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ARRANJO PRODUTO LOCAL DE CULTURA E ENTRETENIMENTO

NA REGIÁO METROPOLITANA DE BELÉM

Marcelo Diniz

1. INTRODUÇÃO E ASPECTOS METODOLÓGICOS GERAIS

1.1 Introdução

Cultura é antes de tudo qualquer manifestação de adaptação dos grupos humanos as


condições interpostas ao seu desenvolvimento, sejam elas restrições do meio natural, mas
também aquelas originárias ao longo de seu convívio social: sua habilidade de superar as
dificuldades, seu aprendizado e transmissão de conhecimento, bem como sua capacidade
modificação de seu habitat. É através dessa capacidade de resposta “social” aos problemas
que os traços culturais vão aos poucos se incorporando como elementos distintivos de um
povo, ao mesmo tempo, que se criam atividades econômicas, que passam a funcionar como
mecanismos de auto-reprodução social. Constituem exemplos dessas atividades: cinema,
teatro, música; literatura, artesanato, folclore, culinária, mas também comemorações que
descrevem a trajetória histórica desse povo, como eventos festivos: religiosas e profanas e
qualquer tipo de entretenimento.
Neste contexto, tomam especial atenção, os aspectos da cultura local, dita de caráter
popular (KASHIMOTO et. al. 2002) como: a culinária, o artesanato, o folclore, os
ideioletos e a paremiologia (ditados, provérbios, ditos, e aforismas), a literatura oral (lendas
e mitos), a poesia popular, a história oral, a vestuária cotidiana, a música popular, os
instrumentos musicais de uso local, a arquitetura espontânea, a fotografia incidental, os
ritos de passagem, as manifestações religiosas, as festas populares, a farmacopéia
extrativista, as relações locais às modalidades de trabalho e lazer, as relações locais aos
elementos da natureza, formas de distribuição e exercício do poder local, entre outros
Além disso, como bem assinalam Santana e Moreira de Souza (2003), sob a ótica
econômica, enquanto setor produtor de riqueza material, a cultura pelo seu conteúdo
simbólico, é responsável pela formação da identidade dos indivíduos, tornando cada povo
constitutivo do que é.

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Sob este prisma, o primeiro desafio que se coloca é como expressar os elementos
culturais que representem a identidade de um povo não simplesmente como a soma de
aspectos particulares que vão sendo incorporados ao longo de sua trajetória histórica pelos
diversos segmentos humanos que são integrados aquela sociedade. Assim, interessa
investigar as partes através do conjunto e como elas passam a ter influência e são
influenciadas por este. Isto porque é o conjunto, ou seja, a cultura como expressão coletiva
em suas diversas manifestações que é o foco em questão.
O segundo desafio nasce da necessidade de conseguir captar o que distingue a
cultura da área delimitada do estudo, no caso a Região Metropolitana de Belém, em seu
aspecto particular, isto é, sua originalidade. Nesta direção três elementos culturais se
fundem: àqueles pertencentes à Região Amazônia, àqueles pertencentes ao Estado do Pará,
e àqueles que expressam apenas da territorialidade da Região Metropolitana de Belém e
suas características.
Com esse entendimento fica mais fácil do ponto de vista metodológico apontar que
atividades são mais representativas dessa expressão coletiva, pelo menos enquanto
formadora de atividades econômicas. Aqui, inclusive, aparece como elementos
característicos, diversas formas de lazer que a cultura local gera e reproduz.
O principal ponto de convergência da cultura da RMB, com a cultura do Estado do
Pará, e da Amazônia, é a influência do meio físico e da relação das populacionais
tradicionais com esse meio. Assim, os elementos da natureza, que denotam a exuberância
dos rios e da floresta e sua utilização, tem uma representatividade marcante nos traços
culturais que distinguem o “modo de viver”, “modo de fazer” e o aprendizado dessas
populações, com repercussões diretas em todas suas manifestações culturais.
Como bem ressaltado pelo Plano Amazônia Sustentável – PAS, a Amazônia
brasileira se caracteriza por uma grande diversidade étnica, social e cultural, que congrega
diferenciações significativas entre a própria população nativa, como também quanto à
população que imigrou para a região e seus descendentes. Assim, só em termos da
população indígena, existem cerca de 160 povos, que professam 160 línguas em 14
diferentes troncos-famílias lingüísticos (MI, 2004).
A diversidade cultural abrange também as diferentes populações migrantes que se
fixaram na região, da colonização européia entre os séculos XVI ao XVIII, aos diferentes
“ciclos” de povoamento, de origem estrangeira e nacional entre os séculos XIX e XX.

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Destacam-se aqui, entre os migrantes estrangeiros, os japoneses e portugueses e entre os
migrantes nacionais, os advindos das regiões nordeste e, mais recentemente das regiões sul
e sudeste1. Além disso, os grupamentos urbanos existentes nas largas fronteiras da
Amazônia Ocidental sofrem influência dos povos que habitam os sete países de fronteira e,
no caso do Pará em especial da Guiana, Guina Francesa e Suriname.
Desse modo, aliado a forte herança indígena que é o principal elemento formador da
cultura das “populações tradicionais” – ribeirinhos, caboclos, seringueiros, castanheiros,
pescadores artesanais entre outros, a cultura local, em especial da Região Metropolitana de
Belém – como principal adensamento populacional na região – recebeu rica influência de
outras culturas nacionais e estrangeiras.
A diversidade cultural da Amazônia tem um duplo caráter. De uma parte a que pode
ser dita de natureza endógena resultado da evolução e diversidade cultural dos vários povos
autócnes, a que Mendes (2001) classificou como “Amazonidades”, isto é, a regionalidade
singular da realidade (local) da Amazônia, enquanto as características culturais geradas “in
loco e sponte sua” e não contraídas por qualquer tipo de contágio ou exposição a outras
influências. Além do mais, é possível se identificar um ethos local criado pelos habitantes
do estado do Pará, com especificidades próprias que podem ser denominadas de
“paraensismos” (SEBRAE, 2003).
De outra parte os diversos aspectos culturais adquiridos dos vários ciclos de
migração que a região recebeu ao longo de sua história de colonização.
Como bem assinala Benchimol, acerca desse troca de identidades, com os diversos
povos que formam o processo cultural do povoamento e ocupação humana da Amazônia:

Essas maneiras do ser regional encontram-se com os outros modos, jeitos, crenças e valores
indígenas que, ao se amazonizarem, foram perdendo parte de suas identidades originais, adquirindo
conhecimento da região e criando novos padrões de comportamento e conduta tropical [...].

Segundo Lima e Pozzobon (2001) é possível a distinção de nove categorias sociais


que formaram a ocupação da Amazônia, com características econômico-culturais e
ambientais distintas: i) povos indígenas de comércio esporádico; ii) povos indígenas de

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A Amazônia multi-étnica no dizer de Benchimol (1999), tem participação de pelo menos dez grupos: indíos,
escravos africanos, portugueses, espanhóis, ingleses, italianos, americanos, Judeus (marroquinos), Sírio-
Libanoeses, cearenses e gauchos

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comércio recorrente; iii) povos indígenas dependentes; iv) pequenos produtores
tradicionais; v) latifúndios tradicionais; vi) latifúndios recentes; vii) migrantes/fronteira;
viii) grandes projetos; ix) exploradores intinerantes.
Cada categoria dessas cria valores e motivações que direcionam a prática
econômica, mediante traços culturais característicos, que aos poucos transcendem a
territorialidade local e passam a ser incorporados, enquanto valores econômicos ao
conjunto dos habitantes da região.
Assim, existe na região uma riqueza cultural que se expressa em muitas e diferentes
manifestações, muitas delas em caráter inovador, seja porque é uma expressão singular que
não aparece em nenhuma outra região do país, seja porque absorvem na região, aspectos
peculiares cujas características estão consonância com as especificidades da tradição e
hábitos locais. No primeiro caso, pode ser citada, tanto a culinária, que aproveita em seus
pratos (típicos) ervas e frutos existentes na região e que tem forte influência indígena, como
também o artesanato, igualmente com forte influência indígena, e que tem no
aproveitamento dos recursos naturais da região traço marcante. No segundo caso pode ser
referida à música local, de forte influência caribenha, mas com retoques e letras ligadas à
realidade da região.
Por isso mesmo, os três elementos culturais a serem explorados neste estudo serão a
música, o artesanato e a culinária. Não desprezando a importância de quaisquer outras
manifestações igualmente formadoras da identidade do povo da RMB, mas porque elas
bem descrevem e identificam o perfil e foco perseguido: o aspecto particular da cultura da
Região Metropolitana de Belém, inserida no contexto regional e estadual, como aqueles
elementos que a descreve, ao mesmo tempo, que a diferencia; concomitante ao fato que os
três elementos se fundem e a outros elementos culturais e, ao mesmo tempo revelam um
potencial competitivo, enquanto principais “produtos turísticos” da cultura paraense.
Em torno das mais diversas e diversificadas manifestações culturais na região
Amazônia e, com reflexo explícito sobre os vários municípios que compõem a Região
Metropolitana de Belém – RMB, está um conjunto sinérgico de atividades econômicas,
cujas aglomerações podem muito bem ser entendidas dentro do marco conceitual
circunscrito ao conceito de Arranjo Produtivo Local – APL (APL Serviço), ponto de partida
para a nova reorientação dos programas de desenvolvimento regional, a serem
empreendidos pelo Ministério da Integração Nacional, no papel institucional ora exercido

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na região pela Agência de Desenvolvimento da Amazônia – ADA no esforço de fundação
de uma Nova SUDAM e de uma nova política de desenvolvimento regional para a região.

2 NOTAS METODOLÓGICAS

2.1 Nota Metodológica 1 – Definição do Objeto de Pesquisa

Na tentativa de apreender a economia por traz das manifestações culturais e, mais


especificamente das atividades econômicas relacionadas ao artesanato, culinária e música,
na RMB, tendo como marco teórico à abordagem de Arranjo Produtivo Local e Sistema
Produtivo Inovativo Local, no escopo elaborado pela Redesist, o caminho percorrido se
orientou pela metodologia abaixo descrita.
Para as atividades vinculadas ao artesanato e música foi aplicado diretamente ao
“produtor” o formulário desenvolvido pela Redesist, a partir da definição de uma amostra
representativa em cada caso.
Todavia, o formulário-padrão da Redesist teve que ser modificado para comportar
uma estrutura conceitual nas perguntas, ligada a realidade da atividade musical. Assim, por
exemplo, onde no formulário se lia máquinas e equipamento foi substituído por
instrumentos e equipamentos (som e iluminação) . De igual modo, por inovação do produto
se considerou, as relativas aos shows e Cds e por inovação de processo se considerou
àquelas relativas ao processo de confecção e elaboração dos dois produtos: harmonia, letra,
arranjo, sistema de inovação entre outros.
Decidiu-se não aplicar o mesmo formulário para atividade econômica relacionada à
gastronomia, devido à dificuldade de isola-la, enquanto uma atividade produtiva autônoma
geradora de emprego e renda, voltada a reproduzir apenas as características da culinária
local, ligada à identidade perseguida. Ressalta-se, entretanto, que a partir de dados
secundários são feitas ilações acerca de sua importância econômica. Nesta particular será
feita especial ligação com a chamada “Economia do Círio”, uma vez que nesta data – festa
do Círio de Nazaré – a culinária assume mais forte expressão, como identidade cultural
local da RMB.
No que diz respeito às duas outras atividades: artesanato e música, é preciso dizer
que foram analisadas de forma isolada, a partir das tabelas de resultados gerados pela

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tabulação dos formulários aplicados. Isto, em verdade, fornece um caráter de mais de um
APL a ser identificado e analisado, embora, possam existir pontos de convergência em suas
análises.
Para o artesanato, entretanto, o estudo se valeu também, além das informações
tabuladas, usando como instrumento analítico o formulário-padrão da redesist, de uma
outra pesquisa realizada pelo SEBRAE em 2002, compreendendo o universo dos artesãos
identificados. Esta pesquisa forneceu um conjunto de informações adicionais muito
importantes para uma caracterização mais precisa da atividade, bem como a partir da
mesma pôde-se definir o universo sob o qual foi calculada a amostra.
Um aspecto importante a se destacar é a segmentação da atividade artesanal em
diferentes tipos, classificados, em geral, a partir da caracterização da matéria-prima
principal que lhe dá origem. Dessa forma, tem-se o artesanato de madeira, couro, sucatas,
concha, entre outros. No entanto, evidencia-se, como artesanato de maior raiz cultural local,
àquele oriundo do aproveitamento de recursos naturais da região, como: minerais, barro,
raízes, ervas, frutos, sementes – que originam utensílios como cuias, bijuterias, cerâmica,
gemas e jóias e produtos “fármacos-místicos”. Neste caso, apesar das diferenças – que são
ressaltadas ao longo do trabalho – a amostra2 não fez distinção entre esses segmentos,
tornando a caracterização do artesanato como um único APL.

2.2 Nota Metodológica 2 – o escopo de análise.

De fato, embora a definição de Arranjo Produtivo Local venha assumindo


deferentes conotações, entre elas as adotadas pelo SEBRAE, BNDES, BNB, BASA,
guardam entre si e com a definição proposta pela Redesist a idéia comum assentada nos
seguintes pontos: i) aglomeração produtiva com uma certa espacialidade – no sentido de
que à formação de uma atividade produtiva cujas unidades produtivas independentemente
de seu grau de formalidade exploram a produção de um ou mais produtos com
características muito próximas; ii) espacialidade local – na perspectiva de que sob uma
espacialidade definida, que pode ser um município, Região Metropolitana, ou Estado, estas
unidades produtivas de alguma forma interagem; iii) cooperação – entendida como o meio
pelo qual criam-se vínculos sistêmicos entre as unidades daquele aglomerado naquele
2
Embora a amostragem seguiu uma relação de proporcionalidade assentada em dos pontos: i) tamanho de
cada segmento; ii) importância, quanto a identidade cultural perseguida.

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espaço, sejam eles exercidos por alguma forma de coordenação ou não; iv) aprendizado
formal ou não – onde se explicaria a dinâmica do processo “bem sucedido” de inovações,
entendida como a base do desenvolvimento e competitividade adquirida daquela
aglomeração, tal que adquiriria um papel de destaque na economia daquela espacialidade
local.
Por essa via, embora, os vínculos sistêmicos existentes entre cada um dos diversos
segmentos sejam mais fortes e duradouros do que entre eles, especialmente quanto à
cooperação, eles existem e tem sido reforçado pelas diversas formas de governança com
quem mantém ligações.
Isto, portanto, vai ao encontro da própria definição da Redesist para APLS, pois
enfatiza a idéia de interação entre as empresas como a presença ativa de associações
privadas ou sindicais e órgãos governamentais, enquanto seu papel de governança. Neste
sentido se cumpriria, através desses diversos órgãos formais ou não, uma articulação
orientadora no sentido tanto de se criar vínculos entre as empresas, em seus diversos elos da
cadeia produtiva, como também, agir como elemento facilitador institucional para permitir
a expansão e manutenção dessas interações. Aqui assume importância a condução de
coordenação de atividades para a busca de competitividade o que inclui a maior inserção
desses empreendimentos no mercado internacional.
Este, inclusive, tem sido um aspecto muito enfatizado pelos órgãos do governo do
estado do Pará na promoção do “produto artesanal” paraense, na busca, sobretudo, de
competitividade, o que inclui sua inserção no mercado nacional e internacional.
Vale ponderar, que o aspecto de segmentação, embora, menos explícito, na atividade
musical, também está presente e adquire contornos gerais próximos daqueles observados
para o artesanato. Dessa maneira, por exemplo, os segmentos poderiam ser divididos a
partir dos diversos gêneros musicais, com implicações em sua dinâmica e modo de fazer
em suas etapas do “processo produtivo”.

2.3 Nota Metodológica 3 – definição da amostra

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Artesanato

Não existe pela Relação Anual de Informações Sociais, o número de trabalhadores


ocupados pela designação genérica de artesãos. Existe, entretanto, subdivisões de
ocupações de base artesanal, seguindo a Classificação Brasileira de Ocupações – CBO
(2002), bem como as classificações internacionais como: Ocuppation Information Network
– O*NET, a Repertorie Opérationnel des Métiers et Emplois – ROME e a National
Occupational Classification – NOC). Quatro dessas subdivisões – famílias ocupacionais
teriam importância dentro do foco proposto nesta pesquisa: Artesãos de Metais Preciosos e
Semi-Preciosos; Ceramista, Confeccionadores de Artefatos de Madeira, Móveis de Vime e
Afins e Confeccionadores de Instrumentos Musicais.
A primeira família engloba todos as seguintes ocupações: fundidor (joalheria e
ourivesaria); gravador (joalheria e ourivesaria); laminador de metais preciosos, à máquina;
ourives; trefilador (joalheria e ourivesaria).
A segunda família englobas as ocupações de: ceramista; ceramista (modelador);
ceramista (torno de pedal ou motor); ceramista (torno semi-automático); ceramista
prensador (prensa extrusora); ceramista prensador (prensa hidráulica).
A terceira família compreende as seguintes ocupações: cesteiros; confeccionador de
escovas, pincéis e produtos similares à mão; confeccionador de escovas, pincéis e produtos
similares, à máquina; confeccionador de móveis de vime, junco e banbu; esteireiro;
vassoureiro.
Por fim, a família dos confeccionadores de instrumentos musicais compreende as
seguintes ocupações: afinador de instrumentos musicais; confeccionador de acordeão;
confeccionador de instrumentos de corda; confeccionador de instrumentos de percussão
(pele, couro ou plástico); confeccionador de instrumentos de sopro (madeira);
confeccionador de instrumentos de sopro (metal); confeccionador de órgão; confeccionador
de piano.
Na utilização dessas informações como referência para definição da amostra, dois
seriam os problemas: i) a característica da própria atividade artesanal, em que o artesão
realiza todas as etapas do processo produtivo, leva a que existam poucos trabalhadores
cadastrados em cada modalidade de ocupação específica, isto subestmaria o número de

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trabalhadores registrados na RAIS em cada família de ocupação; ii) grande informalidade
da atividade artesanal, o que também subestimaria o número total de trabalhadores
registrados; iii) outros segmentos importantes da atividade artesanal na Região
Metroplitana, especialmente àquelas de caráter mais manual, como, por exemplo, na
“fabricação” de utensílios de miriti e balata, não entrariam nessa classificação.
Devido a essas limitações a amostra foi definida a partir de pesquisa realizada pelo
Instituto ACERTAR em parceria com o SEBRAE em 2002, intitulada “Mapeamento do
Artesanato no Estado do Pará”, no qual identificou na Região Metropolitana de Belém
cerca de 728 artesãos, considerando informação oriunda dessa mesma pesquisa de que
cerca 1,3% desenvolve essa atividade como hobby, então, restaria um universo de cerca de
700 artesãos.
Admitindo-se que 90 dos artesãos a serem investigados possuem as características
desejadas, em que se baseia o formulário da redesist, quanto a: aprendizado, inovação,
cooperação, bem como gozem das mesmas vantagens relativas ao arranjo, então, para um
nível de significância de 95% e um erro admitido entre 5% e 10%, definiu-se uma amostra
representativa de cerca de 50 artesãos.
A coleta foi realizada a partir de informações obtidas junto às associações de
artesãos existentes, abrangendo as seguintes áreas: Rua do Paracuri – Icoaraci; Espaço São
José Liberto; Mercado do Ver-o-Peso; Praça da República (Feira do Artesanato); Mercado
São Braz; Fundação Curro Velho; e endereços diversos de oficinas/casas dos artesãos no
município de Belém e Região Metropolitana.

Música

Não existe um cadastro preciso que servisse de referência do total de bandas que
poderiam estar em atuação na Região Metropolitana de Belém. A Ordem dos Músicos tem
um cadastro dos músicos em termos individuais, mas infelizmente este não pôde ser
acessado3.
Com base em informações isoladas de pessoas do meio se estima, que o número de
bandas existente, compreendendo todos os estilos musicas, seja em torno de 200 a 250
bandas. Entretanto, também se estima que aproximadamente 100 estejam no “circuito

3
Após muitas solicitações feitas àquele órgão, sem sucesso, chegou-se a conclusão que este não seria
disponibilizado.

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regular”, realizando periodicamente shows e produzindo discos (CDs). Vale ressaltar, que o
“tempo de vida” de muitas delas é curto, o que dificulta, ainda, mais está estimativa.
Desse modo, da mesma forma que para os artesãos, admitindo-se aprioristicamente
que 90 dos músicos (bandas) a serem investigados possuem as características desejadas, em
que se baseia o formulário da redesist, quanto a: aprendizado, inovação, cooperação, bem
como gozem das mesmas vantagens relativas ao arranjo, então, para um nível de
significância de 95% e um erro admitido entre 5% e 10%, a amostra representativa ficou
definida em cerca de 15 “indivíduos”.

2 ECONOMIA DA CULTURA E DO ENTRETENIMENTO DA REGIÃO


METROPOLITANA DE BELÉM – RMB.

2.1 Características da Economia Local

A Região Metropolitana de Belém é formada segundo o IBGE pelos seguintes


municípios: Belém, Ananindeua, Benevides, Marituba e Santa Bárbara do Pará. Entre esses
municípios existe uma gama muito grande de características culturais comuns, e outras que
estão ligadas ao processo de formação ocupacional dessas cidades. Assim, datas festivas,
inclusive, religiosas, e comemorativas são aspectos particulares que distinguem os
municípios por sua herança histórica e ligada aos processos de ocupação e formação do
povo residente. Por outro lado, compartilham entre si os habitantes da Região
Metropolitana, das mesmas raízes lingüísticas, das mesmas miscigenações dos povos –
portugueses, índios e negros, dando origem ao caboclo como predominância étnica em
qualquer um dos municípios; das mesmas danças, músicas, folclore, culinária, artesanato e
tradições.
A economia desta “Mesoregião” é ditada especialmente pela economia da capital
Belém, embora o município de Ananindeua tenha bastante representatividade nesta
Mesoregião e dentro do Estado, como pode ser atestado pela Tabela 1. De fato, por esta
tabela se percebe que a participação relativa do PIB municipal no PIB estadual é relevante
para Belém que ocupou no período, entre 25 a 30% da economia paraense, enquanto que
para Ananindeua, no mesmo período foi cerca de 5%. Para os demais municípios sua
importância relativa é muito pequena não chegando a 1%.

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Tabela 1
Participação Relativa do PIB dos Municípios da RMB no PIB do Estado.

1999 2000 2001 2002 2003


Ananindeua 5,17 5,05 5,07 4,89 4,63
Belém 27,91 29,32 27,48 25,67 24,94
Benevides 0,41 0,35 0,46 0,48 0,44
Marituba 0,55 0,61 0,87 0,78 0,72
Santa Bárbara 0,16 0,18 0,14 0,14 0,11
Fonte: IBGE/SEPOF/DIEPI/GERES

Em comum, as economias desses municípios têm sua composição setorial,


predominantemente voltada as atividades de serviço, seguida da indústria e por último a
agropecuária. No caso do setor terciário, este responde por 60,65% e 58,06%, para os
municípios de Belém e Ananindeua, respectivamente.
A representatividade do setor serviços na economia da Região Metropolitana de
Belém, tem dois efeitos imediatos que têm repercussão sobre as atividades artesanais e
musicais. Em primeiro lugar em termos ocupacionais, uma vez que a maioria da população
passa a convergir para o setor serviços, onde existe um maior contingente de postos de
trabalho, formais ou não. Em segundo lugar, relacionado a uma tendência crescente do
aumento da informalidade. Adota-se a definição de informalidade relativa aos diversos
tipos de trabalho sem vínculo empregatício formalizado por meio de registro em carteira.
Aqui, inclui-se àquelas atividades desenvolvidas por conta própria4.

4
A definição de informalidade é bastante complexa. Alguns autores a conceituam a partir de certas
características comuns – este ponto será retornado adiante. Para uma discussão a respeito da informalidade no
setor serviços ver em Kon (2004).

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Gráfico 1
Composição Setorial do PIB dos Municípios da Região
Metropolitana de Belém

Ananindeua
80

60

40
Santa Bárbara 20 Belém

Agropecuária
Indústria
Marituba Benevides Serviços

Fonte: IBGE/SEPOF/DIEPI/GERES, elaboração do autor.

Um reflexo das duas características anteriores é a baixa remuneração da população


que se traduz em um rendimento médio, independentemente do gênero, na formação de
dois grande grupos: até um salário mínimo e entre 1 salário até 10 salários mínimos. No
primeiro ocorre a maior participação feminina, enquanto que para o segundo ocorre a maior
participação masculina.

Tabela 2
Rendimento Mensal (médio), Segundo a Classe de Rendimento e Gênero na RMB.
Classe de Rendimento Total de Homens (10 Total de Mulheres Rendimento Rendimento
anos ou mais) (10 anos ou mais) Médio dos Médio das
Homens Mulheres
Total 731.426 820.032 441 259
Até 1 sal. mínimo 166.149 233.797 142 141,50
Mais de 1 a 10 sal. mínimos 298.645 194.367 3.590 3.588
Mais de 10 a 20 sal. mínimos 15.345 9.074 3.201 3.243
Mais de 20 sal. mínimos 6.600 2.145 6.451 7.401
Fonte: PNAD/IBGE – 2003.

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Outras características gerais da população, quanto à escolaridade e participação por
gênero no mercado de trabalho estão dispostas, na Tabela 3. Nesta Tabela, percebe-se à
predominância da população feminina, inclusive, quanto à participação na População
Economicamente Ativa – PEA, apesar da população ocupada compreender uma maior
população masculina que feminina.
No que diz respeito ao grau de instrução verifica-se que cerca de 35% da população
tem até cinco anos de estudo, estando no outro extremo uma pequena parcela da população
que tem entre quinze anos ou mais, representando cerca de 4% da população.

Tabela 3
Características Gerais da População Residente da RMB.
Características Gerais Valores
População Residente 1.915.604
População Feminina 992.782
População Masculina 922.822
Grau de Instrução
Até 1 ano de estudo incompleto 93.719
Até 5 anos de estudo incompletos 432.623
5 Anos completos 152.785
Até 8 anos de estudo incompletos 930.576
8 anos de estudo completos 156.911
Até 14 anos de estudo incompletos 1.443.153
14 anos de estudo completos 13.860
15 anos ou mais de estudo 82.995
População Economicamente Ativa – PEA* 1.551.458
População Feminina 820.032
População Masculina 731.426
Com idade até 20 anos incompletos 371.236
Com idade de 20 a 60 anos incompletos 1.045.585
Com idade de 60 anos ou mais 134.307
População Ocupada* 221.755
População Feminina 107.246
População Masculina 114.509
Fonte: PNAD/IBGE – 2003.
Nota: * Na semana de referência.

2.2 Indústria Cultural e sua Institucionalidade

Quando se fala em indústria cultural, reporta-se às atividades econômicas ligadas à


produção audiovisual, fonográfica, gráfica e, ainda os setores de rádio e tv. Na
contabilidade nacional apenas, o setor gráfico é incorporado como parte do PIB industrial,
enquanto, os demais setores são incluídos nos setor de serviços. Além disso, é na rubrica de

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comunicação, que aparecem outras atividades vinculadas como as das empresas de
telefônica e de correios. De igual modo, como assinala (ALVAREZ, 2003), a divisão das
indústrias culturais em bens e serviços tem implicações também na verificação das trocas
de produtos, em que pese suas diferenças de registros no Balanço de Pagamentos. Assim,
por exemplo, enquanto a comercialização de livros é registrada na balança comercial, o
intercâmbio de matrizes para discos e filmes é registrada na balança de serviços.
Segundo Alvarez (2003), no ano de 2000, o Brasil apresentou um déficit na área da
industrial da cultura de cerca de US$591,80 milhões, dos quais US$171,80 milhões
correspondeu ao resultado da balança de comércio do setor gráfico e US$420 milhões
correspondente a balança de serviços, exclusive, a importação de insumos e bens de capital
para o setor, que se fosse incluído aumentaria o déficit em cerca de 200 milhões.
A dificuldade apreensão da repercussão do efeito individual das atividades
relacionadas à cultura e entretenimento se encontra relacionada à própria divisão que é
colocada para sua classificação enquanto atividade formal. Assim, o mercado formal da
cultura (e entretenimento) descrito na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS)
abrange tão somente as seguintes atividades: atividades de agências de notícias; atividades
de bibliotecas e arquivos; atividades de jardins botânicos, zoológicos, parques nacionais e
reservas ecológicas; atividades de museus e conservação do patrimônio histórico;
atividades de rádio; atividades de teatro, música e outras atividades artísticas e literárias;
atividades de televisão; atividades desportivas; distribuição de filmes e de vídeos; gestão de
salas de espetáculos; outras atividades de espetáculos, não-especificadas anteriormente;
outras atividades relacionadas ao lazer; produção de filmes cinematográficos e fitas de
vídeo; projeção de filmes e de vídeos.
Neste escopo, aparecem misturadas no universo cultural, atividades relacionadas
propriamente com a difusão cultural, como por exemplo, a indústria gráfica e editorial, bem
como, as atividades de rádio e TV, com atividades de natureza artística, relativa à
fotografia, fonografia, artes cênicas, espetáculos, entre outras, somadas, ainda, com
atividades da indústria do lazer e, mesmo desportiva.
Na Tabela 4, aparece o número de estabelecimentos por tipo, no escopo acima
apresentado, da indústria cultural existente nos principais municípios que compõem Região
Metropolitana de Belém.

14
No que tange, os objetivos deste relatório, importante destacar as valores
relacionados a indústria fonográfica. Assim, quanto à cadeia produtiva desta indústria
observa-se a presença de apenas dois estúdios de gravação, e um estabelecimento de
reprodução de discos e fitas. O comércio varejista de discos e fitas compreende 29
estabelecimentos, sendo 25 em Belém, 2 em Ananindeua e apenas 1 Marituba. O comércio
atacadista, englobando também a venda de filmes, apresenta 7 estabelecimentos em Belém
e apenas 1 em Ananindeu. Está concentração também se observa quanto à venda de
instrumentos musicais no varejo, com 15 estabelecimentos em Belém e 2 em Ananindeua.
Registra-se, ainda, a presença de apenas um estabelecimento produtor de instrumentos
musicais situado em Belém.

Tabela 4
Indústria Cultural na RMB
Indústria Cultural Belém Ananindeua Marituba/
Benevides
Distribuição de filmes 3 0 0
Aluguel de fitas, vídeos e discos 22 3 0
Atividades de produção de filmes e fitas de video 1 0 0
Projeção de filmes e videos 3 0 0
Outras atividades relacionadas à produção de 2 0 0
filmes e fitas de video
Comércio atacadista de filmes, fitas e discos 7 1 0
Estúdios de gravação de som 2 0 0
Reprodução de discos e fitas 1 0 0
Fabricação de instrumentos musicais 1 0 0
Comércio varejista de instrumentos musicais e 15 2 0
acessórios
Comércio varejista de discos e fitas 25 3 1
Produção e promoção de espetáculos artísticos e 9 1 0
eventos culturais
Outras atividades artísticas 2 0 0
Agências de publicidade 18 4 1
Edição de livros jornais e revistas 19 5 1
Edição e impressão de jornais 10 3 0
Impressão de jornais, revistas e livros 8 0 1
Comércio atacadista de livros, jornais e outras 26 2 1
publicações
Comércio varejista de livros, jornais e revistas 151 21 2
Atividades de Rádio 14 0 1
Atividade de TV (aberta) 4 0 0

15
Comércio varejista de art. fotografia e 58 5 0
cinematografia
Fonte: Cadastro da Secretaria da Fazenda do Estado do Pará – Elaboração do autor.

Quanto ao número de pessoas empregadas no setor cultural na Região


Metropolitana de Belém, o Quadro 1, resume a sua distribuição por segmento da atividade.

Quadro 1
Distribuição do mercado de trabalho cultural na RMB – 2000.
RM. Belém
Edição; edição e impressão de jornais 846
Edição; edição e impressão de revistas 23
Edição; edição e impressão de livros 18
Impressão de jornais, revistas e livros 55
Serv. de impressão de material escolar e de material para usos in... 101
Execução de outros serviços gráficos 157
Edição; edição e impressão de outros produtos gráficos 147
Comércio varejista de livros, jornais, revistas e papelaria 1.087
Total Edição de livros e leitura 2.434
Edição de discos, fitas e outros materiais gravados 6
Reprodução de discos e fitas 0
Reprodução de fitas de vídeo 0
Reprodução de filmes 3
Total Fonográfica 9
Total Publicidade 412
Total Atividades Fotográficas 382
Produção de filmes cinematográficos e fitas de vídeo 38
Distribuição de filmes e de vídeos 64
Projeção de filmes e de vídeos 149
Atividades de cinema e vídeo 251
Atividades de rádio 430
Atividades de televisão 595
Atividades de agência de notícias 0
Total Atividades de rádio e televisão 1.025
Atividades de teatro, música e outras atividades artísticas e literárias 95
Gestão de salas de espetáculo 0
Outras atividades de espetáculo não especificadas anteriormente 203
Total Teatro, música e espetáculos 298
Atividades de biblioteca e arquivo 228
Atividades de museu e conservação do patrimônio histórico 0
Total Conservação do patrimônio 228
Ativ. De jardins botânicos, zoológicos, parques nacionais e reservas 10
Outras atividades relacionadas ao lazer 1.532
Fabricação de instrumentos musicais 0
Total Entretenimento e outras atividades ligadas à cultura 1.542
Total Cultura na RMB 6.581
Total Brasil 361.227

16
Fonte: RAIS, 2000

O Quadro 1 retrata a distribuição, para dados da RAIS no ano de 2000, do mercado


de trabalho nas atividades classificadas como culturais, na Região Metropolitana de Belém.
Verifica-se, que do total de 6.581 empregados na área cultural, as atividades de maior
ocupação formal, são as relacionadas a: edição de livros e leitura – 2.434; entretenimento e
outras atividades culturais – 1.542 e atividades de rádio e televisão – 1.025. Estas
atividades representam, cerca de 37%, 23% e 16%, respectivamente.
Importante fazer nesta distribuição, uma distinção entre àquelas atividades que
possam representar de alguma forma produção (reprodução) da cultura local, como, por
exemplo, as atividades de edição e impressão de: jornais, revistas e livros, que representam
cerca de 38% do segmento editorial, ou cerca de somente 14% do total cultural; as
atividades fonográficas e de teatro, música e espetáculos, que juntas representam apenas
cerca de 5% do setor cultura e aquelas relacionadas à conservação do patrimônio e
entretenimento, que perfazem cerca de 27% deste total.
Vele reforçar, que estes dados referem-se somente a atividade formal, existindo um
contingente, que poderia ser dito pertencer a indústria cultural, muito embora trabalhem na
informalidade e, em muitos casos na ilegalidade.

2.2.1 O Aparato Institucional.

Em termos gerais, o sistema institucional, que circunscreve as atividades culturais é


decomposto nas três esferas tradicionais de poder: federal, estadual e municipal. No âmbito
federal, como assevera (SILVA, 2002), a área cultural teve seu processo de construção
institucional, bem recente, a partir da segunda metade década de 1980. Todavia, na década
seguinte houve novamente um enfraquecimento do setor cultural no âmbito federal, para
somente no início da década de 2000, em virtude da demanda provocada por outros níveis
de governo (estadual e municipal), voltar a se reorganizar.
Em verdade, a forma como a estrutura institucional evoluiu nos últimos anos pode
ser medida através de duas formas, o grau de importância que ela assume na esfera de
governo em termos da quantidade e qualidade de suas atividades, como também a evolução
dos dispêndios no caso, na área cultural nos últimos anos.

17
Para fins de quantificação as despesas culturais abrangem as seguintes áreas
( SILVA, 2002): a) patrimônio cultural; b) livro leitura e biblioteca; c) música; d) artes
cênicas; e) artes plásticas; f) cinema e audiovisual; g) museus e arquivos; h) cultura popular
e folclore; i) cultura afro-brasileira.
A Tabela 5 a seguir resume os dispêndios culturais realizados pelo Brasil nos
últimos anos e sua relação econômico-social. A importância da esfera federal no conjunto
dos gastos é bastante destacada. Todavia, alguns órgãos federais concentram um maior
volume de despesas como a Fundação Nacional das Artes (FUNARTE); o Instituto do
Patrimônio Histórico (IPHAN) e a Biblioteca Nacional.

Tabela 5
Gastos Culturais nas Três Esferas de Governo em relação ao PIB per capita.
Itens 1996 2002
População Residente (em mil) 157.482 174.632
PIB total (em R$ milhões correntes) 659.046 1.346.027

Gastos Culturais 946,20 2.056.955


Gastos Culturais Per Capita 6,01 11,78
Participação no PIB 0,14 0,15
Fonte: IPEA/DISOC apud Barbosa da Silva (2002).

No âmbito federal e municipal as atividades culturais são coordenadas por uma


Secretaria de Cultura e por fundações e órgão setoriais, em geral, vinculadas a ela que
participam na gestão, fomento e promoção de certas atividades específicas, encaradas como
prioritárias. Entretanto, ao contrário do que se pode imaginar a priori é no âmbito municipal
(em nível agregado), que se verifica o maior volume de gastos entre as três esferas.
A Tabela 6 apresenta os gastos culturais, enquanto a despesa orçamentária realizada
e como proporção da despesa orçamentária e em termos per capita para os Municípios da
Região Metropolitana de Belém. Observa-se, de uma maneira geral, que embora, a
comparação não se refira a um mesmo ano, que os gastos culturais per capita nos
municípios da RMB, estão abaixo da média nacional, com variações significativas entre
esses municípios.

18
Tabela 6
Despesas Culturais como Proporção das Despesas Totais nos Municípios da Região
Metropolitana de Belém – 2004.
Municípios Despesas Despesas Porcentagem Gastos Culturais
Orçamentária Cultura Total Per capita
Ananindeua 117.000.176,20 256.280,88 0,22 0,55
Belém 851.487.972,90 14.506.954,92 1,70 10,46
Marituba 32.916.188,34 481.945,15 1,46 5,14
Santa Bárbara do Pará 7.268.085,60 116.073,87 1,60 9,09
Fonte: Tesouro Nacional – www.secretariadotesouro.gov.br

Estrutura do Governo do Estado do Pará e Município de Belém

Governo do Estado

A secretaria do estado que tem uma articulação direta com as atividades culturais, de
acordo com o organograma do Governo do Estado é a Secretaria Especial de Promoção
Social. Esta, no entanto, compreende três secretarias executivas, três fundações e um
instituto, que tem papéis específicos, no desenho do aparato institucional do governo do
estado, em ações específicas voltadas as atividades culturais em seu âmbito de jurisdição.
Além disso, e seguindo a as atividades foco deste estudo – artesanato e música,
diversas ações pontuais são realizadas no campo de atuação da Secretaria Especial de
Produção, em alguns órgãos e Secretarias Executivas específicos, como: a Secretaria
Executiva de Indústria e Comércio – SEICOM e Companhia Paraense do Turismo –
PARATUR.

Secretaria Especial de Promoção Social:


• Fundação Cultural do Pará "Tancredo Neves"
• Fundação Carlos Gomes
• Fundação Curro Velho
• Fundação de Telecomunicações do Pará - FUNTELPA
• Instituto de Artes do Pará - IAP
• Secretaria Executiva de Cultura - SECULT
• Secretaria Executiva de Educação - SEDUC

19
• Secretaria Executiva de Esporte e Lazer - SEEL
• Universidade do Estado do Pará - UEPA

Secretaria Especial de Produção:


 Secretaria Executiva de Indústria, Comércio e Mineração – SEICOM;
 Companhia Paraense de Turismo – PARATUR.

Órgãos
• Museu do Estado do Pará (MEP);
• Espaço Cultural Casa das Onze Janelas.

No âmbito do governo do estado são inúmeros os eventos direcionados a promover


a cultura do estado e, por extensão da RMB, entre eles destacam-se: Festival de Música do
Estado do Pará, Arraial da Cultura Junina, Fórum do Folclore do Estado do Pará, Festival
Internacional de Dança da Amazônia, Circuito Nazaré em todo canto - apresentação do
Gran Coral, EXPOTUR, Feira Panamericana do Livro. Além de outras ações mais pontuais
em diversas áreas artísticas, como exposições, lançamento de livros e Cds sobre artistas e a
cultura local.
Na promoção de eventos de natureza cultural, é importante ressaltar a Lei de
Incentivo a Cultura – Lei Semear, criada pelo estado em 20035, para desenvolver os
seguintes segmentos culturais: artes cênicas, plásticas, gráficas, e filatelia; cinema e vídeo;
fotografia; literatura; música e dança; artesanato folclore e tradições populares; museus;
bibliotecas e arquivos.

Estrutura da Prefeitura Municipal de Belém

Órgãos Municipais

FUMBEL - Fundação Cultural do Município de Belém


SEMEC - Secretaria Municipal de Educação e Cultura

5
Lei 6.572/03, mediante dedução do ICMS devido às empresas “enquadradas” na Lei, em que peso o edital
para aquele ano..

20
Fundação de Telecomunicações do Pará - FUNTELPA
TV Cultura - Canal 2.

Também baseada na isenção do imposto devido, no caso do ISS e do IPTU, a


Prefeitura Municipal de Belém também conta com uma Lei de Incentivo a Cultura. Em
verdade, pode-se dizer que são duas: Lei “To Teixeira”, voltada a área de arte e cultura e a
Lei “Guilerme Paraense”, voltada a projetos na área esportiva. Ambas foram criadas no
ano de 2000, e entre 2003 e 2005, foram 70 e 61, respectivamente, os projetos nas áreas
culturais e de desporto que receberam incentivos.

Espaços Culturais

Na Região Metropolitana de Belém, existem diferentes espaços culturais e de lazer,


a maioria situada no próprio município de Belém, sendo administrados pelo estado ou pela
própria prefeitura. Todos podem ser ditos, de certa maneira, espaços culturais, embora, com
diferentes características, enquanto atrativo turístico e função cultural, como teatros igrejas,
praças etc. São eles: Biblioteca Arthur Vianna, Teatro Waldemar Henrique, Teatro
Margarida Schiwasappa , Galeria Theodoro Braga , Cine Líbero Luxardo, Centro de
Eventos Ismael Nery , São José Liberto, Estação das Docas, Mangal das Garças, Estação
Gasômetro, Espaço Feliz Lusitânia – Núcleo Cultural Feliz Lusitânia; Museu de Arte Sacra;
Mercado do Ver-o-Peso; Palacete Bolonha; Parque da Residência; Jardim Botânico
Rodrigues Alves; Centro Turístico e Cultural Tancredo Neves (CENTUR); Planetário;
Museu de Arte de Belém (Palácio Antônio Lemos); Museu do Círio; Museu do Estado do
Pará (Palácio Lauro Sodré); Teatro da Paz; Basílica de Nazaré; Igreja da Sé/Catedral de
Belém; Igreja de Nossa Senhora do Carmo; Museu Emílio Goeldi.
Além desses, a Região Metropolitana de Belém conta com o seguinte número de
estabelecimentos ligados a lazer: choperias, Whiskerias e outros estabelecimentos
especializados em distribuir bebidas – 414 e restaurantes – 866, Lanchonetes, casas de chá,
sucos e similares – 223 e discotecas, danceterias e similares – 4, distribuídos por município
da RMB como apresentado na Tabela 7.

Tabela 7

21
Estabelecimentos de Lazer em Belém
Tipo Belém Marituba Benevides Ananindeua Santa Bárbara
Choeperias, Whiskerias e outros 364 2 7 39 2
estabelecimentos especializados em
servir bebidas
Restaurantes 744 11 18 92 1
Discotecas,Danceterias e similares 3 0 0 1 0
Lanchonetes, casas de chá, sucos e 207 2 1 13 0
similares
Fonte: JUCEPA, Cadastro da SEFA – 2006.

Estrutura de Conhecimento

Embora como será verificado, o conhecimento codificado tem pouca influência na


determinação da informação e, por conseguinte, do processo de geração de inovação, tanto
no artesanato, como na música, no entanto, a criação de cursos superiores em artes, com
especialização em artes plásticas; gravura; pintura; escultura; design entre outros para o
artesanato e, também, na área de música em diversos tipos de instrumento, além de teoria
musical, pode mudar essa realidade.
Na capital Belém existiam (2003) 14 instituições de ensino superior, sendo 4
públicas e dez privadas, sendo que são assim categorizados: 4 universidades; 1 centro
universitário; 7 Faculdades, Escolas e Institutos e 2 Centros de Educação Tecnológica.
Desses, apenas três universidades: Universidade Federal do Pará; Universidade Estadual do
Pará e Universidade da Amazônia oferecem cursos nas áreas de arte e design e/ou em
formação musical. Além disso, são oferecidos cursos técnicos afins no Centro de Educação
Tecnológica e Cursos de Músicas com habilitações diversas na Fundação Carlos Gomes.

2.3 Produto Cultural

A classificação da indústria cultural, como acima especificada, levando-se em conta


que se pretende captar o simbolismo e a diversidade da dimensão cultural da Amazônia, e
do Pará, é insuficiente para dar conta dos diferentes “produtos culturais”, que são a marca e
o diferencial de nossas especificidades locais.

22
De fato, é preciso se apreender o que diferencia os aspectos particulares da
identidade, enquanto representativos da “Cara” da cultura local (SEBRAE, 2003), isto
inclui como “produtos típicos” dessa cultura diferencial:

• a religiosidades expressa nas festas de santos e “Círios”, com seus tradicionais


arraiais;
• banhos de ervas;
• preparo de iguarias especificamente feitas para certas festas;
• as danças, como o carimbó, o siriá, a marujada;
• os pássaros;
• as crendices e lendas do imaginário popular;
• os pratos da rica culinária paraense; doces, quitutes, guloseimas em geral, feitas
com base nas nossa variada fruticultura;
• o artesanatato de miriti, fibras, flores, folhagens secas, cipós, sementes, madeira,
cerâmica;
• a arquitetura/ construções/ habitações: palafitas ribeirinhas, construções de época da
colonização; as canoas e barcos que percorrem as veias líquidas da região; na
arquitetura nacional, as “bandeiras” das portas dos dormitórios domésticos, seu pé
direito alto, a “varanda” ao redor da casa, a nossa arquitetura antiga, a construção de
casas adequadas às condições climatológicas da região, construídas com a
tecnologia que melhore a sua qualidade; as casas de palha, as casas de madeira, as
casas de barro, tecnicamente bem projetadas; a cobertura das barracas com folhas de
palmeiras entrelaçadas;
• os produtos medicinais; raízes;
• tecnologias e métodos de trabalho: as construções de casas e embarcações,
confecções de utensílios de cozinha, a preparação de chapéus de palhas e outros
produtos florestais, etc;
• técnicas de adaptação e manipulação de natureza e do corpo: as redes para dormir
são insubstituíveis para o repouso nas regiões de trópico úmido que têm altas
temperaturas; o banho freqüente que o índio ensinou ao brasileiro, principalmente
na Amazônia;

23
• as redes de dormir, principalmente de fibras naturais;
• técnicas de produção e de industrialização (caseira) de frutas. A variedade e
personalidade das frutas paraenses permitem a expansão desse setor e sua
priorização;
• técnicas de manipulação de medicamentos com plantas regionais.
• técnica de produção de barcos e de equipamentos de navegação. A diversidade de
tipos é grande, adaptados às diferenças geográficas das regiões.

Todos aspectos interligados, e que tem apreensão em alguns casos intangíveis, como
produtos quantificáveis e comercializáveis. Daí, sua natureza simbólica e, mas que não
pode ser desagregado daquilo que expressa a cultura da região.

2.3.1 O Círio de Nazaré

A Cultura da Região Metropolitana de Belém tem na religiosidade um dos seus


aspectos mais importantes. A maior manifestação dessa religiosidade se manifesta nas
romarias e festividades das padroeiras de cada município, cujo Círio de Nazaré é sua maior
expressão. O Círio de Nazaré se tornou não só à festa principal do povo paraense, como
também o principal evento turístico do estado.

Como assevera Alves (2005):


“A festa e o Círio acionam um conjunto de símbolos que são próprios da identidade paraense, revelando
também aspectos da vida social e da cultura da região; sua história, sua vida política e o sentimento de
pertencimento a uma dada cultura e uma dada comunidade”. (p. 65)

Reforçado por Figueiredo (2005):


“[...] a cultura paraense manifesta-se em todos os bairros de Belém, na maioria das casas, quer pela culinária,
quer pela música, artes, etc. [...] São realizados muitos eventos em função do Círio como feiras de artesanato,
manifestações da cultura popular (bois, carimbos, etc), exposições de arte, festas, festivais, entre outros. Esse
eventos aliam-se a ações organizadas pela igreja, pelas comunidades e pelo poder público.[...]” (p. 26 – 27).

De fato, a festa do Círio de Nazaré, é um momento em que o povo paraense expõe a


sua cultura, unindo em suas diversas manifestações, o religioso e o profano. A festa cria-se

24
um elo de ligação, entre todos os aspectos culturais da RMB e Paraense. Isto aparece bem
visível, nos seus eventos que relacionam culinária, artesanato e música.
É preciso ressaltar, que organização da festa6, sob a responsabilidade da Diretoria da
Festa, encampa eventos desde o começo do ano até culminar com os eventos, que fazem
parte das festividades do Círio, propriamente ditas.
O interlace da festa do Círio com outros elementos culturais do Estado e RMB é
marcante. De fato, se desde do início da romaria, a feira de produtos regionais criada pelo
governador à época, Souza Coutinho, tinha como objetivo “estimular a vinda dos
mercadores a Belém”, hoje ela estimula a vinda dos artesãos de todas as partes do estado,
para exporem seus produtos no “Arraial de Nazaré”, no entorno da Basílica de Nazaré.
Além da que já que ficou consagrada de a “feira de brinquedos de miriti”, que ocorre na
sexta-feira, na Praça da Sé e do Carmo.
Também na sexta-feira, após a romaria fluvial, com a chegada da imagem da Santa
na escadinha do Cais do Porto na Praça Pedro Teixeira, o Boi Pavulagem sai pelas ruas da
Cidade Velha, cujo arrastão termina na Praça da Sé onde está havendo a Feira do Miriti,
com uma grande manifestação de dança com as músicas do boi e de carimbo.
No sábado é tradicional a festa da Chiquita na Praça da República, onde ocorrem
apresentações de carimbo e artistas locais.
Os números dessa festa, não só em termos dos romeiros que acompanham as várias
procissões, bem como os valores gerados nas diversas atividades econômicas que está
movimenta traduzem sua importância cultural e econômica, para o município de Belém e
adjacências.
Para que se entenda, como esta manifestação religiosa movimenta a economia do
município de Belém e do estado, se descrito a seguir um breve resumo, de como se divide a
festa, em suas diversas e intensas atividades.
As romarias oficiais são em número de onze7, realizadas em um espaço de dezessete
dias. A Jornada por via terrestre e fluvial compreende 31 horas de procissão em uma

6
Existe no âmbito da Diretoria da Festa uma organização muito bem estruturada, tanto em nível
administrativo como operacional, contando com profissionais da mais alta competência, atuando em caráter
voluntário, em vários segmentos da cidade de Belém. A diretoria é composta por um Conselho Consultivo e
uma Diretoria Colegiada, além de oito diretorias executivas: Administrativa-Financeira; Arraial; Decoração;
Evangelização; Eventos; Marketing; Procissões e Sonorização.
7
As romarias oficiais são as seguintes: Translado Basílica-Ananindeua; Romaria Rodoviária; Romaria
Fluvial; Romaria dos Motoqueiros; Transladação; Círio; Romaria dos Ciclistas; Romaria da Juventude; Círio
das Crianças; Romaria da Festa e Recírio.

25
distância que alcança cerca de 112 km, em percursos ao longo das ruas da Região
Metropolitana de Belém e Baia do Guajará. As três maiores procissões são: a Procissão
Fluvial, com saída do porto de Icoaraci até a escadinha do cais e com duração de cerca de
três horas; a Transladação com cerca de cinco horas, no trajeto Colégio Gentil até a
Catedral (Igreja da Sé); e a romaria do Círio (realizada no domingo) – seu ponto culminante
– com duração média de cerca de oito horas, no trajeto Catedral até a Basílica.
Segundo estimativas do DIEESE – Pa (2005) e Diretoria de Nazaré, as festividades
do Círio de 2005 – Festividade de número 213 ° – estas onze procissões, envolveram cerca
de 3,4 milhões de pessoas, 2 milhões de pessoas só na procissão principal de domingo,
sendo estimado um número de cerca de 63.200 turistas oriundos de outros estados do
Brasil.
Alguns números da festa podem ser destacado nos seguintes elementos: a)
transporte e hospedagem; b) ingressos de arquibancada; c) gastos com almoço do Círio; d)
gastos dos turistas; e) despesas da festa.

Tabela 8
Valor gerado com Arrecadação com Arquibancadas no durante a Festa do Círio – R$
Ano Preço Médio Preço Médio N° Lugares Valor
Círio Transladação
2003 15,00 5,00 4.200 84.000
2004 16,00 5,00 4.200 88.200
2005 18,00 5,00 4.350 100.050
Fonte: Dieese, 2005 (mimeo).

Pela Tabela 8, verifica-se o valor gerado com a arrecadação oriunda da venda de


ingressos de arquibancadas em dois momentos das festividades do Círio: transladação e a
procissão de domingo do Círio, durante os anos de 2003 a 2005. Neste período o preço
médio de um lugar na arquibancada na primeira procissão se manteve o mesmo – R$5,00,
enquanto que na segunda teve uma elevação de 6,7% entre 2004 e 2003 e de 12,5% entre
2004 e 2003, um aumento nominal de cerca de o dobro, comparado a variação anterior.
A Tabela 9, por sua vez, apresenta as despesas realizadas para organização da festa
nos anos de 2004 e 2005. Verifica-se um rol bastante diversificado de despesas, cada qual

26
referente a um aspecto particular e ligado à própria tradição cultural seja origem laica ou
religiosa e que se integram nas festividades.

Tabela 9
Orçamento do Círio 2004 – 2005.
Despesas por tipo 2004 2005
Despesas com Evangelização 255.440,00 281.385,00
Despesas com Procissões 74.897,00 83.521,00
Despesas com Barraca da Santa 109.612,00 136.520,00
Despesas com Marketing 33.718,00 14.100,00
Despesa com Decoração 124.032,00 105.273,00
Despesas com Sonorização 36.240,00 37.120,00
Despesas com Promoções e Fogos 45.300,00 47.200,00
Despesas com Arraial 121.505,00 125.301,00
Despesas com Praça Santuária (CAN e Basílica) 40.800,00 45.220,00
Despesas com Funcionários Administrativos 36.609,00 51.286,00
Despesas com a Guarda da Santa 24.000,00 45.000,00
Despesas com Medalha e Fotos 2.592,00 2.920,00
Donativos 130.000,00 230.000,00
Total Geral 1.034.745,00 1.204.846,00
Fonte: Dieese, 2005 (mimeo).

A Tabela 10 apresenta a evolução do número de romeiros que participam das


festividades do Círio de Nazaré, o que fornece uma dimensão da festa e das possibilidades
de geração de renda no período. Em verdade, parte da repercussão econômica da festa pode
ser medida a partir do ingresso de turistas e o gasto (presumido), como apresentado na
Tabela 4. Um valor relativamente baixo, considerando as potencialidades que o evento
oferece.

Tabela 10
Demonstrativo da Evolução do Número de Romeiros na Festa do Círio 1995-
2005.
Ano Número de Pessoas (média)
1995 1.500.000
2000 1.700.000
2004 1.900.000
2005 2.000.000
Fonte: Dieese, 2005 (mimeo).

27
Tabela 11
Demonstrativo da Participação e Gastos de Turistas no Círio – 2004-2005.
Ano Número de Turistas Gasto Presumido dos Turistas
(US$)
2004 60.346 20.694.033
2005 63.214 21.952.785
Fonte: Dieese, 2005 (mimeo).

Estes turistas são na maioria originários das regiões nordeste e sudeste do Brasil,
com destaque maior para àqueles provenientes das cidades de São Luís e Fortaleza, e Rio
de Janeiro e São Paulo, quanto a primeira e segunda região, respectivamente.
No Quadro 2, estão dispostas as passagens (só ida) das cidades consideradas como
de maior fluxo de origem de turistas na época do Círio a Belém. Fazendo um exercício
acerca da renda gerada com passagens, com base em sua média, um valor estimado de
cerca de 32 milhões e meio de reais seria obtido.

R$256,93 x 2 (ida e volta) x 63.241 = R$32.497.020,26

Quadro 2
Preço Médio das Passagens Interestaduais, dos Principais Ingressos Turísticos.
CÍRIO/2004
PROCEDÊNCIA VALOR DE PASSAGENS
Rio / Belém de R$ 399,80 a R$ 407,50
São Paulo / Belém de R$ 389,00 a R$ 391,00
Brasília / Belém R$ 224,00
São Luiz / Belém R$ 112,00
Fortaleza / Belém R$ 155,00
Média R$256,93
Fonte: Pesquisa DIEESE/PA

Entretanto, a grande maioria dos participantes das festividades do Círio são


oriundos de municípios paraenses, de modo que é importante destacar os valores das

28
passagens com destino a Belém provenientes desses municípios, como é apresentado no
Quadro 3.

Quadro 3
Comparativo da Evolução do Preço Médio das Passagens Intermunicipais no Pará.
CÍRIO/2004
PROCEDÊNCIA VALOR DE PASSAGENS
Mosqueiro R$ 4,00
Salinas R$ 15,00
Bragança R$ 15,00
Vigia R$ 7,94
Marudá R$ 15,50
Castanhal Classic (*) R$ 5,00
Capanema R$ 13,50
Média R$10,85
Fonte: Pesquisa DIEESE/PA

Quadro 4
Comparativo da Evolução dos Preços Médios dos Produtos Básicos que Fazem Parte
do Almoço do Círio 2004 – 2005
PREÇO MÉDIO PREÇO MÉDIO VARIAÇÃO
PRODUTOS CÍRIO/2005 CÍRIO/2005 2004/2005
R$ R$ %
PATO VIVO (Kg)
(Comercialização em feiras) 10,00 9,00 11,11%
PATO CONGELADO (Kg)
(Importado de Santa Catarina) 8,39 7,48 12,17%
PERU CONGELADO (Kg)
(Temperado - Sadia) 7,36 6,53 12,71%
PERNIL SUÍNO (Kg)
(Aurora - Temperado) 8,54 8,21 4,02%
FRANGO RESFRIADO (Kg)
(Americano) 3,23 3,20 0,94%
FRANGO CONGELADO (Kg)
(Brotão) 2,69 2,39 12,55%
CHESTER (Kg)
(Perdigão) 6,45 4,51 43,02%
MANIVA PRÉ-COZIDA (Kg)
(Círio Temperada Tradicional)

29
(Supermercados) 2,16 1,83 18,03%
MANIVA CRUA (Kg)
(Feiras) 1,69 1,61 4,97%
TUCUPI (Litro)
(Feiras) 1,76 1,50 17,33%
JAMBU (Maço)
(Feiras) 0,59 0,52 13,46%
Fonte: Pesquisa DIEESE/PA

Os números apresentados acima, especialmente àqueles relativos ao número de


romeiros, sua origem, seus gastos e impactos sobre a economia, ganham mais rigor, quando
ponderados sobre diversos fatores causais que explicariam este movimento de romeiros,
bem como, se procede a individualização desses impactos, entre outros, durante e mês de
outubro.8

2.3.2 A Culinária Local

A definição da culinária como objeto de análise, também se prende a sua vinculação


direta com o artesanato e outras manifestações culturais. De fato, os contornos da cultura
indígena delegaram vários utensílios de fabricação artesanal, diretamente relacionados ao
modo de fazer e de consumir alimentos, de origem animal e vegetal seguindo a tradição
local.
Na fabricação dos alimentos cuja matéria-prima é a farinha de mandioca, pode-se
extrair vários exemplos. Assim, para a retirada do tucupi, é utilizado o tipiti, instrumento
confeccionado de talas de arumã, cuja forma tabular com extremidades afuniladas, quando
erguido, a mandioca ralada colocada no tubo é espremida, para expelir o sumo. Também, da
mandioca amarela – brava, são retiradas além da farinha e tucupi, a tapioca, o povilho e a
goma, da qual resultam iguarias como minguaus, beijus, bolos e doces. Todas
confeccionadas e consumidas a partir da utilização de vários utensílios de origem artesanal,
como cuias, alguidares, peneiras e paneiros. Estes últimos tomando a forma de arte do
trançado tipicamente de origem regional. Aliás, possuindo utilidade não só para a culinária,

8
Atualmente existe uma Pesquisa coordenada também pela Redesist, sobre agentes culturais – Círio de
Nazaré.

30
mas ligado às atividades cotidianas da população. Dessa forma, distingui-se o grande
paneiro – panacu, com e sem tampo, destinado a guardar ou carregar objetos; o uaturá, um
pouco mais alto que o anterior e feito de uambé, destinado a transportar alimentos; o ireru,
destinado exclusivamente para colocar a farinha; o picuá e uru, para carregar peixes; o
mariti para guardar caça e o pacará com tampa, em formato de baú, destinado a guardar
objetos de uso pessoal.
A cuia é, sem dúvida, um objeto culinário à parte. É originária da árvore chamada
de “cuiainha” pelos nativos, “cuieira” pelos portugueses e com nome científico de
“crescentia cuyte”. Seu modo de fazer envolve a utilização de um grande número de artigos
florestais de tradição indígena como: a escama do pirarucu, que serve como lixa; a folha do
caimbé utilizada para dar um lustro; a tapecu feita da casca da uteira, usada para pulverizar;
a resina do cumatê, que é obtida da casca da árvore do mesmo nome. As tinturas utilizadas
no seu acabamento, também, são feitas a partir de tintas naturais como o curi, tabatinga, o
tauá, o anil, e o urucu. Os nativos, inclusive, utilizam como pincéis, plumas de saracura, de
jacamim ou de garça branca, com acabamento rendilhado feitas de jamacaru (cacto) ou da
palmeira patauá. Sem a cuia, pratos típicos da culinária, como o tacacá, o caribe, a sopa de
peixe, perdem a paladar.
No mercado do Ver-o-Peso, está a força cultural da culinária paraense aparece de
forma mais explícita. São ao todo 228 boxes de venda de comida onde o fluxo de
consumidores gera um faturamento mensal de R$ 600 mil. Isto corresponde há um
montante diário de R$ 21 mil.
É importante destacar, conforme corroboram alguns donos de boxe, que o aumento
nas vendas é decorrente principalmente das melhorias realizadas a partir da implantação do
novo espaço do Ver-o-Peso.
O aumento nas vendas de comida no Ver-o-Peso, além de dar retorno positivo aos
proprietários, ainda contribui para a geração de postos de trabalho. Existem, em alguns
casos, proprietários que agregam 08 (oito) trabalhadores. Do lanche ao açaí, da tapioquinha
ao tacacá, tudo tem bastante saída no Ver-o-Peso. Entretanto, o produto que mais dinamiza
as vendas é o chamado PF (prato feito), os quais contribuem com elevada parcela do
faturamento. O preço baixo (em relação aos outros pontos de venda de comida) aliado a
generosas porções acaba por ser um atrativo a mais para elevar as vendas.

31
Este é um dos principais motivos atrativos de clientes, mas não é o suficiente. De
acordo com os vendedores, o ambiente de comercialização e a relação vendedor/cliente são
muito valorizados no momento da decisão de consumo. A assepsia do estabelecimento
juntamente com o bom atendimento, traduzido sob a forma de atenção ao cliente, fazem a
diferença no final do dia. Isto tem sido mais presente nos estabelecimentos do Ver-o-Peso,
principalmente porque os clientes mudaram em grande parte. Por exemplo, nos anos de
1960 e inicio de 1970 a maioria dos clientes advinham das embarcações que ancoravam no
porto. Atualmente, grande parte dos consumidores são turistas, os quais têm um grau maior
de exigência de qualidade de atendimento. (O LIBERAL, PAINEL, 22 de fevereiro de
2006 p. 3).
A qualidade da comida vendida no Ver-o-Peso, principalmente as comidas típicas do
Pará, apesar de estarem com um valor um pouco mais elevado do que em outros
estabelecimentos populares, atraem um considerável número de clientes, uma vez que
apresenta, em termos de paladar, um mesmo padrão que as comercializadas nos points mais
sofisticados de Belém. Isto vem contribuindo progressivamente no aumento da arrecadação.
A tendência é que nos próximos anos, mantido o crescimento do fluxo de pessoas no local,
o faturamento mensal total seja ainda mais elevado, não apenas por elevação do nível dos
preços, mas principalmente pelo aumento do consumo, o que provocará expectativas
positivas quanto ao futuro deste setor para a maioria dos seus comerciantes.
Na Região Metropolitana de Belém, existem ainda, diversos restaurantes
especializados em pratos típicos da culinária regional, tornando-se ponto de referência ao
turista que visita a capital. Nos espaços públicos, como Estação das Docas, Mangal das
Garças, Espaço São José Liberto, além de restaurante, existe também, quiosques que
comercializam diversos tipos de iguarias locais.
Dentro da motivação de que a culinária é um dos produtos culturais e, por
conseguinte, turísticos mais importantes do estado, desde de 2001 foi criado o evento: “Ver-
o-Peso da Cozinha paraense”, com o objetivo de incentivar a mão-de-obra local, que atua
no segmento a desenvolver o produto gastronômico do estado, bem como promover sua
divulgação nacional.
O evento é organizado por entidade de caráter privado, mas conta com as
participações do governo do estado e prefeitura municipal de Belém, assim como outras
entidades de apoio como SEBRAE. O evento além de atrair vários “chefs” de cozinha

32
nacionais e internacionais, conta em sua programação com uma visita ao mercado (feira) do
Ver-o-Peso; um “river tour gastronômico”; uma feira de produtos gastronômicos do estado;
oficinas; e concurso dividido em duas categorias: “Sabor Pará” e “Novos Talentos”.

3 ARRANJO PRODUTIVO DE ARTESANATO E MÚSICA

3.1 Caracterização Geral do(s) Arranjo(s).

Aspectos Comuns da Caracterização Empírica – artesanato e música.

As atividades econômicas envoltas no ambiente cultural da região Metropolitana de


Belém – RMB, particularmente as atividades de música e artesanato, conformam um
arranjo situado em países periféricos como definido por Santos, Crocco e Lemos (2002),
cujas características são assim definidas: a) capacidade inovativa débeis, enquanto capaz de
criar endogenamente a geração de progresso tecnológico; b) ambiente organizacional aberto
e passivo, no sentido que as funções estratégicas são determinadas externamente ao
sistema; c) ambiente institucional mais volátil e permeado por constrangimentos estruturais;
d) entorno destes sistemas com características de subsistência, ou seja, apresentando
densidade urbana limitada; baixo nível de renda per capita; baixos níveis educacionais;
reduzida complementariedade com o pólo urbano e frágil imersão social.
Neste âmbito aglomeram-se entorno dessas atividades, empresas de pequeno porte,
onde os elementos tácitos, de aprendizado através do “learning by doing” são a base tanto
do conhecimento individual como coletivo. Além disso, forma-se uma rede coorporativa,
cuja interdependência se entrelaça tanto de modo formal, como também, e maneira
informal. De uma lado, estão diversas formas associativas que permitem o artesanato em
seus diversos “espaços” de atuação: Mercado de São Braz; Espaço São José Liberto; Praça
da República; Icoaraci etc, ocupar nichos de mercado.
Assumem importância na constituição de formas de cooperação, as chamadas redes
horizontais e verticais, ao que pode se identificar o que Best (1998) chamou de “invisible
college”.
Constituem-se aqui uma situação semelhante a descrita por Lawson (1999) apud
Santos, Crocco e Lemos (2002), o compartilhamento coletivo de conhecimento tanto na

33
tentativa de melhorar a qualidade de produtos e processos, como de ocupar segmentos de
mercado mais lucrativos, através da inserção da “marca” Pará em espaços, ainda não
ocupados em vitrines como feiras e exposições de caráter nacional.
Além disso, são coordenadas ações conjuntas para soluções de problemas comuns.
Assim, sobressaem-se entre as relações inter-firmas, processos de mobilização e
coordenação coletiva: como reuniões, trocas de experiências, encontros sociais informais,
bem como direcionamento de reivindicações comuns. Tudo isso, de forma organizada e
coletiva, ainda que existam poucos vínculos diretos dos produtores em si em termos de
troca de conhecimentos técnicos e organizacionais. As relações inter-firmas acontecem
mais em termos de aglutinação de forças para pressionar as estruturas de governança do
poder constituído, ou permitir de forma organizada e conjunta uma maior penetração no
mercado.
A forma como se delineiam a estrutura de governança é um aspecto muito
importante tanto no processo de organização coletiva, como na distribuição de tarefas e
divisão de responsabilidades. O sistema de governança através de mecanismos de
exposição e promoção, tenta induzir encadeamentos produtivos internos e externos.
Vele ressaltar, que embora as atividades de coordenação entre as empresas,
expressas através das diversas formas de associativismo vem logrando êxito na solução de
alguns problemas comuns – como a dotação de maior segurança, por exemplo. Estas
formas de associativismo ainda são frágeis especialmente do ponto de vista financeiro, de
modo que suas ações são direcionadas a provisão de infra-estrutura e serviços, ou mesmo
criação e/ou multiplicação de atividades geradoras de inovação, conhecimento e tecnologia.
Assim, eles não têm capacidade de dinamicamente impulsionar o desenvolvimento de
arranjos, enquanto aglomeração não só organizada, mas também inovativa.
Dentro dos limites impostos pelas formas de associativismo, em geral, pela
imposição dos estatutos e deliberações das Assembléias, cada unidade produtiva individual
guarda total autonomia administrativa e gerencial e se beneficiaria de divisões coletivas,
especialmente, centralizadas na organização de eventos, participações em feiras, cursos
entre outros. Além disso, podem também gozar de externalidades positivas oriundas de
economias de aglomeração decorrentes dos diversos espaços físicos criados (onde estão
reunidos os produtores) e formas de aprendizagem “coletiva” nesses mesmos espaços.

34
A caracterização geral do arranjo versa sobre o que Santos, Crocco e Lemos (2002)
chamam de aglomerações produtivas informais, onde prevalecem as seguintes
características: a) nível tecnológico baixo, em relação à fronteira da indústria; b)
capacidade de gestão precária; c) formas de coordenação e o estabelecimento de redes de
ligação inter-firmas pouco evoluídas; d) predomínio de uma forma de competição
predatória via preços; e) baixo nível de confiança entre os agentes e informação pouco
compartilhada; f) infra-estrutura do aglomerado precária, estando ausentes os serviços
básicos de apoio ao desenvolvimento sustentado da aglomeração, como serviços
financeiros e centros de produtividade e treinamento. Por tudo isso estas aglomerações não
se constituiriam em organizações produtivas sistêmicas, tal que não teriam atingido o status
de sistemas de produção locais – guardam, assim, características típicas de aglomeração
industrial localizadas em economias periféricas.

Características Comuns: artesanato e música.


i) Grande Segmentação em cada um dos “APLs”. A segmentação do artesanato é feita a
partir da matéria-prima principal utilizada. Já a segmentação da música, foi pensada a partir
do repertório musical adotado;
ii) Rede cooperativa articulada, embora seja diferenciada para os diversos segmentos de
cada APL, tendo o estado como principal coordenador. Muito no seguimento de música não
há uma articulação contínua e bem definida.
iii) Nível de Profissionalização das duas atividades crescente. Embora, dois aspectos tem de
ser destacados quanto ao mercado de trabalho: a) em muitos casos a ocupação não é tida
como ocupação principal, ou é exercida ao mesmo tempo com outra atividade profissional;
b) Baixo nível de formalização das relações de trabalho.
iv) Estrutura organizacional de caráter familiar, especialmente no artesanato. Isto fragiliza a
capacidade administrativa e de gestão.

35
v) Formas de aprendizado e reprodução do conhecimento tendo na estrutura familiar seu
fundamento e, baseado no processo learning by doing/learning by using e não no
conhecimento sistematizado.
vi) Grande potencial inovativo nas duas atividades, se bem que concretamente a
capacidade inovativa pode ser dita débil, enquanto capaz de criar endogenamente a geração
de progresso tecnológico.

4 CARACTERÍSTICAS GERAIS DO ARRANJO PRODUTIVO LOCAL –


ARTESANATO

o Baixa produtividade;
o Mão-de-obra intensiva;
o Predominância de pequenas empresas com até 10 empregados;
o Forte incidência de relações familiares nas relações de trabalho;
o Baixa qualificação da mão-de-obra;
o Formas razoavelmente consolidadas de associativismo e cooperação;
o Baixa inovação tanto de produto como de processo, ainda que tem havido uma certa
reversão a esta tendência, especialmente quanto a inovação de produto;
o Alta informalidade.
Com relação à base familiar dos empreendimentos, Noronha e Turchi (2005),
chamam a atenção de sua importância na análise sócio-econômica dos aaranjos produtivos,
especialmente em pequenas cidades. Isto porque segundo estes autores a noção de
cooperação tão destacada no entendimento de APL tem que ser percebida envolta no
seguinte misto de relações: i) autoridade; ii) de mecanismos de controle explícitos típicos
de relações familiares; iii) do reconhecimento de interesses mútuos; iv) da sedimentação da
confiança, enquanto antecipação do comportamento do delegatário. Estas características
efetivamente são afetas ao artesanato paraense em seus variados segmentos. O vínculo
familiar é decisivo na relação de confiança em que se estabelece para transmissão de
conhecimento, enquanto um processo de dar continuidade àquela “tradição de família”. Ao
mesmo tempo, nas relações de trabalho, a autoridade hierárquica e as formas de controle do
trabalho são impostas seguindo a própria hierarquia familiar, muito mais na base do

36
respeito e da obediência, do que por alguma imposição legal ou jurídica. Soma-se a isto que
a ocupação de membros da família naquela atividade (artesanal) representa expansão da
força de trabalho e capacidade produtiva da empresa, representando uma forma, antes que
uma forma de aumentar o lucro a ser recebido, uma forma de aumentar a renda familiar.
Esta característica, entretanto, tem estreita vinculação com o grau de formalização da
empresa (artesanato) e varia, de acordo com o tipo de segmento de artesanato específico.
Assim, enquanto os artesãos do segmento de produção de ervas, balata, cuia, cestaria e
cerâmica assume esta característica explicitamente, o mesmo não se observa para o
segmento de produção artesanato com jóia.

4.1 Caracterização Empírica

4.1.1 A Empresa

A análise seguirá informações contidas na pesquisa de campo realizada em 2005 e


2005, com a utilização do formulário da Redesist e pesquisa realizada pelo SEBRAE em
2002. Em verdade, a pesquisa do SEBRAE vem reforçar alguns aspectos que o formulário
da redesist não é capaz de captar.
As Tabelas 12, 13 e 14 fazem uma primeira caracterização das empresas ligadas a
atividade artesanal. Observe-se que mais de 95% das unidades pesquisadas é considerada
micro, com menos de 10 empregados, somente 1 é classificada como pequena e 1 como
média. Das microempresas cerca de 50% delas fundadas até 1980, todas formadas por
capital nacional e em cerca de 90% dos casos sendo constituída por um ou dois sócios.

Tabela 12
Identificação das Empresas
Nº de Nº de
Tamanho % %
Empresas Empregados
95,7 79,7
1. Micro 45 % 287 %
2.
Pequena 1 2,1% 12 3,3%
16,9
3. Média 1 2,1% 61 %
4.
Grande 0 0,0% 0 0,0%

37
100, 100,
Total 47 0% 360 0%
Fonte: pesquisa de campo.

As micro comportam cerca de 287 empregados, para um total de 45


empresas pesquisadas, o que resulta em uma média de cerca de 6 trabalhadores empregados
em cada uma delas.

Tabela 13
Ano de Fundação da Empresa
Micro Pequena Média
Ano de
Nº Nº Nº
Fundação
Empresas % Empresas % Empresas %
44,4
Até 1980 20 % 0 0,0% 0 0,0%
6
1981-1985 3 ,7% 0 0,0% 0 0,0%
4
1986-1990 2 ,4% 0 0,0% 0 0,0%
8 100,
1991-1995 4 ,9% 0 0,0% 1 0%
15,6 100,
1996-2000 7 % 1 0% 0 0,0%
20,0
2000-2003 9 % 0 0,0% 0 0,0%
1 1 1
Total 45 00% 1 00% 1 00%
Fonte: pesquisa de campo.

O Gráfico 1 mostra a distribuição das microempresas, segundo seu ano de


fundação, evidenciando um caráter permanente dessas atividade.

38
Gráfico 2
Ano de Fundação das Microempresas

2000-2003
20%

até 1980
44%

1996-2000
16%

1991-1995
9% 1986-1990 1981-1985
4% 7%

Fonte: Elaborado pelo autor.

Por seu turno, o número de sócios fundadores é bastante reduzido, ficando em torno
de 90%, o número de empresas fundadas com até dois sócios.

Tabela 14
Número de Sócios Fundadores
Micro Pequena Média
Número de

Sócios
Empresa Nº Nº
Fundadores
s % Empresas % Empresas %
1 sócio 53,5 100,0
23 % 0 0,0% 1 %
2 sócios 34,9 100,0
15 % 1 % 0 0,0%
3 sócios 2 4,7% 0 0,0% 0 0,0%
3 ou mais
sócios 3 7,0% 0 0,0% 0 0,0%
Total 43 100% 1 100% 1 100%
Fonte: pesquisa de campo.

Nessa primeira caracterização um aspecto que é evidenciado na pesquisa do


SEBRAE é o caráter familiar dessa atividade, tanto quanto a sua motivação, como na sua
estrutura de funcionamento. Assim, na Tabela 15, observa-se que cerca de 85% das

39
empresas consideram a atividade artesanal como ocupação única ou principal, muito
embora, cerca de 15% a conduzam como atividade complementar ou hobby.

Tabela 15
Finalidade da Atividade Artesanal como Ocupação – 2002.
Atividade Artesanal que Desenvolve Absoluto Relativo
É única 452 75,5
É a Principal 53 8,8
É Complementar 86 14,4
É Hobby 08 1,3
Total 599 100,0
Fonte: SEBRAE/ACERTAR

Por outro lado, entre as razões sugeridas como motivadoras dos indivíduos a
ingressarem na atividade artesanal, destaca-se a tradição familiar, a realização pessoal e a
insuficiência de emprego. Vale ressaltar, que como no formulário estas respostas eram
mutuamente exclusivas, isto impossibilitou que se captasse, a correlação muito grande que
existe entre essas respostas, especialmente entre as duas primeiras.
Outrossim, evidencia-se o papel do artesanato como uma atividade que tem na
tradição familiar seu elemento que dá uma sua dinâmica temporal, com repercussões diretas
sobre o processo e relações de produção.
Corrobora a origem e execução tipicamente familiar dessa atividade o próprio local
de trabalho onde esta é realizada, onde em cerca de 77% dos casos, realizada na própria
residência do artesão, como evidenciado na Tabela 16, assim como, são contraídas às
relações de trabalho, realizada com mão-de-obra tipicamente familiar – Tabela 17.

Tabela 16
Local de Trabalho – 2002.
Local de trabalho Absoluto Relativo
Na residência 463 77,3
Na Associação 06 1,0
Oficina alugada 30 5,0
Outros 100 16,7
Total 599 100,0
Fonte: SEBRAE/ACERTAR

Tabela 17
Como a Atividade artesanal é Desenvolvida – 2002.
Origem Absoluto Relativo
Individualmente 260 41,5

40
Com familiares 275 43,9
Com outros artesãos 63 10,1
Com aprendizes 28 4,5
Total 599 100,0
Fonte: SEBRAE/ACERTAR
4.1.2 O Sócio Fundador

Quanto ao perfil do sócio-fundador das unidades pesquisadas (Tabela 18),


destacam-se os seguintes aspectos: a) relativa igualdade por gênero na execução das
atividades, pelo menos quanto ao sócio da empresa, que, em geral, é por assim dizer o
“mestre-artesão”; b) a escolaridade é baixa prevalecendo o ensino fundamental incompleto
(31,7%) ou completo (29,3%); c) a idade prevalecente é até 20 anos (39%) e entre 21 e 40
anos (34,1%); d) cerca da metade com pais tendo sido empresários – aqui entendido
empresário como artesãos – o que reforça os resultados da pesquisa do SEBRAE, no qual a
tradição familiar é aspecto fundamental, nessa atividade.
Um aspecto que merece ser destacado é que a baixa idade dos sócios-fundadores
pode ser atribuída em parte, devido ao fato da empresa ter assumido uma natureza formal
recente, muito embora já existisse, em alguns casos por mais de uma década, como mostrou
a Tabela 6. Isto revela, na verdade, uma nova geração de artesãos, que com maior grau de
instrução (cerca de 6,6% com grau superior completo ou incompleto), comparado aos seus
pais, perceberam que a formalidade abre novas oportunidades de negócios para as unidades
produtivas.

41
Tabela 18
Perfil do Sócio-Fundador
Peque Médi
Especificação Micro na a
1. Idade
40,0
1.1. Até 20 anos % 0,0% 0,0%
31,1 100,
1.2. Entre 21 e 30 anos % 0,0% 0%
15,6 100,0
1.3. Entre 31 e 40 anos % % 0,0%
1.4. Entre 41 e 50 anos 4,4% 0,0% 0,0%
1.5. Acima de 50 anos 4,4% 0,0% 0,0%
95,6 100,0 100,
Total % % 0%
2. Sexo (%)
53,3 100,
2.1. Masculino % 0,0% 0%
44,4 100,0
2.2. Feminino % % 0,0%
97,8 100,0 100,
Total % % 0%
3. Pais Empresários (%)
40,0 100,
3.1. Sim % 0,0% 0%
48,9
3.2. Não % 0,0% 0,0%
88,9 100,
Total % 0,0% 0%
4. Escolaridade (%)
4.1. Analfabeto 2,2% 0,0% 0,0%
28,9
4.2. Ensino Fundamental Incompleto % 0,0% 0,0%
31,1
4.3. Ensino Fundamental Completo % 0,0% 0,0%
13,3
4.4. Ensino Médio Incompleto % 0,0% 0,0%
17,8
4.5. Ensino Médio Completo % 0,0% 0,0%
100,
4.6. Superior Incompleto 2,2% 0,0% 0%
4.7. Superior Completo 4,4% 0,0% 0,0%
100,0
4.8. Pós-Graduação 0,0% % 0,0%
100, 100,0 100,
Total 0% % 0%
5. Atividade antes de criar a empresa
(%)
5.1. Estudante Universitário 4,4% 0,0% 0,0%
5.2. Estudante de Escola Técnica 2,2% 0,0% 0,0%

42
5.3. Empregado de micro ou pequena
empresa local 6,7% 0,0% 0,0%
5.4. Empregado de média ou grande
empresa local 2,2% 0,0% 0,0%
5.5. Empregado de empresa de fora do
arranjo 0,0% 0,0% 0,0%
5.6. Funcionário de instituição pública 6,7% 0,0% 0,0%
13,3
5.7. Empresário % 0,0% 0,0%
64,4 100,0 100,
5.8. Outra % % 0%
100, 100,0 100,
Total 0% % 0%
Fonte: pesquisa de campo.

4.1.3 Características Gerais do Processo Produtivo

De uma maneira geral, a atividade artesanal desenvolvida na Região Metropolitana


de Belém, não difere de sua caracterização geral como artesanato: nível de utilização de
equipamentos e máquinas, baixo e rudimentar; divisão de tarefas, quando existe baseada no
gênero, onde assumem as tarefas manuais mais pesadas, enquanto as mulheres assumem
funções ligadas ao acabamento e decoração.

Tabela 19
Característica do Produto Artesanal – 2002.
Característica Principal do Produto Absoluto Relativo
Utilitário 117 19,5
Decorativo 109 18,2
Artístico 12 2,0
Decorativo/utilitário 269 44,9
Outros 92 15,4
Total 599 100,0
Fonte: SEBRAE/ACERTAR

De acordo com a característica, no que concerne a sua finalidade, o produto


artesanal pode ser classificado em três modalidades: utilitário, decorativo, artístico, sendo
que esta classificação não é mutuamente exclusiva, em verdade, os próprios artesãos, em
sua maioria, classificam seus produtos possuindo dupla finalidade, podendo tanto ser
decorativo, como utilitário.
De igual modo à matéria-prima utilizada nos trabalhos artesanais, pode ser ao
mesmo tempo natural e industrial, ainda que pela característica do tipo de artesanato
paraense prevaleça a matéria-prima apenas de origem natural.

43
Tabela 20
Origem da Matéria-Prima – 2002.
Origem Absoluto Relativo
Natural 412 68,8
Industrial 101 16,9
Natural/Industrial 86 14,4
Total 599 100,0
Fonte: SEBRAE/ACERTAR

Pela Tabela 21, observa-se que o sistema de vendas ocorre tipicamente através da
venda direta ao consumidor, realizado, na maioria dos casos na própria casa ou oficina do
produtor, ou através de mercados ou feiras. De fato, apenas cerca de 10% possui loja
própria, 12,4% vende direto a lojistas e 11% o faz através de intermediários.

Tabela 21
Sistema de Vendas – 2002.
Origem Absoluto Relativo
Direto ao consumidor 338 34,3
Em mercados, praças 228 23,1
Direto a lojistas 122 12,4
Através de intermediários 111 11,3
Em Loja própria 93 9,4
Outros 40 4,1
Através de Associações 43 4,4
Através de Cooperativas 11 1,1
Total 986 100,0
Fonte: SEBRAE/ACERTAR

É através da associação para permitir a comercialização da produção, em feiras e


mercados, em espaços públicos, em geral, sob a coordenação do estado, que se manifesta à
cooperação entre os artesãos – como será ressaltado em seção posterior.
Quanto às feiras, destaca-se a “feira do artesanato” realizada na Praça da República
em Belém, composta por 150 barracas padronizadas, comercializando diversos tipos de
artesanato, como definido na Tabela 22 a seguir. A feira congrega produtores de cinco
associações de produtores de artesãos: Associação de Microprodutores e Artesãos do

44
Guamá – AMPAG; Associação das Mulheres Artesãs de Icoaraci – AMAI; Cooperativa dos
Artesãos de Icoaraci – COART; Associação dos Artífices e Produtores de Icoaraci – AAPI;
Cooperativa dos Microprodutores e Artesãos da Área Metropolitana de Belém – COMIP.
Além de três entidades filantrópicas: República do Pequeno Vendedor; Grupo de
Aposentados e Pensionistas da Prefeitura Municipal de Belém – PMB e Fundação Papa
João XXIII.
Outro espaço importante para a comercialização dos produtos artesanais é o
“Espaço São José Liberto”, onde mais de 300 artesãos expõem, em regime de consignação,
em caráter permanente. Além desses, outros pontos de exposição pública são a Estação das
Docas, o Mangal das Garças, e o Mercado de São Braz.

Tabela 22
Número de Barracas por Tipo de Produto Integrantes da Feira do Artesanato
na Praça da República.
Produto Número de Barracas
Metal 07
Alimentos 08
Comidas Típicas 01
Durepox 15
Chifre 02
Madeira 12
Perfumes Regionais 04
Palha 02
Cerâmica 04
Couro 19
Vidro 02
Tricô/crochê/bordado 07
Macramê 03
Bijouterias 07
Bonecas 04
Serigrafia 06
Tecido 07
Parafina 02

45
Quadro 01
Bolsas 01
Diversos 36
Total 150
Fonte: ATEC/SECON.

A Tabela 23 apresenta o número de feiras e equipamentos nos anos de 2004 e 2005,


que comercializam artesanato em Belém.

Tabela 23
Feiras e Mercados em Belém, que comercializam artesanato
2004 2005
Feiras/Ano
Feirante Equipam. Feirante Equipam.
Acatauassu Nunes 0 0 0 0
Augusto Correa 0 0 0 0
Ariri Bolonha 0 0 0 0
Bandeira Branca 1 1 1 1
Barreiro 2 2 0 0
Batista Campos 0 0 0 0
Bengui 0 0 0 0
Campina 3 3 0 0
Comp. Catalina 0 0 0 0
Comp. Guamá 0 0 0 0
Comp. São Brás 0 0 0 0
Comp. Jurunas 0 0 0 0
Cremação 0 0 0 0
Damasco 0 0 1 1
Entrocamento 2 2 1 1
Jurunas 0 0 0 0
Marambaia 0 0 1 1
Mosqueiro 1 1 0 0
Mundurucus 0 0 0 0
Oito de Maio 0 0 0 0
Olga Benário 0 0 0 0
Outeiro 0 0 0 0
Panorama XXI 0 0 1 1
Paruqe União 2 2 0 0
Pedreira 1 1 0 0
Porto da Palha 0 0 0 1
Porto do Açaí 0 0 0 0
Praça das Castanheiras 1 1 0 0
Providência 0 0 0 0
Sacramenta 0 0 0 0
Santa Luzia 2 2 1 2
São Benedito 1 1 0 0

46
São Domingos 0 0 0 0
São Gaspar 0 0 0 0
Tavares Bastos 2 2 1 1
Telegráfo 2 2 1 1
Teófilo Conduru 0 0 0 0
Terra Firme 1 1 0 0
Ver-o-Peso 14 16 0 0
Verdejante IV 0 0 0 0
25 de Setembro 0 0 0 0
Total 35 37 8 10
Fonte: DCT/DFMP/SECON

47
Por sua vez, o Quadro 5 apresenta o número de lojas que comercializam artesanato
em Belém, segundo o bairro da capital.

Quadro 5
Lojas que Comercializam Artesanato em Belém
LOJAS BAIRRO
A. A. S. PINHEIRO ME - TOK MÍSTICO ATALAIA
A. B. NOBRE LOJA MARAJÓ CAMPINA
A. S. ARAUJO - CASA DA PALMA CAMPINA
ADRIANA ALMEIDA DE BRITO - LINART ARTESANATO BATISTA CAMPOS
ARTE NATIVA NAZARÉ
ARTES DA AMAZONIA LTDA CAMPINA
ARTESANATO JURUÁ LTDA - ARTESANATO JURUÁ VAL DE CANS
ARTESANATO JURUÁ LTDA - ARTESANATO JURUÁ ATALAIA
ARTESANATO JURUÁ LTDA - ARTESANATO JURUÁ SÃO BRAZ
ARTESANATO JURUÁ LTDA - ARTESANATO JURUÁ CAMPINA
ARTESANATO JURUÁ LTDA SÃO BRAZ
CASA AMAZONIA LTDA - ME CASA AMAZONIA CAMPINA
DUACIR ANTONIO VICENTE JUNIOR - ME ARTE MISTICA BATISTA CAMPOS
ESPAÇO CRISTAL COMERCIO LTDA BATISTA CAMPOS
FARTEC FAB. ARTE DE CIMENTO LTDA MARCO
FARTEC FABRICA DE ARTEFATOS DE CIMENTO LTDA. MATRIZ ICOARACI
J. SOARES MARTINS LTDA. BOM BOM DO PARÁ CAMPINA
LOJA DO ARTESANATO LTDA COMERCIO
M. E. F. P. GUIMARÃES EPP CARAMBOLADA BATISTA CAMPOS
M. C. PINHEIRO MONTEVERDE SOLDADINHO DE CHUMBO ATALAIA
M. PASSOS LTDA. VITORIA REGIA ARTESANATOS CAMPINA
M. S. F. COSTA ARTESANATO CASA GRANDE ATALAIA
MAURO FARIA DE MORAES ME CAMPINA
NOVO MILENIO ARTES LTDA ME CAMPINA
PATCA COMERCIO E ARTE LTDA BATISTA CAMPOS
Fonte: Sindilojas – Pará.

Como prevalece uma estrutura familiar, a relação de trabalho envolve familiares


sem contrato formal, ainda que este processo venha cedendo espaço para relações formais
de trabalho. Importante dizer, que nas formas de informalidade, incluem-se os serviços de
caráter temporário.
Tabela 24

48
Relação de Trabalho
Micro Pequena Média
Tipos Nº Nº Nº
Pessoas % Pessoas % Pessoas %
Sócio 18,5
Proprietário 63 % 1 5,9% 1 1,6%
Contratos 18,4 47,1
Formais 62,5 % 8 % 0 0,0%
Estagiário 11,8
3,5 1,0% 2 % 0 0,0%
Serviço 12,1 98,4
Temporário 41 % 1 5,9% 60 %
Terceirados 26,5 29,4
90 % 5 % 0 0,0%
Familiares
sem contrato 23,5
formal 79,8 % 0 0,0% 0 0,0%
Total 1 1 1
340 00% 17 00% 61 00%
Fonte: pesquisa de campo

A escolaridade do pessoal ocupado apresenta dois aspectos interessantes. O primeiro


é que não foram constatados trabalhadores analfabetos entre os ocupados na atividade.
Segundo, o grau de escolaridade aumenta com o tamanho da empresa.

Tabela 25
Escolaridade do Pessoal Ocupado
Grau de Ensino Micro Pequena Média
1. Analfabeto 0 0 0
0,0% 0,0% 0,0%
2. Ensino Fundamental
Incompleto 75 0 60
29,2% 0,0% 98,4%
3. Ensino Fundamental
Completo 33,6 0 0
13,1% 0,0% 0,0%
4. Ensino Médio Incompleto 51 0 0
19,8% 0,0% 0,0%
5. Ensino Médio Completo 83,4 8 0
32,5% 72,7% 0,0%
6. Superior Incompleto 4 0 0
1,6% 0,0% 0,0%
7. Superior Completo 6 2 1
2,3% 18,2% 1,6%
8. Pós-Graduação 4 1 0
1,6% 9,1% 0,0%

49
Total 257 11 61
Fonte: pesquisa de campo.

Tabela 26
Renda Bruta Mensal – 2002.
Renda Bruta em Salários Mínimos Absoluto Relativo
Até 1 SM 160 26,7
Mais de 1 a 5 SM 350 58,4
Mais de 5 a 10 SM 66 11,0
Não Sabe 23 3,8
Total 599 100,0
Fonte: SEBRAE/ACERTAR

A renda bruta, em 85% dos casos gira em torno de até 1 a 5 Salários Mínimos, o que
vem ao encontro da remuneração média da população da Região Metropolitana de Belém,
como mostrado na Tabela 26.

Gráfico 2
Faturamento Médio por Segmento (R$)

Média
Segmento

Jóias

Ceramica

Diversos

0 2.000 4.000 6.000 8.000 10.000 12.000 14.000

Faturamento (R$)

O faturamento das empresas de artesanato, por sua vez, é muito diferenciado


dependendo do segmento considerado. Em termos médios, cada unidade produtiva tem um
faturamento de cerca de R$4.000/mês, entretanto, quando se separa este faturamento por

50
segmento, observa-se que o segmento de jóias puxa a média para cima, ficando o
faturamento médio dos outros dois segmentos: cerâmica e diversos em torno de
R$2.000,00/mês.
Tabela 27
Dificuldades Enfrentadas pela Empresa.

1° Ano Em 2005
Diculdade
ìndic
Nula Baixa Média Alta e Nula Baixa Mádia
Alta ìndice
1. Contratar 18 3 8 10 0,40 17 12 5 4 0,29
empregados 25,6 13,2
qualificados 46,2% 7,7% 20,5% % 44,7% 31,6% 10,5% %
2. Produzir com 16 4 10 10 0,43 16 16 4 2 0,24
qualidade 25,0
40,0% 10,0% 25,0% % 42,1% 42,1% 10,5% 5,3%
3. Vender a 9 9 6 16 0,56 8 7 11 13 0,56
produção 40,0 33,3
22,5% 22,5% 15,0% % 20,5% 17,9% 28,2% %
4. Custo ou 11 8 6 14 0,51 9 5 7 16 0,59
falta de capital 35,9 43,2
de giro 28,2% 20,5% 15,4% % 24,3% 13,5% 18,9% %
5. Custo ou 18 4 4 10 0,38 14 7 5 7 0,37
falta de capital
para aquisição
de máquinas e 27,8 21,2
equipamentos 50,0% 11,1% 11,1% % 42,4% 21,2% 15,2% %
6. Custo ou 26 4 2 6 0,22 20 5 2 5 0,24
falta de capital
para
aquisição/locaç
ão de 15,8 15,6
instalações 68,4% 10,5% 5,3% % 62,5% 15,6% 6,3% %
7. Pagamento 31 2 2 3 0,13 26 3 4 4 0,20
de juros 7 10,8
81,6% 5,3% 5,3% ,9% 70,3% 8,1% 10,8% %
8. Outras 34 0 2 2 0,08 8 0 1 7 0,48
dificuldades 5 43,8
89,5% 0,0% 5,3% ,3% 50,0% 0,0% 6,3% %
*Índice = (0*Nº Nulas + 0,3*Nº Baixas + 0,6*Nº Médias + Nº Altas) / (Nº Empresas
no Segmento)
Fonte: pesquisa de campo

Um aspecto especialmente importante do sistema de produção está relacionado com


as dificuldades encontradas pelas unidades produtivas para realizar a produção. Observa-se
que para a maioria das dificuldades elencadas, essas permanecem ao mesmo nível (medido
pelo índice), tanto no primeiro ano, como quando comparado com o ano de 2005. Todavia,

51
produzir com qualidade, decresceu bastante em virtude do próprio processo de
aprendizagem que tem permitido melhoras nessa direção. Também de igual modo está a
dificuldade de contratar empregados qualificados.
Contrastando com os resultados apresentados pela Tabela 27, estão aqueles
relativos aos fatores competitivos apontados pelas unidades produtivas, como
determinantes para manter sua capacidade competitiva na principal linha de produção da
empresa. Por ordem de importância, são apontados os seguintes: desenho e estilo dos
produtos; qualidade dos produtos; qualidade da matéria-prima; qualidade da mão-de-obra e
capacidade de atendimento.
Está muito claro na cabeça dos produtores artesanais, que o diferencial de seus
produtos está na sua originalidade, usando utensílios e matéria-prima natural que
identifiquem a marca “Amazônia” em seus produtos. Todavia, sabem que isto não garante
mercado, dada a grande concorrência que marca os diversos segmentos principalmente,
quando passam a ter a intenção de exportar a produção, seja em nível nacional ou exterior.
Assim sendo, fatores como a qualidade da matéria-prima, qualidade do produto, bem como
capacidade de atendimento aos pedidos, em geral, em maior escala, quando a venda é feita
para atender atacadistas intermediários, passa a ser visto como fatores efetivamente
determinantes na manutenção dos mercados alcançados. A percepção é que a diferenciação
do produto, só realmente representa vantagem competitiva, quando aliada a outros
elementos que agregam valor ao produto e a empresa.
A TABELA 28 mostra os fatores determinantes da competitividade apontados pelas
unidades produtivas.

52
Tabela 28

Fatores Competitivos Determinantes para Manter a Capacidade Competitiva das Empresas


Fonte: pesquisa de campo
Micro Pequena Média
Fatores competitivos Baix Médi Índic Baix Índic Baix Médi Índic
Nula a aAlta e* Nula a Média Alta e* Nula a a Alta e*
1. Qualidade da 5 2 8 30 0,79 0 0 0 1 1,00 0 0 0 1 1,00
matéria-prima e 11,1 17,8
66,7 0 100,0 0 0 100,0
outros insumos % 4,4% % % 0,0% ,0% 0,0% % 0,0% ,0% ,0% %
2. Qualidade da mão- 7 2 6 30 0,76 0 0 0 1 1,00 0 0 0 1 1,00
de-obra 15,6 13,3
66,7 0 100,0 0 0 100,0
% 4,4% % % 0,0% ,0% 0,0% % 0,0% ,0% ,0% %
3. Custo da mão-de- 17 11 7 9 0,38 0 0 1 0 0,60 0 0 0 1 1,00
obra 38,6 25,0 15,9
20,5 0 100,0 0 0 100,0
% % % % 0,0% ,0% % 0,0% 0,0% ,0% ,0% %
4. Nível tecnológico 22 10 8 5 0,28 0 0 0 1 1,00 1 0 0 0 0,00
dos equipamentos 48,9 22,2 17,8
11,1 0 100,0 100,0 0 0
% % % % 0,0% ,0% 0,0% % % ,0% ,0% 0,0%
5. Capacidade de 19 2 7 17 0,48 0 0 0 1 1,00 0 0 0 1 1,00
introdução de novos 42,2 15,6
37,8 0 100,0 0 0 100,0
produtos/processos % 4,4% % % 0,0% ,0% 0,0% % 0,0% ,0% ,0% %
6. Desenho e estilo 4 2 5 34 0,84 0 0 1 0 0,60 0 0 0 1 1,00
nos produtos 11,1
75,6 0 100,0 0 0 100,0
8,9% 4,4% % % 0,0% ,0% % 0,0% 0,0% ,0% ,0% %
7. Estratégias de 15 4 10 15 0,50 0 0 0 1 1,00 0 0 0 1 1,00
comercialização 34,1 22,7
34,1 0 100,0 0 0 100,0
% 9,1% % % 0,0% ,0% 0,0% % 0,0% ,0% ,0% %
8. Qualidade do 5 2 4 34 0,82 0 0 0 1 1,00 0 0 0 1 1,00
produto 11,1 75,6 0 100,0 0 0 100,0
% 4,4% 8,9% % 0,0% ,0% 0,0% % 0,0% ,0% ,0% %
9. Capacidade de 3 9 10 22 0,70 0 0 0 1 1,00 0 0 0 1 1,00
atendimento (volume 20,5 22,7 50,0 0 100,0 0 0 100,0
e prazo) 6,8% % % % 0,0% ,0% 0,0% % 0,0% ,0% ,0% %
10. Outra 23 0 1 4 0,16 1 0 0 0 0,00 1 0 0 0 0,00
82,1 14,3 100,0 0 100,0 0 0
% 0,0% 3,6% % % ,0% 0,0% 0,0% % ,0% ,0% 0,0%
Figura 1: Cadeia Produtiva da Cerâmica
Matéria-prima Principal

VAREJO
Argila
ARGILA
Igarapé: Uxí, FORNECEDOR OLARIA
Igarapé:
Paracurí, Uxí,
Livramento
Paracurí, Exportação Encomenda
Livramento na Região
ATA CADO
Outros Metropolitan
Origem: Icoaraci Estados a de Belém

OUTROS PAÍSES

PROCESSO PRODUTIVO

Limpeza
para Maromba
retirada de utilizada Torno Tirar
Forno
resíduos para a
homogenei Artesanal Desidratação Rugosidad
vegetais (12 a 18 h)
zar a argila (1 dia a 1 e
(manual)

54
ACABAMENTO
Produtividade: 180 peças / dia.

55
As características do processo produtivo especialmente, quanto às relações de trabalho vão
ao encontro daquelas que definem a informalidade no setor terciário (OIT, 1972), quais sejam:
i) facilidade de entrada; ii) propriedade individual ou familiar do empreendimento; iii)
operação em pequena escala; iv) utilização de materiais nacionais – no caso específico
“regionais”; v) processos produtivos intensivos em trabalho por meio de tecnologia adaptada;
vi) atuação em mercados não-regulamentados e altamente competitivos; vii) qualificação dos
trabalhadores adquiridas fora do sistema formal. Complementada pela existência de
ilegalidade, inclusive, quanto ao seu não registro oficial junto ao governo.

4.1.4 Dinâmica de Inovação.

4.1.4.1 A Geração do Conhecimento

Uma outra repercussão das relações familiares no processo de trabalho, diz respeito à
forma como é repassado o conhecimento tradicional, do conhecimento relativo as técnicas
artesanais. Assim, dos cerca de 65% indivíduos que repassam o conhecimento artesanal, em
cerca de 60% dos casos isto é feito a familiares, amigos, ou membros da comunidade onde o
artesão habita, em que, portanto, há algum vínculo de ligação entre esses indivíduos,
particularmente familiares, para “seguir a tradição” da família. Isto pode ser visualizado com
auxílio das Tabelas 29 e 30.
A própria tradição do artesanato surge a partir do conhecimento de algum agente
específico, em geral, um “mestre-artesão” que passa a dominar a técnica, aperfeiçoa-la e
depois dissemina-la, naquela localidade. A Figura 2 ilustra como esse conhecimento tácito,
passou a ser determinante em relação à cerâmica em Icoaraci.

55
Figura 2
Origem da Inovação da Cerâmica de Icoaraci

Conhecimento por Conhecimento por


uma revista visitas a museus
réplica

Origem

Mestre Mestre
Antônio Raimundo
Cabeludo Cardoso

Disseminação

Dar novas formas e cores –


A partir da cópia tentar
artesanato se torna peça de
replicar figuras de
decoração
cerâmicas marajoara,
maracá e tapajônica

Diferenciação do
produto

Fonte: Elaboração do autor.

Tabela 29
Transferência de Conhecimento – 2002
Repasse de Conhecimento Absoluto Relativo
Sim 393 65,6
Não 206 34,4
Total 599 100,0
Fonte: SEBRAE/ACERTAR

Tabela 30

56
Para Quem o Conhecimento esta sendo Repassado – 2002.
Origem Absoluto Relativo
Família 192 34,1
Amigos 140 24,6
Comunidade 85 15,1
Alunos 79 14,0
Instituições (pública/privada) 20 3,6
Outros 21 3,7
Empregados 20 3,6
Cooperativa 06 1,1
Sindicato 00 0,0
Total 599 100,0
Fonte: SEBRAE/ACERTAR

A capacidade de inovar, especialmente em produto, refere-se particularmente, a


utilização de diferentes materiais na fabricação de produtos em cada segmento específico.
Segmento diferenciado é o de artesanato em jóia quem vêm utilizando na composição dos
artigos produzidos de diferentes fibras, como curuá, côco e ou sementes e frutos, juntamente
com metais e gemas, como aspecto que efetivamente diferencia as jóias produzidas no Pará
(RMB). A inovação quanto aos desenhos de produtos ligados a temática indígena ou a
natureza amazônica, também vem se tornando em diferencial competitivo do artesanato
gerado na Região Metropolitana de Belém.
A inovação para o produtor tem, portanto, duplo caráter, inova-se na utilização de
diferentes materiais, bem como no traço típico que retrata a realidade do povo da região e sua
relação com a natureza. Isto dá a inovação realizada um caráter eminentemente endógeno,
fruto do esforço criativo, na maioria dos casos, individual, procurando agregar valor ao
artesanato produzido, valor este que nasce de sua percepção e da cultura que ele tenta
reproduzir.
A inovação em processo, como característica de técnicas rudimentares de produção, é
muito pequena, e quase sempre nasce da tentativa de solucionar um problema específico no
processo produtivo, como a existência de impurezas na matéria-prima utilizada. Não é,
portanto, um esforço contínuo de melhora, como o é na inovação de produto, que versa,
inclusive, como inovação não existente no mercado.
A Tabela 31 mostra que a inovação de processo, bem como outros tipos de inovação
foram implementadas mais nas empresas de maior porte, pequena e média.

Tabela 31

57
Características da Inovação
Micr Peque Médi
Descrição o na a
Sim Sim Sim
68,9 100,0 100,
1. Inovações de produto
% % 0%
1.1. Produto novo para a sua empresa, mas já existente 24 1 0
no mercado? 68,6 100,0
% % 0,0%
1.2. Produto novo para o mercado nacional? 18 1 1
51,4 100,0 100,
% % 0%
1.3. Produto novo para o mercado internacional? 8 1 1
24,2 100,0 100,
% % 0%
2. Inovações de processo 26,7 100,0
% % 0,0%
2.1. Processos tecnológicos novos para a sua empresa, 11 1 0
mas já existentes no setor? 34,4 100,0
% % 0,0%
2.2. Processos tecnológicos novos para o setor de 4 1 0
atuação? 12,9 100,0
% % 0,0%
3. Outros tipos de inovação 51,1 100,0 100,
% % 0%
3.1. Criação ou melhoria substancial, do ponto de vista 8 1 1
tecnológico, do modo de acondicionamento de produtos 26,7 100,0 100,
(embalagem)? % % 0%
3.2. Inovações no desenho de produtos? 23 1 1
71,9 100,0 100,
% % 0%
4. Realização de mudanças organizacionais 22,2 100,0 100,
(inovações organizacionais)* % % 0%
4.1. Implementação de técnicas avançadas de gestão ? 3 1 0
10,0 100,0
% % 0,0%
4.2. Implementação de significativas mudanças na 6 1 1
estrutura organizacional? 20,0 100,0 100,
% % 0%
4.3. Mudanças significativas nos conceitos e/ou práticas 6 1 1
de marketing ? 20,0 100,0 100,
% % 0%
4.4. Mudanças significativas nos conceitos e/ou práticas 7 1 1
de comercialização ? 23,3 100,0 100,
% % 0%
4.5. Implementação de novos métodos e gerenciamento, 1 1 1
visando a atender normas de certificação (ISO 9000, ISSO 3 100,0 100,
14000, etc)? ,8% % 0%
*Índice = (Nº Empresas com pelo menos um sim) / (Nº
Empresas no Segmento)
Fonte: pesquisa de campo

58
O impacto da inovação reflete a característica principal em inovação de produto,
permitindo ao mesmo tempo: a) ampliação da gama de produtos; b) ampliação da qualidade;
c) manutenção ou ampliação da sua participação de mercado. A preocupação com a qualidade
do produto é aspecto destacado em todos os segmentos e principal elemento motivador da
inovação perseguida. Isto ocorreu independentemente do porte da empresa.

Tabela 32
Impacto da Inovação
Micro Pequena
Descrição Médi Índic Médi Índic
Nula Baixa a Alta e* Nula Baixa a Alta e*
1. Aumento da 3 3 11 14 0,69 0 0 0 1 1,00
produtividade 35,5 45,2 100,0
da empresa 9,7% 9,7% % % 0,0% 0,0% 0,0% %
2. Ampliação da 1 2 13 18 0,78 0 0 0 1 1,00
gama de
produtos 38,2 52,9 100,0
ofertados 2,9% 5,9% % % 0,0% 0,0% 0,0% %
3. Aumento da 1 10 3 16 0,69 0 0 0 1 1,00
qualidade dos 10,0 53,3 100,0
produtos 3,3% 33,3% % % 0,0% 0,0% 0,0% %
4. Permitiu que 3 3 13 13 0,68 0 0 0 1 1,00
a empresa
mantivesse a
sua participação
nos mercados 40,6 40,6 100,0
de atuação 9,4% 9,4% % % 0,0% 0,0% 0,0% %
5. Aumento da 3 6 11 11 0,63 0 0 0 1 1,00
participação no
mercado interno 35,5 35,5 100,0
da empresa 9,7% 19,4% % % 0,0% 0,0% 0,0% %
6. Aumento da 9 6 7 8 0,47 0 0 0 1 1,00
participação no
mercado
externo da 30,0 23,3 26,7 100,0
empresa % 20,0% % % 0,0% 0,0% 0,0% %
7. Permitiu que 8 10 5 6 0,41 0 0 0 1 1,00
a empresa
abrisse novos 27,6 17,2 20,7 100,0
mercados % 34,5% % % 0,0% 0,0% 0,0% %
8. Permitiu a 16 5 6 4 0,29 0 0 0 1 1,00
redução de
custos do 51,6 19,4 12,9 100,0
trabalho % 16,1% % % 0,0% 0,0% 0,0% %

59
9. Permitiu a 19 3 7 2 0,23 0 0 1 0 0,60
redução de
custos de 61,3 22,6 100,0
insumos % 9,7% % 6,5% 0,0% 0,0% % 0,0%
10. Permitiu a 25 0 4 1 0,11 0 0 1 0 0,60
redução do
consumo de 83,3 13,3 100,0
energia % 0,0% % 3,3% 0,0% 0,0% % 0,0%
11. Permitiu o 21 2 1 3 0,16 0 0 1 0 0,60
enquadramento
em regulações e
normas padrão
relativas ao 77,8 11,1 100,0
Mercado Interno % 7,4% 3,7% % 0,0% 0,0% % 0,0%
12. Permitiu o 22 1 1 3 0,14 0 0 1 0 0,60
enquadramento
em regulações e
normas padrão
relativas ao
Mercado 81,5 11,1 100,0
Externo % 3,7% 3,7% % 0,0% 0,0% % 0,0%
13. Permitiu 22 0 1 2 0,10 0 0 1 0 0,60
reduzir o
impacto sobre o 88,0 100,0
meio ambiente % 0,0% 4,0% 8,0% 0,0% 0,0% % 0,0%
*Índice = (0*Nº Nulas + 0,3*Nº Baixas + 0,6*Nº Médias + Nº Altas) /
(Nº Empresas no segmento)
Fonte: pesquisa de campo

Os resultados da Tabela 33, constância de inovação, podem levar a uma análise


contraditória do que foi dito acima, pelo menos no que diz respeito às Microempresas
artesanais. Isto porque a inovação, embora, quanto ao produto tenha aspecto contínuo, não
nasce de um departamento específico, ou de Pesquisa e Desenvolvimento formal na empresa.
Assim, este item como os demais foram considerados baixos para as unidades pesquisadas.
Para as duas empresas de porte pequeno e médio, a rotina de inovações é mais destacada,
quanto a projetos industriais ligados aos novos produtos, bem como quanto à implantação de
programas de treinamento.

Tabela 33
Constância da Inovação nas Microempresas Pesquisadas
Micro
Descrição Não Ocasionalm
desenvolveu Rotineiramente ente Índice*
1. Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) 20 2 4 0,15
na sua empresa 76,9% 7,7% 15,4%

60
2. Aquisição externa de P&D 17 6 3 0,29
65,4% 23,1% 11,5%
3. Aquisição de máquinas e 19 5 3 0,24
equipamentos que implicaram em
significativas melhorias tecnológicas
de produtos/processos ou que estão
associados aos novos
produtos/processos 70,4% 18,5% 11,1%
4. Aquisição de outras tecnologias 24 2 0 0,08
(softwares, licenças ou acordos de
transferência de tecnologias tais
como patentes, marcas, segredos
industriais) 92,3% 7,7% 0,0%
5. Projeto industrial ou desenho 24 3 0 0,11
industrial associados à
produtos/processos
tecnologicamente novos ou
significativamente melhorados 88,9% 11,1% 0,0%
6. Programa de treinamento 19 6 1 0,25
orientado à introdução de
produtos/processos
tecnologicamente novos ou
significativamente melhorados 73,1% 23,1% 3,8%
7. Programas de gestão da qualidade 26 0 0 0,00
ou de modernização organizacional,
tais como: qualidade total,
reengenharia de processos
administrativos, desverticalização do
processo produtivo, métodos de “just
in time”, etc 100,0% 0,0% 0,0%
8. Novas formas de comercialização 22 3 1 0,13
e distribuição para o mercado de
produtos novos ou significativamente
melhorados 84,6% 11,5% 3,8%
*Índice = (0*Nº Não desenvolveu + 0,5*Nº Ocasionalmente + Nº
Rotineiramente) / (Nº Empresas no Segmento)
Fonte: pesquisa de campo

As fontes de informação denotam como se reproduz o conhecimento do processo


produtivo. De um lado, como fonte interna na própria área de produção, enquanto processo
criativo. De outro, a partir de fonte externa, de conhecimento já codificado de experiência
adquirida como de feiras e órgãos de capacitação como o SEBRAE, internet, institutos de
pesquisa e universidade.
Tabela 34
Fontes de Informação para as Empresas

61
Micr
o Peq Med
Descrição
Índic Índic Índic
e* e* e*
1. Fontes Internas
1.1. Departamento de P & D 0,26 0,60 0,00

1.2. Área de produção 0,65 1,00 0,00

1.3. Áreas de vendas e marketing 0,51 1,00 0,00

1.4. Serviços de atendimento ao cliente 0,48 1,00 0,00

1.5. Outras 0,32 0,00 0,00

2. Fontes Externas
2.1. Outras empresas dentro do grupo 0,28 0,00 0,00

2.2. Empresas associadas (joint venture) 0,09 0,00 0,00

2.3. Fornecedores de insumos (equipamentos, materiais) 0,48 1,00 0,00

2.4. Clientes 0,69 1,00 1,00

2.5. Concorrentes 0,57 0,30 0,00

2.6. Outras empresas do Setor 0,24 0,30 0,00

2.7. Empresas de consultoria 0,14 0,60 0,00

3.Universidades e Outros Institutos de Pesquisa


3.1. Universidades 0,34 0,60 0,00

3.2. Institutos de Pesquisa 0,39 0,60 0,00

3.3. Centros de capacitação profissional, de assistência técnica 0,58 1,00 0,00


e de manutenção
Tabela 35
Fontes de Informação para as Empresas
Cont
.
Micr
4. Outras Fontes de Informação
o Peq Med
4.1. Licenças, patentes e “know-how” 0,59 0,60 1,00

4.2. Conferências, Seminários, Cursos e Publicações 0,46 0,60 1,00


Especializadas
4.3. Feiras, Exibições e Lojas 0,74 1,00 1,00

62
4.5. Associações empresariais locais (inclusive consórcios de 0,26 1,00 1,00
exportações)
4.6. Informações de rede baseadas na internet ou computador 0,42 0,60 1,00

Fonte: pesquisa de campo


*Índice = (0*Nº Nulas + 0,3*Nº Baixas + 0,6*Nº Médias + Nº Altas) / (Nº Empresas no
Segmento)

Pela Tabela 35, percebe-se que para as microempresas à informação adquirida pela
experiência dentro da empresa, nas atividades de produção são muito importantes, entretanto,
assume grande importância, também, a informação obtida, pelas externalidades geradas por
outros agentes como clientes e mesmo outras empresas, especialmente em eventos como feiras
e exposições. Para as empresas de maior porte, elas conseguem absorver informação mais
intensamente de outras fontes, como universidades e associações empresariais.

4.1.5 Treinamento e Capacitação

A efetividade de treinamento segue a segmentação da atividade. Assim, enquanto para


alguns segmentos o treinamento como uma atividade regular não existiu, para outros
segmentos, por assim dizer, mais profissionalizados, como o segmento de jóias, este tem sido
um aspecto destacado. Embora, não seja realizado somente dentro da unidade produtiva, mas
dentro do próprio arcabouço institucional criado para tanto. O índice para as microempresas
artesanais, não ultrapassa a 0,5 para todos os itens, devido a essa diferenciação. Entretanto
para as pequenas e médias atinge 1, para os dois primeiros itens: treinamento na empresa e
treinamento em cursos técnicos realizados no arranjo.

Tabela 36
Treinamento nas Microempresas Artesanais
Micro
Descrição Índic
Nula Baixa Média Alta e*
1. Treinamento na empresa 20 1 10 12 0,43
46,5% 2,3% 23,3% 27,9%
2. Treinamento em cursos técnicos 19 4 6 15 0,45
realizados no arranjo 43,2% 9,1% 13,6% 34,1%

63
3. Treinamento em cursos técnicos 24 6 5 7 0,28
fora do arranjo 57,1% 14,3% 11,9% 16,7%
4. Estágios em empresas 41 1 1 0 0,02
fornecedoras ou clientes 95,3% 2,3% 2,3% 0,0%
5. Estágios em empresas do grupo 40 3 0 0 0,02
93,0% 7,0% 0,0% 0,0%
6. Contratação de 35 5 1 2 0,10
técnicos/engenheiros de outras
empresas do arranjos 81,4% 11,6% 2,3% 4,7%
7. Contratação de 43 0 0 0 0,00
técnicos/engrenheiros de empresas
fora do arranjo 100,0% 0,0% 0,0% 0,0%
8. Absorção de formandos dos 37 2 2 2 0,09
cursos universitários localizados no
arranjo ou próximo 86,0% 4,7% 4,7% 4,7%
9. Absorção de formandos dos 34 4 3 1 0,10
cursos técnicos localizados no
arranjo ou próximo 81,0% 9,5% 7,1% 2,4%
Fonte: pesquisa de campo
*Índice = (0*Nº Nulas + 0,3*Nº Baixas + 0,6*Nº Médias + Nº Altas) / (Nº Empresas no
Segmento)

4.1.6 Cooperação

A Cooperação é bastante destacada pelas empresas artesanais, especialmente às


microempresas. De fato, a presença de associações, que exercem papel de coordenação com
alguns espaços físicos importantes como COMIP, no Mercado de São Braz; ARTEPAM, na
feira do artesanato na praça de República; COSAPA, no bairro do Paracuri em Icoaraçi, além
daqueles de natureza pública cuja coordenação é exercida pelo estado, tem criado maiores
oportunidades através da venda conjunta de produtos. Todavia, exercem papel aglutinador no
estabelecimento de outras formas de cooperação como para as reivindicações comuns,
obtenção de financiamento e participação conjunta em feiras e capacitação de recursos
humanos.

Tabela 37
Realização de Cooperação pelas Empresas

Tamanho da
Empresa Sim Não Total

64
1. Micro 36 8 44
81,8% 18,2% 100,0%
2. Pequena 1 0 1
100,0% 0,0% 100,0%
3. Média 1 0 1
100,0% 0,0% 100,0%
4. Grande 0 0 0
0,0% 0,0% 0,0%
Fonte: pesquisa de campo

As formas de cooperação vêm sendo um diferencial da atividade, uma vez que o


estado, bem como, as associações, têm desempenhado uma função destacada em alguns
segmentos. O papel do estado tem sido principalmente de criar e internalizar uma mentalidade
nos artesãos voltada as necessidades do mercado. Para tanto, tem promovido programas de
capacitação e treinamento, bem como servido de coordenador nas experiências de
associativismo. Isto inclui a dotação de uma infra-estrutura física que permite a transmissão de
conhecimento e treinamento, assim como para a comercialização de produtos. Espaços físicos
dessa natureza são principalmente, o Espaço São José Liberto a Fundação Curro Velho. Não
obstante, o estado vem intervindo no sentido de reforçar certos elos considerados frágeis na
cadeia produtiva. Assim, a experiência do São José Liberto, como Pólo Joalheiro, é exemplar
nessa direção. Alia-se capacitação, com coordenação e, ao mesmo tempo, se introduz
mecanismos para que na base, por exemplo, no fornecimento de matérias-primas, oriundo
especialmente de Itaituba, Floresta do Araguaia e Paraopebas, possam ser atendidas.
Pela Tabela 37, verifica-se que mais de 80% das unidades exercem algum tipo de
atividade cooperativa, o que é exercida por empresas concorrentes mediante diferentes formas
de cooperação. A presença de institutos de pesquisa e das universidades, ainda é muito
incipiente. A presença do SEBRAE como órgão de apoio e promoção é reforçada.

Tabela 38
Parceiros na Cooperação nas Microempresas

65
Micro
Agentes Baix Médi Índic
Nula a a Alta e*
1. Empresas
1.1. Outras empresas dentro do 12 5 7 1 0,15
grupo 48,0 20,0 28,0
% % % 4,0%
1.2. Empresas associadas (joint 24 1 0 0 0,01
venture) 96,0
% 4,0% 0,0% 0,0%
1.3. Fornecedores de insumos 6 3 10 7 0,31
(equipamentos, materiais, 23,1 11,5 38,5 26,9
componentes e softwares) % % % %
1.4. Clientes 5 0 9 13 0,41
18,5 33,3 48,1
% 0,0% % %
1.5. Concorrentes 5 2 4 26 0,64
13,5 10,8 70,3
% 5,4% % %
1.6. Outras empresas do setor 10 9 3 2 0,14
41,7 37,5 12,5
% % % 8,3%
1.7. Empresas de consultoria 20 0 2 1 0,05
87,0
% 0,0% 8,7% 4,3%
2. Universidades e Institutos de
Pesquisa
2.1. Universidades 9 8 4 4 0,20
36,0 32,0 16,0 16,0
% % % %
2.2. Institutos de pesquisa 10 1 9 3 0,19
43,5 39,1 13,0
% 4,3% % %
2.3. Centros de capacitação 14 1 5 5 0,18
profissional de assistência técnica e 56,0 20,0 20,0
de manutenção % 4,0% % %
2.4. Instituições de testes, ensaios 19 0 2 0 0,03
e certificações 90,5
% 0,0% 9,5% 0,0%
3. Outros Agentes
3.1. Representação 17 2 3 3 0,12
68,0 12,0 12,0
% 8,0% % %
3.2. Entidades Sindicais 13 3 9 1 0,16
50,0 11,5 34,6
% % % 3,8%
3.3. Órgãos de apoio e promoção 9 1 4 14 0,37
32,1 14,3 50,0
% 3,6% % %
3.4. Agentes financeiros 13 2 1 13 0,32
44,8 44,8
% 6,9% 3,4% %

66
*Índice = (0*Nº Nulas + 0,3*Nº Baixas + 0,6*Nº Médias + Nº Altas) / (Nº
Empresas no Segmento)
Fonte: pesquisa de campo

67
Tabela 39
Formas de Cooperação

Micro Pequena Média


B
Descrição
Baix Médi Índic Médi Índic aix Médi Índic
Nula a a Alta e* Nula Baixa a Alta e* Nula a a Alta e*
1. Compra de 21 8 3 7 0,25 0 1 0 0 0,30 1 0 0 0 0,00
insumos e 53,8 20,5 7 17,9 100,0 100,0 0
equipamentos % % ,7% % 0,0% % 0,0% 0,0% % ,0% 0,0% 0,0%
2. Venda 8 1 6 24 0,62 0 0 0 1 1,00 0 0 1 0 0,60
conjunta de 20,5 2 15,4 61,5 100,0 0 100,0
produtos % ,6% % % 0,0% 0,0% 0,0% % 0,0% ,0% % 0,0%
3. 18 1 9 11 0,37 0 0 1 0 0,60 1 0 0 0 0,00
Desenvolvimen
to de Produtos 46,2 2 23,1 28,2 100,0 100,0 0
e processos % ,6% % % 0,0% 0,0% % 0,0% % ,0% 0,0% 0,0%
4. Design e 17 4 10 8 0,34 0 0 0 1 1,00 0 0 1 0 0,60
estilo de 43,6 10,3 25,6 20,5 100,0 0 100,0
Produtos % % % % 0,0% 0,0% 0,0% % 0,0% ,0% % 0,0%
5. Capacitação 17 3 8 11 0,37 0 0 0 1 1,00 0 0 1 0 0,60
de Recursos 43,6 7 20,5 28,2 100,0 0 100,0
Humanos % ,7% % % 0,0% 0,0% 0,0% % 0,0% ,0% % 0,0%
6. Obtenção de 12 1 5 21 0,54 0 1 0 0 0,30 0 0 0 1 1,00
financiamento 30,8 2 12,8 53,8 100,0 0 100,0
% ,6% % % 0,0% % 0,0% 0,0% 0,0% ,0% 0,0% %
7. 12 10 2 15 0,43 0 0 1 0 0,60 0 0 0 1 1,00
Reivindicações 30,8 25,6 5 38,5 100,0 0 100,0
% % ,1% % 0,0% 0,0% % 0,0% 0,0% ,0% 0,0% %
8. Participação 13 6 6 14 0,43 0 0 0 1 1,00 0 0 0 1 1,00
conjunta em 33,3 15,4 15,4 35,9 100,0 0 100,0
feiras, etc % % % % 0,0% 0,0% 0,0% % 0,0% ,0% 0,0% %
9. Outras 19 0 0 5 0,11 1 0 0 0 0,00 0 0 0 1 1,00
79,2 0 0 20,8 100,0 0 100,0
% ,0% ,0% % % 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% ,0% 0,0% %

*Índice = (0*Nº Nulas + 0,3*Nº Baixas + 0,6*Nº Médias + Nº Altas) /


(Nº Total de Empresas)
Fonte: pesquisa de campo

66
As formas de cooperação são apontadas especialmente pelas microempresas, como
mecanismos eficientes para se obter financiamento conjunto, como também para venda
conjunta de produtos, inclusive, quanto à participação em eventos comerciais como feiras.
Para as pequenas e médias outros aspectos são assinaladas como importantes quanto a
cooperação. Assim, é ressaltada a cooperação no auxílio a capacitação dos recursos humanos e
na melhor definição do estilo e designe dos produtos.
A Fundação Curro Velho, por sua vez, através de suas oficinas cria um espaço que
multiplica a própria transmissão do conhecimento.

Tabela 40
Avaliação das Ações Conjuntas
Micro
Peq. Med
Nula Baixa Média Alta Índice* Índice* Índice*
1. Melhoria na 13 5 9 9 0,35 0,60 0,60
qualidade dos produtos 36,1% 13,9% 25,0% 25,0%
2. Desenvolvimento de 10 4 8 14 0,44 0,60 0,60
novos produtos 27,8% 11,1% 22,2% 38,9%
3. Melhoria nos 14 9 5 8 0,30 0,30 0,00
processos produtivos 38,9% 25,0% 13,9% 22,2%
4. Melhoria nas 17 6 5 8 0,28 0,00 0,60
condições de
fornecimento dos
produtos 47,2% 16,7% 13,9% 22,2%
5. Melhor capacitação 15 10 6 5 0,26 0,60 1,00
de recursos humanos 41,7% 27,8% 16,7% 13,9%
6. Melhoria nas 10 0 12 14 0,47 0,30 1,00
condições de
comercialização 27,8% 0,0% 33,3% 38,9%
7. Introdução de 18 5 9 4 0,24 0,60 1,00
inovações
organizacionais 50,0% 13,9% 25,0% 11,1%
8. Novas oportunidades 10 1 3 22 0,54 0,00 1,00
de negócios 27,8% 2,8% 8,3% 61,1%
9. Promoção de 13 4 7 12 0,39 0,60 1,00
nome/marca da
empresa no mercado
nacional 36,1% 11,1% 19,4% 33,3%
10. Maior inserção da 19 2 5 10 0,30 0,60 1,00
empresa no mercado
externo 52,8% 5,6% 13,9% 27,8%
11. Outras 25 0 0 0 0,00 0,00 0,00
100,0% 0,0% 0,0% 0,0%

67
*Índice = (0*Nº Nulas + 0,3*Nº Baixas + 0,6*Nº Médias + Nº Altas) / (Nº Total de
Empresas)
Fonte: pesquisa de campo

Para aqueles artesãos integrados em algum tipo de associativismo, a avaliação de ação


conjunta tida como de maior alcance é justamente na melhoria das condições de
comercialização e abertura de novas oportunidades de negócios, isto inclui empresas de
diferentes portes.

Tabela 41
Resultado dos Processos de Treinamento e Aprendizagem
Micro
Peq Med
Baix Médi Índic Índic Índic
Nula a a Alta e* e* e*
1. Melhor utilização 5 1 11 16 0,69 1,00 1,00
de técnicas
produtivas,
equipamentos,
insumos e 15,2 33,3 48,5
componentes % 3,0% % %
2. Maior 5 9 7 12 0,57 1,00 1,00
capacitação para
realização de
modificações e
melhorias em
produtos e 15,2 27,3 21,2 36,4
processos % % % %
3. Melhor 6 3 11 12 0,61 1,00 1,00
capacitação para
desenvolver novos
produtos e 18,8 34,4 37,5
processos % 9,4% % %
4. Maior 9 1 7 16 0,62 1,00 1,00
conhecimento sobre
as características
dos mercados de 27,3 21,2 48,5
atuação da empresa % 3,0% % %
5. Melhor
capacitação
administrativa 10 3 12 8 0,49 0,30 1,00

Fonte: pesquisa de campo

Quanto ao processo de treinamento e aprendizado, a avaliação dos artesãos também é


diferenciada a partir dos segmentos que obtém ou não mais diretamente a influência do poder

68
público como coordenadores. Entretanto, o conjunto dos resultados mostra uma avaliação
positiva quanto aos diferentes itens abordados, como melhor utilização de técnicas produtivas,
equipamentos, insumos e componentes; maior capacitação para realização de modificações e
melhorias em produtos e processos; melhor capacitação para desenvolver novos produtos e
processos; maior conhecimento sobre as características dos mercados de atuação da empresa;
e melhor capacitação administrativa. As respostas mostram importância relativa equivalente
de cada item avaliado.

69
Micro Pequena Média
Externalidades
Nula Baixa Média Alta Índice* Nula Baixa Média Alta Índice* Nula Baixa Média Alta Índice*
1. Disponibilidade de mão- 13 4 8 20 0,58 0 1 0 0 0,30 0 0 1 0 0,60
de-obra qualificada 28,9% 8,9% 17,8% 44,4% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0%
2. Baixo custo da mão-de- 15 6 21 3 0,39 0 1 0 0 0,30 0 0 1 0 0,60
obra 33,3% 13,3% 46,7% 6,7% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0%
4.1.7 O Ambiente Local
3. Proximidade comos 0 7 4 34 0,86 0 1 42 0 0 0,30 0 0 0 1 1,00
fornecedores de insumos
Tabela
e matéria prima 0,0% 15,6% 8,9% 75,6%Vantagem 0,0%
da 100,0% 0,0%
Localização 0,0%
no Arranjo 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%
4. Proximidade comos 2 3 9 30 0,83 0 0 1 0 0,60 0 0 0 1 1,00
clientes/consumidores 4,5% 6,8% 20,5% 68,2% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%
5. Infra-estrutura física 7 6 14 18 0,63 0 0 1 0 0,60 0 0 1 0 0,60
(energia, transporte,
comunicações) 15,6% 13,3% 31,1% 40,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0%
6. Proximidade com 30 6 2 7 0,22 0 1 0 0 0,30 1 0 0 0 0,00
produtores de
equipamentos 66,7% 13,3% 4,4% 15,6% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0%
7. Disponibilidade de 29 6 1 8 0,24 0 0 1 0 0,60 1 0 0 0 0,00
serviços técnicos
especializados 65,9% 13,6% 2,3% 18,2% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0%
8. Existência de 22 5 5 13 0,39 0 0 1 0 0,60 0 0 0 1 1,00
programas de apoio e
promoção 48,9% 11,1% 11,1% 28,9% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%
9. Proximidade com 29 7 2 7 0,23 0 0 1 0 0,60 0 0 1 0 0,60
universidades e centros de
pesquisa 64,4% 15,6% 4,4% 15,6% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0%
10. Outra 39 0 2 0 0,03 1 0 0 0 0,00 1 0 0 0 0,00
95,1% 0,0% 4,9% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0%

*Índice = (0*Nº Nulas + 0,3*Nº Baixas + 0,6*Nº Médias + Nº Altas) / (Nº Empresas no Segmento)
Fonte: pesquisa de campo

69
Segundo, a Tabela 43, as principais transações comerciais que as unidades econômicas
exercem no arranjo são a aquisição das matérias-primas e a venda dos produtos. Isto serve de
referência, para as vantagens apontadas (Tabela 42) por essas mesmas unidades por se
localizar no arranjo. Desse modo, os maiores índices estão exatamente relacionados aos itens
Micro Pequena
Tipos de Transações
supracitados, quanto à proximidade de fornecedores de insumos e matérias-primas, bem como
Nula Baixa Média Alta Índice* Nula Baixa Média Alta Índice*
com1. Aquisição
clientesdeeinsum os e
consumidores.2 A infra-estrutura
1 6 36física0,89
e a disponibilidade
0 1 0de mão-de-obra
0 0,30
matéria prima 4,4% 2,2% 13,3% 80,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0%
qualificada também são apontadas como de grande relevância, especialmente por àquelas
2. Aquisição de 24 9 9 3 0,25 0 1 0 0 0,30
equipam entos
unidades que estão integradas em 20,0%
53,3% espaços20,0%
físicos6,7%
sob coordenação
0,0% do estado.0,0% 0,0%
100,0%
3. Aquisição de componentes 16 5 2 0 0,12 0 1 0 0 0,30
e peças 69,6% 21,7% 8,7% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0%
4. Aquisição de serviços 30 7 6 1 0,15 0 0 1 0 0,60
(manutenção, marketing, etc) 68,2% 15,9% 13,6%
Tabela2,3%43 0,0% 0,0% 100,0% 0,0%
5. Vendas de produtos 0 1 6 38 0,93 0 para0 às Micro
1 0 0,60
Principais Transações Comerciais Realizadas no Arranjo e Pequenas
0,0% 2,2% 13,3% 84,4% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0%
Empresas
*Índice = (0*Nº Nulas + 0,3*Nº Baixas + 0,6*Nº Médias + Nº Altas) / (Nº Empresas no
Segmento)
Fonte: pesquisa de campo

Como era de esperar a escolaridade formal em seus diferentes níveis não é apontada
como característica expressiva para o desenvolvimento da atividade, pelo menos para as
microempresas. Maior importância é atribuída o conhecimento prático e/ou técnico que não
tem natureza formal; a criatividade, disciplina e capacidade para apreender novas
qualificações. Isto é demonstrado pelos resultados apresentados na Tabela 44.

Tabela 44
Característica da Mão-de-Obra Local.
Micro Peq Med
Índic Índice
Caracteísticas
e* Índice* *
1. Escolaridade formal de 1º e 2º graus 0,39 0,60 1,00

2. Escolaridade em nível superior e técnico 0,31 1,00 1,00

3. Conhecimento prático e/ou técnico na produção 0,86 1,00 1,00

70
4. Disciplina 0,77 1,00 1,00

5. Flexibilidade 0,49 1,00 1,00

6. Criatividade 0,77 1,00 1,00

7. Capacidade para aprender novas qualificações 0,68 1,00 1,00

8. Outras 0,03 0,00 0,00


*Índice = (0*Nº Nulas + 0,3*Nº Baixas + 0,6*Nº Médias + Nº Altas) / (Nº Empresas no
Segmento)
Fonte: pesquisa de campo

Por outro lado, pela grande maioria dos artesãos não serem sindicalizados 9, a avaliação
versa pela participação das associações ou formas de cooperativismo não necessariamente
formais existentes. De certo, que mostra uma certa desconfiança quanto ao papel de liderança
dessas entidades representativas, tal que somente os itens: identificação de fontes de
financiamento, bem como organização de eventos técnicos e comerciais, são apontados como
contribuição efetiva das formas de associativismo.

Tabela 45
Avaliação da Contribuição de Sindicatos, Associações e Cooperativas Locais.
Micr
Tipo de Contribuição
o Peq Med
Índic Índic
e* Índice* e
1. Auxílio na definição de objetivos comuns para o arranjo
produtivo 0,37 0,60 1,00

2. Estímulo na percepção de visões de futuro para ação estratégica 0,38 0,60 1,00

3. Disponibilização de informações sobre matérias-primas, 0,36 0,60 1,00

9
Foi identificado a presença de um único sindicato da categoria: Sindicato dos Artesãos Autônomos de Belém –
SINAAB.

71
equipamento, assistência
técnica, consultoria, etc

4. Identificação de fontes e formas de financiamento 0,58 0,60 1,00

5. Promoção de ações cooperativas 0,37 0,60 1,00

6. Apresentação de reivindicações comuns 0,40 0,60 1,00

7. Criação de fóruns e ambientes para discussão 0,32 0,30 1,00

8. Promoção de ações dirigidas a capacitação tecnológica de


empresas 0,31 0,60 0,00

9. Estímulo ao desenvolvimento do sistema de ensino e pesquisa


local 0,30 0,60 1,00

10. Organização de eventos técnicos e comerciais 0,47 0,60 1,00


*Índice = (0*Nº Nulas + 0,3*Nº Baixas + 0,6*Nº Médias + Nº Altas)
/ (Nº Empresas no Segmento)
Fonte: pesquisa de campo

A participação em programas governamentais se restringe praticamente àqueles


implantados pelo governo estadual, e do governo municipal, como assinalado pelas
Microempresas, na Tabela 46. Também é assinalada a participação efetiva do SEBRAE. Em
todos os casos à avaliação foi considerada positiva.
Quanto à pequena, diz participar de programas em todas as esferas de governo e com
outras instituições, inclusive, o SEBRAE, com exceção de programas no âmbito federal,
embora o conheça. A média informa participar de programas apenas com o SEBRAE.

Tabela 46
Participação das Microempresas em Programas Públicos ou Ações no Segmento onde
Atua
Micro
Instituição Conhece, mas
Não conhece Conhece e participa
não participa

72
1. Governo Federal 35 6 4
77,8% 13,3% 8,9%
2. Governo 29 8 8
Estadual 64,4% 17,8% 17,8%
3. Goevrno 19 17 9
Local/Municipal 42,2% 37,8% 20,6%
4. SEBRAE 15 12 18
33,3% 26,7% 40,1%
5. Outras 21 0 1
Instituições 100,0% 0,0% 4,5%
Fonte: pesquisa de campo

Tabela 47
Avaliação dos Programas Governamentais
Micro Pequena
Sem Sem
Instituição Avaliação Avaliação elementos Avaliação Avaliação elementos
Positiva Negativa para Positiva Negativa para
Avaliação Avaliação
1. Governo Federal 3 5 32 0 0 1
7,5% 12,5% 80,0% 0,0% 0,0% 100,0%
2. Governo 9 3 27 1 0 0
Estadual 23,1% 7,7% 69,2% 100,0% 0,0% 0,0%
3. Goevrno 15 3 22 1 0 0
Local/Municipal 37,5% 7,5% 55,0% 100,0% 0,0% 0,0%
4. SEBRAE 18 6 16 1 0 0
45,0% 15,0% 40,0% 100,0% 0,0% 0,0%
5. Outras 1 1 38 1 0 0
Instituições 2,5% 2,5% 95,0% 100,0% 0,0% 0,0%
Fonte: pesquisa de campo

73
Micro Pequena Média
Ações de Política
Nula Baixa Média Alta Índice* Nula Baixa Média Alta Índice* Nula Baixa Média Alta Índice*
1. Programas de 7 4 6 28 0,73 0 0 0 1 1,00 0 0 0 1 1,00
capacitação
profissional e
treinamento técnico 15,6% 8,9% 13,3% 62,2% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%
2. Melhorias na 7 5 6 26 0,71 0 0 1 0 0,60 0 0 0 1 1,00
educação básica 15,9% 11,4% 13,6% 59,1% 0,0% 0,0% Tabela
100,0% 480,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%
3. Programas de apoio 16 8 4 Políticas
17 0,48 Públicas
0 que0poderiam
0 Contribuir
1 com a0Atividade
1,00 0 0 1 1,00
a consultoria técnica 35,6% 17,8% 8,9% 37,8% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%
4. Estímulos à oferta 25 4 2 14 0,36 0 0 1 0 0,60 0 0 0 1 1,00
de serviços
tecnológicos 55,6% 8,9% 4,4% 31,1% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%
5. Programas de 18 4 7 15 0,46 0 0 0 1 1,00 0 0 0 1 1,00
acesso à informação
(produção, tecnologia,
mercados, etc) 40,9% 9,1% 15,9% 34,1% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%
6. Linhas de crédito e 4 3 3 34 0,83 0 0 1 0 0,60 0 0 0 1 1,00
outras formas de
financiamento 9,1% 6,8% 6,8% 77,3% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%
7. Incentivos fiscais 21 6 6 12 0,39 1 0 0 0 0,00 0 0 0 1 1,00
46,7% 13,3% 13,3% 26,7% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%
8. Políticas de fundo 24 4 1 16 0,40 0 0 1 0 0,60 0 0 0 1 1,00
de aval 53,3% 8,9% 2,2% 35,6% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%
9. Programas de 35 2 2 5 0,15 0 1 0 0 0,30 0 0 0 1 1,00
estímulo ao
investimento (venture
capital) 79,5% 4,5% 4,5% 11,4% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%
10. Outras 30 1 0 9 0,23 1 0 0 0 0,00 0 0 0 0 0,00
75,0% 2,5% 0,0% 22,5% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0%

*Índice = (0*Nº Nulas + 0,3*Nº Baixas + 0,6*Nº Médias + Nº Altas) / (Nº Empresas no Segmento)
Fonte: pesquisa de campo
As políticas públicas avaliadas pelos entrevistados como que poderiam contribuir com
a atividade, vêm ao encontro das análises anteriores. Assim, são destacadas a importância da
capacitação e melhoria da educação básica, juntamente com o acesso a linhas de crédito e
outras formas de financiamento. Aliás, quanto às linhas de crédito, como evidencia os
resultados da Tabela 49, fica bem claro que elas atualmente não atendem as necessidades dos
produtores, seja pelos entraves burocráticos, seja pelas exigências de garantia e aval, muitas
vezes tornando inacessível o crédito. As experiências com crédito têm se limitado na maioria
dos casos aos recursos mobilizados junto ao Banco do Povo, para socorrer “necessidades mais
imediatas” de capital de giro, ou cobrir algum prejuízo. Isto pode ser, sem dúvida, como um
fator limitante da expansão da atividade, seja em termos quantitativos como qualitativos.
Assim, por exemplo, no segmento de fabricação de jóias, é apontado pelos produtores que
seus equipamentos estão obsoletos tecnologicamente e, ao mesmo tempo, as necessidades de
capital de giro são altas, tal que sem as possibilidades de empréstimos, fica limitada sua
capacidade de atender grandes encomendas.
Vale chamar atenção que ainda no âmbito das políticas públicas que poderiam
incrementar a atividade é particularmente destacado pelos “artesãos de rua”, os que vivem de
exposição de seus produtos em feiras e mercados, a necessidade de maior segurança pública.
Isto também é bastante enfatizado pelos artesãos de Icoaraci, como um fator que limita a
presença de um maior número de turistas no local. Estes artesãos se queixam, inclusive, da
falta de uma maior infra-estrutura turística no bairro do Pacuri, indispensável, para
incrementar o turismo.

75
Tabela 49
Obstáculos a Obtenção de Crédito

Micro Pequena Média


Limitações
Nula Baixa Média Alta Índice* Nula Baixa Média Alta Índice* Nula Baixa Média Alta Índice*
1. Inexistência de 7 0 6 31 0,79 0 0 1 0 0,60 0 0 0 1 1,00
linhas de crédito
adequadas às
necessidades da
empresa 15,9% 0,0% 13,6% 70,5% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%
2. Dificuldades ou 9 4 8 23 0,66 0 0 0 1 1,00 0 0 0 1 1,00
entraves burocráticos
para se utilizar as
fontes de
financiamento
existentes 20,5% 9,1% 18,2% 52,3% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%
3. Exigência de 11 3 5 25 0,66 0 0 0 1 1,00 0 0 0 1 1,00
aval/garantias por
parte das instituições
de financiamento 25,0% 6,8% 11,4% 56,8% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%
4. Entraves fiscais que 25 2 7 10 0,34 1 0 0 0 0,00 0 0 0 1 1,00
impedemo acesso às
fontes oficiais de
financiamento 56,8% 4,5% 15,9% 22,7% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%
5. Outras 40 0 0 3 0,07 1 0 0 0 0,00 0 0 0 0 0,00
93,0% 0,0% 0,0% 7,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0%

Fonte: pesquisa de campo


4.2 Instituições Pertinentes ao Artesanato

Como já fora ressaltado, a estrutura de governança, especialmente através de


diversos órgãos do governo de estado, tem nos últimos anos, desempenhado um papel
diferenciado como coordenador das atividades voltadas para o artesanato no estado, onde se
criou na Região Metropolitana de Belém um aparelho de funcionamento que exerce
funções vitais para o dinamismo da atividade, especialmente em alguns segmentos. Assim,
investindo em capacitação, integração, transmissão de conhecimento e profissionalização,
além de criar espaços físicos para a comercialização dos produtos, o governo do estado se
volta para o objetivo de criar competitividade para o artesanato paraense, criando uma
verdadeira “marca Pará”, em alguns segmentos.
A operacionalização dessa idéia segue uma estreita ligação com as necessidades dos
produtores e se manifesta especialmente em expor o artesanato como produto cultural e
turístico em diversas ações e áreas criadas com esse fim. Destaca-se entre elas a Fundação
Curro Velho, o Espaço São José Liberto. Além desses, outros pontos turísticos como a
Estação das Docas e o Mangal das Garças, também teriam um papel de servir de vitrine do
artesanato paraense. No âmbito do município destaca-se o Mercado de São Braz e a Feira
do artesanato realizada na praça da República.

Fundação Curro Velho

Área física:
A Fundação Curro Velho conta com 02 (dois) prédios, a Casa da Linguagem e o
prédio do Curro Velho, onde em anexo funciona o Núcleo de Produção.

Oficinas:
São ofertadas 54 oficinas por mês durante 8 meses por ano totalizando 450 oficinas
por ano.

Participação:

77
Como critério de seleção para participação nas oficinas é dada preferência para
jovens em situação de risco e também é analisado o desempenho do mesmo ao longo do
ano que serve de referência para a seleção no ano seguinte.
Os alunos matriculados em escolas públicas têm acesso às oficinas gratuitamente e
os outros interessados pagam uma taxa de matrícula de R$-15,00 (quinze reais). Para que
isso funcione normalmente o calendário de oficinas do Curro Velho é “casado” com o
calendário da SEDUC (Secretaria Estadual de Educação).

Eventos Especiais:
Anualmente a Fundação realiza três eventos especiais:
1 – Em fevereiro ocorre o desfile de uma Escola de Samba completa (com carro abre-alas,
comissão de frente, bateria, ala das baianas e samba enredo próprio) composta por 360
integrantes.
2 – No mês de junho há uma festa junina com a participação de 340 pessoas.
3 – Em dezembro é comemorado o natal, contando com a participação de 220 pessoas.

Núcleo de Prática de Ofício e Produção:


O Núcleo de Produção da FCV já existe há 10 anos e atualmente trabalha com seis
atividades principais:
1 – Papel
2 – Cerâmica
3 – Marcenaria
4 – Caixeteria e encadernação
5 - Reprodução de Imagens
6 – Cestaria (dedicada principalmente a pessoas mais idosas, visando torna-las agentes
multiplicadores que podem vir a ser instrutores em outras oficinas da Fundação).

No núcleo participam 15 alunos por oficina totalizando 90 jovens.


Estes jovens são escolhidos levando-se em conta o seu desempenho nas oficinas em
que o mesmo participou.

78
Alguns destes alunos recebem uma bolsa de auxílio de ½ salário mínimo durante
dois meses pelo PROPAZ.

Espaço São José Liberto – Polo Joalheiro

A Fundação São José Liberto substituiu o antigo presídio São José. Atualmente, o
espaço abriga o Museu de Gemas do Pará, o Pólo Joalheiro e a Casa do Artesão.
O Museu de Gemas do Pará é referência, pois conta a história da exploração no
estado do Pará, bem como apresenta um acervo com peças brutas oriundas de diversos
pontos do estado.
O espaço São José Liberto surgiu em 2001, a partir de uma série de articulações,
entre diversos órgãos como: SENAI, SEBRAE, SEICOM, SECTAM, SETEPS, e entidades
representativas dos produtores (jóias), em torno da necessidade de se verticalizar a cadeia
produtiva de gemas e jóias do estado do Pará. Em 2002, surge a Associação São José
Liberto, de cunho privado sem fins lucrativos, que passa a incorporar o Pólo Joalheiro.
No espaço São José Liberto abarca 6 lojas de jóias, cada uma com duas a três
empresas, e mais uma que funciona em regime de consignação com produtores autônomos,
hoje em número de 42.
Enquanto espaço comum existe um conjunto de regras de administração do espaço,
que tem que ser seguidas por todos os participantes. Entre elas, o produtor se vê obrigado a
que 70% de suas peças tenham design amazônico. Além disso, como diferencial para os
produtores que a integram, exigi-se a busca da qualidade, em todas as fases do processo.
No espaço São José Liberto existe também, a preocupação com a capacitação dos
produtores-membros. Assim, é desenvolvido um conjunto de atividades durante o ano,
inclusive cursos, reuniões de avaliação, entre outros, sempre no interesse comum. Na sua
estrutura existe ainda a Escola de Formação Profissional em Joalheria, de cunho privado, de
responsabilidade da Rahma Gemas e Jóias, que oferece cursos de Joalheria Básica e de
Fundição de Jóias em Cera Perdida. E por fim, uma oficina, que permite ao artesão, ao
mesmo tempo, que mostra como são realizadas as etapas do processo produtivo, aperfeiçoa
essas atividades.
Mas, o espaço físico do São José Liberto, não abriga apenas, o desenvolvimento do
artesanato em jóias. Existe um espaço comum, onde está exposta uma grande variedade
79 do
produto artesanal paraense. Hoje são mais de 300 artesãos, que expõem seus produtos em
regime de consignação.
Em verdade, além das economias de escopo geradas para os produtores que podem
expor seus produtos conjuntamente com segurança, conforto, o Espaço São José Liberto se
tornou referência

Estação das Docas

A Estação das Docas é um dos principais pontos turísticos de Belém tentando ser ao
mesmo tempo um espaço de entretenimento, lazer, turismo, em torno da cultura paraense. O
Boulevard da Gastronomia, reúne sete dos melhores restaurantes da cidade e mais uma
sorveteria especializada em sabores regionais; o do Boulevard das Artes, abrange
memoriais históricos, uma galeria de arte, uma mini-fábrica de cervejas, barracas de
artesanato, quiosques de comidas regionais entre outros. Por fim, no Boulevard das Feiras e
Exposições há espaço e infra-estrutura garantidos para feiras, simpósios, seminários e
outros eventos de grande porte. Existe, também um cinema – Cine Estação, e um moderno
cinema adaptado no Teatro Maria Sylvia Nunes.

Associações

Cumpre um papel de grande relevância, especialmente como interlocutor dos


artesãos, junto aos órgãos públicos, diversas associações criadas pelos próprios produtores.
Entre elas destacam-se a Associação dos Artesãos da Feira do Artesanato da Praça da
República – AAFA, Cooperativa dos Microprodutores e Artesãos da Área Metropolitana de
Belém – COMIP; Cooperativa de Artesãos de Icoaraci – COART, e Conselho Superior de
Artesanato do Pará – COSAPA; Sociedade dos Amigos de Icoaraci – SOAMI.

ARTEPAM: Associação dos Artesãos e Expositores do Pará e Amazônia, que se


transformou na AAFA: Associação dos Artesãos da Feira do Artesanato da Praça da
República.

80
 Principal objetivo da Associação: coordenar a Feira do Artesanato na Pça da
República;
 A feira tem 18 anos de existência.
 Todos os associados são expositores da Pça da República, mas participam de outras
feiras na cidade, de feiras pontuais em todo o Brasil e da Feira Nacional do
Artesanato;
 Existe um estatuto que normaliza a associação;
 Estatuto permite até 3 meses de inadimplência;
 A Feira possui 260 artesãos associados, sendo 40 produtores de artesanato
característico;
 Na feira existe segurança contratada para conter e assegurar o espaço;
 Possui duas Assembléias Ordinárias por ano;
 Organograma Básico: Seis Diretorias e mais três Comissões (com cinco membros);
 Número de Barracas 274 (no perímetro da Rua da Paz até o fim do anfiteatro);
 Principais Dificuldades;
o Segurança Pública na Praça;
o Ordenamento do espaço público – presença de camelôs (vendedores
ambulantes);
o Acesso a Financiamento.
Em Icoaraci existem três associações de Artesões: COSAPA, SOAMI e COART.
 COSAPA: são 80 associados.

5 O ARRANJO PRODUTIVO DE MÚSICA

Assim como outros aspectos da cultura paraense e da Região Metropolitana de


Belém, a música guarda uma multi-etnia, enraizada nos muitos povos formadores da
Cultura Amazônica. Entretanto, algumas influências são mais destacadas.

81
Nos idos da colonização, remonta-se a influência do processo de aculturação
indígena no trabalho catequético-apostólico das diversas ordens religiosas e uma singular
relação com a cultura negra oriunda da província do Maranhão10.
São referências musicais desta época, o uso de maracás, chocalhos, e flautas de
herança indígena e os tambores e o marimbau (berimbau) de herança negra (SALLES,
1999). A colonização portuguesa legou, também, uma música sacra e lírica com formação
de corais, que vieram mais tarde a formar as operas e operetas de muita tradição na capital.
Entre os séculos XVII até a primeira metade do século XX, a música no estado do
Pará passa por um período de consolidação. Reforça-se a tradição da música clássica em
meio a uma efervescência cultural da “Belle Epóque” da economia da borracha, mas
também se delineiam os primeiros ensaios da música de origem popular.
Em 1860 surge a primeira orquestra filarmônica paraense; em fevereiro de 1895 é
fundado o Conservatório Carlos Gomes11; em 1914 o Centro Musical Paraense; e em 1928
a Rádio Clube do Pará12.
A música popular, por sua vez, toma expressão nas toadas de carnaval muitas delas
de compositores locais. Até a década de 1960, entre os vários compositores e intérpretes
locais de expressão, alguns deles nacional, pode-se citar: Waldemar Henrique; Tó Teixeira;
Ari Lobo; Wilson Fonseca; Edyr Proença; João Guilherme De campos Ribeiro, entre
outros.
Estes artistas vão formar a base para a chamada “Musica Popular Paraense”13, que
ganha repercussão nacional nas vozes e composições de Leila Pinheiro Nilson Chaves; Ruy
Barata; Edgar Augusto; Paulo André Barata; Nazaré Pereira; Fafa de Belém; Lucinha
Bastos; Jane Duboc; Marco André; Verequete; Nego Nelson; Alfredo Oliveira; Pinduca.
Une-se, assim, a tradição instrumental popular paraense, em ritmos como a cumbia,
carimbó, merengue e, a partir da década de 1970 a “guitarrada”14, com talentosos
interpretes para formar um verdadeiro ciclo virtuoso de inovação na musica popular de

10
Concorre para isso, a centralização administrativa das províncias do Maranhão e Grão-Pará. A música
desenvolve-se fortemente nos colégios e dioceses. No entanto, datam desta época o primeiro coral, o primeiro
estabelecimento de ensino musical e a primeira Casa de Ópera.
11
O terceiro estabelecimento completo do gênero criado no Brasil (Salles, 1999).
12
Considerada de grande importância na difusão de letras, músicos e interpretes paraenses.
13
Aquela de origem local, tendo como referência à temática da Amazônia, suas origens, seu ambiente e seus
problemas.
14
Ritmo, que em outros lugares esta associado a lambada. 82
origem no Pará. Este período entre a segunda metade da década de 1970 e 1990, pode ser
dito o primeiro grande ciclo virtuoso da musica popular paraense – MPP, que ganha a
estrada e rompe as fronteiras do estado.
Na década de 1980, ocorre o primeiro “movimento brega”15, encabeçado por
intérpretes e compositores como: Alípio Martins, Ted Max, Mauro Cota, Fernando Belém,
Francis Dalva, Carlos Santos, entre outros e, que tem duas origens principais as melodias e
letras da “Jovem Guarda”16 e o ritmo Calipso de origem caribenha.
No final dos anos da década de 1990, um novo grande ciclo virtuoso começa, com a
massificação do brega, que com a introdução da musica eletrônica e baladas dançantes,
passou a ter outras denominações, como, por exemplo, o brega pop. Além disso, a grande
inovação, que pode ser atribuída a esta nova fase é a inserção de mais de uma guitarra e a
aceleração do ritmo e do swing, tornando a música muito dançante e coreografada.
Embora, discuta-se que a origem do brega não é paraense, sua massificação no Pará
efetivamente ocorre na década de 1990, quando deixa de ser um ritmo tipicamente popular,
para atingir todas as camadas da população.
Na década de 1980, o brega ainda estava no circuito das casas noturnas ditas de
cunho popular, e com estigma de cafona, os famosos “bregões”, como Juventus, Batistão,
Changrislar, Pedreirinha, Estrelinha, Xodó entre outros. Todavia, estas tiveram um grande
papel difusor do ritmo, como o fazem hoje outras casas noturnas, num circuito muito menos
restrito. Além dessas, neste período, coube um papel importante como difusor, as chamadas
“aparelhagens” – espécie de som de grande proporções, tais como: Rubi, Tupinambá,
Itamarati, Guanabara, entre outras.
Atualmente, o brega, o Calypso, e as aparelhagens são a expressão da musica
paraense, sem perder suas origens na MPP, mas com forte apelo de venda e de público.
Ganhou expressão nacional e, tornou a música paraense um produto de exportação.

5.1 Características Gerais do Arranjo Produtivo Local – Música.

o Baixa Produtividade;
15
Para alguns autores, não se trataria a rigor de um ritmo, mas de um gênero musical.

16
Desilusões amorosas, aspectos do cotidiano são temas recorrentes. 83
o Mão-de-obra de boa qualificação;
o Formas frágeis de associativismo e cooperação;
o Grande poder de inovação, dando uma diferenciação bastante marcante no
produto musical da RMB;
o Alta informalidade;
o Baixo profissionalismo, ainda que crescente;
o Cadeia produtiva pouco articulada.

O último ponto é decisivo para que esta “indústria” se desenvolva em nível


nacional, em uma escala crescente. Isto requer um fortalecimento do papel do produtor
local, para que este possa alcançar a grande cadeia nacional de produção musical. Os canais
de distribuição são quase que restritos ao ambiente local.
A falta de visibilidade, ainda que sejam feitas algumas ações, por parte do governo
do estado, para difundir a música e os músicos locais, é o grande problema, para que muitas
bandas com talentos reconhecidos no estado, não alcancem maior projeção.
Inovações em termos de produtos, quanto em processos existem e, tornaram
possível a expansão em segmentos de mercados recentes. Todavia, falta um maior esforço
de marketing, um maior investimento na promoção do produto musical da RMB.

5.2 Caracterização Empírica da Atividade Musical (Bandas)

5.2.1 A Empresa

Muito embora muitos grupos musicais não se caracterizem como empresa, uma vez
que não possuem atividade formalizada enquanto pessoa jurídica, esta nomenclatura de
empresa será adota aqui se referindo a atividade das bandas ou grupos musicais.
Considerando o número de indivíduos ocupados, músicos, técnicos de som,
assistentes de som, bailarinos entre outros, algumas bandas são caracterizadas como de
84
porte pequeno. As de tamanho reduzido, caracterizadas como micro, tem em média cinco
pessoas ocupadas com a atividade musical.
A característica principal da atividade, salvo algumas exceções, é o fato que muitos
músicos não têm a música como atividade principal. Desse modo, são poucos os casos, em
que se tem uma banda com uma estrutura administrativa como empresa, muito embora a
adoção de uma estrutura administrativa “profissional” tem sido uma tendência recente.
Prevalece-se entre as relações de trabalho, uma relação de informalidade, tal que é
preferível interpretar os resultados da Tabela 50, como número de ocupados e não de
empregados. Pelos resultados, obteve-se uma média de 8 pessoas ocupadas com as micro, e
quinze empregados com as pequenas.
Observa-se, que muitas bandas têm “formação” variada, o que inclui os
trabalhadores de apoio. Isto ocorre em função da natureza da apresentação que a banda vai
realizar.

Tabela 50
Identificação das Empresas
Nº de Nº de
Taman
Empre % Emprega %
ho
sas dos
1. 66,7 50,3
Micro 10 % 77 %
2.
Peque 33,3 49,7
na 5 % 76 %
100, 100,
Total 15 0% 153 0%
Fonte: Pesquisa de campo

Dentre as bandas pesquisadas cerca de 85% delas tiveram sua fundação em tempos
recentes, entre 1996 e 2003, com número de sócios variando, embora prevalecendo, um
indivíduo como o valor modal. Isto está reportado nas Tabelas 51 e 52.

Tabela 51
Ano de Fundação das Bandas
Ano de Micro Pequena
Fundação Nº % Nº %
Empresas Empresas
Até 1980 1 10,0 0 0
85
% ,0%
0 0
1981-1985 0 ,0% 0 ,0%
0 0
1986-1990 0 ,0% 0 ,0%
10,0 0
1991-1995 1 % 0 ,0%
20,0 50,0
1996-2000 2 % 2 %
60,0 50,0
2000-2003 6 % 2 %
1 1
Total 10 00% 4 00%
Fonte: Pesquisa de campo

Tabela 52
Número de Sócios-Fundadores
Micro Pequena
Número de Sócios
Nº Nº
Fundadores
Empresas % Empresas %
1 sócio 33,3 60,0
3 % 3 %
2 sócios 22,2 20,0
2 % 1 %
3 sócios 22,2 0
2 % 0 ,0%
3 ou mais sócios 22,2 20,0
2 % 1 %
Total 1 1
9 00% 5 00%
Fonte: Pesquisa de campo

5.2.2 O Sócio Fundador

Independentemente do tamanho da empresa, o perfil do sócio-fundador, é uma idade


jovem entre 21 e 40 anos, com predominância elevada de indivíduos do sexo masculino.

Tabela 53
Perfil do Sócio Fundador
Especificação Micro Peque
na
86
1. Idade
10,0
1.1. Até 20 anos % 0,0%
50,0
1.2. Entre 21 e 30 anos % 20,0%
20,0
1.3. Entre 31 e 40 anos % 0,0%
1.4. Entre 41 e 50 anos 0,0% 0,0%
1.5. Acima de 50 anos 0,0% 0,0%
80,0
Total % 20,0%
2. Sexo (%)
100,
2.1. Masculino 0% 80,0%
2.2. Feminino 0,0% 20,0%
100, 100,0
Total 0% %
3. Pais Músicos (%)
10,0
3.1. Sim % 0,0%
80,0
3.2. Não % 60,0%
90,0
Total % 60,0%
4. Escolaridade (%)
4.1. Analfabeto 0,0% 0,0%
4.2. Ensino Fundamental Incompleto 0,0% 0,0%
4.3. Ensino Fundamental Completo 0,0% 20,0%
4.4. Ensino Médio Incompleto 0,0% 0,0%
20,0
4.5. Ensino Médio Completo % 20,0%
40,0
4.6. Superior Incompleto % 20,0%
30,0
4.7. Superior Completo % 20,0%
10,0
4.8. Pós-Graduação % 20,0%
100, 100,0
Total 0% %
5. Atividade antes de criar a empresa (%)
40,0
5.1. Estudante Universitário % 20,0%
5.2. Estudante de Escola Técnica 0,0% 0,0%
5.3. Empregado de micro ou pequena
empresa local 0,0% 0,0%
5.4. Empregado de média ou grande
empresa local 0,0% 0,0%
5.5. Empregado de empresa de fora do
arranjo 0,0% 20,0%
5.6. Funcionário de instituição pública 0,0% 20,0%
10,0
5.7. Empresário % 0,0%
5.8. Outra 50,0 40,0%
%
87
100, 100,0
Total 0% %
Fonte: Pesquisa de campo

Atestou-se também, como evidenciado na Tabela 53, uma escolaridade


relativamente alta, variando entre o ensino médio incompleto e o superior completo.
Constatou-se que este perfil educacional se deve ao fato que, em geral, as bandas são
formadas por jovens de classe média, muitos sendo estudantes universitários. Isto,
inclusive, define outra característica mais ou menos comum, como já fora reportado antes,
de que grande parte deles não têm a atividade musical como a ocupação principal.
Outro aspecto a destacar é que as bandas foram montadas, em 100% dos casos a
partir do capital próprio dos sócio-fundadores, tendo poucos deles o pai ou a mãe como
músicos (10%).

5.2.3 Características do Processo Produtivo

Considerando que o produto das bandas seja a produção de CDs (DVDs) 17 e Shows,
então, configura-se dois processos produtivos diferenciados, ainda que, na gravação de um
show (ou mais de um) possa originar um CD ou DVD.
As bandas, a rigor, possuem dois tipos de apresentações: aquelas em lugar fixo (pré-
determinado), em geral, uma boate, danceteria ou bar e outras em lugares variados,
atendendo contratos específicos para realização de determinados eventos, como
aniversários, casamentos, colações de grau entre outros.
Na produção dos shows da banda, a maioria delas conta com a figura de um
produtor musical, responsável pelo contrato – parte financeira e de organização artística e
técnica do evento: iluminação, equipamentos de som e instrumentos. Muitas bandas já
contam com carro adequado para fazer o transporte desse tipo de material. Segundo
informações colhidas entre os artistas, uma banda com cerca de cinco instrumentos:
guitarra, baixo, bateria, teclado e percussão, precisa despender entre R$250 mil a R$400
mil por um conjunto de equipamentos de boa qualidade18.

17
Nenhuma das bandas pesquisada tinha gravado um DVD até o momento.
18
88
Este valor varia em função da qualidade dos equipamentos e sua origem, nacional ou importado.
O processo da produção de um CD é feito em um estúdio. No estúdio as músicas
são gravadas, editadas e resmaterizadas. Uma “gravação” é enviada para a indústria de
fabricação de CDs virgens localizada em São Paulo, Rio de Janeiro ou Manaus. Lá o disco
é prensado, a partir do qual pode ser copiado e distribuído.
Entre as bandas pesquisadas, cerca de 50% delas já possuíam CD próprio. Porém
em muitos casos, estes CDs tinham um caráter “Demo”, isto é, é feita uma tiragem de cerca
de 1.000 Cds, para ver se este tem saída no mercado. Segundo informações dos próprios
músicos, Belém possui cerca de 4 bons estúdios. Além do mais, alguns produtores realizam
a geração desses CDs caseiros (demos), para o trabalho de divulgação tanto local, quanto,
em alguns casos, quando a banda tem uma boa resposta do público, uma divulgação a partir
de distribuidoras nacionais.
Pelo lado dos produtores, a grande dificuldade associada ao mercado fonográfico
local é a distribuição. Conta-se a dedo, segundo eles, as bandas e ou músicos que ganharam
projeção nacional. Muitas outras com potencial não conseguem explodir, por conta das
“barreiras a entrada” no mercado fonográfico nacional.
Na cadeia produtiva relacionada à elaboração de um CD – Figura 3 existe o papel
desempenhado pelos estúdios/gravadoras independentes que possuem material
especializado para gravar um CD e produzi-lo em baixa escala. Segundo, informações 19,
estes estúdios teriam, em parte, sido responsáveis, pela disseminação da música de origem
popular – brega, no qual em virtude do baixo custo de produção, permitia a venda de CDs
de algumas bandas a um preço bem reduzido.
Em razão das características acima apresentadas, as dificuldades apresentadas pelas
bandas são muitas e é proporcional ao seu grau de visibilidade e inserção no mercado.
O grau de dificuldade encontrado pelas bandas no seu início (Tabela 54) é
centralizado em quatro itens principais: dificuldade em vender a produção: CDs e Shows;
Falta de Capital de Giro para a realização dos Shows, particularmente, uma vez que estes
são o principal “produto” das bandas e um grau de dificuldade alto associado à falta de
capital para adquirir equipamentos e instrumentos musicais, bem como para alocação de
local adequado para ensaios das bandas. Estes três itens aparecem tanto para as micro,
quanto para as pequenas, só mudando sua ordem de importância entre elas.

19
Obtidas junto a produtores. 89
A produção com qualidade é uma dificuldade mais acentuada pelas micro, em parte,
devido as próprias deficiências relacionadas aos itens anteriores.

Tabela 54
Grau de dificuldade na operação das Bandas no Primeiro Ano de Fundação

Micro Pequena
Dificuldades
Nula Baixa Média Alta Nula Baixa Média Alta
Índice Índice
1. Contratar 5 1 2 2 0,35 2 0 1 1 0,40
empregados 50,0 10,0 20,0 50,0 0 25,0 25,0
qualificados % % % 20,0% % ,0% % %
2. Produzir com 3 0 2 5 0,62 2 1 1 1 0,38
qualidade 30,0 0 20,0 40,0 20,0 20,0 20,0
% ,0% % 50,0% % % % %
3. Vender a produção 1 3 3 3 0,57 0 2 0 3 0,72
10,0 30,0 30,0 40,0 0 60,0
% % % 30,0% 0,0% % ,0% %
4. Custo ou falta de 3 2 2 3 0,48 1 0 1 2 0,65
capital de giro 30,0 20,0 20,0 25,0 0 25,0 50,0
% % % 30,0% % ,0% % %
5. Custo ou falta de 2 2 0 6 0,66 0 1 0 4 0,86
capital para aquisição
de
equipamentos/instrume 20,0 20,0 0 20,0 0 80,0
ntos % % ,0% 60,0% 0,0% % ,0% %
6. Custo ou falta de 3 1 2 4 0,55 0 0 1 4 0,92
capital para 30,0 10,0 20,0 0 20,0 80,0
aquisição/locação % % % 40,0% 0,0% ,0% % %
7. Pagamento de juros 8 1 1 0 0,09 4 0 0 1 0,20
80,0 10,0 10,0 80,0 0 0 20,0
% % % 0,0% % ,0% ,0% %
8. Outras dificuldades 0 0 0 2 1,00 2 0 0 0 0,00
0 0 0 100,0 0 0 0
,0% ,0% ,0% 100% % ,0% ,0% ,0%
Fonte: Pesquisa de campo

Observa-se pela Tabela 55, que para o ano de 2005, os fatores anteriores, quando da
sua formação das bandas: falta de capital de giro, falta de capital para adquirir
equipamentos e instrumentos, bem como, falta de capital para locação, além da dificuldade
90
de se vender a produção continuem a ser os mais destacados. Segue-se, entretanto, a rigor a
mesma ordem de importância, tanto para as micro, quanto para as médias.

Tabela 55
Grau de dificuldade na operação das Bandas no Ano de 2005.
Dificuldades Micr
o Peque
Baix Médi Médi
Nula a a Alta Nula Baixa a Alta
1. Contratar 4 2 4 0 2 1 0 1
empregados 40,0 20,0 40,0 0 50,0 0 25,0
qualificados % % % ,0% % 25,0% ,0% %
2. Produzir com 2 2 4 2 2 2 1 0
qualidade 20,0 20,0 40,0 20,0 40,0 20,0 0
% % % % % 40,0% % ,0%
3. Vender a produção 1 3 3 3 0 2 1 2
10,0 30,0 30,0 30,0 0 20,0 40,0
% % % % ,0% 40,0% % %
4. Custo ou falta de 3 2 3 2 0 1 3 0
capital de giro 30,0 20,0 30,0 20,0 0 75,0 0
% % % % ,0% 25,0% % ,0%
5. Custo ou falta de 2 0 3 5 0 0 4 1
capital para aquisição
de
equipamentos/instrume 20,0 0 30,0 50,0 0 80,0 20,0
ntos % ,0% % % ,0% 0,0% % %
6. Custo ou falta de 3 1 5 1 0 2 0 3
capital para
aquisição/locação de 30,0 10,0 50,0 10,0 0 0 60,0
instalações % % % % ,0% 40,0% ,0% %
7. Pagamento de juros 7 0 3 0 3 0 0 1
70,0 0 30,0 0 75,0 0 25,0
% ,0% % ,0% % 0,0% ,0% %
8. Outras dificuldades 0 1 0 1 1 0 0 0
0 50,0 0 50,0 1 0 0
,0% % ,0% % 00% 0,0% ,0% ,0%
Fonte: Pesquisa de campo

91
O grau de dificuldade na operação das bandas já no ano de 2005, apresenta-se
similar aos fatores anteriores, quando da sua formação: falta de capital de giro, falta de
capital para adquirir equipamentos e instrumentos, bem como, falta de capital para locação,
além da dificuldade de se vender a produção continuem a ser os mais destacados. Segue-se
a rigor a mesma ordem de importância, tanto para às micro, quanto para as pequenas.
Na Tabela 56, observa-se quanto às relações de trabalho, que os sócios proprietários
são os que conduzem as atividades da banda. Entretanto, especialmente, para as bandas de
maior porte, que tem uma estrutura de funcionamento maior: iluminação, técnicos de som,
assistentes de palco, entre outros, estes serviços são, em geral, realizados a partir de
contratos temporários, por isso mesmo um maior percentual deste item para as empresas
deste porte.
Tabela 56
Características da Relação de Trabalho.
Micro Pequena
Tipos
Nº Pessoas % Nº Pessoas %
Sócio 58,7 28,1
Proprietário 30 % 18 %
Contratos 11,7
Formais 6 % 0 0,0%
Estagiário 0 0,0% 0 0,0%
Serviço 13,7 71,9
Temporário 7 % 46 %
Terceirados 1 2,0% 0 0,0%
Familiares sem 13,9
contrato formal 7,09 % 0 0,0%
Total 1 1
51 00% 64 00%
Fonte: Pesquisa de campo

A escolaridade do pessoal ocupado, como apresentado na Tabela 57, possui uma


correlação alta com a escolaridade do sócio-proprietário, em vez que grande parte do
pessoal ocupado é formado pelos sócios-proprietários. Assim, prevalece uma escolaridade
relativamente alta situada entre o ensino médio incompleto ao superior completo.

92
Tabela 57
Escolaridade do Pessoal Ocupado
Peque
Grau de Ensino Micro na
1. Analfabeto 0 0
0,0% 0,0%
2. Ensino Fundamental
Incompleto 0 4
0,0% 5,5%
3. Ensino Fundamental
Completo 7 33
12,1% 45,2%
4. Ensino Médio Incompleto 8 6
13,8% 8,2%
5. Ensino Médio Completo 19,03 16
32,8% 21,9%
6. Superior Incompleto 11 13
19,0% 17,8%
7. Superior Completo 13 0
22,4% 0,0%
8. Pós-Graduação 0 1
0,0% 1,4%
Total 58,03 73
100,0% 100,0%
Fonte: Pesquisa de Campo.

93
GRAVAÇÃO

CANTOR
ESTÚDIOS VAREJO

INDEPENDENTES
CORPORATIVOS
PRODUTORES

MÚSICOS DISTRIBUIDORES

ATACADO

BANDA

Figura 3 – CADEIA PRODUTIVA DA MÚSICA

94
Tabela 58
Fatores Determinantes para Manter a Capacidade Competitiva (Atratividade) das Bandas
Micro Pequena
Fatores competitivos Médi Índice Médi Índice
Nula Baixa a Alta * Nula Baixa a Alta *
1. Qualidade dos 0 0 0 9 1,00 0 1 0 4 0,86
instrumentos/arranjo/melodia 100,0 20,0
0,0% 0,0% 0,0% % 0,0% % 0,0% 80,0%
2. Qualidade da mão-de-obra 1 0 1 7 0,84 0 0 0 5 1,00
(músicos) 11,1 11,1 100,0
% 0,0% % 77,8% 0,0% 0,0% 0,0% %
3. Custo da mão-de-obra 0 0 1 8 0,96 0 0 2 3 0,84
11,1 40,0
0,0% 0,0% % 88,9% 0,0% 0,0% % 60,0%
4. Nível tecnológico dos equipamentos 0 0 3 7 0,88 0 0 0 5 1,00
30,0 100,0
0,0% 0,0% % 70,0% 0,0% 0,0% 0,0% %
5. Capacidade de introdução de novos 0 0 3 7 0,88 0 0 0 5 1,00
produtos/processos 30,0 100,0
0,0% 0,0% % 70,0% 0,0% 0,0% 0,0% %
6. Desenho e estilo nos produtos 0 2 2 3 0,69 0 0 1 4 0,92
28,6 28,6 20,0
0,0% % % 42,9% 0,0% 0,0% % 80,0%
7. Estratégias de comercialização 0 0 3 6 0,87 0 0 0 5 1,00
33,3 100,0
0,0% 0,0% % 66,7% 0,0% 0,0% 0,0% %
8. Qualidade do produto (música) 0 0 0 10 1,00 0 0 0 5 1,00
100,0 100,0
0,0% 0,0% 0,0% % 0,0% 0,0% 0,0% %
9. Capacidade de atendimento 0 1 3 4 0,76 0 0 0 5 1,00
(shows) 12,5 37,5 100,0
0,0% % % 50,0% 0,0% 0,0% 0,0% %
10. Outra 0 0 0 1 1,00 1 0 0 1 0,50
0,0% 0,0% 0,0% 100,0 50,0 0,0% 0,0% 50,0%
% %
95
Fonte: Pesquisa de campo

96
5.2.4 Dinâmica da Inovação

Quanto aos fatores determinantes para manter a capacidade competitiva –


atratividade das bandas frente às demais (Tabela 58), é quase unanimidade entre elas, que a
diferenciação de seu “produto com qualidade” e a constância de inovações desses produtos
e processos são decisivos. Para isto concorrem vários elementos: diferenciação quanto aos
arranjos, composições, melodia, diversificação dos estilos musicais, qualidade dos
instrumentos, dos equipamentos técnicos de som e iluminação e, especialmente a qualidade
dos músicos.

Tabela 59
Ações da Banda no Sentido de Incorporar Inovações: 2003 a 2005.
Peque
Descrição Micro na
Sim Sim
100, 100,0
1. Inovações de produto*
0% %
1.1. Produto novo para a sua empresa, mas já existente 8 4
no mercado? 80,0
% 80,0%
1.2. Produto novo para o mercado nacional? 6 2
60,0
% 40,0%
1.3. Produto novo para o mercado internacional? 4 2
50,0
% 40,0%
2. Inovações de processo* 90,0 100,0
% %
2.1. Processos tecnológicos novos para a sua empresa, 8 5
mas já existentes no setor? 80,0 100,0
% %
2.2. Processos tecnológicos novos para o setor de 5 1
atuação? 50,0
% 20,0%
3.1. Criação ou melhoria substancial, do ponto de vista 4 2
tecnológico, do modo de acondicionamento de produtos 44,4
(embalagem)? % 40,0%
4. Realização de mudanças organizacionais 80,0 100,0
(inovações organizacionais)* % %
4.1. Implementação de técnicas avançadas de gestão ? 5 1
55,6
% 20,0%
4.2. Mudanças significativas nos conceitos e/ou práticas 7 5
de marketing ? 77,8 100,0 96
% %
4.3. Mudanças significativas nos conceitos e/ou práticas 5 5
de comercialização ? 55,6 100,0
% %
Fonte: Pesquisa de campo

Além desses, pequenas inovações organizacionais, especialmente, em aspectos de


marketing para dar maior visibilidade são fortemente acentuados. As ações no sentido de
incorporar inovações estão apresentadas na Tabela 59.

97
Tabela 60
Impacto Resultante da Introdução de Inovações entre 2003 a 2005.
Micro Pequena
Descrição Baix Médi Índic Baix Médi Índic
Nula a a Alta e* Nula a a Alta e*
1. Aumento da produtividade 1 1 4 4 0,67 0 0 1 4 0,92
da empresa 10,0 40,0 40,0 20,0
10,0% % % % 0,0% 0,0% % 80,0%
2. Ampliação da gama de 1 0 5 4 0,70 1 0 2 2 0,64
produtos ofertados 50,0 40,0 40,0
10,0% 0,0% % % 20,0% 0,0% % 40,0%
3. Aumento da qualidade dos 1 0 4 5 0,74 0 0 1 4 0,92
produtos 40,0 50,0 20,0
10,0% 0,0% % % 0,0% 0,0% % 80,0%
4. Permitiu que a empresa 0 2 1 7 0,82 0 0 2 3 0,84
mantivesse a sua
participação nos mercados 20,0 10,070,0 40,0
de atuação 0,0% % % % 0,0% 0,0% % 60,0%
5. Aumento da participação 1 1 3 5 0,71 0 0 2 3 0,84
no mercado interno da 10,0 30,050,0 40,0
empresa 10,0% % % % 0,0% 0,0% % 60,0%
6. Aumento da participação 4 2 0 4 0,46 1 1 1 2 0,58
no mercado externo da 20,0 40,0 20,0 20,0
empresa 40,0% % 0,0% % 20,0% % % 40,0%
7. Permitiu que a empresa 1 0 2 7 0,82 0 0 0 5 1,00
abrisse novos mercados 20,0 70,0 100,0
10,0% 0,0% % % 0,0% 0,0% 0,0% %
8. Permitiu a redução de 5 0 3 2 0,38 3 1 0 1 0,26
custos do trabalho 30,0 20,0 20,0
50,0% 0,0% % % 60,0% % 0,0% 20,0%
9. Permitiu a redução de 8 0 1 1 0,16 3 1 1 0 0,18
custos de insumos 10,0 10,0 20,0 20,0
80,0% 0,0% % % 60,0% % % 0,0%
10. Permitiu a redução do 10 0 0 0 0,00 5 0 0 0 0,00
consumo de energia 100,0 100,0
% 0,0% 0,0% 0,0% % 0,0% 0,0% 0,0%
11. Permitiu o 3 1 0 1 0,26 2 0 0 1 0,33
enquadramento em
regulações e normas padrão 20,0 20,0
relativas ao Mercado Interno 60,0% % 0,0% % 66,7% 0,0% 0,0% 33,3%
12. Permitiu o 4 0 0 1 0,20 2 0 0 1 0,33
enquadramento em
regulações e normas padrão 20,0
relativas ao Mercado Externo 80,0% 0,0% 0,0% % 66,7% 0,0% 0,0% 33,3%
13. Permitiu reduzir o 4 1 0 0 0,06 3 0 0 0 0,00
impacto sobre o meio 20,0 100,0
ambiente 80,0% % 0,0% 0,0% % 0,0% 0,0% 0,0%
Fonte: Pesquisa de campo

99
Considerando, que inovação para as bandas, compreende as misturas de ritmos, a
introdução de novos instrumentos musicais, o uso de recursos eletrônicos para mixagem,
além de aspectos relacionados a qualidade do som, do visual da banda, da iluminação entre
outros, o impacto resultante da introdução de inovações atinge as empresas de todas as
formas, mas especialmente na ampliação de novos mercados para as bandas, melhora em
termos de qualidade do seu “produto”, como aparece na Tabela 60.
A constância dessas inovações está na razão direta de sua sobrevivência e, mesmo
de ir ganhando mais público. E isto vale tanto para as bandas com uma estrutura mais
profissional, como para aquelas de caráter mais amador.
Quanto à fonte de informações (Tabela 61), entre as internas, são destacadas as
relacionadas ao aprendizado derivado dos ensaios e tocar em diferentes locais. Entre as
fontes externas é destacada àquelas que os próprios clientes, em geral, pessoas contratantes
dos Shows fornecem. Além disso, muitas bandas se espelham no trabalho de outras, sendo
estas, portanto, fontes de informação para diferentes tipos de inovação.
Outras fontes de informação oriundas de eventos como feiras, exibições, encontros
de lazer e mesmo da internet, também são usadas como referência.

99
Tabela 61
Fonte de Informação
Micro Pequena
Descrição Baix Médi Índic Baix Médi Índic
Nula a a Alta e* Nula a a Alta e*
1. Fontes Internas
1.1. Área de produção 1 1 1 6 0,77 2 0 0 3 0,60
11,1 11,1 11,1 66,7 40,0 0 0 60,0
% % % % % ,0% ,0% %
1.2. Áreas de vendas e 1 0 2 5 0,78 4 0 0 1 0,20
marketing 12,5 0 25,0 62,5 80,0 0 0 20,0
% ,0% % % % ,0% ,0% %
0 0 0 0 100,0 0 0 0
,0% ,0% ,0% ,0% % ,0% ,0% ,0%
1.3. Outras 1 1 0 1 0,43 2 0 0 0 0,00
33,3 33,3 0 33,3 100,0 0 0 0
% % ,0% % % ,0% ,0% ,0%
2. Fontes Externas
2.1. Fornecedores de 5 1 0 2 0,29 2 0 0 3 0,60
insumos (equipamentos, 62,5 12,5 0 25,0 40,0 0 0 60,0
materiais) % % ,0% % % ,0% ,0% %
2.2. Clientes 2 0 4 4 0,64 1 0 1 3 0,72
20,0 0 40,0 40,0 20,0 0 20,0 60,0
% ,0% % % % ,0% % %
2.3. Concorrentes 1 2 0 7 0,76 0 0 3 2 0,76
10,0 20,0 0 70,0 0 60,0 40,0
% % ,0% % 0,0% ,0% % %
3.Universidades e Outros
Institutos de Pesquisa
3.1. Universidades 6 1 1 2 0,29 5 0 0 0 0,00
60,0 10,0 10,0 20,0 100,0 0 0 0
% % % % % ,0% ,0% ,0%
3.2. Institutos de Pesquisa 7 1 0 2 0,23 5 0 0 0 0,00
70,0 10,0 0 20,0 100,0 0 0 0
% % ,0% % % ,0% ,0% ,0%
3.3. Centros de capacitação 8 0 0 1 0,11 5 0 0 0 0,00
profissional, de assistência 88,9 0 0 11,1 100,0 0 0 0
técnica e de manutenção % ,0% ,0% % % ,0% ,0% ,0%
87,5 0 0 12,5 80,0 0 0 20,0
% ,0% ,0% % % ,0% ,0% %
4. Outras Fontes de
Informação
4.1. Licenças, patentes e 4 0 1 4 0,51 3 0 0 2 0,40
“know-how” 44,4 0 11,1 44,4 60,0 0 0 40,0
% ,0% % % % ,0% ,0% %
4.2. Conferências, 1 0 3 4 0,73 4 0 0 1 0,20
Seminários, Cursos e 12,5 0 37,5 50,0 80,0 0 0 20,0
Publicações Especializadas % ,0% % % % ,0% ,0% %
4.3. Feiras, Exibições e Lojas 3 0 1 4 0,58 1 0 1 3 0,72
37,5 0 12,5 50,0 20,0 0 20,0 60,0
% ,0% % % % ,0% % %

100
4.4. Encontros de Lazer 1 0 2 4 0,74 2 0 2 1 0,44
(Clubes, Restaurantes, etc) 14,3 0 28,6 57,1 40,0 0 40,0 20,0
% ,0% % % % ,0% % %
4.5. Informações de rede 0 1 3 5 0,79 1 0 0 4 0,80
baseadas na internet ou 0 11,1 33,3 55,6 20,0 0 0 80,0
computador ,0% % % % % ,0% ,0% %

Fonte: Pesquisa de campo


*Índice = (0*Nº Nulas + 0,3*Nº Baixas + 0,6*Nº Médias + Nº
Altas) / (Nº Empresas no Segmento)
5.2.5 Treinamento e Capacitação

O treinamento e/ou capacitação assume na atividade um caráter diferenciado de


outras atividades produtivas. Não existem cursos técnicos para executar alguma tarefa
específica do processo produtivo, nem tampouco, para a área administrativa e
organizacional da banda. Existem cursos de formação musical, relacionados à habilitação
em algum instrumento, quando da realização de um curso superior, ou cursos em escola de
música particular. Aliás, nas escolas particulares de ensino música, muitos músicos com
experiência e formação se capacitam como professores.

Tabela 62

101
Atividades de Treinamento e Capacitação realizadas pelas Bandas

Micro Pequena
Í
Descrição
Baix Médi I Baix Médi nd
Nula a a Alta nd* Nula a a Alta *
1. Treinamento na empresa 0 0
5 0 1 3 ,40 3 0 1 1 ,32
55,6 11,1 33,3 0 20,0 20,0
% 0,0% % % 60,0% ,0% % %
2. Treinamento em cursos 0 0
técnicos realizados no arranjo 5 0 2 3 ,42 4 0 0 1 ,20
50,0 20,0 30,0 0 20,0
% 0,0% % % 80,0% ,0% 0,0% %
3. Treinamento em cursos 0 0
técnicos fora do arranjo 6 0 1 2 ,29 5 0 0 0 ,00
66,7 11,1 22,2 100,0 0
% 0,0% % % % ,0% 0,0% 0,0%
4. Estágios em empresas 0 0
fornecedoras ou clientes 7 0 1 1 ,18 5 0 0 0 ,00
77,8 11,1 11,1 100,0 0
% 0,0% % % % ,0% 0,0% 0,0%
5. Contratação de 0 0
técnicos/engenheiros de outras 5 0 2 2 ,36 4 0 1 0 ,12
empresas do arranjos 55,6 22,2 22,2 0 20,0
% 0,0% % % 80,0% ,0% % 0,0%
6. Contratação de 0 0
técnicos/engrenheiros de 8 0 0 1 ,11 5 0 0 0 ,00
empresas fora do arranjo 88,9 11,1 100,0 0
% 0,0% 0,0% % % ,0% 0,0% 0,0%
7. Absorção de formandos dos 0 0
cursos universitários 6 1 0 2 ,26 5 0 0 0 ,00
localizados no arranjo ou 66,7 11,1 22,2 100,0 0
próximo % % 0,0% % % ,0% 0,0% 0,0%
8. Absorção de formandos dos 0 0
cursos técnicos localizados no 7 1 0 1 ,14 5 0 0 0 ,00
arranjo ou próximo 77,8 11,1 11,1 100,0 0
% % 0,0% % % ,0% 0,0% 0,0%
Fonte: Pesquisa de campo
*Índice = (0*Nº Nulas + 0,3*Nº Baixas + 0,6*Nº Médias + Nº
Altas) / (Nº Empresas no Segmento)

As atividades de treinamento e capacitação relacionadas pelas bandas dizem


respeito tão somente a cursos ligados a música, ou mesmo relacionado à utilização de
instrumentos de estúdio entre outros. Como isto não é uma prática regular, os indicadores
referenciados (Tabela 62) são baixos.

102
5.2.6 Cooperação

As atividades cooperadas aparecem na formas de shows conjuntos e eventos


públicos, em que haja o encontro das bandas. Em geral, outros agentes que não as bandas
promovem algum tipo de cooperação.
Desse modo, entre os principais parceiros (Tabela 63) estão instituições públicas
governamentais, que promovem eventos como concursos de bandas e músicas, com o
intuito de promover a atividade artística e cultural.
Entre as próprias bandas, no esforço coletivo participativo, praticamente não são
relatadas experiências positivas à não ser quando da realização de um evento que envolve
mais de uma banda e quando a organização é feita em conjunto com as bandas.
Além disso, existem formas de cooperação entre músicos que participam em
diferentes bandas ou em mais de uma banda.
As bandas não possuem representação sindical ou outra entidade classista com este
caráter20. O ECAD, bem como a Ordem dos músicos são apontados pelos músicos como
entidades representativas que poderiam ter papel mais atuante e, menos policialesco.
A relação com a Universidade e/ou outros Centros de Pesquisa, existe
esporadicamente, mais em relação a um músico em particular, e não entre a banda e a
entidade.
No geral, as diversas formas de cooperação aparecem de maneira pouco articuladas
e, quase sempre mediada pelo poder público, através de espaço público, programas de
incentivo e ações comuns que envolvem a participação de mais de uma banda.
Na avaliação dos resultados da cooperação (Tabelas 65 e 66), independentemente
do porte da banda, estes aparecem como mais destacados, quanto ao aspecto da melhora
das oportunidades de negócios e na atividade de promoção, divulgação do nome da banda.

20
Embora a Ordem dos Músicos deveria ter esse papel.

103
Tabela 63
Parceiros na Cooperação
Micro Pequena
B
Agentes
Baix M Índic aix M Índic
Nula a édia Alta e* Nula a édia Alta e*
1. Empresas
1.1. Outras empresas dentro 2 0 2 3 0,42 2 0 0 0 0,00
do grupo 28,6 0 28,6 42,9 100,0 0 0 0
% ,0% % % % ,0% ,0% ,0%
1.2. Fornecedores de insumos 3 0 0 3 0,30 2 0 0 0 0,00
(equipamentos, materiais, 50,0 0 0 50,0 100,0 0 0 0
componentes e softwares) % ,0% ,0% % % ,0% ,0% ,0%
1.3. Clientes 0 0 2 5 0,62 0 0 1 1 0,32
0 28,6 71,4 0 50,0 50,0
0,0% ,0% % % 0,0% ,0% % %
1.4. Concorrentes 3 0 2 3 0,42 0 0 1 1 0,32
37,5 0 25,0 37,5 0 50,0 50,0
% ,0% % % 0,0% ,0% % %
1.5. Outras empresas do setor 4 0 1 1 0,16 1 0 0 1 0,20
66,7 0 16,7 16,7 50,0 0 0 50,0
% ,0% % % % ,0% ,0% %
1.6. Empresas de consultoria 6 0 0 1 0,10 2 0 0 0 0,00
85,7 0 0 14,3 100,0 0 0 0
% ,0% ,0% % % ,0% ,0% ,0%
2. Universidades e Institutos
de Pesquisa
2.1. Universidades 4 0 1 3 0,36 2 0 0 0 0,00
50,0 0 12,5 37,5 100,0 0 0 0
% ,0% % % % ,0% ,0% ,0%
2.2. Institutos de pesquisa 4 0 1 2 0,26 2 0 0 0 0,00
57,1 0 14,3 28,6 100,0 0 0 0
% ,0% % % % ,0% ,0% ,0%
2.3. Centros de capacitação 4 1 0 1 0,13 2 0 0 0 0,00
profissional de assistência 66,7 16,7 0 16,7 100,0 0 0 0
técnica e de manutenção % % ,0% % % ,0% ,0% ,0%
2.4. Instituições de testes, 5 0 0 0 0,00 2 0 0 0 0,00
ensaios e certificações 100,0 0 0 0 100,0 0 0 0
% ,0% ,0% ,0% % ,0% ,0% ,0%
3. Outros Agentes
3.1. Representação 5 0 0 1 0,10 2 0 0 0 0,00
83,3 0 0 16,7 100,0 0 0 0
% ,0% ,0% % % ,0% ,0% ,0%
3.2. Entidades Sindicais 4 1 0 0 0,03 2 0 0 0 0,00
80,0 20,0 0 0 100,0 0 0 0
% % ,0% ,0% % ,0% ,0% ,0%

104
3.3. Órgãos de apoio e 1 1 1 5 0,59 2 0 0 0 0,00
promoção 12,5 12,5 12,5 62,5 100,0 0 0 0
% % % % % ,0% ,0% ,0%
3.4. Agentes financeiros 3 0 0 3 0,30 2 0 0 0 0,00
50,0 0 0 50,0 100,0 0 0 0
% ,0% ,0% % % ,0% ,0% ,0%
Fonte: Pesquisa de campo
*Índice = (0*Nº Nulas + 0,3*Nº Baixas + 0,6*Nº Médias + Nº
Altas) / (Nº Empresas no Segmento)

Tabela 64
Formas de Cooperação

105
Na avaliação das ações conjuntas existe um sentimento mais ou menos comum entre
as bandas de que os benefícios podem ser bastante diversificados. Antes de tudo, apontam,

Descrição Micro Pequen


a
Nula Baixa Média Alta Índic Nula Baixa Média Alta Índic
e* e*
1. Compra de insumos e 2 0 3 4 0,58 2 1 1 1 0,38
equipamentos
22,2 0,0% 33,3 44,4 40,0% 20,0 20,0 20,0
% % % % % %
2. Venda conjunta de produtos 1 0 2 6 0,72 1 0 1 3 0,72
11,1 0,0% 22,2 66,7 20,0% 0,0% 20,0 60,0
% % % % %
3. Desenvolvimento de 1 1 2 5 0,65 1 1 1 2 0,58
Produtos e processos
11,1 11,1 22,2 55,6 20,0% 20,0 20,0 40,0
% % % % % % %
4. Design e estilo de Produtos 1 1 4 2 0,47 1 0 1 3 0,72
12,5 12,5 50,0 25,0 20,0% 0,0% 20,0 60,0
% % % % % %
5. Capacitação de Recursos 2 0 4 3 0,54 0 0 2 3 0,84
Humanos
22,2 0,0% 44,4 33,3 0,0% 0,0% 40,0 60,0
% % % % %
6. Obtenção de financiamento 4 0 1 4 0,46 5 0 0 0 0,00
44,4 0,0% 11,1 44,4 100,0 0,0% 0,0% 0,0%
% % % %
7. Reivindicações 2 2 3 2 0,44 3 0 0 2 0,40
22,2 22,2 33,3 22,2 60,0% 0,0% 0,0% 40,0
% % % % %
8. Participação conjunta em 1 0 2 5 0,62 1 0 2 2 0,64
feiras, etc
12,5 0,0% 25,0 62,5 20,0% 0,0% 40,0 40,0
% % % % %
9. Outras 0 0 0 0 0,00 2 0 0 0 0,00
0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0 0,0% 0,0% 0,0%
%
Fonte: Pesquisa de campo
*Índice = (0*Nº Nulas + 0,3*Nº Baixas + 0,6*Nº Médias +
Nº Altas) / (Nº Total de Empresas)
tanto as micro, quanto as pequenas que as ações conjuntas, melhoram as oportunidades de
negócio, bem como aumentam a visibilidade da banda.

106
Tabela 65
Avaliação dos Resultados das Ações Conjuntas
Micro
Descrição Médi Índice
Nula Baixa a Alta *
1. Melhoria na qualidade dos produtos 1 1 2 5 0,65
11,1 11,1 22,2 55,6
% % % %
2. Desenvolvimento de novos produtos 1 1 4 3 0,57
11,1 11,1 44,4 33,3
% % % %
3. Melhoria nos processos produtivos 1 1 3 4 0,61
11,1 11,1 33,3 44,4
% % % %
4. Melhoria nas condições de fornecimento 1 2 2 3 0,48
dos produtos 12,5 25,0 25,0 37,5
% % % %
5. Melhor capacitação de recursos 1 1 2 4 0,55
humanos 12,5 12,5 25,0 50,0
% % % %
6. Melhoria nas condições de 1 2 1 3 0,42
comercialização 14,3 28,6 14,3 42,9
% % % %
7. Introdução de inovações 3 1 1 3 0,39
organizacionais 37,5 12,5 12,5 37,5
% % % %
8. Novas oportunidades de negócios 0 0 2 6 0,72
25,0 75,0
0,0% 0,0% % %
9. Promoção de nome/marca da empresa 0 0 2 7 0,82
no mercado nacional 22,2 77,8
0,0% 0,0% % %
10. Maior inserção da empresa no 2 2 2 2 0,38
mercado externo 25,0 25,0 25,0 25,0
% % % %
Fonte: Pesquisa de campo
*Índice = (0*Nº Nulas + 0,3*Nº Baixas + 0,6*Nº Médias + Nº
Altas) / (Nº Total de Empresas)

107
Tabela 66

108
Avaliação dos Resultados das Ações Conjuntas

109
Pequena
Descrição Médi Índice
Nula Baixa a Alta *
1. Melhoria na qualidade dos produtos 2 0 3 0 0,36
60,0
40,0% 0,0% % 0,0%
2. Desenvolvimento de novos produtos 1 1 2 1 0,50
20,0 40,0 20,0
20,0% % % %
3. Melhoria nos processos produtivos 1 1 2 1 0,50
20,0 40,0 20,0
20,0% % % %
4. Melhoria nas condições de fornecimento 2 1 1 1 0,38
dos produtos 20,0 20,0 20,0
40,0% % % %
5. Melhor capacitação de recursos 0 1 1 2 0,58
humanos 25,0 25,0 50,0
0,0% % % %
6. Melhoria nas condições de 1 1 2 1 0,50
comercialização 20,0 40,0 20,0
20,0% % % %
7. Introdução de inovações 4 1 0 0 0,06
organizacionais 20,0
80,0% % 0,0% 0,0%
8. Novas oportunidades de negócios 0 0 2 3 0,84
40,0 60,0
0,0% 0,0% % %
9. Promoção de nome/marca da empresa 0 0 2 2 0,64
no mercado nacional 50,0 50,0
0,0% 0,0% % %
10. Maior inserção da empresa no 2 2 0 0 0,12
mercado externo 50,0
50,0% % 0,0% 0,0%
11. Outras 2 0 0 0 0,00
100,0
% 0,0% 0,0% 0,0%
Fonte: Pesquisa de campo

110
Os resultados dos processos de treinamento e aprendizagem (Tabelas 67 e 68)
aparecem na maior capacitação profissional, o que inclui a possibilidade de melhorias para
realização de modificações inovativas, e na melhoria quanto à utilização das “técnicas
produtivas”, num processo de aperfeiçoamento constante do músico.

111
O aprendizado do tipo “learning by doing”, é resultado da experiência adquirida
pelo músico individualmente e pela banda em conjunto.

Tabela 67
Resultados dos Processos de Treinamento e aprendizagem
Descrição Micro
Nula Baixa Média Alta Índic
e*
1. Melhor utilização de técnicas 2 1 2 4 0,61
produtivas, equipamentos, insumos e
componentes
22,2% 11,1% 22,2% 44,4%
2. Maior capacitação para realização de 1 1 3 4 0,68
modificações e melhorias em produtos
e processos
11,1% 11,1% 33,3% 44,4%
3. Melhor capacitação para 2 2 1 4 0,58
desenvolver novos produtos e
processos
22,2% 22,2% 11,1% 44,4%
4. Maior conhecimento sobre as 2 0 3 4 0,64
características dos mercados de
atuação da empresa
22,2% 0,0% 33,3% 44,4%
5. Melhor capacitação administrativa 3 2 2 2 0,42
33,3% 22,2% 22,2% 22,2%

* Fonte: Pesquisa de campo


Índice = (0*Nº Nulas + 0,3*Nº Baixas + 0,6*Nº Médias + Nº Altas) /
(Nº Empresas no Segmento)

Tabela 68

112
Resultados do Processo de Treinamento e Aprendizagem

Descrição Pequena
Nula Baixa Média Alta Índic
e*
1. Melhor utilização de técnicas 0 1 2 2 0,70
produtivas, equipamentos, insumos e
componentes
0,0% 20,0% 40,0% 40,0%
2. Maior capacitação para realização de 0 0 3 2 0,76
modificações e melhorias em produtos
e processos
0,0% 0,0% 60,0% 40,0%
3. Melhor capacitação para 0 1 2 2 0,70
desenvolver novos produtos e
processos
0,0% 20,0% 40,0% 40,0%
4. Maior conhecimento sobre as 1 0 0 4 0,80
características dos mercados de
atuação da empresa
20,0% 0,0% 0,0% 80,0%
5. Melhor capacitação administrativa 3 1 0 1 0,26
60,0% 20,0% 0,0% 20,0%

Fonte: Pesquisa de campo

5.2.7 O Ambiente Local

Entre as vantagens locacionais do arranjo, apontadas pelas micro e pequenas, como


pode ser visto nas Tabela 69 e 70, estão nesta ordem de importância: a existência de infra-

113
estrutura, a proximidade com o público, a existência de programas de apoio e promoção e a
disponibilidade de mão-de-obra.
No caso da música de apelo mais popular, alguns estabelecimentos atraem o público
pelo gênero musical que executam na maior parte da noite. Disto se beneficiam as bandas
que têm nestes gêneros musicais como o brega e o Calypso, seu carro-chefe.

Tabela 69
Vantagens Locacionais do Arranjo

Micro
Externalidades Índice
Nula Baixa Média Alta *
1. Disponibilidade de mão-de-obra 3 1 3 3 0,51
qualificada 30,0% 10,0% 30,0% 30,0%
2. Baixo custo da mão-de-obra 5 0 3 2 0,38
50,0% 0,0% 30,0% 20,0%
3. Proximidade com os fornecedores de 5 0 2 3 0,42
insumos e matéria prima 50,0% 0,0% 20,0% 30,0%
4. Proximidade com os 1 1 1 7 0,79
clientes/consumidores 10,0% 10,0% 10,0% 70,0%
5. Infra-estrutura física (energia, 1 0 2 7 0,82
transporte, comunicações) 10,0% 0,0% 20,0% 70,0%
6. Proximidade com produtores de 7 0 1 1 0,18
equipamentos 77,8% 0,0% 11,1% 11,1%
7. Disponibilidade de serviços técnicos 5 1 2 2 0,35
especializados 50,0% 10,0% 20,0% 20,0%
8. Existência de programas de apoio e 1 0 5 4 0,70
promoção 10,0% 0,0% 50,0% 40,0%
9. Proximidade com universidades e 4 2 0 4 0,46
centros de pesquisa 40,0% 20,0% 0,0% 40,0%

Fonte: Pesquisa de campo


*Índice = (0*Nº Nulas + 0,3*Nº Baixas + 0,6*Nº Médias + Nº Altas) / (Nº
Empresas no Segmento)

114
Tabela 70
Vantagens Locacionais do Arranjo
Pequena
Externalidades Baix M Índic
Nula a édia Alta e*
1. Disponibilidade de mão-de-obra qualificada 2 0 1 2 0,52
40,0 0 20,0 40,0
% ,0% % %
2. Baixo custo da mão-de-obra 3 0 1 1 0,32
60,0 0 20,0 20,0
% ,0% % %
3. Proximidade com os fornecedores de 4 0 0 1 0,20
insumos e matéria prima 80,0 0 0 20,0
% ,0% ,0% %
4. Proximidade com os clientes/consumidores 1 0 2 2 0,64
20,0 0 40,0 40,0
% ,0% % %
5. Infra-estrutura física (energia, transporte, 0 2 1 2 0,64
comunicações) 40,0 20,0 40,0
0,0% % % %
6. Proximidade com produtores de 2 2 0 1 0,32
equipamentos 40,0 40,0 0 20,0
% % ,0% %
7. Disponibilidade de serviços técnicos 3 1 0 1 0,26
especializados 60,0 20,0 0 20,0
% % ,0% %
8. Existência de programas de apoio e 1 2 1 1 0,44
promoção 20,0 40,0 20,0 20,0
% % % %

115
9. Proximidade com universidades e centros de 3 0 0 2 0,40
pesquisa 60,0 0 0 40,0
% ,0% ,0% %
10. Outra 2 0 0 0 0,00
100, 0 0 0
Tipos de Transações Pequena 0% ,0% ,0% ,0%
Fonte: Pesquisa de campo Nula Baixa Média Alta Índic
e*
1. Aquisição de insumos e matéria 3 1 1 0 0,18
prima
60,0% 20,0% 20,0% 0,0%
2. Aquisição de equipamentos 1 1 1 2 0,58
20,0% 20,0% 20,0% 40,0%
3. Aquisição de componentes e peças 2 2 1 0 0,24
40,0% 40,0% 20,0% 0,0%
4. Aquisição de serviços (manutenção, 0 0 1 4 0,92
marketing, etc)
0,0% 0,0% 20,0% 80,0%
5. Vendas de produtos 0 0 3 2 0,76
0,0% 0,0% 60,0% 40,0%

Entre as transações comerciais realizadas no arranjo (Tabelas 70 e 71), recebeu


maior importância entre as micro e pequenas: a aquisição de serviços, a venda dos
produtos, e aquisição tanto de matérias-primas, quanto de instrumentos, embora não mesma
ordem de importância entre elas.
Em verdade, ainda, são poucas as bandas que tem um deslocamento para fora do
estado. Algumas se deslocam com freqüência para o interior do estado, porém é na RMB
que centralizam sua atividade. A compra de equipamentos e instrumentos, no entanto, já
tem um direcionamento maior para fora do arranjo, via importação.

Tabela 71
Transações Comerciais Realizadas no Arranjo.

116
Fonte: Pesquisa de campo

Tabela 72
Transações Comerciais Realizadas no Arranjo.

Tipos de Transações Micro


Nula Baixa Média Alta Índic
e*
1. Aquisição de insumos e matéria prima 2 1 4 3 0,57
20,0% 10,0% 40,0% 30,0%
2. Aquisição de equipamentos 3 1 3 3 0,51
30,0% 10,0% 30,0% 30,0%
3. Aquisição de componentes e peças 3 3 2 0 0,26
37,5% 37,5% 25,0% 0,0%
4. Aquisição de serviços (manutenção, 1 2 3 4 0,64
marketing, etc)
10,0% 20,0% 30,0% 40,0%
5. Vendas de produtos 0 0 0 10 1,00
0,0% 0,0% 0,0% 100,0
%
Fonte: Pesquisa de campo
*Índice = (0*Nº Nulas + 0,3*Nº Baixas + 0,6*Nº Médias + Nº Altas) / (Nº
Empresas no Segmento)

117
São acentuadas como características desejáveis da mão-de-obra local (Tabelas 73 e
74), o conhecimento prático, a disciplina, a capacidade para o aprendizado de novas
qualificações, a flexibilidade e a criatividade.
Tabela 73
Características da Mão-de-Obra Local
Micro
Características Baix M Índic
Nula a édia Alta e*
1. Escolaridade formal de 1º e 2º graus 3 0 2 4 0,58
33,3 0 22,2 44,4
% ,0% % %
2. Escolaridade em nível superior e técnico 2 1 1 5 0,66
22,2 11,1 11,1 55,6
% % % %
3. Conhecimento prático e/ou técnico na 0 0 2 8 0,92
produção 0 0 20,0 80,0
,0% ,0% % %
4. Disciplina 0 1 1 8 0,89
0 10,0 10,0 80,0
,0% % % %
5. Flexibilidade 0 0 3 7 0,88
0 0 30,0 70,0
,0% ,0% % %
6. Criatividade 0 0 1 8 0,96
0 0 11,1 88,9
,0% ,0% % %
7. Capacidade para aprender novas 0 0 1 9 0,96
qualificações 0 0 10,0 90,0
,0% ,0% % %
8. Outras 0 0 0 0 0,00
0 0 0 0
,0% ,0% ,0% ,0%
Fonte: Pesquisa de campo
*Índice = (0*Nº Nulas + 0,3*Nº Baixas + 0,6*Nº Médias + Nº Altas) /
(Nº Empresas no Segmento)

118
Tabela 74
Características da Mão-de-Obra Local
Pequena
Características Baix Médi Índic
Nula a a Alta e*
1. Escolaridade formal de 1º e 2º graus 0 1 1 3 0,78
20,0 20,0 60,0
0,0% % % %
2. Escolaridade em nível superior e 1 1 2 1 0,50
técnico 20,0 20,0 40,0 20,0
% % % %
3. Conhecimento prático e/ou técnico 0 0 0 5 1,00
na produção 100,0
0,0% 0,0% 0,0% %
4. Disciplina 0 0 0 5 1,00
100,0
0,0% 0,0% 0,0% %
5. Flexibilidade 0 0 0 5 1,00
100,0
0,0% 0,0% 0,0% %
6. Criatividade 0 0 0 5 1,00
100,0
0,0% 0,0% 0,0% %
7. Capacidade para aprender novas 0 0 1 4 0,92
qualificações 20,0 80,0
0,0% 0,0% % %
8. Outras 2 0 0 0
0,00
100,0
% 0,0% 0,0% 0,0%
Fonte: Pesquisa de campo
*Índice = (0*Nº Nulas + 0,3*Nº Baixas + 0,6*Nº Médias + Nº Altas) /
(Nº Empresas no Segmento)

119
Micro Pequena
Não Conhece, Conhece Não Conhece, Conhece
Instituição
conhec mas não e conhec mas não e
e participa participa e participa participa
1. Governo 2 5 3 3 2 0
Federal 20,0% 50,0% 30,0% 60,0% 40,0% 0,0%
2. Governo 1 4 5 0 4 1
Estadual 10,0% 40,0% 50,0% 0,0% 80,0% 20,0%
3. Goverrno 1 3 6 0 3 2
Local/Municipal 10,0% 30,0% 60,0% 0,0% 60,0% 40,0%
4. SEBRAE 5 5 0 3 2 0
50,0% 50,0% 0,0% 60,0% 40,0% 0,0%
5. Outras 2 2 0 1 1 0
Instituições 50,0% 50,0% 0,0% 50,0% 50,0% 0,0%

Tabela 75
Conhecimento e Participação em Programas Públicos

120
Fonte: Pesquisa de campo

As diversas ações empreendidas, especialmente pela Funtelpa, e o advento das leis


Semear e To Teixeira permitiram as bandas participarem de programas e ações diretas
empreendidas pelos órgãos do poder estadual e municipal. No âmbito federal, ainda que
algumas bandas conheçam atividades de promoção cultural, como a Lei Rounet, por
exemplo, seu acesso é considerado bastante restrito.
As políticas públicas apontadas como importantes para melhorar o arranjo, vêm ao
encontro das principais necessidades das bandas: o acesso ao crédito, aos avanços
tecnológicos na área da produção musical, o acesso a informação, a capacitação e a
educação.

Tabela 76
Políticas Públicas que Poderiam Melhorar o Arranjo
Micro Pequena
Ações de
Baix Médi Índic Baix Médi Índic
Política
Nula a a Alta e* Nula a a Alta e*
1. Programas de 1 1 1 7 0,79 0 0 2 3 0,84
capacitação
profissional e 10,0 10,0
10,0 0 40,0
treinamento técnico % % % 70,0% 0,0% ,0% % 60,0%
2. Melhorias na 0 0 1 9 0,96 0 0 3 2 0,76
educação básica 10,0 0 60,0
0,0% 0,0% % 90,0% 0,0% ,0% % 40,0%
3. Programas de apoio 0 0 3 7 0,88 0 0 3 2 0,76
a consultoria técnica 30,0 0 60,0
0,0% 0,0% % 70,0% 0,0% ,0% % 40,0%

121
4. Estímulos à oferta 0 0
2 8 0,92 0 0 3 2 0,76
de serviços 20,0 0 60,0
tecnológicos 0,0% 0,0% % 80,0% 0,0% ,0% % 40,0%
5. Programas de 0 0 2 8 0,92 0 0 0 5 1,00
acesso à informação
(produção, tecnologia, 20,0 0 100,0
mercados, etc) 0,0% 0,0% % 80,0% 0,0% ,0% 0,0% %
6. Linhas de crédito e 0 0 0 10 1,00 0 0 0 5 1,00
outras formas de 100,0 0 100,0
financiamento 0,0% 0,0% 0,0% % 0,0% ,0% 0,0% %
7. Incentivos fiscais 1 0 1 7 0,84 2 0 0 3 0,60
11,1 11,1 0
% 0,0% % 77,8% 40,0% ,0% 0,0% 60,0%
8. Políticas de fundo 1 0 2 5 0,78 2 0 0 3 0,60
de aval 12,5 25,0 0
% 0,0% % 62,5% 40,0% ,0% 0,0% 60,0%

Fonte: Pesquisa de campo


*Índice = (0*Nº Nulas + 0,3*Nº Baixas + 0,6*Nº Médias + Nº
Altas) / (Nº Empresas no Segmento)

As limitações ao crédito tomam forma, especialmente, nos entraves burocráticos, a


necessidade de garantias e a inexistência de linhas de crédito adequadas. De fato, como boa
parte das bandas não é pessoa jurídica, os empréstimos teriam que ser feitos em nome de
um dos seus integrantes, o que dificulta sua contratação, especialmente, devido as
exigências de garantias.

Tabela 77
Principais Obstáculos que Limitam o Acesso ao Crédito

122
Micro Pequena
Limitações Médi Índice Baix Médi Índice
Nula Baixa a Alta * Nula a a Alta *
1. Inexistência de linhas 6 0 2 2 0,32 1 0 2 2 0,64
de crédito adequadas às
necessidades da 60,0 20,0 20,0 20,0 40,0
empresa % 0,0% % % % 0,0% % 40,0%
2. Dificuldades ou 2 2 0 6 0,66 0 0 0 5 1,00
entraves burocráticos
para se utilizar as fontes
de financiamento 20,0 20,0 60,0 100,0
existentes % % 0,0% % 0,0% 0,0% 0,0% %
3. Exigência de 1 1 2 6 0,75 2 0 0 3 0,60
aval/garantias por parte
das instituições de 10,0 10,0 20,0 60,0 40,0
financiamento % % % % % 0,0% 0,0% 60,0%
4. Entraves fiscais que 1 1 1 7 0,79 3 0 2 0 0,24
impedem o acesso às
fontes oficiais de 10,0 10,0 10,0 70,0 60,0 40,0
financiamento % % % % % 0,0% % 0,0%
5. Outras 0 0 0 0 0,00 1 0 0 1 0,50
50,0
0,0% 0,0% 0,0% 0,0% % 0,0% 0,0% 50,0%

Fonte: Pesquisa de campo


*Índice = (0*Nº Nulas + 0,3*Nº Baixas + 0,6*Nº Médias + Nº Altas) /
(Nº Empresas no Segmento)

5.3 Instituições Pertinentes a Música

Fundação Carlos Gomes e Instituto Estadual Carlos Gomes

O grande centro formador de músicos21 do estado é a Fundação Carlos Gomes,


ligada a Secretaria de Educação e Cultura do Estado. A formação de músico inclui, além de
teoria musical, diversos tipos de instrumentos.
São oferecidos, basicamente, dois tipos de curso: os cursos livres, aberto ao público
e os cursos de bacharelado, com habilitação em diferentes tipos de instrumentos.

21
Pelo menos de formação musical específica.

123
Quadro 7
Cursos Oferecidos pela Fundação Carlos Gomes
Cursos 2000 2001 2002 2003 2004
Musicalização 295 470 497 475 463
Instrumento em Grupo 124 0 0 0 59
Disciplinas Complementares 0 9 14 9 3
Piano 226 174 213 227 225
Violão Clássico 57 76 92 131 127
Canto Lírico 65 67 52 65 58
Percussão 30 32 34 33 28
Oboé 9 9 10 10 11
Trompete 17 24 19 27 23
Flauta-Doce 41 46 21 38 55
Fagote 6 6 6 4 6
Flauta-Transversa 13 30 26 34 35
Clarinete 17 23 32 48 53
Saxofone 23 56 39 51 58
Trompa 10 10 10 15 11
Trombone 14 16 15 27 22
Tuba 3 6 10 13 13
Bombardino 0 0 0 0 3
Violino 96 50 64 124 112
Viola 7 7 2 2 3
Violoncelo 26 47 75 49 65
Contrabaixo 13 11 16 10 10
Flauta-Doce em Grupo 0 21 16 23 0
Violino em Grupo 0 64 63 45 0
Violoncelo em Grupo 0 0 0 20 0
Piano em Grupo 0 49 53 71 62
Regência Coral 8 20 13 4 1
Mestre de Banda 0 0 0 34 27
Cursos Livres de Teclado,
Cavaquinho, Violão Popular,
Percussão, Bateria, canto Popular,
Baixo Elétrico e Formação de
Monitor 181 248 194 187 181
Projeto Série Harmônica 0 0 0 8 8
Bacharelado 40 42 50 53 76
Totalização Final 1281 1571 1586 1774 1618
Fonte: FCG e IECG.
Obs: O Total dos alunos do Bacharelado não é computado na Totalização Final, uma vez que os alunos
estão distribuídos em diversos instrumentos.
O Curso de Mestre de banda foi implantado a partir do 2° semestre de 2003.

Pelo Quadro 7, percebe-se que existem cursos de formação erudita, em


instrumentos “clássicos”, mas também direcionados a formação de músicos com caráter
popular, inclusive, em instrumentos com esta direção, como o cavaquinho, por exemplo.

124
Quadro 8
Principais Programas de Divulgação da Música (Cultura) Paraense, por Emissoras
de Rádio e TV.
RÁDIOS/ EMISSORAS DE TV PROGRAMA/HORÁRIO
MARAJORA 3 ou 4 – todos os estilos do Pará
BELÉM FM Domingo (23 – 00h)
RÁDIO CLUBE Segunda a Sexta (15 – 17h)
Sábado (12 – 16h)
LIBERAL FM Programa do Dinho (17 – 18h)
RAULAND Programa Marcelo Alencar (21 – 22h)
TV CULTURA Sem Censura Pará (Programa diário)
Bem-feito (Programa exibido todas as quartas-feiras)
TV LIBERAL A programação diária da TV Liberal está vinculada à
programação da TV Globo e, portanto não há
programação própria da TV Liberal que esteja
relacionada à divulgação da Música Popular Paraense.
Os programas regionais que se aplicam à divulgação da
cultura dizem basicamente à fruticultura e
agropecuária. Ex: É do Pará.
TV RECORD A programação diária da TV Record Belém está
vinculada à programação da TV Record de São Paulo e,
portanto não há programação própria da TV Liberal
que esteja relacionada à divulgação da Música Popular
Paraense. Os programas regionais que se aplicam à
divulgação da cultura dizem basicamente à fruticultura
e agropecuária. Ex: Agroamazônia.
TV MARAJOARA Programa Carlos Santos
(Domingo das 11h às 13h)
RBA A programação diária da TV RBA está vinculada à
programação da TV Bandeirantes e, portanto não há
programação própria da TV RBA que esteja
relacionada à divulgação da Música Popular Paraense.
Os programas regionais que se aplicam à divulgação da
cultura dizem basicamente à assuntos polêmicos. Ex:
Barra Pesada e outros do gênero.
Fonte: Informações obtidas por telefone, junto às emissoras.

As rádios e emissoras de TV, cuja grade de programação permite uma maior


flexibilidade, para programas locais, são as grandes divulgadoras da música e dos artistas
locais. Destaque para o Programa Carlos Santos, que é retransmitido para outros estados do
nordeste e, quem tem revelado “muitos talentos” e programação da Tv Cultura com uma
programação que abre bastante espaço, para a temática e discussão cultural do estado,
inclusive, da música.

125
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS E PROPOSIÇÕES DE POLÍTICA

Existe claramente alguns pontos que denotam uma fragilidade no processo


produtivo, tanto do APL de artesanato, quanto do APL de música. Em ambos os casos,
ocorre uma dependência, muito grande da institucionalidade constituída, no âmbito das
diversas esferas de governo.
As atividades de promoção, o chamado “marketing cultural” promovido pelo
governo do estado e prefeitura municipal, é indispensáveis para dinamizar a atividade, no
sentido de abrir oportunidades a novos mercados, não restritos ao mercado local.
Além do mais, é patente entre os arranjos produtivos uma necessidade de
financiamento, tanto para capital fixo, quanto para capital de giro, muito embora no
artesanato, alguns segmentos como, de jóias e gemas, por exemplo, tenham maior
necessidade de capital de giro, uma vez este requer uma imobilização de recursos muito
mais volumosa.
O acesso ao crédito é limitado e, por força das características da atividade, em
grande parte informal, inacessível, a grande maioria. Enquanto não houver um acesso ao
crédito mais contínuo e, com restrições que se compatibilizem com as características das
atividades, as escalas de produção se manterão muito limitadas, impossibilitando o acesso a
mercados fora do âmbito local – RMB ou estado do Pará.
Percebe-se a existência de uma cadeia produtiva incompleta na área musical. Não
existe em Belém a indústria de fabricação de CDs, tão somente empresas que reproduzem,
e distribuem as cópias (autorizadas). Isto limita o público da banda e, torna difícil sua
entrada no mercado nacional. Poucas são as bandas que já conseguiram exposição à mídia,
e mesmo distribuição de seus CDs em distribuidoras nacionais.
A análise do artesanato mostrou existir segmentos em diversos estágios de
desenvolvimento, no qual aqueles que estão em estágio superior, são os que têm mantido
um nível de relacionamento, cooperação e capacitação mais regular, especialmente com a
institucionalidade criada para este fim.
O produto artesanal é muito rico, diverso, original, com nível de inovação constante.
Porém, seu nível de competitividade, ainda, é baixo, uma vez que possui pouca inserção no
mercado nacional.

126
A construção de novos espaços públicos para venda do produto artesanal, seria uma
alternativa de, ao diminuir custos e, criar maior visibilidade, criar maior dinâmica à
atividade.

127
REFERÊNCIAS

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Participativos para Indicação de Referências Locais Prioritárias ao Planejamento do
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Locais de Micro e Pequenas Empresas. In: LASTRES, H.M.M.; CASSIOLATO, J.E.;
MACIEL, M.L. Pequena Empresa: Cooperação e Desenvolvimento Local. Rio de
Janeiro:Relume Dumará, 2003, Cap.2.

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como conceito na Constituição de um Sistema de Planejamento para uma Nova Sudam. In:
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Sites Consultados:
www.bregapop.com.br
www.ibge.gov.br
www.ipea.gov.br
www.tvcultura.gov.br

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