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COMUNIDADE CRISTO DE BETÂNEA

Lisboa, 5 – 8 -2009

Depois de ter lido estas 40 páginas de artigo que um senhor pastor luterano, de
nome Rodrigo Portella, que escreveu numa revista brasileira sobre a Comunidade Cristo
de Betânea, apeteceu-me logo responder-lhe, para o advertir das milhentas afirmações,
gratuitas, que não poderiam nunca passar por ter o estatuto de verdades aí apregoadas!
O Senhor Portella fez-se convidar para ser recebido na comunidade, pela sua
coordenadora, dizendo que queria fazer uma tese de doutoramento sobre comunidades,
ou novos movimentos religiosos na Europa. Foi bem recebido e o encontro com a Dr.ª
Irmã Hercília Pinto, fundadora da Comunidade Cristo de Betânea, ficou marcado. Com
ela teve o seu diálogo, num dos edifícios da universidade do Minho. Teve mais
encontros com diversos irmãos escolhidos a seu bel-prazer - desconhecemos o critério-
tanto em Braga numa lojinha da comunidade, como em Fátima, como em Famalicão,
numa das feira semanais, que a comunidade usa como estratégia para oferta de ajuda a
quem dela precise e não são poucos os casos! Esteve ainda no Festival de Verão que
esta comunidade organiza, com semelhante objectivo de evangelização.
Para já uma coisa me espanta: Sabendo o senhor Rodrigo Portella quem é a
pessoa da coordenadora da Comunidade Cristo de Betânea com quem falou, muito me
espanta que no seu trabalho sempre a chamasse de “Hercília”, o que me prova a sua
precária educação e preparação. Vindo de um país perito em seitas, não soube dividir o
trigo do joio!
A Comunidade Cristo de Betânea não nasceu há dois dias. Tem já cerca de 28
anos de vida na Igreja, com muito trabalho realizado em Portugal e em diversos outros
países, nomeadamente no Brasil. Não é por isso uma obra dos homens, senão de Deus
que pelo Espírito Santo a fez surgir na Igreja. Por isso é aceite, não só a nível das
dioceses onde está implantada ao serviço da Igreja, em Portugal e no estrangeiro, como
a nível da Igreja católica através da sua aceitação como Membro Efectivo da
Associação Católica das Novas Comunidades, Associação de Direito Pontifício. Está aí
ao lado de muitas outras Novas comunidades europeias, como as Grandes Comunidades
“Emanuel” e a das “Beatitudes” e de outras, de outros continentes, como a Canção Nova
e a comunidade Shalom, ambas de origem brasileira. Ainda em Fins de Outubro de
2008 foi recebida no Vaticano pelo Papa Bento XVI juntamente com cerca de 70 bispos
amigos das Novas Comunidades, que em encontro paralelo ao das Novas Comunidades,
se debruçaram sobre a realidade das Novas Comunidades, tão importantes na Igreja,
hoje. Pela vida comunitária e de Evangelização, pelo trabalho que faz nas Igrejas
diocesanas onde tem casas ou centros de escuta e acolhimento, e pelas diversas acções
que desenvolve destinadas às pessoas em sofrimento psico-espiritual, que tanto
abundam neste nosso tempo, a Comunidade Cristo de Betânea é bem conceituada entre
todas as outras do mundo, tendo sido já sido responsável por apresentação de trabalhos
em encontros Europeus e Mundiais, da Associação referida.
Eu sou membro externo não consagrado, desta comunidade, há 10 anos.
Conheço-a muito bem, em Portugal e também no Brasil. Estive em Arapiraca, zona
muito pobre e necessitada de ajuda. E é isso o que lá fazemos: acolhendo e apoiando
essa gente o melhor possível, realizando o nosso carisma de Compaixão. Recebemos já
cinco mil pessoas, vindas de todo o lado, para um Fim-de-Semana com o Padre Rufus
Pereira, no qual esteve connosco o nosso bispo nessa diocese, D. Valério Breda,
atendendo pessoas e presidindo à Eucaristia de encerramento
A diferença é que, sendo nós parte da Igreja Católica Apostólica, fundada por
Jesus Cristo, até podemos ser retrógrados, aos olhos de Rodrigo Portella. Mas, somos
fiéis a Jesus Cristo, e quando pecamos Ele perdoa-nos. Ele perdoa, pois vivemos e
servimos no esforço de sermos Seus fiéis servidores. E também, efectivamente é o
Espírito Santo que conduz a Igreja e que por isso a serve de instrumentos adequados à
sua realização, tanto no interior de si mesma como para o exterior de si mesma. Por isso
Ele é o autor das Novas Comunidades, e por isso desta Nova Comunidade que se
chama “Cristo de Betânea”, centrada verdadeiramente em Jesus Cristo e não em datas
nem em número de pessoas. E não a fez surgir de um dia para o outro, como se de um
edifício material se tratasse. Feito primeiro um projecto, arranca a obra em tal dia às
tantas horas! Não! Tudo é bem diferente. E esta, como todas as outras obras de Deus,
vão sendo feitas ao longo do tempo, assim como ao longo do tempo vão recebendo
projectos da mão de Deus, através da Igreja e de pessoas, para na Igreja os realizar. É
por isso que a coordenadora teve dificuldade de apontar datas e números. É a mesma
dificuldade que eu e muitos de nós terão. E não por qualquer das meras suposições, ou
insinuações, filhas da fantasia entrosada com experiência e pessoal, apresentadas no
trabalho. E olhe que as pessoas não são tão pobres de cultura e até de bens, como
suspeita. Suspeitou apenas… É que, normalmente os cristãos, quando se entregam a
Deus e à sua obra, deixam tudo o que é do mundo de lado. Eu sou uma delas! Outrora
para mim era importante a estatura sócio-cultural e económica. E tinha-a. Depois da
minha conversão e entrega a Jesus Cristo, desapareci de todas as grandes criações e até
da televisão. E hoje pouco me basta. Digo como S. Paulo: “Para mim, viver é Cristo. O
resto é esterco”. Foi pena que o senhor Rodrigo Portella não me tivesse entrevistado,
para ficar a saber um pouco de verdade acerca do poder de Deus, manifestado nesta e
através desta comunidade, e por isso da sua mesma realidade! E é bom saber-se
também, que o Senhor Rodrigo Portella chegou à Comunidade Cristo de Betânea
através de um membro externo desta mesma comunidade: a Professora Doutora
Fernanda Estrada, Professora de Matemática na Universidade do Minho e orientadora
de estágios de mestrados e de doutoramentos
Com tanta ligeireza foi abordado o tema do artigo pelo seu autor, que até nos
revela desconhecimento, não só das Novas comunidades, como também das outras
organizações de espiritualidade e de evangelização existentes na Igreja Católica. Talvez
esteja aí a razão pela qual lida com grande indiferença de termos para designar a
Comunidade Cristo de Betânea: “Comunidade”, “Movimento”, “Instituto”… Na Igreja
católica, todos esses termos designam realidades diferentes.
O conhecimento aprofundado das Novas Comunidades, que hoje pouco ou nada têm a
ver com novos Movimentos religiosas na Igreja Católica, e um profundo interesse pela
verdade científica, ajudariam o Senhor Rodrigo Portella a evitar muitos dos erros
cometidos, ao tentar abordar o interessante tema da História da Comunidade Cristo de
Betânea, tendo evitado enganar ou deixar perplexos os leitores do artigo acerca da
realidade desta comunidade na Igreja Católica. De contrário, com esse tema
honestamente abordado, prestaria um grande serviço a esta Comunidade e à Igreja. È
que, dando nós a prioridade ao Reino de Deus, nas nossas actividades, nem tempo teve
ainda a coordenadora para retirar do computador parcelas da história desta Comunidade
aí escritas e com esses e outros dados fazer um todo interessante para todos os membros
e não só. Porém, abordado o tema com tanta superficialidade, algo se aproveita do
trabalho de Rodrigo Portella: Teve o mérito de nos unir mais em comunidade, de nos
fazer parar um pouco, pensar, conversar e consultar fontes diversas, que Rodrigo
Portella podia ter consultado, para podermos ir escrevendo, aos poucos, mas com o
rigor que faça transparecer a verdade do passado e do presente da Comunidade Cristo de
Betânea! Sem poder perder mais tempo com este assunto,

Maria Luísa da Câmara Falcão Bravo