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Classificação dos seres vivos

OS SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO

As primeiras classificações do universo biológico eram artificiais, pois


utilizavam critérios arbitrários que não refletiam possíveis relações de
parentesco entre os seres vivos. As classificações atuais procuram analisar um
grande conjunto de caracteres, tentando estabelecer relações de parentesco
evolutivo entre os seres vivos.

 Aristóteles (384 – 322 a.C.) = “1ª tentativa” – animais: com sangue – sem
sangue/úteis – nocivos.
 Teofrasto – Vegetais: úteis – nocivos/tamanho: árvores – arbustos –
subarbustos – ervas.

O grande marco na classificação dos seres vivos deveu-se a Lineu, em 1758


(século XVIII). Esse naturalista sueco, apesar de acreditar no princípio da
imutabilidade das espécies (fixismo) e de não ter dado ênfase às relações de
parentesco evolutivo entre os seres vivos, desenvolveu um sistema de
classificação utilizando categorias hierárquicas, que é adotado até hoje, embora
com algumas modificações.

O conceito biológico de espécie passou a ser considerado em termos


populacionais: agrupamento de populações naturais, real ou potencialmente
intercruzantes, produzindo descendentes férteis e reprodutivamente isolados de
outros grupos de organismos.

Observação:

Portanto, asno e égua = espécies diferentes! Uma espécie pode dar origem a
outras e esse conjunto de espécies é agrupado em um mesmo gênero. Gêneros
semelhantes são agrupados em uma mesma família; famílias semelhantes são

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agrupadas em uma mesma ordem; ordens semelhantes são agrupadas em uma mesma
classe; classes semelhantes são agrupadas em um mesmo filo ou divisão; filos ou
divisões semelhantes são agrupados em um mesmo reino. Espécies de um mesmo
gênero são mais aparentadas entre si do que espécies de outro gênero; gêneros
diferentes, mas pertencentes a uma mesma família, são mais aparentados entre si
do que gêneros de outras famílias, e assim por diante. A espécie é a unidade de
classificação. A hierarquia das diferentes categorias taxonômicas ou taxa (taxa
= plural de táxon) é:

Gênero==>Família==>Ordem==>Classe==>Filo ou divisão==>Reino==>Espécie
Desse modo, o sistema de
classificação de Lineu,
utilizando categorias
hierárquicas, é a base do atual
sistema de classificação. Com a
mudança de interpretação do
significado das categorias
taxonômicas, esse sistema
passou a ser chamado sistema
natural de classificação. Como
exercício dos critérios usados
no atual sistema de
classificação, vamos analisar a
classificação do cão doméstico
desde a categoria taxonômica
mais ampla que é o reino até a
mais específica, que é a
espécie:
a) na passagem do nível
taxonômico reino para o filo
dos Cordados foram excluídas a
minhoca e a estrela-do-mar,
pois estes dois animais são os
únicos que não apresentam
notocorda (“bastão” de
sustentação) durante o desenvolvimento embrionário.
b) no subfilo dos vertebrados foram excluídos o anfioxo e a ascídia, por serem
os únicos que não substituirão a notocorda por uma coluna vertebral, durante o
desenvolvimento embrionário. Essa “incapacidade” de “produção anatômica” reflete
o menor grau evolutivo, devido à inexistência de genes para a sua diferenciação.

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c) na passagem seguinte estão excluídos o peixe (classe dos peixes) e a cobra


(classe dos répteis), por não apresentarem as características de semelhanças
encontradas na classe dos mamíferos: desenvolvimento embrionário no útero da
mãe, que dará a luz (vivípara) ao filhote; placenta no útero materno para
alimentar e garantir as trocas gasosas do embrião com a mãe; glândulas mamárias
(mãe); pêlos no corpo; músculo diafragma (respiração); hemácias anucleadas; etc.

d) considerando, assim, as características semelhantes e comparadas em


morfologia, anatomia, fisiologia, embriologia, etc, chegaremos à unidade de
classificação biológica que é a espécie Canis familiaris, identificando o cão
doméstico entre todos os outros do reino animal.

Nomenclatura científica

O SISTEMA ATUAL DE NOMENCLATURA DAS ESPÉCIES DE SERES VIVOS

Analisa (leva em conta) critérios “evolutivos”.


 Morfologia (aspectos externos).
 Anatomia (aspectos internos): estruturas “homólogas” comparáveis.
 Fisiologia (composição química): estruturas “homólogas” comparáveis.
 Embriologia (desenvolvimento).
 Nível celular:
 Núcleo:
 código genético.
 nº cromossômico.
 Citoplasma - orgânulos
 Reprodução: “sexuada” - descendentes “férteis”.

Existem várias regras internacionais de nomenclatura, que são de


fundamental importância na comunicação entre pesquisadores, pois o nome popular
dos organismos varia de região para região. Dessa forma, através das regras
internacionais, estabelece-se uma linguagem única, facilitando a “comunicação” e
a identificação dos seres vivos. O sistema atual de nomenclatura das espécies de
seres vivos segue o sistema de Lineu: é binomial, isto é, composto de duas
partes, com os nomes escritos em latim, grifados ou em itálico. Indica- se o
nome do gênero, que geralmente é um substantivo, devendo ser escrito em latim
com letra inicial maiúscula; o epíteto específico, que geralmente é um adjetivo,
devendo ser escrito em latim com a letra inicial minúscula.

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Regras de Nomenclatura:

Em outros casos, as espécies podem apresentar variedades, raças ou


subespécies. Nesses casos, acrescenta-se o nome da subespécie após o epíteto
específico, escrevendo-o em latim, grifado ou em itálico, com letra inicial
minúscula. O nome da subespécie também não deve ser escrito sozinho, já que por
si só, não tem significado nenhum; deve vir sempre acompanhado pelo gênero e
epíteto específico.
Por exemplo:

Em Zoologia, família e subfamília são indicadas, respectivamente, pelos


sufixos idae e inae, acrescido ao nome do gênero mais representativo.
Em Botânica o sufixo é aceae: família Rosaceae (maçã, pêssego, cereja).
Exemplos:
 Gênero Culex (mosquito “comum”) – família Culicidae (Culicídeos) e
subfamília Culicinae (Culicíneos).

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 Família Psychodidae e subfamília Phlebotominae (insetos hematófagos,


popularmente chamados mosquito-palha ou birigüi – transmissores do
protozoário flagelado Leishmania, causador da doença leishmaniose):
 Gênero Phlebotomus (Velho mundo).
 Gênero Lutzomyia (Americano).

Critérios para a classificação dos seres vivos em Reinos:


 Número de células;
 Tipo de célula;
 Forma de nutrição (metabolismo);
1. Unicelular ou Pluricelular. Quando pluricelular: sem tecidos ou com tecidos.
(Tecido: conjunto de células de mesma origem, que formam um grupo de trabalho.)
2. Procarionte ou Eucarionte.
 Procarionte: indivíduo cuja célula não tem carioteca e o único tipo de
organela é o ribossomo.
 Eucarionte: indivíduo cuja célula tem carioteca e vários tipos de
organelas: mitocôndrias, retículo endoplasmático, complexo de Golgi, etc.
3. Autótrofo ou Heterótrofo.
 Autótrofo: indivíduo que produz seu alimento ("alimento" são as
substâncias orgânicas que o ser vivo necessita, como proteínas,
carboidratos etc.).
 O heterótrofo deve obter o alimento produzido por autótrofos (direta ou
indiretamente).

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Os cinco Reinos (sistema mais usado = Wittaker)

Características gerais dos 5 Reinos em que os seres vivos podem ser divididos:
Reino Organização Exemplos Nº de células Forma de
nutrição
Monera Procariontes Bactérias Unicelulares ou Algumas
coloniais autótrofas
maioria
heterótrofas e
decompositoras
Algas Cianofíceas Unicelulares ou Todas
(Cianobactérias) pluricelulares autótrofas
Protista Eucariontes Protozoários Unicelulares Heterótrofos
Algas eucariontes Unicelulares ou Autótrofas
pluricelulares
sem tecido
Fungos Eucariontes Lêvedos Unicelulares Heterótrofose
Cogumelos sem tecidos decompositores
Pluricelulares verdadeiros
Metáfita Eucariontes Plantas inferiores e Pluricelulares Autótrofas
(Vegetal) superiores com tecidos
verdadeiros
Metazoa Eucariontes Animais inferiores e Pluricelulares Heterótrofos
(Animal) superiores com tecidos
verdadeiros

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Árvore filogenética (adaptação ao sistema de Wittaker):

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VÍRUS

Nos sistemas tradicionais de classificação dos seres vivos, os vírus não


são incluídos por serem considerados partículas ou fragmentos que só adquirem
manifestações vitais quando parasitam células vivas. Apesar de até hoje ainda
persistir a discussão em torno do tema, a tendência é considerar os vírus com
seres vivos. Os vírus são extremamente simples e diferem dos demais seres vivos
pela inexistência de organização
celular, por não possuírem metabolismo
próprio, e por não serem capazes de se
reproduzir sem estar dentro de uma
célula hospedeira. São, portanto,
parasitas intracelulares obrigatórios;
são em conseqüência, responsáveis por
várias doenças infecciosas.

 Geralmente inibem o
funcionamento do material
genético da célula infectada e
passam a comandar a síntese de
proteínas.
 Os vírus atacam desde bactérias,
até plantas e animais.

Muitos retrovírus (vírus de RNA)


possuem genes denominados oncogenes,
que induzem as células hospedeiras à
divisão descontrolada, com a formação de tumores cancerosos.

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ESTRUTURA DOS VÍRUS

Os vírus são formados basicamente por um


envoltório ou cápsula protéica, que abriga o material
hereditário. Este pode ser tanto o ácido
desoxirribonucléico (DNA) como o ácido ribonucléico
(RNA). Esses dois ácidos nucléicos, no entanto, nunca
ocorrem em um mesmo vírus. Existem, assim, vírus de
DNA e vírus de RNA. Em todos os outros seres vivos, o
ácido desoxirribonucléico e o ácido ribonucléico
ocorrem juntos dentro das células, sendo o DNA o
"portador" das informações genéticas e o RNA o
"tradutor" dessas informações. Formados por uma
cápsula (capsídio) protéica + ácido nucléico: DNA ou
RNA.
 O capsídio, além de proteger o ácido nucléico
viral, tem a capacidade de se combinar
quimicamente com substâncias presentes na
superfície das células, o que permite ao vírus
reconhecer e atacar o tipo de célula adequado a
hospedá-lo.
 A partícula viral, quando fora da célula
hospedeira, é genericamente denominada vírion.

Cada tipo de vírus possui uma forma característica, mas todos eles são
extremamente pequenos, geralmente muito menores do que as menores bactérias
conhecidas, sendo visíveis somente ao microscópio eletrônico.

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REPRODUÇÃO DOS VÍRUS

Os processos de reprodução viral mais bem estudados são os dos


bacteriófagos, ou simplesmente fagos, vírus que infectam a bactéria intestinal
Escherichia coli como os T2 e T4. Os vírus só se reproduzem no interior de
células vivas. O fago adere à superfície da célula bacteriana e injeta o DNA
viral no interior da bactéria. A cápsula protéica vazia fica fora da célula
hospedeira. Existem, entretanto, outros tipos de vírus, que infectam células
eucarióticas, como, por exemplo, o vírus da gripe e do herpes simples, que
penetram inteiros na célula hospedeira, com a cápsula e o ácido nucléico.

Existem basicamente dois tipos de ciclos reprodutivos:

 ciclo lisogênico = DNA viral incorpora-se ao DNA bacteriano e não


interfere no metabolismo da bactéria, que se reproduz normalmente,
transmitindo o DNA viral aos seus descendentes.

 ciclo lítico = DNA viral passa a comandar o metabolismo bacteriano e a


formar vários DNAs virais e cápsulas protéicas, que se organizam formando
novos vírus. Ocorre a lise da célula, liberando vários vírus que podem
infectar outras bactérias, reiniciando novamente o ciclo.

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Procariontes e Eucariontes

Introdução

Existem dois tipos de


células: as células
PROCARIOTAS, que embora
tenham material genético (DNA
e RNA), não apresentam
membrana nuclear (carioteca)
e nem organelas
citoplasmáticas. A única
estrutura presente no
citoplasma dessas células são
os ribossomos, estruturas
necessárias para a síntese de
proteínas. Organismos
formados de células
procariotas são os
procariontes. Como exemplo
temos todos os organismos pertencentes ao reino Monera, isto é, bactérias e
cianobactérias, antigas cianofíceas.
O outro tipo de célula que
existe são as células
EUCARIOTAS. Estas, além de
terem carioteca, apresentam
vários tipos de organelas
citoplasmáticas. Os
organismos eucariontes, são
aqueles formados por células
eucariotas. Todos os outros
reinos de seres vivos são
compostos por organismos
eucariontes.

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Quando estudamos as
células eucariotas,
notamos que existe uma
grande variedade de
tipos, mas embora
existam tipos muito
diferentes, todas elas
apresentam uma série de
estruturas em comum.
Muitas vezes o que torna
uma célula diferente de
outra é a quantidade de
um certo tipo de
estrutura ou a sua
ausência ou presença.

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REINO MONERA

MORFOLOGIA DOS MONERA

O Reino Monera é formado por organismos procariontes, representados pelas


bactérias e algas azuis (cianoficeas ou cianobactérias). São unicelulares ou
coloniais. Como em toda célula procariótica,
nesses organismos não há organelas
citoplasmáticas delimitadas por membranas e o
material nuclear não está envolto pela
carioteca. Os únicos tipos de orgânulos são os
ribossomos. As bactérias são encontradas no
ar, na terra, na água, nos organismos.
Pequenas, em geral 1 γm (um micrômetro)
Possuem membrana plasmática e membrana
esquelética (= mucocomplexa) e ainda podem ter
uma cápsula protetora gelatinosa como nos
pneumococos. Muitas bactérias apresentam
movimentos usando estruturas semelhantes aos
flagelos.

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Bactérias: Classificação (critérios)

Numero de células

 cocos: bactérias arredondadas, mais ou menos globosas:


 bacilos: possuem a forma de bastonetes:
 espirilos: assemelham-se a uma espiral ou saca-rolha:
 vibrião: é um caso especial de espirilo, assemelhando-se a um segmento da
espiral, ou a uma vírgula;

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Coloração Gram (+) e Gram (-)


TÉCNICA DE GRAM(1884) :
1. esfregaço (30’). 5. álcool 95 oG.L.
2. violeta genciana (1’) =corante. 6. fucsina diluída = corante.
3. lugol (1’) = “mordente”. 7. água destilada corrente = lavar
4. água destila corrente. 8. secar.
GRAM (+) = cor “roxa”
 ácido teicóico + ribonucleato de Mg
 mucopolissacarídeos (> de 60%) (peptidoglicano)
 Pressão osmótica 25 atm

GRAM (-) = cor “rósea”


 lipopolissacarídeos
 mucopolissacarídeos (< de 10%) (peptidoglicano)
 Pressão osmótica 8 atm

Obs.: Os COCOS, em geral são GRAM (+) , com exceção de Neisseria. Os BACILOS, em
geral são GRAM (-), com exceções de Corynebacterium, Clostridium e Bacillus. A

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técnica de Gram é importante para indicar se a bactéria é sensível ou não às


sulfas e penicilina.
Cocos e bacilos podem, em alguns casos, formar colônias, tais como:

 diplococos: colônias formadas por dois cocos:


 estreptococos: colônias formadas por vários cocos em fileira;
 tétrades: quatro cocos;
 estafilococos: colônias formadas por vários cocos arranjados de modo
semelhante a um cacho de uva;
 sarcinas: colônias formadas por vários cocos em arranjos cúbicos;
 diplobacilos: colônias formadas por dois bacilos;
 estreptobacilos: colônias formadas por vários bacilos em fileira.

Tipo de nutrição (metabolismo):

a) AUTÓTROFAS
 fotossíntese
 quimiossíntese
BACTÉRIAS fotossintetizantes e quimiossintetizantes : - equação:

b) HETERÓTROFAS:
 saprófitas = decomposição por enzimas, da matéria orgânica em
decomposição: “reciclagem" de sais, metais, etc
 fermentação = ausência de O2 : álcool; vinagre; coalhada; queijos
 mutualismo = “nódulos” de raízes de leguminosas (feijão, ervilha)
(FIXADORAS DE N2 NO2- e NO3-)
 parasitas patogênicas = doenças

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Reprodução assexuada das bactérias

As bactérias reproduzem-se mais freqüentemente por um processo assexuado


denominado divisão binária ou cissiparidade. Em uma célula inicial, ocorre a
duplicação do material
hereditário, que está ligado ao
mesossomo (reentrância da
membrana plasmática). A célula
começa a crescer e os mesossomos
afastam-se, levando consigo um
cromossomo. Logo após, a célula
se divide, dando origem a duas
células-filhas com a mesma
bagagem hereditária da célula-
mãe. O processo dura
aproximadamente 20 minutos.

Reprodução sexuada

a) O mecanismo de recombinação gênica mais importante em bactérias é a


conjugação
bacteriana. Na
conjugação
bacteriana duas
bactérias unem-se
temporariamente
através de uma
ponte
citoplasmática. Em
uma das células, denominada "doadora" ou "macho", ocorre a duplicação de parte
do cromossomo. Essa parte duplicada separa-se e, através da ponte
citoplasmática, passa para outra célula, denominada "receptora" ou fêmea",
unindo-se ao cromossomo dessa célula receptora. Esta ficará, então, com
constituição genética diferente daquela das duas células iniciais. Essa bactéria
"recombinante" pode apresentar divisão binária, dando origem a outras células
iguais a ela.
Como regra geral, em qualquer mecanismo de recombinação gênica nas
bactérias, somente uma fração do cromossomo da bactéria doadora é transferida
para a bactéria receptora. A fração doada corresponde a uma porção duplicada do
cromossomo ou do plasmídio.

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b) TRANSFORMAÇÃO: Griffith (pneumococos) = de pedaços de DNA de “bactéria


estranha”,
dispersos no
meio, algum é
incorporado, em
condições
especiais e a
bactéria passa a
exibir o fenótipo
(característica)
da “doadora”. Os cientistas têm utilizado a transformação como uma técnica de
Engenharia Genética, para introduzir genes de diferentes espécies em células
bacterianas (bactérias transgênicas).

c) TRANSDUÇÃO :
transferência de
material genético
de uma bactéria
para outra, através
de vírus
bacteriófagos ou
fago (= vetor).

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Importância e utilização

1. na indústria farmacêutica
 produção de antibióticos :
 tirotricina ; bacitracina ; subtilina ; polimixina B.
 ACTINOMICETOS a bactérias, mesmo lembrando fungos: estreptomicina;
aureomicina; terramicina.
2. na agricultura:
 fixação do nitrogênio (raízes de leguminosas: feijão, ervilha);
 parasitas (fitopatologia).
 Controle de Pragas
3. na indústria:
 vinagre (fermentação acética)
 coalhadas (fermentação lática)
 bebidas alcoólicas (fermentação alcoólica ou etílica)
 queijos (“cura”): “duros”: Cheddar; parmesão; “moles”; Limburger.
4. na medicina e veterinária
 doenças
5. em genética e biologia molecular
 estudos: mutação
 reprodução
 engenharia genética
 varias outras aplicações
6. decompositores
 reciclagem
 Ciclo da matéria orgânica

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Algas azuis(Cianobatérias)

As algas azuis são


unicelulares, mas formam
freqüentemente colônias
laminares ou filamentosas.
Apesar de estruturalmente
semelhantes às bactérias, as
algas azuis diferem delas por
possuírem clorofila, pigmento
encontrado em todos os
eucariontes fotossintetizantes.
Existem algumas bactérias que
realizam fotossíntese, mas
nesse caso, o pigmento é
denominado bacterioclorofila.

Estrutura celular:
PAREDE CELULAR: glicoproteínas + glicogênio.

Os pigmentos nos Monera estão associados a um sistema de membranas


internas na célula, porém não há formação de nenhuma organela citoplasmática
definida. Apresentam somente ribossomos.

Reprodução nas Algas Azuis

A reprodução das cianofíceas não coloniais é assexuada, por divisão


binária, semelhante à das bactérias. As formas filamentosas podem reproduzir-se
assexuadamente por fragmentação ou hormogônia: quebram-se em alguns pontos,
dando origem a vários fragmentos pequenos chamados hormogônios, que, por divisão
de suas células, darão origem a novas colônias filamentosas. Algumas formas
coloniais filamentosas produzem esporos resistentes, denominados acinetos, que
podem destacar-se e originar novos filamentos. Além de acinetos, algumas

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espécies possuem uma célula especial denominada heterocisto, cuja função ainda
não está esclarecida, mas há indícios de que sejam células fixadoras de
nitrogênio e de que auxiliem na sobrevivência e flutuação dos organismos sob
condições desfavoráveis.

Divisão Pigmentos Parede Locomoção Reprodução Reserva


celular
Cyanophyta Clorofila a Glicoproteín Não há Bipartição Amido das
Ficocianina as simples cianofíceas
Ficoeritrina Glicogênio (semelhante
ao
glicogênio)

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Fungos e Líquens

MICOLOGIA é estudo dos fungos:


 Os fungos ou seus esporos são encontrados praticamente em todos os
ambientes: água, terra, ar e nos organismos (como parasitas ou
mutualísticos).
 Suas células eucarióticas possuem membrana esquelética de quitina
(polissacarídeo que aparece no exoesqueleto de artrópodes). Apresentam
também outras características de animais, como glicogênio (reserva de
açúcar) e centríolos.

CLASSIFICAÇÃO:

1. Tipo de célula = eucariontes:


 Parede celular:
 Quitina (polissacarídeo nitrogenado).
 Citoplasma = grânulos de glicogênio (reserva).

2. Número de células :
 Unicelulares
 leveduras (fermentos)
 Multicelulares
 Cogumelos
 Mofos
 Bolores

3. Tipo de nutrição:
 Todos são HETERÓTROFOS.
 Decompositores (SAPRÓFITAS). Absorção após digestão por enzimas
lançadas “externamente” sobre o alimento
 Mutualismo (simbiose)
 micorrizas (fungos + raízes)
 liquens = fungos + algas (verdes ou azuis)
 Predadores “vermes” terrestres
 Parasitas (patogênicos)
 micoses externas
 micetomas ou tumores internos

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Micorrizas:

Fungos predadores:

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REPRODUÇÃO:
 sexuada
 “plasmogamia” (fusão de hifas monocarióticas)
 Alternância de gerações (metagênese)
 assexuada
 Brotamento
 Esporos
 “sorédios” nos liquens

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ESTRUTURA

Os fungos podem ser divididos em Mixomicetos e Eumicetos:


I. Mixomicetos: Fungos primitivos, saprófitos e constituem grandes massas
citoplasmáticas pluricelulares. Locomovem-se através de pseudópodos.
II. Eumicetos: São os fungos verdadeiros. O corpo dos fungos é formado por
numerosos filamentos denominados hifas. A hifas formam um emaranhado que se
chama micélio.

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Os micélios desenvolvem-se geralmente dentro do substrato onde o fungo se


fixa. Os micélios dos ascomicetos e dos basidiomicetos podem desenvolver
formações que emergem do substrato, tornando-se visíveis: são os corpos de
frutificação, popularmente conhecidos por cogumelos. É no corpo de frutificação,
ou cogumelo, que se desenvolvem os ascos ou os basídios. Os ficomicetos e alguns
ascomicetos não desenvolvem corpos de frutificação.

Esses fungos podem desenvolver dois tipos de estruturas, relacionadas com


o processo de reprodução: o asco e o basídio. Com base na formação ou não
formação dessas estruturas, podem ser classificados em quatro grupos:

a) FICOMICETOS: (alguns bolores): possuem hifas cenocíticas (sem septos


transversais). Desenvolvem-se sobre matéria orgânica úmida, constituindo o bolor
que pode ser branco ou preto (Mucor e Rhizopus). O micélio é ramificado e
desorganizado. Saprolegnia também é ficomiceto, aquático, que decompõe animais
mortos. Pilobolus é saprófita encontrado sobre fezes recentes de herbívoros
(cavalos, capivaras, antas, etc.).

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b) ASCOMICETOS: os pluricelulares formam hifas septadas. Possuem hifas haplóides


e hifas dicarióticas com dois núcleos n em cada célula. Estas hifas formam os
ASCOS, onde haverá fusão dos núcleos n (cariogamia), seguindo-se a meiose
espórica e formando 8 ascósporos; cada um destes produzirá hifa n
(monocariótica) e o ciclo reprodutivo continuará.

 Neurospora = bolor róseo, muito usado em pesquisas genéticas.


 Tuber e Morchella: usados na alimentação. As trufas (brancas –
amadurecidas, ou escuras – não amadurecidas) são corpos de frutificação (=
ascocarpos) do gênero Tuber.
 Saccharomyces (lêvedo) ou fermento usado em fermentação alcoólica
(cerveja) e nas panificadoras.
 Aspergillus e Penicillium: bolor “azul-esverdeado” em cascas de laranja.
Do Penicillium, Alexander Fleming, 1929, descobriu o antibiótico
penicilina.

O fungo Penicilium notatum é um exemplo de ascomiceto que não desenvolve


corpo de frutificação. É conhecido como "fungo da penicilina", pois é dele que
se produz a penicilina (o primeiro antibiótico descoberto) industrialmente. A
penicilina é um antibiótico poderoso e representa importante auxiliar da
medicina no combate às infecções bacterianas. Embora produzida por um fungo, não
atua sobre as micoses, doenças causadas por fungos, nem sobre infecções causadas

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por vírus.
Obs.: As leveduras, como é o caso de Saccharomyces cerevisae, podem-se
reproduzir assexuadamente por brotamento. Saccharomyces cerevisae é outro
ascomiceto que não desenvolve corpo de frutificação; forma o asco, no interior
do qual desenvolvem-se quatro ascósporos, e não oito, como é regra geral nos
ascomicetos.

C) BASIDIOMICETOS: as hifas são septadas, portanto celulares. As hifas


constituem o micélio subterrâneo que pode formar corpos de frutificação (=
basidiocarpos), fora do substrato e com forma de “guarda-chuva”, como os
champignons (comestíveis !).
 Amanita é um cogumelo venenoso semelhante ao champignon (América do Norte,
Europa).
 Polyporus (orelha-de-pau) cresce no interior de troncos mortos. Há
espécies parasitas que atacam o centeio (Claviceps purpurea),o amendoim
(Aspergillus flavus = aflatoxinas) além de outras que produzem substâncias
alucinógenas (LSD) (Psilocybe).
 Agaricus (champignons) – comestíveis.
A reprodução sexuada se dá por plasmogamia que é a fusão de duas hifas (n)
formando uma hifa
dicariótica (com
dois núcleos).
Quando estas hifas
formam os basídios,
ocorre a fusão dos
núcleos n
(cariogamia),
organizando o
núcleo 2n, que
sofre meiose
espórica,
produzindo 4
basidiósporos n.
Cada um destes se
desenvolve em hifa n (monocariótica), reiniciando o ciclo.

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Alternância de gerações em basidiomicetos

D) Deuteromicetos (causam doenças no homem - micoses, sapinho, frieiras)


Geralmente se reproduzem por esporulação.

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OS LIQUENS

 Alguns fungos podem associar-se de forma muito íntima a certas algas,


constituindo uma associação denominada líquen.
 Embora existam líquens nos quais a relação é de parasitismo, a relação
ecológica neste caso é o mutualismo, ou seja, uma associação em que os
dois seres recebem benefícios.
 Resultam da associação entre ALGAS unicelulares (verdes ou azuis) + FUNGOS
(principalmente ascomicetos).
 Esse perfeito “casamento“ (mutualismo) permite aos líquens sobreviver em
regiões onde poucos seres vivos sobreviveriam. De fato, os líquens podem
ser encontrados, por exemplo, sob a neve nas tundras árticas, onde são
importantes fontes nutritivas para animais diversos, como a rena e o
caribu.
 Sobre rochas nuas, os líquens são, com freqüência, os primeiros
colonizadores (pioneiros), desagregando o material rochoso e propiciando
nas condições físicas do ambiente uma melhoria tal que permite a
instalação, naquele
lugar, de futuras
comunidades de musgos e
outras plantas.
 Apesar de capazes de
sobreviver nos mais
variados tipos de
habitat, os liquens são
muito sensíveis a
substâncias tóxicas,
particularmente o SO2
(dióxido de enxofre). Por
isso, são utilizados como
indicadores da poluição
do ar atmosférico pelo
SO2. Como esse gás é um
poluente muito comum nas
zonas urbanas, entende-se
porque os liquens são
relativamente escassos
nas cidades.
 Os liquens são capazes de absorver e concentrar substâncias radiativas,

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como o estrôncio 90 (pode se alojar nos ossos, provocando anemia).


Constatou-se, que esquimós, no Alasca, apresentavam taxas elevadas
desse elemento no organismo: haviam-no adquirido pela ingestão de carne de
rena e caribu; os animais, por sua vez, obtiveram o elemento ao comerem
líquens contaminados.

SORÉDIOS
A reprodução dos líquens faz-se principalmente através de fragmentos
vegetativos denominados sorédios. Cada sorédio contém algumas poucas algas
envolvidas por algumas hifas dos fungos.

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Reino Protista

Algas: Unicelulares e multicelulares

Introdução

Segundo a classificação do mundo vivo em cinco reinos (Whittaker – 1969),


um deles, o dos Protistas, agrupa organismos eucariontes, unicelulares,
autótrofos e heterótrofos. Neste reino se colocam as algas inferiores:
euglenófitas, pirrófitas (dinoflagelados) e crisófitas (diatomáceas), que são
Protistas autótrofos (fotossintetizantes). Os protozoários são Protistas
heterótrofos.

Ficologia é o estudo das algas !

As algas eucariontes são estudadas no reino Protista ou no Reino Vegetal!


Suas células possuem membrana celular, carioteca, plastos de diferentes tipos e
em pequeno número, às vezes, apenas um em cada célula; possuem mitocôndrias,
além de outras organelas celulares. Possuem membrana esquelética. São
unicelulares ou pluricelulares. Nestas, o corpo é um TALO, portanto, são
vegetais TALÓFITOS. Muitas são microscópicas, enquanto, outras, podem apresentar
talos com dezenas de metros de comprimento, como as Nereocystis e Macrocystis (=
feofíceas). No reino Vegetal, estarão as algas pluricelulares (vermelhas, pardas
e verdes), que mostram todas as características básicas dos vegetais. Assim como
todos os vegetais, elas são eucariontes, pluricelulares e exclusivamente
autótrofas. As clorofilas e outros pigmentos relacionados à fotossíntese ficam
no interior de plastos. A parede celular é de celulose, e o amido é a principal
substância de reserva armazenada na forma de grãos insolúveis.

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Divisão Pigmentos Parede celular Reserva Locomoção Reprodução


Cyanophyta Clorofila a Glicoproteínas Amido das Não há Bipartição
ad,as,as,t Ficocianina Glicogênio cianofíceas simples
Ficoeritrina (semelhante ao
glicogênio)
Euglenophyta Clorofilas a,b Não há Paramilo Flagelos(1,2 ou Bipartição
(unicelulares) Caroteno celulose (semelhante ao 3) simples.
ad,ab,as,t amido) e óleo Sexuada,rara
Pyrrophyta Clorofilas a;c Placas Amido e Óleo Flagelos = 2 Bipartição
(dinoflagelados) Caroteno morfologica/ simples.
(unicelulares) Xantofilas desiguais Sexuada,rara
ad,ab,as, t
Chrysophyta Clorofilas a;c Pectina Óleo Ativa, por Bipartição e
(douradas) Caroteno Sílica expulsão de Sexuada
(diatomáceas) Fucoxantina água
ad,ab,as,t (parda)
Chlorophyta Clorofilas a;b Celulose e Amido Talo fixo. Zoósporos
(verdes) Caroteno Pectina Unicelulares- Isogamia
ad,ab,as,t Xantofilas livres (2 ou 4 Heterogamia
flagelos) Oogamia
Phaeophyta Clorofilas a;c Celulose + Laminarina e Talos fixos e Alternância de
(pardas) Caroteno Algina Manitol flutuantes gerações
ab,as Fucoxantina
(parda)
Rhodophyta Clorofilas a;d Celulose Amido de Talos fixos Alternância de
(vermelhas) Caroteno Carragenina, Florídeas gerações
ab,as,ad Ficoeritrina Ágar e CaCO3 (semelhante ao
glicogênio)
ad = água doce (~1% sais) ; as = água salgada (~3,5-4% sais) ; ab = água
salobra; t = terra umida

Algas unicelulares
PLÂNCTON - corresponde a um conjunto de seres
que vivem em suspensão na água dos rios,
lagos e oceanos, carregados passivamente
pelas ondas e correntes. No plâncton
distinguem-se dois grupos de organismos:
 fitoplâncton: organismos produtores
(fotossintetizadores), representados
principalmente por dinoflagelados e
diatomáceas, constituem a base de
sustentação da cadeia alimentar nos mares e lagos . São responsáveis por
mais de 90% da fotossíntese no planeta.
 zooplâncton: organismos consumidores, isto é, heterótrofos, representados
principalmente por protozoários, pequenos crustáceos e larvas de muitos

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invertebrados e de peixes.
 Crysophyta ==> as células das diatomáceas possuem parede celular rígida
denominada frústula ou carapaça, composta por duas valvas que se encaixam
e podem apresentar grande diversidade de formas e de ornamentação. Existem
depósitos seculares dessas carapaças, denominados terra de diatomáceas ou
diatomito. Essas carapaças são
utilizadas na fabricação de
cosméticos, filtros e produtos de
polimento.
 Pyrrophyta ==> “floração das águas” =
“maré vermelha” (Gonyaulax = H2O
doce). Forma populações
extraordinariamente grandes, que dão
origem a extensas manchas avermelhadas
na superfície do mar. O grande
problema das “marés vermelhas” está na elevada toxicidade da neurotoxina
produzida por Gonyaulax.
 Noctiluca ==> pirrófitas bioluminescentes (convertem energia química em
luz) parecem minúsculas “gotas de geléia transparente” na superfície da
água.
 fitoplâncton ==> emite para a atmosfera do planeta o gás dimetil- sulfeto
(DMS), que reagindo com O2 e H2O forma gotículas de H2SO4. Essas gotículas
de ácido em suspensão condensam água, formando 90% das nuvens do planeta.
Essas algas oferecem, então, uma grande contribuição para o clima.

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Algas multicelulares

 CARRAGENINA = polissacarídeo da galactose. ÁGAR = polissacarídeo


(galactose).
 ALGINA = polissacarídeo da manose. Os sais do ácido manurônico são
utilizados na fabricação de sorvetes tipo “italiano” ; juntamente com a
carragenina e o ágar, são utilizadas como estabilizadores em doces,
sorvetes, dentifrícios e placas de cultura de bactérias.
 SARGAÇOS = feofíceas; flutuam livremente em determinadas regiões do
Atlântico (Mar dos Sargaços), podendo acarretar problemas para a
navegação. Sob essas espessas camadas
de talos amontoados, criam-se condições
de fixação e proteção para um grande
número de espécies animais.Os sargaços
(gênero Sargassum) são algas que chegam
a atingir mais de 50 metros de
comprimento; depois de ressecadas e
moídas, elas fornecem um adubo muito
rico em sais de nitrogênio, fósforo,
potássio e iodo.

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 Nereocystis ; Macrocystis = algas feofíceas, cujos talos chegam a dezenas


de metros de comprimento. Nestas algas, popularmente conhecidas como
laminárias, há nos talos longos tubos com placas crivadas, semelhantes às
das plantas superiores (têm, comprovadamente, a função de conduzir
soluções no sentido longitudinal). No Japão, as laminárias são consumidas
(milhares de toneladas anuais) como verdura cozida ou em sopas. No Brasil
ocorre no litoral do Espírito Santo, em local de águas de temperaturas
baixas. Tais algas atingem até cerca de 4 m de comprimento.

 KELPS = laminárias conjunto de grandes (complexas ; > 50 m) algas pardas


marinhas, de regiões frias.

 Acetabularia = clorofícea (= sombrinha-de-sereia ; taça-de-vinho-de-


sereia) ; marinha, cada “chapéu” é uma única grande célula, com cerca de 5
cm de altura, mantendo o núcleo no seu pé. O talo é preso com impregnação
calcárea em águas tropicais e sub-tropicais.

REPRODUÇÃO

Uma característica fundamental do ser vivo é a capacidade de reproduzir-


se, isto é, dar origem a outro ser vivo semelhante (deixar descendentes). Sem
reprodução as espécies desapareceriam. Nos seres unicelulares, como bactérias, a
simples divisão da célula já significa reprodução. Há dois tipos principais de
reprodução: assexuada ou agâmica e sexuada ou gâmica.

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Reprodução assexuada ou agâmica.

Em geral é mais rápida e mais simples que a reprodução sexuada. Poderá ser
feita por um único organismo do qual separam-se células ou partes que darão
novos indivíduos. Na reprodução assexuada os descendentes são geneticamente
iguais ao organismo do qual se originaram não ocorrem recombinações genéticas.
Nas espécies unicelulares a reprodução pode ser por simples divisão ou
cissiparidade. Nas pluricelulares podem se formar células especiais (= ESPOROS)
que podem ser aplanósporos (sem motilidade) ou zoósporos (móveis – aquáticos)
com dois ou mais flagelos.

Reprodução sexuada ou gâmica:

De acordo com a morfologia e fisiologia dos gametas temos:


 ISOGAMIA – gametas iguais morfológica e fisiologicamente.
 HETEROGAMIA – gametas diferentes em tamanho, porém ambos com flagelos.
 OOGAMIA – o gameta feminino, oosfera, é grande e imóvel. O gameta
masculino, anterozóide, é pequeno e move-se com seus flagelos.

Os gametas são
formados em estruturas
especiais, os
gametângios. As
oosferas são
produzidas nos
oogônios (gametângio )
e os anterozóides, nos
anterídeos
(gametângio).

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Tipos de ciclos reprodutivos:

 HAPLONTES (Haplobiontes) =
os organismos são sempre
haplóides (n).
Ocorre meiose inicial ou
zigótica. Exemplo: algas
verdes conjugadas,
Zygnema, que também
apresenta reprodução por
conjugação; alga Spirogyra
etc.

 DIPLONTES
(Diplobiontes) = os
organismos são sempre
diplóides (2n). A
meiose ocorre na
formação dos gametas =
meiose
gamética.Exemplo: algas
verdes Siphonaples.

 HAPLODIPLOBIONTES (Haplonte-
diplonte) = existem dois tipos
de organimos: haplóides (n) ou
Gametófito e diplóide (2n) ou
Esporófito, que se alternam (=
alternância de gerações ou
METAGÊNESE). O indivíduo
diplóide (esporófito) (2n)
reproduz-se assexuadamente por
esporos (n) ocorre meiose
espórica. Os esporos (n) se
desenvolvem através de mitoses
e dão origem a organismos
haplóidespluricelulares (= gametófitos) e o ciclo continua !

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Importância das algas


 Renovação do oxigênio na atmosfera.
 O fitoplâncton é o produtor (base) das cadeias alimentares aquáticas.
 Fornecem substâncias como ágar, celulose, iodo, alginato etc, com
importantes aplicações industriais.
 As carapaças de diatomáceas formam o diatomito ou terra de diatomáceas,
usada como abrasivo, filtros e na fabricação de explosivos.
 Determinadas algas como as pirrófitas, podem formar as “marés vermelhas”
eliminando substâncias tóxicas que matam outros seres.
 Formam associações com fungos, ou seja, os liquens.

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Protozoários

Protozoários são seres microscópicos, eucariontes e unicelulares. Quando


dividimos os seres vivos em Animais e Vegetais, os protozoários são estudados no
Reino Animal e os fitoflagelados – que são protozoários – são estudados no Reino
Vegetal. Os protozoários constituem um grupo
de eucariontes com cerca de 20 mil espécies. É
um grupo diversificado, heterogêneo, que
evoluiu a partir de algas unicelulares. Em
alguns casos essa origem torna-se bem clara,
como por exemplo no grupo de flagelados. Há
registro fóssil de protozoários com carapaças
(foraminíferos), que viveram há mais de 1,5
bilhão de anos, na Era Proterozóica. Grandes
extensões do fundo dos mares apresentam
espessas camadas de depósitos de
carapaças de certas espécies de radiolários e
foraminíferos. São as chamadas vasas. Os
protozoários são, na grande maioria, aquáticos, vivendo nos mares, rios,
tanques, aquários, poças, lodo e terra úmida. Há espécies mutualísticas e muitas
são parasitas de invertebrados e vertebrados. Eles são organismos microscópicos,
mas há espécies de 2 a 3 mm. Alguns formam colônias livres ou sésseis. Muitos
protozoários apresentam orgânulos especializados em determinadas funções, daí
serem funcionalmente, semelhantes aos órgãos. Suas células, no entanto, podem
ser consideradas “pouco especializadas”, já que realizam, sozinhas, todas as
funções vitais dos organismos mais complexos, como locomoção, obtenção do
alimento, digestão, excreção, reprodução. Nos seres pluricelulares, há divisão
de trabalho e as células tornaram-se muito especializadas, podendo até perder
certas capacidades como digestão, reprodução e locomoção.
A classificação dos protozoários
baseia-se fundamentalmente nos tipos de
reprodução e de organelas locomotoras. A
locomoção se faz por batimento ciliar,
flagelar, por emissão de pseudópodos e
até por simples deslizamento de todo o
corpo celular. Em alguns ciliados há, no
lugar do citoplasma, filamentos
contráteis, os mionemas. Os pseudópodos,
embora sendo expansões variáveis do
citoplasma, podem se apresentar sob

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diferentes formas. Os protozoários são organismos heterótrofos, alimentando-se


geralmente de detritos orgânicos, bactérias e outros microorganismos
incorporados em vacúolos digestivos. As muitas espécies parasitas (patogênicas)
aproveitam substâncias orgânicas solúveis absorvidas dos tecidos dos
hospedeiros.

Características

a) Estrutura
A célula do protozoário tem uma membrana simples ou reforçada por capas externas
protéicas ou, ainda, por carapaças minerais, como certas amebas (tecamebas) e
foraminíferos. Há estruturas de sustentação, como raios de sulfato de estrôncio,
carapaças calcáreas ou eixos protéicos internos, os axóstilos, como em muitos
flagelados.

O citoplasma está diferenciado em duas zonas, uma externa, hialina, o


ectoplasma, e outra interna, granular, o endoplasma. Nesta, existem vacúolos
digestivos e inclusões.

b) Digestão
Nas espécies de vida livre há formação de vacúolos digestivos.As partículas
alimentares são englobadas por
pseudópodos ou penetram por uma
abertura pré-existente na membrana, o
citóstoma. Já no interior da célula
ocorre digestão, e os resíduos
sólidos não digeridos são expelidos
em qualquer ponto da periferia, por
extrusão do vacúolo, ou num ponto

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determinado da membrana, o citopígio ou citoprocto.


c) Respiração
A troca de gases respiratórios se processa em toda a superfície celular.

d) Excreção
Os produtos solúveis de excreção podem ser eliminados em toda a superfície da
célula. Nos protozoários de água doce há um vacúolo contrátil, que recolhe o
excesso de água absorvido pela célula, expulsando-a de tempos em tempos por uma
contração brusca. O vacúolo é portanto osmorregulador.

Classificação dos protozoários

Na tendência moderna, os protozoários estão incluídos no Reino Protista,


subdivididos em quatro filos:

a) Rizópodes ou sarconídeos
São marinhos, de água doce ou parasitas. Têm um ou mais núcleos, vacúolos
digestivos e vacúolos contráteis (apenas nos de água doce). São amebas;
radiolários e foraminíferos (têm carapaças
com formas bastante vistosas, feitas
de calcário ou de sílica - importantes
indicadores da existência de jazidas de
petróleo). Os Rizópodes caracterizam-se por
apresentarem pseudópodes como estrutura de
locomoção e captura de alimentos. Podem ser
de vida livre ou parasitas (Entamoeba
histolytica). As amebas de vida livre que
vivem em água doce apresentam vacúolo
contrátil ou pulsátil para osmorregulação,
eliminando o excesso de água que vai entrando no seu citoplasma (hipertônico),
vindo do ambiente mais diluído (hipotônico). Em condições desfavoráveis, por
exemplo sujeita à
desidratação, a
Entamoeba produz
formas de resistência,
os cistos, com quatro
núcleos no seu
interior (partição
múltipla). A
reprodução assexuada é

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por bipartição simples ou cissiparidade. Dentre as amebas é importante a


Entamoeba histolytica, que parasita o intestino humano, causando a disenteria
amebiana ou amebíase.

b) Flagelados
Existem flagelados de vida livre (Euglena – possuem clorofila e realizam
fotossíntese; podem, também, nutrir-se de forma heterótrofa = zooflagelados),
mutualísticos (Trichonympha, no intestino de cupins – fornecem a enzima
celulase) e parasitas (Trypanosoma cruzi). Nos coanoflagelados, há uma espécie
de colarinho que serve para a captura de partículas alimentares; têm estrutura
muito semelhante aos coanócitos, células típicas das esponjas. Devido a isso, há
teorias que sugerem uma relação filogenética entre coanoflagelados e esponjas.

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A reprodução é sexuada ou assexuada por divisão longitudinal.Por exemplo, em


Trypanosoma:

Podem ter um ou mais flagelos e em alguns há também pseudópodos. No gênero


Trypanosoma há uma membrana ondulante que auxilia na locomoção. Este filo tem
muitos importantes parasitas humanos:
 Leishmania braziliensis, Causa a leishmaniose tegumentar.
 Trypanosoma cruzi. Causa a doença de Chagas.
 Giardia lamblia. Causa a giardíase (intestinal).

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 Trichomonas vaginalis. Causa a tricomoníase (no aparelho genital).


c) Esporozoários
Não possuem orgânulos para locomoção.
São todos parasitas e apresentam um
tipo de reprodução assexuada especial
chamada de esporulação: uma célula
divide seu núcleo numerosas vezes;
depois, cada núcleo com um pouco de
citoplasma é isolado por uma
membrana, formando assim vários
esporos a partir de uma célula. No
ciclo vital apresentam alternância de

reprodução assexuada e sexuada. O principal


gênero é o Plasmodium, com várias espécies
causadoras da malária. é importante também o
Toxoplasma gondii, causador da doença
toxoplasmose, de grande seriedade em mulheres
grávidas até o terceiro mês.

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d) Ciliados
É o grupo mais altamente
especializado. Apresentam cílios,
cirros e membranelas. Estas duas
últimas estruturas resultam da
concrescência de muitos cílios.
Entre eles estão os protozoários
“gigantes” como os paramécios
(Paramecium) muito usados em
estudos; aqui estão os protozoários
de organização mais complexa. A
maioria é de vida livre. Além de
orgânulos especializados, possuem
dois núcleos: macronúcleo (funções
vegetativas) e micronúcleo (funções
genéticas: hereditariedade e
reprodução); apresentam
extremidades anterior e posterior;
na membrana, a entrada do alimento
se dá pelo citóstoma e a saída de
resíduos pelo citopígio (=
citoprocto). O Balantidium coli é a
única espécie ciliada parasita do
homem (intestino). A reprodução
sexuada por conjugação consiste no
pareamento de dois paramécios, com
fusão das membranas e em seguida
troca de material genético dos
micronúcleos. Depois os paramécios
se separam e se reproduzem
assexuadamente por cissiparidade.

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Referências bibliográficas recomendadas

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