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Qualidade de vida dos funcionários de uma empresa em Poços de Caldas

Balestrero, Gustavo Moreira Vallim 1


Silva,Vagner Luiz 2
Baciuk, Erica Passos 3

1. acadêmico do Curso de graduação em Fisioterapia


2. professor Mestre do departamento de estatística
3. professor Doutor do departamento de fisioterapia

Afiliação acadêmica: UNIFAE – Centro Universitário das Faculdades Associadas


de Ensino - FAE

E-mail: erica@fae.br

Resumo

Este trabalho, parte de um estudo de caso, propôs verificar aspectos da qualidade


de vida de funcionários de uma grande empresa, no município de Poços de Caldas.
Método: Dos 496 funcionários da empresa, 58 participaram voluntariamente deste
estudo preliminar, selecionados aleatoriamente. Foram enfocados aspectos físicos,
psicológicos, da relação social e meio ambiente, utilizando o questionário de
Qualidade de Vida WHOQOL-bref. Foi realizada a análise descritiva dos resultados.
Resultados: Entre os 25 funcionários do setor administrativo, a idade variou de 19 a
45 (média=27), sendo 44% mulheres e 56% homens. A maioria tinha boa
escolaridade (56% terceiro grau incompleto e 36% terceiro grau completo ou mais) e
60% eram solteiros. Referiram ter saúde boa (29%) ou muito boa (54%) e 72%
referiram não ter problema de saúde atual. Já, entre os 33 funcionários da produção,
a idade variou entre 21 e 49 anos (média=31) e 100% eram homens, onde 15%
tinham segundo grau incompleto ou menos, 64% segundo grau completo e 18%
terceiro grau incompleto. Solteiros representavam 24% e, 76% eram casados ou
viviam como casados. Referiram ter saúde boa (55%) ou muito boa (33%) e 76%
referiram não ter problema de saúde atual. Com relação à avaliação da qualidade de
vida observou-se como média de pontos, para os funcionários administrativos e da
produção respectivamente, no domínio físico 74,6 e 76,2, no psicológico, 67,3 e
73,5, nas relações sociais 74 e 73, e de meio ambiente 64,5 e 64,4. Considerações
finais: Os funcionários, tanto administrativos como de produção, parecem estar
satisfeitos com sua qualidade de vida, principalmente no que se refere aos aspectos
físico e das relações sociais. Ambos avaliam seu meio ambiente como regular. No
entanto, a maior escolaridade e/ou a presença do sexo feminino pode estar
influenciando a avaliação mais exigente dos funcionários administrativos com
relação aos aspectos físico e psicológico.

Palavras-chave: saúde do trabalhador; qualidade de vida.


Summary

This work, part of a case study, proposed verifies aspects of quality of life of
employees of a large company, in the municipality of Poços de Caldas. Method: Of
the 496 employees of the company, 58 voluntarily participated in this preliminary
study, randomly selected. They were focused physical, psychological, social
relationship and environment, using the Quality of Life questionnaire WHOQOL-Bref
held the descriptive analysis of the results. Results: Among the 25 officials of the
administrative sector, the age ranged from 19 to 45 (average = 27), and 44% women
and 56% men. Most had good schooling (56% incomplete third degree and third
degree complete 36% or more) and 60% were unmarried. They Tuesday good health
(29%) or very good (54%) and 72% reported not having health problem today.
Already, among the 33 officials of production, the age ranged between 21 and 49
years (average = 31) were men and 100%, where 15% had incomplete or less the
second degree, second degree 64% complete and 18% third degree incomplete.
Singles accounted for 24% and 76% were married or living as married. They Tuesday
good health (55%) or very good (33%) and 76% reported not having health problem
today. Regarding the assessment of the quality of life it was observed as an average
of points for the administrative staff and production respectively, in 74.6 and 76.2
physical, in the psychological, 67.3 and 73.5, social relationships 74 and 73, and the
environment 64.5 and 64.4. Final considerations: The officials, both administrative
and production, appear to be satisfied with their quality of life, particularly with regard
to aspects of physical and social relations. Both evaluate their environment as a
regular. However, the more education and / or the presence of females may be
influencing the assessment most demanding administrative officials with regard to
physical and psychological aspects.

Keywords: health of the worker; quality of life.

Introdução
O trabalho é como algo inseparável da vida humana e provavelmente, as
organizações são o melhor meio para o homem adquirir sua identidade e buscar seu
ego ideal. O que se tem discutido é se a motivação e a qualidade de vida do
profissional têm ou não um papel relevante no contexto das grandes empresas
organizacionais (RODRIGUES, 2000).
Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) é uma terminologia que tem sido
largamente difundida nos últimos anos, inclusive no Brasil. Como incorpora uma
imprecisão conceitual, vem dando margem a uma série de práticas nela contidas
que ora aproximam-se da qualidade de processo e de produto, ora com esta se
confundem a QVT.
Observa-se, assim, que a QVT dialoga com noções como motivação,
satisfação, saúde-segurança no trabalho, envolvendo discussões mais recentes
sobre novas formas de organização do trabalho e novas tecnologias (SATO, 1991).
A motivação humana é decorrente de necessidades a serem satisfeitas e quando um
profissional é submetido a um ambiente de alta motivação, seus lábios voltam a
sorrir, seus olhos a brilharem e há liberação de hormônios pelo corpo como a
serotonina (MOREIRA, 2001). Hoje em dia as pessoas têm necessidades
simultâneas, entre elas podem-se destacar as biológicas, como fome, sede e
desconforto. Outras necessidades psicológicas, decorrentes de estado de tensão,
como necessidade de reconhecimento, estima ou realização.
A idéia de qualidade de vida no trabalho procura envolver interesses diversos
e contraditórios, presentes nos ambientes e condições de trabalho, em empresas
públicas ou privadas. Interesses estes que não se resumem aos do capital e do
trabalho, mas também aos relativos ao mundo subjetivo (desejos, vivências,
sentimentos), aos valores, crenças, ideologias e aos interesses econômicos e
políticos (SATO, 1991). Ciborra e Lanzara (1985) relacionaram a qualidade de vida e
de trabalho à mudança de hábitos de vida e por isso atribuindo ao próprio
trabalhador a responsabilidade de adaptar-se, de modo a otimizar sua qualidade de
vida e de trabalho.
Com as mudanças organizacionais atuais, é comum encontrar, em todos os
escalões das empresas ou instituições, profissionais que passam a exigir de si
mesmos um índice cada vez maior de produtividade, sacrificando descanso e lazer.
E também aqueles que passam a competir consigo mesmo, temendo um
rebaixamento ou demissão. Entretanto, a produtividade e competitividade das
organizações parecem estar cada vez mais associadas, não ao trabalho estafante e
individual, mas ao desenvolvimento de um ambiente de cooperação e criatividade. E
a habilidade de relacionamento interpessoal passa a ter tanto ou mais peso quanto a
competência técnica do trabalhador (KOSTESKI, 1999).
O termo qualidade de vida é aplicado na literatura médica com diferentes
significados: “Condições de saúde”, “funcionamento social”, “qualidade de vida”. E
mesmo a definição de qualidade de vida muitas vezes é omitida dos artigos que
utilizam ou propõem instrumentos para sua avaliação. Ballesteros (1996) ressalta
que, embora qualidade de vida seja considerada por diversos autores como conceito
abstrato, difícil de operacionalizar, ela equivale a "bem-estar" no domínio social; a
"status de saúde", no domínio da medicina; no nível de satisfação, no domínio
psicológico. Para ele, apesar da dificuldade encontrada para definir a expressão,
não é difícil concluir que qualidade de vida não é sinônimo de qualidade de
ambiente, de quantidade de bens materiais, nem de saúde física. Distingue-se
também, de satisfação ou felicidade e não se diminuem as condições externas de
vida ou responsabilidade pessoal. Não se pode transformá-la em uma questão
interna ou externa, mas tem-se de admitir que é impossível separar o indivíduo de
sua interação com o meio.
Portanto, a qualidade de vida é um conceito amplo que incorpora de maneira
complexa a saúde física, o estado psicológico, o nível de independência, as relações
sociais, as crenças pessoais dos indivíduos e suas relações com características
predominantes do ambiente (WHOQOL GROUP, 1994). A clareza conceitual só pode
ser atingida quando a qualidade de vida for compreendida dentro dessa estrutura,
potencializando a efetividade dessas mensurações (FLECK; et al, 2008).
A Organização Mundial da Saúde (OMS) adotou como definição de qualidade
de vida: "a percepção do indivíduo sobre sua posição na vida, no contexto da cultura
e dos sistemas de valores nos quais ele vive, e em relação a seus objetivos,
expectativas, padrões e preocupações" (WHOQOL GROUP, 1995, p. 1405, apud
ANDUJAR, 2006).
Neste contexto, pode-se supor que ações propostas por empresas ou
organizações, que envolvam maior atenção aos funcionários estarão diretamente
relacionadas à qualidade de vida destes e consequentemente com o ambiente da
organização.
Este trabalho, que é parte de um estudo de caso, propôs verificar aspectos da
qualidade de vida de funcionários do setor administrativo e de produção, de uma
grande empresa de condutores elétricos, no município de Poços de Caldas-MG.

Método
Dos 496 funcionários da empresa, 58 participaram voluntariamente deste
estudo preliminar, selecionados aleatoriamente.
Os funcionários, tanto do setor administrativo como de produção, que
concordaram em participar assinaram um Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido.
Foi realizada uma avaliação da qualidade de vida, nos aspectos físicos,
psicológicos, das relações sociais e meio ambiente, utilizando o questionário de
Qualidade de Vida WHOQOL bref – 1998, versão em português.

Análise dos resultados


Os dados foram tabulados em planilhas do Excel. Foi calculada média e
desvio-padrão para os escores do questionário e realizada a análise descritiva dos
resultados.

Resultados
Entre os 25 funcionários do setor administrativo, a idade variou de 19 a 45
anos (média=27), sendo 44% mulheres e 56% homens. A maioria tinha boa
escolaridade (56% terceiro grau incompleto e 36% terceiro grau completo ou mais) e
60% eram solteiros.
Referiram ter saúde boa (29%) ou muito boa (54%) e 72% referiram não ter
problema de saúde atual (gráfico 1).

Gráfico 1: Percepção da qualidade da saúde dos funcionários do setor


administrativo e de produção.
Entre os 33 funcionários da produção, a idade variou entre 21 e 49 anos
(média=31) e 100% eram homens. Destes, 15% tinham segundo grau incompleto ou
menos, 64% segundo grau completo e 18% terceiro grau incompleto. Os solteiros
representavam 24% e, 76% eram casados ou viviam como casados.
Referiram ter saúde boa (55%) ou muito boa (33%) e 76% referiram não ter
problema de saúde atual (gráfico 1).
O gráfico 2 mostra a avaliação da qualidade de vida sob o olhar dos
funcionários tanto do setor administrativo como do setor de produção. Observou-se
como média de pontos, para os funcionários administrativos, no domínio físico 74,6;
no psicológico, 67,3; nas relações sociais 74; e de meio ambiente 64,5. Para os
funcionários da produção, à avaliação da qualidade de vida observou-se como
média de pontos no domínio físico 76,2; no psicológico, 73,5; nas relações sociais
73; e de meio ambiente 64,4.

Gráfico 2: Qualidade de vida dos funcionários do setor administrativo e


de produção, definida por domínios.

Pode-se supor que o maior nível de escolaridade dos funcionários do setor


administrativo e/ou a presença do sexo feminino, esteja relacionado a um senso
crítico mais apurado, fazendo com que apresentem menor pontuação sobre a
percepção da qualidade de vida no domínio psicológico e físico, em relação aos
funcionários do setor de produção.

Considerações finais
Os funcionários, tanto administrativos como de produção, parecem estar
satisfeitos com sua qualidade de vida, principalmente no que se refere aos aspectos
físico e das relações sociais. Ambos avaliam seu meio ambiente como regular. No
entanto, a maior escolaridade e/ou a presença do sexo feminino pode estar
influenciando a avaliação mais exigente dos funcionários administrativos com
relação aos aspectos físico e psicológico.
Referências

ANDUJAR, A.M. Modelo de qualidade de vida dentro dos domínios bio-


psicossocial para aposentados. 2006. Tese (doutorado) – Universidade Federal de
Santa Catarina, Florianópolis, 2006.

BALLESTERROS, R. F. Qualidade de vida conceito e acesso. Vídeo Montreal,


1996.

CIBORRA, C. & LANZARA, G.F. (orgs.) Progettazione delle Tecnologie e Qualita


del Lavoro. Milão: Franco Angeli Editore, 1985. 330 pp.

FLECK, M.P.A. et al. A Avaliação de Qualidade de Vida: guia para profissionais da


saúde. Porto Alegre: Artimed, 2008.

KOSTESKI, C. Motivação: caminho para o sucesso. Curitiba: Ed. do Autor, 1999.

MOREIRA, W. W. Qualidade de vida. Campinas: Papirus, 2001.

SATO, L. Abordagem Psicossocial do Trabalho Penoso: Estudo de Caso de


Motoristas de Ônibus Urbano. Dissertação de mestrado. Programa de Estudos Pós-
Graduados em Psicologia Social, PUC, São Paulo. 1991. 115 p.

RODRIGUES, M. V C. Qualidade de vida no trabalho. Petrópolis: Vozes, 2000.

WHOQOL GROUP. The development of the World Health Organization Quality of Life
Assessment Instrument. In: ORLEY, J.; KUYKEN, W (Ed.). Quality of Life
Assessment: international perspectives. Berlin: Springer, 1994. p.41-57.

WHOQOL GROUP, 1995, In: ANDUJAR, A.M. Modelo de qualidade de vida dentro
dos domínios bio-psicossocial para aposentados. 2006. Tese de doutorado,
Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2006. p. 1405.

OMS. Organização Mundial de Saúde, Divisão de Saúde Mental. WHOQOL-


Abreviado. Versão em português dos Instrumentos de Avaliação de Qualidade
de Vida da Organização mundial de Saúde (WHOQOL) 1998, desenvolvida no
Centro WHOQOL para o Brasil, Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Disponível em: <
http://www.ufrgs.br/psiq/whoqol84.html >. Acesso em: 01/11/2007.