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APRESENTAÇÃO

AUTONOMIA é um coletivo autônomo libertário, cujo objetivo é impulsionar e estender as práticas sociais de luta por uma sociedade livre e igualitária. Desde o primeiro momento, tentamos nos coordenar,

no enfrentamento de questões específicas e

em torno de afinidades programáticas, com indivíduos e grupos, formando uma rede.

Divulgaremos nossas reivindicações e consignas, mediante cartazes, boletins,

Pretendemos realizar diferentes

atividades: palestras, debates, projeção e produção de vídeo, etc. Toda atividade do grupo AUTONOMIA é previamente discutida e aprovada em assembléia mensal.

panfletos

O QUE É E COMO FUNCIONA A

AUTONOMIA

O que é autonomia? Quem são os

autônomos? Antes de mais nada, é preciso

dizer que autônomo significa "que ou quem

se governa". Por isso, em contraposição às

organizações hierárquicas e autoritárias, as mobilizações dos grupos autônomos têm sempre o indivíduo como protagonista.

A Autonomia não é uma ideologia, nem

mesmo uma política, mas uma alternativa à política. Única tendência revolucionária que

não se deixou rotular, monopolizar ou rebocar por velhos dogmas, clichês ou hábitos, a Autonomia se define como anticapitalista e antiautoritária, combatendo

sem tréguas o patriarcado, o capital, o estado e todas as opressões ditas específicas.

Por autonomia entendemos uma luta pela transformação social, que realizamos desde a auto-organização como setores explorados. Nosso modelo e objetivo é a sociedade livre,

sem classes, sem estado e sem capital; a sociedade autogerida, cujo princípio regulador é: de cada um segundo suas possibilidades, a cada um segundo suas necessidades.

No sentido amplo, somos milhões: operários desempregados ou precarizados, estudantes sem futuro, presos, camponeses arruinados, sem-terra, sem-teto, insubmissos, gays e lésbicas, prostitutas, grupos solidários, enfim, todos os setores que se encontram à margem do sistema capitalista. São autônomos os que se situam fora e contra as engrenagens do poder, com seus mecanismos de controle: instituições totais (quartel, escola, fábrica, sanatório, hospícios, penitenciárias, etc), partidos e sindicatos.

Concretamente, autônomos são os coletivos e individualidades que se propõem viver a Revolução hoje, sem esperar orientação de ninguém, sem aceitar a direção de vanguardas autoproclamadas, cujo dogmatismo e autoritarismo serve apenas para manter a exploração com outro nome. Reconhecemos, no entanto, o papel desempenhado pelos autênticos revolucionários comunistas e anarquistas na luta contra o sistema capitalista.

Viver a Revolução hoje é liberar espaços, incentivando o ócio autogerido e superando o medo institucionalizado; é atacar os valores burgueses, reapropriando a identidade na rebeldia, na criatividade e na solidariedade ativa com os que lutam pela destruição do capital.

Um autônomo jamais diz: "Filia-te ao nosso grupo." Isto porque os autônomos não se julgam donos da verdade. Mas um autônomo diz: "Se queres mudar tua vida e transformar a sociedade, organiza-te e luta!"

COORDENAÇÃO

Desde cada coletivo organi zado, cada

localidade, devemos coorden ar-nos para

efetivar uma resposta global

capitalista. As lutas pela tr ansformação social exigem coordenaç ão. Sem coordenação das lutas não há p ossibilidade de ruptura com o sistema capitali sta.

ao sistema

A coordenação se traduz, na

posturas unitárias quanto aos te mas e lutas que nos são comuns. Haven do opiniões

prática, em

ser flexível

o bastante para que cada co letivo e/ou

indivíduo faça o que achar mais conveniente.

Desta maneira evitamos cair

organização fechada, dogmática e autoritária, o que nos faria perder o contato com as lutas

em uma

divergentes, o movimento terá de

sociais

CONTRA A BARBÁ RIE

CAPITALISTA

O capitalismo domina o mund o, destrói a

natureza e rebaixa a dignidade h umana. Uma

vez perdido o sentido da vida,

alienação da sobrevivência, na q ual o capital decide por nós, teleguiando-no s através de dispositivos econômicos, p olíticos e ideológicos, que atuam extraind o o máximo possível de lucros e privilégio s para uma cada vez mais reduzida oli garquia de exploradores e parasitas.

só restaria a

Em cada país, seja pobre ou rico , acentua-se

a desigualdade entre a imensa

maioria de

famintos e a insolente

minoria de

esbanjadores. No entanto, os

recursos do

mundo são mais do que suficien tes para que

toda a humanidade viva com dig nidade e sem desperdícios.

Capitalismo signific a injustiça social e destruição da nature za. Temos que acabar com o capitalismo s e quisermos construir uma sociedade livr e e igualitária, sem exploradores nem exp lorados, autogerida.

Já dura muitos an os a luta contra a dominação capitalista . A situação em que estivemos mais pró ximos da Revolução

Social vitoriosa foi

na Espanha, em 1936,

com o funcioname nto das coletividades agrárias e das fábric as sob gestão operária.

Mas os revolucionário s foram vencidos pelos inimigos de classe: o s fascistas (com apoio

contra-revolucionários

do clero) e demais

(democratas burguese s e stalinistas).

O capitalismo tem s obrevivido, inclusive – sob a forma burocráti ca e estatal – nos países impropriamente cha mados socialistas ou comunistas (China, C uba, Vietnã, Coréia do Norte

Afirmamos que só

transformar radicalme nte a sociedade: a

uma

maneira

de

organização de tod os os explorados e oprimidos com v istas à sua auto- emancipação revoluci onária.

maneira de organização de tod os os explorados e oprimidos com v istas à sua auto-

PERSPECTIVAS

Nossa luta deve assumir o conceito de autovalorização, isto é: a luta pela reapropriação de nossas vidas, recusando a mera sobrevivência da passividade submetida e explorada pelo capital. O trabalho assalariado é uma imposição do

sistema capitalista, que a maioria das pessoas aceita para sobreviver. É por sabermos disto que não elogiamos o mundo do trabalho, o mundo da fábrica, pois seria elogiar o número de horas em que somos engrenagens

do capitalismo.

Lutamos pela recuperação do máximo possível do resultado de nossos esforços Seja em forma de salários (mesmo que sejam absorvidos pela inflação), seja em forma de seguro-desemprego, transportes gratuitos ou reapropriação de nossa força de trabalho. Assim, cabe mencionar, a título de exemplo, que, segundo estudos, publicados nos EUA, 70% das mercadorias 'roubadas' nos estabelecimentos comerciais são reapropriadas pelos próprios empregados.

Na medida de nossas possibilidades, devemos estar presentes em todas as lutas econômico-sociais, impulsionando a auto- organização; explicando nossos pontos-de-

vista e apresentando respostas aos problemas concretos; atuando no sentido de radicalizar

e estender as lutas anticapitalistas. Em

resumo: propagando a idéia de que, dentro

do sistema, as soluções oferecidas são meras

mentiras. O mal está no próprio sistema capitalista, que pretendemos destruir.

Esta tomada de posição não é uma teoria pronta e acabada. Portanto, está aberta a toda crítica militante e solidária. Finalmente,

enfatizamos que a autocrítica é essencial para

o avanço na construção de uma relação criadora entre teoria e prática.

ISOLAMENTO PARLAMENTAR

Pierre-Joseph Proudhon

(em As Confissões de um revolucionário,

1849)

Ingressei na Assembléia Nacional com a timidez de uma criança e o entusiasmo de um principiante. Assíduo, desde as 9 horas da manhã, às reuniões dos departamentos e comissões, eu só deixava a Assembléia ao anoitecer, exaurido de cansaço e desgosto. Tão logo punha os pés naquele Sinai parlamentar, afastava-me das massas; absorvido pelas tarefas legislativas perdia inteiramente de vista os acontecimentos do

momento. Eu nada sabia, quer sobre a situação das oficinas nacionais e a política do governo, quer sobre as intrigas que surgiam no coração da Assembléia. É preciso ter vivido naquela câmara de isolamento chamada Nacional para entender como, quase sempre, justamente os homens que mais completamente desconhecem a situação

do país são aqueles que o representam

A maior parte dos meus colegas de esquerda

e extrema esquerda compartilhavam da

mesma perplexidade, da mesma ignorância sobre os acontecimentos do dia-a-dia. Só se falava nas Oficinas Nacionais com uma espécie de terror, pois temer o povo é um mal que aflige todos aqueles que estão do lado da autoridade; para os que estão no poder, o inimigo é o povo.

"PASSANDO NO VESTIBURRANDO"

"PASSANDO NO

"PASSANDO NO VESTIBURRANDO"
VESTIBURRANDO"
VESTIBURRANDO"

VESTIBURRANDO"

"Nunca deixei que o período que passei na escola interferisse na minha educação."

Mark Twain

Final do 3º ano do 2º grau. Milhões de faces cansadas de norte a sul do país. Jovens e adolescentes que ralaram até fundirem suas

mentes são convocados por um sistema sórdido e vil a prestarem uma gigantesca prova que, há muito se sabe, não prova nada. Explico: anos atrás, alguém daqueles que hoje são os "velhos" da política, os profissionais do poder, mestres em sugar divisas alheias, balzaquianos na corrupção e na demagogia barata, sentiram vontade de espelhar o modo de avaliação para o ensino superior nacional no método "Ianque - Europeu", aliás, fato que não era nenhuma novidade, já há tempos éramos "pseudo- colônia" deles. Instalou - se então o chamado vestibular, "o mais moderno sistema de massificação da juventude brasileira". Sim, no fundo, somos todos farinha do mesmo saco para os patriarcas e os "coronéis" da política.

Os estudantes passam onze anos de suas vidas precisando aprender o básico no 1º grau e se especializar no 2º. Ocorre que, após oito anos aprendendo o quanto se deve respeitar aos mais velhos, aos professores, aos poderosos, à cultura nacional, através de "festinhas" de folclore e de fim de ano (desde pequenos já nos ensinam a sermos imbecis), o adolescente que se forma é um desiludido com toda esta palhaçada ao estilo "flower power", "seja bonzinho com todo mundo", "Jesus te ama, seja amável com Ele", etc. Ele, ou nós, não estamos pensando em sermos senhores respeitáveis, sóbrios pais de família, renomados figurões da sociedade de terno e gravata engomadinhos.

Enquanto há um professor querendo se passar por respeitável e detentor do poder na sala de aula, impondo seu conhecimento, ocorre uma revolução hormonal e mental na forma de pensar e agir destes mesmos jovens, que não estão nem aí para o que aquele cara lá de costas para o quadro está dizendo.

O jovem age da maneira que age porque durante anos o ensino brasileiro deu demasiada ênfase às provas escolares. Estes mesmos jovens passam o ano curtindo a vida e, no fim do ano letivo, estudam exaustivamente para passarem nas provas finais e nas recuperações. Pronto, cumpriram

seus deveres: não aprenderam nada que lhes interessasse, contudo passaram de ano, fazendo a alegria dos pais e da sociedade.

Vem o fatídico 2º grau, (bem, alguns chegam lá, né!), e muita gente boa pensa que já sofreu de tudo dentro das quatro paredes de uma sala de aula. Ledo engano, caras-

pálidas, o calvário só começou, sua cruz não ficou mais leve e não pense que as palavras de boa vontade dos diretores e professores dizendo o quanto seu futuro está em suas mãos, que dele depende seu destino e de seu país, irão inflar seu emergente espírito patriota - ufanista - anticolonialista, pois quando eles te apresentarem às relações fundamentais, às leis de newton, às cadeias carbônicas, leis de coulomb, taxonomia, parnasianismo, alelos dominantes e

recessivos

CHEGA, PORRA! Eh, bem, já

deu para notar, não é? NÃO É??!!!! Meus irmãos e irmãs, imaginem o que é ter que

aturar professores fingindo que ensinam e você ter que fingir que está aprendendo tudo. "Vocês entenderam? ALGUMA DÚVIDA?!". "Nããããoooo,

professooooorrr

Imaginem isso por três

longos anos. Tudo bem, se você se acostumou a ser o c.d.f. da titia ou o bom e velho "vaselina", ou seja, suja e lambuza tudo, mas sempre passa fácil, sorte a sua. Nós seres humanos não temos os mesmos privilégios que você, super, tem.

Se após toda matéria inútil (não, não estou falando de biologia!) que tentarem te empurrar, se após todo discurso de cada professor argumentando o quanto sua matéria tem, lá no fundo ( bem lá no fundo do poço), sua importância, espero que sua sanidade esteja ao menos compacta para enfrentar o apanhado de todos os seus demônios na prova do vestibular.

Não tente achar que você pode mudar o mundo, não caia na conversa que o jovem transforma e faz o país crescer, não acredite que os "caras - pintadas" tiraram presidente de algum poder, porque eles sãos os mesmos jovens de classe média - alta que hoje vêem o país afundar, que raspam seus cabelos, usam suas roupinhas da grife da hora, vão para as

".

matinês das boates adolescentes cantar ( cantar? ) sobre as favelas onde eles NÃO nasceram! Se ainda assim, sobreviverem vocês são meus heróis.

Paz, amor e Sargent Peppers. Estudo errado! No peace, no future!

O Possesso

DILEMA DOS JOVENS

BRASILEIROS

A passagem à idade adulta, sempre foi, e será

um dilema que aflige os jovens de maneira intensa. Ainda que esta transição aconteça de uma forma equilibrada, é inevitável que ela

traga consigo vários questionamentos. E se já

é difícil lidar com este momento quando há

uma preparação, é praticamente impossível desenvolvê-lo de modo pleno nas condições em que encontram-se a maioria dos jovens brasileiros. A adolescência traz consigo atributos peculiares. A busca por uma personalidade singular, a constituição dos valores, começam a tomar consistência nesta fase da vida, e qualquer distúrbio neste momento pode influenciar o processo e acabar por prejudicar a construção do senso crítico e dos valores morais do adulto que se forma. Diferentes fatores condicionam esta transição, e só o equilíbrio total, pleno entre eles proporcionará ao jovem uma situação favorável à materialização de um discernimento moral. Contudo, a juventude brasileira, em sua grande maioria, não dispõe destas condições. Seria impossível enumerar os fatores que interferem nesta transição, mas alguns deles tomam uma relevância tal que podem ser facilmente destacados. A Educação formal é um desses fatores. Ainda é muito alto o percentual de jovens analfabetos no Brasil, e embora estes números venham diminuindo poderiam ser maiores os investimentos e o interesses aplicados para solucionar este problema.

Outra questão relacionada à Educação são os aspectos econômicos e políticos capazes de influenciá-la. Recebendo uma gama de conhecimentos pré-moldados com finalidades específicas, e geralmente nada favoráveis à população em geral, fica

impossível imaginar que estes conceitos conduzirão o jovem à constituição de uma consciência crítica , ou aguçarão sua capacidade reflexiva. Um ambiente familiar saudável também é pré-requisito à uma boa formação. No entanto, numa sociedade com milhões de desempregados, com um concorrido mercado de trabalho, onde as inovações tecnológicas encaminham os indivíduos à introspecção e ao egoísmo a interação do jovem com o meio familiar e social fica profundamente abalada, quando não inexistente. Este fato (o contato com o meio) é de vital importância à sua formação moral tendo em vista o seguinte aspecto: Um jovem que não participa, não interage intensamente com a sociedade a qual pertence passa a enxergá-la, apenas através das lentes das câmeras e escutá-la através das ondas do rádio. A mídia atuará com todo seu poder alienador sobre este jovem que, perdido, fará seus valores transmitidos por meios altamente controladores e não atrelados à uma conduta ética, ou seja, seu poder de dominação é direcionado por outros interesses específicos e particulares. E é nesse meio que se dá a transição a maioridade (não necessariamente maturidade) do jovem brasileiro. O desenvolvimento de uma consciência de valores guiado pela ética fica completamente ameaçado diante de tantas interferências nocivas. Portanto cabe a cada jovem portar-se de forma digna e tentar alcançar um desenvolvimento pleno de sua maturidade, caminhando assim para a conquista de uma personalidade crítica, reflexiva e revolucionária.

Neptunus

FILMES DE ADRIAN CO WELL

SERÃO APRESENTAD OS NA

IV MOSTRA AMAZÔNI CA DO

FILME ETNOGRÁFI CO

A

IV

Mostra

Amazônica

do Filme

Etnográfico, realização do

Núcleo de

Antropologia Visual da Universi dade Federal

do Amazonas - NAVI/UFAM, q ue terá lugar

em Manaus, no período de 2 7 a 31 de

outubro de 2009, está com a s inscrições

abertas para a Mostra Competitiv a ao prêmio Muiraquitã até o dia 15 d e setembro,

formatos e

duração, que tratem sobre grupo s sociais da região pan-amazônica, realiz ados desde

de inscrição

no site: www.mostraetnografica. ufam.edu.br

aceitando DVDs em todos os

2005. Ver regulamento e ficha

A IV Mostra homenageará

documentarista da BBC-Lond res, Adrian

este ano o

Cowell, que há mais de 50 a nos filma a

Amazônia e sua história. São

dele filmes

como “A Década da Destruiç ão”, “Chico

Mendes – Eu Quero Viver” e “A tribo que se

da Abertura,

com a presença do realizador.

esconde do homem”, o filme

Uma Mesa-Redonda sobre “Prim eiro contato – Epidemias” contará com a par ticipação de

Barros, Dr.

Adrian Cowell, Dr. Marcus

Roberto Baruzzi, Sideney Poss uelo e uma liderança indígena, sob a coor denação de

Stella Penido, pesqui sadora da Fiocruz/RJ e curadora da Mostra de Adrian Cowell.

Outra Mesa trat ará

documentarista, e alé m de Adrian Cowell, Vicente Rios e Stell a O.C Penido, terá a participação do escrit or e critico de cinema, Carlos Alberto Mattos (RJ).

do

da

obra

A

FIOCRUZ, UFAM,

outras entidades. PARTICIPE. DIVU LGUE. ENVIE SEU FILME ATÉ 15 DE SETEMBRO

IV

Mostra

cont a

com

o

apoio

da

SECT, SEC, SESC e

Randiza Santis Bolsista do NAVI

ENVIE SEU FILME ATÉ 15 DE SETEMBRO IV Mostra cont a com o apoio da SECT,
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