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MOUNI

SADHU

DIAS DE GRANDE PAZ

Vivência da mais alta Yoga

Traducão de LEONIDES DOBLINS

Edição, revista e anotada por Huberto Rohden

EDIT6RA

PENSAMENTO

SÃO PAULO

Ru n

ÍNDICE

7 PR EFÁCIO . Introdu çã o à 1. " Edi ç ão . 11
7
PR EFÁCIO
.
Introdu çã o
à
1. " Edi ç ão
.
11
Do Pr e f á c i o d a 2 :
Edição
.
15
Aos Lei t ores Bra s i l eiros
.
18
C
AP ÍTULOS
I
-
Con vi vên ci a
Com os S á bios
21
11 -
O Primeiro
Encontro
23
111 -
A Vida no Ashram de M ah a r s hi
25
IV
- Lágrimas
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32
V
-
A Gló r ia do Senho r
35
VI
-
A Pe rs on a lida de
de S r i M a h a r s hi
3 8
VII
-
Um D e s e j o S a t is f ei t o
43
VIII
-
O A mor
45
I
X -
Me u s P as s o s
até M a h a rs hi
51
X
-
C o m o o S â nd a lo
60
XI
-
No A s h ra m
63
XII
-
Os E nsi n am entos
d e Ma h a r s hi
65
XIII
-
O C a m i nh o D ire t o
7 0
XIV
-
A T é cnica
da Vichara
".
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77
MCMLXX
XV
-
" O Marta!
"
80
XVI
-
Os Últ i mo s Re t r a t os
d o Me s tre
83
D
i
r ei t os
re se r v a do s da
XVII
-
No va Inter v en ção Cirúrg i c a
86
'
DITO R A
PENSAMENTO
LTD A .
XVIII
-
A Vis i ta
às C av ern a s
89
n se lh e i r o Fur ta do, 6 48
-
São P a ulo
XIX
-
Arunáchala
V is t a d e Di a
92
XX
-
O Poder em Nós
96
I
m p r e ss o
no Brasil
XXI
-
No Ashram de Sri Au r obindo
101
P
r h lt e d i n Brasil

CA Pí T UL OS

XX

II

-

A " Co r rente-Eu"

 

107

X

X I II

-

O Túmulo do Santo Muçulm a no

 

109

XX

I V -

N a Ausên c i a

 

do Me s t re

 

112

 

XX

V -

O Darsban Restabelec i do

114

XX

VI -

Iniciações

 

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119

XX

V

I I

-

Um Con cê rto

 

122

XX

VIII

-

F ô lhas Esparsas

 

124

XX

I X -

Os Olhos de M a harshi

 

127

 

XX

X -

" Aperges - rne com H iss ope"

 

1 3 0

X

X XI -

Arunáchala à Noite

 

133

XX

X

II

-

Separado da Mente

137

XXX

III

-

Deus

.

142

XX

X IV -

Recordações

 

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147

XX

X

V -

Correspondência

 

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151

XX

X VI -

Eu e Vós

 

16iJ

XXX

VII

-

Réquiem

 

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163

XX

VIII

-

Que

é Meditação

 

168

XX

I X -

Técnicas de Med i tação

 

172

 

X

L -

Os Últimos

Dias

 

176

X

L I -

M i nha No va Concepç ã o da Vida

 

1 8 2

L

II

-

" Bu s c a i Primei r o

 

o R ei no

 

de Deus

 

"

1 84

X

L II I

-

A Partida

 

187

L

I V -

A d e us

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19 1

LV -

Sa m a dhi

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194

L

V r -

T e m a s Para Meditaç ã o

 

202

LVI r -

o Jombo

 

211

, LVIII: -

m Alt o Mar

 

215

 

• 1.1

A L u z

e s t á Brilhando

 

219

I .

A Ú lti m a M e n s a ge m

 

222

 

'JI.V(t,OOO

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226

PREFÁCIO

Por M. Hafiz Syed. M. A. Dr, em Filosofia e Literatura

" Pro s se g ue n a investigação "Quem

sou eu?" per-

severantemente.

Analisa tôda

a tua personalidade .

Procura descobrir

onde

começa o pen s amento

eu. '

Continua as meditaç õ es .

íntimo. Um dia a roda do pensamento vai parar

Obedece a essa

parar, e a intuição te

guiará para a meta" . Dos ensina m entos de Maharshi.

" Se a Suprema Verdade

a Suprema Ver-

dade é compreendida, o estudo das Escrituras se torna inútil."

das E s crituras

intuição e deixa o pensamento

e a intuição surgirá misteriosamente.

no eu

Fi x a tua atenção

não é conhecida,

o estudo

é e s téril, e, quando

De Shri Sh a nkarach a r y a

A MA I O R parte das pessoas neste mundo não tem fé nos

valôres espirituais. Para elas , a mente é tudo , e esta as leva

a inúm e ras r e fle x õ es e e spe c ulaç õ es. Al g uns se dizem céti- cos ' e ainda outros orgulh a m - se d e s e r puros materialistas.

A Verdade é v elada p e la nossa própria ignorância e nós não

a buscamos com suficiente insist ê ncia. Tendo e x er c itado nosso intelecto até certo limite , pensamos não ha v er espe- rança para investigações e descobertas mais amplas. Essa atitude da mente é o resultado do estudo dos sistemas de

filosofas o c identais , que, do ponto de vista oriental , é estéril,

e não nos conduz a nada , além de especulações e simples

conjeturas sôbre a Verdade. Mas a filosofia oriental, espe-

cialment é

O · modo

de pe n sar

indiano ,

dá alguma e sp e ran ç a

real

ao aspirante

sério ,

na ve r e da

da

bus c a

da Verdad

.

os pen s ador e s

a n ti g os ,

santos

e s á bi o s ,

indica -

Quase todos ram o caminho

prático

e seg uro ,

e , ao seguí-lo , pod e mos

esta r

livres de tôda a dú v ida

e in c e rt ez a

e co mpreen d e r

d e bus c a

o s entid o

 

e a razão d e s er da vida.

S e u m ét odo

d a Ve rdad

é de v eras c i e ntífi c o .

Êl e s n ã o d o gmatizam

n e m ex i ge m

cr e -

dulidade

e estabelec e m

em vez d e fé .

Ap o nt a m ,

c ertas c ondi ç õe s

s impl esm e nt e ,

o ca minh o

d e fi n idas

para a l c an ç á-lo.

O

final ness e caminho

depende

uni c ame nt e

d o

próprio

sucesso esf ô rço do aspirant e

e da auto-in ve stiga çã o .

A pri-

meira condição

é o desejo

sério , a s ê de insa c i áve l

a água

da vida.

Em resposta

a uma

de um

p e rgunta

de bebe r s ô bre

declarou

o s

requisitos

para

a qualificação

dis c ípulo ,

Sri Ramana

Maharshi, certa vez:

anseio de l i bertar-se

coisa".

espiritual:

é o esfôrço

obser vâ n c ia

" Ele deve

das misérias

não deve

incessante

das regras

ter

da vida e de t e r

o intenso

o menor

e incessante

obter suprema beatitude

por outra

desejo

O segundo requisito

do

cultivo das virtudes do desprendimento

acompanha-

e o

da

cuidadosa

de conduta

e do discernimento.

O terceiro

é a bu sca de um S ad Guru , um m es tre

verda-

deiro'

que

o possa

guiar

c om su ce sso

real à m e ta

qu e lh e

está destinada.

 

Podemos a c res ce nt a r

qu e as antigas

e s c rituras

hi n dus

os Upani s had es

já n o s d e ram

as di r etrizes

ne c essá ria s

e s ô br e

e seus por ê sse método

o caminho

al c an ce s. ci e ntífi c o

Mas a ve rdade

e d ef inido

a s e r a c hada co nh ecida

é e t e rna ,

pelos antigos

munhas

ensinado

m

não os próprios

pouco mais , enquanto o mestr e é a encarna ç ão da V e rdade que buscamos.

sábios , e ne cessita

d e s e r te s tifi ca d a

por t e ste -

v i v as , de t e mpos

a chegar

a t e mp o s .

E ê sses sá bios no s t ê m

de qu e

s o m e nt e

um

dos Upa nis had e s , e

ap e nas

pala v ras

e

à conclusã o

lógica

a ve rdade

que

são

e stre

v i v o pode en s inar-n o s

Upani s had e s ,

Mouni Sadhu,

o autor do livro In Days of Gre at P e ac e

(Dias d e Grand e Paz), parece

dições humanamente

possíveis.

ter preenchido

tôdas

Como aspirante

as con-

se-

sério,

11111 cllv 1'SOS métodos

sôbr e a r e ali z a ç ão

de Deus ,

de dlver-

I se' I as d e Yoga , o c ultis mo

e mi s ti c ismo ,

e . finalmente .

111'11111 r u se u Me s tre

e Cur u

re al .

Bhagavan

Sri Ramana

u l u i r s h í . o quaL a c h a ndo- o

pr e p ar ado

e com as co~di ç ões

I'

h ll l l m e n c ionadas .

l h e co n ce de u

g ra ç a .

e rradi c ou

a

ulrlade

d ê l e ( conform e

s ua afirma o próprio

autor )

Eu eterno

pl l ' l n a n e nte.

A m e u modo d e ve r , h á du as e sp éc i e s

I n l h l n d e d a vida e spiritual:

de fé r ac ional

na

1) A f é i nd i r e ta , da qu a l t e mo s

notícias pelas e x p e ri ê n-

Illu " vere ditos

\I '1,,'/1111

d e d e st em id os p e r s ist ê n c ia

a c ora g em.

a s pirantes e v ontade

à V e rdad e

qu e

f é rr e a

de lu~ar

11/1 { \ s do es pinhoso

e e m c ujas

l i lu ras,

de

a c ôrdo

c aminho da auto-r e aliza ç ão com s e u s a nt ec edentes

e integridad e

I"

nnl, t e mos

de confiar.

2) A fé nascida da e xperi ê n c ia

- n e m negação. é uma preciosa

direta

1'1"'1 11li possibilidade O livro de Mouni

d e dúvida Sadhu

algo que não

evid ê ncia

da

I

l lndir

ta, a qual temos

de inv e stigar

VI rlfl ca r por nós mesmos.

atenta e corretamente

() a ut o r

r e digiu

c om m e ti c uloso

c uidado suas e xperi ê n-

e hum?na-

1111 íntima s e inexprimív e is ,

tão fieL primorosa

111111111 qua nto é possíve l.

Comp e t e a nós agora apro v eita-Ias

1I neõrdo

com a nossa capa c idade .

Mov ido pelo sentimento

de s e r v ir com. A de:prendime~to

,

p

I ,

e l o dese jo r s ulta ntes

de reparti r

c om o utros e x peri e n c ias

e CO~VIC'

de seu c onh ec im e nto

na forma

dir e to . ê le con c retizou

d ~ ste liv;~ fas c ina,?te

I " n s nrn e nt os e s e ntim e ntos

11 plrado r e altament e instrutiv o.

Os leitores

- o ntrarão

I 1111 r e p a s sou

m

n ê le

não somente

a ev id ê n c ia

as praias

do samsara ilusório ,

no t lv s para p e nsamentos

e inspira ç ões.

s é rios . ao l e -Io

de algu é m

qu e

como também

l inh o de 1953 .

DR.

M. HAFIZ SYED

I N TROD U Ç Ã O A l. a EDIÇÃO

MINH AV I SITAa o últi m o gra nd e R ish i (sábio ) ) d a índ i a

- ' co nh ec ido há quar e nta anos c omo Sri Ramana M ahar s hi

- foi pl a nejada h á qua tr o a nos , m a s a s c ondi çõe s d e após-

gu erra n ã o e ram fa v or áve i s à s v i age ns de c on t in e nt e par a co nti ne nt e , prin c ipalm e n te se e s sa v iagem fôss e por m a r e n ã o v ia aé re a .

Ainda a s sim ch e guei a t e mpo no ashram. Ap e sar de se r

po i s todos compr e en-

diam . qu e e m br ev e d e i xa ri a ê s se mundo , no qual vi v eu mais de s e tent a a nos - era p e rmit id o a p r o x imar-se d ê l e e f aze r- lh e p e r g unt a s como antes. M as , e m g e ral, os v isitant e s n ã o sentiam d e sejo d e f aze r-lh e p er guntas , e s im d e es tar unicam e nt e e m sua presen ç a. Os en si na m e nt os d e M ah a rs h i foram ex po s t os por ê le mesmo em vá r ias o b ra s p e qu e n as. A l é m di s s o , mui ta s obr a s f o r am p ubli c a da s , p r o v en i e nt e s de a no ta çõe s c uid a dosas f e it as p o r seu s d is c ípul os . D aí o fa t o d e s e us ensi n a m e ntos

ge r a l m e n t e j á te r e m si d o li do s pe l as pessoa s · qu e v i s ita v am

Esc ut a r , po rquanto , o qu e ê l e s já s abia m > n ã o

e r a o p r i n c i p a l d e s e j o d aqu e l e s que c h eg a va m , v i n d o s de

d i f erente s p o nt o s da T e rr a. E r a a pr ese n ç a do S a nto que a tr aía, q ua l ím ã in v i sí v e l e p o d e r oso , os afortunado s a qu e m os d e cretos da P r o v id ê n c ia indi ca v a m o cam in ho p a r a 11 : 1 e .

g rave o e stado d e saúd e do s á bio -

. o a s hram.

Ê ste d i ár io foi esc rito e sporàdi ca m e nt e. S i mplesmente a lgumas notas apressad as, e m fr a ses breves, em fragm e ntos

d o pap e l , s e m títulos e até mesmo sem data ; pois o tempo p a re ce , de certo modo , ter cessado neste estranho re c anto da Terra. Transferi simplesmente para o papel, sem plano algum, minhas experiências espirituais , disposição e estado mental , confor~e se apresentavam dia após dia, quando me sentava aos pes de Maharshi. Das minhas p e r e grina ç ões "em busca da Verdad e " ha- via eu trazido e norme lastro mental em forma d e várias t e orias d e ocultismo e fragmentos d e ensinamentos de ou- tros mestres. Eis por que , quando e xperim e ntei e x pressar em . pal~vras as experiências Íntimas e transcendentais que havia tido na presença de Maharshi , tomav a m , contra mi-

~h~ vontade,

certas

formas mentais já prepar a das ,

de

idéias

e mesmo de frases .

Jamais a pala v ra humana pod e r á ex pres sa r aquilo que chamamos Verdad e , Espírito ou D e u s . Todavia , a qu ê les que trilharam o caminho da busca, antes d e nós , d e i x aram alguns traços de suas experi ê ncias nas es c rituras sagradas de tôdas as reli g iões. Nelas encontramos p a lavras d e tal poder e beleza qu e qualqu e r tentati v a para pro c urar melho- res formas para Aquilo qu e não t e m forma , é vã e fútil. As pala v ras dos grand e s mestr e s e guia s da Humanidad e sã o corr~ntes d e poder e luz. Não é para admirar que todo aq~ele ~u e ~e acha em presença de um d ê l e s entr e , por aSSIm dizer , Inconscientemente , nessa corr e nte. Muitas v ê zes , depois da medita ç ão ou contempla ç ão , na presença d e Maharshi , uma o u mais de tai s frases cl á ssicas e breves , e s p é cie d e a x iom a s e spirituais , v inham e s pont â nea- mente à minha m e m ó ria , e e u as t o m e i c o m o " di v isa " da s anotações diárias e preferi u s á-Ias aqui como subtítul o s de capítulos por serem mais significativas do que datas.

Não tentei regi s trar nenhum dos ensinam e ntos d e Ma- harshi como já men c ionei , porque ê sse s pod e m s e r en c ontra- dos em muitas obras. M e u propósito foi o d e anotar o que essas obras não contêm, isto é, a e x peri ê n c ia real de um

12

homem desejoso de conhecer o significado e as influ ê ncias da presença de um grande sábio e santo . Li muitas descri- ç õ es de dis c ípulos hábeis em c lassificar as qualidades e os ensinamentos de , seus mestres que eu conhecia , teoricamente,

e o que se podia esp e rar na presença de um dêles. Mas tôda

t e oria , todo o conh e cimento adquirido s e reduz a poeira quando e st a mos fa ce a fa c e d e um h o mem perfeito . Tor- n a m- s e supé r fluas , c omo as c ompli c adas roupas ocid e ntais

com seus colarinhos e gravatas o são no calor impiedoso desta parte da fndia.

Entre os numerosos dis c ípulos de Mahrshi , espalhados por todo o mundo , os indianos são, sem dúvida' em maior núm e ro . E não é d e estranhar . Ê les esti ve ram durante muito tempo mais p e r t o da luz . Ti ve ram mais oportunidade d e est a r e m contato com o Sábio e d e compr ee nder seus ensinamento . Muitos dentr e ê les s ã o realm e nte adiantados

e tiveram e x p e ri ê n c ias espirituais important e s e el ev adas. Mas ê sses no s sos irmãos - yogues indianos - não gostam de falar e muito m e nos de e screver sôbre s e us vôos mais

el ev ados . Pr e ferem falar s ô bre os caminhos que g ui a m o h o m e m a e s s as e x peri ê n c ias mí s ticas. Há muit as obra s n e sse s e n tido , t a nto na India como e m outras part e s do mundo. 1 !: I e sd eve m ter , s e m dú v ida , r a z õe s para tal atitude. Ant e s d e tudo , c r ê e m qu e o qu e poderiam ter a possibilidad e de dizer já foi dito pelos mestr e s e qu e ninguém o poderia fazer melhor do qu e os próprios mestres. Além disso, os indianos t ê m ilimitad a confian ç a nos d e cretos do Altíssimo.

Cr ê e m firm e ment e qu e s ô bre o AItÍ ss imo r e c ai int ei ra r e s-

pons a bilidad e p e la sua criaç ã o . D a í n ã o s e s e ntir e m os indi a nos induz i dos a trabalhar para a eleva çã o ou m e lhora- mento d ê ste mundo. O ocid e ntal , ao contrário , possui a tend ê ncia inata de r e partir com os outros suas descobertas

e e x peri ê n c ias , quando sente que isto pode s e r de alguma

utilidade. E é por isso que o ocidental escrev e . P e nso que ambos , indianos e o c identais , es t ã o certos e m seu s r e sp e cti v os pon to s de v ista; o qu e difer e s ã o s o mente a s ta r efas e miss õ es d ê sses e daquel e s.

MOUNI SADH U

13

DO PREF Á CIO D A SEGUN DA EDIÇÃ O

A PRI M EIRA EDIÇ Ã O dêste livro foi publicada e m outubro de 1952 sob o título I n Days af Gr e at P e a ce . S e guin do o con s elho de numer os as opiniõ e s fa v or áv ei s e su ge st õe s de p e ssoas autorizadas , t a nto da índia c omo do O c ident e , d e ci- diu-se fazer uma r ev isão da obra , adicio n ando-lhe al g uns capítulos baseados em meu diário do a s hram. Aa e xpressar m i nhas p r óprias e x p e riênci a s , par ec eu-me m e lhor usar a forma mais simples possível , e v itando t ê rmos técnicos da Yoga cl á ssica , qu e pod e r ia m c o nfundir o e stu- dant e n ã o familiarizado com ê les. Para transmitir ass untos espirituai s é n ec e ssár io ev itar sobr e carr e gar a m e nt e , pois isso de sv iaria a aten çã o e a m e nsa g em principal não se r ia absor v ida. Empr eg u e i , pois , as palavras ditas por Sri Maharshí em minha pr es en ç a e SW1S int e rpreta c ões . bem como outras sôbre os en s inamentos do Sábio . publicadas anteriorment e . cuias obra s foram r ev isadas por ê le . Tais c omo: L í f e and T e a c híngs af Sr i Rama n a Maharshi por Narasimha Swamí , 3 . a edi çã o , 1936 ; Maha

Yo aa por W ho . 3 . a e di çã o , 1947; M ahar s h i ' s Cosn e l 4 . a

edi ç ão , 19 4 6: Spirit u al Instruction

nhos compilados de ensinamentos do Sábio , d a dos por escri- to a seus primeiros dis c ípulos entre 1900 e 1902 . Após o passamento de Sri Maharshi , em 14 de abril de 1950 . foram publicado s alguns li v ros cont e ndo "no v as " in- t e rpretações de suas palavras , por discípulos antig o s do ashram. É poss ív el que essas obras estejam c orretas, mas preferi limitar-me à descrição dos nomes das obras acima , aprovadas

e Wha am I - dois livri-

pelo pr óprio Mestr e . Relatei ao l e itor o qu e e x p e rim e nt e i e re spons a bilizo-me pela ex atidão do que es c r ev i.

do Sábio v ari a m de acôr do c o m o

d ese n v ol v imento , afeiç ã o e prática de cada es tudant e . O e nsinam e nto em s i é t ã o simpl es que n ã o pod e h av e r g rand e difer e nça em seu t e ma principal , mas as int e rpr e t açõe s ind i -

viduais podem divergir em seus d e talhe s . A int e rpr e ta çã o

m a is v erdadeira é a que surge no coração do dis c ípulo p e l a

Os ensinamentos

Gra

ç a do Mestre .

A v erdadeira r ea liz açã o n ã o é o r es ult a d o d as pal a v r a s

do

e ns i n a mento e a pessoa n ão é a t ra íd a p ara o cam in ho

direto p e la ex atid ã o d a biografia do R í s h í .

U m Mestr e o ci d e nt a l di ss e n o co m êç o d ê s t e s éc u lo:

" Aqu ê l e qu e d e i x a ê ste mundo , ceg o e spir it u a lm e nte , per-

man ec erá c eg o ap ós a morte " .

corp o não traz , e m si mesmo , a iluminaç ã o. Sri Maharshi a c entuou, muitas v ê z es , a n ece ssidad e d e tentarmos experim e ntar a realização AQUI e A GORA , e n e nhum m e stre e spi r itual jamais c ontradisse a i s to.

Isto é , o f a t o d e d e i xa r o

Os S a ntos e o s Yogues compr ee nd e ram a n e cessidad e

diss o e n ã o o d e i x a r a m p ara m ai s t a rd e .

J á qu e a r ea li za çã o nad a mai s é d o q u e a e l ev aç ã o d e nossa c ons c i ê ncia a o n í v e l do S e r - E s pírito-R e a li d ad e , o q u e signifi c a tr a nscend e r a c hamada co n sc i ê n c ia " n o rm a l " d a m e nt e - c ér e bro - ou eg o - d eve , in e v it àve lm e nt e , se r s u c e- dida p or al g umas f o rmas de sup e rconsci ê n c i a ou sa m a dh i . E ss a s ex p e ri ê n c ias ex táticas s ã o ne ce ssárias ant e s d e obt e r -

-se o samadhi perman e nte e final ou Sahaja Sam adhi.

No

O c id e nte algumas p e ssoas chamam "Ini c ia ções " a o samadh i .

a Sri Mahr s hi p o r q u e ê l e , qu e

n ã o passara por e ss a s " Ini c ia ções"

nest a v i da , al c an ç o u

q u a s e im e diatam en te o s amadh í fin a l , r es p ond e u q u e a qu ê -

a lto d e v e t e r passa do p o r t ô -

l e q u e a l c a n ç ou o p o nto mais

d as a s o ut ras ini c ia çõ e s e m e x ist ê n c ia ant e r ior .

Quando pergunta v am

a ce itar o f a to d e qu e essa s ex p er i ê n -

i as s pirit u a i s s ão n ece s sá ri a s p a r a q ue po ssa m os alc an ç a r

A s sim , d eve m os

o

sta do d e " lib er to ", Ri s hi, J iv an- Mu kt í ou , s impl es m e nt e ,

M

s tr o . O s t ê rm o s

s ão sinônimos.

A s sim , c ada um de n ó s d eve ex pe r imentar i sso, e v en - tualm e nt e, mas os s e us d e talhes dif e r e m de ac ô rdo com as d i v e rg ê n c i a s d e indi v íduos. Mas s a b e r que outro s co nh ec e - ram e ss as ex peri ê n c i a s é encoraj a dor à s p e r sp e c ti v as do e studant e d a v erdade do Ser.

É e sta a razão do a parecim e nto d ê ste li v ro .

Quando

surg e a p e rgunta: " Qu e m lhe d e u e ssas e x per iê ncias?", a úni ca r e s p os ta p o s s í ve l d e ser ex pr ess a e m p a l avras é: "A ce rt ez a a b so luta d e qu e o caminh o ex iste , qu e D e u s pode s er al c an ç ad o e qu e so m e nt e o Mes tr e p o d e c onduzir-n o s a Êl e " .

" O que a c o nte c e a um

di s c í pul o qua ndo ê l e se se para do Mes tr e e m s e u corp o fí si -

co? " Tudo o qu e p osso di ze r é q ue a li g a ção co m o M e str e

nu nca s ofr e a lt e ra ç ão ou p re juí z o.

De m o d o mi s t e rioso o

M es tr e co nduz s e us s eg uidor e s para s e m p r e. H á qu e m a c h e q u e s e u pr ogres so se a ce lerou m a i s d e pois qu e o M e str e

d e ixou o cor po , do qu e quando es ta va ao lado d ê l e em sua pres e n ç a f ís i ca .

O Mes tr e ab e n ç oa a se ment e qu e s e meia e m nós e o t e mp o f az o r e sto , d e a cô rdo c om o m e r ec iment o d os discípu-

l os. E en t ão e n co ntr amo s a raz ã o do fato

e s tr a nh o d e o Mes t re m a ndar s e us di s c ípulos s a ir d o a s hram par a o mun d o. É qu e s e u pr ogres s o pode se r co mpletado f or a d o a s h ram.

T am b é m s ur g iu a p e r g unta:

a par e nt e m e nte

Apó s t e r s ido c ult iv ada na e stuf a , a planta d e ve cresc e r

a o ar li v r e .

M a s o s o l que brilha sô b re ela é o m e smo.

MOU N I

S A DHU

Junho , 1953.

Aos leitores brasileiros

:ÊSTE é , sem dú v ida,

um dos mais pr e ciosos

li v ros e s c ri-

ex peri ê ncias profundas da rea-

ini c iado dos nossos

tos por um hom e m lidade espiritual

dias .

cia genuína e imediata ;

qu e teve

aos pés de um grande

O valor único d ê ste livro está em seu cunho de viv ê n-

o autor n ã o t e nta s e r v ir aos l ei tor e s

Quanto à forma literária ,

fui convidado

pelo atual edi-

Foi

t r adu çã o

e di çã o do

tor a submeter

o qu e fiz , trabalho

q uas e inteir a m e n te

o rigin a l feita so b os auspí c ios do autor .

o te x to a ntigo a uma criteriosa

ês s e que m e ob r i go u

no va, d e a cô rdo

revisão .

a uma

com a última

D i as d e Grand e Paz pode

s e r o início de uma grande

todo

leitor que viva e ass i mil e o seu conteúdo , em dias de pro-

funda interiori z a ç ão . O f oc o ce nt r al do li v ro é o autoco-

é o an tiquís-

quinte s -

filosofia d a Grécia ; é o eterno "hom e m , torna-t e

imperativo categórico

nhecim e nto ,

simo e no v íssimo " hom e m , c onh ece -t e

s ê ncia da

atualm e nte o que és potencialmente",

O alfa e ôme-

g a d ê st e li v ro coin c idem

paz, d e uma " paz que o mundo

não pode

dar", para

manif es t a do

e m auto-realiza çã o ;

a ti m es mo ",

da mística oriental

e da p s i c olo g ia

ocidental.

c om a pr ó pria

alma do E va n g elho

algo que t e nha

p e nsado

s ô bre Ramana M a har s hi ;

n ã o te nt a

do Cristo , c on s ub s tan c iado

no s " d o is mand a m e ntos

e m qu e

sequer interpretar

a seu modo a doutrina

d o M es tr e -

não ,

c onsi s t e m

tôd a a l ei e os profetas " :

n a sublime verti c al

do

ê

le simplesmente

reflete, como um espelho fiel , o que sentiu ,

" primeiro

e maior

de todos

os mandamentos "

(autoconhe-

viveu, sofreu e saboreou ,

naqueles mom e ntos

d e inefá ve l

e

c imento ),

e na v a s ta horiz o ntal

do "s e gundo mandamento"

 

anônima felicidade , e m profundo

sil ê ncio e total

ego-vacul-

( auto-realização ) - místi ca revelada em éti ca.

dad e, quando

de Aruná c hala , s e m nada pensar n e m qu e rer , mas p e rmi-

tindo simplesm e nte

mestre fluísse da sua fonte cósmica e s e d e rramasse es po n -

s e ach av a

s e nt a do

na p e num b ra

do a s hra m

e s piritu a l

do

que a invisível plenitude

,

A Humanidad e ,

neste o c aso do s e gundo

dos seus problemas.

da e ra

pro c urando uma

saída

em qu e o ho-

mil ê nio

c rist ã , d e bat e -s e num caos s e m pr ec ed e ntes ,

saída do labirinto

real , a única solu ç ão dos dolorosos

Mas a únic a

probl e mas

tâneam e nte nos canais do discípulo r ece pti v o .

Mouni Sadhu ,

mem s e debate ,

é a qu e vem f r isada

e m t ô das as páginas

e ternos , d e i xav a

d e s e r eg o-p ensa nt e ,

eg o-

d

ê ste li v ro:

não é , e m primeiro

lugar , a reforma r e ligiosa

nes s es momento s -vi v ente , e g o-agente

- -vivido , co s mo- a gido , como di r íamos na lin g uag e m da no s sa

cos mo-

e t o r nava -s e c osm o- p e n sa do ,

I so c i a l da Humanid a de ,

e

mas sim

a c on v ers ã o indi v idu a l

do

homem . Enquanto o hom e m não fiz e r d e nt r o de si me s mo

Filosofia Cósmica , embora

vras, familiares a os l e itores dos m e us livros.

o autor n ã o s e sirva destas pala-

Sendo

o autor

ainda v i v o , a c r e sc e ntou

à última

e di ç ã o

do original in g l ês um c apítulo n ôvo e ntitul a do " O Caminho

Dir e to" ,

edi ç ões anteriores. difere da ord e m

Mas o c onteúdo do livro é se mpr e o mesmo , d e fa sc i n ant e

talv e z conh eç am.

Também a seq üê n c ia de outros capítulos

e cancelou

o capítulo

" Ad y ar ",

que fi g ura v a

em

que os leitor e s br as ileiros

aut e n c idade e v i vê n c ia

A present e edição recente edição ingl ê sa.

im e di a ta da r e alid a de.

portu g u ê s a é cal ca da

s ô bre

a m a is

o grande tratado

paz doméstica ,

A

ras e a rmistícios deira paz.

d e paz , não poderá

paz so c ial , paz na c ional,

haver

paz fora d ê le ,

paz internacional.

resum e -se em guer-

s ã o v erda- gu e rra que

história multimil e nar da Humanidade -

mas nem ês tes n e m aqu e las e m guerra ,

Armist í cios que culminam -

termina em armistício

é ê ste o eterno

c írculo vi c ioso da

Humanidade-ego,

porque

o homem-Eu

não e s tabeleceu

a

v erdadeira

paz den t ro

de si mesmo ,

o definitivo

tratado

d e

paz entre o seu eg o humano e o seu Eu di v ino; o h o mem

não pro c lamou sôbre as tiranias

ainda a sob e rania das circun s t â n c ias

da sua subst â n c ia

humanas ,

divina

e por isto a

19

,

I

Hu m anidad e só c onh e ce a " gu e r ra f r ia " dos arm i s t ícios ou

a " gu err a quent e" nos c ampos d e ba t alha . É ne ce ssário que o homem , fin a lmen te , t e nha a si nce- ridade de rezar o humi l de conf i t e or da pr ó pria culpa . d es - p e rt e em si o " prín c ipe da paz ", o s e u Cri s to i n terno , o P a i n ê l e , a luz do mundo , o reino de Deus , qu e sempre e st ê ve n ê l e, mas que o hom e m - ego n ã o d e spert o u n e m c ons c i en ti- zou d ev idamente . Culpa ger a s o fri me nto, mas o sofrim e nto , d ev idam e nt e r e conh e cido e a ce ito , pode s e r o pr e lúdio da re d e n çã o .

A Humanidad e , t ã o tremend a m e nt e c ulp a d a p e lo abuso do se u li v r e arb í tri o , e st á sof re nd o as co n seqü ê ncia s d a p ró - pria c ulp ab ilidad e, e s e gundo o E va n ge lho e as prof ec i as, é

I ê st e ap e n a s " o in íc i o d a s dor es" ; o s v ident es f a l a m d e

h o r -

ror e s cresc ent e s q u e c ulminar ã o , n o f im do séc ulo , co m u ma catástrof e mundi a l , tal v ez com um c ata c li s m a có smi co se m

prec e d e nt e

trem e nda conflagraç ã o mundial. Ouro d e lei , p o r é m , é t ão - som e n te o auto c onhe c imento d o s mestres: "a m a r ás o Se- nhor t e u D e us c om t ô da a tua alm a , c om t ô d a a tua m ente , c om todo o teu cora çã o e com t ô das a s tu as f ôrças"; auto- -r e ali zaçã o é tão-s o m e nt e a é ti c a tra ns bo r dant e d e sta m ísti - c a: " am a rás o t e u pr óx imo c omo a ti m es mo " .

O qu e não fôr ouro de l e i d esa p arece rá n a

é um brado d e alar m e p ara a

Humanidad e culpada e s o fredor a d ê ste o ca s o d o seg u n d o

mil ê nio -

no v a Humanidad e r e mi da , na

O x alá o hom e rn- eg o de hoje s e ja o pr e lúdi o do h o m e m- - Eu d e amanhã!

e ao m es mo t e mpo um r a i o d e es p eranç a p ara a

al vo rada do t e r ce iro mil ê ni o .

D i a s d e Gra n d e P az

H U BER TOR O HD EN

.

São Pa u lo , ca ix a postal 1025 .

o

CAPÍTULOI

CONVIV:f':NCIA COM OS SÁBIOS

A conv iv ência

com os S á b ios que reali z ar am

a

Verdade remove o s apego s ma t eria is ,

são r e movidos , as i n clinações d a m e n te são des t r uída s

e , q uando ês t es

c

ompl e tamente.

E aquê l es c u jas in c l inações ment a is

s

ã o d es t r u í d as,

t o rn a m- s e Um

c o m A qu il o

que

é

i

Proc u r a i , port ant o ,

mutáve l

e obtê m

D

a o br a Tr u t h

a lib er t ação

a i nd a

n es t a

vida.

a con v i vê n c ia com ta i s S á bios.

R e vealed

D e M AHA R S HI

MANARSHId e i x o u êste mundo se i s m ese s d e p o i s d e t e r e u d e ixado a índia . Entr e as s uas últ i mas pala v ra s f i guram es tas: " Di ze m qu e es t o u morrendo , m a s estar e i aqui , ma i s v ivo do q u e nun c a. Par a onde e u p o d er ia ir " ? Muit os d e seu s di sc ípulos , qu e re s idiam a milhares de milhas do a s hram, souberam de sua morte no próprio dia em que oc orr e u . P e l a s inform açõ es r ec ebidas v e rificou-se que a n otí c ia foi c omuni ca da mi s ti ca m en te , ou , p o d e r-se-ia diz e r , f o i i rra diada vár ia s horas ant e s d e ê l e d a r o último su s pir o, e m lu g ares da í n dia e m que as c art as c h e gavam s o m en t e d e pois d e uma s ema n a. M o s tra v am a i n d a estas i n f o rma çõe s qu e n e nhum discípul o ve rdadeiro d o M estre s en tiu t r i s te z a o u d eses p ê ro . A m es m a atm o s fe r a d e uma lúcida ond a d e paz e luz e spiritu a l f o i sentida pel os cora- ç õ e s de seus dis c ípulos , tanto no a s h r am do Santo , como à distância .

21

 

" O mundo com s e us f e nôm e nos

físi c os é p a ra nos s o Eu -

e

R ea l como um s o nho

do.

Pr e ocupa-s e

ou uma s o mbr a pa r a o h o m e m

o hom e m

com

o s onho

a

d a

co rd a

ac aso

ant

e rior

ou c om a sombr a proj e tada

pelo s e u corpo ?" -

noit pa-

l a v ra s d e Maharshi .

" N e nhuma

da s r e l i g i ões

do mundo conseg u i u

esp iritu a -

l i z a r o u tornar f e li z a Hum a ni d a de , a inda qu e t ô d as t en ham

dado l ib e rtaç ã o - " s a l vaçã o " , e m linguag e m comum - a

muitos indivíduos - " b i ndo .

pal av r a s

do filó s ofo i ndi a no Sri A uro -

O poder e spi r it u al

d e t o dos os san t os e s á bio s é se nti d o

mais v í v ida e dir e t a m e nt e p e l o s s e us cont e mpor â n eos.

Co m

o

corr e r

do t e mpo,

o qu e e ra u ma r evela çã o

t o r na - s e

um

d og ma morto . E , qu an d o um po v o ca noni za um sa nt o e con st r ó i t e mplos para ê l e , ê s s es t e mp l o s o e n ce rr a m

em sua s

es t re it as p a r ede s ,

onde o es p í ri to

é suf oc ad o

e cessa de

ser

um

a

I ô r ça

v i v i f i ca n te e in sp ir a dora.

S e us s eg ui dores,

e m

su cessiva s g er açõe s , que s tionam

pa l avras atri bu ídas

d os t ex tos "

ensino u o G ra n de Se r , i sto é , - " t or n a r- se sem e l hante a

ê

e nt re si s ô bre cada u ma das

Di sc ut em a "a u tenticidad e

ao Mestr e .

e fazem tudo , m e nos o q u e de m a i s impor t ant e

l e. "

Con tud o ,

n em t ô das

as sem e ntes

c aem em t e rren o

á ri -

do .

esp e rança

h o m e ns c omo M ah a r s hi

A l gumas d ã o abundant e s

do futuro

c ol h e i tas .

E n e l as errante .

a A v id a de

no c lar ã o

r es ide

da Humanidade

S ão s e m e -

l han t e s ao s m e t e oro s q u e e m s ua ro t a ilumin a m a n o it e m a is

es cura . , Aqu ê l e s

dess a l uz , saberão ,

d á pro va d es ta ver dad e .

o c a m i nh o ,

qu e p o d e m p e r c e b e r

d a li p o r diante ,

aonde ê le c onduz .

22

C APÍTULO II

o PR IMEIRO ENCON T R O

Q U A NDO c h eg u e i à morada

de Ma h ars hi , c h am a da

o

R A M AN ASHR A M,e sa lt e i do ca rro d e duas rod a s , exa t a m e nt e

em fr e nt e ao t e mpl o, apesa r da h ora

tar dia fui l evado à pre -

se n ça d o Sá bio , d e ac ô rdo

co m o cost um e

d o l ugar .

 

Ma h ars hi e s tav a s e nt a d o n o vest íbulo ,

ju n to a um a das

par e d es ,

o utr as p ess o as -

e p a r ec ia

t e r term in a d o

H avia

a lí

t ô da s in d ianas

-

s ua r e fei çã o . sen t a d as

e m f il as en t r e

as c o luna s.

F ui c ondu zido

para perto d e M ah arshi

e a p e s-

s o a que m e co ndu z iu

qu a i s a única qu e ente ndi fo i o nome do p a í s donde

procedia . O s an to levan t o u a cabeça , o lh ou - m e e f ê z -m e

u m gesto com a mão para que me aproxi m asse .

diatam e nt e , pela d e li c ad ez a

qu e estava em fr e nt e de um g rand e homem .

d i sse a l g u mas p a la v r as

.aó sábio , d a s

eu

S e nti , imo-

e sua v idade d ê sse mo v imento ,

Sua atitude

era t ã o n a tura l

q u e n e nhum

r ec ém - c h egad o

se s e ntia admirado ou tímido , e e m pr e s e n ç a de M a har s hi

tôda a cr í ti c a paz de fa z er conscientem e nte

g i nava ê sse pri m eiro en c ontro ,

i m a g e m d o San t o estava gravada nitidamente e m m i nha

mente , nesse i nstante , s e m nenhuma u ma f i gura é apan h ada num f il m e. s e r e xp l i c ado sem pa l a vras , t e ntar e i

idoso , magro ,

como e u o vi , era u m h omem

M a h arsh i , m u ito e sbe l to ,

Mas , como nada pod e descrev e r sua apar ê ncia .

A s sim , fui in ca -

s ub-

q u e quand o ima -

o u c uriosid a d e obs e rva çõ e s

de s apar ec ia . ou c ompara ç ões ,

a i nd a

possa t e r tido essa inten çã o ,

ant e s d e v i r ao a s hra m .

q u a l if i ca ç ão ,

A

t a l c om o

d e cab e l o branco;

sua

p e l e era

da côr

d

e

If

,

velho marfim; os mo v imentos

fisionomia transmitia o estado natural de um a c on ce nt r ação

interior sem o mais leve esfôr ç o d a vont a d e . Ou dev e ria

dizer qu e a lcan ç ou ê ss e es t a do q u a ndo

empr e gar

ou al c an ça r al g um fim , pe l a s impl es r a z ão de qu e tud o ha vi a s i do a l c anç ad o ? Era a prim e ira m a nif es t açã o d a

irradia ção

durante os m e s e s subs e qüentes. E no mom e nto e m qu e

escrevo estas palavras admiro-m e menor d e talhe , pod e ndo ev o c á-lo

grafia g r av ada

mesmo eu ignora v a.

c o m o fot o -

dia após di a ,

fá ce is , su ave s

e c almos ;

a

j á n ã o e ra necess á r io

o pod e r da v ontad e

in v i sív el ,

para d o min a r a l g um obs t ác ul o

qu e fui t es t e m u nh ando

d e não t e r esq uec ido

o

d o m e u cér e bro

nu m a o c ulta

c h a p a sensí ve l ,

c uj a ex i s t ê n c i a

Mo d e s t a

ce ia indian a f o i s e rv id a -

um po u c o d e ar r oz ,

v egetai s te r min e i

que me encontrei no p e qu e no quar t o pr e p a rado par a mim ,

d e it e i-m e e dormi im e di a t a mente , longa v iagem.

da

Qu a n do Lo go

e fru tas

sô br e u m a f ô lha

d e banane ir a .

r e ti

a ref e i çã o , M a h a r s hi

j á se ha via

ra d o.

pois es t a v a ca n sa do

24

~ !

CAPÍT U LO

III

A VID A NO A SHRAM DE MAHARSHI

P AS

dia s e guint e

a me

e nfronhar

n as c oisa s

do

ASHRAM

S E I O :

os h orário s de m e d i t açõ es

em p res e nç a

do M es-

t re , a h o r a d as r e f e i çõ es , etc .

Ti v e

de pr o t eg er

também

al g umas pro v i sõe s d e b ôc a , qu e ha v ia l ev ado comigo , c ontra

as

r e dor das l a tas d e m e l e de biscoitos , ainda que estiv e ssem

formiga s , que se m d e m o ra d e scobrir a m

e se reunir a m

ao

c nhar á gua para b e b er ,

herm e ticam e nt e

fe hadas .

Também

ti v e de tratar

numa fonte pr óx ima.

de apa-

A v id a s impl es do as hr am a u x ili a a g e nt e a co n ce n t rar-

-se e m e r g ulh a r prof u ndam e n te

atm o sf e ra d o lugar , car r e g a da co m o s p e n s am e nt os

p es so as qu e bu sc ar a m

os ensinam e nto s

fa vo r áv el à int e rioriz a çã o.

da co lina sag rada

no s e u inter i or .

A pr ó pria d e tant as

o s eu ver dad e i ro

t o rna

Eu , d e a cô rd o co m

e

do Mestr e,

a mente

introspecti v a

A influ ê n c ia invisív e l e pod e r o sa

tamb é m

contribui

para a

d e A runá c hala

c ri açã o d ê sse a mbi e nt e t a rde.

isto falar e i mais -

Às 7 h o r a s da manhã fort e s o m de um gongo nos anun-

esp ec ial ; ma s s ô b re

c ia v a a hora do d e sj e jum . Quando chegu e i ao ref e itório ,

Mah a rshi subia os poucos degraus

auxiliado por di v ersos indianos , seus assistentes p e rman en tes.

Nessa manh ã clara notei , pela prim e ira

m e nt e p recá rio de se u fí s i c o . Caminh av a com dificul d ade,

p o is tinha os joe l hos e tornozelos in c hados pel o r e um a ti s mo.

O bra ç o e s que r do

a um tumor maligno , que se m a nifestara

antes e que, a despeito

que para alí conduziam,

v ez, o e stado

rea l-

e c o to v ê lo

en v oltos em ataduras , d ev ido

c ê rca de seis me s es

não havia ces-

de duas operações ,

25

sado su a obra de stru i d o ra , qu e c a us a ria a m o rte d e M a har- s hi, um ano mai s tard e . Tinha a cabeça lev e ment e p e ndi- da, o que aum e ntav a a impressão d e que estava b e m do en t e ; todo o s e u corpo , aliás er e to e fort e, e stava , então , c urvado e fraco.

Chegado ao refeitório , Maharshi tomou seu lugar junto à parede oposta à porta da entrada , onde se s e ntou s oz i n ho, À sua frente foram espalhadas fôlhas v e rdes sôbre o assoa- lho, onde se acomodariam os resid e ntes. Eu ocupei um lugar à direita, a uns tr ê s metros de distância, e ê sse foi

sempre o meu lug ar à m e sa e stada no ashram .

O sábio, d e acôrdo com os costumes indianos, comeu com a mão . S e us movim e ntos par e ciam automáticos. Vi que se ap e rc e bia d e tudo o que s e passava a o s e u r e d o r , reagindo a seu modo aos f e nômenos da v i da exterior, mas eu estava certo de que o seu Eu real não tomava parte nas funções e ações de seu veículo visível. Mais tarde compre- endi que, de acôrdo com os seus próprios ensinamentos, êste plano de existência física era, para êle, como um sonho. Compreendi também que, se e u não conseguisse realizar ê sse estado em mim com relação ao exterior, jamais poderia conhecer a Realidade. A compreensão desta verdade é o primeiro passo real para nos libertarmos dos grilhões da mente. Durante tôda a nossa vida, a mente cria milhões de p e nsamentos sem finalidade alguma. U m dos dis c ípulos europeus do sábio tev e esta fras e exata: " N ossa m e nt e cria seus próprios probl e mas , e então procura resol vê -Ias , mas

ê les jamais ter ã o solução , pois isto não é possível na esfera limitada de sua atividade ."

Há três refeições durante o dia, no ashram; a primeira às 7 horas; o almôço às 11,30, e o jantar às 17,30. Às 15 , 30 6 s e rv ido aos hóspedes e visitantes do ashram chá, café ou I. l i. , a p dido p e ssoal, conforme o meu caso. Os pratos são 111 111 pr p ar a d o s , mas a lguns v ege t a is ou past é is v ê m muito

durante o p e ríodo d e minha

t

I"PC !'Iulos

s ã o ardidos d e ma i s par a o paladar eur o p e u.

1:111 111I

'.

p o r é m , co mpr ee ndi qu e n e s se c lima tropi c al o s

t

I I l 111 101'11 li faz m bem , e com e c e i a com e r molhos ardi-

dos de pim e nt a e out ro s pratos , c om e x ceçã o de alguns , que os s e rv e nt es, not a ndo qu e fi cava m no m e u p rato d e fôlha, cessaram d e s e rvir-me. Maha rs hi c omi a um p ou c o d e c ada c oisa . N o f im da r e f e i çã o , quando se r v i a m a - coa lh a d a , ê l e abri a um e sp a ço no meio do arroz p a r a o líquido , f a z e nd o um ges to a o br â mane

qu

e o se rvi a q uando tinha o sufici e nt e . J a m a is d e ix o u um

g r ão d e a rr oz e m se u pr a t o

d e f ô lh a . I ss o é c onsider a do

c omo um d e v er por aqu ê l e s qu e conh ece m os co stum e s

hindus , qu e regem c ad a p a s so do indivíduo no plano físico .

A prin c ípio , e u n ã o p o d ia c ompreend e r e s s a s ubmiss ã o do

sábio a c o stume s e x teriores , uma v e z qu e ê le via o

mundo como uma ilus ã o da no ss a mente e d o s cin c o senti- dos , seus se r vos . Mais tarde , na pres e n ç a de Maharshi, minha m e nt e foi- se tornando c a da vez m a is tranqüila e mais apta a julgar corretamente e , quando todo s os horizontes do pensamento se tornaram mais claros , essa dúvida , bem como muitas outr a s , desapareceram.

Durante as primeiras semanas no ashram, Maharshi passava o dia todo , com exc e ção das horas d e sono e das refeições , numa pequena cabana coberta de fôlhas d e bam- bu, próxima ao edifício da biblioteca , que ficava e m frente ao refeitório. Ali s e dei x ava ficar reco s tado sôbre uma grande pedra forrada d e esteiras , e coberto com colchas de algodão e umas pouca s almofadas .

É h á bito e urop e u riais , e , as s im qu e vi

o c orr e u-m e o p e n s am e nto d e qu e seu re u matismo d e via-s e a

ter- s e ê l e s e nt a do em p e dra dur a nte mui t os anos . Não

comp ree ndi qu e o qu e pode acon t ecer e m país e s m a is frios

não acont ec ia n e c es sàri a m e nt e na India , o q ue mais t a rd e

grande

julg a r tudo p e l a s ap a r ê nci a s m a te-

Ma h a rshi n aq u e l a

ca ma d e p e dra ,

obs

e rv e i durante a s noites em que visit e i a s a grada c o lina

de

Arunáchala , i s to é , que as e norm e s ped r as da colina , on-

de

m e sent a va , con s ervav a m o calor do sol por muitas horas,

e

não s e to r navam fri a s durant e a noite t ô da. Di a nt e d e M a h a r s hi , s e nt a dos no a ssoa lho , ac hav a m- s e

se

us dis c ípulo s e os visit an t e s . A l g uns s adh us, di sc ípulos do

M es tr e , co n s tum ava m vir d a s c av er n a s d a c olin a A run ác hala,

para as m e dit açõe s da m a nhã e da tard e .

Tod o s os dias

recitavam-se

os Vedas, e

antes

última

ê stes os hinos

da

refeição

compostos

Cada quinze

hin o s sacros,

entre

Mah a rshi , quando

mais môço .

eram

"

O silêncio

é a mais

poderosa

forma de ensinam e nto

cantados

p e lo

transmitido

de Mestr e

N ã o e x iste pala v ra

pela

próprio

dias ,

qual

s e possa

transmitir

a dis c ípulo . o qu e

é importante,

as ve rdad e s

um br â rnane

erudito

que residia

no ashram canta v a

mais profundas " .

Pal av r a s

d e Mahar s hi.

um A m e l o dia que

n u nca

memó-

belíssimo

era muito h a rmoniosa

pude entender , permane c eu

hino , e m lou v or

ao "Deus e o final

Uni ve rsal " .

das pala v ras,

para sempre

e m minha

Com e cei

a e sc ut a r

co m muita

a ten çã o o alto grau

d o pensamento ,

o sil ê n c io

qu e d e c on ce ntra- ne ce s sá rio

rod e a v a o M e str e . C o mpr ee ndi

çã

dos movime ntos

o , o c ontrôle

ria

, como muitas

: Mais tarde ,

outras

coisas dessa morada

no turbilh ã o

da v ida terr e na ,

de paz . quando r e lern-

brava as pal av ras de Mah a rshi: " Pensa no t e u Eu r ea l " , e

par a pod e r tanteme nte

ç ão . C o mpre endi t a mb é m q u e m e us e x er c í c io s ant e riore s

abrir

a p o rt a

d a m e n te

à s s utis v ibra ç õ e s

rumo

à e l eva da

c ons- ini c ia -

irradiadas

p o r Ma h a r s hi ,

c

ompr e endi

a nec e ssid a d e

disto , v erifiqu e i

qu e

a m e móri a

 

não eram dos melhor e s

e qu e a qui p r o vav am

dessa melodia ,

o som interior d e la ouvido, harmonizava

ime -

t

e s.

A prin c ípio

foi d esa nim a dor

s e r in s ufi c i e n- os métod o s

ve r que todos

diatamente minha consci ê ncia.

 

tinham de s e r reexaminados

 

Levei

tempo para

me ajustar

ao ritmo

da

v ida

do

Cheguei a c ompre e nd e r

e mudados. qu e t o do

o conhe c im e nto

qu e

ashram;

nem

pude

aproximar-me

logo Infimamente

de

eu podia alcançar

e assimilar

a q ui d e p e ndia

d e m i nha

pró-

Maharshi.

A princípio sustentei

lutas com o mental

descon-

.

pria atitude,

e que

eu e ra

r es ponsável

pelo

qu e pud es s e

fiado,

que tinha

a tend ê ncia

de imiscuir-se,

e m busca

de

obter desta oportunidade

única,

que jamais

se repetira.

faltas ,

na vida daqu e les

que rod e avam

o sábio .

Eu

e stava

apenas perdendo

um t e mpo

precioso

" moinho

numa batalha

vã do

m

e u mental,

que era qu a l

o M aharshi

atra v és

de vento " .

Olha v a

da estreita

cidad e la

do meu

ego

, da minha

pequ e na

p e rsonalidade .

Sabia qu e n ã o d ev ia

faz

e r isto , q u e d ev ia

dar um pass o

para

fora

do m e u

e go ,

num caminho

mais amplo ,

e qu e

som e nte

as s im pod e ria

e n c ontrar

ilumina ç ão .

 

Esta v a eu atra vessand o

uma pro v a

b e m c onh e c i da

dos

psicólogos ocultistas.

Pode a m e nte

ra c iocinar

e discutir

as-

suntos ele v ados;

pod e

a té criar

obras

em qu e

id é i as

es piri-

tuais s ã o expo s ta s ,

sob a inspir açã o

do M e stre .

Mas , qu an do

o R e al ,

temos

de nós!

dissonante. nt retanto , 1\1\ f i d o sá bio

a e x peri ê n c ia

da Realidade

s e apro x ima ,

q u ando -

ai

nota

de vi ver o que foi tão inteli g entemente

Então

se abr e

um abismo ,

então

os dias s e suc ediam

foi produzindo

e x posto soa um a

e a radia ç ão

que ema-

l e ntamente

efeitos invis íveis.

Ou , por outra ,

exatamente

nha c ons c i ê ncia.

N a práti c a , goc ê n t ricas ,

e

seria

eu sabia

que

fá c il

a luz a penetrar

à abertura

a bandonar

de crenças

em meu

ser

de mi-

proporcional

não

er a

das portas

minhas opiniõ e s

cristalizadas ,

c o m-

eu as c on s i-

t ô das as formas

para ç õ e s e preven ções.

dera v a inabaláveis ,

d

d

m e nt e de v ido a compara ções

e u , repres e ntam

g r a ndes Mestres que mostr a ram à Humanid a d e t ã o m a ra-

Buda , Cristo e outros

Qu e papel, pergunta v a

d e c onflit o

à prova a V e rda-

Muitas d es sas crenças

e agora daqu e l e

v ia que não resistiam qu e ha v ia realizado

int e r i or

e fogo da presen ç a

e.

Muitos mome nto s

ti ve , pri nc i pa l-

c om a lguns mestres do pa s sado .

vilh o sos caminhos

para

a sal v a ç ã o ?

N ão d ev eríamo s

a d e r i r

à

queles

que

nos deram

sinais tão inconfundí v eis

d e su a

divindad e ?

Não de ve ríamos

s e guir seus vestígios?

 

Muitas outras dú v idas

e h e sita ç ões

havia, que

deixo de

relatar, fusa s .

estranha morada, inesperadam e nt e

por não haver

A resposta

utilidad e

em repetir

tais i déias

c on- nesta simples. ca tólic o

às m i nh a s

dú v idas

um

ve io , como tudo

e de modo muito casal

europ e u ,

de Maharshi e , prov à velmente

 

p

r ln Ipio, desejava

eu falar-lhe,

mas desanimava

dian-

Contaram-me

que,

certa

vez ,

I

up rficialidade

do que eu

tinha

a dizer.

Por

fim ,

romano,

estava em presen ç a

lI,

1\ I ntuiç ã o

mostrou-me

o caminho

certo .

sob o encanto

da incompará v el

santidade

e sublimidad e

do

nmbl e n t e , exp r essou m a ls tradicionalmente

suas emoções

familiares

em forma

de preces ,

a êles , e o sábio

disse:

as

" E l e s t ê m outro mestre

e oram a ê le . 11/[ as isto não t e m

im p or t dncia. Existe apenas Um".

J á havia

lido muito

sôbr e Maharshi

antes

d e

ir

ao

a

d e to dos os que dêle se aproximavam ,

mo nstrasse nem falasse sôbre isso.

s u rp r ee ndeu ,

p e ss oalmente , para sentir o pod e r ex tr a ordinário

Era necessário , tr e sem a certeza

lu t o . bem como una c o m a do discípulo ,

lização do autoconhecimento . Quando

lado de Maharshi , as c onchas que s e param as personahda- des se rompem e se dissolvem. Sinto ês s e pro ce sso semp r e

que estou a seu . lado.

s h r am

e sabia

que ê le podia

observar

o conteúdo

embora

interior

o de-

nunca

As s im , ê sse fato não me

por es sa e xp e ri ê n c ia ,

do M estr e. no Mes-

con f ian ç a

é un a co m o A bs o -

é impossív e l

a r e a-

ao

mas e u tinha

de pa s sar

pois sem uma i n t e i r a de que s ua c o n s c i ê ncia

as semanas

se sucedem e permanecemos .

A

mudança importante de minha própria vida deu-se

no dia

em que M a s hrshi s e transfe r iu

p a ra o hall do templo;

êste é construído em puro estilo indiano , no lugar onde a

mãe de Maharshi foi sepultad a

si, a princípio ,

tia muito bem na caban a c oberta

irmão , superintendente

res assim

imploraram-lhe

que pouco importava

Maharshi r es pondeu entã.o

em 1 9 22 . Diziam que M ahar-

di ze ndo

qu e s e s en- m a s qu e s eu

n ã o d e seja v a mudar -se ,

do a s h r a m,

d e bambu ;

e al g uns. d e se us a uxilia-

diant e

do

sant o ,

t e ndo em s e gui-

o decidiram

e , prostrando-se

que concordasse.

o local onde estamos ,

da concordado

com o que lhe pediam.

Um grande

canapé

de granito

gravado

e c ob e rto

p o r

uma colcha indiana bordada,

esperava

o sábio

no hall do

templo, que deveria

servir como s ua última morada.

O

templo , construido

em granito c in z a , bel a J?ente

tra-

balhado , conserva o tradicional

estilo indiano,

al i ado

a al-

g uns detalh e s de c o nfôrto mod er no. S em muita escultura ou qualqu e r outro ornamento, al g umas colunas es g uias a o

ce ntro ,

e l é t r i c os e forte luz fluores c ente , c au s ava a grada ve l Im-

pr e ssã o.

a mplas

janelas

e muit a s

port a s , c o m ven;:il a d~r e s

Próximo ao leito de Maharshi havia uma pequena

estan-

te com alguns livros, uma mesinha

e , à sua frente ,

indiano , queimando todo o hall.

e um relógio de parede,

com a vareta

de incenso

fragrância por

um porta - incenso

o dia todo e espargindo

Ao meio-dia Maharshi foi conduzido

ao hall com certa

solenidad e, eu ha v ia

à qual n ã o a s sisti , por t e r sido no momento

t e rminado

a m e ditaç ã o

ao hall ti v e de

procurar

da manhã . lugar;

a uma

das colunas,

em

que voltei à tarde

local escolhi um próximo

Quando

neste nôvo

em frente

de Maharshi ,

donde podia

ver os seus olhos.

O hall e sta v a

dividido e à esquerda

e m duas par t es:

as mulheres.

à direita

fica-

Pequeno gradil

movediço fôra colocado em frente do leito do sábio, para

mar c ar o limite da apro x imação

com as per-

nas cruzadas e m posi çã o de medit aç ão , r e costado s ô br e

varri os homens

dos devotos e visitante s.

Maharshi

estava sentado , como de costume,

almofadas , com a cabe ç a lev e m e nte

in c linada

p ar a o ombro .

Via-se que a cerimônia

tinha cansado

s e u corpo fraco.

s e é que se pod e

Sua

fraqueza pr e ocupou-m e

a prin c ípio ,

ficar

preocupado em sua pre se nça . Pouco a pouco , porém, fui-

-me acostumando

a v ê -lo as s im.

Além disso , não tinha

ido

ali para

pr e star

aten çã o

a o lado

"vi s ível "

das cois a s ,

que

pouco me afetavam . Às 1 7 ,15 horas começou

prolongou por 45 minutos.

correspond ê ncia

sou a vista ràpidamente

do ashram , um indiano culto, de longas barbas grisalhas, vestido de tanga e com uma manta branca sôbre os ombros

como única vestimenta ,

berem a assinatura

do dia anterior. Maharshi leu-as tôdas , cuidadosamente,

colocando cada carta outra vez dentro de seu respectivo envelope. Raras v ê zes fazia observações, e o secretário

retirava

com as sugestões d ê le.

a re c itação

dos Vedas ,

que se

à

E então Maharshi

atendeu

ch e gada

de tôdas as partes

pelos jornais.

do globo e pas-

Depois o secretário

trouxe um maço de cartas para rece-

do sábio , em resposta à correspondência

essas cartas para fazer a devida

correção,

de ac ô rdo

Terminadas, silêncio e paz.

afinal, as atividades

do dia, reinava

ali

CAPÍTULOIV

LÁGRIMAS

COM algum esf ô rço cons e gui acalmar minha mente . El a

Ja cria pensamentos , e os que surgem se de sv an e c e m im e -

. Contemplo o Santo intensamente , olhando nos seus grand es olhos negros , bem abertos . E repentinamente começo a compree nd e r. Como po - derei expressar em nossa linguagem terrena , exatamente , o que realmente compreendo? Como poderei dizer , co m

palavras baseadas em idéias e e x periências do homem co - mum , que criou e modelou a nossa língua , essas coi sa s mai s ele v adas e mais sutis? Poderei dizer que compr e endo qu

a v ida de Maharshi não está con c entrada n este pl a no t e r - reno? que se estende muito além do nosso mundo ? qu e ê le contempla um mundo real e diferente do nosso , um mundo que não e stá sujeito a t e mpestad e s e a mudan ç a s? que ê le é um facho de luz diante do trono do AltÍssimo , espargindo seus raios por todos os lados? que ê le é como

a fuma ç a do incenso que se eleva constant e mente para o

céu azul que vemos além do t e lhado do templo? qu e s e u s

olhos , que nest e instante me fitam, par e cem transmitir -

n ã o , posso dizer n a da mais - nem po s so pensar

apenas uma onda de lágrimas s ô br e a minh a fa c e , que flu i

sil e n c iosa , abundant e e ser e nam e nte. Nã o é d e dor , s ofri -

mento ou arr e p e ndimento . Nã o sei dizer qual sua causa. E atra vé s dessas lágrimas eu ve jo o Mestr e. Ele b e m lh es conhece a fonte . Sua fisionomia séria e quase solene ex pre s- sa ilimitada compreensão e amizade e fulgura com uma luz

diatamente , como as pequenas nuvens no céu

indiano

Sinto

82

i n t e rna , qu e a toma d if ere nte d e t ô das as outras fisionomias humanas. N a luz das suas pupilas profundas c ompreendo , re pentinam e nte , a raz ã o e o moti vo de minh a s l á grimas .

S im , e u "ve jo " , afinal. A

f o rte e n ã o é possí ve l c re r im e di a tam e nte na ve rdade do q ue "v ejo " . É " isto " r e almente pos s ív e l? Mas o olhar d e M a harshi par e ceu traz e r a confirma ç ão. Posso dizer apenas q ue há m o mentos d e e xperiência interior tão importantes , t ã o c h e ios de con se qü ê n c ias , qu e p o d e m e xe r ce r impacto n ã o som e nt e s ô bre uma e n c arna ç ão , e sim sôbr e muitas. Há

ilumina çã o rep en tina é muito

ma n c has e m nós qu e d eve m d es apar e c e r para qu e mais luz

po s s a surgir . Nenhum a á gua

s s a s m a n c h a s , pod e purifi c ar a al ma . Tal ve z o ú n i c o v aso q u e sir v a para i s so é o co ra çã o , e a ú ni ca á gu a , um a t o rr e nt e d e lág r imas .

d e v aso terreno p o d e la v ar

"A paz que ultrapassa tôda a compreensão humana."

As m e ditações d e ssa natureza continuam por alguns dias ,

I s ã o seguidas por outra fase. As lágrimas dão lugar a uma

qu i e tude int e rior e a um sentimento d e inexprimÍv e l , indes-

o rit í ve l feli c idade . Essa disposição interior é independente de qualquer oondíção externa . Nem a dor das pernas , que muitas vêzes IIOS incomoda, quando ficamos muitas horas sentados na mes- m a posição , nem as picadas dos mosquitos, nem o fatigante

o n l o r , nada pode perturbar essa paz interior. Êsse estado se pl ' longa, enquanto eu não permito que a mente crie novos Pl n sa mentos. E novamente aparece o mundo com seus pro-

hl m a s inquietantes , suas ansiedades e expectativas.

M a s , uma vez descoberto o segr ê do dessa e x peri ê ncia, I .lá a b e rta a porta para a sua repetiç ã o , e pod e mos recorrer

(Ia n o v amente . Estou bem certo de que a as s ist ê ncia do M( s t r e é o fator mais importante nesse primeiro vislumbre n s c i ê u c ia supram e ntal. Não creio que ê le est e ja inter -

11/1

1\

(I ri n d o a tivamente, mas sua prese nça, sua irrad i ação constan-

h pro duzem, espont â neamente, êsse efeito.

11

E então olho as pessoas que s e acham no hall do templo

~ brâmanes

e os sem-casta, europeus e americanos, homens

e mulheres,

velhos, moços e crianças, todos sent e m-se felizes

aos pés do Santo.

Todos sentem essa felicidade e seu grau de receptividade.

de

acôrdo com a possibili-

culto pode

O brâmane

dade

pensar que, estando

aos pés d? Santo, esteja mais pró;i~o

da libertação

da roda de

renascímentos e mortes.

O drávida

escuro espera

que

a colheita

do seu modesto

arrozal seja

mais abundante

depois de uma visita ao ashram para prestar

sua homenagem ao Vidente.

cançar a salvação

ex-estrêla

cinza-prateado,

hindu

O americano

pode esperar

al-

e a felicidade

do

norte

sentir-se

do samadhi.

da India,

no

Uma artista ,

de cinema,

poderá

bela no seu sari Svarga, o paraíso

E a mim parece

que a espêssa

neblina

horizonte se está tornando

cada vez menos

que encobre

densa

o

e que se

aproxima

o dia em que nada mais haverá entre mim e a Rea-

lidade.

Vejo também, neste momento, a tremenda taref~ 9-ue

me cabe.

Vejo que

não possuo

os elementos

necessanos,

mas isso não me deprime,

como acontecia antes

Uma

vez que essa paz está além do tempo,

a questão

"quando "

e

"como" não surge.

E recordo

as palavras

de Maharshi

em

resposta a uma pergunta similar.

parecem confirmar o meu sentimento:

Li-as recentemente

e elas

"O Eu Real é tudo. É onipresente;

conosco.

Viver nêle é a Realização".

por isso está sempre

84

CAPÍTULO

V

A GL6RIA DO SENHOR

"A GLàRIA DO SENHOR manifesta-se em seus Santos."

Estive observando atentam e nte

Maharshi hoje, quando

dava suas instruções,

ou , como diz o hindu:

dava o darshan,

êle está visível até o meio-dia

tinha,

bambu, próxima

residentes no ashram e por inúmeros visitantes e peregrinos.

Fala muito

alguém diretamente. Sua face é inspiradora,

renos, de infinita bondade e compreensão.

negros parecem estar contemplando

cabeças de todos os presentes,

concentrar em qu e m quer que seja , penetra recesso do coração de cada um.

o que

significa

que

para todos

os que

o

procuram.

De manhã

e das 15 , 30 até à noi-

coberta . de

êle fica no hall do templo

da biblioteca,

ou na cabana

rodeado

pelos discípulos

que se dirige

a

e poder

extra ter-

Os grandes olhos

por cima das

não se

pouco e são raros os casos em

de serenidade

o infinito

e seu olhar , parecendo

no mais profundo

E é realmente

difícil evitarmos mergulhar

nosso olhar

nesses olhos quando

estamos perto de Maharshi.

Êle reina

em silêncio ; sôbre a variada

multidão

que o rodeia,

consti-

tuindo

um

foco para

tantos

e tão

variados sentimentos

humanos.

Aqui se modifica novas idéias entram

de extrema pureza e paz que o Sábio irradia

constantemente impele cada um de nós a examinar e verifi c ar

tôdas as nossas crenças

o caminho

de nossos pensamentos,

no campo de nossa consciência.

A atmosfera

e opiniões ;

e isso surge espontân e a-