Atos preparatórios. Antecipação e adiamento.
Conciliação e seu procedimento. Instrução e julgamento.

Caso 1
Foi proposta ação de conhecimento por Getúlio em face de
Gabriel. Postula o autor, na petição inicial, a condenação do réu a
desfazer o muro divisório que construiu em sua propriedade, quando
deveria construí-lo na divisória entre as propriedades das partes. Ci-
tado, o réu contesta o pedido do autor, alegando que a construção do
muro observou a demarcação feita previamente, conforme demons-
tram as plantas que mandou executar por profissional do ramo. O
juiz, não obtida a conciliação na audiência preliminar, fixou os pon-
tos controvertidos e deferiu provas orais e pericial. Nomeado perito,
este apresentou o seu laudo. O juiz designou audiência de instrução
e julgamento.

Indaga-se:

1. Cabe uma nova tentativa de conciliação, tão logo aberta a


audiência, tendo sido frustrada aquela realizada anteriormente, es-
tando presentes as partes?
Por quê?

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS

2. Se constatada a ausência da parte autora, antes de aberta a


audiência, sem justificativa do eventual impedimento, o juiz abre a
audiência?
Por quê?

3. A ausência do advogado do réu compromete a realização da


audiência?
Por quê?

Caso 2
Foi proposta ação de conhecimento por Juvenal em face de Síl-
via. Na inicial, o autor postula a desconstituição do contrato cele-
brado pelas partes, sob o fundamento de simulação e fraude contra
credores. Citada, a ré ofereceu contestação aduzindo que o negócio
jurídico celebrado é perfeito e juridicamente válido, estando o au-
tor, de forma maliciosa, querendo fugir da sua responsabilidade de
entregar o imóvel na data ajustada, já vencida. Foi feita a tentativa
de conciliação, sem sucesso, designando o juiz audiência, com defe-
rimento de provas orais.

Indaga-se:

1. Pode o juiz, depois de colher as provas orais, converter o jul-


gamento em diligência e determinar a realização da prova pericial?
Por quê?

2. Por que a audiência de instrução e julgamento é una e indivi-


sível, segundo o art. 455 do CPC?

Caso 3
Proposta ação de conhecimento por Paulo em face de João, o
feito correu regularmente, tendo o juiz designado audiência de ins-
trução e julgamento. Nela, após a coleta das provas, o juiz deu a pa-
lavra ao advogado do autor para início dos debates, ocasião em que
postulou a apresentação de memoriais.

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Direito Processual Civil III

Indaga-se:

1. Deve o juiz deferir o pleito do advogado do autor da ação?


Por quê?

2. Em se tratando de ação com adoção de procedimento su-


maríssimo, cabe o adiamento da audiência para apresentação de
memoriais?
Por quê?

Questões objetivas

1. É incorreto afirmar que:


a) a audiência de instrução e julgamento é una e contínua;
b) a tentativa de conciliação é ato obrigatório do juiz, quando
da realização da audiência de instrução e julgamento;
c) a conversão da audiência de instrução e julgamento para fins
de produção de prova pericial é ato de instrução e discricio-
nário do juiz, considerando a regra do art. 130 do CPC;
d) a ausência de advogado da parte na audiência acarreta auto-
maticamente o seu adiamento.

2. Em relação à audiência de instrução e julgamento é incorreta


a afirmativa:
a) ao iniciar a instrução, o juiz, ouvidas as partes, fixará os pon-
tos controvertidos sobre que incidirá a prova;
b) ela poderá ser adiada por convenção das partes;
c) quem der causa ao adiamento responderá pelas despesas
acrescidas;
d) é faculdade do juiz determinar que os advogados façam as
alegações finais.

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS

AULA 11
Sentença. Conceito. Classificações. Publicação. Intimação.
Elementos essenciais. Correção. Integração. Terminativas
e definitivas. Clareza e precisão. Princípios da demanda e
seus efeitos. Interpretação da sentença. Efeitos da senten-
ça. Sentença liminar (julgamento antecipadíssimo).

Caso 1
Foi proposta ação de conhecimento por Mariana em face do
Município do Rio de Janeiro. A autora postula a declaração de nuli-
dade de obrigação acessória, fixada em lei municipal, em relação ao
imposto sobre a propriedade territorial urbana. O juiz, de imediato,
julgou improcedente o pedido, sem citação do réu, considerando que
a matéria controvertida é unicamente de direito e que no seu juízo
existem várias decisões de improcedência total do pedido, em casos
idênticos, tendo reproduzido o teor das decisões anteriores na sen-
tença. A autora não se conformou com a decisão e ofereceu recurso
de apelação, tendo o juiz mantido a decisão e determinado a citação
do réu para oferecer impugnação ao recurso.

Indaga-se:

1. A sentença liminar, com julgamento antecipadíssimo, viola o


princípio do contraditório?
Por quê?

2. O que é o princípio da duração razoável do processo (tem-


pestividade)?
Fundamente a resposta.

Caso 2
Clementino promove ação de conhecimento em face de João
Pedro. Postula, na inicial, o pagamento de créditos decorrentes de
vários serviços prestados, conforme contratos ajustados pelas par-

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Direito Processual Civil III

tes. No primeiro, o valor do crédito é de R$ 10.000,00 (dez mil


reais); no segundo, o valor é de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) e, no
terceiro, o crédito é no valor de R$ 8.000,00 (oito mil reais). Cita-
do, o réu oferece contestação, alegando serem indevidos os valores
cobrados por não terem sido prestados integralmente os serviços.
O feito correu regularmente, tendo o juiz designado audiência de
instrução e julgamento, sem acordo, colhendo as provas orais, já
realizada a prova pericial, que é conclusiva no sentido de serem
devidos os valores apontados na inicial. O juiz julgou procedente os
pedidos do autor, condenando o réu a pagar ao autor a importância
de R$ 18.000,00 (dezoito mil reais). O autor ofereceu embargos
de declaração, com sustentação de omissão em relação ao segundo
pedido, que foram rejeitados, sob fundamentação de que a prova
pericial não foi convincente.

Indaga-se:

1. O julgamento proferido pelo juiz é ultra, citra ou extra petita?


Por quê?

2. Afrontou o juiz o princípio da congruência ou da correlação


entre o pedido e o provimento jurisdicional proferido?
Por quê?

Caso 3
Bernardo promoveu em 15/3/2006 ação de usucapião em face
de Álvaro. Alega o autor, como causa de pedir, que ingressou no
terreno abandonado no ano de 1996, construindo uma casa para
abrigar a sua família, já passados 10 (dez) anos da ocupação, sem
qualquer resistência do réu. Citado, o réu oferece contestação no
dia 4/4/2006, aduzindo que quando foi proposta a ação o prazo de
prescrição aquisitiva ainda não tinha corrido por completo, em conta
que a invasão se deu no dia 1/4/1996, devendo o pedido do autor ser
julgado improcedente. O feito correu regularmente e o juiz determi-
nou que os autos fossem conclusos para sentença.

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS

Indaga-se:

1. Pode o juiz julgar procedente o pedido do autor, conside-


rando que o prazo para a aquisição do domínio ainda não tinha se
completado na data da propositura da ação?
Por quê?

2. É possível a aplicação da regra do art. 462 do CPC na segunda


instância?
Fundamente a resposta.

Questões objetivas
1. Sobre sentença pode-se afirmar que:
a) é considerada extra petita quando o magistrado condena o
réu em quantidade superior à pedida;
b) a parte dispositiva é aquela em que o juiz resolve as questões
a ele submetidas, julgando o pedido do autor;
c) pode ser ilíquida, ainda que o autor tenha formulado pedido
certo e determinado;
d) não se enquadra entre os vícios da sentença o julgamento de
natureza diversa da pedida pelo autor.

2. As sentenças definitivas (com resolução de mérito) podem ser:


a) declaratórias;
b) constitutivas;
c) condenatórias;
d) as opções a, b, c estão corretas.

AULA 12
Coisa julgada. Conceito. Coisa julgada formal e material.
Limites objetivos e subjetivos da coisa julgada. Coisa julga-
da nas demandas coletivas. Fundamento da coisa julgada.
Preclusão. Questões prejudiciais na sentença. Duplo grau
obrigatório. Causas de estado. Relação jurídica continuati-
va. Coisa julgada e terceiros adquirentes de bens litigiosos.

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Direito Processual Civil III

Caso 1
Caio promoveu ação em face de Cristiano para postular a con-
denação do réu a pagar a quantia de R$ 10.000,00 (dez mil reais). Ci-
tado, o réu ofereceu contestação negando a qualidade de devedor do
autor, estando a dívida paga, conforme comprovante de quitação da
obrigação. O feito correu regularmente, sendo julgado improcedente
o pedido do autor, em julgamento antecipado da lide, com trânsito
em julgado da sentença.

Indaga-se:

1. Qual é a natureza jurídica da sentença proferida pelo juiz?


Fundamente a resposta.

2. Há, no caso, coisa julgada formal ou material?


Fundamente a resposta.

Caso 2
Foi proposta ação de conhecimento por Adroaldo em face de
Henrique. Na inicial, o autor postula a anulação do contrato de pres-
tação de serviços celebrado pelo autor com o réu e outros. Citado, o
réu ofereceu contestação, alegando o descumprimento de obrigação
do autor, certo que o contrato é válido, produzindo normalmente os
seus efeitos. Designada a audiência preliminar, as partes celebraram
acordo, homologado por sentença, que transitou em julgado. Poste-
riormente, Manoel promove ação de anulação do ato judicial que
homologou a transação, sustentando que o processo é nulo, sendo
ele um dos contratantes, deveria ter sido citado para integrar a lide,
formando um litisconsórcio necessário e unitário no pólo passivo.

Indaga-se:

1. A sentença que homologou o acordo faz coisa julgada em


relação a Manoel?
Por quê?

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS

2. Faltaria interesse processual para a propositura da ação


anulatória?
Por quê?

Caso 3
Foi proposta ação de conhecimento (nunciação de obra nova)
por André em face de Maria para postular o desfazimento da cons-
trução, em andamento, realizada pela ré, em desconformidade com
o Código de Postura Municipal, prejudicando o seu direito de pro-
priedade. O juiz concedeu o embargo da obra na audiência especial.
Citada, a ré se defendeu alegando que a construção está coberta por
licença expedida pelo município. O feito correu regularmente, tendo
o juiz proferido sentença de procedência do pedido. A parte vencida
recorreu, alegando a ilegitimidade da parte autora, pois a proprieda-
de vizinha, que estaria ameaçada pela obra, não pertence ao autor,
e sim a Jurandir, como demonstra a escritura de compra e venda,
registrada no registro imobiliário.

Indaga-se:

1. No segundo grau de jurisdição, o recurso pode ser acolhido


com base na fundamentação jurídica do recorrente, de ilegitimidade
ativa do autor da ação?
Por quê?

2. Não teria ocorrido a preclusão na forma do art. 473 do CPC?


Por quê?

Questões objetivas

1. Não faz coisa julgada material a sentença proferida:


a) nas ações de estado;
b) nas ações declaratórias incidentais;
c) no processo cautelar, reconhecendo a prescrição e decadência;
d) tratando-se de relação jurídica continuativa.

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Direito Processual Civil III

2. Fenômeno decorrente do fim do processo sem resolução do


mérito diz respeito à:
a) preclusão;
b) coisa julgada material;
c) carência da ação;
d) coisa julgada formal.

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS

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