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A GESTÃO DE SAÚDE E SEGURANÇA EM EMPRESA DE CONSTRUÇÃO CIVIL:


Um estudo de caso em uma empresa em São Luís

Carlos Henrique Moraes Nogueira1

RESUMO

Este artigo trata de um estudo de caso realizado em uma empresa de construção civil a
fim de avaliar o Sistema de Gestão de Segurança e Saúde, bem como demonstrar por meio
dos resultados, como ela faz uso de ferramentas de gestão para diminuir os acidentes de
trabalho, para criar um comportamento preventivo e propiciar melhor qualidade de vida dos
seus colaboradores, agindo assim como uma empresa responsável, pois a imagem que a
indústria de construção civil passa para a sociedade é de uma empresa causadora de muitos
acidentes de trabalho. Com o advento da globalização muitas empresas deste segmento estão
se adequando ao mercado cada vez mais competitivo, buscando inovações na gestão dos
negócios. Constatou que o Sistema de Gestão em Saúde e Segurança da empresa encontra em
fase de implantação, no entanto demonstra ser um diferencial competitivo.

Palavras chave: Comportamento Preventivo. Construção Civil. Gestão de Segurança e Saúde


Ocupacional.

1 INTRODUÇÃO

A indústria da construção no Brasil apresenta ainda um quadro bastante deficiente no


desenvolvimento de sistemas formais de gerenciamento, além disto, as peculiaridades de cada
mercado regional refletem em diferentes estágios de desenvolvimento destes sistemas. Assim
sendo, as empresas de construção civil têm ainda pouca experiência na implantação dos
Sistemas de Gestão de Qualidade e principalmente de Segurança e Saúde Ocupacional - SSO,
pois esta, na grande maioria das empresas de construção civil ainda se encontra no estágio de
cumprimento da legislação e por isso, segundo estatísticas, é o setor que maior contribui para
óbito em decorrência de acidente. No entanto é cada vez maior o número de empresários que
buscam melhorias do desempenho no SSO, (MIRANDA, 2003. p.37-45). E a construção civil
no Maranhão, como as empresas estão lhe dando com o desenvolvimento acelerado do
mercado? Há um modelo de gestão onde elas gerenciam e controlam os aspectos voltados
para a segurança dos seus colaboradores e conseqüentemente ter um diferencial competitivo?
Dentro desta visão, o presente estudo de caso está direcionado a analisar e avaliar como uma

1
Pós-graduando do curso de Especialização em Gestão Estratégica de Qualidade – FAMA.
E-mail: carloshenrique.nogueira@yahoo.com.br.
2

empresa de construção civil em São Luís implementa, gerencia e controla suas atividades
concernentes a segurança e saúde ocupacional e qual o modelo de sistema que ela emprega.
Para tanto se usou pesquisa bibliográfica e documental da empresa em questão e entrevistas
não estruturadas com quadro de comando da empresa e análise dos indicadores. Para seguir
uma seqüência, primeiramente dar-se-á uma visão histórica, depois a caracterização da
empresa com as principais práticas de Gestão de Saúde e Segurança do Trabalho e os
resultados alcançados pela empresa e por fim a conclusão do estudo de caso.

2 A SEGURANÇA EM CONSTRUÇÃO CIVIL: UMA VISÃO HISTÓRICA

Analisando dos índices representativos das falhas de segurança nos diversos setores
industriais, índice de acidentes do trabalho, constata-se que a indústria da construção civil
encontra-se como um dos setores mais deficitários, apresentando uma alta taxa de acidentes,
lesões graves e óbitos. Tais índices são comprovadas pelas estatísticas de que 24,4% dos
acidentes ocorridos em 2008 foram ocorridos na área de construção civil, (BRASIL,2008).
Além disto, ela representa um dos setores industriais mais atrasados em termos de melhorias
da qualidade de vida de seus colaboradores.
Observa-se que na construção civil requer uma visão maior, voltada ao seu macro-
ambiente, pois a natureza do seu processo produtivo é substancialmente diferenciada da
maioria dos processos industriais contemporâneos. Esta diferenciação diz respeito às relações
entre os níveis hierárquicos, nível de escolaridade, a tecnologia requerida no processo
produtivo, as quantidades e as características dos bens intermediários envolvidos na produção,
a organização industrial e o valor agregado aos produtos finais. Estas variáveis fazem com
que a redução de acidentes não seja algo simples de resolver, mesmo com evolução
significativa da legislação vigente. A prevenção de acidente e de doenças ocupacionais ainda
necessita de largo avanço, o que só ocorrerá com a mudança dos modelos de gestão, até então
adotados que se caracterizam segundo Souza apud Weeks, (2004, p.126):

[...] por abordagem apenas dos requisitos mínimos legais; pela baixa participação
dos trabalhadores, incentivada pelo estilo gerencial autocrático e; pela filosofia de
que as causas de acidentes são sempre atribuídas ao colaborador.

A indústria da construção civil envolve uma quantidade elevada de riscos ambientais e


de acidentes por apresentar atividades diversificadas com uso de equipamentos específicos e
locais, maquinário, matéria prima e funções diferentes, todos concorrendo para um só
objetivo. Esta heterogeneidade de atividade, associadas às condições econômicas dos
3

trabalhadores e a observância somente para o lucro, tem caracterizado como a indústria de


maior índice de acidente do trabalho no Brasil.
As organizações através do processo de conscientização e da importância do conceito
de qualidade em uma esfera globalizada têm buscado mecanismo e métodos para melhorar a
qualidade de vida dos seus colaboradores, uma vez que no início da corrida industrial as
organizações atuavam somente como instituições com foco somente no viés econômico
básico, ou seja, o que produzir, como produzir, para quem produzir e qual o lucro nesta
transação, pois o empregado era percebido apenas como o meio do seu processo produtivo,
tirando o máximo de suas forças e após a exaustão era descartado em detrimento a alta
produção.
Um aspecto deste processo é a crescente preocupação voltada a assuntos relativos à
segurança e meio ambiente que culminam com o surgimento das teorias de gestão em saúde,
segurança e meio ambiente, de acordo com sua aplicabilidade em diversos setores da
economia e atividades (CRUZ, 2003).
Estas teorias acamparam no ambiente empresarial de maneira positiva, pois tem
possibilitado a busca de diversos mecanismos e ferramentas desenvolvidas com intuito de
otimizar o processo produtivo organizacional, cujo um dos fatores preponderante a esta busca,
é a alta competitividade, associada a limitações de mercado, escassez de mão de obra
qualificada, matéria prima estruturada. Portanto as organizações percebem a necessidade de
utilizarem seus recursos de maneira eficiente, para que possam manter e/ou ganhar mercados,
assegurando sua sobrevivência.
Um dos fundamentos destas teorias é a preocupação com os stakeholders2. Qualquer
sistema gerencial que tenha como objetivo primordial a melhoria da qualidade e da
produtividade de suas ações, além é claro agregar valor aos acionistas devem ter ações
constantes voltadas para a segurança, meio ambiente e qualificação do capital intelectual.

2.1 Sistema de Gestão de Segurança

Para que os clientes externos e internos sejam atendidos em suas necessidades, não
deve somente ter um produto final excelente. É indispensável que esteja agregado ao valor,
um ambiente que respeite a legislação trabalhista, sociais e ambientais possibilitando
qualidade de vida dos colaboradores.
2
O termo stakeholders foi criado para designar todas as pessoas ou empresas que, de alguma maneira, são
influenciadas pelas ações de uma organização quais sejam: mídia, Órgãos Reguladores, Governo, fornecedores,
meio ambiente, terceirizados, futuras gerações, concorrentes, acionistas, clientes, parceiros, comunidade,
aposentados, etc., ou seja, todo e qualquer elemento físico ou jurídico que interaja com as organizações.
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Baseado neste princípio é que emergem as novas concepções voltadas para a


conscientização e comportamento preventivo. É provado que tais modelos trazem, além de
melhoria nas condições de trabalhos, produtividade e redução de perdas, consequentemente
satisfação dos acionistas e sobrevivência no mercado. Entre estes modelos encontram-se os
sistemas de gestão.
A partir da década de 90, três sistemas de gestão foram criados com objetivo de
atenderem as necessidades da sociedade, o Sistema de Gestão da Garantia da Qualidade
(SGQ), o Sistema de Gestão Ambiental e o Sistema de Gestão da Segurança e Saúde
Ocupacional (SGSSO). Cada um destes sistemas possui um fundamento, um foco que
determina sua concepção e operacionalização. Na figura 1 observa um exemplo do método de
sistema de SGSSO. Baseado na OHSAS 18.001.

Figura 1 – Método de sistema de gestão para Norma OHSAS 18.001.


Fonte: Normas OHSAS 18.001:2007

As Normas BS 8800 - Occupational Health and Safety Management Systems e a


OHSAS 18.000 - Occupational Health and Safety Assessment Series é, segundo Gilbert
(2005), um guia para a elaboração e implantação de SGSSO e traz duas abordagens
detalhadas para o desenvolvimento deste sistema, uma delas é baseada na ISO 14.000 e
apresenta o desenvolvimento do SGSSO seguindo os mesmos estágios do desenvolvimento
do Sistema de Gestão Ambiental (figura2), sendo estes:
a) política de Segurança e Saúde Ocupacional - com base na análise da situação
inicial, deve ser definido, documentado e ratificado pela alta gerência os compromissos e
objetivos básicos para o planejamento do SGSSO;
5

Figura 2 – Os elementos que constituem os SGSSMA.


Fonte: Normas OHSAS 18.001:2007

b) análise crítica da situação inicial - esta etapa objetiva fornecer informações que
influenciarão nas decisões sobre o objetivo, adequação e implantação do sistema existente;
c) planejamento - os resultados da operacionalização dos planos devem ser claramente
percebidos, para tanto se deve fazer a identificação dos requisitos de Saúde e Segurança
Operacional;
d) implementação e operação - para o sistema ser implementado e operado
corretamente é necessário, segundo De Cicco (2006, p.174) é necessário que:

Estrutura e responsabilidades - a alta gerência deve demonstrar comprometimento


estando ativamente envolvida na melhoria contínua do desempenho do Sistema de
Gestão; treinamento, Conscientização e Competências - É necessário identificar as
competências requeridas em todos os níveis e organizar os treinamentos necessários
para alcançá-las. Além disto, a conscientização tem importância primordial para a
operacionalização do Sistema de Gestão; comunicações - o fluxo de informações
deve ser garantido a todas as esferas, ou níveis, da organização; documentação do
sistema - a disponibilidade de uma documentação mínima suficiente deve ser
assegurada, possibilitando que os planos de Segurança e Saúde Ocupacional sejam
completamente implementados; controle de documentos - os documentos devem ser
atualizados e aplicáveis aos propósitos para os quais foram criados; controle
operacional - a Segurança e Saúde Ocupacional devem estar completamente
integradas na organização, em todas as suas atividades.

e) verificação e ação corretiva - a verificação deve ser realizada através do


monitoramento e mensuração do desempenho do Sistema de Gestão, para tanto é importante a
manutenção de registros. As auditorias internas devem ser periódicas, possibilitando o
aprofundamento e a avaliação crítica de todos os elementos do Sistema de Gestão de SSO.
Quando encontradas deficiências, devem ser identificadas as causas para que possam ser
tomadas as respectivas ações corretivas e;
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f) análise crítica pela administração - estas análises consistem na interpretação dos


resultados do desempenho do Sistema de Gestão da Segurança e Saúde Ocupacional. Devem
ser realizadas periodicamente com a freqüência pré-definida.

Todos os passos descritos para a concepção e implementação do Sistema de Gestão


devem prover um ciclo de melhoria contínua, para tanto devem ser constantemente
alimentados por informações provindas da mensuração do desempenho e da auditoria.

3 DESENVOLVIMENTO

A empresa onde foi realizado o estudo de caso faz parte do conglomerado de empresas
de renome nacional denominado grupo Penido, que especificamente no Maranhão, atua no
setor construção civil a mais de 45 anos. Seu principal segmento é a prestação de serviços em
construção civil para o primeiro e segundo setor. Atualmente tem firmado três contratos,
sendo dois na área da Vale e um no Porto do Itaqui. O estudo se deu em um dos contratos na
área da Vale, mais precisamente no Terminal de Insumos e Produtos Acabados de São Luís,
pelo porte do empreendimento e por conseguinte maior número de efetivo mobilizado. A
direção, entretanto, solicitou que não tivesse o nome da empresa divulgado. Atendendo a
solicitação e para efeito de estudo dar-se-á o nome de empresa X.

A empresa possui um manual de Saúde e Segurança do Trabalho onde pormenoriza as


ações necessárias para tratar de forma preventiva a segurança dos seus colaboradores e uma
política de segurança que são avaliados periodicamente na reunião de análise crítica. São
norteados por uma visão e uma missão de segurança que busca criar uma cultura
prevencionista em todos os níveis da pirâmide hierárquica.
A gestão de Segurança e Saúde Ocupacional (SGSSO) é voltada para ações pré-
perdas, ou seja, trabalha em seu capital intelectual, atuando em três pilares fundamentais,
considerados primordiais para o alcance da meta de Zero Acidente. São eles: Pilar Pessoa,
Pilar Procedimento e Pilar Controle.

3.1 Pilar Pessoa

Para que os colaboradores desempenham com qualidade suas atividades é condição


sine qua non que estejam com a saúde em perfeitas condições e que sejam capacitados. Estes
dois alicerces são tratados neste pilar.
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3.1.1 Saúde do empregado

Na Norma Regulamentadora NR07 determina uma bateria de exames a serem


realizados pelos novos empregados (BRASIL, 2008). A empresa tem no seu PCMSO uma
carteira de exames que vai muito além aos relacionados na NR07, pois ela vê na saúde do
colaborador um meio de reduzir o índice de absenteísmo e aumento da motivação e
conseqüentemente maior produção (CHIAVENATO 2004, p 491).
Os profissionais que apresentam doenças ou alterações de saúde e que representem
contra-indicação absoluta são impedidos de realizar trabalhos em altura. A avaliação é
realizada através dos exames admissionais e periódicos. Além destes exames, antes do início
das atividades especiais é feita uma nova avaliação pelo médico do trabalho onde são
descritas as informações de queixas apresentadas, questionamentos sobre alimentação,
condição do sono. Está avaliação é objetiva com verificação de pressão arterial, percepção de
hálito etílico e equilíbrio.
Um ponto de melhoria neste pilar é a falta de uma sistemática definida que assegure o
controle e registros destas medições e exames. O reflexo é a demora na busca do dossiê do
empregado, pois há informações que estão no canteiro de obras e outras que estão na sede.

3.1.2 Conscientização, Competência e Treinamento

Um requisito primordial para a implantação e bom funcionamento do SGSSO é


assegurar que as pessoas, em todos os níveis, sejam responsáveis e competentes para
desempenhar seus deveres e responsabilidades. Para tanto, deve-se identificar as
competências requeridas em todos os níveis e organizar os treinamentos necessários.
Para mitigar as condições e atos inseguros no canteiro de obra, a empresa tem um
programa de treinamento introdutório, onde o colaborador passa seu primeiro dia na sala de
treinamento recebendo orientação sobre segurança, saúde e meio ambiente, apesar de que na
Norma Regulamentadora NR 18, no item de nº 28, (BRASIL, 2008), constam as necessidades
de treinamento admissional e periódico, com carga horária mínima de 6 horas. Ao chegar ao
canteiro de obras novamente vai para a sala de treinamento, onde agora é orientado sobre os
riscos da área e os procedimentos adotados inerente à função. Outra ação comum que foi
percebido é que um colaborador para realizar uma atividade é necessário avaliar toda a sua
documentação para comprovar a competência na tarefa a ser executada evitando assim, a
caracterização de desvio de função, prática comum na construção civil. Após constatação o
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colaborador recebe do Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho


(SESMT) uma carteira de autorização para execução dos serviços.
As necessidades de treinamentos são mapeadas por função e plotado em uma matriz
de treinamento para controle e gestão. A meta é capacitar 100% dos envolvidos. No entanto,
verificou na aderência desta matriz, que não chega a 75% o número de colaboradores
treinados. Para verificar o porquê dá não aderência realizou entrevistas não estruturadas com
o quadro de comando e a causa da baixa aderência é a não liberação dos empregados, em
detrimento da obra está muito atrasada (gráfico1).

Gráfico 1 – Levantamento das causas da não aderência ao planejamento de treinamento


Fonte: Do autor

3.2 Pilar Procedimento

Para obter uma uniformidade na execução das atividades faz-se necessário que o
processo seja padronizado, para tanto a empresa mapeou as atividades mais críticas em
relação a acidente e promoveu uma padronização e lançados na matriz de treinamento afim de
que todos os envolvidos sejam treinados.
Além disto, como a atividade se processa dentro dos limites da Vale, adota-se os seus
procedimentos de segurança como parte integrante dos procedimentos a serem seguidos.
Há um mapeamento dos riscos de acidentes em cada atividade, classificando-os e
propondo medidas complementares de bloqueio ou controle. Utiliza-se a Planilha de
Identificação de Perigos e Danos e Classificação de Riscos. Tais planilhas são fixadas nas
frentes de serviços e feitas reciclagens nos diálogos de segurança. Há um controle deste
documento, onde a cada três meses deveria ser feito uma revisão geral nele, avaliando a
minimização ou o controle dos riscos que são repassados para as frentes de obras que tem a
incumbência de transmitir as alterações para as equipes envolvidas. No entanto, conforme
evidenciado em campo, há oito meses não é feita a revisão.
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Para executar as atividades nas frentes de serviços são disponibilizados vários


procedimentos como:
a) analisar preliminar da tarefa – APT: Os principais objetivos são identificar os
riscos de uma determinada tarefa e recomendar os meios de eliminá-los, minimizá-
los ou controlá-los e conscientizar os empregados da importância de se conhecer e
neutralizar os riscos antes da realização das tarefas. Há, entretanto, várias
notificações da gerenciadora, acerca de APT inconsistentes, demonstrando uma
deficiência no uso desta ferramenta. Quando questionado os encarregados a cerca
deste fato, ele se justifica alegando o avanço da obra, tentando ganhar tempo e
responsabiliza o empregado pelo erro;
b) permissão e check list para atividades especiais - PTE; O objetivo é estabelecer
procedimentos que devem ser obedecidos na realização de trabalhos especiais ou
em condições especiais de forma a eliminar e/ou controlar os riscos. São
consideradas atividades especiais: serviços em altura, espaços confinados e
serviços a quente.
c) registro de ocorrência de segurança - ROS: Identificar, registrar, comunicar e
permitir ações de neutralização e/ou eliminação da condição de risco de forma a
prevenir acidentes e doenças ocupacionais. O ROS merece destaque, pois cada
colaborador tem um bloco de registro, que em caso de evento de insegurança é
registrado e corrigido;
d) diálogo de segurança - DSS: O DSS é feito cotidianamente, antes do início das
atividades, alertando os colaboradores para agir preventivamente na obra. É
considerado o divisor de atitude. No entanto foi evidenciado na ficha de freqüência
que a participação é baixa, não ultrapassando a 60%.
Estes procedimentos são inerentes principalmente aos colaboradores que estão na base
da pirâmide e sujeito aos acidentes de trabalhos.
Existem procedimentos que são direcionados para os engenheiros e encarregados no
qual cito as inspeções de segurança, onde se tem um cronograma anual que envolve desde o
engenheiro responsável até os engenheiros de produção e o SESMT, a fim de levantar e
condições de segurança desfavorável ao colaborador e tomar ações de bloqueio para garantir a
integridade física dos colaboradores. Há pontos a melhorar neste procedimento, pois na falta
de tempo, os engenheiro delega aos técnicos de segurança a tarefa de realizar as inspeções,
não tendo envolvimento na avaliação de risco e na resolução dos mesmos.
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Para as atividades de maior risco de acidente em construção civil: trabalho em altura,


escavações e espaço confinado, os empregados só iniciam a tarefa mediante a autorização
expressa e formalizada, através de formulário padrão, emitida pelo responsável da obra após
avaliação das condições ambientais, físicas e emocionais do empregado.
A empresa adota a subcontratação para as atividades que não fazem parte de sua
carteira de negócio. Para garantir a homogeneidade do SGSS nas subcontratadas,
trimestralmente são realizadas auditorias internas de segurança (gráfico 2), a fim de avaliar a
capacidade da de atender os requisitos dos clientes os regulamentares e da própria
organização, pois como afirma Gilbert (apud Castro1997, p. 123): “[...]qualquer sistema de
gestão deve possuir mecanismos que possam avaliar o seu desempenho ao longo de uma
escala definida de tempo ou outro parâmetro adequado”.

Gráfico 2 – Resultado das auditorias de atendimento Diretrizes de Segurança e Normas


Regulamentadoras (NR’s) - set. 2008/ fev. 2009
Fonte: Coordenação de Saúde, Segurança e Meio Ambiente da empresa X .

3.3 Pilar Controle

É utilizado para demonstrar as conformidades com o produto entregue ao cliente, o


que concerne à segurança do trabalho, assegurar a conformidade do sistema de gestão de
segurança e buscar melhoria contínua na gestão. Para atingir a meta de Zero Acidente com
Afastamento (CAF) é necessário acompanhar e comparar os resultados obtidos com os pré-
estabelecidos pelo cliente adotou e implementou vários controle, que dentre eles destacam-se:

3.3.1 Diário de Bordo

São usados pelos técnicos de segurança do trabalho e serve para levantar dados
referentes à segurança nas frentes de obras. Nele são registradas informações importantes para
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o controle das atividades e desvios encontrados. Estes dados são compilados e enriquece o
relatório da obra (gráfico 3).
Além de controlar as frentes de serviços, o outro ponto a destacar é a avaliação de
nov dez jan fev mar
desempenho dos técnicos de segurança.
479 489
500
463

400 359 353

300 277 304


eQ
td

233
200 153 147
126
113 96 75
100 100 22
50 47 48 44 73
58 33 70 27 169 17 3 24
210 1 10 8 1 1 12
0

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Gráfico 3 – Levantamentos dados no diário do Bordo dos Técnicos de Segurança - nov.2008 - mar.2009
Fonte: Coordenação de Saúde, Segurança e Meio Ambiente da empresa X.

3.3.2 Inspeção

A gestão das inspeções bem como das não conformidades levantadas é feito em forma
de planilhas que posteriormente é transportado em forma de gráfico (gráfico 4) para o
relatório mensal.
NC´s levantados NC´s resolvidos Nº inspeções Pendente no mês
Pendente até a data Interdições Notificações Total NC´s levantados
Total NC´s resolvidos Total Nº inspeções Total Pendente no mês Total Pendente até a data
Interdições Notificações

100 450
400
80 77 73 350
307
292 300
60
250
43 43
Q
td
e

35 35 200
40
31 34 27 31 150
25 25
22
18 15 19 15 14 100
20 13 13 12
9 8 8 41 41
5 6 6
3 4 2 04 3 4 50
0 02 0 2 2 0 01 0 01 00 2 0 2
0 5 2 0
Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Total

Gráfico 4 – Demonstrativo das inspeções realizadas nas frentes de obra- jul.2008 - abr.2009
Fonte: Relatório mensal do SSMA enviado à gerenciadora em 25/04/2009.

3.3.3 Registro de Ocorrência de Segurança

Os colaboradores foram devidamente treinados para reconhecer condições ambientais


inseguras e empregar métodos de trabalho apropriados e seguros ajudando assim, na
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realização de um bom desempenho da segurança. Estas condições são registradas em


formulário próprio e controladas em relatórios gerenciais (gráfico 5).

Para maior empenho dos colaboradores foi instituída um reconhecimento em forma de


premiação, para reforçar os padrões de segurança e incentivar a mudança dos comportamentos
pobres de segurança. O colaborador que registrar maior número de ROS no mês ganha uma
sexta básica e é reconhecido em público.
ROSemitidos ROSresolvidos Total ROSemitidos Total ROSresolvidos
400 1161 1200
1161
1100
350
305305 1000
293 293
300 900
265
265 800
250
700
200 600
Q
td
e

500
150
400
100 115 115 300
56
41 34 56 39 39 200
50 41
34 100
7 7 6 6
0 0
Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Total

Gráfico 5- Ocorrências de segurança encontradas e tratamento efetivado- jul.2008 -abr.2009.


Fonte: Relatório mensal do SSMA enviado à gerenciadora em 25/04/2009.

3.3.4 Acidente e Quase Acidente

A empresa acompanha os índices dos acidentes e quase acidentes, tanto próprios como
terceiros, baseado em procedimento para comunicar, investigar e analisar acidente e quase
acidente, e que uma vez ocorrido o acidente há um fluxo de comunicação e é estabelecido
prazos para o processo investigatório e proposição de ação de bloqueio das causas
fundamentais visando a não reincidência (gráfico 6).
CAF* SAF** Impessoal Quase acidente
Total CAF Total SAF Total Impessoal Total Quase acidente
10 25
23

8 20
7
6
6 15
Q

4 4
td
e

4 8 10
3
2 2
2 3 5
1 11 1 1 1
0 00 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 00
0
0 0
Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Total

Gráfico 6 - Quantidade de acidentes e Quase Acidentes da empresa X- jul.2008 - abr.2009.


*acidente com afastamento **acidente sem afastamento
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Fonte: Relatório mensal enviado à gerenciadora em 25/04/2009

Mensalmente é atualizado o quadro de gestão a vista da área com as informações


pertinentes a segurança, utilizando como base a pirâmide de Hamilich (figura 3) onde são
inseridos todos os dados relativos à segurança.

Figura 3 - Gestão à vista com os indicadores de segurança da obra-jul.2008-abr.2009


Fonte: Reunião de Performance Operacional da contratante em 06/05/2009

A pirâmide do lado direito é a referência adotada internacionalmente. A esquerda é o


desempenho da empresa X. Percebe que a empresa busca focar suas ações na base da
pirâmide, conhecido como ações pré-perdas, ou seja, adota ações preventivas com objetivo de
mitigar os incidentes e, por conseguinte os acidentes e fatalidades no canteiro de obras.
Observa que os dados estatísticos da empresa estão dentro do patamar aceitável
internacionalmente. Além do que foram verificados e avaliados os três acidentes ocorridos no
período e foi constatado que foram apenas atendimento ambulatorial, sem muita relevância.

4 CONCLUSÃO

Sistema de Gestão de Segurança e Saúde do Trabalhado é análogo ao sistema de


gestão de qualidade acrescentando apenas, a busca pela segurança e saúde no trabalho.
A Responsabilidade final pela SSMA é do gestor da obra com auxílio dos engenheiros
e encarregados, pois somente ele pode direcionar os esforços das pessoas e prover autoridade
necessária para assegurar um bom desempenho em SSO, garantindo os recursos necessários,
analisando resultados e assegurando o contínuo aperfeiçoamento do sistema.
Analisando os dados levantados e as respostas às entrevistas no quadro de comando da
empresa, conclui que:
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a) os encarregados ainda não são compromissados com a política de segurança pois


priorizam a produção em detrimento a treinamentos de segurança;
b) a empresa identifica e provêm as competências necessárias para se exercer cada
um dos cargos existentes;
c) há atendimento parcial aos requisitos legais e outras exigências internas;
d) há elaboração e implementação de procedimentos e instruções de segurança;
e) existe uma preocupação com a qualidade de atendimento dos técnicos de
segurança e são avaliados através do diário de bordo;
f) a empresa analisa os resultados de indicadores de desempenho em SST;
g) ocorre a identificação dos perigos e avaliações dos riscos inerentes à atividade no
pátio de carvão e;
h) Realiza conforme procedimento a investigação de acidentes, expondo para os
colaboradores por meio de gestão a vista.
Com base no estudo de caso, conclui que o Sistema de Gestão em Saúde e Segurança
da empresa X está em fase de implantação. Apesar dos esforços do gestor da obra, não se
percebe uma cultura prevencionista, a começar quadro de comando. As ações devem ser mais
efetivas com o corpo gerencial, o sistema de registro e guarda de documentos revistos.
Recomenda-se um estudo mais profundo, usando as ferramentas de qualidade para saber as
causas do não atingimento da visão de segurança e propor ações mais efetivas.
Entretanto os resultados mostram uma evolução com combate ao acidente de trabalho,
pois a quantidade de acidentes registrados é bastante satisfatório, além do mais, tais acidentes
foram de atendimento ambulatorial. Percebe que o SGSS tem um efeito positivo na
competitividade da empresa.
Como o Sistema de Gestão faz abordagens sistêmicas dos processos e suas interações,
fica a sugestão para estudar a interação entre o Sistema de Saúde e Segurança com os demais
processos, principalmente investimento e custeio, relacionando o custo da segurança e custo
da não segurança para verificar qual o impacto no custo total da obra.

THE MANAGEMENT OF HEALTH AND SAFETY IN THE CONSTRUCTION


INDUSTRY- A case study in a company of São Luís.

ABSTRACT

This article is a case study conducted in a civil construction company in order to assess the
Management System Health and Safety and demonstrated through the results, as it seeks
management tools to reduce accidents at work, to create a preventive behavior and provide
15

better quality of life of its employees acting as a responsible company, because the image that
the industry of construction proves to society is a firm cause of many accidents at work.. With
the advent of globalization many companies in this segment are bringing the increasingly
competitive market, seeking innovations in the management of business.. Found that the
Management System in Health and Safety of the company is in the deployment phase, but that
to be a competitive differential.

Keywords: Preventive behavior. Civil construction. Management System in Health and


Safety.

REFERÊNCIAS

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