Universidade Federal de Minas Gerais Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas – FAFICH !

s"Graduac#o $ato %ensu em Comunica&#o' Ima(ens e Culturas Midi)ticas

Pós-fotografia: um novo paradigma na produção de imagens digitais

Suelen Vasques Pessoa

Belo Horizonte 2010

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SUELEN VASQUES PESSOA

POS- O!O"#A $A
Um novo paradigma na produção de imagens digitais

!ra%a&'o apresentado para (on(&usão do (urso de Pós"raduação Lato Sensu em )omuni(ação: $magens e (u&turas midi*ti(as+ so% orientação da Professora ,outora Anna -arina )astan'eira .arto&omeu/

.e&o 0ori1onte+ 23 de de1em%ro de 4525/ 2

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Sum*rio
2$ntrodução //////////////////////////////////////////////////////////////// 3 4- As imagens t6(ni(as e os paradigmas da imagem ///////////////////////////////////////////////////////////////////// 3 7- otografia (onven(iona& 8 otografia digita& //////////////////////////////////////////////////////////////////////// 9
3.1- A natureza da imagem fotográfica .......................................................... 9 3.2- O ato fotográfico .................................................................................... 13 3.3- Usos ....................................................................................................... 15 3.4- A relação com o referente ...................................................................... 19 3.5- istri!uição ............................................................................................ 21

3- )on(&usão //////////////////////////////////////////////////////////////// 44

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2 - $N!#O,U:;O
* final do s+culo ,, inau(urou a era da -cultura di(ital. e a/riu novas 0ossi/ilidades no 1ue tan(e 2s formas de comunica&#o3 n#o somente escrita3 mas tam/+m3 2s mediadas 0or ima(ens4 A 0artir de ent#o3 foram ocorrendo (randes mudan&as nos 5)/itos da sociedade 0ara 0r)ticas cotidianas3 como ouvir m6sica3 falar ao telefone3 se localizar na cidade3 foto(rafar4 7o cam0o da foto(rafia3 a tecnolo(ia di(ital trou8e 0ara os indiv9duos3 al+m da maior facilidade de acesso ao e1ui0amento foto(r)fico :com a oni0resen&a dos dis0ositivos foto(r)ficos nos celulares3 0or e8em0lo;3 uma 0rodu&#o e distri/ui&#o do 0roduto com uma fre1uência3 velocidade e alcance infinitamente maiores do 1ue com a tecnolo(ia convencional4 %e(undo Andr+ <oiull+3 -mudaram as 0r)ticas e as 0rodu&=es3 os lu(ares e os circuitos de difus#o3 /em como as formas3 os usos e os autores4. :2010' 1>;4 Assim3 0ode" se inferir 1ue 5) uma mudan&a 0rofunda no fazer foto(r)fico3 e + 0retendido3 neste tra/al5o3 a0resentar e discutir os tra&os de ru0tura e continuidade entre os modos de fazer da foto(rafia e ver at+ 1ue 0onto as mudan&as ocorridas 0odem ou n#o confi(urar um novo 0aradi(ma das ima(ens t+cnicas4 ara tal investi(a&#o3 0ro0=e"se neste tra/al5o confrontar o 0ensamento de diversos autores 1ue tematizaram esta 1uest#o como o/?eto de estudo4 A 0es1uisa e an)lise 0ermitem situar 5istoricamente a foto(rafia e as mudan&as de usos e dis0ositivos 1ue sofreu ao lon(o de sua 5ist!ria4

4- AS $<A"ENS !=)N$)AS E OS PA#A,$"<AS ,A $<A"E<
@esde a Anti(uidade o 5omem se utiliza da tecnolo(ia 0ara re0resentar a si e ao mundo da maneira como o 0erce/e3 ainda 1ue de forma arcaica4 @essa forma3 0odemos considerar 0rodutos tecnol!(icos desde as 0aleol9ticas 4

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ima(ens das m#os ne(ativas encontradas em uma caverna na Fran&a :@UB*I%3 200A;3 0assando 0ela 0intura3 foto(rafia3 cinema3 v9deo3 televis#o3 ima(ens sint+ticas e as contem0orBneas formas de re0resenta&#o em realidade aumentada 14 Codos esses ti0os de ima(em 0ressu0=em um -sa/er" fazer. :tec5nD;3 um dis0ositivo t+cnico e uma dinBmica 1ue articula um e outro 0ara a fa/rica&#o da ima(em4 Crataremos a1ui3 o conceito de máquinas de imagem e seus derivados3 as imagens técnicas4 Essas s#o as 1ue se utilizam de tecnolo(ia na constru&#o da ima(em4 or+m3 trata"se a1ui3 es0ecificamente3 dos sistemas 1ue utilizam m)1uinas3 instrumentos 1ue introduziram uma for&a inovadora em seu fazer3 notadamente' a foto(rafia3 o cinema3 a televis#oFv9deo e a ima(em inform)tica :@UB*I%3 200A; e 1ue 0roduzem as imagens técnicas4 ara tra&ar um /reve 5ist!rico da foto(rafia e seus 0rinci0ais 0rocessos3 deve"se voltar desde antes de sua inven&#o 0ro0riamente dita3 1uando3 ainda no <enascimento3 al(umas m)1uinas !ticas ?) eram utilizadas com fre1uência 0elos 0intores 0ara ca0tar ima(ens :como a?uda 0ara es/o&ar 0inturas; e as 0ro?etar so/re uma tela3 como a câmara escura :@UB*I%3 1GGH;4 @is0ositivos como a 0ortin5ola3 a tavoletta e a cBmara escura s#o
-instrumentos 1ue or(anizam o ol5ar3 facilitam a a0reens#o do real3 re0roduzem3 imitam3 controlam3 medem ou a0rofundam a 0erce0&#o visual do ol5o 5umano3 mas nunca c5e(am a desen5ar 0ro0riamente a ima(em so/re um su0orte.4 :@UB*I%3 200A' HI"HJ;4

Como a 0intura3 mesmo com a a?uda desses instrumentos3 ainda de0endia do (esto da m#o do artista 0ara a inscri&#o em al(um su0orte3 0ode" se dizer 1ue a foto(rafia foi realmente a 0rimeira tecnolo(ia ca0az de criar uma imagem técnica4 A cBmera foto(r)fica foi a 0rimeira máquina de imagem3 o 0rimeiro dis0ositivo t+cnico 0ara 0rodu&#o de ima(ens4 ara o estudo da evolu&#o das ima(ens t+cnicas3 e uma 0osterior situa&#o da foto(rafia em meio a elas3 toma"se 0or referência a divis#o 0ro0osta 0or
A "ealidade Aumentada # o!tida $or meio de t#cnicas de %isão &om$utacional e de &om$utação 'ráfica("ealidade %irtual) *ue resulta na so!re$osição de o!+etos ,irtuais tridimensionais) gerados $or com$utador) com o am!iente real) $ossi!ilitando ao usuário ,ários ti$os de interação com a imagem) inclusi,e mani$ular) com a $r-$ria mão) esses o!+etos. .ara maiores informaç/es e !i!liografia es$ec0fica) acessar 111.realidadeaumentada.com.!r.
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$6cia %antaella :2001;3 na 1ual + estudada a e8istência de três 0aradi(mas da 0rodu&#o de ima(ens4 * 0rimeiro deles diz res0eito 2s ima(ens 1ue s#o 0roduzidas -artesanalmente.3 ou se?a3 1ue de0endem de uma 5a/ilidade manual na re0rodu&#o /i ou tridimensional da ima(em4 7esse 1uadro estariam dis0ostas3 se(undo %antaella3 desde as ima(ens desen5adas nas 0edras 0elos nossos ancestrais3 0assando 0or todo ti0o de desen5o3 0intura e (ravura ?) realizado e tam/+m esculturas4 * se(undo 0aradi(ma nomeia as ima(ens 1ue de0endem de uma ca0ta&#o f9sica e um su0orte f9sico"1u9mico3 0or meio de m)1uinas de re(istro3 1ue im0licam3 necessariamente3 a 0resen&a de um o/?eto real referente4 7esse conte8to en1uadram"se desde a foto(rafia3 o cinema3 a CK e o v9deo at+ a 5olo(rafia4 Al+m do car)ter !0tico da re0rodu&#o3 1ue ?) estava 0resente na1uelas ma1uinarias 1ue a 0recederam3 a foto(rafia s! 0Lde e8istir como tal 0or aliar a !0tica a um 0rocesso 1u9mico 0ara se conse(uir fi8ar a ima(em no su0orte sem 1ue ela se 0erdesse com o tem0o24 Uma das mudan&as im0ortantes no 0rocesso foto(r)fico ocorrida em meados do s+culo ,, foi a inven&#o da 0rimeira cBmera foto(r)fica 1ue dis0ensava a 0el9cula convencional e o tra/al5o em la/orat!rio3 a olaroid4 7esse ti0o de cBmera3 /astava ao fot!(rafo inserir um 0a0el sens9vel es0ecialmente 0re0arado diretamente na m)1uina e ela 0r!0ria ?) fazia todo o 0rocesso de revela&#o e fi8a&#o da ima(em3 necessitando a0enas 0oucos instantes 0ara ver a foto(rafia 0ronta4 Esse 0rocesso anteci0ou uma caracter9stica im0ortante oferecida 5o?e 0elas cBmeras di(itais3 de ver a ima(em lo(o a0!s a tomada4 7o entanto3 o 0rocesso ainda de0endia de meios fisico"1u9micos 0ara se desenrolar e este novo m+todo n#o amea&ou su/stituir outros 0rocessos de 0rodu&#o3 como faz a(ora o di(ital4 At+ esse 0onto3 0ara efeitos deste tra/al5o3 ser) c5amada foto(rafia convencional esta 1ue de0ende de um su0orte fotossens9vel e de um 0rocesso f9sico"1u9mico 0ara diferenci)"la do o/?eto de estudo3 1ue + a foto(rafia digital3 1ue sur(e no final do s+culo ,,4
A forma mais recente de se fotografar usando meios f0sico-*u0micos utiliza uma $el0cula fotossens0,el) negati,a ou $ositi,a) *ue # colocada dentro da c2mera. Atra,#s da luz *ue incide so!re o o!+eto fotografado e reflete em direção 3 c2mera) a imagem # gra,ada nesse su$orte sens0,el. .osteriormente) o filme # re,elado com $rodutos *u0micos e) caso a $el0cula se+a de um negati,o) ela de,e ser in,ertida $or meio de $rocessos la!oratoriais $ara *ue a imagem resultante se+a análoga ao o!+eto referente. "esta a matriz) a $artir da *ual se $odem o!ter infinitas c-$ias em di,ersos taman4os) im$ressas em $a$el fotossens0,el.
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Ainda se(undo %antaella :2001;3 o terceiro 0aradi(ma diz res0eito 2s ima(ens inteiramente ima(inadas3 calculadas 0or com0uta&#o3 constru9das a 0artir de uma lin(ua(em /in)ria3 transformada em 0i8els :0ontos elementares da ima(em; e visualizadas so/re uma tela de v9deo4 7#o mais necessitam de um o/?eto 0ree8istente :0ois n#o s#o ima(ens ópticas; e3 0or isso3 s#o c5amadas ima(ens de s9ntese ou info(r)ficas4 M interessante a maneira como Noan Fontcu/erta :2010; articula a 0intura e as ima(ens sint+ticas3 corres0ondentes3 nos termos de %antaella3 ao 0rimeiro e ao terceiro 0aradi(ma'
$a conver(encia de am/os sistemas Oima(en di(ital P 0inturaQ invita a 0ensar 1ue en el devenir de las im)(enes la evoluci!n l!(ica 5u/iese sido 0asar de la 0intura al info(rafismo4 $a 0intura ten9a 1ue 5a/erse desarrollado im0lementada 0or la tecnolo(9a 5asta la ima(en di(ital4 %in em/ar(o3 no sucedi! as9 P entre am/os 0rocedimientos se infiltr! la foto(raf9a :444;4 %e(6n ese es1uema3 la foto(raf9a a0arece como un accidente 5ist!rico3 una anomal9a3 un 0ar+ntesis en lo 1ue ca/9a es0erar de una (enealo(9a 0revisi/le de las im)(enes :F*7CCUBE<CA3 2010;H

* 1ue + c5amado fotografia digital neste tra/al5o situa"se como algo entre o se(undo e terceiro 0aradi(mas 0ro0ostos 0or %antaella3 0ois 0ossui caracter9sticas 59/ridas' de0ende de uma m)1uina de re(istro e a 0resen&a de um o/?eto real referente ao mesmo tem0o 1ue necessita de um softRare 0ara calcular3 construir e transformar a ima(em em 0i8els 0ara ser visualizada so/re uma tela4 Essa + a ?ustificativa de uma -sus0eita. de a foto(rafia di(ital 5aver inau(urado um novo 0aradi(ma4 @essa forma a 1uest#o central a ser analisada neste tra/al5o diz res0eito 2s caracter9sticas atri/u9das 2 foto(rafia convencional 1ue ainda 0ermanecem na foto(rafia di(ital e 1uais s#o com0letamente o0ostas ou sim0lesmente diferentesS 1uais s#o os 0ontos de ru0tura e continuidade de uma 0ara a outra

6A con,erg7ncia de am!os os sistemas 8imagem digital e $intura9 nos con,ida a $ensar *ue no de,ir das imagens) a e,olução l-gica seria $assar da $intura 3 infografia. A $intura teria *ue ter-se desen,ol,ido) im$lementada $ela tecnologia) at# 3 imagem digital. :ntretanto) não se sucedeu assim) e entre am!os $rocedimentos) se infiltrou a fotografia. 8...9 ;egundo esse es*uema) a fotografia a$arece como um acidente 4ist-rico) uma anomalia) um $ar7nteses onde ca!ia es$erar uma genealogia $re,is0,el das imagens<. =radução da autora.
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e at+ 1ue 0onto o di(ital inau(uraria uma nova cate(oria de ima(em3 ou um novo 0aradi(ma da ima(em4

7 > O!O"#A $A )ONVEN)$ONAL ? ,$"$!AL

O!O"#A $A

* termo foto(rafia n#o se reduz 2 raiz etimol!(ica -desen5ar ou escrever com a luz.4 Conceituar a foto(rafia + uma tarefa )rdua e v)rios autores ?) tentaram delimitar as suas es0ecificidades 0erante outras formas de ima(em4 7o entanto3 mas o mais 0r!8imo 1ue se conse(ue c5e(ar s#o 2s listas de caracter9sticas inerentes 2 foto(rafia3 mas nunca uma conceitua&#o 0ro0riamente dita4 @entre as es0ecificidades da foto(rafia3 0odemos listar uma s+rie de caracter9sticas 1ue a fazem tal coisa3 entre elas o valor indici)rio de tra&o3 de im0ress#o da luz num su0orte sens9vel3 de testemun5o do real :@UB*I%3 1GGH;S a 0ossi/ilidade da re0roduti/ilidade t+cnica :BE7NAMI73 1GT2;S a fun&#o de recorte e de en1uadramento do real e do (esto3 da a/stra&#o das dimens=es do o/?eto 0ara 1ue ele 0ossa ser re0resentado em a0enas duas dimens=es3 num 0lano :F$U%%E<3 2002;S a re0resenta&#o de um o/?eto referente3 o du0lo – emana&#o direta e f9sica do o/?eto :%A7CAE$$A3 2001;4 7en5uma destas caracter9sticas +3 no entanto3 e8clusividade da foto(rafia4 Um outro fator 1ue dificulta a defini&#o da foto(rafia en1uanto tal s#o seus diferentes usos sociais e cam0os institucionais onde est) inserida3 como' o ?ornalismo3 a 0u/licidade3 a moda3 a ar1uitetura3 o turismo3 a ciência3 a medicina3 a arte3 al+m da esfera afetiva3 como retratos3 recorda&=es familiares e afins4 retende"se3 nos 0r!8imos t!0icos3 uma a/orda(em com0arativa das caracter9sticas da foto(rafia tendo em vista seus tra&os de ru0tura e continuidade entre sua forma convencional e di(ital4

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7/2 > A NA!U#E@A ,A $<A"E< O!O"#A $)A
*s 0rinci0ais autores a serem utilizados no em/asamento da 0ro0osi&#o de uma ru0tura entre a foto(rafia e o 1ue con5ecemos como -foto(rafia di(ital. s#o Andr+ <ouill+ :2010; e Giselle Bei(uelman :2010;4 %e(undo <ouill+3 o di(ital modificou a materialidade e o es0a&o de inscri&#o da ima(em3 ?) 1ue o su0orte do di(ital + a tela :a ima(em 0ode ser im0ressa3 mas circula na maior 0arte do tem0o nas telas;4 A foto(rafia num+rica3 como ele a c5ama3 n#o seria outra vers#o da foto(rafia3 tam0ouco foto(rafia 0ro0riamente3 ?) 1ue n#o 0ossui a mesma materialidade3 nem a velocidade de distri/ui&#o3 nem os modos de li(a&#o com a ima(em3 nem sua su0erf9cie de inscri&#o3 nem o custo de 0rodu&#o3 nem o odor3 nem a 1u9mica4 Al+m disso3 0ossui um car)ter /astante fle89vel 1ue3 ao contr)rio da foto(rafia convencional3 0ermite uma mani0ula&#o da ima(em a 0artir de t+cnicas de f)cil dom9nio e uso corrente4 ara este autor3 o termo -foto(rafia di(ital. + im0r!0rio3 0ois n#o se trata de um derivado di(ital da foto(rafia3 mas em outra forma de e80ress#o 1ue n#o se difere a0enas em (rau3 mas em natureza4 Giselle Bei(uelman :2010; recua um 0ouco 2 raiz etimol!(ica da 0alavra foto(rafia4 A autora afirma 1ue somente as ima(ens 1u9micas s#o 0roduzidas 0ela inscri&#o da luz3 ou se?a3 o termo foto(rafia somente 0ode ser a0licado a elas4 7a ima(em di(ital a luz + reinter0retada em dados' o sensor A faz uma leitura da luz e a traduz 0ara uma lin(ua(em 1ue o softRare da cBmera entende :al(or9tmos;4 Este3 0or sua vez3 reinter0reta estes dados e os transforma em ima(em3 na tela4 A luz n#o sensi/iliza o sensor3 mas a0enas + medida e inter0retada4 $o(o3 com o di(ital3 n#o + mais 0oss9vel escrever com a luz4
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6:@istem dois ti$os de sensores de imagem *ue con,ertem a luz em cargas el#ctricas) são eles) o && 8&4arge &ou$led e,ice9 e o &AO; 8&om$lementarB Aetal O@ide ;emiconductor9. Assim *ue o sensor con,erte a luz em electrons) ele l7 o ,alor 8a carga acumulada9 em cada c#lula da imagem. : a*ui # *ue ,7m as diferenças entre os dois sensoresC o && trans$orta a carga $elo c4i$ e l7 o ,alor na es*uina da lin4a. Um con,ersor anal-gico-$ara-digital então troca o ,alor do $i@el $ara o ,alor digital) $ela medição da *uantidade de carga em cada c#lula. O &AO; usa ,ários transistores $ara cada $i@el $ara am$lificar e mo,er a carga usando os tradicionais fios. O sinal +á # digital $or isso não necessita do con,ersor anal-gico-digital.< DonteC Em profundidade. EnC &2mera igital. is$on0,el em 4tt$C(($t.1iFi$edia.org(1iFi(&G&3GA2meraHdigital) acesso em 1I dez. 2I1I.

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Uma outra diferencia&#o 0oss9vel a 0artir da natureza das ima(ens diz res0eito 2 sua medida' ima(ens 1u9micas e ima(ens di(itais têm natureza /astante distinta3 0ois as 1u9micas s#o medidas 0ela sua e8tens#o :dimens#o3 taman5o – em cent9metros eFou 0ole(adas;S as di(itais s#o medidas 0ela 1uantidade de informa&=es :/Ptes; e 0ela conte8tualidade do 0i8el na sua rela&#o com a resolu&#o' o valor dos me(a0i8els :o taman5o do 0i8el varia conforme o taman5o da tela; :BEIGUE$MA73 2010;4 Ainda 1ue muito se discuta acerca de v)rios 0ontos de ru0tura entre a foto(rafia convencional e a di(ital3 al(uns autores como $ev Manovic5 :200H; e Martin $ister :200H; defendem 1ue n#o 5) uma total diferen&a3 de fato4 ara estes3 o di(ital n#o + a morte do 1ue veio antes3 mas uma su0era&#o3 uma inova&#o3 as novas desco/ertas s#o feitas com /ase no dis0ositivo anterior4 @essa forma3 0ode"se inferir 1ue a foto(rafia di(ital + uma inova&#o a 0artir da foto(rafia convencional3 mas n#o uma novidade com0leta4 Al(uns tra&os de continuidade ainda 0ermanecem3 1uer na natureza da ima(em3 1uer em seus usos e 0r)ticas do cotidiano4
-Ue need3 t5en3 to t5inV a/out 05oto(ra05P as a set of 0ractices Rit5 diferent 0ur0oses4 U5ilst t5eP s5are a tec5nolo(ical /asis Re do not (et verP far t5inVin( a/out t5ese different 0ractices in tec5nolo(ical terms alone4 Ue noR also need to reco(nise t5at di(ital tec5nolo(P 5as more t5an one relations5i0 to t5is ran(e of 05oto(ra05ic 0ratice4 Even in t5ese earlP Pears3 di(ital ima(e tec5nolo(P is /ein( used in more t5an one RaP and t5is RaPs inevita/le oRe muc5 to t5e esta/lis5ed forms3 discourses and institutions of 05oto(ra05ic 0roduction4. :$I%CE<3 200H' 22H;>

7a em0reitada de definir as diferen&as e similaridades entre a foto(rafia convencional e a di(ital3 Manovic5 :200H; 0referiu n#o tomar nen5uma 0osi&#o e8trema3 nem totalmente aceitando nem totalmente ne(ando uma revolu&#o da ima(em di(ital4 * autor concentra"se no car)ter 0arado8al da ima(em di(ital'

6J-s $recisamos) então) $ensar a fotografia como um con+unto de $ráticas com diferentes $ro$-sitos. J-s não iremos muito longe $ensando so!re estas diferentes $ráticas em termos tecnol-gicos somente. J-s agora $recisamos recon4ecer *ue a tecnologia digital tem mais de um n0,el de relacionamento com a $rática fotográfica. Aesmo nestes $rimeiros anos) a tecnologia da imagem digital está sendo utilizada de ,árias formas) e essas formas ine,ita,elmente de,em muito 3s instituiç/es esta!elecidas da $rodução fotográfica< =radução da autora.
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radicalmente 1ue/rando anti(as formas de re0resenta&#o visual ao mesmo tem0o 1ue refor&a esses modelos4
-If Re limit ourselves /P focusin( solelP :444; on t5e a/stract 0rinci0les of di(ital ima(in(3 t5en t5e difference /etReen a di(ital and a 05oto(ra05ic ima(e a00ears enormous4 But if Re consider concrete di(ital tec5nolo(ies and t5eir uses3 t5e difference disa00ears.4 :MA7*KICH3 200H' 2A2;I

ara Noan Fontcu/erta :200J;3 o di(ital 0ode ser entendido como um acess!rio da foto(rafia3 assim como uma lente ou um filtro :1ue tam/+m intervêm na vis#o da cBmera;4
-$a introducci!n de me?oras tecnol!(icas anteriores em los sistemas foto(r)ficos :automatismos electr!nicos3 so0ortes ma(n+ticos3 teletransmissores3 etc4; no afect! sustancialmente a la naturaleza ni la de sus valores sat+lites4 Incluso la metamorfosis del (rano de 0lata em 0i8el tam0oco es crucial3 siem0re P cuando em la (ênesis del re(istro foto(r)fico interven(a la cBmara como dis0ositivo de ca0taci!n4. :F*7CCUBE<CA3 200J4 04 1>0;J

En1uanto <ouill+ :2010; afirma 1ue a foto(rafia di(ital + male)vel3 0odendo ser facilmente retocada e 1ue isso sucede um novo 0er9odo de cren&a na ima(em3 Giselle Bei(uelman :2010; lem/ra 1ue a mani0ula&#o da su0erf9cie da ima(em n#o + e8clusividade do 0rocesso di(ital3 mas um 0rocesso intr9nseco 2 foto(rafia3 0ois ?) era feito de forma artesanal nos la/orat!rios de revela&#o4 @essa forma3 o 1uestionamento da veracidade da ima(em ou se o 1ue est) re0resentado na foto -e8iste. de fato3 + uma 1uest#o 1ue e8i(e /astante aten&#o :e ser) mel5or a/ordada mais adiante;S n#o na diferencia&#o entre um modo de 0rodu&#o foto(r)fica convencional e outro3 di(ital3 mas como uma caracter9stica 0r!0ria da foto(rafia4 Confrontando essa caracter9stica com o a0resentado 0or Bei(uelman :2010;3 temos 1ue3 nas ima(ens (eradas 0or meios fisico"1u9micos3 toda
6;e limitamos nossa atenção unicamente 8...9 so!re os $rinc0$ios a!stratos de imagem digital) a diferença entre uma imagem digital e fotográfica $arecerá enorme. Aas se n-s consideramos as tecnologias digitais concretas e seus usos) a diferença desa$arece. A fotografia digital sim$lesmente não e@iste.< =radução da autora. > 6A mel4orias tecnol-gicas anteriores nos sistemas fotográficos 8automatismos eletrKnicos) su$ortes magn#ticos) teletransmissores9 não afetou su!stancialmente sua natureza nem a de seus ,alores. At# mesmo a transformação do grão de $rata em $i@el não # crucial) en*uanto a inter,enção da c2mera como dis$ositi,o de ca$tação esti,er na g7nese do registro fotográfico.< =radução da autora.
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re0rodu&#o da c!0ia im0lica em 0erda' se tirarmos um 8+ro8 de um 8+ro83 a se(unda c!0ia ser) 0ior 1ue a 0rimeira4 %e co0iarmos uma fita KH% 0ara outra3 a 1ualidade da se(unda ser) 0ior 1ue a da 0rimeira4 %e foto(rafarmos uma foto(rafia3 a 1ualidade da se(unda c!0ia tam/+m ser) inferior 2 da 0rimeira4 or outro lado3 nas ima(ens di(itais3 conse(uimos fazer uma c!0ia da c!0ia ou v)rias c!0ias simultBneas de forma 1ue n#o + mais 0oss9vel distin(uir 1ual o ori(inal e 1ual a c!0ia3 0ois am/os s#o idênticos em taman5o e em 1ualidade4 7o entanto3 $ev Manovic5 :200H;3 em te8to escrito no in9cio da d+cada de 1GG03 no in9cio da 0ro0a(a&#o do di(ital3 a0ontava a e8istência de uma 0erda si(nificativa da 1uantidade de informa&#o entre uma e outra c!0ia do ar1uivo foto(r)fico4

-A sin(le di(ital ima(e consists of millions of 0i8els4 All of t5is data re1uires considera/le stora(e s0ace in a com0uterS it also taVes a lon( time :in contrast to a te8t file; to transmit over a netRorV4 Because of t5is3 t5e current softRare and 5ardRare used to ac1uire3 store3 mani0ulate3 and transmit di(ital ima(es uniformlP relP on lossP com0ression – t5e tec5ni1ue of maVin( ima(e files smaller /P deletin( some information4 C5e tec5ni1ue involves a com0romise /etReen ima(e 1ualitP and file size – t5e smaller t5e size of a com0ressed file3 t5e more visi/le are t5e visual artifacts introduced in deletin( information4 @e0endin( on t5e level of com0ression3 t5ese artifacts ran(e from /arelP noticea/le to 1uite 0ronounced4 At anP rate3 eac5 time a com0ressed file is saved3 more information is lost3 leadin( to more de(radation.4 :MA7*KICH3 200H' 2AH;

Como o 0r!0rio autor 0reviu 0ar)(rafos adiante no mesmo te8to3 em uma situa&#o :como a atual; com a crescente ca0acidade de armazenamento dos com0utadores e redes de transmiss#o cada vez mais r)0idas e com /andas cada vez mais lar(as3 essa com0ress#o necess)ria 5averia de desa0arecer3 como de fato vem ocorrendo4 Ho?e n#o + mais necess)rio -diminuir. um taman5o de ar1uivo foto(r)fico 0ara 1ue ele 0ossa ser enviado 0ara um )l/um virtual ou mesmo 0ara outra 0essoa3 atrav+s de e"mail4 ode"se enviar o mesmo ar1uivo3 com a mesma 1uantidade de informa&#o " o mesmo taman5os :em 0i8els; e o mesmo 0eso :em /Ptes; – do ar1uivo 1ue saiu da cBmera3 atrav+s da internet ou mesmo re0lic)"lo em v)rias c!0ias idênticas 0ara serem armazenadas em m9dias diversas :C@"<*M3 cart#o de mem!ria3 com0utador3 12

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0endrives;4

M im0ortante ressaltar 1ue a 0ossi/ilidade de com0ress#o do

ar1uivo n#o foi de todo a/andonada e3 de fato ainda + muito utilizada em sites 1ue s#o 0ro?etados 0ara a visualiza&#o imediata do seu conte6do' um ar1uivo foto(r)fico muito (rande demoraria muito a ser -carre(ado. nesta 0)(ina3 ent#o o0ta"se 0ela com0ress#o em detrimento da 1ualidade da ima(em3 Em outros casos3 1uando 5) a necessidade de mudan&a de formato do ar1uivo foto(r)fico3 ainda + 0oss9vel o/servar uma 0erda da 1uantidade de informa&#o4 *s fot!(rafos 0rofissionais 1ue o0tam 0elo formato <AU 0ara seus ar1uivos conse(uem fazer c!0ias idênticas desses ar1uivos3 mas 0ara a mani0ula&#o da ima(em ou 0ara via/ilizar sua circula&#o ou mesmo im0ress#o3 ainda necessitam convertê"los 0ara um outro ti0o de ar1uivo3 0or e8em0lo3 N EG4

7/4 > O A!O

O!O"#A $)O

ara 1ue se 0ossa con5ecer o 1ue 5) de ori(inal na foto(rafia3 dentre as outras ima(ens t+cnicas3 n#o 0odemos dei8ar de atentar ao ato foto(r)fico4 5illi0e @u/ois :1GGH; diz ser im0oss9vel dissociar a foto(rafia do ato 1ue a define3 estando com0reendido 1ue esse -ato. n#o se limita a0enas ao (esto da 0rodu&#o da ima(em :a -tomada. da foto;3 mas inclui tam/+m o ato de sua rece0&#o e de sua contem0la&#o4 M im0ortante ressaltar 1ue o autor escreve /aseado unicamente na foto(rafia de /ase 1u9mica3 o 1ue refor&a o fato de 1ue al(uma caracter9sticas da foto(rafia di(ital ?) e8istiam em sua 0redecessora3 a convencional4
Com a foto(rafia3 n#o nos + mais 0oss9vel 0ensar a ima(em fora de seu modo constitutivo3 fora do 1ue a faz ser como +3 estando entendido3 0or um lado3 1ue essa W(êneseX 0ode ser tanto um ato de rece0&#o ou de difus#o3 e3 0or outro3 1ue essa indistin&#o do ato e da ima(em em nada e8clui a necessidade de uma distBncia fundamental3 de um recuo em seu 0r!0rio centro4 :@UB*I%3 1GGH' >G;4

* ato de foto(rafar consiste em 0aradas e tomadas de decis#o :%A7CAE$$A3 2001; 1ue se manifestam 0or mani0ula&#o do a0arel5o foto(r)fico :F$U%%E<3 2002;4 * (esto de foto(rafar + um ?o(o de troca com o 13

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a0arel5o foto(r)fico :F$U%%E<3 2002; e o fot!(rafo escol5e3 dentre as o0&=es dis0on9veis3 o 1ue 1uer foto(rafar3 ou se?a3 a cBmera funciona em fun&#o da inten&#o do fot!(rafo3 mas limitada 2 sua 0ro(rama&#o4 *s a0arel5os3 sozin5os3 n#o tra/al5am4 * fot!(rafo3 com o a0arel5o3 tam/+m n#o tra/al5a3 a(e de acordo com a 0ro(rama&#o deste4 * 1ue caracteriza o a0arel5o foto(r)fico + estar 0ro(ramado3 sendo a foto(rafia a realiza&#o de uma 0otencialidade do a0arel5o4
* fot!(rafo re(istra de tudo' um rosto 5umano3 uma 0ul(a3 um tra&o de 0art9cula atLmica na cBmara Uilson3 o interior de seu 0r!0rio estLma(o3 uma ne/ulosa es0iral3 seu 0r!0rio (esto de foto(rafar no es0el5o4 @e maneira 1ue o fot!(rafo crê 1ue est) escol5endo livremente4 7a realidade3 0or+m3 o fot!(rafo somente 0ode foto(rafar o foto(raf)vel3 isto +3 o 1ue est) inscrito no a0arel5o4 :444; * fot!(rafo n#o 0ode foto(rafar 0rocessos4. :F$U%%E<3 2002' H1;4

* a0arato di(ital 0ossi/ilita uma 0rodu&#o de ima(ens em (rande volume4 En1uanto a foto(rafia anal!(ica im0un5a um limite de HI foto(ramas em um rolo de filme3 a foto(rafia di(ital 0ermite ao fot!(rafo uma ca0acidade muito maior de 0rodu&#o :o 1ue ser) limitado a0enas 0ela resolu&#o das ima(ens 0roduzidas e a ca0acidade de armazenamento dos cart=es de mem!ria;4 Um dos 5)/itos criados 0or essa nova 0ossi/ilidade + uma constante /usca 0or mais resolu&#o e ca0acidade das cBmeras3 0ara 1ue 0ossam ser feitas cada vez mais ima(ens4 Assim3 0odemos inferir 1ue a 0rodu&#o sofreu altera&=es com o a0arato di(ital4 7#o se tem mais a 0reocu0a&#o de des0erdi&ar foto(ramasS + 0ermitido e80erimentar mais3 ousar mais nas fotos4 A cBmera di(ital faz com 1ue o ol5ar deslo1ue"se do outro 0ara si com maior fre1Yência – ao inv+s de fazer fotos de outras 0essoas3 0ode"se fazer auto"retratos sem o risco de -des0erd9cio. de filmes4 H) um refor&o do tra&o contem0orBneo de narcisismo3 na medida em 1ue as fotos evidenciam o -eu.4 A 0ossi/ilidade 1uase infinita de foto(rafar o 1ue 1uiser n#o se so/re0=e ao fato de 1ue (rande 0arte das fotos se?a so/re este mesmo tema4 Com a cria&#o desses novos a0arel5os di(itais 0ode"se dizer 1ue o 0rocesso de foto(rafar c5e(a a se inverter3 de t#o so/re0osto' ao inv+s de o/servar a cena3 ima(inar a foto e somente de0ois dis0arar a cBmera3 o 14

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fot!(rafo3 amador ou 0rofissional 5a/itua"se cada vez mais a dis0arar a cBmera3 ol5ar o resultado da foto3 dis0arar a cBmera novamente caso a ima(em n#o se?a satisfat!ria3 0odendo"se tam/+m a0a(ar definitivamente a ima(em4

7/7 - USOS
A foto(rafia sur(iu no momento em 1ue o mundo 0recisava de uma ima(em"documento o0erante e 0rimordial :<*UI$$M3 2010;3 1ue 0udesse se inserir na dinBmica da sociedade industrial nascente e em li(a&#o com seus fenLmenos mais em/lem)ticos' -a e80ans#o das metr!0oles e da economia monet)ria3 a industrializa&#o3 a modifica&#o do es0a&o3 do tem0o e das comunica&=es "3 mas tam/+m com a democracia. :<*UI$$M3 2010 0' 1I;4 documentar e servir de ferramenta 2 sociedade na metade do s+culo ,I,4 ara Zoetzle :200>;3 o im0ulso racionalista e 0ositivista do s+culo ,I, 0ossi/ilitou uma (rande e80ans#o da foto(rafia em meio 2 socidade3 ?) 1ue ela sur(ia com uma 0ro0osta de o/?etividade 1ue se encai8ava neste conte8to4 or essas 1ualidades3 a foto(rafia era o meio mais ade1uado 0ara re(istrar3

Com a inven&#o da foto(rafia3 no 0rimeiro ter&o do s+culo ,I,3 a era t+cnica suscitou o dese?o de ima(ens a uma /ur(uesia cu?o 0oder econLmico tin5a aumentado4 7uma +0oca em 1ue a m)1uina a va0or colocava a sua for&a ao servi&o da 0rodu&#o ca0italista3 em 1ue os teares mecBnicos su/titu9am cada vez mais a m#o de o/ra 5umana e em 1ue o camin5o"de" ferro se 0re0arava 0ara a0ro8imar re(i=es afastadas3 oferecendo ao 5omem uma maior mo/ilidade3 os 0rocessos manuais3 como o desen5o3 a (ravura ou a lito(rafia3 deviam 0arecer um 0ouco ultra0assados4 Al+m disso3 estas t+cnicas manuais3 e conse1uentemente su/?etivas3 ?) n#o corres0ondiam ao es09rito deste s+culo racionalista e 0ositivista 1ue as0irava uma vis#o o/?etiva do mundo4 :Z*EC[$E3 200>'HA;

or+m3 0ara <ouill+ :2010; essa sociedade foi se modificando ao lon(o do tem0o e3 avan&ando so/re o s+culo ,,3 n#o foi mais 0oss9vel 2 foto(rafia atualizar os valores sociais4 15

15

-Em todas as (randes )reas – informa&#o3 medicina3 ciência3 defesa3 etc4 – ela foi amea&ada3 ou su0lantada3 0or novas ima(ens tecnolo(icamente mais ada0tadas 2s novas condi&=es tecnol!(icas e econLmicas de 0rodu&#o e de uso4 :444; foto(rafia convin5a 2 sociedade industrial modernaS mas dificilmente res0onde 2s necessidades de uma sociedade informacional3 em/asada em redes di(itais4. :<*UI$$M3 2010'1I;4

ara ser inventada3 a foto(rafia de0endeu de diversas e80erimenta&=es com a luz e elementos 1u9micos4 $o(o3 os 0rimeiros usos atri/u9dos 2 foto(rafia eram do Bm/ito cient9fico3 como os e80erimentos de EadReard MuP/rid(e em 1TJJT so/re o movimento das 0atas do cavalo durante o (alo0e4 A e80ans#o da foto(rafia como meio de e80ress#o ocorreu de forma mais ou menos simultBnea em v)rios cam0os3 do ?ornalismo 2 0u/licidade e moda3 sem dei8ar de servir aos 0ro0!sitos cient9ficos4 @esde sua inven&#o3 a foto(rafia foi se tornando cada vez mais 0o0ular3 0odendo ser classificada – mais recentemente " como uma arte de massa3 mesmo n#o sendo 0raticada 0ela maioria das 0essoas como arte4 Considerada 0or %usan %onta( como um -rito social. :200A;3 aca/a 0or se tornar uma defesa contra a ansiedade e um instrumento de 0oder4 %ua mi(ra&#o do meio 0rofissional 0ara o amador se deu a 0artir do lan&amento3 em 1TTT3 0or 0arte da ZodaVG3 da sua 0rimeira cBmera voltada ao usu)rio comum3 amador3 e ent#o 5ouve a inser&#o da foto(rafia no Bm/ito familiar4 7esse cam0o3 do re(istro do cotidiano3 n#o 5) muita 0reocu0a&#o com o resultado final da foto3 sua 1ualidade t+cnica3 desde 1ue o re(istrado sirva a uma situa&#o futura de recorda&#o afetiva do momento vivido e 2 constru&#o de uma narrativa /io(r)fica da fam9lia4 Mais recentemente3 com o sur(imento das cBmeras di(itais3 mais /aratas3 as 0essoas 0assaram a re(istrar eventos cada vez mais triviais3 1uase em um document)rio da vida comum3 criando uma rela&#o voPeur9stica crLnica com o mundo e nivelando o si(nificado de todos os acontecimentos foto(rafados4 %e(undo <ouill+ :2010;3 a foto(rafia dei8ou de ter como fun&#o dominante a de documento a 0artir da mudan&a da sociedade industrial :s+c ,I,; 0ara a
? 9

4tt$C(($t.1iFi$edia.org(1iFi(:ad1eardHAuB!ridge) acesso em ? dez. 2I1I. 4tt$C(($t.1iFi$edia.org(1iFi(Dotografia) acesso em ? dez. 2I1I.

15

1>

sociedade informacional :no final do s+c ,,;3 /aseada em redes di(itais4 7este se(undo momento da 5ist!ria mundial3 novas atri/ui&=es e novos usos foram dados 2 foto(rafia do modo como a con5ecemos e – do 0onto de vista da 0rodu&#o foto(r)fica " 5ouve uma mi(ra&#o mais forte da foto(rafia a0enas como o/?eto 6til 0ara outros usos3 como o/?eto de arte e cultura3 sem3 contudo3 eliminar os usos anteriormente esta/elecidos4 A sociedade moderna ?) con5ecia outra formas da foto(rafia 1ue n#o a ima(em"documento3 funcionando com outros o/?etivos e em outros cam0os3 isso 0or1ue a foto(rafia n#o + um documento3 mas somente est) 0rovida de um valor documental 1ue varia conforme a circunstBncia 1ue est) inserida4 @a mesma forma3 a atual foto(rafia di(ital tam/+m 0ossui fun&=es documentais3 1ue n#o s#o as 6nicas atri/u9das a ela4 *s retratos constituem um dos usos mais difundidos da foto(rafia3 5erdados da 0intura3 e acom0an5ou todo o seu desenvolvimento at+ c5e(ar aos dias atuais4 @esde os clic5ês de @a(uerre 1ue retratavam 0ersonalidades im0ortantes e a/astadas da sociedade :-Eram 0e&as 6nicasS em m+dia3 o 0re&o de uma 0laca3 em 1THG3 era de 2> francos"ouro4 7#o raro eram (uardadas em esto?os3 como ?!ias.4 :BE7NAMIM3 1GGH;;3 0assando 0ela carte de visite3 com cen)rios montados (eralmente com cortinas3 coluna de a0oio3 0inturas de fundo e outros adere&os3 at+ os mais recentes books de fam9lia3 (estantes3 /e/ês3 etc4 7a sociedade atual temos como fator im0ortante a facilidade de acesso do indiv9duo comum 2 tecnolo(ia di(ital 1ue reflete a democratiza&#o da comunica&#o3 no 1ual 5) uma li/era&#o do 0!lo da emiss#o' 0otencialmente3 todos 0odem 0roduzir e consumir as informa&=es4 @o es1uema das m9dias de massa3 onde 0oucos falam 0ara muitos3 têm"se um novo modelo3 no 1ual todos 0odem falar 0ara todos3 ou todos 0odem 0u/licar suas fotos e3 ao mesmo tem0o3 ver as fotos 0u/licadas 0or outras 0essoas3 0or e8em0lo3 na internet4 Cal com0ortamento t90ico da sociedade 0!s"moderna diz muito so/re as novas formas de socia/ilidade4 A foto(rafia3 dentre todos os o/?etos modernos3 + um dos mais misteriosos e 1ue d#o consistência a isso 1ue c5amamos -mundo. 0ela ca0tura das e80eriências vividas4 %e(undo %usan %onta( :200A;3 ao mesmo tem0o em 1ue 1>

1?

armazenam o mundo3 as foto(rafias incitam seu 0r!0rio armazenamento3 se?a em )/uns3 cai8as de sa0ato3 0orta"retratos ou3 mais recentemente3 com a foto(rafia di(ital3 em )l/uns virtuais na internet3 C@s e @K@s 0ara e8i/i&#o em fam9lia3 dentre outras formas de circula&#o :ver t!0ico dedicado 2 rece0&#o e distri/ui&#o da foto(rafia;4 * e80osto acima refere"se3 0rinci0almente3 2s mudan&as ocorridas na foto(rafia vernacular na 0assa(em de sua forma convencional 2 di(ital4 or+m3 em muitos usos -0rofissionais.3 a foto(rafia di(ital vem muitas vezes a0enas su/stituir o 1ue 0oderia ser feito da forma convencional3 a0enas /arateando custos ou via/ilizar a 0rodu&#o em uma velocidade maior3 sem 1ue re0resentasse uma mudan&a est+tica ou do fazer foto(r)fico4 Em am/os os casos3 o 1ue + not)vel + a acelera&#o da 0rodu&#o em todos os n9veis de usos 0oss9veis da foto(rafia4 7o foto?ornalismo3 0or e8em0lo3 a foto(rafia tradicional era um fardo 0ara os fot!(rafos 1ue tra/al5avam em re0orta(ens em localidades distantes3 como corres0ondentes da im0rensa3 0ois3 com o aumento da com0eti&#o da co/ertura ?ornal9stica da televis#o3 5ouve o aumento da ur(ência 0ara se transferir as ima(ens aos ?ornais mais ra0idamente4 7esse 0onto3 o di(ital tornou"se fundamental3 0ois o es0a&o f9sico e o tem0o de deslocamento entre es0a&os3 territ!rios3 dei8am de ser fator determinante4 @a mesma forma 1ue o di(ital facilitou a 0rodu&#o ?ornal9stica3 tam/+m 0ro0iciou im0ortantes a0rimoramentos na foto(rafia de moda e 0u/licit)ria3 0ela maior facilidade na mani0ula&#o 0osterior da ima(em a fim de se o/ter a ima(em 0erfeita3 5i0er"real4 7esses cam0os 0rofissionais3 o advento do di(ital n#o re0resentou 0ro0riamente uma ru0tura3 mas um a0rimoramento3 uma mel5oria da t+cnica 0ara um mesmo uso4
-C5is can also lead us to 1uestion t5e vieR t5at t5ere is a fundamental cultural /reaV /etReen t5e 05oto(ra05ic and t5e di(ital4 Instead of focusin( attention u0on t5e 05oto(ra05 as t5e 0roduct of a s0ecific mec5anical and c5emical tec5nolo(P3 Re need to consider its tec5nolo(ical3 semiotic3 and social 5P/ridnessS t5e RaP in R5ic5 its meanin(s and 0oRer are t5e result of a mi8ture and com0ound of forces and not a sin(ular3 essential and in5erent 1ualitP. :$I%CE<3 200H' 221;410
6Esto $ode igualmente conduzir-nos *uestionar a ,isão de *ue 4á uma ru$tura cultural fundamental entre o fotográfico e o digital. :m ,ez mantermos a atenção na fotografia como o $roduto de uma tecnologia mec2nica e *u0mica es$ec0fica) n-s $recisamos considerar seu caráter 40!rido em termo
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7/3 - A #ELA:;O )O< O #E E#EN!E
%e(undo @u/ois :1GGH; durante a 5ist!ria da foto(rafia3 acatou"se3 0rimeiramente3 a id+ia da foto(rafia como espelho do real3 atrav+s do discurso da mimese – na 1ual o efeito de realidade da foto(rafia estava atrelado 2 semel5an&a entre este o/?eto referente e a ima(em4 In(enuamente3 a esta altura3 se considerava a foto(rafia um -analo(on. 0erfeito da cena 1ue re0roduzia3 ou se?a3 seria mim+tica 0or essência4 Entretanto3 lo(o se 0erce/eu de0ois 1ue a foto(rafia n#o era3 necessariamente idêntica ao referente3 e3 al+m disso3 de0enderia de uma s+rie de c!di(os 0ara ser 0roduzida e com0reendida4 @essa forma3 0assou"se a recon5ecer a foto(rafia como transformação do real3 atrav+s do discurso do c!di(o e da desconstru&#o4 Assim3 a analo(ia atri/u9da 2 foto(rafia anteriormente3 0assou a ser recon5ecida a0enas como um efeito3 uma im0ress#o3 uma inter0reta&#o do real4 %ur(e3 ent#o3 uma terceira fase da com0reens#o da foto(rafia3 com um retorno ao referente3 mas sem o ilusionismo mim+tico 0resente na 0rimeira fase3 tornando"se a foto(rafia um traço do real3 atrav+s do discurso do 9ndice e da referência4 Bart5es inter0reta esse referente foto(r)fico n#o como a
coisa facultativamente real 0ara 1ue remete uma ima(em ou um si(no3 mas a coisa necessariamente real 1ue foi colocada diante da o/?etiva sem a 1ual n#o 5averia foto(rafia4 A 0intura3 essa 0ode simular a realidade sem a ter visto4 * discurso com/ina si(nos 1ue têm3 certamente3 referentes3 mas esses referentes 0odem ser :e3 na maior 0arte das vezes s#o; W1uimerasX4 Ao contr)rio dessas imita&=es3 na foto(rafia n#o 0osso nunca ne(ar 1ue a coisa esteve l)4 :BA<CHE%3 1GTA3 04 10G;4

H) uma concordBncia de 1ue3 a0esar dos c!di(os 0resentes na foto(rafia3 ela ainda transmite uma -sensa&#o. do real4 Atrav+s da foto(rafia e8iste um 0rocesso de atri/ui&#o3 em 1ue a ima(em remete ao seu referente4 -\ual1uer coisa de 1ue se ouve falar3 mas de 1ue se duvida3 0arece ficar 0rovado (ra&as a uma foto(rafia. :%*7CAG3 200A;4 \uando se vê uma foto3 o/serva"se3 de
tecnol-gico) semi-tico) e socialL a maneira *ue seus significados são o resultado da mistura de um com$osto de forças e uma *ualidade não singular) essencial e inerente<. =radução da autora.

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certa forma3 uma 0rova incontroversa de 1ue determinada coisa aconteceu3 0ois + f9sica e 1uimicamente uma ca0tura do o/?eto referente real4 Mesmo 0elas limita&=es ou 0retens=es do fot!(rafo3 e 0or mais 1ue a ima(em a0resente al(uma forma de distor&#o e mani0ula&#o3 ela su(erei uma rela&#o mais inocente e mais e8ata com a realidade vis9vel do 1ue 1ual1uer outro modo mim+tico de re0resenta&#o :%*7CAG3 200A;4 @u/ois :1GGH; a0resenta uma caracter9stica da foto(rafia convencional 1ue a?uda a diferenci)"la da ima(em di(ital3 o 0rinc90io de sin(ularidade3 1ue est) li(ada 2 (ênese f9sica do 9ndice e do momento 6nico 1ue a coisa aconteceu4 *utra caracter9stica im0ortante da foto(rafia3 ?) a0ontada 0or Ben?amin3 + a sua re0roduti/ilidade' a foto(rafia + uma matriz. E + a 0artir deste material 1ue se 0ode re0roduzir infinitas vezes o 0ositivo da foto(rafia4 Al(uns autores acrescentam a esses ar(umentos da indicialidade foto(r)fica outras caracter9sticas 1ue a contradizem4 Gu/ern :a0ud %A7CAE$$A3 2001; cita as se(uintes caracter9sticas 1ue falseiam a iconicidade' a 0erda da terceira dimens#o3 o limite da moldura3 a 0erda do movimento3 a 0erda da cor e da estrutura (ranular3 a mudan&a de escala e a 0erda dos est9mulos n#o"visuais4 $o(o3 atrav+s da mani0ula&#o do a0arel5o a fim de o/ter tru1ues !ticos3 encena&=es3 edi&=es no 1uadro3 + 0oss9vel criar o/?etos ou situa&=es 1ue n#o e8istem3 mesmo 1ue a 0artir de um o/?eto 1ue e8ista4 Com o di(ital3 n#o somente estes ti0os de mani0ula&#o s#o 0oss9veis3 mas tam/+m outras3 0ela malea/ilidade da ima(em3 como descrito anteriormente4
$a a0ortaci!n m)s radical del nuevo orden 0ro0iciado 0or los medios electr!nicos vendr9a a ser3 entonces3 la alteraci!n P modificaci!n de estos 0ar)metros3 en suma3 un efecto de ]desrealizaci!n]3 una disoluci!n del 0rinci0io de realidad 1ue afectar9a de modo definitivo a nuestra forma de construir la realidad3 a la conce0ci!n 1ue nos 5acemos del mundo P a nuestro modo de relacionarnos con +l4 :F*7CCUBE<CA a0ud E$ A^%3 2010;11

6A contri!uição mais radical da no,a ordem $ro$iciada $elos meios eletrKnicos ,iria a ser) então) a alteração e modificação destes $ar2metros) em suma) um efeito de 6desrealização<) uma dissolução do $rinc0$io de realidade *ue afetaria de modo definiti,o a nossa forma de construir a realidade) a conce$ção *ue n-s temos do mundo e nosso modo de nos relacionar com ele< =radução da autora.
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Ho?e3 o sa/er do es0ectador so/re a (ênese da foto(rafia est) mudando3 0rinci0almente 0ara o senso comum4 As 0essoas est#o cada vez mais familiarizadas com o 0rocesso de 0rodu&#o foto(r)fica4 Anteriormente 5avia uma rela&#o de cren&a entre o 1ue a ima(em mostra e o 1ue + o referente4 Ho?e3 0erdeu"se um 0ouco a aderência ao referente4 * es0ectador sa/e 1ue a ima(em 0ode ser falsificada e 1ual1uer tra&o mais inusitado nas ima(ens coloca em d6vida sua veracidade4 A facilidade de mani0ular a ima(em 0ermite um em/elezamento surreal da ima(em' -uma 0intura falsificada :cu?a atri/ui&#o + falsa; falsifica a 5ist!ria da arte4 Uma foto(rafia falsificada :1ue foi retocada ou adulterada3 ou 1ue tem uma le(enda falsa;3 falsifica a realidade4. :%*7CAG3 1GTH3 04 T2;4

7/B - ,$S!#$.U$:;O
A foto(rafia convencional3 como dito anteriormente3 tin5a sua

re0roduti/ilidade a 0artir de uma matriz' o filme fotossenss9vel revelado3 1ue 0ermitia infinitas c!0ias das foto(rafias em 0a0el4
Calvez o tra&o mais revolucion)rio3 1ue marcou o salto de transforma&#o da foto(rafia em rela&#o 2s ima(ens 0roduzidas manualmente3 n#o se encontra tanto na media&#o do a0arel5o inter0ondo"se entre o fot!(rafo e a realidade a ser re(istrada3 nem na automatiza&#o do ato 1ue esse a0arel5o 0ermitiu3 mas na 0ossi/ilidade de multi0lica&#o infinita de fotos a 0artir de uma matriz re0rodutora3 o ne(ativo4. :%A7CAE$$A3 2001' 12H;

Contudo3 esse modo de re0rodu&#o r)0ido :mais r)0ido 1ue o desen5o ou a 0intura;3 sua mo/ilidade :o 0roduto final im0resso + leve3 f)cil de acumular3 trans0ortar e conservar; e o cr+dito de verdade concedido ao conte6do da ima(em n#o foi suficiente 0ara 1ue ela 0udesse 0assar da re0rodu&#o :al(umas dezenas de e8em0lares; 0ara a edi&#o :v)rios mil5ares;4 %e(undo Andr+ <ouill+ :2010; foi 0reciso associ)"la 2s t+cnicas mais anti(as3 como a (ravura e a ti0o(rafia 0ara 1ue 0udesse acom0an5ar a e80ans#o do

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foto?ornalismo3 a 0arti de 1G203 e assim conse(uisse res0onder 2s necessidades das sociedades industriais e comerciais em evolu&#o4 @entro do conte8to de uma cultura di(ital3 o sur(imento de a0arel5os3 0rinci0almente os de comunica&#o e os de 0rodu&#o de ima(ens3 via/ilizam rela&=es como as suscitadas na internet' formas de socia/ilidade mediadas 0or ima(ens3 notadamente as foto(rafias di(itais4 A di(italiza&#o de m6sicas3 0alavras e ima(ens as torna mais conect)veis entre si3 (arantindo tam/+m uma a(ilidade muito maior4 A foto(rafia n#o est) mais 0resa a um territ!rio3 a uma forma f9sica de distri/ui&#o4 Antes 0oderia estar num )l/um de0endendo de al(um momento ou es0a&o es0ec9ficos 0ara sua e80osi&#o3 a(ora atrav+s de 0rodu&#o3 mani0ula&#o di(ital e tam/+m da distri/ui&#o atrav+s do ci/eres0a&o rom0em" se as /arreiras do tem0o e do es0a&o com maior facilidade4

3 > )ON)LUS;O -Era
(rande como uma tou0eira3 com ol5os 0e1uenos3 as 0atas anteriores a0resentavam 1uatro (arras e eram unidas 0or uma mem/rana3 maior do 1ue a 1ue unia as (arras das 0atas 0osteriores4 ossu9a a cauda e o /ico de um 0ato3 nadava com as 0atas3 1ue usava tam/+m 0ara escavar a sua toca4 :444; o animal mais 0arecia uma foca3 uma /aleia ou um (olfin5o3 como se3 ao sa/er 1ue nadava3 l5e fosse a0licado3 2 0rimeira vista3 o CC (en+rico de um animal marin5o4 :444; o animal faz com 1ue se 0ense lo(o no /ico de um 0ato en8ertado na ca/e&a de um 1uadr60ede-4 :EC*3 1GGT' 20>;

A foto(rafia di(ital3 assim como o ornitorrinco3 0oderia ser descrita como um animal 0eludo 1ue nasceu a 0artir de um ovo4 Brincadeiras 2 0arte3 a met)fora do ornitorrinco3 um animal 1ue + ao mesmo tem0o mam9fero 1ue /ota ovos3 1uadr60ede 1ue nada e ave 1ue n#o voa 0arece uma 0erfeita analo(ia 0ara e80licar o 1u#o 59/rida e com0le8a 0ode ser o 1ue c5amamos de foto(rafia di(ital em meio 2s ima(ens t+cnicas4 A foto(rafia (estou e nasceu ela 0r!0ria da cultura visual 1ue im0Ls4 Estud)"la si(nifica estudar os 0rocessos de constitui&#o e constru&#o social da realidade e a forma como conce/emos e re0resentamos nosso mundo4 Acom0an5ar a evolu&#o de um meio durante seu 0rocesso de im0lanta&#o + 22

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/astante diferente de estud)"lo de0ois de esta/elecido4

or essa raz#o3 o

0resente tra/al5o n#o 0retendeu c5e(ar a uma conclus#o de fato so/re se o sur(imento do di(ital su0lantou o 1ue con5ecemos 0or foto(rafia3 mas 0romoveu uma /reve discuss#o acerca de al(uns 0ontos de ru0tura e de continuidade so/re o 1ue conse(uimos 0erce/er durante esse 0rocesso de transi&#o4
-*utra cosa ser9a cuestionar si la foto(rafia di(ital es todavia -foto(rafia.4 %i a la foto(rafia em movimento la llamamos -cine.3 /ien 0odr9a suceder 1ue a la foto(rafia cuPa estructura formativa m)s 9ntima 5) sido sustituida 0or um so0orte num+rico la llamar9amos de outro modo3 aun1ue de momento a6n no se nos 5aPa ocurrido el t+rmino a0ro0riado. :F*7CCUBE<CA3 200J' 1AJ;

Em/ora a natureza da ima(em di(ital3 seus m+todos de 0rodu&#o3 re0rodu&#o3 distri/ui&#o e rece0&#o se?am diferentes da foto(rafia convencional3 muitos dos usos sociais 0ermanecem 0raticamente os mesmos4 Calvez3 o mais im0ortante n#o se?a encontrar uma defini&#o3 mas es0ecular so/re estes meios e as diferen&as entre eles4 Noan Fontcu/erta :2010; + um dos autores 1ue a0onta diferen&as mais evidentes entre a foto(rafia convencional e a di(ital3 e ainda assim ele declara n#o ter uma res0osta concreta se o di(ital ainda + foto(rafia'
$as foto(raf9as anal!(icas si(nifican fen!menos3 las di(itales conce0tosS la anal!(ica descri/e3 la di(ital inscri/eS de la 5uella P la fia/ilidad a lo virtual P lo es0eculativoS de la descri0ci!n al relato4 7o estar9amos 0ues ante un 0roceso de sim0le transformaci!n de la foto(raf9a foto1u9mica3 sino ante la introducci!n de ]toda una nueva cate(or9a de im)(enes 1ue Pa 5aP 1ue considerar _0osfoto(r)ficas_S aun1ue la 0re(unta de si la foto(raf9a di(ital es todav9a foto(raf9a se(uir9a3 0or el momento3 sin una res0uesta concluPente4 :F*7CCUBE<CA a0ud E$ A^%3 2010;12

As fotografias anal-gicas significam fenKmenos) as digitais) conceitosL a anal-gica descre,e) a digital inscre,eL da $ro,a e a crença ao ,irtual e es$eculati,oL da descrição ao relato. Jão estar0amos) $ois) ante um $rocesso de sim$les transformação da fotografia foto*u0mica) mas ante a introdução de Mtoda uma no,a categoria de imagens *ue +á se $ode considerar M$-s-fotográficasNL ainda *ue a $ergunta de se a fotografia digital # ainda fotografia siga) $or en*uanto) sem uma res$osta conclusi,a< =radução da autora.
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Em suma3 todos esses discursos do novo traduzem um 5iato com0leto entre3 de um lado3 a euforia dos 1ue acreditam em uma ru0tura franca e um 0ro(resso ce(o e3 de outro3 a relativiza&#o dos 1ue acreditam em uma realidade dos o/?etos tecnol!(icos vinda do 0ra(matismo4 Esse 5iato fica 0atente na constata&#o de 1ue cada tecnolo(ia 0roduz3 na realidade dos fatos3 ima(ens 1ue tendem a funcionar esteticamente 1uase ao contr)rio do 1ue 0retendem os discursos das inten&=es :tecnicamente -revolucion)rios.;4 :@UB*I%3 200A304 H>; @essa forma n#o 5) como se 0ensar em rom0imentos com0letos a 0artir do sur(imento de novas t+cnicas e tecnolo(ias e sim do conv9vio entre elas como forma com0lementar4 E8istem os 0rofissionais 1ue n#o a/rem m#o do uso da tecnolo(ia convencional assim como e8istem a1ueles 1ue 0referem o di(ital3 am/as tem sua im0ortBncia de acordo com suas es0ecificidades3 usos e mesmo suas limita&=es4 %o/re a 5ist!ria do ornitorrinco e como ele finalmente conse(uiu um lu(ar na ta8onomia3 Um/erto Eco nos a0resenta uma moral da 5ist!ria 1ue 0ode muito /em servir 2 nossa 0ro0osta de discuss#o'
-Em 0rimeiro lu(ar3 0odemos dizer 1ue se trata de um es0lêndido e8em0lo de como enunciados o/servativos 0odem ser emitidos a0enas 2 luz de um 1uadro conceitual ou de uma teoria 1ue l5es dê um sentido3 ou 1ue a 0rimeira tentativa de entender o 1ue vemos + a de en1uadrar a e80eriência num sistema cate(orial 0recedente:444;4 Mas3 ao mesmo tem0o3 dever9amos dizer 1ue :444; as o/serva&=es colocam em crise o 1uadro cate(orial e ent#o 0rocuramos reada0tar o 1uadro4 E assim se(uimos em 0aralelo3 rea?ustando o 1uadro cate(orial assumido4. :EC*3 1GGT' 211;

@essa forma3 ao inv+s de fazermos como os ta8onomistas do s+culo ,I, 1ue tentaram encai8ar o ornitorrinco entre os mam9feros :i(norando os ovos; ou entre os ov90aros :i(norando as mama e o leite;3 talvez o mel5or se?a 0ensar de 1ue forma a a/ertura de um novo 0aradi(ma a?udaria e entender mel5or um novo ser 1ue sur(e com caracter9sticas 59/ridas4 E 0odemos fazer o mesmo no estudo da foto(rafia di(ital4

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#eferCn(ias .i%&iogr*fi(as
BA<CHE%3 <oland4 A )Dmara (&ara ' nota so/re a foto(rafia4 <io de Naneiro' 7ova Fronteira3 1GTA4 BEIGUE$MA73 Giselle S B<A7@`*3 EduardoS CHAKE[3 Nor(e KillacortaS4 <esa: ora do Ei8o - As Novas P&ataformas 4 In' Fa<UM $ACI7*AME<ICA7* @E F*C*G<AFIA @E %`* AU$*3 23 2H out4 20103 %#o aulo4 <e(istro da 0alestra em v9deo eletrLnico dis0on9vel em' b 5tt0'FFRRR4tvaovivo4tv4/rFitauculturalFforumfotoF0laPercso/cdemanda4as08d VePe2010102Hcitauculturalc205c0tf4 Acesso em' H0 out4 20104 BE7NAMI73 Ualter4 A o%ra de arte na era da sua reproduti%i&idade t6(ni(a4 In' Ma(ia e t+cnica3 arte e 0ol9tica4 %#o aulo' Brasiliense3 1GT24 BE7NAMI73 Ualter4 PeEuena 'istória da fotografia4 In' Ma(ia e t+cnica3 arte e 0ol9tica4 %#o aulo' Brasiliense3 1GT24 @UB*I%3 5ili00e4 )inema+ vFdeo+ "odard4 %#o aulo' CosacnaifP3 200A4 @UB*I%3 5ili00e4 O ato fotogr*fi(o4 Cam0inas' a0irus3 1GGH4 EC*3 Um/erto4 -ant+ Pier(e e o Ornitorrin(o4 In' Zant e o *rnitorrinco4 <io de Naneiro' <ecord3 1GGT4 E$ A^%4 Entrevista (om Goan ont(u%erta4 @is0on9vel em' 5tt0'FFRRR4el0ais4comFarticuloF0ortadaFfoto(rafiaFrefle?aFrealidadFel0e0ucul/a/F2 0100A2Ael0/a/0orc22FCes 4 Acesso em' 0H dez4 20104 F$U%%E<4 Kil+m4 i&osofia da (ai8a preta' Ensaios 0ara uma futura filosofia da foto(rafia4 <io de Naneiro' <elume @u/ar)3 20024 F*7CCUBE<CA3 Noan4 E&ogio de& Vampiro4 In' El Beso de Nudas' Foto(rafia P Kerdad4 Barcelona' Gustavo Gili3 200J4 F*7CCUBE<CA3 Noan4 Verdades+ fi((iones H dudas ra1ona%&es 4 In' El Beso de Nudas' Foto(rafia P Kerdad4 Barcelona' Editorial Gustavo Gili3 200J4 F*7CCUBE<CA3 NoanS I*KI7*3 MariaS $I%%*K%Zg3 Maur9cio4 <esa: ,ivagaçIes so%re o futuro 4 In' Fa<UM $ACI7*AME<ICA7* @E F*C*G<AFIA @E %`* AU$*3 23 2A out4 20103 %#o aulo4 <e(istro da 0alestra em v9deo eletrLnico dis0on9vel em' b 25

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5tt0'FFRRR4tvaovivo4tv4/rFitauculturalFforumfotoF0laPercso/cdemanda4as08d VePe2010102Acitauculturalc1J5c0tf4 Acesso em' H0 out4 20104 Z*EC[$E3 Hans"Mic5ael4 2555 Nudes' A HistorP of Erotic 1THG"1GHG4 ColLnia' Casc5en3 200>4 5oto(ra05P from

$I%CE<3 Martin4 E8tra(ts from introdu(tion to t'e p'otograp'i( image in digita& (u&ture 4 In' UE$$3 $iz :or(;4 C5e 5oto(ra05P <eader4 $ondres3 7ova Ior1ue' <outled(e3 200H4 00 21T"22J4 MA7*KICH3 $ev4 !'e parado8es of digita& p'otograp'H/ In' UE$$3 $iz :or(;4 C5e 5oto(ra05P <eader4 $ondres3 7ova Ior1ue' <outled(e3 200H4 2A0"2AG4 <*UI$$M3 Andr+4 A fotografia entre (ontemporDnea4 %#o aulo' %enac3 20104 do(umento e arte

%*7CAG3 %usan4 So%re otografia4 %#o aulo' Com0an5ia das $etras3 200A4 %A7CAE$$A3 $6ciaS 7hCH3 Uinfried4 $magem' co(ni&#o3 semi!tica3 m9dia4 H4 ed4 %#o aulo' Iluminuras3 2001

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