Você está na página 1de 26

ARRANJO PRODUTIVO LOCAL DO AÇAÍ NOS MUNÍCIPIOS DE

MACAPÁ E SANTANA
Cláudia Chelala1

1 INTRODUÇÃO

As estratégias de desenvolvimento para a Amazônia encaminhadas a partir da


segunda metade do século passado guardam características que, em parte, são capazes de
justificar o seu relativo insucesso. O capital estatal associado ao capital privado nacional e
internacional, financiou a vinda da grande empresa para a região. A adoção de políticas
econômicas que priorizaram empreendimentos de grande escala foi responsável por um
conjunto de desajustes sócio-econômicos produzidos na Amazônia, a partir desse período.
Os grandes projetos mínero-metalúrgicos e a grande empresa agropecuária se, por um lado,
são os responsáveis pela efetiva integração econômica da região ao restante do território
nacional, por outro lado também, são causadores de uma nociva concentração de renda
potencializada pela ampliação desse modelo.

Com o aprofundamento das políticas neoliberais expressas pelo definhamento das


funções do Estado, levadas a efeito sobretudo a partir da última década do século passado,
os mecanismos econômicos que norteavam àquele modelo de desenvolvimento esvaíram-se
e, com eles, as políticas de desenvolvimento.

A Amazônia ingressou em uma nova etapa, na qual o Estado Nacional passou a não
ser mais o promotor do desenvolvimento econômico, ou pelo menos não com a magnitude
anterior. Esta etapa, entretanto, é marcada pela emergência dos problemas ambientais, em
que a região tornou-se lócus preferencial para o deslanchar de políticas preservacionistas,
concebidas pelos movimentos ambientalistas internacionais. Neste contexto, passou a
existir uma forte pressão pela constituição de unidades de conservação na Amazônia,
destacadamente por unidades de proteção integral, as quais foram criadas em um ritmo
mais acelerado nos governos dos presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio
Lula da Silva.

Na outra ponta, de forma contraditória, o agronegócio, em especial o cultivo da soja,


expandiu-se na região, provocando impactos sócio-ambientais, principalmente porque a
expansão da fronteira agrícola condiciona alterações no bioma. Sobre este aspecto, setores
do governo federal têm dado clara demonstração de que a prioridade é o desempenho da
balança comercial, cuja exportação de grãos possui uma relação direta, a qual se
desenvolve em detrimento de outras políticas encaminhadas na região.

Este é o cenário que preside o desenvolvimento das políticas públicas na Amazônia


e, como a formatação anterior também possui a característica de serem modelos voltados
para fora, que deixam de priorizar a melhoria da qualidade de vida dos habitantes locais.
Tal situação traz a baila um antigo questionamento, qual seja: quais alternativas econômicas

1
Economista, Doutoranda em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido – NAEA- UFPA.
podem ser capazes de inserir o habitante da região de modo a promover a redução das
desigualdades sociais cada vez maiores na Amazônia?

Nesta perspectiva algumas teorias vêm tentando explicar a relação entre a evolução
do desempenho institucional e suas repercussões no desenvolvimento econômico, como
forma de buscar desvendar o estabelecimento do nexo existente entre os dois processos.
Implica em procurar entender o que pode ser capaz de promover o desenvolvimento. E
perceber o contexto social no qual são definidos e implementados os programas
institucionais. Sob este prisma, um dos importantes debates atuais sobre desenvolvimento
aborda a questão a partir de uma perspectiva regional, de identificação das potencialidades
locais, incluindo não apenas os recursos naturais, mas tratando todos os fatores de produção
enquanto capital, enfatizando a importância do capital social e o papel que as instituições
governamentais podem vir a desempenhar de modo a contribuir com este objetivo.

Algumas das estratégias recentes voltam-se para os Arranjos Produtivos Locais -


APLs, uma categoria de análise de uma dada realidade compreendida a partir do maior
número de vínculos existentes entre entes institucionais e econômicos que se relacionam a
uma atividade econômica principal. No Brasil, as instituições federais e estaduais
encarregadas do planejamento do desenvolvimento, incorporaram, em parte, esta proposta.
O governo federal criou em 2004, um grupo de trabalho para os Arranjos Produtivos Locais
-APLs cujo objetivo é o estudo de soluções criativas e viáveis para o desenvolvimento
econômico e social, com ênfase em micro e pequenas empresas. No mesmo sentido, o
Governo do Estado do Amapá pretende nortear suas políticas de desenvolvimento
econômico.

As novas proposições remetem às análises da questão do desenvolvimento da


Amazônia e, é a partir da tentativa em procurar respostas à questão de como se pode
estabelecer políticas de desenvolvimento regional, que esta pesquisa se propôs investigar
um estudo de caso na região: o Arranjo Produtivo Local do Açaí em Macapá e Santana,
municípios integrantes do Estado do Amapá, unidade federativa brasileira situada na porção
setentrional leste da região amazônica, uma vez que esta atividade econômica é
consideravelmente importante em nível local e ainda porque vem ocupando de forma
acelerada o interesse dos mercados nacionais e internacionais.

As propostas de promoção de APLs tornam-se inovadoras porque representam uma


redefinição das políticas de desenvolvimento, a partir de uma perspectiva que considera as
potencialidades do meio sócio-econômico local, amplia o foco sobre os empreendimentos
de micro e pequena escala e busca fortalecer as redes locais pré-existentes.

2 JUSTIFICATIVA

A presente pesquisa tem como finalidade o estudo do Arranjo Produtivo Local do


Açaí nos municípios de Macapá e Santana em função do potencial de estoques de açaizais
nativos nos municípios e do intenso fluxo de consumo local, da importância que esta
atividade representa para a sócio-economia da região, das inúmeras possibilidades de

2
utilização da palmeira e do fruto, assim como também o aumento da comercialização do
produto em nível nacional e internacional.

2.1 Potencialidades dos municípios de Macapá e Santana

A ampliação da demanda nacional e internacional vem provocando desajustes no


abastecimento local, uma vez que anteriormente, a produção de açaí na Amazônia era quase
que exclusivamente para atendimento da demanda interna. Esta situação tornou-se mais
aguda, na medida em que a demanda externa aumentou e a oferta não a acompanhou na
mesma proporção. O gráfico a seguir mostra uma sensível queda na produção do Estado do
Amapá. Isto ocorre porque o critério de apropriação dos dados anuais pelo IBGE está
definido a partir das quantidades de frutos que ingressam nos portos amapaenses. Observa-
se, assim, uma situação de declínio.

Gráfico 1 - Produção do Açaí no Estado do Amapá - 1990 a 2004

1.800.000
1.600.000
1.400.000
1.200.000 Macapá
1.000.000 Santana
800.000 Mazagão
600.000 Demais
400.000
200.000
0
1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004

Fonte: IBGE.

A EMBRAPA-AP, contudo, possui outro critério de mensuração da produção que


corresponde a quantidade vendida nas propriedades rurais. É importante registrar que esses
levantamentos realizados pela EMBRAPA-AP revelam aumento na produção.1 A aparente
contradição das informações pode ser solucionada pelo entendimento de que parte da
produção local está sendo vendida aos empresários de outras regiões que aportam com
barcos frigorificados e compram os frutos diretamente do produtor para posterior
processamento. Com isso, algumas ações estão sendo implementadas com vistas a ampliar
o nível da oferta, como por exemplo, a expansão de áreas plantadas. A EMBRAPA-AP está
desenvolvendo desde de 2001, um trabalho de manejo de açaizais em módulos localizados
nos municípios de Mazagão e Macapá (principalmente no distrito do Bailique).

Uma pesquisa2 realizada pela Universidade Federal do Amapá, com o propósito de


efetuar um levantamento dos estoques naturais de açaí no Estado, revelou que o Amapá
destaca-se como o 2º estado produtor da região, respondendo com 2,26% da produção,
enquanto o primeiro colocado, o Estado do Pará participa com 94%. Sob este aspecto é
importante considerar as porções territoriais dessas unidades da federação. O Estado do
Pará possui uma área de 1.248.042 km2, que corresponde a 16,6% do território brasileiro,
enquanto que o Amapá possui 143.453 km2, representando apenas 1,68%. Este mesmo

3
estudo aponta que os principais municípios produtores de açaí no Amapá são: Mazagão,
Santana e Macapá.

Dados que compatibilizam com as informações do IBGE, conforme gráfico a


seguir, sendo que Macapá (a capital do Estado) é o maior mercado consumidor local,
seguido por Santana (2º maior município do Estado).

É importante considerar as localizações privilegiadas das duas cidades, que estão na


foz do rio Amazonas e possuem, portanto, facilidade geográfica para acessar tanto os
mercados produtores, situados no estuário amazônico, como também os mercados
consumidores nacionais e internacionais.

Gráfico 2 - Produção do Açaí no Estado do Amapá - 2004

Demais
Macapá
13,53%
33,95%

Mazagão
35,37%
Santana
17,15%

Fonte: IBGE.

2.2 A importância sócio-econômica da atividade para a região

O consumo do açaí é um hábito da população amazônica, em geral, e, dos municípios


de Macapá e Santana, em particular. É um costume tão arraigado na população, que pode
ser entendido como parte de sua identidade. O açaizeiro, palmeira nativa do estuário
amazônico, produz um fruto – o açaí – do qual se extrai uma espécie de “vinho”, que pode
ser ingerido sem acompanhamentos ou com farinha de mandioca, tapioca, peixe e camarão.
Seu consumo é diário, e a venda do produto se dá por meio de pequenos estabelecimentos
comerciais conhecidos como “batedeiras de açaí” ou “amassadeiras de açaí”, que
proliferam em diversos bairros das duas cidades. As “amassadeiras” compram o fruto e
realizam o seu processamento, que é feito em uma máquina na qual são colocados
juntamente com água. A maior ou menor adição de água determina o tipo de açaí a ser
vendido: especial, grosso ou fino.

Muitas são as pessoas envolvidas nesta atividade. Primeiramente, porque são em


número considerável os pequenos estabelecimentos comerciais. Estima-se que os
municípios de Macapá e Santana possuam 1.800 pontos de processamento de açaí no
varejo, além de algumas redes de supermercados, que recentemente passaram a

4
comercializar o produto. Uma amassadeira é geralmente um empreendimento familiar de
micro-escala3 e administrada, em média, por duas pessoas, o que corresponde a algo em
torno de 3.600 pessoas ocupadas com o processamento do fruto e a sua venda no varejo.
Depois, ao se decompor o sistema produtivo, identifica-se uma quantidade expressiva, mas
ainda não estimada, de trabalhadores que transportam o produto, que são denominados
“transportadores” ou “atravessadores”. Além dos produtores, envolvendo neste grupo os
proprietários rurais, apanhadores e carregadores.

2.3 Possibilidades de utilização do produto e seus derivados

O açaizeiro e o açaí possuem variadas formas de utilização. Da polpa do fruto


fabrica-se, além do vinho, sorvetes, doces, geléias, licores, bombons, cosméticos, etc. Sua
utilização também se dá como corante, e na fabricação de velas. A palma serve como
telhado para habitações, os caroços são utilizados como adubo para plantas, energia para
fornos de panificadoras e olarias, confecção de bijuterias e outras variedades de artesanato.
Do caule se extrai um palmito de grande aceitação no mercado.

O avanço das pesquisas científicas com açaí revelou que o fruto é uma poderosa
bebida energética. Pesquisas demonstram que o açaí possui 30 vezes mais antocianina que a
uva, uma substância antioxidante que combate o envelhecimento. Estudos recentes
realizados pela faculdade de medicina da Universidade de São Paulo - USP em Ribeirão
Preto, em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA,
constataram que o açaí é um contraste natural para os exames de ressonância magnética de
abdome4. Existem mais possibilidades de utilização da palmeira e do seu fruto não
relacionadas aqui. Contudo, importa registrar que tais produtos permanecem objeto de
estudo nas universidades e centros de pesquisa.

2.4 Ampliação do mercado consumidor

No início da década passada, o consumo de açaí começou a se transformar em hábito


nas academias de ginástica das regiões sul e sudeste, isto em função de suas propriedades
energéticas. Neste contexto foi criada uma bebida, que é uma mistura de açaí com guaraná,
a qual muito contribuiu para a conquista de mercados extra-regionais. Os Estados do Rio de
Janeiro (década de 90) e São Paulo (a partir de 1997), foram os primeiros a introduzir este
hábito, seguidos por Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás,
Tocantins, Pernambuco e Ceará. Ao mesmo tempo em que o açaí foi ocupando espaço nos
mercados internacionais, principalmente nos Estados Unidos, Japão, Coréia do Sul,
Austrália e alguns países europeus. O Estado do Pará, que é o maior produtor nacional de
açaí, destina 10% de sua produção para o exterior e 70% para o mercado brasileiro. Nos
últimos anos foram instaladas empresas de processamento de polpa de açaí na região
amazônica, com destaque para o Pará, cujo objetivo é atender a demanda externa, em plena
fase de crescimento.

5
3 REFERÊNCIAS TEÓRICAS

A busca pela construção do desenvolvimento de uma dada sociedade é um ideal que


a humanidade persegue, principalmente a partir do deslanchar da Revolução Industrial, e de
forma mais evidente, após a Segunda Guerra Mundial, quando se registra uma ampliação
espacial das forças produtivas. Período em que parte da Europa e o Japão estavam sendo
reconstruídos com os recursos do Plano Marshall e que alguns países do Terceiro Mundo
experimentavam surtos de industrialização.

A expansão das empresas multinacionais, os avanços tecnológicos que ocorreram


em ritmo acelerado, as inúmeras descobertas científicas, a ampliação da aquisição e
consumo de bens duráveis, como eletrodomésticos e automóveis e a conquista espacial, são
exemplos que procuram ilustrar o momento singular por que passava o sistema produtor de
mercadorias. A idéia de que aquela etapa redundaria na consolidação de um estágio mais
positivo na trajetória das sociedades ocidentais, presidia não somente a agenda dos
governos dos Estados Nacionais, mas era um sentimento que se generalizava. As evidências
do progresso eram óbvias demais para serem negadas.

As utopias e promessas logo se revelariam distantes de serem concretizadas, e a


ordem global sofreu processos de ajustes, condicionados pela crise fiscal que abalou as
economias capitalistas, conduzindo a uma etapa marcada pelo questionamento dos
postulados keynesianos e re-emergência das idéias liberais.

Este período representa o início da redefinição de papéis dos atores sociais, o qual
passou a por em xeque a atuação do Estado. O advento do neoliberalismo e a intensificação
do processo de globalização produziram um outro contexto para sociedade industrial, o que,
contudo, não pode ser considerado como um processo de alteração profunda do modelo
vigente, e sim, uma fase de readequação deste. Tal noção é reforçada pelas idéias de
Jameson5 quando afirma que os anos 1960 trouxeram todos os tipos de mudanças da maior
relevância, e parece leviano, de certa forma, considerá-las uma nova modernidade
(2005:44).

Uma corrente de autores defende que o que ocorreu foi uma profunda mudança,
sobretudo, a partir das alterações verificadas no papel dos atores sociais, produzindo uma
ruptura importante com o modelo anterior. Para isso, valem-se da tese de que a redefinição
do papel Estado, a partir da redução de seus poderes e responsabilidades, é um símbolo
deste novo momento.

Entretanto, parece válido resgatar a afirmação de Oszlak6 quando expressa que em


um sentido primitivo, o papel do Estado não muda, porque se mudasse estaria negando a
sua essência. Ou seja, o Estado continua sendo o ente-guardião do processo de reprodução
do sistema produtor de mercadorias. Da mesma forma pode-se avaliar que, em relação ao
mercado, não se verificou alterações no modo de produção, o qual continua o mesmo, isto
é, o capitalismo também não mudou, sua lógica de acumulação permanece inalterada.

Da mesma forma pode-se avaliar que, em relação aos mecanismos de


funcionamento de mercado, não se verificou alterações no modo de produção, o qual

6
continua o mesmo, isto é, neste aspecto, o sistema também não mudou, sua lógica de
acumulação permanece inalterada. A globalização possibilitou o aperfeiçoamento da
produção, a partir das mudanças significativas ocorridas nas comunicações e nos
transportes, aliado ao processo de abertura comercial, conseqüência da desregulamentação
dos mercados.

Em relação à análise do contexto social, verifica-se uma ampliação profunda do


fosso existente entre pobres e ricos. A concentração excessiva de renda e o aumento da
pobreza têm representado boa parte dos problemas contemporâneos, conseqüência dos
avanços tecnológicos e do aumento exponencial da financeirização do capital.7

De acordo com Chesnais (2005), o capital portador de juros busca “fazer dinheiro”
sem sair da esfera financeira, sob a forma de juros de empréstimos, de dividendos e outros
pagamentos recebidos a título de posse de ações e, enfim, de lucros nascidos de
especulação bem-sucedida.8 A importância relativa da esfera produtiva agrava os problemas
sociais, em decorrência da redução drástica dos postos de trabalho ampliado por um
constante crescimento populacional.

Este são indícios de que o quadro atual não retrata mudanças no paradigma
dominante, ou um redirecionamento radical do percurso, ao contrário, o momento que a
sociedade contemporânea enfrenta é de aprofundamento e intensificação do modelo
instaurado desde a Revolução Industrial. A matriz que norteia o pensamento contemporâneo
é a mesma construída no Iluminismo, com as noções e os ideais da modernidade ainda
vigentes no pensamento contemporâneo, expressos pela racionalidade, reflexividade,
individualismo, industrialização e a busca pelo progresso.

As conseqüências sociais, econômicas e ambientais negativas produzidas na etapa


denominada como Era de Ouro ou os Anos Dourados do capitalismo acumularam
condições para o questionamento do modelo e formulação de proposições alternativas.

Mesmo na fase inicial dos Anos Dourados, surgiram teorias que buscavam refletir
sobre aquela etapa, primeiramente com o objetivo de tentar explicar as possibilidades de
disseminação do desenvolvimento experimentado por algumas nações, mas em seguida,
com a crise do keynesianismo, as teorias passaram a ter não apenas o intuito de explicar as
razões das falhas do modelo hegemônico, mas também de propor caminhos e estratégias
capazes de contornar a situação gerada pela excessiva concentração de renda e riqueza
acarretada pelo desenvolvimento capitalista. Este cenário de surgimento de teses
alternativas amplia-se mais ainda à medida que o processo de globalização se intensifica e
os problemas se agravam.

Uma pergunta passou a ocupar o pensamento dos cientistas sociais: Por que algumas
nações são tão ricas e outras não?

O desfiar desta questão deu fôlego, por exemplo, à conformação da Teoria da


Dependência, elaborada pelos teóricos da CEPAL9, promovendo um fértil debate acerca de
questões como desenvolvimento versus subdesenvolvimento, desenvolvimento versus
crescimento, centro versus periferia, ricos versus pobres.

7
No campo teórico a CEPAL inaugurou uma interpretação original das relações
entre os países capitalistas avançados e os da chamada periferia latino-americana.
No campo da política econômica e do planejamento inspirou a atuação de vários
governos periféricos, fornecendo, dessa maneira, os principais ingredientes da
ideologia desenvolvimentista dos anos 50. (MANTEGA, 1984)10

Outra proposição, de acordo com Evans11, registra-se em meados do século passado,


a qual significa a emergência de uma nova teoria do desenvolvimento que saiu do foco do
acúmulo de capital, em direção a um entendimento mais complexo das instituições que
tornam o desenvolvimento possível. A teoria do desenvolvimento começou a se desviar do
“fundamentalismo do capital” há quase 50 anos, primeiramente enfatizando a “tecnologia”
e, posteriormente, o papel de idéias que de forma mais geral e final enfocam as
“instituições” (2003).12 Evans propõe o que considera como uma teoria mais sofisticada de
desenvolvimento, que traz a noção de “desenvolvimento deliberativo”, enfatizando o papel
das instituições no processo.

Registra-se, também, o surgimento de outra teoria, cujo propósito era incorporar a


dimensão ambiental em uma perspectiva de desenvolvimento. Originalmente identificada
como “ecodesenvolvimento”, a qual mais a frente, assumiu a denominação de
“desenvolvimento sustentável”. Banerjee13 ressalta que o conceito de desenvolvimento
sustentável emergiu recentemente num esforço para abordar os problemas ambientais
causados pelo crescimento econômico (2003).

Em meados dos anos 1980, a questão da localização assumiu o interesse de alguns


estudiosos, principalmente pelas experiências exitosas verificadas nas regiões denominadas
Terceira Itália e o Vale do Silício nos EUA. Este pode ser considerado o ponto de partida
para um conjunto de propostas sobre o desenvolvimento local. Cassiolato e Lastres 14,
enfatizam que, no entanto, no final do século XIX, o economista inglês Alfred Marshall já
apontava como a concentração espacial de atividades produtivas não apenas era
responsável por alto grau de eficiência econômica, mas, até, caracterizava a própria
evolução da civilização humana (2002).

Com isso, ganham dimensão às idéias que evidenciam as vantagens da localização


no desenvolvimento em suas variadas modalidades, quais sejam: clusters, sistemas
produtivos, arranjos produtivos locais, dentre outros. Merece destaque as características
associadas à proposta de desenvolvimento local, principalmente as que buscam destacar as
vantagens relacionadas aos aspectos de cooperação e as redes de poder locais.

De acordo com Porter15, identificar um conjunto de empresas enquanto um


aglomerado acentua as oportunidades de coordenação e aprimoramento mútuos, em áreas
de interesse comum, sem ameaçar ou distorcer a competição, que representa uma estratégia
capaz de favorecer a definição e a execução de políticas públicas para um determinado
setor.

O Estado brasileiro, conforme já mencionado, tem se valido desta estratégia como


forma de redefinir suas políticas de desenvolvimento, “os aglomerados representam uma
maneira nova e complementar de dividir e entender a economia, de organizar o pensamento

8
e a prática sobre o desenvolvimento econômico”.16 Embora esta identificação não seja tão
simples assim, em função das peculiaridades correspondentes a cada sistema. Para Suzigan
et al17 “esses aglomerados podem ter variadas caracterizações conforme sua história,
evolução, organização industrial, formas de governança, logística, associativismo,
cooperação entre agentes, formas de aprendizado e grau de disseminação do conhecimento
especializado local”. O maior ou menor grau de desenvolvimento dos aglomerados
corresponde a uma determinada classificação conceitual.

Altemburg e Meier-Stamer18 elaboraram uma classificação em que consideram todas


as categorias de aglomerados enquanto modalidades de clusters, quais sejam, clusters de
subsistência de pequenas e médias empresas, clusters avançados e clusters de corporações
transnacionais. Segundo esses autores, na América Latina percebe-se a incidência maior de
clusters de subsistência, caracterizados pela produção de bens de consumo de baixa
qualidade, voltados para o mercado local.

Apesar de tais classificações serem objeto de alguma controvérsia teórica, entende-


se genericamente que os agrupamentos mais maduros, com maior nível de especialização,
conhecimento, aprendizado e cooperação sejam denominados de clusters. Outra
modalidade de aglomeração corresponde aos sistemas locais de produção, cujos agentes
econômicos, políticos e sociais, localizados em um mesmo território apresentam vínculos
consistentes de articulação, interação, cooperação e aprendizagem. Enquanto que os
arranjos produtivos locais -APLs são aglomerações produtivas cujas articulações entre os
agentes locais não é suficientemente desenvolvida para caracterizá-las como sistemas.19

O estudo de caso objeto da presente pesquisa parece ajustar-se de forma mais


adequada à categoria de análise denominada “arranjo produtivo local” ou o seu
correspondente segundo a classificação de Altemburg e Meier-Stamer “clusters de
subsistência”, em razão das dificuldades de articulação existente entre os agentes, do baixo
nível de coesão e aprendizado e de uma produção voltada essencialmente para o mercado
local.

4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

4.1 Contextualização dos municípios do APL

O estudo foi realizado nos municípios de Macapá e Santana, durante o período de


julho de 2005 a fevereiro de 2006.

9
Mapa 1 - Estado do Amapá

Fonte: Governo do Estado do Amapá

Macapá, com uma área de 6.407 km2, é a capital do Estado do Amapá, situa-se na
foz do rio Amazonas. A data de sua fundação é 04 de fevereiro de 1758. O município faz
limites com Ferreira Gomes, Amapá, Cutias, Itaubal, Santana, Porto Grande. É a única
capital brasileira cortada pela linha do Equador. Na década passada, a cidade experimentou
um considerável fluxo de migrantes, em virtude da recente criação do Estado do Amapá 20 e
também em função da criação da Área de Livre Comércio de Macapá e Santana.21 Possui
uma população estimada em 355.408 habitantes.22

A análise da composição do PIB23 revela que a economia do município está


basicamente assentada no setor terciário, com destaque para as contas “Administração
Pública” que contribui com 35,35% e “Comércio” que corresponde a 31,47%. Somente
essas duas contas foram responsáveis por 66,82% do total das riquezas geradas no
município no decorrer de 2003.

A participação do setor agropecuário na composição do PIB totalizou 1,11%


enquanto que “Indústria Extrativa Mineral”, “Indústria de Transformação” e “Construção”
contribuíram com 1,67%, 0,67% e 2,72%, respectivamente.

Santana possui uma área de 1.578 km2, é o 2º maior município do Estado em


número de habitantes, com 98.600 habitantes.24 Faz limites com Macapá, Porto Grande e
Mazagão. Sua elevação à categoria de município ocorreu em 17 de dezembro de 1987.
Santana também experimentou um fenômeno de expansão populacional, pelas mesmas
razões que Macapá, e ainda, pelo fato de ser uma área portuária, a qual possui o maior
trânsito fluvial da região.

10
Com relação aos aspectos econômicos, o município de Santana, pelo fato de conter
o distrito industrial, apresenta uma participação do setor produtivo relativamente mais
expressiva que Macapá. Os dados de 2003 revelam que a “Indústria Extrativa Mineral”
correspondeu a 11,56% das riquezas produzidas, e a “Indústria de Transformação” com
4,65%. “Construção” e “Agropecuária” contribuíram com 1,54% e 1,52% respectivamente,
ou seja, da mesma forma que o município de Macapá, estas participações foram residuais.
Uma característica semelhante à economia do município de Macapá pode ser encontrada na
participação da “Administração Pública” que corresponde a 37,44% do PIB. Por outro lado,
a contribuição da conta “Comércio” em Santana, não chegou a ser tão expressiva quanto a
de Macapá. Os dados do PIB 2003 apresentam uma participação de 13,20% na composição
total. O gráfico a seguir demonstra, de forma comparativa, o desempenho das principais
contas municipais, em Macapá e em Santana.

Gráfico 3 - Participações Percentuais de Setores Econômicos nos PIBs


Municipais de Macapá e Santana - 2003

37,44%
35,35%
31,47%

13,20%
11,56%

4,65%
1,67% 2,72%
1,11% 1,52% 0,67% 1,54%

Adm. Pública C omé rcio Agrope c. Ind. Extrat. Min. Ind. Transf. C onst. C ivil

Macapá Santana

Fonte: IBGE.

4.2 Os critérios da pesquisa

A pesquisa foi realizada em duas etapas. A primeira etapa correspondeu ao


delineamento institucional do arranjo, onde se procurou entrevistar os agentes das
instituições públicas e privadas que mantinham, de alguma forma, vínculos com as
atividades da principal cadeia produtiva do arranjo. Os órgãos e entidades públicos,
privados ou de economia mista, sejam federais, estaduais ou municipais, responsáveis pela
vigilância sanitária, pesquisa, promoção, financiamento, consumo, governança,

11
sistematização de informações e dados estatísticos, dentre outras funções, conforme a
seguir:

 Universidade Federal do Amapá


 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
 Banco do Brasil S.A.
 Banco da Amazônia S.A.
 Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
 Delegacia Federal de Agricultura
 Secretaria Especial de Desenvolvimento
 Agência de Fomento do Amapá
 Secretaria de Estado da Agricultura, Pesca, Floresta e Abastecimento
 Secretaria de Estado da Indústria, Comércio e Mineração
 Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia
 Secretaria de Estado da Educação
 Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá
 Instituto de Desenvolvimento Rural do Amapá
 Laboratório Central do Estado
 Prefeitura Municipal de Macapá
 Prefeitura Municipal de Santana
 Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
 Serviço Brasileiro de Apoio às Pequenas e Micro Empresas
 Farmácias de manipulação
 Lojas que comercializam equipamentos e apetrechos para a produção
 Sorveterias e supermercados.

A segunda etapa consistiu na aplicação do questionário padrão da REDESIST25 nas


empresas – batedeiras de açaí – cujo enquadramento na CNAE26 com cinco dígitos,
(desprezando-se, assim, dois dígitos) corresponde a 15210 – Processamento, preservação e
produção de conservas de frutas. É importante ressaltar que a grande maioria dessas
empresas é informal, portanto, não se pode precisar o universo. Também não foi possível a
utilização dos dados da RAIS.27 Conforme já mencionado, estima-se este número em 1.800
batedeiras, nos dois municípios.

Optou-se, por fazer a pesquisa amostral, com 112 microempreendimentos. Neste


contexto, foram realizadas 85 entrevistas em Macapá (o que representa 76% do universo da
pesquisa) e 27 em Santana (o que representa 24% do universo da pesquisa). Tal divisão
corresponde aproximadamente ao percentual de contribuição em número de habitantes de
cada município no arranjo, isto é, Macapá com 355.408 habitantes possui 78% do total do
arranjo e Santana com 98.600, que representa 22% dos habitantes do arranjo.

Em Macapá as entrevistas ocorreram em 24 bairros, a saber: Brasil Novo, Boné


Azul, Infraero I, Infraero II, São Lázaro, Pantanal, Pacoval, Perpétuo Socorro, Cidade
Nova, Laguinho, Jesus de Nazaré, Santa Rita, Central, Trem, Santa Inês, Beirol, Buritizal,
Muca, Congós, Pedrinhas, Jardim Marco Zero, Universidade, Nova Esperança e Alvorada.

12
Em Santana as entrevistas foram realizadas em sete bairros, conforme a seguir:
Igarapé da Fortaleza, Provedor, Elesbão, Nova Brasília, Paraíso, Fonte Nova e Área
Portuária. Em ambos os municípios, os questionários foram respondidos, na grande maioria
dos casos, pelos proprietários dos estabelecimentos.

Em função da característica das batedeiras de açaí, isto é, estágio incipiente e


precário de sua constituição enquanto uma empresa, alguns etapas do questionário
mostravam-se incompatíveis com a realidade, sobretudo as questões referentes ao grupo
“inovação, cooperação e aprendizado”. Desta forma, houve grande dificuldade para
obtenção de respostas nesses itens.

Foram realizadas entrevistas com três transportadores, onde não se utilizou o


questionário padrão da REDESIST, em função de não ser uma atividade organizada com
características de instituição empresarial minimamente consolidada, e sim, mais uma
prestação eventual de serviço.

Com referência às indústrias de processamento de polpa, torna-se importante


ressaltar que durante o período de realização da pesquisa, elas se encontravam paralisadas,
uma vez que a safra de frutos neste período estava ocorrendo no Estado do Pará. Entretanto,
foi possível entrevistar duas empresas e colher dados importantes junto à Delegacia Federal
de Agricultura – DFA no Amapá.

Informações extraídas da pesquisa de campo dão conta que são 11 o número de


empresas processadoras de polpa de açaí em funcionamento, ou cuja previsão para entrada
em funcionamento é o ano de 2006.28 Muito embora só tenha sido possível obter
informações sobre 08 empresas, conforme quadro a seguir:

13
Tabela 1 - Indústrias de processamento de polpa de açaí
RAZÃO SOCIAL ANO DE PRODUTO MUNICÍPIO VOLUME DE PRODUÇÃO
REGISTRO GERADO - 2005
TROPNAT – P.M. da 15/05/2000 POLPA DE SANTANA 244,02T
PÁSCOA FRUTA (EM
GERAL)
FRUT AMAZON LTDA - ME 29/03/2001 POLPA DE SANTANA NÃO INFORMOU
FRUTA (AÇAÍ)
M.S. MIRANDA DOS 26/04/2002 POLPA DE SANTANA 59,20T
SANTOS FRUTA (AÇAÍ)
D.V. GONÇALVES - ME 24/02/2003 POLPA DE MACAPÁ NÃO INFORMOU
FRUTAS EM
GERAL
F.NEVES MONTEIRO - ME 08/04/2005 POLPA DE SANTANA 15,352T
FRUTA (AÇAÍ)
J.M.C. IND COMÉRCIO E 27/04/2005 POLPA DE SANTANA NÃO INFORMOU
EXPORTAÇÃO DE AÇAÍ FRUTA (AÇAÍ)
LTDA BEBIDA
MISTA DE
AÇAÍ E
GUARANÁ
AMAPÁ FRUTAS – POLPA 17/05/2004 POLPA DE SANTANA NÃO INFORMOU
DE FRUTAS DA AMAZÔNIA FRUTA (AÇAÍ)

AÇAÍ DO AMAPÁ AGRO- 2005 POLPA DE SANTANA NÃO INICIOU A


INDUSTRIAL LTDA FRUTA (AÇAÍ) PRODUÇÃO
BEBIDA
MISTA DE
AÇAÍ E
GUARANÁ
Fonte: Delegacia Federal de Agricultura e Pesquisa de Campo.

Conforme se pode observar, a maioria das empresas encontra-se localizada no


município de Santana. A singularidade da situação está no fato de que grande parte dessas
empresas é filial de empresas paraenses, que transferem alguns funcionários para Santana,
durante a entressafra no Pará.

Torna-se importante esclarecer que a safra de açaí do Amapá acontece em período


diferente da safra paraense. Queiroz explica que referente:

“A safra de frutos de açaí na região do delta amazônico, observa-se que para o lado
amapaense o período de safra ocorre durante os meses de dezembro/janeiro a
junho/julho. No lado paraense o período de safra ocorre durante o período de
julho/agosto a novembro/dezembro. A divisão ocorre numa faixa imaginária que se
estende no delta amazônico passando pelas cidades de Chaves e Gurupá (Estado do
Pará). A safra de frutos de açaí no lado amapaense ocorre no período chuvoso, por isso
chamada safra de inverno. No Pará a safra ocorre no período menos chuvoso, por isso
chamada de safra de verão”. (QUEIROZ,2004)29

As pesquisas ainda não revelaram a causa desta alternância, mas poderá estar
associada a fatores genéticos ou a fatores ambientais. Esta situação motivou as indústrias
processadoras da polpa do açaí, sediadas no Estado do Pará a estabelecerem filiais no
município de Santana.

14
A pesquisa não alcançou os extrativistas, em razão de que, desde a sua concepção,
não estava previsto pesquisar este segmento da cadeia produtiva, por causa das limitações
financeiras do projeto.

5 CARACTERIZAÇÃO DO ARRANJO

5.1 Cadeia Produtiva

A principal cadeia produtiva do arranjo é composta por:

 Produtores: que são em sua maioria extrativistas, os quais residem em propriedades


rurais, localizadas principalmente na região das ilhas do Estado do Pará,
circunvizinhas à Macapá e Santana;

 Transportadores: também denominados popularmente de “atravessadores”. No


arranjo registra-se a existência de duas modalidades de transportadores: o primeiro
transportador é aquele que compra o fruto nas propriedades rurais, transporta-o por
via fluvial e vende-o nos portos destinados para esta finalidade; o segundo
transportador: é o que compra o fruto do primeiro transportador, ou seja, no porto e
revende-o para as batedeiras de açaí. Os locais de ingresso dos frutos são: o Porto de
Santana, situado no município de Santana, a Orla do Santa Inês e a Orla do Perpétuo
Socorro, ambas localizadas em Macapá;

 Batedores: os quais transformam o fruto em vinho e realizam a venda no varejo,


representando o maior número de unidades produtivas do arranjo, assim como
também o maior contingente de pessoas ocupadas, conforme mencionado
anteriormente.

Além disso, conforme já visto, há também, as indústrias de processamento de polpa,


que surgiram recentemente no mercado, a partir da expansão do consumo da polpa do fruto
em nível nacional e internacional.

5.2 Ambiente Institucional

Uma análise da atuação dos agentes institucionais – principalmente do setor público


- que desenvolvem alguma atividade vinculada direta ou indiretamente ao APL do açaí nos
municípios de Macapá e Santana, revela, de forma recorrente e característica, a existência
de desarticulação entre eles. Não se verifica o estabelecimento de ações coordenadas na
atuação desses entes em suas diversas esferas, assim como também de entes públicos
integrantes da mesma esfera de governo, em relação aos segmentos da principal cadeia
produtiva. A ações ocorrem quase sempre de forma isolada.

Em 2005, o Governo do Estado do Amapá, elaborou um documento que se constitui


em seu Plano de Desenvolvimento Integrado, denominado “Amapá Produtivo”, cujo
objetivo é “selecionar as atividades produtivas que são capazes de induzir a constituição de

15
Pólos de Desenvolvimento, os quais deverão receber estímulos e apoios focados visando
alavancar a economia do Estado”.30
Os APLs prioritários estão expressos no documento, conforme tabela a seguir:

Tabela 2 - Arranjos Produtivos Locais selecionados pelo Governo do Estado do


Amapá
1- Produtos Derivados do Açaí 7- Hortigranjeiros
2- Madeira e Móveis 8- Pecuária de corte
3- Turismo 9- Pesca artesanal
4- Grãos 10-Apicultura
5- Mandiocultura 11-Produtos florestais não-madeireiros
6- Fruticultura (cupuaçu, abacaxi, banana 12- Complexo oleiro-cerâmico
e maracujá)
Fonte: AMAPÁ, Plano. 2005.

Consoante ao “Amapá Produtivo”, o SEBRAE-AP, iniciou um projeto para


promoção e desenvolvimento do APL do açaí, por meio de ações a serem implementadas a
partir de 2006, em parceria com as seguintes instituições: o Serviço Nacional de
Aprendizagem Industrial - SENAI, o Banco do Brasil – BB, o Banco da Amazônia e o
Governo do Estado do Amapá –GEA, que estão formatando ações, com vistas a auxiliar o
desenvolvimento deste APL. Esta é uma possibilidade concreta de que as ações
institucionais passem a ser executadas de forma integrada.

Para o APL do açaí o objetivo geral, ainda em fase de elaboração, é ampliar a


capacidade cooperativa e competitiva dos integrantes da cadeia produtiva nos municípios
de Macapá e Santana. O foco na cadeia produtiva deve-se ao fato de ser ela a “base inicial
para se organizar o processo de melhorias de competitividade em um APL”. 31 O projeto
será desenvolvido durante três anos e, inicialmente, o público-alvo serão os batedores de
açaí, em uma experiência-piloto com aproximadamente 50 microempresários. Há, contudo,
a expectativa de incorporação dos transportadores, empresários das agroindústrias, assim
como também de produtores.

Para possibilitar o desenvolvimento do projeto, que pressupõe o estabelecimento de


metas a serem pactuadas pelos membros envolvidos, o SEBRAE tem procurado estimular
decisivamente o fortalecimento da entidade sindical, inclusive promovendo reuniões com o
sindicato e os batedores de açaí , cujo objetivo pontual é estruturar a formação de uma
delegacia do sindicato no município de Macapá.

6 AVALIAÇÕES

Os dados obtidos após a aplicação do questionário padrão da REDESIST, referem-


se a cinco pontos específicos, a saber: 1) identificação da empresa; 2) produção, mercado e
emprego; 3) inovação, cooperação e aprendizado; 4) estrutura, governança e vantagens
associadas ao ambiente local; e 5) políticas públicas e financiamento.

16
Referente à identificação das empresas, destaca-se o fato de que todas as 112
empresas pesquisadas são micro-empreendimentos, sendo que a grande maioria não
formalmente constituída. O ingresso nesta atividade geralmente significa uma alternativa de
subsistência para famílias oriundas do interior, principalmente agricultores e garimpeiros
que migraram para a cidade, ou ainda, a tentativa de conquista do próprio negócio para
trabalhadores do setor terciário residentes nas cidades, especialmente pedreiros,
carpinteiros, motoristas, empregados de outras batedeiras, etc. O fato de a pesquisa ter sido
efetuada em dois municípios permitiu uma análise comparativa das duas realidades. Os
dados expõem a grande semelhança entre as situações vivenciadas pelos proprietários das
batedeiras de açaí em ambos os municípios.

Aspectos importantes relacionados ao perfil dos proprietários são: a faixa etária


predominante na etapa de constituição da empresa revela ser a mesma, ou seja, entre 21 e
30 anos, 37,6% em Macapá e 40,7% em Santana. Em ambos os municípios, mais de 70%
dos proprietários são do sexo masculino. Também de forma majoritária não há histórico de
pais empresários, nos dois casos, 92,9% em Macapá e 100% em Santana.

Gráfico 4 - Perfil do sócio-proprietário (por sexo)


Macapá
120,0%
100,0%
100,0%
74,1%
80,0%

60,0%

40,0% 25,9%
20,0%

0,0%
Masculino Feminino Total

Fonte: Pesquisa de campo

Gráfico 5 - Perfil do sócio-proprietário (por sexo)


Santana
120,0%
100,0%
100,0%

80,0% 70,4%

60,0%

40,0% 29,6%

20,0%

0,0%
Masculino Feminino Total

Fonte: Pesquisa de campo

17
Em relação ao nível de escolaridade do sócio-proprietário, a situação é a seguinte:
em Macapá: 22,4% são analfabetos, 52,9% possuem o ensino fundamental incompleto, em
Santana: 51,9% são analfabetos e 44,4% possuem o ensino fundamental incompleto. As
demais faixas de escolaridade possuem percentuais pouco significativos. O expressivo
número de proprietários analfabetos ou com um nível de escolaridade mínimo reflete
algumas dificuldades para o gerenciamento dos negócios, inclusive dificuldades para
responder o questionário, não somente por razões de incompreensão, ou de inadequação da
pergunta à sua realidade, mas simplesmente pela inexistência de dados organizados sobre a
vida de seu empreendimento.

A respeito das atividades exercidas antes da criação do empreendimento, a grande


maioria também se encaixou no item n. º 5.8 – “Outra”, do questionário da REDESIST,
conforme se pode observar na tabela abaixo. Isto porque são geralmente ex-agricultores,
garimpeiros, motoristas, pedreiros, carpinteiros, dentre outros, que por razões já
mencionadas, migraram para esta atividade.

Tabela 3 - Atividade exercida antes de criar a empresa

5. Atividade antes de criar a empresa (%) Macapá Santana


5.1. Estudante Universitário 0,0% 0,0%
5.2. Estudante de Escola Técnica 2,4% 0,0%
5.3. Empregado de micro ou pequena empresa local 11,8% 8,0%
5.4. Empregado de média ou grande empresa local 3,5% 0,0%
5.5. Empregado de empresa de fora do arranjo 5,9% 7,1%
5.6. Funcionário de instituição pública 2,4% 0,0%
5.7. Empresário 2,4% 0,0%
5.8. Outra 71,8% 84,9%
Total 100,0% 100%
Fonte: Pesquisa de Campo

As 27 batedeiras de Santana geram 48 ocupações, além das ocupações dos próprios


donos, o que significa uma média de 1,77 ocupações geradas por unidade produtiva. As 85
batedeiras de Macapá geram 131 ocupações, além das ocupações dos próprios donos, o que
corresponde a uma média de 1,54 ocupações geradas por unidade produtiva. Com
referência às relações de trabalho, a predominância é a manutenção de familiares sem
contrato formal. Esta situação representa a quase totalidade dos casos pesquisados, nos dois
municípios, conforme gráficos a seguir:

18
Gráfico 6 - Ocupações Geradas - Macapá

250
216
200

150 125

100 85

50
6 0 0 0
0

Fonte: Pesquisa de campo

Gráfico 7 - Ocupações Geradas - Santana

80 75
70
60
48
50
40
27
30
20
10 0 0 0 0
0
Co Te Fa To
n tr r ce mi ta l
a to ir iz lia r
sf ad es
or m os s/
ais co
n tr
a to
fo r
ma
l

Fonte: Pesquisa de campo

A escolaridade do pessoal ocupado nas batedeiras de açaí é semelhante ao dos


proprietários, sendo que, verifica-se grande concentração de trabalhadores que possuem o
ensino fundamental incompleto: 48,1% em Macapá e 54,2% em Santana. De uma forma
geral, o nível de escolaridade, neste segmento da cadeia produtiva, é baixo, mesmo porque
as tarefas desenvolvidas não requisitam um nível de conhecimento mais elevado.

19
A abertura de uma batedeira de açaí não requer a mobilização de grandes
quantidades de recursos financeiros, assim, a pesquisa revela que em ambos os municípios,
a fonte de recursos utilizada para tal finalidade foi o capital do próprio sócio-proprietário:
97,6% em Macapá e 100% em Santana.

Com referência às dificuldades enfrentadas pelos empresários, a pesquisa


identificou que há uma tendência de manutenção ao longo do período das mesmas
dificuldades listadas tanto no período de constituição da empresa, quanto em 2004, em
Macapá e em Santana. Para os entrevistados em Macapá, 73% indicam enquanto grande
dificuldade o item referente a capital para giro, outros 58% identificam a dificuldade em
adquirir recursos para aquisição de máquinas e equipamentos. Em Santana, 37% dos
entrevistados informaram representar dificuldade o “custo ou falta de capital de giro” e para
33% o “custo ou falta de capital para aquisição de máquinas e equipamentos”. Esta situação
pode ser entendida a partir da análise da realidade desses empreendimentos, ou seja, a
grande maioria das empresas é informal, não possuindo qualquer registro que lhes dê um
caráter legal. Além de ser uma atividade essencialmente desempenhada por familiares,
geralmente pai e filho, ou marido e mulher, inexistindo a figura de um segundo sócio, que
poderia vir a significar a possibilidade de ingresso de capital.

As informações coletadas sobre produção e vendas revelam que naquilo que diz
respeito ao destino das vendas, tanto em Macapá, quanto em Santana, 100% das empresas
vendem para o mercado local. Mais precisamente, o mercado consumidor de uma batedeira
de açaí é sua vizinhança.

Houve dificuldade em identificar fatores que os tornam competitivos. Isto porque a


empresa não existe enquanto um ente, que foi constituído de forma planejada, para ocupar
determinado nicho do mercado. De um modo geral, não há uma gestão empresarial capaz
de destacar tais aspectos. As respostas mais recorrentes estão associadas à qualidade do
produto: 98,8% em Macapá e 77,8% em Santana.

Referente ao item inovação, e de acordo com algumas observações já evidenciadas


neste relatório, torna-se importante identificar que as perguntas existentes no questionário
são incompatíveis com a realidade desta atividade econômica, no atual estágio de seu
desenvolvimento. De forma residual houve registro, apenas em Macapá, relativo a
“aquisição de produto novo para empresa, mas já existente no mercado”: 2,4% e para
“processos tecnológicos novos para sua empresa, mas já existente no mercado”. No que diz
respeito a constância de atividade inovativa, as informações de Macapá e Santana são
coincidentes: 100% dos entrevistados não desenvolveram pesquisa e desenvolvimento em
sua empresa, de igual forma também não realizaram gastos.

O sub-item “treinamento e capacitação de recursos humanos” indica a pouca


importância para esta ação em ambos os municípios. No que diz respeito ao
desenvolvimento de atividades cooperativas, percebe-se que a participação dos
empreendedores é pequena: 17,6% em Macapá e 22,7% em Santana. A discreta situação
“mais positiva” do município de Santana está relacionada ao fato de que no município está
localizada a sede do SINDAÇAÍ..32 Esta entidade possuía até o mês de fevereiro de 2006,

20
apenas 109 filiados. Embora exista um recente movimento, estimulado pelo SEBRAE-AP,
para se estruturar uma delegacia do sindicato em Macapá. A desarticulação e o baixo nível
de cooperação entre os batedores de açaí estão relacionados, em grande medida, ao
desconhecimento e postura isolacionista, seguidos de desconfiança e descrédito na ação
dessas instituições. Isto em função de experiências anteriores que não prosperaram,
especialmente porque, neste segmento, a criação dessas entidades estiveram e ainda estão
condicionadas ao apoio de instituições estatais, ou mesmo vinculadas a projetos políticos de
governo.

As vantagens associadas ao ambiente local estão destacadamente relacionadas à


proximidade com fornecedores de insumos e matéria-prima, fato que confirma observações
anteriores de ser esta atividade uma vocação regional, fortemente arraigada aos costumes e
hábitos alimentares dos habitantes desta parcela da Amazônia.

O grupo de perguntas relativo às políticas públicas e financiamento revelou as


seguintes informações: ações ou programa de ações voltadas para micro e pequenas
empresas: o SEBRAE é a instituição que mais os empreendedores conhecem em Macapá,
com 32,9% das respostas. Da mesma forma acontece em Santana onde o SEBRAE obteve
11,1%. As respostas referentes a avaliação dos programas ou ações específicas para o
segmento em que atua as MPEs33, revelou também que a instituição que possui avaliação de
desempenho mais positiva também é o SEBRAE, 34,1% em Macapá e 11,1% em Santana.

As políticas públicas identificadas pelos batedores de açaí como capazes de


aumentar a eficiência competitiva de suas microempresas referem-se majoritariamente a
existência de linhas de crédito e outras formas de financiamento, cujos percentuais de
respostas correspondem a 84,7% em Macapá e 88,9% em Santana.

Em Macapá, as dificuldades relacionadas à obtenção de financiamento, segundo os


proprietários, devem-se aos entraves burocráticos (83,5%), exigência de avais e garantias
por parte da instituição de financiamento (74,1%). A realidade de Santana indica que para
55,6% a principal dificuldade refere-se aos entraves burocráticos (55,6%), seguido de
entraves fiscais que correspondem a 44,4% das respostas.

Além dos dados consolidados, obtidos a partir da aplicação do questionário padrão


da REDESIST nos 112 microempreendimentos, cabe ressaltar alguns aspectos importantes
relativos à dinâmica do APL, como é o caso da recente instalação de empresas
processadoras de frutos.

Das empresas que se encontram em atividade, a data de registro da mais antiga é o


ano 2000, de acordo com os dados da Delegacia Federal de Agricultura no Amapá. A
maioria emprega em média nove pessoas, sendo que é importante destacar que quase a
totalidade da mão-de-obra utilizada vem do Estado do Pará, os contratos de trabalho
estabelecidos em Santana são basicamente referentes a serviços gerais.

Existe uma variação muito grande com relação ao volume de produção, que vai de
15 a 245 toneladas/ano.34 Destaque para a empresa Açaí do Amapá Agro-Industrial LTDA –
Sambazon, que está construindo um fábrica em Santana com capacidade para processar 25

21
toneladas de polpa por dia, a partir de março de 2006. Esta empresa já se encontra em
atividade no Estado do Pará e decidiu mudar-se para o Amapá por duas razões: maior oferta
de frutos e menor concorrência com outras indústrias. O ingresso da Sambazon no mercado
é um fato que pode vir a causar desajustes no abastecimento de frutos dentro do APL.

A política da empresa referente à consolidação de um pool de fornecedores tem se


traduzido na tentativa de estabelecer contratos de exclusividade com os produtores rurais
em toda a região circunvizinha cuja distância de Santana não ultrapasse 10 horas de
transporte fluvial.

A partir da entrada em funcionamento da Sambazon, será possível uma avaliação


mais aproximada referente ao comportamento da oferta de frutos para os batedores de açaí.
Existe, ainda, a expectativa de entrada no APL de mais três grandes empresas processadoras
de polpa de açaí. Entretanto, tal situação não se encontra claramente delineada neste
momento.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

De uma forma geral, percebe-se que o Arranjo Produtivo Local do açaí nos
municípios de Macapá e Santana consolida uma série de problemas e dificuldades
historicamente vivenciados na Amazônia, os quais, muitas vezes, significam entraves às
políticas de promoção e desenvolvimento da região.

Sabe-se do estágio incipiente de desenvolvimento das forças produtivas locais


aliado a um reduzido estoque de capital social. Não fossem tais variáveis suficientemente
complicadoras, ainda tem-se a questão de ser a Amazônia alvo permanente de pressões
internacionais, as quais representam os mais variados e, às vezes, contraditórios interesses.
Seja pela conservação de seus ecossistemas, seja pela exploração indiscriminada dos seus
estoques de recursos naturais.

A perspectiva de desenvolvimento do APL do açaí nos municípios de Macapá e


Santana reivindica ações institucionais mais significativas, pelas razões já identificadas
neste trabalho, e sobretudo porque quando se analisa a ampliação do consumo de açaí, em
nível nacional e internacional e se vislumbra possibilidades de problemas no abastecimento
local do produto, percebe-se que, ao contrário das outras matérias-primas exploradas por
vezes até à exaustão, como foi o manganês no Amapá, em particular e, muitos outros casos
na Amazônia – borracha, minérios, madeira, etc. - tem-se que a questão do açaí possui uma
característica peculiar, pois se trata de um produto que é a base da alimentação da
população local.

Não é possível afirmar que a proposta mais razoável para este APL seja estimular o
seu desenvolvimento com vistas a ampliação de capacidade competitiva em uma escala
capaz de atender aos mercados externos, via fortalecimento dos grandes empreendimentos,
uma vez que as conseqüências podem representar a aniquilação de uma atividade que, em
que pese, um característico estado de precarização, possui um significado sócio-econômico
fundamental para os habitantes locais.

22
Também não se trata de favorecer formas rudimentares de produção em um contexto
capitalista, cuja principal estratégia para se manter no mercado é buscar tornar-se
competitivo, implicando na necessidade de realização de investimentos em capital
constante – máquinas, equipamentos, tecnologia – em patamares sempre crescentes.

Assim, percebe-se um cenário complexo, o qual possui grandes potenciais, assim


como também, problemas estruturais importantes. O encaminhamento de ações visando a
promoção e o desenvolvimento do Arranjo Produtivo Local do açaí nos municípios de
Macapá e Santana, deve sobretudo, não perder a perspectiva da necessidade de construção
social de políticas públicas na região. Ou seja, as ações que ensejarem desenvolver o APL,
terão mais perspectivas de êxito, se levarem em consideração a necessidade de
envolvimento e participação dos atores locais.

REFERÊNCIAS

23
1
BEZERRA, Valéria Saldanha. O açaí como alimento e sua importância socioeconômica no
Amapá. Macapá: Embrapa Amapá, 2001.
2
BRASIL. Estoques naturais de açaí (Euterpe oleracea Mart.) no Estado do Amapá. Macapá:
UNIFAP, 2004
3
COSTA, F.A; ANDRADE, W.D.C; SILVA, F.C.F. O processamento de frutas no nordeste paraense
e região metropolitana de Belém : Um arranjo produtivo emergente. Belém, 2004 . Disponível em
www.i.e.ufrj.br/redesist
4
SOARES, Benigna; PINTO, Andréia. Açaí a marca registrada do Pará. Revista Ver-o-Pará. V. 13, n.
29 , mar/abr 2005. p. 10-19.
5
JAMESON, Fredric. As quatro máximas da modernidade. In: JAMESON, Fredric. Modernidade
singular: ensaios sobre a ontologia do presente. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005. p. 25-113.
6
OSZLAK, Oscar. Estado e Sociedade – Novas Regras do Jogo? In: FELICISSIMO, José Roberto et al
(Coord). Sociedade e Estado: superando Fronteiras. São Paulo: Edições Fundap, 1998. p. 47-109.
7
CHENAIS, François. (Org.). A finança mundializada.: raízes sociais e políticas, configuração e
conseqüências. São Paulo: Boitempo, 2005.
8
Idem. p.35.
9
CEPAL . Comissão Econômica para América Latina
10
MANTEGA, Guido. A Economia Política Brasileira. Petrópolis: Vozes, 1984.
11
EVANS, Peter. Além da “Monocultura Institucional”: instituições, capacidades e o desenvolvimento
deliberativo. In: UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Sociologias. Porto
Alegre, V. 5,n. 9, 2003. p. 20-62.
12
Idem.
13
BANERJEE, Subhabrata. Quem sustenta o desenvolvimento de que? O desenvolvimento sustentável
e a reinvenção da natureza. In. FERNANDES, M. e GUERRA,. (Orgs.) Contra-discurso do
desenvolvimento sustentável. Belém: UNAMAZ, 2003. p. 75-130.
14
CASSIOLATO, José Eduardo; LASTRES, Helena Maria Martins. O enfoque em sistemas
produtivos e inovações locais. [S.L.] ,2002. p. 61-76
15
Embora o trabalho de Porter não tenha focalizado os micro e pequenos empreendimentos, algumas de
suas contribuições teóricas são relevantes na conformação de um entendimento mais aprofundado sobre
arranjos produtivos locais.
16
PORTER, M.E. Competição. Rio de Janeiro: Campus, 1999, p. 256.
17
SUZIGAN, Wilson et al. Sistemas Locais de Produção: mapeamento, tipologia e sugestões de
políticas.(Trabalho apresentado no XXXI Encontro Nacional de Economia – Porto Seguro, BA, 9 a 12
de dezembro de 2003, p. 2.).
18
IGLIORI, Danilo Camargo. Economia dos clusters industriais e desenvolvimento. São Paulo: Iglu:
FAPESP, 2001.
19
LASTRES, Helena; CASSIOLATO, José. Glossário de Arranjos e Sistemas Produtivos e
Inovativos Locais . 2005. Disponível em www.ie.ufrj.br/redesist .
20
O Estado do Amapá foi criado em 05.10.1988, com a promulgação da Constituição Federal.
21
Alguns Regimes Aduaneiros Especiais - RAE foram criados na Amazônia no início da década
passada, durante o governo do presidente Fernando Collor de Mello, consoante à política de abertura da
economia brasileira. Somente naquele período foram criadas as seguintes Áreas de Livre Comércio na
Amazônia: a Lei n.º 7.965, de 22 de dezembro de 1989, criou a ALC de Tabatinga (AM); a Lei n.º
8.212, de 19 de julho de 1991, criou a ALC de Guajará-Mirim (RO); a Lei n.º 8.387, de 30 de
dezembro de 1991, criou a ALC de Macapá e Santana; e a Lei n.º 8.857, de 8 de março de 1994, criou a
AL de Brasiléia, Cruzeiro do Sul e Epitaciolândia (AC).
22
Dados estimados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE em 01.07.2005.
23
Dados do PIB de 2003.
24
Dados estimados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE em 01.07.2005.
25
Rede de Pesquisa em Sistemas Produtivos e Inovativos Locais.
26
Classificação Nacional das Atividades Econômicas.
27
Relação Anual de Informações Sociais.
28
Dados da Delegacia Federal de Agricultura – DFA, no Amapá.

QUEIROZ, José Antonio Leite de. Fitossociologia e Distribuição Diamétrica em Floresta de


29

Várzea do Estuário do Rio Amazonas no Estado do Amapá. Dissertação de Mestrado. Centro de


Ciências Florestais e da Madeira – UFPR, 2004
30
AMAPÁ. Governo do Estado.Plano de Desenvolvimento Integrado Amapá Produtivo, Macapá
,2005.
31
HADDAD, Paulo R. Cultura Local e Associativismo. Seminário do BNDES sobre Arranjos
Produtivos Locais. Belo Horizonte: BNDES, 2004.
32
SINDAÇAÍ .Sindicato do extrativista vegetal artesanal, do beneficiador artesanal dos produtos da
floresta e dos trabalhadores das empresas e cooperativas de extração e beneficiamento de produtos da
floresta do estado do Amapá.
33
Micro e pequenas empresas.
34
Dados de 2005.